205 Colonialismo na Ásia: a exploração do continente asiático
Resumo
O episódio discute como o colonialismo europeu se estabeleceu na Ásia em diferentes fases e com intensidades variadas. A conversa começa pelas primeiras incursões marítimas (portugueses na Índia a partir de 1498 e espanhóis nas Filipinas no século XVI), destacando que, nesse início, a presença europeia era muitas vezes litorânea e limitada frente a redes comerciais já antigas e robustas no Oceano Índico. Em seguida, o foco passa para o século XVII com as Companhias das Índias (britânica, holandesa e francesa), caracterizadas como empreendimentos híbridos (capital privado com privilégios e poder coercitivo concedidos pelo Estado), que ampliaram o controle comercial, fiscal e militar em regiões estratégicas.
O episódio também detalha “como” a exploração colonial operou: extrativismo e monoculturas, monopólio e controle de rotas, abertura forçada de portos (com destaque para as Guerras do Ópio na China), protetorados e formas ideológicas/culturais de dominação (racismo, “missão civilizatória” e proselitismo religioso). A distinção entre colonialismo e imperialismo aparece como chave interpretativa: o colonialismo seria mais direto e territorial (séculos XV–XVIII), enquanto o imperialismo, sobretudo no século XIX, incluiria formas mais amplas e indiretas (zonas de influência, tratados desiguais e justificativas ideológicas).
Por fim, o episódio percorre estudos de caso: Índia (ascensão da Companhia Britânica, tributação em Bengala e crise social com fomes e revoltas culminando em 1857 e no Raj), China (déficit britânico, narcotráfico de ópio, tratados, extraterritorialidade e “século de humilhação”), Japão (não colonizado, mas forçado a abrir portos, seguido pela Restauração Meiji e posterior imperialismo japonês), Oriente Médio (desmonte otomano, mandatos e acordos como Sykes–Picot e Balfour) e Sudeste Asiático (domínios britânico, francês e holandês, com a Tailândia como estado-tampão). A discussão termina avaliando legados atuais: fronteiras arbitrárias, conflitos duradouros (como Palestina e Caxemira), impactos socioeconômicos e memórias políticas que ainda moldam a região.
Anotações
- 00:12:42 — Domínio espanhol nas Filipinas O trecho discute a consolidação do domínio espanhol em Luzon a partir de 1565 e as dificuldades para controlar o sul do arquipélago. Menciona as Guerras Moro contra o sultanato de Sulu e a ocupação de Cholo em 1638 como marcos dessa expansão.
Indicações
Livros
- Orientalismo (O Oriente como invenção do Ocidente) (Edward Said) — citado como clássico fundamental para entender o discurso e a construção simbólica do “Oriente” no pensamento ocidental
- O Coração do Mundo: Uma nova história universal a partir da Rota da Seda (Peter Frankopan) — indicado por propor uma história mais integrada e transregional da Ásia
- From the Ruins of the Empire: The Revolt Against the West and the Remaking of Asia (Pankaj Mishra) — recomendado para compreender resistências e reformismos asiáticos frente ao imperialismo
- Underground Asia: Global Revolutionaries and the Assault on Empire (Tim Harper) — indicado por abordar redes clandestinas, anarquismo e movimentos anticoloniais no século XX
Linha do Tempo
- [00:07] — Ponto de partida: comércio global, prata e o choque entre interesses britânicos e o Império Chinês
- [00:07] — Primeiras investidas europeias na Ásia: portugueses (Vasco da Gama) e espanhóis (Filipinas)
- [00:13] — Companhias das Índias Orientais: natureza híbrida, monopólios e expansão do poder europeu
- [00:16] — Mecanismos do colonialismo: extrativismo, controle comercial, protetorados, ideologia e missionação
- [00:19] — Colonialismo x imperialismo e o “novo imperialismo” do fim do século XIX
- [00:23] — Índia: Company Raj, tributação, doutrina do lapso, fomes, Revolta de 1857 e o Raj britânico
- [00:33] — China: Guerras do Ópio, tratados desiguais, extraterritorialidade e fragmentação em esferas de influência
- [00:42] — Japão: Sakoku, “navios negros” de Perry, Tratado de Kanagawa e modernização Meiji
- [00:47] — Oriente Médio/Ásia Ocidental: declínio otomano, mandatos, Sykes–Picot, Balfour e o “Grande Jogo” no Afeganistão
- [00:54] — Sudeste Asiático: domínios britânico, francês, holandês; Tailândia como tampão e reformas locais
- [00:58] — Reações e resistências asiáticas: reformas, nacionalismos, movimentos anticoloniais e independências
- [01:19] — Legados contemporâneos: fronteiras, conflitos persistentes e impactos sociais, políticos e econômicos
- [01:27] — Recomendações de leitura e encerramento
Dados do Episódio
- Podcast: História FM
- Autor: Leitura ObrigaHISTÓRIA
- Categoria: History
- Publicado: 2025-06-23
- Duração: 1h33m
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/hist%C3%B3ria-fm/f7321ef0-4f2e-0137-f266-1d245fc5f9cf/205-colonialismo-na-%C3%A1sia-a-explora%C3%A7%C3%A3o-do-continente-asi%C3%A1tico/f87c9441-07bb-4d66-96bf-19035ea7b428?t=762.0
- UUID Episódio: f87c9441-07bb-4d66-96bf-19035ea7b428
Dados do Podcast
- Nome: História FM
- Tipo: episodic
- Site: https://apoia.se/obrigahistoria
- UUID: f7321ef0-4f2e-0137-f266-1d245fc5f9cf
Transcrição
[00:00:00] Música
[00:00:16] Você está ouvindo o História FM.
[00:00:19] Música
[00:00:28] Colonialismo na Ásia.
[00:00:31] O colonialismo, o audito colonialismo que deixou marcas no mundo inteiro na Ásia não foi diferente
[00:00:36] e esse é o tema do História FM de hoje.
[00:00:39] Eu sou o Iglis Rodrigues, para falar sobre esse assunto eu convidei o professor Emiliano Unzer.
[00:00:44] Aqui eu passo a palavra para se apresentar para vocês.
[00:00:46] Então, Emiliano, seja muito bem-vindo.
[00:00:48] Já estava querendo te convidar faz tempo, mas finalmente consegui.
[00:00:51] Então, fique à vontade para se apresentar para o pessoal.
[00:00:53] Obrigado, Iglis.
[00:00:54] Para mim é um prazer estar aqui com você, com todos os ouvintes.
[00:00:57] Iglis é um podcast de referência e eu acho que é uma discussão mais que necessária
[00:01:02] a respeito de uma região tão vasta e desconhecida da história da humanidade.
[00:01:09] Me apresentando, eu sou professor pesquisador de História da Ásia, então sou um asianista
[00:01:14] no Brasil, não somos muitos e os poucos que somos, nós nos conhecemos, fechamos
[00:01:20] quase com uma seita, que eu costumo brincar.
[00:01:23] Eu tenho uma graduação em Relações Estracionais na UNB, depois eu fiz mestrado em Política
[00:01:30] Pós-Colonial no país de Gális e depois eu fiz História Social na USP, doutorado.
[00:01:35] Então eu conjuguei minha formação com Relações Estracionais e História e daí
[00:01:39] que veio a minha curiosidade a respeito de histórias de regiões onde quase nada
[00:01:44] nos é ensinado ou passado ao longo do tempo.
[00:01:48] Então pra mim eu vou deixar minha contribuição aqui nesse podcast tão afamado no Brasil,
[00:01:54] então eu espero contribuir um pouco com o debate aqui.
[00:01:57] Então é isso gente, vamos entender um pouco mais esse assunto depois que eu
[00:02:01] dou um recado pra vocês.
[00:02:02] Se você acompanha o História FM nos últimos meses, vocês sabem que eu vou falar na
[00:02:11] Insider, né?
[00:02:12] A Insider está patrocinando esse episódio e hoje eu queria falar um pouco sobre o
[00:02:15] motivo de eu ser cliente da Insider há dois anos, bem antes de começar a ser patrocinado.
[00:02:19] Conforto.
[00:02:20] Vocês sabem que as roupas da Insider não desbotam, desamassa no corpo, evapora o
[00:02:23] sol mais rápido, o que faz com que ela demore mais pra pegar cheiro, mas o que
[00:02:26] pega pra mim mesmo é o conforto, tanto térmico quanto tátil.
[00:02:29] Eu tenho muita acessibilidade tanto pro calor quanto pro toque do tecido na pele
[00:02:33] e as tech shirts da Insider, as cuecas e outras peças da marca atendem ao que
[00:02:37] eu preciso.
[00:02:38] Até a tech shirt preta da Insider é mais desconfortável no sol do que camisas
[00:02:43] de outros tecidos, as vezes até de outras cores.
[00:02:45] E assim, eu era um adolescente fã de heavy metal que só andava de preto, até no verão,
[00:02:49] então eu sei muito bem a diferença que faz ter uma camiseta preta que não
[00:02:52] esquenta tanto.
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[00:02:58] Tem dois jeitos de usufruir esse cupom, tá?
[00:03:00] Ou você entra no site da Insider pelo link que tá na descrição do episódio,
[00:03:03] aí o cupom é aplicado automaticamente, não precisa fazer nada, ou você entra
[00:03:07] no site por sei lá que outro link e na hora de fechar a compra você vai
[00:03:11] do campo de cupom e digita Story FM, tudo junto, na hora de fechar a compra.
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[00:03:19] possível.
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[00:03:23] Pessoal, eu tô muito feliz de anunciar pra vocês que o meu segundo curso já
[00:03:35] está no ar.
[00:03:36] E tá mais barato que o primeiro, tá?
[00:03:37] O novo curso se chama A Operação Historiográfica para Michel de Sertou.
[00:03:42] E ele é uma tentativa de explicar de uma maneira mais didática o texto
[00:03:45] A Operação Historiográfica do historiador francês Michel de Sertou,
[00:03:49] que é o capítulo 2 do livro A Escrita da História.
[00:03:51] E por que fazer um curso disso?
[00:03:53] Esse texto é muito cobrado em graduações em História, seleções de mestrado
[00:03:56] e afins, mas ele é um texto que tem uma linguagem bem complicada, então
[00:04:00] tem muito estudante que não entende ou larga o texto no meio.
[00:04:04] Só que ele é um texto clássico, é importante entender, então eu pensei
[00:04:07] que esse curso seria útil para muitos estudantes que estão tendo essa dificuldade
[00:04:12] e também para quem gosta de teoria da História, para quem quer aprender
[00:04:15] sobre teoria da História sem ter que fazer faculdade.
[00:04:18] Então acaba que esse curso preenche essa lacuna.
[00:04:21] Esse curso tem quase duas horas, é dividido em 13 vídeos, introdução,
[00:04:26] conclusão e mais quatro aulas divididas em 11 vídeos.
[00:04:29] O acesso é vitalício, é importante enfatizar isso aqui porque as pessoas
[00:04:34] vivem perguntando esse curso é vitalício até quando ele fica no ar?
[00:04:37] Sim, é vitalício e vai ficar no ar para sempre até essa plataforma continuar
[00:04:42] resistindo e por conta disso, claro, você assiste quantas vezes você quiser.
[00:04:46] E você pode acessar esse curso por apenas 24,90.
[00:04:51] Sim, 24,90 é o preço inteiro, não é mensalidade, não é assinatura.
[00:04:56] Você paga esse valor uma vez e tem acesso vitalício ao curso.
[00:05:00] Dá para pagar no Pix ou no cartão e no cartão dá para dividir em até 12
[00:05:03] vezes, inclusive 12 vezes de parcelas bem, bem, bem pequenas
[00:05:07] para que qualquer um consiga fazer esse curso e vou deixar o link
[00:05:10] para a compra na descrição desse episódio, junto com o link
[00:05:13] do meu outro curso sobre o livro Apologia da História do Mark Block.
[00:05:16] E antes que eu me esqueça, se você apoia o meu trabalho lá em apoia.se
[00:05:20] barra obriga a história com 10 reais por mês, você pode me chamar
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[00:05:27] tanto para o curso sobre Apologia da História quanto para esse novo curso
[00:05:31] sobre operação historiográfica, beleza?
[00:05:33] E eu já estou trabalhando no próximo curso, que provavelmente será sobre
[00:05:36] como escrever uma monografia e história, como fazer um TCC,
[00:05:39] que eu espero conseguir lançar no começo de agosto e que eu tenho que gravar
[00:05:43] nos domingos, porque durante a semana tem quatro obras
[00:05:46] acontecendo ao redor da minha casa.
[00:05:47] Vocês devem estar escutando essa maquita ou de fundo, enfim.
[00:05:50] Então considere apoiar a gente lá em apoia.se barra obriga a história
[00:05:54] nesse valor de 10 reais por mês, porque não só você apoiar muito
[00:05:58] o meu trabalho, que perdeu infelizmente muitos apoiadores desde o ano passado
[00:06:02] na casa das centenas, inclusive, o que dá um certo desespero, mas enfim.
[00:06:06] E ainda por cima, você ganha desconto nesses cursos que eu estou fazendo
[00:06:09] com muito cuidado, com muito esmeiro e que até o momento
[00:06:12] os feedbacks têm sido bem positivos.
[00:06:13] E os nossos novos apoiadores são Xanday Soares, Clarissa Moreira
[00:06:17] e Júlio César Ferreira.
[00:06:18] Então muito obrigado, pessoal.
[00:06:20] São vocês que fazem esse programa continuar existindo
[00:06:22] e por enquanto a gente ainda consegue existir com alguma tranquilidade,
[00:06:25] graças a vocês que permanecem ajudando.
[00:06:27] Mas todo mês a gente está perdendo mais apoiadores
[00:06:30] do que recebendo novos.
[00:06:31] Então vai ter um momento em que eu vou ter que ver o que eu vou fazer.
[00:06:35] Se eu vou diminuir o número de episódios por mês.
[00:06:37] Enfim, eu vou ver o que eu faço, mas por enquanto ainda está tranquilo.
[00:06:40] Mas eu conto com o seu apoio.
[00:06:41] E por fim, é bom lembrar que você pode apoiar a gente de maneira pontual,
[00:06:44] ainda que sem recompensas pela Chave Pix.
[00:06:46] Leitura obriga a história, arroba gmeio.com.
[00:06:49] A Chave Pix, link do apoio, link dos cursos,
[00:06:51] está tudo na descrição desse episódio, beleza?
[00:06:55] A China já é meio que fábrica do mundo há muito tempo,
[00:06:58] então eles vendiam muita coisa para o mundo inteiro
[00:07:00] e o Império Britânico comprava muita seda, porcelana e chá, principalmente.
[00:07:06] E a China só aceitava prata como pagamento
[00:07:08] e não comprava nada de ninguém, nada.
[00:07:10] Inclusive, o Império Britânico manda uma missão aqui comercial para a China
[00:07:15] em 1770, alguma coisa.
[00:07:18] E o Império Britânico manda uma missão aqui comercial para a China
[00:07:23] e o imperador chinês fala o seguinte,
[00:07:26] o nosso Império Celestial possui tudo que necessita em abundância
[00:07:30] e não necessita importar nada produzido por bárbaros.
[00:07:43] Para começar essa conversa, eu queria começar perguntando
[00:07:45] quando o colonialismo europeu começa a botar as garras na Ásia?
[00:07:49] Quais os primeiros países europeus a avançar contra a Ásia
[00:07:53] e quando essas investidas aconteceram?
[00:07:55] Então, na verdade, se a gente pegar pela historiografia clássica
[00:08:02] do que nos vai passar ao longo do tempo,
[00:08:05] as primeiras contatos dos europeus,
[00:08:07] então entendendo que aqui estamos falando do colonialismo europeu sobre a Ásia,
[00:08:12] veio com uma expedição já organizada depois de algum tempo, alguns anos,
[00:08:18] com o Vasco da Gama chegando em 1498 em Calicut,
[00:08:22] Codicut como os indianos falam hoje,
[00:08:26] em que ele já estava num processo de abertura de rotas marítimas,
[00:08:32] busca de intercâmbios e produtos quebrando o intermédio dos domínios otomanos
[00:08:39] junto com os tratados que os otomanos tinham com genoveses e venezianos
[00:08:43] de passarem produtos da Índia e do Oriente,
[00:08:47] ou Ásia em geral, para o mercado europeu mediterrâneo.
[00:08:50] A gente pode considerar isso um primeiro momento.
