O racho na blindagem


Resumo

O episódio discute a aprovação da PEC da blindagem na Câmara dos Deputados, um projeto que buscaria ampliar a imunidade parlamentar e dificultar processos contra políticos. Os participantes analisam o movimento como um erro de cálculo gigantesco da direita e do centrão, que subestimaram a reação popular e a capacidade da esquerda de capitalizar o tema.

A conversa explora como a PEC, ao ser atrelada à pauta da anistia para bolsonaristas, tentou se valer da polarização política, mas acabou por escancarar o projeto de impunidade. A reação nas redes sociais e as manifestações de rua, embora identificadas majoritariamente com a esquerda, constrangeram deputados e mostraram um descontentamento transversal. Um ponto central é a percepção de que a direita, ao abraçar abertamente a pauta da blindagem, entregou à esquerda bandeiras importantes como o combate à corrupção e o patriotismo, que historicamente sequestrou.

Os participantes debatem as falhas estratégicas do PT, que deixou sua bancada livre para votar a PEC e, com isso, perdeu a chance de capitalizar integralmente a reação popular. Eles também discutem a crise de representatividade e a “emancipação” do fisiologismo, onde o legislativo, através das emendas parlamentares, se apropriou do orçamento e prescinde da negociação com o executivo, buscando agora a blindagem para operar sem medo de investigação.

A discussão se estende para o cenário eleitoral de 2026, analisando a falta de quadros novos na esquerda, a necessidade de prévias e transparência partidária, e a importância crucial das eleições para o Senado. Por fim, são levantadas pautas que a esquerda precisa retomar com vigor, como o combate ao capital financeiro, a taxação de grandes fortunas e a regulação do sistema financeiro para coibir crimes, temas onde figuras como Nicolas Ferreira atuam para confundir sua base.


Indicações

Books

  • A Festa da Lua — Livro da antropóloga Beatriz Perrone-Moisés, publicado pela Elefante, sobre a interseção entre festa, ritual, guerra e luta política nos movimentos coletivos dos povos nativos da América. Gregório destaca a reflexão sobre como, para muitos povos, não há separação entre esses conceitos.
  • O Concreto — Livro de Anselm Jappe, também da Elefante, que faz uma crítica ao concreto armado como o material símbolo do capitalismo do século XX: efêmero, poluente, desumano e que reflete uma sociedade que não constrói para durar. Gregório comenta a hipocrisia de arquitetos como Le Corbusier, que projetavam concreto para o povo, mas moravam em casas de materiais naturais.
  • Longe da Árvore — Livro de Andrew Solomon sobre pais, filhos e a busca por identidade. Bruno Torturra recomenda, mencionando que está lendo para o clube do livro do Calma Urgente e que a leitura é especialmente tocante para ele, que está prestes a ser pai novamente.

Places

  • Mercadinho São José — Novo mercado em Laranjeiras, Rio de Janeiro. Gregório elogia a reabertura, o projeto da Tati Felner e a equipe envolvida, convidando os ouvintes a visitarem.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Abertura e apresentação do episódio — Gregório Duvivier saúda os ouvintes, apresenta a data (22 de setembro de 2025) e convida Alessandra Orofino e Bruno Torturra para a conversa. Ele também apresenta a nova repórter Luísa Miguel, que atuará nos bastidores. O grupo comenta a semana política, introduzindo a discussão sobre a PEC da blindagem e a percepção de que o “mito do centrão inteligente” caiu.
  • 00:01:38A burrice do cálculo político e a subestimação do povo — Os participantes discutem como os deputados subestimaram completamente a reação popular à PEC da blindagem. Eles argumentam que o centrão e a direita não costumam colocar o povo em suas equações, pois muitos se elegem com baixa votação, mas com grande volume de recursos de emendas. A conversa critica a narrativa de que esses políticos são “profissionais” e “inteligentes”, apontando o episódio como uma prova de burrice e desconexão.
  • 00:04:02O papel de Nicolas Ferreira e a ofensa ao povo brasileiro — O foco recai sobre o deputado Nicolas Ferreira, citando seu vídeo em que diz “quero ser blindado, sim!” e sua fala anterior de que “Deus abençoou o povo brasileiro com a burrice”. Os participantes veem nisso a essência do desprezo e do cálculo errado: achar que a população aceitaria passivamente um salvo-conduto para a impunidade. Eles destacam a desonestidade intelectual em vincular a blindagem a uma suposta perseguição do STF.
  • 00:06:47A estratégia de colar a blindagem à anistia e a aposta na polarização — Alessandra analisa a manobra de colar a PEC da blindagem à PEC da anistia. Ela argumenta que a aposta não era na simpatia popular pela anistia, mas em explorar a polarização. A ideia era que o eleitor de direita, punitivista e anticorrupção, apoiaria o pacote por vê-lo como uma medida “anti-esquerda” ou necessária para garantir a anistia, sem perceber que era um benefício direto à corrupção e ao crime organizado.
  • 00:09:31As manifestações e o ganho limitado do PT — Discute-se o caráter das manifestações contra a PEC, identificadas como majoritariamente de esquerda, e não como um levante amplo do “povo brasileiro”. Alessandra aponta que o PT capitalizou pouco do episódio, pois deixou sua bancada livre (20% votou a favor) e não anteviu a força da reação popular. O partido ganha com o campo da esquerda, mas perde por não ter tomado uma posição mais proativa e unificada.
  • 00:15:21Os dois grandes erros: entregar a bandeira do Brasil e da ética — Gregório argumenta que a direita cometeu dois erros fatais para 2026: primeiro, o bolsonarismo raiz, ao aderir a Trump, entregou de volta para a esquerda a bandeira do nacionalismo e do patriotismo. Segundo, ao abraçar a PEC da blindagem, entregou a bandeira do combate à corrupção. Ele vê isso como uma oportunidade de ouro para o PT se reposicionar como paladino da ética, lembrando que foi um petista que acabou com a blindagem anterior em 2001.
  • 00:21:36A necessidade de botar o povo na equação e a crise do fisiologismo — Gregório defende que o PT e a esquerda precisam “botar o povo na rodada”, usando o capital político do momento para pressionar por pautas populares como isenção de IR para quem ganha menos de 5 mil e tarifa social de energia. Alessandra aprofunda, argumentando que o problema não é a inabilidade do presidente da Câmara, Hugo Mota, mas uma mudança estrutural: o fisiologismo se “emancipou” do executivo, pois os deputados já têm acesso direto ao orçamento via emendas, e agora buscam a blindagem para operar esse orçamento sem punição.
  • 00:31:01O cenário para 2026: eleições, Senado e falta de quadros — A conversa se volta para as eleições de 2026. Bruno é cautelosamente otimista, acreditando que a direita perdeu capital e que uma mudança de 3-4% pode ser decisiva. Ele preocupa-se com a falta de quadros novos e fortes na esquerda, em contraste com a direita, que recruta influenciadores. Discute-se a importância crucial do Senado (dois vagas por estado) e os erros de 2022, como a divisão de votos no RJ entre Molon e Ceciliano, que custou uma vaga. A necessidade de prévias e transparência partidária é enfatizada.
  • 00:45:00Pautas urgentes: transparência partidária e combate ao capital financeiro — Os participantes listam pautas que a esquerda precisa abraçar para recuperar legitimidade: transparência e democracia interna nos partidos (acabando com a “casta” partidária) e o combate ao capital financeiro. Gregório destaca que taxar grandes fortunas, regular o PIX contra fraudes e golpes, e enfrentar o poder do sistema financeiro são bandeiras populares que a direita não pode levantar, representando uma trinca poderosa (patriotismo, ética e antissistêmico) para a esquerda.
  • 00:49:35O modus operandi de Nicolas Ferreira: identitarismo a serviço do crime — Bruno e Gregório analisam o padrão de atuação de Nicolas Ferreira. Eles argumentam que ele usa seu crédito com a base bolsonarista para convencê-la, por motivos puramente identitários (“se a esquerda é contra, eu sou a favor”), a apoiar pautas que beneficiam criminosos, como a não-regulamentação do PIX (que facilitaria o combate a golpes) e a própria PEC da blindagem. É visto como um abuso de confiança que, paradoxalmente, faz um grande serviço à esquerda ao grudar a direita a pautas da corrupção.
  • 00:59:48A figura patética de Hugo Mota e considerações finais — Critica-se severamente a figura do presidente da Câmara, Hugo Mota, descrito como “gasoso” e incompetente, que esvazia seu próprio poder e cede a qualquer chantagem, diferentemente de antecessores como Arthur Lira ou Eduardo Cunha, que tinham palavra mesmo sendo crápulas. O episódio termina com recomendações de livros, um anúncio pessoal de Bruno (a espera de uma filha) e um chamado para continuar a pressão popular contra a PEC da bandidagem e a impunidade.

Dados do Episódio

  • Podcast: Calma Urgente
  • Autor: Calma Urgente
  • Categoria: News Politics
  • Publicado: 2025-09-23T23:15:00Z
  • Duração: 01:14:02

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Olá, bom dia, boa tarde, boa noite, querido ouvinte ou espectador do Calma Urgente, que

[00:00:08] é Gregório do Vivier.

[00:00:09] Hoje é segunda-feira, dia 22 de setembro de 2025, e queria chamar aqui pra conversa

[00:00:16] Alessandra Orofino e Bruno Torturra, os amigos, como é que vocês estão?

[00:00:21] Esse é o primeiro Calma Urgente que a gente tá fazendo com o auxílio luxuoso da Luísa

[00:00:27] Miguel, chamamos nossa repórter, que trabalhou muito tempo no Greg News, pra estar com a

[00:00:32] gente ajudando a pautar, a escrever, a pesquisar e, eventualmente, a checar também as besteiras

[00:00:36] que a gente fala.

[00:00:37] Então, ela não vai estar aqui com a gente aparecendo, mas ela vai estar, ela tá nos

[00:00:41] bastidores, como esteve por tanto tempo com a gente no Greg News e antes na Piauí e tantos

[00:00:46] outros lugares.

[00:00:47] Luísa é braba, então, que bom, temos um Calma crescendo cada vez mais e ganhando,

[00:00:52] ganhando, vamos dizer assim, embasamento, seriedade, qualidade.

[00:00:56] Seriedade.

[00:00:57] Seriedade, entender o compromisso.

[00:01:02] Ganhando em profissionalismo, meninos, é isso.

[00:01:05] Quem diria, quem diria.

[00:01:05] Ainda que oculto, profissionalismo.

[00:01:08] E tivemos uma semana em que os profissionais da política, eu acho que escorregaram numa

[00:01:14] casca de banana, assim, que eles mesmo não têm noção, não é?

[00:01:18] Eu não sei se vocês têm a mesma impressão que eu, mas a minha impressão é de que,

[00:01:21] tipo, cai o mito do centrão inteligente, sabe?

[00:01:26] Porque é um mito.

[00:01:27] Eu acho que esse é o mito que caiu, Greg.

[00:01:29] Eu acho que é, não, porque a honestidade nunca houve esse mito, ninguém nunca achou

[00:01:32] que o centrão era honesto, ninguém nunca achou que o nacionalista era honesto.

[00:01:35] Nem muito inteligente, né?

[00:01:36] Mas eles eram profissionais, eles eram profissionais.

[00:01:38] Bruno, mas como não?

[00:01:39] Olha só, o que mais se ouviu na vida, o que mais sempre se falou, todo mundo que

[00:01:42] cobre Brasília fala assim, esses caras não são bobos não, do cara que cobre Brasília

[00:01:45] é o taxista.

[00:01:46] Todo mundo tem a mesma opinião, esses caras não são bobos não.

[00:01:49] E a prova é que eles são bobos pra caralho, porque eles não calcularam que uma coisa

[00:01:55] que é a PEC da blindagem…

[00:01:57] Uma coisa que garantia pra eles um foro mais que privilegiado, um status de monarca absoluto

[00:02:03] pra cada um dos 500 e tantos deputados, eles acharam que isso fosse passar…

[00:02:06] E pra todos os deputados estaduais do Brasil também.

[00:02:08] E estaduais do Brasil.

[00:02:10] E os presidentes do partido também.

[00:02:12] Os presidentes dos partidos.

[00:02:13] Eles acharam que eles iam conseguir criar um Olimpo, que já é de certa forma, mas

[00:02:18] assim, transformar esse Olimpo que já existe em algo realmente intocável e o povo brasileiro

[00:02:23] ia assistir e falar, ah, é um direito deles.

[00:02:26] Ou nem ia assistir.

[00:02:27] Assim, eles não botaram na equação o povo.

[00:02:30] E o que eu acho mais curioso é isso.

[00:02:31] Eles não costumam botar, de modo geral, e a imprensa que cobre também não.

[00:02:35] Todo mundo que a gente conhece de Brasília, que cobre e tal, e fala, mas você acha que

[00:02:38] se tiver passeata ajuda alguma coisa?

[00:02:40] Ou se tiver…

[00:02:41] Todos falam assim, olha, não.

[00:02:43] O Centrão desconhece a categoria povo, e o povo, de modo geral, é um inteligente

[00:02:49] que não tá nas discussões de Brasília.

[00:02:51] Eles não pensam, não tem medo de pressão popular, eles tão cagando, porque eles

[00:02:55] já não são muito bem votados, de modo geral.

[00:02:57] O Arthur Lira, ou…

[00:02:58] Eles não são, em geral, o Michel Temer, né, porque era deputado, não eram…

[00:03:01] Os presidentes da Câmara, em geral, não são campeões de voto.

[00:03:04] São pessoas que operam bem ali, eles precisam dar ali uns 30, 40 mil votos só pra chegar

[00:03:07] na Brasília.

[00:03:08] Isso eles conseguem, porque tem muita grana de doação e tal.

[00:03:11] Então, eles são imunes a…

[00:03:12] E de emenda, né, agora.

[00:03:14] É.

[00:03:14] Agora, com grana de emenda, então, eles jorram uma quantidade de dinheiro no Estado

[00:03:17] deles que eles se elegem, mesmo sendo com medidas muito impopulares.

[00:03:21] Então, eles não têm medo do povo, eles não pensam no povo, e não adianta nada

[00:03:25] a pressão popular pra esses deputados.

[00:03:27] E pros deputados, de modo geral, isso não tá na equação.

[00:03:30] E o que eu acho é que isso, essa semana, ficou provado meio que tá.

[00:03:35] Porque eu acho que todos os deputados, todos, estão arrependidos.

[00:03:39] Até os que…

[00:03:39] Tem os que disseram que estão arrependidos, são vários, tá?

[00:03:41] E queriam voltar atrás e já não dá.

[00:03:44] E tem os que não disseram, mas certamente estão.

[00:03:46] Porque o nível de proporção que isso tomou…

[00:03:49] Antes, as passeatas, que foram grandes, mas antes delas, eu acho que teve uma proporção

[00:03:53] gigantesca na internet.

[00:03:54] Isso foi mensurado por todo mundo.

[00:03:56] Em que eles perderam de lavada.

[00:03:58] E pessoas ditas muito inteligentes, ou seja, pessoas inteligentes de rede, tá?

[00:04:02] Porque ninguém diz que o Nicolas Ferreira é um gênio, tá longe disso.

[00:04:06] Mas ele tem uma malandragem de rede, que é sempre muito elogiada.

[00:04:09] O Nicolas tá sempre à frente, da esquerda, ele tá sempre…

[00:04:11] Uma semana à frente, ele é bom.

[00:04:13] Como é que uma pessoa assim, que tem dois neurônios, não raciocinou

[00:04:17] que fazer um vídeo dizendo

[00:04:19] Eu quero ser blindado, sim!

[00:04:22] Eu quero ser blindado porque eu mereço.

[00:04:24] Porque eu tô…

[00:04:25] A gente tá sendo perseguido pelo Supremo, então a gente merece, sim.

[00:04:28] E mais, o Nicolas falou essa frase.

[00:04:30] Se alguém fizer besteira, vai ser condenado, sim.

[00:04:33] É só a gente aprovar.

[00:04:36] O quão burro ele acha que o cidadão brasileiro é?

[00:04:39] Muito.

