O que a economia comportamental pode fazer pelas suas finanças?


Resumo

O episódio discute como a economia comportamental e a psicologia econômica ajudam a entender os mecanismos por trás das decisões financeiras, muitas vezes irracionais e guiadas por emoções. As convidadas Vera Rita Ferreira (psicóloga econômica) e Débora Vizarria (economista) explicam conceitos como viés do presente, túnel da escassez e sistema 1 vs. sistema 2 de pensamento, mostrando como empresas usam técnicas para estimular o consumo impulsivo.

São abordadas as armadilhas do cotidiano, como ofertas relâmpago, compras por um clique, a facilidade de delivery e a influência das redes sociais. As especialistas destacam que o autocontrole é um recurso finito que se esgota com o cansaço, tornando as pessoas mais vulneráveis a decisões ruins em momentos de estresse ou escassez financeira.

O episódio também trata do endividamento, mostrando que nem toda dívida é igual e que é possível renegociar ou trocar por opções com juros menores. São discutidas estratégias para criar “fricção” e retomar o controle, como desinstalar aplicativos, anotar gastos, estabelecer metas e automatizar poupança.

Por fim, o programa alerta sobre a confusão entre apostas esportivas (bets) e investimentos, explicando como o marketing dessas plataformas se aproveita de vieses cognitivos e da exaustão mental. As convidadas defendem a regulação e a educação como partes do “quinteto fantástico” necessário para proteger os consumidores, junto com conhecimento, políticas públicas, proteção ao consumidor e arquitetura de escolha.


Indicações

Conceitos

  • Sistema 1 e Sistema 2 (Daniel Kahneman) — Conceito central discutido: Sistema 1 é rápido, automático e emocional; Sistema 2 é lento, deliberativo e racional. Na hora H, o Sistema 1 geralmente domina as decisões financeiras.
  • Túnel da Escassez — Estado mental de estresse e foco extremo causado pela escassez (de dinheiro, tempo, etc.) que reduz a capacidade de tomar boas decisões e esgota o autocontrole.
  • Arquitetura da Escolha (Nudge) — O design do contexto em que as decisões são tomadas pode ‘empurrar’ (nudge) as pessoas para escolhas mais benéficas, como no exemplo do ‘Save More Later’ (Poupe Mais Amanhã).
  • Viés do Presente — Tendência de supervalorizar recompensas imediatas em detrimento de benefícios futuros, explicando por que é tão difícil poupar.
  • Falácia dos Custos Irrecuperáveis (Sunk Cost Fallacy) — A tendência de continuar investindo em algo (tempo, dinheiro, esforço) simples porque já se investiu no passado, mesmo quando é irracional – mencionada no contexto das apostas.

EstratéGias-PráTicas

  • Anotar gastos manualmente — Vera recomenda anotar gastos à mão no final do dia como forma poderosa de criar consciência e ‘fricção’, fazendo a pessoa ‘conversar consigo mesma’ sobre seus gastos.
  • Estabelecer limite de gasto por dia — Estratégia citada de um influenciador (Breno Nogueira): calcular gastos fixos, definir um valor disponível para gastos variáveis e dividir por dia, permitindo dosagem (ex: mais para fins de semana).
  • Automatizar a poupança — Considerada a ‘dica de ouro’ por Débora: configurar transferência automática para uma conta de poupança/investimentos assim que o salário cair, removendo a necessidade de decisão ativa.
  • Criar fricção digital — Desinstalar aplicativos de compras, deixar o celular em preto e branco à noite, colocar itens no carrinho e esperar (carrinho fantasma) em vez de comprar com um clique.
  • Metas e listas de compras — Citar estudo sobre compras de Natal que mostrou que pessoas com uma lista escrita e limite definido gastaram até 50% menos. Ter um ‘teto mental’ já ajuda no controle.

InstituiçõEs

  • Associação Internacional de Pesquisa em Psicologia Econômica (IAREP) — Associação da qual Vera Rita Ferreira foi a primeira presidente latino-americana eleita, mencionada como parte de sua trajetória acadêmica.
  • OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) — Vera é membro do grupo consultivo de pesquisa da OCDE para educação financeira, destacando seu envolvimento em políticas públicas internacionais.

Pessoas

  • Daniel Kahneman — Psicólogo social ganhador do Prêmio Nobel de Economia (2002), autor da teoria dos Sistemas 1 e 2. Vera menciona ter dividido um painel com ele e cita sua fala sobre como as pessoas correm riscos por não perceberem a probabilidade real de dar errado.
  • Richard Thaler — Ganhador do Prêmio Nobel de Economia (2017), citado por Débora por seu estudo ‘Save More Later’ (Poupe Mais Amanhã), um exemplo clássico de arquitetura de escolha aplicada à poupança para aposentadoria.

Linha do Tempo

  • 00:02:10Introdução às convidadas e ao tema da economia comportamental — As apresentadoras Cris e Ju recebem Vera Rita Ferreira (psicóloga econômica) e Débora Vizarria (economista) para discutir como forças invisíveis moldam o comportamento financeiro. Débora explica que a economia comportamental estuda como emoções e contextos afetam decisões, mesmo quando temos informação sobre o que seria melhor fazer a longo prazo.
  • 00:08:04Exemplo prático: política pública ‘Poupe Mais Amanhã’ — Débora cita o estudo ‘Save More Later’ de Richard Thaler (Nobel 2017), onde pessoas comprometiam parte de futuros aumentos salariais para aposentadoria. Essa arquitetura de escolha aumentou a poupança em cerca de 30%, explorando a tendência de adiar decisões difíceis no presente.
  • 00:10:22O mecanismo do impulso e a fragilidade da razão — Vera explica que as emoções e impulsos são muito mais antigos e poderosos que a razão na evolução humana. Ela menciona um estudo de neurociência que mostra que poupar para o futuro ativa as mesmas áreas cerebrais que doar dinheiro a um estranho, pois temos dificuldade em nos conectar com nosso ‘eu futuro’.
  • 00:14:06Técnicas usadas por empresas para ‘hackear’ decisões — Débora dá exemplos de ‘dark patterns’ ou padrões ocultos usados por empresas, como a opção ‘continuar desprotegido’ em cinza versus ‘comprar seguro’ em vermelho em sites de compra de passagens. Também discute a facilidade do ‘compre com um clique’ e upsells como ‘quer batata grande por mais um real?‘.
  • 00:19:35O Quinteto Fantástico: armas contra a manipulação — Vera propõe o ‘Quinteto Fantástico’ como conjunto de defesas para o cidadão contra as estratégias corporativas: 1) Conhecimento sobre funcionamento mental (psicologia econômica), 2) Educação financeira, 3) Proteção do consumidor, 4) Regulação e 5) Arquitetura de escolha (design comportamental do contexto).
  • 00:22:47Criando fricção: estratégias práticas para autocontrole — As convidadas discutem como criar ‘fricção’ para dificultar decisões impulsivas. Sugerem desinstalar aplicativos de compras, deixar o celular em preto e branco à noite, colocar itens no carrinho e esperar, estabelecer metas de gastos por dia e anotar gastos manualmente para aumentar a consciência.
  • 00:36:15Despesas inesperadas e o túnel da escassez — O episódio aborda como emergências financeiras levam ao ‘túnel da escassez’, um estado de estresse que reduz a capacidade de tomar boas decisões. Vera explica que o autocontrole é um recurso finito que se esgota, especialmente para pessoas em situação de pobreza ou endividamento crônico.
  • 00:44:42Cartão de crédito, cheque especial e alternativas de crédito — Débora alerta que cartão de crédito e cheque especial têm as taxas de juros mais altas justamente por serem fáceis e automáticos. Ela sugere que, mesmo após cometer o erro de usá-los, é possível buscar alternativas como empréstimos pessoais com juros menores, negociar com o banco ou usar portabilidade de crédito.
  • 00:50:04A importância da reserva de emergência (ou ‘reserva de paz’) — Vera defende a reserva de emergência como ‘vacina contra o uso do crédito’ em situações imprevistas. Ela menciona que uma aluna a chama de ‘reserva de paz’, um termo mais positivo. A conversa também aborda traumas históricos como o confisco do Plano Collor que afetaram a cultura de poupança no Brasil.
  • 00:52:50Por que as pessoas confundem apostas (bets) com investimento? — Débora analisa como o marketing das plataformas de apostas esportivas usa gráficos e linguagem que imitam o mercado financeiro, criando confusão. Ela destaca que day trading também é essencialmente aposta, com altíssimas taxas de perda. O importante é tratar o gasto com apostas como entretenimento, com limite definido, nunca como solução financeira.
  • 00:58:01Aversão à perda, risco e a realidade dos apostadores de baixa renda — Vera explica o conceito de aversão à perda e como ele leva a ‘dobrar a aposta’ para tentar recuperar prejuízos. Ela cita uma pesquisa antropológica que mostra que, para pessoas de baixa renda, o risco da bet é apenas mais um numa vida já cheia de riscos (violência, humilhação no trabalho), tornando a aposta menos intimidante.

Dados do Episódio

  • Podcast: Mamilos
  • Autor: B9
  • Categoria: News
  • Publicado: 2025-09-30T09:06:59Z
  • Duração: 01:04:19

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Quanto mais fácil é você se endividar com a coisa, maior é o juro.

[00:00:04] Porque tem que lembrar, né?

[00:00:04] O banco é uma empresa que está querendo ganhar dinheiro.

[00:00:07] As metas ajudam muito a controlar.

[00:00:10] Porque tem um estudo de psicologia econômica, de compras de Natal,

[00:00:15] e eles viram que as pessoas que faziam uma listinha no papel com X, X, X de limite,

[00:00:26] gastavam até 50% menos.

[00:00:29] E até mesmo se você tivesse um teto mental só, só na cabeça,

[00:00:35] você já se controlava mais, em comparação com pessoas que entregam patupã, né?

[00:00:49] Mamileiros e mamiletes, sejam todos muito bem-vindos a esse espaço de diálogo de peito aberto.

[00:00:55] Eu sou a Cris Bartz.

[00:00:56] Eu sou a Ju Valauer.

[00:00:58] E vamos falar do…

[00:00:59] O seu dinheirinho e das emoções que envolvem o seu dinheiro.

[00:01:03] Mas antes, um brevíssimo intervalo.

[00:01:08] Hoje a gente vai conversar sobre as forças invisíveis que moldam o nosso comportamento

[00:01:13] para te empoderar a tomar as melhores decisões financeiras,

[00:01:17] para escapar das armadilhas do inconsciente e realizar os seus planos.

[00:01:21] Você pode continuar essa jornada que começa aqui com a série Papo de Grana da Creditas,

[00:01:27] que é a maior plataforma de crédito com garantia da América Latina, realizada junto com a B3.

[00:01:34] São episódios rápidos, com conteúdos leves e acessíveis, que ajudam a organizar seu dinheiro,

[00:01:39] sair das dívidas e até dar os primeiros passos nos investimentos.

[00:01:44] Os episódios estão disponíveis no YouTube da Creditas e ainda tem materiais extras gratuitos para se aprofundar.

[00:01:51] A gente vai deixar o link para a página na descrição do episódio.

[00:01:53] Ou você pode já ir conferir no site…

[00:01:57] Vamos juntos levar mais educação financeira para mais brasileiros.

[00:02:10] Voltamos, porque falar de dinheiro não dá para fazer sozinho, né?

[00:02:14] Você precisa o quê? Precisa de uma boa orientação, precisa de gente que te dê bons argumentos para pensar melhor.

[00:02:20] E é isso que a gente fez aqui.

[00:02:22] Trouxemos duas convidadas que vão nos ajudar a pensar.

[00:02:26] Por favor, vejam…

[00:02:27] A Vera, que já é de casa. Por favor, seja presente para os nossos ouvintes.

[00:02:31] Quem é você na fila do pão?

[00:02:34] Obrigada pelo convite novamente. Um prazer estar aqui.

[00:02:37] Eu sou a Vera Rita Ferreira.

[00:02:40] Eu sou psicóloga econômica, que é uma área que a gente estuda comportamento econômico e principalmente tomada de decisão.

[00:02:48] Como a gente faz as escolhas, não só com dinheiro, com recursos finitos em geral, como a atenção, o autoconhecimento.

[00:02:57] Tudo isso é finito também. E recursos naturais, sem dúvida. Enfim, uma porção de coisas.

[00:03:05] E, originalmente, eu sou psicanalista.

[00:03:09] Então, eu tenho doutorado em psicologia social.

[00:03:13] E eu fui, a coisa mais chique do meu currículo,

[00:03:17] eu fui eleita a primeira presidente latino-americana da Associação Internacional de Pesquisa em Psicologia Econômica.

[00:03:26] A sigla.

[00:03:27] E eu estou envolvida também com educação financeira.

[00:03:33] E eu sou membro do grupo consultivo de pesquisa da OCDE para educação financeira.

[00:03:42] Escrevi os primeiros livros de psicologia econômica aqui no Brasil.

[00:03:47] Enfim, estou na área há mais de 30 anos.

[00:03:49] Tá certo. Muito obrigada. É sempre bom te receber aqui com tanto conhecimento.

[00:03:53] E você, Débora, conta pra gente quem é você na fila do pão.

[00:03:57] Não, nem de longe, é tão importante.

[00:04:00] Um neném.

[00:04:00] Então, a frente, na fila, conta a Vera.

[00:04:02] Eu sou Débora Vizarria, sou economista, né?

[00:04:04] Eu me formei lá pela UFPE.

[00:04:07] Sou especialista em gestão pública pelo INSPE.

[00:04:09] Tenho uma coluna na Folha de São Paulo, no qual eu vou falar de economia,

[00:04:12] às vezes com uma pegada um pouco também de tomar a decisão,

[00:04:14] às vezes de políticas públicas também.

[00:04:16] E eu fiz um curso de economia comportamental na Warwick University, lá em Inglaterra.

[00:04:21] Chique, é.

[00:04:22] Nós vamos sair daqui de aqui.

[00:04:24] Já me sinto pronta.

[00:04:27] É…

[00:04:27] Vamos lá, vamos começar.

[00:04:29] Só pra introduzir o que a gente quer falar,

[00:04:31] qual é o recorte de economia comportamental que a gente quer falar.

[00:04:34] Sobe uma notificação, aparece a oferta relâmpago,

[00:04:37] o botão comprar agora brilha.

[00:04:39] E a cabeça diz, calma, você sabe muito bem como é que tá o cartão de crédito,

[00:04:44] mas o dedo responde, parcelando dá, eu mereço.

