#425 “Mark Fisher e o Desejo Pós-Capitalista” - com Amauri Gonzo


Resumo

Este episódio do Vira Casacas celebra o lançamento do livro ‘Desejo Pós-Capitalista’, coletânea das últimas aulas de Mark Fisher. Amauri Gonzo, envolvido na edição e tradução das obras de Fisher no Brasil pela Autonomia Literária, conversa com Gabriel Divan e Felipe Abau sobre a importância do pensador britânico.

A discussão percorre a trajetória de Fisher desde seus tempos como blogueiro do K-Punk até se tornar professor na Goldsmiths University. Gonzo explica como ‘Desejo Pós-Capitalista’ representa o ‘disco perdido’ de Fisher - aulas transcritas que mostram seu pensamento em construção, abordando autores como Lyotard, Deleuze, Guattari e Lukács para pensar como superar a captura do desejo humano pelo capitalismo.

Os participantes analisam a evolução do pensamento fisheriano, desde ‘Realismo Capitalista’ até estas aulas finais, destacando como ele se reaproximou de tradições da esquerda britânica e passou a valorizar aspectos da contracultura dos anos 1960 que antes criticava. A conversa também aborda a depressão de Fisher e como sua obra foi interrompida pelo suicídio, comparando-o com Kurt Cobain como figura de uma geração.

O episódio explora conceitos centrais como ‘realismo capitalista’ - a dificuldade de imaginar alternativas ao capitalismo - e a necessidade de criar um ‘pós-desejo’ que escape à lógica mercantil. Os debatedores discutem ainda como a cultura (música, cinema, literatura) oferece pistas para vislumbrar futuros pós-capitalistas, mesmo que Fisher tenha uma visão excessivamente centrada na experiência britânica.

Na parte final, são apresentadas recomendações culturais que dialogam com temas fisherianos, incluindo a série britânica ‘Adolescence’, o filme ‘Starship Troopers’ de Paul Verhoeven, e livros sobre movimentos políticos alternativos e selos musicais de esquerda.


Indicações

Filmes-Series

  • Starship Troopers — Filme de Paul Verhoeven que os participantes descrevem como uma das melhores críticas ao fascismo, embora muitas pessoas não percebam a ironia. Baseado em livro fascista, mas transformado em sátira pelo diretor.
  • Adolescence — Série britânica em quatro episódios sobre a prisão de um menor acusado de assassinato. Gabriel Divan destaca sua abordagem burocrática que dialoga com temas fisherianos e sua estrutura inovadora em plano-sequência.

Livros

  • Desejo Pós-Capitalista — Coletânea das últimas aulas de Mark Fisher sobre como superar a captura do desejo humano pelo capitalismo. Gonzo descreve como ‘disco perdido’ que mostra Fisher pensando ao vivo com seus alunos.
  • Realismo Capitalista — Obra seminal de Mark Fisher que analisa por que é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. Primeiro livro de Fisher traduzido no Brasil com participação de Gonzo na revisão.
  • Fantasmas da Minha Vida — Coletânea de escritos culturais de Mark Fisher sobre música, depressão e ‘hauntology’. Gonzo participou da revisão e escreveu o glossário desta edição brasileira.
  • Eu Quero Acreditar: Possadismo, OVNIs e o Comunismo do Apocalipse — Livro de Andy A.M. Skitlitz sobre o possadismo, fração trotskista liderada por J. Posadas que acreditava em aliens comunistas. Gonzo recomenda como história divertida e inspiradora de pensamento radical.
  • Radical Records — Enciclopédia de selos musicais de esquerda que lançaram vinis desde os anos 1950. Gonzo recomenda para conhecer a história da resistência cultural através da música.

Musica

  • Pusher 147 — Jovem artista punk contemporâneo que tem vídeo produzido pelo selo Crise, Crise, Crise. Gonzo recomenda suas músicas curtas e energéticas.

Projetos

  • Crise, Crise, Crise — Podcast/banda onde Amauri Gonzo é vocalista, que recentemente lançou conteúdo audiovisual sobre o carnaval de rua de São Paulo. Gonzo anuncia nova tradução do texto ‘Comunismo Lisérgico’ de Mark Fisher.

Linha do Tempo

  • 00:11:10Introdução ao convidado Amauri Gonzo e ao livro Desejo Pós-Capitalista — Gabriel Divan apresenta Amauri Gonzo, envolvido com a edição das obras de Mark Fisher no Brasil. Gonzo explica que está no programa por causa do lançamento de ‘Desejo Pós-Capitalista’, livro que reúne as últimas aulas de Fisher. Ele contextualiza a importância de Fisher como pensador que antecipou a estagnação pós-crise de 2008.
  • 00:13:38Quem é Amauri Gonzo e sua relação com Mark Fisher — Gonzo conta sua trajetória como jornalista gaúcho que trabalhou na Conrad Editora, Vice Brasil e Ponte Jornalismo. Ele relata como foi fã de Fisher antes do sucesso de ‘Realismo Capitalista’ e como insistiu para editoras brasileiras publicarem o autor. Gonzo participou da revisão e introdução das obras de Fisher publicadas pela Autonomia Literária.
  • 00:21:45Desejo Pós-Capitalista como o ‘disco perdido’ de Mark Fisher — Gonzo compara a obra de Fisher com a discografia de Kurt Cobain, onde ‘Realismo Capitalista’ seria o ‘Nevermind’ e ‘Desejo Pós-Capitalista’ o disco inacabado. Ele explica que o livro reúne aulas de um curso sobre como superar a captura do desejo pelo capitalismo. Fisher ministrou cinco aulas em 2016 antes de tirar a própria vida, deixando o curso incompleto.
  • 00:30:36Quem é Mark Fisher para os participantes — Felipe Abau responde à pergunta sobre quem é Mark Fisher, destacando sua capacidade de se modificar e sua identidade como blogueiro que escrevia sobre música, marxismo e cultura. Abau valoriza a abordagem não-acadêmica de Fisher e como sua crítica cultural é essencial para entender seus escritos políticos. Ele descreve ‘Desejo Pós-Capitalista’ como um fechamento que conecta várias linhas do pensamento fisheriano.
  • 00:38:57O Fisher professor e a construção coletiva do pensamento — Gonzo descreve o Fisher que aparece nas aulas transcritas: um professor que pensa ao vivo, admite dificuldades, dialoga com alunos e constrói conhecimento coletivamente. Diferente de professores soberbos, Fisher mostra vulnerabilidade intelectual. As aulas têm qualidade de ‘registro ao vivo’ que revela o processo de pensamento em ação, com interrupções e digressões.
  • 00:58:54A ortodoxia marxista como Harley Davidson do tiozão de esquerda — Gabriel Divan faz uma analogia provocativa: a ortodoxia marxista é como a Harley Davidson do tiozão de esquerda - uma postura nostálgica e pouco inovadora. Ele defende Fisher como um teórico marxista importante precisamente por ir além da ortodoxia, fazendo leituras arrojadas do mundo contemporâneo através da cultura. Divan reconhece o britano-centrismo de Fisher, mas valoriza seu ponto de observação privilegiado.
  • 01:08:30Realismo capitalista e a crise da imaginação política — Os participantes discutem como o realismo capitalista se manifesta na dificuldade de imaginar alternativas ao trabalho assalariado. Gonzo argumenta que a rejeição da CLT pelas gerações mais jovens é sintomática dessa crise. Sem alternativas concretas ao capitalismo, as pessoas buscam saídas individuais como jogos de azar, coaching ou igrejas neopentecostais - ‘sintomas mórbidos’ do fim de uma era.
  • 01:25:00CrowdHealth: exemplo de iniciativa pós-capitalista nos EUA — Felipe Abau apresenta o caso da CrowdHealth, startup estadunidense onde membros pagam mensalidades para cobrir despesas médicas uns dos outros. Os participantes debatem se isso representa uma forma embrionária de mutualismo ou apenas uma adaptação ao mercado. Gonzo critica por ser uma startup capitalizada, não uma cooperativa, e teme seu eventual ‘enfeitiçamento’ (encherification). Divan vê ali um desejo comunista disfarçado.
  • 01:38:03Dicas culturais e encerramento — Os participantes oferecem recomendações culturais: Felipe sugere reassistir ‘Starship Troopers’ como crítica antifascista; Gabriel indica a série britânica ‘Adolescence’; Gonzo recomenda livros sobre possadismo e selos musicais de esquerda. Gonzo também anuncia novo conteúdo audiovisual do podcast Crise, Crise, Crise sobre o carnaval de rua de São Paulo.

Dados do Episódio

  • Podcast: Viracasacas Podcast
  • Autor: Viracasacas Podcast
  • Categoria: News Politics
  • Publicado: 2025-04-01T03:32:00Z
  • Duração: 01:59:16

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:00:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

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[00:04:00] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:04:30] A BESTIALIDADE IMPERIALISTA

[00:05:00] Mary. Ela diz, gente,

[00:05:01] vou ter que comentar já no começo, isso no nosso

[00:05:03] episódio lá com o Pontinho, Gabriel.

[00:05:05] Então é pra ti essa mensagem. Opa, opa.

[00:05:08] Tô passeando com o meu cachorro

[00:05:09] e soltei uma gaitada no meio da rua

[00:05:11] com esse aui

[00:05:13] do Gabriel Divan.

[00:05:16] Eu tô afetado aqui

[00:05:17] pela rinite e

[00:05:19] pela troca de temperatura, então hoje

[00:05:21] não vai ter cantoria.

[00:05:23] Mas é isso aí, né? Aui, mauê.

[00:05:26] Foi muito inesperado,

[00:05:28] apesar da introdução do Pontinho,

[00:05:29] que também fez sucesso. Teve gente pedindo referência

[00:05:31] bibliográfica

[00:05:32] da introdução que o Fabrício Pontinho fez.

[00:05:36] Obrigado por continuarem com essa

[00:05:37] belezura que é o Vira Casacas, Vida Longa.

[00:05:40] Tamo aqui junto. Obrigado, Mary.

[00:05:42] Mary.

[00:05:43] Lembra do clipe do Supergrass, aquele?

[00:05:46] Sim, né?

[00:05:46] I got a girl and her name is Mary.

[00:05:49] Maravilhoso. Foi proibido esse clipe, né?

[00:05:51] Porque a menina na banheira,

[00:05:53] aquela coisa meio aterrorizante.

[00:05:55] Eu pensei no Mary do

[00:05:57] Morphine, lá no Mary Wants to Call.

[00:05:59] Mano, hein?

[00:06:00] Porra, Morphine é bom demais, velho.

[00:06:03] Bom demais.

[00:06:04] Vamos aproveitar que, entre outras

[00:06:07] coisas,

[00:06:10] o nosso convidado

[00:06:11] e o livro que está sendo lançado

[00:06:13] em primeira mão nesse Vira Casacas, falam

[00:06:15] bastante sobre música também.

[00:06:17] Então já vamos passar o serviço aqui.

[00:06:19] Em primeiríssimo lugar,

[00:06:21] Desejo Pós-Capitalista.

[00:06:23] Aulas de Mark Fisher,

[00:06:25] agora traduzidas pelos craques da

[00:06:27] autonomia literária, lançando

[00:06:29] aí no Brasil. Então mais uma

[00:06:31] obra de sucesso desse pensador incrível.

[00:06:34] Mais um livro que certamente

[00:06:35] você quer na sua coleção.

[00:06:37] Então vai lá na autonomia literária,

[00:06:39] faça a sua compra e usa o cupom

[00:06:41] CRISE, CRISE, CRISE.

[00:06:43] Porque é os guri, né?

[00:06:45] É os cara. E é claro,

[00:06:47] se você também

[00:06:49] estiver aqui ouvindo isso

[00:06:51] agora, porque você não pulou os vivas,

[00:06:53] você fez que nem a Dona Rita, você

[00:06:55] é uma pessoa de caráter, do bem.

[00:06:57] Então aqui vai uma pequena

[00:06:59] dica aí.

[00:07:01] Reposte no Blue Sky

[00:07:03] ou poste um

[00:07:05] stories no Instagram, falando

[00:07:07] do episódio, linkando o episódio

[00:07:09] e comentando alguma coisa

[00:07:11] sobre a gente, sobre o Mark Fisher

[00:07:13] e aí você está concorrendo já

[00:07:15] pimba, a um sorteio da obra

[00:07:17] pra ela ser mandada bonitinha pra sua

[00:07:19] casa. Fora isso tudo,

[00:07:22] a gente pode muito bem

[00:07:23] pensar num próximo Natal

[00:07:25] do Abau, de repente, e vamos

[00:07:27] espalhar a palavra de Mark Fisher pra tudo que é lá

[00:07:29] então lembrando, quer comprar

[00:07:31] o livro? Usa o cupom

[00:07:33] CRISE, CRISE, CRISE, tudo junto

[00:07:35] lá na Autonomia Literária.

[00:07:37] Quer tentar a sorte na roleta aqui, que é

[00:07:39] justa, não é tigrinho, aqui você ganha

[00:07:41] ganhando e você, né,

[00:07:43] tem chance. Então vai lá,

[00:07:45] reposta esse episódio no Blue Sky

[00:07:47] ou faz um story com

[00:07:49] menção a ele e menção a

[00:07:51] Mark Fisher no Instagram e aí

[00:07:53] você está concorrendo ao sorteio.

[00:07:55] Por hora, Felipe, é isso.

[00:07:57] E aí no Natal do Abau, o próximo a gente

[00:07:59] vê o que a gente faz, mas já deixamos no ar, né,

[00:08:01] alguma coisa, né, mais ou menos assim, né,

[00:08:03] pra bons entendedores, né. Vai ter, vai ter,

[00:08:05] vai ter, né, pra quem nos apoia sempre tem,

[00:08:07] sempre tem vantagem. É, e no mais,

[00:08:09] né, a gente precisa ir lá de uma vez, porque

[00:08:11] o nosso convidado fala pra caralho,

[00:08:13] pelo amor de Deus, que homem que fala,

[00:08:15] cara. Mas é claro, ele tem

[00:08:17] muito a falar, né, porque tem uns assim, ó, tem uns

[00:08:19] que falam e não dizem nada. E tem outros

[00:08:21] que precisavam falar e não falam, né,

[00:08:23] porque o silêncio dos bons, né, é pior do que

[00:08:25] a ladainha, né,

[00:08:27] dos creontes. Mas é o negócio é o seguinte,

[00:08:29] então, o episódio vai começar

[00:08:31] em breve, mas a gente precisa dizer que

[00:08:32] apoia o Vira Casacas. Apoie

[00:08:35] da maneira mais fácil possível, que já

[00:08:37] é um belo de um apoio. Não espalha coisa

[00:08:39] ruim, espalha coisa boa. Projetos

[00:08:41] independentes como os nossos precisam que

[00:08:43] você mencione, que você

[00:08:45] sugira, que você avalie nas

[00:08:47] plataformas, que você dê o seu play,

[00:08:49] que você encomende pras outras pessoas.

[00:08:51] Olha aqui, ó, esse episódio tem a tua cara,

[00:08:53] velho, esse aqui você vai gostar. É assim que a gente

[00:08:55] faz propagar as coisas legais.

[00:08:57] Primeiro ponto. Segundo ponto,

[00:08:59] vamos lá pro Din Din, Cacau,

[00:09:01] faz-me rir, né. A gente precisa

[00:09:03] de colaborações de vocês, porque

[00:09:05] a gente é independente,

[00:09:07] anarquistas, graças a Deus, né,

[00:09:09] independentes, né, glória. Então,

[00:09:11] o que que significa? Significa que

[00:09:13] a gente precisa que você, talvez,

[00:09:15] se puder, considerar

[00:09:17] colocar pelo menos cinco reizinhos

[00:09:19] mensais na nossa mão.

[00:09:21] A gente paga os profissionais

[00:09:23] que trabalham com a gente, a gente paga

[00:09:24] servidor, a gente paga aqui contas

[00:09:27] atinentes ao podcast e ele continua

[00:09:29] sendo assim. Eu sempre vou dizer isso.

[00:09:31] Não é pagar pelo conteúdo. O conteúdo

[00:09:33] é grátis. É dar uma força

[00:09:35] podendo pra que, inclusive, as pessoas que

[00:09:37] não podem, possam também consumir

[00:09:39] o conteúdo na Buena e a gente consiga

[00:09:41] tocar o barco. Então, vai lá em

[00:09:42] apoia.se barra vira casacas

[00:09:44] ou em orelo.cc

[00:09:46] e deixa lá pelo menos

[00:09:48] cinquinho por mês. Se der cinquinho

[00:09:51] por mês, eu quero dar mais, eu

[00:09:52] tô por cima da carne seca. Então, tá,

[00:09:54] pode dar mais. Mas cinco por mês já é uma

[00:09:56] bela quantia. E, é claro,

[00:09:59] vai se utilizar

[00:10:00] dos serviços, por exemplo, como o do

[00:10:02] careca safado, usa os

[00:10:04] cupons que tem em viracasacas.com

[00:10:07] compra por ali, o desconto também nos

[00:10:08] reverte alguma coisa. Você vai

[00:10:11] doar bastante pra esse careca

[00:10:12] sem vergonha, então, pelo menos, faz

[00:10:14] chegar um pouquinho na gente, no contrabando ali.

[00:10:16] Vai comprar uma geladeira

[00:10:18] chega ali num

[00:10:21] post nosso e diz, ô, vira casaca, te manda

[00:10:22] o linkzinho aqui pra nós. Porra,

[00:10:24] caralho, dá pra fazer isso aí também.

[00:10:27] Fazemos qualquer coisa.

[00:10:28] Não, esses dias

[00:10:29] fizeram, pediram o link, assim, não, não,

[00:10:30] não é dica cultural, eu só quero um link de vocês

[00:10:33] pra eu comprar alguma coisa. Então, beleza,

[00:10:35] é geladeira, é carrinho da criança,

[00:10:37] tem aquela marca, né, Kiko

[00:10:38] de carrinho. Rapaz, o negócio é assim,

[00:10:40] o preço é uma Ferrari, o Kiko.

[00:10:43] É a Ferrari dos carrinhos, né?

[00:10:44] Não é merchan, tá? Eu não uso o carrinho,

[00:10:46] não tenho filho e tal. Mas o fato

[00:10:49] é, vai comprar o carrinho, vai comprar a geladeira,

[00:10:51] geladeira grafite,

[00:10:53] hein, geladeira prateada.

[00:10:54] Sinal de sucesso, sinal de

[00:10:56] tá bem sucedido na vida. Então, é aí, ó,

[00:10:59] pede pra gente o link, ó, manda o link

[00:11:00] e pronto, né, resolvido. Perfeito,

[00:11:03] Gabriel. Vamos pro episódio.

[00:11:04] Desejo o pós-capitalista. Vamos pro episódio aí.

[00:11:07] Dá-lê.

[00:11:10] Gabriel Divan!

[00:11:11] Estou aqui pra dizer que

[00:11:12] há alternativa. Olha, que

[00:11:14] maravilha, cara, que bonito.

[00:11:16] Já começamos muito bem esse episódio aqui.

[00:11:19] Gabriel, nós estamos

[00:11:21] também com um convidado que fazia

[00:11:22] tempo, a gente tinha intimado ele, na verdade.

[00:11:25] A gente disse assim, você não vai escapar,

[00:11:26] é a primeira parada, tem que

[00:11:28] ser no Viracazacas, e a

[00:11:30] promessa está sendo cumprida.

[00:11:32] Olha, é com muito orgulho aqui que

[00:11:34] a gente diz que se tem

[00:11:36] edição de luxo caprichada

[00:11:39] de Mark Fisher no Brasil, tem

[00:11:40] Viracazacas, velho. É assim desde

[00:11:42] sempre, e assim sempre será.

[00:11:45] E nós estamos aqui com um dos

[00:11:46] caras que mais entende do babado,

[00:11:49] que mais entende do riscado, que

[00:11:50] tá envolvido com tudo isso, ele vai

[00:11:52] nos explicar essas e outras

[00:11:54] coisas, porque tem livro novo

[00:11:56] na área, é por isso que a Mauri

[00:11:58] Gonzo está conosco. E aí, meu velho?

[00:12:00] Olá, olá, ouvintes do

[00:12:02] Viracazacas, sempre uma honra

[00:12:04] estar aqui, não vim aqui há muito tempo,

[00:12:06] eu não lembro se eu participei de algum episódio com a

[00:12:08] Bau, inclusive. Não?

[00:12:10] Não, é a primeira vez. Primeira

[00:12:12] vez que eu tô aqui, então, com o

[00:12:14] doutor Abau, doutor

[00:12:16] Gabriel Divan, aliás,

[00:12:18] esse negócio aí do crise

[00:12:20] tá vindo no Vira, né?

[00:12:22] Quem não sabe, eu sou um dos vocalistas do

[00:12:24] podcast barra banda

[00:12:26] crise, crise, crise, que a gente…

[00:12:28] que a gente fica aí bagunçando o coreto

[00:12:30] em torno do Brasil, a gente, inclusive,

[00:12:32] tem novidades pra anunciar, mas deixa mais pro fim.

[00:12:35] Agora, a gente tem que atualizar

[00:12:36] nosso lema, nosso lema sempre foi

[00:12:38] rappers, jornalistas e atores pornô,

[00:12:40] né? Era a galera que frequentava as festas na minha casa

[00:12:43] antiga, e

[00:12:44] hoje, agora é rappers, jornalistas, atores pornô e

[00:12:46] professores de direito, não é

[00:12:48] qualquer coisa. Ator

[00:12:50] pornô. Ator pornô.

[00:12:52] Ator pornô, apesar de frota nunca foi em casa.

[00:12:55] Graças a Deus, né? Pelo amor de Deus.

[00:12:56] Opa, opa. Ó,

[00:12:58] pra quem não sabe, entre outras coisas,

[00:13:00] né? A galera do crise aí cola

[00:13:02] com a gente há um bom tempo,

[00:13:04] a gente, felizmente, tá com eles

[00:13:06] também, andamos juntos no recreio,

[00:13:08] essa galera toda, e o último

[00:13:10] trabalho feito aqui

[00:13:12] em colaboração conosco,

[00:13:14] vocês podem conferir no magnífico

[00:13:16] Vira Casacas número 406,

[00:13:19] a anti-

[00:13:20] bundamolização da esquerda

[00:13:23] social club, né?

[00:13:24] Que contou aí com o

[00:13:26] Júnior Rocha, contou com o Malen, o Malen Lonca,

[00:13:28] agora nós estamos aqui com o Gonzo, que é mais

[00:13:30] um integrante, vários integrantes da banda

[00:13:32] já estiveram aqui, né? A gente prestigia

[00:13:34] muito a banda, né? E o

[00:13:36] fato é, meu querido Gonzo, que

[00:13:38] a primeira questão do dia é

[00:13:40] você explicar quem

[00:13:42] o senhor é para fins de

[00:13:44] eventualmente alguém não conhecer o seu trabalho,

[00:13:47] né? Como diria o Bolo, você chama isso

[00:13:48] de trabalho, né? Pois bem,

[00:13:50] alguém não conhece o seu trabalho,

[00:13:52] então, a primeira pergunta que eu

[00:13:54] faço é, quem é a Mauri Gonzo

[00:13:56] e por que diabos, eventualmente,

[00:13:58] ele é a pessoa certa para estar aqui

[00:14:00] num programa como esse de hoje?

[00:14:02] Pessoa certa, eu acho que eu nunca sou, né?

[00:14:04] Eu sempre acho que sou uma pessoa errada, mas

[00:14:06] é… a Mauri Gonzo

[00:14:08] é um gaúcho, um gaudele,

[00:14:10] juí, do Rio Grande do Sul,

[00:14:12] barbaridade, que

[00:14:14] perdeu o sotaque há muitos anos, depois de morar no

[00:14:16] Paraná e tal, e mora aqui em

[00:14:18] São Paulo há muito tempo. Sou jornalista

[00:14:20] de formação, formado pela Universidade

[00:14:22] Estadual de Londrina,

[00:14:24] famosa, inclusive esses dias eu

[00:14:26] fui na casa da minha ex

[00:14:28] buscar

[00:14:28] carteirinha de

[00:14:30] prestador e voluntário

[00:14:33] de serviços, porque na verdade

[00:14:34] eu consegui um empreguinho

[00:14:37] logo depois que eu me formei lá,

[00:14:39] como técnico do laboratório

[00:14:41] de vídeo da faculdade,

[00:14:43] eu já editei vídeos, mas eu sou

[00:14:44] da época então antiga

[00:14:47] que na minha época a gente usava VHS

[00:14:48] pra… não era muito

[00:14:50] digitalizado, era uma porcaria.