[00:04:39] Pra olhar pra ele e falar assim

[00:04:41] Ah, então tá.

[00:04:42] Então eu confio na Câmara dos Deputados.

[00:04:43] No dia que eles fizerem besteira, eles vão aprovar o processo, né?

[00:04:47] Deles mesmo e vão entregar.

[00:04:48] Assim, o quão imbecil o Nicolas acha que o brasileiro é?

[00:04:51] Entendeu?

[00:04:52] E a prova é que o brasileiro não é tão imbecil quanto você diz que é.

[00:04:54] Enquanto você…

[00:04:55] Eu acho que é, Nicolas Ferreira.

[00:04:56] Inclusive, literalmente, que ele foi ao flow basicamente dizer isso, né?

[00:04:58] Na época.

[00:04:59] O povo brasileiro é muito burro.

[00:05:00] A sorte nossa é que o povo brasileiro é burro.

[00:05:02] Ele falou essa frase.

[00:05:03] Então…

[00:05:04] Falou literalmente.

[00:05:04] Ele falou essa frase?

[00:05:06] Falou, falou.

[00:05:07] Ele falou assim, a frase dele é a seguinte.

[00:05:09] A gente tem sorte do povo brasileiro ser muito burro e não entender Marx.

[00:05:13] Porque senão eles seriam de esquerda.

[00:05:18] Então, o povo brasileiro abençoou…

[00:05:21] Não, Deus…

[00:05:22] Ele fala assim, Deus abençoou o povo brasileiro com a burrice.

[00:05:25] Para protegê-las do comunismo.

[00:05:27] Essa é a tese dele.

[00:05:28] Que é, assim, é ofensiva a tanta coisa, né?

[00:05:31] Ao povo brasileiro, a burrice.

[00:05:33] E um reconhecimento do próprio marxismo como uma teoria inteligente, né?

[00:05:37] Exatamente.

[00:05:38] A começar é por isso, né?

[00:05:39] Ou um reconhecimento dele mesmo como uma pessoa muito burra.

[00:05:42] Enfim, é uma quantidade de burrice.

[00:05:44] E a verdade é que ele é muito burro.

[00:05:45] E ele provou isso essa semana.

[00:05:47] Sabe?

[00:05:47] Não só aprovando…

[00:05:48] Não só votando a favor da PEC da blindagem, da PEC da bandidagem.

[00:05:52] Como fazendo…

[00:05:53] Dando aos públicos, assim, vídeos.

[00:05:55] Assim, provas da sua desonestidade intelectual gigantescas.

[00:05:57] Então, eu adorei ver estampado mesmo nessa gente.

[00:06:01] Aquilo que a gente sempre disse que eles eram.

[00:06:03] Bandidos.

[00:06:04] Cleptocratas.

[00:06:05] Sabe?

[00:06:05] Nunca foram contra a corrupção.

[00:06:07] Muito pelo contrário.

[00:06:08] Sempre foram a favor da impunidade.

[00:06:10] E a melhor parte.

[00:06:10] A anistia tá colada com a blindagem.

[00:06:12] Entendeu?

[00:06:13] É a mesma coisa pras pessoas.

[00:06:14] Foi votado junto.

[00:06:15] E que foi intencional.

[00:06:16] Que foi intencional.

[00:06:17] O que é muito burro.

[00:06:18] O que é muito burro.

[00:06:20] Essa foi a malandragem.

[00:06:21] Foi a…

[00:06:22] A burrice dos caras.

[00:06:23] Foi.

[00:06:24] Né?

[00:06:24] Foi, foi.

[00:06:24] Porque…

[00:06:25] Foi.

[00:06:25] Foi.

[00:06:25] Porque colaram algo que tinha algumas chances de ter uma simpatia por parte da população,

[00:06:28] que é a anistia.

[00:06:29] Tá?

[00:06:30] Os bolsonaristas estão lutando pela anistia com algo que não tem como a população tá

[00:06:33] a favor, que é a blindagem.

[00:06:35] Mas não é tanto que eles apostaram…

[00:06:36] Assim, eu concordo que não deu certo.

[00:06:39] Mas eu acho que a blindagem causou menos reação do que poderia ter causado se eles

[00:06:45] não tivessem colado na anistia.

[00:06:47] Eu não explico.

[00:06:48] Eu não acho que a questão aqui foi simpatia da população ou não.

[00:06:51] A manobra, pra mim, em termos narrativos, teve muito mais a ver…

[00:06:55] Com apostar na polarização e no efeito…

[00:06:59] No efeito emburrecedor, de fato, aí, nesse caso, da polarização.

[00:07:04] E aqui no Calma Urgente a gente fala muito sobre polarização e como muitas vezes ela

[00:07:08] é mal compreendida, né?

[00:07:09] Mas nesse caso, eu acho que a aposta foi realmente numa postura anti-esquerda do próprio

[00:07:17] campo político de centro e de direita, que eles entenderam que provavelmente faria com

[00:07:23] que essa população…

[00:07:24] Que em tempos normais, em circunstâncias normais de temperatura e pressão, estaria

[00:07:28] completamente contra a PEC da blindagem, não tivesse essa postura por entender ela

[00:07:34] no âmbito da PEC da anistia.

[00:07:35] Que não é que conta com a simpatia da população.

[00:07:38] Conta com a simpatia especificamente da direita, né?

[00:07:41] Sim.

[00:07:41] Eu concordo ali.

[00:07:42] Mas, primeiro, eles calcularam errado a simpatia das pessoas, suposto, pela autoproclamada

[00:07:47] anistia.

[00:07:48] E também os que calcularam errado a antipatia das pessoas à blindagem, que eles acharam

[00:07:52] que podia passar batido.

[00:07:53] E, sobretudo, não calcularam…

[00:07:54] Então, o estrago que é a para-direita como um campo, de modo geral, ligá-la à bandeira

[00:07:58] da impunidade.

[00:07:59] Que era, teoricamente, a única coisa que eles tinham.

[00:08:01] Talvez o central identitário da pessoa de direita é um certo punitivismo.

[00:08:06] Se tem algo, né?

[00:08:07] Assim, eu acho que central…

[00:08:08] Exatamente.

[00:08:09] Na direita brasileira.

[00:08:10] É, é isso.

[00:08:11] É, o que eles apostaram é que essa história da PEC da blindagem, se ela fosse entendida

[00:08:15] como um grande pacote, ou até confundida com a PEC da anistia, que eu acho que eles

[00:08:20] também apostaram nisso, mas se ela fosse entendida como quase que uma…

[00:08:24] Uma necessidade para que se depois aprovasse a anistia, que foi a maneira como os deputados

[00:08:28] de direita, inclusive o Nicolas, posicionaram a PEC da blindagem, né?

[00:08:31] Precisa aprovar isso para poder aprovar a anistia sem retaliação do Supremo, né?

[00:08:36] Foi um pouco essa a história contada.

[00:08:39] Que isso ia fazer com que esse eleitor punitivista, anticorrupção, e que eu acho que, sinceramente,

[00:08:44] anticorrupção, tá?

[00:08:45] Não acho que essa seja uma bandeira só oportunista por parte de todos os eleitores.

[00:08:48] Acho que tem oportunismo.

[00:08:50] Mas tem, de fato, uma…

[00:08:53] Um desgosto.

[00:08:54] Com o instamento político, com a corrupção desse instamento político, que esse eleitor

[00:08:57] não ia se dar conta de que, na verdade, o que estava passando ali era só um salvo-conduto

[00:09:02] para bandido.

[00:09:03] Inclusive, né?

[00:09:04] Bandido, crime comum.

[00:09:06] Salvo-conduto para o narco-estado se apropriar das instituições políticas do país, para

[00:09:10] a milícia ficar de vez presente nas assembleias estaduais, para que os chefes de partido

[00:09:16] possam ter, né, relações espúrias ou simplesmente criminosas com gangues e outros

[00:09:23] grupos.

[00:09:24] Do submundo do Brasil.

[00:09:27] Foi isso que eles tentaram aprovar.

[00:09:29] E eles conseguiram, eu acho, tá, Greg?

[00:09:31] Fazer com que colasse um pouco essa história de que isso não é uma pauta anti-Brasil,

[00:09:39] é uma pauta anti-esquerda.

[00:09:41] Tanto que as manifestações de ontem, que foram incríveis e que devem ser super louvadas,

[00:09:46] acho que a gente pode falar delas daqui a um minuto, mas elas foram manifestações

[00:09:49] de esquerda.

[00:09:49] Elas não foram o povo brasileiro nas ruas.

[00:09:53] Como uma pauta.

[00:09:54] A blindagem, em condições normais de temperatura e pressão, deveria ter gerado esse tipo de

[00:09:58] comoção.

[00:10:00] É.

[00:10:00] Porque não é.

[00:10:00] Eu super concordo.

[00:10:01] Realmente não é uma pauta anti-esquerda.

[00:10:03] É uma pauta anti-povo.

[00:10:04] É uma pauta anti-Brasil.

[00:10:06] É.

[00:10:06] Eu super concordo.

[00:10:08] Eu acho que o Greg tá certo num certo otimismo, mas eu não sou tão otimista assim.

[00:10:13] Eu acho que foi um tiro no pé, mas não foi um tiro de escopeta no pé por enquanto.

[00:10:18] Eu acho que eles calcularam mal.

[00:10:20] Eu acho que eles estão preocupados.

[00:10:21] Eu acho que tem deputados que estão mais preocupados.

[00:10:24] Do que uma base anônima, assim, que a gente entende como uma massa parlamentar.

[00:10:29] Mas, pelo menos na semana passada, e eu me pergunto se essa pesquisa vai ser repetida

[00:10:33] essa semana, porque eu gostaria muito de ver o efeito de mais informação e das próprias

[00:10:39] manifestações, porque na semana passada, 53% do país era contra a PEC da impunidade.

[00:10:47] Que é, basicamente, quase o mesmo número de pessoas que são favoráveis à prisão

[00:10:51] do Bolsonaro.

[00:10:52] Então, eles apostaram numa polarização.

[00:10:54] Polarização entre quem é lulista e quem é bolsonarista, entre quem é de direita

[00:10:58] e quem é de esquerda, entre a polarização mesmo.

[00:11:01] E eles estavam mais ou menos certos, assim.

[00:11:04] Acho que existe, sim, uma adesão automática de parte de um eleitorado que reconhece que

[00:11:11] se algo é contra o Lula, eu sou a favor.

[00:11:15] E eu acho que isso, de uma maneira positiva, por um lado, se manifestou ontem, nas próprias

[00:11:22] ruas, porque é exatamente o que…

[00:11:24] A Alessandra colocou.

[00:11:27] É uma manifestação de esquerda.

[00:11:28] Eu acho que ela transcendeu a esquerda sindical e militante e foi para uma esquerda civil

[00:11:35] e popular e muito descentralizada, ligada com a identidade de esquerda, com a identidade

[00:11:42] progressista e não com a esquerda organizada, a super organizada, o que é um ganho, o

[00:11:48] que foi central para que tivesse essas imagens lindas e o impacto de rede social.

[00:11:52] Mas o que eu sinto…

[00:11:54] É que existe uma massa ainda patinando num caldo ideológico aí, que não está exatamente

[00:12:03] informada, isso por um lado, e por outro, está muito polarizada em algo que vai incomodar

[00:12:10] o Lula, que vai incomodar o EPT.

[00:12:14] Eu acho que há saber como isso vai se dar nos próximos dias.

[00:12:18] Agora, o que eles sentiram, está claro.

[00:12:21] Tanto no discurso de quem…

[00:12:24] Subiu o tom e quer acelerar isso para que essa informação e essa politização não

[00:12:29] tenha mais tempo de evoluir na sociedade, ou de políticos que deram passos atrás e

[00:12:36] o Alcolumbre, que agora está com a bucha na própria mão e já sinalizou que vai

[00:12:43] arrastar isso por mais tempo ao ponto de inviabilizar.

[00:12:47] Mas eu super concordo.

[00:12:49] Eu acho que tanto do ponto de vista de articulação política…

[00:12:54] Que quando a anistia sobe, os caras meio que acondicionam ela.

[00:12:59] A blindagem foi algo que foi negociado com o Hugo Mota, que teve chantagem no próprio

[00:13:04] Congresso, mas no ponto de vista narrativo, a mesma coisa.

[00:13:09] Que eles acreditam muito nisso.

[00:13:11] Acho que eles vendem essa ideia falsa, mas eles também vestem essa própria carapuça

[00:13:16] que eles inventaram, de que tem uma ditadura do STF, de que é uma questão de sobrevivência,

[00:13:22] como disse o Flávio Bolsonaro.

[00:13:24] Na Itália, que é uma questão de sobrevivência a PEC da blindagem.

[00:13:28] Exatamente.

[00:13:29] Olha, não é só gente de esquerda que se arrependeu não, tá?

[00:13:32] O deputado de centro.

[00:13:33] Isso que eu achei mais curioso, assim.

[00:13:35] Se o Vi do União Brasil de Goiás estava lá, pelo amor de Deus, desculpem.

[00:13:40] Por que ela falou isso?

[00:13:41] Porque teve uma pressão gigantesca dos eleitores dela.

[00:13:43] Eleitores do União Brasil de Goiás.

[00:13:45] Então, assim, eu concordo com você de que não é…

[00:13:48] As passeatas não foram também de direita, não foram.

[00:13:51] E acho que nem vão ser.

[00:13:52] Tem um nível de polarização.

[00:13:54] O Brasil, que dificilmente a direita vai aderir a uma passeata da esquerda e vice-versa.

[00:13:57] Mas, a pressão nas redes não foi só da esquerda.

[00:14:00] E mais, o desgaste foi, sobretudo, para a direita e para os deputados do PT e do PSB que votaram, com certeza.

[00:14:06] Assim, eu acho que a esquerda conseguiu, como poucas vezes ao longo dos últimos anos,

[00:14:11] o tal diagonalismo.

[00:14:13] Que é captar um pouco alguma atenção do eleitor do lado de lá.

[00:14:17] Trazer ele um pouquinho para cá, entendeu?

[00:14:19] Isso eu acho que sim.

[00:14:20] Porque constrangeu.

[00:14:21] Pela poucas vezes a gente viu deputados como…

[00:14:23] É isso.

[00:14:24] A gente viu Damares e Kim Kataguiri.

[00:14:26] Há deputados que estão muito para lá na direita, assim.

[00:14:29] Eu estou longe de…

[00:14:30] Não vou passar pano e dizer, ah, mas pelo menos eles são honestos.

[00:14:32] Não, nem isso, sabe?

[00:14:34] Deputados que foram desonestos mil vezes em termos de opinião mesmo, assim.

[00:14:36] Não é nem que eles são…

[00:14:37] Eles têm uma coerência.

[00:14:38] Isso não dá para dizer.

[00:14:40] Mas, ainda assim, eles que estão muito longe disso, eles não conseguiram não se manifestar

[00:14:46] contra essa PEC, assim.

[00:14:48] Então, eu acho que eles conseguiram fazer uma burrice muito grande, eu acho, a direita e o centrão.

[00:14:53] Que é colar essa PEC na direita.

[00:14:55] Então, não só eles votaram.

[00:14:57] Eles votaram dizendo, eu estou votando porque ela é de direita.

[00:15:00] Então, eles assinaram embaixo dessa PEC, assim, direita brasileira.

[00:15:04] Eles assinaram.

[00:15:05] Eles assinaram.

[00:15:06] Cada voto.

[00:15:07] E eu acho que foi a complementação…

[00:15:09] E isso eu acho que é o erro central deles, tá?

[00:15:11] Porque eu acho que teve dois grandes erros que esses caras cometeram e que foi muito

[00:15:17] bom para a esquerda e para o Lula, especificamente, em 26.

[00:15:21] Que eu acho que…

[00:15:22] Que é, para mim, o melhor saldo disso.

[00:15:25] Não é que a PEC morreu.

[00:15:27] Que eu acho que ela não está morta, tá?

[00:15:29] Ela tem chance ainda de evoluir e de passar com alguma coisa.

[00:15:32] Mas eu acho que reflete em…

[00:15:34] É 26.

