1663 - QUEM É E COMO SURGIU O DIABO?: TUPÁ GUERRA


Resumo

A historiadora Tupá Guerra, especialista no estudo histórico de demônios, traça a evolução da figura do mal no pensamento ocidental. Ela explica que nas concepções mais antigas do judaísmo (período do Segundo Templo), o mal era visto como uma influência externa que causava doenças e infortúnios, mas não havia uma personificação física ou hierarquia definida. Figuras como Belial e Mastema apareciam, mas muitas vezes como termos descritivos (ex.: ‘adversário’) e não necessariamente como nomes próprios de entidades.

A personificação do demônio como o conhecemos hoje é um desenvolvimento gradual. Tupá destaca a influência de textos apócrifos como o Livro de Enoque e o Livro dos Jubileus, que oferecem ‘universos expandidos’ da narrativa bíblica. No Livro dos Jubileus, por exemplo, surge a ideia de que 10% dos espíritos dos gigantes (Nefilins) mortos no dilúvio se tornaram ajudantes do anjo Mastema para punir os humanos – uma possível origem para os demônios, distante da noção de ‘anjos caídos’.

A consolidação da imagem clássica do diabo (vermelho, com chifres, rabo e tridente) é um processo longo. Elementos foram sendo agregados ao longo dos séculos, com contribuições da Idade Média (como a ideia dos súcubos e íncubos) e, principalmente, de obras literárias como Paraíso Perdido (John Milton, século XVII), que popularizou a figura do anjo rebelde e orgulhoso. A Goécia e grimórios como a Chave Menor de Salomão contribuíram para a ideia de uma hierarquia demoníaca especializada.

Por fim, Tupá discute como o cinema, especialmente a partir dos anos 80 com o ‘pânico satânico’, solidificou a imagem do demônio no imaginário popular. Ela também aborda equívocos comuns, como achar que a descrição atual sempre existiu ou que está claramente na Bíblia, e comenta a apropriação equivocada de figuras de outras religiões (como Exu, das religiões de matriz africana) como representações do diabo, um fenômeno ligado ao racismo e à falta de compreensão de diferentes paradigmas culturais sobre o bem e o mal.


Indicações

Conceitos

  • Goécia — Referida por Tupá como o ‘ramo Pokémon dos demônios’. Trata-se de um sistema de magia que cataloga demônios, seus sigilos, funções e hierarquia, presente em grimórios como a Chave Menor de Salomão.
  • Tigelas Mágicas (Magic Bowls) — Artefatos arqueológicos (tigelas de barro) da Antiguidade Tardia, com inscrições de proteção e desenhos de demônios acorrentados no interior. Eram enterrados sob casas como ritual de proteção, mostrando uma das primeiras representações visuais de demônios.

Filmes/SéRies

  • O Exorcista (1973) — Filme citado como um marco na consolidação da imagem do demônio no cinema e relacionado ao surgimento do ‘pânico satânico’ nos anos 80, especialmente com a popularização do videocassete.
  • Sandman (série/quadrinhos) — A adaptação dos quadrinhos de Neil Gaiman é mencionada, especialmente pela sua representação andrógina e complexa de Lúcifer, que foge dos estereótipos clássicos.
  • Lúcifer (série) — Série de TV citada de forma bem-humorada por Tupá, que brinca sobre ter que assistir para ‘trabalho’, referindo-se à sua representação moderna e humanizada do personagem.

Livros

  • Uma História Noturna — Livro do historiador Carlo Ginzburg recomendado por Tupá. Ele estuda a história do sabá (encontro de bruxas) a partir de documentos da Inquisição dos séculos XIV e XV, analisando a construção social da figura da bruxa e sua associação com o diabo.
  • Paraíso Perdido — Poema épico de John Milton (século XVII) citado como fundamental para consolidar a imagem moderna de Lúcifer como o anjo rebelde e orgulhoso, com frases icônicas como ‘Melhor reinar no Inferno que servir no Céu’.
  • Livro de Enoque — Texto apócrifo judaico mencionado como o ‘universo expandido’ da narrativa bíblica. Ele detalha a história dos ‘filhos de Deus’ (anjos) que descem à Terra, geram gigantes (Nefilins) e ensinam conhecimentos proibidos aos humanos, sendo uma influência para o pensamento do período.
  • Livro dos Jubileus — Outro texto apócrifo da literatura enóquica. Nele, Tupá encontrou uma origem peculiar para os demônios: 10% dos espíritos dos gigantes mortos no dilúvio são dados ao anjo Mastema para ajudá-lo a punir a humanidade.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução e apresentação da convidada Tupá Guerra — Rogério Vilela apresenta o episódio e a convidada Tupá Guerra, historiadora especializada no estudo de demônios a partir de uma perspectiva histórica. Tupá se apresenta, conta a origem de seu nome indígena (de uma língua Matis do Amazonas) e sua trajetória acadêmica, que começou com o estudo do Livro de Tobias e demônios que matam noivos.
  • 00:10:00As origens antigas da ideia do mal e dos demônios — Tupá explica que nas sociedades antigas, a observação de que pessoas boas sofriam e pessoas ruins prosperavam levou à busca por explicações. No judaísmo do período do Segundo Templo, desenvolveu-se a ideia de uma influência externa do mal, associada a doenças e desgraças. Ela destaca a frustração inicial ao estudar os Manuscritos do Mar Morto, onde não encontrou descrições físicas detalhadas dos demônios, apenas referências vagas.
  • 00:25:00O papel de textos apócrifos como o Livro de Enoque e dos Jubileus — A conversa aborda a importância da literatura apócrifa, como o Livro de Enoque e o Livro dos Jubileus, para expandir o universo narrativo bíblico. Tupá detalha uma origem específica para os demônios presente no Livro dos Jubileus: 10% dos espíritos dos gigantes (Nefilins) mortos no dilúvio foram dados ao anjo Mastema para ajudá-lo a punir os humanos. Isso contrasta com a noção posterior de ‘anjos caídos’.
  • 00:45:00A evolução da representação física: das Tigelas Mágicas à Idade Média — Tupá fala sobre o desenvolvimento gradual da representação física dos demônios. Ela cita as ‘tigelas mágicas’ da Antiguidade Tardia, com desenhos de demônios acorrentados, e as diversas representações medievais (nem sempre vermelhas e com chifres). A ideia de súcubos e íncubos é apresentada como uma tentativa medieval de explicar a origem de novos demônios através da sexualidade.
  • 00:59:00Etimologia: a origem das palavras Demônio, Diabo, Satanás e Lúcifer — A historiadora desfaz a confusão comum entre os termos. ‘Demônio’ vem do grego ‘daimon’ (ser ambíguo, não necessariamente maléfico). ‘Diabo’ vem do latim ‘diabolus’, uma tradução de ‘daimon’. ‘Satanás’ vem do hebraico ‘Shaitan’, que significa ‘adversário’. ‘Lúcifer’ (‘aquele que traz a luz’) é uma tradução latina para um termo hebraico que se referia à ‘Estrela da Manhã’ e foi associado posteriormente a uma figura rebelde.
  • 01:17:00Consolidação no imaginário: Paraíso Perdido, Goécia e o cinema — Tupá aponta a obra Paraíso Perdido (John Milton, século XVII) como crucial para consolidar a imagem do anjo rebelde e orgulhoso. A Goécia e grimórios como a Chave Menor de Salomão criaram a ideia de uma hierarquia demoníaca especializada. Por fim, o cinema, especialmente a partir dos anos 80 com o ‘pânico satânico’, solidificou a imagem clássica do demônio (vermelho, chifres, tridente) no imaginário popular global.
  • 01:35:00Equívocos comuns e a apropriação de figuras de outras religiões — Tupá lista equívocos, como achar que a descrição atual do demônio sempre existiu ou está claramente na Bíblia. Ela critica veementemente a associação de figuras como Exu (das religiões de matriz africana) ao diabo, explicando que isso é uma projeção racista de um paradigma cristão sobre um sistema de crenças completamente diferente, onde Exu é um orixá ambíguo, um abridor de caminhos, e não uma encarnação do mal.
  • 01:50:00Resumo final e reflexões pessoais da convidada — Tupá faz um resumo geral da jornada histórica do conceito do demônio, enfatizando que ‘nem sempre foi assim’. Ela responde a perguntas rápidas do público, falando sobre o momento mais difícil de sua vida (perdas familiares na pandemia) e sua visão pessoal de que a vida é caótica e aleatória. Finaliza incentivando a compreensão da complexidade histórica por trás das crenças atuais.

Dados do Episódio

  • Podcast: Inteligência Ltda.
  • Autor: Rogério Vilela
  • Categoria: Comedy Comedy Interviews
  • Publicado: 2025-10-01T20:01:59Z
  • Duração: 02:08:21

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vilela e está começando

[00:00:12] mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece

[00:00:16] somente por parte do apresentador que vos fala. Se eu me trago pessoas mais inteligentes,

[00:00:20] mais interessantes e com a vida muito mais espiritual do que a minha e do que a sua.

[00:00:24] Muito mais.

[00:00:25] Você acredita no mundo espiritual?

[00:00:26] Eu acredito.

[00:00:27] Você acredita em algo além do mundo material?

[00:00:28] Eu acredito.

[00:00:29] Você acredita no mal?

[00:00:30] Na realidade de material.

[00:00:31] Acredito.

[00:00:32] Acredito no mal?

[00:00:33] Acredito no bem.

[00:00:34] Acredito no demônio?

[00:00:35] Também.

[00:00:36] No demônio?

[00:00:37] Também.

[00:00:38] Eu acho que se você acredita em Deus assim, você acredita no demônio também.

[00:00:39] Ah tá, entendi o que você falou.

[00:00:40] Se você acredita em Deus, naturalmente você acredita no demônio.

[00:00:42] Isso.

[00:00:43] E a pessoa que só acredita no demônio, tem que acreditar em Deus também.

[00:00:45] Ah, eu só acredito no demônio e não existe Deus.

[00:00:47] Vamos descobrir hoje.

[00:00:48] Eu acho que não.

[00:00:49] É.

[00:00:50] Você acha que tem que ter…

[00:00:51] É uma batalha entre o bem e o mal.

[00:00:53] Uma batalha entre o bem e o mal, o Corinthians e Palmeiras fica como?

[00:00:55] O coringão ganha.

[00:00:56] O coringão leva.

[00:00:57] Não.

[00:00:58] Quem é o bem e quem é o mal?

[00:00:59] Ah, o Palmeiras é do mal.

[00:01:00] O porco.

[00:01:01] O porco é…

[00:01:02] O porco é associado ao mal?

[00:01:03] Ao mal.

[00:01:04] Só porque ele anda no chiqueiro.

[00:01:05] Exatamente.

[00:01:06] Eu sei que bode também.

[00:01:07] Tem muita associação.

[00:01:08] Gato.

[00:01:09] Gato também é um bicho que normalmente…

[00:01:10] Gato.

[00:01:11] Mas o gavião tá sempre lá em cima.

[00:01:12] É do bem.

[00:01:13] Ah, entendi.

[00:01:14] Você entendeu?

[00:01:15] Vamos falar sobre isso e outras coisas hoje aqui.

[00:01:16] É isso aí.

[00:01:17] Precisamos da sua participação sobre perguntas, que eu tenho muita pergunta pra fazer.

[00:01:20] É um assunto que eu quero saber demais.

[00:01:23] Inclusive, escrevi um livro que eu falava sobre isso.

[00:01:26] De uma pessoa fazendo um ritual de Abramelin pra tentar colocar demônios ao seu auxílio,

[00:01:32] pra você dominar demônios e fazer eles fazerem coisas pra vocês.

[00:01:35] Oloco!

[00:01:36] Eu tava sabendo não.

[00:01:37] Quero saber se isso é possível, se já fizeram isso no passado, né?

[00:01:41] Vamos descobrir hoje.

[00:01:42] Vamos descobrir hoje.

[00:01:43] Então, já manda a pergunta, dá o like e se inscreve no canal.

[00:01:45] 40% do pessoal que assiste a gente não é inscrito.

[00:01:47] Dá essa força pra gente chegar em 6 milhões pra gente liberar o nosso documentário que

[00:01:51] está sendo feito.

[00:01:52] É isso aí.

[00:01:53] É isso?

[00:01:54] É isso aí.

[00:01:55] Seja bem-vinda, Tupá.

[00:01:56] Muito obrigada, muito obrigada por me receber, falar do pata rachada, sempre divertido.

[00:01:59] Pata rachada, cramulhão.

[00:02:01] É, o cintécu gelado.

[00:02:03] Cintécu gelado.

[00:02:04] Você sabia dessa, Robert?

[00:02:06] Não sabia.

[00:02:07] Cintécu.

[00:02:08] Essa daí foi a invenção do pessoal do Porta dos Fundos, o mochila de criança.

[00:02:12] Mochila de criança.

[00:02:13] Seja bem-vinda.

[00:02:14] Tupá é seu nome mesmo?

[00:02:15] É meu nome mesmo.

[00:02:16] Seja bem-vinda aonde?

[00:02:17] Tupá.

[00:02:18] Meu nome é um nome indígena brasileiro.

[00:02:20] Não é Tupã então?

[00:02:21] Não, é Tupá.

[00:02:22] Tupã é o deus?

[00:02:23] É, mais ou menos.

[00:02:25] Tupã é o nome que vem do Guarani e no Brasil existem mais de 200 línguas indígenas.

[00:02:32] Caramba, tudo isso.

[00:02:33] Que sobraram, né?

[00:02:34] Porque existia muito mais.

[00:02:36] E é o que a gente tem hoje, a gente tem mais de 200.

[00:02:39] Então o meu nome ele não vem do Guarani.

[00:02:41] O meu nome vem do Matiz, que é uma língua que está isolada em outro rolê.

[00:02:45] De qual região, você sabe?

[00:02:46] Do Amazonas, no alto do Rio Javari.

[00:02:49] Eu tenho um jeito horrível de contar de onde o meu nome é.

[00:02:52] Por quê?

[00:02:53] Você lembra que o Dom e o Bruno que foram assassinados há um tempo atrás?

[00:02:58] É a região do meu nome.

[00:02:59] Ah, entendi.

[00:03:00] Olha só, por isso que é horrível.

[00:03:01] Porque eu preferia que ninguém tivesse sido assassinado.

[00:03:03] Tem essa associação.

[00:03:05] É, mas faz parte.

[00:03:06] A minha mãe trabalhou lá no começo dos anos 80 e ela conheceu os Matiz e ela disse

[00:03:13] que ela conheceu umas pessoas que ela nunca tinha visto.

[00:03:16] Tanta felicidade no olhar.

[00:03:19] E daí, quando ela engravidou e eu nasci, ela achou que era uma excelente ideia.

[00:03:23] Tupá.

[00:03:24] Me dá o nome de Tupá.

[00:03:25] Poxa.

[00:03:26] Eu gosto muito.

[00:03:27] No Instagram tem mais Tupá quando vocês fazem a busca lá?

[00:03:30] Um Tupã normalmente.

[00:03:31] É a primeira Tupá que eu conheço.

[00:03:33] Eu também.

[00:03:34] Aproveita.

[00:03:35] Eu me conheço.

[00:03:36] Se apresenta aqui para o povo, dá um oi.

[00:03:38] Pois não.

[00:03:39] E quero meu presente.

[00:03:40] Ai meu Deus.

[00:03:41] Bom, primeiro.

[00:03:42] Bom, muito prazer.

[00:03:43] Meu nome é Tupá Guerra.

[00:03:45] Eu sou historiadora, sou especialista em demônio, cramunhão, essas coisas todas, mas a partir

[00:03:51] da lente da história.

[00:03:52] Deixa eu ver o que mais que eu posso me falar.

[00:03:55] E eu trouxe um presente que fala um pouco de mim também.

[00:03:58] Deixa eu ver.

[00:03:59] Vamos ver se você sabe de onde é essa bandeira.

[00:04:01] Ah, eu não sei, mas com certeza o nosso especialista aqui que é o Bigoda, ele sabe tudo.

[00:04:07] Essa bandeira de onde é?

[00:04:09] Havaí.

[00:04:10] Mano, ele podia falar qualquer coisa.

[00:04:13] Eu não esperava Havaí, né?

[00:04:14] O Homer que tá do lado dele.

[00:04:16] Havaí, cara.

[00:04:17] O Homer com certeza sabe.

[00:04:19] É um estado do Brasil.

[00:04:20] Estado do Brasil, já facilitou.

[00:04:22] Eu iria para o Pará.

[00:04:24] Pará não é, com certeza.

[00:04:25] Aqui ó, de novo aqui ó, o Homer.

[00:04:27] Pará não é.

[00:04:32] Pessoal do chat, deixa eu ver se tá adivinhando aqui.

[00:04:34] O pessoal já deve ter acertado.

[00:04:36] Deve ter alguém de lá.

[00:04:38] Não tô falando nada.

[00:04:39] O pessoal do chat aqui, da onde é?

[00:04:40] Ajuda aí, chat.

[00:04:41] Acre.

[00:04:42] Acre.

[00:04:43] Acertei.

[00:04:44] Acertou.

[00:04:45] De primeira.

[00:04:46] Havaí, Acre, né?

[00:04:47] Acre.

[00:04:48] Do Acre.

[00:04:49] Vou já deixar aqui no nosso cenário.

[00:04:52] Pois não.

[00:04:53] Então, eu nasci no Acre.

[00:04:55] Eu sou acriana.

[00:04:56] Acriana.

[00:04:57] Então, por isso que eu achei que essa bandeirinha me acompanha, essa bandeirinha me acompanhou

[00:05:03] durante o meu doutorado.

[00:05:04] Eu levei ela pra Gringolândia comigo, enquanto eu fazia meu doutorado, deixava em cima da

[00:05:10] minha mesa, assim.

[00:05:11] Do Acre pro mundo.

[00:05:12] Do Acre pro mundo, olha só.

[00:05:14] Capitão do Acre.

[00:05:15] Rio Branco.

[00:05:16] Rio Branco, eu já te vi lá.

[00:05:17] Tá vendo?

[00:05:18] E você sabe que existe.

[00:05:19] Eu sei que existe.

[00:05:20] Diferente de…

[00:05:21] Apesar que eu fiquei no hotel e não fiz show só, eu não conheci nada lá.

[00:05:24] Mas, mas já vi.

[00:05:25] Já vi lá.

[00:05:26] Que lugar existe.

[00:05:27] Já fui em Roraima.

[00:05:28] Roraima.

[00:05:29] Foi no meu lugar mais longe que eu já fui no Brasil.

[00:05:31] Eu fui pra muito canto porque eu viajava com a minha mãe a trabalho quando eu era criança.

[00:05:35] Brasil é muito, muito louco.

[00:05:38] Muito louco.

[00:05:39] Ele é muito diferente.

[00:05:40] Você tá no Rio Grande do Sul.

[00:05:42] Se você pega um avião, vai pra…

[00:05:44] Eu morei no Amazonas também.

[00:05:45] Ah, você morou no Amazonas?

[00:05:46] Onde?

[00:05:47] Dois anos em Manaus mesmo.

[00:05:48] Em Manaus mesmo?

[00:05:49] Eu tenho família em Manaus.

[00:05:50] É muito legal.

[00:05:51] É…

[00:05:52] Tomar lá o…

[00:05:53] Tomar um tacacá.

[00:05:54] Tacacá.

[00:05:55] Que já adormece a boca.

[00:05:56] Nossa, eu comei um xiscaboclo, assim, com um tucumã.

[00:06:00] Maceta, né?

[00:06:01] Que os caras falam.

[00:06:02] É maceta, maceta.

[00:06:03] E, putz, você vai pro Amazonas, você vai pra Bahia, você vai pra Minas.

[00:06:07] Muitos diferentes.

[00:06:08] Vai pro Rio, pra São Paulo, pro Paraná, que, pô, apesar de você estar perto do Rio Grande

[00:06:13] do Sul e Florianópolis, não tem nada a ver com outra.

[00:06:15] É muito legal isso no Brasil.

[00:06:17] É muito mágico, né?

[00:06:18] Sotacas e tal.

[00:06:19] E é muito mágico que a gente tem uma certa união, né?

[00:06:22] Não vou dizer que a gente é igualzinho e tal, mas tem uma certa ali.

[00:06:26] Uma das coisas que eu acho que uniu a gente, pelo menos no começo, foi a religião também,

[00:06:31] né?

[00:06:32] Também.

[00:06:33] Isso acaba sendo também um ponto em comum, não só no Brasil, mas em alguns países.

[00:06:37] Alguma coisa tem que unir, né?

[00:06:39] Além da língua, né?

[00:06:40] Mas sabe que foi um rolê, né?

[00:06:42] Quando a gente foi independente, né?

[00:06:45] Quando Dom Pedro I proclamou a independência, aquela coisa toda.

[00:06:49] Ali, naquele primeiro momento, o pessoal da elite, claro, não foi todo mundo, o pessoal

[00:06:54] da elite…

[00:06:55] E agora?

[00:06:56] O que é um brasileiro?

[00:06:57] Como que a gente classifica esse negócio aqui?

[00:06:59] E daí eles fizeram um concurso.

[00:07:01] Você imagina se fosse hoje, era total, sei lá, faz um vídeo do TikTok, alguma coisa

[00:07:06] assim.

[00:07:07] Concurso para pegar personalidades?

[00:07:08] O que representava?

[00:07:09] Não, para decidir o que é um brasileiro.

[00:07:11] Como assim?

[00:07:12] A gente vai achando que isso sempre foi assim.

[00:07:14] Aí fizeram um concurso, aí teve um cara que não era brasileiro, que escreve uma monografia.

[00:07:21] Era um concurso de monografia dizendo, não, já sei, o brasileiro é a mistura das três.

[00:07:26] O brasileiro é a mistura do europeu com o indígena e com o africano.

[00:07:30] É mesmo?

[00:07:31] Isso foi criado por um cara e daí a galera falou, a ideia é ótima, vamos assumir que

[00:07:36] essa é a verdade e a partir de agora vai ser ensinado nas escolas e tudo mais e daí

[00:07:41] foi construída essa ideia.

[00:07:42] A gente aprende isso.

[00:07:43] A gente aprende isso.

