#362 – Israel, EUA, Irã o que a Globonews não te conta sobre a guerra (Com Euclides Vasconcelos)
Resumo
O episódio recebe o professor e analista geopolítico Euclides Vasconcelos para explicar por que o confronto Israel–Irã era visto como uma questão de “quando” e não de “se”, e como a escalada recente (apelidada por Trump de “guerra dos 12 dias”) se conecta diretamente ao genocídio em Gaza e à estratégia israelense de ampliar a guerra no Oriente Médio. Euclides argumenta que Israel busca uma guerra regional mais ampla, mas não consegue sustentá-la sozinho, tentando arrastar os EUA para um envolvimento decisivo. Nesse contexto, entram a “janela de oportunidade” aberta após 7 de outubro de 2023, o enfraquecimento de elos do chamado “eixo da resistência” (Hamas, Hezbollah, Síria de Assad, milícias no Iraque e o papel do Iêmen) e, sobretudo, a disputa em torno do programa nuclear iraniano — contraposta à política de ambiguidade nuclear de Israel, único país da região com arsenal nuclear e com uma doutrina de impedir que outros tenham capacidade semelhante.
Na segunda metade, a conversa amplia o foco: relaciona capitalismo, indústria bélica e imperialismo com a produção permanente de conflitos, discute soberania no Sul Global e faz paralelos com o Brasil (inclusive a dependência e o papel das classes dominantes). O grupo debate também a influência ideológica e tecnológica de Israel no aparato de segurança brasileiro, a cobertura enviesada da mídia e a falta de informações qualificadas sobre o Irã. Por fim, Euclides analisa o papel limitado da ONU (paralisada pelo sistema de veto do Conselho de Segurança), os riscos de uma escalada global em meio à crise do sistema internacional pós-Segunda Guerra e comenta a Coreia do Norte como foco estratégico, inclusive pela experiência militar adquirida com o envio de tropas para apoiar a Rússia. No balanço político do confronto recente, ele sustenta que o Irã obteve vantagem por impedir a generalização da guerra, não ter seu programa nuclear “liquidado” e por expor limites do Iron Dome e a vulnerabilidade israelense a ataques massivos.
Anotações
- 01:31:54 — Convidado divulga vídeos sobre Irã O convidado agradece o convite e incentiva o público a acompanhar seu canal. Ele comenta que publicou um vídeo defendendo a legitimidade do Irã desenvolver uma bomba nuclear e anuncia um balanço dos últimos 12 dias.
Indicações
Livros
- O chefe da polícia pelo telefone (Laila Maia Galvão) — Caio recebe o exemplar da autora e comenta a proposta de investigar o “chefe da polícia” citado no samba ligado a Donga e à história do Rio
- Tá pensando que é tudo futebol (Franciel Cruz) — citado no relato do lançamento do novo livro e encontro com ouvintes
Filmes / Series
- A ordem criminosa do mundo (documentário, Canal 2 da Espanha, 2008) — Daniel cita o documentário e duas falas (Jean Ziegler e Eduardo Galeano) para conectar soberania e cinismo do poder ao Oriente Médio
Artigos / Links
Linha do Tempo
- [00:00] — Abertura, apresentação do episódio e do convidado Euclides Vasconcelos
- [00:09] — Convite para o “Dia M” (aniversário de Karl Marx) no Rio e mesa sobre escala 6x1
- [00:12] — Pedido de apoio financeiro ao Lado B (apoia.se e Pix) e contexto de reestruturação
- [00:14] — Por que a guerra Israel–Irã era “latente” e como se liga a Gaza e ao 7 de outubro
- [00:19] — “Eixo da resistência”, enfraquecimento de Hamas/Hezbollah/Síria e a centralidade do Irã
- [00:22] — Programa nuclear iraniano vs. arsenal nuclear israelense e a doutrina de impedir proliferação regional
- [00:25] — Citações (Jean Ziegler e Eduardo Galeano): guerra, cinismo do poder e soberania como “luxo” dos ricos
- [00:35] — Israel como potência militar/tecnológica: lobby, espionagem, treinamento de prefeitos brasileiros e influência ideológica
- [00:48] — Caracterização do Irã: dimensão, diversidade, posição estratégica e estereótipos na mídia ocidental
- [00:51] — Dilemas da esquerda diante do Irã (teocracia, repressão) e a noção de guerra defensiva anti-imperialista
- [00:53] — China, Nova Rota da Seda, multipolaridade e riscos de escalada entre grandes potências
- [01:02] — Limites da ONU, veto no Conselho de Segurança e crise da ordem internacional do pós-guerra
- [01:09] — Coreia do Norte: “estado tampão”, relação com China/Rússia e envio de tropas para a guerra na Ucrânia
- [01:19] — Balanço do conflito: objetivos políticos de Israel, limites do Iron Dome e por que o Irã teria “vencido” politicamente
- [01:27] — Encerramento: mudança (parcial) no tom da mídia brasileira sobre Israel, agradecimentos e recados finais
Dados do Episódio
- Podcast: Lado B do Rio
- Autor: Central 3 Podcasts
- Categoria: Society & Culture
- Publicado: 2025-06-27
- Duração: 1h39m
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/lado-b-do-rio/20e7d0d0-4d5c-0134-ec0b-0d50f522381b/362-israel-eua-ir%C3%A3-o-que-a-globonews-n%C3%A3o-te-conta-sobre-a-guerra-com-euclides-vasconcelos/e3a6464f-686e-4314-be44-66f74162b27f?t=5514.0
- UUID Episódio: e3a6464f-686e-4314-be44-66f74162b27f
Dados do Podcast
- Nome: Lado B do Rio
- Tipo: episodic
- Site: https://www.central3.com.br/category/podcasts/lado-b-do-rio/
- UUID: 20e7d0d0-4d5c-0134-ec0b-0d50f522381b
Transcrição
[00:00:00] O podcast que você ouve agora é uma produção da Central 3.
[00:00:31] Bom momento, espectadores e expectadoras do lado B,
[00:00:34] e bom momento aos ouvintes da Central 3.
[00:00:37] Hoje é quinta-feira, dia 26 de junho de 2025,
[00:00:40] e eu sou Caio Belandi, direto do seu estúdio,
[00:00:43] chegando para o lado B do Rio 362, primeiro aqui no YouTube,
[00:00:47] e também no seu feed de podcasts.
[00:00:50] A galera já sabe que está acostumado no YouTube,
[00:00:52] venha aqui, por favor, deixa o like, vê se está inscrito no canal,
[00:00:56] às vezes recebeu o link e não está inscrito no canal,
[00:00:58] para a gente é importante.
[00:01:00] Ativa a notificação para não perder os vídeos, os cortes,
[00:01:03] para a gente também é importante.
[00:01:05] E deixa seu comentário, comentário de engajamento,
[00:01:07] comentário de pergunta para o nosso convidado,
[00:01:09] pergunta para a gente.
[00:01:11] Enfim, a gente gosta de trocar com vocês também,
[00:01:13] então a gente quer ler vocês também.
[00:01:16] Mais um programa feito em parceria com o escritório
[00:01:18] Normando Rodrigues Advogados,
[00:01:20] a quem a gente agradece imensamente pelo auxílio fundamental
[00:01:24] nos últimos meses, porque foi
[00:01:28] o escritório que manteve o lado B saudável e crescendo,
[00:01:31] principalmente aqui no YouTube.
[00:01:32] Se a gente tem dois programas,
[00:01:35] às vezes até mais programas por mês no YouTube,
[00:01:37] a gente agradece muito ao escritório.
[00:01:40] O time está completo de novo,
[00:01:42] porque a gente estava completo há dois semanas atrás,
[00:01:44] mas o Fagner estava convalecido em casa hoje,
[00:01:47] o Fagner está aqui comigo.
[00:01:48] No Sao Estúdio também,
[00:01:50] Daniel Soares e Aluara Ramos via internet.
[00:01:53] A gente recebe hoje também virtualmente
[00:01:55] Euclides Vasconcelos, professor de História e Geografia,
[00:01:58] analista geopolítico e militante comunista.
[00:02:01] O nosso convidado tem um canal bem legal de YouTube,
[00:02:04] onde ele comenta os temas da política e das guerras.
[00:02:07] Muito interessante, conteúdo maravilhoso.
[00:02:09] A gente já deixa aqui nossa indicação.
[00:02:12] Hoje a gente vai tentar entender um pouco dessa disputa violenta
[00:02:16] que está envolvendo agora no momento Israel e Irã,
[00:02:19] mas que também tem questões palestinas,
[00:02:22] tem o envolvimento dos Estados Unidos,
[00:02:24] o envolvimento de outras potências, direto ou indiretamente.
[00:02:27] É um assunto que a gente sabe que não é simples
[00:02:29] e por isso a gente chamou um especialista no tema Euclides.
[00:02:32] Bem-vindo, obrigado por ter aceitado o nosso convite.
[00:02:35] Acho que a gente tem bastante a falar sobre o tema.
[00:02:38] E você foi indicado pelos nossos apoiadores,
[00:02:40] inclusive aqui a gente também manda um beijo.
[00:02:42] A gente agradece bastante por você estar aqui.
[00:02:44] Vamos tentar entender um pouco aí
[00:02:46] o que Israel anda fazendo, basicamente.
[00:02:49] Boa noite.
[00:02:50] Boa noite, Caio. Boa noite, pessoal.
[00:02:52] Daniel, Fagner, Luara.
[00:02:54] Primeiro agradecer a vocês aí pelo convite.
[00:02:58] Agradecer aos ouvintes, a quem está acompanhando,
[00:03:00] a quem me indicou.
[00:03:02] Dá um boa noite, bom dia, boa tarde.
[00:03:04] Não sei que horas o pessoal vai estar acompanhando isso.
[00:03:07] Mas agradecer muito o convite.
[00:03:09] E as indicações, é muito bom estar com vocês aqui.
[00:03:12] Eu conheço o lado bem do Rio faz um tempão.
[00:03:15] Eu acho que eu comecei a ouvir vocês em 2017, 2018.
[00:03:19] Mas confesso que fazia um tempinho que eu não ouvia os episódios.
[00:03:22] Faz um tempo que eu tomei o off de acompanhar vocês.
[00:03:25] Mas eu já conheço faz um tempo.
[00:03:27] E aí quando eu recebi a mensagem, fiquei muito feliz.
[00:03:29] Agradeço muito. Espero poder contribuir com vocês aqui.
[00:03:32] Com certeza. Então é dos primórdios.
[00:03:34] A gente começou em 2016, vamos fazer 9 anos no mês que vem.
[00:03:38] E 2017, então…
[00:03:40] A numeração dos programas abaixo de 50, né?
[00:03:42] A gente está chegando em 400.
[00:03:44] Acho que foi na época da greve geral lá contra Temer.
[00:03:47] Temer foi em 2017, não é isso?
[00:03:49] Ainda aquela greve nacional?
[00:03:51] Foi mais ou menos por ali que eu comecei a acompanhar vocês.
[00:03:54] O programa não tinha um ano ainda.
[00:03:55] Pois é.
[00:03:56] Então, Daniel, quer dizer seu boa noite aí?
[00:03:58] Boa noite a todes, todas e todos.
[00:04:01] 362, né? Castelo Honora Gurgel.
[00:04:03] Então, vamos lá.
[00:04:05] A gente fazia isso antigamente, né?
[00:04:07] Às vezes a gente faz, palhaçada.
[00:04:09] Depende de você, mas eu conheço algumas.
[00:04:12] Wagner Torres Lima, boa noite.
[00:04:14] Boa noite.
[00:04:15] Boa noite.
[00:04:16] Tema urgente aí da gente tratar.
[00:04:19] Bacana receber o Euclides para poder falar sobre isso.
[00:04:22] Só queria dar um comunicado.
[00:04:24] Comunicado não, né?
[00:04:25] Falar uma coisa aqui rapidinho antes de passar a palavra para a Luara.
[00:04:28] Para a gente de fato começar o programa, né?
[00:04:30] Estava conversando com o Caia agora do lado de fora.
[00:04:32] E como é deprimente de noticiário brasileiro, né?
[00:04:35] A gente está aí no…
[00:04:37] Principalmente nós, que estamos com os nossos clubes de futebol
[00:04:40] envolvidos com a Copa do Mundo de clubes.
[00:04:43] A gente está naquele momento de alienação gostosa, né?
[00:04:47] Vendo os nossos…
[00:04:48] O ópio pegando ali no palo.
[00:04:50] Vendo os nossos times jogando.
[00:04:52] Enfim, contra times de outros continentes.
[00:04:56] E nessa expectativa, será que dá para ser campeão?
[00:04:59] Será que vai ser eliminado de maneira humilhante?
[00:05:02] O que será que vai acontecer?
[00:05:04] Mas mesmo assim, mesmo tudo isso acontecendo
[00:05:07] a gente fica nessa alienação gostosa de ver o futebol.
[00:05:12] E ontem eu estava…
[00:05:16] Eu tenho andado bastante cansado.
[00:05:18] Bastante cansado para tudo, basicamente.
[00:05:21] Uma rotina de trabalho bem pesada, como sempre.
[00:05:25] E ontem eu falei, vou dormir, estou cansado.
[00:05:27] Eram, sei lá, oito e pouca da noite.
[00:05:29] Vou deitar.
[00:05:30] Vou ficar deitado e à hora que pegar no sono não vou pegar.
[00:05:33] Não vou nem ver o jogo Inter e River Plate.
[00:05:37] E aí minha companheira foi deitar também e tal.
[00:05:41] Eu ia deitar com a televisão e botar no Sport TV
[00:05:44] para ficar vendo uma resenha de futebol.
[00:05:46] Mesmo que eu não preste atenção.
[00:05:47] Mas fica lá o pessoal falando sobre futebol.
[00:05:49] E a televisão fica ligada até eu pegar no sono.
[00:05:52] Mas ela não quis que ficasse na Globo.
[00:05:54] Porque ela queria ver Vale Tudo.
[00:05:56] E ainda não tinha começado.
[00:05:57] Estava dando o Jornal Nacional.
[00:05:58] E aí foram dez, quinze minutos que eu fiquei deitado na cama
[00:06:02] antes de pegar no sono para valer.
[00:06:03] Vendo, infelizmente, o Jornal Nacional.
[00:06:06] E como é deprimente o noticiário brasileiro.
[00:06:09] Foram dez, quinze minutos que eu saí absolutamente
[00:06:13] do modo maníaco futebolístico.
[00:06:16] Para depressão profunda com o que está acontecendo no Brasil.
[00:06:21] País completamente capturado por sei lá
[00:06:25] quatrocentos psicopatas
[00:06:28] que ocupam o Congresso Nacional ali entre Câmara e Senado.
[00:06:34] Sei lá talvez quatrocentos, quatrocentos e pouco.
[00:06:37] Somando as duas casas.
[00:06:39] E esse número ainda vai aumentar.
[00:06:41] Porque a gente tem um é isso.
[00:06:45] A gente tem um congresso de psicopatas
[00:06:47] que está lá legislando em causa própria.
[00:06:50] E esses seres humanos que são contra, por exemplo,
[00:06:53] o que rico paga imposto.
[00:06:55] Eles são a favor de aumentar o número de deputados
[00:06:59] e o número de congressistas
[00:07:01] para poder legislar em causa própria.
[00:07:04] Uma casa que é feita de milionários e fazendeiros e lobistas.
[00:07:11] Está lá legislando em causa própria.
[00:07:14] Então esse é só um dos absurdos que eu vi
[00:07:17] nesses quinze minutos aí de jornal.
[00:07:19] Sem falar todo o ataque que o governo vem sofrendo
[00:07:24] e sem saber se defender
[00:07:26] ou não quer se defender sei lá também.
[00:07:29] Vou ficar defendendo também essa turma não
[00:07:31] foda-se escolher esse caminho então aqui arque com ele.
[00:07:34] E aí é muito deprimente enfim é muito deprimente.
[00:07:37] E aí a gente vai sair do noticiário brasileiro
[00:07:39] vamos falar de uma outra coisa que deprime.
[00:07:40] Porque o mundo de uma maneira geral é muito deprimente.
[00:07:43] Ainda bem que o futebol existe porque o futebol por mais que…
[00:07:46] O time está ganhando.
[00:07:47] Pois é, pois é.
[00:07:49] Você não vira pra cima do santo.
[00:07:51] Pois é, pois é.
[00:07:52] Mas é isso o mundo em si é muito deprimente.
[00:07:55] A gente precisa de respiro aí
[00:07:58] seja com futebol, seja com a arte, com a literatura,
[00:08:01] com o sexo, com qualquer coisa.
[00:08:03] A gente precisa de um respiro porque viver está foda.
[00:08:07] Bem que bom que eu comecei pelo Fagner, Daniel e Fagner
[00:08:10] que aí com a Luara, Luara por favor
[00:08:12] novo ânimo, mantenha seu otimismo por favor.
[00:08:14] Traga palavras doces, palavras bonitas, palavras belas
[00:08:18] para esse programa.
[00:08:19] Fagner botou o programa lá para baixo
[00:08:20] é um programa que vai ser para baixo naturalmente
[00:08:22] vai falar de guerra enfim e de expropriação etc.
[00:08:26] Mas Luara, por favor, levante a moral desse programa
[00:08:30] fale coisas belas, bonitas,
[00:08:31] cadê seu otimismo, seu esperançar.
[00:08:34] Boa noite.
[00:08:35] O esperanto foi eliminado.
[00:08:36] Olha, eu vou dizer para vocês que se o futebol é alienação
[00:08:40] nós estamos lascados porque eu sou moçadora do galo.
[00:08:43] E cada gol do Botafogo nesse mundial eu fico mais deprimida.
[00:08:47] Isso eu sou a parte otimista, esperançosa desse programa
[00:08:52] a gente está um pouquinho…
[00:08:53] Vai ficar complicado, viu?
[00:08:55] Mas olá para todos vocês.
[00:08:58] Olá Euclides, prazer tê-lo aqui.
[00:09:00] Olá para todo mundo que nos acompanha a partir de agora.
[00:09:03] Estamos aí no YouTube.