[00:04:48] As pesquisas da Creditas, que é a maior plataforma de crédito com garantia do Brasil,

[00:04:54] mostram que tem um nó.

[00:04:55] 61% dizem entender de finanças, porém, 47% informam ter dificuldade de planejar

[00:05:02] e 46% carregam dívidas que estão entre duas a quatro vezes o salário que recebem,

[00:05:08] com empréstimo pessoal ali em destaque.

[00:05:12] Se saber bastasse, essa conta já tinha fechado, mas dinheiro não é só um número, né?

[00:05:17] Ele quer dizer a vida financeira da gente, então é reflexo das nossas relações com nós mesmos,

[00:05:23] com o outro, com o mundo inteiro.

[00:05:25] Com esse universo de oferta.

[00:05:27] Hoje, a gente vai olhar para as emoções que vão bagunçar as nossas escolhas,

[00:05:32] deixando o moralismo de lado e trazendo ciência do comportamento para a conversa.

[00:05:36] A gente vai falar de compra por impulso, num feed que nos seduz a todo momento,

[00:05:41] de despesas inesperadas que apertam o nosso bolso e apertam o nosso peito

[00:05:46] e de por que tanta gente tá caindo no canto da sereia das bets.

[00:05:51] Respira, puxa a cadeira e vem de peito aberto.

[00:05:54] Hoje, a gente vai olhar para as emoções que vão bagunçar as nossas escolhas,

[00:05:55] e a gente vai desatar esses nós que existem entre as escolhas que a gente quer fazer

[00:06:00] e as escolhas que a gente efetivamente faz.

[00:06:03] Débora, você traz um viés, um apontamento de estudo que é bastante interessante, né?

[00:06:10] Eu queria começar com você explicando para a gente o que é essa economia comportamental,

[00:06:15] o que a gente tá falando na prática quando fala desse termo.

[00:06:18] Perfeito.

[00:06:19] Junto com a economia comportamental, vem muita economia experimental também,

[00:06:22] que é a ideia de a gente pensar como as pessoas acabam,

[00:06:25] acabam tomando decisões, assim, no nível individual e meio que na prática.

[00:06:29] Não só porque, como vocês falaram, a gente tem muita informação sobre quais as melhores decisões

[00:06:33] a gente deveria tomar para as nossas finanças ou até para a nossa saúde ou para outras questões da vida.

[00:06:38] Mas no dia a dia, a gente é levado por emoções e por contextos, às vezes, de estresse, de euforia,

[00:06:44] e isso acaba afetando a maneira, né?

[00:06:46] A gente, às vezes, não consegue ligar o que a gente sabe que é o melhor

[00:06:48] com o que a gente sente que é melhor naquele momento.

[00:06:51] E, às vezes, a gente se arrepende também, né?

[00:06:53] Porque a gente olha para trás e faz, nossa, eu devia ter…

[00:06:55] poupado o meu dinheiro ali do meu primeiro salário quando eu estagiava,

[00:06:58] mas eu viajei, eu fiz, eu curti, foi bom, mas esse dinheiro estou fazendo falta hoje.

[00:07:03] E a dieta, a mesma coisa, né?

[00:07:05] A gente está sentindo mal, vai comer aquele hamburgão e aí no outro dia faz…

[00:07:08] Poxa, não era para ter comido, não valeu a pena, né?

[00:07:11] Às vezes, quando termina, eu sinto isso, né?

[00:07:13] Quando termina e como eu faço?

[00:07:15] Não valeu a pena.

[00:07:17] Então, a economia comportamental tenta investigar isso, né?

[00:07:20] Em que contextos a gente está muito permeado,

[00:07:24] é…

[00:07:25] Pelas circunstâncias da vida, pelas circunstâncias do nosso…

[00:07:28] Das nossas emoções e acaba sendo meio que atropelado por elas.

[00:07:31] E como, talvez, até encontrar formas de a gente criar uma arquitetura de escolha, né?

[00:07:35] Que é um termo que o pessoal usa muito.

[00:07:37] Para a gente, vamos dizer assim, se blindar desses próprios anseios

[00:07:42] e dessas próprias emoções que são meio transientes, né?

[00:07:45] Que não tem muito a ver com nossos objetivos de longo prazo.

[00:07:47] Não quer dizer que emoções são ruins, né?

[00:07:50] Muito pelo contrário, elas dizem muito sobre o que a gente está passando,

[00:07:53] às vezes, que a gente não raciocinou direito ainda.

[00:07:55] Mas, às vezes, se a gente se deixar levar por todas elas o tempo todo,

[00:07:59] a gente não consegue fazer nenhum projeto de longo prazo.

[00:08:04] Explica pra gente como que essa lente acrescenta a análise econômica tradicional,

[00:08:11] que supõe que a gente é sempre racional,

[00:08:13] quando a gente olha para as decisões reais, com emoção, com contexto.

[00:08:18] Dá um exemplo prático de uma política pública, por exemplo,

[00:08:20] que pode ter mudado levando em consideração essa disciplina.

[00:08:24] Perfeito.

[00:08:25] O Richard Taylor, que foi ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2017,

[00:08:28] em 2004, fez uma pesquisa que chamava Save More Later,

[00:08:34] tipo, Poupe Mais Amanhã,

[00:08:36] no qual ele colocava um pessoal numa empresa e dizia assim,

[00:08:38] olha, em vez de você dizer que você quer poupar mais hoje do seu salário para a aposentadoria,

[00:08:45] você vai comprometer um pedaço dos seus aumentos futuros,

[00:08:48] dos aumentos que você receber na sua empresa, para a aposentadoria.

[00:08:51] E aí, as pessoas tomavam essa decisão com muita facilidade,

[00:08:53] porque não é um dinheiro que eu tenho hoje,

[00:08:55] eu tenho que ganhar no futuro.

[00:08:56] E isso aumentou, acho que cerca de 30% o nível de poupança.

[00:09:00] Tem um impacto significativo,

[00:09:02] porque as pesquisas comportamentais falam muito que a gente poupa pouco,

[00:09:05] em geral, na média dos países.

[00:09:07] A gente acaba se arrependendo na velhice,

[00:09:10] que a gente poupou pouco na juventude,

[00:09:12] por causa do viés presente,

[00:09:13] e a doutora acho que vai explicar mais sobre isso depois.

[00:09:15] E tem vários experimentos desse tipo,

[00:09:18] de como é que a gente mudar a arquitetura da escolha,

[00:09:22] mudar a frase, poupa mais,

[00:09:24] mas só quando você recebeu o aumento.

[00:09:26] Sendo que, se você não tomar essa decisão hoje,

[00:09:27] não se comprometer-se hoje,

[00:09:28] quando você quer esse aumento, você vai dizer

[00:09:29] ah, não, no próximo aumento eu vou deixar para depois.

[00:09:33] Mas ao se comprometer e garantir esse desconto,

[00:09:36] você se força a entrar nesse caminho, nessa jornada,

[00:09:40] nessa trilha de poupar mais, mesmo que você adie um pouquinho.

[00:09:43] Às vezes, adiar um pouquinho é melhor do que ficar adiando perpetuamente.

[00:09:47] Então, esse é um exemplo que eu acho bem legal de falar,

[00:09:49] porque poupança tem muito a ver com, justamente,

[00:09:53] essa troca que a gente faz entre o prazer hoje

[00:09:56] e ter mais liberdade financeira e mais prazer amanhã.

[00:09:59] Prazer versus liberdade, um bom termo.

[00:10:02] Vera, deixa eu te trazer para o assunto,

[00:10:04] eu vou repetir os dados do início, porque eu acho eles bem interessantes.

[00:10:07] 61% falam, eu entendo disso aí.

[00:10:11] E aí, 47% tem dificuldade de planejar, compra por impulso,

[00:10:15] e isso aparece nos top 3 motivos de endividamento.

[00:10:20] O que é esse mecanismo do impulso?

[00:10:22] O que é isso?

[00:10:23] O mecanismo de não resistir ao elemento surpresa

[00:10:26] que aparece ali com uma proposta irrecusável.

[00:10:30] E o pior, hoje, tudo parece bastante irrecusável.

[00:10:34] Bom, aí é uma combinação de fatores, né?

[00:10:37] São várias coisas ao mesmo tempo.

[00:10:40] De um lado, a gente tem que…

[00:10:42] As emoções, como a Débora falou,

[00:10:45] elas são o que tem de mais poderoso na nossa mente.

[00:10:49] Elas estão com a gente há milhões de anos,

[00:10:53] então, a parte racional só apareceu há 15 minutos, né?

[00:10:58] Na história da humanidade.

[00:11:00] Então, ainda é muito frágil,

[00:11:03] ainda é muito instável,

[00:11:06] muito sujeita aos estímulos que aparecem.

[00:11:10] E o lado emocional, o lado dos impulsos,

[00:11:14] ele sempre ganha, porque ao longo da nossa história,

[00:11:20] sempre foi fundamental reagir rapidamente,

[00:11:23] em termos de sobrevivência.

[00:11:27] Até porque a gente vivia pouco tempo, né?

[00:11:30] Era uma coisa de 15, 25 anos.

[00:11:34] Era só passar os genes adiante e pronto.

[00:11:37] E a gente continua ainda funcionando desse jeito.

[00:11:41] Então, você quer uma gratificação, um alívio,

[00:11:45] imediato, sempre.

[00:11:48] Você tem muita dificuldade de pensar lá na frente.

[00:11:51] Tem até…

[00:11:53] Um estudo de neurociência célebre,

[00:11:57] que mostra que, quando a pessoa guarda dinheiro para ela mesma,

[00:12:02] para o futuro,

[00:12:04] a área cerebral que é mobilizada é a mesma que é mobilizada

[00:12:10] se ela desse aquele dinheiro para um estranho na rua.

[00:12:14] A gente não tem uma representação mental do nosso eu futuro.

[00:12:20] Não existe eu futuro.

[00:12:22] Só existe a mim.

[00:12:23] Só existe agora.

[00:12:24] Então, é um esforço para a gente enfiar na cabeça.

[00:12:28] Não, eu tenho que ir…

[00:12:31] Eu serei o próprio beneficiado, né?

[00:12:33] Pois é.

[00:12:33] A gente não consegue entender isso.

[00:12:36] No nível mais arcaico, no nível mais primitivo da nossa mente,

[00:12:40] não existe.

[00:12:41] Não existe.

[00:12:41] A gente ainda não incorporou.

[00:12:43] Até porque faz, não 15 minutos,

[00:12:47] faz dois minutos que a gente está vivendo até 100 anos.

[00:12:51] Até…

[00:12:52] Não está exigindo muito do seu corpo.

[00:12:53] Não está exigindo muito do seu corpo.

[00:12:53] Não está exigindo muito do seu corpo.

[00:12:53] Sério, a vida está mudando muito mais rápido

[00:12:56] do que a nossa capacidade de atualizar a forma como a gente pensa e sente.

[00:13:00] Sim.

[00:13:01] E agora, então, com redes sociais, aí desandou de vez, né?

[00:13:06] Porque a gente é bombardeado o tempo inteiro com estímulos,

[00:13:12] com anúncios, compre, faça, fique aqui.

[00:13:17] Aliás, quem nunca ficou uma hora rodando tela e depois…

[00:13:23] Bom, eu, de hambúrguer, eu não sofro problema porque eu sou vegetariana, né?

[00:13:29] Mais de 40 anos.

[00:13:31] Mas eu sinto esse arrependimento depois que eu passo uma hora lá de bobeira total.

[00:13:36] Eu queria perguntar isso.

[00:13:37] Agora que a gente entende como os nossos…

[00:13:40] Porque é muito cruel, né?

[00:13:42] A gente estuda para entender melhor os mecanismos da nossa cabeça,

[00:13:47] do nosso comportamento, o que está por trás, como você falou,

[00:13:50] que eu achei interessantíssimo.

[00:13:52] Só que daí…

[00:13:53] Esses estudos estão à disposição das empresas para usar isso,

[00:13:56] para hackear o nosso sistema e a gente não ser senhor das nossas decisões, né?

[00:14:02] Não ser o protagonista das decisões.

[00:14:04] Eu queria que você falasse um pouco, Débora, sobre isso,

[00:14:06] de quais são as técnicas que são usadas efetivamente

[00:14:11] para burlar as nossas decisões e impulsionar os nossos impulsos, né?

[00:14:16] Tem… Impulsionar o impulso é ótimo.

[00:14:18] Eu estava fazendo umas compras…

[00:14:20] Eu estava comprando passagem aérea para viajar a trabalho

[00:14:22] e aí tinha uma opção lá que era…

[00:14:25] Precisa comprar o seguro, né? De viagem e tal.

[00:14:27] E tinha assim…

[00:14:28] Continuar desprotegido ou comprar o seguro.

[00:14:32] Enfim, eu… Meu Deus, que…

[00:14:34] E o óbvio, continuar desprotegido é branco.

[00:14:36] Manipulação, né?

[00:14:37] E o continuar com o seguro é vermelho, é bonito.

[00:14:39] Mãe, é você que desenhou isso, né?

[00:14:42] Eu desenho isso, exato.

[00:14:43] E compras… E eu já vi pessoal de design, né?

[00:14:46] Que fala muito desse assunto na internet,

[00:14:48] falando muito sobre compras mais caras de televisão,

[00:14:50] de equipamentos eletrônicos.

[00:14:52] E acontece a mesma coisa, né?

[00:14:53] Comprar com o seguro ou continuar desprotegido,

[00:14:55] continuar sem garantia, né?

[00:14:58] Isso é um exemplo, assim, clássico e ao mesmo tempo pequeno.

[00:15:02] E aí você imagina, se eu apertar com o seguro, né?

[00:15:05] Todas as vezes que eu vou fazer uma compra,

[00:15:08] mesmo que a probabilidade de dar ruim seja baixa,

[00:15:09] ou às vezes o seguro fazer sentido, dependendo, por exemplo,

[00:15:11] se eu usar o equipamento para trabalho e…

[00:15:15] Enfim, né? Uma coisa que vai me render e o custo, né?

[00:15:17] Se der ruim, vai ser muito alto,

[00:15:18] porque eu vou passar a semana sem poder trabalhar.

[00:15:20] Óbvio, vai fazer sentido.

[00:15:22] Mas só o fato de eu não ter uma arquitetura neutra,

[00:15:25] ou que eu possa parar para pensar e fazer uma análise,

[00:15:29] já me leva a ir apertando automaticamente, né?