[00:15:34] Mas os dois erros que eles cometeram foi o bolsonarismo raiz aderindo ao Trump

[00:15:42] entrega de volta para a esquerda a bandeira do Brasil.

[00:15:46] Isso já tinha sido pego na última manifestação porque eles estenderam a bandeira americana.

[00:15:51] E ontem…

[00:15:52] Eles entregaram a bandeira anti-corrupção para a esquerda.

[00:15:56] Que a esquerda não tinha há uns bons 15 anos.

[00:16:01] Então, as duas forças nacionais que esses caras tinham, que pegam uma boa parte da classe

[00:16:06] média, que é o nacionalismo patriótico, de amor à pátria, puro e simples, e o outro

[00:16:11] bandeira anti-corrupção.

[00:16:14] Nada disso cola no próximo ano se o PT fizer uma boa comunicação.

[00:16:18] E acho que tem condição e está fazendo isso bem.

[00:16:20] Então, os caras…

[00:16:22] Eles perdem uma visão ética de bandeja.

[00:16:26] Eles entregaram de mão beijada para o EPT no próximo ano se é arvorar o paladino da ética

[00:16:34] e que tem histórico disso porque o projeto de lei que acabou com a blindagem que os deputados

[00:16:40] tinham até 2001 é de um petista.

[00:16:43] Chamava o…

[00:16:44] É pacote ético.

[00:16:45] Um petista passou em 2001.

[00:16:47] E é o PT que pega isso agora e fala nós fomos contra.

[00:16:52] Nós fomos às ruas defender a punição de deputados corruptos.

[00:16:57] Então, os caras se fuderam.

[00:16:59] Eles entregaram os dois trunfos que eles sempre tiveram.

[00:17:01] Exatamente.

[00:17:01] Eles conseguiram sequestrar nos últimos 20 anos.

[00:17:03] A gente falou muito já disso aqui no Calma.

[00:17:06] Eles sequestraram termos que sempre foram de esquerda até então.

[00:17:09] Termos como ética, como revolta também, indignação.

[00:17:13] Tudo isso eram termos que eram da esquerda.

[00:17:15] E depois que a esquerda chegou ao poder, a direita foi aos poucos sequestrando eles.

[00:17:19] E foi falando cada vez mais, levantando a bandeira da ética.

[00:17:22] Aqui a gente…

[00:17:22] A gente sempre soube que não era.

[00:17:23] Que a União Brasil nunca foi um partido que prezou pela ética.

[00:17:25] A gente sempre soube.

[00:17:26] Mas eles conseguiram vocalizar e sequestrar esses termos.

[00:17:29] E estão de volta entregando eles para a esquerda.

[00:17:32] Então, eu acho que é algo a se comemorar forte.

[00:17:35] Sem dúvida.

[00:17:35] Alessandra.

[00:17:36] Não, eu só queria lembrar que, ainda que a esquerda seja um ganho relevante para o campo de esquerda,

[00:17:42] o PT, especificamente, não capitalizou da maneira como poderia.

[00:17:46] Primeiro, pelo fato de ter tido 20% da bancada votando a favor da PEC da blindagem.

[00:17:51] O que é muito menos do que muitos outros partidos.

[00:17:55] A enorme maioria votou contra.

[00:17:56] 80% da bancada votou contra.

[00:17:59] Mas, ainda assim, é um número relevante.

[00:18:01] E que inclui alguns parlamentares importantes dentro do partido, como o Gilmar Tato, por exemplo.

[00:18:07] Ou da coalizão mais ampla.

[00:18:09] Não do partido, mas da coalizão.

[00:18:11] O próprio Pedro Campos, que foi um dos que depois vieram se desculpar em público.

[00:18:15] Então, isso gerou um desgaste para o PT, que era desnecessário.

[00:18:18] Esses 12 parlamentares votarem.

[00:18:20] A favor, certamente, não criou nenhum tipo de ponte útil com o Centrão.

[00:18:27] Como foi alegado, que isso estava sendo feito no âmbito de uma negociação em relação à PEC da Anistia.

[00:18:32] Não é isso que vai salvar a pátria em relação à Anistia.

[00:18:37] E impediu que o partido, de fato, pudesse chamar para si essa reação.

[00:18:44] Porque, na prática, o partido deixou a sua bancada livre para votar como bem entendesse.

[00:18:49] Em relação à PEC da Anistia.

[00:18:50] Em relação à PEC da Blindagem.

[00:18:51] Que foi um erro.

[00:18:52] Mas é um erro, assim, crasso.

[00:18:53] E eu acho que eles não apostaram, justamente, que ia haver uma reação popular relevante.

[00:18:58] Eles não tiveram a capacidade de antever essa relação.

[00:19:02] E essa reação, né?

[00:19:04] E, por isso, deixaram a bancada livre.

[00:19:06] Não fizeram disso uma bandeira do partido.

[00:19:08] E aí, acabou que, agora, o partido poderia estar capitalizando.

[00:19:10] Não está.

[00:19:11] Então, acho que o campo ganha.

[00:19:13] Mas o Lula, especificamente, e o PT, acho que ganha muito menos do que poderia estar ganhando.

[00:19:17] Acho que ganha um pouco.

[00:19:18] Porque o campo ganha.

[00:19:20] Eu não sei, Ale.

[00:19:20] Eu acho que quem perde, Ale, é a direita do PT.

[00:19:22] Eu acho que ganha bastante.

[00:19:23] Eu acho que quem perde é a direita do PT.

[00:19:25] Uma certa direita, um PT de direita, que existe, tá?

[00:19:27] A gente esquece que o partido do PT é um partido muito plural, até demais.

[00:19:31] Tem gente que é de direita, lá mesmo.

[00:19:32] E tem gente que acha que tem que negociar com o Mota.

[00:19:36] De que ele é próximo, ali, que ele tem palavra.

[00:19:39] Coisas que caíram nessa última semana.

[00:19:41] Tem gente que acha, né?

[00:19:43] Que são conciliadores, naquela visão do Churchill.

[00:19:47] Que tinha aquela frase que dizia que conciliador é uma pessoa que,

[00:19:50] que alimenta os jacarés, na esperança de ser comido por último.

[00:19:54] Por último, é bem isso.

[00:19:55] Tem gente no PT que é assim.

[00:19:57] Gente, calma, o Hugo Mota, ele é nosso, tá?

[00:20:00] E acha que tem que negociar.

[00:20:02] Pergunta quantos votos deu, por exemplo, os ministros.

[00:20:04] Os ministros que o PT tem da União Brasil.

[00:20:06] Quantos votos a União Brasil deu pro PT por causa desses ministros, por exemplo?

[00:20:10] Enfim, essa consertação que o PT tentou fazer com o Congresso nos últimos anos,

[00:20:14] não deu certo.

[00:20:15] Então, também perde essas pessoas da direita do PT, de modo geral,

[00:20:18] seja Rui Costa ou…

[00:20:20] Qual, seja quem for, que acham que o Hugo Mota é nosso, tá conosco.

[00:20:24] É só botar ali o Celso Sabino do União Brasil no turismo que pronto,

[00:20:28] o União Brasil é nosso.

[00:20:29] Não é.

[00:20:30] Esses caras não são, não.

[00:20:32] Sim, não tem palavra.

[00:20:33] É, o Celso Sabino que é o autor da PEC da blindagem,

[00:20:36] do texto original da PEC da blindagem.

[00:20:38] E que autorou o projeto e o projeto foi pautado

[00:20:40] enquanto ele ainda era ministro do governo Lula.

[00:20:42] E não é que o governo Lula aí falou,

[00:20:44] não, peraí, você não vai perder seu ministério.

[00:20:46] É que o União Brasil mandou ele sair do ministério.

[00:20:49] Então, o Celso Sabino vai sair do governo,

[00:20:51] mas não por iniciativa do governo.

[00:20:53] E é isso que eu quero dizer quando eu digo que o partido capitaliza pouco,

[00:20:57] pela razão que você mesmo expôs, Greg.

[00:20:59] É um partido que não está proativo no sentido de tomar a sua posição.

[00:21:03] Ele fica numa posição meio passiva.

[00:21:04] Ele está ganhando, mas ele está ganhando parado.

[00:21:07] E ele poderia estar ganhando mais sendo um pouco mais ativo.

[00:21:09] E sabe o que eu queria muito que eles vissem com esse episódio, Alê?

[00:21:12] Algo que eles têm dificuldade de ver.

[00:21:14] Eu acho que existe uma certa miopia em Brasília,

[00:21:16] que é o seguinte,

[00:21:17] eles vendo esse vídeo, talvez perguntem assim,

[00:21:19] mas como é que eles querem que a gente aprove

[00:21:21] a isenção para quem ganha menos de 5 mil reais no imposto de renda?

[00:21:26] Ou a tarifa social para não pagar a conta de luz?

[00:21:28] Contando com o apoio popular.

[00:21:30] Chama a população para jogo.

[00:21:31] Chama a sua base.

[00:21:33] Esse é o momento de botar o povo na rodada.

[00:21:36] Esses caras agora, eu tenho a impressão de que eles têm uma tendência

[00:21:39] bem maior a aprovar coisas como a tarifa social,

[00:21:42] nesse exato momento em que eles estão como os vilões do Brasil.

[00:21:44] E o PT talvez entenda, nesse momento,

[00:21:47] que eles não têm 80 deputados,

[00:21:49] eles têm 110 milhões de pessoas, entendeu?

[00:21:53] Eles têm 58 milhões de eleitores.

[00:21:56] Tem que botar 58 milhões de eleitores dentro da Câmara dos Deputados.

[00:22:00] Tem que chamar eles para a Câmara.

[00:22:02] Como disse bem o Rogério Corrêa, deputado de Minas Gerais,

[00:22:05] falou assim, eles só votaram isso porque os deputados invadiram a mesa.

[00:22:10] Os deputados do Centrão e da Direita, os bolsonaristas,

[00:22:12] invadiram a mesa do Gumota para eles votarem.

[00:22:15] A anistia.

[00:22:15] O povo brasileiro vai ter que invadir a mesa do Gumota?

[00:22:19] Para ele votar a tarifa social?

[00:22:20] Para votar a isenção do posto de renda?

[00:22:23] É isso que parece, entende?

[00:22:25] Então, ele falou isso como uma piada,

[00:22:27] mas de verdade, eu acho que o Congresso tem que entender

[00:22:31] que o povo precisa ocupar aquela mesa.

[00:22:34] E o PT, para fazer isso, precisa botar o povo na equação, cara.

[00:22:37] Porque não dá para negociar, não funciona mais

[00:22:39] trocar o Ministério do Turismo por 15 votos.

[00:22:42] Não está funcionando, ele não tem palavra para isso.

[00:22:44] O Gumota não sabe operar nem isso.

[00:22:46] Ele não sabe fazer nem o fisiologismo.

[00:22:48] Ele é um presidente tão inábil,

[00:22:49] que ele não consegue nem fazer mesmo esse troca-troca.

[00:22:52] O Tomalá da Cá, que o Arthur Lira fazia,

[00:22:55] o Gumota não consegue fazer nem isso.

[00:22:57] Porque ele não tem controle do Centrão.

[00:22:59] O Centrão controla ele, não é o contrário.

[00:23:02] Então, não adianta fazer troca-troca, como eles sempre fizeram.

[00:23:05] Então, para além da questão ética,

[00:23:06] que troca-troca sempre foi um absurdo,

[00:23:08] tem também o fato de que ele não está mais funcionando.

[00:23:10] Está quebrada a máquina de troca-troca.

[00:23:12] Não sei se vocês têm essa mesma impressão.

[00:23:14] O fisiologismo não está funcionando mesmo.

[00:23:17] Eu não sei se eu poderia dizer

[00:23:18] que o fisiologismo não está funcionando.

[00:23:20] Eu acho que o fisiologismo se emancipou.

[00:23:22] Ele prescinde do executivo.

[00:23:24] A gente esquece, gente,

[00:23:25] que a negociação entre executivo e legislativo,

[00:23:28] historicamente, não é só cargo,

[00:23:30] é orçamento.

[00:23:32] O que interessa é dinheiro.

[00:23:33] Qual é a moeda de troca que o executivo tem com o legislativo?

[00:23:38] Liberal ou não orçamento para certas coisas.

[00:23:41] No momento em que você cria emendas parlamentares,

[00:23:43] que abocanham uma parte tão significativa do orçamento público,

[00:23:46] o executivo perde instrumentos de negociação.

[00:23:48] Não adianta você ter os ministros

[00:23:50] se, no fundo, ter a pasta se torna menos relevante.

[00:23:54] Por que era importante você ter ministério?

[00:23:56] Porque é nos ministérios que o orçamento está.

[00:23:58] É a partir dos ministérios que o orçamento é operacionalizado.

[00:24:01] Então, se você tem a pasta, você tem controle do orçamento, certo?

[00:24:04] E a política de distribuição de ministérios é relevante,

[00:24:07] mas, no final das contas, ela é relevante

[00:24:09] na medida em que ela determina acesso ao orçamento.

[00:24:12] Inclusive, a discussão sobre ministérios

[00:24:14] raramente é programática.

[00:24:16] Raramente um partido mais do centrão,

[00:24:18] fisiológico, vai lá reclamar o ministério

[00:24:21] porque tem um interesse na pauta.

[00:24:23] Ele vai reclamar o ministério com base

[00:24:25] no orçamento que o ministério opera.

[00:24:26] Esse ministério aqui é bom porque tem um orçamento alto.

[00:24:28] Esse ministério aqui é ruim porque tem um orçamento baixo.

[00:24:31] Independentemente da pasta, entendeu?

[00:24:32] Ninguém quer saber, ah, não, a educação me interessa muito.

[00:24:34] Sou muito interessada na educação.

[00:24:36] Não é, entendeu? É um ministério grande, um ministério pequeno.

[00:24:39] Tem orçamento, não tem orçamento.

[00:24:40] O orçamento está mais desvinculado.

[00:24:41] Ele é mais fácil de operar ou ele é menos fácil de operar.

[00:24:44] A natureza do orçamento também interessa.

[00:24:45] Então, historicamente, é assim que você faz troca-troca.

[00:24:48] Isso é a base do fisiologismo brasileiro.

[00:24:50] O que aconteceu é que o fisiologismo brasileiro

[00:24:52] se emancipou do executivo.

[00:24:54] Ele abocanhou o orçamento diretamente.

[00:24:56] Ele não precisa mais de governo

[00:24:57] para operar os seus próprios interesses.

[00:25:00] E a tentativa de passar a PEC da blindagem

[00:25:02] é, inclusive, uma tentativa

[00:25:04] de coroar essa emancipação.

[00:25:07] Dizendo, não só a gente agora

[00:25:09] tem acesso ao orçamento que deveria ser do executivo,

[00:25:11] não só a gente vai parasitar

[00:25:14] um outro poder,

[00:25:16] acabando com esse equilíbrio

[00:25:17] entre os poderes mesmo,

[00:25:18] e tirando do executivo a sua capacidade

[00:25:20] de negociação com o próprio legislativo,

[00:25:22] mas a gente agora também quer poder

[00:25:24] operar esse orçamento sem nenhuma

[00:25:26] possibilidade de ser

[00:25:28] condenado ou até investigado

[00:25:30] a fundo por corrupção.

[00:25:32] Então, é falar, ó, a gente quer gastar

[00:25:34] esse dinheiro como a gente quiser

[00:25:36] e não pode ser mais julgado.

[00:25:38] É a independência do executivo

[00:25:40] e do judiciário.

[00:25:42] Então, agora é, olha só, não só a gente não

[00:25:44] precisa do executivo para ter acesso a dinheiro,

[00:25:45] como a gente também não pode ser punido pelo judiciário

[00:25:47] caso a gente faça mau uso desses recursos.

[00:25:50] A enorme maioria dos casos

[00:25:52] que hoje tramitam no

[00:25:53] STF contra, né, envolvendo

[00:25:56] deputados e

[00:25:57] outros políticos, tem a ver com

[00:25:59] o uso de emenda. É aí que está a

[00:26:01] questão. É o uso do orçamento público,

[00:26:03] o mau uso, no caso, né, o que tudo indica.