[00:09:05] E não posso fazer muito mais que isso hoje não, Caio.
[00:09:08] Você vai ficar…
[00:09:09] Vou ficar até vendo até porque o tema é quente e pesado
[00:09:13] e eu já estou… esse mundial, nesse mundial foi capaz de me alienar.
[00:09:17] É, faz parte.
[00:09:18] Hoje então vai ser um programa um pouco mais para baixo, digamos assim.
[00:09:24] Semana que vem a gente levanta.
[00:09:25] Pior que não, semana que vem é convidado também.
[00:09:27] Enfim, esse aqui é o lado B do Rio.
[00:09:29] Se fosse o lado A do Rio ia ser diferente.
[00:09:31] A gente está falando aqui de outros tipos de assunto.
[00:09:34] Antes da gente iniciar o papo tem um convite bem legal, bem maneiro
[00:09:39] para quem estiver no Rio de Janeiro principalmente já nesse sábado, tá gente?
[00:09:43] Dia 28 de junho a partir do meio-dia.
[00:09:45] Vai rolar a festa de aniversário do bom velhinho, Karl Marx
[00:09:49] pela primeira vez no Rio.
[00:09:50] O famoso dia M que é realizado em São Paulo.
[00:09:53] A Boitempo está trazendo para o Rio de Janeiro pela primeira vez
[00:09:56] junto com o armazém da utopia onde vai ser a festa lá na Praça Mauá.
[00:10:01] Na verdade no Boulevard Olímpico, né?
[00:10:04] Por que entra a Praça Mauá ali e a Rodovia.
[00:10:06] É porque veio que virou tudo uma coisa só.
[00:10:08] A entrada é gratuita, só chegar.
[00:10:11] E assim, uma festa, uma celebração.
[00:10:13] Tem espaço camaradinha para os pequenos.
[00:10:16] Tem a feira de livros.
[00:10:17] Vai ter telão para ver o jogo da Copa do Mundo de Clubes.
[00:10:21] Você também pode comprar livros com descontos, ganhar brindes.
[00:10:24] E, claro, toda festa que se preze organizada por uma editora
[00:10:29] com a Boitempo vai ter mesa, vai ter debate.
[00:10:32] Vai ter coisa para a gente aprender e ouvir.
[00:10:35] Vão acontecer alguns debates, algumas mesas.
[00:10:37] E o lado B está nessa, tá?
[00:10:39] O nosso panelista, economista Daniel Soares vai mediar a mesa
[00:10:43] Ideologia e Luta pelo Fim da Escala 6x1.
[00:10:46] Assunto urgentíssimo, né?
[00:10:48] Vai falar também Douglas Barros, Kenya Miranda e Marcelo Carcanholo.
[00:10:53] Vai ter transmissão dos eventos no YouTube da Boitempo
[00:10:58] para quem não for do Rio.
[00:10:59] Mas se você estiver no Rio, a gente convida vocês a bater um papo.
[00:11:04] Chegar lá também para a gente interagir pessoalmente.
[00:11:06] Principalmente quem não conhece.
[00:11:08] Daniel vai estar lá, eu não vou poder ir.
[00:11:10] Daniel vai receber todo mundo muito bem.
[00:11:12] Daniel é um cara que gosta de uma cervejinha, gosta de futebol.
[00:11:15] Gosta de falar bastante besteira.
[00:11:17] Estará lá para atender bem os ouvintes?
[00:11:19] Por favor, Daniel.
[00:11:20] Não, eu sou educado.
[00:11:21] Você é educado.
[00:11:22] Eu respondo.
[00:11:23] Quem estiver no Rio de Janeiro, no armazém da utopia,
[00:11:26] fica ali no Bulevaro Olímpico, coladinho no Aquarrio.
[00:11:29] Do lado da roda gigante, que tem essa referência visual.
[00:11:32] De longe, estação Aquarrio Utopia do VLT.
[00:11:35] Pois é.
[00:11:36] Já no final mesmo daquela região ali que eu chamei de Praça Mauá.
[00:11:40] Mas é porque, enfim, dá para ir andando.
[00:11:42] Vai descer na Praça Mauá também dá para ir.
[00:11:45] Sala da tarde.
[00:11:46] A Dia Bali está bacana e tal.
[00:11:48] Então, se você quiser saber a programação completa das outras mesas,
[00:11:52] vai ter Ilias Jabua, vai ter Thalelia Petrone, enfim.
[00:11:55] Vai ter uma galera lá nas outras mesas.
[00:11:57] É só acessar o site da Boitempo, as redes sociais da Boitempo.
[00:12:00] Você acha fácil aí no Instagram, no Twitter, no Google também,
[00:12:04] para ver o site e conferir as mesas.
[00:12:07] Acho que vai valer bastante a pena, tá?
[00:12:10] Eu não vou poder ir, então, por favor, compareça por mim.
[00:12:13] Outro convite, esse é mais sério ainda, né?
[00:12:16] A gente está com um tom aqui meio sério hoje, meio incisudo, meio para baixo.
[00:12:21] E a gente tem um convite também que é sério, é importante para você.
[00:12:26] Considerem apoiar o Lado B do Rio, tá?
[00:12:29] A gente tem a nossa plataforma de apoio, apoia.se barra Lado B do Rio.
[00:12:33] A gente está passando por um momento, nesse momento atual,
[00:12:38] é uma reestruturação bem grande, bem importante, tá?
[00:12:41] A gente está revendo contratos, revendo parcerias e tal.
[00:12:44] Então a gente precisa muito de vocês, da nossa audiência, mais do que nunca,
[00:12:47] para poder ter um segundo semestre tranquilo,
[00:12:50] para a gente conseguir botar o nosso bloco na rua,
[00:12:52] os programas irem para o ar normalmente.
[00:12:54] A gente está convocando aí, de maneira bastante séria agora,
[00:12:58] os nossos ouvintes.
[00:12:59] É claro que a gente sabe que está ruim para todo mundo,
[00:13:02] mas a gente tem planos de 10 reais, de 20 reais, de 50 reais.
[00:13:06] Quem pode dar um pouquinho mais, dá um pouquinho mais.
[00:13:09] Então considere isso, se você estiver com condições,
[00:13:12] para a gente vai ser muito importante para esse segundo semestre
[00:13:15] aumentar a nossa base de apoiadores, tá?
[00:13:19] Pelo menos chegar perto do que a gente já teve um dia.
[00:13:21] A gente está numa base de apoiadores muito baixa,
[00:13:23] a mais baixa que a gente já teve desde 2019,
[00:13:25] quando a gente abriu a plataforma.
[00:13:27] A gente gostaria de voltar a um patamar que dê para a gente
[00:13:30] planejar o segundo semestre, independente de que tipos de contratos
[00:13:34] e que tipos de parcerias a gente vai ter.
[00:13:36] A gente está correndo atrás.
[00:13:37] Se você tiver aí, pessoal de sindicato, de organização,
[00:13:41] de fundação, empresas que de repente queiram anunciar
[00:13:44] ou fazer a parceria no lado B, também cheguem na gente, tá?
[00:13:47] A gente está ouvindo todas as propostas possíveis,
[00:13:49] porque de fato a gente está num momento de acomodação, tá?
[00:13:54] Então lembre-se apoia.se lá do B do Rio.
[00:13:57] Caso você não possa ser um apoiador mensal,
[00:13:59] você pode ajudar a gente quando puder,
[00:14:01] no valor que puder, fazendo um pix, né?
[00:14:03] LadoBdoRio.com
[00:14:06] LadoBdoRio.com
[00:14:09] Bem, Euclides, a gente já abordou aqui em outros episódios
[00:14:13] o genocídio do povo palestino perpetrado por Israel.
[00:14:17] A gente falou ano passado com o Marcos da FePAL
[00:14:20] e a gente está sempre falando aqui, né?
[00:14:22] A gente nunca esqueceu esse assunto.
[00:14:25] E agora, nas semanas mais recentes, nos dias mais recentes,
[00:14:29] a gente vê o cenário mudar, né?
[00:14:32] De ângulo pelo menos, né?
[00:14:34] Talvez seja o mesmo cenário, mas um ângulo diferente
[00:14:36] com essa guerra entre Israel e o Irã.
[00:14:40] E aí, eu queria que você explicasse pra gente
[00:14:44] como é que esse prisma dessa situação envolvendo Israel,
[00:14:49] que é o protagonista disso tudo,
[00:14:51] como é que esse prisma muda, né?
[00:14:53] E o que que essa guerra atual entre Israel e Irã
[00:14:57] tem a ver, por exemplo, com a causa palestina, né?
[00:15:00] O massacre na faixa de Gaza.
[00:15:02] Tem a ver com aquele domínio daquela região,
[00:15:04] que é uma região que está sempre ali muito…
[00:15:06] Quando não está em guerras abertamente,
[00:15:08] elas estão sempre com tensões entre os países dali.
[00:15:12] Se tem a ver, enfim, com a sempre falada disputa religiosa.
[00:15:16] Enfim, por que que a gente viu?
[00:15:18] Basicamente, queria que você me ajudasse a entender
[00:15:21] por que que a gente viu esse recente aumento
[00:15:24] do massacre palestino, que já existe há muitos anos,
[00:15:26] o massacre de Israel contra a Palestina,
[00:15:28] a gente viu mudar e agora a gente está vendo uma disputa,
[00:15:32] digamos assim, entre Irã e Israel.
[00:15:34] Então, Caio, a guerra Israel-Iran
[00:15:39] sempre foi uma questão de quando e não se.
[00:15:44] É um enfrentamento que sempre teve latente ali
[00:15:48] no ano passado, não sei se vocês vão lembrar.
[00:15:50] Houve também uma tentativa de Israel
[00:15:53] iniciar, de dar esse novo passo,
[00:15:56] de provocar essa guerra contra o Irã.
[00:15:59] Naquele momento acabou se conformando ali
[00:16:02] uma troca de ataques meio protocolares
[00:16:04] e não se tornou de fato um conflito.
[00:16:07] Agora a gente passou, por isso que já tem gente
[00:16:10] chamando, o próprio Trump escolheu chamar
[00:16:13] de guerra dos 12 dias.
[00:16:15] Tem esse cessafogo aí, meio apressado,
[00:16:18] meio às pressas, meio de surpresa.
[00:16:21] Todo mundo tentando observar se ele de fato
[00:16:25] vai se concretizar e por quanto tempo.
[00:16:28] Mas fato é que concretize-se ou não,
[00:16:32] ou melhor dizendo, caso se concretize,
[00:16:35] dentro em breve a gente pode esperar
[00:16:37] que isso volte à tona.
[00:16:39] Dentro em breve a gente pode esperar
[00:16:41] o retorno desse conflito.
[00:16:43] Talvez a gente possa considerar que essa
[00:16:45] tenha sido a primeira fase ou o primeiro momento
[00:16:48] de uma grande guerra entre Israel e Irã,
[00:16:51] que não pode ser outra coisa se não
[00:16:54] uma guerra generalizada no Oriente Médio.
[00:16:56] Já tem um tempo, especialmente depois
[00:16:59] do 7 de outubro de 2023, que eu bato muito
[00:17:03] na tecla da ideia de que Israel,
[00:17:06] para os seus planos, precisa de uma
[00:17:08] guerra generalizada no Oriente Médio,
[00:17:11] mas uma guerra generalizada Israel não é
[00:17:14] capaz de vencer sozinho.
[00:17:16] E por isso ele precisa arrastar os Estados Unidos
[00:17:19] de maneira incisiva para isso e foi o que
[00:17:22] ele tentou fazer agora.
[00:17:24] Ao que tudo indica, a gente tem que ver
[00:17:26] se isso vai se confirmar, porque à medida que
[00:17:28] o tempo passa, novas coisas acontecem,
[00:17:30] mas ao que tudo indica, Trump escolheu nesse
[00:17:33] momento fazer aquele ataque mais performático,
[00:17:36] que a gente ainda não tem noção da dimensão
[00:17:39] de fato dos danos daquele ataque,
[00:17:42] mas não transformou aquele ataque numa
[00:17:45] entrada numa guerra, ou não transformou
[00:17:48] aquilo numa guerra contra o Irã.
[00:17:51] Pode parecer paradoxal essa ideia de
[00:17:54] atacar um país sem que isso seja uma
[00:17:57] guerra de fato, mas isso sempre acontece
[00:17:59] e acontece muito. Aconteceu há pouco
[00:18:01] tempo entre Índia e Paquistão, por exemplo.
[00:18:03] Os países trocaram uma série de ataques
[00:18:05] a partir da região da Kashmir, mas
[00:18:08] aquilo não se transformou numa guerra,
[00:18:10] mas é outro ponto de tensão no mundo,
[00:18:13] é aquela região, a tensão entre Índia,
[00:18:15] Paquistão e também China, embora pouco
[00:18:17] se fale do papel da China ali, mas que
[00:18:20] naquele momento, há poucos meses atrás,
[00:18:22] acho que um ou dois meses no máximo,
[00:18:25] houve essa troca de ataques entre os países
[00:18:27] e não se transformou numa guerra.
[00:18:29] Ao que tudo indica, se esse excesso a
[00:18:31] fogo durar, a gente pode considerar
[00:18:33] algo parecido aqui. Houve o primeiro
[00:18:35] ataque israelense e as sucessivas
[00:18:38] respostas iranianas e também Israel
[00:18:41] atacando o tempo inteiro, mas aparentemente
[00:18:45] por uma escolha de Trump, no momento,
[00:18:48] que não se confunde com nenhuma defesa
[00:18:51] do Irã, ou nenhuma defesa do Pacifismo,
[00:18:53] ou qualquer coisa nesse sentido, diz mais
[00:18:55] respeito aos interesses dos Estados Unidos
[00:18:59] em não começar uma guerra agora
[00:19:01] contra o Irã, embora os Estados Unidos
[00:19:03] tenha contas a resolver com o Irã,
[00:19:05] especialmente com o seu programa nuclear,
[00:19:07] mas o que a gente pode considerar
[00:19:09] olhando, tentando tirar uma fotografia
[00:19:11] panorâmica da situação, é que
[00:19:15] antes do 7 de outubro de 2023,
[00:19:19] a situação se encaminhava para uma
[00:19:21] espécie de normalização absoluta de
[00:19:24] Israel no Oriente Médio, especialmente
[00:19:26] a partir dos acordos de Abraão
[00:19:28] negociados por Trump e a aproximação
[00:19:31] entre a Arábia Saudita e Israel,
[00:19:33] que estava a passos galopantes ali.
[00:19:35] A partir do 7 de outubro, que foi
[00:19:37] um ataque liderado pelo Hamas, mas que
[00:19:40] contou com outras organizações da
[00:19:42] Luta Armada Palestina também, aquele
[00:19:44] ataque foi pensado, entre outras coisas,
[00:19:47] como uma forma de criar um fato
[00:19:50] político que atrapalhasse esses
[00:19:52] planos de aproximação, principalmente
[00:19:54] entre a Arábia Saudita e Israel.
[00:19:56] Só que, ao mesmo tempo, como uma coisa
[00:19:59] dessa magnitude não pode ser uma coisa
[00:20:02] só, ao mesmo tempo, abriu-se para
[00:20:05] Israel, a partir dali, eu não estou
[00:20:07] dizendo que é culpa do ataque do Hamas
[00:20:12] ou qualquer coisa assim, mas como uma
[00:20:13] decorrência disso, abriu-se para Israel
[00:20:16] uma iniciativa, uma janela de
[00:20:18] iniciativa de passar boiada. Então
[00:20:20] você vê que o Hamas está comprometido
[00:20:22] ali numa guerra de vida ou morte, num
[00:20:24] conflito de vida ou morte, na
[00:20:26] faixa de Gaza. Israel, logo em sequência,
[00:20:29] atacou com muita força o Líbano,
[00:20:31] especialmente o sul do Líbano,
[00:20:33] tentando atingir o Hezbollah e
[00:20:35] conseguiu dar golpes duros no
[00:20:37] Hezbollah, seja o assassinato de
[00:20:39] lideranças, seja aquela operação que
[00:20:41] foi uma coisa cinematográfica, a
[00:20:43] operação dos peijers lá, que a
[00:20:45] galera conseguiu infiltrar peijers
[00:20:47] com explosivos e sincronizou aquilo
[00:20:50] para explodir ao mesmo tempo,
[00:20:51] ferindo e matando vários
[00:20:53] combatentes do Hezbollah e várias
[00:20:55] pessoas que nada tinham a ver com
[00:20:57] isso também. Só que ainda tem uma
[00:20:59] outra coisa, uma terceira coisa que
[00:21:01] foi meio que o voto de Minerva para
[00:21:03] que Israel depois escolhesse atacar o
[00:21:05] Irã, que foi a queda de Bashar al-Assad
[00:21:07] na Síria. Se a gente pensa o Hamas,
[00:21:10] o Hezbollah e a Síria de Assad,
[00:21:12] junto com algumas milícias que
[00:21:14] operam também no Iraque, formou-se
[00:21:16] nos últimos anos aquilo que muita
[00:21:18] gente chama de eixo da resistência,
[00:21:20] inclusive o Irã chama de eixo da
[00:21:22] resistência. Essas organizações que
[00:21:24] vão desde o Hamas na faixa de
[00:21:26] Gaza, ao Hezbollah no sul do Líbano,
[00:21:29] ao apoio que existia por parte do
[00:21:31] governo Assad na Síria, as milícias
[00:21:34] no Iraque, o Iêmen, que cumpre um
[00:21:36] papel muito importante também de
[00:21:38] resistência, especialmente de
[00:21:39] solidariedade ao povo palestino,
[00:21:41] talvez seja o país que mais apresentou
[00:21:45] ações concretas em defesa dos
[00:21:46] palestinos depois do início da atual
[00:21:49] ofensiva do genocídio contra o
[00:21:51] povo palestino, mas que sem dúvida a
[00:21:54] peça fundamental desse eixo de
[00:21:56] resistência no Oriente Médio é o
[00:21:58] Irã. Então o enfraquecimento do
[00:22:00] Irã, a guerra contra o Irã tornou-se
[00:22:03] mais palatável e possível agora dado
[00:22:07] esse enfraquecimento dos outros
[00:22:09] elos desse eixo, por assim dizer. E
[00:22:12] aqui entra o elemento, para encerrar
[00:22:14] a resposta dessa primeira pergunta, o
[00:22:16] elemento do programa nuclear iraniano,
[00:22:19] que embora o Irã não estivesse, isso
[00:22:22] é falso, às vésperas de desenvolver
[00:22:24] uma bomba nuclear, ao que tudo
[00:22:27] indica, ele já tinha a capacidade de,
[00:22:30] se quisesse, enriquecer o urano a
[00:22:32] 90%, conseguir transformar isso em
[00:22:34] plutônio e desenvolver uma bomba
[00:22:36] atômica, se tudo caminhasse como
[00:22:38] estava, ele estava perto de conseguir
[00:22:40] essa capacidade, mas existe uma questão
[00:22:43] que pouca gente fala quando a gente
[00:22:45] toca nesse assunto, que é Israel,
[00:22:47] o único país do Oriente Médio com
[00:22:48] armas nucleares, desenvolver o
[00:22:50] programa de maneira clandestina,
[00:22:52] até hoje não assume que tem essas
[00:22:54] armas, faz uma política de
[00:22:56] ambiguidade nuclear, não assume e
[00:22:58] nega, mas existem informações
[00:23:00] suficientes, nunca fez questão de
[00:23:02] esconder, eles só não declaram
[00:23:04] formalmente e não assinam o tratado
[00:23:06] e não para a referação de armas
[00:23:08] nucleares. Nem permite inspeções da
[00:23:10] agência nuclear internacional. Isso,
[00:23:12] sem inspeção, de maneira clandestina,
[00:23:14] eu soltei um vídeo umas duas semanas
[00:23:16] contando a história do programa
[00:23:17] nuclear israelense, e é coisa de
[00:23:19] filme, porque os caras conseguiram
[00:23:20] roubar urânio de dentro dos Estados
[00:23:22] Unidos, inclusive, para conseguir
[00:23:24] desenvolver o seu programa lá no
[00:23:26] início. Só que aí, junto com o fato
[00:23:28] de ser o único país do Oriente Médio
[00:23:30] com armas nucleares, Israel
[00:23:32] desenvolveu uma doutrina para
[00:23:34] garantir que ele continue sendo
[00:23:36] o único país da região. Então Israel
[00:23:38] já atacou usinas e instalações
[00:23:40] nucleares no Iraque, por exemplo,
[00:23:42] na década de 80,
[00:23:44] já atacou na Síria na década
[00:23:46] de 2000, e agora faz o mesmo
[00:23:48] no Irã. Isso,
[00:23:50] para além da janela de oportunidade
[00:23:52] aberta a partir do 7 de outubro,
[00:23:54] que Israel está utilizando para
[00:23:56] assassinar de maneira completamente,
[00:23:58] enfim, genocídio, acho que é essa
[00:24:00] altura do campeonato, não precisa nem mais argumentar isso.