[00:15:31] Inclusive, na Amazon,

[00:15:32] que eu sou uma grande consumidora de coisas na Amazon,

[00:15:35] tem uma opção que é você…

[00:15:37] Ah, ativa o compra por um clique.

[00:15:39] Nossa, perigo.

[00:15:39] Eu tenho isso para o Kindle.

[00:15:41] Péssimo.

[00:15:42] Não tenho.

[00:15:42] Eu não faço, porque eu sei que eu sou…

[00:15:45] Se deixar a coisa desandar.

[00:15:47] Cilada, total.

[00:15:48] Cilada.

[00:15:48] Cilada.

[00:15:49] Então, tem várias dessas…

[00:15:51] Se você não prestar atenção…

[00:15:53] Você acaba indo numa inércia de consumo

[00:15:55] que você nem sabe o que está consumindo,

[00:15:57] o que está comprando,

[00:15:58] se o seguro faz sentido para o que você precisa, né?

[00:16:00] Às vezes, deve ser que nem um seguro, mas não aquele.

[00:16:03] Então, se deixar…

[00:16:05] Você acaba sendo tomado

[00:16:06] por todas essas pequenas decisões que a outra pessoa tomou.

[00:16:09] Por exemplo,

[00:16:10] quando o pessoal do…

[00:16:11] Voltando, por exemplo, ao hambúrguer

[00:16:12] ou qualquer fast food,

[00:16:13] pergunta…

[00:16:13] Ah, você quer uma batata grande por mais um real,

[00:16:15] por mais cinco reais?

[00:16:17] Você faz…

[00:16:17] Ah, né?

[00:16:17] Por que não?

[00:16:19] Já estou aqui, né?

[00:16:20] Já estou aqui me esbaldando.

[00:16:21] Já quê?

[00:16:22] Já que…

[00:16:23] Só que essa coisa do…

[00:16:24] Já que eu estou aqui

[00:16:24] ou já que eu já furei a dieta

[00:16:27] ou já que eu já não fiz exercício,

[00:16:28] acaba virando uma bola de neve

[00:16:30] que você acaba tomando de novo

[00:16:31] mais decisões inerciais

[00:16:33] porque as empresas estão fazendo, né?

[00:16:36] Essas escolhas para maximizar lucro

[00:16:38] e você não está gastando tempo, né?

[00:16:42] E é difícil, né?

[00:16:43] Hoje em dia, com rede social, com tudo,

[00:16:45] a gente não gasta tempo

[00:16:45] para fazer essas decisões

[00:16:47] de forma um pouco mais informada.

[00:16:49] Até porque comprar, né?

[00:16:50] E consumir fica muito fácil.

[00:16:52] Eu queria que você entrasse nisso

[00:16:54] porque eu acho que muitas vezes

[00:16:55] as pessoas têm duas percepções.

[00:16:58] A primeira é…

[00:17:00] Claro que eu não vou ser enganado.

[00:17:01] Eu sou uma pessoa adulta,

[00:17:02] eu sou bem formada,

[00:17:03] eu tenho informação,

[00:17:04] ninguém me engana.

[00:17:05] Vai.

[00:17:06] Ou a segunda que é…

[00:17:09] Ah, isso aqui é…

[00:17:11] Eu sei que eu quero isso.

[00:17:13] Essa percepção de eu não vou ser enganada

[00:17:15] e a percepção do…

[00:17:17] Não, só está me entregando

[00:17:17] o que eu já queria mesmo.

[00:17:19] E aí, essa sensação é muito ruim.

[00:17:21] Eu queria dar o exemplo

[00:17:22] do que eu estava vindo agora.

[00:17:23] Eu entrei numa rede social

[00:17:25] e estava olhando

[00:17:26] e apareceu um brinquedo

[00:17:29] de Minecraft físico.

[00:17:33] Que é…

[00:17:34] Você quer que o seu filho saia da tela?

[00:17:36] Olha esse Minecraft

[00:17:37] que são bloquinhos que vão colando.

[00:17:40] Claro que eu quero comprar isso.

[00:17:43] Então, assim, é que é muito bem feito.

[00:17:45] Entende?

[00:17:46] É muito bem feito.

[00:17:47] Eu abri e falei…

[00:17:49] Tá, eu vou pensar um pouco.

[00:17:51] Não comprei.

[00:17:52] Mas realmente…

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Não comprei.

[00:17:52] Eu quero aquilo.

[00:17:53] Então, é uma necessidade

[00:17:54] que como é que ele sabe que eu tenho?

[00:17:56] Pô, estou aqui todo dia falando.

[00:17:58] A gente tem que ter cuidado com tela

[00:17:59] e filha e tela.

[00:18:01] E nós duas estamos sempre discutindo

[00:18:03] que atividade que a gente passa

[00:18:04] para as crianças não ficarem…

[00:18:05] Ah, ele gosta de Minecraft.

[00:18:07] Ter um Minecraft físico?

[00:18:08] Nada mais óbvio que comprar.

[00:18:11] A gente é muito enganado, né?

[00:18:12] E não é só enganado.

[00:18:14] Eu acho que essa coisa

[00:18:15] da praticidade que a Débora estava falando,

[00:18:18] que é do ser muito rápido.

[00:18:19] Você tomou a decisão muito rápido.

[00:18:21] Porque antes, se você quisesse esse Minecraft,

[00:18:23] você tinha que pegar o carro e ir para a loja.

[00:18:24] Eu nem sabia que existia.

[00:18:26] E aí você, sabe, ia ter um tempo

[00:18:28] que você ia falar, ah, amanhã eu vou,

[00:18:29] amanhã eu vou.

[00:18:30] Talvez você não comprasse.

[00:18:31] Eu presto atenção com isso,

[00:18:33] com essas empresas que fazem entrega

[00:18:35] de itens de alimentação, de mercado, em casa.

[00:18:41] Porque ontem, ah, eu não tinha queijo em casa.

[00:18:43] Se eu precisasse sair e ir caminhando

[00:18:46] para o mercado para buscar queijo,

[00:18:47] eu ia buscar uma alternativa.

[00:18:49] Alternativa de jantar.

[00:18:50] E eu ia usar o que tinha em casa.

[00:18:51] Quando acaba o que tem em casa,

[00:18:52] você pega novas coisas.

[00:18:54] Mas não, eu posso pegar um aplicativo,

[00:18:56] pedir um queijo.

[00:18:57] Que chegue em queijos.

[00:18:58] E que eu não vou pedir o queijo.

[00:19:00] É ou não é?

[00:19:00] Alguém vai pedir o queijo?

[00:19:02] Ninguém vai pedir o queijo.

[00:19:03] Porque daí o entregador vai vir até aqui

[00:19:05] por causa do queijo.

[00:19:06] Aí você pede 200 reais para um jantar,

[00:19:09] que obviamente eu teria alternativas

[00:19:11] em casa para fazer.

[00:19:12] Então, esse tipo de coisa

[00:19:13] que eu acho que a gente precisa conversar

[00:19:17] sobre…

[00:19:18] É menos…

[00:19:19] É menos eu pensar na hora,

[00:19:20] como você falou.

[00:19:21] E mais a gente dar um zoom out

[00:19:23] e entender quais são as estruturas

[00:19:25] que estão colaborando

[00:19:26] para quando a gente vê a conta

[00:19:28] do cartão de crédito ter estourado.

[00:19:31] Eu falo no quinteto fantástico

[00:19:34] para isso.

[00:19:35] Porque apesar de eu estar super envolvida

[00:19:37] com educação financeira há mais de 20 anos,

[00:19:40] ainda assim eu vejo muitos limites.

[00:19:44] De um lado, me engana que eu gosto.

[00:19:46] É assim que a gente funciona.

[00:19:49] Até porque…

[00:19:51] Vou puxar rapidamente a psicanálise.

[00:19:54] O desejo na psicanálise,

[00:19:57] a gente entende como inconsciente.

[00:20:01] Então, você não sabe…

[00:20:02] Você nem sabe o que você deseja.

[00:20:03] Você nem sabe para começo de conversa.

[00:20:06] E nem vai saber nunca.

[00:20:08] Ou seja, isso é terreno fértil

[00:20:10] para entrar e dizer…

[00:20:12] Você não sabe o que você deseja?

[00:20:14] Eu sei.

[00:20:15] É o Minecraft,

[00:20:16] é o vinho para acompanhar,

[00:20:19] é a refeição…

[00:20:20] E, de outro lado,

[00:20:23] o desejo nunca será plenamente satisfeito.

[00:20:28] Então, você satisfaz provisoriamente,

[00:20:33] depois ele volta

[00:20:34] e você está pronto para consumir.

[00:20:37] Isso as empresas sabem há muito mais tempo.

[00:20:42] E eles só têm tempo e foco nisso.

[00:20:48] E muitas vezes,

[00:20:49] muita grana por trás.

[00:20:51] Então, é Davi contra Golias.

[00:20:54] E por isso, aliás,

[00:20:55] que eu sempre defendo,

[00:20:56] sou militante

[00:20:58] da psicologia econômica

[00:21:00] a favor dos cidadãos.

[00:21:03] Então, o Quinteto Fantástico,

[00:21:05] porque é Davi contra Golias,

[00:21:07] então a gente tem que juntar forças do outro lado.

[00:21:09] Que é conhecimento

[00:21:11] sobre funcionamento mental.

[00:21:13] Então, psicologia econômica,

[00:21:16] ciências comportamentais,

[00:21:17] economia comportamental,

[00:21:19] etc, etc.

[00:21:21] Educação financeira

[00:21:23] e políticas públicas em geral.

[00:21:26] Educação financeira

[00:21:27] é até uma política pública,

[00:21:31] enfim, desde 2010,

[00:21:32] mas…

[00:21:33] E tem várias escolas,

[00:21:36] tem uma estratégia nacional

[00:21:37] de educação financeira.

[00:21:39] Bom,

[00:21:40] terceiro, proteção do consumidor.

[00:21:45] Porque, senão, não dá.

[00:21:46] Tem que ter alguma regra, né?

[00:21:48] A pessoa sozinha…

[00:21:48] É.

[00:21:49] Ela precisa ser defendida, né?

[00:21:53] A quarta é regulação.

[00:21:57] Tem que regular.

[00:21:58] Regular agora

[00:21:59] redes sociais,

[00:22:01] como sempre, regular

[00:22:02] todo o sistema financeiro, né?

[00:22:05] Isso tem que ter regulação.

[00:22:07] E isso aí foi dito

[00:22:09] pelo então presidente

[00:22:11] da CVM,

[00:22:14] da CVM’s,

[00:22:16] Iosco.

[00:22:18] Ele…

[00:22:18] Quando eu estava falando para ele,

[00:22:20] ele é um homem de dois metros de altura,

[00:22:23] ele falou…

[00:22:24] E punição!

[00:22:25] Punição quando precisa!

[00:22:27] Sem dúvida.

[00:22:29] Supervisão e punição

[00:22:30] quando necessário.

[00:22:32] E arquitetura de escolha,

[00:22:35] que é isso que a Débora falou,

[00:22:36] que é um desenho comportamental

[00:22:38] do contexto.

[00:22:40] Entendendo tudo isso que a gente falou,

[00:22:42] faz sentido a gente deliberadamente

[00:22:44] criar fricção para nós mesmos?

[00:22:47] Claro.

[00:22:47] Porque qual é a lógica

[00:22:48] e que tipo de fricção a gente está falando?

[00:22:50] Excluir alguns aplicativos do celular ajuda.

[00:22:53] Por exemplo.

[00:22:55] É.

[00:22:55] Nossa, me deu até uma dor física

[00:22:57] de pensar de eu excluir esse aplicativo

[00:22:59] que eu fico comprando coisa

[00:23:00] quase todo dia

[00:23:01] eu compro coisa nesse aplicativo.

[00:23:02] Família Mitchell, né?

[00:23:04] A família Mitchell é um grande exemplo

[00:23:07] de como as redes sociais realmente dominaram

[00:23:10] um desenho muito bom

[00:23:11] que tem uma revolução, né?

[00:23:14] Das máquinas

[00:23:15] e ao invés de elas capturarem os humanos,

[00:23:18] elas falam Wi-Fi grátis.

[00:23:20] E aí os humanos todos se deixam capturar

[00:23:22] porque eles cortam a internet do mundo

[00:23:25] e falam, só tem aqui.

[00:23:27] Aí os humanos automaticamente

[00:23:28] se deixam capturar por isso.

[00:23:31] Tem um prazer no consumo,

[00:23:33] tem um prazer na compra.

[00:23:34] O que acontece no nosso cérebro

[00:23:36] a hora que a gente está ali

[00:23:38] satisfazendo um desejo,

[00:23:41] gerando a própria necessidade?

[00:23:43] O que a gente sente fisicamente

[00:23:45] que faz esse doce

[00:23:46] nunca deixar,

[00:23:48] deixar de ser agradável?

[00:23:50] Ah, tem todas essas coisas,

[00:23:52] dopamina, etc, etc.

[00:23:54] Mas eu prefiro dizer

[00:23:56] em termos de mente

[00:23:57] uma coisa que o próprio Kahneman,

[00:24:00] nosso grande guru, psicólogo social

[00:24:02] que ganhou o Prêmio Nobel

[00:24:04] de Economia em 2002,

[00:24:07] morreu há um ano e pouco,

[00:24:10] ele dizia que,

[00:24:12] não com essas palavras, né?

[00:24:14] Eu traduzo.

[00:24:14] A nossa mente

[00:24:16] tem fome,

[00:24:18] de coerência,

[00:24:20] e eu acrescento,

[00:24:21] e de alívio.

[00:24:22] Então, quando você compra alguma coisa

[00:24:25] que é um ato simples,

[00:24:27] todo mundo meio que sabe,

[00:24:29] já desde criança,

[00:24:30] você sabe comprar,

[00:24:31] você sabe o script,

[00:24:33] então não tem fricção,

[00:24:35] você fica meio aliviada.

[00:24:38] Na hora que você compra,

[00:24:40] e daí você já começa a imaginar,

[00:24:43] tem até uma previsão afetiva

[00:24:46] de sentimentos futuros,

[00:24:48] affective forecasting, né?

[00:24:50] Que você imagina,

[00:24:52] se você comprou uma bolsa nova,

[00:24:54] você já imagina,

[00:24:55] ai, usando essa bolsa,

[00:24:56] vai comer…

[00:24:57] Ai, esse é o futuro, gente!

