NerdCast 994 - As Revoltas do Brasil Colônia
Resumo
O episódio explora as principais revoltas e movimentos de resistência que ocorreram no Brasil durante o período colonial, analisando suas causas, desenvolvimentos e consequências.
A discussão começa com a Guerra dos Tamoios (1554-1567), considerada a primeira guerra de proxy na Idade Moderna, onde portugueses e franceses usaram aliados indígenas em seu conflito pelo controle do território. Os participantes destacam a violência extrema das autoridades coloniais, incluindo o uso de guerra biológica através da disseminação intencional de doenças entre populações indígenas.
Um dos focos principais é o Quilombo dos Palmares, que resistiu por quase um século (1597-1694) com uma população que chegou a 20 mil habitantes. O episódio desmistifica várias narrativas sobre Palmares, explicando que os quilombolas usavam táticas de guerrilha avançadas e armas de fogo capturadas, e não a capoeira como arma principal. Também é discutida a construção do mito de Zumbi dos Palmares como símbolo da resistência à escravidão.
A Inconfidência Mineira (1789) é analisada como um movimento mais elitista, motivado por questões fiscais relacionadas à derrama (cobrança de impostos sobre o ouro), e não necessariamente com objetivos independentistas iniciais. Os participantes desconstroem a imagem romantizada de Tiradentes, explicando como sua figura foi posteriormente mitificada durante a República.
A Conjuração Baiana (1798), também conhecida como Revolta dos Alfaiates, é destacada como um movimento mais popular e radical que defendia a abolição da escravatura e a república, inspirado pelos ideais da Revolução Francesa e Haitiana. Por fim, a Revolução Pernambucana de 1817 é apresentada como a única que chegou a estabelecer efetivamente uma república, ainda que por poucos meses, antes de ser sufocada pelas forças da Coroa.
Anotações
- 00:02:18 — Introdução às revoltas do Brasil Colônia Os participantes apresentam o tema do episódio, explicando que vão abordar as revoltas no Brasil colonial que não são amplamente ensinadas nas escolas. Eles anunciam a estrutura do programa, começando pela Guerra dos Tamoios e seguindo cronologicamente até a Revolução Pernambucana de 1817.
- 00:30:38 — Guerra dos Tamoios e resistência indígena Discussão detalhada sobre a Guerra dos Tamoios (1554-1567), explicando como foi uma guerra de proxy entre portugueses e franceses com aliados indígenas. Os participantes descrevem as táticas de guerra biológica usadas pelos colonizadores e a violência extrema contra as populações indígenas.
- 00:37:45 — Quilombo dos Palmares e resistência escrava
- 01:01:03 — Inconfidência Mineira e desconstrução de Tiradentes Análise crítica da Inconfidência Mineira, mostrando que foi motivada principalmente por questões fiscais e não por ideais independentistas iniciais. Os participantes desconstroem a imagem mitificada de Tiradentes, revelando sua real condição social e como sua figura foi reconstruída durante a República.
- 01:11:12 — Conjuração Baiana e seus ideais revolucionários Discussão sobre a Conjuração Baiana de 1798, destacando seu caráter popular e seus ideais abolicionistas e republicanos inspirados na Revolução Francesa e Haitiana. Os participantes explicam como o movimento foi descoberto e suprimido antes de eclodir.
- 01:29:56 — Revolução Pernambucana e Frei Caneca Análise da Revolução Pernambucana de 1817, que chegou a estabelecer uma república efêmera. Os participantes discutem as contradições internas do movimento e a figura de Frei Caneca, explicando a origem de seu apelido e seu papel como líder revolucionário.
Indicações
Documentarios
- Efeito Casimiro — Documentário sobre o caso de Casimiro de Abreu em 1980, quando milhares de pessoas aguardaram o pouso de um disco voador de Júpiter, mencionado durante a leitura de e-mails.
Historiadores
- Flávio dos Santos Gomes — Historiador especializado em quilombos e história da escravidão no Brasil, consultado durante a discussão sobre a diferença entre mocambos e quilombos.
Livros
- Memórias de Hans Staden — Registro escrito sobre a Guerra dos Tamoios, mencionado como uma das principais fontes históricas sobre o conflito entre portugueses, franceses e povos indígenas no século XVI.
Linha do Tempo
- 00:02:18 — Introdução às revoltas do Brasil Colônia — Os participantes apresentam o tema do episódio: as revoltas no Brasil colonial que não são amplamente ensinadas nas escolas. Eles discutem a perspectiva eurocêntrica do ensino de história e anunciam que vão abordar desde a Guerra dos Tamoios até a Revolução Pernambucana, organizando o conteúdo por períodos históricos.
- 00:30:38 — Guerra dos Tamoios e resistência indígena — Discussão sobre a Guerra dos Tamoios (1554-1567), considerada a primeira guerra de proxy da Idade Moderna, onde portugueses e franceses usaram aliados indígenas. Os participantes explicam como os portugueses se aliaram aos Tupiniquins enquanto os franceses apoiavam os Tupinambás. Também é mencionado o uso de guerra biológica pelos colonizadores, que distribuíam roupas infectadas com varíola entre as populações indígenas.
- 00:37:45 — Quilombo dos Palmares e resistência escrava — Análise detalhada do Quilombo dos Palmares, que existiu por quase um século (1597-1694) e chegou a ter 20 mil habitantes. Os participantes explicam a diferença entre mocambos (pequenos refúgios) e quilombos (comunidades com estrutura social própria). É discutida a resistência militar dos quilombolas, que usavam táticas de guerrilha e armas capturadas, e desmistificada a ideia de que a capoeira era sua principal arma.
- 00:51:04 — Zumbi dos Palmares e a construção do mito — Discussão sobre Zumbi dos Palmares e como sua figura foi transformada em símbolo da resistência à escravidão. Os participantes explicam que Zumbi era um título (possivelmente significando ‘líder’ ou ‘chefe’) e não necessariamente um nome próprio. Também é desconstruído o mito de que Zumbi teria escravos, explicando que havia servidão mas não escravidão racial no quilombo.
- 01:01:03 — Inconfidência Mineira e Tiradentes — Análise da Inconfidência Mineira (1789), movimento motivado principalmente por questões fiscais relacionadas à derrama (cobrança de impostos sobre o ouro). Os participantes desconstroem a imagem romantizada de Tiradentes, explicando que ele era um proprietário de terras e minas, não um pobre dentista. Também discutem como sua figura foi posteriormente mitificada durante a República, com uma aparência inspirada em Jesus Cristo.
- 01:11:12 — Conjuração Baiana (Revolta dos Alfaiates) — Discussão sobre a Conjuração Baiana de 1798, um movimento mais popular que defendia a abolição da escravatura, a república e direitos iguais, inspirado pelos ideais da Revolução Francesa e Haitiana. Os participantes explicam que o movimento foi suprimido antes de eclodir, com a descoberta de panfletos manuscritos que levaram à prisão e execução dos líderes, muitos dos quais eram alfaiates.
- 01:29:56 — Revolução Pernambucana de 1817 — Análise da Revolução Pernambucana de 1817, que chegou a estabelecer uma república por alguns meses antes de ser sufocada. Os participantes explicam que este foi um movimento mais abrangente que uniu diferentes setores da sociedade, mas que acabou minado por divergências internas, especialmente sobre a questão da abolição da escravatura. Também é discutida a figura de Frei Caneca, um dos líderes do movimento.
Dados do Episódio
- Podcast: NerdCast
- Autor: Jovem Nerd
- Categoria: Comedy Society & Culture
- Publicado: 2025-08-22T20:36:00Z
- Duração: 01:36:52
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/nerdcast/7622ef30-3f20-0131-77d1-723c91aeae46/nerdcast-994-as-revoltas-do-brasil-col%C3%B4nia/e543c524-a795-44f7-a87f-447431e2f6a0
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Dados do Podcast
- Nome: NerdCast
- Tipo: episodic
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Transcrição
[00:00:00] Você está ouvindo Nerdcast, no Jovem Nerd.
[00:00:30] Na minha última participação do Nerdcast, eu puxei o Lambda, Lambda, Lambda,
[00:00:33] então eu posso riscar isso da bucket list, eu não tenho mais nada para falar.
[00:00:38] Muito obrigado.
[00:00:39] Aqui é a Azaghal e…
[00:00:40] Ai, caralho, me tirou mesmo.
[00:00:43] Tesourou, tesourou.
[00:00:44] Caralho, 35 anos de amizade.
[00:00:47] 35 anos e eu virei um fantasma, cara.
[00:00:51] Que isso.
[00:00:53] Aqui é o Tucano e eu quero pelo menos um xadrez verbal e meio de duração aqui hoje, hein.
[00:01:00] Aqui é a Azaghal e agora eu não tenho mais o que dizer, é só desculpas.
[00:01:07] Desculpa quem eu ofendi.
[00:01:10] Se você se sentiu ofendido…
[00:01:12] Muito bem, Nerds, hoje é o Nerdcast da Revolta.
[00:01:17] É isso, vamos falar da história do Brasil que a gente não aprende na escola.
[00:01:21] Na verdade, os professores ensinam, a gente não aprende porque é tudo vagal, né.
[00:01:26] É foda, né, pois é, exatamente.
[00:01:27] Nós bravos professores de história que…
[00:01:30] Tentam, de alguma forma, conscientizar este povo e da sua história.
[00:01:33] Ah, eu vou falar que eu aprendi bastante da minha professora de história, né, meu professor.
[00:01:37] Mas é que tem muito beabá.
[00:01:39] A gente aprendeu tudo de uma ótica ainda eurocentrista, que a gente cobriu o Brasil.
[00:01:43] A gente tinha lá a professora Luísa, excelente professora, fazendo as peças de teatro, altas dinâmicas.
[00:01:49] Ah, ele nunca vai esquecer, é do Robespierre.
[00:01:51] Nunca, foi o que eu mais aprendi.
[00:01:53] Explodiu um copo cheio de pólvora na aula dela apresentando o trabalho, pô.
[00:01:58] Quê?
[00:01:58] Mas já contou essa história milhares de vezes.
[00:01:59] Milhares de vezes.
[00:02:00] Ah, é, essa história da pólvora foi com ela também, incrível, olha aí.
[00:02:04] Você era uma professora de verdade.
[00:02:05] Ó, mas olha só, a gente vai falar das revoltas no Brasil, mas assim, é muita coisa e a gente vai ter que compartimentalizar, né.
[00:02:11] Então, depende de quantos xadrez verbal de duração a gente tem ali.
[00:02:15] É isso, fique aí, vamos começar lá do início.
[00:02:18] Não tem mais sair pros recados, não…
[00:02:21] É bem isso.
[00:02:23] Caraca, isso não tem mais, meu amor.
[00:02:25] Quem é que fala e-mail?
[00:02:26] Eu já sei porquê, porque vocês vão ter que tesourar a nota de reportagem.
[00:02:29] É púdio do Tucano.
[00:02:33] Canelada.
[00:02:35] Canelada.
[00:02:46] Muito bem, Azaghal, vamos para mais uma semana de mesa e canelada do André Arulho do Cache.
[00:02:51] Vamos.
[00:02:52] E, Azaghal, presta atenção.
[00:02:54] Ó.
[00:02:54] Shell Eco Marathon é o nome de um evento com estudantes de várias regiões do Brasil e alguns países da América.
[00:02:59] E colocam ciência, tecnologia, engenharia, matemática e criatividade para que essa galera faça uma competição
[00:03:06] para repensar o futuro da mobilidade e criar do zero protótipos de veículos ultra-eficientes
[00:03:12] que rodam mais e gastam menos.
[00:03:14] É criar protótipos do zero mesmo, pensar fora da caixa.
[00:03:16] Então, se você gosta do assunto, vai rolar no Rio de Janeiro, nesse ano de 26 a 28 de agosto.
[00:03:22] Entrada gratuita, é só você entrar no link e se inscrever e você vai lá ver a competição.
[00:03:26] Quem sabe você vai ser o próximo.
[00:03:27] Vai se inspirar, vai…
[00:03:29] Vai entender, vai conhecer.
[00:03:30] É muito bom.
[00:03:31] E, ó, em 2024, 60% das equipes tinham pelo menos uma mulher pilotando
[00:03:36] e quase 25% de lideranças de equipe eram femininas.
[00:03:39] Então, eu prometo, se você gosta do assunto, quer se participar, quer estar lá,
[00:03:43] é entrada gratuita Rio de Janeiro, de 26 a 28 de agosto.
[00:03:46] Além da competição, tem a experiência Shell, que é um espaço interativo,
[00:03:50] para você ver, né, o resultado, essas informações, um monte de coisa de pesquisa que eles fazem, etc.
[00:03:54] Tem link no post para você conhecer e participar gratuitamente lá,
[00:03:57] ver no Rio de Janeiro a Shell.
[00:03:59] É com o Maratão, clica aí.
[00:04:06] E se você não quiser ouvir os recados em meios, o último Nerdcast pode pular diretamente para…
[00:04:12] 27 minutos e 20 rebeliões.
[00:04:15] A arte dos fãs Letícia Santana mandou Bob Cutulo Goods.
[00:04:18] É tão fofo, olha o meu Deus, Cutulo tão fofo, olha aí, Azaghal.
[00:04:22] Ai, meu Deus do céu, que fofinho.
[00:04:24] Ah, e esse Bob Cutulo Goods, é negócio de Bob Goods, é negócio de colorir, né?
[00:04:28] Ah, ah, ah…
[00:04:29] Tanto que eu não sei quem mostrou outro dia, eu estava vendo,
[00:04:31] top 10 livros mais vendidos no Brasil, os cinco primeiros eram Bob Goods.
[00:04:36] Sim, e provavelmente dois livros de…
[00:04:38] Café com Deus Pai, era isso.
[00:04:39] De Café com Deus Pai.
[00:04:41] Era literalmente isso.
[00:04:41] E dois de empreendedorismo, e seja rico, e essas coisas.
[00:04:47] Na versão colorida, e parece ter sido colorido com canetinha, com pilô, que seja, né?
[00:04:52] Sim.
[00:04:53] Os fantasmas da versão 1, eles são os personagens do Nerdcast RPG.
[00:04:57] Agora, cara, e para ele ter um bilhete.
[00:04:59] Tem o Fantasminha Billy, tem o Faraday, tem o Flanagan pegando fogo, tem o Dom Azaghal, tem o Venkman.
[00:05:07] Nossa, eu tinha visto só o Cutulo e não tinha percebido essa lenda.
[00:05:10] É muito legal.
[00:05:10] Dom Azaghal com o Cutulo, que foda pra caralho.
[00:05:13] É muito bom.
[00:05:14] É muito maneiro essa ilustração.
[00:05:16] Caralho.
[00:05:16] A Heloísa Monteiro mandou um Batman irado, olha só.
[00:05:19] Caraca, e fez também no…
[00:05:20] Batman Roots, classicão.
[00:05:21] Na vida real.
[00:05:22] Fez de nanquim, de pilô, não sei o que.
[00:05:24] É, é.
[00:05:24] Tem vários tipos.
[00:05:25] Essas canetas tem vários.
[00:05:27] E ó, esse Batman com essa…
[00:05:29] Capa esparramada, né?
[00:05:30] Capa esparramada, lembra do Batman…
[00:05:32] Como é que é?
[00:05:33] O Dead End, que ele enfrenta o Coringa, o Alien.
[00:05:35] Sim, sim.
[00:05:36] Puta, era muito maneiro.
[00:05:37] Valeu, Heloísa, muito foda.
[00:05:38] Mas o Daniel Nunes mandou um Ozobubu.
[00:05:42] Caraca, o Ozobilabubu, maluco.
[00:05:44] Caceta, que monstro, que demora.
[00:05:46] Que pesadelo, brother.
[00:05:48] Que pesadelo maravilhoso.
[00:05:50] Ozobubu.
[00:05:51] Ozobubu.
[00:05:54] Adorei.
[00:05:54] Muito bom.
[00:05:55] Granadinha no nariz, que beleza.
[00:05:57] Quero agradecer aos nerds que dão no sangue.
[00:05:59] Salvaram vidas como Daniel Bachmann, Saulo Luiz, Rafaela Nogueira, Felipe Abud e Nicolas Medeiros.
[00:06:07] Muito obrigado.
[00:06:07] Pouca gente.
[00:06:08] Quero mais, quero mais.
[00:06:09] Semana que vem, hein, gente?
[00:06:10] Doando sangue, tirando uma selfie e mandando pra netcast.jovemnet.com.br.
[00:06:14] Lembre-se, você, quando doa sangue, você salva seres humanos verdadeiros, reais.
[00:06:20] E o mais bonito disso é que você não precisa tomar crédito.
[00:06:23] Você não precisa nem saber quem.
[00:06:24] Você só participa.
[00:06:25] Você faz a coisa mais poderosa que o ser humano pode fazer, que é…
[00:06:29] Ser solidário e, anonimamente, mostrando que todo mundo tem uma importância igual.
[00:06:33] É foda demais.
[00:06:34] Doa sangue e manda aqui pra gente, que a gente sempre agradece, cara.
[00:06:37] E salva vidas.
[00:06:38] Muito bom.
[00:06:39] Patrick Gomes, 40 anos, historiador e comunicador social.
[00:06:43] Rio das Ostras, Rio de Janeiro.
[00:06:45] Olha aí.
[00:06:46] Rio das Ostras, um real.
[00:06:47] What?
[00:06:47] Ah, o negócio da van.
[00:06:49] Eu via muito isso.
[00:06:50] Saudações, nerds.
[00:06:51] Acompanho vocês desde quando a internet era mato.
[00:06:53] Mas esse é o meu primeiro…
[00:06:55] Tamo junto, meu querido.
[00:06:57] No episódio 993…
[00:06:59] Trazendo heróis e vilões do nosso jeitinho,
[00:07:01] vocês falaram que a Xuxa seria a rainha dos plutonianos
[00:07:03] e a Marlene Matos é ela mesma ou uma plutoniana.
[00:07:07] Pois venho trazer informações reais e documentadas
[00:07:10] que relacionam a Marlene Matos aos jupiterianos.
[00:07:13] Caraca, muito bom.
[00:07:14] Vale aí.
[00:07:15] Vamos lá.
[00:07:15] O ano era 1980 e Cid Moreira noticiava na TV
[00:07:19] que um disco voador de Júpiter pousaria em Casimiro de Abreu, município do Rio de Janeiro.
[00:07:25] Expectativa em Casimiro de Abreu.
[00:07:27] Uma pequena cidade na região.
[00:07:29] No leste do estado do Rio.
[00:07:30] Dizem que amanhã um disco voador vai pousar lá.
[00:07:34] Olha, eu vou te falar, cara.
[00:07:35] Tu pega o Fantástico, o Jornal Nacional, antigamente, cara.
[00:07:38] Mas era um festival de qualquer coisa.
[00:07:40] O William Bonner falando de Nostradamus na época da Guerra do Golfo.
[00:07:44] Olha, toca aí, Léo.
[00:07:45] O que está acontecendo na Terra também está escrito no céu.
[00:07:49] E Nostradamus previu tudo isso há quatro séculos.
[00:07:53] Como é que você estava no editorial do Jornal Nacional, brother?
[00:07:55] O William Bonner falando, segundo o Nostradamus,
[00:07:59] O Fantástico, para mim, quando eu era criança, era um programa de terror.
[00:08:02] Ah, tinha muita coisa de coisa sobrenatural, de direto.
[00:08:05] Só um espírito que andava em cima da casa.
[00:08:08] Eu ficava cagado.
[00:08:09] É, exatamente, cara.