[00:24:02] Os palestinos de Gaza,
[00:24:04] inclusive, saiu
[00:24:06] dois ou três dias atrás um relatório
[00:24:08] publicado por Harvard, não sei se vocês
[00:24:10] chegaram a ver, mas que foi feito
[00:24:12] por um professor israelense.
[00:24:14] Um professor israelense que dá aula em Israel,
[00:24:16] que fez um cálculo em cima
[00:24:18] das estimativas do
[00:24:20] exército de Israel, não
[00:24:22] foi em iniciativas do Ministério da Saúde
[00:24:24] de Gaza, que a galera coloca
[00:24:26] em cheque porque é governada pelo
[00:24:28] Hamás, mas com base
[00:24:30] em estimativas do exército israelense,
[00:24:32] ele falou em cerca de
[00:24:34] 377 mil palestinos
[00:24:36] desaparecidos, sejam eles mortos
[00:24:38] ou de fato desaparecidos
[00:24:40] sob os fombos e provavelmente
[00:24:42] também mortos e por aí vai. Então a dimensão
[00:24:44] exata dessa operação
[00:24:46] atual a gente vai demorar ainda para
[00:24:48] um pouco, um número preciso.
[00:24:50] Então para além
[00:24:52] da janela de oportunidade que se abriu para
[00:24:54] Israel no momento em que ele está
[00:24:56] um a um enfrentando esses
[00:24:58] rivais, esses inimigos ali no
[00:25:00] Oriente Médio, também existe a questão
[00:25:02] de fundo que é a doutrina
[00:25:04] que vou garantir que eles continuem sendo a única
[00:25:06] potência nuclear do Oriente Médio.
[00:25:08] Clídes, bom, quero fazer
[00:25:10] uma pergunta para você, mas antes de fazer
[00:25:12] a pergunta eu queria ler
[00:25:14] duas frases que eu vi
[00:25:16] recentemente de um documentário
[00:25:18] de 2008
[00:25:20] foi feito pelo canal 2
[00:25:22] da Espanha
[00:25:24] o documentário se chama
[00:25:26] a ordem criminosa do mundo
[00:25:28] não sei se vocês já viram
[00:25:30] eu já vi esse documentário algumas vezes
[00:25:32] mas por conta
[00:25:34] de uma outra situação eu acabei
[00:25:36] vendo um trecho dele ontem e essas duas
[00:25:38] frases ficaram martelando muito na minha
[00:25:40] cabeça e aí eu queria
[00:25:42] falar sobre essas frases e depois passar
[00:25:44] a pergunta para você. Bom, a primeira
[00:25:46] é a seguinte é do sociólogo
[00:25:48] Jean Ziegler, um francês
[00:25:50] enfim, ele diz o seguinte
[00:25:52] o humanismo ou qualquer escrupulo
[00:25:54] moral simplesmente não são possíveis
[00:25:56] num mundo onde reina necessariamente
[00:25:58] estruturalmente a
[00:26:00] avidez, o desejo de poder
[00:26:02] e o cinismo mais
[00:26:04] violento. E a segunda frase
[00:26:06] é do Eduardo Galeano que eu já citei
[00:26:08] várias vezes aqui jornalista uruguaio
[00:26:10] que é o direito à independência
[00:26:12] o direito à soberania é
[00:26:14] hoje em dia um luxo dos países
[00:26:16] poderosos dos países ricos
[00:26:18] quando os países pobres
[00:26:20] exercem esse patriotismo esse patriotismo
[00:26:22] se converte em populismo
[00:26:24] ou pior ainda em terrorismo
[00:26:26] e constitui uma ameaça
[00:26:28] para o mundo. Então nós não temos
[00:26:30] o direito a nos defender só
[00:26:32] obedecer aos que os outros decidem
[00:26:34] por nós e esses outros
[00:26:36] são aqueles que são chamados
[00:26:38] de governo mundial
[00:26:40] como falei, essas duas frases
[00:26:42] são de 2008
[00:26:44] antes de estourar
[00:26:46] a crise financeira
[00:26:48] de 2008
[00:26:50] e eu ao ver
[00:26:52] essas duas frases antes de ontem
[00:26:54] ou ontem, não sei, elas ficaram
[00:26:56] martelando muito na minha cabeça porque elas
[00:26:58] continuam a me ouvir mais atuais do que
[00:27:00] nunca. E aí eu queria que você
[00:27:02] fizesse um paralelo, se é que existe
[00:27:04] esse paralelo Euclides
[00:27:06] entre o que o Jan Ziegler falou lá em 2008
[00:27:08] e entre o que o Galeano também falou
[00:27:10] lá em 2008 e o que está
[00:27:12] acontecendo no Oriente Médio
[00:27:14] hoje. E para além disso
[00:27:16] qual o risco
[00:27:18] ao final do que você vai
[00:27:20] enfim colocar, né?
[00:27:22] Qual o risco para que o Irã de hoje
[00:27:24] se torne o Brasil
[00:27:26] de amanhã? Por que que a gente
[00:27:28] tem que ser tão atento com relação ao
[00:27:30] que está acontecendo agora?
[00:27:32] Ótima pergunta. Eu acho que já é
[00:27:34] consenso, assim,
[00:27:36] entre qualquer um que não
[00:27:38] tenha como missão defender
[00:27:40] esse sistema, que o capitalismo
[00:27:42] ele é uma máquina de guerras e destruição
[00:27:44] em algum grau ele precisa
[00:27:46] de guerras e destruição
[00:27:48] entre outras coisas para queimar
[00:27:50] capital, para destruir
[00:27:52] infraestruturas e
[00:27:54] precisar reconstruir. A indústria
[00:27:56] bélica é uma indústria que ela precisa
[00:27:58] que o seu material produzido
[00:28:00] seja utilizado. Então
[00:28:02] a necessidade de guerras se dá também muito
[00:28:04] pela força do complexo industrial
[00:28:06] militar dos Estados Unidos, que precisa
[00:28:08] permanentemente estar vendendo
[00:28:10] produto, precisa permanentemente
[00:28:12] estar financiando
[00:28:14] conflitos pelo mundo.
[00:28:16] Mas essa
[00:28:18] reflexão, acho que
[00:28:20] foi a segunda que você falou, a de Galeano,
[00:28:22] sobre como
[00:28:24] para os povos do terceiro mundo
[00:28:26] ou da periferia do capitalismo
[00:28:28] ou sul global, cada um chama como
[00:28:30] acha
[00:28:32] mais adequado,
[00:28:34] dentro desse sistema qualquer
[00:28:36] arrobo de soberania
[00:28:38] é tratado
[00:28:40] como uma ameaça. Aqui
[00:28:42] no terceiro mundo, na periferia
[00:28:44] do capitalismo, o nacionalismo
[00:28:46] ou ele é um fantástico, como é o nacionalismo
[00:28:48] da direita, com tendências
[00:28:50] proto-fascistas, reacionários
[00:28:52] e por aí vai, ou ele é
[00:28:54] boicotado de todas as formas quando
[00:28:56] parte de setores da esquerda,
[00:28:58] de setores mais ligados às lutas
[00:29:00] populares, de tradições trabalhistas
[00:29:02] e por aí vai. O nacionalismo, a
[00:29:04] luta, a reivindicação por soberania
[00:29:06] quando parte dos povos oprimidos
[00:29:08] é visto como ameaça.
[00:29:10] Inclusive, isso fica
[00:29:12] um recado para a gente pensar o nosso
[00:29:14] país, o nosso
[00:29:16] programalismo e o que a gente acha
[00:29:18] que são as alianças
[00:29:20] prioritárias, as alianças
[00:29:22] úteis aqui dentro do nosso país.
[00:29:24] Porque não há cristão
[00:29:26] no mundo ou no Brasil
[00:29:28] ou de qualquer outra
[00:29:30] religião capaz de convencer
[00:29:32] a burguesia brasileira, capaz de convencer
[00:29:34] a nossa classe dominante de se
[00:29:36] tornar uma classe dominante e nacionalista
[00:29:38] com desejos de soberania
[00:29:40] ou qualquer coisa nesse sentido.
[00:29:42] Não é demais lembrar
[00:29:44] que a burguesia brasileira é formada
[00:29:46] a partir da colonização,
[00:29:48] a partir da transferência
[00:29:50] de riqueza desse pedaço
[00:29:52] de terra para o resto do mundo.
[00:29:54] Então é literalmente mais lucrativo
[00:29:56] para a burguesia brasileira ser
[00:29:58] um velho da Havan, da vida que só vende
[00:30:00] Buxiganga e é um intermediário entre
[00:30:02] compras de fora e as vendas
[00:30:04] aqui no Brasil, do que querer
[00:30:06] ser um grande industrial aos moldes
[00:30:08] da burguesia de algum país
[00:30:10] de capitalismo central.
[00:30:12] Então, olhar
[00:30:14] para a configuração de classes aqui no Brasil
[00:30:16] nos faz chegar a conclusão
[00:30:18] lógica de que qualquer
[00:30:20] projeto nacional, qualquer projeto
[00:30:22] soberano, ele precisa se apoiar
[00:30:24] em outra classe que não seja a nossa classe
[00:30:26] dominante, porque se depender dela
[00:30:28] daqui a pouco revoga
[00:30:30] a Lei Áurea, do jeito que as coisas estão
[00:30:32] caminhando. E aí
[00:30:34] tentando fazer um paralelo
[00:30:36] com o que acontece no Oriente Médio em geral
[00:30:38] o Oriente Médio é uma região muito
[00:30:40] particular, entre várias coisas
[00:30:42] por causa da
[00:30:44] riqueza mineral
[00:30:46] que lá existe, por causa
[00:30:48] mas também pelo fato de ser
[00:30:50] uma região, uma
[00:30:52] encruzilhada do mundo, o Oriente Médio é
[00:30:54] encruzilhado do mundo, é literalmente o que está
[00:30:56] no meio disso que se chama de
[00:30:58] Ocidente e do Oriente, não atoa a receber
[00:31:00] esse nome de Oriente Médio, é o meio
[00:31:02] do caminho, então tem algumas
[00:31:04] características geográficas
[00:31:06] que fazem daquilo ali importantes demais
[00:31:08] para qualquer projeção de poder pelo
[00:31:10] globo, mas se a gente pensar
[00:31:12] na nossa, aqui na América Latina
[00:31:14] na América do Sul, na nossa riqueza mineral
[00:31:16] ou se a gente pensar
[00:31:18] no grande ouro do mundo hoje
[00:31:20] que é o petróleo, logo depois
[00:31:22] do Oriente Médio, boa parte
[00:31:24] das reservas do mundo estão
[00:31:26] por aqui, o país
[00:31:28] do mundo que mais tem
[00:31:30] petróleo, a região
[00:31:32] é o Oriente Médio, o país que mais
[00:31:34] tem petróleo é a Venezuela
[00:31:36] não à toa a Venezuela é tão
[00:31:38] visada pelo imperialismo
[00:31:40] por todas as forças
[00:31:42] que precisam dessa fonte
[00:31:44] de energia, que precisam para
[00:31:46] além das questões de ordem
[00:31:48] estratégica do continente, da região
[00:31:50] da geografia, também precisam
[00:31:52] dos minerais das riquezas que a gente tem
[00:31:54] aqui, se for comparar
[00:31:56] especialmente com o Brasil
[00:31:58] eu diria que a gente não corre o risco
[00:32:00] de nada próximo do que está acontecendo
[00:32:02] com o Irã, única e exclusivamente porque
[00:32:04] para conseguir as nossas riquezas
[00:32:06] eles não precisam ser tão agressivos quanto
[00:32:08] eles são lá, exatamente
[00:32:10] a gente entrega muito fácil, infelizmente
[00:32:12] eles conseguem
[00:32:14] desses arranjos que você acabou de
[00:32:16] criticar, inclusive, esses arranjos
[00:32:18] da burocracia na conversa eles já levam
[00:32:20] e é isso, é muito fácil
[00:32:22] mas não tenho dúvida de que
[00:32:24] a qualquer momento que surgir
[00:32:26] algum anseio soberano
[00:32:28] algum projeto
[00:32:30] popular que tenha força
[00:32:32] pressões de todo tipo vão acontecer
[00:32:34] não tem para onde correr delas
[00:32:36] e elas não são a desculpa para que
[00:32:38] nada se faça, tem que tomar muito cuidado
[00:32:40] falar de correlação de forças
[00:32:42] gente do Brasil, não pode
[00:32:44] ser uma justificativa para nada fazer
[00:32:46] porque as forças não são
[00:32:48] desfavoráveis, e eu penso muito nisso
[00:32:50] quando eu penso no momento atual
[00:32:52] que tudo parece ser culpa dos outros
[00:32:54] a correlação de forças nunca muda
[00:32:56] eu comecei a militar de maneira organizada
[00:32:58] vai fazer uns dez anos e desde o início
[00:33:00] da minha militância, esse ano faz dez anos
[00:33:02] entrei na OJC
[00:33:04] em 2015
[00:33:06] agosto de 2015, na época do PCB
[00:33:08] enfim, em 2023 teve um negócio
[00:33:10] ali, um racha
[00:33:12] que foi junto com a galera que foi nessa baguncinha
[00:33:14] mas desde que
[00:33:16] eu comecei a militar
[00:33:18] que eu escuto essa história
[00:33:20] que a correlação de forças é desfavorável
[00:33:22] e ela vai continuar sendo
[00:33:24] enquanto estivermos no capitalismo
[00:33:26] tenho minhas dúvidas se em algum momento
[00:33:28] para algum projeto
[00:33:30] mais radical, teremos maioria
[00:33:32] dentro desse sistema, mas isso não pode
[00:33:34] ser desculpa para nada fazer
[00:33:36] e muito menos
[00:33:38] pode ser uma justificativa quando a gente compara
[00:33:40] o fato de que hoje
[00:33:42] a gente está exatamente como
[00:33:44] estávamos, ou até pior
[00:33:46] dez anos atrás
[00:33:48] ou mais alguns anos atrás, se a gente pensar
[00:33:50] em capacidade de mobilização
[00:33:52] então assim, você tem toda a razão
[00:33:54] e é muito bom resgatar
[00:33:56] essas reflexões, especialmente de Galeano
[00:33:58] eu sou um fã de Galeano
[00:34:00] quando comecei a me interessar
[00:34:02] sobre esse assunto, sobre história
[00:34:04] sobre comunismo
[00:34:06] sobre revolução, Galeano foi
[00:34:08] fundamental para mim
[00:34:10] porque sim
[00:34:12] em qualquer país da periferia do capitalismo
[00:34:14] ou o nacionalismo, ele é popular
[00:34:16] e é revolucionário, ou ele está
[00:34:18] fadado a parar num muro muito próximo
[00:34:20] como a gente já parou aqui no Brasil
[00:34:22] vamos lembrar que 64
[00:34:24] o golpe de 64
[00:34:26] representa por parte da burguesia brasileira
[00:34:28] o velório
[00:34:30] o sepultamento de qualquer projeto
[00:34:32] nacional que não fosse um projeto
[00:34:34] de ruptura, se a gente
[00:34:36] olha quais eram os anseios de Jango
[00:34:38] no pré 64, eram anseios
[00:34:40] que se a gente olhar para outros países
[00:34:42] do centro do sistema capitalista
[00:34:44] fazem algum sentido
[00:34:46] reforma agrária, reforma urbana
[00:34:48] reforma financeira, bancária
[00:34:50] e por aí vai, mas na periferia do
[00:34:52] capitalismo isso não rola
[00:34:54] para a burguesia brasileira isso sai muito
[00:34:56] então se a gente for pedir a gente tem que
[00:34:58] querer muito mais
[00:35:00] e conseguir estruturar uma capacidade
[00:35:02] de impor muito mais a nossa classe dominante
[00:35:04] Euclides eu vi
[00:35:06] esse seu vídeo
[00:35:08] sobre como Israel
[00:35:10] conseguiu desenvolver ali
[00:35:12] seu projeto
[00:35:14] de armas nucleares
[00:35:16] e achei muito bom
[00:35:18] acho que vale aqui
[00:35:20] reforçar a recomendação que a gente já falou no início
[00:35:22] caiu para o canal do Euclides
[00:35:24] mas eu queria saber se você pode
[00:35:26] falar para além disso também
[00:35:28] como e porque Israel se tornou essa
[00:35:30] referência de
[00:35:32] terrorismo barra violência de estado
[00:35:34] a ponto de exportar
[00:35:36] tecnologia de espionagem
[00:35:38] de empresas israelenses atuarem como
[00:35:40] lobistas de aparato de segurança
[00:35:42] junto a governos municipais
[00:35:44] estaduais brasileiros como a gente viu
[00:35:46] no caso dos prefeitos que ficaram no bunker
[00:35:48] lá durante os ataques iranianos
[00:35:50] e das constantes visitas também de políticos
[00:35:52] patrocinados pelo lobcionista
[00:35:54] e também pela indústria armamentista de Israel
[00:35:56] Obrigado pela pergunta
[00:35:58] eu não sei se vocês chegaram a ver
[00:36:00] o vídeo que vazou da formação
[00:36:02] que os prefeitos estavam recebendo lá em Israel
[00:36:04] que no início o discurso aqui
[00:36:06] os prefeitos tinham ido para lá para uma feira
[00:36:08] foram lá ver equipamentos
[00:36:10] foram também para isso
[00:36:12] mas vazou um vídeo de um
[00:36:14] porta-voz do exército israelense
[00:36:16] um brasileiro israelense
[00:36:18] que muitos israelenses tem dupla nacionalidade
[00:36:20] e esse cara vive na Globo
[00:36:22] inclusive dando entrevistas e falando
[00:36:24] sobre o que está acontecendo em Gaza
[00:36:26] no Irã, o porta-voz
[00:36:28] a referência da Globo para falar sobre o que acontece
[00:36:30] é um porta-voz do exército israelense
[00:36:32] o cara vai lá, fardado, falar
[00:36:34] imagina se fosse, sei lá
[00:36:36] algum veículo de imprensa chamando
[00:36:38] o departamento de propaganda das forças armadas israelense
[00:36:40] é, os caras são
[00:36:42] parte do esforço de recursos humanos
[00:36:44] das IDF
[00:36:46] e aí vazou um vídeo dos prefeitos
[00:36:48] recebendo uma formação
[00:36:50] uma aula desse porta-voz
[00:36:52] desse brasileiro israelense
[00:36:54] sobre o conflito
[00:36:56] sobre a situação no Oriente Médio
[00:36:58] meio que reuniu as autoridades ali
[00:37:00] que foram pra lá e disseram
[00:37:02] ó, o briefing é esse
[00:37:04] o discurso é esse
[00:37:06] a narrativa nossa é essa
[00:37:08] então vocês vão ser
[00:37:10] embaixadores agora
[00:37:12] do nosso discurso, do nosso estado
[00:37:14] é um negócio
[00:37:16] que em qualquer país sério do mundo
[00:37:18] isso no mínimo exigiria uma
[00:37:20] investigação, como assim, que porra é essa?
