#116: Birra Metafísica (ou Holy Capivara)
Resumo
Os participantes começam anunciando um bate-papo ao vivo sobre “Alquimia da Alma” e, em seguida, entram num clima de perplexidade com a naturalização de notícias cada vez mais graves. A conversa evolui para a ideia de que boa parte das reações humanas — nas relações, na política e na cultura — nasce do instinto de autopreservação e, principalmente, de uma relação mal resolvida com a mortalidade. Daí surge a provocação: diante do desconhecido e da falta de controle, o ser humano responde com uma “birra metafísica”, defendendo opiniões como se fossem a própria sobrevivência.
A partir disso, eles conectam envelhecimento populacional, “gerontocracia”, sensação de irrealidade (ampliada por IA e pela vida digital) e um tipo de estupidez coletiva entendida como incapacidade de pensar nas consequências de longo prazo. Ao mesmo tempo, discutem a ideia de que talvez “as histórias” sejam as verdadeiras protagonistas, usando as pessoas como vetores — do karma individual (memórias e traumas que moldam decisões) às narrativas coletivas. No final, o foco vai para saúde mental e espiritualidade: criar limites para o ruído externo, cultivar um “centro” que não depende de crenças ou opiniões e sustentar uma atitude ritualística de conexão/agradecimento diante do mistério, como forma de atravessar um mundo cada vez menos estável.
Anotações
- 00:05:16 — Apego às próprias opiniões O trecho relaciona a ideia de autopreservação (associada a Nietzsche/Heidegger) ao impulso de defender valores e visões pessoais. Cita-se uma fala do Lama Michel de que o maior apego humano são as próprias opiniões.
- 00:12:28 — IA e perda da realidade O narrador comenta conversas de feriado sobre inteligência artificial e vídeos cada vez mais realistas e divertidos feitos por IA. Ao ver um discurso de justificativa, sente tudo irreal e associa essa sensação a um conto de Thomas Mann sobre desilusão.
- 00:21:13 — Conflito preventivo, riscos e estupidez O trecho discute a ideia de iniciar conflitos de forma preventiva diante de incertezas e interesses envolvidos, comparando isso aos riscos de mexer com germes de laboratório sem controle das consequências. Em seguida, conecta o tema à inteligência artificial e menciona uma definição de “estupidez” atribuída a David Brooks.
- 00:30:38 — Vida interessante vs felicidade Os participantes discutem a ideia de que, mais do que buscar felicidade, vale viver uma vida interessante e significativa. O trecho cita um livro de Kahlil Gibran que defende essa visão, incluindo a importância de tristezas e dores na experiência humana.
- 00:35:48 — Karma, história e líderes Eles discutem como as motivações e traumas de infância moldam a retórica e as decisões de líderes. A noção de “karma” é reinterpretada como história: somos produtos de experiências passadas e de um contexto histórico maior.
Indicações
Livros
- A Negação da Morte (Ernest Becker) — citado como chave para pensar a dificuldade humana de lidar com a mortalidade e as defesas existenciais.
- Aniquilar (Michel Houellebecq) — mencionado como romance que trata de velhice, morte e temas como hospitais, asilos e eutanasia.
- Sentido da Vida (Kahlil Gibran, atribuído na conversa como “Kali Gares”) — lembrado pela tese de que mais importante do que “ser feliz” é ter uma vida interessante, sem anestesiar dores e lutos.
- Fenômeno (Annie “Lobowitz”, como citado) — referido como livro sobre o MK Ultra e tentativas de controle mental via psicodélicos.
Filmes / Series
- Fallout (série, Prime Video) — usada como exemplo de lógica de “se a guerra é inevitável, melhor começar”, e da aceleração de cenários extremos.
- Focus (filme, com Will Smith e Margot Robbie) — citado por ilustrar como decisões podem ser “plantadas” por influência e repetição de estímulos.
- La La Land (filme) — mencionado como referência estética para a brincadeira do “sapateado”/dança ao falar de narrativa e ritmo.
Artigos / Links
Linha do Tempo
- [00:00] — Abertura poética e anúncio do encontro ao vivo sobre “Alquimia da Alma”
- [00:02] — Naturalização do absurdo nas notícias e a anestesia coletiva diante do choque
- [00:03] — Negação da morte, instinto de autopreservação e apego às próprias opiniões
- [00:06] — “Birra metafísica”: transitoriedade, envelhecimento e defesas identitárias
- [00:08] — Velhice, morte e eutanasia a partir de um romance contemporâneo
- [00:09] — Gerontocracia global, mundo “velho” e sensação de irrealidade intensificada por IA
- [00:12] — Um conto de Thomas Mann e o sentimento existencial de “mas então é só isso”
- [00:16] — Ameaças existenciais (guerra, clima, pandemia, IA) e o impulso de aceleração do conflito
- [00:20] — “Pandemia da estupidez”: agir sem considerar derivadas e consequências
- [00:23] — Contraponto metafísico: sobrevivência como motor do “experimento” humano (e Donald Hoffman)
- [00:26] — Histórias como protagonistas: karma, Harari, novelas e encarnações de personagens
- [00:41] — Limites digitais, saúde mental, espiritualidade como necessidade e a busca do “centro”
- [00:52] — Manipulação e controle: MK Ultra, mentalismo (Oz Perlman) e a ilusão de escolher
- [01:05] — Atitude propiciatória (ritual, oração, conexão) e encerramento com símbolo de paz
Dados do Episódio
- Podcast: Elefantes na Neblina
- Autor: Larry Go, Larry Be & Larry Snow
- Categoria: Society & Culture / Religion & Spirituality / Society & Culture / Philosophy
- Publicado: 2025-07-11
- Duração: 1h13m
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/elefantes-na-neblina/076b7250-7b38-0138-edfa-0acc26574db2/116-birra-metaf%C3%ADsica-ou-holy-capivara/d52e43c0-9bfc-422e-8609-f1aa8904b30e?t=316.0
- UUID Episódio: d52e43c0-9bfc-422e-8609-f1aa8904b30e
Dados do Podcast
- Nome: Elefantes na Neblina
- Tipo: episodic
- Site: http://elefantesnaneblina.com.br/
- UUID: 076b7250-7b38-0138-edfa-0acc26574db2
Transcrição
[00:00:00] Amigos que gostam de conversar em tempos interessantes, incertos, implacáveis.
[00:00:23] Com o futuro suspenso e o passado cada dia mais distante, estamos aqui estacionados na
[00:00:29] condição humana, na tentativa de fazer uma nova vida funcionar. Cada dia é um
[00:00:35] parceiro na neblina. E os elefantes estão sols. Não usamos nomes, porque somos nós
[00:00:44] e somos ninguém. O que importa é a conversa e a vontade de gerar alguma luz.
[00:00:50] E agora no dia 31 de julho a gente vai fazer o primeiro bate papo ao vivo e por vídeo com o
[00:00:58] Bi. A gente está bem animado, vai ser nosso primeiro evento ao vivo e onde o Bi vai falar
[00:01:03] um pouco mais sobre alquimia da alma e vai tirar algumas dúvidas para quem tiver. Vai ser um
[00:01:09] encontro por vídeo e por zoom e vai ser um evento especial exclusivo só para quem tem
[00:01:15] o alquimia da alma. Então se você já tem, dá uma olhada no seu email que deve ter chegado
[00:01:19] para você com o link para você poder se inscrever e a gente vai mandar uma mensagem
[00:01:23] pro WhatsApp para você também. Agora se você ainda não tem o mergulho corre lá no nosso
[00:01:28] aplicativo no neblina.me que a gente ainda tem algumas vagas. As vagas são limitadas,
[00:01:34] mas a gente está guardando alguns lugares ainda para quem está chegando agora. Vai ser bem
[00:01:39] divertido encontrar todo mundo que assistiu ao alquimia da alma, gostou e tem dúvidas
[00:01:43] A gente se vê por lá.
[00:02:13] É isso aí. Eu só seguiria dizendo o seguinte, porque eu posei, fui ver as notícias e o que
[00:02:25] me chamou atenção foi simplesmente a naturalidade com a qual essa notícia é dada. Parece
[00:02:32] alguma coisa assim do tipo Flamengo ganha o jogo no Interclubs, Botafogo também.
[00:02:41] Parece só mais uma informação assim. Muito interessante. E é isso mesmo,
[00:02:46] ninguém se assusta com mais nada. Acho que a gente vai ter que puxar aqui
[00:02:53] os conhecimentos bísicos. Eu acho que tem uma coisa que eu estava pensando hoje,
[00:03:04] talvez o nosso maior viés de confirmação seja esse do… o viés de confirmação de procurar
[00:03:13] ameaças existenciais em tudo, seja nas relações, seja… e buscar justificativos. Eu não estou
[00:03:20] nem fazendo um paralelo à guerra em si, mas talvez o seu amigo Ernest Becker na negação…
[00:03:30] A negação da morte.
[00:03:31] A negação da morte. É um livro que eu li há muito tempo, mas eu vou até voltar agora,
[00:03:36] porque eu acho que no fundo a gente tem uma questão mal resolvida com a morte. E no momento
[00:03:43] que a gente começa a, sei lá, por ter essa relação mal resolvida, a gente está procurando
[00:03:53] alguma coisa no nosso entorno que justifique uma ação de defesa límbica do nosso pequeno
[00:04:02] reinado, seja ele qual for. Porque não tem nenhuma outra explicação para a gente viver
[00:04:08] como se fosse viver para sempre, a não ser uma maior relação com a possibilidade de morrer.