[00:08:11] O pouso estaria marcado para o dia 8…
[00:08:14] Eu não acredito, cara, que o Cid Moreira falou, deu data.
[00:08:17] Está marcado para o dia 8 de março daquele ano, em uma fazenda do município.
[00:08:21] O mensageiro autitutulado, porta-voz dos extraterrestres,
[00:08:25] era um homem chamado Edilcio Barbosa.
[00:08:27] Caralho, cara.
[00:08:28] Olha.
[00:08:29] É isso aí.
[00:08:30] A repercussão da suposta chegada dos jupiterianos foi tão grande
[00:08:34] que atraiu a imprensa nacional e internacional.
[00:08:36] Até técnicos ligados à NASA vieram ao Brasil para acompanhar o fenômeno.
[00:08:40] Olha…
[00:08:41] Mas pode falar bons tempos demais.
[00:08:43] Bons tempos… Nossa!
[00:08:44] Essa era a maior notícia de 1980?
[00:08:47] What?
[00:08:48] Me trai, leva ele e volta.
[00:08:50] Era porque estávamos em uma ditadura, Zagal.
[00:08:52] Você está entendendo?
[00:08:54] A notícia de verdade que interessava estava enterrada,
[00:08:57] sete pavos embaixo,
[00:08:58] de uma notícia que viu o descovador pousar no Brasil.
[00:09:02] Porra!
[00:09:03] Não me relacionei.
[00:09:04] Não me relacionei.
[00:09:05] A prefeitura de Casimiro de Abreu preparou um campo de pouso improvisado para receber.
[00:09:11] Caralho.
[00:09:11] Olha, vai se fuder, cara.
[00:09:13] Ai, é dinheiro público aí.
[00:09:15] Foi montado…
[00:09:15] Não, mas aí está movimentando o turismo.
[00:09:18] O turismo ali é língua da região, caralho.
[00:09:20] Que ano que é o contato semelhante ao terceiro grau?
[00:09:22] É depois disso.
[00:09:23] Não, 77.
[00:09:25] 77.
[00:09:26] Maluco, estava todo mundo…
[00:09:27] Todo mundo…
[00:09:28] Todo mundo na vibe do contato semelhante.
[00:09:30] Eu quero que ele faça um aposto que levou um tecladista lá, ficou tocando lá.
[00:09:34] Nossa, aí seria maneiro.
[00:09:35] Mararararurê.
[00:09:36] Jú, Jú, Michel Jarres.
[00:09:37] Ou o Caçulinha, no caso do Brasil, o Caçulinha.
[00:09:40] O Cero…
[00:09:41] Caçulinha, caralho.
[00:09:42] Que é a prova.
[00:09:43] A prefeitura de Casimiro de Abreu preparou um campo de pouso improvisado para receber
[00:09:46] os visitantes do espaço.
[00:09:47] Olha, as pessoas vivem o filme, cara.
[00:09:50] As pessoas vivem num mundo fantasia.
[00:09:51] Foi montada uma recepção oficial.
[00:09:53] Os alienígenas iriam desfilar em caminhão de bomba.
[00:09:55] Isso é maravilhoso.
[00:09:56] Não, não.
[00:09:57] Isso é maravilhoso, de verdade.
[00:09:59] Eu não acredito, tô muito revoltado.
[00:09:59] Achar que…
[00:10:00] Você planejar uma chegada alienígena e pensar, porra, vamos fazer uma carreata aqui.
[00:10:06] É, chama o corpo de bombeiro.
[00:10:08] Ligou o corpo de bombeiro, falou assim, ó, vamos preparar aí, porque…
[00:10:11] Vamos, vamos.
[00:10:12] Caralho, pronto.
[00:10:13] Honrarias de heróis nacionais, chefes de Estado.
[00:10:16] Olha, é isso.
[00:10:17] É isso, porque os caras vêm, viajam, sei lá quantos mil anos de luz.
[00:10:21] Uma tecnologia avançadíssima.
[00:10:23] É, uma civilização tem que ser avançadíssima pra você supor que existe essa possibilidade
[00:10:27] de que elas vivem.
[00:10:27] E aí eles vão marcar de pousar em Casimiro de Abreu, brother.
[00:10:33] Caraca.
[00:10:33] Às vezes tem um nó energético lá, tu não sabe.
[00:10:36] É, pode ser.
[00:10:36] É a única explicação possível.
[00:10:38] Ó, foi o único lugar que você é disposto a fazer.
[00:10:42] Exato, olha só.
[00:10:44] Inclusive tem explica aqui, pode continuar.
[00:10:46] Né, iriam desfilar em caminhão de bombeiros e logo após haveria um café da manhã
[00:10:50] no centro da cidade.
[00:10:50] Maravilhoso.
[00:10:52] Nossa senhora, cara.
[00:10:53] Parabéns, prefeitura de Casimiro de Abreu.
[00:10:55] Quem era o prefeito que era em Lisboa nessa época?
[00:10:57] Foi comprada pela prefeitura até uma enciclopédia Barça que seria ofertada aos ETs.
[00:11:04] A nota fiscal ainda existe, puta que pariu.
[00:11:07] Pensaram em tudo.
[00:11:08] Pensaram em tudo.
[00:11:09] Trazendo uma amostra do conhecimento.
[00:11:13] Porra, tá certíssimo.
[00:11:15] Na época…
[00:11:15] Eu acho que, assim, apesar do xiste, a recepção foi bem planejada.
[00:11:20] Né?
[00:11:21] Porque, ó, café da manhã…
[00:11:24] Porra, vou comer um negócio bom.
[00:11:26] Não posso dizer que não…
[00:11:27] Se pensou, hein?
[00:11:28] Presentou-me.
[00:11:28] Então, busque conhecimento.
[00:11:30] Busque conhecimento.
[00:11:31] Exatamente.
[00:11:32] Exatamente.
[00:11:33] Olha aí.
[00:11:33] Na época, pouco antes do dia D, oitão prefeito da cidade, Célio Sarzedas…
[00:11:39] Olha aí.
[00:11:40] Aí, esse é o prefeito.
[00:11:41] Disse, abre aspas…
[00:11:42] O município de Casimiro de Abreu foi escolhido porque é o município pesquisado pelos extraterrestres.
[00:11:50] Aí, perfeito.
[00:11:51] Caralho, caralho.
[00:11:52] Muito bom.
[00:11:53] Entrevista pode ser vista no link.
[00:11:54] Ele mandou um link no texto da entrevista.
[00:11:56] Fonte, contudo.
[00:11:57] Caralho, excelente.
[00:11:58] Mas, como era de se esperar, o discurso do Ordo apareceu na data e frustrou mais de 10 mil
[00:12:05] pessoas que estavam na fazenda esperando.
[00:12:08] Ai, ai.
[00:12:09] Fala, mas, gênio, 10 mil pessoas em Casimiro de Abreu se hospedando, comendo, movimentou
[00:12:15] o curumim ao local.
[00:12:16] Movimentou, é, isso aí.
[00:12:17] No próximo jogo aí que a gente faz cidade, tem esse jogo que a gente faz cidade, a gente
[00:12:21] tem que montar um Oveni Porto.
[00:12:23] Isso aí, mano.
[00:12:25] Barbosa, o mensageiro, precisou…
[00:12:27] Esse contato pela polícia.
[00:12:28] É curioso que muitas pessoas acreditassem na história, mas é explicável.
[00:12:32] Se pensarmos no contexto de Guerra Fria, viagens ao espaço, todo o imaginário criado
[00:12:36] em torno da vida extraterrestre entre os anos 1970 e 1980.
[00:12:40] Lembrando que 3 anos antes teve o sucesso de contatos imediatos de terceiro grau do
[00:12:45] Steven Spielberg.
[00:12:45] Esse filme foi muito sucesso.
[00:12:47] Cara, quando que o Avatar, o primeiro Avatar, foi ao cinema?
[00:12:49] Em 2009.
[00:12:50] Em 2009.
[00:12:51] E as pessoas viram o Avatar e começaram a meter rabo azul na bunda e sair pela rua.
[00:12:55] E fazer projeção astral para ir para Panamá.
[00:12:57] Pandora, o cacete.
[00:12:57] Você imagina, em 1980, depois de ter visto um contato imediato da vida, o que as pessoas
[00:13:04] não achavam?
[00:13:05] Exato.
[00:13:06] É hoje.
[00:13:06] Chegou.
[00:13:07] Chegou.
[00:13:07] O filme do Spielberg era só uma preparação.
[00:13:09] Lembremos que, em 1980, Xuxa Meneghel tinha 16 anos de idade e, poucos anos depois,
[00:13:16] estreava na TV em seu disco voador.
[00:13:21] Será que isso era uma resposta aos frustrados de 8 de março?
[00:13:26] Não sabemos.
[00:13:27] Sabemos, mas segura o plot.
[00:13:28] Cara, é meio imenso.
[00:13:29] Pera, o ano não acabou.
[00:13:31] O ano é 2025.
[00:13:33] Marlene Matos se reúne com o atual prefeito de Casimiro de Abreu, Ramon Gidauti, para
[00:13:40] oficializar uma parceria que levará ao município de Casimiro de Abreu o OVNIS PARQUE.
[00:13:46] Meu Deus.
[00:13:47] O parque com a temática alienígena ainda sem data para inaugurar.
[00:13:51] Entre as atrações, promete-se contato com os jupiterianos.
[00:13:55] Observação de pouso de naves alienígenas.
[00:13:57] Alienígenas, entre outras.
[00:13:58] What?
[00:13:58] É isso, gente.
[00:13:59] É isso.
[00:14:00] Não mudou nada.
[00:14:01] Estamos aí lavando dinheiro com o cacique cobra-coral, fazendo mais parque de ovni.
[00:14:06] Não fale mal do cacique cobra-coral que está lutando pelo Brasil.
[00:14:11] Retaliando.
[00:14:11] Não fale mal.
[00:14:12] Retaliando.
[00:14:14] Eles estão prometendo pouso de naves alienígenas ou pouso de ovnis?
[00:14:19] Porque são duas coisas completamente diferentes.
[00:14:21] Exato.
[00:14:22] Se eles estão prometendo pouso de ovnis, eles com certeza vão entregar.
[00:14:25] Exato.
[00:14:25] Só chega o cara e manda.
[00:14:27] Pega um drone lá e pousa.
[00:14:28] Exato.
[00:14:28] O ovni pousou.
[00:14:29] Pronto.
[00:14:29] Bom, ele termina aqui.
[00:14:31] Portanto, não creio que exista uma relação entre Schuster, Marlene Matos com plutonianos,
[00:14:36] mas sim com jupiterianos.
[00:14:37] Brincadeira da parte toda.
[00:14:38] A história é real e vale a pena assistir ao documentário Efeito Casimiro.
[00:14:42] Caraca, existe um documentário?
[00:14:45] Disponível no YouTube.
[00:14:47] Caraca.
[00:14:48] Tive o prazer de conhecer pessoas entrevistadas pessoalmente.
[00:14:51] Quero aproveitar para parabenizar vocês pelo incrível trabalho de entretener, informar
[00:14:54] e incentivar a perspectiva científica nessa época de obscuridade.
[00:14:57] Notícias do Caralho, que maluco.
[00:14:58] Aí tem o link do documentário Efeito Casimiro.
[00:15:00] Caraca, brother.
[00:15:01] Matéria sobre a criação do OVNI Parque.
[00:15:04] Nossa.
[00:15:04] Aí, aí.
[00:15:05] Na moral, na moral.
[00:15:06] Prefeito, Prefeito Casimiro de Abreu, chama o Casimiro para narrar o pouso.
[00:15:10] Mas não vai bombar?
[00:15:11] Vai ser o Efeito Casimiro de Abreu.
[00:15:12] Olha a multidão.
[00:15:14] Nossa, tem foto.
[00:15:15] Meu Deus, gente.
[00:15:16] As pessoas estão muito perdidas.
[00:15:17] O cara sendo preso com essa voz.
[00:15:19] Não, tá vendo?
[00:15:20] Tá escoltado pela polícia.
[00:15:22] Olha, a procissão.
[00:15:23] Não, não tem muita gente.
[00:15:24] Ai, caraca.
[00:15:26] Olha, é difícil, hein?
[00:15:27] As pessoas deitadinhas, esperando chegar.
[00:15:31] Que beleza, o ser humano.
[00:15:33] Porra.
[00:15:34] Bull demais.
[00:15:37] Matheus Detone, professor universitário de ecologia, Nova Zelândia.
[00:15:43] Ô, saudade.
[00:15:44] Que a hora, nerds.
[00:15:45] Ô, saudade.
[00:15:46] Que a hora, meu querido.
[00:15:47] Meu nome é Matheus, sou ouvinte assíduo do Nerdcast desde 2012.
[00:15:51] Opa!
[00:15:52] E professor de ecologia na Lincoln University.
[00:15:56] Em New Zealand.
[00:15:57] Olha aí, a gente foi em 2013.
[00:15:59] Foi um ano depois que ele começou a ouvir o Nerdcast.
[00:16:01] Como é que tá o negócio de bolsa de estudo aí na Nova Zelândia?
[00:16:04] Como é que tá o negócio de criação de ovelha aí na Nova Zelândia?
[00:16:07] Ainda tá rolando?
[00:16:07] Era cordeiro, né?
[00:16:09] Não sei.
[00:16:09] Fiquei muito animado sobre o tema do Nerdcast 993,
[00:16:13] que é o fã anterior da gente criando super-heróis.
[00:16:15] Porque falou-se muito sobre a minha área de pesquisa,
[00:16:19] a biologia dos insetos sociais.
[00:16:21] Ah, que maneiro.
[00:16:22] Olha aí.
[00:16:22] Abelhas, vespas, formigas.
[00:16:24] O que você tá fazendo na Nova Zelândia?
[00:16:25] Pô, cara.
[00:16:25] Ó.
[00:16:26] Deixa eu perguntar uma parada pra gente.
[00:16:27] Se você me responde depois.
[00:16:29] Eu vi que vespa…
[00:16:31] Aqui tem vespa aqui perto de casa, né?
[00:16:33] A volta minha tem vespa, etc e tal, né?
[00:16:35] E aí, a volta minha, elas fazem casa na parede lá de fora, etc e tal.
[00:16:40] E o que acontece?
[00:16:41] Eu li que vespa é um bicho territorial.
[00:16:45] E aí tinha gente vendendo, tipo, espantalho de vespa.
[00:16:48] E eu, agora que eu é pessoa 3D, imprimi uma casa de vespa fake.
[00:16:53] Porque se você colar num lugar lá perto,
[00:16:55] a vespa vê, aí, tem casa aqui.
[00:16:58] Não vou fazer minha casa aqui, vou pra outro lugar.
[00:17:00] E aí, é tipo um espantalho de vespa.
[00:17:01] E aí, eu não sei se funciona ainda, porque eu ainda não colhei lá do lado de fora.
[00:17:05] Então, se eu quisesse saber se tem ciência nisso, é só acreditar.
[00:17:09] O espanto é ele que é especializado em abelhas, vespas e formigas.
[00:17:12] Formiga tá tudo bem, mas os outros não tem na Nova Zelândia.
[00:17:15] Só formiga deve ter.
[00:17:16] Não, pode ter já levado…
[00:17:18] Não, essa é.
[00:17:18] A ueta que é o bicho, o inseto mais fodido.
[00:17:21] Não tem cobra, não tem mosquito, não tem nada.
[00:17:23] Pode não ter cobra na Nova Zelândia.
[00:17:24] Não tem aranha.
[00:17:25] Não tem aranha.
[00:17:25] Tá tudo na Austrália.
[00:17:26] A Austrália sugou tudo.
[00:17:27] Gostaria de fazer alguns comentários sobre a ecologia das abelhas mencionada no episódio
[00:17:33] e ajudar a construir o homem abelha.
[00:17:35] Olha aí.
[00:17:36] Olha aí, excelente.
[00:17:37] Sobre o que o Alexandre falou sobre abelhas idosas indo coletar mel.
[00:17:42] Isso é um fenômeno comum na sociedade de insetos chamado polietismo etário.
[00:17:47] Olha aí.
[00:17:49] Ou divisão de tarefas por idade.
[00:17:51] Abelhas mais novas e, portanto, menos experientes,
[00:17:54] comumente fazem trabalhos mais seguros dentro da colônia.
[00:17:58] Cuidando das irmãs novas, construindo ninho, etc.
[00:18:01] Conforme elas envelhecem e se tornam mais experientes,
[00:18:05] elas passam a sair do ninho e começam a exibir comportamentos de forrageio.
[00:18:11] Coleta de mel.
[00:18:12] É, de coleta.
[00:18:13] E pólen.
[00:18:14] Exato, isso que pode.
[00:18:15] Essas são as abelhas de meia idade.
[00:18:17] As abelhas idosas, na realidade, se tornam soldados.
[00:18:21] Ah, as idosas.
[00:18:23] Meu amigo.
[00:18:23] Não tem necessidade de mandar as abelhas, não, mano.
[00:18:26] Tu vai morrer?
[00:18:27] Então vai pra guerra, meu amigo.
[00:18:29] Elas costumam não conseguir voar tão bem devido ao desgaste das asas
[00:18:33] e são mais dispensáveis para colmeia.
[00:18:36] Portanto, defender o ninho e morrer ferroando um predador
[00:18:39] em potencial é uma morte nobre para elas que custa pouco para o coletivo.
[00:18:44] Eu vou te falar que isso aqui, pra mim, é perfeito.
[00:18:47] Começou.
[00:18:48] Eu só vejo…
[00:18:49] Começou.
[00:18:50] Olha só.
[00:18:50] Tu quer mandar o idoso pra ser soldado.
[00:18:53] Que absurdo.
[00:18:55] Não, não.
[00:18:55] Presta atenção no que eu vou falar.
[00:18:57] Você vai concordar comigo?
[00:18:58] O quê?
[00:18:58] A aposentadoria tá errado.
[00:19:00] Por quê?
[00:19:01] Tinha que ser o contrário.
[00:19:02] A gente tinha que ter uma pré-aposentadoria, tá vendo?
[00:19:07] Você vai, faz faculdade, aí se forma.
[00:19:10] Tem uma galera que até faz, tira um sabático e tal.
[00:19:12] Mas a gente tinha que tirar, sei lá, até os 40 anos, você tá aposentado.
[00:19:18] Porque quando você tem energia, é quando você pode aproveitar a vida de verdade.
[00:19:23] Sabe qual é?
[00:19:25] Aí depois você vai se fuder de trabalhar até morrer?
[00:19:27] Aí depois que você…
[00:19:28] Depois dos 40, que você já não tem energia pra nada, aí beleza.
[00:19:31] Tu vai trabalhar, vai…
[00:19:32] Porque senão é o contrário.
[00:19:34] Quando a gente tem energia, a gente tá gastando a maior parte dessa energia trabalhando.
[00:19:38] E aí quando a gente não tem energia pra mais nada, a gente pode aproveitar.
[00:19:41] Que bosta.
[00:19:41] Eu acho que a minha pergunta é certa.
[00:19:43] Justamente porque o problema não é isso, Azaghal.
[00:19:45] O problema é que quando você tem energia, você tá trabalhando pra enriquecer bilionário.
[00:19:49] É isso.
[00:19:49] Mas se você não trabalhar, mesmo que a gente vivesse numa sociedade igualitária,
[00:19:52] todo mundo tem que trabalhar.
[00:19:54] Não, se todo mundo vai trabalhar pra comunidade.
[00:19:56] É, mas então, pra mim, eu acho que o contrário é melhor.
[00:20:00] Porque quando você fica velho, você fica fudido.