[00:37:22] vocês vão pra outro país
[00:37:24] receber formaçãozinha
[00:37:26] com o exército de outro país
[00:37:28] pra ser porta-voz
[00:37:30] do que eles querem aqui no Brasil
[00:37:32] se vaza o vídeo
[00:37:34] sei lá de um brasileiro
[00:37:36] tendo formação com o exército chinês
[00:37:38] esse país ia baixo
[00:37:40] é, se tendo
[00:37:42] servindo como porta-voz
[00:37:44] sei lá, da russa aqui no Brasil
[00:37:46] a galera é enlouquecer, sei lá
[00:37:48] imagina se sai
[00:37:50] uma informação de que o Hezbollah tá dando
[00:37:52] formação pra algum brasileiro
[00:37:54] se representando aqui
[00:37:56] os caras iam usar isso como o maior
[00:37:58] espantalho do mundo
[00:38:00] mas como Israel e Israel tudo pode
[00:38:02] tá liberado
[00:38:04] como Israel se transformou
[00:38:06] nessa referência hoje
[00:38:08] tecnológica
[00:38:10] até ideológica também pra direita
[00:38:12] primeiro, a gente precisa reconhecer
[00:38:14] e é muito importante que a gente saiba isso
[00:38:16] que Israel é sim uma potência militar
[00:38:18] não à toa
[00:38:20] boa parte das polícias do Brasil hoje
[00:38:22] são armadas
[00:38:24] com equipamento de violência
[00:38:26] mas
[00:38:28] a própria condição de Israel no Oriente Médio
[00:38:30] a quantidade de guerras que ele precisou enfrentar
[00:38:32] o fato de ser um país muito pequeno
[00:38:34] com uma população muito pequena
[00:38:36] com uma economia que paralisa
[00:38:38] seus serviços essenciais
[00:38:40] em situações de conflito
[00:38:42] Israel precisou desenvolver
[00:38:44] e aí contou com a ajuda
[00:38:46] de todos os países centrais do capitalismo
[00:38:48] todos os países imperialistas
[00:38:50] e por muito tempo também com outros países
[00:38:52] no início Israel teve
[00:38:54] relações, a própria União Soviética
[00:38:56] votou a favor da criação do Estado de Israel
[00:38:58] mas enfim, é uma história ainda mais complexa
[00:39:00] inclusive é uma história que mostra
[00:39:02] ao contrário do que muitos defensores
[00:39:04] de Israel contam hoje
[00:39:06] que o problema não é
[00:39:08] que o governo Netanyahu é um governo
[00:39:10] de direita
[00:39:12] porque os primeiros governos israelenses
[00:39:14] foram governos de esquerda
[00:39:16] foram governos trabalhistas
[00:39:18] o partido trabalhista em Israel
[00:39:20] sempre foi e ainda é muito forte
[00:39:22] só que tem um problema
[00:39:24] que é o colonialismo de esquerda
[00:39:26] ele ainda é colonialismo
[00:39:28] o problema de Israel
[00:39:30] não é que ele é governado por um psicopata
[00:39:32] o partido trabalhista governou os primeiros 50 anos
[00:39:34] de Israel com pequenas exceções
[00:39:36] o governo Beguim ali
[00:39:38] o problema de Israel hoje
[00:39:40] não é só que ele é governado por um psicopata
[00:39:42] assassino
[00:39:44] que iria ser enforcado lá em Jerusalém
[00:39:46] junto com Ashman lá
[00:39:48] com os nazistas que foram condenados lá
[00:39:50] mas o problema de Israel
[00:39:52] é um problema de nascimento
[00:39:54] que envolve o fato de ter sido criado
[00:39:56] onde já tinha gente
[00:39:58] e para se manter precisa
[00:40:00] aplicar uma política colonial
[00:40:02] isso não significa dizer que não há espaço
[00:40:04] para judeus, árabes, muçulmanos
[00:40:06] todos os povos que lá
[00:40:08] viviam viverem em conjunto
[00:40:10] porque a Palestina antes da criação do Estado de Israel
[00:40:12] tinha uma população judaica
[00:40:14] considerável
[00:40:16] então
[00:40:18] até a própria solução de dois estados
[00:40:20] que já foi enterrada por Israel
[00:40:22] não necessariamente seria única
[00:40:24] é possível que exista um Estado binacional
[00:40:26] um Estado plurinacional
[00:40:28] ou um Estado que abarque os povos daquela região
[00:40:30] mas essa é outra discussão, tentando voltar
[00:40:32] para a tua pergunta
[00:40:34] pelas próprias condições em que Israel
[00:40:36] existe e precisou se desenvolver
[00:40:38] precisou lutar para garantir
[00:40:40] que não seria ameaçado
[00:40:42] na sua existência incluindo
[00:40:44] o desenvolvimento da humanidade nuclear
[00:40:46] que hoje é a arma do diálogo
[00:40:48] como diria a galera lá do choque de cultura
[00:40:50] Israel precisou desenvolver
[00:40:52] uma indústria bélica muito forte
[00:40:54] de uma capacidade muito boa, técnica assim
[00:40:56] falando nesses termos
[00:40:58] e alinha-se a isso
[00:41:00] o elemento ideológico
[00:41:02] da importância dos Estados Unidos
[00:41:04] à região do Oriente Médio
[00:41:06] da importância de Israel como enclave
[00:41:08] dos Estados Unidos no Oriente Médio
[00:41:10] mas que cada vez mais
[00:41:12] consegue pautar também
[00:41:14] os Estados Unidos porque não é só que Israel
[00:41:16] faz tudo que os Estados Unidos querem
[00:41:18] e a algum grau cada vez
[00:41:20] mais Israel tem conseguido fazer
[00:41:22] com que os Estados Unidos façam o que eles querem
[00:41:24] a gente chegou muito perto
[00:41:26] de ver isso se materializar numa
[00:41:28] guerra generalizada ali contra o Irã
[00:41:30] e muito provavelmente em breve a gente vai ver
[00:41:32] mais coisas nesse sentido
[00:41:34] então Israel acabou se transformando
[00:41:36] em uma referência hoje também ideológica
[00:41:38] para a direita brasileira
[00:41:40] para a direita mundial
[00:41:42] e é uma coisa que eu
[00:41:44] ainda não investiguei da maneira
[00:41:46] como isso precisa ser investigado
[00:41:48] sabe? as raízes
[00:41:50] disso porque
[00:41:52] não deixa de ser
[00:41:54] impressionante por exemplo
[00:41:56] ver a Europa que há 50, 70
[00:41:58] anos atrás
[00:42:00] representou a maior barbária e anti-semitista
[00:42:02] da história porque o anti-semitismo
[00:42:04] é um problema ele é uma criação
[00:42:06] europeia
[00:42:08] foi a Europa que perseguiu os judeus por
[00:42:10] décadas mas ver a Europa que 70
[00:42:12] anos atrás era
[00:42:14] um caldeirão fervente de anti-semitismo
[00:42:16] que não atua levou a barbária e nazista
[00:42:18] ver hoje a Europa
[00:42:20] defendendo Israel com unhas e dentes
[00:42:22] a todo custo
[00:42:24] não deixa de ser em algum grau
[00:42:26] contraditório mas não
[00:42:28] adianta a gente esperar
[00:42:30] que essas pessoas não sejam contraditórias
[00:42:32] e não coerentes
[00:42:34] acho que não é sobre isso mas eu ainda
[00:42:36] quero investigar melhor essas afiliações
[00:42:38] ideológicas porque nem do ponto de vista
[00:42:40] religioso isso se sustenta
[00:42:42] não é como se Israel fosse o grande defesor
[00:42:44] dos cristãos da região inclusive
[00:42:46] esses dias uma igreja cristã foi
[00:42:48] atacada na Náusea Jordânia
[00:42:50] mas essa tua pergunta ela é
[00:42:52] especialmente importante para a gente aqui no Brasil
[00:42:54] porque a presença
[00:42:56] a influência e a popularidade
[00:42:58] de Israel entre as forças armadas
[00:43:00] entre as polícias brasileiras
[00:43:02] não é nem um pouco pequena
[00:43:04] não é nem um pouco pequena
[00:43:06] é quase que consenso
[00:43:08] hoje
[00:43:10] você vai olhar as polícias
[00:43:12] militares do Brasil para além
[00:43:14] dos equipamentos israelenses
[00:43:16] boa parte delas
[00:43:18] como instituição
[00:43:20] o grosso delas são ideologicamente alinhadas
[00:43:22] com Israel
[00:43:24] Israel é uma bandeira hoje da direita brasileira
[00:43:26] então deixa
[00:43:28] deixa um link
[00:43:30] deixa uma provocação para a gente
[00:43:32] investigar melhor isso porque é algo
[00:43:34] que nos vai ser caro em breve
[00:43:36] vai cobrar alguma coisa para a
[00:43:38] esquerda brasileira em breve
[00:43:58] tem lojinha física da camisa crítica
[00:44:00] no Sol e Sombra
[00:44:02] bar que fica no bairro Bela Vista
[00:44:04] em São Paulo, já aqui no Rio
[00:44:06] tem no armazém do MST, na Lapa
[00:44:08] e na livraria Leonardo da Vinci no centro
[00:44:10] camisa crítica criada para uma
[00:44:12] esquerda que não tem medo de dizer seu nome
[00:44:14] aproveite
[00:44:16] e siga nossos parceiros nas redes sociais
[00:44:18] obrigado pela atenção
[00:44:20] e voltamos ao programa
[00:44:24] a gente entrevistou
[00:44:26] já tem uns anos já
[00:44:28] a Gisele Martins que é uma
[00:44:30] ativista aqui da Maré e que é muito ligada
[00:44:32] à causa Palestina, já foi lá várias vezes
[00:44:34] e uns paralelos que ela traça
[00:44:36] de uma maneira muito objetiva assim
[00:44:38] para além
[00:44:40] das tecnologias israelenses
[00:44:42] de guerra, a máquina de guerra que Israel tem
[00:44:44] e exporta para o mundo
[00:44:46] e para o Brasil
[00:44:48] no caso do Rio
[00:44:50] o caso mais próximo
[00:44:52] nosso de estudo dele
[00:44:54] muito das ocupações
[00:44:56] e intervenções militares
[00:44:58] nas favelas
[00:45:00] são ocupadas também com estratégias
[00:45:02] que Israel tem
[00:45:04] nas ocupações que ele faz
[00:45:06] na Palestina
[00:45:08] para além das armas
[00:45:10] e do caveirão, e do helicóptero
[00:45:12] e da câmera, tudo isso que eles tem
[00:45:14] e que eles desenvolvem
[00:45:16] e que Israel
[00:45:18] fornece para o Brasil
[00:45:20] para as polícias brasileiras
[00:45:22] a estratégia de militarização
[00:45:24] de cerco
[00:45:26] é muito também similar
[00:45:28] exatamente porque fornecem
[00:45:30] também esse know-how
[00:45:32] então é uma outra
[00:45:34] escala de
[00:45:36] lobby israelense
[00:45:38] e ainda tem um
[00:45:40] que a gente vai falar também em breve
[00:45:42] que é a questão dos fundamentalistas
[00:45:44] religiosos cristãos
[00:45:46] no Rio de Janeiro principalmente
[00:45:48] mas no Brasil inteiro também ligados
[00:45:50] a Israel
[00:45:52] o complexo de Israel na Zona Norte do Rio de Janeiro
[00:45:54] a gente vai falar em breve
[00:45:56] que é uma loucura você pensar
[00:45:58] no Evangelico
[00:46:00] ligado a Israel
[00:46:02] enfim, são várias as camadas
[00:46:04] de
[00:46:06] influência de Israel
[00:46:08] é aqui no Brasil
[00:46:10] influência, loucura e cinismo
[00:46:12] é, pois é
[00:46:14] Caio
[00:46:16] se eu poder complementar essa minha pergunta
[00:46:18] tem a ver justamente com
[00:46:20] esse aspecto ideológico que você ressaltou
[00:46:22] porque essa justificativa
[00:46:24] usada de
[00:46:26] preciso me defender
[00:46:28] é uma lógica muito comum
[00:46:30] das polícias aqui no Brasil
[00:46:32] essas operações que fazem
[00:46:34] não há inteligência nenhuma
[00:46:36] nas operações brasileiras
[00:46:38] não que isso seja louvar
[00:46:40] mas não tem pager explodindo
[00:46:42] é só que eles atacam primeiro
[00:46:44] porque dizem que vão ser atacados
[00:46:46] mas não estão protegendo
[00:46:48] mas não há inteligência, é só matar gente
[00:46:50] é só matar pobre, negro, periférico
[00:46:52] e a gente vê que
[00:46:54] existe uma iniciativa
[00:46:56] ofensiva de Israel o tempo todo
[00:46:58] tensionando ali
[00:47:00] desde os ataques ali
[00:47:02] de outubro de 2023
[00:47:04] ficou mais evidente
[00:47:06] mas a verdade é que
[00:47:08] não se usa o termo
[00:47:10] faixa de Gaza como
[00:47:12] um sinônimo de conflito à toa
[00:47:14] e esse tensionamento acontece
[00:47:16] muito por causa dessa
[00:47:18] suposta
[00:47:20] essa justificativa cínica
[00:47:22] de que pra não ser atacado eu preciso atacar
[00:47:24] primeiro e aí
[00:47:26] se usa todo o aspecto ideológico
[00:47:28] que você ressaltou aqui
[00:47:30] lembrando que
[00:47:32] Israel é uma sociedade
[00:47:34] caracterizada por vários estudiosos como apartheid
[00:47:36] porque boa parte da população
[00:47:38] da população árabes, palestinos
[00:47:40] vivem sob administração militar
[00:47:42] e não tem os direitos
[00:47:44] de cidadão tem direito nenhum
[00:47:46] e toda a sociedade inclusive, os cidadãos
[00:47:48] os judeus e os árabes que são cidadãos
[00:47:50] vivem sob censura militar
[00:47:52] ficou muito claro agora durante os ataques iranianos
[00:47:54] com um policial tomando câmera
[00:47:56] que tava filmando região destruída
[00:47:58] pra não passar uma imagem de fraqueza
[00:48:00] então a dita única democracia
[00:48:02] do Oriente Médio
[00:48:04] impõe aos seus próprios cidadãos
[00:48:06] censura militar
[00:48:08] mas falando bastante de Israel
[00:48:10] aqui com o Euclides
[00:48:12] porque mesmo a nossa audiência
[00:48:14] as pessoas críticas e tal
[00:48:16] a gente tem muito pouco acesso
[00:48:18] a informações do Irã
[00:48:20] e acaba tendo a nossa mídia refletindo
[00:48:22] a filoscopia
[00:48:24] a mídia ocidental
[00:48:26] passa uma visão estereotipada do Irã
[00:48:28] o Chiita significa
[00:48:30] virou sinônimo de radicalismo
[00:48:32] o Irã, o país atrasado
[00:48:34] que oprime os cidadãos
[00:48:36] oprime as mulheres, até oprime também
[00:48:38] tem violações de direitos humanos
[00:48:40] eu não vou negar isso
[00:48:42] mas o Irã é um país bastante grande
[00:48:44] que a gente está num país continental
[00:48:46] acho que o mundo é pequeno
[00:48:48] mas o Irã tem 1.600.000 km²
[00:48:50] é um pouco maior do que o estado do Amazonas
[00:48:52] que é o nosso maior estado
[00:48:54] o tamanho de quatro Alemanhas
[00:48:56] que é o maior país da Europa ocidental
[00:49:00] tem 90 milhões de pessoas
[00:49:02] é quase meio Brasil
[00:49:04] pra ter uma ideia eu falei aqui do estado do Amazonas
[00:49:06] tem 4 milhões
[00:49:08] então nós temos o dobro numa área muito maior
[00:49:10] tem uma indústria complexa
[00:49:12] uma rede urbana complexa
[00:49:14] uma história
[00:49:16] é a Pérsia
[00:49:18] o Irã não é um país árabe
[00:49:20] é um país muçulmano
[00:49:22] tem várias etnias
[00:49:24] mas a etnia predominante é persa
[00:49:26] é um país predominantemente
[00:49:28] chiita
[00:49:30] que é uma vertente do islamismo
[00:49:32] enquanto a maior parte dos islâmicos são sunitas
[00:49:34] com todas as características
[00:49:36] ele ocupa uma posição muito estratégica
[00:49:38] porque se o Oriente Médio é a esquina do mundo
[00:49:40] como definiu Euclides
[00:49:42] o Irã está na fronteira
[00:49:44] do chamado Oriente Médio
[00:49:46] com um subcontinente indiano
[00:49:48] não muito longe da China
[00:49:50] embora não faça fronteira
[00:49:52] tem disputas históricas com o Império Russo
[00:49:54] tanto que faz fronteira com o Azerbaijão e a Armênia
[00:49:56] que são duas ex repúblicas soviéticas
[00:49:58] e já teve essa disputa com o Império Russo
[00:50:00] hoje está próximo da Rússia
[00:50:02] queria que Euclides falasse
[00:50:04] um pouco dessa questão geopolítica do Irã
[00:50:06] como ele se equilibra
[00:50:08] como um país
[00:50:10] que desenvolveu desde a Revolução Islâmica de 79
[00:50:12] nos últimos 45 anos
[00:50:14] um antagonismo
[00:50:16] com os países centrais do
[00:50:18] capitalismo do ocidente
[00:50:20] embora não fosse
[00:50:22] um país comunista
[00:50:24] não é um país
[00:50:26] de esquerda
[00:50:28] é um país com um regime razoavelmente teocrático
[00:50:30] ligado a uma religião
[00:50:32] que é conservadora
[00:50:34] conservador por definição
[00:50:36] mas tem essa posição nacionalista
[00:50:38] de autonomia e de dependência
[00:50:40] então como é que se equilibra
[00:50:42] o Irã no jogo geopolítico atual
[00:50:44] entre o ocidente
[00:50:46] entre a Rússia
[00:50:48] sobretudo a Rússia após a invasão da Ucrânia
[00:50:50] porque a Rússia foi sendo integrada ao sistema ocidental
[00:50:52] e aí ela virou párea de novo
[00:50:54] a partir de 2022
[00:50:56] e a grande potência emergente
