50% acima de tudo


Resumo

Bruno Torturra substitui Gregório Duvivier (em turnê em Portugal) e conversa com Alessandra Orofino, que está em Los Angeles divulgando o documentário Apocalipse nos Trópicos. O tema central é o anúncio de Donald Trump de uma tarifa de 50% contra o Brasil, associado explicitamente à defesa de Jair Bolsonaro e ao ataque às instituições brasileiras. Eles comparam a repercussão nos EUA (muitas vezes tratada como “negócio como sempre”, focando em preços de café e suco) com leituras que apontam gravidade institucional, citando Paul Krugman ao dizer que o gesto seria motivo até para impeachment.

A conversa avança para as implicações políticas no Brasil: o “rally around the flag” pode favorecer Lula ao colar no bolsonarismo a marca do entreguismo, mas os apresentadores alertam contra o triunfalismo. A hipótese levantada é que o tarifaço pode ser instrumento de pressão para destravar uma anistia aos envolvidos no 8 de janeiro (e, por tabela, a Bolsonaro), com o Congresso e figuras como Tarcísio aparecendo como “moderadores” e “diplomatas” — uma saída “salomônica” que reduziria a temperatura e reorganizaria a direita para 2026.

Por fim, eles ampliam o quadro: o episódio não seria só sobre Bolsonaro, mas sobretudo sobre o lobby das big techs e a disputa contra regulações brasileiras (casos envolvendo Alexandre de Moraes, X/Twitter, Meta e Rumble). A análise enquadra Trump como operador de uma lógica “mafiosa” de poder (tarifas e perdões como moeda de chantagem e lealdade), conectando isso à cultura pop e à erosão de instituições. Fecham com preocupação sobre a “diplomacia paralela” do bolsonarismo (Eduardo Bolsonaro nos EUA) e o risco de normalização de canais extraoficiais que corroem a democracia por fora.


Anotações

  • 00:37:56 — Lógica mafiosa e pop culture A concessão de clemência e proteção a aliados por Trump ecoa uma “lógica do mafioso” profundamente enraizada no imaginário popular (O Poderoso Chefão, Scarface, Yellowstone). É por isso que a base o aceita: o gesto que deveria ser visto como absurdo se torna leitura familiar — troca de lealdade por proteção, exatamente como na cultura gangster.
  • 00:45:44 — “A lei é para os fracos” Scarface, Yellowstone e Tropa de Elite têm em comum a visão de que respeitar a lei é sinal de fraqueza. Trump encarna isso para seu eleitorado — moralmente fraco, mas que encontra no líder um espelho. O bolsonarismo é a mesma lógica: uma visão feudal de autoridade onde o que se busca, acima de tudo, é proteção pelas regras que vigoram de fato, não pelas declaradas.
  • 01:03:17 — Diplomacia paralela e a metástase da extrema direita Bannon como “homem de Estado sem cargo”, Eduardo Bolsonaro como canal diplomático no mundo iliberal, Trump como “Casa Branca Paralela”. Um eventual segundo mandato da extrema direita no Brasil seria mais perigoso: aprenderam com os quatro anos fora e têm aliados muito mais poderosos — big techs, Palantir, criptos — todos tentando comer a institucionalidade por fora e pelo meio.

Indicações

Filmes / Series

  • Apocalipse nos Trópicos — Documentário de Alessandra Orofino, citado como lançamento e recomendado (inclusive na Netflix).
  • Yellowstone — Série mencionada para ilustrar o imaginário “mafioso” de lealdade, proteção e “redenção” em troca de fidelidade.
  • O Poderoso Chefão — Referência para discutir como narrativas de máfia moldam a percepção de autoridade e moralidade.
  • Scarface — Exemplo de cultura gangster exaltada como símbolo de força e masculinidade.
  • Tropa de Elite — Citado como referência cultural que reforça a ideia de que “a lei é para os fracos”.

Linha do Tempo

  • [00:00] — Bruno substitui Gregório; Alessandra participa de Los Angeles e divulga Apocalipse nos Trópicos
  • [00:01] — Entra a pauta: tarifa de 50% anunciada por Trump contra o Brasil e o pano de fundo Bolsonaro
  • [00:03] — Repercussão nos EUA vs. Brasil; Paul Krugman chama o ato de grave interferência política/judicial
  • [00:05] — Debate sobre “presente para Lula”: efeito rally around the flag e desgaste do bolsonarismo como antipatriótico
  • [00:07] — Impacto na direita: dilema de Tarcísio entre base bolsonarista e Faria Lima
  • [00:09] — Governo ensaia nacionalismo e narrativa “nós contra eles”; ato na Paulista ganha centralidade anti-Trump/anti-entreguismo
  • [00:11] — Hipótese: tarifaço como pressão para anistia via Congresso; Bolsonaro reforça “paz para a economia” com perdão
  • [00:14] — Tramitação da anistia: requerimento de urgência, papel de Sóstenes Cavalcante e bancada evangélica
  • [00:20] — Carta de Trump: além de Bolsonaro, foco real em big techs, “liberdade de expressão” e regulação de plataformas
  • [00:28] — “Lógica de máfia”: tarifas para obter vantagens e lealdade; exemplos (Vietnã, Qatar, perdões/suspensões judiciais)
  • [00:38] — Cultura pop e imaginário do “chefe”: Yellowstone e a naturalização simbólica da lealdade via “redenção”
  • [01:00] — Eduardo Bolsonaro e o “mandato/diplomacia paralelos”; risco institucional e arco maior da extrema direita (2016–2026)

Dados do Episódio

  • Podcast: Calma Urgente
  • Autor: Calma Urgente
  • Categoria: News / Politics
  • Publicado: 2025-07-15
  • Duração: 1h5m

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Salve, salve, amigas, amigos, espectadoras, espectadores. Mais uma semana, mais um Calma

[00:00:09] Urgente. Hoje é segunda-feira, dia 14 de julho de 2025 e, como vocês podem reparar

[00:00:15] mais uma vez, não sou o Gregório Duvivier, sou o Bruno Torturra, porque nosso amigo

[00:00:20] Gregório está em Portugal com a sua peça O Céu da Língua, especialmente ocupado

[00:00:25] com família, várias sessões ao dia e merecido as férias, né? Vou chamar agora a minha

[00:00:32] parceira de Todo Calma Urgente, Alessandra Orofina, que também está com quatro fusos

[00:00:39] de distância. Então também seria especialmente difícil achar um espaço com oito fusos

[00:00:45] de diferença para o nosso amigo Gregório Duvivier.

[00:00:47] É, eu estou em Los Angeles, o Gregório está na Europa, então a gente está com,

[00:00:50] sei lá, 12 horas de diferença entre um e outro, está um pouco confuso. Mas semana

[00:00:54] que vem o Greg volta, gente, então não se preocupem, a gente vai ter ele de volta

[00:00:58] já já.

[00:00:58] Graças a Deus. E a Alessandra não está só em Los Angeles, né? Está em Beverly Hills.

[00:01:05] Beverly Hills, eu e as Patricinhas.

[00:01:07] Você e as Patricinhas de Beverly Hills, as Patricinhas Antiteocráticas de Beverly Hills,

[00:01:13] que a Alessandra está lançando seu documentário, O Pocalipse nos Trópicos,

[00:01:18] que recomendamos fortemente que aproveitem e assistam nos cinemas.

[00:01:23] Mas ela está aí já meio começando a pré-campanha, né?

[00:01:27] Ela vê se a Tuma assiste o filme e ele voa o mais alto possível.

[00:01:31] É isso. E hoje o Apocalipse entra na Netflix.

[00:01:35] Então quem quiser assistir Apocalipse nos Trópicos na Netflix vai poder a partir de hoje também.

[00:01:39] Hoje. Que maravilha.

[00:01:41] Mas vamos falar de outros Apocalipses, né, Bruno? Hoje a gente está animado.

[00:01:45] Vamos falar do Apocalipse fiscal, do Apocalipse político.

[00:01:48] A pauta inevitável que aconteceu no meio da semana passada, a gente quase

[00:01:52] fez um calmo urgente urgentíssimo, mas não deu tempo, não deu fuso horário.

[00:01:58] Mas a calma é muito importante.

[00:01:59] A calma é fundamental. Mas a calma é muito importante.

[00:02:01] Então faz muito sentido que a gente não entre o urgente e o urgentíssimo

[00:02:04] para a gente ter dias de calma, para a gente elaborar um pouco

[00:02:08] a melhor sobre o que o Trump e a família Bolsonaro e a direita americana

[00:02:12] e as big techs fizeram na semana passada, que é anunciar uma tarifa

[00:02:17] hoje a mais alta do mundo, que os Estados Unidos

[00:02:19] está falando que vai impor em algum país, em parte por conta do que o Trump

[00:02:24] vê como uma caça às bruxas ao Jair Bolsonaro, do processo criminal

[00:02:28] que ele enfrenta aqui no nosso país, anunciou uma tarifa de 50%.

[00:02:32] Hoje, certamente, a nossa audiência já sabe disso, a pauta mais inevitável de todas.

[00:02:37] Mas a gente ia falar um pouco disso, falar um pouco com calma.

[00:02:41] Para além, eu acho, das palavras de ordem ou das análises

[00:02:45] mais imediatas do que esse possível tarifaço,

[00:02:50] que eu tenho minhas dúvidas que ele vai se impor de verdade

[00:02:54] em 15 dias, mas acho que tem muitas outras camadas

[00:02:57] que acho que não estão encontrando muito espaço no debate público.

[00:03:01] O que você acha, Alessandra? Como é que você recebeu o tarifaço?

[00:03:04] Vai ficar mais caras as suas compras na Amazon?

[00:03:09] Está muito magoada?

[00:03:10] Foi engraçado, porque eu estava aqui nos Estados Unidos

[00:03:13] quando Trump anunciou o tarifaço, então estava muito mais exposta

[00:03:17] ao ambiente imediático daqui, a cobertura de imprensa daqui sobre isso.

[00:03:22] A cobertura de imprensa daqui, ela foi curiosa, porque por um lado

[00:03:25] você teve uma parte da imprensa que fez uma cobertura muito business as usual,

[00:03:30] assim, e muito mais focada no impacto econômico

[00:03:33] para os Estados Unidos, mas até essa análise um pouco superficial,

[00:03:37] assim, o café vai ficar mais caro,

[00:03:39] o suco de laranjas vai ficar mais caro e meio que deixou por aí.

[00:03:43] Por outro lado, você teve algumas vozes na imprensa

[00:03:45] que tiveram uma reação que é quase oposta a essa.

[00:03:50] Elas viram um nível de gravidade nesse uso político

[00:03:53] do instrumento tarifário que o Trump evidentemente está fazendo,

[00:03:57] muito grande e soaram um sinal de alarme muito alto.

[00:04:00] Acho que a voz mais importante nesse sentido foi o Paul Krugman,

[00:04:04] que é um economista que já ganhou o Prêmio Nobel de Economia,

[00:04:07] que escreveu para o New York Times muitos anos,

[00:04:08] que hoje tem um blog que vale a pena acompanhar,

[00:04:11] para quem estiver interessado em acompanhar uma visão

[00:04:13] mais de establishment econômico-americano,

[00:04:15] mas com um olhar mais progressista.

[00:04:18] E ele fez um post,

[00:04:19] basicamente falando que essa tarifa em específico,

[00:04:22] a maneira como ela foi anunciada,

[00:04:24] o tom da carta do Trump é super ameaçadora

[00:04:27] e interferindo de forma muito clara no processo

[00:04:29] não só político, mas também do judiciário brasileiro,

[00:04:32] que isso seria grounds for impeachment,

[00:04:34] que seria a razão para fazer um processo de impeachment do Trump.

[00:04:38] É claro que tem tantas razões

[00:04:39] para fazer um impeachment do Trump hoje,

[00:04:42] que essa ela fica um pouco perdida na conversa pública,

[00:04:44] mas teve essas duas reações

[00:04:46] e para mim foi curioso estar no meio dessa linha de tiro.