[00:24:58] A própria Carrie Bradshaw com sapatos

[00:25:00] em Nova York, né?

[00:25:02] Que o quê?

[00:25:02] A própria Carrie Bradshaw

[00:25:04] de Sex and the City,

[00:25:05] ela compra muitos sapatos, né?

[00:25:06] Então, você acha já

[00:25:07] que vai estar em Nova York

[00:25:08] com muitos sapatos.

[00:25:08] Não, eu tô adorando,

[00:25:09] que é o futuro do consumo,

[00:25:10] ele existe,

[00:25:11] da poupança, não.

[00:25:12] Pois é, mas ele,

[00:25:13] é porque ele não tem

[00:25:16] fricção,

[00:25:17] não tem desgaste,

[00:25:18] e é só prazer,

[00:25:20] só alegria.

[00:25:21] A gente sempre tá atrás

[00:25:23] de afastar o desprazer,

[00:25:26] até mais do que buscar o prazer.

[00:25:29] A gente tá mais afim de aliviar

[00:25:31] do que ativamente

[00:25:33] ir atrás de prazer.

[00:25:36] Então, a gente quer recreio sempre, né?

[00:25:39] Mas vamos lá, vamos na fricção.

[00:25:40] Eu vou apagar aplicativo,

[00:25:42] que outras fricções que eu posso criar

[00:25:44] pra que eu,

[00:25:46] na hora da compra por impulso,

[00:25:47] eu me ajude

[00:25:49] que as circunstâncias sejam mais favoráveis

[00:25:52] pra melhor escolha.

[00:25:53] Tira o clique, um clique,

[00:25:56] sem dúvida.

[00:25:57] Eu tenho uma aluna que é valente,

[00:26:00] a Vanessa,

[00:26:01] ela deixa o celular em branco e preto

[00:26:04] a partir das dez da noite.

[00:26:07] Diz que mata, assim,

[00:26:09] a graça legal.

[00:26:12] Importância das cores, né?

[00:26:14] Eu acho isso bem interessante.

[00:26:16] A gente pode,

[00:26:17] seria interessante

[00:26:19] se colocar algum tipo de meta,

[00:26:21] vou ficar uma semana

[00:26:23] sem comprar nada.

[00:26:24] Ou, eu nunca vou comprar

[00:26:26] no primeiro clique,

[00:26:27] eu vou favoritar e voltar depois,

[00:26:29] igual a gente faz com o filme.

[00:26:31] Bota no carrinho, vai lá e favorita,

[00:26:32] porque você nunca mais assiste.

[00:26:34] Aliás, colocar no carrinho é legal.

[00:26:35] É, o truque aí.

[00:26:36] Porque o pessoal do marketing,

[00:26:38] se for uma coisa que você, tipo,

[00:26:39] realmente pensa em comprar,

[00:26:40] você pode botar no carrinho.

[00:26:41] Se for uma coisa que você quer,

[00:26:43] você deixa no carrinho,

[00:26:44] que aí vai aparecer algum cupom de desconto,

[00:26:46] e aí você ainda compra mais barato.

[00:26:47] Não, eu falo que chama

[00:26:48] carrinho fantasma,

[00:26:49] porque ele não para de te perseguir.

[00:26:50] Isso, ele deixa ele aberto ali.

[00:26:52] Mas assim, ele é bom,

[00:26:52] se você favorita,

[00:26:53] se você tiver muito,

[00:26:54] se você tiver na dúvida,

[00:26:55] tipo, ah, não sei se eu,

[00:26:55] não sei se eu vou querer isso aqui,

[00:26:56] é uma coisa meio supérflua.

[00:26:57] Mas se for uma coisa

[00:26:58] que você já ia comprar,

[00:26:59] tipo, sei lá,

[00:26:59] minha maquiagem acabou,

[00:27:01] ou tá acabando,

[00:27:02] então em algum momento

[00:27:02] eu vou ter que comprar de novo, né?

[00:27:04] Então eu já deixo lá no carrinho

[00:27:05] e aí de repente aparece um cupom.

[00:27:07] Aí eu, ah, olha só que coisa boa.

[00:27:08] Tem que usar,

[00:27:09] a gente tem que usar a arquitetura dos outros

[00:27:10] contra eles e a favor de nós.

[00:27:12] Falar em dos outros,

[00:27:15] dá para a empresa,

[00:27:16] porque você falou,

[00:27:16] as empresas fazem tudo

[00:27:17] buscando só o lucro.

[00:27:20] Mas se o consumidor

[00:27:23] no agregado da economia

[00:27:25] tá com muita dívida,

[00:27:26] ele não consome.

[00:27:28] Então não é interessante

[00:27:29] no geral das coisas.

[00:27:32] Eles dão mais crédito.

[00:27:33] Mas uma hora,

[00:27:34] essa conta chega,

[00:27:35] a fatura chega.

[00:27:37] Tem como ser responsável

[00:27:39] na hora de fazer…

[00:27:40] Tem como fazer esse desenho?

[00:27:42] Tem.

[00:27:42] Tem como ser responsável,

[00:27:43] mas tem empresas

[00:27:44] que vão lucrar mais,

[00:27:45] inclusive,

[00:27:46] sendo eticamente responsáveis, né?

[00:27:48] Que é, vamos dizer,

[00:27:49] um nicho, exato.

[00:27:50] Que é uma questão de nicho.

[00:27:51] Então você vai ter,

[00:27:52] por exemplo,

[00:27:53] empresas de investimento

[00:27:54] que são sérias,

[00:27:55] elas vão te dar

[00:27:56] todo um arcabouço.

[00:27:57] Tem várias que oferecem

[00:27:58] curso de educação financeira,

[00:28:01] que vão dar desconto.

[00:28:02] Olha, se você investir com a gente,

[00:28:04] você vai ter acesso

[00:28:04] a esse especialista

[00:28:06] para te ajudar.

[00:28:07] E às vezes outras marcas também,

[00:28:09] de…

[00:28:09] Até de consumo,

[00:28:10] vão dizer assim,

[00:28:11] olha, com o nosso produto,

[00:28:13] ele dura tão mais

[00:28:14] que você economiza x outros.

[00:28:16] Às vezes é verdade,

[00:28:16] às vezes não.

[00:28:17] Patagônia,

[00:28:18] que fala, não,

[00:28:19] não compre o nosso produto.

[00:28:20] Chega!

[00:28:21] Chega de comprar o nosso produto.

[00:28:23] Então tem muito disso,

[00:28:24] da ideia de…

[00:28:25] Tem algumas empresas

[00:28:26] que vão entendendo,

[00:28:28] não só entendendo isso

[00:28:29] de forma ética,

[00:28:29] mas também sabendo

[00:28:30] que vão lucrar com um público

[00:28:31] que tem essa preocupação,

[00:28:34] vão fazer o marketing

[00:28:34] direcionado a isso, né?

[00:28:35] Que é fazendo a arquitetura

[00:28:37] mais neutra,

[00:28:38] que não fica lá,

[00:28:38] o carrinho não fica lá,

[00:28:39] tu perseguindo eternamente.

[00:28:42] Enfim,

[00:28:42] que no teu botão

[00:28:43] continuar sem seguro,

[00:28:45] continuar desprotegido, né?

[00:28:46] Então você vai ter

[00:28:47] algumas empresas.

[00:28:48] Eu acho que talvez

[00:28:49] fazer uma curadoria de…

[00:28:51] Poxa,

[00:28:51] esse carrinho está me perseguindo,

[00:28:52] não vou comprar mais dessa loja.

[00:28:54] Por exemplo,

[00:28:54] pode ser uma opção, né?

[00:28:57] Outra coisa

[00:28:57] que a gente pode fazer

[00:28:58] na nossa arquitetura,

[00:28:59] você falou de fricção.

[00:29:00] Que tal, por exemplo,

[00:29:01] abrir outra conta

[00:29:02] para a sua poupança,

[00:29:03] para os seus investimentos

[00:29:04] e fazer a…

[00:29:05] Como é que chama o…

[00:29:06] Contabilidade.

[00:29:07] A transferência,

[00:29:08] a transferência automática, né?

[00:29:09] O dinheiro caiu,

[00:29:11] você já faz…

[00:29:12] Como se fosse pagar

[00:29:12] um boleto automático,

[00:29:13] você bota…

[00:29:14] Não, isso aqui é minha poupança,

[00:29:15] vai automático.

[00:29:15] Nem tem que pensar

[00:29:16] em fazer depósito, né?

[00:29:18] Eu estou falando tudo isso,

[00:29:19] mas eu também preciso

[00:29:20] aplicar tudo isso na minha vida.

[00:29:21] Porque embora a gente saiba,

[00:29:22] é muito difícil.

[00:29:24] Eu quero ouvir da Vera

[00:29:24] também mais dicas.

[00:29:26] Porque é muito difícil

[00:29:27] a gente não ser levado

[00:29:28] pela festinha,

[00:29:31] pelos amigos,

[00:29:32] pela…

[00:29:32] Inclusive tem um paper

[00:29:33] da Marine Bertrand

[00:29:34] que ela fala que

[00:29:36] quando os mais ricos

[00:29:37] consomem mais, né?

[00:29:39] Que ficam mais ricos,

[00:29:39] e consomem mais,

[00:29:41] na vizinhança,

[00:29:42] quem tem menos dinheiro

[00:29:43] aumenta o consumo.

[00:29:44] E não só aumenta o consumo

[00:29:45] em qualquer coisa,

[00:29:46] aumenta o consumo

[00:29:47] em coisas que são visíveis,

[00:29:49] que as outras pessoas vão ver.

[00:29:50] Ah, eu queria aproveitar

[00:29:51] para trazer isso.

[00:29:52] Exato.

[00:29:52] Eu lembrei,

[00:29:53] eu vi, né?

[00:29:54] O programa de vocês com ele

[00:29:56] e aí eu lembrei desse paper

[00:29:57] e achei que valia trazer.

[00:29:58] Que é uma percepção

[00:29:58] muito interessante, né?

[00:30:01] Um outro programa

[00:30:02] que a gente fez também

[00:30:03] falando sobre dinheiro,

[00:30:04] mostrando que existe

[00:30:05] um nível de endividamento

[00:30:07] muito alto

[00:30:07] de gerentes de conta

[00:30:08] de alta renda.

[00:30:09] Ah, é?

[00:30:09] Ah, sem dúvida.

[00:30:10] Então, assim,

[00:30:11] quando você vê muito dinheiro,

[00:30:14] parece aí que a nossa cabeça

[00:30:16] dá um bug

[00:30:16] e parece que o dinheiro

[00:30:17] é nosso também.

[00:30:18] E o que a gente tem visto

[00:30:19] em redes sociais

[00:30:20] é sempre muito dinheiro, né?

[00:30:22] São as pessoas

[00:30:24] consumindo muito,

[00:30:25] as pessoas vivendo

[00:30:25] uma vida interessante

[00:30:27] e aí parece que a gente

[00:30:29] também tem direito àquilo.

[00:30:30] Tem essa,

[00:30:31] é quase uma dissociação, né?

[00:30:33] Porque eu olho para o outro

[00:30:35] e parece que esse outro

[00:30:35] sou eu, mas aí…

[00:30:37] Identificação, né?

[00:30:39] Me conta,

[00:30:39] como é que a gente

[00:30:39] tem uma identificação.

[00:30:41] Tanto assim que as pessoas

[00:30:42] defendem bilionários,

[00:30:44] porque elas imaginam

[00:30:45] que elas também

[00:30:46] têm chance

[00:30:47] de ficar bilionárias, né?

[00:30:49] Então, vai até aí.

[00:30:52] Mas, sem dúvida,

[00:30:53] bom, aí tem

[00:30:54] o espírito de manada, né?

[00:30:56] O comportamento de manada,

[00:30:58] porque a imitação

[00:31:00] é o primeiro

[00:31:02] método

[00:31:04] de aprendizado

[00:31:05] que o ser humano tem.

[00:31:07] A gente aprende a falar

[00:31:08] português

[00:31:09] porque

[00:31:09] escuta falar português.

[00:31:11] Não porque você tem um…

[00:31:12] O bebê tem um professor

[00:31:14] de português.

[00:31:15] Você aprende a andar

[00:31:16] porque você vê

[00:31:17] as pessoas andando.

[00:31:18] Então,

[00:31:19] a gente sempre recorre

[00:31:21] à imitação

[00:31:22] quando

[00:31:23] a gente não tem

[00:31:24] muita certeza

[00:31:25] do que está acontecendo.

[00:31:27] Então, você imita.

[00:31:29] Mínimo,

[00:31:30] eu vou voltar lá

[00:31:31] para uma coisa

[00:31:32] que funcionou, né?

[00:31:34] E

[00:31:34] a influência das pessoas

[00:31:37] e do contexto,

[00:31:39] em geral,

[00:31:40] é sempre muito grande.

[00:31:42] A gente

[00:31:42] nunca é isolado.

[00:31:44] Embora estejam

[00:31:46] nos bombardeando

[00:31:48] com o individualismo

[00:31:49] atualmente, né?

[00:31:50] Como se

[00:31:51] tudo dependesse

[00:31:52] só de você,

[00:31:53] mas isso é bobagem

[00:31:55] porque o tempo inteiro

[00:31:56] a gente está

[00:31:57] influenciado pelos outros.

[00:32:00] Tanto assim que

[00:32:01] os influencers

[00:32:02] têm todo esse

[00:32:04] poder que tem, né?

[00:32:05] A Débora diria

[00:32:06] pela contemplação

[00:32:07] serei se transformada, né?

[00:32:09] Que é o quê?

[00:32:11] Também é um jeito

[00:32:12] de criar fricção.

[00:32:13] Se ande com pessoas

[00:32:16] que estão

[00:32:18] na mesma caminhada

[00:32:19] que você,

[00:32:20] que também estão

[00:32:20] querendo poupar,

[00:32:21] se esse é o seu caminho,

[00:32:23] não coloque no seu feed,

[00:32:24] para de ver pessoas

[00:32:26] que vão te estimular

[00:32:27] a gastar mais

[00:32:28] porque

[00:32:28] eu acho que

[00:32:30] conectando com o que

[00:32:31] a Cris falou,

[00:32:32] não é uma questão

[00:32:32] de inteligência, né?

[00:32:34] Então, assim,

[00:32:35] para de achar

[00:32:35] que você é inteligente.

[00:32:36] Não, eu sei que isso aqui

[00:32:37] é uma influência.