[00:14:53] E depois vim aqui,

[00:14:54] trabalhei na Conrad Editora,

[00:14:56] que lançou muitos nomes,

[00:14:58] a galera sempre costuma dizer que é

[00:15:00] importantíssima, talvez

[00:15:03] um dos principais responsáveis

[00:15:04] por junho de 2013 aqui no Brasil,

[00:15:07] lançou muita coisa importante

[00:15:08] dos situacionistas, muito quadrinho

[00:15:10] também importante, hoje

[00:15:11] continua seu trabalho, de certa forma, com a Veneta,

[00:15:15] o Rogério de Campos continua trabalhando na Editora Veneta,

[00:15:17] depois trabalhei no G1,

[00:15:19] quando ainda não era

[00:15:20] o senhor G1, era engraçado,

[00:15:23] os caras, você falava

[00:15:24] com a sua imprensa, trabalha no G1,

[00:15:26] o cara falava, que?

[00:15:28] É site, é site, sei.

[00:15:31] Hoje é grande, força da Globo

[00:15:33] e tal, mas eu era jornalista de música

[00:15:34] por muito tempo, ainda escrevo muito

[00:15:36] sobre música.

[00:15:39] Trabalhei na revista Soma,

[00:15:40] revista independente aqui de São Paulo, distribuída de graça,

[00:15:43] e depois trabalhei muitos anos na

[00:15:45] Vice Brasil, a famosa Vice Brasil.

[00:15:47] O sonho

[00:15:48] de consumo do millennial, trabalhar na Vice,

[00:15:51] né?

[00:15:51] A MTV da nossa geração.

[00:15:54] A MTV da geração

[00:15:56] millennial, né?

[00:15:57] Quem trabalhou, trabalhou.

[00:15:58] Quem não trabalhou, não trabalha mais, porque não existe mais.

[00:16:00] Virou um negócio, um antro

[00:16:02] de nazi chato, horrível,

[00:16:04] aquele corno sem smith.

[00:16:06] Já tinha lá, né? Histórias e tal.

[00:16:08] Outro dia a gente conversa sobre Vice Brasil.

[00:16:10] A gente faz um episódio especial, lembrando

[00:16:12] a Vice Brasil, com o André Maleronca,

[00:16:15] que era editor-chefe.

[00:16:17] E aí, também, há muito

[00:16:18] tempo, aí depois eu trabalhei

[00:16:20] na Ponte de Jornalismo,

[00:16:22] com violência policial. Depois do fim

[00:16:24] da Vice, eu trabalhei durante quatro anos

[00:16:26] na Ponte de Jornalismo, saí no…

[00:16:28] no meio, meados de 2024.

[00:16:31] Foi uma

[00:16:32] escola, uma escola sobre

[00:16:34] situação da polícia no Brasil, que é

[00:16:36] segurança pública,

[00:16:38] conversar muito com advogado,

[00:16:40] conhecer muitos advogados, por causa disso,

[00:16:43] né? Questão do direito,

[00:16:44] criminal e tudo mais, essa loucura.

[00:16:47] E desde então,

[00:16:48] há muito tempo, assim, eu venho falando

[00:16:50] que a gente precisa lançar o Mark Fisher no Brasil. Eu sou

[00:16:52] um desses raros fãs do Mark Fisher,

[00:16:54] que é fã do Mark Fisher antes do

[00:16:56] Realismo Capitalista, que é o livro,

[00:16:58] eu sou da época que o Mark Fisher

[00:17:01] era um blogueiro e jornalista de música

[00:17:03] só, e daí ele

[00:17:05] lança o Realismo Capitalista, que não faz

[00:17:07] muito, na época do lançamento, não fez

[00:17:08] muito… muito sucesso,

[00:17:11] muito barulho, e eu lembro

[00:17:13] claramente disso, assim, porque

[00:17:14] eu lembro a primeira vez que eu li, eu falei,

[00:17:16] mas isso não faz muito sentido, porque aqui é…

[00:17:18] é Lula, porra!

[00:17:20] Imagina, o cara lança em 2009, aqui

[00:17:22] foi a Marolinha, lá o bagulho

[00:17:24] dos Estados Unidos e a Grã-Bretanha,

[00:17:26] na crise de 2008,

[00:17:28] 2009, o bagulho foi pras cucuia,

[00:17:30] todo mundo achou que o negócio ia porralo

[00:17:32] de vez, assim, e que existia

[00:17:34] uma possibilidade, realmente, de superação

[00:17:36] do capitalismo, mas o Fisher meio que

[00:17:38] já tava prevendo que talvez não fosse possível

[00:17:40] daquele jeito

[00:17:42] que se imaginava por causa do Realismo Capitalista.

[00:17:45] Tipo, ele chegou, ele olhou

[00:17:46] e falou, pô, aconteceu tudo isso

[00:17:48] no mundo, e…

[00:17:51] parece que não vai mudar.

[00:17:53] Por que não vai mudar? Porque a gente não consegue

[00:17:54] imaginar algo pra substituir

[00:17:56] o capitalismo. O Fisher,

[00:17:58] lança o Realismo Capitalista, e aí

[00:18:00] não sai no Brasil e tal, pá,

[00:18:02] e aí vem 2015,

[00:18:04] a crise de 2015, depois da reeleição da Dilma,

[00:18:07] né, uma crise que

[00:18:08] você tá falando, um pouco esperada e tudo mais,

[00:18:11] ela faz todo mundo

[00:18:12] abrir o olho e tal, aí eu saí falando com

[00:18:14] algumas editoras, pouca gente, assim,

[00:18:16] pô, mano, esse livro aqui é o bagulho,

[00:18:18] mano, tem que lançar Mark Fisher

[00:18:20] no Brasil, tem que começar por esse livro,

[00:18:22] é um negócio e tal.

[00:18:24] E ninguém me ouve. Eu fico puto,

[00:18:26] tudo bem que eu sou responsável por alguns fracassos

[00:18:28] editoriais já feitos

[00:18:30] na época da Conrad, então

[00:18:32] entendo que as pessoas não me ouçam, às vezes,

[00:18:35] mas ninguém me ouviu.

[00:18:36] Falei, ah, vai tomar, não. E aí

[00:18:38] o camarada Vitor Marques,

[00:18:40] professor, ex-candidato a prefeito,

[00:18:44] lá no Ceará,

[00:18:45] inclusive,

[00:18:46] o professor Vitor Marques, um gênero,

[00:18:48] um grande camarada,

[00:18:50] apareceu no Twitter, falando, não, a gente vai lá, parece que

[00:18:52] então, então, tô aqui coordenando

[00:18:55] a edição,

[00:18:56] foi cinco tradutor, um monte de tradutor,

[00:18:59] eu não queria falar, né, fiz a tradução

[00:19:01] de Realismo Capitalista,

[00:19:03] acho que foi legal, a tradução se resolveu

[00:19:05] e tal.

[00:19:07] Dei um trabalhinho, mas, normal, tudo dá trabalho,

[00:19:09] fantasma da minha vida, do Fisher deu mais trabalho.

[00:19:12] E aí eu chamei

[00:19:13] o Vitor Marques pra falar no meu antigo

[00:19:15] podcast, meu projeto Solu a Fita,

[00:19:17] e aí a gente ficou amigo.

[00:19:19] E aí ele falou, não, mano, vou botar você pra

[00:19:21] ele sacou que eu

[00:19:23] era um cara do seu rolê do Fisher,

[00:19:25] do rolê cultural do Fisher,

[00:19:26] que eu acho meio essencial pra entender a obra

[00:19:29] do Mark Fisher, e me colocou pra fazer

[00:19:31] a revisão do

[00:19:32] Realismo Capitalista.

[00:19:35] Aí depois fiquei amigo e comecei a trabalhar

[00:19:37] com o pessoal da editora

[00:19:39] Autonomia Literária, que lança tudo do Fisher

[00:19:41] aqui no Brasil.

[00:19:42] E aí trabalhando com Fantasmas da Minha Vida, fiz a revisão

[00:19:45] e me chamaram daí também pra fazer

[00:19:47] o glossário, a introdução

[00:19:48] do Fantasmas da Minha Vida,

[00:19:50] que ficou muito grato, acho que eu consigo

[00:19:52] deixar um pouco a minha ideia do que é o Fisher e tal.

[00:19:56] Algumas

[00:19:56] problemáticas muito clássicas

[00:19:58] que eu acho que as pessoas esquecem

[00:20:01] de conversar sobre ou

[00:20:02] ignoram.

[00:20:05] E depois

[00:20:06] Fantasmas da Minha Vida, que é uma coletânea que o Fisher lançou em vida

[00:20:09] dos escritos culturais

[00:20:11] dele, aquela coisa de música experimental

[00:20:13] estranha, que a gente tava até conversando

[00:20:15] aqui com o Divan um pouco antes.

[00:20:17] Quer ter? Que maluquice

[00:20:19] é essa?

[00:20:20] O cara gosta de um bagulho meio doido mesmo.

[00:20:22] E agora a gente tá lançando

[00:20:24] pra, assim, a gente tá se adiantando,

[00:20:26] né? É uma editora nacional e a gente tá

[00:20:28] vendo que livros lançar, em que momento,

[00:20:31] o que vai ser traduzido, em qual momento.

[00:20:33] A obra do Fisher é uma

[00:20:34] obra esparsa.

[00:20:36] Eu acho, eu sempre comparo

[00:20:38] Mark Fisher muito com

[00:20:40] o Kurt Cobain, de verdade,

[00:20:43] assim, pra mim, ele é o Kurt Cobain

[00:20:44] dessa geração, assim como ele é

[00:20:46] o Benjamin do século XXI.

[00:20:49] Até fui citado esses tempos por causa dessa

[00:20:50] frase no dossiê da revista

[00:20:52] Cult sobre Fisher, né?

[00:20:54] Todo mundo ficou mandando, olha você aqui! Falei, olha só, que legal.

[00:20:56] Que bom que as pessoas…

[00:20:58] Desde o… Antes de sair

[00:21:01] o Realismo Capitalista no Brasil

[00:21:03] falava que o Realismo Capitalista,

[00:21:05] o livro, é como um disco de rock.

[00:21:08] Ele é

[00:21:09] uma porrada, ele é um livro

[00:21:11] que vale… Você vai reler capítulos

[00:21:13] específicos, vai ter capítulos

[00:21:15] favoritos, você vai tratar

[00:21:17] ele como um álbum importante do mesmo jeito

[00:21:19] que a gente tratava Nevermind, ou

[00:21:20] sei lá, Sgt. Pepper’s,

[00:21:23] ou sei lá, eu nem é o meu favorito dos Beatles,

[00:21:25] mas tudo bem, acho o Revolver mais importante.

[00:21:26] Mas, bom, voltando à questão.

[00:21:29] E eu trato isso, como eu trato

[00:21:31] o meu podcast como banda, sempre fazendo

[00:21:33] as comparações musicais

[00:21:34] nesse sentido, porque eu acho que tem a ver com

[00:21:37] como o cara lida

[00:21:39] com o mundo e com um jeito mais fácil

[00:21:41] de entender o que esse cara faz.

[00:21:43] E aí, esse é o disco

[00:21:45] perdido, o novo livro

[00:21:47] que a gente tá lançando, do Fisher,

[00:21:49] chamado Desejo Pós-Capitalista.

[00:21:51] Que é o nome de um artigo dele

[00:21:53] de 2012, que não entrou no livro, mas a gente

[00:21:55] tá pensando aí pra próxima edição,

[00:21:56] trazê-lo.

[00:21:59] Mas que é o nome do

[00:22:00] último, do canto do cisne

[00:22:03] do Fisher, que o que acontece,

[00:22:04] ele já tinha parado de blogar, tinha

[00:22:06] virado um professor na Goldsmiths

[00:22:09] University, em Londres,

[00:22:11] junto com o Kodo Echum,

[00:22:12] tava dando aula no rolê

[00:22:15] de cultura audiovisual,

[00:22:17] então, tanto música quanto filme

[00:22:19] na Goldsmith.

[00:22:21] E ele

[00:22:23] criou esse curso, era um curso

[00:22:24] meio livre, não era bem um mestrado,

[00:22:26] era um curso de 15 aulas,

[00:22:29] existe uma ementa desse curso

[00:22:30] completa, que

[00:22:32] ele falava sobre

[00:22:34] autores que poderiam apontar

[00:22:36] pra uma superação do desejo

[00:22:38] ter sido capturado, o desejo

[00:22:40] humano ter sido capturado pelo

[00:22:42] capitalismo. E quem

[00:22:44] ele fala sobre quem fala sobre isso, sobre quem

[00:22:47] entende isso, quem

[00:22:48] pesquisa isso, quem vê isso,

[00:22:51] dentro do contexto histórico do pós-guerra

[00:22:53] especialmente,

[00:22:53] e sobre

[00:22:55] o que a ideia,

[00:22:56] a ideia era pensar como superar

[00:22:59] essa captura do desejo pelo

[00:23:00] capitalismo, pensando num pós-capitalismo,

[00:23:03] pode ser um comunismo, mas pode não ser

[00:23:04] necessariamente um comunismo como

[00:23:06] foi receitado ao longo

[00:23:09] do fim do século XIX

[00:23:11] e começo do século XX,

[00:23:12] tanto o socialismo realmente existente

[00:23:15] quanto o capitalismo

[00:23:16] como socialismo utópico,

[00:23:18] científico e tudo mais. Ele pensou, olha,

[00:23:20] talvez não haja uma revolução

[00:23:23] que traga tudo que a gente imagina,

[00:23:24] talvez as coisas funcionem, era uma ideia,

[00:23:26] uma ideia que estava muito em voga na época,

[00:23:29] tem o pós-capitalismo, por exemplo, o livro do

[00:23:30] Paul Mason, que foi lançado pela Companhia das Letras,

[00:23:33] tem alguns outros livros que ele

[00:23:34] cita ali nessas

[00:23:37] aulas, né, que são

[00:23:39] sobre esse ponto, assim, o que

[00:23:40] vai acontecer depois do capitalismo, como o capitalismo

[00:23:43] vai ser superado por si mesmo,

[00:23:44] dentro de um processo menos,

[00:23:46] entre aspas, revolucionário, porque

[00:23:48] apesar de algumas evoluções,

[00:23:51] o capitalismo é instaurado

[00:23:52] não necessariamente pela Revolução

[00:23:54] Francesa, né, a Revolução

[00:23:56] Francesa, ela muda alguns

[00:23:58] panoramas feudais, mas ela não muda todos

[00:24:00] os panoramas feudais, e nem todos eles são mudados só

[00:24:02] pela Revolução Francesa, eles vão mudando

[00:24:04] antecipadamente. Esses dias eu vi um vídeo

[00:24:07] que eu descobri que Portugal não teve feudalismo.

[00:24:10] É muito louco

[00:24:10] essa ideia, né, isso, isso,

[00:24:12] também é outro momento, assim, eu descobri esses dias

[00:24:14] só, que Portugal era um

[00:24:16] país de cidades mesmo, era um país já

[00:24:18] muito mais urbano do que

[00:24:20] o resto da Europa na Idade Média.

[00:24:23] Mas, como eu disse,

[00:24:25] isso aí a gente pode debater em outro momento,

[00:24:26] etc, mas o grande lance é, o

[00:24:28] pós-capitalismo, ele vem como

[00:24:30] uma alternativa possível

[00:24:33] de como a gente imaginar,

[00:24:35] mas a ideia central do

[00:24:36] Fischer nessas aulas, são

[00:24:38] como a gente vai se livrar dessa

[00:24:40] captura do desejo humano

[00:24:43] pelo capitalismo,

[00:24:45] e como a gente vai viver depois disso, porque

[00:24:46] isso é muito central

[00:24:48] na própria ideia do Fischer, de que a gente vive no

[00:24:50] realismo capitalista, a gente vive no realismo capitalista

[00:24:52] porque nossos desejos estão capturados

[00:24:54] pelo capitalismo, como a gente deseja, como

[00:24:56] a gente sonha, o que a gente almeja

[00:24:58] só pode ser pensado dentro desse sistema

[00:25:00] porque é esse sistema que produz bugigangas

[00:25:02] o nosso processo

[00:25:04] todo de desejar coisas é capturado

[00:25:06] pela compra de bugigangas, né,

[00:25:08] capturado pela aquisição da blusinha na shine

[00:25:10] e aí

[00:25:12] ele vai fazer cinco aulas

[00:25:14] até o final do ano de 2016

[00:25:17] ele dá cinco aulas

[00:25:18] desse curso, e aí ele vai

[00:25:20] deixar o resto pra terminar

[00:25:22] depois, tem a emenda, você tem tudo

[00:25:24] só que, nesse

[00:25:26] intervalo entre essas

[00:25:28] últimas aulas e

[00:25:30] a volta às aulas que vai acontecer

[00:25:32] bem no comecinho de janeiro

[00:25:34] o Mark Fischer

[00:25:36] tira a própria vida, né

[00:25:38] uma situação super trágica

[00:25:40] o Mark Fischer é um cara que sempre fala

[00:25:42] da própria depressão, ele

[00:25:44] sempre, tanto que o

[00:25:45] subtítulo do Fantasma da Minha Vida

[00:25:48] é escrito sobre música, depressão

[00:25:50] e rontologia

[00:25:52] música? não precisa de música, mas é

[00:25:54] rontologia, né, assombrologia

[00:25:56] depressão e futuros perdidos

[00:25:58] assombrologia, depressão e futuros perdidos, né

[00:26:00] e aí, porque ele realmente é um assunto

[00:26:03] muito central, inclusive na obra do Fischer

[00:26:05] e ele é muito sincero

[00:26:07] ao respeito da própria depressão

[00:26:08] ao ponto da depressão

[00:26:10] e aí volta pra essa questão, assim como

[00:26:12] o Kurt Cobain, que é um cara que tinha

[00:26:15] uma obra que é meio inacabada

[00:26:17] de certa forma, ela é interrompida

[00:26:18] pela depressão dele

[00:26:19] a obra do Fischer é interrompida pela própria depressão

[00:26:23] também, e o Fischer

[00:26:24] apesar de tudo, o Fischer é um cara

[00:26:26] que fala da socialização

[00:26:27] dos maus, né, da ansiedade

[00:26:30] e depressão, como ela é socializada

[00:26:32] agora no século XXI

[00:26:34] e como isso é um

[00:26:36] mal muito mais epidêmico

[00:26:38] do que necessariamente um mal

[00:26:40] individualizado, que é o que o neoliberalismo

[00:26:42] tenta fazer com a gente

[00:26:43] e é terrível, né, e aí o que acontece

[00:26:46] é, então o Fischer, ele tem

[00:26:48] ele tem um projeto inacabado também

[00:26:50] que é o Comunismo Lissérgico, que deve

[00:26:52] vai entrar no ar hoje

[00:26:53] junto com o nosso podcast

[00:26:56] publicar minha tradução de Comunismo Lissérgico

[00:26:58] que muita gente chama de Comunismo Ácido aqui no Brasil

[00:27:00] mas eu acho que é uma tradução não suficiente

[00:27:02] pra esse livro

[00:27:04] é uma introdução de um livro

[00:27:06] que é um projeto de livro que ele vai fazer

[00:27:07] e ele deixa essa introdução

[00:27:11] e deixa essas últimas aulas

[00:27:12] que foram gravadas

[00:27:13] depois elas foram todas

[00:27:16] transcritas e tem uma introdução

[00:27:18] de Mary Colcum

[00:27:19] porque agora Mary é uma pessoa não binária

[00:27:22] pelo que eu entendo, e ela usa o Twitter

[00:27:24] e eu não uso o Twitter, então não sei

[00:27:26] bem contar o status da transição

[00:27:28] de Mary, de Mary Colcum

[00:27:30] que ele

[00:27:31] dá uma explicada bem boa, assim

[00:27:34] na situação do Fischer e como

[00:27:35] onde estava e o que aconteceu

[00:27:38] antes e logo após, inclusive

[00:27:40] do Fischer tirar a própria vida

[00:27:42] após o suicídio do Fischer

[00:27:43] ali entre os alunos dele, entre a galera que

[00:27:46] frequentava essas aulas, então ali

[00:27:48] é muito interessante você ouvir essas aulas

[00:27:50] ele trata de liotar

[00:27:52] acho que é muito importante

[00:27:54] que ele pelo menos fale

[00:27:56] que existe um capítulo

[00:27:57] sobre capitalismo libidinal

[00:27:59] que é um livro maldito

[00:28:02] meio essencial do liotar

[00:28:03] sobre essa questão

[00:28:06] e que é muito central pro Fischer, obviamente

[00:28:08] os dois tomos de capitalismo e

[00:28:10] esquizofrenia perpassam

[00:28:12] todas as aulas, eles não estão ali na lista

[00:28:14] mas ele fica falando, puta eu devia ter colocado

[00:28:16] mas eu não coloquei porque ele é

[00:28:17] a gente vai ficar falando dele o tempo todo, assim

[00:28:19] tanto o Antiédipo quanto o Mil Platôs

[00:28:22] do Deleuze e do Guattari

[00:28:24] são livros importantes

[00:28:26] ele vai discutir textos de Lukács

[00:28:28] ele vai discutir

[00:28:30] textos

[00:28:32] sobre

[00:28:33] o que aconteceu

[00:28:36] na virada dos anos 60 pros anos 70

[00:28:38] como morreu esse sonho, é muito engraçado

[00:28:40] porque o Fischer é um cara que vem

[00:28:42] de uma tradição do CCRU

[00:28:44] do tal do selecionismo, pós-punk

[00:28:46] punk de certa forma, que é meio anti-hip

[00:28:48] e tal, e aí no final da vida

[00:28:50] ele meio que fala, olha

[00:28:52] tem um monte de hiponga bosta mesmo

[00:28:54] que não toma banho, mas tinha umas ideias boas ali

[00:28:56] tinha umas coisas interessantes, a gente pode

[00:28:58] resgatar o que tem de bom, a gente pode voltar

[00:29:00] com o banho, apesar de punk, muito punk também

[00:29:02] banho é foda, a gente pode voltar

[00:29:04] com o banho, mas a gente pode

[00:29:06] pensar nas coisas mais

[00:29:08] legais do que ir pra Índia e

[00:29:10] Maharishi, e todas essas coisas

[00:29:12] olha só Gozo, eu vou

[00:29:14] aproveitar que tu entrou nessa

[00:29:16] questão aí, do hip

[00:29:18] e de como é que a gente

[00:29:20] reorganiza algumas ideias

[00:29:22] e tudo mais, e eu vou

[00:29:24] eu vou colocar uma pergunta, primeiro

[00:29:26] primeiro

[00:29:26] pro Felipe, e depois

[00:29:28] obviamente pra ti discorrer também

[00:29:30] que é uma coisa que me intriga

[00:29:32] porque eu acho que o Felipe foi uma das

[00:29:34] primeiras pessoas que eu vi falando do Mark Fisher

[00:29:36] eu me lembro que na época eu tava

[00:29:38] com umas outras leituras na cabeça

[00:29:40] e tu, Felipe e o Carapanã

[00:29:42] vocês estavam falando do K-Punk, do blog dele

[00:29:44] eu me lembro mais ou menos, uma coisa meio vaga assim

[00:29:46] aí um tempo depois

[00:29:48] que eu fui ler o Realizo Capitalista, antes de sair

[00:29:50] no Brasil, e aí eu esperei ansiosamente

[00:29:52] as edições da

[00:29:54] Autonomia são caprichadíssimas

[00:29:56] o Realizo Capitalista que vocês

[00:29:58] lançaram, eu digo vocês porque tu tá

[00:30:00] Gozo, plenamente envolvido com tudo

[00:30:02] é um clássico instantâneo

[00:30:04] o Fantasma da Minha Vida é

[00:30:06] maravilhoso, e o Desejo

[00:30:08] Pós-Capitalista tem essa coisa de

[00:30:10] ser aulas, que vocês brincam com a

[00:30:12] questão de registros ao vivo, a banda

[00:30:14] tocando ao vivo, o músico

[00:30:16] ali expressando a sua visceralidade

[00:30:18] e são aulas que a gente

[00:30:20] tá vendo um Fisher

[00:30:21] a gente não sabia a época, mas ele estava no fim

[00:30:24] da vida, de um jeito ou de outro, embora

[00:30:26] tenha partido jovem, ali ele estava

[00:30:28] naquele período pré, o que acabou acontecendo

[00:30:30] e ele muda bastante

[00:30:32] de opinião quanto a algumas coisas, e ele se

[00:30:34] reconstrói, então a primeira

[00:30:36] questão é, Felipe

[00:30:37] pra ti, quem é o Mark Fisher? Porque o

[00:30:40] Gozo lançou umas hipóteses aqui

[00:30:41] é uma espécie de Kurt Cobain

[00:30:43] da filosofia

[00:30:46] é um

[00:30:47] crítico cultural que ousou demais

[00:30:50] ele é

[00:30:51] o Walter Benjamin do século XXI

[00:30:54] Gozo, a maioria

[00:30:56] ele é

[00:30:58] quem sabe a salvação

[00:31:00] do marxismo, ele é a danação

[00:31:01] do marxismo, sob certo aspecto

[00:31:04] quem é esse personagem pra vocês

[00:31:06] e depois pro Gozo, é claro

[00:31:07] eu queria perguntar, quem é este

[00:31:10] Mark Fisher que está no livro

[00:31:12] Desejo Pós-Capitalista

[00:31:14] quem é esse professor Mark Fisher aí?