[00:04:51] Eu vi algumas opiniões intermediárias nos Estados Unidos,

[00:04:54] parecidas com as opiniões que foram emitidas aqui,

[00:04:58] colocando o quanto isso é atípico,

[00:05:00] o quanto ele usou as tarifas para um objetivo político

[00:05:04] e falando do Bolsonaro,

[00:05:06] falando de como isso tem a ver com ajudar os processos criminais

[00:05:10] de um aliado político dele.

[00:05:11] E uma análise que eu também vi,

[00:05:13] e aí sim, essa foi a análise hegemônica aqui,

[00:05:17] nosso país, acho que a partir dela que a gente tinha que falar,

[00:05:20] que foi um presente para o Lula,

[00:05:22] que isso foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para o Lula.

[00:05:27] Francamente, eu tenho as minhas dúvidas, Alessandra.

[00:05:30] Eu não compro essa análise imediatista.

[00:05:32] Acho que a gente pode falar de duas coisas, né, Bruno.

[00:05:34] Por que teria sido um presente para o Lula

[00:05:36] e que aspectos que não são exatamente um presente para o Lula?

[00:05:40] A razão pela qual existe essa leitura de que foi um presente para o Lula,

[00:05:44] ela, quer dizer, tem algumas razões, mas é relativamente simples, né?

[00:05:48] Quando você faz esse tipo de anúncio de uma sanção

[00:05:51] que afeta o país inteiro,

[00:05:53] não afeta só quem gosta do Lula,

[00:05:54] ou votou no Lula, ou torce pelo Lula,

[00:05:56] mas afeta todo mundo e afeta,

[00:05:58] inclusive, e talvez até sobretudo no primeiro momento,

[00:06:00] a elite econômica exportadora,

[00:06:03] que é uma elite especialmente ligada à base bolsonarista,

[00:06:07] então é o agronegócio,

[00:06:09] quando você faz isso, você acaba, no fundo,

[00:06:10] gerando uma espécie de reação de união do país

[00:06:14] em volta de uma rejeição dessa medida, né?

[00:06:17] Então você tem o que os cientistas políticos chamam do efeito

[00:06:20] rally around the flag,

[00:06:21] que a gente já falou aqui no Calma Urgente também,

[00:06:22] que é se alinhar em volta da bandeira.

[00:06:25] Você tem uma espécie de alinhamento patriótico.

[00:06:28] É uma risca patriótica muito fácil, né?

[00:06:30] Exatamente.

[00:06:31] E o fato do Eduardo Bolsonaro

[00:06:34] não ter escondido em nenhum momento

[00:06:37] os seus esforços de lobbying,

[00:06:38] ou seja, a gente sabe que isso não foi só uma reação do Trump

[00:06:42] que ele tenha chegado nessa conclusão sozinho,

[00:06:43] mas que isso foi instigado, trabalhado,

[00:06:47] provocado pela atuação do Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos,

[00:06:50] acaba associando a família Bolsonaro

[00:06:53] a essa medida que é péssima para o país

[00:06:56] e que é antipatriótica.

[00:06:58] Então pega o bolsonarismo

[00:06:59] justamente naquilo que ele tem de mais,

[00:07:02] talvez, central para a sua identidade,

[00:07:04] que é a ideia de que é um movimento pro-Brasil patriótico,

[00:07:08] Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.

[00:07:10] E aí fica só com Deus mesmo, péssimo pra isso.

[00:07:13] Então isso, de fato, pode ser positivo para o Lula.

[00:07:16] Eu acho que a gente pode falar sobre como ele tem ou não tem

[00:07:19] aproveitado essa oportunidade do ponto de vista midiático e comunicacional.

[00:07:22] Mas tem isso.

[00:07:23] A outra razão pela qual a Tarifa e a reação a ela

[00:07:27] poderia ser positiva para o Lula

[00:07:29] é que, justamente, essa reação negativa, Tarifa,

[00:07:32] também divide a base bolsonarista

[00:07:35] e confunde um pouco os ponteiros para os seus possíveis sucessores.

[00:07:39] Então o Tarciso, por exemplo, está sendo cobrado

[00:07:42] no sentido de se posicionar contra as Tarifas

[00:07:45] e ele fica numa…

[00:07:46] é sinuca de bico, porque se ele se posiciona contra

[00:07:49] ele, de alguma forma, fere ou aliena

[00:07:52] uma parte da base mais leal ao Bolsonaro e mais inflamada.

[00:07:57] Por outro lado, se ele fica quieto e trata isso com uma certa normalidade,

[00:08:01] ele vai alienar parte da Faria Lima,

[00:08:03] que é um grupo que ele gostaria, que ele quer,

[00:08:06] obviamente, trazer para ele nessa possível candidatura à presidência no ano que vem.

[00:08:10] Então é um debate público que não interessa figuras como o Tarciso.

[00:08:14] Ele é ruim, acho que mais até do que ser ruim para Bolsonaro,

[00:08:16] ele é ruim sobretudo para esses possíveis sucessores

[00:08:19] que querem se posicionar como razoáveis,

[00:08:22] porque joga eles ou na histeria louca,

[00:08:25] e perdão pelo uso aqui as feministas amigas,

[00:08:27] mas nesse caso eu acho que ele se aplica,

[00:08:29] ou eles ficam numa posição de traidores da base bolsonarista.

[00:08:34] Então é um ou outro.

[00:08:36] Ou eles são os bolsonaristas irracionais antipatrióticos, nesse caso,

[00:08:40] ou eles são os traidores dessa base,

[00:08:42] porque não estão defendendo essa medida.

[00:08:44] Então acho que realmente é um presente para o Lula

[00:08:47] no sentido de que a base, a oposição ao Lula,

[00:08:51] fica mais dividida e isso é sempre uma boa coisa.

[00:08:53] Mas de novo, pior para o Tarciso do que para o Bolsonaro.

[00:08:56] Eu concordo.

[00:08:57] Bom, então eu acho que é presente para o Lula também,

[00:09:00] porque veio em duas semanas,

[00:09:03] em que a gente falou disso no Último Calmo de Gente, nos outros e tal,

[00:09:06] que o governo está tentando se reposicionar em termos de comunicação.

[00:09:11] Está começando a falar o Noisa contra eles,

[00:09:13] está ensaiando uma coisa, já tem uns bons meses

[00:09:16] falando que o PT é que é patriótico,

[00:09:19] o Brasil é dos brasileiros, o Bonézinho,

[00:09:22] tem um certo nacionalismo sendo ensaiado

[00:09:24] do ponto de vista narrativo do governo federal.

[00:09:28] E já citava um pouco nessa toada

[00:09:32] de que os bilionários estão oprimindo o povo brasileiro,

[00:09:35] de que é preciso a gente reagir,

[00:09:37] que não pode se submeter à vontade dos super ricos

[00:09:40] que não admitem o aumento de imposto e por aí vai.

[00:09:43] A gente também estava começando com isso.

[00:09:44] E aí vem o riquinho mimado, Estados Unidos,

[00:09:48] falando que vai enfrentar o Brasil,

[00:09:50] vai cobrar uma taxa para fazer uma ajuda

[00:09:53] a um aliado político que está respondendo criminalmente.

[00:09:57] Então, claro que para o Lula,

[00:09:59] isso imediatamente força com que atores racionais

[00:10:04] ou atores econômicos racionais falem

[00:10:07] cara, não dá para defender isso,

[00:10:10] gente que se sente economicamente atacada,

[00:10:13] porque muito provavelmente a família Bolsonaro

[00:10:15] fez sim articulações para que isso fosse feito,

[00:10:20] acho que é parte de uma equação que vai falar dela aqui,

[00:10:22] acho que não é só o Bolsonaro que justificou isso,

[00:10:25] mas ele virou o protagonista disso.

[00:10:28] Então nesse sentido ajuda o Lula.

[00:10:29] Eu estava na manifestação da quinta-feira passada na Paulista,

[00:10:33] eu fui lá.

[00:10:34] Eu acho que ela cresceu de tamanho por conta disso.

[00:10:38] E o Trump e a associação do bolsonarismo com o entreguismo,

[00:10:41] com vira latismo, com submissão,

[00:10:43] estava totalmente central naquela manifestação

[00:10:46] que originalmente era só por conta de um IOF

[00:10:49] em cima de super rico.

[00:10:50] Então, do ponto de vista narrativo, funcionou.

[00:10:52] Mas o que eu acho delicado da gente pensar

[00:10:55] são umas outras questões aí, que é o seguinte,

[00:10:57] se fosse uma eleição daqui a quatro meses,

[00:11:00] eu ia achar um presentão.

[00:11:02] Mas a gente está muito longe de uma eleição.

[00:11:04] E essa análise está sendo feita sobretudo

[00:11:07] de um ponto de vista estatístico eleitoral.

[00:11:10] Opinião pública vai ficar do lado de quem no curto prazo.

[00:11:13] E acho que o jogo que está sendo jogado aqui,

[00:11:15] especialmente pela direita globalista,

[00:11:19] por esses caras que estão muito bem conectados,

[00:11:21] eu acho que esse tarifasso não é um fim em si mesmo, entendeu?

[00:11:24] Ele é um dos muitos passos que podem ser dados,

[00:11:26] inclusive o que é o meu palpite.

[00:11:28] Eu posso estar super errado, espero estar,

[00:11:31] mas o meu palpite é que essas tarifas

[00:11:33] não vão entrar em vigor,

[00:11:36] porque alguma saída pelo Congresso Nacional e não pelo Lula

[00:11:40] possivelmente vai ser oferecida,

[00:11:42] como a anistia do Bolsonaro,

[00:11:44] que é um projeto que já está em discussão há muito tempo,

[00:11:47] já está redigido, já está discutido,

[00:11:49] não estava achando espaço.

[00:11:51] E eu acho que existe o espaço agora,

[00:11:53] entre aspas, salomônico,

[00:11:55] para o Congresso Nacional ameaçar a retaliação,

[00:11:58] ficar do lado de um patriotismo que essas taxas são inaceitáveis,

[00:12:02] mas a anistia vem como um aceno ou como uma atitude de moderação

[00:12:08] em uma relação agora de igual para igual com os Estados Unidos

[00:12:12] e o Lula ser pintado como o que o Tarcísio está falando,

[00:12:15] quer dizer, o cara que é ideologicamente radical,

[00:12:19] é o cara que não quer discutir com os Estados Unidos

[00:12:22] nos termos equilibrados.

[00:12:25] Então eu acho que a anistia do Bolsonaro

[00:12:27] é o que acho está mais provável hoje

[00:12:31] do que estava duas semanas atrás,

[00:12:32] porque ela representa vantagens econômicas inclusive.

[00:12:36] E acho que existe uma curva narrativa que pode ser feita,

[00:12:38] especialmente com uma base que está louca

[00:12:40] Para voltar para o colo do Bolsonaro com algum argumento,

[00:12:45] é que a gente foi salvo dessas tarifas,

[00:12:50] porque o Congresso Nacional entendeu que sim,

[00:12:53] é uma caixa das bruxas, não só o Bolsonaro,

[00:12:56] mas todos os outros indiciados pelo 8 de janeiro,

[00:12:59] vão ser anistiados.

[00:13:01] Que é o que o Bolsonaro está empurrando.

[00:13:03] A declaração dele agora, domingo, foi essa.

[00:13:07] Ele basicamente diz, vou dar as aspas exatas,

[00:13:11] porque é interessante.

[00:13:12] Ele diz assim, o tempo urge.

[00:13:14] As sanções entram em vigor no dia 1º de agosto.

[00:13:17] A solução está nas mãos das autoridades brasileiras.

[00:13:20] Em havendo harmonia e independência entre os poderes,

[00:13:23] nasce o perdão entre irmãos

[00:13:26] e, com a anistia, também a paz para a economia.

[00:13:29] Eu adoro que agora o Bolsonaro está definindo

[00:13:31] o perdão entre irmãos.

[00:13:32] Eu adoro essa linguagem cristã de metigela.

[00:13:35] É isso aí. É o que eu estava falando.

[00:13:37] Eu não tinha lido essa declaração, não sabia que ele fez isso,

[00:13:39] mas é o que eu tenho a falar desde a quinta-feira passada.

[00:13:40] Eu falei, gente, muita calma antes de comemorar esse tipo de coisa.