[00:32:38] Eu sei que não tem

[00:32:39] nada a ver comigo.

[00:32:40] Você sabe, o cérebro não.

[00:32:41] Exato, não te faz bem.

[00:32:42] Para de seguir isso, né?

[00:32:45] Fazer um limpo

[00:32:45] em rede social é importante.

[00:32:47] É.

[00:32:48] Não, e eu ia falar

[00:32:49] da autoconfiança,

[00:32:50] autoconfiança exagerada

[00:32:51] também

[00:32:51] é o conhecido

[00:32:54] efeito Dunning-Kruger, né?

[00:32:55] Que a gente brinca

[00:32:56] que quanto menos

[00:32:58] você sabe

[00:32:59] sobre alguma coisa,

[00:33:01] maior a sua autoconfiança

[00:33:02] porque daí

[00:33:03] você nem desconfia

[00:33:04] que você não sabe, né?

[00:33:06] Você acha que

[00:33:07] está tudo

[00:33:08] dominado.

[00:33:08] E todo mundo

[00:33:10] acha que está

[00:33:10] acima da média, né?

[00:33:11] Você acha que você sabe

[00:33:12] todo mundo, né?

[00:33:13] Tem uma pesquisa famosa, né?

[00:33:14] Eu não lembro do autor

[00:33:15] que é

[00:33:16] quão bom o motorista

[00:33:17] é você.

[00:33:18] Aí todo mundo

[00:33:19] é acima da média.

[00:33:20] Você já conta no fecha

[00:33:21] porque alguém aí é pior.

[00:33:22] Alguém aí é pior

[00:33:23] do que a média.

[00:33:24] É muito interessante, né?

[00:33:25] Porque quando você vai

[00:33:26] falar sobre autoestima

[00:33:27] com as pessoas

[00:33:28] elas não têm autoestima

[00:33:29] mas quando elas

[00:33:30] têm que responder

[00:33:32] a estímulo

[00:33:33] ela responde

[00:33:34] com uma baita autoestima.

[00:33:36] Uma percepção

[00:33:37] de conhecimento

[00:33:38] que na verdade

[00:33:38] na prática

[00:33:39] está mostrando

[00:33:40] que está faltando mesmo.

[00:33:42] Então a gente

[00:33:42] se engana

[00:33:43] o tempo inteiro.

[00:33:44] Mas aí tem uma questão

[00:33:45] de gênero também.

[00:33:47] E nós

[00:33:47] garotas

[00:33:48] estamos mais

[00:33:49] protegidas

[00:33:50] porque a gente

[00:33:51] tem menos

[00:33:52] autoestima

[00:33:53] e eu não acho

[00:33:55] isso

[00:33:56] totalmente

[00:33:57] péssimo, não.

[00:33:58] Porque

[00:33:58] a rapaziada

[00:34:00] por outro lado

[00:34:01] é cheia

[00:34:02] de razão

[00:34:03] cheia de autoestima

[00:34:05] cheia de

[00:34:06] autoconfiança

[00:34:08] e

[00:34:09] dá com os burros

[00:34:10] na água

[00:34:11] com frequência.

[00:34:12] Aliás

[00:34:12] basta ver

[00:34:14] o mundo

[00:34:15] em que a gente vive.

[00:34:16] Está tudo errado.

[00:34:18] Não é à toa

[00:34:18] que o homem

[00:34:18] morre mais cedo, né?

[00:34:20] Pois é.

[00:34:20] Triste dizer isso, inclusive.

[00:34:22] Se arrisca muito mais.

[00:34:23] Mas as mulheres

[00:34:24] vão atrás

[00:34:25] de mais informação.

[00:34:26] Mas também o mercado

[00:34:27] vai muito mais

[00:34:28] em cima das mulheres.

[00:34:29] O que tem

[00:34:30] para a gente consumir

[00:34:31] não deve ter metade

[00:34:32] para os caras.

[00:34:33] O que tem de maquiagem,

[00:34:35] cabelo, roupa, sapato.

[00:34:37] Mas o ticket

[00:34:38] do gasto masculino

[00:34:40] é mais alto.

[00:34:41] Não, claro.

[00:34:41] Se errar

[00:34:42] e não dá para comparar, né?

[00:34:43] Não, compra uma moto, né?

[00:34:45] A gente compra calcinha,

[00:34:47] compra batom.

[00:34:48] E a gente compra

[00:34:48] coisas para a família também.

[00:34:50] Isso.

[00:34:51] Uma coisa que eu sempre

[00:34:51] lembro da minha mãe falando.

[00:34:53] Ah, porque teu pai

[00:34:53] está reclamando.

[00:34:53] Meu pai é economista, né?

[00:34:54] Ah, teu pai está reclamando

[00:34:55] porque eu estou gostando muito.

[00:34:56] Aí quando eu fui ver

[00:34:56] o que ela foi comprar,

[00:34:58] roupa de cama para casa.

[00:34:59] Ah, o eletrodoméstico quebrou.

[00:35:01] Ah, eu disse,

[00:35:01] mulher,

[00:35:02] estou desculpando você.

[00:35:04] Mãe, não, né?

[00:35:05] Isso é da conta da família,

[00:35:07] não é sua.

[00:35:07] Sua é sua.

[00:35:09] Conta da família é da família.

[00:35:10] É importante separar isso.

[00:35:11] Isso.

[00:35:12] Uma boa dica.

[00:35:12] Compra coisa para criança,

[00:35:14] para os filhos e tal.

[00:35:16] Não é sua.

[00:35:16] A conta é da família.

[00:35:18] Então,

[00:35:19] se tiver um moço,

[00:35:21] rapaz,

[00:35:22] homem,

[00:35:22] aí tem que se ligar

[00:35:23] nesse também.

[00:35:24] Porque às vezes as mulheres

[00:35:24] estão fazendo as compras

[00:35:25] da família,

[00:35:27] que é colabora, né?

[00:35:28] Porque alguém tem que

[00:35:28] comprar as coisas da família.

[00:35:29] Exato.

[00:35:29] E não dá para botar na conta.

[00:35:31] O ticket do cara é um celular novo

[00:35:32] ou um computador novo

[00:35:34] ou um videogame novo.

[00:35:35] É sempre uma coisa nova.

[00:35:37] É muito cara.

[00:35:38] Vai comprar uma cadeira

[00:35:40] de escritório,

[00:35:41] a gente vai na mais barata.

[00:35:43] A hora que você chega em casa

[00:35:44] tem uma de 5 mil,

[00:35:45] a cadeira.

[00:35:46] É.

[00:35:46] Aí você infarta.

[00:35:48] E mais do que isso,

[00:35:49] a gente tem pesquisas

[00:35:51] na psicologia econômica

[00:35:52] sobre psicologia da posse

[00:35:54] que mostram que

[00:35:55] o dinheiro da mulher

[00:35:56] é da família.

[00:35:58] Ela sente como sendo da família.

[00:36:01] O dinheiro do homem

[00:36:02] é dele.

[00:36:04] Ah, que bacana.

[00:36:04] E ele pode dar

[00:36:06] ou não.

[00:36:07] Basta ver também

[00:36:09] pensão alimentícia, etc.

[00:36:12] Vamos falar de despesa inesperada

[00:36:15] porque é um dos campeões

[00:36:16] de motivo do endividamento.

[00:36:21] E aí, Vera,

[00:36:22] eu acho interessante

[00:36:23] falar sobre isso.

[00:36:24] Porque emergência

[00:36:25] é uma situação muito estressora.

[00:36:28] Então você está em sofrimento,

[00:36:29] geralmente,

[00:36:30] porque essa surpresa nunca é boa.

[00:36:33] E tem esse componente de urgência.

[00:36:35] O que isso faz

[00:36:37] com o nosso cérebro decisor?

[00:36:39] Pode entrar

[00:36:40] no túnel da escassez.

[00:36:43] Quer dizer,

[00:36:44] você fica com uma urgência

[00:36:46] e você para

[00:36:48] de prestar atenção,

[00:36:50] de levar em consideração,

[00:36:51] de focar

[00:36:52] em qualquer outra coisa.

[00:36:55] E isso acaba esgotando a pessoa.

[00:36:58] Então,

[00:36:59] quanto menos

[00:37:00] disponibilidade de grana

[00:37:02] ou de tempo

[00:37:04] ou de qualquer outro recurso finito

[00:37:06] ela tiver,

[00:37:07] mais ela tende

[00:37:09] a entrar nesse estado

[00:37:11] em que ela pode ficar

[00:37:13] exímia decisora

[00:37:16] por um curto período de tempo.

[00:37:18] Basta pensar, por exemplo,

[00:37:19] em pessoas extremamente pobres,

[00:37:23] o que eles conseguem fazer

[00:37:24] com 20 reais?

[00:37:25] E o que a gente conseguiria fazer

[00:37:27] com 20 reais?

[00:37:29] Quanto tempo a gente sobreviveria

[00:37:31] vivendo na rua, por exemplo?

[00:37:34] E eles, às vezes,

[00:37:36] conseguem anos,

[00:37:37] e anos, e anos.

[00:37:38] Mas isso tem um custo

[00:37:40] mental muito grande,

[00:37:43] que é você ficar exausta

[00:37:46] e você gastar

[00:37:49] o seu autocontrole,

[00:37:51] que é um recurso finito também,

[00:37:54] porque o tempo inteiro

[00:37:55] você está se controlando.

[00:37:58] Não, não posso comprar isso.

[00:38:00] Chega com fome,

[00:38:02] passa lá no metrô

[00:38:03] aquele cheiro de fritura,

[00:38:05] de coxinha, sei lá o quê,

[00:38:07] mas eu não posso gastar

[00:38:08] esses cinco contos aqui,

[00:38:09] porque tenho que comprar feijão

[00:38:11] para pôr na mesa,

[00:38:13] para a família, etc., etc., etc.

[00:38:15] Se, de repente,

[00:38:17] entra uma grana extra,

[00:38:20] adeus.

[00:38:21] Você embarca.

[00:38:23] Foi o que aconteceu muitas vezes

[00:38:25] com aquele auxílio emergencial

[00:38:27] no começo da pandemia,

[00:38:29] quando as pessoas passaram

[00:38:31] do Bolsa Família de 200 reais

[00:38:34] para, às vezes,

[00:38:36] 1.200.

[00:38:37] Se tivesse duas crianças,

[00:38:39] 600 para cada um.

[00:38:41] As pessoas não conseguiram

[00:38:43] guardar.

[00:38:44] Se a gente, classe média,

[00:38:46] não consegue se organizar,

[00:38:48] que dirá alguém que está se controlando,

[00:38:50] se controlando, se controlando,

[00:38:51] de repente entra uma grana inesperada.

[00:38:55] É que essa pessoa vive na escassez mesmo.

[00:38:58] E aí é bem interessante

[00:39:00] falar sobre isso,

[00:39:01] porque falar de um cansaço físico,

[00:39:04] todo mundo está reclamando muito de cansaço.

[00:39:05] Cansaço mental também.

[00:39:06] Quando você fala que o autocontrole

[00:39:08] é um recurso finito

[00:39:08] e você vai gastando isso

[00:39:10] e controlando ao longo do dia,

[00:39:12] ao longo das semanas e dos meses,

[00:39:14] você vai ficar mais cansado.

[00:39:15] Então, quanto mais situação

[00:39:17] que você se expõe,

[00:39:18] que você precisa se controlar,

[00:39:20] mais cansado você fica.

[00:39:22] É, mais esgotado.

[00:39:23] Você fica exaurido.

[00:39:25] E vale dizer que esse túnel de escassez

[00:39:26] não é só para pessoas que estão

[00:39:28] em situações de extrema pobreza também.

[00:39:30] Mas se você é uma pessoa

[00:39:31] que tem dinheiro,

[00:39:32] mas está endividada,

[00:39:34] você entra no mesmo problema,

[00:39:35] porque você está o tempo todo…

[00:39:36] Ah, mas tem que pagar

[00:39:36] aquele cartão de crédito,

[00:39:37] tem que pagar aquele endividamento,

[00:39:39] o financiamento do carro,

[00:39:40] da casa, etc.

[00:39:41] Então, essas coisas…

[00:39:43] Vale dizer que também se aplica,

[00:39:44] imagino, para o público aqui,

[00:39:46] que é…

[00:39:47] A gente também fica

[00:39:49] numa situação de estresse

[00:39:50] em que tomar as decisões melhores

[00:39:52] fica mais difícil.

[00:39:53] É.

[00:39:54] E isso vale também

[00:39:56] para o tempo, para a gente.

[00:39:59] Então, você falou que

[00:40:00] estava em alguma situação

[00:40:01] que você não conseguiu

[00:40:02] nem tomar água.

[00:40:04] Olha que loucura.

[00:40:04] Estava no túnel

[00:40:06] da escassez do tempo,

[00:40:08] concentradíssimo naquilo

[00:40:10] e deixou de fazer

[00:40:13] uma coisa importantíssima

[00:40:14] para a saúde,

[00:40:15] que é tomar água.

[00:40:17] Olhar o autocontrole

[00:40:18] como um recurso finito,

[00:40:20] eu acho que é fundamental

[00:40:21] para esse programa.

[00:40:21] Se alguém sair daqui

[00:40:22] já pensando nisso,

[00:40:24] para mim, eu já estou feliz.

[00:40:25] Porque eu acho que

[00:40:26] eu vou levar isso.

[00:40:28] Esse negócio,

[00:40:28] essa sensação de cansaço.

[00:40:30] Eu sou uma pessoa

[00:40:31] que me julgo

[00:40:32] bastante controlada

[00:40:34] porque eu não consigo

[00:40:34] eu não costumo

[00:40:36] comprar coisas por impulso.

[00:40:37] É muito raro

[00:40:38] eu comprar…

[00:40:39] Parabéns.

[00:40:40] É porque eu olho e falo

[00:40:40] mas eu não preciso.

[00:40:42] Olha.

[00:40:43] Eu sempre…

[00:40:44] Veio com o chip.

[00:40:44] Eu preciso.

[00:40:45] Veio com o chip.

[00:40:46] É, mas aí

[00:40:47] também tem uma

[00:40:48] tem uma outra percepção

[00:40:50] que vem junto com isso.

[00:40:51] Mas aí você não vai aproveitar

[00:40:52] nada da vida?

[00:40:53] Você sempre vai guardar?

[00:40:55] Aí depois você morre.

[00:40:56] Fica tudo aí.