[00:04:13] É, mas é isso. E para mim isso está muito claro já no Nietzsche. Muito antes de estar no
[00:04:22] Heidegger, muito antes de chegar no Becker, que é de fato aquela história de que o Nietzsche,
[00:04:27] no fim das contas, muito do que ele diz é, todas as nossas reações, os discursos,
[00:04:33] os debates e tudo mais, vem do nosso instinto de autopreservação. A gente quer se preservar
[00:04:39] de alguma maneira. E essa preservação, se não dá para ser no sentido literal, a
[00:04:43] gente transforma ela na preservação dos nossos valores, das nossas ideias, das
[00:04:50] nossas visões. Então, eu sempre me lembro daquilo que o Lama Michel uma vez respondeu
[00:04:58] numa palestra que acho que estávamos todos nós, que perguntaram para ele qual é o maior
[00:05:05] apego do ser humano. E aí ele, sem hesitar, um segundo ele disse, o maior apego do ser humano
[00:05:11] é as suas próprias opiniões. Sem nenhuma hesitação. E aí, claro que opinião,
[00:05:19] quando você fala de um lama tibetano, é muito mais do que aquela opinião que a
[00:05:25] gente solta na nossa mesa redonda da rodada aqui. Mas, essencialmente, a gente está
[00:05:31] falando da mesma coisa. Eu estava procurando o nome do cara aqui. O Bernardo Castup
[00:05:38] gostou, acho que no feed dele, uma entrevista que não é dele. A entrevistadora é com esse
[00:05:48] Filipe Codzolino. Nunca ouvi falar. Ele é um pesquisador em mortalidade. Mas ele é o maior,
[00:05:55] é o cara que tem mais database sobre experiências de quase-morte e o que ele chama de memória
[00:06:02] de reencarnação. Que são aqueles casos de pessoas que têm visões claras de como tinha sido vida
[00:06:08] passada. Ou seja, que aquele glit da memória não foi devidamente apagado. E eu acho interessante
[00:06:16] porque ele discorre muito sobre o tema, justamente nesse prisma de que um negócio tão
[00:06:21] claro, pelo mesmo ponto de vista dele, pela experiência dele, pela quantidade de dados que
[00:06:28] ele conseguiu acumular. Que isso aqui é uma edição limitada, com a clareza de uma edição
[00:06:34] limitada e documentada, da onde vem essa negação da mortalidade. Elabora mais,
[00:06:44] eu estou gostando desse caminho que você foi. Porque a gente, em última instância,
[00:06:50] quando tem todas essas defesas das nossas opiniões, como você fala, que a gente vê o
[00:06:57] outro que pensa diferente como um inimigo, que eu preciso combater as ideias e tal,
[00:07:02] é quase como se eu estivesse num jogo infinito. E que se eu não conseguir aquele movimento
[00:07:08] de consolidação da minha posição, ali eu vou perder para sempre.
[00:07:16] Você sabe o que me está… Vamos inventar um termo? Não, não é destrinchar. Eu quero
[00:07:22] inventar alguma coisa. Será que a gente está descobrindo que o princípio fundamental do
[00:07:27] ser humano diante do desconhecido e da ausência de controle é a birra?
[00:07:36] Podemos dizer que o que define o ser humano é a birra metafísica? E aí,
[00:07:41] quando você vai percebendo todos os processos que apontam para a tua transitoriedade,
[00:07:48] por exemplo, você está mudando, está ficando adulto na adolescência, então a infância está
[00:07:54] desaparecendo e você está tendo que deixar a infância para trás. Isso não é o que
[00:08:01] você quer. E depois, quando você já está adulto, mas você está envelhecendo, e aí você
[00:08:05] não quer envelhecer, então você não vai usar o aparelho de surdez, você não vai sentar
[00:08:10] na cadeira certa, você não vai fazer. Será que, no fundo, é isso, diante da nossa
[00:08:16] transitoriedade, portanto, mortalidade, o que a gente faz é de birra ficar defendendo a nossa
[00:08:23] posição? Que interessante vocês falarem isso. Eu acabei de ler um livro do Rollerback que
[00:08:31] chama Aniquilar. E, no fim, é um livro que se demora para entender. É um livro de autoajuda?
[00:08:37] Que é anterior ao submissão. Não, é o último livro dele, o Aniquilar. E, na verdade,
[00:08:45] é a história de um cara que é um assessor de um ministro num momento turbulento de mundo.
[00:08:50] Difícil de entender o que acontece ali, mas, basicamente, é um livro que fala sobre a velhice
[00:08:55] e a morte de um jeito interessante, porque ele traz muito algumas conversas laterais que vêm
[00:09:03] com esse assunto. E fala desse envelhecimento, do que é o envelhecimento na França,
[00:09:09] da infância, dos hospitais, dos asilos, das casas, e da sua falta de direito de morrer,
[00:09:15] da questão de eutanasia em si. Então, é um livro que, basicamente, de um jeito de uma
[00:09:21] história bem interessante, ele trata desse assunto, sempre com aquelas visões controversas
[00:09:26] e polêmicas do Rollerback. E, basicamente, é um livro que o personagem, boa parte do tempo,
[00:09:33] está falando com a negação da sua própria morte. É muito interessante você, sincrônico,
[00:09:39] vocês falarem isso. É, mas se a gente pensa bem, talvez a gente esteja falando só da mesma
[00:09:44] coisa desde o começo. Porque você foi falando isso e foi me vindo na cabeça, aos borbotões,
[00:09:51] aquelas informações do tipo. Como o mundo está velho, como o Ocidente está velho,
[00:09:57] como a China está velha, como o Japão está velho, como nós temos uma gerontocracia dominando a
[00:10:04] política do mundo, e como você tem um cara que, obviamente, já é um problema geriátrico,
[00:10:12] além de psiquiátrico, resolvendo bombardear a gerontocracia iraniana. Então, é o cara,
[00:10:24] é o octogenário dizendo, eu posso mandar matar todo dia o meu adversário de 86 anos.
[00:10:31] Gerontocracia é um cabem por si só.
[00:10:36] O termo não é meu, mas o termo existe, mas é fantástico. E, quando você para para pensar,
[00:10:43] as populações envelhecendo e a birra começando a crescer, realmente me parece
[00:10:54] que as coisas vão ter que assumir uma característica mais assustadora. E o curioso
[00:11:03] é que é um assustador que, ao mesmo tempo, parece um pouco irreal. É um pouco como se fosse
[00:11:10] aquele octogenário brigando com outro octogenário no meio da rua, dizendo assim,
[00:11:15] me segura senão eu mato ele. Tem alguma coisa ali que não bate direito?
[00:11:22] Eu acho que sim, e eu vou falar uma frase que me veio quando você estava falando, Bi.
[00:11:28] Eu passei esse feriado agora, enfim, como todo mundo falando e discutindo sobre coisas
[00:11:35] de inteligência artificial, e vem dos últimos vídeos perfeitos que a inteligência artificial
[00:11:40] está fazendo, desde filmes de piadas até filmes que têm coisas realmente muito divertidas,
[00:11:47] discutindo, passei o feriado discutindo sobre o assunto. Hoje, quando acontece isso e eu vejo
[00:11:53] aquele discurso dele justificando, me parece tudo irreal. Então, pela primeira vez, de fato,
[00:12:00] eu sinto que eu perdi o gripe da realidade totalmente, mesmo.
[00:12:08] Você sabe, nossa, nem quero pensar em todas as associações que estão me vindo,
[00:12:15] mas a que me veio primeiro, sabe qual que é? Uma associação bem exótica, mas acho que
[00:12:24] ela é bem pertinente. É um conto do Thomas Mann, que se chama Desilusão ou Decepção.
[00:12:33] Esse conto é o seguinte, é de um Thomas Mann, que parece como se fosse um narrador,
[00:12:42] que está na Piaça de San Marco, tomando um drink lá. Isso nós estamos por volta de 1907, 1908,
[00:12:52] ou seja, quando você conseguia chegar na Piaça de San Marco e basicamente você tinha aqueles
[00:13:00] bares ali elegantes, mais pessoas elegantes ali e os pombos, ainda não tinha o turismo,
[00:13:05] então você pode imaginar o cenário. E chega um cara, senta ali na mesa pertinho,
[00:13:11] começa a bater papo com o Thomas Mann. E ele conta para o Thomas Mann o seguinte,
[00:13:17] que a vida dele era marcada por uma sensação muito peculiar, que era a sensação de que tudo
[00:13:25] acontecia para ele e ele se dizia, mas então é isso. Então ele beijou pela primeira vez uma
[00:13:34] sensação, e ele disse, tá, então é essa a sensação, mas então é isso. Aí depois,
[00:13:41] aconteciam coisas, uma vez ele quase morreu por causa de um assunto de um incêndio,
[00:13:48] ele foi salvo no último segundo e ele teve a milímetros da morte e naquele momento ele
[00:13:55] pensava, mas então é isso. Então tudo acontecia, ele ganhou dinheiro, ele perdeu dinheiro,
[00:13:59] mas então é isso. E ele procurava uma sensação de que a vida fosse real. E ele não tinha isso,
[00:14:08] ele parecia que tudo que acontecia, estou fazendo uma tradução assim, vejam bem,
[00:14:13] eu li esse conto de verdade há mais de 40 anos, mas ele me marcou muito, então não dá para
[00:14:22] esquecer. E ele estava o tempo todo falando de como vinham os sentimentos específicos daquela
[00:14:29] situação para ele, aquelas grandes situações da vida, e ele sentia, mas ao mesmo tempo é como se
[00:14:36] uma parte dele tivesse dizendo, mas é só isso. E que ele falava que para ele a vida tinha esse
[00:14:44] buraco, essa falha existencial, que era, não dava para ele se sentir inteiro em nada do que
[00:14:49] estava acontecendo. E ele disse para o Tomas Mano, e se o senhor quer saber, eu só não me mato,
[00:14:57] porque na hora que eu fosse me matar, eu sabia que dentro de mim ia vir uma voz dizendo,
[00:15:02] mas então é só isso. E aí ele disse, desejo-lhe uma boa tarde, alguma coisa assim, vai embora.