[00:31:16] Cara, eu acho que uma coisa muito legal do Mark Fisher

[00:31:18] é exatamente

[00:31:20] essa capacidade de

[00:31:22] ir se modificando, de ir

[00:31:24] alternando coisas, de ir adicionando

[00:31:26] questões, porque

[00:31:27] às vezes, e outra, né, cara, essa

[00:31:30] mania, esse negócio dele ser blogueiro

[00:31:32] eu acho muito bacana

[00:31:33] e eu me identifico

[00:31:36] muito nisso aí, claro que o Mark Fisher é

[00:31:38] o Mark Fisher, né, mas assim, ó

[00:31:39] um cara que às vezes ele quer escrever sobre

[00:31:42] música, às vezes ele quer escrever sobre um marxismo

[00:31:44] às vezes ele quer escrever sobre

[00:31:45] e vai rolando a coisa, sabe

[00:31:48] é muito contrário a muita gente

[00:31:50] que é daquele academicismo

[00:31:51] muito certinho, muito parado, muito

[00:31:53] constante, que tudo tem que fazer

[00:31:55] uma certa lógica, assim

[00:31:57] mas que no fundo, eu concordo muito com o que

[00:32:00] o Gonzo falou, que é assim, ó

[00:32:01] ah, mas eu só quero ver os escritos políticos

[00:32:04] dele. Cara, mas se tu não vê

[00:32:06] a crítica cultural que ele faz, tu não vai

[00:32:08] entender os escritos políticos dele

[00:32:09] e mesmo que tu não concorde, né

[00:32:12] aquele negócio que ele tava falando, poxa, mas eu acho aquela banda que ele

[00:32:14] falou lá um saco, mas ok

[00:32:15] o ponto que ele utilizou

[00:32:18] vamos dizer, né, quando ele fala do pós-punk

[00:32:20] ou quando ele fala de outros, né, do jungle

[00:32:22] de outros tipos de música, etc, que ele

[00:32:24] diz assim, ó, cara

[00:32:25] Amy Winehouse

[00:32:27] é um troço que a gente tá revivendo

[00:32:29] o que já existia antes, é um negócio

[00:32:32] assim, ó, que é a cópia da cópia da cópia da cópia

[00:32:34] da cópia, quando eu fui ouvir, ela riu

[00:32:35] enfim, é horrível, querida

[00:32:37] porque não tem nada de novo

[00:32:40] agora, esse troço esquisitíssimo

[00:32:42] aqui, pelo menos tem uma

[00:32:43] novidade. Quando tu pega

[00:32:45] isso aqui, né, pode

[00:32:48] ir lá, todo mundo, né, já leu o livro

[00:32:50] dele, pegou o Spotify

[00:32:51] abriu, tentou ir atrás e não gostou

[00:32:54] do que ele indicou

[00:32:55] mas o que tem ali é essa lógica

[00:32:58] porque

[00:32:58] exatamente quando tu entra na questão política

[00:33:02] e tu para pra pensar

[00:33:04] e tu diz assim, ó, ok

[00:33:05] a gente está em outro momento, a gente está

[00:33:08] em outra época, a gente tem que ter

[00:33:10] uma outra visão sobre isso aqui

[00:33:11] e principalmente, o que que a gente

[00:33:14] quer desse futuro, né

[00:33:15] e como é difícil imaginar

[00:33:18] como é difícil, assim, tu tá

[00:33:19] sobrecarregado

[00:33:21] dessa visão capitalista

[00:33:23] que tu cresce com isso aí

[00:33:25] tu foi pra uma escola pra aprender isso aí

[00:33:27] tu trabalha dentro dessa

[00:33:29] lógica, como é complicado

[00:33:31] fazer tudo isso, e tu começa

[00:33:33] e tu se pega pensando

[00:33:35] e tu se pega, assim, indo atrás da

[00:33:37] arquitetura, tu se pega indo atrás

[00:33:39] do filme, indo atrás

[00:33:41] da música

[00:33:43] como exemplos culturais

[00:33:46] que sim, gente, né, qual é

[00:33:47] que é a nossa forma de conseguir

[00:33:50] capturar um zeitgeist

[00:33:52] de capturar o que está acontecendo

[00:33:54] é na cultura

[00:33:55] tu não vai pegar ali no

[00:33:57] num programa de um partido

[00:34:00] político e dizer, olha, aqui vislumbra

[00:34:02] o futuro

[00:34:02] vou chegar aqui, está aqui, ó, né

[00:34:05] o programa do PCO aqui, vamos ver o que

[00:34:08] não, você vai

[00:34:10] olhar o que está acontecendo

[00:34:11] culturalmente

[00:34:12] e aí é que é perfeito pra depois

[00:34:16] exatamente, agora, quando tu pega

[00:34:17] eu tinha lido o

[00:34:20] Desejo Pós-Capitalista, nessas

[00:34:21] lições, eu tinha lido em inglês

[00:34:24] já, antes que a galera já tinha

[00:34:25] liberado ali

[00:34:26] eu acho, assim, um

[00:34:29] é um infeliz fechamento

[00:34:31] por causa que tem muita coisa que

[00:34:33] começa a fazer mais sentido

[00:34:35] de ser conectado nessa obra

[00:34:37] eu acho que é o momento, depois o

[00:34:39] Gonzo pode nos ajudar mais, mas eu acho que é o momento

[00:34:41] que ele liga, Realismo Capitalista

[00:34:43] lá de trás, ele pega a coisa

[00:34:45] do Fantasmas ali, né, da

[00:34:47] sombrologia, do espectro

[00:34:50] ele vai mais a fundo

[00:34:52] até na questão de psicanálise

[00:34:54] que ele não

[00:34:54] não era

[00:34:55] tanto, assim, comum

[00:34:57] e agora ele acaba trazendo mais Freud

[00:34:59] ele acaba trazendo Lacan

[00:35:01] e dá pra ver que não está pronto

[00:35:04] eu acho muito legal uma parte

[00:35:05] exatamente que ele diz assim

[00:35:07] então eu chamo isso aqui de pós-capitalismo

[00:35:10] e daí o pessoal diz assim, mas por que pós-capitalismo?

[00:35:12] vamos chamar de outra coisa, vamos chamar

[00:35:13] de comunismo lisérgico

[00:35:15] não, mas e quem sabe

[00:35:17] e tem toda uma discussão, mas é uma construção

[00:35:19] e é muito, eu sei que pode

[00:35:21] ser paradoxal, assim

[00:35:23] né, parece que eu estou fazendo

[00:35:25] um publi pro livro, né, e o Gonzo não nos pagou

[00:35:27] pra falar isso aqui, tá gente, mas assim, ó

[00:35:29] é paradoxal porque foi

[00:35:31] as últimas coisas dele

[00:35:32] mas é um Mark Fisher muito vivo

[00:35:35] ele está ouvindo

[00:35:37] ele está conversando, ele está

[00:35:39] se embananando, às vezes, meu Deus do céu

[00:35:41] eu discorri demais a respeito de tal coisa

[00:35:43] não era o ponto que eu queria chegar

[00:35:44] mas tu vê que tem alguma coisa borbulhando

[00:35:47] e pra mim, Diva, agora

[00:35:49] muito, muito, muito pessoal, assim, ó

[00:35:51] isso é uma obra que me agrada demais

[00:35:53] por causa de um

[00:35:55] incentivo que tem pra gente

[00:35:57] pensar, sabe

[00:35:59] se ele estava ali fazendo esse negócio

[00:36:01] é uma discussão que a gente poderia

[00:36:03] estar tendo ao mesmo tempo, dizer, ok, parou

[00:36:05] ele parou aqui, vamos seguir

[00:36:06] não é bíblia, não é

[00:36:09] não é uma ortodoxia

[00:36:11] que ele está colocando, mas é assim, ó

[00:36:13] vamos parar pra pensar

[00:36:15] um pouco, então eu acho que assim, ó

[00:36:17] é uma pena que seja um fechamento, né

[00:36:19] mas ao mesmo tempo ele consegue englobar

[00:36:21] muitas coisas, e eu gostei demais

[00:36:23] do negócio do Kurt Cobain, eu acho que é por ali

[00:36:25] até porque ele também identifica o Kurt Cobain como

[00:36:27] um momento de ruptura, né

[00:36:29] ele chega ali e diz, aqui também

[00:36:31] a gente vai ter um cara que estava fazendo

[00:36:33] coisa diferente e tal, e quando entra

[00:36:35] dentro de uma certa cultura, vai se perdendo

[00:36:37] toda aquela ideia

[00:36:38] e estagna de certa maneira e mata a própria

[00:36:41] aura artística dele, né, a ponto dele

[00:36:43] se encher o saco, né

[00:36:44] é bem interessante, mas

[00:36:47] cara, eu gosto também

[00:36:49] da ideia desse livro, que está sendo

[00:36:51] agora lançado, porque tem uma coisa

[00:36:53] que eu acho um barato, né, eu adoro ler

[00:36:55] peça de teatro, que o cara

[00:36:57] lê peça, não é só a obra literária

[00:36:59] em jogo, mas também é

[00:37:01] aquelas propostas de cenografia e tudo mais, né

[00:37:03] então, fulano

[00:37:05] entra pelo lado esquerdo, sei que

[00:37:06] sobe a cortina, às vezes você

[00:37:09] descreve justamente, né, as questões

[00:37:11] cênicas da peça, né, a entonação

[00:37:13] na orquestra

[00:37:15] quando tem a partitura, tem parte que vai dizer

[00:37:17] que é pra tocar mais forte, que é pra tocar mais suave

[00:37:19] né, então tu lê a partitura

[00:37:21] tu não tá lendo só a música

[00:37:23] tu tá lendo uma proposta daquela música

[00:37:25] e tu lê esses livros que são aulas

[00:37:27] transcritas, cara, eu acho um barato

[00:37:29] meu, aquelas aulas do Foucault

[00:37:31] lá, que viraram os cursos do colégio de France

[00:37:33] né, em livro, os anormais

[00:37:35] defesa da sociedade

[00:37:37] cara, aquilo é um barato, né, eu acho que

[00:37:39] os próprios seminários do Lacan, né

[00:37:41] é transcrição, né, cara, é muito

[00:37:43] legal, basicamente a obra do Lacan

[00:37:45] ele tem um livro chamado Écri

[00:37:46] de escritos, o resto do Lacan

[00:37:48] cinco seminários

[00:37:51] pô, vai até o vinte, sei lá

[00:37:52] tem escritos, outros escritos e depois lá

[00:37:55] ele falando, falando

[00:37:57] é aí que tá, cara, e agora nós temos isso

[00:37:59] também do Mark Fisher, né

[00:38:01] e aí eu volto àquela pergunta pro Gonzo, porque

[00:38:03] a própria introdução do

[00:38:05] Desejo Pós-Capitalista

[00:38:06] faz questão de dizer, olha

[00:38:08] temos aqui um Fisher que ele parece

[00:38:11] estar contraditório com algumas de suas

[00:38:13] ideias antigas, mas eu não chamo de contradição

[00:38:15] quando um pensador caminha pra frente

[00:38:17] ou caminha pros lados, ou volta pra trás

[00:38:19] né, nós estamos falando de um cara que tá

[00:38:21] construindo uma coisa

[00:38:23] e quem acha primeiro, né, quem

[00:38:25] quer falar que ele é blogueiro, tá

[00:38:26] diminuindo ele ou qualquer coisa

[00:38:29] em primeiro lugar, né, viva blogs

[00:38:31] os blogs vivem, em segundo lugar

[00:38:33] cara, tu tem um

[00:38:35] cara que é blogueiro

[00:38:37] e é crítico cultural

[00:38:39] e consegue algum

[00:38:41] espaço marginal em academia

[00:38:43] e vai trabalhar com meninada

[00:38:45] de colégio também, cara, se tu me disser

[00:38:47] que esse cara não é um verdadeiro

[00:38:49] exército de um homem só, militante

[00:38:51] e importantíssimo pra caralho

[00:38:53] por todas essas frentes, né, mas

[00:38:55] enfim, Gonzo, o Fischer que chega

[00:38:57] pra esse livro, pra essas aulas

[00:38:59] é um cara que mudou

[00:39:01] algumas opiniões, ele reorganizou alguns

[00:39:03] pensamentos, ele se reaproxima

[00:39:05] de uma esquerda mais tradicional da Inglaterra

[00:39:07] pra tentar disputar aquele espaço

[00:39:09] também, né, que Fischer que tá

[00:39:11] sendo apresentado nesse livro agora

[00:39:13] cara, a gente precisa

[00:39:14] vamos lá, assim, rapidinho, se fazer um resumo rápido

[00:39:17] o Fischer publicou três livros

[00:39:19] em vida, o Cartico Benho, de novo, fala isso

[00:39:21] é…

[00:39:23] o Cartico Benho fez quatro, vai, mas

[00:39:25] é o, digamos que o

[00:39:27] Bleach é do que ele fez antes, né

[00:39:29] o K-Punk

[00:39:30] como coisa, mas ele faz o

[00:39:33] o Nevermind dele, que é o realismo

[00:39:35] pós-capitalista, depois o Fantasma da Minha Vida

[00:39:37] tipo em sexta-feira, uma coletânea

[00:39:39] de artigos já publicados em diferentes

[00:39:41] né, revistas

[00:39:44] etc, e o último

[00:39:45] que é meio que o inútero dele

[00:39:47] que é o próximo livro que vai sair aqui pela Autonomia Literária

[00:39:50] que é o

[00:39:50] O Estranho e o Sinistro

[00:39:53] The Weird and the Eerie

[00:39:55] que é sobre Lovecraft

[00:39:57] e vários outros autores relacionados ao terror

[00:40:00] e ficção científica em geral

[00:40:01] só pra te fazer uma interrupção rápida

[00:40:04] nada vai superar

[00:40:05] o nome da edição em espanhol, que é a que eu tenho

[00:40:08] que é

[00:40:08] Raro e lo espelucinante

[00:40:11] foi difícil, cara, é muito difícil

[00:40:15] você considerar

[00:40:17] é muito louco

[00:40:19] quando eu era muito adolescente

[00:40:21] e li Lovecraft a primeira vez, eu fiquei com medo

[00:40:23] inclusive, bizarro até, porque

[00:40:25] você já sabe o que vai acontecer, tá ligado?

[00:40:27] o cara vai ficar louco e tal, mas você é adolescente, você não sabe exatamente