[00:40:57] Então, tem sempre…

[00:40:58] Esse equilíbrio entre

[00:41:00] não ceder

[00:41:01] a essa pressão de consumo,

[00:41:03] mas viver

[00:41:04] uma vida

[00:41:05] que condiz

[00:41:07] com o que você ganha

[00:41:08] é difícil.

[00:41:09] É bem difícil.

[00:41:10] Principalmente pra quem tem…

[00:41:11] Pra quem acende.

[00:41:12] Pra quem sai

[00:41:12] de uma situação financeira

[00:41:14] e vai pra outra.

[00:41:15] Você tinha falado

[00:41:15] antes de metas

[00:41:17] e você falou agora

[00:41:18] de se controlar.

[00:41:19] As metas ajudam

[00:41:21] muito a controlar.

[00:41:22] Porque tem um estudo,

[00:41:24] por exemplo,

[00:41:24] que eles fizeram

[00:41:25] de psicologia econômica

[00:41:27] de compras de Natal

[00:41:29] e eles viram

[00:41:30] que as pessoas

[00:41:31] que faziam

[00:41:32] uma listinha

[00:41:33] no papel

[00:41:34] com

[00:41:36] x, x, x

[00:41:38] de limite

[00:41:39] gastavam

[00:41:41] até 50% menos.

[00:41:43] 30%.

[00:41:44] E até mesmo

[00:41:46] se você tivesse

[00:41:47] um teto

[00:41:48] mental só,

[00:41:50] só na cabeça,

[00:41:51] você já se controlava

[00:41:53] mais.

[00:41:53] Em comparação

[00:41:55] com pessoas

[00:41:55] que entregam

[00:41:56] pra tupã.

[00:41:57] Vai…

[00:41:58] Sei lá o quê.

[00:42:00] Muito bom, maravilhoso.

[00:42:02] Eu não falei

[00:42:02] disso de fricção,

[00:42:03] mas o que eu acho

[00:42:03] bem importante,

[00:42:04] que é anotar

[00:42:05] o que você gasta.

[00:42:07] Essa eu acho

[00:42:08] que é a fricção

[00:42:09] mais complexa.

[00:42:11] Porque o cartão

[00:42:12] de crédito,

[00:42:13] você vai passando

[00:42:14] e depois chega

[00:42:14] a fatura,

[00:42:15] você toma um susto.

[00:42:17] Experimenta.

[00:42:17] Você pensa,

[00:42:18] me deram um golpe.

[00:42:19] O golpe foi eu

[00:42:19] que dei a mim mesma.

[00:42:21] Experimenta chegar

[00:42:22] no final do dia,

[00:42:23] abrir um caderninho

[00:42:24] e anotar

[00:42:25] o que você gastou.

[00:42:26] O ato de escrever

[00:42:28] com a sua própria mão

[00:42:29] o que você gastou

[00:42:31] é um peso

[00:42:32] que você fala,

[00:42:32] tem um…

[00:42:33] Eu gastei isso

[00:42:33] só…

[00:42:34] Eu gastei isso

[00:42:34] hoje.

[00:42:36] E aí você começa

[00:42:37] a conversar

[00:42:38] com você mesma.

[00:42:39] Mas isso é para os fortes,

[00:42:40] né?

[00:42:40] Eu acho que…

[00:42:41] Mas tudo bem.

[00:42:41] Mas tem uma coisa boa

[00:42:43] também que tem

[00:42:44] uma influência

[00:42:45] que eu tô seguindo

[00:42:46] no Instagram,

[00:42:46] que eu acho que é

[00:42:46] Breno Nogueira,

[00:42:48] eu acho,

[00:42:49] que ele dá uma dica

[00:42:49] também que é,

[00:42:50] separa o quanto

[00:42:50] você tem pra gastar

[00:42:51] por dia.

[00:42:52] Você tira os gastos

[00:42:53] fixos, né,

[00:42:54] de aluguel.

[00:42:55] É o limite.

[00:42:55] E aí por dia

[00:42:56] eu posso gastar X.

[00:42:57] E é claro,

[00:42:58] você pode dosar, né?

[00:42:58] Falta semana,

[00:42:59] sei lá,

[00:42:59] eu gosto de sair,

[00:43:00] então você bota

[00:43:00] um pouquinho mais.

[00:43:01] Que nem com dieta,

[00:43:04] coisa.

[00:43:05] Eu não consegui implementar

[00:43:06] esse,

[00:43:07] mas eu achei fantástico.

[00:43:08] Eu preciso fazer.

[00:43:09] Eu acho que anotar

[00:43:09] é um segredo do sucesso.

[00:43:12] Sim.

[00:43:12] Anotar e saber o limite

[00:43:14] também, né?

[00:43:14] Porque se você só anota

[00:43:15] o que gastou,

[00:43:15] depois que gastou,

[00:43:16] aí também…

[00:43:17] É porque ele te dá

[00:43:18] um senso de realidade

[00:43:19] sempre pro dia seguinte,

[00:43:21] assim,

[00:43:21] pra você entender.

[00:43:22] Mas para os fracos,

[00:43:24] aquela dica de ouro

[00:43:25] que a Débora falou,

[00:43:27] guardar dinheiro

[00:43:28] automaticamente.

[00:43:29] Isso mata a charada.

[00:43:30] E tudo bem ser fraco,

[00:43:31] tá, galera?

[00:43:31] Reconhecer fraqueza

[00:43:32] é um sinal

[00:43:33] pra gente ficar forte.

[00:43:34] É uma virtude.

[00:43:35] É, você começa fraco.

[00:43:36] É o exercício

[00:43:37] que vai te dando musculatura, né?

[00:43:39] Eu queria voltar

[00:43:40] pra situação de emergência,

[00:43:41] porque eu acho que ela

[00:43:42] é a que mais acontece

[00:43:43] o tempo inteiro

[00:43:44] na vida da gente.

[00:43:45] É um menino

[00:43:46] que fica gripado

[00:43:46] e aí a conta da farmácia

[00:43:48] é alguém que se machucou,

[00:43:51] é o carro que estragou,

[00:43:52] é a máquina de lavar roupa.

[00:43:53] Nossa.

[00:43:53] Pra mim, é o melhor.

[00:43:54] Tem gente que fica

[00:43:55] botando fogo no colchão.

[00:43:57] Essa bonita fez isso

[00:43:58] essa semana.

[00:43:59] Aí realmente fica difícil.

[00:44:00] E aí, quando isso acontece,

[00:44:01] na hora do aperto,

[00:44:02] as pessoas vão

[00:44:03] pro cartão de crédito

[00:44:04] pra gente ver

[00:44:04] pro cheque especial

[00:44:05] sempre como primeira saída.

[00:44:07] Qual que é o problema

[00:44:08] disso na prática?

[00:44:09] Esse é automático

[00:44:10] e tem alternativa?

[00:44:12] Não, o maior problema

[00:44:12] é que são as taxas

[00:44:13] de juros mais altas,

[00:44:14] porque quanto mais fácil

[00:44:15] é você se endividar

[00:44:17] com a coisa,

[00:44:17] maior é o juro.

[00:44:19] Porque tem que lembrar, né?

[00:44:19] O banco é uma empresa

[00:44:20] que está querendo ganhar dinheiro.

[00:44:22] Então, uma taxa de juros

[00:44:24] pra ela ser mais baixa,

[00:44:25] ele vai avaliar a sua vida

[00:44:26] e vai ver, não,

[00:44:26] mas a Carol é a pessoa,

[00:44:28] a Crista é uma pessoa

[00:44:29] que é controlada

[00:44:31] e ela sempre paga

[00:44:32] as coisas no dia.

[00:44:33] Então, a taxa de juros

[00:44:33] pra ela vai ser

[00:44:34] mais tranquila.

[00:44:34] Se ele não sabe nada

[00:44:36] sobre você

[00:44:36] ou está ali no automático

[00:44:37] e ele não pediu mais

[00:44:38] nenhuma informação,

[00:44:40] pode ter certeza

[00:44:40] que essa taxa de juros

[00:44:41] vai ser altíssima.

[00:44:42] Eu chamo de jujuzão.

[00:44:43] Jujuzão.

[00:44:44] Você cai no colo

[00:44:46] do jujuzão.

[00:44:46] Eu acho muito meigo

[00:44:47] pra criar a coisa.

[00:44:50] Bicho papão.

[00:44:51] Bicho papão.

[00:44:52] Bicho papão.

[00:44:52] Perfeito.

[00:44:54] Enquanto que, por exemplo,

[00:44:54] um empréstimo pessoal,

[00:44:55] por mais que não seja o ideal,

[00:44:56] mas, sei lá,

[00:44:57] numa situação

[00:44:57] de extrema emergência,

[00:44:59] você não vai tanto dormir,

[00:45:00] né?

[00:45:01] Exato.

[00:45:03] Pode ser alternativa,

[00:45:03] mas dá certo.

[00:45:04] Pode dar mais trabalho

[00:45:05] e tudo que dá mais trabalho

[00:45:06] acaba tendo a compensação.

[00:45:08] Então, o maior risco

[00:45:08] é que você acaba se endividando

[00:45:09] com a taxa de juros mais alta

[00:45:11] e isso acaba virando

[00:45:12] uma bola de neve

[00:45:13] porque você consegue

[00:45:13] o alívio imediato,

[00:45:15] mas aí, né?

[00:45:16] Mês que vem

[00:45:16] vai vir aquela fatura

[00:45:17] e você não consegue

[00:45:18] pagar a fatura toda

[00:45:19] e aí fica…

[00:45:20] E aí você vai se afogando

[00:45:21] e isso tem, né?

[00:45:23] Impacto, óbvio,

[00:45:23] nas suas finanças,

[00:45:24] mas também no seu bem-estar

[00:45:25] porque você acaba entrando

[00:45:26] nesse túnel de escassez

[00:45:27] por causa do endividamento

[00:45:28] e aí você começa

[00:45:29] a ter prejuízo

[00:45:30] nas suas decisões

[00:45:31] em outras áreas.

[00:45:32] Eu fiquei muito impressionada

[00:45:34] que quando a gente

[00:45:34] vai olhar endividamento,

[00:45:37] as pessoas estão

[00:45:37] endividadas com o quê?

[00:45:40] Aí, geralmente,

[00:45:41] as pessoas têm medo

[00:45:42] do empréstimo,

[00:45:43] mas elas estão endividadas,

[00:45:45] o nível máximo

[00:45:46] de endividamento

[00:45:47] é com cartão de crédito.

[00:45:49] Isso, mas é disso

[00:45:49] que eu queria falar

[00:45:50] porque eu acho, tá?

[00:45:53] Que você não…

[00:45:54] Exigir demais de você

[00:45:55] que você tome

[00:45:56] as melhores decisões

[00:45:57] na hora do estresse,

[00:45:59] entendeu?

[00:45:59] Mas o que eu queria é,

[00:46:01] antes do estresse,

[00:46:02] aqui, quando a gente

[00:46:02] está conversando

[00:46:03] sobre grana

[00:46:03] numa bolsa,

[00:46:04] não tem nada acontecendo

[00:46:05] com você,

[00:46:05] vamos falar que não é

[00:46:07] para pegar esse dinheiro.

[00:46:08] Não é para pegar esse dinheiro.

[00:46:09] É o bicho papão,

[00:46:10] não pega esse dinheiro.

[00:46:12] Aí, a gente vai ver,

[00:46:13] bom, que alternativas existem,

[00:46:14] então tem outras formas

[00:46:15] de crédito,

[00:46:16] a gente pode se organizar

[00:46:17] para isso.

[00:46:18] Na hora eu peguei,

[00:46:19] porque eu estava desesperada.

[00:46:21] Você não é obrigado

[00:46:22] a morrer com erro,

[00:46:23] entendeu?

[00:46:24] No dia seguinte,

[00:46:25] você pega um empréstimo

[00:46:26] com juros mais baixos,

[00:46:28] paga o cheque especial

[00:46:29] e vai…

[00:46:29] Está tudo bem.

[00:46:30] Inclusive, os bancos agora

[00:46:31] são obrigados a

[00:46:33] oferecer para você

[00:46:34] no lance do cartão,

[00:46:36] você parcelar a fatura.

[00:46:37] Não é um juros bom também, não.

[00:46:39] Mas, ele é mais barato

[00:46:40] do que entrar no rotativo,

[00:46:41] por exemplo.

[00:46:42] Já é menos ruim.

[00:46:43] Vai, vamos chamar assim.

[00:46:44] É nem toda dívida é igual.

[00:46:46] É isso.

[00:46:46] Eu acho que a gente precisa

[00:46:47] sair com isso na cabeça.

[00:46:49] Nem toda dívida é igual.

[00:46:50] Então, se você precisa

[00:46:50] entrar em dívida,

[00:46:51] vale avaliar

[00:46:52] ou já cometi o erro

[00:46:53] como a Ju falou.

[00:46:55] Consigo trocar?

[00:46:56] Conversar com o meu banco

[00:46:57] e trocar e dizer,

[00:46:57] olha, eu quero trocar isso

[00:46:58] por um empréstimo pessoal,

[00:47:00] etc.

[00:47:00] Ou em outro banco.

[00:47:00] Eu nem sabia que isso

[00:47:01] era possível.

[00:47:02] Trocar o tipo de dívida.

[00:47:04] Você pode…

[00:47:05] Portabilidade.

[00:47:06] Portabilidade, né?

[00:47:06] Com o Open Finance,

[00:47:07] os bancos têm informação.

[00:47:08] Então, eu posso chegar no banco

[00:47:09] e falar, olha,

[00:47:09] eu quero pagar o…

[00:47:10] Tipo, eu quero pegar

[00:47:11] o empréstimo pessoal,

[00:47:11] sei lá,

[00:47:12] eu não vou falar o nome

[00:47:12] dos bancos, né?

[00:47:13] Com o banco A

[00:47:14] pra pagar o do banco B

[00:47:16] porque a taxa de juros

[00:47:17] do banco A é mais barata.

[00:47:18] Ah, mas aí,

[00:47:19] você tá falando de agir

[00:47:20] que nem consumidor

[00:47:21] porque a gente acha

[00:47:22] quando a gente tá pedindo dinheiro

[00:47:24] que é um grande favor

[00:47:26] que o banco tá fazendo.

[00:47:27] Então, a gente tem vergonha.

[00:47:28] A gente…

[00:47:29] Eu acho, tá?

[00:47:31] Que a gente acabou de falar aqui

[00:47:33] que a gente faz escolhas ruins

[00:47:35] e por impulso, não, não.