[00:08:54] É claro que eu não sou aquele que gosta de ficar falando assim,
[00:08:57] então começou aqui, na verdade, você nunca tem um começo claro,
[00:09:01] as coisas são muito nebulosas,
[00:09:03] tem tentativas individuais que ficaram famosas,
[00:09:07] o Carpine, por exemplo, foi enviado do Papa para a corte mongol anteriormente
[00:09:14] tem alguns jesuítas e também o famoso Marco Polo,
[00:09:17] já tinha chegado a corte com o Blaikang na China, enfim,
[00:09:20] isso tudo antes de Vasco da Gama,
[00:09:22] mas o Vasco da Gama teve uma intenção de tentar,
[00:09:27] eu não interpreto isso como primeiro momento claro de colonialismo,
[00:09:30] vou até ser um pouco mais polêmico aqui, viu, Igles?
[00:09:33] Porque eu acho que foi uma coisa tão pequena, tão pontual num primeiro momento,
[00:09:37] que foi mais uma busca de um acordo para alguns produtos
[00:09:41] que mais motivou a ida dos portugueses a buscar uma rota para a Índia
[00:09:45] do que os indianos em si,
[00:09:47] eu até falo com meus alunos o seguinte,
[00:09:50] foram os portugueses que foram para a Índia,
[00:09:53] não os indianos que foram para Península Ibérica,
[00:09:55] então na verdade a Índia na época era muito mais atrativo
[00:09:58] em quantidade de produtos e de pujança comercial no Oceano Índico
[00:10:03] do que o mera apêndice ocidental do continente europeu,
[00:10:09] mas sim, eles tiveram aí o propósito de cingrar as águas do Oceano Índico
[00:10:15] que já, diga-se de passagem,
[00:10:17] há séculos era repleto de navios de Filipinos, Malaios,
[00:10:25] Sindes, Gujarats, enfim,
[00:10:28] humanes, árabes que comerciavam no Oceano Índico.
[00:10:32] Então assim, eu acredito que os portugueses,
[00:10:37] eles tenham no primeiro momento identificado uma oportunidade
[00:10:40] via as explorações técnicas que eles estavam acumulando, marítimo,
[00:10:43] mas ainda era muito incipiente,
[00:10:46] tanto é que eles nem conheciam o regime das monções no Oceano Índico,
[00:10:49] eles tiveram que aprender isso na costa africana oriental
[00:10:52] antes de chegar em Calicut.
[00:10:54] Enfim, o que eu acho que é interessante,
[00:10:56] que vai caracterizar aí a entrada de Vasco da Gama,
[00:10:59] depois outros portugueses,
[00:11:00] porque depois temos aí um acordo para afirmar uma base mais fixa em Goa
[00:11:05] com o sultanato de Bidya, na Índia,
[00:11:08] é o fato de que eles levaram um certo zelo cruzadístico
[00:11:12] para tentar contornar o domínio muçulmano
[00:11:16] ou driblar o domínio muçulmano que já estava evidente no Oceano Índico.
[00:11:20] Então nesse sentido pode se considerar uma espécie de uma atitude
[00:11:24] colonialista incipiente nesse sentido.
[00:11:26] Mas veja, eu queria falar que na verdade esses primeiros atos
[00:11:29] são muito pequenos, eu considero quase como se fossem anetodas
[00:11:33] diante da hegemonia comercial que existia na Índia, no Oceano Índico
[00:11:39] e para assim vai.
[00:11:40] E no segundo momento, claro, temos aí os espanhóis,
[00:11:44] depois de Magalhães, que conseguem um domínio mais fixo
[00:11:48] na ilha de Luzon, nas Filipinas, em 1565.
[00:11:52] Aí é uma homenagem o que eles conseguiram
[00:11:55] com o rei Felipe II da Espanha.
[00:11:58] É assim, isso também é muito polêmico,
[00:12:00] porque na verdade, tirando a ilha de Luzon,
[00:12:03] os espanhóis tiveram muita dificuldade depois de dominar
[00:12:06] regiões mais do sul, que é chamado as guerras espanholas Moro,
[00:12:12] com o sultanato de Sulu.
[00:12:14] Por exemplo, tem a região de Mindanal,
[00:12:17] que só foi, quase que domina os treitos mais do sul
[00:12:22] do arquipélago filipino, só foi dominado com a culpação de Cholo em 1638.
[00:12:28] Os espanhóis tinham grande dificuldade de dominar até mesmo
[00:12:31] a totalidade, ou a parte meridional, do arquipélago filipino
[00:12:35] aí ocupando essa região de Mindanal.
[00:12:39] Então, na verdade, o que eu estou querendo, em suma, falar?
[00:12:41] Esses são os primeiros momentos.
[00:12:44] É um momento que é marcado com uma tentativa exploratória,
[00:12:48] busca de especiarias e estabelecimento de feitorias litorâneas.
[00:12:54] Mas ela não é um momento massivo de contestação hegemônica
[00:13:02] na região do Oceano Índico e do Leste Asiático.
[00:13:05] No século XVII, nós temos a fundação das companhias das Índias Orientais,
[00:13:10] de diferentes países, no caso.
[00:13:12] O que eram essas companhias e como elas atuavam?
[00:13:15] Dá para dizer que elas são empreitadas estatais, privadas,
[00:13:18] um meio termo, o que eram essas companhias?
[00:13:21] Na verdade, essas companhias, elas representam, na verdade,
[00:13:25] quase como segunda fase do colonialismo.
[00:13:29] Elas são, na verdade, companhias que são híbridas,
[00:13:32] porque elas têm, na verdade, um caráter monopolista
[00:13:37] em que o governo confere essas companhias.
[00:13:41] Então, no caso, a Companhia das Índias Orientais Britânicas, de 1600,
[00:13:45] é dada uma carta de monopólio
[00:13:48] em que as pessoas também expirou a Companhia das Índias Orientais Holandesas,
[00:13:53] a VOC, né, que nasceu em 1602.
[00:13:56] É uma companhia de capital de acionistas que investem
[00:13:59] e aí tem os riscos diante de uma empreitada,
[00:14:02] uma navegação tão longa e de piratas, etc.
[00:14:05] Mas ele tem um elemento monopolista de comerciar aquilo
[00:14:11] e até o Estado conferir um elemento da força coercitiva
[00:14:16] para proteger essa companhia.
[00:14:18] Então, ela tem um elemento público,
[00:14:21] os privilégios estatais do direito de uso de força militar
[00:14:25] e governar a jurisdição dos territórios explorados,
[00:14:29] mas existe esse elemento do capital privado,
[00:14:31] de acionistas que investem nesses riscos dessas expedições.
[00:14:36] Então, assim, Portugal não chegou a ter isso, né?
[00:14:39] Portugal chegou, o Estado mesmo chegou e empreendeu isso,
[00:14:42] mas no caso dos britânicos, dos holandeses,
[00:14:46] e depois até a Compagnie Française de 1664,
[00:14:49] estenderam a sua dominação mais para a Ásia.
[00:14:52] Os holandeses famosamente reagiram diante da abertura portuguesa,
[00:14:57] das especiarias e chegam às ilhas Namolucas,
[00:15:00] chegam a estabelecer um tratado ali na região,
[00:15:04] na pontinha ocidental de Java,
[00:15:06] que era chamada Batavia, hoje é a Jakarta,
[00:15:09] e os ingleses se ocuparam principalmente na região de Bengala.
[00:15:13] Anteriormente eles entram por a antiga Bombaim,
[00:15:16] que foi um presente de casamento da corte portuguesa,
[00:15:20] e os franceses chegam tardiamente,
[00:15:23] principalmente estabelecendo-se na região ali de Pondicherry,
[00:15:26] naquela região de Tamilnado, na costa sul-indiana.
[00:15:31] Então, assim, ela é um caráter privado público,
[00:15:36] e é interessante que depois com o tempo,
[00:15:39] com a inviabilidade, corrupção, abuso que vão vir,
[00:15:43] em pouco a pouco essas companhias vão sendo extintas no século XVIII.
[00:15:48] A Revolução Industrial aumentou em muitos os interesses dos europeus na Ásia
[00:15:52] por conta da altíssima produção de certas matérias-primas.
[00:15:55] Mas o colonialismo não se resume apenas a extrair matérias-primas,
[00:15:59] ainda que esse seja o principal fator de interesse dos colonialistas.
[00:16:02] Existem outros interesses que vão desde o estabelecimento de postos comerciais
[00:16:06] até a tomada de territórios para facilitar eventuais guerras contra os seus inimigos.
[00:16:10] Então, eu pergunto, como a exploração colonialista funciona na Ásia?
[00:16:14] Ela funciona de vários mecanismos de exploratórios.
[00:16:18] Então, primeiro, obviamente, ela é extrativista.
[00:16:21] Ela é um sistema que busca extrair ou monoculturas,
[00:16:28] geralmente aquelas mais rentáveis, tropicais,
[00:16:31] como o cano de açúcar em Java,
[00:16:33] o arroz na Indochina Francesa posteriormente,
[00:16:36] ou o extrativismo mineral,
[00:16:38] como a prata que a Espanha extraía muito no continente americano
[00:16:44] e depois via as Filipinas,
[00:16:46] que era muito demandado pelo mercado chinês.
[00:16:48] Esse era o jogo que a coroa espanhola fazia.
[00:16:52] Ela conseguia trazer prata via as Filipinas
[00:16:55] para a demanda do Império Chinês.
[00:16:58] É coisa que os portugueses já tinham estabelecido antes
[00:17:02] uma presença no quarteirão sul de Cantão,
[00:17:06] uma península desde 1557 que foi em Macau.
[00:17:10] Os espanhóis tentaram entrar nisso e não conseguiram.
[00:17:13] Teve até uma briga com os portugueses e espanhóis com relação a isso.
[00:17:16] Outro mecanismo, além do extrativista,
[00:17:20] seria uma espécie de controle comercial.
[00:17:23] Por exemplo, os portugueses andeses controlam e monopolizam rotas marítimas.
[00:17:27] No caso, a extração e a navegação de transporte de cravo da Índia,
[00:17:34] que vinha das Moluccas, era um dos raríssimos lugares do mundo na época
[00:17:38] quando foi explorado para os portugueses e os holandeses nas ilhas Moluccas.
[00:17:42] Dizem que era mais caro, até mesmo que o ouro.
[00:17:45] Você também tem a forçação de abertura de portos,
[00:17:49] que é uma maneira de controle comercial.
[00:17:52] Como os britânicos depois nos dois episódios das guerras do ópio,
[00:17:57] meados do século XIX.
[00:17:59] Você tem uma expressão político-militar,
[00:18:02] de consolidação de protetorados,
[00:18:05] que seriam governos locais mantidos sob tutela.
[00:18:08] No caso que aconteceu muito na Índia,
[00:18:10] alguns Marajás, em estados principescos,
[00:18:13] eram também já dominados pela companhia britânica até o final do século XIX.
[00:18:18] Você tem um elemento psicológico,
[00:18:20] de imposição.
[00:18:22] Isso é o Eduardo Said que a gente vou recomendar.
[00:18:25] Ele fala muito da questão do discurso e do símbolo,
[00:18:29] da superioridade dos europeus,
[00:18:32] como raça, como etnia frente aos outros povos e outros credos também.
[00:18:38] E por fim, a questão até cultural.
[00:18:40] Você tem até mesmo a projeção
[00:18:43] que vai ser lida como uma agressão em vários lugares da Ásia,
[00:18:47] como, por exemplo, o envio de missionários cristãos nas Filipinas,
[00:18:51] o catolicismo muito forte que o estado espanhol financiou nas Filipinas.
[00:18:57] A entrada também de missionários cristãos via o endosso dos franceses
[00:19:01] no Vietnã, na China.
[00:19:03] E até mesmo os portugueses espanhóis em certo momento,
[00:19:06] antes da seclusão do shogunato Tokugawa,
[00:19:09] no início do século XVII.
[00:19:11] Houve também uma tentativa de proselitismo religioso cristão.
[00:19:16] Então acho que esses foram os mecanismos
[00:19:19] de exploração colonialista que funcionaram na Ásia,
[00:19:23] nas suas várias vertentes.
[00:19:24] Alguns historiadores argumentam que no século XIX
[00:19:27] as potências europeias começaram o que poderia ser chamado
[00:19:31] de novo imperialismo na Ásia.
[00:19:33] E aí eu quis trazer uma questão sobre isso,
[00:19:35] porque os conceitos de colonialismo e imperialismo
[00:19:38] são conceitos diferentes,
[00:19:39] mas historicamente eles se cruzam bastante.
[00:19:42] Então eu queria pedir para você explicar isso melhor
[00:19:45] para o pessoal não ficar pensando,
[00:19:46] ué, mas não era colonialismo, agora é imperialismo.
[00:19:48] Tem alguma diferença na prática?
[00:19:50] Sim, sim, é uma boa questão,
[00:19:52] porque na verdade, olha, a depender da leitura,
[00:19:56] da visão de constração, elas se misturam,
[00:20:01] mas alguns tentam já tipificar elas de alguma maneira.
[00:20:07] Eu leio mais ou menos o colonialismo
[00:20:11] como algo que foi mais praticado na Ásia
[00:20:17] nos séculos XV até XVIII,
[00:20:19] em que era um foco mais de ocupação territorial
[00:20:23] direta para a exploração econômica,
[00:20:27] nas feitorias, os plantations,
[00:20:29] como os espanhóis fizeram nas Filipinas,
[00:20:33] para assim vai.
[00:20:34] Agora, o imperialismo seria algo mais amplo e mais indireto.
[00:20:39] Então, na verdade, a gente pode ler
[00:20:41] que o colonialismo é uma manifestação do imperialismo.
[00:20:44] Porque o imperialismo é um conceito mais amplo
[00:20:47] de controle não somente direto, mas também indireto.
[00:20:50] Que você tenha a arquitetura de dominação via protetorados
[00:20:55] ou zonas de influência,
[00:20:57] e você também tem já mais uma pegada ideológica,
[00:21:01] de justificativa ideológica,
[00:21:03] como, por exemplo, os franceses propagavam
[00:21:06] a ideia da missão civilizatória,
[00:21:08] e também as ideias depois do que foram populares
[00:21:11] no final do século XIX, com o Darwinismo social.
[00:21:14] Então, isso tudo já meio que nos elucida um pouco
[00:21:17] como é que vai se dar essas diferenças.
[00:21:20] Existe ainda uma outra questão,
[00:21:23] que vai ser um novo imperialismo,
[00:21:25] que se fala que é o depois de 1870,
[00:21:27] que é, na verdade, um momento já tardio do século XIX
[00:21:31] de uma dominação, uma corrida
[00:21:34] para sistematizar e limitar as pretensões
[00:21:41] e clamores para uma política expansionista maior
[00:21:47] que seu volume na Europa.
[00:21:49] Então, aí você tem, por exemplo,
[00:21:51] o caso mais famoso vai ser o que vai acontecer
[00:21:55] depois da revolução dos boxers em 1900 na China,
[00:21:59] em que você tem uma espécie de tentativa
[00:22:01] de vingança coordenada
[00:22:03] com vários governos enviando forças punitivas
[00:22:07] para o porto de Tianjin, na região perto de Pequim,
[00:22:11] para castigar o dynastia Manchu, o dynastia Qing
[00:22:16] já em decadência final.
[00:22:18] Então, eu acho que, na verdade,
[00:22:19] eu não sei se eu consegui refletir.
[00:22:21] Eu sempre achei que o colonialismo
[00:22:22] foi mais uma coisa anterior e mais direta.
[00:22:25] E o imperialismo, na verdade, é um guarda-chuva maior.
[00:22:29] Ele é uma arquitetura maior de ideológica, cultural,
[00:22:34] mas também questões políticas e econômicas.
[00:22:37] Então, na verdade, o colonialismo vai ter uma evolução,
[00:22:42] uma mudança de exploração pontual inicial
[00:22:46] para uma corporação mais híbrida,
[00:22:49] por assim dizer, das companhias das Índias,
[00:22:52] e depois para um imperialismo mais sistematizado
[00:22:55] no metro do século XIX e em diante.
[00:22:58] Então, eu acho que isso vai refletir as mudanças
[00:23:00] da forma de dominação.
[00:23:02] O colonialismo vai buscar mais enclaves para extração
[00:23:06] e o imperialismo vai visar muito mais.
[00:23:08] Ele vai visar o controle geopolítico integral,
[00:23:11] integral sustentado por ideologias de supremacia.
