Quem realmente deu a independência ao Brasil


Resumo

O episódio explica por que o 7 de setembro de 1822 não significou, imediatamente, a independência plena do Brasil. A soberania só se consolidou em 29 de agosto de 1825, quando Portugal reconheceu oficialmente o novo Estado. A conversa contextualiza o conceito de soberania como algo que depende de reconhecimento internacional e relembra como esse processo foi custoso e politicamente sensível para a metrópole portuguesa, que enfrentou perdas financeiras e comerciais.

Em seguida, o episódio detalha quem reconheceu primeiro a independência brasileira (com destaque para Estados Unidos, Províncias Unidas do Rio da Prata e o reino do Daomé) e por quais interesses. O papel da Inglaterra aparece como central na mediação do acordo e na sua estratégia de ampliar mercados e influência, ao mesmo tempo em que pressionava Portugal e lucrava com o endividamento brasileiro. Por fim, são apresentados os termos do Tratado Luso-Brasileiro: a indenização de 2 milhões de libras esterlinas (financiada via empréstimos britânicos), justificada por apreensões de embarcações e por itens como o acervo da Biblioteca Nacional, além de questões diplomáticas ligadas ao tráfico negreiro e à sucessão do trono português.


Anotações

  • 00:12:34 — Indenização e Biblioteca Nacional Trecho detalha a indenização de 2 milhões de libras no Tratado de 1825: oficialmente para ressarcir Portugal por embarcações/itens confiscados e também pelo acervo que virou a Biblioteca Nacional, levando o Brasil a contrair dívida.
  • 00:13:29 — Biblioteca Nacional como “consolação” Contexto do tratado/indenização: além do ressarcimento por apreensões, menciona-se o acervo trazido com a corte em 1808 que ficou no Brasil — e daí a ideia de “prêmio de consolação” do país nascer com o maior acervo de livros do continente.
  • 00:14:01 — Um ótimo negócio para Portugal Trecho argumenta que, com a independência já irreversível militarmente, Portugal ainda saiu ganhando financeiramente com a indenização e “bolsos cheios”, reforçando a leitura de que o acordo foi vantajoso para a metrópole.

Indicações

Livros


Linha do Tempo

  • [00:00] — Data “real” da soberania: reconhecimento português em 29 de agosto de 1825
  • [00:00] — Apresentação do DW Revista e da pauta sobre consolidação da independência
  • [00:01] — Contexto: soberania como conceito caro e a diferença entre independência declarada e reconhecida
  • [00:02] — Importância do reconhecimento internacional e por que Portugal demorou quase três anos
  • [00:04] — Primeiros países a reconhecer o Brasil: EUA, Províncias Unidas do Rio da Prata e Reino do Daomé
  • [00:06] — Papel do Reino Unido: mediação, interesses comerciais e ganhos com novos mercados e dívidas
  • [00:07] — Tratado Luso-Brasileiro (1825): leituras historiográficas e pendências políticas resolvidas
  • [00:09] — Termos do acordo: reconhecimento, indenização de 2 milhões de libras e uso do dinheiro por Portugal
  • [00:11] — Centralidade britânica: tráfico negreiro, valores econômicos e geopolítica do livre-mercado
  • [00:11] — Detalhamento da indenização: embarcações confiscadas e acervo da Biblioteca Nacional
  • [00:14] — Efeito cascata: pressão inglesa, apoio à estabilidade territorial e independências na América Hispânica
  • [00:16] — Encerramento e créditos do episódio

Dados do Episódio

  • Podcast: DW Revista
  • Autor: DW
  • Categoria: Society & Culture / Documentary / News / News Commentary
  • Publicado: 2025-09-05
  • Duração: 0h16m

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Todo brasileiro sabe que o dia da independência do Brasil é 7 de setembro de 1822.

[00:00:09] Mas a verdade é que levou um bom tempo até que o Brasil se tornasse, de fato, independente.

[00:00:15] Isso porque foi somente em 29 de agosto de 1825, a 200 anos e 3 anos depois do famigerado

[00:00:22] grito do Ipiranga, que o Brasil adquiriu sua soberania.

[00:00:26] Foi nessa data que Portugal reconheceu a independência da antiga colônia e fez com que o Brasil

[00:00:32] se tornasse um país soberano.