[00:15:10] Esse eu conto, tem menos de 10 páginas, mas é claro que é escrito naquele alemão primoroso,
[00:15:16] blá, blá, blá. Eu li em inglês, não estou me fazendo de bacana. E de qualquer modo,
[00:15:26] me vem muito a cena desse conto, porque essa é uma coisa bem pré-guerra. Era o espírito da
[00:15:39] antes da grande guerra. E eu vou dizer uma coisa aqui, claro que a gente está só
[00:15:47] na nossa especulação coletiva, mas eu não sei se a gente não está vivendo essa irrealidade
[00:15:55] que é o que acontece coletivamente antes da gente acordar para alguma coisa muito mais brutal.
[00:16:01] Então, mas se a nossa repressão primordial, essa repressão da ideia de poder um dia morrer,
[00:16:09] é natural que exista um programa no subconsciente que está se adequando a essa crença.
[00:16:17] E eu acho que a gente está num ponto, pelo menos a sensação que eu tenho desde o princípio da
[00:16:24] minha breve existência, de que a gente hoje enxerga vários frontes diferentes de ameaças
[00:16:31] essenciais, seja a possibilidade de uma guerra devastadora, seja uma mudança climática,
[00:16:40] seja uma pandemia, uma praga, seja o que for, inteligência artificial, enfim. Tem uma série de,
[00:16:46] e eu não sei se a gente no micro e no macro não acaba agindo como se a gente tivesse que
[00:16:55] se defender de todas essas coisas em todos os campos que a gente está inserido,
[00:17:01] em qualquer dos nossos encontros, que justificaria um pouco disso,
[00:17:05] quase virar uma profissão autorrealizável. Porque se eu realmente acredito que existe uma
[00:17:10] ameaça, eu tenho total, tenho o dever de acionar o meu cérebro reptiliano, portanto,
[00:17:21] eu tenho que me defender, defender minha posição, e eu começo a ter confrontos e conflitos que
[00:17:27] são praticamente injustificáveis se você olhasse dando um passo para trás.
[00:17:32] Ou seja, não tem sentido você imaginar que você queira acelerar alguma coisa que
[00:17:36] não precisasse daquela velocidade naquele momento, a menos que você tivesse a impressão de que
[00:17:42] aquela é a única possibilidade que você… Você certamente não assistiram, mas tem um
[00:17:52] uma série na Prime que vem de um joguinho chamado Fall Out. E é uma série que tem uma
[00:18:01] característica interessantíssima. A história se passa ali beirando os anos 70, quando está no
[00:18:09] ápice da Guerra Fria. Existe uma empresa que monopoliza a construção de bunkers.
[00:18:21] E é uma empresa que tem, vamos dizer, hoje o que seria a importância dessas empresas de
[00:18:30] tecnologia, Google, Facebook… Isso é real? Não, isso é uma história. Mas aí o que
[00:18:37] acontece é o seguinte, em determinado momento, começam-se os ataques nucleares. Até a cena
[00:18:44] inicial, não estou fazendo spoiler, porque essa é a cena que abre o primeiro cabelo. Eu assisti
[00:18:50] porque as minhas filhas me indicaram como necessário e eu fui ver. Mas tem um monte
[00:18:56] de peculiaridades bem interessantes. Mas essa cena começa essa guerra nuclear, tem um foguete
[00:19:00] e todo mundo teoricamente vai correr para um bunker. Mas a história é por que a guerra
[00:19:05] começa. E ela começa pelos próprios americanos que dizem o seguinte, se a guerra é inevitável,
[00:19:12] é melhor que a gente comece. Ah, aquele princípio. Existia uma ameaça iminente de que a guerra ia
[00:19:22] acontecer? Não, existia uma guerra fria. E como a gente quer se consolidar nos bunkers e é um
[00:19:28] business isso aqui, inevitavelmente isso vai acontecer em algum momento, então é bom que
[00:19:33] seja. Agora, eu não sei se a gente não tem nesse lugar reptiliano esse negócio de, cara, se esse jogo
[00:19:40] não está fazendo sentido, vamos virar esse jogo toda uma vez, vamos começar essa briga logo,
[00:19:44] porque não tem muito, se você trouxer, nenhuma dessas frentes, na velocidade que a gente está
[00:19:52] indo, fazem sentido sobre o ponto de vista da sobrevivência. Elas fazem pouquíssimo sentido
[00:19:58] se fossem decisões estratégicas. Ah, eu vou fazer um negócio, que é a inteligência policial, que
[00:20:04] não tem absolutamente nenhum controle, ou seja, estou criando um tigrinho dentro da minha sala,
[00:20:08] que eu não sei se ele vai me comer um dia. Ah, eu vou soltar uma bomba ali, por mais que eu
[00:20:13] tenha uma justificativa, porque preventivamente eu acho que faz sentido começar um conflito que
[00:20:18] eu não sei onde vai terminar, porque tem outros interesses envolvidos. Faz sentido eu brincar
[00:20:24] com um germe de laboratório sem saber se eu vou conseguir fazer um ataque biológico direcionado,
[00:20:30] ou se ele vai matar metade do mundo. Então, essas coisas que eu fico pensando não fazem
[00:20:35] parte dessa primeira supressão dessa ideia da morte mal resolvida. É bem interessante isso,
[00:20:44] porque você ainda falou de novo de inteligência artificial, e o que me vem o tempo todo é aquele
[00:20:49] David Brooks, onde ele define o que é estupidez. Eu não sei se eu já falei isso com vocês aqui,
[00:20:58] mas eu acho que para mim ele foi uma das definições definitivas para mim dos últimos meses,
[00:21:06] quando ele deixa claro que tem uma diferença notável entre inteligência e estupidez.
[00:21:11] Inteligência é o que a gente está pensando que é a mesma, a capacidade de articular
[00:21:16] estupidez ou não. Estupidez é você não pensar em todas as consequências, em todas as derivadas
[00:21:29] possíveis daquilo que você faz. O estúpido é aquele que diz vamos fazer isso e pronto,
[00:21:35] e aí acabou. Essa é a atitude da estupidez, você não é realmente conseqüente, você não
[00:21:41] está tão além. E o que você está dizendo, para mim tem muito a ver com esse fator. Nós,
[00:21:48] provavelmente até por causa daquilo que você está levantando, nós estamos ficando coletivamente
[00:21:54] muito estúpidos. Então nós estamos vivendo a verdadeira pandemia da estupidez em todos os
[00:22:02] níveis. E aí a gente junta com esse nosso apego, as nossas posturas, posições, e não sei
[00:22:08] o que, todo mundo está querendo se afirmar e dizer daqui eu não vou passar, e vai ser assim,
[00:22:15] e se necessário for a gente faz isso, faz aquilo, bombardeia mesmo, então se vai ter
[00:22:20] guerra, então melhor a gente começar e tal. E realmente até o cálculo, o algoritmo que leva
[00:22:28] essa conclusão pode ser muito sofisticado, mas só vai até a primeira ou segunda derivada,
[00:22:34] e para. Ou seja, ninguém mais está pensando como se esse filme tivesse que continuar da melhor
[00:22:44] maneira possível, indefinidamente. Está todo mundo pensando, está um clima de fim de
[00:22:50] temporada absurdo. Posso fazer um contraponto a mim mesmo? Por favor, é dos melhores,
[00:22:57] porque a outra possibilidade seria se realmente existe um, vamos falar de metafísica, que existe
[00:23:07] uma consciência que experimenta tudo através de nós, nós somos tentáculos dessa consciência e
[00:23:16] portanto cada um dos nossos avatares com as características que tem, tem uma importância
[00:23:22] para experimentar daquele jeito específico. Se a gente tivesse um, não viesse com esse modo
[00:23:30] de sobrevivência como principal norte para nossas alvoradas, e a gente obviamente chegasse
[00:23:41] num lugar de consciência mais alta e virasse um kumbayá generalizado, o propósito dessa
[00:23:50] experiência provavelmente não chegaria ao seu propósito desse experimento, não se realizaria da
[00:24:00] forma como ele foi originalmente concebido. Ou seja, a gente precisa, que vai um pouco naquela
[00:24:06] história do David Hoffman, que ele diz que quando ele simulou, o Donald Hoffman, o caso
[00:24:16] da realidade, que ele faz aquela simulação do modelo de sobrevivência e diz que não é possível
[00:24:22] que possa ter coexistido as duas coisas que eram a teoria da evolução do Darwin e a nossa
[00:24:30] sobrevivência como ela aconteceu, se a gente tivesse, de alguma forma, conseguisse enxergar
[00:24:37] a realidade como ela realmente é. Então será que este modelo não funciona desse jeito,
[00:24:42] isso só pode funcionar desse jeito? E o normal é a gente levar isso sempre num limite e aí começar
[00:24:48] o jogo de novo? Então, sempre a gente vai incorrer em conflito, porque a gente sempre vai se enxergar
[00:24:54] ameaçado, porque a nossa sobrevivência é primordial em relação a todos os outros elementos,
[00:25:00] e a gente tem que sempre chegar num conflito para começar de novo. E esse é o jogo.