[00:23:14] Então, eu acho que isso pode servir de reflexão
[00:23:17] para essas diferenças entre colonialismo e imperialismo.
[00:23:25] O domínio britânico será consolidado no ano de 1757,
[00:23:29] mas não pelo governo, mas por uma empresa,
[00:23:32] a Companhia das Índias Orientais.
[00:23:34] A Companhia tinha poderes administrativos organizados
[00:23:37] pelo parlamento britânico, domínio indireto
[00:23:40] sobre o sistema feudal indiano
[00:23:42] e o poder de reprimir populações locais
[00:23:44] usando exércitos privados.
[00:23:46] O domínio indireto irá até 1857.
[00:23:55] Aqui eu queria falar sobre o colonialismo
[00:23:58] em algumas regiões específicas da Ásia.
[00:24:01] Primeiro, eu queria falar sobre o caso indiano.
[00:24:03] O que a gente pode falar dos esforços
[00:24:05] de colonização na Índia?
[00:24:07] A Índia, na verdade, ela sempre foi um banquete
[00:24:10] grande demais para ser digerida e absolvida de uma vez.
[00:24:14] Na verdade, nenhuma potência conseguiu dominar o colonialismo
[00:24:20] É muito difícil.
[00:24:21] O que chegou mais próximo foram os britânicos.
[00:24:25] Depois de uma série de escândalos
[00:24:27] da Companhia Britânica das Índias Orientais
[00:24:30] no final do século XVIII,
[00:24:32] mas é o que mais chegou a explorar as divisões internas.
[00:24:36] Porque eram mais de 300 apotentados,
[00:24:41] diversos, que estavam no suponte indiano.
[00:24:45] Então era uma coisa muito difícil.
[00:24:47] Mas ela já era começada nesses esforços de colonização
[00:24:52] desde o final do século XV.
[00:24:54] Em busca de espessarias e têxteis com os portugueses,
[00:24:58] depois os holandeses, franceses e britânicos.
[00:25:01] Então tem até uma fase até mais ou menos de 1750.
[00:25:06] A Índia era uma grande potência global.
[00:25:09] Na verdade, respondia para quase 20 anos.
[00:25:12] Produção têxtil em massa, muito valorizado.
[00:25:15] Os mercados do Oceano Índico e depois outros lugares.
[00:25:18] E depois vai entrar a Batalha de Placir, o Lord Clive.
[00:25:22] Depois a Batalha de Placir, que vai ter uma dominação
[00:25:25] um pouco mais aliada, ou direta ou aliada,
[00:25:28] com autoridades potentadas na Índia.
[00:25:31] Eu acho que as motivações vão se dar muito
[00:25:34] pela dominação comercial e acumulação.
[00:25:38] Pela teoria do mercantilismo,
[00:25:40] que vai amplificar essa exploração europeia.
[00:25:44] E aí também tem na questão de você…
[00:25:47] Por exemplo, o que foi desastroso foram os britânicos
[00:25:51] já tentando desarticular a indústria têxtil indiana
[00:25:55] com a venda de têxtil muito piores
[00:25:58] que vinha alimentando a indústria têxtil nascente na Índia.
[00:26:02] Então a indústria têxtil indiana,
[00:26:05] que vinha alimentando a indústria têxtil nascente
[00:26:08] da indústria britânica.
[00:26:09] Houve até um sufocamento de uma indústria têxtil
[00:26:13] que eles passaram a privilegiar monoculturas rentáveis
[00:26:17] no mercado global e matou a indústria têxtil indiana.
[00:26:21] Isso desde o século XVIII já estava ficando claro.
[00:26:26] Outro esforço de colonização na Índia
[00:26:29] também vai se dar pelos portugueses,
[00:26:31] que eu acho que é uma coisa mais limitada
[00:26:33] em torno de Goa, desde o final do século XV.
[00:26:36] Os holandeses, a partir de Massoul e Patinan,
[00:26:39] de 1605, os franceses em Pont de Cherie
[00:26:42] já no final do século XVII,
[00:26:44] é mais a concretização de postos comerciais
[00:26:49] mais com influência limitada.
[00:26:50] Ela não tem mais um projeto maior de dominação
[00:26:55] como a companhia britânica das linhas diretais
[00:26:58] vai deixar bem claro.
[00:27:00] Existem várias tentativas.
[00:27:03] Os britânicos, nesse caso,
[00:27:05] uma ascensão da companhia britânica
[00:27:07] vai ficar evidente depois de 1757,
[00:27:10] principalmente em Bengala, na região nordeste,
[00:27:13] e depois principalmente na batalha de Puchard,
[00:27:15] em Bihar, em 1764,
[00:27:17] que depois resulta em um tratado de Allahabad,
[00:27:20] que é importantíssimo isso,
[00:27:22] porque o tratado concede à companhia
[00:27:25] os direitos de waning, que a gente fala,
[00:27:28] que é o direito de coletar impostos
[00:27:30] em Bengala, Bihar e Orisha,
[00:27:32] formalizando domínio financeiro.
[00:27:34] É uma região estratégica,
[00:27:36] porque todo o comércio da costa leste da Índia
[00:27:40] na baía de Bengala,
[00:27:42] e tudo que desce do rio Ganges
[00:27:45] e também do Brahmaputra,
[00:27:47] ele é taxado pela companhia.
[00:27:49] Então dá enorme riqueza
[00:27:51] em poder a companhia partir daí.
[00:27:53] É isso que vai diferenciar muito
[00:27:55] a presença britânica dos outros europeus na Índia.
[00:27:58] Então, com o tempo, eles vão começando
[00:28:00] a aumentar a receita.
[00:28:02] Isso, diga-se, é muito importante.
[00:28:04] Não tinha menor controle fiscal
[00:28:06] de quanto eles arrecadavam, se era arrecadado.
[00:28:08] Então, por exemplo, Lord Clive,
[00:28:10] que vai ser o primeiro grande diretor,
[00:28:14] que depois vai ser o governador geral
[00:28:16] da companhia na Índia,
[00:28:18] ele enriquece enormemente.
[00:28:20] Tanto é que tem uma CPI depois
[00:28:22] que é aberta no parlamento lá em Londres
[00:28:24] para falar o que ele já roubou.
[00:28:26] Então, as propriedades dele
[00:28:28] são coisas fructuosas nas terras britânicas.
[00:28:32] Outro é um aspecto também
[00:28:34] que vai vir para os britânicos,
[00:28:36] que são alianças subsidiárias,
[00:28:38] que eles vão estabelecendo
[00:28:42] com lideranças aliadas
[00:28:44] para eles se tornar uma espécie de protetorados.
[00:28:46] Então, aí é uma dominação indireta
[00:28:48] de rajás, ou nababos,
[00:28:52] ou sultões
[00:28:54] de protetorados menores.
[00:28:56] Isso é uma pletória de situações.
[00:28:58] Outro aspecto vai ser a chamada
[00:29:00] já na época do governador geral
[00:29:02] Dalhousie, no século XIX,
[00:29:04] que vai ser a doutrina do lapso,
[00:29:06] que eu acho que é uma coisa que vai ser
[00:29:08] muito polêmico depois na dominação
[00:29:10] da companhia na Índia,
[00:29:12] em que diz que a companhia pode
[00:29:14] tomar o trono desses estados
[00:29:16] principescos se eles não apresentarem
[00:29:18] um herdeiro masculino
[00:29:20] ou se tiver uma má governança.
[00:29:22] Isso gerou muito ressentimento
[00:29:24] nas duas partes ali na Índia.
[00:29:28] Isso tudo resultou primeiro no fato
[00:29:30] de drenar os recursos que poderiam
[00:29:32] ser acumulados para
[00:29:34] a economia indiana.
[00:29:36] A economia indiana depois chegar a quase
[00:29:38] que 2% da economia mundial
[00:29:40] no final do século XIX.
[00:29:42] Vai ter um impacto na agricultura,
[00:29:44] porque o foco dos britânicos vai ser
[00:29:46] as plantações monoculturas,
[00:29:48] o índico, o ópio até,
[00:29:50] que depois vai ser exportado
[00:29:52] para a indiana,
[00:29:54] e isso vai ter detrimento
[00:29:56] da agricultura alimentar.
[00:29:58] Isso resulta em grandes fomes,
[00:30:00] por exemplo,
[00:30:02] a fome de Bengala de 1770
[00:30:04] resultou em mais de 10 milhões de mortos.
[00:30:06] Também teve uma em 1943,
[00:30:08] no Segunda Guerra,
[00:30:10] também resultou em milhões de mortos.
[00:30:12] Tudo isso vai gerar, na verdade,
[00:30:14] esse esforço de colonização
[00:30:16] dos britânicos vai resultar em grandes
[00:30:18] revoltas.
[00:30:20] Nós estamos agora com a primeira grande
[00:30:22] revolução de independência, que vai
[00:30:24] vir em 1857,
[00:30:26] de muitos indianos
[00:30:28] já querendo questionar
[00:30:30] essa dominação britânica da companhia.
[00:30:32] Tanto que depois dessas motins,
[00:30:34] que se falam, mas são rebeliões maiores,
[00:30:36] então é muito além do motim,
[00:30:38] extingua essa companhia das Índias Orientais,
[00:30:40] ela deixa de existir na Índia,
[00:30:42] e a coroa britânica assume o controle
[00:30:44] direto da Índia em 1858.
[00:30:46] Aí você tem uma fase
[00:30:48] de estruturação de um controle mais direto,
[00:30:50] onde ela tinha o controle direto,
[00:30:52] que caracteriza o sistema
[00:30:54] do haji,
[00:30:56] o sistema centralizado hierarque,
[00:30:58] em que vai ter um representante da reina Vitória,
[00:31:00] que é coroada como imperadora, inclusive,
[00:31:02] da Índia, que é o vice rei.
[00:31:04] O vice rei vai lá e representa
[00:31:06] a monarquia britânica.
[00:31:08] E aí eles abrem
[00:31:10] também um sistema que vai ser
[00:31:12] um impacto depois para a
[00:31:14] luta de independência indiana,
[00:31:16] que abre vagas para a burocracia
[00:31:18] civil organizada.
[00:31:20] Isso pode,
[00:31:22] gradativamente algumas da elite indiana
[00:31:24] já começam a entrar,
[00:31:26] primeiro em cargos inferiores, depois começam
[00:31:28] a galgar isso com o tempo.
[00:31:30] Isso vai também resultar em uma
[00:31:32] padronização das leis para a repressão
[00:31:34] e controle dos britânicos
[00:31:36] na Índia, como a lei
[00:31:38] aprovada, a lei da polícia indiana
[00:31:40] de 1861,
[00:31:42] focando na manutenção de ordem
[00:31:44] e repressão da dissidência.
[00:31:46] O sistema legal também é
[00:31:48] depois compilado, combinando leis
[00:31:50] do direito como common law britânico
[00:31:52] com as leis indusmos-musulmanas,
[00:31:54] como o Código Penal de 1860.
[00:31:56] Você tem a organização do exército
[00:31:58] britânico, geralmente os postos
[00:32:00] oficiais são britânicos
[00:32:02] e depois os subalternos mais
[00:32:04] dos indianos.
[00:32:06] No aspecto da educação
[00:32:08] você tem a proposta do McColley,
[00:32:10] que promove o ensino
[00:32:12] das ciências úteis que se falavam,
[00:32:14] o inglês e a educação ocidental
[00:32:16] para criar uma elite indiana
[00:32:18] que
[00:32:20] começa a se alienar
[00:32:22] do questionamento da cultura tradicional
[00:32:24] indiana, além de intervenções
[00:32:26] religiosas e sociais, como, por exemplo,
[00:32:28] leis que aborem costumes
[00:32:30] que os britânicos
[00:32:32] abominavam, como a prática do Sat,
[00:32:34] do sacrifício forçado da mulher
[00:32:36] diante do viúvo,
[00:32:38] entrada de missões cristãs,
[00:32:41] mais com protestantes,
[00:32:43] muito mais agressiva
[00:32:45] para tentar converter
[00:32:47] indianos em detrimento do que
[00:32:49] eles falavam, que eram práticas
[00:32:51] demoníacas, heréticas do passado.
[00:32:53] Enfim,
[00:32:55] eu tentei ser breve, porque
[00:32:57] eu acho que no primeiro momento foram vários
[00:32:59] os interesses colonizadores
[00:33:01] europeus na Índia, mas o
[00:33:03] que vai mais adiante vai ser os britânicos
[00:33:05] a partir da
[00:33:07] batalha de Placía em diante.
[00:33:11] O país tão grande, com a população tão imensa,
[00:33:13] o país era tanto uma grande
[00:33:15] fonte de exploração quanto um mercado
[00:33:17] consumidor em potencial enorme, né?
[00:33:19] Sim. A China, ela também,
[00:33:21] como a Índia, é um colosso, né? Ela
[00:33:23] também compunha aí na época
[00:33:25] do imperador Qianlong, no final
[00:33:27] do século XVIII, praticamente 20%
[00:33:29] da economia mundial também ali.
[00:33:31] Então ela é um sistema
[00:33:33] que durante séculos ela foi
[00:33:35] integrando o espaço
[00:33:37] com outros povos, principalmente no Norte,
[00:33:39] a fronteira mais vulnerável, né?
[00:33:41] Com os mangóis, os túrquicos,
[00:33:43] manchus e por assim vai. Na época já
[00:33:45] do século XVIII era o auge
[00:33:47] da dinastia Qing, dos manchus, e eles
[00:33:49] praticamente tinham um sistema tributário
[00:33:51] de povos, estados
[00:33:53] ao redor, mas eles não tinham grande
[00:33:55] necessidade, além de algumas
[00:33:57] vezes na sua história,
[00:33:59] rotas e interesses de produtos que
[00:34:01] vinham da área central. Então é até
[00:34:03] famoso aquela embaixada do
[00:34:05] Lord Maccarny, né? Quando chega
[00:34:07] meses e meses assistindo para ter uma audiência
[00:34:09] com o imperador Qianlong, e ele traz o que
[00:34:11] a indústria britânica tem de
[00:34:13] melhor, e diz que
[00:34:15] os conselheiros
[00:34:17] de estado do Qianlong
[00:34:19] e Qianlong não ficam impressionados com o que os
[00:34:21] britânicos apresentam. Na verdade, ele até escreve
[00:34:23] uma carta que não chega nas mãos do
[00:34:25] Jorge III, né?
[00:34:27] A gente não tem interesse, né?
[00:34:29] A gente respeita você, e eu como
[00:34:31] filho do céu não tenho nem como equivaler
[00:34:33] a minha posição com relação a você,
[00:34:35] porque a figura do céu
[00:34:37] do imperador chinês era uma coisa única
[00:34:39] diante da humanidade, e não
[00:34:41] mais um imperador reconhecendo o outro
[00:34:43] como Lord Maccarny tentou fazer
[00:34:45] esse laço diplomático.
[00:34:47] Então isso é uma coisa que já fica até meio assimétrico
[00:34:49] essa tentativa
[00:34:51] britânica de abertura da China
[00:34:53] no final do século 18.
[00:34:55] Mas assim, os
[00:34:57] britânicos começam a dotar, depois
[00:34:59] de Maccarny, uma série de
[00:35:01] outras tentativas mais agressivas
[00:35:03] de abertura, porque
[00:35:05] o mercado chinês interessa
[00:35:07] muito aos britânicos em vários lugares
[00:35:09] do mundo desde a época
[00:35:11] de Marco Polo. As sedas, por exemplo,
[00:35:13] as porcelanas,
[00:35:15] elas depois chegam a ser até imitadas
[00:35:17] em outras indústrias na França,
[00:35:19] na Grã-Betanha.
[00:35:21] E o chá, que é a origem
[00:35:23] do chá na região de Yunnan, ela é apreciada
[00:35:25] amplamente há séculos pelos
[00:35:27] coreanos, pelos japoneses, pelos chineses
[00:35:29] e por assim vai. Então os britânicos
[00:35:31] entram em contato com o chá, eventualmente
[00:35:33] eles demandam isso, além do açúcar
[00:35:35] que vinha das Índias Ocidentais,
[00:35:37] que as falavam, o Caribe. E criam um gosto
[00:35:39] para um costume
[00:35:41] que os britânicos tinham. Então
[00:35:43] eram produtos que eram demandados pelo
[00:35:45] mercado britânico, mas os chinês
[00:35:47] não queriam nada do mercado
[00:35:49] britânico. Então, na verdade,
[00:35:51] o que eles queriam era prata. Os espanhóis
[00:35:53] conseguiam isso, os portugueses
[00:35:55] em uma parte, mas os britânicos
[00:35:57] tinham problema de drenagem de prata,
[00:35:59] porque eles não tinham nada e estavam com um téfice grande.