[00:40:30] e eu achei meio eerie

[00:40:31] achei meio sinistro, mas na verdade o Lovecraft

[00:40:33] é considerado um escritor de ficção

[00:40:35] porque ele escreveu na Weird Tales

[00:40:36] de estranho, ele escreveu na Weird Tales

[00:40:40] era a principal

[00:40:41] veículo de publicação

[00:40:44] eu acho meio estranho essa visão

[00:40:45] do Lovecraft como um

[00:40:47] cara que faz mais coisas estranhas

[00:40:49] do que coisas sinistras, mas cada um

[00:40:51] cada um, e aí esse

[00:40:53] esse livro que a gente está

[00:40:55] vendo agora, é exatamente assim

[00:40:56] umas demos gravadas ao vivo num show

[00:40:59] que ele só está apresentando músicas inéditas

[00:41:01] e ele vai continuar depois

[00:41:03] e aí depois não termina

[00:41:04] o que é muito interessante

[00:41:07] e eu acho que o Fischer ganhou isso

[00:41:09] da própria escola de pensamento onde ele

[00:41:11] começou a

[00:41:13] imaginar as coisas, que é em Warwick

[00:41:15] e ele participava do chamado

[00:41:17] CCRU, Cybernetic Culture Research Unit

[00:41:20] que é

[00:41:21] de onde veio o famoso

[00:41:23] Olavo

[00:41:25] a direita tecnofeudalista

[00:41:28] o Nick Land

[00:41:29] que tem escritos aí

[00:41:31] o Find No Mana

[00:41:32] é um livro muito bem quisto por

[00:41:35] pessoas muito loucas

[00:41:37] que é a parte aceleracionista de esquerda

[00:41:39] ele tem um troço

[00:41:41] o CCRU acaba

[00:41:43] ele tem umas overdoses bizarras

[00:41:45] com o uso de metanfetamina

[00:41:47] fica doidaraço

[00:41:49] muda pra China e vira

[00:41:51] um ideólogo da extrema direita

[00:41:53] ele é o responsável

[00:41:55] por The Dark Enlightenment

[00:41:56] como é que fala

[00:41:58] o iluminismo obscuro

[00:42:00] o iluminismo feio do caralho

[00:42:02] esse bagulho é horrível

[00:42:03] é terrível, porque ele se transforma num babaca

[00:42:06] completo, trouxa

[00:42:08] o cara desgraça tudo o que ele pensa antes

[00:42:10] eu acho que isso tem a ver

[00:42:12] com o que acontece com o Fischer

[00:42:14] ao longo da vida

[00:42:15] sobre como ele vai abordar o aceleracionismo

[00:42:18] dentro da situação que acontece

[00:42:20] com o Nick Land

[00:42:23] porque quem sai

[00:42:25] desse curso do CCRU

[00:42:26] são pessoas muito importantes

[00:42:28] nesse pensamento

[00:42:30] pós-capitalista

[00:42:31] são pessoas que normalmente são ligadas

[00:42:35] muito à área

[00:42:36] da expressão humana, da arte

[00:42:38] Kuo Dueshun

[00:42:40] que é um dos principais nomes do que a gente chama

[00:42:42] hoje de afrofuturismo

[00:42:44] um dos principais teóricos sobre isso

[00:42:46] dá uma briga aí pra tentar achar

[00:42:48] inclusive Kuo Dueshun pra liberar

[00:42:50] o More Brilliant Than The Sun, que não existe versão em português

[00:42:53] ainda, acho que tem uma

[00:42:54] versão em espanhol

[00:42:57] não lembro, não tenho certeza

[00:42:58] mas o Kuo Dueshun é um cara muito fera

[00:43:01] que hoje em dia, além de professor

[00:43:02] é artista, ele tem um duo

[00:43:04] que produz

[00:43:06] arte

[00:43:07] de imagem, arte de vídeo

[00:43:10] mas pra, se você for em museus

[00:43:12] ele é quase um

[00:43:14] Arthur Jaffa britânico

[00:43:16] digamos assim, junto com

[00:43:18] outro camarada que também é britano

[00:43:20] etíope, o Kuo Dueshun é

[00:43:22] de família caribenha

[00:43:24] tem o Code Nine

[00:43:26] que é um dos grandes nomes do dubstep

[00:43:28] que fez a Hyperdub

[00:43:30] que é uma das gravadoras mais importantes

[00:43:32] do pós-dubstep

[00:43:34] dos anos 00, dos anos 10

[00:43:36] e depois fez alguns livros

[00:43:38] bem interessantes sobre guerra

[00:43:40] e uso de música, tem o Sonic Warfare

[00:43:42] um livro muito, muito, muito interessante

[00:43:44] apesar de não abordar umas coisas

[00:43:46] fui dar uma olhada de novo

[00:43:48] eu queria fazer um texto aí

[00:43:50] tem umas coisas importantes que ele

[00:43:52] não coloca ali no livro, eu achei

[00:43:54] achei mancada, vou entrevistá-lo no futuro

[00:43:56] se deixarem

[00:43:57] e, óbvio, tem a Sandy Plante

[00:44:00] que escreve sobre feminismo

[00:44:02] e é uma pessoa

[00:44:04] muito importante no feminismo

[00:44:07] pós-radical

[00:44:07] que tenta voltar pro começo da

[00:44:10] Shulamit Firestone, desse outro rolê

[00:44:12] que na Grã-Bretanha

[00:44:14] especificamente acabou sendo muito

[00:44:16] degenerado pra esse rolê

[00:44:18] TERF aí da J.K. Rowling, esse rolê antitrans

[00:44:21] um negócio horrível

[00:44:21] mas que, pra quem

[00:44:24] é muito importante essa cara

[00:44:26] a Sandy Plante é uma pessoa

[00:44:29] que é menos reconhecida

[00:44:31] do que eu acho que ela deveria

[00:44:32] porque, na verdade, foi ela que assinou a existência do CCRU

[00:44:34] mas o CCRU

[00:44:36] era mais do que um

[00:44:38] grupo de estudos, apesar do nome

[00:44:41] eles eram mais um

[00:44:43] coletivo de maluco

[00:44:44] então, reza a lenda, o Nick Lent

[00:44:46] ficava lá, doidão, tocando música

[00:44:49] gritando no microfone

[00:44:50] é daí que vem esses gostos do Fisher

[00:44:52] o Fisher também teve, inclusive

[00:44:54] na época, nos anos 90

[00:44:56] um projeto muito curto

[00:44:58] de um pós-jungle ali

[00:45:00] muito interessante, tem uma música

[00:45:02] que cita os invisíveis do Grant Morrison

[00:45:04] tava aqui falando sobre o quanto o Grant Morrison

[00:45:06] é importante pra essa galera aceleracionista

[00:45:08] enquanto ele não é reconhecido

[00:45:10] parece que ninguém viu, ninguém leu

[00:45:12] os invisíveis, apesar de ter muitas referências

[00:45:14] diretas no pensamento dele

[00:45:16] mas o Fisher é um cara muito

[00:45:18] parece, soa, nesse livro

[00:45:20] muito acostumado a fazer um

[00:45:22] pensamento ao vivo, também vem

[00:45:24] da cultura do blog, que você vai lá, bloga

[00:45:26] e fica lá nas

[00:45:28] respostas, o K-Punk tá inteiro

[00:45:30] arquivado na internet, se você procurar

[00:45:32] tracinho punk no Google

[00:45:34] você acha o endereço exato, tá na Abstract Dynamics

[00:45:36] tá tudo inteiro

[00:45:38] arquivado, e tá arquivado todas as discussões

[00:45:40] o Fisher também tem

[00:45:42] algumas discussões arquivadas em fóruns

[00:45:44] tem um post de fóruns

[00:45:46] que tá lá, uma das pessoas que

[00:45:48] é muito boa em ter armazenado

[00:45:50] conviveu com o Fisher muito online

[00:45:52] apesar de ser britânico, tava morando

[00:45:54] mora até hoje nos Estados Unidos e tal

[00:45:55] e que era, de quem o Fisher era muito fã

[00:45:58] que é o Simon Reynolds

[00:45:59] que é um escritor de música, muito importante

[00:46:02] que na época que o Fisher tá lançando

[00:46:04] Fantasmas da Minha Vida

[00:46:05] o Simon Reynolds tá lançando Retromania

[00:46:07] então esses pensamentos convergem sobre

[00:46:10] essa ideia de que

[00:46:11] é muito difícil imaginar o futuro, olha a cultura

[00:46:14] em que estado está

[00:46:15] no sentido de não conseguir

[00:46:17] imaginar uma coisa além, e eu lembro que eu era

[00:46:19] muito puto com eles já na época

[00:46:22] tanto quando saiu Retromania

[00:46:24] quando saiu Ghost of My Life, etc

[00:46:25] nunca tinha entrado pra escrever em inglês

[00:46:28] debater, não tinha cabeça pra isso

[00:46:29] mas porque eu achava

[00:46:32] muito

[00:46:32] muito pouco

[00:46:35] ligado no que tava acontecendo no terceiro mundo ao mesmo tempo

[00:46:38] enquanto esses caras estavam

[00:46:39] reclamando do que tava acontecendo na cultura

[00:46:42] britânica e estadunidense

[00:46:44] hiper retroficada

[00:46:46] especialmente na época, hoje em dia a gente tem

[00:46:47] o hiper pop

[00:46:49] o que aconteceu com o trap, o que aconteceu

[00:46:52] com a música jamaicana, você tem

[00:46:54] um livro chamado Neon Screams

[00:46:55] de um jovem, tem até a introdução

[00:46:57] do Simon Reynolds, mostrando como

[00:47:00] a música na verdade

[00:47:01] continua avançando durante esse período

[00:47:03] e aqui no Brasil a gente

[00:47:06] tinha várias formas

[00:47:08] híbridas do funk

[00:47:09] se transformando numa música eletrônica de fato

[00:47:11] já era, obviamente, sempre foi

[00:47:13] até porque tem raiz no hip hop, hip hop é uma música

[00:47:16] eletrônica no fim das contas

[00:47:18] eu achava

[00:47:20] isso muito ruim, e até porque era meio

[00:47:22] besta, o Simon Reynolds meio que

[00:47:24] ah, mas é porque essas músicas locais

[00:47:26] aí elas pegam modos

[00:47:28] antigos de fazer música, então é sempre uma

[00:47:30] reinvenção de uma coisa que já existe também

[00:47:31] é tipo, vai tomar no cu, vai se fuder

[00:47:34] papinho bosta

[00:47:35] de novo, é uma

[00:47:37] centralização do

[00:47:40] rolê britânico, eles são meio britânicos

[00:47:42] centrados, e aí às vezes fica um pouco difícil

[00:47:44] de quem não entende o que tá acontecendo

[00:47:46] é muito difícil, tanto que tem um

[00:47:47] glossário no fim do

[00:47:49] Fantasma da Minha Vida pra poder

[00:47:52] falar essas coisas, mas aí aconteceu

[00:47:54] que você vê o Fischer falando com as pessoas

[00:47:55] ao vivo, aí você vê como é o processo de

[00:47:57] pensamento dele, que ele vai

[00:48:00] falando, vai esticando, vai esticando

[00:48:01] chiclete, uma hora, puta, acabou nosso tempo

[00:48:03] eu não consegui falar do bagulho X, do bagulho

[00:48:05] Y, vou aumentando

[00:48:07] aqui, vai falando o quanto é difícil

[00:48:09] por exemplo, ler

[00:48:11] Lukács, e é difícil pra cacete

[00:48:13] mano, realmente assim, eu não lembro de ter

[00:48:15] terminado um livro de Lukács, na minha

[00:48:17] humilde vida assim, porque é um

[00:48:19] cara que vai fazer

[00:48:21] esses pensamentos como autossérie, etc

[00:48:24] né, de hiper

[00:48:25] hiperteóricos

[00:48:28] hiperabstratos, né, se você

[00:48:30] conseguir, depois

[00:48:31] com a idade, você aprende umas coisas, assim, se você

[00:48:34] traduzir esses pontos abstratos

[00:48:36] por coisas mais concretas, você consegue

[00:48:38] transformar esse pensamento

[00:48:40] na sua cabeça numa coisa um pouco melhor e tal

[00:48:42] mas ele vai citar Marcuse, né

[00:48:44] que é um filósofo já um pouco

[00:48:46] mais, entre aspas, pop, mas

[00:48:47] entre aspas, popular

[00:48:48] e ele vai ressuscitar, e é

[00:48:52] muito interessante de novo, assim, essa relação

[00:48:54] entre Grã-Bretanha

[00:48:56] esse pensamento anglófono e Brasil

[00:48:57] é muito diferente, porque aqui a gente absorve

[00:49:00] esses pensamentos

[00:49:01] desses personagens do que a gente chama de filosofia

[00:49:04] se chama lá na academia

[00:49:06] de filosofia continental

[00:49:08] na academia anglófona, né, de filosofia

[00:49:10] continental, aqui na verdade é filosofia também

[00:49:12] a gente não faz muito essa

[00:49:14] distinção entre esses

[00:49:16] na verdade a gente gosta, inclusive, de filosofia

[00:49:18] continental em geral, a gente tá aqui citando

[00:49:20] Foucault, falando de Lacan

[00:49:21] e pros caras estadunidenses

[00:49:24] Marcuse não é um filósofo sério

[00:49:26] entre aspas, pra certos âmbitos

[00:49:28] da academia, tanto estadunidense

[00:49:30] quanto britânica, né, porque

[00:49:31] você tem esses caras da lógica

[00:49:34] que vão funcionar

[00:49:36] de um outro jeito, que a gente não tá muito

[00:49:38] acostumado por aqui, então

[00:49:39] ele ressuscitar isso, toda

[00:49:41] essa ressurreição disso, através

[00:49:44] do pensamento da teoria crítica

[00:49:46] e etc, soa

[00:49:48] engraçado pra gente aqui no Brasil, que não

[00:49:49] não lida com isso dessa forma

[00:49:51] mas ele vai ressuscitar Marcuse

[00:49:54] e você vê que ele tá

[00:49:56] como a gente mesmo diz, assim

[00:49:57] tem uma certa tristeza

[00:50:00] nesse livro, não tem muita saída

[00:50:02] assim, que é perder esse pensamento

[00:50:04] você sente, sabe

[00:50:06] parece que você vai pegar ele com a mão

[00:50:08] parece que o Fischer tá tentando pegar o próprio

[00:50:10] pensamento com a mão ali e botar

[00:50:12] no papel e transformar isso numa outra coisa

[00:50:14] menos

[00:50:16] divagante, menos podcaster

[00:50:18] de certa forma, né, é quase

[00:50:20] uma mesa de bar falando sobre

[00:50:22] temas específicos, os alunos interrompem

[00:50:24] ele pergunta pros alunos, quem pode ler

[00:50:26] pra mim um trecho disso aqui, ele é um

[00:50:28] cara que gosta da participação dos outros

[00:50:30] ele quer construir esse pensamento

[00:50:31] coletivamente, ele não subestima

[00:50:34] nenhum milímetro, assim, os alunos

[00:50:36] ele é zero, assim

[00:50:37] um professor que

[00:50:40] tem seu, eu entendo

[00:50:42] das coisas, eu sou o mestre

[00:50:44] disso aqui, vocês vão absorver meu

[00:50:45] grande conhecimento que eu tenho pra passar aqui

[00:50:47] ele não, ele fala, pô, é difícil isso, né

[00:50:49] complicado essa leitura aqui

[00:50:52] esse bagulho do Lyotard, eu tenho

[00:50:54] também não tô entendendo direito o que ele tá

[00:50:56] querendo dizer, me parece isso aqui

[00:50:57] o que vocês acham, tá ligado

[00:50:59] é um diálogo o tempo todo, assim

[00:51:02] isso é muito interessante

[00:51:03] do ponto de vista

[00:51:05] do… acaba sendo

[00:51:08] necessário, tem umas notas no meio

[00:51:09] pra explicar ali o contexto, tanto

[00:51:11] britânico quanto contemporâneo daquele momento

[00:51:14] do que eles estão falando, sobre o que eles

[00:51:16] estão falando especificamente

[00:51:17] e o que me deixa mais triste

[00:51:19] muitas coisas me deixam triste nesse livro, obviamente

[00:51:21] não ter terminado todas as aulas é

[00:51:24] realmente, assim, terrível

[00:51:25] dá pra ver, assim, que ele vai

[00:51:27] abordar

[00:51:28] a questão do Chile

[00:51:31] ele vai falar do

[00:51:33] Shock Doctrine, da doutrina do choque

[00:51:35] da Naomi Klein

[00:51:37] lembrando que Naomi Klein não é Naomi Wolf

[00:51:40] é só pra

[00:51:41] reforçar essa fita

[00:51:43] ele vai falar

[00:51:45] do pós-fordismo, ele vai falar

[00:51:48] isso também é uma coisa

[00:51:50] que eu fico muito curioso, porque ele vai

[00:51:51] falar do tecnofeminismo, do pós-feminismo

[00:51:54] como o Fischer estaria lidando

[00:51:56] com a questão das pessoas trans

[00:51:58] porque o Fischer, ele é um cara

[00:52:00] que se tornou famoso, especialmente

[00:52:02] numa área esquerda

[00:52:04] quase pezinho lá na direita

[00:52:05] complicado pelo Exit The Vampire Castle

[00:52:07] que é um livro sobre

[00:52:09] um livro não, um ensaio

[00:52:11] não muito longo, mal traduzido

[00:52:14] porcamente aqui no Brasil

[00:52:15] por blogs aí

[00:52:18] sobre a cultura do cancelamento

[00:52:20] desde 2013

[00:52:22] e fala dessas questões

[00:52:23] que isso é improdutivo

[00:52:26] do ponto de vista do debate

[00:52:28] como um todo

[00:52:29] é possível entender os pontos dele, mas ele

[00:52:32] soa um pouco duro ali

[00:52:33] eu entendo que isso ali vem de uma verve

[00:52:35] do cara tá vendo ali alguns cancelamentos

[00:52:37] de pessoas que ele acha que não merecem

[00:52:39] necessariamente ser canceladas

[00:52:41] e aí

[00:52:43] você vê

[00:52:45] essa ideia

[00:52:46] esse disco, o desejo

[00:52:49] pós-capitalista, ele

[00:52:51] parece inacabado, ele é mais

[00:52:53] inacabado do que sei lá

[00:52:54] o filme de ficção científica

[00:52:58] lá tava vendo esses dias

[00:52:59] do Zulask

[00:53:00] o Globo de Prata do Zulask

[00:53:03] é mais inacabado ainda que isso

[00:53:05] e o Castelo do Kafka que ele mesmo gosta de mencionar

[00:53:08] exatamente

[00:53:09] aliás é maravilhoso, porque primeiro ele recupera

[00:53:12] sempre que ele pode

[00:53:14] ele recupera o Castelo do Kafka

[00:53:15] como a grande obra do Kafka

[00:53:17] a gente fala muito da metamorfose, do processo

[00:53:19] o Castelo é tão brilhante que

[00:53:21] inclusive ele não tá acabado

[00:53:23] e o fato dele não tá acabado

[00:53:25] justifica a própria morte do livro

[00:53:27] exato, mas aí a Kafka

[00:53:29] a profecia exato realizava

[00:53:31] de Kafka, a hipertensão kafkiana

[00:53:34] mas o que me deixa mais triste

[00:53:36] apesar de ter muitas coisas que eu esperava mesmo

[00:53:38] ele fala do Neo Prometeu, etc

[00:53:39] é que ele tava muito vidrado

[00:53:41] e isso você vê tanto no

[00:53:43] Comunismo de Sérgico, o texto sobre o Comunismo de Sérgico

[00:53:46] etc, na questão

[00:53:47] do movimento autonomista italiano

[00:53:49] do fim dos anos 70

[00:53:50] todo o rolê do bifo

[00:53:53] ele vira amigo online do bifo

[00:53:55] ele gosta pra caralho disso

[00:53:57] ele fica muito feliz, ele escreve em livros que o bifo também escreve

[00:54:00] o bifo é um cara que

[00:54:01] a autonomia também lançou

[00:54:03] como é que é o nome do livro?

[00:54:05] um dos últimos livros mais recentes

[00:54:07] Terceiro Inconsciente

[00:54:08] Terceiro Inconsciente, saiu pela GLAQ com autonomia

[00:54:11] muito bom esse livro, recomendo pra todo mundo

[00:54:14] a leitura

[00:54:14] mas ele vai falar

[00:54:17] o próximo aula, a sexta aula

[00:54:19] que ocorre logo antes de ele se matar

[00:54:22] é

[00:54:23] sobre a visão dele

[00:54:24] de como foi esse rolê da autonomia

[00:54:27] aqui, lembrando aqui, quem não conhece

[00:54:29] tem um livro muito bom sobre isso, chama

[00:54:31] o Piano nas Barricadas, da GLAQ Edições também

[00:54:33] que foi

[00:54:35] um movimento meio

[00:54:37] meio espontâneo

[00:54:39] meio espontaneísta

[00:54:40] mas marxista, que se reivindicava

[00:54:43] marxistas reivindicavam as leituras de Marx

[00:54:45] de greves

[00:54:46] e uma série de atitudes

[00:54:48] e aulas culturais

[00:54:50] tinha uma rádio pirata

[00:54:53] em Bolonha

[00:54:55] na Emília Romana, que é o lugar de nascimento

[00:54:57] do Mussolini, que inclusive é um

[00:54:59] bastião da esquerda

[00:55:02] hoje em dia

[00:55:03] até hoje, é um dos grandes bastiões

[00:55:06] da esquerda libertária

[00:55:07] na Europa inteira

[00:55:08] é um lugar incrível

[00:55:11] eu não conheço, queria muito conhecer

[00:55:13] é um dos poucos lugares, quer conhecer aonde

[00:55:15] na Europa, Emília Romana, eu queria muito conhecer

[00:55:17] especialmente conhecer

[00:55:19] Bolonha, além da

[00:55:21] obviamente do molho bolonhês, eu queria

[00:55:23] conhecer todo o rolê

[00:55:25] de lá, e eu queria muito

[00:55:27] ter ouvido o Fischer falar sobre isso

[00:55:29] mais aprofundadamente do que ele cita

[00:55:31] ali só no

[00:55:33] durante as aulas e

[00:55:34] dentro do texto do

[00:55:36] do comunismo

[00:55:38] lisérgico, então

[00:55:40] essas penas assim, essas tristezas que a gente tem

[00:55:43] mas aí a gente pode estudar e ir atrás

[00:55:45] e o que eu acho muito legal também desse livro

[00:55:47] eu quero ver se em uma hora eu consigo parar e compilar

[00:55:49] são todos

[00:55:50] fazer um bagulho bem pirata mesmo

[00:55:53] todos os trechos de livros

[00:55:54] que ele cita

[00:55:56] e fazer um

[00:55:58] um apanhadão assim

[00:56:00] um compiladão

[00:56:04] assim, botar online

[00:56:05] pra galera ler que é tipo assim

[00:56:06] a apostila do Fischer, a apostila do professor Fischer

[00:56:09] só com

[00:56:10] o escaninho do Fischer, aquele escaninho

[00:56:13] de xerox, na minha época de faculdade

[00:56:15] eu era da época de ir no escaninho de xerox

[00:56:18] tirar xerox de livro que só o professor

[00:56:19] tinha, que ele deixava lá já xerocado

[00:56:22] você tirava a sua própria xerox

[00:56:23] lá e depois ficava lendo

[00:56:24] eu guardei por muito tempo esses xerox

[00:56:26] depois foi tudo fora, mas eu guardei por muito tempo

[00:56:28] alguns xerox de alguns professores que eu tive que eram mais legais

[00:56:31] e depois

[00:56:33] comprei livros, etc, etc

[00:56:34] mas eu queria fazer o escaninho do Fischer

[00:56:36] pra poder disponibilizar pra todo mundo

[00:56:38] e depois até tentar traduzir, quem sabe

[00:56:40] todos esses trechos e tal

[00:56:42] uma iniciativa bastante pirata

[00:56:45] pra galera poder

[00:56:47] ter acesso

[00:56:48] a tudo isso no Brasil

[00:56:51] e mesmo no mundo, porque se você

[00:56:53] não for atrás de trecho por trecho, você não vai ter

[00:56:55] a visão completa do que o Fischer

[00:56:57] tava sacando, e aí tem isso, tem post de blog

[00:56:59] do Laboratório Kubornik

[00:57:01] tem trecho

[00:57:03] de livro do Lyotard

[00:57:05] tem trecho, sabe, um monte de coisa

[00:57:07] a maior parte das coisas não foi traduzida pro português

[00:57:09] fiquei

[00:57:10] olhando ali depois no final, falei

[00:57:12] tem esse, esse, esse, são muito poucos

[00:57:14] e aí

[00:57:16] é meio treta, mas

[00:57:18] eu acho que pra quem se interessa

[00:57:21] e gosta muito de Fischer

[00:57:23] vale muito tentar fazer

[00:57:25] essa leitura completa

[00:57:27] das aulas depois de ler o livro

[00:57:28] fazer essa leitura, assim, vamos ler

[00:57:30] eu ainda vou fazer esse curso no futuro

[00:57:32] tipo assim, relendo

[00:57:34] o Desejo Pós-Capitalista do Fischer

[00:57:36] e aí ler todas as 15 aulas

[00:57:38] parece que depois da morte do Fischer

[00:57:40] não sei se existe gravações disso

[00:57:42] mas os alunos continuaram

[00:57:44] se reunindo por outras semanas

[00:57:46] pra além de lembrar o Fischer, terminar a leitura

[00:57:49] dos livros, dos indicados

[00:57:51] pelo Fischer e fazer discussões

[00:57:53] eu sei, isso não foi registrado

[00:57:54] então, cada um vai ter que fazer o seu em casa

[00:57:57] ou cada um vai fazer o seu no meu cursinho

[00:57:59] mas isso aí, primeiro vai ter um curso

[00:58:01] introdutório de Fischer aí

[00:58:02] mas por favor, desculpa a interrupção de 45 minutos

[00:58:06] não, não, tá louco

[00:58:07] mas assim, ó

[00:58:09] eu quero primeiramente

[00:58:10] mandar um salve, mandar um viva

[00:58:13] pra a nossa

[00:58:15] querida editora Ingrid

[00:58:16] e ela pode botar agora um barulhinho

[00:58:18] porque ela foi mencionada, como é tradição aqui

[00:58:20] porque há 10 mil anos atrás

[00:58:23] ela me emprestou um livro que disse assim

[00:58:24] olha, é um livro aqui de crítica musical

[00:58:27] não sei se tu vai gostar, dá uma olhada

[00:58:29] que era o Beijar o Céu

[00:58:31] do Simon Reynolds

[00:58:32] então, olha só que loucura

[00:58:34] as coisas vão se encontrando

[00:58:36] mas eu quero dizer uma coisa

[00:58:39] se eu vou ficar

[00:58:41] famoso ou vou ser maldito

[00:58:43] ou vou ser xingado

[00:58:44] ou vou ser copiado

[00:58:46] eu não sei, por essa frase, azar

[00:58:48] que fique registrado nos anais

[00:58:50] da internet brasileira

[00:58:52] do Vira Casacas

[00:58:53] eu vou dizê-la

[00:58:54] e a questão é bem simples

[00:58:55] a ortodoxia marxista

[00:58:58] é a Halley Davidson

[00:59:01] do tiozão de esquerda

[00:59:03] então assim, ó

[00:59:05] o tiozão que bota uma

[00:59:07] no final da vida

[00:59:09] na crise da meia-idade

[00:59:10] na crise da meia-idade

[00:59:12] o tiozão bota uma bandana de couro

[00:59:15] ele taca aquele

[00:59:17] ACDC, né

[00:59:18] Fly on the Wall, né

[00:59:20] aquele tipo de coisa assim

[00:59:21] Dirty Deeds Don’t Dirt You

[00:59:23] e pega a Halley Davidson

[00:59:25] e sai por aí, né

[00:59:26] e tal

[00:59:27] e de repente até faz uma tatuagem, né

[00:59:29] cara, a ortodoxia marxista

[00:59:32] é a mesma coisa

[00:59:32] só que é de esquerda

[00:59:33] então o cara assim

[00:59:34] é, essa gurizada nova aí

[00:59:36] não sabe nada

[00:59:36] a gurizada nova pra ele

[00:59:38] é os caras dos anos 50, 60, 70

[00:59:40] né, é por aí, né

[00:59:41] e cara

[00:59:42] eu fico de cara assim

[00:59:44] porque eu vejo

[00:59:46] pouquíssimo futuro, né

[00:59:48] e eu não tô dizendo pra descartar

[00:59:50] a ortodoxia

[00:59:51] no sentido de tu

[00:59:52] o cara não vai

[00:59:53] o cara vai começar a escada, né

[00:59:54] pelo quarto andar

[00:59:55] ele vai começar do começo, né

[00:59:56] agora

[00:59:57] eu acho assim

[00:59:58] de uma pobreza muito grande

[01:00:00] tu achar que ninguém andou pra frente com nada

[01:00:02] né

[01:00:03] primeiro erro

[01:00:04] achar que uns caras em 1856

[01:00:06] previram tudo o que aconteceu no planeta Terra

[01:00:08] né

[01:00:08] eu acho bizarro

[01:00:09] segundo

[01:00:10] achar que ninguém contribuiu com nada

[01:00:12] cara, eu acho isso aí uma coisa bizarra

[01:00:15] e aí

[01:00:15] tu pega o Fischer, né

[01:00:17] por mais que pareça maluco

[01:00:18] pra algumas pessoas que estão nos ouvindo agora

[01:00:20] porra, mas vem cá

[01:00:21] que papo é esse?

[01:00:23] música eletrônica

[01:00:24] filmes

[01:00:25] não sei o que

[01:00:26] o que esse cara tá falando?

[01:00:28] ele é o que?

[01:00:28] ele é colunista de

[01:00:29] segundo caderno do jornal?