[00:25:04] Olha, eu tenho a impressão de que a gente tinha que chamar o arquiteto do Maitrex aqui para
[00:25:11] conversar. Você lembrou dele quando estava falando? Lembrou, não é? Então, aquela história de que você tem…
[00:25:18] Já aconteceu seis vezes.
[00:25:19] É, já aconteceu seis vezes, aí a gente chega naquele ponto e bate também com aquelas outras
[00:25:26] teorias fringe de como já teriam havido outras civilizações sofisticadas, tecnológicas no
[00:26:06] que parece até, não tenho muita competência para comentar, mas parece até que a ideia já está
[00:26:12] muito superada. Eu fico me perguntando se não existe alguma coisa como a história egoísta ou
[00:26:19] o mito egoísta. E aí nós somos os, nada mais do que os hospedeiros e vetores de transformação
[00:26:29] e de propagação das histórias. E as histórias vão indo e vão mutando, e elas é que são
[00:26:35] os protagonistas.
[00:26:36] O Harari toca um pouco nisso, não é?
[00:26:37] É, mas ele coloca isso muito como se fosse, eu gosto super, eu acho que ele faz uma leitura
[00:26:43] mais antropológica, como se fosse a nossa necessidade de viver nas histórias porque
[00:26:50] as histórias nos definem. E eu já estou quase pensando que é o contrário, como
[00:26:55] se as histórias é que são os verdadeiros protagonistas e elas usam a gente.
[00:27:03] Muito interessante você falar isso, porque eu estava recentemente, sabe, fui fazer uma
[00:27:09] incursão para visitar a minha mãe, que está velhinha, que mora fora do Brasil
[00:27:15] e que tem uma rotina hoje, infelizmente, de assistir ininterruptamente a Globo Internacional
[00:27:23] sentado na sua poltroninha. E eu fazendo companhia a ela, acho que eu nunca tinha
[00:27:27] sido, nunca não, mas me lembro de ter tido uma overdose de Globo daquela magnitude nos
[00:27:35] últimos anos.
[00:27:36] De notícias.
[00:27:37] É, mas mais do que isso, teve um momento, eu não sei se passou aqui também, mas
[00:27:42] estava passando lá, um programa interessante chamado A Sinfonia das Novelas, que a Globo
[00:27:53] fez com uma orquestra e alguns cantores, eles foram pegando os temas principais das novelas
[00:27:59] desde Irmãos Coragem lá atrás até os dias de hoje e fazendo uma viagem no tempo.
[00:28:05] Como a Sinfônica?
[00:28:06] Simfônica e com alguns cantores também. E aí eu ia mostrando cenas dessas novelas
[00:28:13] e eu tive quase que uma experiência metafísica ali, porque você vê os mesmos atores
[00:28:21] fazendo novelas diferentes, a impressão que dá é o seguinte, cada novela é uma encarnação
[00:28:25] e que cada um faz um papel muito específico ali, depois eles trocam e vão fazer outros
[00:28:29] papéis.
[00:28:30] Gênio.
[00:28:31] Então naquele momento eu falei, cara, eu estou aqui encarnado com esses personagens
[00:28:36] que são únicos, eles só vão estar aqui nessa versão, na próxima são outros,
[00:28:41] eu vou ter trocado, eu vou ser o pai do outro. E me veio aquele negócio assim,
[00:28:45] tem uma coisa de aproveitar este modelo do jeito que ele está com todas as indiosicrasias
[00:28:51] e todos os defeitos, seja o que for, porque ele é único e é a única oportunidade
[00:28:56] que você vai ter de viver exatamente com esses personagens, esse tema, esse enredo
[00:29:01] nesse momento.
[00:29:02] Isso é muito rico.
[00:29:03] E com essa trilha.
[00:29:04] Maravilhoso.
[00:29:05] Espetacular, espetacular.
[00:29:06] Maravilhoso.
[00:29:07] E o problema é quando o diretor resolve pegar no teu pé.
[00:29:12] Não adianta você ficar puto com o Dat Roydman, pode ser que o Dat Roydman hoje chame-se
[00:29:18] Donald Trump.
[00:29:19] E o mais interessante é que agora tem uma nova encarnação do Dat Roydman que é
[00:29:23] de novo.
[00:29:24] O problema é quando você tem até a…
[00:29:27] A reencarnação da reencarnação.
[00:29:29] A reencarnação da reencarnação.
[00:29:32] E a gente já pensou, quantas vezes isso não deve acontecer, que agora você
[00:29:38] não é mais o protagonista, agora você é o avô do protagonista e a história é
[00:29:45] a mesma.
[00:29:46] Exato.
[00:29:47] Maravilhoso.
[00:29:48] Isso vai em direção ao que você falou.
[00:29:49] Pode ser que as histórias sejam mais relevantes.
[00:29:51] Isso.
[00:29:52] Mas você sabe que eu estou, eu acabei de ler um livrinho curto do Kali Gares,
[00:29:58] acho que foi editado pelo filho dele, chama Sentido da Vida, e na verdade é
[00:30:03] uma argumentação que ele faz sobre…
[00:30:07] Ele tem uma frase que ele fala que a felicidade não é importante, que é alguma coisa assim,
[00:30:12] que o legal é ter uma vida interessante.
[00:30:14] E, basicamente, eu estou resumindo o livro em si, mas ele faz esse…
[00:30:23] O livro é uma defesa da vida interessante, que é exatamente isso que você está
[00:30:29] falando.
[00:30:30] Mesmo a tristeza, mesmo as dores, mesmo…
[00:30:33] Acho que o Bi fala muito disso também, mas ele traz de um jeito muito legal o quanto
[00:30:38] é importante, inclusive, a gente viver essas dores, o quanto é importante a gente
[00:30:43] não se dopar nos lutos, porque tudo tem uma riqueza absurda.
[00:30:48] E é interessante o caso que ele faz sobre isso.
[00:30:53] É um nível pequeno e bem legal.
[00:30:55] E depois tudo acaba e começa de novo.
[00:30:58] Sim.
[00:30:59] E acaba.
[00:31:00] É impermanente.
[00:31:01] Eu acho que essa briga com a impermanência, quando a história está indo, por mais que
[00:31:07] ela seja dolorosa, a gente é muito apegado àquele personagem, apegado ao enredo, ao
[00:31:16] que a gente não conhece nenhum outro.
[00:31:19] Esse professor dessa entrevista, ele fala muito dessa sensação de você conhecer
[00:31:26] o todo e você enfrentar o nada.
[00:31:28] Porque você não conhece absolutamente nada do outro lado.
[00:31:31] Então, essa sensação, claro, não é só do desconhecido, é de você hoje estar
[00:31:36] experimentando tudo, inclusive dor, amor, medo, e passar a não experimentar nada.
[00:31:43] Esse talvez seja o maior receio, de eu deixar de sentir.
[00:31:46] Sim.
[00:31:47] Por mais que seja doloroso, é um sentimento.
[00:31:50] É denso, está na terceira dimensão, é aqui, é palpável.
[00:31:54] A possibilidade de não sentir mais isso talvez seja pior do que você sentir alguma
[00:31:58] coisa muito ruim.
[00:31:59] Sim.
[00:32:00] Eu acho que não sentir nada é a pior coisa.
[00:32:03] Tem uma grande pílula elefantina que o Bi fala que é muito melhor sofrer do que
[00:32:12] não sentir nada.
[00:32:13] Você sabe que você vai ser condenado por esse comentário, por os ouvintes dizendo
[00:32:17] que você está babando ovo do Bi.
[00:32:19] Nossa.
[00:32:20] Vai te custar.
[00:32:21] A pior foi a sensação que eu tive.
[00:32:24] Eu já fui acusado disso sem falar isso.
[00:32:26] Não, mas a pior sensação de que isso foi uma outra novela onde eu fazia outro
[00:32:33] personagem.
[00:32:34] É mesmo?
[00:32:35] É agora, eu já estou ouvindo isso.
[00:32:38] Mas antes que a gente seja acusado de tomar posições geopolíticas aqui, a
[00:32:45] gente está falando sempre dos personagens e não das ações.
[00:32:49] Claro.
[00:32:50] Eu não tenho nenhuma intenção pro ou contra nenhum país ou de gente.
[00:32:56] Sim, muito bem lembrado.
[00:32:58] Porque eu não tenho mesmo até porque eu acho que qualquer comentário aqui é
[00:33:02] suprapartidário.
[00:33:04] Mas eu acho interessante ver, eu acho que uma coisa interessante é como você
[00:33:13] vê alguns, eu acompanhei no início desse ano muitos empresários que dão suporte
[00:33:19] para os políticos, e o próprio Lamont que se engajou com o Tchon.
[00:33:23] E existe essa vontade muito grande de acreditar no pai, né?
[00:33:28] Sim.
[00:33:29] De acreditar que o pai vai mudar e que o pai vai, enfim, de poder apresentar
[00:33:37] o pai para os amigos.
[00:33:39] E toda essa figura paterna que é representada ali, depois você vê a
[00:33:43] relação do filho com o pai, o distanciamento, a decepção.
[00:33:47] É um ciclo, aquilo não é diferente de nenhum outro de relacionamento humano.
[00:33:51] Não.
[00:33:52] E a gente tende a acreditar que aquilo vai ser diferente porque está
[00:33:55] inserido num contexto político, mas é absolutamente igual a qualquer outra
[00:33:58] relação que tem uma…
[00:34:00] Se você for olhar na origem, estava vendo até uma história
[00:34:04] interessante que, em 1953, eu acho, teve uma das maiores secas da
[00:34:12] história da China.
[00:34:15] Eu acho que é 1953, depois vou lá.
[00:34:18] E foi conhecido como Great Famine, ou seja, Grande Fome.