[00:36:01] Então, na verdade, o que aconteceu
[00:36:03] de uma maneira mais trágica é
[00:36:05] uma outra missão
[00:36:07] que é praticamente força
[00:36:09] a entrada dos britânicos. E os
[00:36:11] britânicos já começam a vender
[00:36:13] algo que poderia ser rentável no mercado
[00:36:15] chinês, que seria o ópio
[00:36:17] que é plantado ali
[00:36:19] em Bengala. Então eles começaram a chegar
[00:36:21] é o narcotráfico, portanto, é o narcotráfico.
[00:36:23] Eles pegavam então as
[00:36:25] caixas de ópio,
[00:36:27] que podiam, naturalmente, vender diretamente
[00:36:29] ali na região da foz do Rio
[00:36:31] das Pelos, em Cantão. Então, eles
[00:36:33] achavam intermediários chinês ali
[00:36:35] nas ilhas ao redor, como o Hong Kong,
[00:36:37] na calada da noite,
[00:36:39] passavam por esse intermediário e o intermediário
[00:36:41] chegava e vendia de maneira clandestina,
[00:36:43] porque já era ilegal o uso não medicinal
[00:36:45] do ópio num mercado
[00:36:47] chinês, isso já por volta
[00:36:49] de 1830, já estava galopante.
[00:36:51] E aí,
[00:36:53] começou a virar um problema social,
[00:36:55] porque, até então,
[00:36:57] o ópio era muito caro
[00:36:59] no mercado chinês, e com esse
[00:37:01] narcotráfico, começa a baratear,
[00:37:03] então começa a amplificar o consumo.
[00:37:05] Apesar da tentativa do governo
[00:37:07] imperial chinês de tentar coibir,
[00:37:09] eles mandam um comissário,
[00:37:11] o comissário Lin, Lin Zexu,
[00:37:13] e ele chega lá em Cantão,
[00:37:15] ele apreende uma número de caixas
[00:37:17] de ópio. Os comerciantes
[00:37:19] britânicos, naturalmente, ficam
[00:37:21] ansiosos, para saber, eles não podem sair
[00:37:23] até o confinamento que eles têm ali, perto de Cantão,
[00:37:25] e esse comissário chega e
[00:37:27] despeja toda a carga
[00:37:29] no rio. E aí, eles ficam
[00:37:31] inconformados, porque, acredite,
[00:37:33] eles querem
[00:37:35] uma compensação diante dessa perda, sendo que é ilegal,
[00:37:37] algo ilegal.
[00:37:39] Então, dá uma pedida
[00:37:41] de aprovado no parlamento, muito persistência
[00:37:43] de comerciantes escoceses,
[00:37:45] principalmente no parlamento britânico,
[00:37:47] de uma intimidação maior, para tentar
[00:37:49] abrir mais o Cantão
[00:37:51] e outros portos. Aí, chega um incidente que eles chamam,
[00:37:53] encoraçado, Nemesis,
[00:37:55] que veio aí, da Índia,
[00:37:57] e eles abrem fogo, contra as
[00:37:59] embarcações, sistema de defesa em Cantão,
[00:38:01] em 1839.
[00:38:03] E aí, você tem uma série de
[00:38:05] negociações, depois dessas agressões,
[00:38:07] que foram assinadas no Tratado de Nanking,
[00:38:09] de 1849, e depois, um outro incidente,
[00:38:11] que vai ser o incidente Harrow, que vai ser
[00:38:13] vulgarmente chamado, a Segunda Guerra do Ópio,
[00:38:15] vai ser de 1856 e 1860.
[00:38:17] E aí, no final das contas,
[00:38:19] a China chega assim, olha, então vou abrir alguns portos
[00:38:21] e a entrada de
[00:38:23] estrangeiros. Mas isso ainda é uma coisa
[00:38:25] muito pequena. Isso, na verdade, até
[00:38:27] caracteriza na história chinesa,
[00:38:29] estrangeiros vindos do
[00:38:31] Pacífico, do Oceano Índico,
[00:38:33] que tinham controle
[00:38:35] e abertura comercial para alguma outra coisa.
[00:38:37] Então, até aí, na ótica chinesa,
[00:38:39] tinha uma grande transformação.
[00:38:41] Mas, é o início de uma enxurrada
[00:38:43] de interesses que vai se avolumando
[00:38:45] dos europeus sobre
[00:38:47] os ocidentais, porque os Estados Unidos entram nisso também,
[00:38:49] sobre a China.
[00:38:51] Então, tem uma abertura de potos, e nesses potos,
[00:38:53] eles começam a estabelecer
[00:38:55] comunidades fixas, que se organizam
[00:38:57] em bairros. E esses bairros, eles conseguem
[00:38:59] o que eu acho uma bizarrice
[00:39:01] jurídica, é a extraterritorialidade.
[00:39:03] Esses estrangeiros ficam isentos
[00:39:05] da lei chinesa. Eles ficam,
[00:39:07] na verdade, submetidos apenas
[00:39:09] à jurisdição, à
[00:39:11] consular própria. Então, casos de
[00:39:13] narcotráfico, de abusos,
[00:39:16] penais, é uma coisa que
[00:39:18] assombra. Depois, Shanghai,
[00:39:20] por exemplo, no início do século XX, vai ser
[00:39:22] um antro de
[00:39:24] máfias, de prostituição,
[00:39:26] de cassinos,
[00:39:28] jogatinas, e por assim vai. O problema
[00:39:30] é que, eu acho que o grande problema na China,
[00:39:32] já entrando na reflexão
[00:39:34] da China, é o fato de que na China,
[00:39:36] ela teve um problema depois, que foram
[00:39:38] revoltas populares, que aí,
[00:39:40] sim, ela fratura a hegemonia,
[00:39:42] a coesão
[00:39:44] da dynastia Qing, que vai ser a
[00:39:46] revolta dos saipings,
[00:39:48] que vai ser algo interno,
[00:39:50] um movimento popular
[00:39:52] com inspiração mileniarista,
[00:39:54] como muitos
[00:39:56] dos budistas no passado, e teve um teor
[00:39:58] mais, uma leitura cristã,
[00:40:00] e resultou em uma repressão
[00:40:02] e morte de 20,
[00:40:04] mais de 20 milhões de chineses.
[00:40:06] Então, isso é uma coisa que já machuca,
[00:40:08] já a ordem
[00:40:10] chinesa, no século
[00:40:12] de 19. E aí, teve uma guerra,
[00:40:14] depois que foi feita,
[00:40:16] os japoneses declararam guerra contra os
[00:40:18] chineses em 1895,
[00:40:20] perdem para os japoneses em 1895,
[00:40:22] perdem Taiwan,
[00:40:24] e o controle na região de Shandong,
[00:40:26] também, e Liaodong.
[00:40:28] Então, aí sim, isso machuca
[00:40:30] até mesmo o orgulho chinês,
[00:40:32] além de… Então aí, nesse sentido,
[00:40:34] quando é clode a revolta dos boxes,
[00:40:36] em 1900, aí a China está em frangalhos.
[00:40:38] Ela já começa a entrar num período
[00:40:40] de desunião fragmentada, esferas de influência
[00:40:42] com privilégios
[00:40:44] econômicos e políticos exclusivos.
[00:40:46] Então, aí, por isso que
[00:40:48] eu acho que a China não conseguiu reagir
[00:40:50] de maneira coordenada. Ela não tinha nem sequer
[00:40:52] uma coesão para, apesar de ter
[00:40:54] ideias de linchin chao,
[00:40:56] dos 100 dias de reforma,
[00:40:58] ela não conseguiu levar isso
[00:41:00] massivamente, a transformar a sua infraestrutura,
[00:41:02] como o
[00:41:04] era Meiji fez, do Imperador
[00:41:06] Meiji, no Japão. Então, nisso aí vai ter
[00:41:08] uma série de consequências, a desestruturação
[00:41:10] da hegemonia,
[00:41:12] a drenagem de recursos
[00:41:14] econômicos, que começam
[00:41:16] a ficar até mais o controle de aduanas,
[00:41:18] aduaneiros e
[00:41:20] administradores financeiros
[00:41:22] estrangeiros, atender
[00:41:24] bancos europeus. Isso vai
[00:41:26] provocar uma série de rebeliões
[00:41:28] internas. Muitos reformadores vão
[00:41:30] tentar pensar uma nova Índia,
[00:41:32] a China, no final do século
[00:41:34] 20, para assim, vai. Então, eu acho
[00:41:36] que, na verdade, ela é uma espécie
[00:41:38] de um crescendo, o que acontece,
[00:41:40] de interesses que vão se
[00:41:42] avolumando sobre a China
[00:41:44] desde a
[00:41:46] primeira
[00:41:48] e patética missão diplomática
[00:41:50] de McCartney, em 1793,
[00:41:52] até a
[00:41:54] revolta dos boxes em 1900.
[00:41:56] Então, na verdade,
[00:41:58] o que acontece hoje,
[00:42:00] que é ensinado para as crianças
[00:42:02] chineses, é que depois
[00:42:04] de 1939, com a
[00:42:06] primeira guerra do ópio, até
[00:42:08] 1949, é ensinado para os
[00:42:10] chineses de que isso foram 100
[00:42:12] anos de humilhação. Que, somente
[00:42:14] depois de 1949, é uma
[00:42:16] retomada da hegemonia e de
[00:42:18] controle anaxino.
[00:42:22] Se você quiser colaborar com o História FM,
[00:42:24] você pode fazer isso via Pix, usando a
[00:42:26] chave leituraobrigahistória
[00:42:28] arroba gmail.com. E assim você
[00:42:30] colabora para manter esse projeto educacional
[00:42:32] gratuito no ar.
[00:42:36] E como foi o caso do Japão?
[00:42:38] O país chegou a ser colonizado?
[00:42:40] Ou ele foi pressionado pelo colonialismo
[00:42:42] mesmo sem ter virado colônia?
[00:42:44] Ele nunca chegou a ser colonizado.
[00:42:46] Na verdade, houve um interesse maior
[00:42:48] de certas missões, portugueses
[00:42:50] pioneiros entre os europeus.
[00:42:52] Apesar de ter ocasionamente
[00:42:54] alguns russos que tentaram chegar
[00:42:56] mais no norte, mas isso é uma coisa
[00:42:58] muito pontual.
[00:43:00] Ela acaba reagindo depois
[00:43:02] no contexto
[00:43:04] do imperialismo
[00:43:06] no meio do século XIX.
[00:43:08] Porque as primeiras contatos
[00:43:10] que vão se dar em 1543
[00:43:12] é muito mais
[00:43:14] o envio de missionários. São Francisco Xavier,
[00:43:16] por exemplo. Começa uma evangelização.
[00:43:18] Mas isso cria
[00:43:20] tensões com autoridades locais ali,
[00:43:22] nas regiões mais meridionais do aquipélago.
[00:43:26] No início do século XVII
[00:43:28] você tem o estabelecimento
[00:43:30] do que a gente fala o bakufu,
[00:43:32] que são líderes
[00:43:34] supremos endossados
[00:43:36] pelo imperador. O imperador não tem
[00:43:38] uma voz política expressiva nesse momento
[00:43:40] porque são os shoguns.
[00:43:42] E os shoguns, que começam com
[00:43:44] o Ieyasu Tokugawa
[00:43:46] e seus sucessores, vão começar a perceber
[00:43:48] a presença desses estrangeiros
[00:43:50] como uma ameaça, até mesmo de lealdade.
[00:43:52] Então tem o massacre
[00:43:54] de Shimabara, que eles buscam
[00:43:56] os cristãos convertidos
[00:43:58] e expulsam todos os outros. A não ser
[00:44:00] os holandeses, que curiosamente
[00:44:02] os holandeses podem ficar em uma pequena
[00:44:04] ilha de fronte a Nagasaki, que é uma ilha
[00:44:06] de texima, por alguns meses do ano.
[00:44:08] Porque eles ajudaram
[00:44:10] as autoridades japonesas
[00:44:12] a denunciar quem era católico. Porque eles eram
[00:44:14] protestantes. Eles falavam assim, olha, não é
[00:44:16] a mesma coisa. Então eles ajudavam, inclusive,
[00:44:18] a perseguir os católicos perseguidos ali.
[00:44:20] Enfim. E aí entra
[00:44:22] um período de isolamento depois,
[00:44:24] quando o Decreto Sakuku,
[00:44:26] que é país fechado, a partir
[00:44:28] de 1620 e pouco, uma série de decretos,
[00:44:30] se isola o Japão. Então qualquer
[00:44:32] contato que o Japão tinha com
[00:44:34] potos coreanos, chinês,
[00:44:36] era muito tímido. Tinha que ter o endosso
[00:44:38] do Shogun. E fora, é praticamente
[00:44:40] estancado. Isso vai até
[00:44:42] mais ou menos a 1853,
[00:44:44] quando a esquadra do
[00:44:46] Commodore Perry, Matthew Perry,
[00:44:48] vem dos Estados Unidos com o endosso do presidente.
[00:44:50] Ele está a caminho da Costa
[00:44:53] Norte Chinês. Ele para
[00:44:55] na Baía de Edo, hoje é a Baía
[00:44:57] de Tóquio. E ele pede a abertura.
[00:44:59] E aí ele fala, olha, as autoridades
[00:45:01] do Shogunato naquele momento
[00:45:03] não se entendem. Aí ele fala, vou voltar o ano que vem
[00:45:05] e você se resolve. E
[00:45:07] aqueles navios negros do Perry,
[00:45:09] os japoneses, inclusive, têm desenhos
[00:45:11] deles, que são chamados Kurofuni, né?
[00:45:13] São os navios negros assim, são coisas
[00:45:15] como máquinas bestiais, assim,
[00:45:17] de infernais, né?
[00:45:19] E aí o Perry fala, olha,
[00:45:21] então vamos assinar o tratado de abertura.
[00:45:23] E aí resulta um tratado de Kanagawa,
[00:45:25] de 1854,
[00:45:27] que concede essa tratorreitorialidade
[00:45:29] a estrangeiros, ao que
[00:45:31] não somente americanos como também,
[00:45:33] pela nação mais privilegiada,
[00:45:35] você tem outros
[00:45:37] europeus que também ganham esses direitos.
[00:45:39] Isso vai gerar uma crise, que vai
[00:45:41] levantar
[00:45:43] a possibilidade de o fim do Shogunato,
[00:45:45] que foi acusado de fraco.
[00:45:47] E começou a vir um lema que era muito popular
[00:45:49] na época era Sonnojoi, que era
[00:45:51] reverenciar o imperador, expulsar os bárbaros.
[00:45:53] Mobilizou setores, principalmente
[00:45:55] meridionais, do aquipélago japonês,
[00:45:57] pedindo a restauração, que já aconteceu
[00:45:59] isso na história japonesa, mas a restauração
[00:46:01] que é a volta do imperador
[00:46:03] no meio político. Isso deu,
[00:46:05] porque o jovem imperador na época
[00:46:07] acendi o poder,
[00:46:09] depois de uma guerra civil, em 1868.
[00:46:11] E aí entra um período
[00:46:13] que é de profunda transformação
[00:46:15] e modernização do Japão.
[00:46:17] No sentido, ele não somente
[00:46:19] não foi colonizado, como também ele
[00:46:21] com a industrialização
[00:46:23] pesada, reformas
[00:46:25] militares, a centralização
[00:46:27] político.
[00:46:29] E através de vitórias em guerra,
[00:46:31] como a guerra contra os chineses em 1895,
[00:46:35] a guerra contra os russos em 1905,
[00:46:37] em que eles ganham dos russos na batalha de Jiu-Jitsu-Shima,
[00:46:39] a anexação
[00:46:41] da Coreia em 1910,
[00:46:43] e o sul da Manchúria a pouco depois,
[00:46:45] vai caracterizar o fato de que eles
[00:46:47] agora leram
[00:46:49] o imperialismo europeu.
[00:46:51] Agora nós vamos também fazer o mesmo.