[00:26:06] Então, é isso. Quando vem

[00:26:07] Nicolas e Companhia

[00:26:09] Limitada, os bolsonaristas

[00:26:11] raivosos, falarem de

[00:26:13] liberdade de expressão, que o

[00:26:15] outro lado já é blindado, que eles não são

[00:26:17] liberados pelo que dizem. Não tem nada a ver com liberdade de expressão.

[00:26:19] Parlamentar já tem imunidade parlamentar.

[00:26:21] Parlamentar no Brasil já não pode ser criminalizado

[00:26:24] por opinião, discurso, voto.

[00:26:26] Já tem uma capacidade de

[00:26:27] articular discurso publicamente muito maior,

[00:26:29] inclusive, do que de qualquer cidadão. Muito mais

[00:26:31] proteção do que um cidadão comum.

[00:26:34] Isso já é o caso. O que eles estão

[00:26:35] querendo ali é proteção contra

[00:26:37] crime organizado mesmo,

[00:26:39] né, ligação com tráfico de drogas,

[00:26:42] com PCC e companhia,

[00:26:43] e proteção contra investigação por corrupção,

[00:26:46] que é para completar,

[00:26:47] essa emancipação. Então, concordo

[00:26:50] com você, Greg, a única maneira

[00:26:51] de fazer avançar pautas populares

[00:26:54] hoje no Brasil, é trazendo

[00:26:55] o popular pra dentro, é fazendo com que

[00:26:57] o povo faça pressão externa.

[00:27:00] Mas eu não sei, não acho que é porque o

[00:27:01] Hugo Mota é inábio, ou porque o Troca-Troca

[00:27:04] parou de funcionar por uma questão de incompetência.

[00:27:06] É pior do que isso. Estruturalmente,

[00:27:09] a gente não tem

[00:27:09] mais um executivo capaz de investir.

[00:27:12] E aí, o problema não é só o

[00:27:13] Troca-Troca, porque no final das contas, né,

[00:27:15] também não queremos ser a República do Troca-Troca.

[00:27:17] O problema é que o executivo não consegue fazer seu trabalho,

[00:27:20] e o legislativo se apropriou desse

[00:27:22] orçamento, não pra fazer com que o Brasil avance,

[00:27:24] mas pra botar esse dinheiro

[00:27:25] em pauta paroquial, que interessa

[00:27:28] a meia dúzia de deputados, pra eles continuarem

[00:27:29] se relegendo só com base nessa máquina

[00:27:31] pequena, pro resto da vida.

[00:27:33] E não poderem nem ser investigados. É isso que

[00:27:35] esse povo quer. É isso mesmo. Excelente

[00:27:37] resumo. Puxado, hein?

[00:27:39] Você acha que o vento tá a favor

[00:27:41] aí pra próxima semana, ou não? Pra quê, Greg?

[00:27:44] Pro Brasil, porque eu tenho

[00:27:45] impressão de que isso daí, de fato, foi uma

[00:27:47] mudança muito grande, cara.

[00:27:50] Quando eu vi, não só as redes,

[00:27:52] 90%

[00:27:53] a favor, e os 10%,

[00:27:55] tipo, cara, só sobrou mesmo

[00:27:57] aquela direita

[00:27:59] mais hidrófoba de todas, não é?

[00:28:02] Aquelas pessoas que realmente não concatenam

[00:28:04] nada, assim, não conseguem formular uma

[00:28:05] frase, Zé Trovão da vida. Só sobraram

[00:28:08] Zé Trovão, entende?

[00:28:09] Então, eu sinto que realmente tem alguma coisa mudando

[00:28:12] aí. É,

[00:28:14] eu acho que talvez, sim,

[00:28:15] eu sou cautelosamente

[00:28:17] otimista, por conta, não só da

[00:28:19] minha vocação é pessimista,

[00:28:21] mas porque as coisas mudam muito rápido

[00:28:23] e a gente tá no universo

[00:28:25] é meteorológico,

[00:28:28] é político, muito intenso.

[00:28:30] E eu insisto nessa

[00:28:31] questão,

[00:28:33] assim, os nossos escândalos

[00:28:35] e as nossas forças,

[00:28:37] as nossas injeções de ânimo e de

[00:28:39] desânimo, elas

[00:28:41] têm a duração curta, né?

[00:28:43] Então, assim, eu sou super otimista

[00:28:45] com o que aconteceu ontem, eu não tenho dúvida.

[00:28:47] E acho que tem janelas que estão se

[00:28:49] abrindo. E eu repito, acho que eles

[00:28:51] entregaram um capital

[00:28:53] que era deles de mão

[00:28:55] beijada. Sem a gente tomar deles, eles

[00:28:57] deram fácil e a esquerda

[00:28:59] soube se apropriar disso. Do patriotismo,

[00:29:01] do nacionalismo, da própria bandeira

[00:29:03] do Brasil e

[00:29:05] agora da corrupção como

[00:29:07] algo que tá na conta deles.

[00:29:09] Mas eu acho que tem uma coisa de longo

[00:29:11] prazo que não depende desses surtos

[00:29:13] de felicidade, de otimismo e

[00:29:15] de pessimismo, que é a coisa que me preocupa

[00:29:17] mesmo no nosso país, que é

[00:29:18] as identidades ideológicas

[00:29:21] estão muito consolidadas no país.

[00:29:23] Essa identidade que foi

[00:29:25] consolidada de pequeno escândalo em escândalo

[00:29:27] de meme em meme, de influenciador em influenciador,

[00:29:30] eu acho que tem uma identidade

[00:29:31] de direita

[00:29:33] e uma identidade anti-esquerda,

[00:29:35] uma identidade de esquerda, uma identidade

[00:29:37] progressista, não sei o quê, que ela

[00:29:39] eu me pergunto o quão

[00:29:41] suscetível ela é

[00:29:42] aos escândalos respectivos a cada

[00:29:45] campo. E eu acho que

[00:29:47] talvez, e o que eu torço, por isso que eu

[00:29:48] estou otimista em relação ao que

[00:29:51] isso vai impactar no próximo ano,

[00:29:53] não é que virou o jogo,

[00:29:55] é que se virar 3%,

[00:29:56] a gente ganha a eleição.

[00:29:58] Que é uma margem de manobra

[00:30:00] muito preocupante, muito

[00:30:02] tensa sempre, mas que eu acho que vai reproduzindo

[00:30:04] uma lógica dos Estados Unidos, sabe?

[00:30:07] Que tem um bipartidarismo

[00:30:08] e que no Brasil eu acho que tem um bipartidarismo

[00:30:11] hoje em dia em campo, né?

[00:30:12] Tem a esquerda e tem a

[00:30:14] direita. Elas se manifestam em muito…

[00:30:17] muitos é partidos, mas tem uma polaridade

[00:30:19] de identidade,

[00:30:21] de famílias, de cidades,

[00:30:23] de regiões, que elas transcendem muito

[00:30:25] o noticiário. O que eu torço

[00:30:27] é exatamente

[00:30:28] um público que ainda é desidentificado,

[00:30:31] que ainda não tem uma identidade

[00:30:32] e é cristalizada, mas ele avalia de maneira

[00:30:35] mais objetiva o que está acontecendo

[00:30:37] e, mais importante, dá um certo

[00:30:39] ânimo, uma certa falta de

[00:30:41] constrangimento para o nosso campo

[00:30:43] ir para cima, se defender

[00:30:45] e falar de uma ideia,

[00:30:47] grande, de país,

[00:30:49] que talvez a gente ganhe 3%,

[00:30:51] 4% no próximo ano e vai dar

[00:30:53] uma vitória mais folgada do que foi em

[00:30:54] 22. E eu acho que tem uma outra

[00:30:57] coisa que eu acho que a gente avalia pouco e que os

[00:30:59] caras estão ferrados, que é o seguinte,

[00:31:01] que eu acho que pode ter peso na própria Câmara, tá?

[00:31:04] Porque o PL

[00:31:05] virou o maior partido do

[00:31:06] nosso Congresso ali, quando ele ganhou.

[00:31:09] Depois teve a fusão de

[00:31:11] outros partidos. Mas ele veio

[00:31:13] na esteira do 22 do

[00:31:14] Bolsonaro. Então, assim, o

[00:31:17] Bolsonaro era o cara,

[00:31:19] o mito, o organizador,

[00:31:20] o tótem que puxa uma base

[00:31:23] parlamentar. E no próximo ano, os caras

[00:31:25] estão ferrados, porque a gente tem

[00:31:27] o Lula, que é o nosso

[00:31:28] tótem, o cara que organiza,

[00:31:31] o cara que faz todo mundo apertar 13,

[00:31:33] entendeu? E eles não têm

[00:31:35] o cara do 22 mais.

[00:31:38] Eles voltam a ser um

[00:31:39] centrão, meio

[00:31:41] que adicipado. Isso me

[00:31:42] encoraja a, pelo menos,

[00:31:45] possivelmente, ter algum impacto

[00:31:47] na nossa proporção de deputados e senadores

[00:31:49] no próximo ano. Não vai ser

[00:31:50] tão fácil os caras levarem a banca inteira

[00:31:53] como eles fizeram em 22.

[00:31:54] Eu espero. Mas é muito bom lembrar

[00:31:57] disso, Bruno, e lembrar que eu não sei se o PT

[00:31:59] tá fazendo o trabalho que ele tinha que estar começando a fazer

[00:32:01] desde já. Que é um trabalho que ele não fez

[00:32:03] em 22, um pouco porque tava muito

[00:32:04] preocupado em eleger o Lula, ponto.

[00:32:07] Que é pensar nos senadores.

[00:32:09] É porque vão ser dois senadores por

[00:32:11] Estado em 26.

[00:32:12] E é muito importante que ele esteja

[00:32:14] fazendo uma conta que não foi feita

[00:32:16] em 22, que é do tipo assim,

[00:32:18] cara, a gente tem que ter um candidato

[00:32:20] progressista, quer dizer, agora dá pra ter dois porque são dois

[00:32:22] votos, né? Mas tem que ter dois candidatos

[00:32:24] progressistas fortes e ponto.

[00:32:26] Não dá pra pulverizar. Foi algo que a direita

[00:32:28] fez muito bem e a esquerda não.

[00:32:30] O Rio de Janeiro, por exemplo, a gente poderia,

[00:32:32] pela quantidade de votos que a esquerda teve,

[00:32:34] ter um senador e não teve.

[00:32:36] Porque a gente dividiu esse voto.

[00:32:38] Entre Molon e André Siciliano, numa conta

[00:32:40] absurda que todo mundo avisou que ia acontecer isso.

[00:32:42] Todo mundo. O Vox é Político falou assim.

[00:32:44] Não pode. Mesma coisa em Estados, muito

[00:32:46] petistas, tá? O senador não elegeu,

[00:32:48] o PT não elegeu o senador no Rio Grande

[00:32:50] do Norte. O Rio Grande do Norte que elegeu

[00:32:52] o Fátima Bezerra com folga

[00:32:54] e reelegeu, tá? Do PT.

[00:32:57] Elegeu o Rogério Marim. Por quê?

[00:32:58] Porque tinha dois candidatos progressistas.

[00:33:00] E aconteceu em vários estados em que o PT perdeu

[00:33:02] de bobeira. Que é óbvio que não vai conseguir.

[00:33:04] São Paulo nem indicou petista.

[00:33:06] Márcio França, que era o cara que

[00:33:08] na verdade assim, o Márcio França meio

[00:33:10] prova uma tese mais

[00:33:11] complexa do que é a divisão do

[00:33:14] nosso voto. Porque em São Paulo fizeram um direito.

[00:33:16] Prontinho, tá? Nem petista era.

[00:33:18] Era o cara que o PT veio junto, mas era um

[00:33:20] cara mais percebido como um cara mais pra centro.

[00:33:23] Ele foi secretário

[00:33:24] do Alckmin, não sei o quê. Então ele tinha

[00:33:26] um capital político grande. Mas o que a direita

[00:33:28] percebeu era que

[00:33:30] não é um voto majoritário. Basta

[00:33:32] 35,

[00:33:34] 36%

[00:33:36] muito provavelmente você leva

[00:33:38] o senador.

[00:33:40] Porque tem outros candidatos de outros partidos com as suas

[00:33:42] próprias bases. E o

[00:33:44] bolsonarismo tinha isso muito claro

[00:33:46] em 22. E vamos saber como é que eles vão

[00:33:48] se reorganizar para o próximo ano.

[00:33:50] O que me preocupa, real, Greg, não é nem a falta

[00:33:52] de estratégia, tá? Que talvez

[00:33:54] seja mais fácil de fazer o argumento

[00:33:56] por conta do fracasso é carioca

[00:33:58] da Fátima e tal.

[00:34:00] Mas é a falta de quadro,

[00:34:02] cara. Eu acho que um

[00:34:04] problema que a esquerda tem real

[00:34:06] é que a gente não

[00:34:08] apresentou quadros eleitorais

[00:34:10] partidários fortes, sólidos

[00:34:12] nos últimos 15 anos

[00:34:14] em volume necessário pra

[00:34:16] fazer frente a uma… é direita

[00:34:18] jovem. Não é nem jovem, mas

[00:34:20] ela é mais…

[00:34:21] Essa direita jovem… Desculpa, termina, Bruno.

[00:34:24] Não, não, porque não é nem jovem, jovem,

[00:34:26] mas assim, o Tarcísio

[00:34:28] é um quadro novo

[00:34:30] da… Ah, tá, você referindo ao

[00:34:32] Tarcísio, beleza. Tipo, nomes

[00:34:34] novos fortes que tem no

[00:34:36] Brasil todo. Tem Ratinho Júnior,

[00:34:38] tem um monte de gente, tem o Nicolas,

[00:34:40] e tem outros candidatos locais fortes.

[00:34:42] A gente não se…

[00:34:43] O PT especificamente.

[00:34:46] Não tem volume

[00:34:48] de quadro forte pra levar

[00:34:50] um Senado no ano que vem, assim,

[00:34:52] de maneira… Mas não precisa ser o PT.

[00:34:54] Tem um campo um pouco maior do que

[00:34:56] o PT que poderia se apresentar.

[00:34:58] A minha sensação é que a gente não tá olhando

[00:35:00] pra outros espaços de formação

[00:35:02] de liderança da mesma maneira que a direita

[00:35:04] olhou. Porque a direita não tava olhando

[00:35:05] só pros rangos partidários, pelo contrário.

[00:35:08] A enorme maioria dessa nova

[00:35:10] geração de direita são personalidades midiáticas,

[00:35:12] não são personalidades da política

[00:35:14] necessariamente. O próprio Nicolas, ele

[00:35:16] é, antes de tudo, um influencer, né?

[00:35:18] Eu acho que a gente deveria falar só mais um pouquinho

[00:35:20] do Nicolas, aliás, porque o nível de papelão

[00:35:22] que o Nicolas tem se prestado

[00:35:24] recentemente, ele merece

[00:35:26] uma parte. Mas só

[00:35:28] pra reagir a isso que você falou, Bruno,

[00:35:30] eu concordo que falta quadro,

[00:35:32] mas eu sinto que, justamente,

[00:35:34] a gente não vai resolver a falta de quadro

[00:35:36] olhando só pra

[00:35:37] as pessoas que

[00:35:40] já tão fazendo política partidária desde cedo.

[00:35:42] Até porque a política partidária em si,

[00:35:44] ela tá completamente…

[00:35:46] desencantada,

[00:35:48] terrível, massacrante

[00:35:50] pra enorme maioria das pessoas que tentam.

[00:35:52] Então, as lideranças

[00:35:54] que entraram e tão tentando fazer o jogo

[00:35:55] partidário por dentro,

[00:35:57] e que são interessantes, tão exaustas

[00:35:59] e desesperadas, né? Não todas,

[00:36:02] mas eu diria que 99%.

[00:36:04] Elas são repelidas, né?