[00:00:34] E é essa a história que nós vamos explicar nesta edição do DW Revista.

[00:00:48] E está no ar o DW Revista, podcast produzido pela redação brasileira da DW e publicado

[00:00:54] todas as sextas-feiras no YouTube e em plataformas de áudio como o Spotify.

[00:00:58] Eu sou o Guilherme Becker, diretamente de Bonn, na Alemanha, e nesta edição eu converso

[00:01:03] com o meu colega de DW, o repórter Edson Veiga, que escreveu uma reportagem sobre

[00:01:08] a consolidação da independência e da soberania do Brasil, que pode ser acessada

[00:01:13] no site da DW Brasil.

[00:01:24] Em tempos de guerras em continentes distintos, e com Donald Trump taxando parceiros comerciais

[00:01:29] em uma ofensiva também política, percebe-se que a soberania é um conceito que pode

[00:01:34] custar caro a qualquer país.

[00:01:37] Ela sintetiza a expressão máxima da independência, ou seja, do fato de as nações possuírem

[00:01:43] direito pleno em relação aos próprios poderes legislativo, judiciário e executivo

[00:01:48] dentro de seus territórios.

[00:01:50] Uma ideia que o Brasil oficializou em 7 de setembro de 1822, com o grito do Ipiranga

[00:01:56] proferido por Dom Pedro I, que seria aclamado imperador pouco tempo depois, em 12 de outubro

[00:02:02] daquele mesmo ano.

[00:02:04] Mas o processo que transformou o Brasil de colônia a país independente não ocorreu

[00:02:09] da noite para o dia.

[00:02:11] Levou praticamente três anos até que Portugal, a metrópole, reconhecesse a independência

[00:02:16] do Brasil.

[00:02:17] Edson Veiga, obrigado por participar do DW Revista e eu queria começar pedindo pra

[00:02:22] contar pra gente em primeiro lugar como ocorreu esse processo.

[00:02:27] Pois é Guilherme, a independência de um país é algo que depende das tais relações

[00:02:33] internacionais.

[00:02:35] Se não houver reconhecimento dos demais países, das demais nações, ao menos

[00:02:41] de parte deles, de parte dos outros países, não tem como funcionar no cenário mundial

[00:02:47] uma nação sendo um país livre.

[00:02:50] E embora estejamos falando de um contexto de 200 anos atrás, quando o mundo não

[00:02:57] era tão conectado como hoje, enfim, eram relações que já eram importantes.

[00:03:03] Então se considerarmos que a independência brasileira veio em 1822, é preciso lembrar

[00:03:10] que o Brasil havia sido uma colônia de Portugal.

[00:03:13] E somente em 29 de agosto de 1825, ou seja, exatamente 200 anos atrás, quase três anos

[00:03:22] depois do famoso grito do Ipiranga, é que houve um acordo em que Portugal, então

[00:03:29] a metrópole, reconheceu que essas imensas terras do outro lado do Atlântico eram

[00:03:37] então um novo país.

[00:03:39] E demorou porque para Portugal era uma perda, né, Guilherme?

[00:03:43] Eu conversei, por exemplo, com o pesquisador Paulo Resucci, autor do livro

[00:03:50] Independência, a História Não Contada, e ele me falou uma coisa muito interessante.

[00:03:55] Ele falou que a independência, uma vez consolidada, foi um duro golpe.

[00:04:02] Estou abrindo aspas aqui para falar o que ele me disse.

[00:04:04] Foi um duro golpe nas finanças públicas do estado português, bem como nos comerciantes portugueses.

[00:04:13] Afinal, além destes terem seus bens sequestrados no Brasil, eles se viram diante da impossibilidade

[00:04:22] de continuar realizando um comércio, um lucrativo comércio, com a antiga colônia.

[00:04:29] Só aí já explica o tamanho, a importância desse acordo e o impacto desse acordo.

[00:04:36] É interessante a gente ressaltar isso.

[00:04:39] A gente vai falar mais sobre esse acordo daqui a pouco, mas antes, Edson, eu queria saber

[00:04:44] quais foram os primeiros países a reconhecer a independência do Brasil.