[00:13:44] Porque eles são atrapalhados, eles geram backlash,

[00:13:47] eles não são esses gênios que jogam xadrez de 20 jogadas,

[00:13:52] mas, ao mesmo tempo, o nosso campo,

[00:13:54] à esquerda especialmente, na rua, você sente muito isso,

[00:13:56] ele é muito… é triunfalista, muito precoce.

[00:13:59] A gente dá como… agora o jogo virou.

[00:14:02] Gente, o que vocês aprenderam nos últimos 20 anos?

[00:14:05] Não é assim.

[00:14:06] Tem uma maratona sendo corrida aqui.

[00:14:09] E eu acho que a anistia está super colocada agora porque tem um prazo curto.

[00:14:13] É primeiro de agosto.

[00:14:15] O Steve Bannon falou isso.

[00:14:16] O Steve Bannon falou, se o Bolsonaro for anistiado, essas tarifas caem.

[00:14:21] Eu acho que nem necessariamente precisaria que a anistia fosse de fato votada nesse prazo,

[00:14:25] mas se o PL for, no projeto de lei, ele for pautado.

[00:14:29] E aqui vale apenas para lembrar como é que está a tramitação desse projeto de lei.

[00:14:34] Existe um projeto de lei para anistiar todos os envolvidos no 8 de janeiro

[00:14:38] que se estenderia, ou seria, no fundo, a justificativa usada

[00:14:40] para estender a anistia ao próprio Bolsonaro.

[00:14:43] Ele já existe, ele já foi autorado.

[00:14:45] E, em abril, o sóstano Escavalcante,

[00:14:48] que é deputado federal pelo Rio de Janeiro,

[00:14:50] que é basicamente a voz do Silas Malafaia no Congresso.

[00:14:54] Ele é cria do Silas, ele trabalhava na editora do Silas

[00:14:57] durante muito tempo antes de entrar para a política.

[00:14:59] Ele já foi presidente da bancada evangélica, não é mais atualmente,

[00:15:02] mas foi ele que protocolou, agora, em abril, um requerimento de urgência

[00:15:06] para levar para o plenário do Congresso esse projeto da anistia.

[00:15:10] Mas o projeto não foi pautado pelo Gomota ainda,

[00:15:13] que certamente é uma das coisas que o Gomota deve estar usando

[00:15:15] nessa negociação com o governo,

[00:15:17] nesse momento em que o governo vai um pouco mais para cima do Congresso.

[00:15:21] Então, o bastidor ali hoje é…

[00:15:23] Quer dizer, o bastidor não, mas a tramitação hoje é essa

[00:15:26] e a correlação de forças é essa.

[00:15:28] Curioso, e eu estou acertando sóstanes porque, no contexto do filme,

[00:15:32] eu estou pensando muito sobre o fundamentalismo religioso

[00:15:34] e a influência do fundamentalismo religioso na política.

[00:15:37] O sóstanes é uma figura com a qual a gente filma bastante

[00:15:40] para o Apocalipse dos Trópicos,

[00:15:41] porque ele é essa figura importante para o projeto de poder

[00:15:45] do Silas Malafaia em específico.

[00:15:47] Mas ele vai trazer, ele tem uma capacidade de articulação

[00:15:50] da bancada evangélica bastante importante.

[00:15:52] Ele foi muito, muito fundamental na aprovação

[00:15:55] da nomeação do André Mendonça para a Suprema Corte

[00:15:57] durante o governo Bolsonaro.

[00:15:59] Ele vai trazer essa bancada junto e, provavelmente, o que vai ser feito

[00:16:04] no sentido de promover essa anistia é justamente,

[00:16:07] e já está sendo feito, é posicionar essas pessoas

[00:16:11] que estão sendo julgadas pelo 8 de Janeiro como fiéis,

[00:16:15] pessoas religiosas, inocentes,

[00:16:20] que não têm nada a ver com baderna nem com violência.

[00:16:23] Qualquer violência que tenha acontecido foi pela ação de infiltrados.

[00:16:26] Então, o discurso vai ser um discurso de aproximação

[00:16:30] desse grupo que de fato inclui muitos fiéis, mas não apenas,

[00:16:34] com uma visão de cristãos perseguidos.

[00:16:37] Então, está sendo na lógica da cristofobia, quase,

[00:16:41] que essa defesa está sendo feita.

[00:16:43] Não é coincidência que tenha sido só estenizar

[00:16:45] por otocolar o requerimento de urgência.

[00:16:48] Também não me surpreenderia que Hugo Motta pautasse agora

[00:16:50] simplesmente para ter um pouco mais de poder de barganha

[00:16:54] também com o próprio governo.

[00:16:56] Eu acho que não só poder de barganha com o próprio governo,

[00:16:58] mas eu acho que é uma peça muito conveniente de ser mexida,

[00:17:03] por mais que ela escandalize as pessoas agora,

[00:17:05] é agora que ela tem que ser mexida,

[00:17:06] porque depois não vai ser mais difícil

[00:17:09] por conta da entrada do ano eleitoral

[00:17:12] e evita uma anistia com o Bolsonaro preso.

[00:17:16] Porque com o Bolsonaro preso,

[00:17:17] se ele for preso daqui a dois meses, entendeu?

[00:17:20] No fim do processo, que vai ser esse ano ainda,

[00:17:22] então pode ser setembro, outubro, alguma coisa assim,

[00:17:25] o escândalo e a mudança e a divisão na própria base,

[00:17:29] a maneira como a direita vai ter que se reentender narrativamente

[00:17:32] é muito mais complicado fazer isso

[00:17:34] e é muito mais tóxico, acho, para uma sociedade

[00:17:36] você tirar um cara da cadeia

[00:17:38] do que você evitar que ele seja preso

[00:17:40] e a coisa se mantém numa temperatura relativamente mais baixa.

[00:17:44] Não sei se é mais tóxico,

[00:17:45] acho que para narrativa triunfalista do Bolsonaro

[00:17:47] até seria melhor ele ser preso depois ser solto,

[00:17:49] mas o Bolsonaro não é o Lula.

[00:17:51] Exatamente.

[00:17:51] Ele não tem esse sentido de biografia,

[00:17:53] ele tem medo da prisão, medo mesmo.

[00:17:56] Exatamente, é isso que eu ia colocar.

[00:17:57] Seria muito conveniente para uma narrativa de um homem grande,

[00:18:00] mas o que a gente tem que lembrar é que aí tem uma outra similaridade

[00:18:03] do Trump com o Bolsonaro muito grande,

[00:18:05] que não é uma irmandade ideológica, por isso simplesmente,

[00:18:08] é uma irmandade quase que existencial.

[00:18:11] Os dois são grandes covardes

[00:18:13] e os dois têm uma história em que o talento real deles

[00:18:16] não é o carisma,

[00:18:18] não é a capacidade de encarnar demandas populares, não sei o quê.

[00:18:22] O grande talento biográfico deles é impunidade.

[00:18:25] O que esses caras fazem melhor que ninguém é escapar da cadeia.

[00:18:29] Desde os anos 70 os dois estão escapando da cadeia sucessivamente.

[00:18:33] Eles sabem operar social e politicamente, juridicamente,

[00:18:38] usar advogados quando é que decretam falência,

[00:18:40] quando é que fingem aquilo, quando é que acham laranja,

[00:18:42] quando é que operam,

[00:18:43] para que eles nunca tenham sido presos,

[00:18:46] em parte porque esses caras morrem de medo mesmo de cana.

[00:18:50] E o Trump, dos covardes, dos caras que têm medo de cadeia pelo que ele fez,

[00:18:55] ele é o herói, porque ele saiu da presidência,

[00:18:59] tentou dar um golpe,

[00:19:01] encorajou seus apoiadores a invadirem o Congresso Nacional.

[00:19:05] Eles invadiram, quebraram tudo.

[00:19:07] E quando ele saiu do poder justificadamente,

[00:19:09] uma série de processos foram tocados em cima dele,

[00:19:12] menos do que ele merecia, diga-se de passagem,

[00:19:14] e poderia ter sido preso.

[00:19:17] E foi uma reeleição que o não só perdoou de tudo,

[00:19:22] mas entregou poder suficiente para o Donald Trump

[00:19:25] empurrar a lógica de gangster e de impunidade

[00:19:29] para níveis muito mais altos do que ele foi capaz

[00:19:32] ou tinha interesse sequer de produzir no seu primeiro mandato.

[00:19:35] E o Bolsonaro entra como parte disso,

[00:19:36] porque ele é um irmão existencial do Donald Trump nesse sentido,

[00:19:39] ele cometeu os mesmos crimes.

[00:19:41] E por que o Brasil tem uma democracia?

[00:19:42] Ele passou na coisada dos mesmos crimes,

[00:19:45] até o final do julgamento a gente não pode dizer que ele começou.

[00:19:47] Sendo acusado dos mesmos crimes, o Trump que não me processa.

[00:19:50] Mas assim, tentativa de golpe de Estado, coisas muito semelhantes.

[00:19:53] O que não tem para cima do Bolsonaro, justiça seja feita,

[00:19:56] é acusação de estupro, abuso sexual.

[00:19:58] Isso aí o Bolsonaro não tem essa mesma veemência

[00:20:02] que o Trump teve na vida dele.

[00:20:03] Mas o que o Bolsonaro está fazendo também não é só um passo tático

[00:20:07] para derrotar o Lula no Brasil.

[00:20:09] Vamos ver que na carta dele,

[00:20:10] uma coisa que foi muito pouco analisada na minha opinião,

[00:20:13] ela não fala, ela não fala só do Bolsonaro.

[00:20:17] Ela começa falando que o governo brasileiro atacou as eleições livres.

[00:20:22] É isso.

[00:20:22] Ele começa falando que a eleição brasileira não foi limpa,

[00:20:27] como presidente da República.

[00:20:29] Ele fala de Bolsonaro, chama de caças bruxas,

[00:20:32] fala que essa caça bruxas precisa acabar imediatamente,

[00:20:35] mas o grosso do que vem depois,

[00:20:37] o parágrafo mais gordo da carta é sobre Big Tech,

[00:20:41] não é sobre Bolsonaro.

[00:20:43] No escopo da liberdade de expressão,

[00:20:45] que é exatamente a narrativa não só bolsonarista,

[00:20:50] mas é como hoje em dia o Trump fala que roubaram a eleição de 20.

[00:20:56] Ele fala que ele perdeu pro Biden,

[00:20:57] antes ele falou que eles roubaram na urna mesmo.

[00:21:01] Hoje a narrativa não é essa,

[00:21:02] hoje a narrativa deles é que foi censura de rede social,

[00:21:06] foi uma distorção no mercado de informação

[00:21:10] que permitiu a vitória do Biden

[00:21:12] e suprimiu laptop do Hunter Biden, vozes de dissidentes e por aí vai.

[00:21:17] É.

[00:21:17] Então isso também é um aspecto dessa história que está sendo mal analisado.

[00:21:22] A gente está em alguma medida comprando a própria posição do Donald Trump

[00:21:26] de que isso aqui é um movimento político, sim,

[00:21:30] mais político, no fundo, a favor de uma pessoa injustiçada,

[00:21:34] de uma liderança injustiçada que está sendo objeto de uma caça às bruxas.

[00:21:38] Quando, na verdade, os objetivos, digamos, declarados dessas sanções são três.

[00:21:44] Um seria reequilibrar um suposto desequilíbrio nas relações de comércio

[00:21:48] entre Brasil e Estados Unidos, o que ninguém, obviamente, compra,

[00:21:51] porque se existe desequilíbrio, ele é em favor dos Estados Unidos.

[00:21:54] Então esse objetivo é tão estapafúrdio

[00:21:57] que ele nem está sendo considerado, de fato, no debate público

[00:21:59] como não deveria mesmo, porque é sua incompetência.

[00:22:02] É mentira matemática, não é uma mentira narrativa.

[00:22:05] Eu nem acho que eles estão necessariamente mentindo,

[00:22:07] eu acho que eles nem olham, é uma falta de pesquisa,

[00:22:11] é uma falta de conhecimento do próprio país, das suas relações comerciais.