[00:07:44] E não é que não seja verdade, porque só ia funcionar se fosse verdade.

[00:07:48] Claro.

[00:07:49] Mas só funciona quando tem o fundo de verdade.

[00:07:51] Mas assim, pensar, todo o resto da América do Sul se fragmentou em países pequenos.

[00:07:58] E a gente ficou com esse território absurdo.

[00:08:00] Coisinha difícil.

[00:08:01] Ainda perdemos umas partes e ganhamos outras.

[00:08:04] O Acre, por exemplo, eu brinco que foi o único estado que lutou para ser brasileiro.

[00:08:08] Pois é.

[00:08:09] Porque o Acre ficou independente três vezes antes de oficialmente ser reconhecido como

[00:08:13] um estado brasileiro.

[00:08:14] Pessoal zoa falar que o Acre foi comprado por um cavalo e foi nada.

[00:08:18] O pessoal do Acre lutou muito para fazer parte do Brasil.

[00:08:21] Pois é.

[00:08:22] Aí eu, super ufanista, falando bem do meu estado.

[00:08:26] Faltou a camisa do Brasil, né?

[00:08:28] Diga.

[00:08:29] O teu interesse por esse assunto vem da onde?

[00:08:32] Desde cedo ou não?

[00:08:34] Não.

[00:08:35] Vem um pouco de ser nerd, jogar RPG, jogar Medic, que eu sei que você fazia.

[00:08:40] Jogou Vampire ou não?

[00:08:42] Menos.

[00:08:43] Eu sempre fui mais do D&D.

[00:08:44] Ah, é?

[00:08:45] Mas…

[00:08:46] Diga.

[00:08:47] Mas tem essa coisa, esse interesse pelo Sobre a Natural vem de jogo?

[00:08:51] Ah, não sei.

[00:08:52] Ou você tem experiências?

[00:08:53] Não, não, não.

[00:08:54] Nunca teve?

[00:08:55] Não.

[00:08:56] De ver coisas?

[00:08:57] Não.

[00:08:58] Não.

[00:08:59] Eu brinco que eu não sou nem ateia.

[00:09:01] Eu sou atoa mesmo.

[00:09:03] Nem chega a ter vontade de discutir sobre a existência.

[00:09:06] Há muito trabalho.

[00:09:07] Ah, não, tá bom.

[00:09:08] Você quer acreditar, acredita, não quer…

[00:09:09] Isso, não.

[00:09:10] Eu já trabalho com isso.

[00:09:11] Eu tenho que passar o dia todo pensando nesse negócio.

[00:09:13] Não é minha vibe.

[00:09:14] Entendi.

[00:09:15] O que aconteceu foi que eu entrei na História para estudar na universidade.

[00:09:19] Eu queria estudar História Antiga ou Medieval.

[00:09:23] E tinha um grupo de pesquisa que trabalhava com História Antiga.

[00:09:27] Eu falei, quero.

[00:09:29] Aí o meu orientador, na época, o professor que me recebeu, o professor Vicente, virou

[00:09:33] e falou, olha, a gente trabalha com Antigo Oriente Próximo e com Antiguidade Tardia.

[00:09:38] Aí eu só sorria e acenei e falei, sempre quis trabalhar com Antigo Oriente Próximo.

[00:09:42] É, meu sonho.

[00:09:43] Eu adoro ser super, não fazia a menor ideia do que estava sendo falado.

[00:09:47] E daí, então, eu fui aprender, entender que a gente estava falando do crescente fértil,

[00:09:54] da região onde é Jordânia, Palestina, Israel, etc.

[00:09:57] Essa região.

[00:09:58] E Antiguidade Tardia é o que o pessoal fala que é tipo o final da Antiguidade e começo

[00:10:03] da Idade Média.

[00:10:04] E aí eu comecei a estudar primeiro.

[00:10:07] Eu estudei o livro de Tobias, da Bíblia, na minha graduação e no meu mestrado.

[00:10:12] Por quê?

[00:10:13] Porque no livro de Tobias, o Tobias, a noiva dele, os sete primeiros noivos dela morrem

[00:10:20] na noite de núpsias.

[00:10:21] Nossa.

[00:10:22] Porque tem um demônio que mata eles.

[00:10:24] E daí eu achei muito interessante, falei, como assim, né?

[00:10:27] Então eu digo que o meu mestrado foi basicamente sobre matar noivos na noite de núpsias.

[00:10:31] Olha só que coisa amigável.

[00:10:33] Jordira.

[00:10:34] Ah, eu não casei.

[00:10:35] Nossa.

[00:10:36] Morreu, até tentei, mas morreram as pessoas.

[00:10:39] Olha só que pena.

[00:10:40] Mas é porque eu estava curiosa, é parte da historiadora, assim, né?

[00:10:44] Ficar curiosa, tipo, mas como que os seres humanos pensavam nisso em outra época?

[00:10:48] É.

[00:10:49] Porque, e daí a gente volta para a ideia dos brasileiros, etc.

[00:10:52] A gente tem, a gente acha que sempre foi assim.

[00:10:55] E daí a gente acha que as pessoas sempre acreditaram no demônio.

[00:10:58] O demônio sempre foi desse jeito.

[00:11:00] Mas esse é um pensamento que você deve ter tido também.

[00:11:03] É pensar quando foi, na história do ser humano, que ele estava numa caverna, seja

[00:11:09] lá o que foi, e ele decidiu que existe o mal, as pessoas estão morrendo.

[00:11:14] Para onde vão essas pessoas?

[00:11:15] Quando ele começou a pensar nessas coisas e começou a dar nomes, né?

[00:11:18] Existe um Deus?

[00:11:19] Existe alguém que criou tudo?

[00:11:20] Como que a gente organiza esse paranauê aqui?

[00:11:22] Aconteceu uma coisa ruim.

[00:11:23] Existe alguém que é responsável pelo meu infortunio, pela morte das pessoas?

[00:11:28] Como que se desenvolveu isso na cabeça do ser humano?

[00:11:31] Pois é muito doido, né?

[00:11:32] Porque um cachorro não tem esse pensamento, né?

[00:11:34] Eu não sei.

[00:11:35] Eu preciso orar pra Deus pra ver se o meu dono vai…

[00:11:38] Pra ver se alguém me dá comida.

[00:11:40] Não sei, não tem essa…

[00:11:41] Você já viu a piada do cachorro e do gato, né?

[00:11:43] Que os cachorros, eles acham que…

[00:11:45] Cachorros pensam, nossa, esse ser humano me dá comida, me dá atenção.

[00:11:50] Eles devem ser deuses.

[00:11:52] Já os gatos olham e falam, o ser humano me dá comida, me dá atenção.

[00:11:55] Eu devo ser um deus!

[00:11:56] E é bem como se comportam mesmo.

[00:11:59] Mas o…

[00:12:00] O que você acha que na evolução da gente

[00:12:02] esse espaço pra espiritualidade aparece desde o começo, você acha?

[00:12:07] Então, é muito difícil de saber assim, quando foi, né?

[00:12:10] Você vê pras pinturas que existia uma busca, né?

[00:12:13] Existia, existia.

[00:12:14] Pintuais.

[00:12:15] Muita gente fala que os seres humanos inventaram Deus,

[00:12:18] ou Deus inventou os seres humanos.

[00:12:19] E daí é uma questão de fé que pouco me importa.

[00:12:22] Filosófica, fé.

[00:12:23] Mas o que eu acho fascinante mesmo…

[00:12:26] Eu batendo no microfone, eu sou muito boa em bater no microfone.

[00:12:29] Mas aí o que eu acho fascinante mesmo é entender

[00:12:33] como que eles começaram a organizar esse conhecimento, né?

[00:12:37] E imaginar…

[00:12:39] Se a gente olhar a própria Bíblia,

[00:12:41] a gente vai ver que nos textos mais antigos da Bíblia

[00:12:44] tem muito essa ideia de que se você for legal, se você for bom,

[00:12:47] coisas boas acontecem.

[00:12:49] Se você for ruim, coisas ruins acontecem.

[00:12:51] Mas aí você olha a realidade e literalmente não acontece isso, né?

[00:12:54] Acho que todo mundo conhece gente incrível,

[00:12:57] que teve coisas péssimas e gente horrível que teve coisa boa.

[00:13:00] Claro, bebês que morrem.

[00:13:02] Como que o bebê vai ser ruim, né?

[00:13:04] Da onde vem isso?

[00:13:06] E daí eu acho que é aí que as sociedades vão começar a desenvolver essa ideia

[00:13:09] de tipo, não, talvez tenha uma parada externa.

[00:13:12] Talvez tenha alguma coisa que vem de fora e ataca a gente.

[00:13:16] Talvez tenha alguma coisa que não está nessa ordem primordial.

[00:13:20] E daí cada sociedade vai pensar de um jeito.

[00:13:23] Cada sociedade vai chegar numa resposta.

[00:13:25] Como a gente tem uma tradição católica que antes vem do judaísmo e tal,

[00:13:30] então a gente tem uma tradição que segue muito essa linha.

[00:13:33] Eu falei disso porque me interessa muito por esse estudo do ser humano, né?

[00:13:38] E uma descoberta na Turquia até bagunçou tudo isso, né?

[00:13:41] Porque na época a gente era coletor e caçador,

[00:13:46] que a gente não parava e não se reunia.

[00:13:48] Aí os caras descobrem um templo em Gobli Tepec,

[00:13:51] alguma coisa assim, lá na Turquia,

[00:13:53] que não bate com a época que a gente já era agricultor

[00:13:56] e se reunia em comunidades e fazia templos e não sei o quê.

[00:13:58] Tem um templo lá na época que a gente ainda era lá atrás de caçador e coletor.

[00:14:04] Então assim, mesmo a história, a arqueologia, está tentando encaixar na humanidade

[00:14:10] quando que a gente começou a fazer rituais dessa maneira de se fixar,

[00:14:14] fazer um ritual para algum deus, é muito louco.

[00:14:18] E é muito louco porque quando você para para pensar,

[00:14:20] talvez não tenha tido um momento que todo mundo se fixou,

[00:14:23] porque a gente adora colocar em caixinhas, né?

[00:14:25] Pode ser ondas diferentes, né?

[00:14:27] Isso, daí a gente coloca assim…

[00:14:28] Nessa região foi uma época, no alto da Europa foi outro.

[00:14:33] E a gente pensa numa linha, né? Parece que o mundo aconteceu numa linha.

[00:14:36] Gobli… Gobli Clipe Tepec, alguma coisa assim.

[00:14:39] Vê se acha, esse, achou, né? Essa daí.

[00:14:42] Olha só que incrível.

[00:14:43] É muito antigo isso.

[00:14:44] É muito doido que historiador, a gente se adora, olha essas pedrinhas quero.

[00:14:48] Olha só que incrível.

[00:14:49] A gente está andando e falando, tropecendo uma pedra.

[00:14:51] O arco eólogo fala, cara, não é uma pedra, calma isso daí, é um templo e não sei o quê.

[00:14:55] E porque a gente olha assim, você olha e fala, gente, tem umas pedras no meio do chão.

[00:15:00] O que isso me importa, né?

[00:15:01] E outra, recortada certinho, né?

[00:15:04] Por sinal, esse é o negócio que mais me frustra na internet.

[00:15:07] Por quê?

[00:15:08] É as pessoas falando, ai, porque essa pedra está cortada reta, com certeza aliens.

[00:15:13] Eu falo, gente, cortar pedra…

[00:15:14] Vocês tiveram um maior trabalho para fazer isso.

[00:15:16] Imagina os caras lá fazendo.

[00:15:18] Aí fala, relaxa, um dia vamos falar que foi um alien que fez.

[00:15:21] Vou dar o menor valor para você.

[00:15:23] E assim, corta pedra, gente, vamos lá.

[00:15:25] É uma grande tecnologia de cortar pedra.

[00:15:27] Cortar pedra não é uma tecnologia tão impressionante que as pessoas façam retinho,

[00:15:31] mas é um negócio que as pessoas podiam já fazer, né?

[00:15:34] Pois é, não é um trabalho de cientista molecular, sei lá.

[00:15:41] Mas eu não quero que você perca a linha, então.

[00:15:43] Não, mas tá tranquilo, a minha linha vai e volta.

[00:15:45] Tá bom.

[00:15:46] Mas só muito rápido nesse sentido, outra coisa que a gente acha normalmente

[00:15:49] é que as pessoas da antiguidade eram burras.

[00:15:52] A gente tem muita samania, só que as pessoas, elas eram inteligentes,

[00:15:56] só que elas partiam de pressupostos diferentes,

[00:15:58] mas elas eram tão inteligentes quanto a gente.

[00:16:00] E a gente acha também que o conhecimento da humanidade só acumula.

[00:16:03] E não, a gente perdeu um monte de coisa no processo.

[00:16:06] A gente não sabe fazer caravela.

[00:16:08] E nem tem tanto tempo assim que o pessoal fazia caravela.

[00:16:11] E a gente não faz a mais remota ideia de como faz.

[00:16:13] Quantos livros foram perdidos, né?

[00:16:15] Quanto conhecimento não foi passado para frente.

[00:16:17] É, então o conhecimento não é só acumulativo.

[00:16:19] Tem coisas que eu acho que a gente fica redescobrindo ao longo do tempo.

[00:16:22] Mas eu acho legal o trabalho que o Campbell fez no Poder do Mito,

[00:16:28] de tentar ver esses monomitos, né?

[00:16:32] Essas coisas que se repetem em várias culturas ou várias civilizações.

[00:16:38] O mito do herói, né?

[00:16:41] Essa coisa do herói, a coisa da mãe, da mulher relacionada à fertilidade, à terra.

[00:16:47] Tem certas histórias.

[00:16:48] Dilúvio é uma coisa que se repete em várias histórias, né?

[00:16:51] É meio por isso que eu fui para o meu mestrado, porque…

[00:16:54] Você tem alguma explicação para essas histórias que se repetem em várias culturas

[00:16:57] que não são nem conectadas, né?

[00:16:59] Pois é, eu acho que parte da explicação…

[00:17:01] Olha lá, o Poder do Mito.

[00:17:02] É o Poder do Mito, o Joseph Campbell.

[00:17:04] É bem interessante, tem muitas outras coisas novas legais também nesse processo,

[00:17:08] mas eu acho que tem muita coisa que é meio que lógico.

[00:17:13] Quer ver um negócio?

[00:17:14] A ideia de que dividir as coisas em quatro.

[00:17:18] Se você mora num lugar que tem quatro estações,

[00:17:20] é meio óbvio dividir as coisas em quatro.

[00:17:22] Se você olha para a lua, é meio óbvio dividir as coisas em quatro.

[00:17:26] E as pessoas observavam essas coisas, né?

[00:17:28] Pois é, tinha muito tempo para observar.

[00:17:29] É, então assim, tem algumas coisas que eu acho que elas só são meio lógicas.

[00:17:33] Ou igual pirâmide.

[00:17:34] Para mim, pirâmide é a parte mais…

[00:17:36] Gente, é o jeito mais fácil de empilhar bloco.

[00:17:38] Se você for fazer na areia, provavelmente você vai fazer alguma coisa naquele lugar, né?

[00:17:42] Vai afinando.

[00:17:43] Vai afinando.

[00:17:44] O pessoal fala, nossa, tem pirâmides em vários lugares do mundo.

[00:17:46] Eu, nossa, dá para empilhar pedra em vários lugares do mundo.

[00:17:50] Estou chocadíssima.

[00:17:51] E outra, os caras trocavam o celular também, né?

[00:17:54] O pessoal do Egito falava com…

[00:17:56] Não, muito mais do que a gente acha, inclusive.

[00:17:58] As pessoas viajavam mais do que a gente acha, né?

[00:18:01] Claro que demorava um pouquinho mais, né?

[00:18:03] É, o cara passava, ó, trazia conhecimento de outro lugar para construção, para qualquer coisa, né?

[00:18:10] E o pessoal, os próprios gregos, eles falavam nos textos, por escrito, assim.

[00:18:16] Olha, gente, a gente aprendeu isso com os egípcios.

[00:18:18] Verdade?

[00:18:19] É, está escrito lá, literalmente.

[00:18:20] Pelo menos eles davam crédito, então.

[00:18:21] Eles davam crédito.

[00:18:22] Inclusive, eles achavam que o Egito era o lugar mais incrível que podia ter existido.

[00:18:26] É?

[00:18:27] Eles eram muito, muito…

[00:18:29] Tinha uma reverência muito grande pelo Egito, assim.

[00:18:32] E depois o pessoal vai ter uma reverência com os gregos, né?

[00:18:35] Os gregos, com certeza.

[00:18:36] E daí você vai…

[00:18:37] Principalmente no iluminismo e tal, essa volta.

[00:18:39] E essa ideia…

[00:18:40] Nossa, eu vou puxando outros assuntos, né?

[00:18:41] Eu sei que a gente ia falar de demônio, mas a gente chega lá.

[00:18:43] Vamos chegar.

[00:18:44] Mas essa…

[00:18:45] A parada aqui, para mim, foi uma das coisas mais impressionantes da história.

[00:18:49] Foi quando eu descobri que as estátuas gregas e romanas não eram brancas, no passado.

[00:18:54] Você sabia disso?

[00:18:55] Eu vi isso, uma colorização.

[00:18:56] Vê se acha isso depois para a gente, Romer?

[00:18:58] Eles fizeram uma simulação de como seria.

[00:19:00] Cara, eu não fazia ideia disso.

[00:19:01] É muito interessante.

[00:19:02] É bizarro, né?

[00:19:03] Parece de Lego.

[00:19:04] Não só as estátuas, como os prédios também, né?

[00:19:06] Sim, tudo era colorido.

[00:19:07] Tem que ver tudo branco ou meio terracota, né, cara?

[00:19:09] Por meio.

[00:19:10] Não, é isso.

[00:19:11] Sabia que no século XIX a gente tem registro de gente no Museu Britânico limpando as estátuas,

[00:19:17] tirando os vestígios de tinta da estátua.

[00:19:19] Por que você acha isso?

[00:19:20] Porque eles achavam que era mais bonito, é.

[00:19:22] E eles estavam criando.

[00:19:23] E é isso que é doido, né?

[00:19:24] Porque cada época do mundo tem essas criações também.

[00:19:27] Tem uma estética, né?

[00:19:28] Tem uma estética.

[00:19:29] A gente acha que é natural, só que tem também influência, né?

[00:19:32] Você vê foto de São Paulo dos anos 60, talvez, dos anos 70, comparado agora com

[00:19:37] ele era muito mais colorido.

[00:19:38] Sim.

[00:19:39] Os carros.

[00:19:40] Tudo era mais colorido, né?

[00:19:41] O carro antes era azul, amarelo, vermelho.

[00:19:43] Hoje em dia é preto, branco e prata.

[00:19:45] E um carro ou outro é colorido.

[00:19:47] Vermelho, é.

[00:19:48] Mas você vê, você via nas ruas, era muita cor nas ruas, não só nos carros.

[00:19:51] As paredes, tudo pintadas.

[00:19:53] Hoje em dia é essa coisa mais sóbria, né?

[00:19:56] Sóbria, tudo cinza.

[00:19:57] Vídeo concreto e tal.

[00:19:58] Eu gosto que você vai contra, que é muito bom.

[00:20:00] Eu vou contra aqui.

[00:20:01] Na minha casa é mais sóbrio.

[00:20:03] Mas aqui, aqui vem gente, entrevistei autista aqui, né?

[00:20:09] O pessoal fica perdendo um tempo aqui, né?

[00:20:12] Muito divertido.

[00:20:13] E aí achou?

[00:20:14] Achou?

[00:20:15] Estátuas.

[00:20:16] Estátuas colorizadas.

[00:20:17] Ah, legal.

[00:20:18] É muito legal porque é isso.

[00:20:19] E quando a gente fala dessa parada das cores, primeiro que já tinha texto dizendo que as

[00:20:22] estátuas eram coloridas.

[00:20:23] A gente adora ignorar texto de outros tempos.

[00:20:26] Ah, deve ser metafórico isso.

[00:20:28] Isso.

[00:20:29] E daí, mas daí alguém foi lá e pegou e raspou as estátuas e fez análise de pigmento.

[00:20:34] E essas reconstruções, muitas delas, são baseadas na química que eles encontraram

[00:20:38] de pigmento na estátua.

[00:20:40] Mas você falou que os caras tiravam a cor porque na época que estavam tirando era mais

[00:20:43] bonito esteticamente.

[00:20:45] Tudo.

[00:20:46] E para criar uma ideia de um passado todo branco.

[00:20:49] Porque a gente está falando da Europa em 1800.

[00:20:52] A branco, cor de pele mesmo.

[00:20:54] Também.

[00:20:55] Ah, tá.

[00:20:56] Não esteticamente ficaria mais bonito.

[00:20:57] Os dois.

[00:20:58] Os dois.

[00:20:59] E daí uma ideia de superioridade, que a Grécia seria a coisa mais superior que já existiu

[00:21:02] na face da Terra.

[00:21:04] E daí essa superioridade tinha que combinar com o que eles achavam que era o mais bonito.

[00:21:08] Então, coisas coloridas eram do Oriente.

[00:21:10] Ah, verdade.

[00:21:11] Porque o Oriente sempre teve essa coisa de muito padrão, de cor, muita…

[00:21:15] Só que aí você vai olhar para a Grécia e na Grécia também tinha.

[00:21:19] Aí você vai olhar as igrejas medievais e elas eram uma cor só.

[00:21:22] Tudo muito colorido na Idade Média.

[00:21:24] A despeito dos filmes mostrarem tudo bege, que é bem frustrante.

[00:21:28] Mas não.

[00:21:29] Eu falo que…

[00:21:30] Eu brinco que não é porque você não tem dinheiro que você não tenha senso estético.

[00:21:33] Então, ah, os camponeses da Idade Média.

[00:21:35] Só porque eles eram camponeses não quer dizer que eles não tinham senso estético.

[00:21:38] Não quer dizer que eles não queriam uma roupa legal.

[00:21:40] Não quer dizer que eles não queriam uma casa enfeitada.

[00:21:42] Cada um ia no seu.

[00:21:44] Essa pirâmide que era…

[00:21:45] Isso é muito doido também, que as pirâmides elas tinham…

[00:21:48] Na Antiguidade elas tinham pedras brancas.