[00:04:48] Os Estados Unidos, principalmente, mas também as províncias unidas do Rio da Prata,

[00:04:55] o que hoje corresponde à Argentina.

[00:04:58] E curiosamente, o primeiro país a enviar uma representação diplomática ao Brasil

[00:05:03] foi o reino do Daomé, que foi um reino que existiu até 1904,

[00:05:09] nas terras onde hoje fica Benin, na África.

[00:05:14] E por que esses países foram os primeiros?

[00:05:17] Bom, Guilherme, os Estados Unidos queriam fazer da América sua área de influência

[00:05:23] e fizeram mesmo, temos que reconhecer.

[00:05:26] Foi um processo que se iniciou justamente nessa época.

[00:05:29] Os americanos já tinham um país independente desde os fins do século 18

[00:05:35] e passaram a incentivar, a fomentar, a patrocinar outras independências americanas,

[00:05:44] porque isso significava, enfim, garantir uma autonomia continental

[00:05:49] frente ao velho mundo, frente à Europa.

[00:05:52] Os argentinos, eu diria que assumiram esse reconhecimento

[00:05:57] pela proximidade geográfica, pelas relações comerciais

[00:06:02] que já eram construídas aqui com hoje Brasil.

[00:06:06] E Daomé, esse reino africano, foi por conta do regime escravocrata.

[00:06:12] De certa forma, o país da África era um parceiro comercial nesse

[00:06:18] vergonhoso, podemos dizer assim, negócio que era a exploração dos escravizados.

[00:06:26] Edson, agora voltando ao acordo que levou o Brasil a ser de fato independente,

[00:06:30] tem outro país no meio disso tudo que foi muito importante

[00:06:33] para a consolidação da soberania brasileira, né?

[00:06:36] E esse país é a Inglaterra.

[00:06:38] Qual foi o papel do Reino Unido para a consolidação da independência

[00:06:43] e da soberania do Brasil?

[00:06:45] Foi fundamental, Guilherme.

[00:06:47] Na verdade, no xadrez político europeu, a Inglaterra lucrava muito,

[00:06:52] muito com os novos mercados que se abriam,

[00:06:55] em consequência das independências de ex-colônias na América.

[00:07:00] Mas ao mesmo tempo, eles queriam primeiro a anuência de Portugal,

[00:07:04] antes de reconhecer o Brasil.

[00:07:06] No fim das contas, o Reino Unido lucrou,

[00:07:09] tanto com o endividamento do Brasil, que precisou de dinheiro

[00:07:14] para pagar os temas do acordo com Portugal,

[00:07:17] quanto com o novo mercado que se abria, no caso, uma ex-colônia

[00:07:22] que se tornava cliente e parceira comercial

[00:07:27] de um país que já vivia ali o início de uma revolução industrial.

[00:07:32] Bom, Eno, o que culminou então na prática

[00:07:34] a assinatura do chamado Tratado Luso-Brasileiro,

[00:07:37] que selou a independência do Brasil em 1825,

[00:07:40] após a mediação da Inglaterra?

[00:07:42] Bom, Guilherme, são várias leituras possíveis.

[00:07:45] O pesquisador Paulo Resulti, que eu mencionei a pouco em uma outra questão,

[00:07:50] ele tem uma visão até, eu diria, pessimista ou negativista dessa história,

[00:07:56] porque ele diz que esse acordo acabou influenciando de maneira negativa

[00:08:01] as primeiras décadas do Brasil livre, do Brasil independente,

[00:08:06] então do Império Brasileiro,

[00:08:08] porque ele ressalta isso, que o tratado, esse acordo,

[00:08:12] ele obrigou o Brasil a pagar indenizações a Portugal

[00:08:16] e levando já o Estado brasileiro a contrair empréstimos com os ingleses

[00:08:21] para saudar essas dívidas.

[00:08:23] Quer dizer, o Brasil já nascia endividado,

[00:08:26] já nascia tendo que arcair com uma enorme quantidade financeira.

[00:08:33] Já o historiador Marcelo Cheche Galvez,

[00:08:37] ele lembra que, a essa altura, a situação da emancipação política do Brasil

[00:08:43] já estava mais do que resolvida, do ponto de vista prático.