[00:46:53] Então eles acabam praticando o imperialismo
[00:46:55] que vai ganhar monta
[00:46:57] no final do século 19
[00:46:59] e 20. Você já tem
[00:47:01] uma crise do que estava
[00:47:03] raizando uma democracia
[00:47:05] japonesa, depois
[00:47:07] do terremoto em 1923,
[00:47:09] a crise da bolsa
[00:47:11] de Nova Iorque em 1929. Isso tudo vai criar
[00:47:13] repercussões que vão
[00:47:15] gerar uma militarização cada vez maior
[00:47:17] da política japonesa,
[00:47:19] política exterior japonesa.
[00:47:21] Então eles vão para cima de expandir
[00:47:23] as esferas de controle
[00:47:25] na Manchúria para o restante da China
[00:47:27] e quando a entrada
[00:47:29] da Segunda Guerra Mundial, do lado europeu,
[00:47:31] eles vão para cima das colônias europeias.
[00:47:33] É uma maneira devastadora.
[00:47:35] É um avanço sul assim
[00:47:37] que é extraordinário. Eles pegam
[00:47:39] a mal-fortaleza britânica
[00:47:41] além das ilhas britânicas que querem se engapura
[00:47:43] e se tomam de maneira humilhante
[00:47:45] para o Império Britânico.
[00:47:47] Então nesse sentido eles acabam virando
[00:47:49] o Império e praticam o imperialismo
[00:47:51] depois.
[00:47:53] Aqui eu queria ir um pouco pro oeste
[00:47:55] para falar da região que a gente chama
[00:47:57] de Oriente Médio e as adjacências
[00:47:59] rumo à Ásia, para falar
[00:48:01] sobre as tentativas de
[00:48:03] inserção colonialista
[00:48:05] europeia. A gente tem um ator
[00:48:07] geopolítico de peso ali que era o Império Automano
[00:48:09] quando a gente pega o oeste
[00:48:11] da Ásia, mas especialmente
[00:48:13] os britânicos foram para cima de alguns territórios
[00:48:15] como foi o caso do Afeganistão, por exemplo.
[00:48:17] Então o que a gente pode falar sobre o colonialismo
[00:48:19] nessa região?
[00:48:21] Essa região, pela proximidade com
[00:48:23] a Europa, ela na verdade
[00:48:25] é até uma coisa meio
[00:48:27] bem peculiar porque
[00:48:29] o Império Automano, até
[00:48:31] o século XVIII, ele era
[00:48:33] um ator de peso
[00:48:35] no cenário
[00:48:37] diplomático-político da Europa em si.
[00:48:39] Ele chegou quase a ocupar a Viena,
[00:48:41] chegou a ocupar Budapest,
[00:48:43] regiões da Hungria, da
[00:48:45] Sérvia, então ele praticamente
[00:48:47] chegou a confrontar
[00:48:49] e colocar em risco o Império
[00:48:51] Austríco dos Habsburgos. Então era uma coisa
[00:48:53] que era premente, um
[00:48:55] domínio automano que era até
[00:48:57] bastante invejado
[00:48:59] pelos europeus no século XVII,
[00:49:01] mas que entra em um sistema
[00:49:03] de crises, economicamente,
[00:49:05] depois politicamente, focos
[00:49:07] de nacionalismo, de lutas,
[00:49:09] e que aí os europeus começam
[00:49:11] a apoiar, no caso dos gregos,
[00:49:13] ou no caso dos sérvios, e assim vai.
[00:49:15] No século XIX, você já tem praticamente
[00:49:17] uma fragmentação do que era
[00:49:19] o que é chamado Oriente Médio, que era boa parte
[00:49:21] controlada, no caso, pelos
[00:49:23] automanos, pelo menos a parte mais próxima.
[00:49:25] Eu não digo a parte mais do Império
[00:49:27] Kachar, da Dynastia Kachar, persa,
[00:49:29] porque ela tem uma peculiaridade além.
[00:49:31] Isso aqui a gente considera também isso
[00:49:33] como parte do Oriente Médio.
[00:49:35] Mas então o Império Automano
[00:49:37] já fragmentando,
[00:49:39] todo mundo já considerava
[00:49:41] as cortes europeias no
[00:49:43] meados do século XIX,
[00:49:45] já estavam entendendo que
[00:49:47] se não tiver o Império Automano, o que vai ser?
[00:49:49] Então o problema era o que seria
[00:49:51] da região sem o Império Automano.
[00:49:53] Então na verdade sobreviveu meio que na UTI.
[00:49:55] Mesmo porque os russos tinham
[00:49:57] interesse, e quase que ocuparam
[00:49:59] várias vezes, regiões estratégicas,
[00:50:01] até mesmo o Estambul, ao longo
[00:50:03] das guerras
[00:50:05] russo-turcas, no século XVIII.
[00:50:07] Então na verdade eles eram mantidos praticamente
[00:50:09] diante de uma
[00:50:11] proteção que os britânicos tinham, de não
[00:50:13] deixar os russos tomarem controle
[00:50:15] da saída do Mar Negro.
[00:50:17] Então, evidentemente,
[00:50:19] depois com o tempo, praticamente
[00:50:21] perdendo todos os territórios no
[00:50:23] continente europeu, no final do século
[00:50:25] XIX, havia a necessidade de
[00:50:27] você começar a equacionar quais são as
[00:50:29] feras que poderiam ficar
[00:50:31] no controle europeu do que estava no Império
[00:50:33] Automano. Então no Egito, por exemplo,
[00:50:35] já tinha, com
[00:50:37] o Ishmael, ele já tinha
[00:50:39] no início do século XIX, já tinha
[00:50:41] se desgarrado do Império Automano.
[00:50:43] Então já é uma fonte de receita enorme
[00:50:45] para os automanos, já foi
[00:50:47] perdido no século XIX. Inclusive, o
[00:50:49] próprio Ishmael, depois,
[00:50:51] ele consegue reconquistar
[00:50:53] o Rijasa, que é
[00:50:55] a parte mais sagrada dos muçulmanos,
[00:50:57] o Mecca Medina,
[00:50:59] ele mesmo, sem a participação dos
[00:51:01] automanos, então mostrou-se que já estava bastante
[00:51:03] enfraquecido o Império Automano.
[00:51:05] Mas ele acaba virando o que a gente chama
[00:51:07] Questão Oriental, depois do século XIX, era o que
[00:51:09] eles iriam fazer,
[00:51:11] as potências europeias poderiam fazer sobre esse território.
[00:51:13] E somente depois, com a entrada
[00:51:15] dos automanos, calculando que eles
[00:51:17] poderiam ganhar a maior
[00:51:19] sobrevida aliando-se aos alemães
[00:51:21] na Primeira Guerra, quando eles perdem,
[00:51:23] isso vira praticamente
[00:51:25] de acordo entre regiões
[00:51:27] que restam do Império Automano.
[00:51:29] Então, numa região mais ao norte,
[00:51:31] que é chamada antiga Mesopotâmia,
[00:51:33] você tem um controle
[00:51:35] mais francês,
[00:51:37] da Síria e do Líbano,
[00:51:39] e a parte mais sul ali,
[00:51:41] que é a Transjordânia,
[00:51:43] Palestina e Iraque,
[00:51:45] ficaria mais um controle britânico.
[00:51:47] Então, já estava desenhando
[00:51:49] isso, isso depois vai ser
[00:51:51] demarcado de maneira arbitrária
[00:51:53] nos acordos de
[00:51:55] Saïx Picot,
[00:51:57] sem respeitar qualquer
[00:51:59] identidade e localidade,
[00:52:01] que depois ainda mais o
[00:52:03] Balfour, ele chega,
[00:52:05] ele atende
[00:52:07] aos desejos de sionistas,
[00:52:09] uma sociedade sionista internacional,
[00:52:11] de dar o direito a uma
[00:52:13] terra para os judeus,
[00:52:15] os judeus sionistas que desejam
[00:52:17] estar ali na Palestina. Isso vai gerar também
[00:52:19] uma série de outros problemas.
[00:52:21] Tem o desmonte do Império
[00:52:23] Otomano, que vai ser a causa
[00:52:25] do que, como que os europeus vão se
[00:52:27] organizar. Então, tem coisas como
[00:52:29] por exemplo, a Argélia, que era lá no
[00:52:31] Mediterrâneo, fazia parte do Império Otomano,
[00:52:33] já tinha sido tomado o controle da
[00:52:35] Costa Angelina pelos franceses desde
[00:52:37] 1830. A Tunísia também foi arrancada
[00:52:39] dos otomanos,
[00:52:41] em 1881, e o Marrocos,
[00:52:43] depois de muito tempo e
[00:52:45] muitas rebeliões na região do
[00:52:47] Rife, com o Abdel-Kadir,
[00:52:49] lutava para ser
[00:52:51] um protetorado francês.
[00:52:53] E a Itália, no último momento,
[00:52:55] consegue arrancar a Líbia,
[00:52:57] porque os italianos já estavam
[00:52:59] num imperialismo nascente,
[00:53:01] queriam também a Tunísia, eles perderam em 1881,
[00:53:03] eles ficam conformados, mas eles conseguem arrancar
[00:53:05] a Líbia e depois a Eritréia.
[00:53:07] Então, na verdade, é um desmonte do
[00:53:09] Império Otomano que vai se dar.
[00:53:11] O caso do Afganistão,
[00:53:13] que você levantou, Iklis, é que
[00:53:15] ela entra num sistema
[00:53:17] de buscas de
[00:53:19] demarcação de influências
[00:53:21] entre os russos e os britânicos, porque os
[00:53:23] russos já estavam descendo pela Asa
[00:53:25] Central há algum tempo.
[00:53:27] E ali você
[00:53:29] via a possibilidade, talvez, de os
[00:53:31] russos estenderem a dominação, que já tinha
[00:53:33] alguma influência na dinastia
[00:53:35] peça dos cachás, e depois, via aí,
[00:53:37] era muito próximo de chegar para o Herat
[00:53:39] e a fronteira noroeste da Índia.
[00:53:41] Então, Afganistão acabou virando
[00:53:43] um palco de disputas de limite
[00:53:45] entre os britânicos e os russos no século
[00:53:47] XIX, que era chamado Grande Jugo.
[00:53:49] Isso resultou em algumas intervenções britânicas,
[00:53:51] a primeira é
[00:53:53] todas as desastrosas, mas a mais
[00:53:55] famosa delas, que foi de 1838
[00:53:57] a 1848, resultou
[00:53:59] na morte de
[00:54:01] representantes britânicos em Cabulo, inclusive
[00:54:03] quase que a totalidade dos britânicos
[00:54:05] no Afganistão. E aí, no final
[00:54:07] do desconto, só em 1919, você já tem
[00:54:09] a consolidação num acordo
[00:54:11] britânicos e russos de virar um estado
[00:54:13] tampão, não anexado diretamente
[00:54:15] pelos britânicos.
[00:54:17] Então, eu acho que é mais ou menos isso,
[00:54:19] esses interesses que vão
[00:54:21] se desenhando no Oriente Médio,
[00:54:23] as consequências são evidentes até
[00:54:25] os dias de hoje, mas ela
[00:54:27] acaba sendo um palco de disputas
[00:54:29] por áreas de influência
[00:54:31] depois da Primeira
[00:54:33] Guerra Mundial. E como é que foi o caso
[00:54:35] do sudeste asiático, onde hoje
[00:54:37] estão países como Vietnam,
[00:54:39] Tailândia, Laos, Camboja
[00:54:41] e por aí vai? Elas também são
[00:54:43] a lembrar aquelas primeiras expedições
[00:54:45] dos marítimas, dos portugueses
[00:54:47] holandeses, de buscarem recursos
[00:54:49] rentáveis no mercado
[00:54:51] internacional. Então, eles buscavam nos primeiros
[00:54:53] momentos, na fase inicial,
[00:54:55] o monopólio de especiarias,
[00:54:57] anose moscada,
[00:54:59] cravo da índia, canela, pimenta.
[00:55:01] E depois, no século XIX, vai ter uma demanda
[00:55:03] maior por matérias-primas, borracha,
[00:55:05] o estangue e o petróleo.
[00:55:07] E também mercados por produtos
[00:55:09] faturados, vindos da revolução
[00:55:11] industrial de países
[00:55:13] europeus. Os mais envolvidos
[00:55:15] nisso, nos interesses europeus,
[00:55:17] são primeiro a Gravetanha, vindos da Índia,
[00:55:19] que administrava a Birmania, conjuntamente
[00:55:21] ali com a Índia,
[00:55:23] que hoje é o Myanmar,
[00:55:25] que vai ser incorporado ao império
[00:55:27] britânico na Índia
[00:55:29] em 1876, depois de três
[00:55:31] longas guerras contra
[00:55:33] a última dinastia birmanesa.
[00:55:35] É a ocupação dos
[00:55:37] estreitos ao longo da península Maláia,
[00:55:39] que é chamado o Estado dos
[00:55:41] Estreitos, que é primeiro
[00:55:43] vindo de Penang e depois de Singapura.
[00:55:45] Então aí você controla aquela
[00:55:47] passagem de Malacca, que vem do Oceano
[00:55:49] Índico para depois o
[00:55:51] Mar da China Meridional. Você tinha um
[00:55:53] foco na exploração do arroz,
[00:55:55] a teca, borracha e estangue,
[00:55:57] e com isso também a migração
[00:55:59] de mão de obra chinesa e indiana
[00:56:01] para essas plantações, do que vai
[00:56:03] caracterizar já
[00:56:05] algumas dessas regiões até os dias de hoje,
[00:56:07] como Singapura. A França
[00:56:09] ela investe depois da derrota, principalmente
[00:56:11] depois da derrota franco-ruciana
[00:56:13] em 1870, 71,
[00:56:15] de alavancar a sua presença
[00:56:17] na Indochina Francesa, que acaba
[00:56:19] se concretizando depois de dominar
[00:56:21] da Conchichina, Anã,
[00:56:23] depois a anexação
[00:56:25] das terras lausianas
[00:56:27] e depois do Reino
[00:56:29] do Cambódia no final do século
[00:56:31] 19, e cria-se essa Indochina
[00:56:33] francesa. Também a explorar
[00:56:35] via monopólios impostos produtos
[00:56:37] como arroz,
[00:56:39] sal,
[00:56:41] chá, borracha,
[00:56:43] zinco, enfim. A Holanda
[00:56:45] ela vem mais pela Indonésia, que também
[00:56:47] tem um cultivo de especiarias. Na verdade
[00:56:49] depois do governador Dendels,
[00:56:51] ele institui o sistema
[00:56:53] do cultus tessal,
[00:56:55] que é o sistema
[00:56:57] de cultivo, de culturas,
[00:56:59] em que ele tentou
[00:57:01] padronizar, maximizar
[00:57:03] a plantação de monopólios,
[00:57:05] de monoculturas para o mercado
[00:57:07] internacional.
[00:57:09] Principalmente aí, depois
[00:57:11] além do arroz e madeira, vai ter
[00:57:13] estanho, petróleo e borracha.
[00:57:15] E no caso das panhas
[00:57:17] filipinas, que tem uma mão
[00:57:19] pesada da Igreja Católica,
[00:57:21] baseado, intermediado,
[00:57:23] para os galeões, exportações agrícolas,
[00:57:25] e uma pesada mão latifundiária
[00:57:27] de você tentar
[00:57:29] montar coisas em detrimento dos pequenos
[00:57:31] camponeses. O que cabe
[00:57:33] a fazer a exceção aí, é o que era
[00:57:35] antes chamado o
[00:57:37] Sion, que é a Tailândia, que ela não chegou a ser
[00:57:39] propriamente colonizada. Ela acabou
[00:57:41] servindo como estado de tampão entre os franceses e britânicos,
[00:57:43] mas muito também por conta
[00:57:45] dos reis Moncourt
[00:57:47] e Tchulalongkorn, no século
[00:57:49] XIX, que eles usaram
[00:57:51] uma espécie de aproximação
[00:57:53] de maior abertura com
[00:57:55] os britânicos e os franceses. Então ali não chegou
[00:57:57] realmente a uma colônia
[00:57:59] no âmbito do imperialismo
[00:58:01] franco-britânico ali,
[00:58:03] no sudeste asiático. Até aqui
[00:58:05] a gente falou muito sobre o que os europeus
[00:58:07] fizeram na Ásia, mas aí eu
[00:58:09] pergunto, o que é que os asiáticos
[00:58:11] pensavam disso? E eu sei que falando
[00:58:13] asiáticos, genericamente, eu estou homogenizando
[00:58:15] bilhões de pessoas,
[00:58:17] então eu queria saber de alguns casos mais
[00:58:19] específicos, pelo menos Japão,
[00:58:21] China, Índia, esses casos mais emblemáticos.