[01:00:31] calma

[01:00:31] o cara tá fazendo uma leitura

[01:00:34] das mais arrojadas possíveis

[01:00:36] do mundo que a gente tá vivendo

[01:00:37] eu também concordo que é bastante

[01:00:39] britânico-centrista, né

[01:00:41] porque eles estão no ápice de uma coisa

[01:00:43] gente

[01:00:43] eles viveram o ápice do estado de bem-estar

[01:00:46] e eles viveram o ápice da promessa neoliberal, cara

[01:00:48] então é um belo ponto de análise

[01:00:51] é um ponto de observação

[01:00:53] muito bom

[01:00:53] embora a gente precise temperar isso

[01:00:56] com questão marginal, periférica

[01:00:58] nessa eletrônica dele

[01:01:00] nós temos que meter um batidão do funk aí

[01:01:01] nós temos que escurecer um pouco a pele

[01:01:04] de algumas pessoas

[01:01:05] de alguns exemplos que ele tá trazendo

[01:01:07] mas, cara

[01:01:08] esse cara tá enxergando o negócio

[01:01:10] muito pra frente

[01:01:11] muito pra frente mesmo

[01:01:13] a ponto de eu dizer

[01:01:14] eu não tenho dúvida que eu classifico ele assim

[01:01:16] esse é um dos meus teóricos marxistas preferidos

[01:01:19] e essa afirmação do Gonzo aí

[01:01:22] ela faz total sentido

[01:01:23] porque assim como o Walter Benjamin

[01:01:25] que foi rejeitado por grande parte da academia

[01:01:28] por ser literário demais

[01:01:29] por ser poético demais

[01:01:31] por fumar cânhamo, né

[01:01:33] demais, né

[01:01:34] o Fischer, ele tem uma trajetória engraçada

[01:01:38] porque assim

[01:01:39] ele não dá aula numa grande universidade

[01:01:41] o tamanho que ele tem hoje

[01:01:42] é muito maior do que o que ele teve em vida

[01:01:45] ele inclusive se deprime

[01:01:46] porque ele tem que dar aula pelas tantas pra colégio

[01:01:49] e não porque ele não goste, né

[01:01:50] mas porque ele visualiza ali todos os sintomas

[01:01:52] de escondida

[01:01:53] que ele tá retratando

[01:01:54] é o desinteresse da meninada

[01:01:55] é a precariedade

[01:01:57] é a burocracia, caralho

[01:01:59] que é professor hoje

[01:02:00] todos os níveis, né

[01:02:01] do municipal até o professor de doutorado

[01:02:05] cara, é uma burocracia

[01:02:06] um negócio que mata a tua energia

[01:02:08] e tem a ver com o mundo como a gente tá vendo ele hoje

[01:02:11] então, todas essas associações que ele faz

[01:02:14] velho, esse cara consegue explicar

[01:02:15] com três filmes na mão

[01:02:17] uma coisa que a gente fica choramingando até hoje

[01:02:21] que as crianças, as meninadas

[01:02:23] não lêem mais

[01:02:24] só querem saber de tiktok

[01:02:25] pois é, cara

[01:02:26] a resposta que esse cara dá

[01:02:27] pegando um ou dois filmes ali

[01:02:29] falando de um ou dois discos de música

[01:02:31] não sei o que

[01:02:32] de exemplos da cultura pop

[01:02:33] cara, é maravilhosa

[01:02:34] é maravilhosa e assim

[01:02:35] eu reivindico ele como um dos grandes

[01:02:39] marxistas

[01:02:40] como um dos grandes esquerdistas

[01:02:42] como um dos grandes caras críticos

[01:02:43] que a gente tem aí

[01:02:44] pra utilizar, né

[01:02:46] e aí vem essa questão

[01:02:47] porque

[01:02:48] a mudança de ideia dele é muito

[01:02:51] muito

[01:02:53] enfática nesse livro

[01:02:54] e eu não tô dizendo mudança como quem

[01:02:56] o cara que era do Grêmio virou do Inter

[01:02:58] não tô dizendo isso

[01:02:59] eu tô dizendo que

[01:03:00] o cara passa a agilizar umas outras coisas ali

[01:03:03] então, se ele era um crítico

[01:03:05] de algumas questões da contracultura dos anos 60

[01:03:08] ele começa a ver que aquilo tem algum potencial

[01:03:10] que ele não vai jogar tudo fora

[01:03:12] se ele era um crítico da política institucional

[01:03:15] ele começa a se aproximar do labor de novo

[01:03:18] e dizer, pera aí um pouquinho, cara

[01:03:20] se eu tô falando aqui

[01:03:21] que a própria Margaret Thatcher

[01:03:23] disse que a nova esquerda inglesa

[01:03:24] é a grande herança dela

[01:03:25] porque ela gerou uma esquerda bunda mole

[01:03:27] a esquerda que ela possibilitou

[01:03:30] é uma esquerda enfraquecida

[01:03:31] então pra ela é uma esquerda que tá bom

[01:03:33] é a esquerda que a direita gosta

[01:03:35] no melhor sentido da palavra

[01:03:36] quer dizer, o Fischer tá pensando assim

[01:03:38] cara, nós temos que fazer alguma coisa

[01:03:39] com essa tal dessa esquerda

[01:03:40] partidária também

[01:03:42] então tem muita coisa ali

[01:03:44] e quando tu vê um autor

[01:03:46] um pensador como ele

[01:03:47] lendo o Lukács com os alunos

[01:03:49] e dizendo que

[01:03:50] é

[01:03:51] não sei se a gente precisa interpretar

[01:03:53] tudo isso aqui

[01:03:53] porque tá meio complicado esse negócio

[01:03:55] tu tá vendo um novo tipo de

[01:03:57] abordagem das coisas

[01:03:59] que é bonito, inclusive, cara

[01:04:01] é bacana

[01:04:02] tu vê que ele era um cara dedicado

[01:04:03] o professor Fischer

[01:04:04] era um cara muito dedicado, Abau

[01:04:06] eu não sei se ele pode entrar

[01:04:07] no nosso panteão ali

[01:04:08] junto com o professor Schupp

[01:04:09] dos grandes exemplos éticos

[01:04:11] porque ele não é enganador

[01:04:13] é fantástico

[01:04:14] é um professor que não engana ninguém

[01:04:16] não tira onda

[01:04:17] não é soberbo

[01:04:18] não arrota nada

[01:04:19] pelo contrário, né

[01:04:20] é um professor que tá construindo

[01:04:21] ao mesmo tempo que os alunos

[01:04:22] tão pensando

[01:04:22] cara, é louco demais isso aí

[01:04:24] é potencialmente revolucionário

[01:04:26] Ivan, eu quero

[01:04:27] eu quero só te acompanhar

[01:04:28] nesse teu pensamento

[01:04:29] porque assim, ó

[01:04:30] tem uma parte do livro

[01:04:32] em que o Fischer

[01:04:35] ele cita um textozinho

[01:04:37] que é muito curtinho

[01:04:38] mas é muito significativo

[01:04:40] da Wendy Brown

[01:04:41] que é

[01:04:42] que seria

[01:04:42] Resistindo à Melancolia de Esquerda

[01:04:45] tá

[01:04:45] e assim, ó

[01:04:46] é uma parte do livro

[01:04:48] e é um texto

[01:04:48] que ela vai chamar

[01:04:49] do Stuart Hall

[01:04:50] o Tim vai jogar fora

[01:04:52] o podcast

[01:04:52] agora

[01:04:53] a gente tá citando a Wendy Brown

[01:04:54] meu Deus

[01:04:55] azar o dele

[01:04:56] azar o que tá

[01:04:57] tá me ouvindo

[01:04:58] azeite

[01:04:59] mas assim, ó

[01:04:59] se você já ler esse texto

[01:05:02] ele é muito bom

[01:05:03] ele é muito bacana

[01:05:04] exatamente porque ele vai

[01:05:05] nesse sentido

[01:05:06] que tu tá falando, Ivan

[01:05:07] e eu gosto que ela chama assim, ó

[01:05:09] ela diz que

[01:05:10] essa postura da esquerda

[01:05:12] de se defender

[01:05:14] do que vem de novo

[01:05:15] é um hábito mental

[01:05:17] e eu acho muito legal

[01:05:19] esse termo, assim

[01:05:20] que diz

[01:05:20] não, eu tenho que pensar tudo

[01:05:22] em tudo

[01:05:22] em termos de economia

[01:05:24] eu tenho que pensar tudo

[01:05:25] em termos dessa ortodoxia

[01:05:26] e ela mesmo diz assim

[01:05:28] olha, o que o pessoal

[01:05:29] não tá se tocando

[01:05:30] é que hoje as coisas

[01:05:31] funcionam muito mais

[01:05:33] em termos de linguagem

[01:05:34] do que nesses termos, né

[01:05:37] de econômicos

[01:05:39] como funcionavam antes

[01:05:40] e ela traça exatamente

[01:05:41] isso que tu falou

[01:05:42] né, no post do

[01:05:44] a Margaret Thatcher

[01:05:45] ela vai dizer

[01:05:46] ó, aqui a gente tem

[01:05:47] um ponto de virada

[01:05:48] não é jogar fora

[01:05:50] tudo aquilo que existiu

[01:05:51] ah, eles tão dizendo

[01:05:52] que não precisa

[01:05:52] mais ler Marx

[01:05:54] pra fazer

[01:05:54] não, todos esses caras

[01:05:56] outro dia

[01:05:56] eu e o Divante

[01:05:57] conversava alguns

[01:05:58] a respeito do Derrida

[01:06:00] né

[01:06:00] que o Derrida

[01:06:01] chega em determinado momento

[01:06:03] lá no espectro de Marx

[01:06:04] que tu tem que ler

[01:06:05] pra entender um pouquinho

[01:06:06] do Fantasmas da Minha Vida

[01:06:08] né

[01:06:08] tu vai lá pro Derrida

[01:06:09] e daí

[01:06:10] o Derrida mesmo

[01:06:12] chega e diz assim

[01:06:12] ó, galera

[01:06:13] não tem como entender

[01:06:14] as coisas sem Marx

[01:06:15] mas a gente vai fazer

[01:06:17] um negócio

[01:06:17] além

[01:06:18] a gente vai dar

[01:06:19] uma conversada

[01:06:20] sobre o agora

[01:06:21] a gente vai pensar

[01:06:21] a respeito das coisas

[01:06:22] e a gente vai

[01:06:22] e é esse

[01:06:23] que é o

[01:06:24] esse é um dos pontos

[01:06:25] do livro assim

[01:06:26] que também eu acho fantástico

[01:06:28] em que ele retoma

[01:06:29] essas questões

[01:06:30] que às vezes

[01:06:31] estavam caindo

[01:06:31] né

[01:06:32] estavam do lado

[01:06:33] estavam sendo deixados

[01:06:34] de lado

[01:06:34] e ele consegue buscar

[01:06:36] e assim ó

[01:06:37] pensando na época

[01:06:39] dele ali né

[01:06:41] que já tinha computador

[01:06:42] já tinha todas essas coisas

[01:06:43] mas não era exatamente

[01:06:43] fácil de conseguir né

[01:06:45] então ele tá captando

[01:06:46] um monte de coisas

[01:06:47] que ficaram perdidos

[01:06:48] do mainstream

[01:06:49] e consegue concatenar

[01:06:51] depois junto

[01:06:52] e aí

[01:06:52] tanto que essa questão

[01:06:53] da melancolia de esquerda

[01:06:55] é uma coisa

[01:06:56] que eu tô muito

[01:06:57] focado nisso aí

[01:06:59] tanto em melancolia de esquerda

[01:07:01] como em outros tipos

[01:07:01] de melancolia

[01:07:02] porque

[01:07:03] ele vai ver

[01:07:04] essa potência

[01:07:05] ele vai dizer

[01:07:06] o que que a gente faz

[01:07:07] com esse troço

[01:07:08] né

[01:07:08] não é uma coisa

[01:07:09] que a gente tem que deixar

[01:07:10] pra aí

[01:07:11] uma nostalgia né

[01:07:12] a nostalgia paralisante

[01:07:14] de você dizer

[01:07:14] que é uma coisa

[01:07:16] muito em voga

[01:07:16] né

[01:07:17] Gonzo de Vann

[01:07:18] que é esse negócio

[01:07:19] de dizer assim

[01:07:19] que a

[01:07:20] agorizada só tá

[01:07:21] no TikTok

[01:07:22] e não lembra

[01:07:22] mais

[01:07:23] agorizada não quer

[01:07:24] CLT

[01:07:25] agorizada não quer

[01:07:26] mais trabalhar

[01:07:26] oito horas por dia

[01:07:27] tem alguma coisa aí

[01:07:29] pessoal

[01:07:30] o que que tá aí

[01:07:31] que a gente não tá ouvindo

[01:07:33] o que que tá ali

[01:07:34] isso aqui é um negócio

[01:07:35] que eu já falei antes

[01:07:36] mas assim ó

[01:07:37] numa dessa esse cara

[01:07:38] tá dizendo

[01:07:38] eu não quero ter um chefe

[01:07:40] eu vou chegar pra ele dizer

[01:07:42] peraí

[01:07:42] é bom ter chefe

[01:07:43] não é bom gente

[01:07:45] talvez esse cara

[01:07:46] esteja querendo ser libertado

[01:07:48] de uma coisa

[01:07:49] que a gente já tá buscando

[01:07:50] há centenas de anos

[01:07:51] e tá se expressando

[01:07:52] de uma forma diferente

[01:07:53] mas eu tô dizendo

[01:07:54] não

[01:07:54] eu tenho que dizer pra ele

[01:07:56] que o bom

[01:07:56] é ter CLT

[01:07:57] é ter férias

[01:07:58] é ter décimo terceiro

[01:08:00] é ter

[01:08:00] não peraí

[01:08:01] quem que eu sou

[01:08:02] Getúlio Vargas

[01:08:03] pra eu tá pensando

[01:08:04] desse jeito aí

[01:08:05] como assim cara

[01:08:06] né

[01:08:06] então assim ó

[01:08:07] tem todas essas coisas

[01:08:08] que ele traz

[01:08:09] ele embala

[01:08:10] de uma forma

[01:08:10] muito interessante

[01:08:12] mas de novo

[01:08:13] em busca de potencial

[01:08:14] pra futuro

[01:08:15] não é olhar pra trás

[01:08:16] eu não quero

[01:08:17] né

[01:08:18] ele não tá dizendo

[01:08:18] também eu vou voltar

[01:08:19] pra 1960

[01:08:20] ele tá dizendo

[01:08:21] não

[01:08:22] aqui

[01:08:22] eu vou voltar pra 1960

[01:08:22] não

[01:08:22] eu já tinha uma coisa

[01:08:23] o que que essa coisa

[01:08:24] quer me dizer pra hoje

[01:08:25] né

[01:08:26] essa parte eu acho

[01:08:27] essencial

[01:08:28] e depois eu quero lançar

[01:08:29] um outro negócio

[01:08:30] pra vocês

[01:08:30] tô louco pra saber

[01:08:31] a opinião dos dois

[01:08:32] Gonzo

[01:08:33] essa questão da

[01:08:34] a criançada não quer CLT

[01:08:36] e tal

[01:08:36] isso é só mais um sintoma

[01:08:38] de realismo capitalista

[01:08:39] se você não tem

[01:08:40] uma alternativa

[01:08:41] pra não trabalhar

[01:08:42] a alternativa

[01:08:44] de não trabalhar

[01:08:45] é jogar no jogo

[01:08:46] do tigrinho

[01:08:46] é ser coach

[01:08:48] é ser

[01:08:48] ah olha esse cara

[01:08:49] aqui que tá ganhando dinheiro

[01:08:51] e esse

[01:08:52] um

[01:08:52] Marό

[01:08:53] o Jout Jout

[01:08:53] esse gente

[01:08:54] vivem

[01:08:55] o tempo todo

[01:08:55] a gente também vive

[01:08:56] né

[01:08:56] como a gente fala

[01:08:57] quando a gente não tiver

[01:08:58] no celular

[01:08:58] o tempo todo

[01:08:59] falando 45 minutos

[01:09:01] em áudios longos

[01:09:02] para esse podcast

[01:09:02] no zap

[01:09:03] pelo menos assim

[01:09:04] que eu vivo a minha vida

[01:09:05] é né

[01:09:06] durante o dia

[01:09:07] durante a madrugada

[01:09:08] durante a noite

[01:09:08] eu paro para escrever

[01:09:10] quem tem menos rede social

[01:09:11] pra me atrapalhar

[01:09:11] porque eu

[01:09:13] já tenho

[01:09:14] o lado suficiente

[01:09:15] pra ter vivido

[01:09:15] todas as crises

[01:09:16] de rede social

[01:09:16] que eu podia

[01:09:17] na minha vida

[01:09:18] meu jovem

[01:09:19] que tá agora

[01:09:19] vivendo as primeiras

[01:09:20] crises de rede social

[01:09:21] da vida dele

[01:09:22] tá imerso nesse mundo da imagem

[01:09:24] ao mesmo tempo ele tá desenvolvendo

[01:09:27] uma série de coisas

[01:09:28] e vai ter os mais espertos, mas

[01:09:30] é normal, mano, a humanidade é assim

[01:09:32] mas o grande lance é, a gente não tem imaginação

[01:09:34] pra se imaginar

[01:09:36] porque o que acontece

[01:09:37] o pensamento básico

[01:09:40] do capitalismo como um todo

[01:09:42] especialmente desse capitalismo

[01:09:44] neoliberal que a gente vive ainda

[01:09:46] apesar da galera tá falando, ah, morreu

[01:09:48] o tecnofeudalismo, blá blá blá

[01:09:49] tudo bem, mas o frame ideológico

[01:09:52] continua o mesmo, que é

[01:09:54] o mundo é uma competição

[01:09:57] de indivíduos

[01:09:58] o de Van Storff, a Thatcher

[01:10:00] também, vou citar um outro clássico da Thatcher

[01:10:02] que não existe essa coisa de sociedade

[01:10:03] só existem indivíduos e no máximo

[01:10:06] famílias

[01:10:07] essa ideia

[01:10:09] completamente martelada, de cima pra baixo

[01:10:12] de que você vive

[01:10:14] num mundo de competição entre uma pessoa

[01:10:16] e outra, é darwinismo

[01:10:18] social

[01:10:19] sobrevivência dos mais fortes e tal

[01:10:22] te coloca numa situação social

[01:10:24] em que você não vai pensar na sua comunidade

[01:10:26] quem tá do seu lado, no seu rolê

[01:10:28] em fazer uma coisa construída junto

[01:10:30] você vai pensar assim, mano, eu preciso ganhar o máximo de dinheiro possível