[00:20:03] E quando você é novo, você pode aproveitar isso.
[00:20:05] Ai, ai, que ótimo.
[00:20:06] O velho é isso, enxerga direito, não ouve direito.
[00:20:09] E aí vai…
[00:20:11] Aí a força de trabalho vai estar toda comprometida, rapaz.
[00:20:13] É, mas aí os bilionários que lutam.
[00:20:15] Os bilionários que lutam, cara.
[00:20:18] Isso é a única coisa que eles não fazem.
[00:20:21] Sobre o que o Tucano falou,
[00:20:23] sobre servir a rainha.
[00:20:25] Na real, nos insetos sociais,
[00:20:26] as operárias não servem a rainha
[00:20:28] no sentido de monarquia, como nos humanos.
[00:20:31] A rainha nada mais é do que
[00:20:33] uma chocadeira industrial.
[00:20:35] Ela é responsável
[00:20:37] por colocar ovos.
[00:20:38] As sociedades são autogeridas pelas operárias.
[00:20:42] Caramba!
[00:20:43] Toca a música, Léo!
[00:20:44] Aí sim, meu amigo!
[00:20:47] Isso é possível graças
[00:20:49] à genética especial dos insetos sociais,
[00:20:51] que faz com que as irmãs sejam,
[00:20:53] em média, mais geneticamente semelhantes
[00:20:55] entre si do que entre mãe e filha.
[00:20:58] Evolutivamente, é mais vantajoso
[00:20:59] para as abelhas em criar
[00:21:01] irmãs do que ter filhas.
[00:21:03] E, portanto, elas lucram
[00:21:05] em servir a colônia,
[00:21:07] passando seus genes adiante através de irmãs
[00:21:09] e sobrinhos.
[00:21:10] Então, tá vendo? O Matheus tem uma perspectiva
[00:21:13] muito interessante aqui,
[00:21:15] que até mostra como a nossa
[00:21:17] linguagem atrapalha o nosso entendimento
[00:21:19] do mundo da natureza.
[00:21:21] Então, a gente, como a rainha
[00:21:23] das abelhas, é grande, é maior,
[00:21:25] todas convergem
[00:21:26] para ela, ela não trabalha,
[00:21:28] só fica botando ovo, etc e tal.
[00:21:31] Então, parece que existe uma
[00:21:33] hierarquia de cima pra baixo,
[00:21:35] da rainha pra todas as outras.
[00:21:37] E, na verdade, não é isso. O problema
[00:21:39] é a nossa linguagem, que
[00:21:40] atribuiu uma condição humana
[00:21:43] muito específica àquele animal,
[00:21:45] mas o nome mais adequado pra descrever a função
[00:21:46] social da rainha, abelha rainha,
[00:21:49] é simplesmente
[00:21:50] a chocadeira.
[00:21:53] A parideira.
[00:21:54] A parideira. As abelhas não protegem
[00:21:57] a rainha, elas protegem
[00:21:59] a parideira, a chocadeira que tá ali
[00:22:01] trazendo mais abelhas
[00:22:02] à sociedade dele. Então, não tem essa…
[00:22:05] Tá vendo como a gente atribui valores errados
[00:22:07] com a linguagem usada de forma inadequada?
[00:22:09] Muito aprendiz, não sabe disso não. Muito foda.
[00:22:11] E, por fim, sobre o
[00:22:13] homem abelha e o filme do Seinfeld.
[00:22:15] Puta que pariu, vai.
[00:22:16] A maior parte dos insetos sociais são fêmeas,
[00:22:19] rainhas e operárias
[00:22:20] de todos os tipos, incluindo soldados,
[00:22:23] olha aí, olha aí.
[00:22:24] Os machos são apenas reservatórios de esperma
[00:22:27] voadores, que só aparecem no fim
[00:22:29] da festa. Não trabalham,
[00:22:31] não defendem o ninho,
[00:22:32] só comem a comida que as irmãs
[00:22:34] preparam até serem expulsos do ninho.
[00:22:37] Olha, eu vou te falar,
[00:22:38] eu não vou te pedir desculpa por ser homem não, porque
[00:22:40] ninguém escolhe, mas você, um homem, é um bicho muito
[00:22:43] escroto.
[00:22:44] Vai se fuder, tá no mundo das abelhas,
[00:22:47] cara. Mulheres, tomem as
[00:22:48] rédeas do mundo, por favor.
[00:22:50] A única função evolutiva
[00:22:52] dos machos, como os zangões nas abelhas,
[00:22:54] é ajudar com a reprodução
[00:22:56] sexuada e aumentar
[00:22:58] a variabilidade genética
[00:23:00] das populações. Exato.
[00:23:02] O homem abelha, portanto,
[00:23:04] ou seria feito de
[00:23:06] abelhas fêmeas, ou seria
[00:23:08] um tremendo de um inútil.
[00:23:12] Cara, que
[00:23:13] maravilhosa essa contribuição dele.
[00:23:17] A mulher abelha
[00:23:18] é uma super heroína muito mais
[00:23:20] interessante.
[00:23:22] Tá certo, mulher abelha.
[00:23:24] Puta merda, que excelente.
[00:23:27] Bruno Toledo, arquiteto
[00:23:28] e desenhista industrial São Sebastião
[00:23:31] do Paraíso Minas Gerais.
[00:23:33] Olá, Nézio. Esse é o meu primeiro e-mail
[00:23:34] e deixo aqui a minha humilde colaboração
[00:23:36] para as equipes super-heróis e vilões do episódio de 993,
[00:23:39] seguindo as categorias levantadas pelo
[00:23:40] Tucano. Um, Garoto Moto
[00:23:42] Júnior, o jovem entregador
[00:23:44] e inventor autodidata,
[00:23:46] modificou sua moto para transformá-la em uma máquina
[00:23:48] de combate. O escapamento alterado
[00:23:50] de sua moto aquece.
[00:23:52] Temperaturas altíssimas, disparando labaredas
[00:23:54] e rajadas sônicas, permitindo combater
[00:23:56] crime em suas entregas
[00:23:58] e manobras radicais. Caraca.
[00:24:01] Garoto Giro.
[00:24:01] Mas ele tem que…
[00:24:02] Ele ataca sempre pra trás, né?
[00:24:05] Ele tem que dar umas giradas
[00:24:07] assim pra dar uma… É, exatamente.
[00:24:10] Pode empinar a moto.
[00:24:11] Olha, cortar giro e empinar a moto,
[00:24:13] aí ele pode decolar.
[00:24:16] Puta animal. Gostei.
[00:24:17] O rei do bicho, o vilão
[00:24:19] doutor Ferreirinha, biólogo
[00:24:22] e contraventor, fundiu
[00:24:23] seu DNA com um dos 25 animais
[00:24:25] do Jogo do Bicho.
[00:24:27] Que maravilhoso.
[00:24:29] Podendo se transformar em qualquer um
[00:24:31] à sua vontade. Uma figura controversa
[00:24:33] divide o amor ao ódio do povo
[00:24:35] e o temor de todos com suas transformações bizarras.
[00:24:38] Muito bom. E ó, tem outra
[00:24:39] coisa que a gente pode adicionar aqui. Tudo que
[00:24:41] o rei do bicho escrever…
[00:24:43] Vale. Vale.
[00:24:45] É lei.
[00:24:47] Mãe Gagá.
[00:24:50] Odete é uma alma elevada.
[00:24:52] De muitas encarnações.
[00:24:53] Versada em todas as religiões praticadas no Brasil.
[00:24:56] Dotada do poder místico e mental
[00:24:57] da clara evidência, se destaca por incrível
[00:25:00] margem de acertos, com uma
[00:25:01] a cada dez previsões bem sucedida.
[00:25:05] A margem de acertos
[00:25:06] excelente. Muito acima
[00:25:07] da média de seus colegas.
[00:25:10] Adorei. Muito bom.
[00:25:12] Lunático. Bigu.
[00:25:14] Nosso visitante da lua.
[00:25:15] Prima ilustre do ET Bilu.
[00:25:17] Abandonou a vida bucólica do interior
[00:25:20] para se tornar um grande apresentador de TV.
[00:25:22] Dominical. No seu quadro
[00:25:23] A Porta dos Individuados, usa seu
[00:25:26] poder de conjurar portais
[00:25:28] dimensionais, conectando qualquer
[00:25:30] ponto da terra, desde que o transportado
[00:25:32] seja um individuado. Caralho.
[00:25:34] Que maluquito, cara. Aliás,
[00:25:36] Odagal. Tu não sei se tu soube dessa notícia.
[00:25:38] Eu sou plural também. Tem que confirmar, mas…
[00:25:39] Diz aí que, mais uma vez, o SBT
[00:25:42] vai parar de exibir chaves.
[00:25:44] Eu vi um negócio desse. Eu li.
[00:25:45] E sabe o que vai entrar no lugar? A Porta
[00:25:48] dos Desesperados. Caraca, mano.
[00:25:49] Quem tem amigo tem tudo.
[00:25:52] Ah! Caraca, cara.
[00:25:55] O Sérgio Maluco consegue nem mais
[00:25:56] abrir o olho.
[00:26:00] Mas tá certo, tá certo.
[00:26:02] Tem que trabalhar, ué.
[00:26:04] Mandioca mortal. A agente especial
[00:26:06] Kelly, cobaia do soro da
[00:26:08] supermandioca, ganha os
[00:26:10] superpoderes de sintetizar da terra
[00:26:12] todo e qualquer subproduto da mandioca
[00:26:14] instantaneamente. Suas habilidades incluem
[00:26:16] bastões de mandioca, jatos cegantes
[00:26:18] de farinha, nuvens ocultadoras
[00:26:20] de polvilho e o mortal veneno
[00:26:22] da mandioca brava. Kelly odeia
[00:26:24] trocadilhos com sua
[00:26:26] alcunha. Porra, ele fez ótimo personagem.
[00:26:28] Cara, ele é muito bom, cara.
[00:26:30] Braco, a nova identidade do
[00:26:32] deus grego Baco, que veio
[00:26:34] conhecer o nosso carnaval e, desde
[00:26:36] então, nunca mais voltou pra Europa. Além
[00:26:38] de sua superforça e vulnerabilidade
[00:26:40] divinas, é amigo de jogadores e
[00:26:42] artistas e tem o poder de fazer
[00:26:44] o bicho pegar. Caraca.
[00:26:46] Na sua luta contra
[00:26:48] os malfeitores, o embate é…
[00:26:50] é quase sempre conciliado, terminando
[00:26:52] uma grande farra geral. Grande abraço
[00:26:54] pra Ana Zagato. Peraí, velho, esse
[00:26:56] último, a solução dele é um
[00:26:58] bacanal? Tá tendo um assalto,
[00:27:00] ele chega lá, calma aí, pum, é o deus do
[00:27:02] bacanal. É, ele vira, tudo vira festa,
[00:27:04] não é? As festas do Baco, não era?
[00:27:07] Então, então,
[00:27:08] eu sei, grego, ué.
[00:27:11] Ou o crime aumentar muito
[00:27:12] ou acabar de bicho.
[00:27:20] Qual é o escopo?
[00:27:26] A gente pegar o governo
[00:27:28] vigente e quem
[00:27:30] se revoltou contra ele ou depende?
[00:27:33] É, o Felipe tinha dado a ideia
[00:27:35] de… Eu não dei ideia nenhuma, essa parte é sua.
[00:27:38] Eu dei ideia de fazer das
[00:27:40] rebeliões, mas o Felipe
[00:27:42] aprimorou a ideia de fazer
[00:27:44] recortes por período, né?
[00:27:46] Então, a gente poderia começar pelo período
[00:27:48] colonial.
[00:27:50] Dos portugueses, então, né?
[00:27:52] Exato, pôs invasão dos portugueses,
[00:27:55] né? Que tal?
[00:27:57] Os gajos.
[00:27:59] Exatamente. Aliás, eu vi,
[00:28:00] eu tava em Portugal, eu vi numa lojinha
[00:28:02] um livro infantil de história de Portugal
[00:28:05] e era assim, ser português é
[00:28:06] gostar de pastar de nata,
[00:28:09] e aí tinha uma imagem
[00:28:10] pra criança, né? Um desenho
[00:28:13] da América do Sul, ali Brasil
[00:28:15] em destaque, com um desenho
[00:28:17] de um indígena, bem infantil
[00:28:18] mesmo, e um desenho de um portuguesinho,
[00:28:20] em vez de… Aí, ser português é, aí embaixo,
[00:28:23] conquistador.
[00:28:25] Caralho. Tipo assim, gente, isso não é…
[00:28:27] O que vocês estão ensinando pras crianças portuguesas, aí?
[00:28:29] Eu, quando eu fui retirar meu carro
[00:28:31] lá, quando eu fui ao Portugal também,
[00:28:33] aí o cara viu que era o Brasil, o cara
[00:28:35] pô, não sei o quê, já estive em Petrópolis,
[00:28:37] cidade bonita, não sei o quê,
[00:28:39] aí ele falou um pouco de colonização portuguesa,
[00:28:41] eu falei, é, mas tem um lado complicado também, né?
[00:28:43] Aí ele resolveu
[00:28:44] falar que, pô, trouxe muitos
[00:28:47] avanços e tal, eu falei, quer saber, cara,
[00:28:49] é melhor eu ficar quieto, daqui a pouco,
[00:28:50] o cara não vai me dar o carro, então…
[00:28:52] Eu saí do subreddit
[00:28:54] de Portugal, que eu acompanhava, que era
[00:28:56] Portugal Caralho, porque a galera
[00:28:58] não tem a mínima noção
[00:29:00] de quão escroto eles foram.
[00:29:02] É, eles não têm uma autocrítica,
[00:29:05] tá ligado? O ensino de história em Portugal
[00:29:06] é realmente muito deficiente,
[00:29:08] mesmo depois da Revolução de 74,
[00:29:11] ainda mais hoje, né? Ele enfrenta
[00:29:12] muitas existências sobre,
[00:29:15] especialmente, setores da direita,
[00:29:16] ele ainda propaga uma visão
[00:29:18] bastante romântica e romântica,
[00:29:20] romantizada de Portugal
[00:29:22] e do processo das chamadas Grandes Navegações,
[00:29:25] que, claro, existem
[00:29:26] aspectos, digamos assim,
[00:29:28] que podem ser destacados
[00:29:30] em uma perspectiva nacional
[00:29:32] de ensino, mas ainda é
[00:29:34] uma perspectiva muito higienizada,
[00:29:37] e isso é muito derivado
[00:29:38] do fato de que os portugueses,
[00:29:40] eles sofrem de uma espécie
[00:29:43] de complexo de inferioridade
[00:29:45] perante os europeus,
[00:29:47] né? Então, Portugal um dia
[00:29:48] foi um grande império de desbravadores,
[00:29:51] de exploradores,
[00:29:52] isso, isso e aquilo, e durante muito
[00:29:54] tempo era o patinho feio da Europa,
[00:29:56] era o país que nem a Europa direito era,
[00:29:59] era o país que depois mais pobre
[00:30:00] da União Europeia, o com piores índices
[00:30:02] de educação, né? Especialmente
[00:30:04] durante o salazarismo, então
[00:30:06] a forma de amenizar esse
[00:30:08] complexo de inferioridade é
[00:30:10] frisar esse papel do português
[00:30:12] desbravador e conquistador.
[00:30:14] A galera, pra zoar os portugueses, ficam falando
[00:30:16] que Portugal é um país do leste,
[00:30:18] europeu, que tá num lugar errado.
[00:30:20] Puta que pariu. É, por causa
[00:30:22] de PIB, de salário médio,
[00:30:24] tudo é índice de
[00:30:26] leste europeu, né? Acho que um evento que acaba
[00:30:28] sendo, talvez, símbolo
[00:30:30] desse processo de revoltas
[00:30:33] e rebeliões
[00:30:34] no que hoje é o Brasil,
[00:30:36] é a chamada Guerra dos Tamoios,
[00:30:38] ou a Guerra da Confederação dos Tamoios.
[00:30:41] A primeira guerra de
[00:30:42] proxy da Idade Moderna. É mesmo?
[00:30:45] É, porque você tinha uma disputa
[00:30:46] entre franceses e portugueses e cada
[00:30:48] um tinha os seus aliados indígenas.
[00:30:50] E um dos motivos da Guerra dos
[00:30:52] Tamoios, obviamente a Guerra dos Tamoios
[00:30:54] não foi uma rebelião no sentido,
[00:30:56] por exemplo, não foi como a Inconfidência
[00:30:58] Mineira, né? Ah, não, você tinha ali
[00:31:00] já uma identidade constituída
[00:31:02] por uma independência. Não, eram povos
[00:31:04] indígenas que estavam sendo massacrados
[00:31:07] ou explorados pelos
[00:31:08] europeus. Você tem uma lógica de conflito
[00:31:10] ali envolvendo diversos povos
[00:31:12] indígenas e os Tamoios,
[00:31:15] eles foram exterminados,
[00:31:17] né? Importante mencionar isso,
[00:31:18] mas um dos motivos que ela acaba sendo
[00:31:20] muito simbólica é porque
[00:31:22] nós temos um abrangente
[00:31:25] registro escrito sobre ela
[00:31:27] que são as memórias do
[00:31:28] mercenário alemão Hans Staden.
[00:31:30] Você tem, inclusive, ali, por exemplo, aqui no litoral
[00:31:32] de São Paulo, né? Na região de Bertioga,
[00:31:35] a chamada trilha de Hans Staden.
[00:31:37] Você tem o Hans Staden, né?
[00:31:39] Descrevendo as práticas
[00:31:40] antropofágicas de tribos indígenas
[00:31:43] como os Tupinambás. E a guerra foi
[00:31:44] especialmente no litoral do que
[00:31:47] hoje são, né? Rio de Janeiro,
[00:31:48] e São Paulo, né? Mas especialmente regiões
[00:31:50] ali de São Vicente, Santos, Bertioga
[00:31:52] e Rio de Janeiro. Ubatuba,
[00:31:54] Ubatuba também, me lembrado.
[00:31:56] Uma coisa que a gente vai ter em comum
[00:31:58] com a maioria dos conflitos que a gente vai
[00:32:00] falar aqui é sempre a resposta
[00:32:02] muito violenta das autoridades,
[00:32:04] né? O excesso de violência
[00:32:06] vai permear vários do que a gente vai falar aqui,
[00:32:08] se não todos. E esse começou com
[00:32:10] violência e terminou com violência porque
[00:32:12] basicamente os portugueses
[00:32:14] aqui na região de São Vicente,
[00:32:17] aqui, né? Não da cidade,
[00:32:18] mas da capitania, né? De São Vicente.
[00:32:21] Litoral de São Paulo tinham
[00:32:22] relações com os índios que eram os Tupiniquins.
[00:32:25] E rolava até de
[00:32:26] uma parada chamada cunhadismo
[00:32:28] que era quando os portugueses
[00:32:31] se casavam com
[00:32:32] filhas de líderes indígenas
[00:32:34] pra, sei lá, essa união, né?
[00:32:36] Esses aliados. Um caso famoso
[00:32:38] desses é o do João Ramalho,
[00:32:41] não confundir com o Zé Ramalho,
[00:32:42] do Chão de Giz, que casou com
[00:32:44] a famosa índia Bartira
[00:32:46] que era filha do cacique Tibiriçá.
[00:32:49] E, por outro lado, como o Felipe
[00:32:51] falou, na região do Rio de Janeiro,
[00:32:53] onde hoje é o Rio de Janeiro, né?
[00:32:55] Tinha os Tupinambás,
[00:32:57] não é isso? É, Tupinambás era um termo
[00:32:59] mais abrangente, né? É isso.