[00:34:25] E tem uma coisa interessante, que foi o primeiro embargo americano contra
[00:34:31] a China. E o Xi Jinping estava nesses campos, ele tem uma memória
[00:34:38] visceral do que é…
[00:34:40] Passar aquela fome.
[00:34:41] Por conta de um embargo econômico americano.
[00:34:43] Então, você imagina, a gente vê um resultado final de um posicionamento,
[00:34:49] de um líder, e a gente esquece de olhar qual é a origem do cara, qual
[00:34:53] é a motivação, o que está naquele inconsciente dele de sobrevivência,
[00:34:57] e o que vai fazer ele se posicionar e criar uma retórica inteira de vida
[00:35:01] em cima da experiência que ele teve quando tinha dez, dez anos.
[00:35:06] E eu acho que, no final, somos todos crianças mal resolvidas, brincando
[00:35:15] aqui no playground e esquecendo que crescemos.
[00:35:18] É, o que é uma outra maneira de dizer…
[00:35:21] Não, o que é uma outra maneira de dizer que a gente fica falando de
[00:35:26] karma como se fosse uma noção metafísica, mas o que é karma,
[00:35:32] se não a história.
[00:35:34] Ou seja, nós somos sempre produtos da história.
[00:35:37] A história, ela vem de sabe-se lá quanto tempo.
[00:35:41] Quando você vê, olha a curva narrativa do Xi Jinping pequenininho lá
[00:35:48] passando fome no começo dos anos 50, e ele ali, vivendo essa outra
[00:35:54] história, tomando decisões marcadas por aquilo lá para trás.
[00:35:57] Não podemos depender dos Estados Unidos.
[00:35:59] Claro.
[00:36:00] Olha que interessante.
[00:36:01] Não podemos depender dos Estados Unidos.
[00:36:03] E é engraçado, porque não sei se vocês estão com essa impressão
[00:36:06] assim, que de um ano para cá, uma impressão muito real e muito
[00:36:14] palpável de que o mundo andou muito para trás, de uma involução
[00:36:19] profunda no mundo.
[00:36:21] Eu ia perguntar para vocês isso, porque eu sinto isso, de que a
[00:36:25] gente regrediu décadas em muito pouco tempo, por mais que a gente
[00:36:31] tenha andado com mil coisas.
[00:36:33] Então, você sabe o que eu acho, no espírito da conversa de hoje
[00:36:40] nesta novelinha micro novela que estamos fazendo hoje, eu acho
[00:36:44] que o mundo envelheceu mais do que andou para trás.
[00:36:47] Então, nós temos sinais de muita senilidade em muita coisa.
[00:36:55] É verdade.
[00:36:57] E esse é um papo até que a gente pode extrapolar para uma
[00:37:02] dimensão bem yunguiana, por exemplo.
[00:37:05] Quando a gente começa com essa história de que a gente matou
[00:37:08] Deus há quase dois séculos, um século e meio, ou um século
[00:37:15] e pouquinho, a gente matou Deus e aí tudo começou a ficar permitido.
[00:37:20] Então, os valores que organizaram essa assim chamada civilização
[00:37:28] que a gente fez tem muito a ver com uma lógica que foi ficando
[00:37:34] velha ou oficialmente morreu e a gente está simplesmente como
[00:37:39] herdeiros dela sem ter justamente essa figura de pai, esse pai
[00:37:44] que estava vivo.
[00:37:45] Então, é como se talvez a gente pudesse descrever a
[00:37:49] história do ocidente pelo menos nos últimos 100 anos como uma
[00:37:54] continuação do succession depois que o pai morreu.
[00:37:58] Então, somos todos herdeiros daquele pai que deu tanto, mas
[00:38:08] também ao mesmo tempo reprimia tanto e castrava tanto e agora
[00:38:12] nós somos herdeiros de tudo aquilo que foi construído lá
[00:38:16] atrás e nós mesmos, por nossa vez, nós já somos herdeiros
[00:38:20] velhos e toda a narrativa que está por trás está muito
[00:38:24] antiga.
[00:38:25] Eu volto sempre a esse tema.
[00:38:26] Quando você conversa com os jovens hoje, eles não têm
[00:38:30] projeto de futuro.
[00:38:32] Então, se a juventude humana não tem projeto de futuro,
[00:38:37] significa o quê?
[00:38:38] Que, de novo, a gerontocracia, que os velhos venceram,
[00:38:42] que os próprios seres humanos de 20 anos, na verdade, estão como
[00:38:48] uma cabeça de velho.
[00:38:50] Sim.
[00:38:51] Juntas isso.
[00:38:52] E o resultado disso é que você…
[00:38:56] O que acontece quando você começa a viver assim?
[00:38:59] Quando você não tem mais um desenho de futuro, você não
[00:39:03] tem mais como sustentar direito a narrativa da evolução.
[00:39:10] Certo?
[00:39:11] E aí o que acontece?
[00:39:12] Até muda o tom de voz, porque minha energia mudou com o que
[00:39:16] me veio na cabeça.
[00:39:17] O que a gente está fazendo?
[00:39:19] A gente tirou de nós essa narrativa de evolução, mas a
[00:39:24] gente levou para uma outra instância.
[00:39:28] Agora quem evolui, quem progride, quem vai ter um futuro
[00:39:34] maravilhoso é a inteligência artificial, nosso filhinho.
[00:39:40] Então, na esfera humana, a gente não fala de nada de bom
[00:39:46] em termos de futuro.
[00:39:47] A melhor versão possível de futuro que os caras estão
[00:39:50] comentando hoje em dia nos transforma naqueles seres
[00:39:55] disformes e dependentes do Wally, que ficam ali
[00:40:00] obesos, deitados e tomando milkshake ou alguma coisa assim.
[00:40:06] Claro que agora vai ter também o Mundiaro que vai
[00:40:09] compensar o milkshake, mas eles vão descobrir um jeito
[00:40:13] de fazer isso de outro modo.
[00:40:15] Mas o ponto todo é que todo o otimismo é em relação a
[00:40:20] essa construção em silício.
[00:40:24] É como se a base carbono não tivesse mais futuro nenhum,
[00:40:28] nós fôssemos só uma espécie cansada e agora a gente
[00:40:32] só imagina, nossa, mas não se preocupe, porque você nem
[00:40:36] imagina como vai ser a inteligência artificial daqui a
[00:40:39] 10 anos.
[00:40:40] Ela vai ser tão maravilhosa, então isso está indo de vento
[00:40:43] em popa.
[00:40:44] E vamos pegar o que resta do planeta para garantir que
[00:40:47] essa nossa progenitura, é o contrário?
[00:40:54] Esse nosso progenitado.
[00:40:56] Posso ter todos os recursos, eu deixo tudo para ele,
[00:41:01] toda a água, toda a eletricidade, toda a energia ainda
[00:41:06] acumulada no planeta, eu deixo de herança para o meu filhinho
[00:41:10] AI.
[00:41:11] Mas vamos tentar ver um outro lado disso tudo só para a gente
[00:41:18] não ter que tomar nenhum antidepressivo durante a
[00:41:22] gravação.
[00:41:23] Não faz efeito até a gravação acabar.
[00:41:26] Teria que ser intravenoso, mas eu peço que quando tem um lado
[00:41:33] positivo de tudo isso acontecendo na magnitude, na força,
[00:41:37] na veemência que está acontecendo no externo, porque
[00:41:41] se existia ainda dentro de você aquela esperança de
[00:41:45] controle, diante dessa quantidade de variáveis, tem
[00:41:51] que existir algum lugar de conforto em saber que agora
[00:41:55] realmente ficou claro que não é do externo que você vai
[00:41:58] encontrar a tranquilidade para se nutrir, para conseguir
[00:42:02] ter paz interior.
[00:42:03] Porque esta é uma crença que todos nós vivemos e por mais
[00:42:07] evoluído que você esteja, o seu primeiro movimento
[00:42:11] sempre é fixar o que está errado fora.
[00:42:15] Não tem como.
[00:42:16] E quando tem essa magnitude começa a ficar um negócio tão
[00:42:19] impossível, eu vou dar um exemplo, eu tive que mudar a
[00:42:22] minha identidade do YouTube essa semana.
[00:42:24] Por conta dos algoritmos?
[00:42:26] Por conta dos algoritmos.
[00:42:27] Estava me massacrando.
[00:42:28] Então eu tive que fazer um novo começo.
[00:42:34] Você tentou treinar ele de um jeito diferente?
[00:42:36] Você morreu nessa novela aí.
[00:42:38] Eu tive que encarnar em outro YouTube.
[00:42:40] Nessa minha nova encarnação.
[00:42:42] Ele deixou?
[00:42:43] Eu estou uma encarnação puramente com o Bahia.
[00:42:45] Só com o Bahia.
[00:42:46] Só com o Bahia.
[00:42:47] Não tem mais, eu não posso.
[00:42:49] Mas ele está deixando?
[00:42:50] Não, ele está deixando porque é o novo, ele não conhece.
[00:42:53] Mas ele não fez as conexões com o seu IP?
[00:42:56] Não, tive que fazer tudo do zero.
[00:42:58] Começar tudo de novo.
[00:43:00] Criei uma outra conta, que dá para fazer pelo Google.
[00:43:03] Com VPN.
[00:43:04] Eu não sei se eles, aí nós vamos saber se realmente a
[00:43:07] inteligência oficial está se comunicando ou não.
[00:43:09] Se ele começar a me mandar coisas do Irã nos Estados Unidos.
[00:43:12] Aí eu vou saber que eles realmente estão se conversando
[00:43:15] e aí fudeu.
[00:43:16] Então eu acho que, por quê?