[01:10:32] desse máximo de número de outros otários

[01:10:34] eu não sou otário, os otários são os outros

[01:10:36] eu vou entrar nessa pirâmide

[01:10:38] mas eu vou tá em cima da pirâmide

[01:10:40] o pensamento de criptomoeda

[01:10:42] de jogo do tigrinho

[01:10:44] de ser coach

[01:10:45] de tá numa igreja neopentecostal

[01:10:48] muitas vezes

[01:10:49] entraram nesse rolê

[01:10:51] de teologia da prosperidade

[01:10:53] entre aspas

[01:10:55] tudo isso, na verdade, são sintomas

[01:10:58] mórbidos, como diria

[01:11:00] Granchi, sintomas mórbidos

[01:11:02] do fim dessa era

[01:11:04] e que

[01:11:05] são a resposta imediata

[01:11:08] do jovem, a ideia de

[01:11:10] eu não vou ter aposentadoria

[01:11:12] se eu trabalhar

[01:11:13] porque isso é uma coisa muito central

[01:11:15] eu falo que eu virei

[01:11:17] muito mais comunista

[01:11:19] esquerdista

[01:11:20] que seja, o rótulo que for

[01:11:24] mas tô no nosso campo

[01:11:26] com muito mais afinco

[01:11:27] trabalhando literalmente nele

[01:11:29] vivendo disso e tentando de toda maneira

[01:11:32] ampliar as mensagens

[01:11:34] de pessoas que eu acho importante

[01:11:35] tá aí o McFisher, mas não é só ele

[01:11:37] mas o McFisher é uma pessoa muito importante nisso

[01:11:39] porque eu acho que eu não vou ter outra oportunidade

[01:11:42] de me aposentar, porque eu não tive muitos trabalhos

[01:11:44] CLTs na minha vida, etc

[01:11:45] e eu não vou ter uma aposentadoria

[01:11:47] com grandissíssima parte

[01:11:49] dos brasileiros, não existe mais essa ideia

[01:11:51] há muito tempo, não é nova

[01:11:53] é da época da primeira reforma da Previdência do PT

[01:11:55] de que você vai trabalhar

[01:11:57] o resto da vida no mesmo emprego

[01:11:59] e vai ter uma aposentadoria

[01:12:00] o auge do estado de bem-estar britânico

[01:12:03] como o Divan tava falando mais cedo

[01:12:04] não é mais factível

[01:12:06] ou seja, você já abandonou

[01:12:09] o último sonho que existia

[01:12:11] da esquerda

[01:12:12] não existe mais materialidade

[01:12:15] pra isso, então a minha

[01:12:16] ideia de que eu consiga me aposentar

[01:12:19] ou ter uma vida mais tranquila quando for mais velho

[01:12:21] é ter a revolução

[01:12:23] sem a revolução eu não vou conseguir

[01:12:25] viver, eu vou falir

[01:12:28] como tem acontecido com várias pessoas

[01:12:30] de idade, e a gente viu isso

[01:12:31] ampliado na pandemia

[01:12:33] só que é

[01:12:35] tão paralisante

[01:12:37] é tão totalizante

[01:12:40] e como o

[01:12:41] realismo capitalista ocorre em todos os meios

[01:12:44] seja no TikTok

[01:12:45] seja no Instagram

[01:12:47] seja no Blue Sky

[01:12:49] seja no X, etc

[01:12:51] que, cara

[01:12:53] a situação é meio

[01:12:56] impraticável

[01:12:57] eu acho que a gente tá chegando numa nova janela

[01:13:00] de oportunidade, como foi 2008

[01:13:01] que é a crise que tá sendo gerada

[01:13:04] por Elon Musk

[01:13:06] Donald Trump

[01:13:06] que é o fim dessa lógica

[01:13:10] neoliberal

[01:13:11] onde não só

[01:13:12] você não colabora entre indivíduos

[01:13:16] porque você não tem mais comunidade

[01:13:17] você não colabora entre estados nações

[01:13:19] a gente é um dos Estados Unidos

[01:13:20] a gente vai se encastelar aqui nessa bolha

[01:13:24] não vai mais falar com ninguém

[01:13:26] todo mundo é nosso inimigo a partir de agora

[01:13:28] nossos vizinhos

[01:13:29] estão sob a possibilidade de ser invadidos militarmente

[01:13:32] pela maior potência

[01:13:33] militar do mundo

[01:13:35] isso é uma janela de oportunidade

[01:13:37] porque ao mesmo tempo a gente tá vendo que

[01:13:39] apesar da campanha e tal

[01:13:41] a gente vê que foi uma puta enganação

[01:13:44] essa campanha que levou à vitória do Trump

[01:13:45] os democratas são uns babacas

[01:13:47] trouxas que querem só

[01:13:49] continuação e o mundo quer uma mudança

[01:13:51] efetivamente os estadunidenses

[01:13:53] os coitados dos dois estadunidenses

[01:13:55] querem uma mudança

[01:13:56] e eles viram uma mudança de novo no Trump

[01:13:58] vamos tentar fazer o Trump, talvez ele possa mudar melhor

[01:14:01] possa mudar mais

[01:14:03] porque esse bagulho dos democratas aqui tá muito ruim

[01:14:04] só que a mudança que o Trump tá oferecendo não é popular

[01:14:07] não é

[01:14:08] claramente assim, eu vi uma história esses dias

[01:14:11] que eu achei muito engraçada no Blue Sky

[01:14:12] de que

[01:14:14] tava se falando que

[01:14:16] votos de latinos no Trump

[01:14:19] alguns deles em tese ocorreram

[01:14:21] porque o Trump falou, vamos acabar com os ilegais

[01:14:23] os caras acharam que ele ia legalizar todo mundo

[01:14:25] e não mandar todo mundo embora

[01:14:29] ele ia dar papel pra todo mundo, pra todo mundo ser legalizado

[01:14:31] você tava ilegal, você vai se legalizar

[01:14:33] então votar no Trump que ele vai me legalizar

[01:14:35] é o contrário meu amigo, ele vai te mandar embora

[01:14:37] e aí vamos ver como que vai ser

[01:14:40] jogar a situação nos Estados Unidos

[01:14:41] mas popularmente, em termos de mobilização popular

[01:14:44] que a gente tá vendo lá

[01:14:45] a tendência

[01:14:47] é o crescimento

[01:14:49] de uma esquerda que não existe

[01:14:51] pelo menos

[01:14:52] desde o fim da segunda guerra mundial

[01:14:55] especialmente do macartismo

[01:14:57] e da guerra fria

[01:14:58] que os caras estirpam qualquer pensamento

[01:15:01] contrário à existência do capitalismo

[01:15:03] e aí vão construir o realismo capitalista ali

[01:15:05] agora o realismo capitalista

[01:15:07] parece que tá chegando num

[01:15:09] fim das coisas, eu sei que

[01:15:11] é meio assustador, é meio assustador por exemplo

[01:15:13] olhar aqui, é um sintoma mórbido

[01:15:15] mas olhar, sei lá, Paulo Marçal em terceiro lugar

[01:15:17] na prefeitura de São Paulo

[01:15:19] passando por um riscadinho, mas ali em cima

[01:15:21] graças a Deus, a gente tirou

[01:15:23] Paulo Marçal, agora ele não pode se eleger

[01:15:25] por mais oito anos, graças a Deus, legal

[01:15:27] no próximo pode vir outro

[01:15:28] e as coisas devem continuar assim, mas

[01:15:30] a tendência de uma crise sistêmica

[01:15:33] que se espalhe dos Estados Unidos

[01:15:35] por uma Europa que já tá começando

[01:15:37] uma recessão, porque quando a Alemanha entra em recessão

[01:15:39] a Alemanha é o banco central

[01:15:42] de todo o continente

[01:15:43] de toda a União Europeia

[01:15:45] a tendência é que ali a coisa

[01:15:47] desande, tipo, eu vi esses dias no

[01:15:49] cara falando que tá fechando fábrica na China

[01:15:51] porque os caras vendiam lavadora, máquina de lavar

[01:15:53] na Europa, ninguém mais tá comprando

[01:15:54] então você começa a falar, puta que pariu, pra onde vai

[01:15:57] mas essa crise

[01:15:58] como diria o Lair Ribeiro, como eu sempre lembro

[01:16:01] crise, você põe um S vira um cifrão

[01:16:03] e cria dinheiro, vira oportunidade

[01:16:05] é o mesmo ideograma chinês

[01:16:07] mas pode ser uma oportunidade

[01:16:09] dessa crise da gente voltar a discutir

[01:16:11] mas o que o Fischer

[01:16:12] desenvolve em Realismo Catalista é que na crise

[01:16:15] de 2018 a gente não tinha

[01:16:17] e parece que a gente

[01:16:19] continua não tendo

[01:16:20] alternativas eficazes

[01:16:22] ao fim do capitalismo

[01:16:24] não existe um pós-capitalismo

[01:16:26] debatido e conversado

[01:16:28] não existe um pós

[01:16:31] um comunismo

[01:16:32] realmente existente

[01:16:35] tirando na China, o que a gente vai fazer

[01:16:37] vai ser uma nova evolução, fazer uma longa

[01:16:39] marcha aqui no Brasil

[01:16:40] qual que é a nossa saída, a gente precisa

[01:16:42] pegar em armas efetivamente

[01:16:44] porque pegar em armas é só uma parte do negócio

[01:16:47] se você pegar

[01:16:49] sobre a Estrela Vermelha

[01:16:50] que é um livro também lançado aqui

[01:16:52] pela Autonomia Literária, do Edward Snow

[01:16:54] que é basicamente uma versão

[01:16:56] gigantesca dos 10 dias que abalaram o mundo

[01:16:59] sobre a Revolução Chinesa

[01:17:00] ainda está no meio da Revolução Chinesa

[01:17:02] ainda é antes da Segunda Guerra Mundial

[01:17:03] mas você vê que a crise é tão profunda

[01:17:07] na China pós-colonialista

[01:17:08] no final do colonialismo na China

[01:17:10] que as pessoas começam

[01:17:13] a absorver esse pensamento

[01:17:15] comunista, ele passa a ser

[01:17:17] popular em vários lugares em que as pessoas

[01:17:19] são liberadas e que existe

[01:17:20] uma ajuda mútua, mutual aid

[01:17:22] que os americanos falam, os estadunidenses falam

[01:17:24] pra você

[01:17:26] chegar nessas pessoas

[01:17:28] e as pessoas entenderem que pode ser

[01:17:31] bom esse negócio de comunismo, e é o que acontece

[01:17:32] no Vietnã, por exemplo, também

[01:17:34] em relação a diversas lutas de libertação

[01:17:37] colonial, como acontece em Cuba

[01:17:39] ou seja, você precisa de um apoio popular

[01:17:40] a gente precisa do que a gente faz aqui

[01:17:43] que é propaganda de esquerda

[01:17:45] a gente precisa

[01:17:46] trazer mais pessoas pro nosso campo, e hoje em dia

[01:17:48] esse campo é muito, muito, muito saturado

[01:17:50] eu ouvi esses dias vocês conversando

[01:17:52] sobre aquele episódio do

[01:17:54] capitalismo chupim, eu achei genial

[01:17:56] só que o Gaúcho deve entender o que é chupim

[01:17:58] a última vez que eu vi chupim

[01:18:00] rodando pelas ondas do rádio foi uma música

[01:18:02] da banda Estrela d’Alva, pantinha lá

[01:18:04] do interior, Gaúcho

[01:18:06] que era que o arroz

[01:18:08] que era uma história do colono e tal, que o arroz que sobrou

[01:18:10] que a seca não levou foi pro papo do chupim

[01:18:12] será que

[01:18:14] os caras vão entender que isso é um

[01:18:16] cuckoo em inglês assim e tal

[01:18:18] vamos ver né, nós estávamos falando

[01:18:20] sobre o quão é

[01:18:22] encharcada de extrema direita

[01:18:25] a mídia

[01:18:26] em geral, é a mídia sobre

[01:18:28] cultura, é a mídia sobre esportes

[01:18:31] é a mídia sobre

[01:18:32] qualquer coisa

[01:18:33] estadunidense ela é encharcada da extrema direita

[01:18:37] e aqui no Brasil também é encharcada, óbvio

[01:18:38] tá vendo o crescimento muito rápido

[01:18:40] da esquerda lá nos Estados Unidos

[01:18:41] meu amigo, ó a situação que tá

[01:18:44] ó o nível de bosta

[01:18:46] que tá rolando, tipo os caras tão botando

[01:18:48] um bíbado, literalmente

[01:18:50] Peter Hacksmith é um bíbado

[01:18:52] de bosta, como secretário

[01:18:54] de defesa estadunidense

[01:18:56] e o cara tá vazando os planos dele

[01:18:58] pra jornalista, imagina

[01:19:00] qualquer inimigo, então assim

[01:19:02] essa derrocada do império que vai ser muito dolorosa

[01:19:04] pros estadunidenses e vai doer também

[01:19:06] em vários lugares do mundo, talvez até

[01:19:08] inclusive no Brasil, vamos ver como a gente vai

[01:19:10] sair dessa

[01:19:11] isso pode vir

[01:19:14] alguma coisa, agora a gente precisa urgentemente

[01:19:16] é muito urgente

[01:19:17] o nosso

[01:19:18] campo, criar oportunidades

[01:19:20] e coisas factíveis

[01:19:23] que tomem em conta

[01:19:24] o processo que

[01:19:25] a não ser que a gente entre numa crise

[01:19:28] muito, muito tensa

[01:19:30] pra além só do fim

[01:19:33] do colapso das

[01:19:34] né, da substituição

[01:19:37] de exportações, por causa do colapso das

[01:19:38] linhas de montagem supranacionais

[01:19:41] se a gente chega numa crise muito

[01:19:42] tensa de energia, etc

[01:19:44] a tendência é continuar, a tendência é as pessoas

[01:19:46] continuem querendo comprar suas porcarias

[01:19:48] na Choppy e tal

[01:19:49] o que a gente, como a gente

[01:19:50] e aí a pergunta do Mike Fischer, como a gente faz

[01:19:54] pras pessoas entenderem seus desejos

[01:19:56] e aí por isso que psicanálise é tão

[01:19:58] entre aspas importante, porque ao mesmo tempo

[01:20:00] essa psicanálise aí inova também

[01:20:02] é complexa, tem muita gente

[01:20:05] querendo fazer isso aí pro mercado

[01:20:06] esses dias veio uma consultoria

[01:20:07] para empresas baseada em psicanálise

[01:20:11] novinha, para essas

[01:20:12] agências de tendência

[01:20:14] e tal, mas é nosso rolê

[01:20:16] é psicanálise, tipo assim, meu Deus do céu

[01:20:18] ele é velho, cara, se você assistir The Century of Self

[01:20:20] do Adam Curtis, a série inteira

[01:20:22] você vai falar, ah, caralho

[01:20:24] foi Freud

[01:20:26] o pensamento de Freud que inventou

[01:20:28] a publicidade moderna, inventou

[01:20:29] a captura dos nossos desejos

[01:20:32] por bens materiais

[01:20:33] fugazes e nossa

[01:20:36] libido inteira gira em torno

[01:20:38] de trabalhar pra adquirir porcaria

[01:20:40] pra comprar brusinha

[01:20:42] e pra gente continuar vivendo

[01:20:44] e pra comprar um cigarrinho

[01:20:46] pra tomar uma bebidinha no fim do dia

[01:20:48] não tô dizendo que tem que acabar a cachaçinha

[01:20:50] não tô dizendo que tem que acabar

[01:20:52] o meu cigarro, porque senão eu tô fudido

[01:20:54] mas assim

[01:20:55] eu quero continuar comprando livro, sei lá

[01:20:58] eu quero continuar tendo acesso à cultura

[01:20:59] e eu sempre achei, pessoalmente, que o pós

[01:21:03] essa era a pós

[01:21:05] digitalização das coisas

[01:21:06] facilitaria

[01:21:07] porque assim, eu sempre pensei nisso

[01:21:10] realmente consigo viver com muito menos

[01:21:12] do que eu teria que viver na época que eu precisava

[01:21:14] comprar todos os livros e todos os

[01:21:16] discos que eu precisava pra manter

[01:21:18] minha vida e assistir todos os filmes

[01:21:19] pagando por tudo isso

[01:21:22] quando a minha vida era

[01:21:23] de office boy e só tinha

[01:21:26] CD, VHS

[01:21:27] e livro em papel

[01:21:30] hoje em dia é muito mais barato

[01:21:32] eu estaria falido, fudido, puto

[01:21:34] puto pra caralho

[01:21:35] se não tivesse isso

[01:21:37] então, existem maneiras de viver

[01:21:40] nesse pós-capitalismo, existem maneiras

[01:21:41] a gente pode socializar várias coisas

[01:21:44] várias coisas são reproduzidas

[01:21:46] reproduzidas de maneira gratuita

[01:21:48] é questão básica de livro

[01:21:50] disco, filme

[01:21:52] obras culturais são absolutamente

[01:21:54] reproduzíveis em casa

[01:21:56] o custo de reproduzibilidade delas

[01:21:58] é zero, aí tipo, entra no

[01:22:00] novo, né, aí que é um novo pensamento

[01:22:03] que tentou-se

[01:22:04] se desfazer, mas aí você tem uma captura

[01:22:07] pelo

[01:22:08] rolê de copyright

[01:22:09] no meio, em meados dos anos 2000

[01:22:12] que é o que eu acho que dá

[01:22:14] que estoura a porteira

[01:22:16] e mata a internet como a gente imaginava

[01:22:18] até então, mas a gente, existe

[01:22:20] existe a possibilidade, cara, você pode assistir

[01:22:22] tudo o que você quiser, você pode ouvir tudo o que você quiser

[01:22:24] você pode ler tudo o que você quiser

[01:22:25] se tenta fazer alguma maneira

[01:22:28] de botar uma porteira nisso, mas é difícil

[01:22:30] mas a gente ainda é pirata, a gente ainda é

[01:22:32] ilegal quando a gente faz isso

[01:22:33] mas se a gente legaliza isso

[01:22:35] a gente já começa a libertar uma parte do nosso pensamento

[01:22:38] a gente pode libertar outras coisas

[01:22:39] a gente não precisa

[01:22:41] não existe, não há necessidade

[01:22:44] humana de tudo isso

[01:22:46] a gente só sente essa necessidade

[01:22:47] porque a nossa maneira de ver o mundo

[01:22:49] e ver o que a gente quer fazer da vida

[01:22:51] e esse é o ponto, tipo assim

[01:22:53] você tem liberdade pra comprar

[01:22:56] sua blusinha da shine, mas você tem liberdade

[01:22:57] pra fazer o que você quiser

[01:22:58] ou você tem que trabalhar horas e horas

[01:23:02] pra comprar sua blusinha da shine

[01:23:03] que é a única coisa que você deseja, já que você não consegue

[01:23:05] se libertar do seu próprio trabalho

[01:23:07] e eu acho que esse é o ponto meio central

[01:23:10] que a gente precisa oferecer

[01:23:11] pras pessoas pra gente pensar num mundo sem trabalho

[01:23:14] num mundo pós-trabalho

[01:23:16] meio que o meu ponto central sobre Fischer como um todo

[01:23:18] e eu já falei pra caralho, por favor, continue

[01:23:20] é assim que o Fischer termina as aulas dele também

[01:23:22] acabou meu tempo aqui, galera, valeu, falou, é nóis

[01:23:24] quem é que vai ler o próximo aí, pessoal?

[01:23:28] deixa eu largar um negócio pra vocês aqui

[01:23:30] porque eu acho que tu fez um gancho legal aqui

[01:23:32] com um negócio que é assim, ó

[01:23:33] eu tinha já lido o livro

[01:23:36] reli rapidamente

[01:23:38] pra gente ter essa conversa

[01:23:41] porque a gente faz tema de casa

[01:23:42] aqui no Vira Casacas

[01:23:43] e daí estava eu

[01:23:46] nas redes sociais

[01:23:47] e apareceu uma notícia pra mim que eu disse

[01:23:49] eu quero saber o que o Divã e o Gonzo

[01:23:51] pensam a respeito disso aqui

[01:23:53] diante do pensamento do Mark Fischer

[01:23:56] tá?

[01:23:57] é um artigo da revista Time

[01:23:59] que diz assim, ó

[01:24:01] eles odiavam os planos de saúde nos Estados Unidos

[01:24:04] então eles começaram a pagar

[01:24:06] pelo cuidado um dos outros

[01:24:08] é sobre uma

[01:24:10] startup, tá?

[01:24:11] que está começando nos Estados Unidos

[01:24:13] chamada CrowdHealth

[01:24:14] deixa eu ler pra vocês um texto aqui

[01:24:16] um pedacinho

[01:24:18] para aderir, os membros pagam uma taxa administrativa

[01:24:21] de cerca de 55 dólares por mês

[01:24:23] a cada mês eles recebem

[01:24:25] uma mensagem da CrowdHealth

[01:24:27] informando que outro membro precisa

[01:24:29] de assistência financeira para um problema

[01:24:31] médico específico

[01:24:33] os membros podem concordar em pagar

[01:24:35] sua parte da conta

[01:24:37] que não excede 140 dólares por mês

[01:24:39] para uma única pessoa com menos de

[01:24:41] 55 anos

[01:24:42] ou 422

[01:24:44] para uma família de 4 pessoas

[01:24:46] ou eles podem recusar

[01:24:49] ao custo de corroer

[01:24:50] sua classificação no site da CrowdHealth

[01:24:53] tornando menos provável

[01:24:55] que outros membros contribuam

[01:24:57] para suas próprias necessidades

[01:24:59] cara

[01:25:00] e eu lembrei do negócio do

[01:25:02] peer-to-peer que o Mark Fischer

[01:25:04] acabou não dando a aula que ele ia falar mais

[01:25:07] mas

[01:25:08] saca a ideia, Edivar

[01:25:10] é um grupo de pessoas

[01:25:12] que todo mundo diz, a gente vai se ajudar

[01:25:14] a pagar as contas de médico um do outro

[01:25:16] teve que ter uma capitalização

[01:25:18] do negócio que é uma startup

[01:25:20] para cobrar coisa, mas tudo bem

[01:25:22] não parece que tem alguma coisa

[01:25:24] aí?

[01:25:25] cara, eu não sei, me desagrada

[01:25:27] me desagrada duas coisas, a ideia é de

[01:25:30] pessoas se ajudando

[01:25:31] pra mim é o que deveria ser o padrão

[01:25:34] em relação a tudo na vida

[01:25:36] mas me desagrada

[01:25:37] e eu não vou dizer que é só a capitalização

[01:25:39] porque isso aí tem que tornar viável

[01:25:42] porque alguém tem que pagar essas coisas que são caras

[01:25:43] e lá não tem como

[01:25:45] então a capitalização não é o que eu vou bater

[01:25:48] aqui, mas assim

[01:25:49] essa coisa de

[01:25:52] daqui a pouco tu não paga

[01:25:54] e parece que tu perde

[01:25:55] tu baixa o ranking do Serasa

[01:25:57] o cara não participa

[01:26:00] e aí ele fica mal contado, ele ganha

[01:26:02] pontos negativos no Uber

[01:26:03] ou coisa parecida, eu não sei

[01:26:06] agora, velho

[01:26:08] dá pra pensar muita coisa

[01:26:10] a respeito disso, principalmente

[01:26:11] quanto ao fato de que

[01:26:13] olha qualquer coisa que aparece

[01:26:16] quando tu

[01:26:18] basicamente não tem um sistema de saúde

[01:26:19] aparecem ideias

[01:26:22] do tipo assim, e se a gente

[01:26:24] fizesse aqui uma vaquinha

[01:26:25] porque, cara, olha só

[01:26:27] tem um paralelo com isso, eu vou

[01:26:29] confrontar essa notícia com uma coisa

[01:26:31] que eu li num livro da Verônica

[01:26:34] Gago uma vez

[01:26:34] que as mulheres faveladas

[01:26:37] principalmente de origem indígena, que são

[01:26:39] marginalizadas na Argentina

[01:26:41] descendente boliviano, esse tipo de

[01:26:43] coisas, Mapuche, aquelas coisas

[01:26:45] numa favela lá

[01:26:47] elas tem tipo de um consórcio

[01:26:49] que é pra ajudar a galera da favela

[01:26:51] então, por exemplo, se alguém

[01:26:53] tá precisando muito, elas fazem um

[01:26:55] conselho e elas sorteiam

[01:26:57] a pessoa como se fosse contemplada

[01:26:59] no consórcio e tal, ou alguém pode

[01:27:01] comprar, alguém que tá um pouco melhor, compra a posição

[01:27:03] do outro no consórcio, cara

[01:27:05] tem uma coisa muito interessante

[01:27:07] aí, mas em compensação

[01:27:09] eu fiquei meio

[01:27:11] cabreiro com esse negócio aí do

[01:27:13] tá, e se tu não ajuda

[01:27:14] que aí, o que acontece? Tu vai perder

[01:27:17] pontos no ranking e aí

[01:27:19] de repente tu perde fila na tua

[01:27:21] ajuda que tu precisa receber? Como é que é?

[01:27:23] Mas é que se tu tá fazendo parte do negócio

[01:27:25] todo mundo tá combinando de se ajudar

[01:27:27] e daí um cara diz, não, mas eu não ajudo

[01:27:29] ninguém, mas quando chegar a minha hora eu quero vir

[01:27:31] também, é foda, né? Não, mas daí

[01:27:33] eu acho que tem que convocar o

[01:27:35] conselho, né, e fazer como no

[01:27:37] Big Brother, tem que falar, a eliminação, daí, né

[01:27:39] tu tira a pessoa do troço, porque se o

[01:27:41] cara tá lá parando… É só essa ideia, porque assim, ó

[01:27:43] esse negócio dos Estados Unidos, e a gente vê bastante

[01:27:45] rede social, o GoFundMe, né

[01:27:47] o pessoal precisa fazer uma cirurgia

[01:27:49] me ajuda, pô, isso é triste, deprimente

[01:27:52] e tal, agora, eu achei

[01:27:54] esse negócio de

[01:27:55] você ter um grupo de pessoas que

[01:27:57] combina, né, vamos fazer aqui nós

[01:27:59] dez, num país de merda

[01:28:01] que não tem um SUS

[01:28:03] em primeiro lugar, ok, tiramos a frente o negócio

[01:28:05] mas que o pessoal diz assim, ó

[01:28:07] eu vou ajudar os outros

[01:28:09] quando chegar a minha vez eles me ajudam

[01:28:11] tu não pode ser pau no cu de não

[01:28:13] ajudar quando os outros estão precisando

[01:28:15] é a pirâmide do bem, é pra ser a pirâmide do bem

[01:28:17] e outra coisa que eles tem lá, né, cara

[01:28:19] que é o seguinte, tu vai pagar em cash

[01:28:21] e daí é mais barato, tá

[01:28:23] tu apresenta a nota no final

[01:28:25] sério, é assim que funciona o negócio

[01:28:27] tu vai lá, tu apresenta a nota

[01:28:29] e daí é que eles liberam os fundos

[01:28:31] pra ti, pra também não ter ninguém que diz

[01:28:33] ó, tô indo lá fazer uma cirurgia

[01:28:35] eu acho uma iniciativa que tá entre o consórcio

[01:28:37] e a cooperativa, né

[01:28:38] mas aí volta a crítica

[01:28:41] é uma crítica

[01:28:43] é uma crítica que eu acho válida, na real

[01:28:45] que quando você

[01:28:47] participa do mercado

[01:28:49] apesar de você tá usando

[01:28:51] uma iniciativa não necessariamente mercadológica

[01:28:54] mas isso faz você participar

[01:28:55] do mercado, ele enfraquece

[01:28:57] essa iniciativa e continua fortalecendo o mercado

[01:28:59] tipo assim, sem uma intervenção

[01:29:01] estatal, e é por isso que funciona o Estado

[01:29:03] eu entendo, tipo assim, né

[01:29:05] a gente pode pensar em pós-capitalismo

[01:29:06] e aí o pós-Estado vai pra onde?

[01:29:09] a gente vai pensar no pós-Estado? Por quê?

[01:29:10] qual que é a questão?

[01:29:11] por que que funciona o SUS?

[01:29:13] e funciona o NHS?

[01:29:15] funciona os sistemas europeus

[01:29:18] meio, mais ou menos

[01:29:20] complexos de saúde

[01:29:21] entre público e privado

[01:29:23] não é bem público, você tem um sistema

[01:29:26] público, mas ele não é bem público

[01:29:27] o contribuinte só é aquela coisa assim

[01:29:29] na Alemanha é meio estranho

[01:29:31] mas funciona, você pode pegar os privados

[01:29:33] também, inclusive

[01:29:34] mas o Estado garante

[01:29:38] de certa forma

[01:29:39] certos preços

[01:29:40] né

[01:29:41] o fato de você ter o SUS de graça

[01:29:44] no Brasil, por exemplo

[01:29:45] e ainda assim você ter um coisa

[01:29:47] um mercado, garante que os preços

[01:29:50] estejam mais baixos, além obviamente

[01:29:51] do finado

[01:29:53] a grande lei do finado do José Serra

[01:29:55] Deus o tenha, falecido

[01:29:57] gente, ele não morreu

[01:29:59] mas é porque ele sumiu faz muito tempo

[01:30:02] dos genéricos, de reduzir

[01:30:05] a fábrica popular, toda essa

[01:30:07] fortalecimento do SUS como um todo

[01:30:09] nos governos petistas

[01:30:11] que garante uma série de gratuidades

[01:30:14] às vezes judicialmente

[01:30:17] ou não, faz baixar

[01:30:18] no mercado o preço, porque não tem saída

[01:30:20] tipo assim, bicho, como é que você vai me cobrar

[01:30:22] né

[01:30:23] 10 mil reais nesse procedimento

[01:30:26] se eu posso fazer ele de graça no SUS

[01:30:28] né, aí o cara vai falar

[01:30:30] puta, então vou ter que segurar

[01:30:32] isso funciona como uma regulação de mercado

[01:30:34] agora quando você tem um mercado totalmente aberto

[01:30:35] que é o caso dos Estados Unidos, você tem lá

[01:30:38] uma pseudo coisa, que é lá o Medicaid

[01:30:40] ObamaCare

[01:30:41] essas coisas assim, o mercado vai que vai

[01:30:44] solto e vai, e aí

[01:30:45] o problema de você fazer uma cooperativa dessas

[01:30:48] é que você continua debatendo dentro

[01:30:50] desse mercado, você continua sob essa

[01:30:52] maldita lógica, você continua

[01:30:54] sendo obrigado a pagar uma fortuna

[01:30:56] e aí eu me pergunto

[01:30:58] assim, do quanto

[01:31:00] e como esse sistema vai funcionar

[01:31:02] quando chegarem com

[01:31:04] morbidades terríveis, e se alguém

[01:31:06] com uma comorbidade muito difícil conseguiria

[01:31:08] entrar nesse sistema, tipo assim

[01:31:10] se você é um jovem

[01:31:11] que vai pagar, sei lá, 100 dólares por mês

[01:31:14] que também é um

[01:31:16] de certa forma

[01:31:17] é um outro jeito de ver

[01:31:20] é um jeito com menos lucros

[01:31:22] pras empresas, pras healthcares

[01:31:24] que tem CEOs milionários

[01:31:26] etc, mas que ainda tá disputando

[01:31:28] dentro do mercado a questão

[01:31:30] em si, e óbvio, tipo assim

[01:31:32] esses caras da startup, assim, me perdoa

[01:31:34] mas o pensamento de startupeiro é

[01:31:35] agora a gente gasta dinheiro de venture capital e no futuro

[01:31:38] a gente vai ter o monopólio desse mercado

[01:31:39] e a gente vai comprar os preços que quiserem

[01:31:41] é como o Uber aumentou pra caralho

[01:31:44] o que eles tinham nos motoristas e o que custa

[01:31:46] pras pessoas usarem

[01:31:48] era muito barato no começo

[01:31:50] e agora é bem mais caro, apesar de ainda ser

[01:31:52] mais barato que o táxi

[01:31:53] o táxi funcionava desse jeito, porque apesar de ser uma máfia

[01:31:56] etc, blá blá blá, o uso da licença

[01:31:58] etc, de qualquer jeito eram

[01:32:00] empreendedores individuais funcionando

[01:32:02] em tese, que aí você tem a cooperativa

[01:32:04] de táxi, e era regulado

[01:32:06] pelo estado esse preço, né

[01:32:08] era um preço fixo, que não tem a tarifa dinâmica

[01:32:10] blá blá blá, etc

[01:32:11] e óbvio, dá pra se fazer de uma maneira melhor

[01:32:14] dá pra democratizar isso

[01:32:16] mas isso ficar numa mão

[01:32:17] eternamente coisa, uma hora

[01:32:20] vai bater no monopólio, e a gente tá vendo agora

[01:32:22] tipo assim, agora que, entre aspas, saiu de moda

[01:32:25] a inclusividade

[01:32:26] a inclusão das pessoas nos Estados Unidos

[01:32:28] agora os caras tão botando pra torar

[01:32:30] agora que os caras inventaram que é moda

[01:32:32] em inteligência artificial, você tem um monte de inteligência artificial