[00:33:01] Abrangente pra…
[00:33:03] Era como uma nação, Tupinambá,
[00:33:05] né? Que tinham várias tribos indígenas.
[00:33:07] É, fazendo uma generalização
[00:33:09] aqui antes que algum antropólogo
[00:33:10] já esteja escrevendo um e-mail. Os portugueses
[00:33:13] atacaram o povo Tupinambá
[00:33:15] de Ubatuba,
[00:33:17] capturou o cacique, que chamava
[00:33:18] Cairçu, e levaram
[00:33:20] ele preso e ele morreu no
[00:33:22] cativeiro. O filho dele ficou pistolaço
[00:33:25] e formou uma
[00:33:27] aliança com outros povos, né?
[00:33:29] Tupinambás também, depois também
[00:33:30] com os Goitacás. Não,
[00:33:32] no campo? Pois é, então, os nomes
[00:33:35] que a gente ouve, Biscoito
[00:33:37] Aimoré, Campos de Goitacáses,
[00:33:39] a gente descobre
[00:33:40] que era o dono de verdade aqui, né?
[00:33:42] É verdade, exatamente. Quando você fala em cacique,
[00:33:44] eu só penso em Ramos.
[00:33:47] Azaghal no seu espírito
[00:33:48] mais pagodeiro possível.
[00:33:51] Caraca, essa eu não peguei, não.
[00:33:53] Pô, cacique de Ramos? Não.
[00:33:55] Pegou medo. Escola de samba? Não, não.
[00:33:57] Não é escola de samba, cacique de Ramos.
[00:33:59] Cacique de Ramos não é uma escola de samba?
[00:34:00] Não, é um lugar que se toca samba,
[00:34:03] tradicionalmente. Ah, tá.
[00:34:04] É um estabelecimento comercial. Onde se reúnem
[00:34:07] os bambas. Eu conheço
[00:34:09] o cacique Coba Coral, é isso.
[00:34:11] É outro cacique bom.
[00:34:12] Todo mundo criticou, ele tá aí fazendo
[00:34:14] um boicote.
[00:34:16] Tá fazendo um boicote aí. Mas enfim,
[00:34:18] os franceses que estavam chegando lá
[00:34:20] no Rio de Janeiro, apoiaram essa
[00:34:23] aliança porque eles queriam
[00:34:24] que esses indígenas lutassem
[00:34:27] contra os portugueses, né?
[00:34:29] E os portugueses botaram os
[00:34:30] tupiniquins para lutar contra
[00:34:33] os tupinambás. Por isso que eu falei
[00:34:35] que era uma guerra de proxy.
[00:34:37] Hum, tá. Sempre esse negócio
[00:34:38] de botar a galera pra brigar no seu lugar, é isso?
[00:34:41] Isso é uma guerra de proxy, caso a gente esteja.
[00:34:43] A gente pega muita gente que…
[00:34:44] as coisas pela primeira vez. Explica aí.
[00:34:46] O termo em português é guerra por procuração, né?
[00:34:49] Mas talvez o período mais
[00:34:50] prolífico em guerras por procuração
[00:34:53] tenha sido a Guerra Fria, que é quando você tinha,
[00:34:55] por exemplo, a Guerra Civil em Angola
[00:34:57] e aí você tinha um lado apoiado pela União
[00:34:59] Soviética e outro lado apoiado pelos
[00:35:00] Estados Unidos. Ou então você tinha
[00:35:03] por exemplo, as guerras árabes
[00:35:05] israelenses, em que em geral
[00:35:06] Israel comprava armamentos
[00:35:08] de França e Estados Unidos e os países
[00:35:10] árabes compravam armamentos da União
[00:35:13] Soviética. O Rambo 3, Rambo 3.
[00:35:14] O Rambo 3, ô Felipe, pelo amor de Deus.
[00:35:16] Exatamente, Rambo 3, o documentário
[00:35:18] que se passa no Afeganistão.
[00:35:20] Era na época da invasão
[00:35:22] da União Soviética no Afeganistão.
[00:35:24] Estados Unidos vai lá treinar os
[00:35:26] Mujahideen, darmas, etc
[00:35:28] e tal. E dali saiu
[00:35:30] o garoto Osama Bin Laden, treinado
[00:35:32] pela CIA pra combater os soviéticos
[00:35:34] na guerra de proxy, né?
[00:35:36] Quer dizer, mais ou menos, porque eram os soviéticos mesmo
[00:35:38] entrando e os Estados Unidos meio que só deu
[00:35:40] o apoio. A procuração
[00:35:42] de um lado só, é que nem o Vietnã, né?
[00:35:44] A procuração de um lado só, exatamente.
[00:35:46] Estados Unidos estava lutando no Vietnã,
[00:35:49] mas o Vietnã
[00:35:50] era apoiado por China e União Soviética.
[00:35:53] Exatamente, é isso aí.
[00:35:54] Sobre a confederação dos tamoios,
[00:35:56] principalmente, assim, acho que o Tucano
[00:35:58] já resumiu bem. E como eu mencionei,
[00:36:01] os tamoios foram basicamente exterminados
[00:36:03] e no caso, vocês mencionaram
[00:36:05] o campo dos Goitacazes,
[00:36:06] um grande berço da política
[00:36:08] brasileira nas últimas décadas.
[00:36:10] É interessante mencionar também que
[00:36:13] na região de campos dos
[00:36:14] Goitacazes, nós temos registros
[00:36:16] em cartas do que nós já podemos
[00:36:18] chamar de guerra biológica,
[00:36:20] que é você, intencionalmente,
[00:36:23] infectar os indígenas
[00:36:24] com alguma doença, ou então
[00:36:27] dar a eles
[00:36:28] objetos infectados.
[00:36:30] Então, por exemplo, você tinha uma pessoa
[00:36:32] que estava com, sei lá, varíola,
[00:36:34] e aí você pegava as roupas dessa pessoa
[00:36:36] e dava para os indígenas,
[00:36:38] e aí a doença circulava entre eles rapidamente,
[00:36:40] levava um grande morticínio,
[00:36:42] e isso é um exemplo de guerra biológica.
[00:36:44] E é por isso que eu digo,
[00:36:46] antes de você se sentir ofendido, que europeu
[00:36:48] tem que calar a boca na hora de reclamar
[00:36:50] dos outros. O contato, né,
[00:36:52] o chamado intercâmbio colombiano,
[00:36:54] a gente pode, de forma
[00:36:55] bem humorada, digamos assim, resumir
[00:36:58] em, a América deu chocolate,
[00:37:00] milho, batata, tomate
[00:37:02] e os europeus deram varíola. Grande
[00:37:04] troca.
[00:37:09] Outra coisa que a gente pode
[00:37:10] destacar, né, assim,
[00:37:12] obviamente a gente não
[00:37:13] teria como fazer, quer dizer, teria como
[00:37:16] destacar as principais guerras
[00:37:18] indígenas, mas isso poderia
[00:37:20] ser basicamente, né, talvez
[00:37:22] um programa próprio, né, então você tem, por exemplo,
[00:37:24] a gente mencionou a confederação
[00:37:26] dos tamoios, nós também tivemos a confederação
[00:37:28] dos cariris, os portugueses
[00:37:30] chamavam de guerras bárbaras, nós tivemos
[00:37:32] vários desses conflitos
[00:37:34] e também no período colonial,
[00:37:36] acho interessante a gente destacar, e aí o
[00:37:38] Tucano, inclusive, colocou, né, na
[00:37:39] na ideia dele, que a gente
[00:37:41] falar da questão das guerras,
[00:37:43] de Palmares, né, contra o quilombo
[00:37:45] de Palmares, na região de
[00:37:47] hoje é Alagoas. Que era
[00:37:49] a capitania de Pernambuco, né, na época.
[00:37:51] Isso, Pernambuco, né, a capitania
[00:37:53] de Pernambuco, ela foi, durante
[00:37:55] um determinado período, uma das
[00:37:57] maiores capitanias do Brasil,
[00:37:59] porém ela foi progressivamente
[00:38:01] sendo fatiada,
[00:38:03] perdendo territórios, inclusive
[00:38:05] como punição
[00:38:07] pelas rebeliões, especialmente
[00:38:09] quando você tem a confederação do Equador,
[00:38:11] já depois da independência, né, a gente
[00:38:13] tem Pernambuco começando a ser desmembrado.
[00:38:16] Mas, ali no período,
[00:38:17] no final do século XVII, começo do século XVIII,
[00:38:19] quando as capitanias deixam
[00:38:21] de ser aquelas linhas retas,
[00:38:23] traçadas, né, com régua no mapa,
[00:38:25] a capitania de Pernambuco era uma
[00:38:27] das maiores, né, junto com ali a capitania
[00:38:29] da Bahia, uma das mais importantes, porque ela
[00:38:31] seguia boa parte do curso do Rio São Francisco.
[00:38:33] E era um grande produtor de
[00:38:35] cana-de-açúcar, né? Exatamente,
[00:38:37] por isso você tinha uma população
[00:38:39] de origem africana escravizada
[00:38:41] muito grande, essa população,
[00:38:43] essa população era, obviamente,
[00:38:45] usurpada de toda e qualquer
[00:38:47] noção de que eles seriam até seres humanos,
[00:38:49] então, assim, quando uma pessoa falar,
[00:38:51] as pessoas escravizadas sofriam maus tratos.
[00:38:54] Se você tá explicando isso pra uma
[00:38:55] criança de nove, dez anos, isso é
[00:38:57] importante de frisar. Se você, quando
[00:38:59] adulto, precisa que isso seja frisado,
[00:39:01] é porque o seu cérebro, ele tem
[00:39:03] sérios problemas. Mas, então, assim,
[00:39:05] essas pessoas eram privadas até mesmo
[00:39:07] da ideia de que elas seriam
[00:39:09] pessoas, né? E você tem, então,
[00:39:11] a formação dos quilombos,
[00:39:13] e o maior quilombo
[00:39:15] da história do Brasil, provavelmente o mais
[00:39:17] importante, foi o quilombo dos Palmares,
[00:39:19] que teve ali cerca de 15 mil
[00:39:21] habitantes, né? Mais ou menos.
[00:39:23] A maioria deles de
[00:39:25] pessoas escravizadas fugitivas,
[00:39:27] mas não apenas, é sempre
[00:39:29] interessante lembrar, né? Que você tinha quilombos
[00:39:31] em que viviam também
[00:39:33] pessoas indígenas, viviam pessoas
[00:39:35] de origem africana, pessoas negras,
[00:39:37] que foram libertas e optaram,
[00:39:40] decidiram por residir
[00:39:41] com os quilombolas,
[00:39:43] ou os quilombos, melhor dizendo, né?
[00:39:45] Mas, obviamente, a maior parte da população
[00:39:47] era de pessoas escravizadas fugitivas.
[00:39:50] Esse quilombo, Felipe,
[00:39:51] só pra falar pra galera, ele não era
[00:39:53] uma cidade, né? Ele era difuso.
[00:39:55] Ele era um conglomerado de aldeias.
[00:39:58] É um complexo de
[00:39:59] mocambos, né? Inclusive,
[00:40:01] eu não sei exatamente qual é a diferença
[00:40:03] de mocambo para quilombo.
[00:40:05] Você sabe? Alguém sabe aí?
[00:40:07] Eu, infelizmente, não sei dizer.
[00:40:09] É, eu não pesquisei etimologia também,
[00:40:11] mas era mais chamado de quilombo,
[00:40:13] eu acho que veio depois o termo, né?
[00:40:15] Era mais chamado de mocambos, e eram
[00:40:17] vários, né? O principal deles era
[00:40:19] o mocambo do macaco,
[00:40:21] que era a capital do que virou,
[00:40:23] inclusive, Angola-Janga,
[00:40:26] que virou um reino
[00:40:27] da pequena Angola. Até porque o próprio
[00:40:29] termo quilombo, né? Ele é
[00:40:31] de origem dos povos bantus
[00:40:33] da atual Angola, né?
[00:40:35] Que era um dos principais locais
[00:40:37] de onde vinham pessoas escravizadas
[00:40:39] na costa dominada pelos portugueses.
[00:40:41] Foi a primeira leva dos escravizados
[00:40:43] vieram da África mais central, né?
[00:40:45] Isso. Outro lugar que teve um papel
[00:40:47] importante nesse comércio de pessoas
[00:40:49] escravizadas foi o reino
[00:40:51] do Daomé, que é o atual Benin.
[00:40:53] Foi muito importante, muito lucrativo
[00:40:56] para os comerciantes portugueses,
[00:40:57] porém, no caso da costa
[00:40:59] angolana, você tinha
[00:41:01] os portugueses controlando, né?
[00:41:03] Uma fatia maior, digamos assim,
[00:41:05] do comércio com as feitorias costeiras,
[00:41:07] né? Tanto que depois, né? Angola,
[00:41:09] por séculos, foi parte do império colonial
[00:41:11] português. Uma coisa interessante do
[00:41:13] conflito de Palmares foi
[00:41:15] a duração, né? Essa
[00:41:17] resistência foi de
[00:41:19] 50 anos, 55 anos quase.
[00:41:21] Caraca! Não, na verdade
[00:41:23] já tem registros do
[00:41:25] quilombo dos Palmares no final
[00:41:27] do século XVI, né?
[00:41:29] Mas eu digo a resistência, quando entrou
[00:41:31] em conflito mesmo, entendeu?
[00:41:33] E aí foram várias incursões
[00:41:35] de Portugal para tentar, mas só
[00:41:37] conseguiram de fato em 1694.
[00:41:40] Então, mas de quando
[00:41:41] começou? No final do século XIX?
[00:41:43] XVI, início do século XVII.
[00:41:45] Até o 1694,
[00:41:47] que foi realmente o final,
[00:41:49] como você falou, tem aí um
[00:41:51] período aí no meio que a gente tem que destacar,
[00:41:53] que é a invasão de Recife
[00:41:55] pelos holandeses.
[00:41:57] Lembra? Maurício de Nassau
[00:41:59] botou o boi na tirolesa,
[00:42:01] trouxe a cerveja, trouxe a
[00:42:03] Heineken para o Brasil, tudo mais.
[00:42:05] Por isso tem que destacar, né?
[00:42:08] E nesse
[00:42:09] período, não existiam
[00:42:11] tantas incursões.
[00:42:13] Os portugueses estavam preocupados com outras
[00:42:15] coisas. É, e os holandeses não faziam
[00:42:17] tantas incursões para pegar os
[00:42:19] escravizados de volta, né? E a partir
[00:42:21] de, acho que, 1654,
[00:42:24] quando é
[00:42:25] retomado pelos portugueses
[00:42:27] no Recife, que começam a
[00:42:29] ter vários períodos
[00:42:31] de incursões aí para tentar
[00:42:33] destruir. Então, a gente pode botar
[00:42:35] aí, pelo menos, dos anos
[00:42:37] 70, 1670,
[00:42:39] até 1690, com bastante
[00:42:41] atividade de tentar,
[00:42:43] até já, destruir o Quilombo
[00:42:44] sem sucesso. E Zumbi, que era um
[00:42:47] líder que pregava pela resistência
[00:42:49] armada mesmo, né? Tinham outros líderes
[00:42:51] que tentavam negociar e tal. O Zumbi
[00:42:53] era mais na pegada de resistir.
[00:42:55] Ele foi executado
[00:42:57] em 95. Existia um
[00:42:59] outro líder antes do Zumbi, que
[00:43:01] era o Ganga Zumba. Ele teve
[00:43:03] em 1678,
[00:43:05] ele teve os familiares sequestrados.
[00:43:07] E aí, o governador da província
[00:43:09] veio oferecer um acordo com ele
[00:43:11] que, na verdade, era uma chantagem, né?
[00:43:13] E falou assim, ah, vocês se
[00:43:15] mudam para o Vale do
[00:43:17] Coacucaú. Quem já nasceu no
[00:43:19] Quilombo, fica aí no Quilombo, mas
[00:43:21] quem fugiu e chegou
[00:43:23] depois, vocês têm que devolver. E,
[00:43:25] como ele estava com a família presa,
[00:43:27] ele aceitou isso. Só que
[00:43:29] o Zumbi e a galera dele não aceitaram.
[00:43:31] Então, teve uma cisão aí.
[00:43:33] O Zumbi vai para a Serra da Barriga,
[00:43:35] onde ele se torna o líder. E, nessa,
[00:43:37] o Ganga Zumba, logo depois, é
[00:43:39] assassinado, né? Ele é envenenado.
[00:43:41] O terreno, também, montanhoso,
[00:43:43] ajudou bastante na defesa da parada.
[00:43:45] É, os chamados…
[00:43:47] Vocês brincaram, né, no início do programa,
[00:43:49] sobre as pessoas não virem os professores.
[00:43:51] São os mares de morros.
[00:43:53] É aquele termo que o nosso professor de geografia
[00:43:55] fica uns 10 anos falando na nossa orelha e a gente não lembra.
[00:43:57] Professor de geografia, realmente, não dá.
[00:43:59] Ah, não.
[00:44:02] Não dá lá de couro, não dá.
[00:44:05] Quem era o professor de geografia?
[00:44:07] Eu não lembro o nome, né, cara?
[00:44:09] Porra, eu tinha um professor de geografia.
[00:44:10] Mas era um estereótipo. O nome dele era estereótipo.
[00:44:13] Eu tinha um professor de geografia que era
[00:44:15] sensacional no colégio que eu estudei aqui em Santos
[00:44:17] até a quinta série.
[00:44:19] Que ele era baterista e ele
[00:44:21] aparecia, toda vez que a gente ia no cinema,
[00:44:24] tinha propaganda de uma churrascaria
[00:44:26] chamada Boibão, que ficava na Praia Grande
[00:44:28] e mostrava que tinha
[00:44:29] banda ao vivo na churrascaria
[00:44:31] e era ele tocando a bateria, maluco.
[00:44:33] Era o Wilson, o professor Wilson.
[00:44:34] Oh, não. Isso é muito proibido.
[00:44:38] Primeiro,
[00:44:38] é proibido você ver o professor fora do ambiente
[00:44:41] de ensino. Porra, na banda
[00:44:43] de bar tocando? Caraca, isso é…
[00:44:45] De bar, não. De churrascaria.
[00:44:46] É, pra respeito. De churrascaria é
[00:44:48] muito traumático isso. Muito traumático.
[00:44:50] Olha, falando como alguém que tem
[00:44:52] muitos e muitos amigos professores,
[00:44:55] todos eles têm trauma de quando eles
[00:44:56] têm alguma coisa pessoal,
[00:44:59] sei lá, uma festa junina,
[00:45:00] indo no shopping ou no cinema
[00:45:02] e houve um professor!
[00:45:05] É inadequado. É inadequado
[00:45:06] demais. A pessoa não sabe como agir.
[00:45:09] Deixa eu contar um
[00:45:10] caos aqui, rapidinho,
[00:45:13] voltar pros palmares. Meu Deus.
[00:45:15] Eu fui passar um carnaval em Florianópolis
[00:45:17] e ia no show do Fat Boy Slim.
[00:45:19] Mas tu já era mestre?
[00:45:21] Eu era professor. Tô eu, a Bárbara,
[00:45:23] mais um casal. Entramos num bar
[00:45:25] de reggae. Sentamos lá,
[00:45:27] era um cheiro de incenso. Eu falei assim,
[00:45:29] olha, gente, eu acho que legalizou isso aqui,
[00:45:31] viu? Mas foi eu
[00:45:33] botar o cafezinho na boca.
[00:45:36] Aparece
[00:45:37] professor!