[00:36:06] E são muito repelidas. Então,

[00:36:07] essa formação precisa acontecer. E isso também

[00:36:09] requer que o campo saiba

[00:36:11] se organizar de uma forma mais

[00:36:13] difusa, sem precisar de,

[00:36:16] pensa, um de partido pra encontrar também

[00:36:17] lideranças que sejam interessantes e que representem o campo.

[00:36:20] Claro que você precisa de um partido pra se eleger.

[00:36:22] Mas isso é muito diferente

[00:36:23] da peneira

[00:36:25] recair apenas sobre os partidos, né?

[00:36:28] Parte do que aconteceu no Rio de Janeiro, justamente

[00:36:29] com a discussão entre Molon, Ceciliano, etc., é que

[00:36:32] ficou-se num

[00:36:33] debate de se devia se seguir ou não

[00:36:36] a orientação do próprio PT.

[00:36:37] Que era no sentido de lançar

[00:36:40] o Ceciliano candidato.

[00:36:42] E aí a sociedade civil fica muito

[00:36:43] tímida, muitas vezes.

[00:36:46] Em falar, não, mas peraí, a gente tem outras

[00:36:47] possibilidades aqui. A gente não precisa dessa

[00:36:49] criatura, né? Pra

[00:36:51] poder ter um caminho, uma chance.

[00:36:53] Claro, é porque… E também falta

[00:36:55] uma transparência no PT enquanto partido

[00:36:58] no sentido de

[00:36:59] a militância não vai votar em qualquer

[00:37:01] pessoa que eles disserem não. É algo que eles não

[00:37:03] acreditaram aqui no Rio de Janeiro.

[00:37:05] Eles acharam que, se a gente botar lá o Ceciliano,

[00:37:08] Lula manda votar, o cara ganha.

[00:37:09] Todo mundo vai votar, é. Não, amigo.

[00:37:11] O Ceciliano teve 4%. O Molon,

[00:37:13] num partido micro, teve 17, sei lá.

[00:37:15] Tô chutando por altos dados, tá?

[00:37:17] Mas foi essa ordem de grandeza.

[00:37:19] Então o PT também precisa entender que não é só

[00:37:21] eles tirarem o nome do cu

[00:37:22] e dizer assim, ah, tá, mas o partido decidiu que é

[00:37:25] esse daqui, tá bom? Eleitorado.

[00:37:27] Não vai ser assim que vai funcionar, não. E o Rio de Janeiro

[00:37:29] foi a prova disso, entendeu?

[00:37:31] O sujeito não ganhou nem no bairro

[00:37:33] dele. Assim, eu acho que é importante a gente lembrar

[00:37:35] disso. A gente tem que ter uma transparência na escolha

[00:37:37] desse nome também. Tem que ser um nome popular.

[00:37:39] Tem que ser um nome mais forte. Não é

[00:37:41] só porque o partido resolveu que é melhor pro partido

[00:37:43] que aí o povo vai obedecer.

[00:37:45] Não obedece, não. Se fosse assim, era bem mais fácil.

[00:37:48] Mas não é assim que funciona.

[00:37:49] E é de mão dupla, porque também

[00:37:50] é isso que a Alessandra disse,

[00:37:53] a gente precisa se mobilizar,

[00:37:55] precisa apresentar os nomes, precisa

[00:37:57] achar umas outras maneiras, mas aí vem a grande

[00:37:59] desvantagem do fato da

[00:38:01] esquerda ter partidos de verdade.

[00:38:03] E é partidos com as suas dinâmicas

[00:38:05] internas, com seus compromissos

[00:38:07] ideológicos, com

[00:38:08] o fato de que tem um jogo

[00:38:11] partidário, é consolidado dentro

[00:38:13] dos próprios partidos.

[00:38:15] A direita.

[00:38:17] É muito mais fácil fazer isso

[00:38:19] porque eles não são partidos

[00:38:21] de…

[00:38:22] É verdade. Eles são

[00:38:24] cavalos de Troia pra chegar em Brasília.

[00:38:28] Então é muito mais

[00:38:29] tranquilo pra esses caras identificarem

[00:38:31] um influenciador

[00:38:33] e falar assim, vem aqui, toma o

[00:38:35] apoio do que as dinâmicas

[00:38:37] de disputa de poder interno em partidos

[00:38:39] como PT ou PSOL e mesmo a própria

[00:38:41] rede. Então muita gente se

[00:38:43] sente repelida do jogo. É parte

[00:38:45] de um partido partidário antes de chegar

[00:38:47] em Brasília porque ela é

[00:38:49] repelida pela lógica dos próprios

[00:38:51] partidos que

[00:38:53] tem dinâmicas e coerência interna.

[00:38:56] O que a gente não tem é

[00:38:57] uma legenda de esquerda de aluguel.

[00:38:59] Entendeu? Que uma pessoa

[00:39:01] com legitimidade social, que uma pessoa que

[00:39:03] vem de fora, mas tem uma vida política,

[00:39:06] ela ganha espaço real

[00:39:07] dentro de um partido pra se eleger

[00:39:09] em pouco tempo. Mas Bruno, eu não acho que o

[00:39:11] problema seja ser democracia demais

[00:39:13] nos partidos não.

[00:39:15] É o contrário. Eu acho que… Nunca disse isso.

[00:39:17] Não, não, não. O que você falou é que o problema é que a gente tem partidos de verdade

[00:39:19] na esquerda, tá? O problema é esse.

[00:39:21] A gente tem partidos que tem dinâmicas internas

[00:39:23] de partido. Mas o nome disso não é…

[00:39:25] Sim, sim, mas o ideal era que não tivessem dinâmicas só internas

[00:39:27] mas externas, que tivessem prévias.

[00:39:29] Entendeu? Com toda certeza.

[00:39:31] E que as dinâmicas internas fossem

[00:39:33] transparentes, as dinâmicas internas

[00:39:35] fossem permeáveis.

[00:39:37] Que fossem democratizadas, que eles fossem democratizados.

[00:39:39] Porque esse dilema entre partidos com

[00:39:41] cacique e partidos com dinâmicas

[00:39:43] democráticas internas, entende?

[00:39:45] Eu acho que faz parecer que, olha, então é melhor o cacique

[00:39:47] ir lá botar. E o PT não é esse partido

[00:39:49] de cacique. Ao mesmo tempo tem dinâmicas internas

[00:39:51] que não são muito transparentes. É isso, não tem

[00:39:53] prévia. Tinha que ter prévia, por exemplo, não é?

[00:39:55] Porque eu acho que dificilmente aconteceria…

[00:39:57] Dificilmente aconteceria um caso como esse

[00:39:59] do siciliano no Rio de Janeiro, se tivesse prévias.

[00:40:02] É, no caso do

[00:40:03] Rio de Janeiro, a gente teria que ter tido prévias da

[00:40:05] esquerda, não só do PT, né?

[00:40:07] Porque o Molon não era o candidato do PT.

[00:40:09] Não, mas se tivesse prévias dentro do PT…

[00:40:11] Talvez o Molon nunca tivesse saído dele.

[00:40:13] Nunca tivesse saído dele, exatamente.

[00:40:14] O Molon não teria saído, e mais, teria sido

[00:40:16] uma benedita, teria sido um nome certamente

[00:40:18] mais popular que o do siciliano.

[00:40:21] Entendeu? Não tem dúvidas.

[00:40:23] Como provou a votação

[00:40:24] dele de 3% ou de 4%.

[00:40:26] Então se tivesse prévias, daí não teria acontecido

[00:40:29] e o próprio Molon talvez nem tivesse saído

[00:40:30] pra senador. Ele só saiu porque ele viu assim,

[00:40:32] gente, com o Molon candidato, eu vou ser o único candidato da esquerda.

[00:40:35] Foi isso que ele… Ele saiu só por isso.

[00:40:36] O Molon. Porque ele falou assim, barbada.

[00:40:39] E ele teve 21% do voto, né?

[00:40:41] Ele realmente chegou muito perto.

[00:40:42] Ele teve 21%.

[00:40:44] 21%.

[00:40:44] 21%.

[00:40:44] 21%.

[00:40:44] 21%.

[00:40:44] 21%.

[00:40:44] 21%.

[00:40:44] 21%.

[00:40:44] 21%.

[00:40:44] O que o Romário teve?

[00:40:45] Que mal lhe pergunto.

[00:40:46] Você lembra de cabeça?

[00:40:47] Não, mas a gente…

[00:40:48] A Luísa que aqui nos ouve pode puxar esses dados pra gente.

[00:40:52] Se o voto do siciliano

[00:40:53] ele tivesse ido pra o…

[00:40:54] Não, se o voto do siciliano tivesse ido

[00:40:56] pro Molon, o Molon teria sido eleito.

[00:40:59] Senador.

[00:41:00] E hoje a gente teria um senador, mais um senador

[00:41:02] decente. E aí, gente, a gente tá falando

[00:41:04] tanto de senado, mas é bom lembrar de algumas

[00:41:06] coisas, né? Pra você poder, por exemplo,

[00:41:08] fazer impeachment de juízes do STF,

[00:41:10] você precisa do senado. Então existe

[00:41:12] um foco muito grande da direita bolsonarista,

[00:41:14] no senado, pro ano que vem,

[00:41:16] porque o que tá pautado mais do que tudo pra eles

[00:41:19] é perdão ao Bolsonaro.

[00:41:20] E pra você poder ter um perdão pro Bolsonaro,

[00:41:22] você precisa poder ameaçar o Supremo.

[00:41:25] Essencialmente, essa é a dinâmica.

[00:41:27] O Supremo precisa se sentir ameaçado

[00:41:29] e ele precisa ser coagido pela classe

[00:41:30] política. Senão ele não vai

[00:41:32] permitir mesmo um perdão

[00:41:34] presidencial, porque não seria constitucional nesse caso.

[00:41:37] Então, existe

[00:41:38] um foco grande no senado por isso,

[00:41:41] porque é no fundo onde existe

[00:41:42] mais capacidade de fazer

[00:41:44] ação no Supremo. E a segunda

[00:41:47] razão é que justamente há uma série

[00:41:49] de mudanças na própria Constituição,

[00:41:51] como a própria PEC da blindagem,

[00:41:53] que tem morrido no senado. O senado,

[00:41:54] ele tá um pouco melhor do que a

[00:41:57] Câmara, né? Nesse momento. Então,

[00:41:59] esse foco também

[00:42:00] se dá por essa razão. Se a gente não

[00:42:02] ficar atento ao senado, de fato, a gente pode ter

[00:42:04] uma situação pior nas próximas quatro

[00:42:06] anos, ainda que Lula se releja, né?

[00:42:09] Se houver uma deterioração ainda mais

[00:42:10] acelerada da qualidade do senado

[00:42:12] e dos nossos representantes lá.

[00:42:14] É, só fazer uma errada aqui,

[00:42:17] só lembrando os dados que a Luísa botou aqui,

[00:42:19] Romário teve 29%,

[00:42:20] Molon teve 21%,

[00:42:23] e Siciliano teve 12%.

[00:42:25] É mais do que eu falei. Eu falei 4%.

[00:42:26] É, mas é o suficiente pra que, de fato,

[00:42:28] se você tivesse somado Molon,

[00:42:31] que teve 21%, como eu disse, e Siciliano 12%,

[00:42:33] você teria tido mais votos do que o Romário.

[00:42:35] Claro, e a galera do PT

[00:42:36] ficou puta assim. Pô, mas por que todo mundo

[00:42:38] votou no Siciliano? Não é assim,

[00:42:40] porque funciona. É, porque eles projetam

[00:42:43] na sociedade, a lógica é

[00:42:44] partidária, que tem que ter o…

[00:42:47] é alinhamento de fidelidade

[00:42:49] partidária. Ah, mas a gente já combinou…

[00:42:51] Isso que o PT não entende mesmo.

[00:42:52] É uma coisa crônica.

[00:42:55] E é um problema, eu acho, pra renovação

[00:42:57] de… a candidaturas.

[00:42:59] Clássico do PT.

[00:43:01] E a ideia de prévias, talvez a única coisa

[00:43:03] possível, seja ter prévias

[00:43:04] da sociedade faz as prévias

[00:43:07] sem a participação do partido

[00:43:09] e apresenta. Fala, ó, a gente conversou,

[00:43:11] a gente debateu, a gente teve 180 mil

[00:43:13] votos e a gente quer esse candidato.

[00:43:14] É senado. Boa sorte

[00:43:16] se é você fizer outro.

[00:43:19] Eu acho que a esquerda tem que começar a fazer

[00:43:20] um pouco igual à direita, tá? E ter pelo menos

[00:43:23] um nome fora da política

[00:43:24] pro senado. Porque eu já vi que

[00:43:26] senador tá virando meio que uma fazenda.

[00:43:28] O senado virou a fazenda, tá?

[00:43:31] É, porque é… Cleitinho.

[00:43:32] A direita faz isso. Pega o Cleitinho

[00:43:34] e o Cajuru. É, isso que eu tô dizendo. Os caras não estão

[00:43:36] dando a política. Então, a direita tem que pegar.

[00:43:39] Quem é o seu nome? Romário.

[00:43:40] Crack Neto. Crack Neto não ganha em São Paulo?

[00:43:42] Vini Júnior. Crack Neto.

[00:43:44] Vini Júnior tá no auge da carreira. Mas um Crack Neto

[00:43:47] e um Drauzio,

[00:43:48] porra, em São Paulo, não são duas vagas

[00:43:50] garantidas? Nossa, o Drauzio é

[00:43:52] bom, hein?

[00:43:54] É o novo suplici, gente.

[00:43:56] A gente vai nomear aqui os nossos senadores.

[00:43:58] O suplici dos bons tempos, é.

[00:44:00] Ah, mas ele não quer. Aí não tem questão de

[00:44:02] querer, não, Drauzio. Não tem essa, não.

[00:44:04] Aí eu vou pessoalmente convencer aí.

[00:44:06] É dever cívico. Não, e é muito

[00:44:08] engraçado, né, de um cara que

[00:44:10] não quer ir pro Senado brasileiro,

[00:44:12] mas que já trabalhou 20

[00:44:14] anos

[00:44:14] de voluntário

[00:44:16] no Carandiru.

[00:44:19] Você vê o nível de

[00:44:21] toxicidade

[00:44:23] pra umas pessoas realmente

[00:44:24] de bem, assim,

[00:44:26] pra um homem de bem brasileiro. Gente, mas eu não tenho nenhuma dúvida.

[00:44:29] E essa discussão que a gente tá tendo

[00:44:30] no final, a gente tá falando do campo de esquerda

[00:44:32] porque é o campo que nos interessa mais,

[00:44:34] mas, além de ser um bom momento

[00:44:36] pra passar essas pautas mais populares, e eu concordo

[00:44:38] com o Greg, era hora de botar o povo na equação

[00:44:40] e realmente pautar

[00:44:42] imposto de renda, etc. Mas,

[00:44:44] falando com um capital político que vem

[00:44:46] da base, mas pra além dessas

[00:44:48] pautas populares, também tem uma discussão

[00:44:50] mais de sistema político que tá pra acontecer,

[00:44:53] que podia tá acontecendo, e que

[00:44:54] a gente teria muito a se beneficiar

[00:44:57] se ela fosse encabeçada pelo

[00:44:58] nosso campo. Porque ela, eu sinto

[00:45:00] que ela é uma resposta possível

[00:45:02] a esse anseio um pouco mais geral

[00:45:04] da população brasileira

[00:45:06] por, pelo fim da casta mesmo,

[00:45:09] né, de um estamento político muito, muito,

[00:45:11] muito insular, completamente

[00:45:12] distante do que a população precisa, do que as pessoas precisam.

[00:45:14] O que as pessoas acreditam. E os partidos,

[00:45:17] gente, são,

[00:45:19] são, de fato,

[00:45:20] o mecanismo

[00:45:22] mais claramente

[00:45:25] capturado por essa

[00:45:26] casta, de todos, né, que a gente citou

[00:45:28] até agora. As dinâmicas partidárias

[00:45:30] são inacreditáveis, tanto a falta

[00:45:32] de transparência em alguns partidos, quanto

[00:45:34] aos caciques em outros.