[01:32:34] é o processo que o Cory Doctorow

[01:32:37] chama de encherification, né

[01:32:38] já foi traduzido como esmerdiamento

[01:32:40] no Brasil

[01:32:41] então meu medo de isso ser uma startup

[01:32:44] e não uma cooperativa efetiva

[01:32:46] de pessoas que se juntam cooperativamente

[01:32:48] e sim uma startup que tem processo de marketing

[01:32:50] tem dinheiro aportado

[01:32:53] de capital, é assim

[01:32:54] que hora que essa merda vai encherificar

[01:32:56] que hora isso vai ficar uma bosta

[01:32:58] e você ser um usuário que não vai funcionar

[01:33:00] esse é meu ponto meio que central

[01:33:02] a ideia é boa, mas eu acho que

[01:33:04] uma cooperativa funciona melhor

[01:33:05] é aí que tá, talvez eu não tenha me expressado bem

[01:33:08] nesse negócio aí, gente, mas assim

[01:33:09] eu tô dizendo que existe aqui

[01:33:11] o…

[01:33:11] um desejo

[01:33:12] se eu falar, pessoas se ajudam para pagar

[01:33:16] suas contas médicas

[01:33:17] nos Estados Unidos

[01:33:19] isso se chama comunismo, meus amigos

[01:33:21] isso se chama comunismo

[01:33:23] ou vítimas da fome

[01:33:25] nos Estados Unidos é comunismo

[01:33:27] isso tá certo

[01:33:28] tem uma galera ali que tá dizendo

[01:33:31] eu não quero pagar dinheiro pro CEO

[01:33:33] que toma tiro no meio da rua

[01:33:35] a gente vai se juntar

[01:33:37] e um paga o negócio do outro

[01:33:39] não é a forma

[01:33:41] perfeita, não é o jeito que a gente quer

[01:33:43] não é nada disso aí, mas assim, ó

[01:33:45] tá aqui

[01:33:47] alguma coisa, me parece que tem um pouquinho

[01:33:50] dessa ideia do que o Mark Fisher vai chamar

[01:33:51] ali desse peer-to-peer

[01:33:53] ao invés de ser um negócio que atravessa

[01:33:56] por outros, é de uma pessoa

[01:33:57] direto pra outra, perfeito

[01:33:59] Mark Fisher descobrindo a economia solidária

[01:34:02] exato, né

[01:34:03] Mark Fisher na feira orgânica da redenção

[01:34:05] porque

[01:34:06] quando a gente fala dessa questão de libido

[01:34:09] de onde é que tá o desejo, tu chega assim, ó, e diz

[01:34:11] poxa, as pessoas querem ter saúde

[01:34:12] o Estado não forneceu pra ela saúde

[01:34:15] no caso dos Estados Unidos

[01:34:16] tu vê, pra eu pagar mais barato

[01:34:19] ao invés de eu ter um plano de saúde

[01:34:21] eu tenho que pagar em cash, tenho que pagar em dinheiro

[01:34:23] o que que a gente faz?

[01:34:25] vamos se ajudar quando precisa

[01:34:27] gente, pelo amor de Deus

[01:34:28] se eu boto isso aí e chego lá no interior de Utah

[01:34:31] e digo, vamos todo mundo se ajudar

[01:34:33] pra pagar as coisas

[01:34:34] eles vão achar que eu sou o Trotsky

[01:34:37] aquela malta com forcados na mão

[01:34:39] atrás do abalo

[01:34:40] o interior de Utah

[01:34:41] o que vai acontecer no interior de Utah

[01:34:43] tu vai chegar pra uma família e dizer assim

[01:34:44] então, vocês 27, vocês vão poder ter

[01:34:47] uma ajuda

[01:34:48] as suas 3 esposas e seus 280 filhos

[01:34:51] o plano familiar de Utah

[01:34:53] tem que ser um pouquinho amplo

[01:34:55] os seus 32 filhos

[01:34:57] com a sua irmã

[01:34:58] no Alabama já fica mais fácil

[01:35:00] porque daí tua irmã já é tua esposa

[01:35:02] e daí tá tudo tranquilo

[01:35:03] é mais ou menos isso, né

[01:35:06] caralho, meu

[01:35:08] ai, ai, ai, velho, temos que inventar alguma coisa

[01:35:11] né, temos que inventar

[01:35:13] é uma invenção, eu acho que é isso

[01:35:14] isso é sempre importante

[01:35:16] invenções importantes

[01:35:17] agora é foda que é isso

[01:35:19] pode ser uma startup, uma ideia de startup

[01:35:22] começou como startup, pode se transformar em outra coisa

[01:35:24] mas é foda que, tipo assim, pra gente conseguir

[01:35:26] propagandizar uma ideia

[01:35:28] legal dessa, importante

[01:35:30] que pode dar alguma coisa

[01:35:31] precisa se travestir de startup

[01:35:34] é muito realismo capitalista, cara

[01:35:35] não pode virar e falar assim, não, a gente tem uma cooperativa

[01:35:38] não, cooperativa é comunismo

[01:35:39] cooperativa não dá

[01:35:41] mas se for uma startup, a gente vai

[01:35:42] é foda, bicho, é foda

[01:35:44] a gente tem que criar uns nomes novos

[01:35:45] não deu bafafá quando no seriado

[01:35:49] do Last of Us

[01:35:51] tinha uma galera que vivia numa comuna

[01:35:52] e eles se assumiram enquanto comunistas

[01:35:54] aí deu um bafafá, tipo, ó

[01:35:55] olha aí a lacração, começou a lacração

[01:35:58] os caras só falaram o óbvio, né, meu

[01:36:00] vocês não jogam videogame, bicho

[01:36:02] tá lá no videogame, caralho

[01:36:04] o videogame é tudo comunista, velho

[01:36:05] é que marxismo cultural é uma praga

[01:36:09] marxismo cultural não tem isso aí

[01:36:11] o marxismo cultural

[01:36:12] e o ficherismo cultural também

[01:36:15] é por isso que a gente vai recomendar

[01:36:16] a todos aqui que é

[01:36:18] prestigiem os lançamentos da Autonomia Literária

[01:36:21] que vão lá

[01:36:22] vão no site, vai com o cupom

[01:36:25] desconto CRISE CRISE CRISE

[01:36:27] tudo junto, três vezes crise

[01:36:29] e adquira o seu

[01:36:31] desejo pós-capitalista

[01:36:33] fecha a coleçãozinha do Mark Fisher

[01:36:35] o homem sabe tudo

[01:36:36] e aqui você vai ver o último lançamento

[01:36:38] as aulas do Fisher, como é que ele era ao vivo

[01:36:41] o tio Fisher, né, falando

[01:36:43] com a meninada

[01:36:44] bom, a gente já sabe aí que

[01:36:47] a partir desse episódio do Vira Casacas

[01:36:49] vai ter sorteio, vai ter uma série de coisas aí

[01:36:51] e então fiquem ligados

[01:36:53] no que a gente falou lá no início

[01:36:55] você lembra, né, porque aqui é muita informação

[01:36:58] é tanta informação que periga você esquecer

[01:37:00] meu nome é Gabriel, caso você tenha esquecido

[01:37:02] no meio de tanta

[01:37:03] tanta conjectura aqui

[01:37:05] e eu sou o cara responsável por

[01:37:07] entre outras coisas, dizer que

[01:37:09] está chegando o momento das nossas

[01:37:11] dicas culturais, e as dicas culturais

[01:37:13] são oferecimento de artesão

[01:37:15] pizzas pra você assar em casa

[01:37:18] estando em Porto Alegre

[01:37:19] região metropolitana ou Criciúma

[01:37:21] e Juiz lá do Gonzo, também não chega

[01:37:23] pra família do Gonzo, né, mas a gente vai dar

[01:37:25] um jeito de fazer

[01:37:26] o Divã, quando ele for pro Passo Fundo

[01:37:29] é, mais ou menos, né, é metade do caminho

[01:37:32] já ajuda bastante

[01:37:34] é, já ajuda bastante

[01:37:35] e é claro, você pode pedir

[01:37:37] todas as delícias do artesão

[01:37:39] pelo zap zap, café normal

[01:37:41] tá chegando aí, hein, cuidado

[01:37:42] bivé, bivé

[01:37:44] bivé, e aí você avisa

[01:37:47] assim, eu ouvi o Gonzo no

[01:37:48] Vira Casacas, eu quero não pagar minha teleentrega

[01:37:51] e aí a teleentrega, alguém vai

[01:37:53] pagar, porque no capitalismo é assim

[01:37:55] não tem teleentrega grátis, mas alguém paga

[01:37:57] e quem paga é

[01:37:58] Gui Toscan, como todo mundo sabe

[01:38:00] bom, dicas culturais no ar

[01:38:03] o Gonzo vai dar dica, mas ele também vai fazer

[01:38:05] um merchan aí, porque tem projeto

[01:38:07] novo, filmográfico do Crise, Crise, Crise

[01:38:09] aí no ar, desde a semana passada

[01:38:11] Felipe Abau, qual é a dica cultural

[01:38:13] dessa semana, ou as dicas?

[01:38:15] Cara, eu tô meio sem dicas no momento

[01:38:17] mas assim, eu vou botar ali todas as obras

[01:38:19] do Fischer ali, pra quem quiser

[01:38:21] entrar nesse mundinho e não tem entrado

[01:38:23] ainda, então a gente vai ter a questão do livro novo

[01:38:25] mas quem quiser pegar livro velho também

[01:38:27] e agora que tu falou de

[01:38:28] não tem teleentrega grátis, né

[01:38:31] então não tem almoço grátis no capitalismo

[01:38:33] eu gosto muito quando geralmente isso aí aparece

[01:38:35] com a fotinho

[01:38:37] do Milton Friedman, né, cara

[01:38:39] sido ele que disse essa frase

[01:38:41] e essa frase, na verdade, é daquele

[01:38:44] Robert Heinlein, né

[01:38:45] que é o autor do Starship Troopers

[01:38:47] então

[01:38:49] e outro dia, eu tava ouvindo um podcast

[01:38:52] a respeito de como os filmes são

[01:38:54] feitos e tarará

[01:38:55] e era sobre

[01:38:57] o Starship Troopers, exatamente

[01:38:59] né, cara, eu fui reassistir

[01:39:02] tá, porque assim, ó, o

[01:39:03] Polverhoven, ele é muito massa

[01:39:05] cara, continua um filme

[01:39:07] péssimo, com

[01:39:09] uma mensagem extremamente interessante

[01:39:11] antifascista, e eu tava ouvindo

[01:39:13] esse podcast e tem um ponto que é muito engraçado

[01:39:16] que os caras finalmente foram assistir

[01:39:17] as gravações dele, e eles olharam

[01:39:20] pra quando tinha as bandeiras, assim

[01:39:21] e disseram, ei, essa bandeira é nazista

[01:39:24] e ele disse, não é

[01:39:26] por causa que ela é verde

[01:39:27] e é

[01:39:29] nitidamente uma bandeira nazista

[01:39:32] então, assim, ó, se você

[01:39:34] nunca viu Starship Troopers

[01:39:36] assista, por causa que é uma das

[01:39:38] melhores críticas ao fascismo

[01:39:39] que existe, até por causa de todo o ridículo

[01:39:42] que acontece naquele filme

[01:39:43] né, então, assim, ó

[01:39:44] o uniforme dos chefes lá, que é igual

[01:39:47] da SS, é maravilhoso

[01:39:49] e é isso

[01:39:50] assistam o filme

[01:39:53] e não leiam o livro, porque

[01:39:55] não existe ironia no livro

[01:39:57] o livro é aquilo mesmo, o livro é o livro fascista

[01:39:59] o Heinlein era um cara

[01:40:02] muito bem quisto

[01:40:03] pelo governo estadunidense, porque o cara era meio

[01:40:05] fascista, assim, especialmente

[01:40:07] no meio da

[01:40:09] ficção científica, que é um rolê de muito

[01:40:11] comunista e tal, vejam o filme

[01:40:13] e leiam o livro com visão crítica

[01:40:15] porque é terrível o livro

[01:40:16] mas o filme é animal, meu Deus, eu lembro que eu assisti

[01:40:19] quando eu era

[01:40:19] criança, adolescente

[01:40:22] e eu lembro das discussões

[01:40:24] e eu lembro que aqui no Brasil

[01:40:26] veículos como o Folha de São Paulo

[01:40:29] falavam que o filme é

[01:40:31] uma horrível propaganda

[01:40:32] fascista e tal, e é uma

[01:40:35] questão séria, porque apesar de

[01:40:37] na época eu falava, eu tava no pulo, mano

[01:40:39] maior atiração de onda e tal

[01:40:40] e aí volto até

[01:40:42] o último Vida Casar, que vocês tiveram um pontinho

[01:40:44] acho que não foi o último, mas um desses vocês tiveram esse dia

[01:40:46] sobre o problema da ironia

[01:40:48] assim como o Clube da Luta

[01:40:51] Fight Club

[01:40:52] e o livro, que é muito bom, inclusive

[01:40:54] do Fight Club, o filme e

[01:40:56] o Starship Troopers, tem um monte de gente

[01:40:59] que não vê aquilo como ironia

[01:41:00] um monte, não é tipo assim meia dúzia

[01:41:02] o Starship Troopers virou

[01:41:04] uma franquia e a guerra

[01:41:07] continua, não tem um

[01:41:08] bagulho de porra, mano, vai tomar no cu

[01:41:11] não tem alguém subversivo

[01:41:13] falando, olha, esse governo fascista

[01:41:15] a gente tem que acabar com ele, não, não, tipo

[01:41:16] é isso aí, é nós contra eles, é um bagulho

[01:41:19] é meio terrível, assim

[01:41:21] inclusive o que Hollywood acaba fazendo

[01:41:22] Hollywood, as continuações de Robocop

[01:41:24] o Verhoeven tem isso, assim, ele faz vários

[01:41:26] filmes divertidíssimos, muito bons

[01:41:29] de ironia, contra esse bagulho

[01:41:31] aí o Hollywood vai lá e transforma isso

[01:41:32] em uma merda depois, assim, Robocop é um exemplo

[01:41:35] Robocop eu lembro quando eu era criança

[01:41:37] assisti, não entender essa ironia

[01:41:39] depois entender, e depois ver

[01:41:41] tinha desenho do Robocop, tinha

[01:41:42] Padilha, tá, José Padilha

[01:41:44] José Padilha fez um mist de Robocop

[01:41:47] mas aí o padilhismo cultural, né

[01:41:49] esse é o ponto central

[01:41:51] assim, padilhismo cultural é isso

[01:41:52] o cara finge que vai fazer uma coisa

[01:41:54] o cara é tão bom na propaganda

[01:41:56] que o cara acaba fazendo esse tipo

[01:41:58] de ideia, é terrível

[01:42:00] é o Alexandre Padilha

[01:42:02] o Eliseu Padilha e o José Padilha

[01:42:04] padilhismo cultural

[01:42:07] esse é um outro conceito do Crise, Crise, Crise

[01:42:09] que eu gosto de espalhar

[01:42:10] e o Verhoeven, ele não leu o livro inteiro

[01:42:12] ele chegou até um ponto, disse, isso aqui é muito ruim

[01:42:15] me conta como é que é o resto

[01:42:17] aí que eu vou dirigir

[01:42:18] e eu não sabia que ele viveu

[01:42:20] durante a ocupação nazista

[01:42:22] da Holanda, né

[01:42:24] sim, da Holanda, ele tem um filme

[01:42:26] um dos primeiros filmes dele é sobre isso, inclusive

[01:42:28] é muito bom, por sinal

[01:42:29] mas ele conta que ele viu gente enforcada

[01:42:33] que viu gente sendo presa, então

[01:42:34] todo esse lance da super violência

[01:42:37] assim, é um negócio da cabeça dele

[01:42:38] e daí tu chega e diz, esse cara fez um filme fascista

[01:42:41] tipo, porra, é exatamente o contrário

[01:42:43] então assim, vejam de

[01:42:45] vejam sabendo, pelo menos

[01:42:47] pra assim, vai que não entenda a ironia

[01:42:49] acho difícil que um ouvinte do Vira Casaco não vai entender

[01:42:51] mas vai que…

[01:42:52] cara, eu tô

[01:42:55] Mark Fischerizado

[01:42:56] e justamente por isso

[01:42:59] eu vou indicar a

[01:43:01] série que eu vi na semana que passou

[01:43:03] uma série britânica que tá fazendo muito

[01:43:05] sucesso, chamada Adolescence

[01:43:07] e ouvir o sotaque

[01:43:09] britânico tem tudo a ver com a leitura

[01:43:11] do Fischer, tem tudo a ver com

[01:43:12] as referências que ele usa

[01:43:15] e tudo mais, mas principalmente

[01:43:16] me chamou atenção

[01:43:18] de um ponto de vista fischeriano

[01:43:20] e a série, acho que todo mundo já ouviu falar

[01:43:23] mas se não ouviu falar, são

[01:43:24] quatro episódios

[01:43:26] muito bacanas

[01:43:27] e elas giram em torno da questão da prisão

[01:43:31] de um menor que foi acusado de matar

[01:43:32] uma colega de escola

[01:43:33] os quatro episódios são bem diferentes entre si

[01:43:37] trazem pontos de vista

[01:43:39] da história bem diferentes

[01:43:40] que se cruzam obviamente, mas que

[01:43:42] vão enfocar muita coisa legal

[01:43:45] a produção da série é muito boa

[01:43:47] o jeito de filmar é de uma

[01:43:49] lentidão perturbadora

[01:43:50] pelo que eu entendi, eu cheguei

[01:43:53] e meu namorado tava assistindo, cheguei em casa

[01:43:55] eu falei, ah, deixa eu terminar

[01:43:56] vi até o fim de onde ele tava

[01:43:58] no terceiro episódio, mas todos os episódios

[01:44:00] são plano sequência, né

[01:44:02] é o que eu ia dizer

[01:44:05] ele é de uma lentidão perturbadora

[01:44:07] porque ele coloca

[01:44:09] a forma de enquadramento

[01:44:12] como um elemento de tensão

[01:44:13] então ele circula muitos personagens

[01:44:15] ele tem pouquíssimos cortes de câmera

[01:44:17] tem episódios que não tem

[01:44:19] e cara, é um trabalho muito bacana

[01:44:21] o ator, que é o pai do menino

[01:44:24] que é o Stephen Graham

[01:44:25] é também o idealizador da série

[01:44:26] foda pra caralho, muito bem atuado

[01:44:29] o Stephen Graham aparece em mil e um

[01:44:31] filmes britânicos principalmente, mas em outros também

[01:44:33] baita ator

[01:44:34] o menino, que é o

[01:44:36] o menino que é o

[01:44:37] o menino que foi preso, é um ator

[01:44:39] olha, é tipo

[01:44:41] uma coisa assim, é o desempenho da vida do cara

[01:44:43] e ele tem 13 anos

[01:44:43] é muito legal mesmo, mas o que chama atenção

[01:44:46] nesse papo aí do ficherismo

[01:44:48] é que o primeiro episódio

[01:44:51] ele evoca a prisão

[01:44:52] a ação policial que levou o menino preso

[01:44:55] e o interrogatório do menino

[01:44:57] as medidas de

[01:44:59] exame de corpo de delito

[01:45:00] o fichamento dele na polícia

[01:45:02] e é aquela burocracia que o Fischer fala tão bem

[01:45:05] aquela burocracia enervante

[01:45:06] aquela burocracia que é tão detalhista

[01:45:09] assim que o cara fica pensando

[01:45:11] meu Deus do céu

[01:45:12] sabe, tu chega a querer o pior

[01:45:15] tu chega a querer assim, me bota numa cela vagabunda

[01:45:17] de uma vez aí e deixa eu falar com a minha mãe

[01:45:19] não cara, é tudo detalhado

[01:45:21] você quer o lanche

[01:45:22] e você quer comer o que

[01:45:24] e olha pra essa câmera e bota a mão aqui

[01:45:26] e vamos passar pra outra sala

[01:45:28] agora tu vai falar com o psicólogo, agora é o advogado

[01:45:30] agora vem o teu pai, agora vem o policial

[01:45:32] cara, e ele vai andando de sala em sala

[01:45:34] é uma coisa muito maluca

[01:45:35] é muito maluca

[01:45:36] e tu vê que o menino não tá entendendo nada

[01:45:38] e naquela altura você também não tá entendendo nada

[01:45:41] é tu que tá olhando

[01:45:42] e é claro que a história vai se desenrolar

[01:45:44] e vai aparecer alguns dados posteriormente

[01:45:47] mas é muito, muito, muito bacana

[01:45:49] os episódios são bem diferentes entre si

[01:45:51] e é a prova

[01:45:53] é uma coisa até que dá pra discutir

[01:45:56] sobre esse aspecto

[01:45:57] mas vai ficar pra um outro dia

[01:45:58] de falar uma coisa que eu e o Felipe temos martelado também

[01:46:01] essas séries

[01:46:04] essas coisas que não acabam nunca

[01:46:05] que continuam

[01:46:06] e continuam e continuam

[01:46:08] isso aí é uma desgraça, cara

[01:46:10] em quatro episódios

[01:46:12] eu já vou dar uma coisa que não é spoiler

[01:46:14] mas é um estímulo pra que vocês assistam

[01:46:16] não aparece o julgamento do cara

[01:46:19] porque não interessa

[01:46:20] tá entendendo que não interessa?