[00:45:40] Aí sim!
[00:45:43] Ele esperou!
[00:45:45] Olha isso!
[00:45:46] Com certeza ele esperou.
[00:45:48] Caraca, ele quis dar um flagrante
[00:45:50] completo, cara.
[00:45:52] Nossa senhora. O cara foi
[00:45:54] ardiloso. Eu acho que esse aluno
[00:45:56] ficou por lá, que ele nunca mais apareceu
[00:45:58] na aula.
[00:46:00] O cabo do aluno tá confessando aqui?
[00:46:04] Realmente
[00:46:05] porque ele passou muito da linha
[00:46:06] do limite, cara.
[00:46:09] Queima de arquivo é o nome.
[00:46:11] Podia ser pior, ele podia ter me
[00:46:12] encontrado no show do Fatboy Slim.
[00:46:14] Por quê? Você não gosta de Fatboy Slim?
[00:46:16] Você foi obrigado? Não sei entender. Não, não, não.
[00:46:18] Você não gosta? Fatboy Slim é legal.
[00:46:20] É tipo uma rave, porra. Ah, tem muito café.
[00:46:23] É isso. Café de todos os tipos. Tem
[00:46:24] energético. É.
[00:46:26] Café de cápula. Tem rebite, né?
[00:46:30] Tem casa
[00:46:30] de Smurf. Casa de Smurf!
[00:46:33] Olha aí. Às vezes o aluno
[00:46:34] tava lá e por isso que ele não voltou.
[00:46:37] Ele tá no show do Fatboy Slim
[00:46:39] até hoje.
[00:46:39] Ah!
[00:46:41] Pô, tinha um cara.
[00:46:42] O cara desvirtuou demais, assim, né?
[00:46:44] De caixa. Mas tinha um cara
[00:46:47] com um card, assim, de uns 20 centímetros,
[00:46:50] assim, um card do Lorde Canecha.
[00:46:51] Na frente, na grade, do nosso lado,
[00:46:53] assim, ó, mostrando pro Fatboy Slim,
[00:46:55] assim, tá ligado? E aí meu irmão fez amizade
[00:46:57] com o cara. O cara puxou da mochila,
[00:46:59] tirou mais outro card da, sei lá,
[00:47:01] de uma outra divindade.
[00:47:03] Aí ele começou a ficar junto com o
[00:47:05] cara, mostrando, assim, o card, assim,
[00:47:07] levantando o card. E aí a gente tava
[00:47:09] loucão e falou assim, que porra é essa?
[00:47:11] Aí o cara, eu tenho mais,
[00:47:12] aqui. Aí soltou lá o
[00:47:14] Hare Krishna. Cada um tava com um card
[00:47:16] de uma divindade hindu,
[00:47:19] tá ligado? Dançando e mostrando
[00:47:20] pro Fatboy Slim na grade.
[00:47:22] Eu queria entender quantos anos você tinha.
[00:47:24] Você tá com a Bárbara há quanto tempo?
[00:47:27] Não, não, não pergunta.
[00:47:29] E ela conseguiu entender a
[00:47:30] faixa etária. E depois esse card
[00:47:32] era o quê? Tava com ácido?
[00:47:35] Você cortava um pedacinho?
[00:47:36] Qual era o card? Era só um colecionável
[00:47:38] holístico. Eu acho que
[00:47:40] era.
[00:47:42] Os Palmares, então, né?
[00:47:45] Desculpe, gente, não esquece.
[00:47:46] Falta pouco.
[00:47:53] Pra ver como eu sou uma pessoa
[00:47:54] que tenta ser produtiva, enquanto
[00:47:56] o Tucano contava aí as histórias,
[00:47:59] as peripécias
[00:48:01] dele de
[00:48:02] paraísos artificiais,
[00:48:04] eu fui consultar o
[00:48:06] professor Flávio dos Santos Gomes
[00:48:08] via Google. É basicamente o seguinte,
[00:48:10] o Mocambo era um local
[00:48:12] de refúgio, tá? Normalmente pequeno.
[00:48:14] O Quilombo, ele não
[00:48:16] apenas era uma comunidade maior,
[00:48:19] mas o Quilombo,
[00:48:20] ele tinha uma
[00:48:22] estrutura social própria.
[00:48:25] Então, o Mocambo, ele era
[00:48:26] normalmente uma pequena
[00:48:28] vila, uma pequena aldeia,
[00:48:31] digamos assim, né? Em que você tinha
[00:48:33] ali pessoas negras que fugiram
[00:48:34] da escravidão. E lembrando que fugir da escravidão
[00:48:37] era algo justo e moral, tá?
[00:48:39] Porque a pessoa não pode roubar
[00:48:41] o próprio corpo. Quem usa esse argumento?
[00:48:42] O argumento é o Frederick Douglass.
[00:48:44] Quando você tinha, então, a criação de uma estrutura ali
[00:48:46] com assembleias, com chefias,
[00:48:49] com rondas de guarda,
[00:48:51] rotação de trabalho,
[00:48:53] todo esse tipo de coisa, aí
[00:48:54] isso era um Quilombo. É, porque
[00:48:56] tinha uma estrutura social própria, né?
[00:48:58] O que fazia sentido porque a estrutura social
[00:49:00] que existia, europeia,
[00:49:02] no Brasil, não estava nem um pouco interessada
[00:49:04] em incluir essas pessoas
[00:49:06] na sua estrutura social. Então, elas foram
[00:49:08] fazer a sua própria, né? Não, tava, mas elas
[00:49:10] queriam incluir na senzala.
[00:49:12] Sim, sobre essa questão da estrutura social,
[00:49:14] essa é a origem do mito
[00:49:16] de que Zumbi dos Palmares
[00:49:18] seria uma pessoa proprietária
[00:49:21] de outras pessoas. Que Zumbi dos Palmares
[00:49:22] tinha, então, escravos. Por quê?
[00:49:24] Porque você tinha escravidão no continente
[00:49:26] africano. Você tinha escravidão
[00:49:29] e você tinha servidão.
[00:49:30] Ah, mas esse argumento do
[00:49:32] eles vendiam os próprios… Cara,
[00:49:34] esse argumento é tão patético.
[00:49:37] Por favor, explique. Então, pra quem quiser
[00:49:38] entender a diferença, tem um Nerdologia
[00:49:41] lá no YouTube chamado…
[00:49:42] Da origem da escravidão no Brasil. No Quilombo
[00:49:44] dos Palmares, nós tínhamos
[00:49:46] servidão, tá? Certamente. Porém,
[00:49:48] nós não tínhamos a escravidão
[00:49:51] definida pela cor da pele
[00:49:52] das pessoas, nem tínhamos
[00:49:54] uma escravidão no sentido
[00:49:56] de um comércio de pessoas dentro
[00:49:58] do Quilombo dos Palmares. Então,
[00:50:00] da onde vem esse mito, né? Essa lenda,
[00:50:03] essa mentira historiográfica? Ela tem
[00:50:05] duas origens muito
[00:50:06] claras, mas eu não vou citar os nomes porque eu quero
[00:50:08] evitar mais problemas judiciais pela
[00:50:10] cabeça. Chama daquele…
[00:50:12] Filha da puta. É, pois é. Aquele filho
[00:50:14] da puta lá… Mas ele já morreu? É aquele
[00:50:16] que morreu? Não, ele tá vivo. Não. Um dos
[00:50:18] principais motivos é que é o seguinte. Os zumbis
[00:50:20] dos Palmares, ele foi
[00:50:22] adotado como o símbolo
[00:50:24] da luta contra a escravidão
[00:50:26] no Brasil. Tanto que o seu
[00:50:28] dia de morte, o 20 de novembro,
[00:50:30] é, hoje, o dia da
[00:50:32] consciência negra. Uma data que foi instaurada
[00:50:34] quase 40 anos atrás. Ele,
[00:50:37] inclusive, também está,
[00:50:38] salvo engano, no livro
[00:50:40] de aço dos heróis da pátria. A escolha
[00:50:42] dos zumbis dos Palmares como símbolo
[00:50:44] dessa luta contra a escravidão é
[00:50:46] pra lembrar pras pessoas que
[00:50:48] mesmo durante o período
[00:50:50] da escravidão, você tinha pessoas
[00:50:53] negras que
[00:50:54] ativamente lutavam,
[00:50:56] inclusive fisicamente,
[00:50:58] contra essa instituição
[00:51:01] chancelada pelo Estado
[00:51:02] português e depois pelo Estado brasileiro.
[00:51:04] E que não foi uma
[00:51:06] coisa pacífica, não foi
[00:51:08] uma coisa benevolente
[00:51:10] para a população negra, como muita
[00:51:12] gente ainda acredita. Tão pouco
[00:51:14] ela acabou graças à bondade
[00:51:17] magnânima da
[00:51:18] filha do monarca Pedro II,
[00:51:20] Isabel, que um dia teria decidido
[00:51:22] então acordar e assinar um documento.
[00:51:24] Não, nós tivemos uma série
[00:51:26] de lutas contra a escravidão.
[00:51:28] 100 anos, né? 100 anos de leis, né?
[00:51:30] Antes da Lei Áurea.
[00:51:32] E nós tivemos séculos de luta contra isso.
[00:51:34] Tanto luta armada, luta intelectual,
[00:51:36] luta econômica. Então nós temos
[00:51:38] outros símbolos, como Luiz Gama,
[00:51:40] como André Rebouças, como José do Patrocínio,
[00:51:42] mas o Zumbi dos Palmares foi escolhido
[00:51:44] por isso. E isso, obviamente, atingiu
[00:51:47] os setores mais
[00:51:48] tradicionalistas e conservadores
[00:51:50] da sociedade, que vê, então,
[00:51:52] no Zumbi dos Palmares, mais uma
[00:51:54] manifestação, entre aspas,
[00:51:56] esquerdista ou lacração.
[00:51:59] Porém, o fato é que
[00:52:00] durante mais de um século
[00:52:02] no Brasil, foi instituída
[00:52:05] uma versão oficialista
[00:52:06] dos eventos, de que foi
[00:52:08] uma benevolente Isabel,
[00:52:10] filha do monarca, que decidiu
[00:52:12] abolir a escravidão com a sua pena de ouro,
[00:52:14] assinando a Lei Áurea, e por isso
[00:52:16] ela é chamada de Arredentora,
[00:52:18] por exemplo, o que é uma grande balela,
[00:52:21] uma grande romantização dos eventos
[00:52:23] e uma visão do ponto de vista do Estado.
[00:52:25] Porque a gente não aprende na escola
[00:52:26] que tinha uma galera enorme
[00:52:28] protestando lá, botando pressão.
[00:52:30] Isso, nós tínhamos manifestações, né?
[00:52:32] Alguns dos conflitos que a gente vai falar
[00:52:34] agora são todos, basicamente,
[00:52:36] nessa pegada, né? Eu mesmo não fazia ideia.
[00:52:38] Não? Tinha muita pressão.
[00:52:40] Eu vou fazer um parênteses aqui.
[00:52:42] Escolégico, né? Criança, adolescente.
[00:52:44] E depois a gente não, a não ser que seja historiador
[00:52:46] ou continue estudando, a gente não fica pensando
[00:52:48] sobre isso. Mas faz todo sentido, né?
[00:52:50] Não foi do dia pra noite, ela acordou realmente
[00:52:52] e falou, hum, quer saber?
[00:52:53] Tem gente que se recusa a aceitar isso, né?
[00:52:56] O Brasil tem um movimento monarquista.
[00:52:59] Mas o motivo de ter sido
[00:53:00] a Isabel a assinar
[00:53:02] essa lei, foi porque o monarca
[00:53:04] ativamente se omitiu,
[00:53:07] pois ele não queria
[00:53:08] comprar essa briga com o
[00:53:10] parlamento, porque ele sabia que esse evento
[00:53:12] atualmente levaria ao fim do regime dele
[00:53:14] e por isso ele deu um jeito de sumir,
[00:53:16] de sumir, eu digo, né? Por conveniência
[00:53:18] e aí, olha só, putz,
[00:53:20] hoje eu tô fora, tô fazendo home office,
[00:53:22] minha filha assina o negócio.
[00:53:23] Mas o que você vai esperar do monarca, a não ser
[00:53:26] a absolutamente covardia
[00:53:28] atrás de um título inventado, né?
[00:53:31] Eu gosto de usar o processo
[00:53:32] da abolição como um exemplo
[00:53:34] de conservadorismo, porque eu falo assim, não,
[00:53:36] os conservadores, eles mudam,
[00:53:38] eles aceitam mudanças,
[00:53:40] sim, desde que não mude o status quo.
[00:53:42] Então, todos os países em volta
[00:53:44] do Brasil já tinham abolido a
[00:53:46] escravidão, só que quem mandava,
[00:53:48] a elite que mandava no Brasil, falava assim,
[00:53:50] se abolir aqui, quebra a gente, né?
[00:53:52] Então, vamos empurrar com a barriga.
[00:53:54] E aí… E foi até uma
[00:53:56] briga de poder entre os
[00:53:58] proprietários de terra, né, de agricultura
[00:54:00] de café do Rio, contra os de
[00:54:02] São Paulo, né? Porque os de São Paulo
[00:54:04] foram a favor da abolição, que era
[00:54:06] pra minar os do Rio, da região
[00:54:08] ali na fronteira, que basicamente
[00:54:10] necessitavam da mão de obra,
[00:54:12] escrava pra funcionar, entendeu? Então, foi
[00:54:14] até um processo, uma briga
[00:54:16] econômica entre grupos.
[00:54:18] Mesma coisa aconteceu nos Estados Unidos. O Lincoln
[00:54:20] queria porrar o sul
[00:54:22] economicamente. Só pra complementar,
[00:54:24] teve a lei que proibiu o tráfico
[00:54:26] de escravizados, depois a
[00:54:28] do sexagenário, depois a
[00:54:30] do ventre livre, acho que foi ao contrário,
[00:54:32] inclusive. Então, demorou 100 anos
[00:54:34] até que tivesse a
[00:54:36] abolição, que foi feita a moda caralha,
[00:54:38] sem indenização, sem porra nenhuma,
[00:54:40] deixando os escravizados recém-abolidos,
[00:54:42] libertos ao Deus dará. Não podia
[00:54:44] comprar terra. E assim, realmente,
[00:54:46] aboliram, mas demorou tanto tempo e
[00:54:48] não mudou o status quo. Quem era dono de terra
[00:54:50] continuou dono de terra e é dono
[00:54:52] de terra até hoje. Isso é o conservadorismo.
[00:54:54] Eu queria fazer dois parênteses.
[00:54:56] Um, a gente falou já bastante aí de coisas que
[00:54:58] a gente não aprende na escola, ou aprende
[00:55:00] ou não se lembra e tal. Uma parada que eu acho
[00:55:02] que se estuda muito pouco,
[00:55:04] se dá muito pouca ênfase
[00:55:06] é a revolução no Haiti.
[00:55:08] É verdade. A revolução no Haiti
[00:55:10] é fundamental no
[00:55:12] processo de abolição da escravatura. Por quê?
[00:55:14] Porque foi um medo. Eu já brinquei
[00:55:16] isso há décadas atrás, que o cagaço
[00:55:18] é a maior força da humanidade, mas
[00:55:20] o medo de acontecer
[00:55:22] nos Estados Unidos, aqui e em outros lugares,
[00:55:24] a mesma coisa que aconteceu com os franceses
[00:55:26] no Haiti, foi o que propeliu mudança.
[00:55:28] Mas a gente não toca nesse assunto
[00:55:30] na escola. E o outro
[00:55:32] parêntese que eu queria fazer, o
[00:55:34] Felipe mencionou, José de Patrocínio,
[00:55:36] não sei se eu já contei isso aqui alguma vez. A minha
[00:55:38] avó… Lá vai!
[00:55:40] A minha avó
[00:55:42] psicografou uma carta
[00:55:43] e depois ela
[00:55:46] foi reconhecida com a letra do
[00:55:48] José de Patrocínio, com uma carta de José de Patrocínio.
[00:55:50] Meu Deus, meu Deus.
[00:55:52] Olha o sistema judiciário brasileiro,
[00:55:54] caralho. Parabéns.
[00:55:57] Mas, ô JP,
[00:55:58] olha só. De 54
[00:56:00] até 94, foram
[00:56:02] feitas 18 incursões pra tentar
[00:56:04] destruir o Quilombo dos Palmares.
[00:56:06] Caralho! É uma resistência
[00:56:08] relevante. Sim, e cada vez era
[00:56:10] maior, né? Porque o Quilombo dos
[00:56:12] Palmares chegou a ter, na década de 90,
[00:56:14] 20 mil habitantes. Maior que São Lourenço.
[00:56:18] Só uma curiosidade,
[00:56:20] que existe o
[00:56:22] zumbi, né? Ele foi uma pessoa,
[00:56:24] mas existe também
[00:56:26] um debate, uma discussão
[00:56:28] historiográfica, se não houveram outros
[00:56:30] zumbis também, porque zumbi era
[00:56:32] um título. Ah, é? E não o nome
[00:56:34] do zumbi dos Palmares, que a gente conhece,
[00:56:36] né? Porque, inclusive, tem
[00:56:38] um documento holandês,
[00:56:40] acho que é da década de 40, que
[00:56:42] chama um líder do Quilombo
[00:56:44] de Dambi. E alguns
[00:56:46] historiadores acham que pode ser
[00:56:48] uma corruptela de zumbi,
[00:56:50] que seria um título, na verdade.
[00:56:52] Não tem isso, Felipe? Mas o que significaria,
[00:56:54] então? Não, seria o líder, né?
[00:56:56] Ah, significa líder. É,
[00:56:58] o chefe do Quilombo, o líder do Quilombo.
[00:57:00] Eu, particularmente, gente, sendo bem
[00:57:02] sincero, meu conhecimento de
[00:57:04] história do Brasil, ele não é
[00:57:06] tão aprofundado quanto em outros temas,
[00:57:08] até pela minha atuação profissional, mas…
[00:57:10] Porra, cadê o Icles, então? Ele chamou o cara errado.
[00:57:12] Não, é…
[00:57:13] É interessante, né? Aproveitando,
[00:57:16] inclusive, o que o JP
[00:57:18] falou nessa ligação com
[00:57:19] a Revolução do Haiti. A psicografia?
[00:57:22] Não, não a psicografia, a Revolução do Haiti.
[00:57:24] A palavra zumbi,
[00:57:26] e a origem dos zumbis,
[00:57:28] dos filmes de terror, está
[00:57:29] no voodoo crioulo
[00:57:31] do Haiti. E a palavra
[00:57:34] zumbi, ela, em vários
[00:57:36] idiomas, né? E aí os idiomas
[00:57:38] banto, ela significa
[00:57:40] justamente algo como
[00:57:41] fantasma, algo como
[00:57:43] uma pessoa que não
[00:57:45] morre, ou não morreu, algo
[00:57:47] assim. Então, nesse sentido
[00:57:49] de que o Tucano falou, né? De que
[00:57:51] talvez zumbi pudesse ter tido mais
[00:57:53] de um zumbi dos Palmares, é
[00:57:55] nessa lógica, né? É bastante
[00:57:57] plausível. E tem tudo a ver com a psicografia.
[00:58:02] E no final das contas,
[00:58:04] o quilômetro dos Palmares foi
[00:58:05] destruído, né? Quando chamaram os
[00:58:07] bandeirantes, que é outra farsa, né?
[00:58:09] Da história brasileira.