[00:43:19] Porque a outra possibilidade realmente de você continuar
[00:43:23] inserido nesse contexto digital, se alimentando e
[00:43:26] alimentando as suas células, que são as suas pequenas antenas
[00:43:30] de toda essa energia e achar que você ainda vai conseguir
[00:43:34] conviver normalmente sem aquilo te afetar, acho que é uma
[00:43:37] utopia absoluta.
[00:43:39] Então conhecer os seus limites e criar novos limites
[00:43:42] para situações novas para que você possa realmente ter
[00:43:45] uma possibilidade de olhar para dentro sem ser
[00:43:48] totalmente influenciado pelo externo, é uma questão
[00:43:51] essa de sobrevivência de saúde mental.
[00:43:54] Sim.
[00:43:56] Como você está com a sua vida espiritual?
[00:44:01] Ela está em dia?
[00:44:03] Que pergunta.
[00:44:05] O que eu te fiz para você não fazer essa pergunta?
[00:44:07] Não sabe por quê?
[00:44:08] Porque eu estou te ouvindo você falar tudo isso.
[00:44:10] Não, escuta, você vai botar isso de título.
[00:44:14] A sua vida espiritual está em dia.
[00:44:17] Mais do que isso.
[00:44:18] Ele pegou um cara que acabou de confessar que está em
[00:44:20] reabilitação e pergunta para o cara, e aí, está sentindo
[00:44:24] falta da droga?
[00:44:26] Escuta…
[00:44:28] Foi genuíno, não foi retório.
[00:44:30] Eu tive muita vontade do que você fez.
[00:44:32] Não, não.
[00:44:33] Senhoras e senhores, o Snow vai lançar um novo
[00:44:35] aplicativo.
[00:44:37] Vai se chamar Holy Capivara, para você poder levantar
[00:44:43] a capivara espiritual de cada um.
[00:44:46] Serasa espiritual.
[00:44:48] Vejo aqui.
[00:44:50] É o carneiro baú da espiritualidade.
[00:44:52] Você está em dia com as suas mensalidades?
[00:44:54] Vejo aqui que a sua meditação…
[00:44:58] Eu percebi que estava tão complexo realmente.
[00:45:01] Todas essas observações…
[00:45:03] Eu tive a oportunidade de encontrar com meu amigo
[00:45:05] Gabriel.
[00:45:07] Nossa, o querido Gabriel.
[00:45:09] E tivemos um almoço longo de quase quatro horas lá
[00:45:13] na América do Norte, Estados Unidos, nessa visita
[00:45:18] que fazia a mamãe.
[00:45:20] E estávamos justamente falando dessas armadilhas
[00:45:23] todas disponíveis o tempo todo e como temos que
[00:45:26] criar um protocolo.
[00:45:28] Se você realmente quiser ter tempo para fazer
[00:45:31] essa viagem espiritual que o Snow chamou,
[00:45:34] você tem que conseguir dosar um pouco as distrações
[00:45:37] e a sua interação com essas distrações.
[00:45:39] Com essas distrações é muito difícil
[00:45:41] para um cara que está começando como eu
[00:45:44] ter um pé nas duas canoas e achar que eu vou conseguir
[00:45:47] fazer um percurso Amir Klink pelo Atlântico
[00:45:54] com o pé em cada canoa.
[00:45:55] Não vou fazer.
[00:45:56] Vou provavelmente cair e rasgar a perna
[00:45:58] e cair no meio.
[00:45:59] Esse pacate vai fazer molhar a bunda.
[00:46:01] Então, respondendo a sua pergunta, Snow,
[00:46:03] eu estou nesse percurso de encontrar…
[00:46:05] Então, se você estiver com o pé em cada canoa,
[00:46:07] você está muito melhor do que eu.
[00:46:09] Porque eu te perguntei isso porque eu nunca estive
[00:46:13] tão no magma e na matéria como eu estou hoje.
[00:46:17] E eu não estou conseguindo sair.
[00:46:19] É porque eu acho que não tem como…
[00:46:22] Essa foi a minha experiência.
[00:46:23] Eu estava em um nível de ruído tão grande
[00:46:26] que os primeiros 45 minutos de meditação
[00:46:30] eram ruídos e não sobrava mais nada depois.
[00:46:33] E eu acho que tem que voltar às origens nessa hora.
[00:46:38] Tem que voltar ao beabá.
[00:46:39] Mas não dá para voltar às origens
[00:46:41] e ao mesmo tempo continuar vivendo intensamente
[00:46:44] a matéria desse jeito.
[00:46:45] Eu não vejo como. Você vê?
[00:46:47] Não, eu não vejo.
[00:46:49] Eu estou ouvindo vocês e acho que brincadeiras à parte.
[00:46:53] O que você está falando, Snow, faz sentido
[00:46:58] na medida em que hoje em dia tudo virou saúde mental.
[00:47:05] Mas também tirando as possíveis críticas,
[00:47:10] os eventuais excessos e tudo mais,
[00:47:12] uma coisa que estava me dando conta esses dias
[00:47:14] é o quanto é maravilhoso que os jovens hoje em dia
[00:47:20] estejam com essa ideia na cabeça.
[00:47:23] Eu estive com as minhas sobrinhas essa semana
[00:47:25] e eu vi a menina lá de vinte e poucos anos
[00:47:31] virando e dizendo para um adulto
[00:47:33] que ela estava conhecendo um pouco mais de intimidade agora.
[00:47:37] E como vai a sua saúde mental?
[00:47:39] Era bem na direção do que você está dizendo
[00:47:43] da espiritualidade em dia.
[00:47:45] E quando você vence a estranheza inicial,
[00:47:51] você se dá conta de como isso é um progresso mesmo.
[00:47:54] Porque durante tempos imemoriais
[00:47:58] a gente vivia completamente louco, travado,
[00:48:02] neurotizado, patológico.
[00:48:04] Isso seria uma pergunta passiva agressiva.
[00:48:06] É isso. A gente nem tinha essa noção.
[00:48:12] E ela estava falando na inocência mesmo
[00:48:14] como quem diz assim, você faz exercício, faz aquilo.
[00:48:18] E o que me parece?
[00:48:21] Eu estava ouvindo vocês e me dando conta
[00:48:25] de quando foi que aconteceu a transição para mim
[00:48:29] da preocupação só ou essencialmente com a psicologia
[00:48:34] para esse acréscimo que envolve também a dimensão espiritual.
[00:48:38] E aconteceu mais ou menos na mesma época
[00:48:41] que a internet veio com tudo.
[00:48:43] E para mim essas duas coisas não são separadas.
[00:48:48] Eu tenho a impressão que o mundo ficou de uma tal maneira
[00:48:52] que não dá mais para você fazer uma distinção exata
[00:48:57] entre o que é psicologia e o que é espiritualidade.
[00:49:00] É tudo um contínuo.
[00:49:02] A psicologia estava sempre nascendo
[00:49:08] naquela pressuposição de que existia uma saúde
[00:49:12] e que você podia fazer uma distinção
[00:49:15] entre o que era o patológico, o doentio e o saudável.
[00:49:19] Agora, como vários caras explicaram muito bem,
[00:49:24] aquela definição de saudável depende de uma cultura
[00:49:29] que esteja funcionante, que esteja ali com critérios
[00:49:34] que você mais ou menos chega num acordo a respeito dela.
[00:49:39] Ou seja, dá para você fazer um projeto de psicologia
[00:49:42] enquanto você tem como coletivo um projeto de futuro.
[00:49:47] Quando o projeto de futuro se perde,
[00:49:51] porque a cultura ficou velha, porque a cultura enlouqueceu,
[00:49:55] porque a cultura não funciona mais,
[00:49:57] você não consegue simplesmente ficar no psicológico.
[00:50:01] O espiritual se torna uma necessidade.
[00:50:04] Em que sentido?
[00:50:06] Espiritual é você saber que o mundo
[00:50:10] não vai te dar as respostas.
[00:50:13] E que, portanto, você vai ter que se virar,
[00:50:18] melhor que for possível para você,
[00:50:21] nesse caminho de estar bem, estar em equilíbrio,
[00:50:27] sem que você consiga colocar isso num discurso estático,
[00:50:32] racional, lógico, demonstrável,
[00:50:35] que você possa chegar e apalpar.
[00:50:38] Então, tem um sentimento sutil, tem um lugar dentro de você
[00:50:44] que não pode ser colocado em palavras,
[00:50:47] mas que quando você está lá,
[00:50:50] você sabe que você está na sua melhor versão.
[00:50:54] Ele não depende daquilo que você acredita,
[00:50:57] ele não depende daquilo que você está pensando.
[00:51:01] Então, é muito fácil você sair dele.
[00:51:04] Agora, não existe, na minha cabeça,
[00:51:06] nada de mais valor do que você encontrar esse lugar,
[00:51:10] nem que seja por um instante,
[00:51:12] e depois tentar o máximo possível gravitar bem perto dele.
[00:51:18] E isso, para mim, é aquilo que se chama
[00:51:21] estar com a espiritualidade mais ou menos em dia.
[00:51:24] Agora, como é que você gravita para esse lugar
[00:51:28] e fica ali, em volta daquele lugar,
[00:51:31] ou o máximo possível de tempo dentro dele?
[00:51:34] Você tem que passar a sua vida fazendo uma avaliação
[00:51:38] do que que te tira completamente desse teu centro.
[00:51:44] O que que te devolve para o teu centro?
[00:51:47] E, repito, não tem nada a ver com as tuas crenças.
[00:51:50] Porque esse é o grande problema do nosso tempo, eu acho.
[00:51:56] A gente confunde o nosso conjunto de opiniões e crenças
[00:52:00] com o nosso centro.