[00:21:51] A pirâmide sim era branca.

[00:21:52] E essa ponta era dourada, né?

[00:21:54] É, imagina como que era isso no sol de longe.

[00:21:56] Nossa, refletindo, né?

[00:21:58] Devia ser muito doido.

[00:21:59] Mas aí o tempo passa, né?

[00:22:00] Mas o que é legal é que se pedir um estátua ele me tem uma pirâmide.

[00:22:03] Tranquilo, tá tranquilo.

[00:22:04] Eu tô achando os estátus aqui.

[00:22:05] Não, mas…

[00:22:06] Tá chegando.

[00:22:07] Imagina se trabalhasse numa padaria, né?

[00:22:09] Ver pão aí pra mim.

[00:22:10] Chegar em baguete.

[00:22:11] Não, o cara me traz um…

[00:22:12] Um sonho.

[00:22:13] Um sonho é bom, né?

[00:22:14] É, pô, me deu vontade agora.

[00:22:15] Só porque você falou, eu falei, um sonho.

[00:22:16] Mas enquanto ele procura, vamos agora organizar nosso pensamento, então.

[00:22:17] Vamos.

[00:22:18] Por onde a gente começa a falar sobre demônios, lúcifer, satanás?

[00:22:19] Satanagens?

[00:22:20] É, de onde vem?

[00:22:21] Olha lá.

[00:22:22] Essas são egípcias.

[00:22:23] É, você pegou egípcias.

[00:22:24] Egípcia já é conhecida por ser colorida.

[00:22:25] Queria estátuas gregas, coloridas ou romanas.

[00:22:26] Não sei o que você vai achar mais fácil aí.

[00:22:27] Então, vamos lá.

[00:22:28] A gente falou que os seres humanos, eventualmente, começaram a reparar.

[00:22:29] Eu imagino que os seres humanos, eventualmente, começaram a reparar.

[00:22:30] Eu imagino que desde sempre.

[00:22:36] Enfim…

[00:22:38] Repararam que gente legal acontece coisa horrível…

[00:22:48] Gente horrível acontece coisa boa…

[00:22:50] E daí eles tentaram pensar em lógicas, né?

[00:22:52] Cada sociedade foi seguindo por um caminho diferente.

[00:22:54] E a sociedade que vai depois, né, o judaísmo, porque é a corrente que vem depois pro cristianismo

[00:23:04] e que daí chega na gente, eles vão olhar e falar, não, então, se pá, tem coisas terríveis

[00:23:10] que podem acontecer com você por influência externa, então tem você e tem algo que te

[00:23:16] influencia.

[00:23:17] E daí na antiguidade não tinha ainda essa ideia de um mal personalizado, então o mal

[00:23:23] ele existia, mas não tinha, tipo, uma descrição do mal, não tinha uma figura, isso pra mim

[00:23:28] foi mega frustrante porque eu cheguei pra estudar, eu trabalhei com os manuscritos do

[00:23:32] Mar Morto, não sei se você já ouviu falar.

[00:23:34] Já, estive lá inclusive onde foi encontrado.

[00:23:36] Ah, que chique, eu não.

[00:23:37] Olha só, cara.

[00:23:38] Olha isso, é bom demais.

[00:23:39] Mano.

[00:23:40] É muito bom.

[00:23:41] Não parece que foi de Lego?

[00:23:42] É, parece que alguém pintou assim, tipo, uma tiazinha lá do, ah, dá aqui, dá tinta

[00:23:49] guaxa aqui pra tia.

[00:23:50] Isso, vou pintar aqui.

[00:23:51] Isso não só é essa, imagina uma cidade em que todas as estátuas são assim no meio

[00:23:57] da rua.

[00:23:58] Cara, que engraçado.

[00:23:59] É muito bom, né?

[00:24:00] É muito bom.

[00:24:01] E, fora isso, as paredes das casas eram coloridas, o chão tinha mosaico e é um pouco…

[00:24:06] Não, era uma explosão de cores e padrões.

[00:24:08] É bom que a gente tá num lugar que aqui tá bem representado.

[00:24:12] É adequado pra falar sobre.

[00:24:13] Aqui é o resto de todas as civilizações antigas que foram sobrando as coisas.

[00:24:17] O resto que sobrou.

[00:24:18] É.

[00:24:19] O resto.

[00:24:20] Pois é.

[00:24:21] Falando pros seres malignos.

[00:24:23] Eu fiquei frustrada porque quando eu fui começar a estudar no doutorado, né, eu lembro até

[00:24:28] eu fiquei super nervosa de falar com a orientadora, falar, e aí, posso estudar demônio?

[00:24:33] E ela foi super clara, imagina.

[00:24:35] E daí eu descobri que no mundo acadêmico não tem nada de mais, assim, tem gente que

[00:24:38] estuda demônio.

[00:24:39] Você tá falando de preconceito?

[00:24:40] É, é um tema normal, ninguém acha isso um tema estranho ou esquisito.

[00:24:44] Esquisito sou eu, não o tema, especificamente.

[00:24:47] Mas então eu fiquei mega nervosa e eu esperava encontrar de novo.

[00:24:51] Eu venho do RPG, eu joguei médica, eu esperava encontrar ali o Grimório, né?

[00:24:55] Sim.

[00:24:56] Esperava encontrar a descrição, o demônio tal, faz tal coisa, o demônio.

[00:24:59] Lígros esquecidos.

[00:25:01] É, eu tava muito animada.

[00:25:03] É, não, não.

[00:25:05] Não tem?

[00:25:06] Não nos manuscritos do Mor Morto.

[00:25:07] Ah não, nos manuscritos do Mor Morto não, mas existem histórias.

[00:25:10] Existem, mas é mais posterior.

[00:25:13] Nesse momento.

[00:25:14] Estamos falando em quê?

[00:25:15] A gente tá falando aqui de dois mil e poucos anos atrás, assim.

[00:25:20] Não, a gente tá falando em 50 anos depois de Cristo?

[00:25:23] Não, antes.

[00:25:24] Antes de Cristo?

[00:25:25] Antes de Cristo.

[00:25:26] Antes de Cristo.

[00:25:27] A gente tá falando aqui, a gente chama isso de segundo templo.

[00:25:30] É mais ou menos, eu vou colocar, né, mais ou menos, é mais ou menos 500 antes da era

[00:25:34] comum, até 70 na era comum.

[00:25:37] Todo esse tempo?

[00:25:38] É o segundo templo, que é literalmente quando tem o segundo templo em Jerusalém.

[00:25:42] E daí em 70 ele é destruído e daí acaba o segundo templo, né?

[00:25:45] E a gente usa, eu uso essa coisa de antes da era comum, depois da era comum, ou era

[00:25:50] comum, porque é uma das, ultimamente no mundo acadêmico, o pessoal se usa mais isso do

[00:25:55] que tirou-se um pouco.

[00:25:56] Antes e depois de Cristo.

[00:25:57] É, tirou um pouco essa ideia de Cristo.

[00:25:58] De ser e a ser.

[00:25:59] É, é a mesma coisa.

[00:26:00] É a mesma coisa, tá.

[00:26:01] Então.

[00:26:02] A maiorcação do tempo é igual.

[00:26:03] Por enquanto sim.

[00:26:04] Estamos no mesmo ano.

[00:26:05] É.

[00:26:06] Embora tenham questões aí, mas depois a gente pensa nisso.

[00:26:10] O cálculo foi feito errado, né?

[00:26:12] O cálculo foi feito errado.

[00:26:14] Quantas vezes mudou o calendário nesse período?

[00:26:16] Verdade.

[00:26:17] Nos últimos dois mil anos a gente mudou de calendário várias vezes.

[00:26:20] É mó rolê calcular data antiga.

[00:26:22] Mas, você acha que tem diferença de anos ou meses?

[00:26:29] Não sei.

[00:26:30] Acho que os dois, depende.

[00:26:31] Parece que tem três anos talvez diferente, um erro, né?

[00:26:34] Enfim, mas é difícil, calcular tempo é difícil, eu só aceito que ok.

[00:26:39] Tá bom.

[00:26:40] Mas então nesse período, a gente tinha já a ideia de mal.

[00:26:43] Existe algo que é mal.

[00:26:46] Embora definir o mal é um problema.

[00:26:49] Até uma piada muito longa de as pessoas me perguntarem.

[00:26:52] Tipo, define o mal.

[00:26:53] É.

[00:26:54] Aí eu falei, então, né gente?

[00:26:55] Mas eles acreditavam que o mal estava incorporado dentro do ser humano?

[00:26:58] Não, não.

[00:26:59] Era algo que estava do lado de fora.

[00:27:01] E é interessante porque nesse começo você tem uma ideia que tantos seres

[00:27:06] incorpóreos e invisíveis, sei lá, quanto pessoas más meio que estão numa categoria

[00:27:11] junta?

[00:27:12] É.

[00:27:13] Eles são os filhos das trevas.

[00:27:14] Tá.

[00:27:15] Acho bom demais esse nome.

[00:27:16] Não, inclusive deve ter filme e um monte de coisa com esse título.

[00:27:20] Não, você colocar filho das trevas com certeza vai aparecer alguma coisa.

[00:27:23] Né?

[00:27:24] Bom demais, filhos das trevas.

[00:27:25] É um negócio sinistro.

[00:27:26] E daí você tem os filhos da luz, que seriam aqueles que seguem Deus e os filhos das trevas,

[00:27:31] que seriam aqueles que são maus de alguma forma.

[00:27:33] Tá.

[00:27:35] A influência dos filhos das trevas, especialmente esses incorpóreos, te faz ficar doente.

[00:27:41] Essa é uma das principais coisas nos textos mais antigos.

[00:27:45] O que a gente chama de demônio hoje, nesse começo são essas influências que fazem

[00:27:50] você ficar doente de várias formas.

[00:27:52] É dor de cabeça, dor de dente, alguma doença que você morre.

[00:27:58] Tudo isso era atribuído a seres malignos.

[00:28:01] Mas não é também que as pessoas eram burras e achavam que é só o ser maligno.

[00:28:05] Eles tentavam se cuidar também.

[00:28:06] Sim, tinham várias questões, mas normalmente era tipo, toma esse chá dessa planta e reza

[00:28:12] para isso daqui e faz essa oração aqui.

[00:28:15] E daí eu encontrei, foi muito frustrante porque eu achava que eu ia ter tudo certinho.

[00:28:20] Eu não tinha tudo certinho.

[00:28:21] Tinha essas descrições muito vagas do que era.

[00:28:24] E eu fui entendendo, porque cada texto era de um jeito, eu fui entendendo que não tinha

[00:28:31] o saque central do judaísmo da antiguidade para todo mundo dizer, então, gente, o padrão

[00:28:37] é esse, todo mundo vai seguir esse.

[00:28:39] Não existia.

[00:28:40] Na verdade, existem muitas vertentes, não só do judaísmo, com várias outras religiões,

[00:28:45] porque por mais que as pessoas viajassem, a galera não tinha como se comunicar tão rápido.

[00:28:49] Em cada região você tinha influências ali outras e as pessoas iam interpretando diferente.

[00:28:54] Então você tem, é muito difícil dizer, como era o demônio na antiguidade?

[00:28:59] Cada lugarzinho que você vai, vai ter algumas diferenças do que é.

[00:29:03] O que todo mundo mais ou menos concorda é, existem coisas ruins que te fazem ficar doente

[00:29:09] ou que te fazem se afastar do caminho.

[00:29:13] E fazer coisas ruins também?

[00:29:14] Fazer coisas ruins.

[00:29:15] Te incentiva a fazer?

[00:29:18] Você é influenciado pelo mal?

[00:29:20] Não, nesses textos é menos isso.

[00:29:23] Mas se você não segue as leis de Deus, você pode cair sob a influência desses seres,

[00:29:29] mas não necessariamente do mal.

[00:29:31] E daí, claro, vai começar a organização do que é esse mal.

[00:29:35] Que daí depois, no Novo Testamento, vai estar bem mais organizado já.

[00:29:39] No Novo Testamento você vai ter mais a ideia de exorcismo, você vai ter ideia de coisas.

[00:29:43] E é interessante porque na antiguidade você tinha pessoas que, pagãos, pessoas que não eram cristãs

[00:29:53] que falavam, ah, o melhor exorcista é um judeu, chama um judeu,

[00:29:56] você tá precisando de um exorcismo, chama um judeu.

[00:29:58] E eles fazem esse papel?

[00:30:00] É, pelo menos é o que os textos dizem pra gente.

[00:30:03] Esse é outro problema de história.

[00:30:05] Acho que historiador é o pior tipo de gente pra fazer conteúdo,

[00:30:07] que a gente adora falar, talvez, depende, mais ou menos.

[00:30:10] O que sabemos até agora é isso.

[00:30:12] De acordo com as fontes.

[00:30:14] Mas é porque tem coisa que a gente nunca vai saber.

[00:30:18] A gente tem uma probabilidade.

[00:30:20] Sei lá, 80, 90% de chance que fosse assim.

[00:30:23] Porque a gente tem um texto, porque a gente tem um vestígio arqueológico,

[00:30:25] porque a gente tem, a gente soma todas essas ideias e chega numa conclusão.

[00:30:30] Mas certeza, certeza absoluta não tem como ter.

[00:30:33] Porque dois mil anos atrás, né?

[00:30:35] E eu acho que nem que inventasse uma máquina do tempo dava pra ter certeza.

[00:30:39] Mas o fato é que nesse começo, então, você tem algumas figuras já,

[00:30:43] tipo mástima, belial, que são vistas como ruins.

[00:30:49] Mas é muito doido porque a palavra belial, por exemplo,

[00:30:52] ou a palavra mástima são palavras em hebraico.

[00:30:55] Então, e em hebraico não tem letra maiúscula.

[00:30:59] Pelo menos não hebraicotico.

[00:31:01] Então, e não tem ponto final também.

[00:31:03] Não tem pontuação no texto, às vezes.

[00:31:05] E daí, como que você sabe se isso é um nome próprio ou não?

[00:31:08] Porque fala o anjo de mástima.

[00:31:10] Pode ser nome próprio ou pode não ser nome próprio.

[00:31:14] E aí, como sabe?

[00:31:15] Não sabe.

[00:31:16] Na verdade, você vai ali no contexto,

[00:31:18] vê se está sendo utilizado como se fosse um nome próprio ou não.

[00:31:22] E que é isso?

[00:31:23] Isso é a imagem do belial.

[00:31:26] É contemporâneo.

[00:31:27] É contemporâneo.

[00:31:29] Porque é isso.

[00:31:30] Nos textos antigos, não tem imagem nenhuma.

[00:31:32] Pra não dizer que não tem imagem nenhuma, nenhuma, nenhuma.

[00:31:35] Tem um manuscrito do Mar Morto,

[00:31:37] é 11Q11, que tem uma frase,

[00:31:40] porque eles, todo quebrado, né?

[00:31:42] Manuscrito é um negócio, a gente encontrou pedacinhos.

[00:31:45] Para as pessoas terem uma noção…

[00:31:47] Não, mulher, a foto do manuscrito do Mar Morto,

[00:31:51] todo coladinho, umas partes que faltam e tal,

[00:31:53] você vai achar aí.

[00:31:54] Para vocês terem noção, gente, são cerca de 15 mil fragmentos,

[00:31:57] que dão mais ou menos 900 textos.

[00:32:00] Então, assim, é como pegar um livro…

[00:32:01] É um quebra-cabeça.

[00:32:02] É um quebra-cabeça que você não sabe qual era o quebra-cabeça original.

[00:32:05] Você não tem a caixinha.

[00:32:07] E você está faltando peça.

[00:32:09] Está faltando peça e você não tem a caixa com a figura que vai montar.

[00:32:13] Inclusive, a gente sabe que o pessoal que trabalhou no começo

[00:32:17] montando essa quebra-cabeça não dava conta de ficar muito tempo,

[00:32:20] que dava uma pirada assim na cabeça.

[00:32:22] É mesmo?

[00:32:23] De ficar lá o tempo todo.

[00:32:24] Imagina, dias e dias e dias com os pedacinhos desse tamanho ali.

[00:32:27] Enfim.

[00:32:29] Mas então, no 11Q11, que é…

[00:32:31] Ah, eu já ia falando as coisas.

[00:32:33] Esse é um que está bem bonito.

[00:32:35] Esse está fazendo com pedacos.

[00:32:36] Eu acho que esse daí…

[00:32:38] Não tem as linhas.

[00:32:39] Eu ia falar que era o rolo de Zaias,

[00:32:40] mas está com as linhas, eu não tenho certeza.

[00:32:42] Mas depois você…

[00:32:43] Mas tem mais, viu?

[00:32:44] Vou pegar outros aqui.

[00:32:45] Coloco os mais quebradinhos.

[00:32:47] Os que eu trabalhei eram todos bem quebradinhos.

[00:32:49] Os meus bebês.

[00:32:50] Eu falo que são os meus manuscritos.

[00:32:52] Não tem nada de meu.

[00:32:53] Mas um dos manuscritos,

[00:32:55] 11Q11 é o nome dele,

[00:32:57] porque a gente coloca esse nome para facilitar,

[00:33:00] que não parece facilitar a vida de ninguém,

[00:33:01] mas eu juro que facilita, porque…

[00:33:03] 11 é o número da caverna onde o manuscrito foi encontrado,

[00:33:07] que significa que é de Curã,

[00:33:09] e o outro 11 é o número do manuscrito em si.

[00:33:11] Então eu consigo saber de onde é.

[00:33:13] Nesse tem uma descrição que fala

[00:33:15] de um ser,

[00:33:17] e que fala assim,

[00:33:19] o seu rosto é um rosto de…

[00:33:21] Está quebrado, esse pedaço não tem.

[00:33:23] Putz.

[00:33:25] Estava esperando ela falar e…

[00:33:27] Eu sei, não tem.

[00:33:29] E daí na linha seguinte fala,

[00:33:31] esse daí já está um pouquinho mais…

[00:33:33] Já está mais quebrado, mas não é a imagem que veio na cabeça

[00:33:35] quando eu visitei lá o museu e tudo mais,

[00:33:37] tem uns bem escuros, marrom escuro,

[00:33:39] parece um mapa mundo antigo.

[00:33:41] Parece, porque é couro.

[00:33:43] É couro.

[00:33:45] Pergaminho é couro.

[00:33:47] Tem um outro manuscrito que é

[00:33:49] papiro, mas a média deles

[00:33:51] é couro, então escurece.

[00:33:53] Inclusive tem vários deles

[00:33:55] que a gente só consegue ler com

[00:33:57] foto com ultravioleta

[00:33:59] e coisas do tipo.

[00:34:01] Para mudar a resolução e o contraste.

[00:34:03] Isso. E daí continuando a descrição,

[00:34:05] o seu rosto, a sua face,

[00:34:07] é uma face de sei lá o que.

[00:34:09] Algo. E seus chifres

[00:34:11] são chifres de sonho

[00:34:13] ou de ilusão. A palavra

[00:34:15] pode ser traduzida como sonho ou ilusão.

[00:34:17] Só que você concorda comigo

[00:34:19] que chifre de ilusão ou chifre de sonho

[00:34:21] não é uma descrição

[00:34:23] física, né? Não, não.

[00:34:25] É uma descrição muito mais…

[00:34:27] Esse aí, por exemplo, é um papiro.

[00:34:29] Olha, tudo se apado, né?

[00:34:31] Quer ver como…

[00:34:33] Para quem está vendo a gente saber, impressionar as pessoas,

[00:34:35] olhar para o manuscrito e falar isso é um papiro,

[00:34:37] isso é um pergaminho.

[00:34:39] No papiro, se vocês olharem ali, dá para ver

[00:34:41] bem as linhas das fibras.

[00:34:43] Verdade. E no

[00:34:45] couro, se você olhar bem

[00:34:47] de pertinho, você vai ver os poros.

[00:34:49] Entendi. Então fica aí a dica

[00:34:51] para as pessoas reconhecerem esse é um papiro

[00:34:53] e isso não está em hebraico.

[00:34:55] Enfim. Aí,

[00:34:57] então, não é uma descrição física.

[00:34:59] E daí quando eu li isso, eu falei cara,

[00:35:01] eles não estão preocupados em descrever fisicamente.

[00:35:03] Isso é uma coisa que eu quero saber.

[00:35:05] O pessoal da antiguidade não está nem aí

[00:35:07] para essa descrição física, porque eles querem

[00:35:09] outras coisas. E daí

[00:35:11] aí que eu fui, nossa, respirar fundo

[00:35:13] doutorado, né, gente? Quatro anos e meio desse negócio.

[00:35:15] Aí eu fui respirar fundo e tentar entender

[00:35:17] e falar o quê? Então o mal para eles,

[00:35:19] a despeito de ter uma coisa que é

[00:35:21] de fora e tal, não é super

[00:35:23] personificado do jeito que a gente imagina.

[00:35:25] Não é tipo Pokémon de demônio,

[00:35:27] que vai ser depois. Não tem

[00:35:29] isso ainda. Fora isso…

[00:35:31] Hierarquia e tudo. Não, nada disso.

[00:35:33] Isso é tudo vem depois. Isso é tudo

[00:35:35] idade média. Ali nesse

[00:35:37] começo é mais as pessoas tentando

[00:35:39] entender o que acontece de ruim

[00:35:41] na vida delas e como que é. Mas tem uma ideia de anjos, por exemplo, nessa época?

[00:35:43] Tem, tem. E não tem

[00:35:45] a contraparte? Não.

[00:35:47] De anjo caído? Ah, e a gente

[00:35:49] chega num outro ponto interessante.

[00:35:51] Porque você tem nessa

[00:35:53] época já um

[00:35:55] livro muito famoso, muito

[00:35:57] famoso, né? Nossa, todo mundo tá na boca

[00:35:59] da juventude. É o Harry Potter da época.

[00:36:01] Isso, o livro de Enoch.

[00:36:03] Exato. Que apócrita que foi, né?

[00:36:05] Embora… Não entrou na Bíblia.

[00:36:07] Não entrou na Bíblia nossa, né? Porque

[00:36:09] na Bíblia da Etiópia entrou.