[00:58:11] O Domingos Jorge Velho, que era um bandeirante,
[00:58:14] ele tinha um exército de bandeirantes,
[00:58:15] e a maioria dos soldados dele tinham
[00:58:18] lutado na África, nas guerras
[00:58:20] dos portugueses contra os holandeses
[00:58:22] na África. Tinham voltado pro Brasil,
[00:58:24] então tinha essa experiência
[00:58:26] militar, mas tinham virado mercenários
[00:58:28] quando vieram pra cá. E aí ele
[00:58:30] reuniu seis mil homens, com
[00:58:31] canhão, com armas, né? Com
[00:58:33] muita munição, e conseguiram
[00:58:36] destruir, capturar o zumbi.
[00:58:38] Tem outra mitologia que eu acho
[00:58:39] interessante de desmistificar,
[00:58:41] aí uma mitologia, uma romantização
[00:58:43] normalmente feita mais à esquerda,
[00:58:46] que é a ideia de que
[00:58:47] o quilombo dos Palmares, né?
[00:58:49] Ou então o zumbi dos Palmares, algo assim,
[00:58:51] eles resistiram
[00:58:53] aos avanços portugueses e tal,
[00:58:55] e parte da capacidade
[00:58:57] de luta deles se devia
[00:58:59] à capoeira. Não, isso
[00:59:01] como eu disse, é uma romantização.
[00:59:03] Os quilombos usavam
[00:59:05] táticas de guerrilha, inclusive
[00:59:07] com armas de fogo, capturados
[00:59:09] os portugueses, né? Então lutavam
[00:59:11] na mata, com arma de fogo,
[00:59:13] com arco e flecha, com
[00:59:15] lanças, faziam ataques
[00:59:17] e se retiravam. A capoeira,
[00:59:19] ela se torna bastante
[00:59:21] presente no Brasil. Posteriormente,
[00:59:24] ela já existia no Brasil,
[00:59:25] obviamente, no período do quilombo dos Palmares.
[00:59:27] Os quilombolas, provavelmente,
[00:59:29] a praticavam, porém,
[00:59:32] não era o motivo
[00:59:33] das vitórias militares
[00:59:35] dos habitantes do quilombo. Era o fato de que
[00:59:37] eles tinham táticas de guerrilha
[00:59:39] bastante avançadas. Os habitantes,
[00:59:41] estavam bem o terreno, conheciam bem
[00:59:43] o terreno, tá? E, então,
[00:59:45] assim, a capoeira, ela é um
[00:59:47] elemento, ela vai ser importante, porém
[00:59:49] a capoeira, ela vai
[00:59:51] se desenvolver mesmo
[00:59:53] é nos centros urbanos, como
[00:59:55] Salvador e Recife, porque a capoeira
[00:59:57] era aquela questão de ser uma arte
[00:59:59] marcial que misturava dança e
[01:00:01] música. Então você conseguia praticar uma
[01:00:03] arte marcial de forma, entre muitas
[01:00:05] aspas aqui, disfarçada.
[01:00:07] Então, essa ligação dos
[01:00:09] quilombos com a capoeira,
[01:00:11] ela é uma visão bastante também
[01:00:13] romantizada. Eles eram bons de
[01:00:15] guerra mesmo. O Felipe tá falando
[01:00:17] que eles atacavam e saíam, eles
[01:00:19] não iam até os locais
[01:00:21] onde tinham os portugueses. É que os portugueses
[01:00:23] vinham pela mata, pela serra
[01:00:25] e eles, como eles dominavam
[01:00:27] a região, eles sabiam
[01:00:29] que a incursão estava vindo.
[01:00:31] E aí eles atacavam antes deles
[01:00:33] conseguirem chegar no quilombo.
[01:00:35] E, como eu falei, que foram 18
[01:00:37] incursões, cada vez que eles faziam
[01:00:39] um ataque desses, eles pegavam as
[01:00:41] armas dos caras que eles tinham atacado.
[01:00:42] É, não vai fazer que nem um magá e vem aqui jogar a arma fora, né?
[01:00:45] Exatamente.
[01:00:58] Acho que podemos ir pra
[01:00:59] Conjuração Mineira, ou
[01:01:01] Inconfidência Mineira.
[01:01:03] Esse debate também. O debate traz
[01:01:05] a construção da figura
[01:01:08] de Tiradentes que
[01:01:09] não é bem assim.
[01:01:11] Conjuração e não Inconfidência, tem uma
[01:01:13] parte dos historiadores que
[01:01:14] defendem isso, porque não era
[01:01:17] a princípio, pelo menos, independentista.
[01:01:19] Eles visavam, ao menos
[01:01:21] no princípio, resolver uma questão
[01:01:23] de impostos, mas não se
[01:01:25] tornar independentes. Eles tramaram
[01:01:27] contra a coroa, mas
[01:01:29] não queriam deixar de ser
[01:01:31] parte da coroa, digamos assim.
[01:01:33] E tem também a questão de que
[01:01:35] o termo Inconfidência
[01:01:37] ele faz
[01:01:39] um julgamento de valor.
[01:01:41] Ele é um traidor.
[01:01:42] Então você desqualifica as pessoas
[01:01:45] que participaram daquilo. E aí, numa
[01:01:47] discussão, numa visão
[01:01:49] que vai colocar a Inconfidência Mineira,
[01:01:51] Conjuração Mineira, como origem
[01:01:53] inclusive do Republicanismo
[01:01:55] do Brasil, e vai transformar
[01:01:57] o Tiradentes em um dos símbolos
[01:02:00] da República, com cara de
[01:02:01] Jesus Cristo, então pega muito mal
[01:02:03] você chamar de Inconfidência. Então tem se adotado
[01:02:05] esse termo, mas é um termo que infelizmente
[01:02:07] assim, Inconfidência
[01:02:09] meio que, entre aspas, já pegou, né?
[01:02:11] Tinha também uma influência grande
[01:02:13] do Iluminismo, né? Da Revolução
[01:02:15] Francesa, da parada toda. Então
[01:02:17] ela incorporou vários caras
[01:02:19] idealistas, além dessa parte prática.
[01:02:21] Peraí, peraí, já tá falando de
[01:02:23] psicografia. Incorporou em que sentido?
[01:02:26] Incorporou no sentido de
[01:02:27] se juntou.
[01:02:30] Poetas, músicos,
[01:02:31] uma galera assim, entendeu?
[01:02:33] Eram líderes da parada. Primeiro já tô incomodado
[01:02:35] com o negócio da capoeira lá.
[01:02:37] Acho que a história é sempre isso, né? Sempre estraga
[01:02:39] com a parada legal. É pra gente continuar
[01:02:41] gostando do Tiradentes ou não?
[01:02:43] É, mas o Tiradentes
[01:02:45] é uma figura
[01:02:47] heróica construída anos
[01:02:49] depois, no século XIX,
[01:02:51] pelo Machado de Assis, pra se
[01:02:53] tornar um herói dos republicanos,
[01:02:55] já que os monarquistas tinham o Dom Pedro
[01:02:57] I como um herói idealizado.
[01:02:59] Ah, entendi. Ele não tinha
[01:03:01] aquela cara de Jesus Cristo, como o Felipe
[01:03:03] falou. Que não foi uma figura
[01:03:05] criada também pra ser assim.
[01:03:07] Ele era líder e ele não foi
[01:03:08] enforcado porque ele era pobre.
[01:03:11] Como falavam durante um tempo, que
[01:03:13] falavam assim, não, os ricos se safaram
[01:03:15] e ele era o elo
[01:03:17] mais fraco da corrente e ele foi…
[01:03:19] Não, não. Ele era um militar, ele tinha origem
[01:03:21] militar. Alferes. É, Alferes.
[01:03:23] O nome Tiradentes é porque eu acho que lá
[01:03:25] no quartel, não sei o que, ele também
[01:03:27] arrancava o dente das pessoas. Não, não, não.
[01:03:29] Ele praticou o ofício, né?
[01:03:31] Tocando cuidado pra você não destruir a imagem
[01:03:33] do Doc Holiday brasileiro pro Azaghal.
[01:03:37] O pai dele teve quatro filhos.
[01:03:38] Acho que o mais velho virou padre.
[01:03:41] Eu não sei se ele era o segundo ou o terceiro
[01:03:43] e tal. Ele teve uma educação
[01:03:45] boa, o pai dele tinha dinheiro, só que
[01:03:47] os pais dele morreram. O padre, inclusive, fazia parte
[01:03:49] da congelação. Os pais dele
[01:03:51] morreram e ele foi criado
[01:03:53] pelo padrinho dele, que
[01:03:55] também era um cara de posses e tal.
[01:03:57] O padrinho dele era dentista.
[01:03:59] Era Tiradentes. E no caso
[01:04:01] ele não só tirava dente,
[01:04:03] ele fazia prótese, ele era
[01:04:05] meio médico também.
[01:04:06] Meio médico.
[01:04:08] O ofício se misturava ali, tá ligado?
[01:04:10] Na época do Velho Oeste, eu tava estudando
[01:04:12] aí pro Nerdcast que vai acontecer,
[01:04:14] os barbeiros eram dentistas
[01:04:16] e médicos, sabia? Aquele pirulito
[01:04:18] que fica girando lá é pra
[01:04:20] vermelho e branco. É pra mostrar que eles sabiam medicina,
[01:04:22] que eles sabiam… Mas ser médico
[01:04:24] no Velho Oeste era só querer? Exatamente.
[01:04:26] A galera que tinha treinamento técnico
[01:04:28] era pouca. Mas era um lugar
[01:04:30] que tu ia cortar o cabelo e arrancar o siso, sacou?
[01:04:32] É. Ou fazer a sangria.
[01:04:34] Exato. Voltando ao Tiradentes,
[01:04:37] ele era
[01:04:38] um dos líderes da parada, porque
[01:04:40] ele conhecia o caminho
[01:04:42] que dava o rio
[01:04:44] a Minas. Porra, cara, você não consegue
[01:04:46] tirar Jesus da parada, cara. Ele conhecia
[01:04:48] o caminho. Ele conhecia
[01:04:50] o caminho. Não, mas ele foi
[01:04:52] o responsável por construir a
[01:04:54] estrada que levava do rio a
[01:04:56] Minas. Porque tinha que cruzar
[01:04:58] a serra, né? Olha aí,
[01:05:00] Azaghal, tantas viagens
[01:05:02] pra São Lourenço.
[01:05:04] Trilhando os caminhos de Tiradentes.
[01:05:07] Isso quando ele
[01:05:08] já era alférez, né? Só que
[01:05:09] o Tiradentes, ele era
[01:05:11] o maior proprietário de terras da
[01:05:13] Serra da Mantiqueira. Ele tinha dezenas de
[01:05:15] minas de ouro. De ouro? De ouro, lógico.
[01:05:17] Eu achei que ele vendia banana na…
[01:05:19] Não, ele começou vendendo banana.
[01:05:21] Ah, aquele banana na estrada, banana ouro.
[01:05:23] Ele começou com isso, ele entrou
[01:05:25] pro exército, né? Virou alférez. Como o
[01:05:27] JP falou, ele fez a
[01:05:29] estrada, né? Que ele conhecia
[01:05:31] e tal. Não foi ele que botou a mão na
[01:05:33] massa, mas ele que ia guiando a galera.
[01:05:35] Perto dessas estradas tinha umas terras
[01:05:37] e ele conseguiu que a coroa,
[01:05:39] desce pra ele uma quantidade
[01:05:41] enorme de terras. Ele fez permuta,
[01:05:44] eu vou construir aqui a estrada, eu ganho acostamento?
[01:05:45] Não, tinha essa parada, né? De que algumas
[01:05:47] pessoas eram beneficiadas com
[01:05:49] pedaços de terra. Lógico, o cara
[01:05:51] tem que desenvolver. Se o cara tem uma mina,
[01:05:53] ele vai ter que pagar o imposto pra coroa.
[01:05:56] E se ele mostrasse que
[01:05:57] ele poderia ser produtivo, inclusive
[01:05:59] ele mentiu o número de escravizados que ele tinha
[01:06:02] pra conseguir essas minas. Mas mentiu
[01:06:04] pra mais ou pra menos? Foi uma lista de…
[01:06:05] Pra mais, pra mais. Pra falar, não, não,
[01:06:07] tem uma galera aqui pra tirar o ouro, entendeu?
[01:06:09] Então ele era um puta proprietário de terra.
[01:06:12] E a parada toda foi por causa de
[01:06:13] uma questão de impostos. Porque
[01:06:15] no ano de 1789,
[01:06:18] quando aconteceu,
[01:06:19] o que acontece? O ouro, né? Você tem
[01:06:21] dois tipos de ouro. O ouro superficial,
[01:06:24] que é fácil de tirar, e o ouro que
[01:06:25] tá mais pra dentro da terra. Esse
[01:06:27] ouro que tá mais pra dentro da terra, nessa época,
[01:06:30] não existia tecnologia
[01:06:31] avançada pra retirar. Já tinham
[01:06:33] tirado tanto ouro superficial que ele
[01:06:35] tava ficando cada vez mais escasso.
[01:06:37] E a coroa brasileira, na portuguesa,
[01:06:39] na verdade, tinha
[01:06:41] uma cota de quanto…
[01:06:43] Tal qual o Leopoldo II tinha a
[01:06:45] cota de latex que os nativos
[01:06:47] tinham que trazer, senão ele cortava a mão.
[01:06:50] A coroa portuguesa tinha uma
[01:06:51] cota anual de ouro que
[01:06:53] você tinha que extrair. Tinha a meta.
[01:06:56] Tinha a meta, exato. E nesse ano
[01:06:57] a derrama, que é esse imposto,
[01:06:59] tava chegando a oito toneladas de ouro
[01:07:01] deficitário. Faltava oito toneladas
[01:07:03] de ouro. E aí, a coroa
[01:07:05] portuguesa falou assim, então, beleza, a gente
[01:07:07] vai entrar em todas as casas das Minas Gerais
[01:07:09] aí e vai tirar tudo de valor que tem
[01:07:11] até chegar a essas oito toneladas.
[01:07:13] Você tá vendo porque o europeu tem que calar a boca?
[01:07:16] Só calar a boca. Reclamou a
[01:07:17] demigração, cala a boca. A galera
[01:07:19] ficou putaça, todo mundo, né?
[01:07:21] Porque falou assim, mas eu nem mina de ouro tenho
[01:07:23] e eu vou ter que pagar essa merda? E aí
[01:07:25] começou a rolar rumores
[01:07:27] de que ia ter uma revolta.
[01:07:29] O governador das Minas Gerais
[01:07:31] ficou sabendo, né, do zum zum zum
[01:07:34] e foi avisar o governo
[01:07:35] imperial. Não tinha condições de
[01:07:37] cobrar a derrama. Falou assim, ó, majestade,
[01:07:39] esse trem já partiu.
[01:07:41] Se a gente cobrar da população,
[01:07:44] a galera vai se rebelar.
[01:07:46] Ele falou assim, então, cobra dos
[01:07:47] devedores. E aí, beleza. E aí, falando
[01:07:49] assim, então, vai ser isso. A gente vai
[01:07:51] tomar tudo dos devedores até
[01:07:53] chegar a quantia que eles devem pra gente.
[01:07:56] Um dos maiores devedores
[01:07:57] é um tal de Silvério dos Reis.
[01:08:00] E aí, pra ele se livrar
[01:08:01] da dívida, o que que ele faz? Ele
[01:08:03] denuncia os líderes do movimento.
[01:08:06] É, ele fala assim, então,
[01:08:07] tem um tal de Tiradentes ali, ó.
[01:08:09] Tem cara de Jesus. Tá vendo ali?
[01:08:13] Caralho.
[01:08:13] Melhor interpretação. Aí, aula de
[01:08:15] teatro de história é isso, cumpadre. Nunca mais
[01:08:17] vou esquecer. Usa a corda
[01:08:19] de gravata.
[01:08:22] E aí,
[01:08:23] eles foram atrás dos líderes. O
[01:08:25] Tiradentes era um dos líderes. E eu
[01:08:27] não sei se por ingenuidade, por
[01:08:29] coragem, qual foi. Todo mundo
[01:08:31] negou. E o Tiradentes, não, fui eu mesmo.
[01:08:33] Eu tô pras cabeças aí, malandro.
[01:08:35] Mas é a historinha que a gente ouve, né?
[01:08:37] É. E aí, ele foi assassinado.
[01:08:39] Mas não tem a história que não foi?
[01:08:41] Tem. Que era um dublê de corpo do Tiradentes?
[01:08:43] Caralho, o clone do Tiradentes,
[01:08:45] é isso? Tiradentes. Vocês nunca
[01:08:47] ouviram essa história? O verdadeiro Tiradentes
[01:08:49] morreu num acidente de carro, não foi?
[01:08:52] Eu já ouvi
[01:08:53] isso. Eu não sei se é verdade ou não.
[01:08:55] A história que eu ouvi é que o Tiradentes
[01:08:57] não morreu enforcado. Ele, de fato.
[01:08:59] Que era uma… Pegaram um cara parecido
[01:09:01] com Jesus e enforcaram no lugar dele,
[01:09:03] entendeu? Mas a que propósito?
[01:09:04] Ele molhou a mão de alguém e falou assim, ó,
[01:09:06] pega aquele cara ali. Ele tinha algumas costas
[01:09:08] quentes, alguma coisa assim. Fez um acordo
[01:09:11] lá. Entendi. Aí, como não tinha rede
[01:09:12] social na época, ninguém sabia direito a
[01:09:14] cara do cara. É isso. Ah, esse aqui deve
[01:09:16] ser o Tiradentes. Isso, muito provavelmente, é
[01:09:18] teoria da conspiração. Acho que não…
[01:09:20] Ah, mas é engraçado que eu não ouvi tu falar nada da
[01:09:22] carta psicografada.
[01:09:26] Isso daí
[01:09:26] foi reconhecido em cartório.
[01:09:29] Tuxê!
[01:09:31] Eu não quis
[01:09:33] agredir as
[01:09:34] crenças religiosas de
[01:09:36] uma antepassada de um tão
[01:09:38] digno nerdcaster, só isso.
[01:09:40] Olha aí. Ela podia acreditar mesmo
[01:09:42] que ela tava psicografando. Não quer dizer que
[01:09:44] ela tava, só porque ela acreditava.
[01:09:46] É isso. Você não vai agredir nada. Você tem mais
[01:09:48] intimidade com o JP do que eu, pra falar isso.
[01:09:52] Mas então,
[01:09:52] Tiradentes…
[01:09:54] O que a gente brincou sobre a aparência
[01:09:56] de Jesus, tem outra coisa que eu vou estragar
[01:09:58] após a Gal agora, mas que é bom lembrar que é assim.
[01:10:01] Quando as pessoas pensam em Tiradentes,
[01:10:02] olha lá na moeda de cinco centavos, se alguém ainda
[01:10:04] tem uma moeda, vê lá o cara barbudo,
[01:10:07] cabeludo, sendo enforcado. Quando a
[01:10:08] pessoa era presa, por causa de piolho,
[01:10:10] eles cortavam o cabelo e a barba.
[01:10:12] A pessoa não tinha cabelo e barba quando ela era
[01:10:14] presa no período, por causa de piolho.
[01:10:16] E além disso, ele nunca teve cabelão na vida
[01:10:18] porque ele era militar. E nem barba,
[01:10:20] ele tinha no máximo um bigodinho. Pois é.
[01:10:23] Então assim, só que aí criaram
[01:10:25] uma imagem explicitamente
[01:10:27] inspirada na imagem
[01:10:28] que se convencionou associar
[01:10:30] a Jesus Cristo. Ele é o mártir.