[00:47:36] Mas quando a gente vai fazer

[00:47:36] uma compra grande,

[00:47:37] alguma coisa que impacta

[00:47:38] nossas finanças,

[00:47:39] via de regra,

[00:47:40] a gente pesquisa,

[00:47:41] a gente entende, né?

[00:47:42] Quais são os critérios

[00:47:43] pra avaliar se um colchão

[00:47:44] é bom ou ruim.

[00:47:46] E aí, a gente faz

[00:47:46] uma pesquisa de preço,

[00:47:47] uma tomada de preço

[00:47:48] com vários fornecedores.

[00:47:49] Antes de comprar o colchão,

[00:47:50] eu fui com vários fornecedores.

[00:47:52] A gente não faz isso

[00:47:53] com crédito, entendeu?

[00:47:54] Porque eu tenho que comprar…

[00:47:55] O meu pai morreu

[00:47:56] e eu tive que botar

[00:47:56] uma puta grana

[00:47:57] pro enterro dele

[00:47:58] e ninguém nunca tá preparado

[00:47:59] pra isso.

[00:47:59] Beleza, na hora,

[00:48:01] você usa o dinheiro que tiver.

[00:48:02] No dia seguinte,

[00:48:04] você pode pensar,

[00:48:05] tá bom,

[00:48:06] quais são os créditos

[00:48:08] para esta coisa específica?

[00:48:09] Porque, às vezes,

[00:48:10] cai o teto da minha casa.

[00:48:12] Gente, o Consumidor Positivo

[00:48:13] e Serasa e tudo,

[00:48:15] eles têm, inclusive,

[00:48:16] algumas páginas

[00:48:17] em que você pode comparar

[00:48:18] essas coisas.

[00:48:19] Então, tem materiais

[00:48:20] específicos.

[00:48:21] Eu acho que essa informação,

[00:48:22] ela já é grande.

[00:48:24] Quando você tá tomando crédito,

[00:48:25] você é um consumidor.

[00:48:27] Isso é um produto.

[00:48:28] Tem características

[00:48:28] de produtos.

[00:48:29] Tem um produto

[00:48:29] pra você analisar

[00:48:30] e tem comparação

[00:48:32] entre quem vai te oferecer

[00:48:34] esse produto

[00:48:35] pra você escolher

[00:48:36] a melhor…

[00:48:38] Vai fazer…

[00:48:38] Tem muito impacto

[00:48:39] na sua vida de longo prazo

[00:48:41] a escolha que você faz

[00:48:42] desse produto.

[00:48:43] É, mas aí a gente

[00:48:44] tá falando de sistema 1

[00:48:45] e sistema 2.

[00:48:47] Isso.

[00:48:47] De funcionamento mental.

[00:48:48] Isso.

[00:48:49] O sistema 2

[00:48:50] é esse nosso lado

[00:48:52] que pensa,

[00:48:54] que compara juros,

[00:48:56] que vai atrás,

[00:48:57] etc, etc.

[00:48:59] Raríssimo.

[00:48:59] Raríssimo de acontecer,

[00:49:01] infelizmente.

[00:49:02] Porque, em geral,

[00:49:03] o que vigora

[00:49:04] na mente de todo mundo

[00:49:06] é sistema 1,

[00:49:08] que é automático,

[00:49:09] que é rápido,

[00:49:10] que é impulsivo,

[00:49:12] que não raciocina,

[00:49:14] que vai por associação,

[00:49:16] no máximo por encaixe,

[00:49:18] que busca alívio imediato

[00:49:20] e que é o que age.

[00:49:23] Na hora H,

[00:49:24] é o que age.

[00:49:25] E que os pesquisadores

[00:49:26] costumam dizer

[00:49:27] que é o lado rodo,

[00:49:29] o Homer Simpson da gente.

[00:49:33] Impulsivo,

[00:49:34] sem autocontrole,

[00:49:36] largado, preguiçoso, etc, etc.

[00:49:39] Influenciável e tal.

[00:49:40] O sistema 2,

[00:49:42] que exige muito mais,

[00:49:44] até fisiologicamente,

[00:49:46] cansa.

[00:49:47] Ele é finito também,

[00:49:49] esse nosso lado

[00:49:50] que pensa, que delibera,

[00:49:53] que raciocina,

[00:49:54] que reflete,

[00:49:55] que consegue enxergar

[00:49:56] um pouco do longo prazo,

[00:49:57] porque o sistema 1

[00:49:58] é só curto prazo,

[00:49:59] esse é meio escasso.

[00:50:02] Então, o que eu digo

[00:50:04] como antídoto

[00:50:05] é a reserva de emergência.

[00:50:09] Pode ser pequena,

[00:50:11] pode ser de curto prazo,

[00:50:14] mas o que eu penso

[00:50:16] é que ela tenta te vacinar

[00:50:19] contra o uso do crédito.

[00:50:22] Antes de você chegar no crédito,

[00:50:24] você pega a sua grana ali.

[00:50:29] Agora,

[00:50:29] com várias ressalvas.

[00:50:34] Aliás,

[00:50:35] reserva de emergência

[00:50:36] é um nome que pegou.

[00:50:38] Eu tive uma aluna,

[00:50:40] psicóloga também,

[00:50:42] a Miriam Sampaio,

[00:50:43] que ela chamava

[00:50:43] de reserva de paz.

[00:50:46] Que é um nome mais simpático

[00:50:48] e que, ela dizia,

[00:50:49] pra ela funcionava.

[00:50:51] Era assim, paz de espírito.

[00:50:53] Eu queria perguntar uma coisa

[00:50:54] sobre essa reserva

[00:50:55] que a Vera está falando.

[00:50:56] Porque, comparativamente

[00:50:58] com outros países,

[00:50:59] que tem mais ou menos

[00:51:00] o mesmo nível de renda

[00:51:01] que a gente,

[00:51:02] eu sempre ouvi

[00:51:03] que o Brasil tem um nível

[00:51:04] de poupança muito baixo.

[00:51:06] Sim.

[00:51:07] Por que isso acontece

[00:51:08] e como que isso impacta

[00:51:11] a nossa economia?

[00:51:12] Eu quero ver primeiro

[00:51:13] o porquê da psicóloga aqui.

[00:51:16] Então, eu sou mais velha,

[00:51:19] a inflação bagunçou completamente

[00:51:22] a cabeça da gente.

[00:51:23] Tem coisas tipo confisco

[00:51:25] que pioram a situação, né?

[00:51:26] Total.

[00:51:27] Eu mesma.

[00:51:28] Eu tinha uma…

[00:51:29] É uma…

[00:51:29] É uma…

[00:51:29] É uma…

[00:51:29] É um trauma nacional.

[00:51:30] Um plano Collor,

[00:51:32] que quando,

[00:51:33] depois de um ano…

[00:51:35] Como que era a história?

[00:51:37] Depois de um ano,

[00:51:38] eles deram em 18 parcelas

[00:51:40] ou vice-versa.

[00:51:42] Depois de um ano e meio,

[00:51:43] deram em 12 parcelas.

[00:51:44] Eu sei lá,

[00:51:45] eu nunca mais consegui

[00:51:46] manter aquela poupança.

[00:51:49] Aliás, confesso,

[00:51:51] eu só comecei a guardar dinheiro

[00:51:53] sistematicamente

[00:51:54] quando eu fiquei doente,

[00:51:56] quando eu tive câncer.

[00:51:57] Daí, eu falei,

[00:51:58] ih…

[00:51:59] Porque eu…

[00:51:59] Não zerei a poupança que eu tive,

[00:52:02] mas cheguei meio perto,

[00:52:03] perigosamente perto.

[00:52:05] Então, eu tomei um susto

[00:52:08] e comecei a…

[00:52:09] Acho que tem também

[00:52:10] essas viradas na vida, né?

[00:52:11] Eu acho que eu fiquei…

[00:52:13] Eu comecei a guardar dinheiro

[00:52:14] quando eu tive filho.

[00:52:15] Eu não era endividada, mas…

[00:52:16] Eu não guardava.

[00:52:17] Aí, eu comecei a me organizar mais

[00:52:20] pra poder guardar,

[00:52:21] porque criança é essa caixinha de surpresa.

[00:52:24] Sim.

[00:52:24] Gente, eu queria…

[00:52:25] Pra gente, já caminhando pro final,

[00:52:27] mas eu queria trazer o assunto

[00:52:29] que hoje, acho que tá minando

[00:52:31] o dinheiro das pessoas, né?

[00:52:34] Olha só, Débora,

[00:52:34] 56% percebem…

[00:52:38] Gente, 56% das pessoas

[00:52:40] têm confundido aposta com investimento.

[00:52:44] 53% reportam problemas financeiros

[00:52:48] por aposta.

[00:52:50] Por que tanta gente tá confundindo

[00:52:52] aposta com investimento?

[00:52:54] E aí, volta pra aquela coisa do marketing, né?

[00:52:56] Que a gente tava falando das empresas.

[00:52:58] Aí, o pessoal…

[00:52:59] Muito do marketing de bets,

[00:53:00] tem uns gráficos,

[00:53:01] tem uma coisa que me parece

[00:53:02] meio bolsa de valores, né?

[00:53:04] E tem a coisa do risco

[00:53:06] e de você ver o número caindo, subindo.

[00:53:07] Mas muita gente fala

[00:53:08] que tá bem parecido

[00:53:09] com o que é investir na bolsa, por exemplo.

[00:53:11] Não, é parecido.

[00:53:12] Só se você for day trader, né?

[00:53:14] Que é outra coisa que não funciona.

[00:53:15] Aí, é parecido, né?

[00:53:16] Que nos damos os caras.

[00:53:17] Day trader é aquele negócio

[00:53:18] de você ficar vendo se a ação no dia

[00:53:21] vai variar e aí você vende, né?

[00:53:23] É a mesma coisa.

[00:53:24] As duas coisas são apostas.

[00:53:25] As duas coisas não funcionam.

[00:53:27] No final de um ano,

[00:53:27] os day traders americanos,

[00:53:28] acho que só 3% tem algum ganho

[00:53:30] depois de um ano fazendo isso.

[00:53:31] Ou seja, 97% de chance

[00:53:33] dá errado pra você.

[00:53:33] Não adianta comparar

[00:53:34] porque os dois não são bons.

[00:53:36] Não, nesse caso.

[00:53:36] Não tô falando de investimento

[00:53:37] em longo prazo, tá, gente?

[00:53:38] De comprar, botar aporte lá

[00:53:40] consciente de ações que você entende

[00:53:42] ou de uma cesta de ações

[00:53:43] que o seu consultor financeiro

[00:53:45] indicou pra você,

[00:53:46] uma pessoa que você confia.

[00:53:48] São coisas diferentes.

[00:53:48] Tô falando daquele negócio

[00:53:49] de day trade,

[00:53:50] que é você ficar comprando…

[00:53:52] Tem um estudo aqui da GV,

[00:53:53] excelente,

[00:53:54] que mostra que é trocar dinheiro.

[00:53:56] Exato.

[00:53:56] O day trade.

[00:53:57] Não, mas…

[00:53:58] O betting funciona…

[00:53:59] O betting ainda é pior, né?

[00:54:00] Porque o pessoal acha que…

[00:54:02] Gente, a primeira coisa,

[00:54:03] betting é cassino,

[00:54:04] apostas esportivas é cassino.

[00:54:06] A casa sempre ganha.

[00:54:08] Não é você que vai ganhar, certo?

[00:54:10] Então, eu também não quero

[00:54:10] ser moralista e dizer assim,

[00:54:11] ah, nunca, não faça, etc.

[00:54:13] Porque, né, a gente conversou sobre…

[00:54:15] Cada um com sua diversão.

[00:54:16] Exato.

[00:54:16] Agora é isso,

[00:54:17] tem que carregar como entretenimento.

[00:54:18] Igual aí no cinema.

[00:54:19] Você não vai no cinema assistir o filme

[00:54:21] e não vai gastar, sei lá,

[00:54:21] hoje em dia tá coitado.

[00:54:22] Então, põe a sua meta, né?

[00:54:24] Põe a sua meta.

[00:54:25] Eu tenho 50 reais

[00:54:26] que eu ia gastar no cinema,

[00:54:27] mas vou gastar com isso aqui.

[00:54:28] Nesse parque de diversão.

[00:54:29] Isso.

[00:54:30] Naqueles…

[00:54:31] A card, né?

[00:54:32] Aqueles game states,

[00:54:33] play states de shopping,

[00:54:34] a gente bota o dinheirinho

[00:54:35] no cartãozinho

[00:54:35] e fica lá jogando.

[00:54:37] Vai tentar pegar aquele bichinho,

[00:54:38] não sabe.

[00:54:38] Todo mundo sabe que é fraude.

[00:54:40] O fraude não,

[00:54:41] a probabilidade é muito baixa

[00:54:42] de você pegar o bichinho.

[00:54:43] Tem na máquina,

[00:54:44] você programa quanto…

[00:54:45] Mas a criança quer o quê?

[00:54:47] Tentar.

[00:54:47] Aí quem você faz?

[00:54:48] Você vai fazer com uma ficha.

[00:54:50] Eu vou te dar uma ficha.

[00:54:51] Exato.

[00:54:52] Então, eu acho que é assim.

[00:54:53] Claro que eu não tô falando

[00:54:54] em questões de pessoas que têm vício,

[00:54:55] enfim, isso é uma outra questão.

[00:54:57] Mas se você…

[00:54:59] Principalmente, acho que é a aposta esportiva, né?

[00:55:01] Que o pessoal torce pelo time,

[00:55:02] quer apostar lá e tal.

[00:55:04] Saiba que esse dinheiro

[00:55:05] não vai voltar pra você.

[00:55:06] Na média, ele não vai voltar pra você

[00:55:07] e faz parte do entretenimento.

[00:55:09] Se você separar esse dinheiro

[00:55:10] na caixinha do planejamento financeiro,

[00:55:12] do entretenimento…

[00:55:14] Não sou eu que vou julgar.

[00:55:15] Mas se tem tanta gente

[00:55:16] entrando nesse buraco,

[00:55:18] é porque não é tão simples assim, né?

[00:55:19] Não, não é simples.

[00:55:20] Eu tô só ponderando do tipo…

[00:55:22] Porque eu acho que assim,

[00:55:23] se a gente entra num lugar

[00:55:24] muito moralista,

[00:55:24] do tipo, meu Deus,

[00:55:25] isso é…

[00:55:25] Tipo, eu acho que acaba…

[00:55:27] Eu tento achar que acaba

[00:55:29] não ajudando a situação.