[00:36:11] Entrou? É. Então assim,

[00:36:13] é muito doido porque quando me falam

[00:36:15] isso não tá na Bíblia, eu falo em qual Bíblia?

[00:36:17] Porque o livro de Tobias tá na Bíblia dos católicos,

[00:36:19] não tá na Bíblia dos protestantes, o livro

[00:36:21] de Enoch não tá na nossa Bíblia, tá na Bíblia da Etiópia.

[00:36:23] Então assim,

[00:36:25] né? A Bíblia protestante tem

[00:36:27] livros a menos do que na católica,

[00:36:29] quatro, se não me engano, né? Então se for pra

[00:36:31] estudar, se for só pra estudar no

[00:36:33] sentido acadêmico, eu recomendo

[00:36:35] comprar a Bíblia católica porque tem mais livros.

[00:36:37] O Vinícius aqui falou, af, vai utilizar

[00:36:39] capócrita. Calma.

[00:36:41] Calma Vinícius,

[00:36:43] escuta primeiro.

[00:36:45] Inclusive, o livro de Enoch, embora

[00:36:47] seja apócrita, eu não vou

[00:36:49] nem usar o argumento da Igreja da Etiópia.

[00:36:51] Eu quero fazer um episódio só sobre o livro de Enoch

[00:36:53] porque tem muita coisa lá, não é?

[00:36:55] Ah, eu me convidando pra voltar.

[00:36:57] Vai, eu venho, vai.

[00:36:59] Quero chamar você e o Estranha História.

[00:37:01] Conhece o Estranha História?

[00:37:03] Vai, a gente vai se divertir muito.

[00:37:05] O que que tem nesse…

[00:37:07] Mas antes de eu falar o que tem no livro de Enoch,

[00:37:09] só uma coisa importante pras pessoas saberem,

[00:37:11] a gente tem comprovação de que as pessoas

[00:37:13] que escreveram o Novo Testamento conheciam

[00:37:15] e leram o livro de Enoch.

[00:37:17] Porque ele é citado no Novo Testamento.

[00:37:19] Eu não sei de cabeça que é citação, mas tem.

[00:37:21] Tem citação? Tem citação ao

[00:37:23] livro de Enoch no Novo Testamento.

[00:37:25] Circulava esse texto lá. Circulava, o pessoal

[00:37:27] é apócrifo, mas as pessoas conheciam.

[00:37:29] Em algum momento definiram isso.

[00:37:31] É importante a gente entender

[00:37:33] que por mais que…

[00:37:35] Não, não, pode ir, pode ir. Por mais que o livro

[00:37:37] seja apócrifo, ele é

[00:37:39] um livro

[00:37:41] que ajuda a gente a entender

[00:37:43] como que no passado as pessoas pensaram

[00:37:45] naquilo ali. É meio estranho, mas

[00:37:47] é verdade, porque se a gente pega

[00:37:49] um texto de dois mil anos atrás, lê com a nossa

[00:37:51] cabeça de hoje. Acho que vai entender tudo, não faz sentido.

[00:37:53] E daí o livro de Enoch ajuda

[00:37:55] a expandir.

[00:37:57] Em termos para o pessoal da Marvel, ele é o

[00:37:59] universo expandido, gente.

[00:38:01] É isso. Tem o

[00:38:03] Cânone, né? Tem aquele…

[00:38:05] Aí você tem o Arif, os universos

[00:38:07] multiverso, né? Exato.

[00:38:09] Multiverso bíblico. Muito

[00:38:11] bom, cara. Gostei do multiverso bíblico.

[00:38:13] E daí você tem o livro de

[00:38:15] Enoch. E o livro de Enoch, ele

[00:38:17] vai falar, porque em Gênesis

[00:38:19] você tem ali aquela ideia de que os anjos,

[00:38:21] na verdade não, não os anjos, os filhos

[00:38:23] de Deus, porque a gente às vezes

[00:38:25] traduz para anjo, mas o que está escrito lá é filhos

[00:38:27] de Deus. Que os filhos de Deus se apaixonaram

[00:38:29] pelas filhas dos homens e desceram

[00:38:31] a terra. E daí

[00:38:33] tiveram os gigantes e daí dilúvio.

[00:38:35] Gigantes ou os nefilins.

[00:38:37] Nefilins. Tem também aquela

[00:38:39] história dos vigilantes, que não sei se é a mesma

[00:38:41] história, dos trinta anjos.

[00:38:43] Isso. Só que esse detalhe dos

[00:38:45] trinta anjos, isso não está na Bíblia.

[00:38:47] O que está na Bíblia é só esse resuminho.

[00:38:49] Ah, só isso. Isso já é de algum outro livro que não está na Bíblia.

[00:38:51] O livro de Enoch. Fala.

[00:38:53] Que traz um conhecimento para os seres humanos.

[00:38:55] Tanto o livro de Enoch quanto… Um é para metalurgia,

[00:38:57] outro é não sei o quê. Isso, maquiagem.

[00:38:59] Maquiagem também, tá? Maquiagem também. Essa coisa

[00:39:01] terrível. Essa coisa terrível.

[00:39:03] Cara, trouxeram para a gente só coisa, só coisa boa.

[00:39:05] É, eu gosto muito do que o pessoal fala.

[00:39:07] Porque a maquiagem engana as pessoas.

[00:39:09] Gente, sério que você olha para a pessoa de boca verde e pensa

[00:39:11] nossa, acho que ela está de, acho que ela tem

[00:39:13] naturalmente a boca verde.

[00:39:15] Ok, né? E outra, né? Aí inventaram

[00:39:17] agora o filtro do Instagram.

[00:39:19] Eu vou encontrar a pessoa, não vou reconhecer.

[00:39:21] Porque é tão…

[00:39:23] Mas é legal saber isso. Eu não sabia que estava no livro de Enoch

[00:39:25] A Lâmpada dos Vigilantes. Preciso ler.

[00:39:27] E por isso que é tanto o livro de Enoch quanto

[00:39:29] o livro de Jubileus, que faz parte

[00:39:31] do que a gente chama de literatura Enoch.

[00:39:33] Evangelho de Judas. Esse é mais

[00:39:35] para frente. Então vamos falar

[00:39:37] do Enoch. O que ele traz?

[00:39:39] Então o Enoch ele traz justamente esse

[00:39:41] universo expandido. Ele vai explicar. Tá, o que que rolou?

[00:39:43] Quem são esses filhos de Deus? Quem são as filhas

[00:39:45] dos homens? Por que que é um problema eles descerem

[00:39:47] para a terra? E daí vai falar, porque eles

[00:39:49] ensinaram… E por que que vem o dilúvio depois para matar

[00:39:51] esses seres?

[00:39:53] Que surgiram híbridos. Inclusive

[00:39:55] os bastardos. O Golias, né?

[00:39:57] De Davi e Golias. O Golias seria

[00:39:59] um desses Néflins

[00:40:01] grandes, né? Isso. A ideia inclusive do Davi e

[00:40:03] Golias, já vem de um período

[00:40:05] um pouquinho depois, que é a galera

[00:40:07] que conhecia a história dos Néflins.

[00:40:09] Conheceu a história da Davi e Golias e falou

[00:40:11] gente, como que a gente…

[00:40:13] Como que a gente encaixa?

[00:40:15] Onde que funciona essa com essa?

[00:40:17] E daí as pessoas iam pensando, porque, né?

[00:40:19] Tentando entender. Assim como

[00:40:21] se você voltar na Grécia,

[00:40:23] eles falam das cinco idades do mundo.

[00:40:25] Você tem a idade de ouro, a idade

[00:40:27] de prata, a idade de bronze,

[00:40:29] a idade dos heróis e a idade de ferro.

[00:40:31] Que maravilha. E daí é muito doido que a

[00:40:33] idade dos heróis está aqui no meio

[00:40:35] de graça, né? O problema

[00:40:37] é, quando eles estavam contando a narrativa,

[00:40:39] onde que eles iam colocar o Hércules?

[00:40:41] Porque a idade de

[00:40:43] ferro é a gente,

[00:40:45] que não presta muito para coisa.

[00:40:47] A idade de bronze era um pouquinho melhor que a gente.

[00:40:49] Então, eles eram um pouquinho melhores.

[00:40:51] E daí os heróis, eles são melhores que o pessoal

[00:40:53] da idade de bronze, mas eles também não são…

[00:40:55] Mas eles viveram mais perto.

[00:40:57] Então, onde que a gente coloca? Criaram a idade dos heróis.

[00:40:59] No livro de Daniel,

[00:41:01] você vai ter ali no

[00:41:03] livro de Daniel, que está na Bíblia,

[00:41:05] você tem a estátua, que o reino

[00:41:07] donazor sonha, com estátua, com os pés

[00:41:09] de bronze e tal.

[00:41:11] É o mesmo esquema. E cada uma

[00:41:13] dos metais é baseado

[00:41:15] no livro de Daniel com o Império Mundial.

[00:41:17] Mundial.

[00:41:19] Cada parte se referia a uma fase, né?

[00:41:21] Isso. Então, está vendo como é

[00:41:23] uma ideia muito semelhante?

[00:41:25] E, nesse caso, a gente sabe que eram

[00:41:27] povos que se conheciam e se conectavam.

[00:41:29] Então, dá para a gente saber que voltavam.

[00:41:31] Então, no livro de Enoch, tem essa questão

[00:41:33] dos anjos descerem, os filhos

[00:41:35] de Deus. Eu coloco isso porque o termo

[00:41:37] anjo é uma tradição

[00:41:39] de português de mais de um termo

[00:41:41] em hebraico. E, daí, quando uma

[00:41:43] língua tem mais de um termo para a mesma coisa,

[00:41:45] eu me pergunto se não é porque eram coisas

[00:41:47] diferentes para eles, né?

[00:41:49] Então, possivelmente, enfim.

[00:41:51] Os filhos dos homens descem,

[00:41:53] os filhos anjos descem,

[00:41:55] ensinam as coisas proibidas, maquiagem,

[00:41:57] metallurgia, pãs, ervas,

[00:41:59] criam essa geração de

[00:42:01] bastardos, que são os gigantes e que

[00:42:03] são aterrorizando o mundo. Tem o dilúvio,

[00:42:05] tem esse momento terrível.

[00:42:07] Pois é. E, daí, a gente vai para o livro

[00:42:09] de Jubileus, que é esse outro

[00:42:11] livro que é próximo do livro de Enoch,

[00:42:13] faz parte do mesmo contexto de literatura,

[00:42:15] né? E, no livro de Jubileus, fala

[00:42:17] que depois do dilúvio… Engraçado, esse eu nunca tinha

[00:42:19] ouvido falar. Livro de Jubileus. Jubileus.

[00:42:21] Ele é bem legal também.

[00:42:23] Vale a pena. Isso não é tão falado, né?

[00:42:25] Não. O Enoch é mais famoso.

[00:42:27] Mas os dois fazem parte, a gente chama os dois

[00:42:29] de literatura enóquica. É mesmo?

[00:42:31] Os dois fazem parte do mesmo

[00:42:33] conjunto de ideias.

[00:42:35] Inclusive, os dois, a gente ainda classifica eles

[00:42:37] como textos apocalípticos.

[00:42:39] É mesmo? Porque apocalipse

[00:42:41] significa revelação, né?

[00:42:43] Eu também, eu achei o máximo quando eu descobri isso.

[00:42:45] Eu me senti muito esperta.

[00:42:47] Revelations, né?

[00:42:49] E, daí, o apocalipse, existe toda uma

[00:42:51] literatura que a gente classifica como literatura

[00:42:53] apocalíptica, que é a literatura

[00:42:55] de revelação. Então, você tem

[00:42:57] literatura contando como que é o céu, como que é o inferno,

[00:42:59] enfim, essas coisas todas.

[00:43:01] Aí, depois

[00:43:03] do dilúvio, os

[00:43:05] seres humanos começam a fazer a besteira

[00:43:07] de novo, né?

[00:43:09] E, daí, tem um anjo, que é o anjo de

[00:43:11] mástima, que é o responsável

[00:43:13] por punir os seres humanos.

[00:43:15] Aí, ele chega pra Deus e fala, então,

[00:43:17] tô com um problema.

[00:43:19] É muita gente e eles

[00:43:21] fazem muita besteira. Eu não dou conta

[00:43:23] de punir todo mundo. Eu preciso

[00:43:25] de ajuda. Aí, Deus fala, não,

[00:43:27] tá sussa. Eu te dou dez por cento

[00:43:29] dos espíritos dos bastardos

[00:43:31] pra te ajudar.

[00:43:33] E essa seria a origem dos demônios.

[00:43:35] De acordo com o livro

[00:43:37] de Deus. Eles eram mercenários?

[00:43:39] Trocavam o serviço por almas?

[00:43:41] Não, eles eram almas

[00:43:43] que trabalhavam pro anjo

[00:43:45] de mástima. Nossa,

[00:43:47] não sei se eu entendi.

[00:43:49] Pensa assim, agora a gente tem uma hierarquia.

[00:43:51] Tem Deus, aí tem a corte

[00:43:53] celestial dele e nele tá o anjo

[00:43:55] de mástima. E daí ele precisa

[00:43:57] de seres, ajudantes.

[00:43:59] São os dez por cento

[00:44:01] das almas dos

[00:44:03] bastardos, dos gigantes.

[00:44:05] Pessoas mortas? Não, os bastardos,

[00:44:07] os gigantes que foram mortos no dilúvio,

[00:44:09] os néfilins. Isso, então, dez por cento

[00:44:11] das almas, barra espíritos,

[00:44:13] barra, enfim, dos néfilins

[00:44:15] trabalhariam pra mástima pra punir as pessoas.

[00:44:19] Essa origem de demônio é muito louca.

[00:44:21] É muito louca, né?

[00:44:23] E essa é uma origem de…

[00:44:25] Isso tem texto de mais de dois mil anos atrás.

[00:44:27] Nada a ver com anjo caído, então?

[00:44:29] Não. Nessa explicação? Não.

[00:44:31] Tem a ver em alguma medida

[00:44:33] porque são os anjos que desceram. Verdade, verdade.

[00:44:35] Mas são os bastardos, a alma

[00:44:37] do bastardo do filho é um outro

[00:44:39] caminho. Dez por cento dos que…

[00:44:41] É outro caminho todo muito doido.

[00:44:43] Só que assim, mas por que

[00:44:45] eu nunca ouvi falar nisso?

[00:44:47] Porque tem muitas teorias ao

[00:44:49] longo da história e essa não ficou tão famosa.

[00:44:51] E algumas vão vencendo, né? Isso.

[00:44:53] Outras vão vencendo. E vão caindo

[00:44:55] em esquecimento. É, literalmente, tipo os anjos

[00:44:57] vão caindo.

[00:44:59] E daí, então, você tem essa explicação

[00:45:01] que fica por um tempo.

[00:45:03] E você tem já no período ali

[00:45:05] do século um, na época, que Jesus

[00:45:07] existiu e tudo mais, né? Eu tô falando

[00:45:09] assumindo que Jesus histórico

[00:45:11] existiu. Você tem

[00:45:13] então essa preocupação das pessoas.

[00:45:15] O que a gente faz com o mal? Como que a gente

[00:45:17] né? Como que a gente se protege. Como se defende.

[00:45:19] Como se defende. E os textos

[00:45:21] eles falam muito e seguem

[00:45:23] as leis de Deus. Exato.

[00:45:25] Não abre brechas, né? Não abre brechas.

[00:45:27] Quais são as brechas onde o mal entra, né?

[00:45:29] A fidelidade. Isso.

[00:45:31] O que mais?

[00:45:33] Nos manuscritos do mar morto eles falam que existem as três

[00:45:35] redes de Belial.

[00:45:37] Se você cai em uma das redes… Amor e o dinheiro também?

[00:45:39] Não.

[00:45:41] Deixa eu ver se eu lembro delas. Maldizer

[00:45:43] ser

[00:45:45] desonesto com alguém. Você faz uma promessa

[00:45:47] de desonesto com aquela pessoa.

[00:45:49] Infidelidade ou na verdade…

[00:45:51] Não só infidelidade. Qualquer

[00:45:53] pecado relacionado…

[00:45:55] De enganar outra pessoa? Não.

[00:45:57] Qualquer pecado relacionado a luxúria.

[00:45:59] Enfim. E o

[00:46:01] terceiro tem a ver com o dinheiro.

[00:46:03] E daí nesse… Isso daí é um

[00:46:05] livro dos manuscritos do mar morto.

[00:46:07] Que fala que se você cai em uma

[00:46:09] por mais que você saia, você tá muito

[00:46:11] mais… Pode ser que você cai

[00:46:13] em outra a qualquer momento. Então vai

[00:46:15] ficar nesse rolê. Entendi.

[00:46:17] E aí eventualmente então

[00:46:19] temos essas ideias. Só que a gente tem que lembrar

[00:46:21] que o mundo é um lugar grandão. Então

[00:46:23] tinham outros povos pensando em outras coisas

[00:46:25] que é só ali naquela região bem pequenininha.

[00:46:27] E daí o

[00:46:29] cristianismo vem

[00:46:31] e tem muito essa ideia de que tem

[00:46:33] demônios e seres malignos. Mas

[00:46:35] de novo. Lá na bíblia, se eu for

[00:46:37] voltar, não tem uma descrição do tipo

[00:46:39] demônio tal é do jeito tal. Não

[00:46:41] tá isso. Não tem.

[00:46:43] Aí você vai ter isso depois.

[00:46:45] Especialmente durante a idade

[00:46:47] média. E eu

[00:46:49] não tenho uma relação 100%

[00:46:51] igual. Mas

[00:46:53] em geral, quando a gente tem

[00:46:55] alguma grande tragédia ou pandemia

[00:46:57] ou alguma coisa assim, o

[00:46:59] interesse por demônios e

[00:47:01] seres malignos aumenta logo depois.

[00:47:03] Pensando em termos de sociedade.

[00:47:05] E eu acho que é muito por isso. De tipo

[00:47:07] de repente um monte de gente boa

[00:47:09] morreu e etc.

[00:47:11] E as pessoas buscam explicações

[00:47:13] que acalmem elas.

[00:47:15] E daí você vai ter mais interesse

[00:47:17] e você vai desenvolver mais essas histórias.

[00:47:19] E daí ali no começo

[00:47:21] alguns milênios, centenas

[00:47:23] de anos depois, a gente vai ter

[00:47:25] mais uma representação

[00:47:27] física desses seres malignos.

[00:47:29] Num negócio que eu sou apaixonada.

[00:47:31] As coisas que eu sou apaixonada.

[00:47:33] São as tigelas mágicas.

[00:47:35] Eu vou falar nas tigelas mágicas.

[00:47:37] Inventei agora que eu sou esse ser humano.

[00:47:39] Ela não pensou nisso.

[00:47:41] Tigelas mágicas.

[00:47:43] Ou magic bowls.

[00:47:45] Em inglês, eu não sei se a tradução

[00:47:47] em português é efetivamente tigelas mágicas.

[00:47:49] Mas são tigelas que foram encontradas.

[00:47:51] Com bucas.

[00:47:53] Elas são com bucas ou tigelas

[00:47:55] de barro que foram encontradas em

[00:47:57] escavações arqueológicas.

[00:47:59] Elas datam mais ou menos ali do ano 600,

[00:48:01] 500, 400.

[00:48:03] Enfim, da era comum já.

[00:48:05] E nessas tigelas, é uma

[00:48:07] tigela de barro com coisas escritas.

[00:48:09] Dentro?

[00:48:11] Dentro, normalmente em hebraico.

[00:48:13] Citando Deus, Jesus

[00:48:15] e outros deuses também.

[00:48:17] Tem uma mistura ali. Tem.

[00:48:19] E no meio tem um desenho de um demônio.

[00:48:21] Normalmente acorrentado.

[00:48:23] E essas tigelas foram

[00:48:25] encontradas enterradas

[00:48:27] embaixo de casas.

[00:48:29] Então a gente acredita que isso era algum tipo

[00:48:31] de ritual de proteção. Até porque a

[00:48:33] descrição normalmente protege a pessoa.

[00:48:35] Isso.

[00:48:37] Algo por aí.

[00:48:39] E os demônios das tigelas são as coisas mais fofinhas.

[00:48:41] Ah, são fofinhas? Não são assustadores?

[00:48:43] Não. Para mim, pelo menos não.

[00:48:45] Será que a gente acha isso aí?

[00:48:47] A tigela? Estou procurando aqui.

[00:48:49] Qual coisa eu posso mandar alguma aqui?

[00:48:51] Magic Bow.

[00:48:53] Em inglês é mais fácil de achar um pouco.

[00:48:55] E daí você já tem mais

[00:48:57] um imaginário de como que eles são.

[00:48:59] Com chifre já?

[00:49:01] Com chifre também. Eu gosto que, lembra que aquele

[00:49:03] chifre que eu comentei com você já fala de chifre,

[00:49:05] igual a um chifre de ilusão barra sonha.

[00:49:07] Mas essa ideia dele vermelho, chifre,

[00:49:09] enxofre, rabo. Isso vai desenvolvendo

[00:49:11] aos poucos.

[00:49:13] Tanto é que na Idade Média você tem muito demônio

[00:49:15] que não é bem assim. Eu gosto muito

[00:49:17] de demônio medieval. Eu estou lembrando

[00:49:19] das pinturas medieval sempre

[00:49:21] com esse demoninho vermelhinho e

[00:49:23] chifre e kawanyaki.

[00:49:25] O que a pessoa tem com kawanyaki?

[00:49:27] O universo espelho de Star Trek nos comprovou

[00:49:29] que quem usa kawanyaki é malvado.

[00:49:31] Que são os Klingles, né?

[00:49:33] Não só os Klingles.

[00:49:35] Todos os episódios do universo espelho,

[00:49:37] quando eles vão para o universo espelho,

[00:49:39] o pessoal está de kawanyaki, o Spock está de kawanyaki.

[00:49:41] Você sabe que é o malvado porque ele usa kawanyaki.

[00:49:43] A regra é clara.

[00:49:45] Vem nessa ideia do demônio antigo, né?

[00:49:47] Mas tem muito demônio medieval

[00:49:49] que é desenhado em azul,

[00:49:51] é desenhado em preto.