[01:10:32] Morreu pelos pecados da humanidade. Tiradentes
[01:10:34] morreu pelos pecados de Portugal
[01:10:37] barra da monarquia. É, faz
[01:10:38] sentido na hora de criar um mito
[01:10:40] e tal, com certeza. Ó, você tá falando
[01:10:43] de Machado de Assis, né, amigo? O cara era
[01:10:44] pouca boça, né? E pra quem já foi no
[01:10:46] Museu do Ipiranga, né, lá embaixo tem um
[01:10:48] mausoléu de Pedro I e tem os
[01:10:50] monumentos. E tem o monumento da Confidência Mineira.
[01:10:53] Tiradentes é igualzinho Oswaldo
[01:10:54] Montenegro. É igualzinho.
[01:10:57] A estátua de Tiradentes foi
[01:10:58] feita com uma foto do Oswaldo Montenegro,
[01:11:00] tenho certeza. Mas em que fase?
[01:11:01] Que fase?
[01:11:04] Voa fundo!
[01:11:08] Conjuração Baiana.
[01:11:12] Famosa revolta dos
[01:11:13] afaiates. A Conjuração Baiana
[01:11:15] foi importantíssima porque
[01:11:17] ela foi, provavelmente,
[01:11:20] a principal revolta
[01:11:22] no Brasil, inspirada
[01:11:24] por princípios
[01:11:25] iluministas, no sentido
[01:11:27] de que defendia a abolição
[01:11:29] da escravatura, estabelecimento de
[01:11:31] uma república, direitos
[01:11:33] iguais para todos
[01:11:35] os cidadãos, claro, todos, no caso, os cidadãos
[01:11:37] homens, abertura de portos,
[01:11:40] todo esse processo. Não é
[01:11:41] coincidência, né, de que
[01:11:43] as cores da Conjuração Baiana
[01:11:46] eram o azul,
[01:11:47] vermelho e branco, que nem as
[01:11:49] cores da Revolução Francesa, e por
[01:11:51] isso são, posteriormente,
[01:11:54] as cores do Estado
[01:11:56] da Bahia e do time
[01:11:58] Bahia de Salvador,
[01:11:59] que são as cores da bandeira francesa.
[01:12:01] Essa, com certeza, teve
[01:12:03] inspiração na Revolução Haitiana
[01:12:06] e também um pouco da independência
[01:12:07] dos Estados Unidos, né. E ela foi um movimento
[01:12:09] mais popular, né, do que…
[01:12:11] Totalmente, totalmente. A independência
[01:12:14] dos Estados Unidos foi um evento
[01:12:15] geopolítico muito
[01:12:18] marcante, como uma
[01:12:19] grande derrota do Reino Unido
[01:12:22] e perder uma colônia tão
[01:12:23] poderosa e rica, e, enfim,
[01:12:25] a Revolução Francesa vem depois na carona,
[01:12:28] né, e a consequência de outras
[01:12:29] revoluções, né, de mudança
[01:12:31] da ordem mundial mesmo, que são desencadeadas
[01:12:34] assim, muito nessa época
[01:12:35] dessas grandes independentes.
[01:12:37] Tudo meio que consequência do outro, né.
[01:12:40] Teve a independência dos Estados Unidos
[01:12:42] que inspirou
[01:12:44] em parte a Revolução Francesa.
[01:12:46] A Revolução Francesa chegou no
[01:12:48] Haiti, que era uma colônia francesa.
[01:12:50] O pessoal, porra, que legal!
[01:12:52] Então quer dizer que é todo mundo
[01:12:53] liberdade, fraternidade, igualdade?
[01:12:55] Aí os franceses falaram assim, é, não, mas
[01:12:58] só aqui, tá? Vocês, não.
[01:13:00] Aí eles falaram assim, não, tudo bem,
[01:13:02] mas nós somos 90%
[01:13:03] de escravizados pretos
[01:13:05] e vocês são 10% dos brancos.
[01:13:07] Acho que a gente vai tomar o poder aqui
[01:13:09] e matar todo mundo, tudo bem?
[01:13:11] E foi o que aconteceu, né?
[01:13:12] A Revolução Americana, ela mostrou que era possível
[01:13:15] derrotar um colonizador.
[01:13:17] Exato, né, exatamente. Até então, né,
[01:13:20] nenhum desafio desse tamanho tinha acontecido.
[01:13:22] É claro que a França ajudou.
[01:13:23] Sim. Não, a França não ajudou.
[01:13:25] Desculpa, gente, a guerra de dependência dos Estados Unidos,
[01:13:28] ao contrário daquela bosta daquele filme
[01:13:29] do Mel Gibson,
[01:13:31] foi uma guerra entre britânicos
[01:13:34] e franceses. Não tinha um francês só,
[01:13:36] não tinha.
[01:13:37] As 13 colônias
[01:13:39] foram um dos teatros da guerra,
[01:13:41] né, foi um dos pretextos da guerra,
[01:13:43] né, porque a gente teve conflito em Gibraltar,
[01:13:45] a gente teve batalha em Senegal.
[01:13:47] Assim, 90% da pólvora
[01:13:49] que o exército continental usou na guerra
[01:13:51] veio da França. Se não fosse a França,
[01:13:53] os Estados Unidos chamavam o Canadá do Sul.
[01:13:55] Isso, e deixa eu te falar uma parada.
[01:13:58] Recentemente, os franceses
[01:13:59] falaram que iam levar de volta
[01:14:01] a Estátua da Liberdade
[01:14:03] e aí a porta-voz da Casa Branca
[01:14:05] chegou e falou assim, eu quero lembrar,
[01:14:07] os franceses, que se não fossem os
[01:14:09] estadunidenses, a França estaria falando
[01:14:11] alemão. Nossa, ela levantou uma,
[01:14:13] olha, é tão bom ver gente burra
[01:14:15] se achando inteligente, né?
[01:14:17] Pois é, porque se não fosse os franceses,
[01:14:19] seria uma colônia inglesa
[01:14:21] até hoje. Sua desgraçada
[01:14:24] barbe fascista. Se não
[01:14:25] fosse a França, o México
[01:14:27] era a principal potência do mundo
[01:14:29] porque eles teriam o ouro da Califórnia.
[01:14:31] Exato, é isso aí mesmo.
[01:14:33] Mas voltando pra conjuração baiana.
[01:14:35] Não confundir com a
[01:14:37] inderela baiana.
[01:14:39] Como confundir? Como seria possível confundir?
[01:14:43] Cada um tem sua importância.
[01:14:47] Exatamente.
[01:14:47] E tem que levar em consideração
[01:14:49] nesse cenário aí que a capital do Brasil
[01:14:51] era Salvador e tinha sido transferida
[01:14:53] pro Rio de Janeiro, né? E isso
[01:14:55] fez com que a cidade desse
[01:14:57] um downgrade, né? É, perde
[01:14:59] relevância, né? E deixa de ser
[01:15:01] um centro econômico importante.
[01:15:03] A capital de um país, né? Por que que mudaram
[01:15:05] de Salvador pro Rio de Janeiro?
[01:15:07] Por causa do Projac, alguma coisa assim?
[01:15:09] Por causa do Projac!
[01:15:12] Mudaram porque era
[01:15:13] o porto mais fácil
[01:15:15] de se conectar às Minas Gerais.
[01:15:17] Porque o centro econômico
[01:15:19] e cultural naquele momento
[01:15:21] eram as Minas Gerais. Tanto que a primeira
[01:15:23] ideia de interiorização da
[01:15:25] capital, né? Do que viria a ser
[01:15:27] Brasília depois, é ainda
[01:15:29] no século XVIII com Dom Rodrigo de Souza
[01:15:31] Coutinho, que queria a capital do Império Português,
[01:15:34] tá? A capital sair de Lisboa
[01:15:36] e ir para o interior do Brasil.
[01:15:37] Onde ela seria intransponível,
[01:15:39] não poderia ser atacada por outros potências
[01:15:41] e seria mais ou menos onde hoje é Belo Horizonte.
[01:15:44] Mas aí, como você tinha ali
[01:15:45] a Estrada Real, você tinha o escoamento
[01:15:47] de ouro, né? Principalmente pelo Rio de Janeiro.
[01:15:49] O Rio de Janeiro se torna, né? O principal porto.
[01:15:51] Porque aí sempre tem alguém que pergunta
[01:15:53] mas e o Porto de Santos? O Porto de Santos
[01:15:55] ele é muito importante. Mas o Porto de Santos
[01:15:57] enfrenta uma questão geográfica muito grande
[01:15:59] que é a Serra do Mar, né? Justamente
[01:16:01] a Grande Muralha. Lembra da série da Globo,
[01:16:03] né? A Muralha. Então, a
[01:16:05] conexão entre Santos e interior,
[01:16:07] ela sempre foi um pouco complicada.
[01:16:09] Eu nunca vi essa série da Globo, eu sei qual é.
[01:16:11] Eu só conheci de nome. E a Muralha,
[01:16:13] é isso a Muralha? É a Serra de
[01:16:15] Santos para São Paulo, é isso? Isso, é a Serra.
[01:16:18] Puta, que coisa incrível.
[01:16:20] A gente tem a nossa Muralha!
[01:16:21] Ô, Tucano! Ô, Tucano,
[01:16:23] o que você fez? Que você foi mandado para a Muralha,
[01:16:25] Tucano? Amanhã eu vou no
[01:16:27] médico e vou ter que subir a Muralha.
[01:16:29] E a gente é muito vira-lata mesmo, né?
[01:16:31] Ficar pagando pau para Jorge Martin
[01:16:33] com a nossa própria Muralha.
[01:16:37] Exato.
[01:16:38] Agora, você que tocou aí
[01:16:39] um negócio de capital, né? O Juscelino
[01:16:41] era um safado, né? Mineirinho
[01:16:43] safado. Ele fez a capital
[01:16:45] ir para Minas Gerais sem
[01:16:47] ser em Minas Gerais. Como assim?
[01:16:49] Porque ele era mineiro, né?
[01:16:51] E aí ele falou, não, eu
[01:16:53] vou mudar a capital para o interior
[01:16:55] do Brasil. Aí,
[01:16:57] ele falou, mas não vai ser no meu
[01:16:59] estado, não. Vai ser em Goiás.
[01:17:01] E ele faz Brasília
[01:17:03] bem na fronteira com Minas Gerais,
[01:17:05] tá ligado? Isso é uma treta
[01:17:07] até hoje, né? Roubou um território de Goiás
[01:17:09] que ninguém engoliu até hoje.
[01:17:11] Mas assim, a demarcação
[01:17:13] de onde seria a capital foi bem antes do JK,
[01:17:15] assim, tentando defender aí
[01:17:17] o legado de JK. Ah, é?
[01:17:19] É, a demarcação… Qual foi o outro mineiro
[01:17:21] aqui?
[01:17:23] Otto Lara Rezende.
[01:17:26] Eu era solidário
[01:17:27] no canso. Eu tenho uma
[01:17:29] carta, não é psicografada.
[01:17:32] A Sara Kubitschek acreditava,
[01:17:35] então… Mas é uma carta assinada,
[01:17:37] pelo Juscelino Kubitschek,
[01:17:38] agradecendo a minha avó. Olha aí. Ah, não.
[01:17:41] É verdade. Eu tenho. Agradecendo
[01:17:43] o que, exatamente? A minha avó…
[01:17:44] Qual das três avós, antes de mais nada?
[01:17:48] A minha avó é das
[01:17:49] chamadas pioneiras. Ela era de
[01:17:51] Anápolis, Goiás, e ela foi pra
[01:17:53] Brasília. Ela era funcionária dos Correios
[01:17:55] e foi pra lá, na construção
[01:17:57] de Brasília, pra trabalhar numa
[01:17:59] agência dos Correios que tinha lá. Caraca.
[01:18:01] A tua avó é mãe do teu pai?
[01:18:03] Mãe da minha mãe. Ah, bom. Se não, eu ia
[01:18:05] falar, tipo, o que aconteceu, né?
[01:18:07] Era a Sampota, fudeu tudo.
[01:18:09] Caralho, do nada. Não, mas o Tucano
[01:18:11] fala isso publicamente. Não, pode cortar,
[01:18:13] se for demais. Não, não contei, mas contarei
[01:18:15] isso no Nerdcast 1000. Do teu pai?
[01:18:17] É, sobre meu pai. Mas você já falou um pouco,
[01:18:19] mas, enfim. Não falei, só falei que ele era
[01:18:21] mercenário, queria ser mercenário
[01:18:23] em Angola. Ah…
[01:18:24] Tem mais coisa pra falar.
[01:18:27] E eu tenho essa carta aqui, cara, até hoje.
[01:18:29] Assinada pelo J.K. Mas ela tá em…
[01:18:31] Mas, calma. O que que diz a carta?
[01:18:34] Agradecendo. Você tem a carta?
[01:18:35] Lê aí, cara. Gente, a carta
[01:18:37] tá guardada numas pastas lá,
[01:18:39] num depósito. Ah,
[01:18:41] caralho, cara. E tu não digitalizou
[01:18:43] essa porra? Não, mas eu… Pô, tipo, a carta do
[01:18:45] presidente, a grana, ele devia estar na parede,
[01:18:47] porra. Uma vez, eu quase fui pra Minas,
[01:18:49] porque a Ana Maria Braga
[01:18:50] foi pra São João Del Rey,
[01:18:53] ou São José Del Rey? São João Del Rey.
[01:18:55] Que a gente ouviu lá, que a gente falava que era
[01:18:56] São João Léo Rei.
[01:18:59] E ela ia
[01:19:00] dar um carro pra quem trouxesse
[01:19:02] alguma coisa, eu não sei se
[01:19:04] assinada pelo J.K. ou relacionada,
[01:19:07] o J.K. Que isso?
[01:19:08] Ia dar um carro, ia dar um carro.
[01:19:10] A Bárbara chegou e falou assim,
[01:19:13] se a gente pegar um avião, vai lá e pega
[01:19:15] um carro, hein? Mas não deu tempo.
[01:19:16] Mas, assim, essa parada dos pioneiros de
[01:19:19] Brasília e dos candangos, etc.,
[01:19:21] eu tenho aprendido a apreciar
[01:19:23] um pouco o Brasília. Eu acho o seguinte, que se os Estados
[01:19:25] Unidos tivessem feito a empreitada que foi
[01:19:27] Brasília, já teria tido 89
[01:19:28] filmes e séries sobre essa porra, já teria
[01:19:31] ganho 50 Oscars, porque foi
[01:19:33] realmente um negócio muito impressionante.
[01:19:35] Tem toda uma questão, obviamente,
[01:19:37] socioeconômica muito condenável
[01:19:39] em relação aos candangos, posteriormente,
[01:19:41] mas foi um negócio
[01:19:43] absurdo, considerando ainda
[01:19:45] mais a época em que aquilo foi feito. E tudo
[01:19:47] graças à vó do Tucano.
[01:19:50] Mas ele assinou a carta
[01:19:51] mesmo? Ou foi…
[01:19:53] Assinou o caralho. Carimbo, né?
[01:19:56] Ele tinha um
[01:19:57] PNG da própria Senatura e ele
[01:19:59] botava no PDF. PNG transparente,
[01:20:01] olha aí. Eu vou digitalizar e mandar
[01:20:03] aí pra vocês. Não, você tem que botar
[01:20:05] no teu liquedinho, maluco.
[01:20:07] Mas a pergunta é,
[01:20:09] tá reconhecido em cartório?
[01:20:12] Mas é válido.
[01:20:13] É super válido.
[01:20:15] Reconhecimento em cartório do
[01:20:16] JK, porra.
[01:20:19] Conjuração baiana, voltando.
[01:20:22] Desculpe, gente.
[01:20:23] Um aspecto muito cruel
[01:20:24] da Conjuração Baiana, como o Tucano mencionou,
[01:20:27] ela foi… Algumas das principais
[01:20:29] lideranças foram
[01:20:30] alfaiates, por isso que ela teve esse nome
[01:20:32] de Revolta dos Alfaiates. A maior parte
[01:20:35] das lideranças foram
[01:20:36] executadas na Forca. E
[01:20:38] o lugar das execuções,
[01:20:41] assim como também era um lugar onde
[01:20:42] às vezes eram executados pessoas
[01:20:44] escravizadas que cometeram crimes,
[01:20:47] se chama, até hoje, em
[01:20:48] Salvador, Praça da Piedade.
[01:20:51] Porque a execução
[01:20:52] era um ato de, entre aspas,
[01:20:55] benevolência, a piedade.
[01:20:57] Tá vendo o que é o controle da
[01:20:58] linguagem? É isso. Essa é a origem,
[01:21:01] uma das origens do bairro da
[01:21:02] Liberdade, aqui em São Paulo. Sim, isso é
[01:21:05] verdade. Onde as pessoas,
[01:21:06] eram executadas também. Inclusive, o
[01:21:08] bairro da Liberdade tem toda uma
[01:21:10] história que, né, que tá surgindo
[01:21:12] recentemente. Não surgindo não, mas existia.
[01:21:14] Tá vindo à luz pro público geral que a gente
[01:21:16] desconhecia, né? A fundação da
[01:21:18] região não tem nada a ver com cultura
[01:21:20] asiática e tal. Exatamente, é.
[01:21:22] Os asiáticos, na verdade, especialmente japoneses,
[01:21:24] eles chegavam e iam morar na Liberdade
[01:21:26] porque, como era historicamente
[01:21:28] um bairro de pessoas negras,
[01:21:30] era um bairro onde você tinha
[01:21:32] cortiços de aluguel barato, que esses
[01:21:34] imigrantes pobres e
[01:21:36] sem trabalho conseguiam alugar. Uma
[01:21:38] parada que, assim, a Conjuração
[01:21:40] Baiana foi muito importante porque
[01:21:42] ela foi inspiradora,
[01:21:44] mas ela não chegou, de fato,
[01:21:46] a acontecer, né? Ela ficou…
[01:21:48] É, porque ela foi suprimida.
[01:21:50] Ela foi suprimida. Eles tinham
[01:21:52] planejado a parada toda.
[01:21:54] Tava rolando o boato que ia acontecer.
[01:21:56] Então, as autoridades estavam um pouco
[01:21:58] ligadas. Aí, de repente,
[01:22:00] uns caras imprimiram
[01:22:02] uns manifestos
[01:22:04] e saíram pregando. Não imprimiram
[01:22:06] não. Não imprimiram, não. Foi
[01:22:08] psicografado.
[01:22:10] Bom, mas aí era uma produção em massa,
[01:22:12] né? Porque eles pregaram em vários
[01:22:14] lugares lá. Mas é verdade. Foi
[01:22:16] escrito à mão porque
[01:22:17] descobriram um dos caras que escreveu
[01:22:20] pela caligrafia. Então foi realmente trabalho
[01:22:22] em massa. Porque eles saíram pregando.
[01:22:24] Pô, tava crente que o JP ia falar de caligrafia
[01:22:26] reconhecido em cartório, velho.
[01:22:29] Eu soltei
[01:22:30] a bola e ele não chutou. Não, não.
[01:22:33] Aí, eles meio
[01:22:34] que anteciparam algumas coisas que
[01:22:36] aconteciam e as autoridades foram atrás
[01:22:38] da parada e abafaram antes
[01:22:40] mesmo, né? Deram spoiler.
[01:22:42] Deram spoiler, né?