[01:46:22] foda-se se ele vai ser condenado ou não

[01:46:24] aparece quatro pontos de vista

[01:46:26] a respeito daquilo

[01:46:28] maravilhoso, cara, maravilhoso

[01:46:29] e é isso aí mesmo

[01:46:30] e não tem que ter continuação

[01:46:32] tomara Deus que não tem

[01:46:33] é isso aí

[01:46:35] Gonzo

[01:46:36] você e suas dicas culturais

[01:46:38] e fala um pouquinho aí

[01:46:40] da última produção aí do Crise, Crise, Crise

[01:46:43] enquanto Enterprises

[01:46:44] Crise, Crise, Crise, Enterprises

[01:46:46] a gente é isso, né

[01:46:47] a gente faz um podcast com muito menos

[01:46:49] regularidade que o Vira Casacas

[01:46:53] que é uma excepcionalidade no Brasil

[01:46:56] você tem um podcast de tanta qualidade

[01:46:58] semanal

[01:46:59] com coluna ainda

[01:47:01] cara, mano

[01:47:02] não sei, não sei de onde eles tiram horas do dia

[01:47:05] pra fazer isso, assim, inacreditável

[01:47:06] assim

[01:47:07] se eu fosse aluno deles

[01:47:09] eu ia falar

[01:47:09] meu Deus do céu

[01:47:10] como é que vocês fazem essas coisas

[01:47:11] mas a gente tem podcast

[01:47:14] de vez em quando a gente faz uma live

[01:47:15] faz tempo que a gente não faz

[01:47:16] então umas crises aí

[01:47:17] porque um é pai

[01:47:19] outro tem outra coisa

[01:47:20] cada um com as coisas difíceis da vida

[01:47:23] mas a gente continua produzindo

[01:47:25] algumas traduções

[01:47:26] como eu disse

[01:47:27] hoje tá lá

[01:47:28] a minha tradução

[01:47:29] lá no crise.love

[01:47:31] que é o nosso site

[01:47:32] você quer entrar

[01:47:34] quer saber qualquer coisa do crise

[01:47:36] achando que é bom

[01:47:36] deixando nossas redes sociais

[01:47:37] comprando nossa camiseta

[01:47:38] que a gente é banda

[01:47:39] a gente tem camiseta

[01:47:40] é muito bonito

[01:47:41] o nosso logo

[01:47:42] me perdoem

[01:47:42] mas é um dos logos mais bonitos

[01:47:44] de podcast no Brasil

[01:47:45] tá

[01:47:46] produzido pela Julia Liberati

[01:47:47] que é a grande designer

[01:47:49] nossa designer in-house

[01:47:51] junto com o Gabriel Brodsky

[01:47:52] então

[01:47:53] entrem lá no crise.love

[01:47:54] pra saber as últimas nossas

[01:47:55] quando a gente tá fazendo podcast

[01:47:56] quando tal

[01:47:57] e a

[01:47:58] o nosso última produção audiovisual

[01:47:59] foi tocada por

[01:48:00] André Maleronca

[01:48:01] e a trupe

[01:48:02] pó de vidro

[01:48:04] que são os nossos camaradas aí

[01:48:06] que são os nossos camaradas aí

[01:48:06] que tem uma

[01:48:07] produtora audiovisual

[01:48:08] que é uma galera que veio

[01:48:09] uma parte da galera veio

[01:48:11] daquele da Vice Brasil também

[01:48:13] que fizeram um documentário

[01:48:15] chamado Terror Mandelão

[01:48:17] que andou circulando pelos festivais

[01:48:19] aí do Brasil

[01:48:20] sobre

[01:48:20] uma nova onda do funk paulista

[01:48:24] mas hoje em dia o funk muda muito rápido

[01:48:25] mas é muito legal

[01:48:26] esse documentário

[01:48:28] como ele é filmado e tal

[01:48:29] já tinha feito um outro vídeo

[01:48:31] aqui com o selo

[01:48:32] crise, crise, crise

[01:48:33] junto com a pó de vidro

[01:48:34] do Pusher

[01:48:35] 147

[01:48:36] que é um jovem punk

[01:48:38] moderno

[01:48:39] contemporâneo

[01:48:40] recomendo muito

[01:48:41] pra quem gosta de punk

[01:48:43] quem não gosta de punk

[01:48:44] também pra ouvir

[01:48:44] o cara é fenomenal

[01:48:46] as músicas são curtas

[01:48:48] então é rapidinho pra ouvir

[01:48:49] é legal pra cacete

[01:48:50] tá sempre lançando coisa nova

[01:48:52] meu camarada

[01:48:53] um abraço Pusher

[01:48:54] vou avisar que você foi citado aqui

[01:48:56] pra você compartilhar

[01:48:57] entre os jovens

[01:48:57] pra gente ver se a gente atinge

[01:48:58] mais jovens aqui

[01:49:00] com o Vira

[01:49:01] e a gente fez um mini doc

[01:49:04] uma coisa bem curtinha

[01:49:05] assim que é um

[01:49:06] um vídeo

[01:49:06] um vídeo

[01:49:06] meio que um pré-projeto

[01:49:08] porque o Manoel Nunca

[01:49:09] tem um projeto maior

[01:49:10] de contar essa história

[01:49:11] como um todo

[01:49:11] sobre o Carnaval de Rua de São Paulo

[01:49:13] que chama

[01:49:14] o Carnaval de Rua de São Paulo

[01:49:15] já acabou?

[01:49:16] já acabou?

[01:49:17] já acabou talvez

[01:49:18] em certo momento

[01:49:18] a gente responde isso

[01:49:20] numa entrevista com o Vini Rodrigues

[01:49:21] que é um pesquisador

[01:49:22] negro

[01:49:23] sobre cultura brasileira

[01:49:25] culturas em geral

[01:49:26] o Vini é um fenômeno

[01:49:27] um camarada muito

[01:49:29] muito sério

[01:49:30] muito genial

[01:49:31] mas também

[01:49:32] curte bastante

[01:49:33] vai falar sobre

[01:49:34] Estado Permanente Carnaval

[01:49:35] que é o nosso

[01:49:35] mote no canal

[01:49:36] Crise, Crise, Crise

[01:49:37] ali

[01:49:38] e tem imagens ali

[01:49:39] de arquivos

[01:49:40] da Cinemateca Brasileira

[01:49:41] sobre o Carnaval de Rua de São Paulo

[01:49:43] nos anos 30

[01:49:44] que meu amigo

[01:49:45] se você é de São Paulo

[01:49:47] se você gosta de São Paulo

[01:49:48] se você gosta do Centrão

[01:49:49] velho

[01:49:50] se você gosta do Centro Velho

[01:49:51] o Centro

[01:49:52] São Paulo

[01:49:53] o Centro Novo

[01:49:53] era a República

[01:49:54] hoje em dia

[01:49:55] o Centro Novo

[01:49:56] é lá na Faria Lima

[01:49:57] praticamente

[01:49:57] o Centro Novo

[01:49:59] o Centro Velho

[01:49:59] é a República

[01:50:00] ali em volta

[01:50:01] os caras

[01:50:02] os marmanjos

[01:50:03] com chupeta na boca

[01:50:04] as vedetes

[01:50:05] ganhando prêmio

[01:50:06] é um negócio assim

[01:50:07] incrível assim

[01:50:08] você ouve o sambaduro

[01:50:10] ali da época

[01:50:11] que era paulista

[01:50:12] que não tem muito registro

[01:50:13] disso

[01:50:14] é um bagulho

[01:50:15] rapidinho de assistir

[01:50:16] tá lá

[01:50:17] no crise.love

[01:50:19] também vou

[01:50:20] pedir pros nossos

[01:50:21] camaradas do Vida Casacas

[01:50:22] botarem nas redes deles

[01:50:24] sigam a gente

[01:50:25] nas redes em geral

[01:50:26] pra saber mais

[01:50:27] mais da gente

[01:50:29] a gente é

[01:50:29] crise.love

[01:50:30] no Blue Sky

[01:50:31] 3xCrise

[01:50:33] no Instagram

[01:50:34] são as duas redes

[01:50:34] que a gente usa

[01:50:35] tem Twitch

[01:50:36] etc

[01:50:36] mas aí a gente vai avisando

[01:50:38] com o tempo

[01:50:38] mas minhas dicas culturais

[01:50:40] já que a gente tá falando

[01:50:40] muito de audiovisual

[01:50:41] vou falar um pouquinho

[01:50:42] de livro rapidinho

[01:50:43] mas também

[01:50:44] de um jeito diferente

[01:50:46] são dois livros

[01:50:46] que eu queria falar

[01:50:47] um chama

[01:50:49] Eu Quero Acreditar

[01:50:50] I Want To Believe

[01:50:51] que nem aquela

[01:50:52] do Arquivo X

[01:50:54] que é um livro

[01:50:55] do pesquisador estadunidense

[01:50:57] o Andy A.M. Skitlitz

[01:50:59] que é um camarada

[01:51:00] inclusive

[01:51:00] conheço ele

[01:51:01] já participei

[01:51:02] do podcast dele

[01:51:03] o Antifada

[01:51:05] na internet

[01:51:06] na época

[01:51:06] do 8 de janeiro

[01:51:08] aqui no Brasil

[01:51:08] inclusive

[01:51:09] que é sobre

[01:51:10] esse Eu Quero Acreditar

[01:51:12] que chama

[01:51:12] o subtítulo é

[01:51:13] Possadismo

[01:51:14] OVNIS

[01:51:15] e o Comunismo

[01:51:16] do Apocalipse

[01:51:16] que é a história

[01:51:18] do possadismo

[01:51:19] que é o pensamento

[01:51:20] uma fração trotskista

[01:51:21] criada pelo

[01:51:23] Rota Possaras

[01:51:24] que é um pensador

[01:51:25] trotskista argentino

[01:51:26] cujo

[01:51:27] que existe

[01:51:28] uma representação

[01:51:28] aqui no Brasil

[01:51:29] que é o POR

[01:51:30] Partido Obreiro Revolucionário

[01:51:31] Partido Operário Revolucionário

[01:51:32] aqui no Brasil

[01:51:33] e que é um cara

[01:51:34] muito doido

[01:51:35] muito louco

[01:51:36] que nos anos 50

[01:51:38] já apelava

[01:51:39] globalmente

[01:51:40] pelo

[01:51:41] V Meteoro

[01:51:43] ele era a favor

[01:51:44] da

[01:51:45] aniquilação

[01:51:46] auto-aniquilação

[01:51:47] nuclear

[01:51:47] das grandes potências

[01:51:48] porque ele era um trotskista

[01:51:50] então ele não gostava

[01:51:50] da União Soviética

[01:51:51] não gostava dos Estados Unidos

[01:51:52] ele achava que tudo

[01:51:53] tinha que acabar

[01:51:54] em bomba

[01:51:54] pra gente refazer

[01:51:56] ele era a favor disso

[01:51:57] eu acho que é uma

[01:51:58] tese razoável

[01:51:59] especialmente pra gente

[01:52:00] aqui na ponta

[01:52:01] do continente

[01:52:02] que teria a menor chance

[01:52:04] de ser

[01:52:04] atingido

[01:52:05] por

[01:52:05] por

[01:52:06] por

[01:52:06] , por exemplo

[01:52:08] hoje em dia

[01:52:09] com o aquecimento global

[01:52:11] o plano

[01:52:12] de Vladimir Putin

[01:52:13] pra Rússia

[01:52:14] é plantar soja

[01:52:15] na Sibéria

[01:52:16] em parte

[01:52:17] a Sibéria

[01:52:17] já está sendo plantada

[01:52:18] o soja brasileiro

[01:52:19] exportado pelo porto

[01:52:20] de Vladivostok

[01:52:21] direto pra China

[01:52:21] vejam bem

[01:52:23] meus camaradas

[01:52:23] o aquecimento global

[01:52:24] vai acabar

[01:52:25] com o Cerrado Brasileiro

[01:52:26] desde que ficar

[01:52:27] completamente

[01:52:28] a Amazônia

[01:52:28] e o Cerrado Nacional

[01:52:29] e vai dar pra plantar

[01:52:31] soja

[01:52:31] lá na Sibéria

[01:52:32] se a gente passar

[01:52:33] por um inverno nuclear

[01:52:34] talvez

[01:52:36] não

[01:52:36] , não tenha mais

[01:52:37] problema de aquecimento global

[01:52:37] então

[01:52:38] é uma possibilidade

[01:52:40] todas as possibilidades

[01:52:41] estão abertas

[01:52:41] mas depois

[01:52:42] o J. Posadas

[01:52:44] ele vai

[01:52:45] acreditar

[01:52:46] vendo Star Trek

[01:52:47] claramente

[01:52:48] vai acreditar

[01:52:49] que

[01:52:50] se aliens

[01:52:51] vieram até o planeta Terra

[01:52:52] se eles conseguirem

[01:52:53] a tecnologia suficiente

[01:52:54] pra chegar ao planeta Terra

[01:52:55] é porque eles chegaram

[01:52:57] ao comunismo

[01:52:57] então

[01:52:58] aliens são comunistas

[01:52:59] todo alien

[01:53:01] que vem até o planeta Terra

[01:53:02] ele é

[01:53:02] uma possibilidade

[01:53:03] de trazer o comunismo

[01:53:05] pro nosso planeta

[01:53:06] e aí

[01:53:07] o que eu quero acreditar

[01:53:08] é uma história incrível

[01:53:09] do fracionamento

[01:53:11] do trotskismo

[01:53:12] como um todo

[01:53:13] como o trotskismo

[01:53:14] funcionou aqui

[01:53:15] na América Latina

[01:53:16] como ele foi

[01:53:17] se fracionando

[01:53:18] é uma série

[01:53:20] de notas

[01:53:20] é o tipo

[01:53:22] de conhecimento

[01:53:22] que só

[01:53:23] dois ou três camaradas

[01:53:24] trotskistas

[01:53:24] eu acho que tem

[01:53:25] meu camarada Linares

[01:53:26] aliás um abraço

[01:53:27] pro companheiro Linares

[01:53:29] que foi meu chefe

[01:53:29] lá na Conrad

[01:53:30] hoje

[01:53:30] trabalha aí

[01:53:32] no sindicato

[01:53:33] dos servidores municipais

[01:53:35] em São Paulo

[01:53:35] gente

[01:53:36] eu gosto muito

[01:53:37] do Linares

[01:53:38] e ele não adere

[01:53:40] ao possadismo

[01:53:40] mas é muito legal

[01:53:41] esse livro

[01:53:42] esse livro conta

[01:53:43] assim

[01:53:43] você vai aprender muito

[01:53:44] sobre comunismo

[01:53:45] como um todo

[01:53:45] trotskismo

[01:53:46] como um todo

[01:53:47] e sobre a doideira

[01:53:48] que é esse possadas

[01:53:49] e a ideia do Andy

[01:53:51] quando ele faz

[01:53:51] esse livro

[01:53:52] quando ele escreveu

[01:53:52] ele fala

[01:53:53] inclusive na introdução

[01:53:54] que é pra incendiar

[01:53:56] as ideias

[01:53:58] do mundo

[01:53:58] do outro mundo possível

[01:54:00] tipo assim

[01:54:00] você dá risada

[01:54:01] e fala

[01:54:01] mas assim

[01:54:02] tem a ver com

[01:54:03] comunismo de luxo

[01:54:04] totalmente automatizado

[01:54:05] tem a ver com

[01:54:06] o mundo do pós-trabalho

[01:54:07] tem a ver com

[01:54:08] um comunismo

[01:54:09] de ficção científica

[01:54:11] que depois

[01:54:11] a crise do petróleo

[01:54:12] morreu

[01:54:13] e virou o cyberpunk

[01:54:13] aí é um outro debate

[01:54:14] que eu quero vir um dia

[01:54:15] fazer aqui

[01:54:16] mas eu quero que a Carapanã

[01:54:17] venha

[01:54:17] pra gente falar de cyberpunk

[01:54:19] que é a minha tese

[01:54:20] de que o cyberpunk

[01:54:21] só existe

[01:54:21] por causa da crise do petróleo

[01:54:22] e é assim

[01:54:24] poucos volumes

[01:54:25] a tiragem foi baixinha

[01:54:26] do livro

[01:54:27] então assim

[01:54:28] cumpre o seu cara

[01:54:29] eu sei que não é

[01:54:30] é meio

[01:54:32] ai mas trotskismo

[01:54:33] e tal

[01:54:33] mas o livro

[01:54:33] é escrito

[01:54:34] é divertido

[01:54:35] é engraçado

[01:54:36] e tem história

[01:54:37] muito boa aqui

[01:54:38] pra gente conhecer

[01:54:39] cita muito o Brasil

[01:54:40] cita mais ainda

[01:54:41] obviamente a Argentina

[01:54:42] mas cita muito o Brasil

[01:54:43] e dá pra você conhecer

[01:54:45] coisas muito loucas

[01:54:46] assim

[01:54:46] especialmente se você

[01:54:47] é um nóia de política

[01:54:48] especialmente um nóia

[01:54:49] de política de esquerda

[01:54:50] que

[01:54:51] normalmente

[01:54:52] é a média

[01:54:53] do ouvinte do

[01:54:54] Vira Casacos

[01:54:54] que chega especialmente

[01:54:55] até as dicas culturais

[01:54:56] e pra finalizar

[01:54:58] minhas dicas culturais

[01:54:59] também quero recomendar

[01:55:00] rapidinho aqui

[01:55:01] o Radical Records

[01:55:02] que é um livro

[01:55:04] que é meio

[01:55:04] que uma enciclopédia

[01:55:06] de selos

[01:55:07] de esquerda

[01:55:09] que lançaram

[01:55:10] vinis

[01:55:10] ao longo da história

[01:55:12] dos anos 50

[01:55:13] pra frente

[01:55:13] você começa a ter

[01:55:14] selos

[01:55:15] de música

[01:55:16] super independente

[01:55:17] são criadas as vezes

[01:55:18] pra lançar 2, 3 dias

[01:55:19] são selos de sindicato

[01:55:21] não só selos

[01:55:22] de banda

[01:55:23] de música

[01:55:23] tipo

[01:55:24] são citados

[01:55:25] selos de

[01:55:26] punk

[01:55:27] etc

[01:55:27] de hip hop

[01:55:28] mas vários

[01:55:29] rolês de

[01:55:30] solidariedade

[01:55:31] aos trabalhadores

[01:55:33] chilenos

[01:55:33] solidariedade

[01:55:34] à greve

[01:55:35] de mineiros

[01:55:35] britânicos

[01:55:36] tem quase

[01:55:37] mil selos ali

[01:55:39] pra você

[01:55:39] que é colecionador

[01:55:40] não é de vinil

[01:55:41] quem sabe

[01:55:42] você descobre

[01:55:42] que você

[01:55:43] tem acesso

[01:55:44] a umas coisas

[01:55:44] bem loucas

[01:55:45] a gente entrevistou

[01:55:47] recentemente

[01:55:47] o Joshua McPhee

[01:55:48] vai sair um podcast

[01:55:49] em inglês

[01:55:50] com o Joshua

[01:55:51] lá no

[01:55:52] Crise Crise Crise

[01:55:53] e é muito

[01:55:54] muito bacana

[01:55:55] o lançamento

[01:55:55] da Sob Influência

[01:55:57] de todos os camaradas

[01:55:58] que tem livros

[01:55:58] maravilhosos

[01:56:00] já até

[01:56:01] sugeriam aqui

[01:56:02] pros companheiros

[01:56:03] do Vida Casar

[01:56:03] que eles estão lendo

[01:56:04] paramos para ler

[01:56:05] para avaliar

[01:56:06] aí os livros

[01:56:07] mas o pessoal

[01:56:09] da Sob Influência

[01:56:10] é muito bacana

[01:56:10] tô esperando

[01:56:11] aqui um livro deles

[01:56:12] também que eu quero

[01:56:13] trazer depois

[01:56:14] pro Vida Casar

[01:56:14] quando eu pegar

[01:56:16] ele na mão

[01:56:16] que é o

[01:56:17] Babylon’s Burning

[01:56:18] que é sobre

[01:56:19] a luta antifascista

[01:56:20] na música britânica

[01:56:21] dos anos 50

[01:56:23] até os anos 2000

[01:56:24] e tanto

[01:56:24] é muito

[01:56:25] muito fera

[01:56:26] o rolê do reggae

[01:56:27] o rolê do punk

[01:56:28] o rolê do jungle

[01:56:29] do grime

[01:56:30] toda essa galera

[01:56:31] ainda se unindo

[01:56:32] e criando

[01:56:32] movimentos antifascistas

[01:56:34] que a questão

[01:56:35] do fascismo

[01:56:36] na Inglaterra

[01:56:36] é antiga

[01:56:37] vem de antes

[01:56:38] do Oswald Mosley

[01:56:39] eu recomendo muito

[01:56:40] o Radical Records

[01:56:41] pra quem gosta de música

[01:56:42] pra quem gosta de disco

[01:56:43] pra quem é colecionador

[01:56:45] ou não é colecionador

[01:56:47] e tal

[01:56:47] pra você entender

[01:56:48] que existe uma história

[01:56:49] muito grande

[01:56:50] muito rica

[01:56:51] no mundo inteiro

[01:56:52] de cultura

[01:56:54] e de resistência

[01:56:56] e eu acho que isso

[01:56:57] se insere

[01:56:57] no que a gente falou aqui

[01:56:58] que cultura

[01:56:59] é muito

[01:57:00] muito

[01:57:00] muito importante

[01:57:01] apesar do que

[01:57:02] de eu gostar muito

[01:57:02] do Adam Kurtz

[01:57:03] e o Adam Kurtz

[01:57:04] fala aqui

[01:57:04] cultura não muda nada

[01:57:06] é uma história

[01:57:06] a arte não vai mudar nada

[01:57:07] a arte pelo menos

[01:57:08] prefigura de alguma forma

[01:57:10] o que vai acontecer

[01:57:11] na nossa estrutura

[01:57:13] a arte ela imagina

[01:57:14] ela ajuda a gente

[01:57:15] a imaginar

[01:57:15] um mundo

[01:57:16] onde seja mais fácil

[01:57:17] imaginar o fim do capitalismo

[01:57:18] do que

[01:57:19] o fim do mundo

[01:57:20] e é isso

[01:57:21] é isso

[01:57:22] doutores

[01:57:22] falei pra caralho

[01:57:23] vim aqui pra variar

[01:57:24] tô estourando já

[01:57:26] o Vida Casacas do Ano

[01:57:28] deve ser o maior

[01:57:28] não sei se vocês vão conseguir editar

[01:57:30] dessa vez

[01:57:31] eu sei que vocês tentam

[01:57:31] mas vocês não conseguem

[01:57:32] eu sei que historicamente

[01:57:34] eu faço episódios mais longos

[01:57:35] mas eu sei que vocês tentam

[01:57:36] e já tem mais

[01:57:37] quatro episódios

[01:57:39] agendados

[01:57:39] então um deles

[01:57:40] que tu não falou

[01:57:41] então é sobre o Kurtz

[01:57:42] tá?

[01:57:43] por favor

[01:57:43] vamos fazer sobre o Kurtz

[01:57:44] com certeza

[01:57:45] com certeza

[01:57:45] meu Deus do céu

[01:57:46] eu quero falar de Adam Kurtz

[01:57:47] me chama

[01:57:48] andei assistindo ano passado

[01:57:50] com o camarada morcego

[01:57:51] bastante coisa do Kurtz

[01:57:52] a gente quer retomar

[01:57:52] inclusive

[01:57:53] onde a gente parou

[01:57:54] o The Center of the Self

[01:57:56] consegui agora

[01:57:58] uma cópia legendada

[01:57:59] online

[01:57:59] de

[01:58:00] A Watched Over

[01:58:02] by Machines of Love

[01:58:03] and Grace

[01:58:04] que é um dos mais

[01:58:05] legais dele

[01:58:05] e assista o Adam Kurtz

[01:58:07] inclusive

[01:58:08] quem não conhece

[01:58:09] já assiste

[01:58:09] já se prepara aqui

[01:58:10] mas vamos

[01:58:11] eu vou voltar assim

[01:58:12] gente

[01:58:12] eu sou que nem esses facinhos

[01:58:14] que vocês ficam chamando

[01:58:14] Samir

[01:58:16] Jairme

[01:58:19] esses aí

[01:58:20] entendeu?

[01:58:21] pontinho

[01:58:21] é só ligar

[01:58:22] você tem duas horas de tarde

[01:58:24] pra falar disso?

[01:58:25] claro

[01:58:25] opa

[01:58:26] hoje

[01:58:27] eu deixo marcado aí

[01:58:28] todo dia de gravação

[01:58:30] do coisa

[01:58:30] vai ficar marcado aqui

[01:58:31] se eu não tiver

[01:58:32] eu vou ficar falando sozinho

[01:58:33] aqui depois

[01:58:33] mando pra vocês

[01:58:34] vocês encerram alguma coisa

[01:58:35] então

[01:58:35] tá bom?

[01:58:37] tá ótimo

[01:58:38] tá excelente

[01:58:39] bom Felipe

[01:58:41] resta a gente

[01:58:42] emular sabe o que?

[01:58:45] a programação

[01:58:47] da televisão estatal britânica

[01:58:49] né

[01:58:49] e dizer que nós somos

[01:58:50] nós somos homens inocentes

[01:58:52] homens normais

[01:58:54] normal man

[01:58:55] normal man

[01:58:56] então tá minha gente

[01:58:59] Leia Mark Fisher

[01:59:01] Trotskismo

[01:59:02] tchau

[01:59:03] até mais galera

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:04] tchau

[01:59:05] tchau

[01:59:05] tchau

[01:59:05] tchau

[01:59:05] tchau

[01:59:05] tchau

[01:59:05] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

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[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

[01:59:06] tchau

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[01:59:07] tchau

[01:59:07] tchau

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[01:59:07] tchau

[01:59:07] tchau