[00:52:02] E as nossas crenças não trazem nosso centro.
[00:52:06] Elas são só uma estrutura, como se fosse um andâime,
[00:52:10] e não tem nada no meio.
[00:52:13] Nosso centro não é alguma coisa articulada.
[00:52:16] Nosso centro é um jeito de sentir.
[00:52:19] Todos nós já sentimos isso.
[00:52:22] Queria…
[00:52:25] Você acha que a gente tem noção,
[00:52:31] ou uma remota noção,
[00:52:33] de quão manipulados nós somos nas nossas decisões?
[00:52:38] Não, não, não. Nenhuma noção.
[00:52:40] Nenhuma noção.
[00:52:41] Nenhuma noção. É um escândalo.
[00:52:43] Eu estava vendo duas coisas que me chamaram a atenção.
[00:52:46] Uma, eu estava lendo o livro da Annie Lobowitz,
[00:52:52] que chama Fenômeno.
[00:52:54] Tem até uma entrevista dela com o Dioroga,
[00:52:57] mas é sobre um outro livro.
[00:52:58] Esse livro dela é um livro que conta a história
[00:53:01] de como a CIA investiu naquele MK Ultra,
[00:53:06] que é o programa deles de controle mental
[00:53:10] e controle a partir de psicodélicos.
[00:53:14] E é impressionante o que foi investido logo no início dos anos 50
[00:53:23] em tentar encontrar no México os cogumelos mágicos
[00:53:28] que eram a antena para o invisível
[00:53:31] e com a ideia de usar aquilo para visão remoto,
[00:53:34] para achar onde estavam os símbolos.
[00:53:36] Eu não vi nada disso.
[00:53:37] É um investimento de tal magnitude que começou,
[00:53:40] para você ter uma ideia, no pós-segunda guerra,
[00:53:42] e você imagina, aquilo nunca parou, não é?
[00:53:45] Onde estaria hoje?
[00:53:47] E a gente não tem a mínima ideia de até onde isso chegou.
[00:53:51] E aí eu assisti também, você deve ter visto o Snow,
[00:53:54] uma conversa interessante,
[00:53:56] já teve uma conversa daquele Oz Perman,
[00:54:00] que é um mentalista,
[00:54:01] teve com o Rich Roll há um tempo atrás,
[00:54:03] e ele fez um livro com o Dioroga em recente.
[00:54:05] E é um negócio, ali você vê claramente,
[00:54:08] que ele começa a conversa com o envelope lacrado
[00:54:14] e entrega para o Dioroga e fala,
[00:54:16] você vai guardar isso aqui
[00:54:17] e nós vamos abrir no final do programa.
[00:54:19] E no final do programa,
[00:54:21] claro, não preciso dizer para ninguém
[00:54:23] que você não pode ir no final da conversa ali
[00:54:26] para ver que ele consegue dizer
[00:54:29] o que o Dioroga vai responder
[00:54:31] em três perguntas que ele vai fazer.
[00:54:34] E não são perguntas elementares.
[00:54:37] Para mostrar, ele diz para o Dioroga o seguinte,
[00:54:39] você não tem ideia o quanto você não toma decisão nenhuma.
[00:54:45] O percentual da decisão que você está tomando é uma, enfim…
[00:54:51] É infinitésimo, infinitesimal.
[00:54:54] É decimal.
[00:54:56] E eu que te conheço há, sei lá, uma hora e meia,
[00:55:00] se eu tenho a capacidade de fazer você responder
[00:55:02] o que eu quero que você responda,
[00:55:04] imagine quem está dedicado só a isso.
[00:55:06] Como é o nome desse cara?
[00:55:08] Oz Perlman.
[00:55:10] Assustador.
[00:55:11] Ele é um mentalista.
[00:55:13] Eu não sei o que significa mentalista.
[00:55:15] O mentalista é o cara que faz o inception,
[00:55:17] é o cara que planta em você uma ideia…
[00:55:19] É o cara que influencia a partir do conhecimento da mente.
[00:55:22] Você tem uma ideia, logo no início,
[00:55:24] ele já acerta, sem conhecer o Dioroga,
[00:55:26] a senha de quatro dígitos do banco dele.
[00:55:31] Nossa.
[00:55:33] Ele fala que não tem absolutamente nenhuma paranormalidade nisso.
[00:55:36] Se eu pudesse mostrar para você qual é a minha sequência de raciocínio,
[00:55:40] eu diria como é que eu cheguei nisso.
[00:55:42] Analisando o teu comportamento.
[00:55:44] A gente, acho que é alvo muito fácil para isso.
[00:55:47] E quanto mais a gente está inserido nesse contexto
[00:55:50] de comprar as coisas a valor de face
[00:55:52] e parar de fazer esse trabalho de olhar para dentro
[00:55:55] e, não vou falar se conhecer,
[00:55:58] é muito mais conhecer seus padrões, seus caminhos e tal.
[00:56:01] A gente está a Mercedes o tempo todo.
[00:56:03] Sabe o que eu nunca entendo?
[00:56:05] Esse cara se chama Ospermann.
[00:56:07] E ele?
[00:56:09] Ele é mais livre do que o Dioroga
[00:56:11] ou ele também está…
[00:56:15] Ele tem o mesmo grau de…
[00:56:17] Quem controla o Ospermann?
[00:56:19] Se o Ospermann controla o Dioroga, não entendo.
[00:56:22] Sabe o que? Isso é uma boa pergunta.
[00:56:24] Acho que essa pergunta ninguém nunca fez para ele.
[00:56:28] Como é que você se protege disso?
[00:56:30] Mas é isso.
[00:56:32] Isso tem muito a ver com…
[00:56:34] Sabe uma coisa que ele fala?
[00:56:36] Todo mentalista começa como mágico.
[00:56:38] E a base da mágica é fazer a ação e o olho
[00:56:45] estar em lugares diferentes.
[00:56:49] Como ele diz, tirar o olho do prêmio.
[00:56:52] Então, o mentalista leva isso para uma outra magnitude.
[00:56:58] Mas basicamente, fundamentalmente…
[00:57:00] É como a carta do mago.
[00:57:02] No alquimia da alma.
[00:57:04] Mas, escute, você sabe que essa pergunta é muito sincera.
[00:57:11] Porque, na verdade, eu vivo sempre tendo que me dizer
[00:57:17] que sei um pouco mais de psicologia,
[00:57:19] mas isso me deixa um pouco mais livre ou não?
[00:57:21] Então, vamos levantar aqui uma possibilidade.
[00:57:24] Esse cara, a gente estava falando de uma encarnação,
[00:57:28] ou seja, de uma edição.
[00:57:30] E talvez esse lugar do mentalista
[00:57:33] seja o cara que tem uma obstinação
[00:57:38] em entender como é que funciona o jogo da encarnação.
[00:57:42] Talvez. Não sei.
[00:57:45] Ou como é que é o jogo do funcionamento da psiquia humana
[00:57:50] num aspecto prático.
[00:57:52] Talvez menos acadêmico.
[00:57:56] E, na medida que o cara entende como funciona o jogo,
[00:57:58] ele brinca com o jogo.
[00:58:01] Isso, eu acho que, de um lado, tem graça,
[00:58:05] mas é como se você conseguisse…
[00:58:07] É como se você já tivesse assistido o filme tantas vezes
[00:58:10] que não faz muita diferença qual é o final.
[00:58:12] Ou, por outro lado, o filme pode ficar sem graça
[00:58:14] porque você já conhece o final.
[00:58:17] Eu não sei responder qual dos dois ele é aí,
[00:58:20] mas o fato é o seguinte, ele conhece o final.
[00:58:23] É interessante você…
[00:58:25] Igual o cara do Thomas Mann.
[00:58:27] Mas, então, talvez a resposta
[00:58:30] seja no começo de todas as histórias.
[00:58:33] Seja como uma ilíada e odisseia.
[00:58:37] Quando você estuda o Homero, o que fica claro?
[00:58:41] Que o espírito épico começa no meio das coisas.
[00:58:45] Quem dizia isso era Virgílio.
[00:58:47] No meio das coisas, em média res.
[00:58:49] O que quer dizer isso?
[00:58:51] A ilíada não começa no começo.
[00:58:58] Não começa a ovo, que seria no ovo de Leda.
[00:59:02] E o ponto todo, como dizia Virgílio,
[00:59:04] é que a guerra começa no meio.
[00:59:07] O filme começa no meio, ele não começa no começo.
[00:59:11] E ele não acaba realmente.
[00:59:13] Sempre tem um depois.
[00:59:15] A gente está sempre nesse meio.
[00:59:19] E talvez a disciplina que a gente precisa ter
[00:59:23] seja a disciplina de perceber que
[00:59:27] sejam os princípios, sejam os fins,
[00:59:30] eles estão fora do nosso alcance.
[00:59:32] A gente está condenado ao meio.
[00:59:35] Tudo é sempre a continuação de uma história
[00:59:39] que vem lá de trás e você já esqueceu
[00:59:41] exatamente como é que ela funciona.
[00:59:43] E tudo vai dar em algum lugar que
[00:59:45] ou você já conhece, ou não importa,
[00:59:49] porque você não vai ver.
[00:59:51] Então talvez o único caminho
[00:59:54] seja aquilo que o Go estava dizendo,
[00:59:56] que é, conhecendo o máximo possível
[00:59:58] como essa trama funciona,
[01:00:01] se divertir, criar, brincar em cima dela
[01:00:06] ou tendo o máximo de elegância possível.