[00:49:53] Tem uns que não tem chifre,

[00:49:55] tem uma tigela mágica.

[00:49:57] Cara, olha, desenha bonitinho mesmo.

[00:49:59] Eu acho que foi difícil.

[00:50:01] Mas como que sabe que é um demônio?

[00:50:03] Pelo que está escrito em volta.

[00:50:05] E o que está escrito mais ou menos assim?

[00:50:07] É um ritual mesmo?

[00:50:09] Uma oração, pedindo proteção

[00:50:11] para a filha

[00:50:13] de tal pessoa.

[00:50:15] Essa especificamente, eu não vou lembrar a tradução.

[00:50:17] Tem meio egípcio, né?

[00:50:19] Tem misturas, né? A gente está ali numa região

[00:50:21] e a gente sabe pelo que está em volta

[00:50:23] e porque a gente sabe reconhecer

[00:50:25] quem estuda isso.

[00:50:27] Eu não estudo tanto essas tigelas,

[00:50:29] mas a gente consegue ver do tipo,

[00:50:31] tem uma, está segurando

[00:50:33] uma arma na mão,

[00:50:35] tem chifre, tem, enfim.

[00:50:37] Tem uma coisa no nariz,

[00:50:39] não sei se é só o nariz

[00:50:41] ou tem alguma adorno.

[00:50:43] Daí eu não sei se ali

[00:50:45] as unhas são compridas

[00:50:47] e isso é uma coisa assustadora.

[00:50:49] Tem essas faixas nos braços e nas pernas.

[00:50:51] Tem uns outros que estão acorrentadinhos.

[00:50:53] Mas aí a gente já está

[00:50:55] desenvolvendo um pouco essa ideia.

[00:50:57] Eu também acho que é importante lembrar

[00:50:59] que a galera está desenhando

[00:51:01] literalmente num pote de barro.

[00:51:03] Não dá para a gente cobrar também.

[00:51:05] E que material que estavam usando.

[00:51:07] Não tinha Faber Castel na época.

[00:51:09] Tô pensando, ele está fazendo outra.

[00:51:11] Lapiseira.

[00:51:13] Se você contar que o objetivo é outro.

[00:51:15] Se o seu objetivo é proteção, você não está ali necessariamente

[00:51:17] para desenhar o negócio.

[00:51:19] Você quer se livrar do demônio.

[00:51:21] Aí o demônio chega e eu não vou.

[00:51:23] Não vou embora porque o desenho está muito ruim.

[00:51:25] Está vendo? Tem outros.

[00:51:27] Aí tem escrito para caramba.

[00:51:29] Aí escreveu muito mais coisas.

[00:51:31] Esse daí está com os bracinhos

[00:51:33] cruzados.

[00:51:35] Tem o cabelão.

[00:51:37] É muito interessante.

[00:51:39] E tem muitos desses que não estão

[00:51:41] nem descritos ainda.

[00:51:43] A gente está falando disso porque mesmo?

[00:51:45] A gente está falando de como os demônios se parecem.

[00:51:47] A gente está falando de como que…

[00:51:49] Isso, como que apareceu.

[00:51:51] E aí a gente vem também para o termo Daimon, né?

[00:51:53] Daimon, sim.

[00:51:55] Daimon é um termo em grego.

[00:51:57] Então ele vem da Grécia

[00:51:59] e ele não representava necessariamente seres malignos.

[00:52:01] Não, eram seres…

[00:52:03] Eram seres ambíguos.

[00:52:05] Eles podiam te ajudar ou te atrapalhar.

[00:52:07] Vem daquela ideia lá do Oriente…

[00:52:13] Não sei se é do povo egípcio,

[00:52:15] da Arábia,

[00:52:17] da Oriente Médio,

[00:52:19] dos djins.

[00:52:21] Os djins são depois.

[00:52:23] O Daimon

[00:52:25] é meio quase como

[00:52:27] uma inspiração.

[00:52:29] E ao mesmo tempo ele é um termo que é um ser que…

[00:52:31] Ele é bom ou mal?

[00:52:33] Ele não é nem bom nem mal.

[00:52:35] Mas ele faz a conexão entre a Terra

[00:52:37] e os deuses.

[00:52:39] Então ele consegue meio que levar mensagem,

[00:52:41] ele consegue meio que fazer essa relação.

[00:52:43] E daí quando

[00:52:45] tem o Novo Testamento,

[00:52:47] quando tem esses outros textos,

[00:52:49] esses textos são escritos em grego.

[00:52:51] O Novo Testamento é escrito em grego.

[00:52:53] É um grego chamado de Koiné,

[00:52:55] que é um grego simplificado.

[00:52:57] Não é simples não.

[00:52:59] Eu já tentei estudar, estudei mais de 5 anos de simples,

[00:53:01] não tem nada esse negócio.

[00:53:03] E no Koiné então eles vão pegar esse termo

[00:53:05] Daimon, que falava desse ser,

[00:53:07] que era ambíguo, que podia ser bom ou podia ser mal.

[00:53:09] E vão usar ele pra traduzir,

[00:53:11] pra escrever sobre coisas que são só más.

[00:53:13] E daí isso vai solidificar,

[00:53:15] e aí eventualmente vai chegar no português

[00:53:17] como demônio. Mas vem daí.

[00:53:19] E por isso que é um erro

[00:53:21] inclusive, não sei se você lembra,

[00:53:23] mas quando saiu aquela onda de

[00:53:25] o Evangelho de Judas,

[00:53:27] no Evangelho de Judas

[00:53:29] aquele texto tem lá

[00:53:31] falando, ah, porque Daimons, não sei o quê, não sei o quê.

[00:53:33] A primeira tradução

[00:53:35] que ficou famosa, o pessoal

[00:53:37] falou assim, olha, tá aqui falando

[00:53:39] de Daimon e Daimon não é malvado,

[00:53:41] e logo esse texto aqui tá falando que

[00:53:43] Judas não é malvado.

[00:53:45] Só que aquele texto

[00:53:47] acho que é do século 3 ou 4.

[00:53:49] No século 3 ou 4, Daimon

[00:53:51] só se usava pra coisa malvada.

[00:53:53] Era, sei lá, 400 anos

[00:53:55] antes que as pessoas usavam pro ser ambíguo.

[00:53:57] Então isso é muito importante. Isso é um erro

[00:53:59] que as pessoas cometem muito em história.

[00:54:01] É ler um texto e achar que entende

[00:54:03] o que significa as palavras sem pensar

[00:54:05] em qual período aquela palavra tá.

[00:54:07] E isso é muito frustrante.

[00:54:09] Claro, claro.

[00:54:11] Então assim, o Daimon vem daí

[00:54:13] que vai para demônio, né?

[00:54:15] Daimones e demônios.

[00:54:17] E daí pro latim, porque as coisas foram traduzidas

[00:54:19] pro latim, porque a igreja virou e falou

[00:54:21] gente, tá uma zona.

[00:54:23] Metade dos textos estão em hebraico,

[00:54:25] tem uns em aramaico, tem uns em grego,

[00:54:27] a gente, cada igreja tá traduzindo

[00:54:29] seu, tá bagunçado.

[00:54:31] E daí eles criam a vulgata,

[00:54:33] que é uma versão em latim,

[00:54:35] que passa a ser a versão oficial da igreja.

[00:54:37] Porque por muito tempo a Bíblia

[00:54:39] só era transmitida em latim.

[00:54:41] Que a ideia era tentar controlar

[00:54:43] a coisa.

[00:54:45] A gente sabe interpretar isso.

[00:54:47] Mas não só isso a gente sabe interpretar,

[00:54:49] o texto vai se manter igual.

[00:54:51] Porque o pessoal tá copiando a mão,

[00:54:53] não tem tradução.

[00:54:55] Toda vez que você traduz, você muda alguma coisa,

[00:54:57] não tem como.

[00:54:59] Até porque tem palavra que não tem referência direta

[00:55:01] em outra língua, né?

[00:55:03] E daí você vai adaptando.

[00:55:05] E do latim, que vem a palavra diabolus.

[00:55:07] E daí vem o diabo.

[00:55:09] Então demônio, diabo.

[00:55:11] Vem de daimon, é uma…

[00:55:13] É uma tradução de daimon.

[00:55:15] Daimon, diabolus, diabo.

[00:55:17] É. E por isso tem demônio e diabo.

[00:55:19] São palavras que vêm de lugares diferentes.

[00:55:21] No começo, eles têm a mesma,

[00:55:23] os mesmos significados?

[00:55:25] Sim, em geral eles são uma tradução

[00:55:27] uma tradução do outro, depende em qual língua tá escrita.

[00:55:29] E depois em português,

[00:55:31] sei lá, alguém que tá ouvindo a gente tá falando

[00:55:33] que na minha igreja é diferente, tá?

[00:55:35] Tudo bem, na sua igreja é diferente, tá tudo certo.

[00:55:37] Mas etimologicamente,

[00:55:39] voltando na origem da palavra,

[00:55:41] é uma tradução de um pro outro.

[00:55:43] E daí o outro nome que todo mundo usa muito, que é satanás.

[00:55:45] Satanás, eu só lembro da

[00:55:47] bruxa do 71, porque eu sou uma pessoa idosa.

[00:55:49] Satanás tem na bíblia? Tem.

[00:55:51] Mas não do jeito que a gente pensa.

[00:55:53] Tem samael, né?

[00:55:55] Mas tem chaitan.

[00:55:57] Chaitan? O que é chaitan?

[00:55:59] Chaitan é o que vai virar satan, que vai virar satanás.

[00:56:01] Porque tem uma teoria que

[00:56:03] samael é o anjo caído, né?

[00:56:05] Isso, tem essa teoria. Mas se a gente

[00:56:07] pegar o livro de Jó, no livro

[00:56:09] de Jó tem um

[00:56:11] personagem que é satan.

[00:56:13] E é o satan, que eu falo que é o cara

[00:56:15] da pilha errada, que vira pra deus e fala

[00:56:17] então. É assim porque ele tem

[00:56:19] tudo. Se tirar as coisas dele,

[00:56:21] vamos ver o que ele vai ser.

[00:56:23] 100% pilha errada, né? Total.

[00:56:25] A definição da pilha errada.

[00:56:27] Eu vou infernizar esse Jó.

[00:56:29] Tá muito de boa, eu quero…

[00:56:31] Aí vou fazer uma batalha aqui.

[00:56:33] É chamado chaitan na…

[00:56:35] É, em hebraico, né?

[00:56:37] Só que chaitan, a palavra, ela significa

[00:56:39] adversário.

[00:56:41] Mas o lúcifer é chamado muitas vezes de…

[00:56:43] De satan. Não, de adversário também.

[00:56:45] De adversário também, também. Mas lúcifer é outro

[00:56:47] rolê. Tá, tá bom.

[00:56:49] Aí o chaitan é o adversário.

[00:56:51] Ele tá ali

[00:56:53] porque fala no livro de Jó

[00:56:55] que ele faz parte da corte celestial.

[00:56:57] Se ele faz parte da corte celestial,

[00:56:59] ele não é onde caído. Ele tá lá

[00:57:01] na corte com a galera.

[00:57:03] E daí tem uma teoria,

[00:57:05] porque tem, né, dentre as várias, tem

[00:57:07] alguns pesquisadores que acham que esse

[00:57:09] texto foi escrito numa época do

[00:57:11] exílio e que existia

[00:57:13] na corte, eu acho que Sassanida,

[00:57:15] eu posso citar muito errado qual das cortes,

[00:57:17] mas a corte do exílio lá,

[00:57:19] é uma pessoa que era

[00:57:21] esse adversário, que era um cara que ficava

[00:57:23] na corte e que ele trabalhava

[00:57:25] justamente pra ser o acusador,

[00:57:27] o adversário, o cara que

[00:57:29] ficava, não, mas e se a pessoa fizer tal coisa?

[00:57:31] Ele vai realmente estar do seu lado?

[00:57:33] Então eles acham que, tem vários

[00:57:35] pesquisadores que acham que essa função do

[00:57:37] o adversário

[00:57:39] nesse texto não é o nome próprio, aquela coisa

[00:57:41] de não ter uma maiúscula

[00:57:43] que tá falando o adversário e não

[00:57:45] tá falando o

[00:57:47] Satanás. É, o nome próprio. O nome próprio.

[00:57:49] E daí, enfim, ele vira, mas aí

[00:57:51] eventualmente ele chega pra gente.

[00:57:53] O Lúcifer aí é outro rolê,

[00:57:55] porque o Lúcifer é uma tradução

[00:57:57] também do hebraico e

[00:57:59] no caso, a passagem

[00:58:01] que fala de Lúcifer na Bíblia

[00:58:03] fala só de uma estrela

[00:58:05] que caiu.

[00:58:07] Uma estrela que desce do céu.

[00:58:09] Estrela da manhã. Isso.

[00:58:11] É literalmente uma estrela, até onde

[00:58:13] todo mundo que eu, sei lá,

[00:58:15] boa parte dos pesquisadores da área

[00:58:17] concordam que é uma referência à

[00:58:19] uma estrela. E é uma referência a um rei

[00:58:21] específico da antiguidade. Ah, é?

[00:58:23] Porque é uma referência… Qual seria?

[00:58:25] Ah, agora eu não vou lembrar não.

[00:58:27] Isso. É uma referência à queda do governo

[00:58:29] dele. Não é uma referência

[00:58:31] a um anjo

[00:58:33] caído. Só que mais tarde

[00:58:35] isso vai ser interpretado e vai

[00:58:37] no folclore e tudo mais vai ficando

[00:58:39] como isso. Eventualmente

[00:58:41] quando se traduz

[00:58:43] do hebraico pro latim

[00:58:45] traduz como Lúcifer,

[00:58:47] né? Aquele que traz a luz, porque é a

[00:58:49] estrela da alva, porque é a estrela da manhã,

[00:58:51] que é literalmente uma da estrela, um

[00:58:53] morning star, né? Morning star.

[00:58:55] Um personal muito bom, excelente, seriado.

[00:58:57] Inclusive… Eu gosto

[00:58:59] do quadrinhos, é.

[00:59:01] Eu gosto do quadrinhos também, mas é que no

[00:59:03] seriado eles estão bonitinhos.

[00:59:05] É, mano velhinha e tal.

[00:59:07] E durante o doutorado eu totalmente

[00:59:09] falo, ah não, gente, eu tô trabalhando aqui, eu preciso muito

[00:59:11] ver esse moço desnudo aqui na TV.

[00:59:13] Eu preciso assistir para entender.

[00:59:15] É, porque é meu trabalho, né? Lúcifer da

[00:59:17] série.

[00:59:19] Claramente meu trabalho. Acha o Lúcifer

[00:59:21] da série do Sandman.

[00:59:23] Coloca Sandman e Lúcifer e vai aparecer também.

[00:59:25] Totalmente diferentes,

[00:59:27] são propostas totalmente diferentes. Eu gosto muito

[00:59:29] do quadrinho também, mas

[00:59:31] só porque a… Coloca um personagem mais andrógeno, né?

[00:59:33] Bem mais e funciona.

[00:59:35] Meio homem, meio mulher, você não vê, é uma figura bonita

[00:59:37] assim, né? Eu gosto bastante. Ah, eu gosto, gente.

[00:59:39] Sandman é muito bom.

[00:59:41] Volta pro demônio. Vamos lá.

[00:59:43] Então, aí

[00:59:45] essa ideia de Lúcifer, ela vai se

[00:59:47] desenvolvendo ao longo dos séculos.

[00:59:49] Ideia a gente tem, por exemplo, onde que

[00:59:51] ele aparece um pouquinho mais

[00:59:53] é no Inferno de Dante.

[00:59:55] Mas eu acho o Lúcifer do Inferno de Dante

[00:59:57] bem aborrecido.

[00:59:59] Como que é a figura representada?

[01:00:01] Descreve fisicamente?

[01:00:03] Descreve que ele é gigante, ele tá parado

[01:00:05] no Lago de Gelo.

[01:00:07] Aí, é bem decente.

[01:00:09] É isso da série, né? É.

[01:00:11] Ele aparece com menos roupa na série.

[01:00:13] Às vezes, é.

[01:00:15] A Fabi com certeza assistia essa série.

[01:00:17] Só pra ver o cara.

[01:00:19] Eu acho justo.

[01:00:21] Tudo certo aí? Era um cara da Enel mesmo?

[01:00:23] Não era um grande golpe?

[01:00:25] Não era um golpe. Chegou aqui

[01:00:27] e sou o cara da Enel, preciso entrar na

[01:00:29] casa e checar aí. A gente falou

[01:00:31] vê se o cara é da Enel mesmo.

[01:00:33] Aí o Bigoda, muito esperto, falou não,

[01:00:35] se ele estiver com a roupa da Enel, com certeza

[01:00:37] é. Ah, é.

[01:00:39] Eu deixaria ele entrar fácil. Você tá numa quebrada

[01:00:41] num lugar… aí tem um cara com a roupa

[01:00:43] mequetref da polícia.

[01:00:45] Fala, deve ser polícia, né?

[01:00:47] Tá escrito polícia, né?

[01:00:49] Proibido crimes, né?

[01:00:51] É tipo, não, é proibido crimes.

[01:00:53] Ninguém faria nenhum crime.

[01:00:55] Olha lá. Não, então, não é essa

[01:00:57] versão não. Tem outras

[01:00:59] versões. É a da série

[01:01:01] que vai derivar

[01:01:03] pro… É desse que vai pra TV?

[01:01:05] Coloca Sandman,

[01:01:07] Morning Star,

[01:01:09] não sei se vai achar.

[01:01:11] É um terno preto?

[01:01:13] Talvez, eu não lembro, dá uma olhada, faz tempo

[01:01:15] que eu li. Faz tempo também, faz tempo.

[01:01:17] Mas é uma figura mais andrógena, assim, você vai ver.

[01:01:19] Aí ainda tá masculina, né?

[01:01:21] É, talvez. Aí é a capa, né?

[01:01:23] Mas é uma outra versão.

[01:01:25] E na versão, no seriado do

[01:01:27] Sandman, eu acho que ficou legal.

[01:01:29] Eu acho que ficou legal, a atriz ficou bem legal.

[01:01:31] E na série de TV ele…

[01:01:33] Porque no final do

[01:01:35] Sandman, ele pede pro Sandman cortar

[01:01:37] as asas dele. Ele corta as asas, né?

[01:01:39] Mas é que na série não chegou nessa…

[01:01:41] A série do Sandman não chegou nesse pedaço

[01:01:43] ainda. Ele só apareceu rápido quando

[01:01:45] o Sandman desce no inferno pra

[01:01:47] ver a questão da…

[01:01:49] Mas tem essa cena dele na

[01:01:51] praia cortando as

[01:01:53] asas. Mas isso vai

[01:01:55] aparecer depois. É muito bom. Gente,

[01:01:57] nerd é assim, né? A gente se distrai

[01:01:59] com muita fácil. Olha só!

[01:02:01] Vamos lá então colocar na ordem que a gente tá falando.

[01:02:03] A gente fala desse surgimento

[01:02:05] do mal, depois da personificação

[01:02:07] do mal, uma

[01:02:09] deturpação da palavra, que ela às

[01:02:11] vezes é confundida como

[01:02:13] ela vai nas traduções.

[01:02:15] E a gente já chegamos no…

[01:02:17] E estamos chegando na Idade Média,

[01:02:19] na ideia de… Porque tudo isso,

[01:02:21] imagina que tipo um grande pote,

[01:02:23] cada lugar vai desenvolvendo de um lado,

[01:02:25] então o lugar puxa mais pra cá. Se você vivesse numa região

[01:02:27] você tem uma ideia do

[01:02:29] que é o mal, em outra região…

[01:02:31] E a gente nem tá falando do Oriente ainda.

[01:02:33] Vamos falar depois do que o Oriente

[01:02:35] acreditava que seria o mal, tá?

[01:02:37] Então a gente tá aqui na Europa, basicamente.

[01:02:39] E daí a gente tem,

[01:02:41] sei lá, se você tá numa região assa tem tal coisa,

[01:02:43] enfim, cada região tem ali

[01:02:45] suas influências diferentes,

[01:02:47] até que o Dante vai escrever

[01:02:49] e Dante

[01:02:51] vai colocar muito mais essa ideia

[01:02:53] de um…

[01:02:55] Esse Lúcifer, esse…

[01:02:57] Ele tá num trono sentado no inferno

[01:02:59] enorme? Não, ele tá no meio de um lago de gelo.

[01:03:01] Ah, é? Ele tá sentado no meio do lago de gelo

[01:03:03] comendo pessoas.

[01:03:05] Literalmente devorando pessoas.

[01:03:07] Comendo, né? É, por isso que eu falei,

[01:03:09] literalmente. Ah, essa daí, tem mais a ver, viu?

[01:03:11] É isso aí mesmo, essa imagem.

[01:03:13] Que na série

[01:03:15] do CNB foram mais pra esse desenho.

[01:03:17] E essa ideia

[01:03:19] de devorar a alma,

[01:03:21] tá devorando as pessoas, castigando.

[01:03:23] As pessoas como uma forma de punição.

[01:03:25] É o círculo mais baixo do inferno,

[01:03:27] o pior de todos. Ele tá lá, devorando as pessoas,

[01:03:29] mas ele não fala nada. Ele tá só lá.

[01:03:31] E daí tem um outro texto

[01:03:33] e esse que é o texto que eu acho que é o que

[01:03:35] consolida mais

[01:03:37] e ele já é de 1500, então a gente já tá em 1500.

[01:03:39] A gente já saiu da Idade Média até, já estamos na

[01:03:41] Idade Moderna, que tem um livro

[01:03:43] chamado Paraíso Perdido, do John Milton.

[01:03:45] E no Paraíso Perdido…

[01:03:47] Aí que ele consolida essa ideia, né?

[01:03:49] Do anjo rebelde…

[01:03:51] Prefiro reinar num inferno do que servir

[01:03:53] nos céus. Isso tudo vem

[01:03:55] do John Milton, do Paraíso Perdido.

[01:03:57] É basicamente a ideia que a gente tem hoje

[01:03:59] dessa rebeldia,

[01:04:01] né? O personagem do

[01:04:03] Sandin, essa coisa. Orgulhoso

[01:04:05] e tal. Que vai contra Deus

[01:04:07] e tal. E eu acho muito louco como as pessoas

[01:04:09] assumem que isso tá na Bíblia.