[00:58:23] O que é que dá pra falar sobre reações
[00:58:25] na Ásia, talvez
[00:58:27] escritos de intelectuais locais da
[00:58:29] época, reações, enfim?
[00:58:31] É, eu acho que
[00:58:33] essa…
[00:58:35] Então num primeiro momento a gente estava falando
[00:58:37] questões conceituais, aí depois a gente fala como é que
[00:58:39] se deu o processo
[00:58:41] hegemônico europeu, e agora a gente
[00:58:43] está vindo pela resistência, pelas reações,
[00:58:45] né? E eu acho que essa parte é
[00:58:47] muito mais interessante, que está vindo
[00:58:49] mais à tona com os estudos
[00:58:51] pós-coloniais, os estudos subalternos,
[00:58:53] em que aponta que
[00:58:55] o processo de
[00:58:57] independência, de
[00:58:59] luta, ela se deu de maneira
[00:59:01] sustentada e coordenada por muitos,
[00:59:03] não em forma de heróis,
[00:59:05] de personalidades, mas existiam
[00:59:07] correntes de
[00:59:09] pensamentos, de tentativas
[00:59:11] políticas que foram levadas a cabo, muitas
[00:59:13] vezes, por meio de luta
[00:59:15] para as pessoas terem conseguido.
[00:59:17] Então, por exemplo, o caso mais
[00:59:19] nítido que se sobressai
[00:59:21] é o caso do Japão. O caso do Japão, na verdade,
[00:59:23] ele sentiu uma ameaça de uma
[00:59:25] imposição de tratar desigual, catalisou
[00:59:27] uma profunda crise, diante
[00:59:29] uma ameaça maior, iminente,
[00:59:31] percebendo o que estava acontecendo já na
[00:59:33] China ao longo do meado do século
[00:59:35] XIX. Então a reação deles
[00:59:37] foi uma, através
[00:59:39] da Estada São Meiji, um processo
[00:59:41] brutal de
[00:59:43] reforma do seu sistema
[00:59:45] manufatureiro, vindos de interesses
[00:59:47] de empresários mais jovens
[00:59:49] das regiões meridionais do
[00:59:51] Akipego, para tentar abrir mais
[00:59:53] o mercado e ao mesmo tempo fortalecer a
[00:59:55] economia japonesa para
[00:59:57] ela ter uma presença maior
[00:59:59] econômica
[01:00:01] comercialmente e até militarmente,
[01:00:03] posteriormente, no leste asiático.
[01:00:05] Era até um lema
[01:00:07] do objetivo deles, que era chamado
[01:00:09] enriquecer o país e fortalecer as forças armadas.
[01:00:11] Fukoko Kyohei, eles falavam.
[01:00:13] Então o Japão, ele teve
[01:00:15] um papel da resistência,
[01:00:17] absorver a
[01:00:19] tecne, a produção
[01:00:21] ocidental, se transformando numa
[01:00:23] potência industrial militar,
[01:00:25] mas ao mesmo tempo, isso vai
[01:00:27] provocar uma reação
[01:00:29] conservadora de buscar
[01:00:31] ideologicamente a unicidade do
[01:00:33] Japão frente aos outros países
[01:00:35] asiáticos. E vai ganhar
[01:00:37] áreas cada vez mais expansionistas nisso.
[01:00:39] No caso do Japão, isso é bastante típico.
[01:00:41] Na China houve uma crise grande
[01:00:43] depois da revolta
[01:00:45] das roças. Você teve a última
[01:00:47] grande voz
[01:00:49] da dinastia Qing, que foi a
[01:00:51] Imperatriz Xi, a Imperatriz
[01:00:53] Viúva, que ela tentou abolir, ela foi
[01:00:55] abolindo uma série de coisas, como os
[01:00:57] exames imperiais, que eram baseados
[01:00:59] nos clássicos confessionistas, foi
[01:01:01] decretado o fim.
[01:01:03] Envio de muitos estudantes para as
[01:01:05] universidades na Europa, nos Estados Unidos.
[01:01:07] Estudos de constituição,
[01:01:09] assim como foi feito dos
[01:01:11] japoneses na época Meiji,
[01:01:13] muitos foram estudar constituições
[01:01:15] europeias, como que poderia ser reformado
[01:01:17] na China. Isso acabou não
[01:01:19] indo por resistência a muitos conservadores
[01:01:21] no Conselho de Estado
[01:01:23] na China. Como que eles
[01:01:25] faziam as indústrias, eles tentaram isso
[01:01:27] na senha, dias de reforma
[01:01:29] que foi idealizado por
[01:01:31] Kang Yu Fei.
[01:01:33] Você também teve o Li Qinqiao, que
[01:01:35] propôs uma série de reformas, aprendendo
[01:01:37] muito com os japoneses no primeiro momento, eles
[01:01:39] tentaram isso, mas isso não foi adiante.
[01:01:41] Ideias e líderes não faltaram.
[01:01:43] O Li Qinqiao, por exemplo,
[01:01:45] depois teve as
[01:01:47] manifestações de
[01:01:49] mar de 1911, que foram
[01:01:51] profícuas, foram
[01:01:53] seminais para
[01:01:55] tentativa de pensar o que seria
[01:01:57] na Nova China. Entendendo
[01:01:59] que existiam enclaves
[01:02:01] extraterritoriais em
[01:02:03] Xangai, em outras cidades portuárias,
[01:02:05] que eram uma milhação para os
[01:02:07] chineses. Alguns pensaram que poderia ser uma
[01:02:09] república. Muitos deles estudaram na França,
[01:02:11] trouxeram de volta as ideias
[01:02:13] do republicanismo,
[01:02:15] da revolução francesa. Eles já tinham
[01:02:17] ideias deles, mas eles também combinavam
[01:02:19] com essas ideias que eles aprenderam no exterior.
[01:02:21] Outros observaram, e foi
[01:02:23] o grande alento para uma busca
[01:02:25] de luta de reformas,
[01:02:27] uma Nova China, depois da queda da
[01:02:29] dynastia
[01:02:30] Tian em 1911,
[01:02:32] que foram manifestadas
[01:02:34] nas revoltas de 1919, não 1911,
[01:02:36] quando cai a
[01:02:38] Tian. Alguns ficam
[01:02:40] inspirados pelo que aconteceu na
[01:02:42] Rússia em 1917.
[01:02:44] Eles também
[01:02:46] pensaram como fazer um caminho
[01:02:48] do comunismo chinês.
[01:02:50] No primeiro momento nasce tímido
[01:02:52] em Xangai.
[01:02:54] Sofre uma repressão grande do general
[01:02:56] Chiang Kai-shek, que decide
[01:02:58] expulsar os comunistas da sua
[01:03:00] frente unida que tinha buscado
[01:03:02] com o Partido Nacionalista. Depois
[01:03:04] é o nascimento de um comunismo chinês
[01:03:06] no interior de Hunan,
[01:03:08] de Tianxi, sobre
[01:03:10] Mao Zedong. Então esse era um esforço
[01:03:12] também de buscar uma Nova China,
[01:03:14] de buscar um caminho que não fosse
[01:03:16] aliado à Moscou,
[01:03:18] mas um caminho próprio
[01:03:20] pós-China. E isso tudo faz parte
[01:03:22] da busca de uma orientação
[01:03:24] e um caminho próprio, pós-colonial,
[01:03:26] pós-período imperialista
[01:03:28] europeu. Então é também
[01:03:30] essa que faz parte das reações.
[01:03:32] E teve também outros.
[01:03:34] Na Índia você teve vários outros. Você teve
[01:03:36] anarquistas
[01:03:38] indianos que tentaram
[01:03:40] lutar para a independência
[01:03:42] da Índia e
[01:03:44] maior liberdade de
[01:03:46] ter voz na Índia
[01:03:48] sob controle britânico. Você tem
[01:03:50] Savarkar.
[01:03:52] Savarkar, por exemplo, foi um líder
[01:03:54] que lutou em Londres,
[01:03:56] tinha intelectuais indianos que buscaram
[01:03:58] em Londres, depois foram perseguidos,
[01:04:00] teve que mudar vários lugares no mundo.
[01:04:02] Daria
[01:04:04] Lal.
[01:04:06] Você tem até
[01:04:08] outros líderes que vão vir
[01:04:10] para depois eles vão compor a liderança
[01:04:12] inventiva
[01:04:14] de uma nova Índia. Uns
[01:04:16] buscavam a luta pela explosão de
[01:04:18] bombas. O Lord
[01:04:20] Harding mesmo, que foi o vice rei
[01:04:22] britânico na Índia, ele sofreu um atentado
[01:04:24] quando vai chegar
[01:04:26] na sua
[01:04:28] cerimônia de posto de vice rei.
[01:04:30] Sofreu um atentado em Delhi.
[01:04:32] Delhi já era a nova capital que tinha saído
[01:04:34] de Cálcuta. Então tudo isso
[01:04:36] faz um aumento de busca. Agora
[01:04:38] essa é a primeira geração
[01:04:40] dos indianos, que depois
[01:04:42] vai vir a segunda geração, que vai
[01:04:44] ter um impacto muito maior,
[01:04:46] muito mais massivo além da elite
[01:04:48] indiana. Aí vai vir
[01:04:50] figuras como
[01:04:52] Mohandas Gandhi,
[01:04:54] Bose, Nehru,
[01:04:56] que chegam num momento da Segunda Guerra
[01:04:58] Mundial em que eles já não querem
[01:05:00] rejeito qualquer participação
[01:05:02] e colaboração da Índia
[01:05:04] com os britânicos da Segunda Guerra.
[01:05:06] Gandhi já estava advogando,
[01:05:08] inspirados num movimento suadeste
[01:05:10] que tinha nascido em Bengala,
[01:05:12] no início do século XX,
[01:05:14] de buscar uma autossuficiência
[01:05:16] própria indiana
[01:05:18] frente aos britânicos. E ele propõe
[01:05:20] enquanto estava
[01:05:22] inclusive na colônia do Cabo, ele era
[01:05:24] advogado nos
[01:05:26] receitos da Judicição Britânica
[01:05:28] e ele escreve até um livro, pequeno, um livro
[01:05:30] que até indico a todos, que se chama Hind Swaraj.
[01:05:32] Ele propõe
[01:05:34] um livro de
[01:05:36] política e de ética,
[01:05:38] para uma busca própria indiana. E ele bebe
[01:05:40] das raízes indianas, mas ele mistura também
[01:05:42] conceitos que ele vai aprendendo pelo
[01:05:44] Império Britânico. É um livro muito interessante.
[01:05:46] Mas o fato que ele tem um movimento
[01:05:48] dele de você também ter a desobediência
[01:05:50] civil e não violenta, do Satyagraha,
[01:05:52] isso vai ter um impacto maior
[01:05:54] em indianos. Vai sair
[01:05:56] de uma esfera de elite
[01:05:58] e começa a ter impacto
[01:06:00] mais nas massas indianas,
[01:06:02] de busca de uma luta
[01:06:04] frente ao domínio
[01:06:06] britânico. E depois da derrota da
[01:06:08] Segunda Guerra Mundial, os britânicos se retiram
[01:06:10] de maneira completamente covarde,
[01:06:12] deixam
[01:06:14] muçulmanos e
[01:06:16] hindus, indianos,
[01:06:18] a se organizarem,
[01:06:20] que vai resultar numa partição. Milhões
[01:06:22] vão se
[01:06:24] mudar de local, de território
[01:06:26] que vai constituir
[01:06:28] o Paquistão e a Índia atual.
[01:06:30] Coisas que ainda não é nem resolvidas depois
[01:06:32] como a Caximira. Teve a Paquistão Oriental
[01:06:34] depois teve uma guerra que lutou
[01:06:36] para sair do domínio do Paquistão
[01:06:38] Ocidental em
[01:06:40] 171. Mas o que eu acho que
[01:06:42] nesse caso aí o Caminhar foi muito
[01:06:44] mais árduo, muito
[01:06:46] cheio de lideranças
[01:06:48] e ideias, e que no final das contas
[01:06:50] vocês acabaram conseguindo isso.
[01:06:52] E inspirou muitos movimentos de independência
[01:06:54] depois no sul
[01:06:56] asiático. Principalmente
[01:06:58] com a figura do Jawaharlal Nehru
[01:07:00] que ele é um estadista
[01:07:02] que é bastante conciliador.
[01:07:04] Ele consegue
[01:07:06] consolidar uma democracia laica
[01:07:08] na Índia.
[01:07:10] Devemos lembrar que a maior democracia
[01:07:12] do mundo hoje é a democracia
[01:07:14] indiana, que não tiveram nenhum golpe
[01:07:16] militar, interrompido
[01:07:18] desde sua independência até os dias de hoje.
[01:07:24] Antes dos Jogos Olímpicos de 2020
[01:07:26] disputados em Tóquio, o governo da
[01:07:28] Coreia do Sul solicitou aos organizadores
[01:07:30] que a chamada Bandeira do Sol Nascente
[01:07:32] japonesa não fosse exibida
[01:07:34] no contexto dos jogos, baseado
[01:07:36] no argumento de que essa bandeira está
[01:07:38] relacionada com o imperialismo japonês
[01:07:40] e as atrocidades cometidas pelo
[01:07:42] Japão na Península da Coreia
[01:07:44] e na China.
[01:07:48] E no caso
[01:07:50] dos territórios do Oriente Médio
[01:07:52] que nós falamos anteriormente?
[01:07:54] No caso do Oriente Médio
[01:07:56] você tem uma pletora de territórios
[01:07:58] que vão
[01:08:00] também lutar contra
[01:08:02] uma vida
[01:08:04] pós-otomana, né?
[01:08:06] É dali que nasce o nacionalismo árabe,
[01:08:08] o pan-arabismo, que busca unir
[01:08:10] os indígenas,
[01:08:12] os indígenas,
[01:08:14] os indígenas, os indígenas,
[01:08:16] o pan-arabismo, que busca unir
[01:08:18] os povos árabes e
[01:08:20] buscar a independência do domínio
[01:08:22] estrangeiro. Teve revoltas árabes
[01:08:24] que foram lideradas
[01:08:26] pelo xerife de Meca,
[01:08:28] o Hussein, e seu filho Faisal,
[01:08:30] com apoio britânico em 1916 e 1918
[01:08:32] quanto o império otomano
[01:08:34] na época. Faisal I, ele
[01:08:36] acaba ser nomeado primeiro rei do Iraque,
[01:08:38] que é um dos líderes da revolta árabe.
[01:08:40] Haverá também o movimento do
[01:08:42] nacionalismo sírio-libanês, que vão
[01:08:44] contra o mandato francês.
[01:08:46] Haverá as revoltas na Palestina,
[01:08:48] muito contra
[01:08:50] a imigração judaica
[01:08:52] que atende o mandato
[01:08:54] britânico. E aí, nesse caso
[01:08:56] também, você tem o desenvolvimento de
[01:08:58] movimentos sionistas que lutam para
[01:09:00] a criação de um estado judeu.
[01:09:02] Você tem o Parti du Waft,
[01:09:04] no Egito, sobre Saad Zaghloul,
[01:09:06] que é uma figura proeminente
[01:09:08] nacionalista egípcia que busca
[01:09:10] lutar pela independência maior
[01:09:12] do Egito frente ao Reino Unido,
[01:09:14] principalmente o controle que eles têm
[01:09:16] desde 1922, o canal
[01:09:18] de Suez. E é claro que a gente não
[01:09:20] pode deixar de mencionar
[01:09:22] o Gabal Abdel Nasser,
[01:09:24] que liderou a
[01:09:26] revolução egípcia em 1952.
[01:09:28] É dado o fim da monarquia
[01:09:30] egípcia daquela época
[01:09:32] e ele nacionaliza o canal
[01:09:34] de Suez em 1956.
[01:09:36] Então ele acaba consolidando
[01:09:38] a independência egípcia e ele vira o
[01:09:40] líder do nacionalismo árabe até esse
[01:09:42] momento. Então as lutas
[01:09:44] ali são extensas,
[01:09:46] muito em torno das
[01:09:48] independências nacionais
[01:09:50] contra o
[01:09:52] sistema de mandatos britânicos
[01:09:54] e franceses e muito também inspirados
[01:09:56] também na luta contra
[01:09:58] os judeus
[01:10:00] na Palestina e sob
[01:10:02] o comando também muito dos
[01:10:04] líderes árabes sobre o Nasser,
[01:10:06] depois da crise de Suez de
[01:10:08] 1956. E no caso do sudeste
[01:10:10] asiático? O caso
[01:10:12] do sudeste asiático é bastante interessante
[01:10:14] porque ele teve líderes que
[01:10:16] comutasse Malacca
[01:10:18] da Indonésia.