[00:50:58] que é a China
[00:51:00] bicho, essa é uma pergunta que dá
[00:51:02] pano pra manga
[00:51:04] inclusive porque
[00:51:06] esse é o grande dilema de muitos comunistas
[00:51:08] que é
[00:51:10] postura diante de estados
[00:51:12] e governos como esses
[00:51:14] porque o Irã é uma teocracia
[00:51:16] não tem partido
[00:51:18] comunista na legalidade no Irã
[00:51:20] quem é comunista atua na ilegalidade
[00:51:22] na condestinidade do Irã
[00:51:24] dá pra contar
[00:51:26] nos dedos das duas mãos
[00:51:28] a quantidade de massacres de comunistas
[00:51:30] que inclusive
[00:51:32] comprometeram muito a capacidade
[00:51:34] dirigente dos partidos
[00:51:36] que atuavam no Irã
[00:51:38] eu tentei dar uma olhada nas notas
[00:51:40] nos pronunciamentos dos partidos comunistas
[00:51:42] lá dentro, alguns menores, outros
[00:51:44] com alguma expressão
[00:51:46] mas esse é o dilema
[00:51:48] e eu nem imagino como deve ser
[00:51:50] ser comunista lá
[00:51:52] nesse momento
[00:51:54] porque se ser comunista lá
[00:51:56] significa atuar na condestinidade
[00:51:58] nesse momento
[00:52:00] você olha pro negócio
[00:52:02] e diz assim, é isso
[00:52:04] vou ter que defender essa guerra como
[00:52:06] uma guerra defensiva e justa
[00:52:08] porque pra mim essa é a posição mais responsável
[00:52:10] não só pra um comunista mas pra qualquer
[00:52:12] pessoa que se diga
[00:52:14] anti-imperialista, isso aqui é
[00:52:16] essa guerra do Irã é uma guerra defensiva
[00:52:18] o Irã é alvo
[00:52:20] de uma ofensiva imperialista no Oriente Médio
[00:52:22] é uma guerra defensiva e portanto
[00:52:24] é uma guerra justa
[00:52:26] mas eu não tenho nem muita certeza se o Irã
[00:52:28] quer a defesa dos comunistas, eu tenho essa dúvida
[00:52:30] inclusive
[00:52:32] então assim
[00:52:34] esse dilema
[00:52:36] na história de outros partidos comunistas
[00:52:38] na história do movimento comunista
[00:52:40] ele se apresentou também em outros países
[00:52:42] talvez o melhor
[00:52:44] exemplo de quem
[00:52:46] conseguiu lidar com esse dilema
[00:52:48] da melhor forma e não à toa venceu
[00:52:50] foram os comunistas
[00:52:52] chineses
[00:52:54] que conseguiram
[00:52:56] a certa altura fazer uma frente tática ali
[00:52:58] com os nacionalistas
[00:53:00] que tinham acabado
[00:53:02] de cometer um massacre contra os
[00:53:04] comunistas, mas os caras
[00:53:06] perceberam que olha
[00:53:08] do outro lado tá o Japão e a gente vai ter que fazer
[00:53:10] uma frente tática aqui, mas eles só
[00:53:12] conseguiram fazer essa frente tática porque eles tinham
[00:53:14] força própria
[00:53:16] eles tinham um exército próprio
[00:53:18] controlavam partes do país
[00:53:20] tinham condições
[00:53:22] de pautar essa frente
[00:53:24] porque se for só um desejo
[00:53:26] tá, o outro lado vai dizer beleza
[00:53:28] mas aí vocês não tem muito a oferecer nessa frente tática
[00:53:30] então
[00:53:32] no caso do Irã
[00:53:34] e aí passando para a segunda parte
[00:53:36] da tua pergunta, da importância
[00:53:38] do Irã
[00:53:40] olha, o Irã cumpre inclusive um papel
[00:53:42] central na nova rota da seda chinesa
[00:53:44] então não dá também para
[00:53:46] separar
[00:53:48] o momento da ofensiva escolhido
[00:53:50] do momento do reforço
[00:53:52] de uma série de parcerias entre Irã e
[00:53:54] China, do anúncio de uma série
[00:53:56] de obras de infraestrutura chinesas no Irã
[00:53:58] e por aí vai. A China vem tentando
[00:54:00] organizar
[00:54:02] integrar ao seu projeto
[00:54:04] aquela parte do mundo, isso
[00:54:06] ameaça sim
[00:54:08] os planos dos Estados Unidos
[00:54:10] e
[00:54:12] olhar a ascensão da China
[00:54:14] nos últimos anos
[00:54:16] envolve a gente pensar
[00:54:18] e muita gente chama isso de multipolaridade
[00:54:20] é uma opção chamar o cenário
[00:54:22] atual, dizer que o mundo
[00:54:24] está caminhando para um cenário
[00:54:26] multipolar
[00:54:28] mas isso significa dizer que as contradições
[00:54:30] entre as principais potências
[00:54:32] do mundo
[00:54:34] começam a ter que ser
[00:54:36] resolvidas pela via da força
[00:54:38] então de fato
[00:54:40] eu não discordo
[00:54:42] que o fortalecimento
[00:54:44] de outros polos
[00:54:46] dentro do sistema imperialista mundial e de países
[00:54:48] que estavam fora desse sistema imperialista
[00:54:50] seja bom, porque enfraquece
[00:54:52] esse sistema imperialista
[00:54:54] estruturado a partir da segunda guerra
[00:54:56] focado nos Estados Unidos
[00:54:58] mas ao mesmo tempo ele abre uma série
[00:55:00] de riscos
[00:55:02] que poderiam ser oportunidades
[00:55:04] a depender de quem
[00:55:06] e como
[00:55:08] resolver explorá-las
[00:55:10] talvez seja esse o caso da contradição
[00:55:12] China e Estados Unidos
[00:55:14] que em algum momento vai ter que
[00:55:16] escalar para algo maior do que uma guerra
[00:55:18] tarifária
[00:55:20] em algum momento vai ter que escalar para algo maior do que
[00:55:22] disputas em países
[00:55:24] estratégicos para ambos
[00:55:26] regiões estratégicas para ambos
[00:55:28] como é o Anitmede
[00:55:30] e a gente não pode nunca
[00:55:32] jamais
[00:55:34] considerar
[00:55:36] que por mais que o imperialismo estadunidense
[00:55:38] está assim
[00:55:40] em decadência, ele não vai cair de maduro
[00:55:42] e ele continua muito forte
[00:55:44] a decadência do
[00:55:46] imperial estadunidense ainda é muito
[00:55:48] mais forte que qualquer
[00:55:50] outra alternativa de cenário que existe no mundo
[00:55:52] olhar para o Irã
[00:55:54] e sim, eu tenho muita vontade
[00:55:56] de conhecer o Irã
[00:55:58] eu conheço muita gente que já foi para lá
[00:56:00] é um país belíssimo
[00:56:02] é um país com uma cultura riquíssima
[00:56:04] é uma sociedade
[00:56:06] e isso eu ouvi de um amigo que esteve lá
[00:56:08] há pouco tempo, é uma sociedade
[00:56:10] se reprimida não só
[00:56:12] na questão dos direitos das mulheres
[00:56:14] mas em outras questões também direitos de minorias
[00:56:16] nacionais, questão religiosa
[00:56:20] nas chamadas liberdades
[00:56:22] democráticas que são importantes para a atuação
[00:56:24] dos comunistas e de pessoas
[00:56:26] à esquerda
[00:56:28] passos táticos importantes para nós
[00:56:30] mas que não é esse inferno na terra
[00:56:32] que a galera quer vender
[00:56:36] nunca foi e não é
[00:56:38] o tema específico
[00:56:42] da opressão de gênero, da opressão sobre as mulheres
[00:56:44] que apareceu muito nos
[00:56:46] noticiários nos últimos anos, especialmente a partir da morte
[00:56:48] daquela menina, eu não vou lembrar o nome dela agora
[00:56:50] mas que foi morta pela polícia iraniana
[00:56:52] a polícia dos costumos lá
[00:56:56] isso acendeu um debate que é um debate
[00:56:58] muito necessário
[00:57:00] que é o debate sobre o caráter
[00:57:02] da sociedade iraniana
[00:57:04] que assim ou é, não porque
[00:57:06] é uma sociedade muçulmana
[00:57:08] não porque é uma sociedade
[00:57:10] oriental
[00:57:12] mas porque é uma teocracia
[00:57:14] e nesse sentido
[00:57:16] Israel não caminha
[00:57:18] num caminho muito diferente também não
[00:57:22] Israel caminha, passa os lagos
[00:57:24] para se tornar também uma teocracia
[00:57:26] também no sentido religioso
[00:57:28] ou o elemento religioso
[00:57:30] o elemento teocrático, o elemento da opressão
[00:57:32] nacional, da opressão às mulheres
[00:57:34] não surge quando o tema
[00:57:36] são outros países como a Arébia Saudita
[00:57:38] por exemplo
[00:57:40] então a gente vê que há uma
[00:57:42] instrumentalização
[00:57:44] que é perigosa
[00:57:46] mas a instrumentalização de um problema real
[00:57:48] e que a gente não pode
[00:57:50] se furtar
[00:57:52] a falar dele porque senão só quem vai
[00:57:54] falar é o outro lado
[00:57:56] só quem vai falar
[00:57:58] é o imperialismo, quem vai falar é o liberalismo
[00:58:00] quem vai falar é a direita
[00:58:02] e vai usar isso como motivo
[00:58:04] para
[00:58:06] enfim
[00:58:08] executar seus planos na região
[00:58:10] e a gente pode usar o exemplo da Síria agora inclusive
[00:58:12] que pós queda de Bashar al-Assad
[00:58:14] quem está no governo da Síria é um grupo
[00:58:16] afiliado à al-Qaeda e que já foi afiliado
[00:58:18] aos Estados d’Amico também
[00:58:20] os caras não tem muito problema com fundamentalismo religioso não
[00:58:22] é só quando não é o seu
[00:58:24] quando não é o seu aliado
[00:58:26] só quando promove algum projeto autonomista
[00:58:28] né
[00:58:30] é
[00:58:32] Euclides, tá muito bom o papo
[00:58:34] e você além de esclarecer
[00:58:36] bastante pontos
[00:58:38] ainda tem o privilégio de ter o sotaque
[00:58:40] o segundo sotaque mais bonito do Brasil
[00:58:42] o carioca tá na frente
[00:58:44] mas esse seu sotaque é muito bom de ouvir
[00:58:48] queria te perguntar cara
[00:58:50] a gente tem visto aí
[00:58:52] no noticiário com essa coisa
[00:58:54] dessa guerra
[00:58:56] mais escancarada entre duas potências
[00:58:58] dois países grandes, né
[00:59:00] o que o Jairo tava fazendo era um genocídio
[00:59:02] com a Palestina
[00:59:04] acho que era um outro tipo de
[00:59:06] contexto, né, até mesmo pra grande mídia
[00:59:08] pra mídia burguesa
[00:59:10] agora a gente fala de guerra
[00:59:12] entre dois países grandes
[00:59:14] o mundo tá em guerra há muito tempo mas entre dois países
[00:59:16] tão relevantes talvez
[00:59:18] é, a gente grande
[00:59:20] a gente arma nuclear
[00:59:22] e aí começa a se especular
[00:59:24] nem digo
[00:59:26] terceira guerra
[00:59:28] ou guerra nuclear, nem digo
[00:59:30] mas digo de outros
[00:59:32] tensionamentos
[00:59:34] geopolíticos que já existem
[00:59:36] começam a se pipocar
[00:59:38] desde especulações
[00:59:40] até efetivamente coisas que podem
[00:59:42] acontecer, uma dessas especulações
[00:59:44] que se tem considerando
[00:59:46] o caráter fechado
[00:59:48] né, como é mais ou menos
[00:59:50] o Irã, mas ainda mais
[00:59:52] fechado de um regime
[00:59:54] que é na Coreia do Norte
[00:59:56] então assim, queria que você desse pra
[00:59:58] gente o panorama
[01:00:00] se a gente pode, vão ser
[01:00:02] meio que três perguntas em uma, vamos ver se
[01:00:04] vai servir
[01:00:06] se não você pode responder uma só
[01:00:08] provavelmente uma seria minha, mas tudo bem
[01:00:10] é, pode ser, mas
[01:00:12] a sequência é
[01:00:14] se você acredita
[01:00:16] não digo acredita, porque
[01:00:18] qual a análise que você faz
[01:00:20] de outras
[01:00:22] guerras, outros frontes, porque
[01:00:24] acabar que vai ser a mesma guerra talvez
[01:00:26] mas ter outros frontes
[01:00:28] a partir do que a gente está vendo
[01:00:30] embora pausada aí
[01:00:32] a partir desse escalonamento
[01:00:34] Irã, Israel
[01:00:36] falei Irã
[01:00:38] Irã, Israel
[01:00:40] o Irã também é complexo
[01:00:42] mas não entra em guerra
[01:00:44] então, se você vê essa possibilidade
[01:00:46] se entenda essa possibilidade
[01:00:48] a Coreia do Norte nisso
[01:00:50] se a Coreia do Norte pode ser atacada
[01:00:52] se a Coreia do Norte pode atacar
[01:00:54] o que que a Coreia do Norte
[01:00:56] está desenhando
[01:00:58] sabendo que ela pode estar
[01:01:00] sendo um alvo, por exemplo
[01:01:02] ou aproveitando e ter um alvo
[01:01:04] que ela queria atacar
[01:01:06] e nesse
[01:01:08] meio, nesse caldo
[01:01:10] você vê o papel da ONU
[01:01:12] porque assim, é um negócio que
[01:01:14] a gente tem as críticas da ONU
[01:01:16] há muito tempo, não é novidade
[01:01:18] nosso campo tem a crítica da ONU
[01:01:20] ainda mais que o Israel
[01:01:22] sempre fez o que quis, pois é
[01:01:24] mas que fica
[01:01:26] cada vez mais patente
[01:01:28] que uma organização
[01:01:30] que tenta sentar
[01:01:32] e tenta pedir a voz
[01:01:34] gente, posso falar, posso falar
[01:01:36] você é professor, você sabe o que eu estou falando
[01:01:38] a ONU estava bagunça e o professor
[01:01:40] queria falar
[01:01:42] está um sexto ano depois da educação física
[01:01:44] exato
[01:01:46] de jogo
[01:01:48] olimpíada na escola
[01:01:50] e qual o papel da ONU
[01:01:52] nisso, porque isso não está conseguindo
[01:01:54] nem ser relevante
[01:01:56] ali na superfície, que já foi
[01:01:58] vamos falar com a ONU, a ONU vai tentar resolver
[01:02:00] nunca resolveu nada, mas pelo menos
[01:02:02] a ONU vai tentar resolver
[01:02:04] vai ter falação
[01:02:06] a inação completa
[01:02:08] queria que você respondesse aí essas três
[01:02:10] encadeadas aí
[01:02:12] bicho então, a ONU
[01:02:14] começando de trás pra frente, a ONU
[01:02:16] ela é um grande fórum
[01:02:18] a gente não pode perder isso de vista
[01:02:20] a ONU ela não tem
[01:02:22] tropas próprias, não tem capacidade
[01:02:24] de impor
[01:02:26] o que decide
[01:02:28] aos outros países, isso é importante de se pensar
[01:02:30] o que são
[01:02:32] muitas vezes já apresentados como tropas da ONU
[01:02:34] são tropas que um país cede pra alguma missão da ONU
[01:02:36] por exemplo, como o Brasil já fez
[01:02:38] mais de uma vez
[01:02:40] e a gente também não pode
[01:02:42] destacar que a ONU
[01:02:44] embora seja um fórum importante
[01:02:46] pra gente conseguir informações
[01:02:48] conseguir ter acessos, eu sempre costumo
[01:02:50] sei lá, ler os relatórios
[01:02:52] da agência da ONU para refugiados
[01:02:54] palestinos, que traz dados importantes
[01:02:56] que a gente não teria de outra forma
[01:02:58] mas a ONU ela é uma organização
[01:03:00] nacional, estruturada
[01:03:02] a partir dos vencedores
[01:03:04] da Segunda Guerra Mundial
[01:03:06] nada mais é, o Conselho de Segurança
[01:03:08] inclusive é isso, é literalmente ali
[01:03:10] a Rússia representando a União Soviética
[01:03:12] como a União Soviética na ONU
[01:03:14] e os outros países ali que cumpriam o papel central
[01:03:16] na derrota do eixo, então os Estados Unidos
[01:03:18] França, Inglaterra, China
[01:03:20] que lutou contra o Japão lá na Ásia e por aí vai
[01:03:22] então aquilo ali
[01:03:24] é o
[01:03:26] balcão
[01:03:28] que as potências pós Segunda Guerra
[01:03:30] Mundial montou
[01:03:32] para tentar evitar um
[01:03:34] Hecatombe Mundial
[01:03:36] vamos ter um lugar para a gente se conversar
[01:03:38] para tentar evitar
[01:03:40] o que der para evitar
[01:03:42] nas disputas dos nossos interesses nacionais
[01:03:44] então é muito mais aquele
[01:03:46] fórum, que venhamos e convenhamos
[01:03:48] essa altura do campeonato é bizarro
[01:03:50] esse Conselho de Segurança ser como é
[01:03:52] que basta um levantar o dedo
[01:03:54] e pudeu a discussão inteira
[01:03:56] basicamente a paralisia está no veto
[01:03:58] Conselho de Segurança
[01:04:00] a gente viu isso no tema da Palestina
[01:04:02] todo mundo vota no negócio da Palestina
[01:04:04] meia dos ligados pingados vota contra
[01:04:06] mas os Estados Unidos que estão no Conselho de Segurança levanta o dedo e acabou
[01:04:08] não vai fazer nada
[01:04:10] então inclusive
[01:04:12] essa paralisia da ONU hoje
[01:04:14] ela é mais um indicativo
[01:04:18] da crise do sistema internacional
[01:04:20] montado a partir da Segunda Guerra Mundial
[01:04:24] e dialoga com a tua primeira pergunta
[01:04:26] que é
[01:04:28] a crise do sistema
[01:04:30] estruturado a partir do fim da Segunda
[01:04:32] Guerra Mundial
[01:04:34] nenhuma crise se resolve por si só
[01:04:38] o que foi que resolveu a crise
[01:04:40] do pós Primeira Guerra Mundial?