[01:04:11] E não tá. Não tá.

[01:04:13] Bem posterior. Bem posterior?

[01:04:15] Bem posterior. E daí você tem esse

[01:04:17] desenvolvimento todo. E se a gente voltar

[01:04:19] um pouquinho, né? De novo, que a gente tá

[01:04:21] no Paraíso Perdido. Gravura

[01:04:23] do Gustavo Dorré. Eu tinha

[01:04:25] no doutorado…

[01:04:27] Eu tenho uma… Tinha não que eu ainda tenho, né?

[01:04:29] Uma amiga que trabalhava com

[01:04:31] John Milton, Paraíso Perdido.

[01:04:33] Ela estudava John Milton e estudava

[01:04:35] Finnegan’s Wake,

[01:04:37] daquele outro lá, que eu nunca li.

[01:04:39] Mas enfim…

[01:04:41] Vê pra gente. Finnegan’s Wake.

[01:04:43] Enfim, ela estudava

[01:04:45] esses dois e a gente conversava e a gente

[01:04:47] falava, vamos tomar um café satânico?

[01:04:49] A gente saía pra tomar café

[01:04:51] pra ela me perguntar coisas. A antiguidade

[01:04:53] era assim? Como que aparece tal? E eu perguntava pra ela

[01:04:55] tá, mas em 1500, como

[01:04:57] que isso aparece? E no século 19 a gente

[01:04:59] trocava essas… Eu adorava meus

[01:05:01] cafés satânicos pra debater deles.

[01:05:03] Cafés satânicos muito boa. Maravilhoso, né?

[01:05:05] Aliás, depois eu quero saber se você assistiu

[01:05:07] Coração Satânico. Coração Satânico?

[01:05:09] Acho que eu não… Ou qual…

[01:05:11] Meu, você tem que ter assistido. Robert de Niro.

[01:05:13] Ah, sim, sim. Mas eu tenho uma questão

[01:05:15] importante. Quer falar agora ou depois?

[01:05:17] Eu tenho medo de filmes de terror. Ah, não, não.

[01:05:19] Essa eu não esperava.

[01:05:21] Você mexe com isso, fala… E você não

[01:05:23] gosta? Porque eu também tenho medo, mas

[01:05:25] eu assisto. É, não, hoje em dia eu assisto filmes de

[01:05:27] terror, em geral, eu assisto. Tipo a bruxa se

[01:05:29] assistiu? Não.

[01:05:31] Tá. Mas a bruxa tem um motivo

[01:05:33] específico de eu não ter assistido. Quer dizer,

[01:05:35] mais ou menos específico, sim. Não, mas

[01:05:37] a bruxa tem um motivo mais ou menos específico.

[01:05:39] Eu ia assistir, até pra gravar um

[01:05:41] episódio de podcast.

[01:05:43] Eu tava até conversando com o pessoal, né? Que o…

[01:05:45] Ah lá, Finans. Finans.

[01:05:47] James Joyce. Lembrei o nome do moço.

[01:05:49] James Joyce. É,

[01:05:51] eu tava até comentando com o pessoal que esse ano

[01:05:53] eu faço dez anos de podcast na vida.

[01:05:55] O quê? É. Tudo isso.

[01:05:57] Tem dez anos. Começou era mato ainda.

[01:05:59] Tudo era mato. Tá fazendo cinco

[01:06:01] aqui? É, eu faço dez anos que eu gravo podcast.

[01:06:03] Eu comecei lá no mundo freak

[01:06:05] confidencial. Dois mil e quinze. Dois mil e quinze.

[01:06:07] Foi a primeira vez que eu recebi uma mensagem

[01:06:09] falando, cê pode falar com a gente sobre o demônio?

[01:06:11] Eu falei, posso falar com o demônio?

[01:06:13] E era aquela coisa de podcast que não tinha vídeo.

[01:06:15] É, só áudio, claro. E só áudio e tals.

[01:06:17] É, enfim.

[01:06:19] Mas aí o…

[01:06:21] Ó, me perdi porque eu me distraí. Porque amanhã

[01:06:23] tô, desculpa, mas amanhã

[01:06:25] vai estrear um podcast que é só meu.

[01:06:27] E eu tô muito animada. Com o nome. Uma Tupá

[01:06:29] no Tempo. Uma Tupá no Tempo.

[01:06:31] Enfim, amanhã vai estrear. Mas voltando

[01:06:33] aqui. É, então

[01:06:35] a bruxa

[01:06:37] eu ia assistir pra gravar um podcast.

[01:06:39] Só que eu tava na Inglaterra e os filmes saem bem

[01:06:41] depois lá. Vários filmes saem depois

[01:06:43] lá. E eu não tinha como baixar o filme

[01:06:45] porque internet controlada, tal.

[01:06:47] Eu fiquei com medo. Eu tinha tido um amigo que tinha levado

[01:06:49] uma multa por baixar coisa.

[01:06:51] Pô, na Alemanha o pessoal…

[01:06:53] É sinistro. Chega lá. No dia seguinte

[01:06:55] já chega a sua multinha.

[01:06:57] Na Inglaterra não era tão sinistro, mas ainda assim

[01:06:59] naquela época eu falei, cara, eu tô no meio

[01:07:01] do doutorado. É, arriscar, né?

[01:07:03] É. E daí eu acabei não assistindo nessa época.

[01:07:05] E daí doutorado. Doutorado é um negócio que consome

[01:07:07] sua alma. E daí eu acabei não assistindo.

[01:07:09] Sabe essa coisa que foi indo? E daí vai…

[01:07:11] O cara falando que o podcast dele tinha que chamar

[01:07:13] Potupá. Potupá. Potupá.

[01:07:15] Potupácast.

[01:07:17] Mas…

[01:07:19] Enfim, aí eu acabei não assistindo

[01:07:21] A Bruxa, mas eu gosto muito de filme de demônio

[01:07:23] hoje em dia porque daí eu tenho menos medo. Que eu vejo

[01:07:25] e falo, nem é assim. Entendi, mas a gente

[01:07:27] não vai perder o fio da mirada. A gente tava parada

[01:07:29] parado em… A gente tava no…

[01:07:31] Na Idade Média, né?

[01:07:33] No final da Idade Média já na ideia

[01:07:35] de Lúcifer como anjo rebelde. Da onde que

[01:07:37] veio essa ideia de paraíso perdido.

[01:07:39] E daí…

[01:07:41] Então a gente traçou aqui um pouquinho

[01:07:43] o Lúcifer. Mas vamos pensar nos outros demônios,

[01:07:45] né? E a hierarquia do…

[01:07:47] Belial. Belial.

[01:07:49] A ideia do Salomão, a

[01:07:51] clavícula de Salomão. Então, isso vem

[01:07:53] na hora dessa ideia. A Goécia.

[01:07:55] Então, essa daí, ela vem…

[01:07:57] Ela vem na mesma… Não tá na Bíblia aí.

[01:07:59] Do mesmo passado. Não, não tá na Bíblia não.

[01:08:01] Isso vem do mesmo passado, mas

[01:08:03] isso é um desenvolvimento do judaísmo.

[01:08:05] Isso vem de literatura

[01:08:07] judaica e rabínica. E isso

[01:08:09] vem de outras… Durante a Idade Média.

[01:08:11] E muita coisa escrita também.

[01:08:13] É mesmo? Tem muita coisa escrita. Tem muito

[01:08:15] trabalho escrito. O que é aquele buscando

[01:08:17] sabedoria, buscando…

[01:08:19] É muito… Você vai ter ali

[01:08:21] essa ideia de que

[01:08:23] Salomão é uma figura que…

[01:08:25] Porque o templo de Salomão, né?

[01:08:27] Mas seria Salomão-Salomão mesmo?

[01:08:29] Salomão-Salomão. É? Que ele teria tido

[01:08:31] poder sobre seres malignos. Mas isso

[01:08:33] é folclore, né? Folclore.

[01:08:35] Não é o…

[01:08:37] Canônico de jeito nenhum.

[01:08:39] Eu tô falando aqui de folclore, mas é um

[01:08:41] folclore que se desenvolve dentro do judaísmo.

[01:08:43] E que daí você tem uma mistura

[01:08:45] que vai acontecer durante

[01:08:47] a Idade Média, quando muito…

[01:08:49] Os judeus vão ser perseguidos

[01:08:51] muitas vezes como anticristãos e etc.

[01:08:53] E daí vai começar a se ter a ideia

[01:08:55] de que os judeus são místicos.

[01:08:57] E daí você vai ter essa ideia

[01:08:59] de… Ah, o livro secreto

[01:09:01] dos judeus que conta magia.

[01:09:03] E lembra que eu falei que na antiguidade

[01:09:05] os judeus já eram vistos como exorcistas?

[01:09:07] Então é uma tradição que continua assim.

[01:09:09] Embora não seja uma tradição como hoje.

[01:09:11] E até vem um pouco de raiz do preconceito.

[01:09:13] Com certeza. Os caras são bruxos,

[01:09:15] mexem com umas coisas estranhas.

[01:09:17] A gente não sabe o que é. A gente não sabe.

[01:09:19] Aí já começa essa ideia, né?

[01:09:21] E tem um livro muito… Eu adoro

[01:09:23] indicar esse livro porque eu acho ele excelente de leite.

[01:09:25] Uma história noturna do Carlos Gainsbourg,

[01:09:27] é um historiador, que é um livro

[01:09:29] que fala sobre a história do sabá.

[01:09:31] Do que guardaram o sábado?

[01:09:33] Não, não. Do sabá das bruxas.

[01:09:35] Daquela coisa de bruxa e tal.

[01:09:37] E ele estudou isso a partir de

[01:09:39] documentos da Inquisição,

[01:09:41] de 1300, 1400.

[01:09:43] Então ele vê ali

[01:09:45] como que, sei lá,

[01:09:47] tinha uma doença na cidade e o pessoal ia lá

[01:09:49] e massacrava os judeus. Porque

[01:09:51] claramente a culpa é deles.

[01:09:53] Ou também, porque já vieram

[01:09:55] os oriadores aqui falando, porque como eles seguiam

[01:09:57] a Bíblia e os escritos deles,

[01:09:59] eles tinham hábitos de higiene

[01:10:01] e que o resto do pessoal não tinha. Então eles eram

[01:10:03] menos afetados dessas doenças. Algumas vezes sim.

[01:10:05] Eles viviam em comunidade

[01:10:07] fechada, sabe? Então eles sentiam muitas coisas

[01:10:09] e falavam, por que esses caras não estão morrendo?

[01:10:11] Por que não sei o que e tal? Tinha essa

[01:10:13] confiança. E ao mesmo tempo tinha

[01:10:15] fake news mesmo. Às vezes não precisava nem

[01:10:17] porque eles estavam morrendo igual.

[01:10:19] Apontar um culpado. Ah, são eles.

[01:10:21] E tinha umas ideias. Esse é o livro.

[01:10:23] Ele é muito bom. Nossa, olha essa capa, que bizarra.

[01:10:25] Legal, né?

[01:10:27] Procifrando o sabá. É muito bom.

[01:10:29] Tem esse historiador,

[01:10:31] o Carlos Gainsborough, ele escreve

[01:10:33] de uma forma muito acessível para quem não

[01:10:35] é da área. Ele está falando sobre essa época?

[01:10:37] Ele está falando sobre o final da

[01:10:39] Idade Média e sobre essa ideia

[01:10:41] de que os judeus são

[01:10:43] místicos e secretos e eles

[01:10:45] têm esses poderes que a gente não sabe exatamente

[01:10:47] o que são. E daí que vem o tal

[01:10:49] da clavícula de Salomão, que é

[01:10:51] da onde se baseia a ideia da Goécia.

[01:10:53] Que é essa ideia, que eu brinco, que são

[01:10:55] os demônios Pokémon. Goécia é o quê?

[01:10:57] A Goécia é, e daí a gente já

[01:10:59] vamos entrar num outro mundo, mas é

[01:11:01] é um ramo

[01:11:03] do pessoal que faz mais

[01:11:05] magia e que acredita nessa coisa,

[01:11:07] de que existiriam, existiria

[01:11:09] uma fórmula de escolher

[01:11:13] de prender demônios e fazer com que eles

[01:11:15] trabalhassem para você. Com sigilos?

[01:11:17] Com sigilos. Com símbolos. Isso, exatamente.

[01:11:19] Cada demônio teria um sigilo que

[01:11:21] você dominaria ele, sabendo

[01:11:23] o nome dele. Exatamente isso.

[01:11:25] Então já é uma coisa bem,

[01:11:27] precisa a gente pensar, lá atrás, que

[01:11:29] não tinha nem rosto direito,

[01:11:31] daí a gente tem aqui,

[01:11:33] sei lá, mil anos de desenvolvimento.

[01:11:35] Tem um livro só com, já deve ter,

[01:11:37] eu não sei onde está isso, é da clavícula

[01:11:39] de Salomão, que tem o nome

[01:11:41] do demônio, a imagem dele e

[01:11:43] o sigilo correspondente. Isso, e o que ele

[01:11:45] faz? São quantos demônios? 72

[01:11:47] se eu não me engano. 72, é. E o que ele faz?

[01:11:49] Eu gosto que é uma

[01:11:51] especialização. É muito Pokémon.

[01:11:53] Isso. Eu escolho você.

[01:11:55] Belial, master, mas não sei o quê.

[01:11:57] E isso solidificou muito na nossa,

[01:11:59] no nosso imaginário hoje em dia.

[01:12:01] Ficou, com certeza. Por quê?

[01:12:03] Mamon. Mamon. Do dinheiro, né?

[01:12:05] E daí Hollywood, daí

[01:12:07] recanto sombrios da internet,

[01:12:09] você jogar isso, vai aparecer

[01:12:11] quem são os demônios da Goécia e tal.

[01:12:13] E tem um pessoal que

[01:12:15] tem isso como fé também.

[01:12:17] Pessoal estão falando que você assistiu muito super

[01:12:19] natural, você assistiu? Eu assisti um pouco, não assisti tanto não.

[01:12:21] Não assisti também. Eu,

[01:12:23] de novo, eu tinha um pouco de medo.

[01:12:25] Não, é muito episódio, não voto.

[01:12:27] Eu comecei a assistir, eu gostava

[01:12:29] de Supernatural porque eles venciam

[01:12:31] o malvado no final do episódio.

[01:12:33] Eu falava, não, tudo bem. Era sempre episódio que tinha

[01:12:35] um mal… Um monstro da semana.

[01:12:37] Um monstro da semana e eles tinham que lutar.

[01:12:39] Eu gosto de seriado com o monstro da semana.

[01:12:41] É um tipo de seriado que eu gosto. Eu acho

[01:12:43] divertido. Que daí só acontece, eu não preciso

[01:12:45] assistir 50. É, tem essa vantagem.

[01:12:47] Eu posso assistir só aquele. Eu gosto de desenvolvimento de seriado.

[01:12:49] Eu adoro monstro da semana.

[01:12:51] Eu gosto do outro também, mas eu gosto bastante de monstro da semana.

[01:12:53] Então, eu assisti Supernatural, mas

[01:12:55] não muito. Inclusive porque eu olhava algumas referências

[01:12:57] e falava, ah, isso daqui vocês tiraram de tal lugar.

[01:12:59] Isso daqui não faz nenhum sentido. Qual que eu vi

[01:13:01] esses tempos? Hereditário, o filme.

[01:13:03] Você viu Hereditário? Pô, esse filme é bom pra caramba.

[01:13:05] Pois é, mas eu tava assistindo.

[01:13:07] Aquela famosa cena lá, né?

[01:13:09] Aconteceu o problema que acontece

[01:13:11] às vezes, que eu tava assistindo.

[01:13:13] Ah, nem é assim. Não é esse

[01:13:15] sigilo. Não funciona desse jeito. Você não entra no filme?

[01:13:17] Nesse eu não entrei. Normalmente eu entro,

[01:13:19] mas nesse deu uma

[01:13:21] quebrada assim. Igual um tempo atrás

[01:13:23] eu tava ouvindo um podcast gringo,

[01:13:25] chamado The Black Tapes, que é de terror também.

[01:13:27] E daí eu tava ouvindo

[01:13:29] e eles tão lá e tal, e eu tava muito animada

[01:13:31] com a história, que são fitas,

[01:13:33] cassete que eles encontram e tal.

[01:13:35] Aí ele fala, não, por quê? Fala de Lucifer

[01:13:37] nos manuscritos do Mar Morto. Eu falei, não, não fala.

[01:13:39] Fala, errou, tá errado.

[01:13:41] Eu falo, não, gente.

[01:13:43] Eu tava me divertindo tanto.

[01:13:45] Os caras pegam, ouviu as coisas que

[01:13:47] a galera já ouviu falar e une e tanto faz.

[01:13:49] Já ouviu falar em

[01:13:51] manuscritos do Mar Morto, mesmo que você não saiba o que é.

[01:13:53] O ser todo não sabe. Bom, uni, foi encontrado lá.

[01:13:55] E assim, depois eu volto pro

[01:13:57] coisa, mas tem um segundo que eu ouço e falo

[01:13:59] ah não, gente, eu tava tão

[01:14:01] feliz. Não tem nenhum especialista

[01:14:03] assistindo, né? É, quando você

[01:14:05] entende muito um assunto e vai assistir um filme que tem a ver

[01:14:07] com aquilo, você se decepciona. É que nem eu

[01:14:09] vendo o filme pornô. Não é assim.

[01:14:11] Ah, pronto.

[01:14:13] Você não esperava, né?

[01:14:15] Vamos lá.

[01:14:17] O filme pornô não tem problema que não tem muito a ver com a realidade mesmo.

[01:14:19] É, exatamente.

[01:14:21] Chega um cara entregador de pizza,

[01:14:23] quer entrar?

[01:14:25] Não é um cara do

[01:14:27] iFood que tá louco pra entregar

[01:14:29] 10 pizzas e quer que você

[01:14:31] pegue o mais rápido possível. Aí vem uma mulher de

[01:14:33] hobby. Fala, minha filha, eu tenho

[01:14:35] mais cinquenta entregas, não enrola, pega logo.

[01:14:37] E a chave vai cair. E a chave cai,

[01:14:39] assim, ai, deixa eu ver onde está o meu

[01:14:41] cartão de crédito, já tá pago,

[01:14:43] cara, é iFood, sim, liga, né?

[01:14:45] O filme pornô ia adorar o quê?

[01:14:47] Um minuto, já ia embora o cara.

[01:14:49] Três minutos e já era.

[01:14:51] É, não funciona. Mas, enfim,

[01:14:53] a gente tava falando de Supernatural,

[01:14:55] de Goetia. Paramos na Goetia.

[01:14:57] Então, e daí isso é uma coisa que é

[01:14:59] pós idade média, até. Então, a gente

[01:15:01] veio lá da antiguidade com essas coisas

[01:15:03] se desenvolvendo, e daí a gente tem mil e quinhentos anos

[01:15:05] de desenvolvimento dessa parada.

[01:15:07] Pra chegar em mil seiscentos, mil setecentos.

[01:15:09] O imaginário das pessoas, começa a entrar isso?

[01:15:11] Isso, escrita, e daí tem os desenhos,

[01:15:13] tem as representações.

[01:15:15] Em mil seiscentos, mil setecentos,

[01:15:17] você tem esse misticismo ocidental

[01:15:19] se desenvolvendo, com essas pessoas

[01:15:21] que vão começar a criar,

[01:15:25] começar a investigar esse passado e

[01:15:27] imaginar, tipo, ah, como que Salomão dominou

[01:15:29] os demônios?

[01:15:31] E aqui eu vou colocar uma vírgula, assim,

[01:15:33] né? Assim como eu gosto de dizer,

[01:15:35] que quando eu tô trabalhando com Bíblia,

[01:15:37] o meu trabalho não é afetar a fé

[01:15:39] das pessoas,

[01:15:41] como acadêmica,

[01:15:43] como historiadora, o meu objetivo é

[01:15:45] estudar a parte de história. Ah, mas

[01:15:47] a minha fé me diz que esse negócio

[01:15:49] sempre, que a verdade é essa.

[01:15:51] Tá bom, então a sua fé é a sua fé,

[01:15:53] fique feliz com ela, eu não tô aqui

[01:15:55] pra debater ela. A mesma coisa pra Goethe,

[01:15:57] eu conheço, eu tenho amigos,

[01:15:59] tem amigos que são, né?

[01:16:01] Eu conheço gente,

[01:16:03] tenho amigos que praticam

[01:16:05] esse tipo de coisa e tal, e daí

[01:16:07] a fé é deles, né?

[01:16:09] Só eu tô falando aqui historicamente

[01:16:11] como que essa parada foi surgindo,

[01:16:13] então ela vem de uma tradição

[01:16:15] judaica, e daí o judaísmo místico

[01:16:17] de Kabbala e etc, a gente

[01:16:19] tá misturando essas coisas.

[01:16:21] Tem a Kabbala também, né?

[01:16:23] É, e daí isso não é judaísmo

[01:16:25] mainstream, assim, não é, né?

[01:16:27] A gente tá falando de uma vertente mística

[01:16:29] aqui, e daí você vai

[01:16:31] ter essas pessoas

[01:16:33] que vão lá em 1600, 1700

[01:16:35] desenvolver

[01:16:37] magias e formas

[01:16:39] de dominar esses demônios,

[01:16:41] e daí você vai ter livros

[01:16:43] sendo escritos sobre, daí a gente vai ter

[01:16:45] depois mais pra frente o

[01:16:47] livro de São Cipriano, que é famosão

[01:16:49] também, que tem essa ideia de que

[01:16:51] eram magias de como dominar

[01:16:53] os demônios e tal,

[01:16:55] e toda essa grande sopa

[01:16:57] de coisas chega

[01:16:59] no começo do século 20

[01:17:01] e começa com os filmes, né?

[01:17:03] Eu fiz um artigo,

[01:17:05] eu escrevi um artigo um tempo atrás.

[01:17:07] Os filmes consolidam muito, então?