[00:55:30] Agora, claro,

[00:55:31] muita gente tá achando

[00:55:32] que vai ganhar dinheiro com isso,

[00:55:33] que isso vai resolver a vida.

[00:55:34] A pessoa não poupou,

[00:55:35] tá endividada,

[00:55:36] tá toda estrupiada nas dívidas

[00:55:39] e acha que isso só vai salvar.

[00:55:40] Não vai.

[00:55:41] Não vai.

[00:55:42] Não importa o que a Beth diga,

[00:55:44] não importa o que o influencer diga,

[00:55:46] isso é muito sério.

[00:55:47] Isso é muito sério.

[00:55:48] A gente não…

[00:55:48] Tipo, a regulamentação de propaganda

[00:55:50] é muito dura com várias coisas

[00:55:52] que causam problemas de longo prazo

[00:55:53] com vícios,

[00:55:54] como cigarro,

[00:55:55] bebida.

[00:55:56] Agora, aí, Beth,

[00:55:57] a maior confusão,

[00:55:58] não pode regular

[00:55:59] porque não sei o que lá.

[00:56:00] Não, gente.

[00:56:00] Eu não sou a favor de proibir.

[00:56:02] Quinteto fantástico.

[00:56:03] Exato.

[00:56:04] Regulamentação,

[00:56:04] política pública.

[00:56:05] Não sou a favor de proibir coisas

[00:56:06] porque eu acho que, né…

[00:56:08] Não funciona.

[00:56:09] Na prática, não funciona

[00:56:10] porque o pessoal não tava liberado

[00:56:12] e o pessoal tava abusando.

[00:56:13] Mas tem que regulamentar,

[00:56:14] criar regra,

[00:56:15] principalmente propaganda,

[00:56:16] pra não fazer a pessoa pensar

[00:56:17] que é investimento,

[00:56:18] que vai ganhar dinheiro,

[00:56:20] vai ficar rica,

[00:56:20] igual a influencer

[00:56:20] que fica rica

[00:56:21] fazendo propaganda pra ela, né?

[00:56:24] E que ganha em cima

[00:56:25] da perda dela.

[00:56:25] Isso é bem importante.

[00:56:27] Alguns influenciadores

[00:56:28] já receberam oferta,

[00:56:28] várias pessoas que eu conheço

[00:56:30] e já mostraram, né,

[00:56:32] print do e-mail

[00:56:33] falando como é que é ganho.

[00:56:34] O influencer

[00:56:34] tá fazendo propaganda pra você,

[00:56:36] tá ganhando em cima da sua perda.

[00:56:37] Saiba disso.

[00:56:38] Então, de novo,

[00:56:40] não quero ser moralista aqui.

[00:56:41] Se for jogar,

[00:56:42] porque quer se divertir,

[00:56:43] saiba que a diversão

[00:56:44] é que tem que estar lá

[00:56:44] no planejamento financeiro,

[00:56:46] na continha.

[00:56:47] Se você ia gastar no cinema,

[00:56:48] você vai gastar se divertir.

[00:56:49] Eu sou mais ir no cinema,

[00:56:50] mas, né,

[00:56:51] cada um, cada um.

[00:56:52] É, exato.

[00:56:53] É, eu acho que…

[00:56:54] Eu torço,

[00:56:55] eu torço pras metas ajudarem

[00:56:58] e acho que podem ajudar

[00:56:59] pra algumas pessoas,

[00:57:01] mas eu acho que é bravo pra caramba,

[00:57:04] porque pega na nossa aversão à perda,

[00:57:08] que é uma coisa também universal.

[00:57:11] Todo mundo odeia perder

[00:57:12] qualquer coisa.

[00:57:14] Uns mais que outros.

[00:57:16] Não, todo mundo odeia, odeia.

[00:57:19] A mesma coisa não pode ser dita

[00:57:21] sobre risco.

[00:57:23] Primeiro,

[00:57:24] porque,

[00:57:25] ai, vou dar uma cartelada.

[00:57:27] Não resisto nunca

[00:57:28] a dar essa carterada.

[00:57:29] Eu dividi um painel com o Kahneman.

[00:57:32] Eu já vi aqui em São Paulo.

[00:57:36] E ele falou ao meu lado

[00:57:37] que corremos riscos

[00:57:39] porque não nos damos conta

[00:57:42] de que sejam riscos.

[00:57:43] Riscos, ótimo.

[00:57:45] A gente não conhece

[00:57:46] a probabilidade daquilo dar errado.

[00:57:49] Então, a gente acha que…

[00:57:51] Informação excelente.

[00:57:52] Por isso que ele ganhou o prêmio,

[00:57:55] o prêmio Nobel, né?

[00:57:56] Ele não brincava em serviço.

[00:57:59] E aí que tá.

[00:58:01] Quando a gente perde

[00:58:02] e tá inconformado,

[00:58:04] quando a gente tá na iminência de perder,

[00:58:09] o que que acontece?

[00:58:10] A gente se expõe a mais risco.

[00:58:12] Dobra aposta.

[00:58:13] Então, a pessoa que perdeu na bete,

[00:58:17] ela não tá assim,

[00:58:18] ah, vou botar mais grana e vou perder mais.

[00:58:21] Não, ela acha,

[00:58:22] eu vou recuperar.

[00:58:25] Então, e daí é a história

[00:58:26] da falácia dos custos irrecuperáveis,

[00:58:30] que é o Jaque.

[00:58:31] Ah, já que eu botei

[00:58:33] cem pau aqui,

[00:58:34] se eu puser cento e vinte também,

[00:58:36] tanto faz.

[00:58:38] E nessa ele vai até dois mil.

[00:58:41] Agora, eu ouvi recentemente

[00:58:44] duas antropólogas

[00:58:45] muito interessantes falando sobre

[00:58:47] uma pesquisa pra Ambima

[00:58:48] em que elas identificaram o seguinte

[00:58:51] em apostadores de baixa renda.

[00:58:55] A vida pra eles

[00:58:56] é tão cheia de riscos

[00:58:59] que o risco da bete

[00:59:01] é só mais um.

[00:59:04] O que é perto

[00:59:05] de violência policial,

[00:59:08] violência na comunidade,

[00:59:11] é

[00:59:12] humilhação do patrão,

[00:59:15] tudo, tudo.

[00:59:18] Então, a bete…

[00:59:19] Quem tem menos a perder pode arriscar mais, né?

[00:59:22] É.

[00:59:22] É, e junto,

[00:59:25] junto com isso, pra todo mundo,

[00:59:26] não fica tão claro.

[00:59:27] Que informação tristíssima, meu Deus.

[00:59:30] E do ponto de vista de regulação, né?

[00:59:32] E tem que ter regulação.

[00:59:34] Sem dúvida nenhuma.

[00:59:35] E, inclusive, tem a questão das fricções.

[00:59:37] Tem, enfim, o pessoal do Banco Central

[00:59:39] tá estudando muito isso.

[00:59:41] A gente tá, né, tentando ver formas de criar fricção

[00:59:44] pra que a pessoa não consiga pegar

[00:59:46] um empréstimo, por exemplo,

[00:59:47] ou pegar o cheque especial e jogar na bete.

[00:59:50] Não, o limite, eu acho, né?

[00:59:52] Por exemplo, a gente tentou algumas coisas

[00:59:54] com álcool, que é, ah, não pode vender

[00:59:56] depois de tal hora, não pode vender imposto de gasolina,

[00:59:58] enfim, são coisas para criar fricção.

[01:00:01] Então, ah, você tem um limite

[01:00:02] na plataforma de quanto você pode gastar

[01:00:04] por dia, por exemplo. Sei lá,

[01:00:06] tem que pensar. Exato, e

[01:00:08] vale lembrar, né, que justamente por causa da fricção

[01:00:10] igual as compras online,

[01:00:12] a posta online, ela é muito…

[01:00:15] Ela tem a tendência de você

[01:00:16] realmente cair nesse ciclo vicioso

[01:00:18] muito mais do que se você estivesse no cassino lá em Las Vegas.

[01:00:21] Claro. Né, no físico, né?

[01:00:22] Então, tem todos esses aspectos…

[01:00:24] Hoje a gente tem que levar em conta, tá? Porque não tem fricção.

[01:00:26] E ao contrário, tem essas

[01:00:28] chamadas padrões

[01:00:30] ocultos, dark patterns,

[01:00:32] que são usadas

[01:00:34] pelas empresas,

[01:00:36] geral, mas nas betes

[01:00:38] total, com luz, com

[01:00:40] cor, com facilidade.

[01:00:43] O negócio deles é

[01:00:44] tirar a fricção.

[01:00:46] E o negócio da gente é tentar… É ter que adicionar, né?

[01:00:48] Adicionar a fricção. É, mas

[01:00:50] é exaustão. É uma luta em glória.

[01:00:52] É exaustão de novo, gente. Quanto mais…

[01:00:54] Você se expõe ao risco, mais exausto

[01:00:56] você fica, porque você precisa se controlar

[01:00:58] o tempo inteiro. E a gente já tá

[01:01:00] cansado com muitas outras coisas.

[01:01:02] Então, é o alerta.

[01:01:05] Por isso que

[01:01:06] tá dando tanto certo pra eles, né?

[01:01:10] Exato.

[01:01:11] Populações exaustas

[01:01:12] tomam decisões. São mais vulneráveis.

[01:01:15] Eu acho que a compreensão

[01:01:17] da nossa vulnerabilidade

[01:01:18] e a compreensão dos riscos

[01:01:20] nos faz ter

[01:01:22] escolhas melhores.

[01:01:24] E aí, eu acho que é muito

[01:01:25] do quanto tempo

[01:01:28] a gente passa no celular

[01:01:30] e qual o impacto que essa

[01:01:32] exposição tá tendo de prático

[01:01:34] na nossa vida, né? O que

[01:01:36] eu vejo se

[01:01:38] traduz no quê no meu comportamento,

[01:01:40] nas minhas escolhas, nos meus sentimentos,

[01:01:42] nas minhas emoções, né? Eu acho que

[01:01:44] cada dia mais, acho que em todos os

[01:01:46] programas a gente acaba fazendo esse convite

[01:01:48] pras pessoas, de pensar o quanto a sua

[01:01:50] vida digital tá impactando a sua vida.

[01:01:53] E aproveitar enquanto o sistema

[01:01:54] 2, nos raros momentos que o sistema 2 estiver ligado

[01:01:56] e começar a pensar na arquitetura

[01:01:58] da escolha, que é tipo,

[01:02:00] naquele momento que vem o susto do cartão,

[01:02:02] aproveita a emoção que você tá sentindo agora

[01:02:04] e tenta fazer uma previsão afetiva no mês

[01:02:06] que vem, eu não quero me sentir assim. Então, já

[01:02:08] aproveita aquele momento do susto,

[01:02:10] molha os aplicativos, desinstala o que você

[01:02:12] se compromete com alguma

[01:02:14] coisa que vai te beneficiar

[01:02:17] no futuro. Exato. Aproveita o susto,

[01:02:18] a hora do susto, pra fazer

[01:02:20] uma mudança positiva. Eu acho que, pelo menos pra mim,

[01:02:23] isso costuma funcionar um pouco melhor,

[01:02:24] do que ficar achando que em algum momento eu vou ser um ser

[01:02:26] iluminado e livre

[01:02:28] de tentações. Isso não vai acontecer.

[01:02:30] Enfim, se quiser também conhecer

[01:02:32] mais de psicologia econômica,

[01:02:34] o Instagram é

[01:02:36] psicologiaeconomica, tudo junto,

[01:02:38] e eu tenho um canal no YouTube que é

[01:02:40] Pílulas de Psicologia

[01:02:42] Econômica. Muito bom.

[01:02:44] E você, Débora? Fala aí onde o pessoal te acha.

[01:02:45] Eu tenho uma coluna, a Folha de São Paulo, as Sextas

[01:02:48] Feras, no qual eu vou falar, às vezes, sobre…

[01:02:50] Ai, você, menina!

[01:02:53] Que legal!

[01:02:54] Espero que eu não esteja falando nenhuma barbaridade.

[01:02:56] Pelo amor de Deus! Eu só acho ruim

[01:02:58] a coluna ser escrita e as pessoas perderem

[01:03:00] o seu sotaque. É uma pena.

[01:03:01] É, pois é. Eu também sou uma mulher.

[01:03:03] É uma favorável sotaque.

[01:03:06] Tá aí uma coisa positiva.

[01:03:07] Vamos gravar isso em vídeo.

[01:03:09] Ler a coluna. Minha coluna, tem a minha

[01:03:11] fotinho pequenininha pra eu ser reconhecida, né?

[01:03:13] No Lugares, e aí, toda

[01:03:15] sexta-feira eu vou falar de assuntos diferentes, às vezes de

[01:03:17] política pública, mas às vezes de escolhas individuais.

[01:03:20] Então vai depender um pouco do que

[01:03:21] tá pegando na semana.

[01:03:22] Né? Então, você pode ver o que eu

[01:03:24] acho do que tá acontecendo toda

[01:03:26] sexta-feira na Folha de São Paulo.

[01:03:28] Foi um prazer receber vocês aqui. Eu acho que

[01:03:30] tem dois grandes nortes nesse

[01:03:32] programa, sobre exaustão e sobre

[01:03:34] nem toda dívida é igual. Fique

[01:03:36] de olho, né, no que que você pode fazer

[01:03:38] pra ter o melhor crédito pra resolver

[01:03:40] os seus problemas. E, né,

[01:03:42] saímos aí com uma sensação de aprendizado,

[01:03:44] certo, Juliana? É isso. Você sabe

[01:03:46] quem tá todo enrolado com dinheiro,

[01:03:48] você sabe pra quem que você tem que mandar esse programa,

[01:03:50] então, seja o algoritmo que você quer,

[01:03:52] Vê no Mundo, saia espalhando essa

[01:03:54] conversa. Saia, não

[01:03:56] só pra mandar o link, mas pra conversar

[01:03:59] sobre as coisas que você ouviu aqui.

[01:04:01] Obrigada. Porque autoconhecimento

[01:04:03] é chave. É isso.

[01:04:04] Vai ter que se conhecer,

[01:04:07] sim. Obrigada, gente.

[01:04:08] Até semana que vem.

[01:04:10] Mamilos.

[01:04:12] Mamilos.