[01:22:44] Eles queriam incentivar
[01:22:46] a população, né? Porque tinha o movimento
[01:22:48] já. Tinha os líderes,
[01:22:50] tinha a galera toda aderindo,
[01:22:52] mas eles queriam espalhar
[01:22:54] isso pela população. Porque até
[01:22:56] hoje, né? Salvador é a cidade
[01:22:58] maior cidade negra
[01:23:00] fora da África, né? E tinha os
[01:23:02] escravizados, tinha os que tinham sido
[01:23:04] alforreados. E eles queriam juntar,
[01:23:06] mais gente. E eles chegaram e escreveram
[01:23:08] lá. E também os comerciantes
[01:23:10] e das camadas mais pobres, os líderes
[01:23:12] eram alfaiates, mas tinham sapateiros
[01:23:14] também, tinham soldados. Eles queriam
[01:23:16] espalhar isso e fizeram
[01:23:18] panfletos e botaram na porta
[01:23:20] de igrejas, botaram em postes
[01:23:22] e tal, não sei o quê. E aí a galera
[01:23:24] começou a investigar. E aí descobriram
[01:23:26] um cara, prenderam ele.
[01:23:28] Esse cara delatou todo mundo. E aí
[01:23:29] prenderam e mataram todo mundo.
[01:23:31] Daí a consequência final da parada.
[01:23:34] Não teve, foi isso.
[01:23:36] Por isso que eu falei, foi uma
[01:23:38] revolução que não chegou a ser, né?
[01:23:40] A consequência é paletó de madeira.
[01:23:42] Ah, sem nem isso. Mas ela foi
[01:23:44] importante como inspiração
[01:23:46] pra movimentos futuros, né?
[01:23:48] Isso foi em 1798, já
[01:23:50] tava meio que próximo da independência
[01:23:52] do Brasil.
[01:23:57] E assim, antes da gente encerrar com a revolução
[01:24:00] pernambucana, né? Ou também a revolução
[01:24:02] dos padres, né? A revolução do Frey Caneca.
[01:24:04] Talvez seja interessante, né?
[01:24:06] A gente lembrar rapidamente, né? De algumas
[01:24:08] outras. No começo, né? A gente falou de
[01:24:10] guerra da Confederação dos Tamoios, da guerra
[01:24:12] contra o Quilombo de Palmares, como exemplos
[01:24:14] dessas guerras
[01:24:16] contra indígenas e contra
[01:24:18] pessoas escravizadas fugitivas.
[01:24:20] Nós também tivemos, durante
[01:24:22] o período colonial, muitas
[01:24:24] guerras entre
[01:24:26] pessoas de diferentes regiões
[01:24:28] do que hoje é o Brasil,
[01:24:30] disputando algum recurso natural
[01:24:32] ou alguma atividade econômica,
[01:24:34] né? Então, por exemplo, nós tivemos
[01:24:36] a Guerra dos Emboabas, que era basicamente
[01:24:38] uma guerra entre portugueses
[01:24:40] e bandeirantes paulistas, pela
[01:24:42] exploração do ouro no que hoje é
[01:24:44] Minas Gerais. Nós tivemos a Guerra
[01:24:46] dos Mascates, entre
[01:24:48] os senhores de engenho do que
[01:24:50] basicamente hoje é Pernambuco,
[01:24:52] contra os mercadores.
[01:24:54] Nós tivemos as revoltas do sal, né?
[01:24:56] Nós tivemos várias revoltas do sal
[01:24:58] por conta dos impostos
[01:25:00] em relação à exploração
[01:25:02] e comércio do sal. E o sal era
[01:25:04] muito importante pro comércio
[01:25:06] da carne vermelha, né?
[01:25:08] Da carne bovina. Você fazia carne seca,
[01:25:10] você fazia charque, e o sal pra isso
[01:25:12] era importantíssimo. Então, se você tinha um imposto
[01:25:14] sobre o sal, você tinha
[01:25:16] ali um problema econômico, você
[01:25:18] tinha uma revolta consequente sobre isso.
[01:25:20] Assim como nós tivemos a revolta
[01:25:22] da cachaça, né? Quando as autoridades
[01:25:24] do Rio de Janeiro, que tinham
[01:25:26] o monopólio do comércio de
[01:25:28] bebidas alcoólicas em geral, mas
[01:25:30] especialmente vinho, e queriam começar a cobrar
[01:25:32] impostos da produção de cachaça,
[01:25:34] especialmente a produção artesanal,
[01:25:36] muitas vezes feitas
[01:25:38] pelas pessoas escravizadas, inclusive,
[01:25:40] com alambiques improvisados.
[01:25:42] Uma que é muito curiosa, mas que é
[01:25:44] pouco conhecida, porque ela é muito mais…
[01:25:46] Ela é quase anedótica, né?
[01:25:48] É a chamada aclamação do Amador
[01:25:50] Bueno, que foi uma revolta
[01:25:52] na atual cidade
[01:25:54] de São Paulo, não a capitania de São Paulo,
[01:25:56] mas a atual cidade de São Paulo, né? Que na época
[01:25:58] era São Paulo dos Campos de Piratininga.
[01:26:00] Foi uma revolta
[01:26:02] contra os jesuítas e
[01:26:04] contra os portugueses.
[01:26:06] No meio dessa revolta, o
[01:26:08] administrador da cidade, né?
[01:26:10] Que era o capitão amor Amador Bueno,
[01:26:12] ele é aclamado
[01:26:14] rei de São Paulo, logo depois ali
[01:26:16] do período da União Ibérica,
[01:26:18] ali em 1641, 1642,
[01:26:20] não lembro de cor. Essa monarquia de São
[01:26:22] Paulo é foda, mano.
[01:26:25] Então, assim, nós tivemos
[01:26:26] várias outras revoltas,
[01:26:28] que, claro, a gente não tem como passar,
[01:26:30] mas eu acho interessante pra quem estiver nos ouvindo,
[01:26:32] e isso não é um fenômeno exclusivamente brasileiro,
[01:26:34] né? Mas essas disputas, especialmente
[01:26:36] por recursos ou atividades econômicas,
[01:26:38] ou então revoltas contra
[01:26:40] impostos. A gente brincou
[01:26:42] um pouco sobre Portugal lá no começo,
[01:26:44] agora Portugal fez uma
[01:26:46] coisa sinistra, que foi conseguir
[01:26:48] manter o Brasil
[01:26:50] unificado. Isso foi de um grau de dificuldade
[01:26:52] inacreditável, cara.
[01:26:54] E isso só aconteceu porque no
[01:26:56] meio da guerra contra
[01:26:57] os Países Baixos, os Países Baixos
[01:27:00] entraram em guerra com a Inglaterra também, tiveram
[01:27:02] que largar a mão das terras portuguesas,
[01:27:04] porque os portugueses estavam apanhando
[01:27:06] Sim, mas enfim, mas no final das
[01:27:08] contas, a lógica diria que
[01:27:10] o Brasil ia ser um território
[01:27:12] pulverizado, né? De vários países,
[01:27:14] como aconteceu com a América
[01:27:15] espanhola. Mas eles conseguiram manter
[01:27:18] uma nação só, isso é inacreditável.
[01:27:20] As duas principais explicações
[01:27:22] pra esse fenômeno são
[01:27:24] primeiro, o uso da força, e isso
[01:27:26] inclui o Brasil independente
[01:27:28] com a guerra dos… né? Revolução
[01:27:30] Pampilha, etc. O próximo programa
[01:27:32] que de repente não vai acontecer nunca, que seria
[01:27:34] o Brasil independente, né?
[01:27:36] E a segunda questão que é
[01:27:38] e aí, claro, isso não é um julgamento
[01:27:40] de valor, eu não tô aqui pra dizer se isso é positivo
[01:27:42] ou negativo, mas na América hispânica
[01:27:44] e na própria Espanha
[01:27:46] nós tínhamos diversos
[01:27:48] centros intelectuais
[01:27:50] de formação de elites
[01:27:52] então você tinha diversas universidades
[01:27:54] incluindo universidades
[01:27:56] no próprio continente americano, né? A Universidade
[01:27:58] Autônoma do México, ela
[01:28:00] é fundada quando os portugueses
[01:28:02] estavam fundando a primeira vila aqui no Brasil
[01:28:04] em São Vicente, por exemplo. No caso
[01:28:06] do que hoje é o Brasil, você tinha
[01:28:08] basicamente um centro intelectual
[01:28:10] que era Coimbra. Então a consequência
[01:28:12] disso é que você tem uma elite
[01:28:15] intelectual e
[01:28:16] econômica praticamente homogênea
[01:28:18] você não tem muitas
[01:28:20] disputas, você vai ter disputas, é claro, você vai ter
[01:28:22] o coronelismo, o processo provincial
[01:28:24] e eles vão ser sufocados pela força
[01:28:26] mas uma elite mais
[01:28:28] ou menos homogênea. E é uma coisa muito
[01:28:30] curiosa isso que você
[01:28:32] lembrou, JP, porque o Brasil é
[01:28:34] o país na história
[01:28:36] contemporânea, em toda a história
[01:28:38] que é o maior país
[01:28:40] ao nascer, digamos assim
[01:28:42] porque quando os Estados Unidos
[01:28:43] começam a sua independência, era
[01:28:46] basicamente a costa atlântica. Quando a
[01:28:48] Rússia começa a se estabelecer
[01:28:50] é basicamente o núcleo ali, São Petersburgo
[01:28:52] e Moscou, e ela vai se expandindo. O Brasil
[01:28:54] não, o Brasil nasce
[01:28:56] enorme. Por isso que desde
[01:28:58] a fundação desse país
[01:29:00] nós temos uma centralização estatal
[01:29:02] e um uso da
[01:29:04] força, da violência
[01:29:06] pelo Estado tão forte, porque
[01:29:08] é uma característica do nascimento
[01:29:10] do país, de a força
[01:29:12] para ele manter unido e um
[01:29:13] Estado centralizado e forte
[01:29:16] para impedir a dissolução desse território
[01:29:18] enorme ao nascer. E quando
[01:29:20] você fala território enorme, você está falando
[01:29:22] de diferentes interesses
[01:29:24] de regiões, regiões que
[01:29:26] precisam de uma coisa enquanto outros precisam de outra
[01:29:28] então é difícil você conciliar
[01:29:30] a parada inteira. No período
[01:29:32] regencial de 1835
[01:29:34] a 1840
[01:29:36] é uma caralhada de revolução
[01:29:38] farroupilha, malei
[01:29:40] sabinada, balaiada
[01:29:42] cabanagem, tem uma porrada
[01:29:44] falta até tropa
[01:29:46] para sufocar tanta rebelião
[01:29:48] e no final das contas sufocou tudo
[01:29:50] E aí no final a gente tem
[01:29:56] a revolução pernambucana
[01:29:58] de março a maio de 1817
[01:30:00] que ao contrário da congelação baiana
[01:30:02] e da congelação mineira, ela chegou
[01:30:04] ao campo da prática, digamos assim
[01:30:06] nós tivemos a declaração de uma
[01:30:08] república em Pernambuco
[01:30:10] e cuja bandeira é
[01:30:11] a atual bandeira do Estado de Pernambuco
[01:30:14] Mas durou quanto tempo essa república?
[01:30:15] Durou alguns meses apenas
[01:30:17] ela foi sufocada pela
[01:30:20] violência, a maior parte das
[01:30:22] lideranças foram inclusive
[01:30:23] executados, para variar
[01:30:25] e era no momento, em 1817
[01:30:28] nós estamos falando nesse
[01:30:29] contexto do que? Da corte portuguesa
[01:30:32] no território americano
[01:30:34] que hoje é o Brasil
[01:30:35] e a pressão das elites portuguesas
[01:30:38] para que ela retorne
[01:30:39] a Portugal, então os líderes
[01:30:42] da revolução pernambucana
[01:30:44] que eram contra especialmente o
[01:30:45] absolutismo e a ideia de que
[01:30:48] Pernambuco estava sendo
[01:30:49] prejudicado por essa administração
[01:30:52] do Rio de Janeiro e Pernambuco
[01:30:54] era nesse momento
[01:30:55] um dos principais, ainda é
[01:30:57] um dos locais mais ricos do
[01:31:00] território, você tem então a ideia de que olha
[01:31:01] só, então faz o seguinte, eles vão votar
[01:31:03] para o Portugal, a gente declara a independência
[01:31:05] a gente declara uma república aqui
[01:31:07] a revolução pernambucana foi republicana
[01:31:10] inclusive, e nós tivemos
[01:31:11] a repressão e a execução
[01:31:13] dos seus principais líderes, e aí nós temos o caso
[01:31:15] do Frei Caneca, ele
[01:31:17] antes de você continuar, qual é o rolê do nome
[01:31:19] do Frei Caneca?
[01:31:21] eu sabia, eu estava aqui até agora
[01:31:23] tentando pensar em alguma coisa com a revolução
[01:31:25] não sabia nada, aí o Adagal pulou
[01:31:27] no Frei Caneca
[01:31:28] esse nome é muito
[01:31:30] muito
[01:31:31] era um cara que gostava de cerveja, é isso
[01:31:33] muito óbvio Adagal, eu estava tentando
[01:31:35] fazer mais esforço aqui, não sabe nada
[01:31:37] porra, mas o nome dele
[01:31:39] era Frei Caneca?
[01:31:41] o nome dele não era
[01:31:43] Caneca, não, o cara
[01:31:45] era amigo do Tucano, ele encontrava
[01:31:48] o Tucano no bar, toda noite
[01:31:49] aí lá vem o Frei
[01:31:51] imagina o que estava na mão do Frei já
[01:31:53] Pint, aí seria o Frei Pint
[01:31:56] não, mas aí ninguém sabe o que é Pint
[01:31:57] no Brasil, é Caneca, o Caneca
[01:31:59] se fosse em 1970, seria o Frei Caneco
[01:32:01] nossa, desculpe
[01:32:03] olha só, todo mundo
[01:32:06] em silêncio, isso é um pergunho
[01:32:07] a galera está em choque, vocês estão querendo
[01:32:10] zupar o momento João Paulo
[01:32:11] então, todo mundo
[01:32:14] sabe que João Paulo é o mestre de fazer
[01:32:16] a piada final do Magic Cast, mas não estava vindo
[01:32:18] porque também, ainda não terminou
[01:32:20] a gente ainda não sabe o que é o Frei Caneca
[01:32:21] tá bom, tá bom, tá bom
[01:32:23] o nome do Frei era Caneca, esse é o único
[01:32:25] o Frei Caneca, o nome dele
[01:32:28] eu fui colar, eu não lembrava o nome do Frei Caneca
[01:32:29] o Frei Caneca, o nome dele, eu fui colar, eu não lembrava o nome do Frei Caneca
[01:32:29] eu não lembrava o nome dele, mas o nome dele era
[01:32:31] Joaquim da Silva Rabelo
[01:32:33] mamava muito
[01:32:34] a canecinha dele
[01:32:36] que ele dizia, na verdade diziam dele
[01:32:39] que ele era uma fonte
[01:32:41] da liberdade, então assim, quem bebia
[01:32:43] daquela caneca, bebia da liberdade
[01:32:46] ué, mas o cara, você
[01:32:47] escolheu sabiamente, é isso?
[01:32:49] senão o cara derretia na frente dele, ficava velho
[01:32:51] virava caveira
[01:32:53] aquele no final do Jonathan Jones
[01:32:55] era o Frei Caneca, era isso?
[01:32:57] o interessante do Frei Caneca
[01:32:59] é que
[01:32:59] não queriam executá-lo
[01:33:01] porque você não podia matar um padre
[01:33:03] ele foi preso
[01:33:05] e depois liberto
[01:33:07] só que, como depois
[01:33:09] ele vai liderar a Confederação do Equador
[01:33:12] ele vai liderar outra rebelião
[01:33:14] aí executaram ele
[01:33:15] duas não dá, né?
[01:33:16] duas não dá, né?
[01:33:18] tu não explicou a caneca?
[01:33:20] eu expliquei, ele é uma fonte de liberdade
[01:33:22] liberdade numa caneca?
[01:33:25] tem a frase dele
[01:33:26] no sentido metafórico
[01:33:28] entendeu?
[01:33:29] mas aí, porra, Frei Cálice
[01:33:31] quem bebe da minha caneca
[01:33:33] tem sede de liberdade
[01:33:34] é a frase
[01:33:35] dele, do Frei
[01:33:36] é, do Frei
[01:33:37] atribuída a ele, pelo menos
[01:33:38] ah, boa, Tuca
[01:33:40] aí sim, agora a gente tá aprendendo
[01:33:41] essa revolução diferente da Baiana
[01:33:44] e talvez isso ter fortalecido ela
[01:33:47] mas no fim também
[01:33:48] revertido a coisa
[01:33:49] é que ela foi mais abrangente
[01:33:51] ela não foi só um movimento popular
[01:33:53] ela foi um movimento de todas as
[01:33:55] os setores da sociedade
[01:33:57] e aí, quando a parada vai avançando
[01:33:59] criou-se a república lá
[01:34:01] como o Felipe falou
[01:34:02] mas aí tinha uma galera que queria
[01:34:04] libertar os escravos
[01:34:06] outro que não
[01:34:06] outro que queria não sei o que
[01:34:08] mas o outro não, entendeu?
[01:34:09] então isso vai minando
[01:34:11] a organização do movimento
[01:34:13] faltou unidade
[01:34:14] ela aconteceu no pós-guerras napoleônicas, não é?
[01:34:17] uhum, sim
[01:34:18] ah, mas então família real já no Brasil
[01:34:21] já no Brasil
[01:34:22] sim, sim
[01:34:23] eu falei, você não tá prestando atenção?
[01:34:24] que nem nas suas aulas de história da escola
[01:34:26] o Felipe falou que eles estavam pra ir embora
[01:34:29] antes tinha rolado também
[01:34:31] na capitania de Pernambuco
[01:34:33] a conspiração dos soassunas
[01:34:35] o quê?
[01:34:36] é, pois é
[01:34:37] que eles eram muito inteligentes
[01:34:38] revolucionaram a literatura brasileira
[01:34:40] mas eram completamente ignorantes científicos
[01:34:42] e achavam que o homem não veio do macaco
[01:34:44] passaram essa vergonha pública
[01:34:47] mas era um projeto de fazer
[01:34:50] uma república independente do Brasil
[01:34:52] sob a proteção do Napoleão
[01:34:54] nossa senhora
[01:34:56] mas isso antes, né?
[01:34:57] quando tava rolando ainda
[01:34:59] as guerras napoleônicas
[01:35:00] enquanto isso eu tava pensando aqui
[01:35:03] sobre o que o Felipe falou
[01:35:04] do vai e não vai
[01:35:05] da família real embora, né, cara?
[01:35:07] e tive essa situação muito cômoda
[01:35:10] pra eles ficarem aqui
[01:35:11] no final das contas
[01:35:12] aqui que eu digo no Brasil, né?
[01:35:14] porque, porra
[01:35:15] você foge de uma pressão
[01:35:17] da comunidade que te gerou o poder
[01:35:19] né, os caras tão longe
[01:35:21] pra fazer
[01:35:21] e você presta contas pra muito pouca gente
[01:35:24] pra eles terem voltado
[01:35:25] é que eles sentiram que iam perder a parada lá, né?
[01:35:28] é que isso é muito bonito
[01:35:29] é que isso é muito bonito
[01:35:29] é que isso é muito mosquito
[01:35:29] ou mosca, né?
[01:35:31] porque o Dom João não levava as coxinhas de galinha, né?
[01:35:34] é, as coxinhas no bolso
[01:35:37] Felipe, não mata essa lenda
[01:35:39] que a gente adora, né?
[01:35:40] eu tenho uma carta psicografada aqui dele
[01:35:43] que é uma respeita
[01:35:44] aí, JP
[01:35:46] eu só aceito se tiver
[01:35:48] confirmada em cartório
[01:35:50] senão eu não aceito
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