[01:17:09] O imaginário da imagem do demônio,

[01:17:11] do que que ele é. Você tem uma pesquisa

[01:17:13] quando começa isso? Então,

[01:17:15] o primeiro filme com demônio é de

[01:17:17] 1896, se eu não me engano. Oitos?

[01:17:19] Como é o que que era?

[01:17:21] Chama A Casa do Diabo,

[01:17:23] tá em francês, é dos irmãos

[01:17:25] Lumière, se eu não me engano.

[01:17:27] É um muito curtinho, porque a gente tá falando

[01:17:29] de 1890 e tantos.

[01:17:31] É engraçado

[01:17:33] hoje em dia, mas eu imagino que foi muito

[01:17:35] impressionante quando o pessoal viu pela

[01:17:37] primeira vez, um cara fantasiado de demônio

[01:17:39] andando de um lado e tal. Acho que

[01:17:41] é A Mansão do Diabo o nome do filme. Como que era o Diabo?

[01:17:43] Ele já tem chifrinhos,

[01:17:45] tem capa, já tá bem consolidada

[01:17:47] essa imagem dele. E daí

[01:17:49] você tem, então

[01:17:51] eu fiz um artigo um tempo atrás, que eu tava

[01:17:53] tentando entender justamente

[01:17:55] se tinha um momento que tinha mais filme

[01:17:57] de Diabo. Eu procurei só

[01:17:59] nos filmes em inglês, porque era

[01:18:01] né, tinha mais fácil de

[01:18:03] traçar e mapeei.

[01:18:05] Fiz um gráfico, literalmente.

[01:18:07] E daí nesse gráfico é bem interessante, que

[01:18:09] você tem pouco, sempre tem alguma coisa.

[01:18:11] E daí nos anos 80,

[01:18:13] aí ó.

[01:18:15] É quem mais tá ruim,

[01:18:17] não deve achar.

[01:18:19] Com a melhor qualidade.

[01:18:21] É de 86.

[01:18:23] São chifres em cima?

[01:18:25] São chifres. E capinha.

[01:18:27] É.

[01:18:29] Eu acho muito legal. A imagem é bem ruim mesmo.

[01:18:31] Mas é isso, assim.

[01:18:33] É nos anos 80 que vai

[01:18:35] consolidar muito, porque assim,

[01:18:37] pra quem nasceu

[01:18:39] nos anos 80, nos anos 70,

[01:18:41] e mesmo pra quem de agora, a gente vive

[01:18:43] esse momento que teve muito filme de

[01:18:45] Diabo. E por que

[01:18:47] que tem muito filme de Diabo nos anos 80?

[01:18:49] É o pânico satânico.

[01:18:51] 80 é o pânico satânico, né?

[01:18:53] Os jogos que levam as crianças pra um mal.

[01:18:55] Isso.

[01:18:57] Tem estudos que mostram que o pânico

[01:18:59] satânico tá relacionado

[01:19:01] à invenção do videocassete

[01:19:03] e da TV a cabo. Por que será?

[01:19:05] Porque até a invenção

[01:19:07] do videocassete e da TV a cabo, você só via

[01:19:09] filme no cinema. Certo. Não tinha como

[01:19:11] você rever o filme quantas vezes você quisesse.

[01:19:13] E tinha recepção de idade. Isso. E daí de

[01:19:15] repente, lança o

[01:19:17] videocassete e lança o

[01:19:19] exorcista em fita cassete.

[01:19:21] Então muita gente tá assistindo

[01:19:23] e re-assistindo esse filme. Eu assisti

[01:19:25] no final dos anos 70.

[01:19:27] E daí você tem esse filme, o

[01:19:29] exorcista passando e a gente consegue

[01:19:31] traçar o pânico satânico

[01:19:33] vindo daí. Daí essa ideia de que

[01:19:35] não, que existe

[01:19:37] uma grande rede de satanistas

[01:19:39] embaixo do mundo, que

[01:19:41] fazem sacrifícios de

[01:19:43] crianças.

[01:19:45] Isso tem até hoje. Tem teoria da conspiração com

[01:19:47] essas coisas até hoje. Mas isso foi muito investigado

[01:19:49] já e não tem.

[01:19:51] Tem satanistas. Eles não fazem

[01:19:53] sacrifícios de crianças.

[01:19:55] Mas você fala do pânico dos anos 80

[01:19:57] até hoje. Você viu o caso Evandro.

[01:19:59] A primeira explicação mais

[01:20:01] absurda é a que mais aceita.

[01:20:03] É um ritual satânico.

[01:20:05] E daí você tem uma diferença interessante

[01:20:07] que no Brasil

[01:20:09] a gente nunca parou pra trabalhar

[01:20:11] oficialmente isso. Tipo, olha

[01:20:13] gente, isso é pânico satânico.

[01:20:15] Quando vier isso… Não existiu.

[01:20:17] Programas da tarde, aqueles policiais

[01:20:19] falando que era

[01:20:21] jogos, né?

[01:20:23] Não era

[01:20:25] naruto. Eles jogaram a

[01:20:27] culpa de cada hora. Era desenho.

[01:20:29] Teve uma época que a

[01:20:31] culpa era do…

[01:20:33] Aqueles jogadores de cartas. Não, depois do Pokémon.

[01:20:35] E um guiô.

[01:20:37] E já teve do vampire

[01:20:39] também, do jogo, do tabuleiro.

[01:20:41] Do Pokémon também de caçar na rua.

[01:20:43] Falaram também?

[01:20:45] Olha aí. Que era um tipo de

[01:20:47] ritual.

[01:20:49] O demônio é muito prolífico em fazer jogo.

[01:20:51] Pô cara, ele é inteligente pra caramba.

[01:20:53] É bom, né? Só, só…

[01:20:55] Demongo.

[01:20:57] Mas assim, isso

[01:20:59] consolida na nossa cabeça essa ideia, né?

[01:21:01] Do que que é o demônio, como que ele se parece,

[01:21:03] como que ele se veste.

[01:21:05] E daí você tem algumas vertentes. Você tem o

[01:21:07] vermelho, de chifre, rabo, etc.

[01:21:09] Tem a versão da

[01:21:11] mulher sedutora.

[01:21:13] Tem outras representações aí de demônio,

[01:21:15] representação de demônio pra mostrar pra gente.

[01:21:17] Tem a mulher sedutora, né?

[01:21:19] É até aquela ideia do Incubus,

[01:21:21] Incubus também.

[01:21:23] Não é do demônio que vem à noite.

[01:21:25] Isso é uma ideia medieval.

[01:21:27] São demônios?

[01:21:29] Sim.

[01:21:31] Na Idade Média, eu amo os debates da

[01:21:33] Idade Média, porque as pessoas na Idade Média estão tentando

[01:21:35] entender o mundo, certo? Só que às vezes

[01:21:37] eles estão tentando entender perguntas que você jamais

[01:21:39] se fez. Por exemplo,

[01:21:41] às vezes você se questionou o que aconteceu

[01:21:43] com o prepúcio de Jesus.

[01:21:47] Prepúcio?

[01:21:49] Eu nem sei o que é prepúcio.

[01:21:51] Ah, mano. Sabe o precipício?

[01:21:53] Sim. É igual.

[01:21:55] Ah, entendi. Não, não é, cara.

[01:21:57] O prepúcio é aquela pelinha que é cortada,

[01:21:59] os judeus cortam quando tem

[01:22:01] um moleque,

[01:22:03] um garoto. Mas por quê?

[01:22:05] Não se fala nisso. Ele é judeu,

[01:22:07] passou por isso. Teve

[01:22:09] concisão. E aí? E daí na Idade Média,

[01:22:11] as pessoas começaram a ficar muito boladas. E aí?

[01:22:13] Que aconteceu com essa

[01:22:15] pele? Porque é sagrado, é santo.

[01:22:17] Isso, daí subiu com ele. Exato.

[01:22:19] Não subiu? Tá aqui em algum lugar?

[01:22:21] Nunca, nunca, eu imaginei que

[01:22:23] ia fazer essa decisão. Por isso que eu amo.

[01:22:25] E onde chegaram?

[01:22:27] Várias soluções. Por exemplo?

[01:22:29] Por exemplo, de que acendeu quando ele foi

[01:22:31] aos céus, quando ele acendeu aos céus,

[01:22:33] de onde estivesse, subiu

[01:22:35] junto assim, lá pra cima.

[01:22:37] Se reuniu o resto. É, mas aí tem várias,

[01:22:39] tem umas freiras que sonhavam

[01:22:41] cumprir com Jesus. E daí tem

[01:22:43] desenho delas com ele como

[01:22:45] uma aliança. Nossa,

[01:22:47] bizarro.

[01:22:49] A Idade Média é

[01:22:51] um lugar muito doido. A gente tem uma ideia

[01:22:53] de Idade Média e tinha

[01:22:55] debates muito interessantes. Eu acho

[01:22:57] interessante, né? Eu acho totalmente bizarro. Sobre isso? Sobre

[01:22:59] o que mais? Sobre tudo. A gente tava falando de sucubos.

[01:23:01] Então, aí tinha uma ideia de

[01:23:03] tá, como que nasce demônio?

[01:23:05] Nascer. É, como que cria

[01:23:07] um demônio novo? Porque lembra da explicação

[01:23:09] de jubileus lá e tal, 10%,

[01:23:11] pãs. Mas e se eu quiser esse

[01:23:13] demônio novo? De onde que eu faço um demônio?

[01:23:15] Como que eu faço? Eu atraio

[01:23:17] anjos novos pra cair? Pra quem não tá lembrando,

[01:23:19] eram os espíritos de 10%

[01:23:21] dos anjos caídos, assim, né?

[01:23:23] Dos filhos dos anjos caídos.

[01:23:25] Exato. E como

[01:23:27] que se faria?

[01:23:29] Eles começam a se perguntar se tem

[01:23:31] demônios novos e como eles seriam feitos, né?

[01:23:33] E daí a explicação é a seguinte.

[01:23:37] Um homem tá lá

[01:23:39] dormindo e daí ele tem um sonho

[01:23:41] quando ele tem um sonho, assim, mais

[01:23:43] quente. Aquele sonho quente.

[01:23:45] Isso. Isso seria um ataque de

[01:23:47] de sucubos.

[01:23:49] A sucubos seriam então…

[01:23:51] É, depois pega sucubos, incubos, deve ter

[01:23:53] imagem também, né? É, tem muito

[01:23:55] desenho. Então, mas isso

[01:23:57] quando você tem um sonho desses, teoricamente

[01:23:59] teria sido um ataque de sucubos. Seria uma

[01:24:01] Isso. Isso. E daí ela rouba

[01:24:03] a semente. Entendi.

[01:24:05] E daí ela se… Semen. Isso.

[01:24:07] E daí ela se transforma em incubos.

[01:24:09] É o mesmo ser porque ele não tem

[01:24:11] exatamente um gênero próprio.

[01:24:13] E daí eles transformam em incubos

[01:24:15] e daí engravida uma mulher. Entendi.

[01:24:17] E daí como passou por dentro do demônio

[01:24:19] Teve um… Aí é um neném demônio.

[01:24:21] Seria assim.

[01:24:23] É. Seria assim. E as pessoas morriam de medo

[01:24:25] de ter esses bebês demônios?

[01:24:27] Eu acho que rolava uma certa de tipo

[01:24:29] Eu acho que rolava uma certa de tipo

[01:24:31] não, eu tô grávida. Não, foi…

[01:24:33] Ah, é. Era o boto. História do boto.

[01:24:35] Eu acho que devia rolar assim umas…

[01:24:37] Você me traiu? Não, não. Foi o boto.

[01:24:39] Não, não. Foi o incubos.

[01:24:41] Aí é uma versão muito…

[01:24:43] Mas eu acho interessante que era

[01:24:45] tipo gênero fluido, né?

[01:24:47] Não tinha um… Se transformava de um pro outro

[01:24:49] assim. Mas tinha…

[01:24:51] Foi pra responder essa pergunta então

[01:24:53] que eles criaram essa ideia da…

[01:24:55] Incubos e sucubos seriam demônios relacionados

[01:24:57] a sexualidade mais.

[01:24:59] Especificamente assim.

[01:25:01] E eu acho muito genial no sentido de…

[01:25:03] Cara, é muito divertido. Criatividade, né?

[01:25:05] Criatividade, total, né? Ficar

[01:25:07] imaginando assim como que vai rolar

[01:25:09] e como que funciona esse

[01:25:11] processo. É interessante

[01:25:13] também que uma coisa que

[01:25:15] puxando pra Idade Média de novo

[01:25:17] que a gente não sabe, quer dizer, a gente não imagina

[01:25:19] que é que

[01:25:21] as mulheres na Idade Média

[01:25:23] que eram vistas como seres sexuais.

[01:25:25] Não os homens.

[01:25:27] É mesmo? É.

[01:25:29] A ideia de que são os homens

[01:25:31] que tem mais um ímpeto sexual

[01:25:33] é uma ideia recente.

[01:25:35] 200 anos talvez, assim.

[01:25:37] Pô, uma grande parte da nossa

[01:25:39] história eram as mulheres que eram vistas.

[01:25:41] Tem uma figurinha medieval do homem tentando

[01:25:43] fugir da cama e a mulher agarrando ele, eu acho.

[01:25:45] Maravilhoso, assim. E da onde

[01:25:47] vinha essa ideia? Porque tinha a ideia dos

[01:25:49] humores. As mulheres seriam

[01:25:51] naturalmente frias e úmidas.

[01:25:53] Os homens seriam naturalmente quentes e secos.

[01:25:55] Então as mulheres estariam procurando

[01:25:57] calor. E daí

[01:25:59] por isso elas seriam

[01:26:01] naturalmente mais atraídas

[01:26:03] pro intercurso carnal

[01:26:05] e seriam mais, porque elas

[01:26:07] precisariam. E é muito doido porque na nossa

[01:26:09] cabeça de hoje a gente enxerga de outra

[01:26:11] forma o mundo, né? E a gente acha

[01:26:13] que sempre foi assim. E não

[01:26:15] sempre foi assim. Então

[01:26:17] a sucubus serem, também tem essa

[01:26:19] coisa, esse ataque de um demônio

[01:26:21] mais feminino, mais sexualizado, tem muito a ver

[01:26:23] com essa visão também, que era

[01:26:25] bem medieval, de que a mulher

[01:26:27] é que é atentadora, a mulher

[01:26:29] é que é… E daí por isso,

[01:26:31] nisso eu acho que na Idade Média a lógica

[01:26:33] era um pouquinho melhor do que a nossa,

[01:26:35] porque eles acreditavam então que as mulheres

[01:26:37] por isso elas eram…

[01:26:39] Porque elas tinham um ímpeto que não

[01:26:41] era muito controlável,

[01:26:43] elas não seriam tão boas pra…

[01:26:45] Porque elas eram mais emocionais,

[01:26:47] então elas não poderiam participar tanto de política,

[01:26:49] etc, etc. Que isso pra mim é uma das questões

[01:26:51] que sempre me incomoda, assim, quando eu falo

[01:26:53] peraí, mas os caras não conseguem se segurar,

[01:26:55] mas eles são lógicos? Não é que eles não…

[01:26:57] Se eles são lógicos, como assim, gente?

[01:26:59] Como que a gente funciona essa regra aqui?

[01:27:01] E na Idade Média era, não, homens são

[01:27:03] pouco, eles não têm esses

[01:27:05] impulsos, isso é coisa de mulher

[01:27:07] que fica corrompendo os pobres. Entendi.

[01:27:09] Eles estão lá bonzinhos e a gente que corrompe.

[01:27:11] Entendi. Deixa eu ver se o pessoal tem

[01:27:13] perguntas até agora sobre o que a gente já falou.

[01:27:15] Nossa, o que a gente falou, horror eles, né? Essa imagem

[01:27:17] de sucubuzinho em cubuzó, essa tá legal.

[01:27:21] Tá bonita essa. Manda aí enquanto eu vou pegar

[01:27:23] um suquinho lá. Show. A gente tem uma pergunta

[01:27:25] aqui da Patrícia Lima, ela perguntou o seguinte.

[01:27:27] Quais são os equívocos mais comuns

[01:27:29] que as pessoas têm quando se fala

[01:27:31] do diabo, né? Do demônio.

[01:27:33] Mais comum. Ai, eu falando de boca cheia,

[01:27:35] que absurdo. Imagina, fica a vontade.

[01:27:37] Esse não é…

[01:27:39] Esse é um equívoco comum de podcast, não de

[01:27:41] diabo, né?

[01:27:43] Então, eu acho que

[01:27:45] um dos equívocos mais comuns,

[01:27:47] e eu veria esse como um dos principais

[01:27:49] problemas, é a gente

[01:27:51] achar que sempre foi assim.

[01:27:53] O que a gente ouve hoje na

[01:27:55] igreja ou na

[01:27:57] mídia ou no filme,

[01:27:59] é a verdade que sempre foi assim.

[01:28:01] Porque em história, a gente…

[01:28:03] E daí eu não tô aqui dizendo, ah, não tem verdade.

[01:28:05] Não, tem verdade. Tem pesquisa.

[01:28:07] Tudo que eu falei até agora

[01:28:09] são coisas muito bem

[01:28:11] embasadas, cheia de fonte, que eu não vou ficar

[01:28:13] entendendo todo mundo com isso.

[01:28:15] Mas é muito

[01:28:17] importante saber que

[01:28:19] em cada período as coisas são

[01:28:21] diferentes. Então não tem como dizer, ah,

[01:28:23] como que é o demônio real?

[01:28:25] Real hoje, mas

[01:28:27] há 200 anos atrás era de outro jeito.

[01:28:29] Há mil anos atrás era de outro jeito.

[01:28:31] Ah, mas e o texto real?

[01:28:33] A gente tem cópias.

[01:28:35] Na antiguidade você tem mais de uma cópia do mesmo

[01:28:37] texto, então você tem uma variação aí.

[01:28:39] Então eu diria que a coisa mais

[01:28:41] mais estranha que as pessoas

[01:28:43] entendem sobre demônio é assumir

[01:28:45] que os demônios sempre

[01:28:47] existiram do jeito que a gente pensa hoje em dia

[01:28:49] e que eles estão

[01:28:51] descritos na bíblia do jeito

[01:28:53] que a gente entende. Ah,

[01:28:55] mas tem… Ah, se eu pegar a minha

[01:28:57] bíblia agora, né, fazer um desafio

[01:28:59] para as pessoas, pega a sua bíblia agora e abre

[01:29:01] e vai ter uma referência a demônio?

[01:29:03] Vai ter uma referência a demônio.

[01:29:05] Mas a gente tem que lembrar que a gente tá trabalhando com uma tradução.

[01:29:07] Eu preciso saber. Se a gente

[01:29:09] voltar no texto original, vai estar escrito demônio

[01:29:11] ou essa tradução que traduziu para demônio?

[01:29:13] Esse é o ponto número um.

[01:29:15] E o ponto número dois. O que a gente

[01:29:17] chama de Novo Testamento é

[01:29:19] onde você tem muito mais descrição

[01:29:21] de demônio, mas não tem uma descrição física.

[01:29:23] Ah, mamon, belial, tal, não estão lá.

[01:29:25] Isso é

[01:29:27] interpretação posterior.

[01:29:29] Show. A gente tem mais uma aqui do Diego.

[01:29:31] Ele falou o seguinte. Gostaria de saber a sua opinião

[01:29:33] sobre a Chave Menor de Salomão.

[01:29:35] É mesmo uma obra de ficção ou não?

[01:29:37] O autor realmente é desconhecido?

[01:29:39] Então, a Chave Menor de Salomão

[01:29:41] é A Clavícula de Salomão, que a gente tá falando,

[01:29:43] que é um texto

[01:29:45] posterior.

[01:29:47] É uma obra de ficção ou não?

[01:29:49] Aí a gente entra num campo de fé.

[01:29:51] Então, assim, é uma obra

[01:29:53] que foi, provavelmente, escrita por um

[01:29:55] ser humano. Se esse ser humano,

[01:29:57] se essa pessoa que escreveu

[01:29:59] A Clavícula de Salomão, estava

[01:30:01] inspirada, aí você vai precisar

[01:30:03] acreditar na coisa. Isso não tem como…

[01:30:05] É impossível de saber,

[01:30:07] né? A gente não sabe quem escreveu

[01:30:09] e a gente não consegue saber,

[01:30:11] com certeza. Eu diria que

[01:30:13] não é nem o que eu mexo,

[01:30:15] né? Porque como é impossível de saber,

[01:30:17] eu não me importo muito, assim.

[01:30:19] O que eu me importo e o que mais me interessa

[01:30:21] é saber como que isso influenciou

[01:30:25] a existência da gente como humano.

[01:30:27] É aí que eu tô mais interessada.

[01:30:29] Show. A gente tem mais uma aqui do Rodrigo.

[01:30:31] Ele falou assim. Não.

[01:30:33] Exorcismos católicos e as sessões

[01:30:35] espíritas lidam com a mesma ideia

[01:30:37] de possessão demoníaca ou são coisas

[01:30:39] totalmente diferentes?

[01:30:41] Nenhum é o outro. Nem a mesma

[01:30:43] coisa nem é totalmente diferente.

[01:30:45] A gente tem, quando a gente fala

[01:30:47] dos exorcismos católicos

[01:30:49] e aqui a gente tem um caminho muito

[01:30:51] longo que a Igreja Católica fez

[01:30:53] na sua questão de exorcismos.

[01:30:55] Em geral, a Igreja Católica,

[01:30:57] hoje em dia, leva muito a sério

[01:30:59] o que eles vão considerar um exorcismo,

[01:31:01] o espiritismo tem bases cristãs.

[01:31:05] Então ele vai estar baseado,

[01:31:07] ele vai estar procurando coisas similares

[01:31:09] à Igreja Católica, mas são coisas diferentes.

[01:31:11] Então como a base é a mesma,

[01:31:13] cristianismo, então os dois vão ter

[01:31:15] coisas similares.

[01:31:17] Mas cada um foi para um caminho.

[01:31:19] Uma coisa que a gente esquece sobre o espiritismo

[01:31:21] é que o espiritismo foi pensado muito

[01:31:23] como uma visão cientificista,

[01:31:25] uma visão científica de tentar entender o mundo.

[01:31:27] Isso é uma visão científica do século 19

[01:31:29] que vai se desenvolver de outras formas.