[01:10:20] Além do
[01:10:22] do lendário
[01:10:24] Ho Chi Minh,
[01:10:26] do Partido Comunista Vietnã, que
[01:10:28] viajou tantos países, ele lutou
[01:10:30] para a independência
[01:10:32] nos tratados de paz de
[01:10:34] Versailles de 1919. Ele vai pra
[01:10:36] Pocô, depois ele vai na China
[01:10:38] e ele inspira um movimento maior do Vietnã
[01:10:40] para tentar buscar lutar
[01:10:42] para a independência da Indochina
[01:10:44] francesa, do Vietnã.
[01:10:46] No caso, no primeiro momento lutou contra os
[01:10:48] franceses e depois contra os americanos. Foi uma
[01:10:50] guerra longuíssima que só termina em
[01:10:52] 1975. Mas no caso
[01:10:54] da Indonésia,
[01:10:56] que eu disse pra vocês
[01:10:58] do Malacca, ele era um líder
[01:11:00] comunista, ele vai ser um líder
[01:11:02] que vai fundar junto com
[01:11:04] os islâmicos,
[01:11:06] ele vai praticamente dar as bases
[01:11:08] do nascimento de um partido nacionalista
[01:11:10] que mescla o
[01:11:12] comunismo com o islã. É uma coisa muito
[01:11:14] interessante, tanto que depois o PKI,
[01:11:16] o Partido Comunista Indonésio,
[01:11:18] eles tornam os maiores partidos comunistas na Ásia
[01:11:20] depois da independência
[01:11:22] nos anos 50 e 60.
[01:11:24] E o primeiro líder indonésio é o
[01:11:26] Sukarno, que vai se tornar o primeiro presidente.
[01:11:28] Ele liderou uma guerra
[01:11:30] obstinada
[01:11:32] contra os holandeses, que não queriam
[01:11:34] depois da Segunda Guerra Mundial desistir da
[01:11:36] Indonésia. As Nações Unidas
[01:11:38] tiveram que entrar com sanções
[01:11:40] contra a Holanda, contra os países baixos,
[01:11:42] melhor dizendo, até mesmo os Estados Unidos
[01:11:44] falaram, olha, vocês vão ter que negociar
[01:11:46] uma independência pra Indonésia. Então aí
[01:11:48] no caso depois acabou
[01:11:50] resultando. O que tragicamente depois resulta
[01:11:52] no fortalecimento
[01:11:54] dos militares
[01:11:56] que começam a ganhar apoio americano
[01:11:58] no contexto já nos anos 60
[01:12:00] do século passado, e eles começam a perseguir
[01:12:02] qualquer simpatizante membro
[01:12:04] do PKI na Indonésia.
[01:12:06] Em 1965 aconteceu uma perseguição
[01:12:08] de membros do Partido Comunista
[01:12:10] Indonésio, que além do derrubado
[01:12:12] de Sukarno e acende o
[01:12:14] Surrarto, um general que era mais
[01:12:16] ligado aos interesses americanos,
[01:12:18] resulta numa perseguição de quase
[01:12:20] meio milhão de indonésios.
[01:12:22] Foi uma das maiores tragédias da Guerra
[01:12:24] Fria que aconteceu, que eles perseguiram
[01:12:26] contra os comunistas indonésios.
[01:12:28] Nas Filipinas teve a
[01:12:30] figura, que eu considero
[01:12:32] pessoalmente uma grande inspiração, que vai
[01:12:34] ser o José Rizal
[01:12:36] que escreve o
[01:12:38] Fili Busteiro, que ele denuncia
[01:12:40] a violência da exploração
[01:12:42] espanhola, depois americana
[01:12:44] sobre os Filipinos, que vai
[01:12:46] inspirar outros líderes políticos, como Emilio
[01:12:48] Aguinaldo, que vai ser o grande
[01:12:50] líder filipino que luta contra a Espanha
[01:12:52] depois dos Estados Unidos.
[01:12:54] Os Estados Unidos derrotam a Espanha
[01:12:56] na guerra pelas Filipinas
[01:12:58] B898 e tratam e tomam ela
[01:13:00] como uma posse colonial.
[01:13:02] Você tem líderes como a
[01:13:04] Numi Amal Olsung, que vai ser
[01:13:06] um líder estudantil que depois
[01:13:08] cataliza como uma figura
[01:13:10] em conteste da luta da independência
[01:13:12] da Birmania, o que
[01:13:14] depois ele vai ser retirado do poder,
[01:13:16] ele vai ser morto, e até hoje
[01:13:18] a Myanmar tem problemas
[01:13:20] da presença dos militares,
[01:13:22] que praticamente ofuscam a
[01:13:24] a vida política birmanesa.
[01:13:26] Entre outros, você tem
[01:13:28] o lendário Lee Kuan Yew
[01:13:30] de Singapura, primeiro
[01:13:32] ministro da Singapura,
[01:13:34] que ele, Singapura quando é expulso
[01:13:36] da Malásia em 1965,
[01:13:38] tem uma famosa entrevista
[01:13:40] do Lee Kuan Yew, que ele chora
[01:13:42] na televisão, ele fala assim, como que
[01:13:44] uma pequena ponta da península
[01:13:46] Maláia, que era um mangue
[01:13:48] até as reformas do Raffles
[01:13:50] no início do século XIX, como é que ela
[01:13:52] vai sobreviver, e que
[01:13:54] curiosamente hoje, o PIB
[01:13:56] de Singapura, ela é maior do que da
[01:13:58] Malásia, de tanto que tão
[01:14:00] rápido desenvolvimento inconsistente
[01:14:02] que vê com as reformas de Lee Kuan Yew.
[01:14:04] Então, cada um tem uma trajetória
[01:14:06] própria no sudeste
[01:14:08] asiático nesse processo de
[01:14:10] independência. No caso
[01:14:12] indiano, nós chegamos a falar
[01:14:14] um pouco disso no episódio sobre o
[01:14:16] rádio britânico, mas pra não obrigar
[01:14:18] o pessoal a ouvir o outro episódio pra
[01:14:20] ver, eu queria te perguntar
[01:14:22] se você poderia se interessar pra gente como foi
[01:14:24] isso na Índia. No caso da Índia,
[01:14:26] você teve personagens
[01:14:28] e movimentos de resistência que foram
[01:14:30] todos inspirados, muito
[01:14:32] pelaquela revolta de 1857,
[01:14:34] que foi um levante
[01:14:36] maior dos indianos
[01:14:38] contra a dominação britânica, tanto que teve reformas
[01:14:40] depois administrativas da hegemonia
[01:14:42] britânica, fim da companhia
[01:14:44] britânica, e o início do rádio,
[01:14:46] propriamente disso. Resultou uma escala
[01:14:48] que assustou os britânicos,
[01:14:50] o fim
[01:14:52] do controle
[01:14:54] desmensurado da companhia britânica das
[01:14:56] indias orientais e o início do rádio britânico.
[01:14:58] Nos esteios dessa
[01:15:00] reforma, foi permitido a entrar
[01:15:02] concursos públicos que
[01:15:04] seriam realizados nas ilhas britânicas
[01:15:06] para funcionários
[01:15:08] administrarem o rádio britânico.
[01:15:10] Alguns desses membros
[01:15:12] da elite indiana,
[01:15:14] tinham dinheiro, poderiam ir lá para as ilhas britânicas
[01:15:16] e se passaram nesse concurso.
[01:15:18] Enfim,
[01:15:20] nisso aí começa a nascer um embrião
[01:15:22] consertado
[01:15:24] de pensadores, de intelectuais,
[01:15:26] de filósofos, advogados,
[01:15:28] que depois eles se juntam num partido
[01:15:30] que é chamado o Congresso Nacional Indiano,
[01:15:32] fundado em 1885,
[01:15:34] que se torna um principal porta-voz
[01:15:36] para a luta pela independência.
[01:15:38] Por exemplo,
[01:15:40] depois Gandhi entra, uma figura
[01:15:42] mais icônica, lutando
[01:15:44] com base na filosofia do Satyagraha,
[01:15:46] o Nehru faz parte e é o primeiro
[01:15:48] primeiro ministro da Índia,
[01:15:50] que foi
[01:15:52] líder muito tempo do Congresso Nacional
[01:15:54] Indiano. O Alidina,
[01:15:56] Mohammed Alidina, que não fez parte, mas ele fundou a
[01:15:58] Liga muçulmana, que é aquele que defendeu
[01:16:00] a criação de um estado separado
[01:16:02] pelos muçulmanos ou paquistão,
[01:16:04] e o Subhash Chandra Bose,
[01:16:06] que é um outro líder nacionalista que vai buscar,
[01:16:08] busca até independência por meios até mais
[01:16:10] radicais, inclusive buscando alianças com
[01:16:12] as potências do eixo da Segunda Guerra Mundial.
[01:16:14] Mas tem outros, você teve
[01:16:16] líderes como
[01:16:18] o Tical,
[01:16:20] que é uma figura fundadora do
[01:16:22] Congresso Nacional Indiano,
[01:16:24] você tem o Loi,
[01:16:26] que foi um revolucionário comunista
[01:16:28] e teórico-político indiano,
[01:16:30] que ajudou inclusive a fundar o Partido
[01:16:32] Comunista Mexicano e se
[01:16:34] envolveu na Comintern, teve contato
[01:16:36] com Lenin e Stalin,
[01:16:38] que foi um dos principais meios para tentar
[01:16:40] avancar a ascensão do Partido Comunista
[01:16:42] na Índia. Tem um outro também,
[01:16:44] que era um anarquista,
[01:16:46] que era Urash Berhari Bose,
[01:16:48] que vai ser um…
[01:16:50] muito tempo viu no Japão,
[01:16:52] ainda no período que estava ainda uma relativa abertura,
[01:16:54] e participou
[01:16:56] no atentado
[01:16:58] contra o vice-indiano Lord Harding,
[01:17:00] em 1912. Ele também vai
[01:17:02] organizar a saída de resistências
[01:17:04] indianas a partir do exterior,
[01:17:06] entre outros, tanto os outros que lutaram
[01:17:08] na Índia, porque
[01:17:10] afinal das contas, a Índia consegue,
[01:17:12] principalmente depois da rebelião,
[01:17:14] grande rebelião de 1857,
[01:17:16] se avolumar
[01:17:18] nas suas críticas e
[01:17:20] ataques contra a dominação
[01:17:22] britânica, principalmente
[01:17:24] depois da Primeira Guerra Mundial,
[01:17:26] teve um massacre numa praça em Amritsa,
[01:17:28] no Pondiado, em que tropas britânicas
[01:17:30] abriram fogo contra protestantes
[01:17:32] civis e indianos desarmados.
[01:17:34] Isso gerou
[01:17:36] períodos de intensas campanhas
[01:17:38] de desobediência,
[01:17:40] como a Marcha do Sal de 1930,
[01:17:42] o movimento Queindia de 1942.
[01:17:44] No final das contas,
[01:17:46] depois da saída dos britânicos da Segunda Guerra,
[01:17:48] você teve o processo quase que
[01:17:50] o lobby mal batem e chega assim,
[01:17:52] olha, o quanto antes a gente vai
[01:17:54] se retirar, chama
[01:17:56] um advogado que nunca pisou em solo
[01:17:58] indiano, o Radcliffe, ele desenha
[01:18:00] uma linha e fala assim, a partida aqui
[01:18:02] será, essa parte da partição
[01:18:04] será do lado ocidental
[01:18:06] a maioria muçulmano, do lado de
[01:18:08] cá vai ser a
[01:18:10] índia. Também tem o resultante
[01:18:12] da partição de Bengala,
[01:18:14] que vai virar paquistão oriental e
[01:18:16] ocidental. E sim é tiro.
[01:18:18] Então aí nasce
[01:18:20] nos escombros do imperialismo
[01:18:22] britânico,
[01:18:24] a incompetência deles, eles deixam
[01:18:26] praticamente dois países
[01:18:28] fraturados, mal
[01:18:30] resolvidos. Em comparação,
[01:18:32] eu acho que a índia, ela consegue
[01:18:34] ainda constituir uma república laica
[01:18:36] sem
[01:18:38] interferências políticas
[01:18:40] como foi no caso dos paquistanos militares
[01:18:42] e consegue se conservar numa
[01:18:44] união republicana
[01:18:46] de povos que tem várias
[01:18:48] línguas oficiais, várias
[01:18:50] religiões e crenças e mesmo se eles conseguiam
[01:18:52] se manter unidos.
[01:18:54] Não somente o Nehru como o Patel,
[01:18:56] ele conseguiu
[01:18:58] negociar com cada
[01:19:00] um dos estados
[01:19:02] principescos a
[01:19:04] adesão à união indiana
[01:19:06] no nascimento e eles conseguiram isso de
[01:19:08] maneira exemplar. Houve alguma outra
[01:19:10] resistência como do Haideyra
[01:19:12] mas isso foi contornado.
[01:19:14] O caso que ainda está
[01:19:16] mais complicado aí
[01:19:18] é o Nogórdio, é o
[01:19:20] a Caximira. Por quê? Porque teve
[01:19:22] o Marajá na época, hindu, que
[01:19:24] governava sua população
[01:19:26] de maioria muçulmana
[01:19:28] e ele depois
[01:19:30] esse Marajá não odiava
[01:19:32] Nehru e Nehru era um Caximirese
[01:19:34] e no final de contas esse Marajá
[01:19:36] ele decide aderir à
[01:19:38] Índia, só que o paquistan questiona
[01:19:40] ele fala assim, não, mas a maioria muçulmana
[01:19:42] e aí você tem esse imbroglio
[01:19:44] até hoje não resolvido.
[01:19:46] Para terminar, eu queria te perguntar
[01:19:48] sobre o legado do
[01:19:50] colonialismo europeu na história da Ásia.
[01:19:52] Dá pra dizer que o impacto
[01:19:54] perdura até hoje? Acredito eu
[01:19:56] que a gente possa dizer que ele perdure de maneiras
[01:19:58] desiguais, dependendo de qual região,
[01:20:00] mas enfim, é que a gente pode falar sobre o legado.
[01:20:02] Olha, o legado
[01:20:04] ele é, no caso
[01:20:06] teve situações que não foram
[01:20:08] resolvidas, na verdade eles foram amplificadas
[01:20:10] pela interferência
[01:20:12] a atender os interesses europeus
[01:20:14] dependendo da região, na Ásia.
[01:20:16] No caso da Índia
[01:20:18] já pegando o
[01:20:20] proveito do último argumento
[01:20:22] você teve
[01:20:24] uma sistematização identitária das pessoas
[01:20:26] falaram se a pessoa era
[01:20:28] muçulmana ou não e aí eles começaram a codificar
[01:20:30] leis e tribunais
[01:20:32] de acordo para julgar
[01:20:34] casos de pessoas muçulmanas ou não muçulmanas
[01:20:36] que eles reuniram tudo no chamado
[01:20:38] Indus, os britânicos.
[01:20:40] Isso gerou depois, com o tempo
[01:20:42] uma identificação
[01:20:44] de povos indianos
[01:20:46] que começaram a habitar um para cada lado
[01:20:48] em caso de temor
[01:20:50] exacerbado,
[01:20:52] implementado por lideranças políticas
[01:20:54] como o Alidina.
[01:20:56] Os britânicos, no sentido de tentar
[01:20:58] ainda prolongar e
[01:21:00] desunir o processo de independência
[01:21:02] indiana, muito tempo favoreceram os muçulmanos
[01:21:04] na Índia. Então eles sempre
[01:21:06] trataram, com muito mais brandura,
[01:21:08] os requisitos e as demandas
[01:21:10] do Alidina, o líder
[01:21:12] da liga muçulmana. Então isso
[01:21:14] já deixa um legado fraturado
[01:21:16] na Índia. Uma coisa que até
[01:21:18] hoje tem uma fratura, estão em
[01:21:20] momentos de tensão, não resolvidos
[01:21:22] nos negócios da Caximira.