[01:04:42] foi a Segunda Guerra Mundial
[01:04:46] o que foi que resolveu o impasse
[01:04:48] a crise pré-Primeira Guerra Mundial?
[01:04:50] foi a Primeira Guerra Mundial
[01:04:52] em que os países europeus se
[01:04:54] enfrentaram, se degladiaram na
[01:04:56] Maior Guerra do Mundo e ali se estruturou
[01:04:58] outro sistema mundial pós Primeira Guerra
[01:05:00] e aquele sistema já se
[01:05:02] mostrou em crise com a sessão do fascismo
[01:05:04] e a Segunda Guerra Mundial vem
[01:05:06] e resolve de maneira traumática
[01:05:08] a Segunda Maior Guerra
[01:05:10] que o mundo já
[01:05:12] melhor dizendo, a segunda vez
[01:05:14] que o mundo vem em sequência a maior guerra que
[01:05:16] eu já tinha visto e resolve aquele impasse
[01:05:18] se a gente está vendo
[01:05:20] um impasse no sistema
[01:05:22] sensacional, estruturado
[01:05:24] pós Segunda Guerra Mundial
[01:05:26] não é sensacionalismo, embora muitas vezes
[01:05:28] isso seja falado de maneira caça-clique
[01:05:30] de maneira bait e tal
[01:05:32] a Terceira Guerra Mundial está ali, a Terceira Guerra Mundial está atrás
[01:05:34] está depois do corredor ali
[01:05:36] está atrás da porta, vai amanhã, vai acontecer amanhã
[01:05:38] meus alunos mesmo só falavam disso
[01:05:40] mas eles só falavam disso porque só viam isso
[01:05:42] na televisão, nos principais
[01:05:44] criadores de conteúdo sobre o tema e aí
[01:05:46] professor, vai até ou não essa Segunda Guerra?
[01:05:48] essa Terceira Guerra? E aí como é que vai ser?
[01:05:50] Então isso está no nosso imaginário
[01:05:52] muito por parte do sensacionalismo
[01:05:54] de quem fala sobre isso
[01:05:56] mas também por uma constatação
[01:05:58] real, que é
[01:06:00] esses impasses que a gente está vendo hoje
[01:06:02] essas crises
[01:06:04] elas podem sim levar a uma guerra generalizada
[01:06:06] uma guerra de grandes proporções, que não necessariamente
[01:06:08] vai ser um Hecatombinonuclear
[01:06:12] pode ser que não, inclusive porque
[01:06:14] o mundo já convive com armas
[01:06:16] nucleares há muito tempo
[01:06:18] para saber outras formas
[01:06:20] de lidar com seus dilemas
[01:06:22] e ao mesmo tempo
[01:06:24] a tecnologia nuclear já foi desenvolvida
[01:06:26] a ponto de desenvolver aquilo que o pessoal chama de
[01:06:28] armas nucleares táticas
[01:06:30] que são com menor potencial ofensivo e destrutivo
[01:06:32] e que não é impossível imaginar
[01:06:34] ela sendo utilizada em algum momento
[01:06:38] inclusive tem esse debate
[01:06:40] na galera da questão
[01:06:42] dos armamentos nucleares que é
[01:06:44] tem uma galera que acha muito tentador
[01:06:46] e possível utilizar
[01:06:48] armas nucleares táticas em conflitos
[01:06:50] do ponto de vista, vamos conjecturar aqui
[01:06:52] como é que seria
[01:06:54] e tem uma galera que chama a atenção para o fato de que
[01:06:56] não é muito fácil garantir que
[01:06:58] isso não vai escalar para algo maior
[01:07:00] então fica sempre nesse
[01:07:02] dilema aí, nesse
[01:07:04] meio do caminho, mas o risco
[01:07:06] de uma terceira guerra
[01:07:08] ou chama-se lá como queira chamar, porque tem gente que
[01:07:10] chama a guerra fria, terceira guerra mundial
[01:07:12] mas uma guerra de grandes proporções
[01:07:14] não é impossível, eu acho
[01:07:16] inclusive que a gente chegou perto disso
[01:07:18] no fim do mandato
[01:07:20] de Biden, porque
[01:07:22] quando os democratas perceberam
[01:07:24] e quando eles perderam as eleições
[01:07:26] a impressão que deu
[01:07:28] é que os caras soltaram todos
[01:07:30] os freios da Ucrânia
[01:07:32] soltaram a coleira dos caras
[01:07:34] para barbarizar e fazer o que quiser
[01:07:36] ali a depender da resposta
[01:07:38] da Rússia o negócio podia se transformar
[01:07:40] numa guerra generalizada na Europa
[01:07:42] a Rússia conseguiu, soube
[01:07:44] manobrar ali o freio
[01:07:46] acelerador e fazer as coisas aos poucos
[01:07:48] mas ali eu acho que a gente
[01:07:50] chegou perto, agora
[01:07:52] por exemplo, a depender da resposta
[01:07:54] não necessariamente a resposta dos Estados Unidos
[01:07:56] mas o que foi que eu pensei muito nos primeiros dias
[01:07:58] desses caramulsos entre Israel e
[01:08:00] Irã, era, Israel precisa
[01:08:02] de toda forma de uma guerra generalizada e precisa
[01:08:04] chamar os Estados Unidos para ela
[01:08:06] formas e formas de chamar isso
[01:08:08] uma das formas
[01:08:10] poderia ser o uso
[01:08:12] de armamento nuclear
[01:08:14] contra o Irã
[01:08:16] não destruir o Irã
[01:08:18] por meio de armas nucleares
[01:08:20] mas uma bomba selatática
[01:08:22] uma bomba de menor potencial
[01:08:24] ofensivo, poderia ser
[01:08:26] uma forma de precipitar
[01:08:28] um negócio tão grande ali que os Estados Unidos
[01:08:30] não teriam outra forma
[01:08:32] que não entrar
[01:08:34] tenho certeza que
[01:08:36] isso estava na mesa, era uma das opções na mesa
[01:08:38] não foi escolhido
[01:08:40] porque também não é um recurso
[01:08:42] fácil a se recorrer
[01:08:44] armas nucleares só foram utilizadas até hoje
[01:08:46] uma vez na história para os Estados Unidos
[01:08:48] inclusive é muito bom a gente
[01:08:50] sempre bater nessa tecla
[01:08:52] não é o Irã, que é o perigo nuclear do mundo
[01:08:54] não foi a Coreia do Norte que jogou
[01:08:56] duas bombas nucleares no Japão
[01:08:58] não foi a Coreia do Norte que matou
[01:09:00] que barbarizou
[01:09:02] e varreu do mapa duas cidades em poucos minutos
[01:09:04] foram nos Estados Unidos
[01:09:06] e falando na Coreia do Norte
[01:09:08] então, mas só para fechar
[01:09:10] sim, não é impossível a gente pensar
[01:09:12] numa guerra de grandes proporções
[01:09:14] pode não ser um Hecatombe nuclear
[01:09:16] pode não ser uma guerra da dimensão da Segunda Guerra Mundial
[01:09:18] pode até ser maior
[01:09:20] sabe-se lá quem
[01:09:22] participaria disso
[01:09:24] como seria o passo a passo
[01:09:26] são coisas que não dá para projetar
[01:09:28] mas a gente sabe que tem dois blocos
[01:09:30] hoje majoritários
[01:09:32] no mundo
[01:09:34] e que as divisões estão mais ou menos estabelecidas
[01:09:36] a gente sabe, com certeza
[01:09:38] que de um lado estaria os Estados Unidos e do outro estaria a China
[01:09:40] como seria
[01:09:42] aí só o futuro vai dizer
[01:09:44] não dá para a gente fazer muita projeção
[01:09:46] porque senão vira só
[01:09:48] enfim, mediunidade
[01:09:50] mas
[01:09:52] Coreia do Norte
[01:09:54] bicho, a Coreia do Norte tem um
[01:09:56] trunfo
[01:09:58] geográfico
[01:10:00] e uma maldição geográfica que é a mesma coisa
[01:10:02] que a Coreia do Norte está muito próxima da China
[01:10:04] e da Rússia
[01:10:06] então é um
[01:10:08] trunfo geográfico porque
[01:10:10] qualquer coisa contra a Coreia do Norte
[01:10:12] é automaticamente uma coisa contra a
[01:10:14] Rússia e a China
[01:10:16] não à toa a intervenção chinesa na
[01:10:18] Guerra da Coreia se dá para
[01:10:20] evitar que os Estados Unidos
[01:10:22] estivessem na fronteira chinesa
[01:10:24] a Coreia do Norte funciona como um estado tampão ali
[01:10:26] entre as bases
[01:10:28] dos Estados Unidos na Coreia do Sul e a fronteira
[01:10:30] chinesa
[01:10:32] Mao Zedong
[01:10:34] a liderança da revolução chinesa
[01:10:36] um dos mais famosos comunistas da história
[01:10:38] tinha uma frase meio
[01:10:40] chula, perdão para
[01:10:42] os espectadores, se vocês já conhecem
[01:10:44] essa frase, que é que a península
[01:10:46] da Coreia é
[01:10:48] um bastão no traseiro
[01:10:50] da China, essas são as palavras dele
[01:10:52] algumas fazem
[01:10:54] uma tradução ainda mais chula
[01:10:56] mas no sentido de que aquilo ali
[01:10:58] é uma enclave
[01:11:00] quase que natural
[01:11:02] para qualquer ameaça contra a China
[01:11:06] então isso garante que
[01:11:08] qualquer ameaça contra a Coreia do
[01:11:10] Norte seja lida com ameaça contra a China
[01:11:12] e também contra a Rússia, mas especialmente contra a China
[01:11:14] então nesse
[01:11:16] sentido a Coreia do Norte está mais ou
[01:11:18] menos resguardada, entre aspas
[01:11:20] porque não está 100%
[01:11:22] ao mesmo tempo
[01:11:24] ser vizinha de duas potências
[01:11:26] como Rússia e China
[01:11:28] também foi uma maldição para a Coreia do Norte
[01:11:30] por muito tempo, e para a Coreia quando era só
[01:11:32] um único país
[01:11:34] as tensões entre os países são conhecidas
[01:11:36] a União Soviética custou muito
[01:11:38] a intervir na Guerra da Coreia também
[01:11:40] a Coreia do Norte precisou
[01:11:42] desenvolver esse armamento nuclear também
[01:11:44] para se impor
[01:11:46] como uma potência no jogo global
[01:11:48] também diante
[01:11:50] destinos dos Estados Unidos, para conseguir
[01:11:52] manobrar sua soberania
[01:11:54] entre as ameaças
[01:11:56] do imperialismo
[01:11:58] e o perigo de submissão completa
[01:12:00] a duas potências vizinhas, duas potências terrestres
[01:12:02] econômicas, a China
[01:12:04] populacional também
[01:12:06] então o jogo da Coreia do Norte
[01:12:08] sempre foi manobrar entre
[01:12:10] esses dois cenários
[01:12:12] só que aí tem uma coisinha de leve
[01:12:14] acontecendo, e hoje eu li uma notícia também
[01:12:16] sobre isso que é, sei se vocês viram
[01:12:18] provavelmente sim, que a Coreia do Norte
[01:12:20] enviou soldados para lutarem
[01:12:22] contra os soldados ucranianos
[01:12:24] dentro do território russo
[01:12:26] teve no final
[01:12:28] ali do meio pro final
[01:12:30] do ano passado, se não me engano, acho que foi em agosto
[01:12:32] uma contra ofensiva ucraniana
[01:12:34] que conseguiu penetrar o território
[01:12:36] russo e entre aspas
[01:12:38] tomar parte do território, ou permanecer
[01:12:40] lá dentro, e essa foi uma oportunidade
[01:12:42] para colocar em prática
[01:12:44] um tratado entre Russo e Coreia do Norte
[01:12:46] que fez com que a Coreia do Norte
[01:12:48] enviasse soldados para
[01:12:50] combater na guerra, então
[01:12:52] pegar experiência militar
[01:12:54] moderna, treinar com
[01:12:56] equipamento moderno, aprender no
[01:12:58] campo de batalha, sem que
[01:13:00] fosse preciso mandar os
[01:13:02] norte-coreanos para a Ucrânia
[01:13:04] que seria outros 500
[01:13:06] se bota os caras dentro do território ucraniano
[01:13:08] do ponto de vista diplomático, do ponto de vista mundial
[01:13:10] aí vira outros 500
[01:13:12] mas já que a Rússia teve parte do seu território
[01:13:14] invadido também, eles tiveram
[01:13:16] essa oportunidade, inclusive o desempenho
[01:13:18] dos norte-coreanos, o que tudo indica
[01:13:20] foi muito bom, os caras tiveram alguns revezes
[01:13:22] no início, mas aprenderam bem
[01:13:24] e é uma experiência de combate que nem os países da OTAN
[01:13:26] tem, por exemplo
[01:13:28] porque por mais que tenha ali um ou outro consultor
[01:13:30] junto com as tropas ucranianas
[01:13:32] os caras não mandaram tropas próprias
[01:13:34] ainda, tem os mercenários
[01:13:36] que vão lá, tem um ou outro
[01:13:38] que estão dialogando com os estados de
[01:13:40] origem, mas eles não mandaram
[01:13:42] não tem tropas regulares
[01:13:44] em uma experiência de combate
[01:13:46] não mandaram tropas regulares
[01:13:48] não tem, e tem tropas norte-coreanas
[01:13:50] que tem essa experiência hoje
[01:13:52] e agora saiu uma notícia na Reuters
[01:13:54] segundo a agência de inteligência
[01:13:56] da Coreia do Sul, e a gente pode acreditar
[01:13:58] nisso, porque foi a inteligência da Coreia do Sul
[01:14:00] que deu o furo da outra vez
[01:14:02] tem uma nova leva de norte-coreanos
[01:14:04] que provavelmente vai ser enviado
[01:14:06] para a Ucrânia em agosto
[01:14:08] a gente sabe mesmo que é isso
[01:14:10] em agosto ou setembro
[01:14:12] então assim, eles estão aproveitando
[01:14:14] esse momento, porque eles estão percebendo
[01:14:16] também que o mundo
[01:14:18] está caminhando para uma situação
[01:14:20] que vai ser um impasse, que vai ter que ser resolvido pela força
[01:14:22] sabe-se lá como vai ser isso
[01:14:24] porque a força é o que sustenta
[01:14:26] as coisas no fim das contas
[01:14:28] o que garante
[01:14:30] a legitimidade jurídica
[01:14:32] da polícia, e se a
[01:14:34] legitimidade como braço armado
[01:14:36] do estado, é a arma que o policial
[01:14:38] carrega, porque senão a galera
[01:14:40] desce o cacete do policial e não vai poder fazer nada
[01:14:42] ah, depois para até vir a galera
[01:14:44] para aprender quem fez e papapá, mas
[01:14:46] assim, enquanto ele tiver a peça ali
[01:14:48] ele dá as ordens
[01:14:50] então
[01:14:52] a força é o que sustenta também
[01:14:54] a legitimidade jurídica, ou
[01:14:56] garante que você possa quebrar essa
[01:14:58] legitimidade, é o que acontece quando
[01:15:00] um país, por exemplo, agride outro
[01:15:02] contra todas as normas do direito
[01:15:04] internacional e por aí vai
[01:15:06] mas as normas do direito internacional são
[01:15:08] letras no papel
[01:15:10] o que vai garantir que aquilo vai ser aplicado
[01:15:12] ou não, é a capacidade
[01:15:14] de punir quem está quebrando
[01:15:16] essas normas, então a gente está vendo que
[01:15:18] a legitimidade jurídica
[01:15:20] esse sistema jurídico, esse sistema entre estados
[01:15:22] do pós segunda guerra está em crise
[01:15:24] esse dilema vai ter que ser resolvido
[01:15:26] pela força em algum momento
[01:15:28] sabe-se lá como
[01:15:30] e os norte-coreanos estão se preparando para isso
[01:15:32] porque, como você bem
[01:15:34] falou na sua pergunta, e aí já fechando aqui
[01:15:36] meu raciocínio
[01:15:38] por mais que a proximidade
[01:15:40] com a China de
[01:15:42] entre aspas, alguma segurança
[01:15:44] Coreia do Norte, também faz aquela região a região estratégica
[01:15:46] e aquele é um ponto de tensão
[01:15:48] que nunca se dissipou por completo