[00:45:36] Agora a gente tá tendo presidente de partido,

[00:45:38] é isso, o presidente do União Brasil começa a ser

[00:45:40] investigado por ligação com

[00:45:42] o PCC e ele bota uma banca e manda todo

[00:45:44] mundo sair do governo, entendeu? Não é que ele vai

[00:45:46] fazer uma entrevista constrangido,

[00:45:48] não, mas eu tenho confiança de que eu serei

[00:45:50] inocentado, a justiça mostrará, as

[00:45:52] investigações certamente mostrarão. Não é que

[00:45:54] ele sai da presidência do partido,

[00:45:56] ele manda os

[00:45:58] ministros dele saírem do governo

[00:46:00] e posam de perseguido.

[00:46:02] Na mesma semana votam o PEC da blindagem

[00:46:04] e é isso aí. E a PEC

[00:46:06] da blindagem tem um dispositivo

[00:46:08] para estender essa blindagem aos

[00:46:10] presidentes de partido. Então a gente

[00:46:12] tem esses mecanismos que

[00:46:14] são mecanismos também de captura do orçamento público

[00:46:16] que recebem muito dinheiro de fundo

[00:46:18] partidário, que é dinheiro público, são financiados

[00:46:20] pela sociedade, não

[00:46:22] são organizações independentes que

[00:46:24] são financiadas pela sua própria militância

[00:46:26] e a militância decide se quer

[00:46:28] financiar aquele mecanismo

[00:46:30] de acordo com as regras internas de cada um, não

[00:46:32] é isso que é, e

[00:46:34] que não se sentem ou

[00:46:36] não dão nenhuma satisfação pra sociedade.

[00:46:39] Não faz nenhum sentido.

[00:46:41] Então democracia partidária

[00:46:42] e transparência partidária são pautas muito urgentes.

[00:46:44] No Brasil, talvez as mais urgentes.

[00:46:46] E você falando isso, veio uma

[00:46:48] coisa, né, assim, a esquerda já pegou de volta

[00:46:50] a bandeira brasileira, ótimo,

[00:46:52] eles deram. Ontem começamos

[00:46:54] a pegar de volta a gente, é corrupção,

[00:46:56] legal, mas falta uma, muito importante

[00:46:58] pros caras, que é o antissistêmico.

[00:47:01] Que a gente não

[00:47:02] pegou. E acho que

[00:47:04] essa abertura democrática,

[00:47:06] exigir a transparência, fazer

[00:47:08] uma pressão

[00:47:10] vinda de fora pra dentro dos

[00:47:13] partidos, é uma das forças que eu

[00:47:14] acho que são mais necessárias

[00:47:16] pra esquerda voltar a ter uma legitimidade pública.

[00:47:19] Porque a percepção de que

[00:47:20] eles só pensam como políticos fechados

[00:47:22] dentro de um partido,

[00:47:24] ela é real e ela é embasada.

[00:47:26] Ela não é alucinatória, ela não é persecutória.

[00:47:29] Entendeu? E se a esquerda voltasse

[00:47:30] um pouco anti-assistêmica

[00:47:32] mesmo, tem uma trinca muito poderosa

[00:47:34] não falando só pra ganhar

[00:47:36] o próximo ano, mas pra se refazer

[00:47:38] na sociedade com

[00:47:39] com força real, com identidade

[00:47:42] de esquerda meio que renovada, né,

[00:47:43] com a ideia de que é um partido popular mesmo

[00:47:45] e não um partido meramente populista.

[00:47:48] E aí tem outra bandeira muito importante,

[00:47:50] talvez a mais importante pra mim,

[00:47:51] que o PT não levantou nos primeiros governos

[00:47:54] e hesitou em levantar

[00:47:55] nesse terceiro, mas

[00:47:57] Lula 3,

[00:47:59] que é a bandeira contra o capital financeiro.

[00:48:02] Que é algo que tá começando

[00:48:04] a levantar e que acho que é muito importante

[00:48:06] mesmo lembrar, porque a direita

[00:48:07] não consegue levantar. Ela fala

[00:48:09] sempre contra o establishment, né?

[00:48:11] Ou contra…

[00:48:12] Establishment.

[00:48:13] Establish. E o que é esse establish?

[00:48:16] É em abstrato. É a Faria Lima.

[00:48:17] Falar, sabe, do crime que existe

[00:48:20] patrocinado

[00:48:21] da ala financeira

[00:48:24] do crime, combater

[00:48:25] essa ala financeira, mostrar a cara dessas pessoas

[00:48:28] nas quais inclusive tem presidentes de partido

[00:48:29] sabe, mostrar como a direita tá ligada

[00:48:31] ao crime organizado brasileiro, como existe

[00:48:33] um braço financeiro desse crime

[00:48:36] organizado, como ele tem um braço em

[00:48:37] Brasília, gigantesco o crime organizado

[00:48:40] falar como o PIX

[00:48:42] por exemplo,

[00:48:43] atentou contra os interesses das grandes corporações

[00:48:46] de cartão de crédito, por exemplo

[00:48:48] falar como as grandes fortunas

[00:48:50] estão unidas contra a taxação

[00:48:51] então, esses aí são pautas que são muito populares

[00:48:54] e que a esquerda precisa lembrar que elas são populares

[00:48:56] que a esquerda tem a maioria

[00:48:58] da população a seu favor

[00:48:59] pra isenção do imposto de renda até 5 mil reais

[00:49:01] para a taxação de grandes fortunas

[00:49:04] para a tarifa social da conta de luz

[00:49:06] tudo isso são bandeiras que a esquerda

[00:49:08] precisa levantar porque elas são populares, não só porque elas são

[00:49:10] justas, né? Porque além de justas, elas são

[00:49:11] muito populares, então é algo

[00:49:13] que a esquerda não estava levantando, que o Lula

[00:49:15] não estava levantando até então, e é uma bandeira

[00:49:17] muito importante, a direita não consegue levantar

[00:49:20] porque seria muito hipócrita, lembrar que

[00:49:21] esses caras estão defendendo bilionário

[00:49:23] é uma coisa muito importante, sabe?

[00:49:25] de dizer assim, eu acho

[00:49:27] Eu queria aproveitar, deixa, você ter falado

[00:49:29] do braço financeiro

[00:49:31] do crime organizado

[00:49:33] pra voltar no Nicolas, que eu falei que a gente

[00:49:35] devia fazer um parênteses só sobre o Nicolas

[00:49:37] é, acho que a gente

[00:49:39] o Nicolas é uma figura importante

[00:49:41] na direita, né? Pela poder mediar

[00:49:43] tipo, pela capacidade de sentir pra onde

[00:49:45] que a comunicação tá indo e pautar essa

[00:49:47] comunicação também de dentro pra

[00:49:49] fora e de fora pra dentro, porque ele opera um pouco

[00:49:51] nessa interseção, ele dialoga com

[00:49:53] uma militância que é maior do que

[00:49:55] a de um partido político específico, mas ao mesmo tempo

[00:49:57] ele tá dentro do sistema político, então ele é uma figura

[00:49:59] que se tornou muito relevante nesse

[00:50:01] sentido. E ele fez duas coisas

[00:50:03] recentes que eu acho que foram

[00:50:05] pouco exploradas, mas

[00:50:07] muito aquém do nível de escândalo

[00:50:09] que elas representam, né?

[00:50:11] Em ambos os casos, eu acho que ele fez

[00:50:13] algo que teve, ele operou

[00:50:15] o mesmo mecanismo, então

[00:50:17] fiquem comigo aqui um minutinho

[00:50:19] o Nicolas I, há alguns

[00:50:21] meses atrás, lança aquele

[00:50:23] vídeo em que ele se insurge

[00:50:25] contra a tentativa do governo federal

[00:50:27] de regular o PIX

[00:50:29] que não era uma tentativa de taxar

[00:50:31] o PIX, não era uma tentativa de inibir

[00:50:34] a circulação de dinheiro via

[00:50:35] PIX no Brasil, pelo contrário, mas

[00:50:37] era sim uma tentativa de dar um pouco

[00:50:39] mais de transparência pro PIX

[00:50:41] pra evitar, sobretudo, fraudes

[00:50:43] crime e golpe, era isso

[00:50:46] então tinha uma regulação de fintechs

[00:50:47] e tinha uma regulação do PIX

[00:50:49] que vinham as duas juntas

[00:50:51] mas que visava, essencialmente

[00:50:54] evitar que o crime organizado

[00:50:56] usasse as fintechs e usasse

[00:50:57] o PIX pra

[00:50:59] movimentar dinheiro impunemente sem que isso

[00:51:01] deixasse nenhum tipo de rastro e sem que as autoridades

[00:51:03] pudessem, portanto, investigar essas

[00:51:05] transações. Não é só

[00:51:07] o PCC, é também essas quadrilhas

[00:51:09] que dão golpe em velhinho, entendeu? Como é que essas

[00:51:11] quadrilhas operam? Elas abrem

[00:51:13] uma conta de banco dessas de fintech

[00:51:15] que você não precisa dar nem comprovante de residência

[00:51:17] direito, entendeu? Você abre online, você nunca

[00:51:19] viu um gerente

[00:51:21] de banco, você faz isso em dois minutos

[00:51:23] você aplica um golpe numa pessoa, a pessoa

[00:51:25] em geral é um golpe de PIX, né?

[00:51:27] Então você consegue que alguém te faça

[00:51:29] um PIX com um volume grande de dinheiro

[00:51:31] você pega esse dinheiro e imediatamente depois você

[00:51:33] fecha a conta, então não tem como esse dinheiro

[00:51:35] ser restituído à pessoa que sofreu o golpe

[00:51:37] isso é um problema no Brasil, isso se tornou uma

[00:51:39] questão endêmica no Brasil. Existe

[00:51:41] uma tentativa do governo de regular e aí o

[00:51:43] Nicolas faz aquele vídeo e o governo

[00:51:45] infelizmente cede a esse tipo

[00:51:47] de pressão, né? Inclusive

[00:51:49] dando pro Nicolas uma vitória política que ele

[00:51:51] não precisava ter tido, porque o vídeo

[00:51:53] é absolutamente mentiroso e

[00:51:56] absurdo, e ao ceder

[00:51:57] o governo quase que

[00:51:58] deu a ele um

[00:52:01] verniz de verdade, ele quase

[00:52:03] reconhece o argumento, né?

[00:52:05] Mas tem uma coisa que o Nicolas tá fazendo ali que eu acho

[00:52:07] que é fundamental, que é, ele tá

[00:52:09] no fundo usando o crédito

[00:52:11] que ele tem com a direita bolsonarista

[00:52:13] pra falar que uma coisa

[00:52:15] é uma pauta de esquerda, né?

[00:52:17] Então como se a regulação das fintechs do PIX

[00:52:19] interessasse a esquerda, quando

[00:52:21] na verdade ela interessa

[00:52:23] ao cidadão de bem, justamente

[00:52:25] a quem não é criminoso

[00:52:27] então ele tá defendendo uma coisa que é

[00:52:29] estritamente de interesse dos piores

[00:52:31] criminosos do Brasil, é isso que é

[00:52:33] ele passa, né, a defender

[00:52:35] uma pauta de bandido

[00:52:37] e ele convence essa base de direita

[00:52:39] a vir com ele nessa empreitada

[00:52:42] em nome de uma

[00:52:43] certa vendeta, de uma vingança contra

[00:52:45] a esquerda brasileira, ou de uma certa desconfiança

[00:52:47] mesmo de tudo que venha da esquerda brasileira

[00:52:49] e ele faz isso de novo agora na casa da PEC

[00:52:51] da blindagem, né? Ele vai dizer pra base

[00:52:53] política dele que é bolsonarista

[00:52:55] ó, isso aqui não agrada

[00:52:57] a esquerda, portanto deveria agradar a gente

[00:52:59] quando na verdade é uma tentativa

[00:53:01] de legislação

[00:53:03] ali que só beneficia crime

[00:53:05] criminoso, político corrupto

[00:53:07] político bandido, presidente

[00:53:09] de partido bandido, é isso que ele tá fazendo

[00:53:11] então tem uma coisa muito curiosa

[00:53:13] como o Nicolas vem operando, né? Ele tá

[00:53:15] usando a própria base dele

[00:53:17] as pessoas que gostam dele, que confiam

[00:53:19] nele, que acreditam nele

[00:53:21] e ele tá convencendo essa

[00:53:23] base que certas pautas que interessam ao crime

[00:53:25] organizado no Brasil, são pautas

[00:53:27] dessa base, é uma loucura

[00:53:29] é de um abuso

[00:53:31] de confiança, muito

[00:53:33] fundamental, ele é, ele tá

[00:53:35] enganando quem gosta dele

[00:53:37] é isso que eu acho mais louco, como é que essas pessoas

[00:53:39] não se deram conta? Ele tá fazendo um serviço

[00:53:41] gigantesco à esquerda, gigantesco

[00:53:43] porque o que ele faz é dizer

[00:53:45] não, pra esquerda ele faz um serviço incrível

[00:53:47] porque o que ele faz basicamente é o seguinte, é dizer assim

[00:53:49] gente, essa pauta a favor da corrupção

[00:53:52] a gente precisa votar porque ela é de direita

[00:53:53] e aí todo mundo, assim, pra esquerda fala

[00:53:55] tá vendo gente, é a pauta de quando

[00:53:57] é de direita, olha o que o Nicolas tá dizendo

[00:54:00] ele tá grudando

[00:54:01] na direita, ele tá usando

[00:54:03] na fé, no identitarismo, ele tá usando

[00:54:05] o identitarismo, porque elas se identificam

[00:54:07] como direita, e elas não querem saber

[00:54:09] o que que tá na frente, eu sou de direita

[00:54:11] o que que é, qual é o lado da direita aqui?