[00:22:15] Então, ok, ninguém está olhando para isso.

[00:22:18] Os outros dois objetivos seriam forçar, portanto, uma anistia para o Bolsonaro

[00:22:22] ou que o julgamento do Bolsonaro seja suspenso.

[00:22:25] E o segundo seria evitar que as autoridades brasileiras

[00:22:28] tentem regular e impor limites para a atuação de Big Techs no Brasil.

[00:22:33] E aí, lembrando que a gente tem algumas reclamações

[00:22:37] por parte das Big Techs, tem todo o embrólio entre a listão de morais

[00:22:40] e o Twitter, que chegou a ser suspenso no Brasil,

[00:22:43] mas tem também questões com a meta e com o Twitter

[00:22:46] e com todas as plataformas em relação…

[00:22:48] E com o Rambo também, que é especialmente próximo do Donald Trump.

[00:22:51] Exatamente, tem a questão com o Twitter, meta, etc,

[00:22:53] em relação à responsabilidade que essas plataformas teriam,

[00:22:57] segundo as autoridades brasileiras,

[00:22:59] de tirar proativamente conteúdo criminoso,

[00:23:02] incluindo pedofilia, etc, das plataformas,

[00:23:04] ao invés de esperar uma ordem judicial

[00:23:06] para aí, sim, se responsabilizar por essa retirada.

[00:23:10] Então tem essa questão.

[00:23:11] E aí tem a questão específica do Rambo, que é enorme também.

[00:23:15] Então esse objetivo parece ser, na verdade, o mais importante,

[00:23:19] mas ele é o menos palatável para a base do próprio Donald Trump,

[00:23:23] que hoje é uma base que está dividida

[00:23:25] em relação a essa proximidade do Donald Trump com Big Techs.

[00:23:28] Isso não é esse casamento, que é muito estratégico pro Trump,

[00:23:32] porque justamente permite que ele tenha uma influência

[00:23:34] sobre o ambiente de informação gigantesca,

[00:23:37] aquilo que ele diz que aconteceu com ele em 2020,

[00:23:39] certamente aconteceu na última eleição,

[00:23:42] dado que você tinha um aliado do presidente que era dono do Twitter.

[00:23:45] Mas esse casamento, apesar de ele ser estratégico pro Donald Trump,

[00:23:47] ele não é fácil de justificar e de fazer a base dele engolir.

[00:23:51] É muito mais fácil pra ele justificar essas tarifas

[00:23:55] em torno dessa defesa do Bolsonaro.

[00:23:57] Porque aí é uma figura na qual a própria base dele

[00:24:00] vê um reflexo dele próprio.

[00:24:02] Então é como uma figura que passou por questões muito parecidas

[00:24:05] com as que o próprio Trump enfrenta.

[00:24:08] E ele se posiciona muito mais como um defensor da democracia,

[00:24:12] que é um absurdo,

[00:24:13] dado a proximidade dele com ditaduras pelo mundo inteiro

[00:24:16] e a última viagem que ele fez para a gente média

[00:24:17] foi uma vergonha nesse sentido e assim por diante.

[00:24:20] Mas ele se coloca nessa posição,

[00:24:22] ele se arvora esses predicados

[00:24:24] ao invés de ter que no fundo admitir que isso aqui é resultado do lobby das Big Techs.

[00:24:29] Que eu não tenho dúvida, que é.

[00:24:31] Eu olhei o registro no Departamento do Estado,

[00:24:33] que no Estados Unidos você precisa registrar grupo de lobby,

[00:24:36] e não tem ninguém registrado como fazendo lobby pelo Bolsonaro nesse momento,

[00:24:39] que, aliás, até me faz perguntar se o Eduardo não estaria descumprindo a lei americana,

[00:24:43] porque ele está explicitamente fazendo lobby pelo pai

[00:24:45] e ele não está registrado com o Departamento do Estado.

[00:24:48] Por outro lado, você tem 550 lobbyistas registrados como lobbyistas das Big Techs.

[00:24:54] Então esse é um lobby poderoso, muito mais do que o lobby bolsonarista.

[00:24:58] Com certeza.

[00:24:58] Mas assim, eu acho que isso que você falou, eu vejo de um outro jeito.

[00:25:02] Eu acho que o Trump, internamente, lá nos Estados Unidos,

[00:25:06] ele não precisa justificar o apoio ao Bolsonaro, às tarifas brasileiras.

[00:25:10] Lá é um maremoto de escândalo diário tão grande

[00:25:13] que essa notícia brasileira, ela é nota de rodapé, gente.

[00:25:18] Ela é tipo um segmento na Fox News, um segmento na CNN, bola para frente,

[00:25:22] porque as pessoas, eu acho que a direita brasileira,

[00:25:26] só quem é muito informado, quem é muito ligado nisso,

[00:25:30] que vai se importar com o Bolsonaro, com a política brasileira.

[00:25:34] Eu acho que o jogo do Trump nesse caso, até porque o escândalo mesmo,

[00:25:38] é que dois dias depois ele anunciou 30% na União Europeia e no México,

[00:25:43] 25% no Japão.

[00:25:45] Ele disse, ele mandou as pessoas calarem a boca sobre os arquivos do Jeffrey Epstein,

[00:25:50] que para a direita americana é muito mais sério do que 800 Bolsonaro junto,

[00:25:56] entendeu, do que o que eles entendem que o Brasil é que literalmente

[00:25:59] não sabe onde é no mapa e por aí vai.

[00:26:01] Mas o que eu acho que ele representa mais no longo prazo

[00:26:04] é um fortalecimento, não da diplomacia, mas de uma diplomacia paralela,

[00:26:09] de uma bem paralela, digamos, com a direita brasileira,

[00:26:13] com a esperança de que ele pode ganhar no próximo ano,

[00:26:16] de que a direita brasileira volta no próximo ano.

[00:26:19] E eu acho que também não é coincidência que veio na semana do Brix no Brasil.

[00:26:25] O Trump não colocou isso na carta dele, mas todos os discursos prévios dele

[00:26:30] sobre o Brasil, China, Rússia, tem muito mais a ver com os Brix

[00:26:34] do que com supressão do Rumble no Brasil.

[00:26:37] Então eu acho que o tarefaço europeu tem a ver com o Big Tech também,

[00:26:42] porque é Brasil e União Europeia, são os atores grandes, democráticos

[00:26:47] no mundo inteiro que estão tentando regular, ainda que timidamente,

[00:26:51] as Big Techs dos Estados Unidos.

[00:26:54] Então acho que tem a ver uma coisa com a outra.

[00:26:56] Provavelmente o Trump deve falar sobre isso quando vai falar da Europa.

[00:26:59] Foi o que o Jade Vance fez quando foi pra lá falar,

[00:27:02] assim que ele virou vice-presidente.

[00:27:04] E eu acho que esses escândalos não afetam o Trump internamente,

[00:27:06] ele não tem que justificar isso.

[00:27:08] Só quando o café aumenta de preço, o suco de laranja sobe de preço,

[00:27:12] não é à toa que é isso que a imprensa foca, porque é isso que o americano

[00:27:15] se importa em relação à democracia brasileira.

[00:27:17] Mas a outra questão que para mim é muito importante,

[00:27:19] quer dizer, isso vem na esteira de um noticiário americano

[00:27:23] que para quem acompanha, que nem Alessandro e eu aqui,

[00:27:26] é vertiginoso, assim, é um noticiário muito acelerado

[00:27:30] nessa direção dos Estados Unidos estarem oficialmente

[00:27:34] se tornando uma democracia iliberal.

[00:27:37] Uma coisa ainda muito mais para a Hungria

[00:27:39] do que para aquela desfuncionalidade clássica deles.

[00:27:42] E nesse sentido, é só mais uma peça neste xadrez.

[00:27:45] Por isso que quando o Paul Krugman fala assim,

[00:27:47] isso é motivo de impeachment,

[00:27:50] tipo, entra na fila.

[00:27:51] Porque só essa semana ele cometeu, tipo, sei lá, cinco coisas

[00:27:54] e no mês passado outras 20, né?

[00:27:56] É só no uso do próprio instrumento tarifário, né?

[00:27:59] O que ele fez no Vietnã, por exemplo, é muito exemplar.

[00:28:01] E aliás, gente, é perfeitamente cabível e possível

[00:28:05] que isso seja o nosso futuro num cenário

[00:28:08] em que a extrema direita volte ao poder

[00:28:10] ou até outros atores ligados ao bolsonarismo

[00:28:13] voltem ao poder.

[00:28:14] Que é o seguinte, no caso o Vietnã,

[00:28:15] ele pressionou o Vietnã com tarifas, ameaçou,

[00:28:18] impor tarifas absolutamente ultrajantes

[00:28:21] e só voltou atrás, ainda não completamente,

[00:28:24] mas voltou atrás em parte,

[00:28:26] depois que familiares dele foram para o Vietnã

[00:28:29] e asseguraram o apoio do governo local

[00:28:31] para a criação de um campo de golfe gigantesco,

[00:28:34] um projeto de bilhões de dólares,

[00:28:35] para a família Trump, né?

[00:28:37] E aí a gente entra num outro debate

[00:28:40] que também é fundamental para entender

[00:28:42] como que o Trump opera,

[00:28:44] que é essa lógica de máfia mesmo.

[00:28:46] Família.

[00:28:47] Exatamente.

[00:28:47] Tem duas coisas que o Trump tem feito de maneira sistemática.

[00:28:50] O Trump tem, por um lado,

[00:28:52] usado todo o poder do Estado americano

[00:28:55] e o instrumento de tarifas é um instrumento preferido dele

[00:28:57] nesse sentido porque ele está completamente

[00:28:59] sob responsabilidade do executivo,

[00:29:01] ele não precisa de aprovação do legislativo,

[00:29:04] dos judiciários, nenhum outro poder, né?

[00:29:06] Então ele tem usado os poderes que ele tem à disposição dele

[00:29:09] para pressionar países,

[00:29:11] a conceder o fundo presentes,

[00:29:15] fazer concessões que beneficiam a família dele,

[00:29:19] ele pessoalmente, na pessoa física,

[00:29:21] que é o que ele fez no Vietnã

[00:29:23] com a negociação de tarifas,

[00:29:25] menos tarifas em troca desse campo de golfe

[00:29:29] que está sendo construído pelas organizações Trump no Vietnã.

[00:29:31] Então tem um lado de enriquecimento pessoal

[00:29:33] que é muito flagrante,

[00:29:35] a mesma coisa com o avião

[00:29:37] que está sendo dado de presente pelo Qatar,

[00:29:39] ele está realmente usando a presidência

[00:29:42] como uma moeda de troca,

[00:29:44] todo o envolvimento dele com cripto,

[00:29:46] ele está usando a presidência dos Estados Unidos

[00:29:47] como uma moeda de troca para conseguir se enriquecer

[00:29:50] pessoalmente e enriquecer a sua família,

[00:29:52] então tem isso.

[00:29:53] Por outro lado,

[00:29:55] o Trump também tem usado a presidência dos Estados Unidos

[00:29:58] e os poderes do presidente,

[00:29:59] sobretudo no que tem de poder de perdoar pessoas

[00:30:03] ou de estender anichias e clemência para outras

[00:30:06] ou evitar que, no fundo,

[00:30:08] lideranças políticas que estão com problemas com a justiça

[00:30:11] sejam condenadas

[00:30:13] para criar um tipo de lealdade

[00:30:16] que é muito na lógica da máfia,

[00:30:18] ele faz isso externamente e internamente.

[00:30:20] Então, em alguma medida,

[00:30:22] ele está fazendo isso com o Bolsonaro,

[00:30:23] é óbvio que a expectativa é que se essas tarifas,

[00:30:25] de fato, tiverem o poder de persuasão

[00:30:29] para obrigar as instituições brasileiras

[00:30:31] a anichar o Bolsonaro,

[00:30:32] ele vai cobrar esse preço em lealdade depois.

[00:30:35] Ele já fez isso com Netanyahu em Israel,

[00:30:37] pressionando o governo israelense

[00:30:38] e as instituições israelenses,

[00:30:40] judiciário israelense

[00:30:41] a não prosseguir com os julgamentos do Netanyahu

[00:30:45] por corrupção e outros crimes.