[00:08:46] Já era um processo dado como certo,

[00:08:48] não tinha muito o que Portugal fazer para conseguir retomar o controle do Brasil.

[00:08:54] E nesse sentido, o tratado, esse acordo, esse tratado final entre Portugal e Brasil,

[00:09:01] simplesmente resolvia uma pendência, resolvia, desembaraçava politicamente a questão.

[00:09:07] Desde compromissos anteriores firmados com outros países,

[00:09:12] principalmente com a Inglaterra, que havia um compromisso de Portugal

[00:09:16] pela extinção futura do chamado tráfico negreiro,

[00:09:19] até mesmo os pontos relacionados à sucessão do trono.

[00:09:24] Porque tinha uma questão, no fim, o Brasil independente

[00:09:28] tinha como governante o mesmo homem que era o herdeiro do trono português.

[00:09:33] E essa questão virou um problema a ser resolvido.

[00:09:37] Afinal, quando Dom João VI morresse, o que aconteceria?

[00:09:41] Então, o tratado buscava resolver esse tipo de questão.

[00:09:45] No fim das contas, Portugal passou a reconhecer o Brasil como um estado soberano.

[00:09:50] O Brasil se comprometeu a pagar uma indenização,

[00:09:54] um total de 2 milhões de libras esterlinas, na época era uma grande quantidade.

[00:10:00] Esse valor acabou sendo, mais tarde, utilizado por Portugal

[00:10:04] para pagar dívidas com banqueiros.

[00:10:07] É justamente dívidas contraídas no processo de financiamento

[00:10:12] das guerras dos conflitos que tentavam reverter a independência do Brasil.

[00:10:16] Bom, e isso, claro, como o Edson até já citou anteriormente,

[00:10:19] era de total interesse para o comércio britânico na época.

[00:10:23] Sim, sim. Na época, os britânicos representavam

[00:10:27] o maior impório comercial, industrial e financeiro do mundo.

[00:10:32] E contar com um país como o Brasil, com seu tamanho continental,

[00:10:37] as possibilidades de produção, principalmente a agrícola, enfim,

[00:10:41] contar com um país como um país livre não deixava de ter um peso ideológico

[00:10:49] também na questão geopolítica de defesa do livre-mercado.

[00:10:53] Assim, uma bandeira muito importante para os britânicos naquela época.

[00:10:59] Ouça só o que diz o historiador Marcelo Xeste Galvé citado pelo Edson,

[00:11:03] que é professor na Universidade Estadual do Maranhão

[00:11:05] e um dos organizadores do livro

[00:11:07] Independências, Circulação de Ideias e Práticas Políticas.

[00:11:11] A mediação britânica, ela é determinante, né?

[00:11:15] Ela é determinante pelos interesses em relação ao tratado,

[00:11:18] pelo lugar que a Inglaterra ocupava nessa geopolítica, né?

[00:11:22] É importante pensar que a mediação toda feita no Rio de Janeiro

[00:11:26] é feita por um representante do governo britânico, né?

[00:11:30] Então, o papel é central e, basicamente, você tem o interesse

[00:11:34] na questão do tráfico, do fim do tráfico,

[00:11:37] a questão envolvendo os valores que se movimentaram econômicos nessa transação.

[00:11:44] Também a própria reafirmação do papel geopolítico da Inglaterra naquele contexto, né?

[00:11:50] Edson, agora aprofundando um pouco mais na questão do tratado em si,

[00:11:53] eu queria saber quanto a quem e pelo o quê.

[00:11:56] O Brasil efetivamente pagou a fim de acertar as contas para consolidar a sua independência.

[00:12:02] E como foi essa negociação?

[00:12:04] Muito bom você perguntar isso, Guilherme,

[00:12:06] porque a gente acabou falando aqui nas questões anteriores

[00:12:09] que teve uma indenização, que o Brasil teve que, enfim, já nasceu endividado,

[00:12:15] porque teve que honrar e uma dívida para que esse acordo fosse sacramentado

[00:12:21] e, no final, não detalhamos muito isso.

[00:12:24] No total, o valor arbitrado foi de 2 milhões de libras.

[00:12:28] Oficialmente, assim, nos termos do acordo,

[00:12:31] essa quantia foi definida com o objetivo de ressarcir,

[00:12:36] no caso ressarcir Portugal,

[00:12:38] pelas embacações apreendidas ou confiscadas no processo de independência.