[01:15:50] desde o fim da Guerra da Coreia
[01:15:52] então se tiver alguma coisa em escala
[01:15:54] mundial, em escala generalizada
[01:15:56] vai ter alguma coisa ali naquela península também
[01:15:58] Pô, obrigado pela
[01:16:00] resposta, três perguntas e você respondeu muito bem
[01:16:02] muito bem, morreu muito bem, obrigado
[01:16:04] Euclides, acho que pra encerrar
[01:16:06] queria
[01:16:08] que você falasse o seguinte
[01:16:10] bom, eu tenho
[01:16:12] 42 anos e
[01:16:14] uma das primeiras lembranças
[01:16:16] sou jornalista, enfim, uma pessoa
[01:16:18] que desde sempre acompanha
[01:16:20] noticiário mesmo que muitas vezes
[01:16:22] não entendesse do assunto
[01:16:24] desde criança
[01:16:26] acompanha o noticiário, muitas vezes não entendia
[01:16:28] do assunto, só via o noticiário
[01:16:30] não entendia muito o viés
[01:16:32] daquilo que tava sendo dito e tudo mais
[01:16:34] mas desde criança eu escuto falar
[01:16:36] enfim, acho que a primeira
[01:16:38] guerra que eu tive
[01:16:40] é…
[01:16:42] notícia, foi
[01:16:44] talvez Irã-Iraque
[01:16:46] não sei, é
[01:16:48] talvez Irã-Iraque
[01:16:50] aí depois
[01:16:52] teve a
[01:16:54] a invasão
[01:16:56] americana, já no governo
[01:16:58] de George Bush
[01:17:00] no Iraque também
[01:17:02] no Kuwait, se não me engano
[01:17:04] o Kuwait tinha sido invadido pelo Iraque
[01:17:06] eu lembro
[01:17:08] que até eu tinha
[01:17:10] um brinquedo
[01:17:12] que era
[01:17:14] eu não lembro o nome do brinquedo, mas eram dois
[01:17:16] times que faziam gols
[01:17:18] e um dos atacantes do meu time
[01:17:20] o nome era Scudi, que era o nome de uma bomba
[01:17:22] que tava sendo jogada
[01:17:24] era o míssil soviético que o Iraque
[01:17:26] é, então, isso
[01:17:28] como o boneco chutava muito forte
[01:17:30] eu dei o nome dele de Scudi
[01:17:32] e eu tinha
[01:17:34] não sei, eu devia ter uns seis
[01:17:36] anos, seis, sete anos
[01:17:38] contra o zagueiro Pedro
[01:17:40] era o míssil anti míssil
[01:17:42] mas enfim, tô falando isso
[01:17:44] pra dizer que
[01:17:46] desde pequeno eu tenho notícias de guerra
[01:17:48] eu acompanho histórias
[01:17:50] de guerra na televisão
[01:17:52] basta ligar a televisão que a gente fica sabendo
[01:17:54] que em algum lugar do mundo
[01:17:56] estava acontecendo tiros
[01:17:58] e mísseis
[01:18:00] dos lugares que são noticiados
[01:18:02] exatamente, tem um monte que não é
[01:18:04] tem um monte que a gente não sabe, a gente não aparece no jornal
[01:18:06] exato
[01:18:08] e aí, mas o que eu queria dizer
[01:18:10] pra você, queria que você falasse sobre
[01:18:12] é, dentro desse
[01:18:14] preâmbulo é, de lá pra cá
[01:18:16] a gente já viu
[01:18:18] o Iraque ser destruído
[01:18:20] a Síria ser destruída
[01:18:22] a Líbia ser destruída
[01:18:26] e vários outros lugares
[01:18:28] serem destruídos
[01:18:30] a gente já viu vários lugares
[01:18:32] e aí a gente não viu
[01:18:34] o Irã agora
[01:18:36] ser completamente
[01:18:38] destruído, Israel
[01:18:40] atacou Teheran
[01:18:42] mas não dá pra dizer que o país inteiro
[01:18:44] foi destruído, diante
[01:18:46] desse cenário
[01:18:48] né, que você viu
[01:18:50] o Irã conseguir se defender
[01:18:52] diante do ataque
[01:18:54] e não sair completamente destruído
[01:18:56] dá pra dizer que
[01:18:58] desses dias
[01:19:00] bélicos entre Israel e
[01:19:02] Irã, o Irã saiu vencedor
[01:19:04] da guerra?
[01:19:06] dá pra dizer dessa forma?
[01:19:08] pra boa pergunta, essa semana
[01:19:10] eu tô escrevendo o roteiro
[01:19:12] do vídeo que eu vou publicar no domingo
[01:19:14] que vai ser justamente isso, dá pra cravar
[01:19:16] que houve um vencedor
[01:19:18] e um derrotado agora?
[01:19:20] eu tenho minhas dúvidas se dá pra cravar porque
[01:19:22] eu não acredito que isso acabou
[01:19:24] esse é o primeiro momento
[01:19:26] mas se a gente for pensar do ponto de vista
[01:19:28] político, e guerra no fim das contas é política
[01:19:30] dá pra dizer sim
[01:19:32] que o Irã venceu esses caramuça
[01:19:34] por que eu digo isso?
[01:19:36] porque não adianta a gente contar quantos mortos
[01:19:38] saíram de cada lado
[01:19:40] não adianta contar quantos prédios foram
[01:19:42] destruídos de cada lado
[01:19:44] e querer dizer quem venceu ou quem perdeu
[01:19:46] um enfrentamento ou
[01:19:48] uma guerra, porque se assim o fosse
[01:19:50] os Estados Unidos teriam vencido Vietnam por exemplo
[01:19:52] que é o exemplo mais clássico pra gente usar
[01:19:54] disso, não é em número de mortos
[01:19:56] em número de destruição que a gente
[01:19:58] conta quem venceu uma guerra
[01:20:00] é na política, quais que eram
[01:20:02] os objetivos políticos de Israel
[01:20:04] com isso? Primeiro não conseguiu
[01:20:06] generalizar a guerra que ele queria generalizar
[01:20:08] isso já é uma derrota pra Netanyahu hoje
[01:20:10] que Netanyahu é um político muito hábil
[01:20:12] e é um senhor da guerra muito hábil
[01:20:14] que sabe manobrar sempre
[01:20:16] que está na Berlinda
[01:20:18] quer ver um perigo
[01:20:20] no Oriente Médio é quando o Netanyahu
[01:20:22] estiver em perigo, ele vai fazer
[01:20:24] o que ele precisar, inclusive saiu uma
[01:20:26] pesquisa acho que anteontem
[01:20:28] que depois dos ataques contra o Irã
[01:20:30] a popularidade dele aumentou em Israel
[01:20:32] e os setores de oposição
[01:20:34] dentro de Israel faziam oposição parlamentar
[01:20:36] oposição seja pela
[01:20:38] direita, ou entre as coisas, esquerda
[01:20:40] e parlamentar, quando o tema
[01:20:42] foi o ataque ao Irã, todo mundo concordou
[01:20:44] com Netanyahu e fez ali uma frente nacional
[01:20:46] com Netanyahu
[01:20:48] mas o seu objetivo político
[01:20:50] primordial, que era inclusive a destruição
[01:20:52] do programa nuclear iraniano
[01:20:54] ao que tudo indica
[01:20:56] o programa nuclear não foi destruído
[01:20:58] as usinas foram atacadas, a gente não
[01:21:00] tem noção da destruição das usinas
[01:21:02] duvido muito que o Irã
[01:21:04] vá divulgar alguma coisa oficial
[01:21:06] a menos que a destruição
[01:21:08] tenha sido patética assim, ai eles vão
[01:21:10] divulgar pra dizer, oh, vocês só fizeram isso
[01:21:12] mas se foi considerável
[01:21:14] que dá pra dizer que deve ter sido considerável
[01:21:16] porque também não é brincadeira, aqueles projetos
[01:21:18] usados ali, eles não vão
[01:21:20] divulgar, mas
[01:21:22] primeiro, o conhecimento do programa nuclear
[01:21:24] iraniano não se perde assim, por mais
[01:21:26] que muitos cientistas tenham sido assassinados
[01:21:28] tenho certeza que tem gente pra substituir lá
[01:21:30] e o urânio
[01:21:32] enriquecido foi tirado das usinas
[01:21:34] e essa é a parte mais importante, então o material
[01:21:36] material prima bruta eles ainda tem
[01:21:38] então o programa nuclear iraniano
[01:21:40] pode ter sido atrasado
[01:21:42] um pouco, e ao que tudo indica
[01:21:44] foi, mas ele não foi destruído
[01:21:46] então esse outro objetivo
[01:21:48] primordial de Jael também não foi atingido
[01:21:50] agora
[01:21:52] mas tem um terceiro ponto
[01:21:54] que ai eu vou tentar explorar um pouco mais
[01:21:56] nesse vídeo, que vai ter que ser um vídeo longo
[01:21:58] porque não dá pra falar sobre isso, sem tocar em um monte
[01:22:00] de tema, o primeiro é
[01:22:02] foi a primeira vez
[01:22:04] que a gente viu Jael
[01:22:06] ser retaliado de verdade
[01:22:08] uma coisa
[01:22:10] o Iron Dome interceptar
[01:22:12] missil do Ramais, que é feito de maneira
[01:22:14] rudimentar
[01:22:16] artesanal, ali na faixa de gás
[01:22:18] sem equipamento, sem muita tecnologia
[01:22:20] o cara exploda um negócio, onde cair
[01:22:22] caiu
[01:22:24] outra coisa foi a defesa anti-arijalense
[01:22:26] diante dos missils do Irã
[01:22:28] e o Irã é uma potência
[01:22:30] missilistica
[01:22:32] nem sei se esse termo está certo, tem até que pesquisar
[01:22:34] mas é uma potência em missil
[01:22:36] boa, bora usar essa daí
[01:22:38] potência balística
[01:22:40] a
[01:22:42] supremacia
[01:22:44] israelense, sobre os céus
[01:22:46] de oriente médio, depois a gente já sai disso
[01:22:48] com a certeza de que Jael faz o que quer
[01:22:50] do ponto de vista aéreo, então a guerra
[01:22:52] generalizada ali tem que destruir aquela porra daqueles
[01:22:54] aviões, nem solo ainda, feito o Jael fez
[01:22:56] na guerra dos seis dias
[01:22:58] ou então eles vão continuar passeando como
[01:23:00] passearam agora, assim, do ponto de vista
[01:23:02] aéreo, Jael tem a supremacia no oriente médio
[01:23:04] mas a gente percebeu
[01:23:06] que Jael, a gente e Jael
[01:23:08] percebeu que eles podem ser atingidos
[01:23:10] também
[01:23:12] percebeu que eles podem sangrar também
[01:23:14] isso quebrou um pouco
[01:23:16] o mito, primeiro, do iron dome invencível
[01:23:18] do dome de ferro que ninguém consegue quebrar
[01:23:20] e isso abalou
[01:23:22] a certeza da população
[01:23:24] israelense que eles estavam seguros
[01:23:26] porque vê, vem o ataque do Ramais
[01:23:28] em 7 de outubro de 2023
[01:23:30] aquilo ali já abala a certeza
[01:23:32] da galera, tipo, ah, os caras conseguiram
[01:23:34] fazer isso aqui tudinho, esse estrago na gente
[01:23:36] vem essa escaramuça cuirã agora
[01:23:38] que conseguiu destruir prédio pra caralho, conseguiu
[01:23:40] matar uma galera
[01:23:42] mas provou, acima de tudo
[01:23:44] que o sistema de defesa
[01:23:46] israelense pode ser sobrecarregado
[01:23:48] eu acho que essa é a grande lição militar
[01:23:50] que é, é um sistema
[01:23:52] anti-aéreo muito bom, um dos melhores do mundo
[01:23:54] mas diante do
[01:23:56] volume
[01:23:58] de mísseis do iran
[01:24:00] não da pra interceptar tudo
[01:24:02] então se de 10
[01:24:04] passa 1
[01:24:06] é só o iran mandar 100
[01:24:08] que 10 vão passar
[01:24:10] e se o iran mandar 500
[01:24:12] e se o iran conseguir mandar 1000
[01:24:14] e se o iran conseguir prolongar
[01:24:16] essas coisas e transformar isso
[01:24:18] numa guerra de atrito a longo prazo
[01:24:20] que israel é um país muito pequeno, com população pequena
[01:24:22] então qualquer situação de conflito
[01:24:24] é muito caro manter aquele sistema
[01:24:26] de defesa anti-aéreo
[01:24:28] então durou 12 dias agora
[01:24:30] e se o próximo durar 1 mês
[01:24:32] por quanto tempo o sistema
[01:24:34] anti-aéreo de israel aguenta sem colapsar
[01:24:36] então acho que a grande lição militar
[01:24:38] e nisso o iran foi muito
[01:24:40] vitorioso, foi dizer
[01:24:42] vocês são bons, mas a gente é ruim
[01:24:44] vocês são fortes
[01:24:46] mas a gente é ruim
[01:24:48] então se o sistema de vocês é muito bom
[01:24:50] o sistema de defesa de vocês é muito bom
[01:24:52] e não vai aguentar tudo
[01:24:54] alguma coisa vai ter que passar
[01:24:56] a gente já tinha visto isso na ultima troca
[01:24:58] de ataques entre israel e iran
[01:25:00] que a tática do iran foi mandar um monte
[01:25:02] de drone, um monte de mísseo
[01:25:04] de menor qualidade
[01:25:06] e no meio disso mandar meia dúzia
[01:25:08] daqueles que atingissem
[01:25:10] então sobrecarregava o sistema de defesa israelense
[01:25:12] com os drones e com os mísseis mais baratos
[01:25:14] e os mais cabulosos passavam
[01:25:18] então assim
[01:25:20] do ponto de vista imediato
[01:25:26] vai ficar nessa disputa de narrativa
[01:25:28] um vai dizer que venceu
[01:25:30] outro vai dizer que venceu
[01:25:32] um faz perda do outro
[01:25:34] mas do ponto de vista de longo prazo
[01:25:36] não é desprezível
[01:25:38] o fato de que sabe-se lá em quantas
[01:25:40] décadas israel não sofria
[01:25:42] a destruição que sofreu dessa vez
[01:25:44] então fica no mínimo
[01:25:46] a lição que israel não é
[01:25:48] provocável
[01:25:50] e isso já é uma vitória muito boa
[01:25:52] pediu o arrego aos estados unidos
[01:25:54] foi correndo
[01:25:56] foi latindo
[01:25:58] a banana rabinha
[01:26:00] e ou seja
[01:26:02] acho que também é um sinal
[01:26:04] se você tem o apoio dos estados unidos
[01:26:06] e israel tem
[01:26:08] é um quintal dos estados unidos
[01:26:10] e você não vence
[01:26:12] a guerra de maneira muito
[01:26:14] clara nele
[01:26:16] a gente está propagando isso também
[01:26:18] é sinal de que você
[01:26:20] sai mais fraco do que se esperava
[01:26:22] a gente considerando sempre
[01:26:24] a potência que israel é
[01:26:26] e o aliado aos estados unidos
[01:26:28] ou seja
[01:26:30] isso ai realmente me parece
[01:26:32] se tivesse o vencedor
[01:26:34] acho que estaria bastante claro
[01:26:36] se israel tivesse vencido
[01:26:38] a gente saberia
[01:26:40] em cima disso que o euclides
[01:26:42] falou
[01:26:44] eu não vou utilizar essa palavra
[01:26:46] que eu não suporto passei a não suportar
[01:26:48] mas que enfim tomou
[01:26:50] o vulto que tomou
[01:26:52] que é a narrativa
[01:26:54] eu acho que muito interessante diante de tudo
[01:26:56] que aconteceu de toda essa
[01:26:58] barbárie né
[01:27:00] o mundo é uma barbárie de uma maneira geral
[01:27:02] mas diante de toda essa barbárie
[01:27:04] o que nos toca aqui enquanto
[01:27:06] brasileiros e
[01:27:08] consumidores de notícias
[01:27:10] etc etc
[01:27:12] uma coisa de positivo nessa história
[01:27:14] é que pela primeira vez eu vi
[01:27:16] meninos eu vi
[01:27:18] já diria o
[01:27:20] juca que fure
[01:27:22] juca pirama
[01:27:24] juca que fure tem um livro chamado meninos eu vi
[01:27:26] é
[01:27:28] como diria o juca que fure
[01:27:30] meninos eu vi israel ser criticado
[01:27:32] na globo news por exemplo
[01:27:34] serviu
[01:27:36] serviu
[01:27:38] durante
[01:27:40] israel ta 70 anos
[01:27:42] cometendo barbaridades
[01:27:44] mas dessa vez
[01:27:46] né
[01:27:48] foi criticado na televisão
[01:27:50] foi criticado no canal de propaganda
[01:27:52] criticado não o google chakra
[01:27:54] vibrando ali