[00:30:47] E ele faz isso internamente,

[00:30:48] ele fez isso com o Eric Adams,

[00:30:50] o prefeito de Nova Iorque,

[00:30:51] então ele evitou que o Eric Adams fosse julgado

[00:30:56] e em troca ele está pedindo lealdade absoluta do Eric Adams,

[00:30:58] inclusive com a cooperação com a atuação da polícia do ICE,

[00:31:03] que é a Polícia de Imigração dos Estados Unidos.

[00:31:06] E não é que ele perdoou o Eric Adams?

[00:31:08] Não.

[00:31:08] Ele é tão chantageista

[00:31:11] que ele botou o julgamento em suspenso.

[00:31:13] Exatamente.

[00:31:13] Para qualquer momento ele pode voltar.

[00:31:16] A qualquer momento o julgamento volta à baila.

[00:31:19] Que, diga-se de passagem, seria o caso no Brasil.

[00:31:22] Não é um perdão para o Bolsonaro necessariamente,

[00:31:24] mas ele é jogar com essa autoridade que ele tem,

[00:31:27] porque se ele pode fazer o julgamento não prosseguir,

[00:31:29] ele também poderia no futuro fazer o julgamento prosseguir.

[00:31:32] No fundo, é uma demonstração de poder

[00:31:34] desse poder quase absoluto do chefe mafioso mesmo.

[00:31:37] E o que ele está fazendo é tentando estender o poder de perdão dele ao Brasil.

[00:31:43] É mais ou menos isso.

[00:31:44] Ele quer ter essa moeda de troca.

[00:31:46] Quem tiver curiosidade,

[00:31:47] vale olhar todos os perdões presidenciais

[00:31:49] que o Trump já fez agora nesse primeiro mandato.

[00:31:53] Inacreditável.

[00:31:53] E as relações são muito próximas nesses dois sentidos.

[00:31:58] Ou ele perdoa ou suspende julgamentos

[00:32:00] para aliados ou até inimigos políticos,

[00:32:02] mas de uma forma que tem muito mais a ver claramente

[00:32:05] com compra de uma lealdade, garantia de lealdade.

[00:32:08] Ou então ele faz um quiprocofamiliar mesmo.

[00:32:10] Então você tem julgamentos, por exemplo,

[00:32:12] de pessoas que foram acusadas de crimes fiscais,

[00:32:17] sua negação de imposto, etc.

[00:32:19] Ele vai lá e perdoa essas pessoas.

[00:32:21] Depois você vai ver que familiares, aliados, amigos

[00:32:24] pagaram para fazer um jantar com ele,

[00:32:27] deram cinco milhões de dólares para estar numa reunião.

[00:32:29] É um tipo de corrupção muito, muito evidente.

[00:32:33] Realmente muito pública e muito direta.

[00:32:35] E totalmente impune.

[00:32:37] E é isso que eu estava trazendo.

[00:32:39] A lógica de impunidade

[00:32:42] que era algo as escondidas,

[00:32:44] era um tipo de fuga,

[00:32:46] era um tipo de especialista em escapar dos braços da lei.

[00:32:51] Hoje ela não é mais uma fuga.

[00:32:53] Ela é uma transformação dos próprios instrumentos repressivos

[00:32:56] do próprio Estado,

[00:32:58] tendo a impunidade como a grande moeda de troca.

[00:33:01] E o contrário.

[00:33:02] O poder do Estado de punir pessoas

[00:33:05] que não estão dispostas a beijar mão do rei.

[00:33:08] Uma coisa que ele fez e fez algumas vezes,

[00:33:11] mas na semana passada um novo escândalo.

[00:33:14] Um dos maiores grupos de comunicação dos Estados Unidos, a ABC,

[00:33:17] pagou 16 milhões de dólares voluntariamente

[00:33:19] num acordo com o Trump, direto para o bolso dele,

[00:33:23] reconhecendo, entre aspas,

[00:33:26] um processo que o Trump

[00:33:28] moveu contra o 60 Minutes,

[00:33:30] que é tipo um programa super importante de jornalismo deles

[00:33:33] que ele processou.

[00:33:34] Olha o processo dele.

[00:33:35] Que eles editaram uma resposta da Kamala Harris

[00:33:38] para a Kamala ficar melhor no vídeo.

[00:33:41] É uma coisa absolutamente banal.

[00:33:42] Quando você vê a edição da pergunta inteira,

[00:33:45] não só eles publicaram a resposta inteira em outro programa,

[00:33:48] eles editaram para uma questão de tempo mesmo,

[00:33:50] mas não tem nenhum prejuízo em relação ao conteúdo

[00:33:53] do que foi dito de uma resposta para a outra.

[00:33:55] É um processo absolutamente inoco

[00:33:59] que ganharia em qualquer situação.

[00:34:02] Mas a ABC preferiu pagar esses 16 milhões

[00:34:05] para o Trump não ir para cima dela por

[00:34:07] fusão de empresas, por possível monopólio.

[00:34:11] Não é o primeiro grupo de comunicação que fez isso.

[00:34:13] Vários outros estão fazendo isso simplesmente por pagar um tributo,

[00:34:16] uma lógica monárquica de que ele tem um instrumento repressivo.

[00:34:19] E é isso que ele está fazendo no Brasil.

[00:34:21] E é nesse sentido que eu acho que tem uma situação ainda não resolvida

[00:34:25] que não é se a tarifa vai se instalar ou não.

[00:34:28] Mas é que tipo de forças brasileiras

[00:34:30] que têm poder, como o Bolsonaro mesmo falou,

[00:34:33] os três poderes independentes,

[00:34:35] perdão entre irmãos, não sei o quê,

[00:34:37] como é que o legislativo particularmente

[00:34:40] pode fazer não só um cálculo político,

[00:34:43] mas uma transformação narrativa

[00:34:45] de fazer com que eles saiam de moderados e salvadores da economia.

[00:34:50] Que eles baixem as vozes razoáveis da situação.

[00:34:53] E o cálculo novamente, eu acho,

[00:34:56] o tarcísio é peça fundamental nisso,

[00:34:58] não porque ele tem muito o que fazer nesse momento,

[00:35:00] mas ele é a solução salomônica da direita brasileira.

[00:35:05] E o louco é que o Bolsonaro é tão pequeno

[00:35:07] que ele não está pensando na sucessão,

[00:35:09] ele está só pensando em não ser preso.

[00:35:11] E para ele não ser preso,

[00:35:13] aí sim, toca pau, bota tarifa, faz o que for,

[00:35:15] porque é um cálculo muito pessoal da família dele.

[00:35:19] Mas o cálculo caçabe, digamos assim,

[00:35:22] eu acho que ele tem uma saída terrível,

[00:35:24] mas uma saída possível mesmo que vai os fortalecer,

[00:35:28] que é ameaçar a retaliação,

[00:35:30] fala assim, não, então a gente vai taxar todos os Estados Unidos,

[00:35:32] mas toma essa, toma a anistia,

[00:35:35] mas o Bolsonaro não volta a ser elegível.

[00:35:37] É uma saída salomônica real, assim.

[00:35:39] Ele não vai ser preso para não botar fogo na casa,

[00:35:41] não prejudicar a economia brasileira.

[00:35:43] Está aqui a nossa altivez de ameaçar a retaliação

[00:35:46] caso a nossa proposta não seja aceita.

[00:35:49] Mas o Bolsonaro não corre em 26.

[00:35:51] Quem corre é o tarcísio.

[00:35:53] É perfeitamente viável que essa seja a saída proposta.

[00:35:55] A anistia não se estende,

[00:35:57] porque aí não fica claro que o Trump fez uma vantagem

[00:36:00] para o aliado dele ganhar a lição brasileira.

[00:36:02] Você só despolariza, baixa a temperatura do país

[00:36:06] e o tarcísio surge como o cara que está reivindicando

[00:36:10] na imprensa, diga-se de passagem, um papel diplomático nisso.

[00:36:14] O tarcísio pediu ao STF que o Bolsonaro possa negociar

[00:36:19] e ele, tarcísio, está em contato com o consulado americano

[00:36:25] em São Paulo para tentar baixar a temperatura,

[00:36:28] tentar achar uma solução para os produtos do Estado de São Paulo.

[00:36:32] Então é nesse sentido que eu acho que é um presente para o Lula

[00:36:34] no sentido patriótico, mas ele de algum jeito,

[00:36:37] se eles souberem operar isso bem, ou melhor, a gente não souber operar isso bem

[00:36:41] junto, o Lula sai de polarizante radical e a direita,

[00:36:45] o Tarcísio, o Kassab e por aí, vai sair de tipo dos diplomatas

[00:36:50] na sala, dos profissionais.

[00:36:52] Porque novamente, o patriotismo dos bolsonaristas,

[00:36:57] eu honestamente me admira que a esquerda até hoje

[00:37:01] fica falando, vocês não são os patriotas de verdade,

[00:37:04] como se eles tivessem a mesma noção de patriotismo que a gente tem.

[00:37:07] A gente não está falando da mesma coisa, eles nunca vão dar razão para a gente,

[00:37:11] porque desde o começo, o patriotismo é bolsonarista,

[00:37:15] inclui o viralatismo como parte constituinte dele.

[00:37:18] É um patriotismo auto-xenófobo, é um patriotismo que não quer ser visto

[00:37:22] como parceiro de países em desenvolvimento.

[00:37:25] É um patriotismo de colônia americana mesmo.

[00:37:28] Eles querem isso.

[00:37:30] Bruno, algumas coisas que acho que vale a pena adicionar.

[00:37:33] Uma em relação a essa prática do Trump,

[00:37:38] portanto, de ter dado clemência ao anichia,

[00:37:40] ou suspender julgamentos de aliados e às vezes nem aliados políticos

[00:37:44] em troca de lealdade ou outros benefícios.

[00:37:47] Tem uma coisa aí que é uma lógica do mafioso,

[00:37:51] que tem muito eco, inclusive, na cultura pop.

[00:37:54] E acho que é por isso também que ela, de alguma forma,

[00:37:57] é aceita ou engolida pela base dele.

[00:37:59] Porque isso poderia ser visto como um absoluto absurdo,

[00:38:02] que é o que é, como uma forma absolutamente legítima

[00:38:05] de você construir alianças políticas ou de conseguir benefícios pessoais.

[00:38:09] Mas isso está tão enraizado no imaginário público

[00:38:12] a partir da cultura pop que eu tenho a sensação

[00:38:15] de que para muita gente isso é parte de ser uma liderança forte.

[00:38:19] É parte da persona de gangster do Trump.

[00:38:23] Tem uma série, eu estava conversando com o Bruno,

[00:38:25] que eu estou obcecada, que é uma série americana

[00:38:27] que já está no ar há alguns anos, acho que teve cinco temporadas

[00:38:29] e teve dois prequels.

[00:38:31] Mas que é uma série que é um mega sucesso nos Estados Unidos,

[00:38:34] sobretudo no que eles chamam de Middle America,

[00:38:37] então nos estados mais conservadores dos Estados Unidos,

[00:38:40] que se chama Yellowstone.

[00:38:41] E vale a pena ver, na verdade, porque tem um debate interessante

[00:38:44] até sobre o posicionamento político da série.

[00:38:46] O diretor e escritor, o showrunner da série,

[00:38:48] já disse várias vezes que não é uma série conservadora,

[00:38:51] pelo contrário, vai falar de agrilagem de terra,

[00:38:54] vai falar de direitos das populações originares,

[00:38:57] indígenas, etc.

[00:38:58] Mas o fato é que ela é um sucesso com o público conservador,

[00:39:02] então eu tenho uma tensão ali.

[00:39:04] Mas eu estou acetando Yellowstone porque no coração da série,

[00:39:07] o personagem principal é o Kevin Costner, que interpreta,

[00:39:09] é uma espécie de um patriarca de um latifúndio em Montana,

[00:39:13] que tem um rancho do tamanho de um estado.