[00:54:13] olha, me diz que eu vou, tem gente que é assim

[00:54:15] e aí ele tá usando

[00:54:17] essas pessoas, a fé dessas pessoas

[00:54:19] como você falou, a confiança delas

[00:54:21] e a identidade delas de direita

[00:54:23] tá usando elas pra fazê-las cometerem

[00:54:25] crimes, ou serem a favor de crime

[00:54:27] cometerem crimes não, mas pra fazê-las serem a favor

[00:54:29] de coisas que beneficiam criminosos

[00:54:31] exatamente, que facilitam a vida de criminosos

[00:54:33] e é muito louco, porque se tem uma coisa

[00:54:35] que quase todo mundo foi

[00:54:37] vítima, ou é

[00:54:39] quase foi vítima, é golpe de

[00:54:41] piques, nos últimos mundos

[00:54:43] todo mundo tem um avô, uma tia-avó

[00:54:45] assim, eu arriscaria

[00:54:47] dizer que se a gente fizer uma enquete com

[00:54:49] a população 55 a mais

[00:54:51] no Brasil, vai ser generalizado

[00:54:54] as gerações mais jovens

[00:54:56] menos, talvez

[00:54:56] eu tomei uma fraude de piques, que eu não fiz nada

[00:54:59] fizeram piques da minha conta

[00:55:01] pra uma outra conta, no Ceará

[00:55:03] que uma conta que apareceu e desapareceu

[00:55:06] eu não fiz nada

[00:55:07] o banco demorou dois meses

[00:55:09] e me devolveu a grana

[00:55:11] porque eles viram que não

[00:55:12] porque eles comprovaram

[00:55:15] eu tive que pressionar muito

[00:55:16] ligar muitas vezes, encher o saco

[00:55:18] senão eles não iam me devolver

[00:55:20] mas eles identificaram

[00:55:22] que eu não cliquei em nenhum link malicioso

[00:55:25] que eu não caí no golpe do piques

[00:55:26] mas ele é frágil

[00:55:28] nesse lugar, um cara mal intencionado

[00:55:31] que tem uma fintech

[00:55:32] que abre uma conta, que abre e fecha em dias

[00:55:35] esvaziou a minha conta

[00:55:36] que sou esperto, e o que é louco é

[00:55:38] é uma pauta de segurança pública

[00:55:40] é nem uma pauta

[00:55:42] é uma pauta que pode ser inserida no contexto de segurança pública

[00:55:45] de maneira muito fácil

[00:55:47] é algo que o PT também não teve

[00:55:49] essa gasidade

[00:55:50] de pôr nesses termos

[00:55:52] mas eu concordo

[00:55:54] o Nicolas está fazendo isso

[00:55:56] e acho que o grande desafio narrativo

[00:55:59] pro próximo ano, especialmente se o Tarcísio

[00:56:01] for o candidato mesmo

[00:56:02] o que é um grande ser

[00:56:03] mas é a questão do crime

[00:56:06] que é outra pauta que a esquerda não conseguiu pegar

[00:56:09] pra si, talvez sejam as duas que faltam

[00:56:11] então o antissistêmico

[00:56:12] e a segurança pública

[00:56:14] e essa bola tá quicando

[00:56:16] uma porque o Nicolas fez

[00:56:18] dessas, porque tem a blindagem

[00:56:21] que não só isenta

[00:56:23] esses caras, mas facilita a vida deles

[00:56:25] de serem chefes de organizações criminosas

[00:56:27] de serem testas de ferro

[00:56:28] de outros criminosos

[00:56:30] mas a bola do PCC

[00:56:32] que tá quicando mesmo

[00:56:33] que tá claro pras pessoas

[00:56:35] e tá na home do UOL

[00:56:37] e de todos os outros veículos

[00:56:39] que ainda são grandes e influentes

[00:56:42] de não tratando mais o PCC

[00:56:45] como um crime violento de periferias

[00:56:47] de tráfico

[00:56:49] mas como um crime que tá entranhado

[00:56:50] na elite financeira e política brasileira

[00:56:53] e o PT

[00:56:54] injustamente

[00:56:56] junto com Alexandre de

[00:56:58] Morais

[00:57:00] é uma fake news que pegou

[00:57:02] que o PCC vota no PT

[00:57:04] que o Tarcísio cometeu aquele crime

[00:57:07] no ano passado

[00:57:08] de falando que o PCC

[00:57:10] mandou

[00:57:12] é votar no Boulos

[00:57:13] na minha opinião é algo pior do que o próprio Marçal fez

[00:57:16] porque foi o governador falando isso

[00:57:18] não foi um candidato

[00:57:18] é um cara que tem a polícia embaixo dele

[00:57:21] e uma coisa pouco falada

[00:57:22] ele não perdeu os direitos políticos dele

[00:57:25] como o Marçal perdeu

[00:57:27] e esse cara que quer se candidatar

[00:57:29] mas a bola do PCC

[00:57:31] como algo que o PT tá ajudando a desbaratar

[00:57:34] que tem a polícia federal

[00:57:36] que tá chegando nesse ponto

[00:57:37] também é algo muito importante de ser explorado

[00:57:39] no próximo ano

[00:57:40] e pra concordar com

[00:57:42] você Greg

[00:57:43] o negócio de que o Nicolas

[00:57:44] que o Nicolas tá puxando

[00:57:48] pra direita a pauta

[00:57:50] por motivos identitários

[00:57:52] frase do Zé Trovão

[00:57:54] outro grande luminar da nossa direita

[00:57:57] parlamentar

[00:57:58] justificando o voto dele na PEC

[00:58:00] da blindagem

[00:58:01] achando que ia justificando mesmo

[00:58:04] mas ele falou, a apuração da nossa querida

[00:58:06] Heloisa

[00:58:07] que é

[00:58:08] eu aprendi uma coisa no congresso

[00:58:11] como deputado

[00:58:12] de que se a esquerda vota contra

[00:58:14] eu voto a favor

[00:58:15] é o cálculo político dele

[00:58:18] e ele se defende assim

[00:58:20] ele se explica assim

[00:58:22] ele não tá se desculpando

[00:58:23] que ele fez isso, puta, eu pensava assim

[00:58:26] ele fala, não, eu votei mesmo

[00:58:27] porque eu aprendi uma coisa

[00:58:30] se a esquerda é contra, eu sou a favor

[00:58:31] mesmo que seja algo pra blindar

[00:58:34] crime, por exemplo

[00:58:35] e isso tem que ser muito explorado no próximo ano

[00:58:37] porque são essas coisas que vão minando

[00:58:40] ou pelo menos desanimando

[00:58:42] a identidade política

[00:58:44] direitista que a gente tá refém

[00:58:47] no Brasil todo

[00:58:49] e olha, tem uma batalha também que ganhamos

[00:58:51] que foi a do voto não ser secreto

[00:58:53] porque o fato do voto não ser secreto

[00:58:55] que foi uma batalha, inclusive

[00:58:56] obviamente da esquerda, né, sobretudo

[00:58:59] o Glauber fez um vídeo ótimo, inclusive

[00:59:01] com voto, votando debaixo

[00:59:03] de um pano preto, não sei se vocês viram isso

[00:59:04] pode votar sim, presidente

[00:59:07] não, no regimento não pode

[00:59:09] você não pode votar com o pano na frente da cara

[00:59:11] ah tá, porque

[00:59:12] vocês estão a favor do voto secreto

[00:59:13] o voto secreto também deveria ser contra o regimento

[00:59:15] perfeito o protesto dele

[00:59:17] e eu acho que de muita gente de esquerda

[00:59:19] foi uma luta vitoriosa, né

[00:59:21] eles perderam a luta do voto secreto

[00:59:23] eles perderam, mas o Mota manobrou

[00:59:25] pra reinserir no texto

[00:59:26] mas eles perderam de fato na votação

[00:59:28] porque o fato de eles serem perdidos foi providencial

[00:59:31] ela não tá fora

[00:59:32] ela voltou pra PEC

[00:59:33] votou por manobra do Hugo Mota

[00:59:36] que essencialmente não reconheceu

[00:59:38] a decisão

[00:59:39] Hugo Mota

[00:59:42] é uma das figuras mais tristes

[00:59:44] sério, dessa nova república

[00:59:46] sabe por quê?

[00:59:48] porque, cara, tinha uma coisa que a gente sempre ouviu

[00:59:50] e sempre falou, inclusive falou aqui

[00:59:51] várias vezes no Calma Urgente

[00:59:53] que é a figura do presidente da Câmara

[00:59:54] ela acumula poderes demais no Brasil

[00:59:57] ele não é nem o segundo homem mais

[00:59:59] em alguns momentos ele foi o homem mais poderoso

[01:00:02] do Brasil

[01:00:03] Rodrigo Maia tinha um poder gigantesco

[01:00:06] no governo Bolsonaro

[01:00:07] Eduardo Cunha

[01:00:07] Eduardo Cunha

[01:00:09] saudade de Rodrigo Maia presidente da Câmara

[01:00:11] a gente era feliz e não sabia

[01:00:13] mas Eduardo Cunha

[01:00:16] calendário Maia

[01:00:18] Rodrigo Maia que definiu o calendário

[01:00:19] e Eduardo Cunha tirou uma presidenta

[01:00:22] porque ela atrapalhou ele em algum momento ali

[01:00:25] foi isso que aconteceu

[01:00:25] o impeachment foi simples assim

[01:00:27] exatamente

[01:00:28] quando a Dilma não aguentou

[01:00:32] a pressão popular

[01:00:33] e autorizou

[01:00:36] que o PT votasse

[01:00:38] pela abertura de um inquérito com Eduardo Cunha

[01:00:41] também isso?

[01:00:41] e aí vem o

[01:00:42] e aí ele liberou o impeachment

[01:00:45] o Hugo Motta o que ele faz?

[01:00:47] ele corrige essa deficiência

[01:00:50] da construção brasileira que dá poder demais

[01:00:52] a figura do presidente da Câmara

[01:00:53] sendo uma zêmula

[01:00:55] esvaziando o próprio poder

[01:00:57] então ele acaba com o problema

[01:00:59] que existe que é a função dele ter poder demais

[01:01:02] e consegue a função de exercer

[01:01:04] a função dele

[01:01:05] sem poder nenhum

[01:01:06] então ele se esvazia quase como um protesto

[01:01:10] contra a própria importância

[01:01:11] e vira ali uma coisa amorfa

[01:01:14] que ele diz

[01:01:16] que vota pela blindagem

[01:01:18] para que ela não aconteça

[01:01:19] e promete uma pacificação

[01:01:21] e pede silêncio enquanto todos berram

[01:01:23] e ninguém ouve

[01:01:24] as pessoas ocupam a cadeira dele para obrigar ele a votar uma coisa

[01:01:27] em vez de expulsar

[01:01:29] lutar pela cassação dos parlamentares

[01:01:31] que sentaram na cadeira dele

[01:01:32] e o impediram de sentar na própria cadeira

[01:01:34] ele faz a votação que os caras pediram

[01:01:37] ele erra em todos os manuais mais básicos

[01:01:40] de liderança

[01:01:41] vamos dizer assim

[01:01:41] ele cede a qualquer chantagem que fazem

[01:01:45] ele promete uma coisa e não cumpre

[01:01:47] não é nem que ele é líquido

[01:01:49] ele é gasoso mesmo

[01:01:50] e mesmo para o centrão

[01:01:52] alguma coisa a pessoa precisa ter

[01:01:53] o Arthur Lira que era um crápula

[01:01:55] um cretino ainda é

[01:01:56] inclusive está por trás dessa votação

[01:01:58] ele é um cara que tinha

[01:02:01] entre os aliados

[01:02:02] uma certa coerência

[01:02:05] ele prometia as coisas

[01:02:06] mesmo que fosse alguma coisa absurda

[01:02:09] ele tinha uma pacificação

[01:02:11] uma palavra vamos dizer assim

[01:02:12] dizem as pessoas que tratavam com ele

[01:02:14] o que para criminosos é muito importante

[01:02:16] a pessoa ter palavra

[01:02:17] a única coisa que se espera

[01:02:19] de um criminoso é a palavra

[01:02:20] que ele vai cumprir

[01:02:22] a lógica da máfia é essa

[01:02:23] da lealdade

[01:02:24] cara o Hugo Mota nem isso tem

[01:02:26] então é muito louco

[01:02:26] é uma figura bem ímpar na nossa história

[01:02:29] e leva a culpa

[01:02:30] de coisa que ele não tem capacidade de fazer

[01:02:32] ele segue como o responsável

[01:02:36] sem o poder correspondente

[01:02:39] que ele mesmo abdicou

[01:02:40] então é muito figura triste mesmo

[01:02:41] é esperamos que os cidadãos da Paraíba

[01:02:44] no ano que vem

[01:02:45] retirem essa criatura

[01:02:47] porque realmente

[01:02:50] é uma vergonha

[01:02:52] eles são

[01:02:53] eles se reinventam

[01:02:54] falando em reinvenção gente

[01:02:56] o Temer né

[01:02:58] que figura resiliente

[01:03:00] para usar uma palavra da moda

[01:03:02] e não sei como esse homem segue tão relevante

[01:03:05] vocês viram o Eduardo Bolsonaro falando de novo

[01:03:07] de Temer

[01:03:08] ele tem alguma fixação com o Temer

[01:03:09] o Eduardo Bolsonaro falou

[01:03:11] o que ele mais queria era ser um Temer

[01:03:13] pois é ele fala para o pai né

[01:03:15] eu quero que você olhe para mim

[01:03:16] e você veja um Temer pai

[01:03:18] se falarem isso para o Temer

[01:03:20] ele tem uma questão com o Temer

[01:03:21] e hoje ele estava apostando

[01:03:22] se insurgindo contra o Temer

[01:03:23] falando que o Temer estava

[01:03:25] está chateado com o Temer

[01:03:27] porque o Temer é a favor da PEC

[01:03:29] segundo o Eduardo Bolsonaro

[01:03:31] seria a favor da PEC da dosimetria

[01:03:33] que é como eles estão chamando

[01:03:35] a anistia que não é anistia né

[01:03:37] a redução de penas

[01:03:39] a redução de penas

[01:03:40] que não é anistia

[01:03:41] não é inacreditável

[01:03:42] o Eduardo Bolsonaro

[01:03:45] hoje

[01:03:46] hoje

[01:03:46] está ali reclamando da PEC da dosimetria

[01:03:49] falando que eles não vão aceitar isso

[01:03:50] que é um absurdo

[01:03:50] que é uma injustiça

[01:03:51] que apenas a anistia absoluta e restrita

[01:03:53] será aceita

[01:03:54] e ele vai ameaçando todo mundo

[01:03:55] e é muito doido

[01:03:56] porque ele fala da lei americana

[01:03:58] como se fosse a lei dele

[01:03:59] sabe

[01:04:00] então ele diz

[01:04:01] não porque a lei

[01:04:02] diz

[01:04:03] que todos os cúmplices

[01:04:05] desse regime de exceção

[01:04:06] também podem ser penalizados

[01:04:08] pelas sanções

[01:04:08] ele fica ameaçando todo mundo de sanção

[01:04:11] como se ele fosse um Temer

[01:04:11] como se ele fosse um braço

[01:04:12] do departamento de estado americano

[01:04:13] é inacreditável esse homem

[01:04:15] realmente

[01:04:16] todo mundo já falou isso

[01:04:17] não estou falando nenhuma grande novidade

[01:04:18] mas ele não cansa de nos surpreender

[01:04:20] com a profundeza do seu antipatriotismo

[01:04:24] e da sua confusão

[01:04:26] identitária mesmo

[01:04:28] eu acho que ele realmente

[01:04:29] não entendeu que ele é brasileiro

[01:04:30] ele não sacou

[01:04:32] não

[01:04:32] aliás Alessandra

[01:04:33] você está em Nova York?

[01:04:35] pois é

[01:04:36] não conta pra ninguém

[01:04:37] o Eduardo Bolsonaro

[01:04:38] não precisava saber

[01:04:39] conta pra gente

[01:04:40] como é que está

[01:04:41] não

[01:04:41] como é que está isso aí

[01:04:43] eu acabei de chegar

[01:04:45] eu estou aqui

[01:04:45] em relação a ONU

[01:04:47] qual é a sua expectativa

[01:04:48] em relação a ONU

[01:04:49] você acha que

[01:04:50] eu estou ansioso

[01:04:51] pelo discurso do Lula

[01:04:52] você vai assistir?