[01:21:24] E para assim vai. No caso
[01:21:26] da Indochina Francesa
[01:21:28] os franceses simplesmente
[01:21:30] não queriam admitir a derrota
[01:21:32] que eles sofreram em
[01:21:34] Dien Bien Phu,
[01:21:36] na chamada Primeira Guerra
[01:21:38] da Indochina contra os franceses, e eles foram
[01:21:40] derrotados
[01:21:42] pelo vietmin.
[01:21:44] E depois eles saem, todos
[01:21:46] vão para a Argélia e eles radicalizam
[01:21:48] ainda mais a permanência e
[01:21:50] interesse dos colonos franceses
[01:21:52] e militares ali
[01:21:54] na Argélia.
[01:21:56] E chegou-se a assinar o Tratado de
[01:21:58] Genebra, em 1954, depois da derrota
[01:22:00] de Dien Bien Phu.
[01:22:02] Vários países assim, nos Estados Unidos
[01:22:04] eles não admitem. Eles já começam
[01:22:06] a enxergar
[01:22:08] o caso do vietnã
[01:22:10] nascente. O Ho Chi Minh declara
[01:22:12] independência, mas o sul ainda é
[01:22:14] depois é mantido por
[01:22:16] os franceses, bastante católicos
[01:22:18] e depois pelos americanos,
[01:22:20] que vai perdurar numa guerra
[01:22:22] trágica até 1975.
[01:22:24] Isso deixa um país
[01:22:26] devastado, devastado em termos
[01:22:28] militares, econômicos.
[01:22:30] Você tem, até no Laos,
[01:22:32] nas fronteiras do Laos, o Cambódia,
[01:22:34] várias minas não detonadas,
[01:22:36] os processos
[01:22:38] do agentes químicos que provocaram
[01:22:40] câncer, até hoje tem crianças que nascem
[01:22:42] com problema embrionário
[01:22:44] em casos desses agentes químicos
[01:22:46] que foram lançados por aviões americanos.
[01:22:48] Então tem questões humanitárias
[01:22:50] também muito graves, tem a questão da
[01:22:52] Palestina, que o Balfo ali chega,
[01:22:54] ele declara um lar para os judeus
[01:22:56] depois eles se retiram, até hoje
[01:22:58] isso ainda está bastante premente.
[01:23:00] Agora a atender os interesses
[01:23:02] de um líder
[01:23:04] israelense, o Netanyahu,
[01:23:06] tentando sobreviver a uma tentativa
[01:23:08] de
[01:23:10] investigação de corrupção que ele
[01:23:12] tem feito, então ele canaliza tudo
[01:23:14] por um massacre
[01:23:16] sobre uma população de Gaza hoje,
[01:23:18] uma coisa profundamente perturbadora.
[01:23:20] Eu acho que
[01:23:22] a China consegue, no caso,
[01:23:24] achar um caminho próprio,
[01:23:26] ela ainda vive um período muito duro
[01:23:28] depois da
[01:23:30] queda da Dina Shaman em 1911,
[01:23:32] até a ocupação brutal
[01:23:34] dos japoneses na década de 30,
[01:23:36] uma guerra civil
[01:23:38] com os nacionalistas e
[01:23:40] os comunistas na China, e depois
[01:23:42] a fuga dos nacionalistas do Comitang
[01:23:44] para Taiwan.
[01:23:46] Os comunistas chineses entram num regime próprio,
[01:23:48] uma retomada, portanto,
[01:23:50] de uma unidade política
[01:23:52] que vai ter um período trágico,
[01:23:54] porque depois, num primeiro momento de retomada
[01:23:56] de planos quinquenais
[01:23:58] de industrialização,
[01:24:00] muito bem sucedido, por sinal, até 55,
[01:24:02] 56, depois você tem um período
[01:24:04] que é uma radicalização
[01:24:06] da produção industrial
[01:24:08] que é feito no grande salto adiante
[01:24:10] que dá errado.
[01:24:12] Não foi sistematizado pensando
[01:24:14] na morte de milhões, mas resultou
[01:24:16] na morte de milhões de fome
[01:24:18] nessa tentativa. E depois,
[01:24:20] eventualmente, com a morte de Mao,
[01:24:22] a articulação de novos movimentos, mais brandos
[01:24:24] que participaram, por exemplo, da Grande Marcha
[01:24:26] como da Unci Alpin,
[01:24:28] e ele começa a tomar uma série de reformas
[01:24:30] mantendo o partido
[01:24:32] um controle, o Estado,
[01:24:34] mas ao mesmo tempo também permite a
[01:24:36] reforma de abertura econômica,
[01:24:38] de mercado, em zonas
[01:24:40] de experimento, especiais primeiro,
[01:24:42] depois amplificando isso.
[01:24:44] Coisa que até o Vietnã faz também para retomar
[01:24:46] o seu crescimento, a partir das reformas do Ai Moi,
[01:24:48] em 1986.
[01:24:50] Curiosamente, o Dong Si Alpin,
[01:24:52] ele era um
[01:24:54] chinês raca,
[01:24:56] que é da região de Fujian, e ele
[01:24:58] quando ele chegou ao poder, ele também
[01:25:00] quer se inspirar em um outro
[01:25:02] país com
[01:25:04] um líder de descendência
[01:25:06] chinesa raca, que era
[01:25:08] Lee Kuan Yew, em Singapura. E ele vai para
[01:25:10] Singapura e fala assim, o que vocês fizeram para as reformas
[01:25:12] começarem a andar
[01:25:14] aqui em Singapura? E aí ele
[01:25:16] volta e ele fala assim, então vou começar a fazer as reformas
[01:25:18] que foram, pelo jeito,
[01:25:20] dando resultado em Singapura.
[01:25:22] Singapura depois foi para a China.
[01:25:24] Hoje a China, ela praticamente é uma
[01:25:26] alguém que conteste a
[01:25:28] proeminência dela,
[01:25:30] não somente em termos econômicos, como também
[01:25:32] já um epicentro
[01:25:34] de uma nova ordem asiática
[01:25:36] e internacional até
[01:25:38] do século 21.
[01:25:40] Então eu acho que mais ou menos, dependendo da região,
[01:25:42] as reações foram múltiplas.
[01:25:44] Mas o que eu queria, em suma,
[01:25:46] refletir, é de que
[01:25:48] todos eles lutaram por um caminho.
[01:25:50] Nunca foi considerado
[01:25:52] como veio clássico,
[01:25:54] que se falava que o imperialismo,
[01:25:56] ele veio e dominou aquele famoso
[01:25:58] mapa de manchas
[01:26:00] vermelhas do Império Britânico,
[01:26:02] aquilo é um mapa muito pretencioso do que
[01:26:04] achava-se que era o Grande Império.
[01:26:06] Você tinha resistências,
[01:26:08] regiões que nunca se conformaram,
[01:26:10] pessoas que lutaram,
[01:26:12] propuseram uma nova
[01:26:14] ordem, e isso tudo
[01:26:16] resultou depois um processo já
[01:26:18] claro de independência
[01:26:20] e caminho de autonomia
[01:26:22] maior de desenvolvimento a partir
[01:26:24] da segunda metade do século 20.
[01:26:26] 1857,
[01:26:30] ano da rebelião indiana,
[01:26:32] também chamada de Primeira Guerra pela
[01:26:34] Independência. O Estopim foi a
[01:26:36] revolta de soldados indianos a serviço da
[01:26:38] companhia, tornou-se um levante
[01:26:40] generalizado de populações e nobres
[01:26:42] indianos descontentes com as condições
[01:26:44] de vida. Após a vitória das tropas britânicas,
[01:26:46] com apoio também de
[01:26:48] diversos principados indianos,
[01:26:50] as posses da Companhia das Indias
[01:26:52] foram transferidas para o domínio direto
[01:26:54] da coroa, com o estabelecimento do
[01:26:56] rage britânico.
[01:27:08] Recomendações de leitura para quem ouvia até o final
[01:27:10] se interessou, quer estudar mais sobre o
[01:27:12] assunto. Se você tivesse que recomendar
[01:27:14] alguns livros, que livros seriam?
[01:27:16] Tem muitos livros, mas na verdade
[01:27:18] eu vou ter que passar pelo funil aqui.
[01:27:20] Um deles não tem como,
[01:27:22] se a pessoa começa a ler um pouco
[01:27:24] sobre a questão do imperialismo,
[01:27:26] a questão da Ásia, você não tem como
[01:27:28] fugir do clássico do Edward Said,
[01:27:30] o orientalismo ou o Oriente
[01:27:32] como a invenção do ocidente.
[01:27:34] Isso é um clássico, isso é um livro que todos
[01:27:36] devem ler, é um pilar da
[01:27:38] teoria pós-colonial
[01:27:40] que analisa o discurso
[01:27:42] simbólico, discursivo
[01:27:44] de como que o Oriente
[01:27:46] foi inventado
[01:27:48] pelos intelectuais,
[01:27:50] religiosos, ocidentais.
[01:27:52] Isso é um grande clássico, esse aqui não tem como
[01:27:54] eu fugir dessa
[01:27:56] sugestão para todos.
[01:27:58] Tem um outro livro que também está
[01:28:00] em português, que foi traduzido pela
[01:28:02] Bucelo Crítica, em 2019,
[01:28:04] que é o lindíssimo
[01:28:06] livro do Peter Francopan,
[01:28:08] que chama O Coração do Mundo,
[01:28:10] Uma nova história universal a partir da Rota da Seda.
[01:28:12] É lindíssimo esse livro.
[01:28:14] Ainda bem que foi traduzido em português,
[01:28:16] ele é um livro que
[01:28:18] propõe uma história mais integrada
[01:28:20] da Ásia,
[01:28:22] no sentido de você
[01:28:24] buscar povos,
[01:28:26] regiões, líderes
[01:28:28] que vai além das
[01:28:30] fronteiras convencionais
[01:28:32] de países. Então aí é uma busca
[01:28:34] transasiática que eu admiro muito
[01:28:36] nesse livro do Francopan.
[01:28:38] Então é um livro que ele é
[01:28:40] muito legível, ele é muito
[01:28:42] interessante,
[01:28:44] cativa muito a maneira que
[01:28:46] o Francopan escreve.
[01:28:48] E agora, tem dois outros
[01:28:50] que eu não posso separar um do outro,
[01:28:52] que também teve muita
[01:28:54] influência em mim, eu gostaria
[01:28:56] de indicar.
[01:28:58] Os dois são em inglês,
[01:29:00] talvez no futuro
[01:29:02] tenha tradução. Um deles é do
[01:29:04] Pankaj Mishra,
[01:29:06] que publicado em 2013,
[01:29:08] que é From the Ruins of the Empire,
[01:29:10] The Revolt Against the West
[01:29:12] and the Remaking.
[01:29:14] Esse livro pra mim é junto
[01:29:16] com o outro que é mais recente,
[01:29:18] que é do Tim Hopper, Underground
[01:29:20] Asia, Global Revolutionaries
[01:29:22] and the Assault on
[01:29:24] Empire. Esses dois eles analisam
[01:29:26] os movimentos de resistência,
[01:29:28] de luta,
[01:29:30] de partidos, de movimentos,
[01:29:32] de pessoas na clandestinidade,
[01:29:34] de
[01:29:36] lutas. No caso
[01:29:38] do livro do Mishra, você
[01:29:40] tem figuras com o Al Afghani,
[01:29:42] que ele buscou
[01:29:44] no pensamento
[01:29:46] islâmico, uma maneira de
[01:29:48] reformar pra modernidade
[01:29:50] os países muçulmanos.
[01:29:52] Ele ia de corte em corte,
[01:29:54] ele nasceu na Afeganistão, mas ele ficou
[01:29:56] muito tempo no Irã, depois ele foi pro
[01:29:58] Egito, depois ele foi pro Império Tomano,
[01:30:00] e ele vivia levando suas ideias.
[01:30:02] É um personagem muito fascinante.
[01:30:04] Ele também traz a figura
[01:30:06] Li Qinqiao, entre outros.
[01:30:08] É muito interessante esse livro do Mishra.
[01:30:10] E o Tim Rapper, nesse segundo,
[01:30:12] ele analisa mais as lideranças da clandestinidade,
[01:30:14] os movimentos do
[01:30:16] anarquismo, daqueles que lutaram,
[01:30:18] por exemplo, no movimento
[01:30:20] indiano de independência,
[01:30:22] no caso da Indonésia, ele estudou
[01:30:24] muito sobre o processo de independência da
[01:30:26] Indonésia, e ia também ser uma boa leitura.
[01:30:28] Então esses dois últimos seria interessante como
[01:30:30] ouvir o lado
[01:30:32] da resistência,
[01:30:34] não só pós-colonial, como aquele
[01:30:36] anticolonial, aquele que tentou
[01:30:38] e propõe uma história
[01:30:40] mais moderna
[01:30:42] da Europa baseada nessas resistências,
[01:30:44] e não mais daquela explicação
[01:30:46] eurocêntrica de como que foi
[01:30:48] o império, o imperialismo, e depois
[01:30:50] magicamente passou pra independência.
[01:30:52] Você teve muitas lutas e resistências
[01:30:54] que tá presente nesse dois
[01:30:56] últimos livros.
[01:30:58] Então é isso, gente.
[01:31:00] Emiliano, tem alguma consideração final?
[01:31:02] Eu primeiro quero agradecer,
[01:31:04] é um gentil convite
[01:31:06] que foi feito, é um assunto
[01:31:08] que ainda tem muito pra… eu espero
[01:31:10] ter conseguido resumir,
[01:31:12] e sempre tô de disposição
[01:31:14] pra qualquer outro assunto mais localizado
[01:31:16] na Ásia, que isso
[01:31:18] fique mais diluído.
[01:31:20] Eu tô há anos
[01:31:22] me dedicando à pesquisa,
[01:31:24] tenho um juiz de
[01:31:26] livros que já foram publicados,
[01:31:28] um agora vai sair sobre a história
[01:31:30] da Coreia pelo selo
[01:31:32] Crítica, em agosto,
[01:31:34] que é uma coisa que ainda não tem muito
[01:31:36] na língua portuguesa, sobre a história da Coreia,
[01:31:38] desde dois, três mil anos
[01:31:40] de história. Eu tenho um canal do YouTube,
[01:31:42] que eu tenho minhas aulas, que eu deixo todas
[01:31:44] elas gravadas no meu canal do YouTube,
[01:31:46] porque muitos me procuravam,
[01:31:48] falavam, olha, mas eu quero saber sobre
[01:31:50] a história da China, da Índia, então
[01:31:52] desde a pandemia eu deixo todas as
[01:31:54] aulas gravadas no meu canal.
[01:31:56] E é isso, minha missão de vida é essa,
[01:31:58] de tentar estudar a Ásia
[01:32:00] e deixar isso disponível
[01:32:02] pra todos. E com isso
[01:32:04] eu confruo junto com o canal,
[01:32:06] o podcast
[01:32:08] História FM,
[01:32:10] para que isso chegue ao público,
[01:32:12] ao ouvinte. Então eu agradeço
[01:32:14] a paciência de todos
[01:32:16] e do convite. E eu já deixo
[01:32:18] avisado pra todo mundo que
[01:32:20] com certeza eu vou conversar com a
[01:32:22] Emiliano pra vir aqui de novo.
[01:32:24] A gente só vai alinhar os temas, mas
[01:32:26] com certeza a Emiliano vem pra cá de novo.
[01:32:28] Então é isso, gente.
[01:32:30] Muito obrigado por ter ouvido até o final.
[01:32:32] Não se esqueçam que os livros citados
[01:32:34] no fim do programa estão no post
[01:32:36] desse episódio no nosso site,
[01:32:38] históriafm.com. Claro, dá uma seguida ali
[01:32:40] no Instagram, né, arroboobrigahistoria
[01:32:42] e apoie nosso trabalho em apoia.se
[01:32:44] barroobrigahistoria. Então é isso,
[01:32:46] muito obrigado e até a próxima.
[01:32:53] O História FM é uma produção
[01:32:55] do canal Leitura Obriga a História.
[01:32:57] Apresentação, Iclis Rodrigues.
[01:32:59] Edição, Samuel Gambini.
[01:33:01] Roteiro, Iclis Rodrigues.
[01:33:03] O financiamento deste programa é realizado
[01:33:05] pelos nossos colaboradores em apoia.se
[01:33:07] barroobrigahistoria.
[01:33:10] Esse podcast foi editado
[01:33:12] por Samuel Gambini,
[01:33:14] samuelgambiniaud.com.