[00:39:15] E ele está ali, meio que lutando,

[00:39:17] não só para que o seu rancho permaneça,

[00:39:19] que o latifúndio siga sendo dele,

[00:39:22] mas para que outras forças que são associadas

[00:39:25] um pouco com as populações urbanas, modernas,

[00:39:28] os globalistas, as elites intelectuais e assim por diante,

[00:39:32] não acabe e corrompam as tradições e as práticas

[00:39:36] daquele espaço que ficou um pouco parado no tempo,

[00:39:38] em alguns sentidos.

[00:39:39] É mais complexo do que isso e é interessante ter nuances,

[00:39:42] mas eu estou falando disso porque tem uma prática específica

[00:39:45] que é meio central para a trama,

[00:39:47] que é o patriarca, o personagem do Kevin Costner,

[00:39:51] ele tem uma equipe, um time lá,

[00:39:55] e tem uma parte dessa equipe que é super leal a ele,

[00:39:57] que é a galera que faz as coisas mais,

[00:40:00] que mata a gente, mata inimigos políticos,

[00:40:02] que faz o trabalho sujo, por assim dizer.

[00:40:05] E ele recruta, é a milicinha dele, milícia cowboy,

[00:40:08] todos de chapéu de cowboy, mas é a milícia.

[00:40:11] E aí ele recruta essas pessoas nas prisões.

[00:40:15] Então tem uma prática de pegar criminosos

[00:40:17] que ele meio que perdoa, dá uma segunda chance

[00:40:20] em troca de lealdade.

[00:40:22] E essas pessoas são diferentes das outras,

[00:40:24] eles dizem isso, os outros empregados,

[00:40:27] digamos lá do latifúndio, da fazenda,

[00:40:29] são apenas empregados, eles trabalham,

[00:40:30] eles podem ser demitidos, eles vão embora e tal.

[00:40:32] Essa galera, vocês são família,

[00:40:35] essa é a galera que tem que estar ali dentro

[00:40:37] e que tem um outro tipo de relação com esse chefe.

[00:40:41] E aí para marcar essas pessoas,

[00:40:43] depois que ele dá uma segunda chance,

[00:40:45] depois que no fundo eles tem de clemença

[00:40:47] ou anichia a essas pessoas,

[00:40:49] ele marca elas tipo que você marca gado, sabe?

[00:40:51] Com um ferro quente, assim,

[00:40:53] faz uma marca de um ID de Yellowstone.

[00:40:56] Jura?

[00:40:56] É uma coisa super estranha.

[00:40:57] É, mas eu estou falando isso porque essa,

[00:41:00] desde o poderoso chefão, entendeu?

[00:41:01] Essa ideia de que a lealdade de fato,

[00:41:06] ela é a lealdade que você recebe a partir da redenção,

[00:41:10] então aquele que você perdoa,

[00:41:11] aquele que cometeu crimes, que é culpado,

[00:41:14] mas que você perdoa, para ele você estende a mão,

[00:41:17] é dele que depois você pode cobrar um tipo de lealdade

[00:41:20] que é fundamentalmente diferente do tipo de lealdade

[00:41:22] que você cobra de outros aliados políticos.

[00:41:25] Ela está completamente colocada no imaginário público,

[00:41:29] e sobretudo do público mais conservador,

[00:41:30] mas não apenas, ela faz parte da nossa construção

[00:41:33] da ideia de o que é uma autoridade legítima,

[00:41:35] que ela não se dá só por razões legítimas,

[00:41:38] mas ela se dá também por esse tipo,

[00:41:40] a própria ideia de redenção no cristianismo,

[00:41:43] de que você se arrepende, você se redime,

[00:41:45] a atuação das igrejas nas prisões,

[00:41:47] a ideia de que uma porta de saída para uma vida de crime

[00:41:51] é a conversão religiosa,

[00:41:53] e isso tudo se confunde com essa figura do chefe.

[00:41:55] Então, essa prática do Trump,

[00:41:57] eu acho que ela tem raízes psíquicas, simbólicas, culturais,

[00:42:01] muito enraizadas.

[00:42:02] Acho que vale a pena falar sobre isso um pouquinho,

[00:42:03] e depois eu tinha um outro ponto, mas vai lá, Bruno.

[00:42:05] Não, eu acho totalmente verdadeiro,

[00:42:08] eu acho que é o corolário,

[00:42:10] e é muito perfeito quando você vê, novamente,

[00:42:15] que as instituições estão sem nenhuma credibilidade,

[00:42:19] porque a ideia de legitimidade, de autoridade

[00:42:22] dentro do princípio republicano é o oposto disso.

[00:42:25] Ela não é constituída pela sua capacidade redentória,

[00:42:30] ela não está oferecendo redenção dos crimes das pessoas,

[00:42:33] muito pelo é contrário,

[00:42:34] tudo é tudo a que se faz, a que se paga,

[00:42:37] tudo que as coisas têm causa, análise e consequência

[00:42:40] dentro de um império legal,

[00:42:43] não do império subjetivo, mas do império objetivo,

[00:42:46] do que as coisas funcionam,

[00:42:48] e a legitimidade é concedida dessa maneira impessoal, no fundo.

[00:42:55] No fundo, o que vale é a carta, o que vale é a constituição,

[00:42:59] o que vale é o combinado e não o poder,

[00:43:03] o poder individualizado.

[00:43:05] Eu acho que essa falência das próprias instituições

[00:43:07] em cumprir a sua promessa de entregar para as pessoas,

[00:43:11] não só resultados, mas essa ideia de que a lei vale para todos,

[00:43:14] eu acho que isso foi um dos problemas principais

[00:43:16] e que o Trump estranhamente se beneficia disso.

[00:43:20] O que acontece?

[00:43:21] Eu vi esses dias um cara falando uma frase

[00:43:23] que eu achei um das melhores resumos do que as pessoas percebem.

[00:43:27] Eles falam assim, se você é rico, a lei te protege,

[00:43:32] mas você não está preso a elas.

[00:43:35] Então você pode descumprir a lei, mas a lei vai te proteger.

[00:43:39] Se você não tem recurso, a lei não te protege, mas ela te submete.

[00:43:44] Quer dizer, a lei vai te pegar,

[00:43:46] mas ela não está te garantindo o que ela promete a você.

[00:43:50] E essa inversão, com o tempo, com o tempo, com o tempo,

[00:43:53] o Trump meio que se provou um visionário.

[00:43:55] Ele fala assim, quando todo mundo acreditava nisso,

[00:43:58] eu sempre soube que é sobre força, poder,

[00:44:00] chantagem, uso inteligente,

[00:44:03] é sobre não respeitar esse grande combinado

[00:44:05] e ter simplesmente a força e a habilidade

[00:44:09] e a mentira e a dissimulação e o faz de conta mesmo

[00:44:14] como armas para eu conquistar território

[00:44:17] do mesmo jeito que um mafioso faz.

[00:44:19] E esses filmes, se você ver como esses filmes,

[00:44:22] até pior do que o Poderoso Chefão, por exemplo,

[00:44:26] que tem uma fábula meio que moral dentro dele,

[00:44:29] mas a contradição está meio colocada,

[00:44:32] a maneira como o Poderoso Chefão foi mudando de percepção pública

[00:44:36] nos últimos 20 anos é muito sensível também.

[00:44:39] Não é visto mais como uma contradição,

[00:44:41] é visto exatamente como essas pessoas são mais leais

[00:44:44] e mais morais do que o sistema.

[00:44:46] E outros filmes muito mais graves do que o Poderoso Chefão

[00:44:49] também se transformaram em referenciais de força

[00:44:53] e de masculinidade, como Scarface,

[00:44:55] como provavelmente o Yellowstone,

[00:44:57] como tropa de elite.

[00:45:00] E todos eles têm em comum essa visão

[00:45:03] de que a lei é para os fracos,

[00:45:05] que respeitar a lei é em si talvez uma coisa um pouco corrupta.

[00:45:10] É fraca, é um sinal de fraqueza.

[00:45:12] E é muito isso que ele representa,

[00:45:14] com todo o faz de conta dele, com toda a mentira visível que é,

[00:45:19] mas é uma mentira que encontra espelho no seu elitorado,

[00:45:23] que também é moralmente fraco,

[00:45:24] mas criou uma versão da realidade

[00:45:28] em que pornograficamente o Trump exerce essa força em nome deles.

[00:45:32] Então quando ele faz isso, ele está simplesmente jogando o jogo.

[00:45:36] É meio gangsta, é uma moral que foi exaltada

[00:45:39] com uma cultura de gangster na música e no filme.

[00:45:43] Tem muitos outros exemplos disso na nossa cultura

[00:45:46] que justifica absolutamente.

[00:45:48] O bolsonarismo é muito isso também.

[00:45:50] É um retorno a uma visão realmente feudal de autoridade,

[00:45:54] de que o que você procura, sobretudo do seu líder,

[00:45:56] mais do que qualquer outra coisa, é proteção.

[00:45:59] E essa proteção se dá pelas regras

[00:46:01] que você entende que são as regras vigentes de fato,

[00:46:04] que não tem tanto a ver com quais são as regras declaradas,

[00:46:06] porque ainda estamos declaradamente em estados democráticos de direito,

[00:46:10] inclusive nos Estados Unidos,

[00:46:11] mas tem a ver com a percepção desses liderados

[00:46:16] do que de fato importa na negociação.

[00:46:19] Então se você consegue convencer a sua base política

[00:46:21] de que o que de fato importa, por exemplo,

[00:46:24] em questões geopolíticas não é a diplomacia, é a força,

[00:46:27] e sempre será a força e portanto é nisso que a gente tem que apostar,

[00:46:30] essa base política vai estar muito mais propensa

[00:46:33] a aceitar um uso ilegal da força

[00:46:35] e a não acreditar que existem saídas diplomáticas

[00:46:38] para absolutamente nada,

[00:46:39] o que não só reforça esse tipo de liderança,

[00:46:43] mas também limita em grande medida

[00:46:45] a possibilidade de lideranças que vêm de espaços

[00:46:48] menos associados a uma masculinidade clássica e a um autoritarismo,

[00:46:53] de prosperarem, inclusive, eleitoralmente.

[00:46:55] Então é a ideia de que, por exemplo,

[00:46:57] você não pode ser uma mulher no poder porque ela é fraca demais,

[00:46:59] ela não vai saber jogar o jogo.

[00:47:01] É quase uma espécie de niilismo que dá uma volta inteira.

[00:47:06] Você acredita tão pouco nas regras em vigor

[00:47:10] e na possibilidade de transformar a política

[00:47:12] num espaço de redenção, de construção comum,

[00:47:15] de proteção dos mais fracos e das vulnerabilidades,

[00:47:17] de criação de projetos de país que cruzam as diferenças.

[00:47:22] Você acredita tão pouco no que existe de bonito

[00:47:24] na construção democrática e política

[00:47:26] que você quase prefere, portanto, ser liderado

[00:47:30] por quem também não acredita nisso

[00:47:32] e por quem, em alguma medida, representa a falência desses acordos,

[00:47:36] mas que vai saber ganhar dentro de um jogo que é corrupto.

[00:47:39] Então até a ideia de corrupção,

[00:47:41] ah, o Trump está ganhando dinheiro no Vietnã,

[00:47:43] foda-se, porque não é sobre se ele é corrupto ou não.

[00:47:46] Ele ser corrupto é quase bom dentro dessa visão de mundo,

[00:47:50] porque é isso que o torna unicamente bem posicionado

[00:47:53] para defender os interesses dos seus.

[00:47:55] Então é uma visão bastante tribalista mesmo nesse sentido e autoretária.

[00:48:01] De um jeito muito pequeno, o Bolsonaro fazia isso.

[00:48:03] Lembra quando ele justificava que o filho dele ia ser embaixador?

[00:48:06] Ele fala, se é o seu filho, você tem que dar o filé mignon para ele antes e tal.

[00:48:09] Claro que é uma versão muito ínfima,

[00:48:12] mas eu concordo totalmente a corrupção pessoal do Donald Trump

[00:48:16] é muito mais uma prova de que ele é o que ele é mesmo

[00:48:19] e o que é louco, que também é muito perverso,

[00:48:21] mas eu acho que é o que funciona,

[00:48:23] é visto como um sinal de autenticidade, de não hipocrisia.