[00:12:44] É preciso lembrar que, naqueles anos,

[00:12:46] ali de 1822 até 1825,

[00:12:50] o Brasil teve vários conflitos ligados à independência

[00:12:55] e, muitas vezes, embacações, armas e outras questões

[00:12:59] eram confiscadas pelos que lutavam contra Portugal.

[00:13:04] E uma outra questão que aparece no acordo

[00:13:07] é que esse valor também era para ressarcir

[00:13:10] pelo fato de que o Brasil ficou com o acervo da Biblioteca Nacional,

[00:13:15] que foi trazida com a família real portuguesa

[00:13:19] quando houve a transferência da corte de Lisboa para o Rio de Janeiro em 1808,

[00:13:25] naquele episódio da fuga da família real portuguesa

[00:13:29] fugindo das tropas napoleônicas em 1808.

[00:13:34] Enfim, se isso custou caro, e é verdade,

[00:13:37] ao menos um prêmio de consolação.

[00:13:40] O Brasil nasceu como país independente das Américas

[00:13:44] com o maior acervo de livros do continente.

[00:13:47] É interessante que o historiador Galvez

[00:13:50] ele fala exatamente que, com relação a essa indenização e esse processo,

[00:13:55] que para Portugal foi um excelente negócio, foi um grande negócio.

[00:13:59] Afinal, era uma situação já perdida, assim,

[00:14:02] não havia a menor chance de resolver a questão militarmente,

[00:14:08] de reverter a independência do Brasil

[00:14:11] e, no fim, Portugal ainda saiu com os bolsos cheios.

[00:14:15] É, a independência do Brasil acabou desencadeando um efeito cascata

[00:14:19] nos anos e décadas seguintes na América Latina.

[00:14:22] Muito claro devido ao interesse comercial da Inglaterra na região.

[00:14:27] Ouçam só o que diz o historiador Victor Micciato do Instituto Mackenzie a respeito disso.

[00:14:32] O papel da mediação britânica foi fundamental, foi central,

[00:14:36] porque foi através da mediação britânica que houve o reconhecimento.

[00:14:39] Tanto é que Portugal estava muito resiliente.

[00:14:42] A Inglaterra pressionou o tempo todo para que Portugal reconhecesse

[00:14:46] a independência do Brasil antes mesmo da Inglaterra,

[00:14:49] para respaldar, para legitimar mais esse processo junto aos países europeus.

[00:14:54] Isso teve problemas porque Portugal demorou muito.

[00:14:58] Então foi realmente graças à pressão inglesa que esse reconhecimento por parte de Portugal veio.

[00:15:05] Esse acordo influenciou o Brasil no que diz respeito ao apoio que o país teve

[00:15:13] para que mantivesse a sua grande territorialidade a partir de um regime monárquico.

[00:15:19] Então em algumas situações a Inglaterra ajudou financeiramente o Brasil

[00:15:23] para manter essa estabilidade territorial.

[00:15:27] Houve de fato um efeito cascata em relação à independência do Brasil

[00:15:33] porque a Inglaterra passou a patrocinar a ajudar a apoiar outros processos de independência na América Hispânica.

[00:15:41] Entraquecendo assim essa Europa Latina.

[00:15:44] Porque com isso a Inglaterra, que tinha um poderio comercial maior em relação a esses países,

[00:15:51] pôde intensificar o seu comércio por todo o século XIX aqui na América.

[00:16:04] A edição desta semana do DW Revista, uma produção da DW em Bonn, na Alemanha, fica por aqui.

[00:16:11] Fica aqui também meu muito obrigado ao Edson Veiga pelas informações e análises compartilhadas neste episódio.

[00:16:17] Mais conteúdos você encontra no nosso site dw.com barra Brasil e também no canal da DW Brasil no YouTube.

[00:16:25] A produção, apresentação e edição técnica são minhas, Guilherme Becker.

[00:16:29] A revisão final e a coordenação são do Rafael Plesan.

[00:16:33] O DW Revista volta na sexta-feira que vem.

[00:16:35] Obrigado por acompanhar a gente e um bom final de semana.