[01:04:53] amanhã

[01:04:54] vou

[01:04:54] essa semana

[01:04:56] pra quem não acompanha

[01:04:57] o que a gente chama

[01:04:58] de semana do clima

[01:04:59] em Nova York

[01:05:01] em que a gente tem

[01:05:01] uma série de discussões

[01:05:02] sobre a mudança climática

[01:05:03] é uma semana importante

[01:05:04] porque ela precede a COP

[01:05:07] e pro Brasil

[01:05:07] vai ser especialmente importante

[01:05:09] um pouco como prévia

[01:05:09] do que a COP será

[01:05:10] mas a gente

[01:05:11] a negociação

[01:05:12] multilateral

[01:05:14] não só climática

[01:05:14] o multilateralismo

[01:05:15] está morrendo

[01:05:17] no mundo

[01:05:17] ele está muito

[01:05:18] sem prestígio

[01:05:19] então

[01:05:20] é um momento

[01:05:22] muito estranho

[01:05:23] mesmo

[01:05:23] de mundo

[01:05:24] talvez a gente

[01:05:25] nunca tenha tido

[01:05:26] tanta necessidade

[01:05:27] de multilateralismo

[01:05:28] e tão pouca capacidade

[01:05:30] de trabalhar

[01:05:31] de forma cooperativa

[01:05:32] entre nações

[01:05:32] porque

[01:05:33] houve uma retirada

[01:05:35] da sala

[01:05:35] de atores importantes

[01:05:37] como os próprios

[01:05:38] Estados Unidos

[01:05:39] com isso dito

[01:05:40] eu acho que isso também

[01:05:41] abre outras oportunidades

[01:05:42] de pontes

[01:05:43] entre outros países

[01:05:44] que podem também

[01:05:45] parar de serem triangulados

[01:05:46] só pelos Estados Unidos

[01:05:47] e é isso

[01:05:49] Lula já chegou aqui

[01:05:50] e acho que amanhã

[01:05:51] tem uma cena épica

[01:05:53] acho que da história

[01:05:54] da ONU mesmo

[01:05:55] nesse momento

[01:05:56] que a ONU está

[01:05:56] e eu acho que é pior

[01:05:57] do que a Alessandra colocou

[01:05:58] que os Estados Unidos

[01:05:59] se retirou da sala

[01:06:00] porque teve essa

[01:06:01] tem essa disfunção clássica

[01:06:03] do conselho de segurança

[01:06:04] muito típica

[01:06:05] de que a ONU

[01:06:06] nunca foi de verdade

[01:06:07] um instrumento

[01:06:09] de governança

[01:06:10] de segurança

[01:06:11] é mundial

[01:06:12] é democrática

[01:06:13] mas não é que os Estados Unidos

[01:06:14] se retirou

[01:06:15] eles fecharam

[01:06:17] uma nova investida

[01:06:19] contra

[01:06:21] o mandato

[01:06:23] da própria ONU

[01:06:24] e acho que a questão

[01:06:24] de Gaza e Israel

[01:06:26] invalidou mesmo

[01:06:28] o conceito de lei

[01:06:29] que a ONU representa

[01:06:32] e amanhã vai ter

[01:06:33] um clash muito importante

[01:06:35] que é o Lula abre

[01:06:36] e o Trump entra na sequência

[01:06:39] então

[01:06:41] que line-up hein

[01:06:42] que line-up

[01:06:42] nesse momento

[01:06:43] em que é inédito

[01:06:44] na história brasileira

[01:06:46] de um país sendo retalhado

[01:06:48] por motivos jurídicos

[01:06:50] nem por motivos políticos

[01:06:51] por interferência política

[01:06:53] por interferência

[01:06:54] uma intervenção

[01:06:54] que a ONU

[01:06:55] deveria ser exatamente

[01:06:57] um organismo

[01:06:57] onde isso não é possível

[01:06:58] tem uma série

[01:06:59] de outras questões por aí

[01:07:01] a grande destruição democrática

[01:07:03] dos Estados Unidos

[01:07:04] amanhã

[01:07:04] vai estar em plena

[01:07:05] exuberância

[01:07:06] então tem esse conflito

[01:07:08] que a gente está esperando ver

[01:07:09] o que o Lula vai falar

[01:07:10] o que o Trump vai falar

[01:07:11] e quais as consequências

[01:07:13] então é até ruim

[01:07:13] a gente fazer esse podcast hoje

[01:07:15] porque amanhã

[01:07:15] ele vai para o Spotify

[01:07:17] sem esse adendo

[01:07:19] ou a gente faz um amanhã

[01:07:20] mas vai ser foda

[01:07:23] e tem muitas coisas aí

[01:07:24] que a gente vai falar

[01:07:25] semana que vem

[01:07:25] a gente pode olhar para isso

[01:07:26] com cuidado

[01:07:27] e eu vou reportar aqui

[01:07:28] o que eu tiver visto

[01:07:29] e ouvido

[01:07:30] nesses dias

[01:07:31] falando nisso gente

[01:07:32] eu vou ter que me despedir

[01:07:33] um pouco antes

[01:07:33] do Greg e do Bruno

[01:07:34] justamente porque

[01:07:35] eu estou aqui

[01:07:35] com uma agenda bem

[01:07:36] em corrida

[01:07:36] de semana do clima

[01:07:38] mas quero dar um beijo

[01:07:39] em todo mundo

[01:07:40] e falar

[01:07:41] que apesar de tudo

[01:07:42] estou otimista

[01:07:43] é isso

[01:07:44] o otimismo

[01:07:45] está invadindo o meu ser

[01:07:46] vamos adiante

[01:07:47] otimismo cauteloso

[01:07:48] sempre

[01:07:49] sempre

[01:07:50] é isso

[01:07:51] um beijo queridos

[01:07:52] um beijo Alessandra

[01:07:53] um beijo Alé

[01:07:54] um beijo

[01:07:55] Greg tem chance

[01:07:56] de cair a minha ligação

[01:07:57] tem chance de cair

[01:07:58] a minha ligação

[01:07:59] por causa da minha bateria

[01:08:00] se cair

[01:08:01] você encerra

[01:08:02] precária

[01:08:03] gente

[01:08:03] falar sobre dois livros

[01:08:05] Beatriz Perroni Moisés

[01:08:06] uma antropóloga espetacular

[01:08:08] lançou esse livro

[01:08:08] aqui pela Elefante

[01:08:09] as elefantes

[01:08:10] estão cheias de elefantes

[01:08:10] cheias de livros muito bons

[01:08:11] esse daqui é muito maneiro

[01:08:14] que é um dos movimentos coletivos

[01:08:15] dos povos nativos

[01:08:16] da América

[01:08:17] ainda estou no meio

[01:08:18] mas é espetacular

[01:08:20] porque é bom

[01:08:21] ela é uma antropóloga

[01:08:22] espetacular

[01:08:23] com muito trabalho de campo

[01:08:25] e que fala sobre

[01:08:26] essa interseção

[01:08:27] entre a festa

[01:08:28] o ritual

[01:08:30] que são palavras

[01:08:31] que inclusive

[01:08:32] é uma dicotomia

[01:08:32] que nem existe

[01:08:33] na verdade

[01:08:33] entre festa e ritual

[01:08:34] na maioria dos povos

[01:08:36] é ameríndios

[01:08:36] e

[01:08:37] e luta

[01:08:39] política

[01:08:40] que também muitas vezes

[01:08:41] não tem

[01:08:42] então essa interseção

[01:08:43] entre festa, luta

[01:08:44] protesta

[01:08:45] perdão

[01:08:46] guerra

[01:08:46] não é nem luta a palavra

[01:08:47] guerra, festa e ritual

[01:08:49] muitas vezes tem a mesma palavra

[01:08:50] entre povos ameríndios

[01:08:51] então ela fala

[01:08:53] sobre essa interseção

[01:08:54] que aliás

[01:08:54] vem a calhar

[01:08:55] no momento que a gente

[01:08:55] está retomando as ruas

[01:08:57] de uma maneira festiva

[01:08:58] como é comum

[01:08:59] que essa diferença

[01:09:01] entre a festa

[01:09:02] a guerra

[01:09:03] e

[01:09:03] o ritual

[01:09:05] ela não exista

[01:09:06] para muitos povos

[01:09:07] e é muito bonito

[01:09:08] o livro

[01:09:09] cheio de grandes

[01:09:10] incêndios

[01:09:10] e com um trabalho

[01:09:11] sério de campo

[01:09:12] de uma antropóloga

[01:09:13] que eu não conhecia

[01:09:14] mas que

[01:09:14] estou fascinado

[01:09:16] escreve bem

[01:09:16] é interessante

[01:09:17] é abessa

[01:09:17] e o que me leva

[01:09:18] a um outro livro

[01:09:19] da elefante

[01:09:21] que eu estou lendo junto

[01:09:22] assim intercalando

[01:09:23] que é o concreto

[01:09:23] cara

[01:09:24] espetacular

[01:09:25] esse cara é muito foda

[01:09:27] o Anselm Jappe

[01:09:27] é um alemão

[01:09:29] pelo menos mora na Alemanha

[01:09:30] e ele fala sobre o concreto

[01:09:31] que eu nunca tinha parado

[01:09:32] para pensar

[01:09:33] ele diz que o concreto

[01:09:34] é

[01:09:34] o concreto armado

[01:09:36] concreto armado

[01:09:37] é

[01:09:38] a imagem maior

[01:09:39] do capitalismo

[01:09:40] do capitalismo

[01:09:41] tendo vencido

[01:09:41] porque ele

[01:09:43] ele dura pouco

[01:09:45] ele é obsoleto

[01:09:46] ele toma a forma

[01:09:48] que for precisa

[01:09:48] como o capitalismo

[01:09:49] ele é a cara

[01:09:50] de uma sociedade

[01:09:51] que não constrói

[01:09:52] coisas duradouras

[01:09:53] sem nenhuma relação

[01:09:55] com o meio ambiente

[01:09:56] ele é poluidor

[01:09:57] ele é corrosivo

[01:09:58] cara

[01:09:58] é um grande manifesto

[01:09:59] contra o concreto armado

[01:10:00] que a gente no Brasil

[01:10:01] aprendeu a amar

[01:10:01] muito por causa

[01:10:03] de Niemeyer

[01:10:03] e de tantos arquitetos

[01:10:04] geniais

[01:10:04] que fizeram coisas

[01:10:05] muito bonitas

[01:10:06] com o concreto armado

[01:10:06] mas ao mesmo tempo

[01:10:07] a gente esquece

[01:10:08] que ele é

[01:10:09] um material

[01:10:10] que é muito

[01:10:11] cagado mesmo

[01:10:12] ele é a cara

[01:10:13] desse capitalismo

[01:10:13] do século XX

[01:10:14] muito desumano

[01:10:15] mesmo

[01:10:16] péssimo

[01:10:16] inclusive e sobretudo

[01:10:17] pra nós que moramos

[01:10:18] numa região

[01:10:18] muito quente

[01:10:20] ele é péssimo

[01:10:21] do ponto de vista

[01:10:22] de temperatura

[01:10:23] como

[01:10:24] pra moradia

[01:10:26] e como

[01:10:27] a maioria das pessoas

[01:10:27] que construiu

[01:10:28] um concreto armado

[01:10:29] nunca morou

[01:10:29] numa casa de concreto armado

[01:10:31] ele fala disso

[01:10:31] que o próprio Le Corbusier

[01:10:33] fez um ponto de moradia

[01:10:34] popular

[01:10:35] aliás é um grande livro

[01:10:36] contra o Le Corbusier

[01:10:37] que era um fascistão

[01:10:38] mesmo

[01:10:38] abertamente fascistão

[01:10:40] e que a esquerda

[01:10:41] passou a amar

[01:10:41] mas era um fascistão

[01:10:43] e as construções dele

[01:10:44] eram meio fascistonas

[01:10:45] e que sempre fez

[01:10:46] um monte de coisa

[01:10:46] de concreto armado

[01:10:47] pro povo

[01:10:48] pra si mesmo

[01:10:49] no fim da vida

[01:10:50] fez uma cabaninha

[01:10:51] de madeira

[01:10:52] gostosinha

[01:10:53] pra ele passar a velhice

[01:10:54] não fez uma casinha

[01:10:55] de concreto armado não

[01:10:56] então fala dessa

[01:10:57] dicotomia do arquiteto

[01:10:58] que fazia concreto armado

[01:10:59] pra população

[01:11:01] mas pra si mesmo

[01:11:01] casinhas

[01:11:03] gostosinhas

[01:11:03] de madeira

[01:11:04] ou de barro

[01:11:06] do que for

[01:11:06] né

[01:11:07] então

[01:11:07] muito bom o livro

[01:11:09] Anselmo Iap

[01:11:09] bom, interessante

[01:11:10] e

[01:11:12] conta uma história

[01:11:13] do concreto assim

[01:11:14] que eu não conhecia

[01:11:15] porque sou bem ignorante

[01:11:16] nesse quesito

[01:11:18] e nos outros também

[01:11:19] e você Bruno?

[01:11:21] alguma coisa?

[01:11:21] quer falar de algo?

[01:11:22] cara

[01:11:22] eu tô

[01:11:23] avançando

[01:11:24] na minha

[01:11:24] leitura do

[01:11:25] É Longe da Árvore

[01:11:26] do

[01:11:27] é livro

[01:11:28] super

[01:11:29] grosso

[01:11:30] e super interessante

[01:11:31] super rico

[01:11:32] super cheio de

[01:11:33] reflexões

[01:11:34] insights

[01:11:34] grandes

[01:11:35] inspirações

[01:11:37] assim

[01:11:37] pra gente pensar

[01:11:37] sobre a vida

[01:11:38] que é do

[01:11:39] Andrew Solomon

[01:11:40] sobre

[01:11:41] pais

[01:11:42] filhos

[01:11:43] e a busca

[01:11:44] por a identidade

[01:11:45] que a gente tá lendo

[01:11:46] pra o clube

[01:11:48] do livro

[01:11:48] do Calmo Urgente

[01:11:49] que daqui a duas semanas

[01:11:51] a gente começa

[01:11:52] a discutir

[01:11:52] esse livro

[01:11:54] então

[01:11:54] é isso

[01:11:56] ele já tá recomendado

[01:11:57] mas pra quem tá

[01:11:58] e pra quem não tá

[01:11:59] do nosso clube

[01:12:00] é uma baita discussão

[01:12:01] é um baita livro

[01:12:02] e eu tô especialmente

[01:12:03] sensibilizado

[01:12:04] porque eu vou ser pai

[01:12:05] em duas semanas

[01:12:06] né

[01:12:06] novamente

[01:12:07] vai nascer uma

[01:12:09] menininha

[01:12:10] muito feliz por isso

[01:12:11] Bruno agora travou

[01:12:12] mas feliz com a filha do Bruno

[01:12:14] e com essa notícia

[01:12:16] da dupla paternidade

[01:12:18] do nosso amigo Bruno Torturra

[01:12:19] vai dar uma irmãzinha

[01:12:21] eu pro seu filho

[01:12:23] querido Xavier

[01:12:24] ele e Laila Morta

[01:12:25] sua esposa

[01:12:25] também é espetacular

[01:12:27] muito feliz com essa notícia

[01:12:28] vem já já

[01:12:28] então torcendo aí

[01:12:30] viu

[01:12:30] pra vir em boa hora

[01:12:31] lembrar

[01:12:32] a vocês do Rio de Janeiro

[01:12:34] que abriu

[01:12:34] o Mercadinho São José

[01:12:36] quem vier

[01:12:36] novo Mercado São José

[01:12:37] viu

[01:12:39] Laranjeiras

[01:12:39] claro

[01:12:39] Laranjeiras

[01:12:40] meu país

[01:12:41] brincadeira

[01:12:42] Laranjeiras tem Mercadinho São José

[01:12:43] tá lindo demais

[01:12:44] eu fui lá ontem

[01:12:44] abertura

[01:12:45] parabéns aos envolvidos

[01:12:46] ao projeto da Tati Felner

[01:12:47] genial

[01:12:48] lindo projeto

[01:12:49] não é de concreto armado

[01:12:51] é muito lindo

[01:12:52] e todas as pessoas queridas

[01:12:53] que estão lá

[01:12:53] abrindo o pessoal da junta

[01:12:54] fez uma coisa

[01:12:55] tá fazendo uma coisa linda demais

[01:12:56] no Mercadinho

[01:12:57] então visitem o Mercadinho

[01:12:59] parabéns a todos

[01:12:59] que foram às ruas ontem

[01:13:00] no Brasil inteiro

[01:13:01] manifestações lindas

[01:13:02] em todo o país

[01:13:03] então parabéns

[01:13:04] a todos vocês

[01:13:05] que foram às ruas

[01:13:05] viva

[01:13:06] vamos retomar as ruas

[01:13:07] contra a PEC da bandidagem

[01:13:09] contra a tão chamada

[01:13:10] anistia

[01:13:11] que na verdade é impunidade

[01:13:12] contra a impunidade

[01:13:13] a favor da cadeia

[01:13:15] para golpistas

[01:13:16] um grande abraço

[01:13:17] a todos vocês

[01:13:17] até semana que vem

[01:13:18] segunda-feira tem mais

[01:13:19] Calma Urgente

[01:13:20] um beijo

[01:13:20] o Calma Urgente

[01:13:26] é uma produção

[01:13:27] da Peri Produções

[01:13:28] e do Estúdio Fluxo

[01:13:29] na apresentação

[01:13:30] Alessandra Orofino

[01:13:32] Gregório Dovivier

[01:13:33] e Bruno Torturra

[01:13:34] na coordenação de produção

[01:13:35] Carolina Foratini Igreja

[01:13:37] na captação

[01:13:38] edição

[01:13:39] e mixagem

[01:13:39] Vitor Bernardes

[01:13:41] as ilustrações

[01:13:42] são da Ana Brandão

[01:13:43] nas redes sociais

[01:13:44] Teodora Dovivier

[01:13:45] e Bruna Messina

[01:13:46] na gestão de comunidade

[01:13:48] Marcela Brandes

[01:13:49] e a identidade visual

[01:13:50] é do Pedro Inouye