[00:48:27] Ele não está fingindo que ele está jogando um jogo diferente.

[00:48:31] Ele está jogando pelos Estados Unidos

[00:48:33] do mesmo jeito que ele joga para o benefício próprio.

[00:48:36] Ele está forçando a mão.

[00:48:38] Ele está tentando tirar vantagens injustas para os Estados Unidos.

[00:48:43] Mas se ele pode, por que não?

[00:48:45] É, e aí essa ideia de que se ele não conseguisse fazer isso para ele mesmo,

[00:48:49] como é que eu confiaria nele para fazer isso pelo país?

[00:48:51] Se ele não consegue avançar os seus próprios interesses,

[00:48:54] não é à toa que para o Trump, o que sempre foi meio criptonita para ele,

[00:48:58] foi a ideia de que ele não era um milionário,

[00:49:00] de que na verdade ele estava falido, de que na verdade tinha dado errado.

[00:49:03] A única coisa que o Trump não pode ser é um loser.

[00:49:05] Ele ser corrupto é do jogo.

[00:49:08] Ele ser injusto é do jogo.

[00:49:11] Ele ter um comportamento de chefe de máfia é do jogo.

[00:49:14] O que ele não pode ser é alguém que perdeu.

[00:49:17] E isso ele não perdoa e isso tira ele do sério.

[00:49:20] Agora, claro, e aí trazendo de volta para o Brasil,

[00:49:23] o problema é que aí sim isso tem uma oportunidade para o Lula, de fato,

[00:49:26] e não só para o Lula, mas para todo o campo anti-autoritarismo,

[00:49:30] anti-bolsonarista no Brasil, é que nesse caso específico,

[00:49:34] o bullying não é com o Alexandre de Moraes, ele é com o Brasil.

[00:49:38] Então é muito fácil você admirar esse tipo de liderança

[00:49:41] quando você entende que você faz parte desses seus

[00:49:45] que o chefe de máfia está protegendo.

[00:49:47] Se você é um dos protegidos,

[00:49:49] se a sua padaria está dentro da zona de atuação da milícia, você está feliz.

[00:49:55] Quando você percebe que na verdade você não é,

[00:49:57] você não está dentro da zona de atuação da milícia, você é o outro.

[00:50:01] É aí que isso quebra essa visão de mundo e esse casamento

[00:50:04] estranhíssimo da extrema direita brasileira com a extrema direita americana,

[00:50:08] ele tem um limite e o limite é a xenofobia da direita americana.

[00:50:12] É o fato de eles não terem a capacidade de ver ninguém

[00:50:15] que não seja um americano branco alinhado politicamente com eles como ser humano.

[00:50:20] Eles realmente não estão nem aí para os impactos econômicos

[00:50:23] de uma medida absolutamente injusta como essa num país com tanto a gente pobre

[00:50:28] como o Brasil, é um foda-se completo para isso, dado que eles não estão nem aí

[00:50:32] para isso, isso vai encontrar o seu próprio limite,

[00:50:35] que é não dar mais para você ter no Brasil um monte de gente

[00:50:38] que se comporta como se essas pessoas fossem as protegidas do Donald Trump,

[00:50:41] porque elas não são pelo simples fato de elas serem brasileiras.

[00:50:43] Elas são as pessoas que estão sendo deportadas em Los Angeles

[00:50:46] sem direito a advogado, entendeu?

[00:50:47] Elas são as pessoas que estão tiradas das suas famílias.

[00:50:50] Acabei de passar com o filme Immortals Vineyard, que é uma ilha de rico

[00:50:53] nos Estados Unidos, onde a galera com grana vai passar o verão.

[00:50:57] E a população que mora lá o ano todo, ou seja,

[00:51:02] quem é que mora lá o ano todo?

[00:51:03] Quem trabalha nos serviços, mas são os garçons e garçonetes,

[00:51:08] são os caixas de supermercado, são as enfermeiras, são os cuidadores,

[00:51:11] cuidadores de idosos, é essa galera que mora lá o ano todo.

[00:51:14] 30% dessa população é brasileira, é um monte de brasileiro.

[00:51:17] 30% de população de Marta Zinha?

[00:51:20] Brasileira, imigrante brasileiro,

[00:51:22] quase todos de umas mesmas poucas cidades,

[00:51:25] quase todos evangélicos, que também foi interessante,

[00:51:28] e apoiadoras do Trump e do Bolsonaro.

[00:51:31] É esse o perfil do morador.

[00:51:33] E aí agora está tendo raids,

[00:51:35] incursões do ICE, da polícia de imigração,

[00:51:38] em Marta Zinniers, seríssimos, com pessoas sendo deportadas,

[00:51:42] sem nenhum tipo de devido processo legal.

[00:51:44] São essas pessoas, entende?

[00:51:46] Então o limite chega, é por isso que ele chega,

[00:51:49] é por isso que ele cobra um preço.

[00:51:50] E aí nesse momento é óbvio que a gente precisa, como país, se unir

[00:51:53] de fato em volta da bandeira.

[00:51:54] Inclusive fica aqui a minha recomendação

[00:51:57] para quem estiver nos ouvindo na equipe de comunicação do presidente,

[00:52:00] que acho que o Lula fez isso um pouco de falar de patriotismo,

[00:52:04] falar de defesa do Brasil, mas mais do que o bonezinho maga,

[00:52:07] eu realmente sinto que esse é o momento para a gente recuperar

[00:52:10] os símbolos nacionais.

[00:52:11] Era a hora da gente estar saindo com camisa do Brasil na rua,

[00:52:14] botando a nossa bandeira na janela.

[00:52:16] A gente perdeu esses símbolos e eles são poderosos.

[00:52:18] Eu acho que a gente tem como recuperá-los.

[00:52:20] Você discorda? Você não consegue mais?

[00:52:23] Bruno, quero ver essa bandeira do Brasil.

[00:52:25] Uma das coisas que eu não perdoe do Donald Trump

[00:52:28] é que ele levanta os meus ímpetos patrióticos e nacionalistas,

[00:52:33] que eu não tenho muita vocação para isso.

[00:52:35] Não, mas isso na política é muito bom, Bruno, pelo amor de Deus.

[00:52:37] É, mas eu acho muito bom, mas é meio aquele…

[00:52:40] Não sei, eu acho uma lâmina perigosa,

[00:52:42] ainda mais no momento em que a gente está precisando,

[00:52:45] infelizmente, de globalismo mesmo.

[00:52:47] Mas eu acho que não é incompatível com o nacionalismo brasileiro

[00:52:50] de esquerda, que eu acho que ele é cooperativo,

[00:52:52] ele é internacionalista, ele tem essa questão

[00:52:54] e eu acho que se há ferramenta que tem para usar, que se use.

[00:52:57] Não, e eu diria mais do que isso, Bruno.

[00:52:59] Eu argumentaria que em qualquer país do sul global,

[00:53:01] o nacionalismo precisa ser internacionalista,

[00:53:04] porque não existe nacionalismo hegemônico se você não é império.

[00:53:08] Você nunca vai impor a sua visão de interesse nacional

[00:53:11] às outras a não ser que você for império.

[00:53:12] Eu perfeitamente entendo a diferença

[00:53:16] de um ultranacionalismo espanhol

[00:53:19] e um nacionalismo brasileiro.

[00:53:21] São coisas diferentes. A gente é colônia,

[00:53:23] tem uma diferença crucial em afirmar independência,

[00:53:26] autoridade e soberania interna. Eu entendo isso.

[00:53:29] E eu acho que isso é uma das coisas que o Lula realmente representa.

[00:53:32] Acho que ele não está de brincadeira quando ele fala isso.

[00:53:33] Você pode acusar o Lula de muita coisa,

[00:53:35] mas você não pode acusar ele de tipo entreguista ou vira-lata.

[00:53:39] Acho que ele fez isso diplomaticamente,

[00:53:42] de alguma maneira na economia também ele fez isso.

[00:53:45] É que assim, eu fui na manifestação de quinta-feira, né?

[00:53:48] Eu fui lá. Eu sempre vou.

[00:53:49] E eu vou ter que fazer o que eu sempre digo,

[00:53:51] mas dessa vez eu fiquei realmente muito cansado.

[00:53:53] Eu fui lá e falei, puta que pariu.

[00:53:55] A bandeira do Brasil estava presente,

[00:53:57] bandeirão, levantando, colocando na janela do trio elétrico lá,

[00:54:00] da bandeira do Brasil defendendo a soberania nacional.

[00:54:04] Mas ela não vem, além da adoção do mero símbolo,

[00:54:07] ela não vem com nenhuma mudança discursiva e estética

[00:54:11] que estenda a mão para mais gente.

[00:54:14] O que eu quero dizer com isso é que tem aquele mesmo coisa,

[00:54:17] são as mesmas palavras de ordem de quando eu tinha 13 anos de idade,

[00:54:21] quando eu comecei a ir para a rua.

[00:54:24] E aquela mesma mania de não entender para que que microfone serve,

[00:54:27] para que que amplificação serve, todo mundo gritando no microfone,

[00:54:31] todo mundo argumentando aos berros, argumentos complexos sobre o acabos fiscal, não sei o quê.

[00:54:37] E o que eu acho que fora de uma tentativa narrativa de comunicação de rede social,

[00:54:42] eu acho que o que falta mesmo é para, além dessa discussão meramente simbólica,

[00:54:47] de como é que o discurso em si, como é que as alianças em si podem ser refeitas.

[00:54:51] Nesse sentido, eu acho que o governo pode até estar fazendo um trabalho interessante

[00:54:56] em se reaproximando do empresariado,

[00:54:58] de esperando essa janela de tempo, de adoção ou não dessas tarifas,

[00:55:03] para se apresentar como o ator racional,

[00:55:06] como explicar a questão da balança comercial brasileira,

[00:55:08] como falar sobre o agro, como é que ele vai ser profundamente prejudicado

[00:55:11] e ele vai ser prejudicado.

[00:55:13] Mas eu não sei, eu ainda acho que a nossa esquerda está profundamente refém de discurso

[00:55:18] e muito pouco aberta ou com capacidade de incidir dentro da sociedade,

[00:55:25] de se recapilarizar nela de uma outra maneira,

[00:55:28] inclusive através do próprio discurso e da maneira como a gente se mobiliza na própria rua.

[00:55:33] Eu não acho necessariamente que esse discurso está atraindo muita gente para o nosso barco.

[00:55:38] Eu não acho que vestir uma camisa da seleção brasileira ou botar uma bandeira na janela

[00:55:43] vai resolver esse problema.

[00:55:46] Não, também não acho que resolve,

[00:55:47] mas eu acho que a gente tem uma chance de recuperar esses símbolos

[00:55:50] e eles vão fazer falta para o outro lado,

[00:55:52] se eles não forem mais associados diretamente ao bolsonarismo, sabe?

[00:55:56] Então a distinta deles também acessa a símbolos que são poderosos.

[00:56:00] Isso eu acho que você tem razão.

[00:56:01] Eu acho que os Estados Unidos como símbolo

[00:56:05] são muito fortes no Brasil de gente que quer ser, que paga pau,

[00:56:09] que é isso, que é imigrante ilegal e quer votar no Donald Trump,

[00:56:12] mas ele não é tão forte quanto a bandeira brasileira.

[00:56:15] Eu acho que ele é grande, mas ele não é majoritário.

[00:56:18] Não só ele é grande, mas ele não é majoritário, mas é isso.

[00:56:22] É aí que o limite chega.

[00:56:23] Então se a extrema direita brasileira ficar com o símbolo da bandeira americana

[00:56:27] está ótimo para a gente, porque eles nunca serão aceitos,

[00:56:31] eles nunca serão de fato parte desse movimento

[00:56:35] ao qual eles querem tanto pertencer.

[00:56:37] É um lugar de sofrimento absoluto.

[00:56:39] Eu tenho até um pouco de pena, mas ele é real.

[00:56:41] Ele é real.

[00:56:42] Então é isso.