[01:27:56] ele enfrentou o diplomata
[01:27:58] eu tava segurando
[01:28:00] pela primeira vez
[01:28:02] acho que nem o cara esperava aquilo
[01:28:04] então pra mim
[01:28:06] eu digo assim
[01:28:08] se serviu pra isso
[01:28:10] pra que pela primeira vez
[01:28:12] a globo
[01:28:14] tem 65 anos
[01:28:16] a globo é de 60
[01:28:18] a globo é de 60
[01:28:20] a globo fez 60
[01:28:22] ela é de 65
[01:28:24] israel é de 45
[01:28:26] 48 então israel é
[01:28:28] quase 20 anos mais velho do que a globo
[01:28:30] se
[01:28:32] depois de 60 anos
[01:28:34] serviu pra que pela primeira vez
[01:28:36] a Globo de Israel fosse
[01:28:38] confrontado em suas
[01:28:40] táticas de guerra numa televisão brasileira
[01:28:42] já
[01:28:44] houve um avanço
[01:28:46] e levou pito do Trump
[01:28:48] então houve
[01:28:50] um avanço
[01:28:52] não sei se o Iran
[01:28:54] ganhou ou perdeu como você mesmo falou
[01:28:56] né Euclides não sei também
[01:28:58] tem ai algumas
[01:29:00] variáveis que indicam que
[01:29:02] há vitórias nesse processo
[01:29:04] mas eu acho que enquanto brasileiro
[01:29:06] jornalista
[01:29:08] ser humano
[01:29:10] espectador dos fatos
[01:29:12] eu diria que
[01:29:14] se Israel foi criticado na televisão brasileira
[01:29:16] pela primeira vez depois de 60 anos
[01:29:18] é sinal de que o Iran
[01:29:20] teve uma vitória ai
[01:29:22] Euclides muito obrigado meu querido
[01:29:24] a gente está aqui maravilhado
[01:29:26] a gente teve um aulão acho que os ouvintes vão gostar
[01:29:28] muito
[01:29:30] é um assunto que a gente provavelmente vai ter que voltar
[01:29:32] o programa vai ao ar amanhã
[01:29:34] é possível que já tenha desdobramentos
[01:29:36] a gente espera que você volte
[01:29:38] pra dar esses desdobramentos
[01:29:40] a gente… guerra é ruim
[01:29:42] já diria o poeta
[01:29:44] mas enfim a humanidade se forma assim
[01:29:46] e a gente pra gente
[01:29:48] é importante que a gente tenha alguns esclarecimentos
[01:29:50] que infelizmente a gente como o Fagner falou
[01:29:52] a gente não vê na mídia hegemônica
[01:29:54] dessa forma
[01:29:56] o Guga Chakra
[01:29:58] que inclusive nem é dos piores dentro da Globo
[01:30:00] era um cara que jamais
[01:30:02] se levantou contra o Jael dessa forma
[01:30:04] que se levantou agora
[01:30:06] e o cara que jamais
[01:30:08] se levantou contra o Jael como se levantou agora
[01:30:10] olha o quanto tempo que demorou pra gente ver
[01:30:12] na Globo
[01:30:14] um comentarista de lá colocar uma contrapartida
[01:30:16] então pra gente foi muito legal
[01:30:18] tê-lo aqui
[01:30:20] deixa aí o recado a gente vai colocar seu canal
[01:30:22] aqui na descrição
[01:30:24] mas deixa seu recado ai
[01:30:26] indica algum vídeo mais recente
[01:30:28] a gente vai estar acompanhando também
[01:30:30] e espero que você volte cara
[01:30:32] em breve enquanto a
[01:30:34] aquela coisinha chamada
[01:30:36] paz mundial não chegar
[01:30:38] acho que vai demorar uns dias ai
[01:30:40] vai na capa da revista
[01:30:42] despertar ai
[01:30:44] a paz mundial ta la
[01:30:46] enquanto não chegar a paz mundial
[01:30:48] que a gente ta ai na construção da paz mundial
[01:30:50] enquanto ela não chegar
[01:30:52] a gente vai precisar de pessoas como você
[01:30:54] pra ajudar a gente a entender
[01:30:56] obrigado boa noite
[01:30:58] cara eu agradeço demais o convite
[01:31:00] fiquei muito feliz mesmo
[01:31:02] fico a disposição de vocês sim
[01:31:04] quando precisa é só chamar
[01:31:06] quando tiver ai no Rio ou dar um toque
[01:31:08] começar a trocar ideia
[01:31:10] agradeço a todo mundo que acompanhou
[01:31:12] agradeço novo a todo mundo que me indicou
[01:31:14] ai pra vocês
[01:31:16] quem quiser
[01:31:18] eu soltei hoje
[01:31:20] um vídeo debatendo
[01:31:22] porque é legítimo e importante que o Iran consiga desenvolver
[01:31:24] uma bomba nuclear
[01:31:26] e quais seriam os desdobramentos disso
[01:31:28] então acho que também é uma discussão
[01:31:30] interessante pra se fazer
[01:31:32] domingo vai sair esse vídeo que eu falei pra vocês
[01:31:34] que é um balanço desses 12 dias
[01:31:36] tentando colocar o que é que eu acho
[01:31:38] que são os principais
[01:31:40] pontos mas quem tiver
[01:31:42] curiosidade quem tiver interesse
[01:31:44] acompanha o canal me segue que eu to sempre
[01:31:46] anunciando as coisas
[01:31:48] de novo só tenho a agradecer
[01:31:50] dar um boa noite ai pra todos vocês
[01:31:52] e é isso pessoal muito obrigado
[01:31:54] é isso Luara Ramos
[01:31:56] obrigado até semana que vem
[01:31:58] valeu
[01:32:00] Clídes valeu Caio Fagner Daniel
[01:32:02] todo mundo que ficou aqui com a gente
[01:32:04] até agora vocês devem ter percebido
[01:32:06] que eu falei pouco hoje né
[01:32:08] hoje foi acho que nos programas
[01:32:10] eu preferi ouvir assim é muito bom
[01:32:12] ouvir você viu Clídes muito bom
[01:32:14] é um tema que me interessa muito
[01:32:16] mas me agrada muito pouco
[01:32:18] porque o Caio falou que é assim que a humanidade
[01:32:20] é conduzida pelas guerras
[01:32:22] porque é conduzida
[01:32:24] majoritariamente por homens né
[01:32:26] vou deixar isso aqui
[01:32:28] não pra falar de
[01:32:30] papel social mas também disso né
[01:32:32] porque a gente tem mulheres estão um pouco expostas
[01:32:34] pra poder escolher não reivindico
[01:32:36] essa representatividade não queria
[01:32:38] não mando um axé camala pra guerra
[01:32:40] mas
[01:32:42] eu acho que assim
[01:32:44] me choca bastante vocês vão lembrar
[01:32:46] recentemente aquelas
[01:32:48] conversas que basaram lá de supostas
[01:32:50] conversas do grupo lá
[01:32:52] tropista ligado ao governo
[01:32:54] falando ah hoje o missile
[01:32:56] e não sei o que lá vamos mandar
[01:32:58] pro grupinho de whatsapp e eu acho um negócio
[01:33:00] assim deprimente
[01:33:02] eu acho o
[01:33:04] vou chamar de tagline
[01:33:06] slogan do canal do Euclides
[01:33:08] maravilhoso que a guerra é muito importante pra ficar na mão
[01:33:10] dos generais é esse o Euclides
[01:33:12] né
[01:33:14] me corrige se não for literal porque é muito bom
[01:33:16] e eu acho realmente que a gente que falta
[01:33:18] um pouco a isso assim eu como
[01:33:20] uma pacifista declarada
[01:33:22] porém não otária acho muito
[01:33:24] importante que a gente ouça análises
[01:33:26] que não estão
[01:33:28] na grande mídia você não vai ver isso aqui
[01:33:30] na Globo News como nós já estamos você não vai ver
[01:33:32] isso aqui em outros lugares que não o próprio canal do Euclides
[01:33:34] ou então canais de esquerda e
[01:33:36] anti imperialistas como o
[01:33:38] lado B do Rio
[01:33:40] então eu fiquei mais pra
[01:33:42] ouvir mesmo porque não é todo dia que a gente
[01:33:44] tem essas aulas e é uma aula
[01:33:46] que a gente precisa ter são lições que a gente
[01:33:48] precisa ter acho que a gente está lendo
[01:33:50] pouco Lenin o nosso
[01:33:52] exército brasileiro lê e a esquerda
[01:33:54] a gente lê pouco de teoria militar como
[01:33:56] se não tivesse a ver com a gente
[01:33:58] porque o Brasil supostamente é um país
[01:34:00] muito pacífico sabe é um país
[01:34:02] onde não as pessoas não
[01:34:04] morrem as pessoas não são matadas
[01:34:06] né não são mortas
[01:34:08] é por
[01:34:10] enfim falamos aqui de
[01:34:12] mas é como se
[01:34:14] tivesse essa assim como o mito da democracia
[01:34:16] racial existe o mito da
[01:34:18] do brasileiro pacífico
[01:34:20] não violento e tudo mais
[01:34:22] que eu acho
[01:34:24] que a gente precisa não só rever
[01:34:26] quanto lutar contra porque
[01:34:28] não para reivindicar
[01:34:30] a guerra mas reivindicar a nossa
[01:34:32] nossa direita revolta
[01:34:34] afinal as contas é um pouco isso
[01:34:36] e aí é mais
[01:34:38] essa
[01:34:40] observação mesmo nessa justificativa
[01:34:42] do porquê fiquei tão calada até agora
[01:34:44] aprendendo aprendendo sempre
[01:34:46] porque eu acho que é um tema que falta
[01:34:48] muito ao nosso debate
[01:34:50] né a gente teve
[01:34:52] hoje é quando se fala
[01:34:54] em guerrilha
[01:34:56] guerreiros ou então em
[01:34:58] revoluções sempre soa como
[01:35:00] uma coisa defasada como
[01:35:02] se essa não fosse a história da unidade
[01:35:04] né como se essa não fosse também a
[01:35:06] história do Brasil como se essa não fosse parte
[01:35:08] do que
[01:35:10] eu estou de resistência
[01:35:12] brasileira até e é pouco
[01:35:14] reivindicada que está tratado como uma coisa
[01:35:16] como eu disse né
[01:35:18] defasada uma coisa ultrapassada
[01:35:20] e a gente
[01:35:22] não só não aprende como
[01:35:24] desaprende e aí que eu acho que é um grande
[01:35:26] problema né se a história
[01:35:28] não serve para alguma coisa é pra gente
[01:35:30] aprender essas lições ali e eu acho
[01:35:32] que a gente está desaprendendo então
[01:35:34] o programa de hoje foi muito bom pra gente
[01:35:36] aprender a reaprender é um pouco
[01:35:38] disso e até semana que vem é isso
[01:35:40] antes de eu me despedir aqui dos meus camaradas
[01:35:42] de bancada pedi pra você
[01:35:44] que está nos vendo deixa seu like
[01:35:46] ver se está inscrito no lado
[01:35:48] B do Rio deixa seu comentário
[01:35:50] sua pergunta se tiver alguma pergunta a gente manda pro Euclides
[01:35:52] e ele responde de repente até com
[01:35:54] um vídeo lá no canal dele
[01:35:56] pra gente também é importante mande pra
[01:35:58] alguém acho que é um assunto que as
[01:36:00] pessoas têm muito desconhecimento e
[01:36:02] muitas informações distorcidas então a
[01:36:04] gente também que faz uma análise diferente
[01:36:06] do que você vai ver esquecer
[01:36:08] um vídeo legal para ser distribuído aí compartilhado
[01:36:10] nos grupos tá e
[01:36:12] queria também mandar uma série de abraços
[01:36:14] aqui primeiro pra Laila Maia
[01:36:16] Galvão que me abordou lá no
[01:36:18] bar me abordou junto com Daniel no bar a gente estava
[01:36:20] vendo o Flamengo e Chelsea na
[01:36:22] no bar e ela parou
[01:36:24] no intervalo pra me presentear com o exemplar
[01:36:26] do livro que ela escreveu o chefe
[01:36:28] da polícia pelo telefone esse é
[01:36:30] o nome do livro e eu estou bastante
[01:36:32] curioso pra começar a ler porque ele é um livro
[01:36:34] que fala de Rio de Janeiro faz
[01:36:36] uma análise da legislação da
[01:36:38] época da polícia da época
[01:36:40] a partir da tentativa
[01:36:42] dela de fazer uma biografia
[01:36:44] exatamente de quem era
[01:36:46] o tal chefe da polícia que pelo
[01:36:48] telefone mandou avisar
[01:36:50] que na carioca tinha uma roleta pra se
[01:36:52] jogar é o samba do Donga
[01:36:54] que originalmente não é o chefe
[01:36:56] da folia né e que aí na paródia
[01:36:58] virou o chefe da polícia que foi a versão que ficou
[01:37:00] as pessoas conhecem essa versão
[01:37:02] né que é considerado primeiro samba
[01:37:04] a ser gravado né
[01:37:06] essa versão paródia ali dos
[01:37:08] jornalistas que fez muito sucesso logo
[01:37:10] depois então achei muito interessante
[01:37:12] um abraço pra ela né deu sorte a gente estava
[01:37:14] lá viu Flamengo venceu Chelsea
[01:37:16] mandar também um abraço pra turma que me encontrou
[01:37:18] lá no Bado Ormá eu fui no lançamento
[01:37:20] do novo livro do Franciel Cruz
[01:37:22] tá pensando que é tudo futebol
[01:37:24] maravilhoso conheci o Franciel pessoalmente
[01:37:26] você falou pra ele que o destaque pernambucano é o mais bonito?
[01:37:28] não chamei ele inclusive de um dos maiores
[01:37:30] escritores pernambucanos da atualidade
[01:37:32] o Franciel é ótimo sensacional
[01:37:34] e foi bastante legal porque tinha bastante
[01:37:36] ouvinte lá né o Alexandre
[01:37:38] os irmãos Lucas e Felipe
[01:37:40] o Mauricio foram os que me abordaram
[01:37:42] pra falar do lado B
[01:37:44] e mandar um beijo também pro Omarzinho sempre
[01:37:46] me recebendo muito bem pro próprio Franciel
[01:37:48] pro Irlan que foi comigo e o pessoal
[01:37:50] do Vitório
[01:37:52] eu vi você com a
[01:37:54] eu vi porque eu sou descarado
[01:37:56] eu ia tirar uma foto com o Franciel e aí
[01:37:58] chegou o pessoal do Vitório
[01:38:00] tem o pessoal do Ceará e agora tem o pessoal do Vitório
[01:38:02] então vou mandar um abraço pra eles
[01:38:04] Daniel boa noite
[01:38:06] boa noite, até semana que vem
[01:38:08] Wagner Torres, boa noite
[01:38:10] Lima, Wagner Torres Lima
[01:38:12] boa noite, obrigado Euclides
[01:38:14] valeu Luara, valeu Caio
[01:38:16] valeu Daniel, tudo muito importante
[01:38:18] que a gente falou aqui
[01:38:20] pra ver, ouvir, refletir
[01:38:22] repassar pros amigos
[01:38:24] pros vizinhos
[01:38:26] mas ó, futebol também é importante
[01:38:28] livro também é importante
[01:38:30] cinema também é importante
[01:38:32] cachaça também é importante
[01:38:34] sexo também é importante
[01:38:36] vamos fazer tudo isso aí
[01:38:38] senão a gente não segura esse rojão não
[01:38:40] valeu, é isso a gente encerra por aqui
[01:38:42] semana que vem estaremos de volta
[01:38:44] no feed de podcast tá
[01:38:46] a gente espera que com uma convidada bastante
[01:38:48] interessante também pra falar de um tema
[01:38:50] que como a gente citou aqui né
[01:38:52] violência urbana no Rio de Janeiro
[01:38:54] seus tentáculos religiosos
[01:38:56] e eu vou encerrar esse programa
[01:38:58] falo de guerra né, a gente meio pessimista
[01:39:00] com o mundo, eu vou encerrar esse programa
[01:39:02] com
[01:39:04] uma frase né
[01:39:06] uma sentença muito
[01:39:08] bonita, muito importante, muito
[01:39:10] famosa de um grupo de pensadores
[01:39:12] chamados Netinho né
[01:39:14] enfim, entre outros né
[01:39:16] que diz assim né
[01:39:18] eu queria que essa fantasia fosse eterna
[01:39:20] quem sabe um dia paz vence a guerra
[01:39:22] e viver será só festejar
[01:39:24] eu, eu
[01:39:26] Forte Amplexo e até a próxima