[01:00:08] Esse seria um momento em que
[01:00:10] se nós tivéssemos não só um podcast,
[01:00:14] mas um vodcast, um videocast,
[01:00:17] a gente teria que sair fazer uma dancinha.
[01:00:21] Sim.
[01:00:22] Ensapateado, uma coisa meio…
[01:00:25] Lala Land.
[01:00:26] Lala Land.
[01:00:27] Bibi Land.
[01:00:28] É, um Bibi Land.
[01:00:30] Mas eu, pensando nisso,
[01:00:33] só preciso fazer um comentário.
[01:00:35] Eu vejo esse Oz Perlman.
[01:00:38] Eu tenho certeza que aquilo não é desse mundo.
[01:00:43] Tenho certeza.
[01:00:44] Eu acho que tem, sim, muita paranormalidade
[01:00:48] e ele fala que não.
[01:00:49] Eu não consigo imaginar.
[01:00:51] Ou esse cara tem três, quatro canais de banda
[01:00:54] que a gente não tem.
[01:00:56] Enfim, paranormalidade talvez seja a definição.
[01:01:00] Não sei.
[01:01:02] Eu acho que tem muita mediunidade nesses caras
[01:01:06] e eles falam que não tem.
[01:01:08] Para não rechaçar a audiência.
[01:01:13] Eu também pensei nisso já várias vezes.
[01:01:16] Tem um filme que chama-se Focus,
[01:01:20] que é do Will Smith.
[01:01:24] Margot Robbie.
[01:01:26] Que fundamentalmente tem uma cena muito interessante
[01:01:33] que se passa numa final de Filho Americano
[01:01:37] onde ele vai apostando com um chinês.
[01:01:41] Não sei se você lembra disso.
[01:01:43] E ela não sabe o que está acontecendo.
[01:01:45] E é totalmente em cima da ideia de como é que
[01:01:48] durante uma semana antes daquela aposta
[01:01:51] ele vai construindo essa ideia
[01:01:54] de que o cara acha que vai tomar uma decisão
[01:01:57] e que aquilo vai criando toda uma rede neural no cara
[01:02:01] para que ele chegue na frente
[01:02:03] e escolha um número específico de um cara
[01:02:06] que ele está vendo o tempo todo nas coisas mínimas
[01:02:10] e em todas as interações que ele tem com o mundo externo
[01:02:13] e que ele acha realmente que está tomando uma decisão
[01:02:16] e que aquilo para ele faz todo sentido,
[01:02:18] mas ele foi nutrido daquilo.
[01:02:20] Então eu acho que aquilo mostra uma coisa
[01:02:23] que acontece conosco já na propaganda,
[01:02:26] enfim, na religião, na política
[01:02:30] e que a gente acha que está tomando uma série de decisões
[01:02:33] e no final a gente foi alimentado para chegar,
[01:02:35] para culminar com aquele processo.
[01:02:37] Mas é um barato essa conversa,
[01:02:41] porque como ela é indecidível,
[01:02:43] como é impossível decidir,
[01:02:45] porque a gente pode pensar que
[01:02:47] toda vez que você acha que o teu método funcionou perfeitamente
[01:02:51] na verdade foi porque a tua mediunidade funcionou
[01:02:54] e nas vezes que você acha que você errou na aplicação
[01:02:58] na verdade é porque a mediunidade não funcionou
[01:03:01] e ao contrário, em contraponto,
[01:03:04] porque acho que essa é a palavra do dia,
[01:03:06] você também pode imaginar que você tem poderes mediúnicos,
[01:03:10] mas na verdade te manipularam para chegar na resposta
[01:03:13] ou te manipularam para errar também.
[01:03:16] Ou seja, a gente continua sempre no mesmo lugar.
[01:03:20] Nós sempre continuamos sem conseguir saber
[01:03:26] de onde veio aquilo que faz a nossa manifestação.
[01:03:31] Na verdade a gente sabe que em alguma medida nós somos marionetes
[01:03:36] e a gente fica fantasiando quais são esses fios invisíveis
[01:03:40] e qual é essa mãozinha que move esses fios.
[01:03:47] Nos bons dias nós achamos que essa mão invisível somos nós mesmos,
[01:03:52] seja na nossa versão maior, mais metafísica, mais misteriosa,
[01:03:59] seja na nossa versão menor, quando nosso ego está num dia bombado
[01:04:03] e achando que não funciona exatamente como ele planejou.
[01:04:07] E nos nossos dias ruins nós imaginamos
[01:04:10] uma mão não tão bem fazeja
[01:04:13] ou uma mão que não está nem aí para nós
[01:04:16] e que faz com que a gente se movimente
[01:04:19] como se a gente fosse um figurante no clipe de thriller.
[01:04:25] Bela metáfora.
[01:04:27] Na verdade o ponto central é, talvez a gente seja o figurante,
[01:04:33] o diretor, o protagonista, o fio, dependendo do lado que a gente olha,
[01:04:40] porque essa realidade é mais complexa do que a nossa capacidade
[01:04:45] de tradução.
[01:04:47] Mas eu, pessoalmente, acho que a gente é divertido por causa disso.
[01:04:51] Sabe aquela fase em que você conversa com uma criança
[01:04:56] e a criança começa a inventar as respostas
[01:05:00] de tudo aquilo que ela não sabe?
[01:05:02] Ela vai inventando, inventando, inventando,
[01:05:05] e claro que a parte mais interessante é aquilo que ela inventa
[01:05:08] porque ela não sabe.
[01:05:11] Os nossos filhinhos atuais também estão fazendo muito isso,
[01:05:16] a gente chama isso de alucinação.
[01:05:18] Eu tenho um fascínio pelas nossas alucinações,
[01:05:23] as nossas alucinações coletivas.
[01:05:25] A única coisa que me parece é que nós devíamos ter
[01:05:32] uma atitude propiciatória.
[01:05:35] Isso que eu acho que é o ponto central para mim.
[01:05:39] Diante de toda essa nuvem do não saber,
[01:05:42] diante dessa dificuldade de saber o que são esses fios invisíveis,
[01:05:47] nós deveríamos todos os dias ter uma atitude de nos voltarmos
[01:05:54] para esse invisível e criar um ritual de agradecimento,
[01:06:02] talvez até de oração, talvez de conexão,
[01:06:08] não porque isso vai garantir algum resultado concreto comparado com o quê,
[01:06:13] mas pelo menos vai fazer com que a nossa conexão com esse mistério,
[01:06:18] com esse invisível, seja mais integrada no nosso todo.
[01:06:23] E eu tenho certeza que quando a gente faz isso,
[01:06:28] a gente começa a escutar melhor a música
[01:06:31] que está por trás desse nosso sapateado.
[01:06:34] E quando a gente está num bom momento, a gente não parou de sapatear,
[01:06:38] mas pelo menos a gente se sapateia no ritmo da música.
[01:06:42] Os chineses, eu acho que eles chamavam isso de Tao.
[01:06:46] Taoismo é isso.
[01:06:48] Você achar que está sapateando no ritmo da música,
[01:06:51] porque você está escutando ela melhor.
[01:06:53] Olha, deixa eu só fazer uma pergunta.
[01:06:56] A história não tem fim,
[01:06:59] recomeça sempre que você responde sim
[01:07:04] a sua imaginação
[01:07:07] parte de sorriso
[01:07:10] Perguntei ao filhinho aqui.
[01:07:12] Como se diz cabem em chinês?
[01:07:15] Tem que ler a resposta.
[01:07:17] Que pergunta interessante.
[01:07:19] Sempre esse filho só puxa o saco.
[01:07:21] A onomatopeia cabem é uma forma sonora
[01:07:25] que expressa um som explosivo ou de grande impacto.
[01:07:28] Muito usado em histórias, em quadrinhos,
[01:07:30] ou para descrever uma explosão, batida forte, etc.
[01:07:34] Em chinês há várias onomatopeias que transmitem sons semelhantes.
[01:07:38] O equivalente mais próximo dependeria do contexto.
[01:07:42] Algumas expressões.
[01:07:44] Tem um termo que eu não saberia.
[01:07:47] Alguma coisa como pen.
[01:07:49] Som de uma batida ou explosão.
[01:07:52] Som de algo grande explodindo.
[01:07:55] Mas eu queria fazer uma sugestão.
[01:07:57] Você não terminou o episódio de hoje com um cabelo.
[01:08:01] Por que não fazemos apologia nenhuma a nenhum tipo de bomba?
[01:08:06] Acho que você tem razão.
[01:08:12] Eu tirei uma foto esses dias
[01:08:16] que ampliei hoje no meu monitor de computador
[01:08:20] e descobri que no canto da foto
[01:08:23] tinha um pombo voando.
[01:08:27] E eu amplei o pombo.
[01:08:29] E você sabe que eu gosto dessas máquinas muito potentes.
[01:08:32] Então você amplia vendo detalhes que não eram vistos a olho nu.
[01:08:37] E este pombo em voo tinha em seu bico um ramo.
[01:08:46] Vamos ficar com o ramo da paz no pombo da foto.
[01:08:54] Sempre atrapalhando.
[01:08:58] Eu não sei me comportar.
[01:12:53] Eu to pedindo.
[01:12:55] Senhor, eu to pedindo a você.
[01:12:57] Diz-me sobre essas sessões.
[01:12:59] Estou levando o meu coração.
[01:13:01] Eu estou plegando.
[01:13:03] Senhor, eu estou plegando com você.
[01:13:05] Você tem um pouco de curto a fazer.
[01:13:07] Em frente eu estou me sentindo lento.
[01:13:23] Acesse o nosso canal.
[01:13:27] Ative o sininho.
[01:13:31] Ative o sininho.
[01:13:43] Ative o sininho.