[00:56:44] E tem muito mais chance, inclusive, o tipo de imigrante,

[00:56:46] que é o bom imigrante, que a extrema direita americana consegue conceder

[00:56:51] que deveria ser atraído para os Estados Unidos,

[00:56:53] é justamente quem essa extrema direita brasileira abomina,

[00:56:58] que são as elites intelectuais muito bem educadas com 15…

[00:57:02] Pós-doutorado.

[00:57:03] Com pós-doutorado.

[00:57:05] É essa galera que eles querem trazer para os Estados Unidos.

[00:57:08] Eu, se eu quisesse migrar para os Estados Unidos,

[00:57:09] provavelmente conseguiria morar aqui seis anos, já trabalhei,

[00:57:12] sempre legalmente,

[00:57:14] mas porque eu tenho um outro perfil que não é justamente esse perfil,

[00:57:18] que é muito mais simbolicamente associado à extrema direita no Brasil,

[00:57:23] ainda que evidentemente você tem um monte de gente rica, bem educada,

[00:57:25] também botando na extrema direita no Brasil.

[00:57:27] Mas o discurso anti-elitista da extrema direita,

[00:57:30] ele se desfacela em dois minutos,

[00:57:32] inclusive quando ele encontra esse limite.

[00:57:34] Então eu acho maravilhoso,

[00:57:35] acho lindo que eles fiquem com a maneira americana.

[00:57:37] Que fiquem.

[00:57:38] Não vai durar cinco segundos.

[00:57:40] E a reação do Donald Trump é uma prova disso.

[00:57:43] Você é mais otimista do que eu, porque eu acho que o…

[00:57:45] Sempre, né, Bruno?

[00:57:46] Sempre.

[00:57:47] É, porque eu também acho que tem uma outra dimensão um pouco mais fria,

[00:57:50] um pouco mais dura em relação a isso.

[00:57:51] Eu acho que o discurso patriótico e esse momento midiático

[00:57:54] precisa ser também muito bem aproveitado, rápido,

[00:57:57] porque mesmo que a tarifa de 50% não entre em vigor,

[00:58:01] que eu acho que não vai entrar,

[00:58:03] eu acho que ela vai ser revista por essas questões que eu já falei antes,

[00:58:06] anistia, canais extradiplomáticas,

[00:58:09] que o Trump vai fingir que abriu com o Bolsonaro e tudo mais.

[00:58:13] Mas vem tarifa por aí.

[00:58:14] O Trump anunciou com 30% na União Europeia,

[00:58:17] 30% no México, 25% no Japão e por aí vai.

[00:58:20] Hoje falou 100% de tarifa para a Rússia

[00:58:22] se eles continuarem bombardando a Ucrânia.

[00:58:25] Quer dizer, ele já abriu completamente um instrumento tarifário

[00:58:29] para razões políticas e geopolíticas

[00:58:31] e não mais para razões econômicas e de emprego.

[00:58:35] Eu quero dizer com isso que mesmo que seja vitória da direita brasileira,

[00:58:39] nós anistiamos o Bolsonaro e agora a tarifa de apenas 20%,

[00:58:43] vai ter um impacto econômico.

[00:58:45] Vem recessão mundial por aí, muito provavelmente.

[00:58:48] Vai ser mais difícil para a economia brasileira

[00:58:51] representar a pujança.

[00:58:52] O dólar tende a subir de qualquer jeito

[00:58:54] nessa situação que está sendo colocada agora.

[00:58:57] E esses prejuízos econômicos,

[00:59:00] eu acho que de maneira mais direta, fora a narrativa,

[00:59:03] tendem a prejudicar muito a eleição da esquerda no próximo ano.

[00:59:07] E aí o tarcísio novamente.

[00:59:09] O tarcísio é a peça aqui.

[00:59:11] Não é à toa que o bolsonarismo está mandando um recado sem fonte,

[00:59:16] mas está vazando na imprensa inteira

[00:59:18] de que eles não estão satisfeitos

[00:59:20] com a maneira como o tarcísio está se posicionando.

[00:59:22] Porque claramente ele está se posicionando como uma alternativa,

[00:59:25] como um autor político autônomo,

[00:59:27] como um cara que está correndo um pouco mais livre,

[00:59:30] apesar de pagar tributos ao Bolsonaro e ao próprio Trump,

[00:59:33] mas ele é o cara que ameaça de verdade a hegemonia política do Bolsonaro.

[00:59:37] Claro, e isso de fato é um risco, como você falou,

[00:59:41] que ele seja a solução salomônica.

[00:59:42] Por outro lado, ao ser a solução salomônica,

[00:59:45] o que o tarcísio tem conseguido fazer até agora

[00:59:47] é se manter ao mesmo tempo como um candidato leal a Bolsonaro,

[00:59:53] que puxa o saco do Bolsonaro,

[00:59:55] que dialoga com a base ultra-bolsonarista

[00:59:58] e a alternativa ao Bolsonaro para uma direita

[01:00:00] que também não quer um Bolsonaro no poder necessariamente

[01:00:05] por tudo que ele representa em termos de autoritarismo, etc.

[01:00:07] Está chegando no momento em que ele não consegue mais conciliar essas duas imagens

[01:00:11] e a posição dele em relação às tarifas força uma tomada de posição

[01:00:16] que ainda que ele saia como a solução salomônica,

[01:00:18] ele vai ter que rifar uma parte dessa base no processo.

[01:00:23] Vai.

[01:00:24] E isso pode ser positivo.

[01:00:27] Bruno, antes da gente fechar, eu só queria falar uma coisa

[01:00:29] que acho que é importante nesse nosso cálculo de Brasil e Estados Unidos

[01:00:31] e que eu não sei se está sendo adequadamente coberta

[01:00:34] pelo nosso campo e pela imprensa,

[01:00:36] que é essa tentativa do Eduardo Bolsonaro

[01:00:39] de manter o mandato dele e poder legislar daqui.

[01:00:44] Então, o Eduardo Bolsonaro está numa espécie de licença,

[01:00:46] ele está licenciado do Congresso,

[01:00:48] ele está aqui nos Estados Unidos já há alguns meses

[01:00:50] articulando justamente esse tipo de resposta do governo americano

[01:00:54] ao julgamento do pai e dele próprio.

[01:00:57] Então, aqui é divulgando o interesse próprio,

[01:00:59] não em relação ao interesse do Brasil.

[01:01:00] Mas o prazo dele, ele se esgota agora, 22 de julho.

[01:01:05] E aí ele vai precisar ou abdicar do mandato ou voltar para o Brasil.

[01:01:09] Claro que ele pode voltar um pouquinho e depois tentar voltar para cá.

[01:01:12] Mas o fato é que ele não tem mais muito tempo.

[01:01:15] E o deputado Evair de Mello, do Espírito Santo,

[01:01:19] que também faz parte, aliás, da Frente Parlamentar Evangelica,

[01:01:22] fez uma proposta de alteração do regimento interno do Congresso

[01:01:25] para que o Eduardo possa continuar exerçando o mandato dele à distância.

[01:01:30] Então, a gente pode ter o primeiro caso de um deputado federal brasileiro

[01:01:33] que está exerçando seu mandato nos Estados Unidos.

[01:01:36] Eu não sabia disso.

[01:01:37] Que seria um precedente muito perigoso.

[01:01:39] É muito interessante, isso entra no pacote paralelo.

[01:01:42] A gente fez um Greg News sobre isso.

[01:01:44] O Brasil é paralelo como uma série de coisas paralelas

[01:01:48] que vão correndo por fora das instituições e se institucionalizando.

[01:01:51] Esse seria o mandato paralelo.

[01:01:53] Não é nem isso.

[01:01:54] O Bolsonaro tentou indicar o Eduardo Bolsonaro para ser embaixador americano.

[01:01:59] Ele está virando o embaixador americano paralelo.

[01:02:02] Ele está virando o cara que estabeleceu um canal diplomático

[01:02:06] direto com a Casa Branca.

[01:02:08] Ele fala isso, inclusive, na entrevista que ele deu para Folha agora recentemente.

[01:02:12] Hoje, aliás, eu acho que ela foi publicada.

[01:02:14] Ele fala isso, que ele fala assim.

[01:02:16] Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio camarachim.

[01:02:21] Então ele diz isso.

[01:02:22] Olha aí.

[01:02:23] Eu não sei quem são os nós.

[01:02:24] Eu queria muito saber quem ele se refere quando ele fala nós.

[01:02:27] Quem é esse grupo?

[01:02:28] Isso não está sendo investigado.

[01:02:29] Cadê a imprensa Brasil, gente?

[01:02:31] É difícil, mas é difícil investigar, porque são lugares impermeáveis mesmo.

[01:02:35] É tipo o Steve Bannon.

[01:02:36] O que o Steve Bannon é hoje em dia?

[01:02:39] O Steve Bannon, ele é um homem de Estado, de algum jeito, sem cargo.

[01:02:43] Sem pedir uma credencial de segurança.

[01:02:46] E o Eduardo Bolsonaro, Alan dos Santos, não que seja que tenha essa importância toda,

[01:02:50] mas esses caras estabeleceram pontes que, no mundo iliberal, ele é diplomático.

[01:02:57] É um canal diplomático.

[01:02:58] É o Itamaraty Paralelo.

[01:03:00] É o embaixador americano Paralelo.

[01:03:02] É a imprensa Paralelo.

[01:03:04] E o Trump, de algum jeito, é a Casa Branca Paralela

[01:03:07] em relação ao que a República dos Estados Unidos defendia e prometia ser.

[01:03:12] Ele criou muitos canais extraoficiais que hoje se oficializaram.

[01:03:16] Ele realizou o sonho do Bolsonaro no segundo mandato dele.

[01:03:19] Por isso que o segundo mandato Bolsonaro, ou da extrema direita no Brasil, é tão perigoso.

[01:03:24] Porque não só eles aprenderam a lição nos quatro anos de ausência de poder,

[01:03:28] mas eles têm aliados hoje muito mais poderosos do que eles tinham há oito anos atrás,

[01:03:33] a começar pelas próprias big techs que estão na carta do Donald Trump,

[01:03:37] como a gente colocou aqui,

[01:03:39] são o centro dessa argumentação toda

[01:03:42] e são operadores que estão de olho exatamente

[01:03:46] em transformar a tecnologia paralela de conexão humana e econômica,

[01:03:53] tudo mais, no sistema operacional real.

[01:03:56] Então o que as criptos estão fazendo, o que o Palantir está fazendo,

[01:04:00] o que as big techs estão fazendo, o desenvolvimento de inteligência artificial,

[01:04:04] bilhões de pessoas que vão ficar totalmente à margem desse processo,

[01:04:08] é a tentativa de comer a institucionalidade por fora.

[01:04:11] E no paralelo.

[01:04:13] E entrar no meio e comer do meio para as bordas.

[01:04:18] Então eu acho que, sem forçar muito a barra,

[01:04:21] mas acho que isso é mais um capítulo desse grande arco narrativo

[01:04:24] que a gente está vendo da extrema direita de 16 até 26,

[01:04:28] são esses dez anos de uma metástase muito séria que está rolando.

[01:04:32] Concordo completamente, não acho que seja forçação de barra, faz muito sentido.

[01:04:36] Gente, e com essa nota otimista na voz, sempre para cima de Bruna Tortura,

[01:04:42] a gente vai ter que fechar o podcast de hoje, porque eu tenho que fazer compras

[01:04:45] em Beverly Hills, né Lê?

[01:04:47] Quem dera, fazer outras coisas.

[01:04:49] Vamos lá em Rodeo Drive.

[01:04:50] Não, ela vai vender, gente.

[01:04:52] O que a Alessandra está tentando fazer de maneira bem clara

[01:04:55] é tipo assim, gente, olha a teocracia brasileira.

[01:04:59] Olha a teocracia brasileira.

[01:05:01] Pois é. Prestem atenção.

[01:05:03] O Apocalipse no trópico de Capricorn.

[01:05:07] Queridos, eu vou lá. Bruno, muito obrigada por hoje.

[01:05:09] Obrigada a quem nos ouve e até semana que vem com o Gregório Duvivier.

[01:05:14] Beijo, gente. Até semana que vem.

[01:05:39] Foco nas redes sociais Teodora do Vivier e Bruna Messina e no Design Pedro e Noe.