[01:31:31] Olha eu ofendendo todo mundo.

[01:31:33] Mas não, a ideia gente, de novo,

[01:31:35] quando eu falo isso eu não estou querendo dizer

[01:31:37] ah, então você está dizendo que é mentira?

[01:31:39] Não, não estou dizendo nada disso, o que eu estou dizendo é

[01:31:41] historicamente o espiritismo

[01:31:43] surge no século 19, dessa forma

[01:31:45] por isso que ele é baseado em ciência no século 19.

[01:31:47] Existe demônio ou não?

[01:31:49] Está fora da minha alçada de saber.

[01:31:51] Eu tenho zero habilidades de saber isso.

[01:31:53] É você que vai dizer com certeza.

[01:31:55] Eu não, tenho certeza de nada.

[01:31:57] Olha, a Lia falou assim,

[01:31:59] no purgatório existem demônios?

[01:32:01] Então, daí a gente tem

[01:32:03] que pensar o purgatório como uma visão

[01:32:05] católica, né?

[01:32:07] De novo, eu estou trabalhando aqui

[01:32:09] com a parte de história e com o que eu sei.

[01:32:11] No purgatório existem demônios?

[01:32:13] Até onde eu me lembro, não.

[01:32:15] Até onde eu me lembro o purgatório ele é…

[01:32:17] Inclusive o purgatório não existe mais, né?

[01:32:19] Eu acho muito bom.

[01:32:21] O Papa acabou com o purgatório.

[01:32:23] O outro Papa, o Hartzinger, o Bento

[01:32:25] O Bento acabou com o purgatório.

[01:32:27] Não, não foi com o purgatório

[01:32:29] que ele acabou. Ai gente, eu confundo

[01:32:31] qual dos planos ele acabou.

[01:32:33] Eu acho que o purgatório não.

[01:32:35] Acho que ainda é uma ideia.

[01:32:37] Tá, o purgatório existe, não existe mais o limbo.

[01:32:39] É isso, ele acabou com o limbo.

[01:32:41] Ah, tinha o purgatório e o limbo.

[01:32:43] O purgatório é o lugar onde as pessoas

[01:32:45] vão para espiar seus pecados para poder depois ir

[01:32:47] para o céu, né? Mas aí a gente já está falando

[01:32:49] de catolicismo e eu não sou muito

[01:32:51] versada em catolicismo para falar sobre isso.

[01:32:53] Vou falar besteira se eu ficar falando.

[01:32:55] Oh, beleza.

[01:32:57] Desculpa, o André falou assim

[01:32:59] Por que você acha que o ser humano tem tanta

[01:33:01] necessidade de criar a figura do mal?

[01:33:03] Eu acho, né?

[01:33:05] Porque eu acho que a gente

[01:33:07] é muito difícil viver com a aleatoriedade

[01:33:09] da vida. Eu acho que é muito

[01:33:11] difícil aceitar que coisas horríveis

[01:33:13] acontecem com pessoas incríveis

[01:33:15] porque sim.

[01:33:17] Porque é aleatório, porque não tem

[01:33:19] explicação. Eu acho que isso é muito

[01:33:21] dolorido de pensar. Então,

[01:33:23] eu imagino que é por isso.

[01:33:25] Mas, de novo, se eu tivesse essa resposta, gente,

[01:33:27] eu estaria muito mais rica se eu tivesse esse tipo

[01:33:29] de resposta pronta.

[01:33:31] O Carlos falou o seguinte

[01:33:33] A bruxaria tem alguma relação com o diabo

[01:33:35] ou isso foi uma construção social?

[01:33:37] Construção social.

[01:33:39] Claro que existe, por exemplo, a

[01:33:41] bruxaria elétrica, que é um campo da bruxaria

[01:33:43] que existe hoje em dia, no qual elas vão

[01:33:45] se apropriar de coisas cristãs

[01:33:47] e trabalhar com isso dentro

[01:33:49] do pensamento delas.

[01:33:51] Mas a bruxaria em geral

[01:33:53] é interessante também a gente lembrar

[01:33:55] que a bruxaria que existe hoje, como

[01:33:57] uma coisa mais organizada,

[01:33:59] ela surgiu, ela é uma

[01:34:01] invenção dos anos

[01:34:03] 60, 1960.

[01:34:05] Ah, mas é baseado

[01:34:07] em coisas antigas. Sim, é baseado

[01:34:09] em coisas antigas, não deixa de ser

[01:34:11] contemporânea. Então, ela é uma prática contemporânea,

[01:34:13] uma religião contemporânea.

[01:34:15] Já a bruxaria que as pessoas

[01:34:17] eram acusadas na inquisição,

[01:34:19] outra história

[01:34:21] é completamente diferente e daí

[01:34:23] tem muito mais a ver com uma sociedade

[01:34:25] misógina que perseguia as mulheres

[01:34:27] e achou uma desculpa pra persegui-las.

[01:34:29] Então, as pessoas

[01:34:31] é um pouco diferente. A bruxaria

[01:34:33] tem a ver com o diabo? De acordo com os inquisidores,

[01:34:35] sim, mas isso aí é a opinião

[01:34:37] deles, não quer dizer que seja a forma

[01:34:39] como… Enfim,

[01:34:41] dá pra gente fazer um episódio inteiro só de bruxaria.

[01:34:43] Já se conectando

[01:34:45] com essa, a Vanessa falou assim,

[01:34:47] porque você acha que as religiões afro-brasileiras

[01:34:49] ainda são tão estigmatizadas

[01:34:51] como coisa do demônio?

[01:34:53] Ah, essa é boa.

[01:34:55] Isso tem a ver com o racismo.

[01:34:57] Mas tem a ver também com a escravidão, não tem?

[01:34:59] Tem, mas tem muito a ver com o racismo no Brasil,

[01:35:01] porque a ideia de que

[01:35:03] visualizar

[01:35:05] as religiões afro-brasileiras

[01:35:07] como satânicas

[01:35:09] ou como relacionadas ao diabo é uma coisa muito

[01:35:11] particular nossa, do Brasil,

[01:35:13] não é uma coisa do mundo todo.

[01:35:15] Então, se for pra Europa,

[01:35:17] os católicos nem pensam nisso,

[01:35:19] ou os protestantes, enfim, os

[01:35:21] evangélicos, né? Isso tem muito

[01:35:23] a ver com quem que é construído

[01:35:25] como o inimigo no Brasil, né?

[01:35:27] Então, ah, se os

[01:35:29] negros são os inimigos, logo,

[01:35:31] tudo que eles fazem é do diabo.

[01:35:33] E a gente ouve muito esse discurso,

[01:35:35] de que, ah, Exu é o diabo,

[01:35:37] Exu não é o diabo, não tem nada a ver,

[01:35:39] porque vem de outra matriz, e daí que a gente

[01:35:41] volta lá no passado, né?

[01:35:43] Nessa ideia de um ser maligno,

[01:35:45] Exu não é um ser maligno, Exu é um ser

[01:35:47] que pode ser bom ou mal.

[01:35:49] Mas a gente tem a ideia de Exu igual ao demônio, né?

[01:35:51] É, isso é uma ideia dos cristãos.

[01:35:53] Isso. Não é uma ideia da religião

[01:35:55] de matriz americana, né? Não, não, todo mundo que eu conheço

[01:35:57] trata Exu de uma outra forma,

[01:35:59] realmente. Com certeza, porque não tem nada a ver.

[01:36:01] Só que é

[01:36:03] muito fácil você dizer isso, ah,

[01:36:05] Exu é o diabo, porque

[01:36:07] esteticamente ele lembra algumas coisas do

[01:36:09] diabo. Vê a imagem pra gente,

[01:36:11] né? As cores, essa coisa

[01:36:13] de associar o vermelho e o preto como cor

[01:36:15] maligna, é essa coisa

[01:36:17] de, isso tem muito a ver, muito mais a ver.

[01:36:19] Eu falo racismo, é

[01:36:21] só pra vocês entenderem, assim, não tô falando

[01:36:23] levemente, assim, eu falo no racismo no

[01:36:25] sentido de que a gente

[01:36:27] cresceu numa sociedade racista no Brasil.

[01:36:29] Todo mundo é racista em alguma medida

[01:36:31] no Brasil. Ah, tu pá, não, todo

[01:36:33] mundo é racista em alguma medida, eu também.

[01:36:35] E o importante é a gente tentar entender,

[01:36:37] tá enraizado, porque é uma coisa tão

[01:36:39] sub, sub, sub na nossa cabeça que é

[01:36:41] difícil a gente saber.

[01:36:43] Posto isso, é você olhar

[01:36:45] pra religião do outro e dizer, não, a

[01:36:47] religião do outro é necessariamente o trabalho

[01:36:49] do demônio,

[01:36:51] não tem nada, é você,

[01:36:53] né,

[01:36:55] trazer uma referência sua pra uma

[01:36:57] religião que não tem essa referência.

[01:36:59] O, né, a figura,

[01:37:01] de novo, você tem o preto e o vermelho.

[01:37:03] Mas tem figura onde ele é vermelho também,

[01:37:05] não tem? Acho que sim, tem muita

[01:37:07] figura. É, eu já vi. E assim, não tem nada

[01:37:09] a ver, ele é um abridor de caminhos,

[01:37:11] ele é. O tridente também é associado

[01:37:13] ao demônio, né? É, de novo, também,

[01:37:15] é associado ao demônio, uma construção da idade

[01:37:17] média. Mas, por exemplo, é

[01:37:19] deuses gregos também tinha. Também tinha um tridente.

[01:37:21] Tem tridente em um monte de lugar.

[01:37:23] Poseidon, talvez. Poseidon tem tridente.

[01:37:25] E durante a idade média

[01:37:27] vai, vai passando a ideia de que

[01:37:29] o demônio tem tridente, daí na nossa cabeça

[01:37:31] a gente associa. Solidifica.

[01:37:33] Solidifica isso, mas

[01:37:35] Eshu vem de um, de um paradigma

[01:37:37] completamente diferente. Ele

[01:37:39] vem dessa ideia de que

[01:37:41] ele não é maligno.

[01:37:43] Ah, mas ele se veste de preto. Sei lá, gente,

[01:37:45] eu tenho um monte de amigos que se veste de preto.

[01:37:47] Tamos aí. Eu sempre estou de preto.

[01:37:49] A coisa mais fácil é eu pegar

[01:37:51] roupa preta, calça preta, camisa preta e tudo mais.

[01:37:53] Ah, ele tem capa, ele tem tridente.

[01:37:55] Um monte de coisa tem tridente, né?

[01:37:57] Enfim, tridente era uma arma,

[01:37:59] gente, as pessoas usavam na guerra, né? Não é uma coisa

[01:38:01] assim. Então no Brasil

[01:38:03] a gente vai ver as

[01:38:05] raízes de matriz africana. O

[01:38:07] cristianismo vai, vai se dizer

[01:38:09] muito, ah, são construções do

[01:38:11] diabo, porque a ideia é fragilizar

[01:38:13] aquelas pessoas. Mas

[01:38:15] não tem nada a ver, porque vem de uma

[01:38:17] raiz diferente, vem de um lugar diferente.

[01:38:19] A gente estava falando, né, da, que eu

[01:38:21] falei lá no começo, assim, a gente vai falar

[01:38:23] de judaísmo, a gente vai falar desse

[01:38:25] lugar aqui. E daí

[01:38:27] sei lá, a gente está falando da

[01:38:29] engéria, a gente está falando de outra questão, a gente está falando

[01:38:31] dos povos iorubás, a gente está falando de outra

[01:38:33] questão completamente diferente

[01:38:35] com essa coisa.

[01:38:37] São pessoas que também olharam para o mundo e falaram

[01:38:39] cara, e agora, como que a gente

[01:38:41] entende as coisas horríveis que estão acontecendo?

[01:38:43] Só que eles entenderam de outra forma.

[01:38:45] Eles não entenderam

[01:38:47] que tinha um mal encarnado.

[01:38:49] Não existe um mal encarnado

[01:38:51] pra visão, né,

[01:38:53] pra uma visão mais

[01:38:55] de matriz dessas religiões

[01:38:57] afro-brasileiras. E daí não é minha especialidade

[01:38:59] também, né, vamos deixar isso claro.

[01:39:01] Só lembrando que a chu não é diária.

[01:39:03] Quer falar um pouco também dos orientais,

[01:39:05] os chineses, os japoneses,

[01:39:07] como eles veem o mal?

[01:39:09] Então, eles também têm uma visão,

[01:39:11] eles também têm essa visão mais

[01:39:13] que você não tem o mal

[01:39:15] encarnado, né, você não tem uma coisa

[01:39:17] que é só mal o tempo todo.

[01:39:19] Aquela figura, né, do xing,

[01:39:21] que tem um pouco de mal dentro do bem,

[01:39:23] o bem dentro do mal, as animações,

[01:39:25] os animes, os quadrinhos,

[01:39:27] os mangás japoneses, você vê sempre que

[01:39:29] o mal, ele ajuda às vezes,

[01:39:31] as vezes ele atrapalha a figura

[01:39:33] daquele protagonista

[01:39:35] da história. Porque não tem essa ideia

[01:39:37] dessa coisa maniqueista,

[01:39:39] como você falou, né? Eu assisti um agora,

[01:39:41] muito bom também,

[01:39:43] um anime muito legal,

[01:39:45] que o demônio que era

[01:39:47] contra quem eles estavam lutando,

[01:39:49] que abriam portais,

[01:39:51] ele tinha uma motivação boa,

[01:39:53] mas o resultado era ruim.

[01:39:55] Como às vezes você também vê que

[01:39:57] o demônio, o espírito

[01:39:59] ruim, ele

[01:40:01] quer fazer o mal,

[01:40:03] mas ele usa formas boas, né?

[01:40:05] É muito louco isso.

[01:40:07] Então, assim,

[01:40:09] essa ideia de que

[01:40:11] precisa de um bem e um mal

[01:40:13] é uma ideia cristã,

[01:40:15] é uma ideia da gente ocidental.

[01:40:17] E a gente acha que ela sempre foi

[01:40:19] a mesma ideia para todo mundo, mas não é.

[01:40:21] A ideia de região e religião também,

[01:40:23] essa ideia da culpa, né?

[01:40:25] O catolicismo acho que é mais evidente,

[01:40:27] essa ideia de que a gente já é culpado,

[01:40:29] a gente é pecador, é culpado e não tem jeito.

[01:40:31] Minha culpa, minha máxima culpa, né?

[01:40:33] A gente já nasceu com esse pecado.

[01:40:35] A diferença do pensamento

[01:40:37] do Brasil, que é um país católico

[01:40:39] para um país protestante dos Estados Unidos,

[01:40:41] onde eles não sentem culpa em

[01:40:43] enriquecer ou ser próspero, e aqui tem

[01:40:45] ah, eu, não, eu

[01:40:47] ganhei muito dinheiro, mas, eu não sei o quê,

[01:40:49] tem que ter uma justificativa para não se sentir mal

[01:40:51] por ter dinheiro, por ser próspero

[01:40:53] ou por ter uma família boa e não sei o quê.

[01:40:55] Já dizia o espírito protestantismo

[01:40:57] e o espírito do capitalismo, né?

[01:40:59] Já tem teóricos pensando nisso, sei lá,

[01:41:01] há 200 anos atrás,

[01:41:03] considerando como que

[01:41:05] essas coisas se encaixam, assim.

[01:41:07] E daí você vai ter muitas religiões do mundo,

[01:41:09] e se a gente for para o Oriente é mais comum também,

[01:41:11] assim como na África também é mais comum, assim como

[01:41:13] em religiões,

[01:41:15] religiões,

[01:41:17] e aí você tem também as espiritualidades aqui,

[01:41:19] nativas aqui também, da América,

[01:41:21] né, que você não tem a necessidade

[01:41:23] de uma figura maligna per se.

[01:41:25] Você tem muito, muitas vezes

[01:41:27] relacionado a ideia de que tem coisas que são boas e más ao mesmo

[01:41:29] tempo. É, o Budismo, eu preciso

[01:41:31] estudar mais o Budismo também, né, como eles

[01:41:33] entendem o mal, também essas coisas.

[01:41:35] E a ideia do,

[01:41:37] porque, e daí a gente volta para o que é o mal,

[01:41:39] né, eu brinco, tem um pessoal inteiro

[01:41:41] da filosofia, tem uma área inteira da filosofia

[01:41:43] dedicada a estudar o mal,

[01:41:45] e a entender porque, ah, não, o mal é

[01:41:47] ausência de bem, o que é o bem?

[01:41:49] Ah, o bem é estar com

[01:41:51] saúde, mas aí às vezes

[01:41:53] você ficou doente e isso te

[01:41:55] deu uma vantagem depois, então isso foi ruim

[01:41:57] ou foi bom? E daí quando você vai começando

[01:41:59] a balizar assim, vai ficando

[01:42:01] difícil de definir, ah, isso é necessariamente

[01:42:03] mal, isso é necessariamente bom.

[01:42:07] Então, essas definições, elas

[01:42:09] são muito complexas, né, muito fácil

[01:42:11] quando eu falo só, ah, eu sei o que é o mal.

[01:42:13] Só que aí quando eu paro para pensar

[01:42:15] no detalhe do que é o mal, essa

[01:42:17] certeza vai sumindo. E daí

[01:42:19] um exemplo interessante, daí vamos voltar

[01:42:21] para o exorcista e para a

[01:42:23] TV e para filme, etc.

[01:42:25] O Pazuzu, que aparece no exorcismo,

[01:42:27] no exorcista, ele é uma figura,

[01:42:29] uma deidade, né, um,

[01:42:31] não vou dizer que é exatamente um deus, é um ser

[01:42:33] divino, é da Mesopotâmia.

[01:42:35] E ele é

[01:42:37] um ser que, ele é responsável pelos

[01:42:39] ventos empeixados.

[01:42:41] Mas falar vento com peste é sempre ruim.

[01:42:43] Depende, se você está sendo

[01:42:45] sitiado, a sua cidade está cercada

[01:42:47] e o vento com peste bate no exército

[01:42:49] inimigo, vontade.

[01:42:51] Então, assim, a

[01:42:53] o Pazuzu,

[01:42:55] ele é um, ele vai ser visto

[01:42:57] no, né, o, no filme do

[01:42:59] exorcista, que por sinal é um filme

[01:43:01] muito bom, eu assisti,

[01:43:03] eu demorei para assistir e falei, caraca, ele é melhor

[01:43:05] do que eu achava. Eu assisti ao início e não achei bom, não.

[01:43:07] Mas essa figura

[01:43:09] é um, então vocês veem que é um ser alado,

[01:43:11] então ele tem as asas, porque

[01:43:13] tem a ver com, tem a ver com o ar.

[01:43:15] Tem essa coisa, ah, a gente não

[01:43:17] falou tanto do demônio ter

[01:43:19] seu pato arrachado.

[01:43:21] É, por quê? Por quê? Porque

[01:43:23] um pouco essa ideia de que um ser

[01:43:25] que não é humano, ele é um híbrido

[01:43:27] de humano e animal, é uma coisa

[01:43:29] assustadora, você não vê normalmente por aí

[01:43:31] no dia a dia. Então, você ter

[01:43:33] essa coisa do pato arrachado, esse ser que é

[01:43:35] híbrido de humano e animal, seria

[01:43:37] uma coisa que traria medo

[01:43:39] e traria algo não natural.

[01:43:41] Então é por isso.

[01:43:43] Você vê que o Pazuzu também é um híbrido

[01:43:45] de humano e animal. E ele

[01:43:47] na antiguidade

[01:43:49] ele não era um demônio.

[01:43:51] Ele é um demônio quando as pessoas

[01:43:53] olham a partir de uma lente cristã

[01:43:55] para fazer um filme de Hollywood, mas aí

[01:43:57] é diferente, né?

[01:43:59] Na antiguidade ele era

[01:44:01] um ser para qual você queria do seu lado.

[01:44:03] Né? Joga o vento

[01:44:05] pestilento no outro. Obrigada.

[01:44:09] Às vezes a gente brinca que até os deuses

[01:44:11] da Mesopotâmia são tão demoníacos.

[01:44:13] Mas é porque

[01:44:15] eles têm essa coisa muito mais

[01:44:17] imprevisível e muito menos

[01:44:19] a regra do

[01:44:21] bom e mal, né?

[01:44:23] Fali.

[01:44:25] A gente tem mais uma aqui da Letícia, ela falou assim

[01:44:27] Por que o Espiritismo Cardecista

[01:44:29] rejeita a ideia de Inferno Eterno?

[01:44:31] Aí a gente precisaria

[01:44:33] de um cardecista para responder.

[01:44:35] Faz sentido.

[01:44:37] Primeiro, Letícia, obrigada pela pergunta.

[01:44:39] Eu não vou saber te responder isso com tanta

[01:44:41] propriedade justamente porque eu não sou

[01:44:43] cardecista, eu não estudei o cardecismo suficiente

[01:44:45] para dar uma

[01:44:47] boa resposta. A resposta que eu vou dar

[01:44:49] provavelmente vai ser uma resposta errada.

[01:44:51] Então eu prefiro não dar uma resposta.

[01:44:53] Perfeito. O Eduardo, ele falou assim

[01:44:55] Qual é a relação entre demônios

[01:44:57] e Satanás? Eles são independentes

[01:44:59] ou obedecem ordens do próprio diabo?

[01:45:01] Depende da

[01:45:03] interpretação, porque se a gente pensa na

[01:45:05] origem do diabo, a gente pensa

[01:45:07] na origem do termo

[01:45:09] diabo, na origem do termo satanás

[01:45:11] o satanás é um termo que vem do hebraico

[01:45:13] e o diabo é um termo que vem

[01:45:15] do latim, que muitas vezes

[01:45:17] pode ser a mesma coisa. Então

[01:45:19] o próprio diabo, sim, em português

[01:45:21] porque a gente usa esse termo, mas

[01:45:23] satanás, diabo, demônio

[01:45:25] são termos que podem ser usados

[01:45:27] de forma intercambiável.

[01:45:29] Então não tem uma…

[01:45:31] Ah, mas qual é a verdade, como eu disse pra vocês

[01:45:33] não tem uma verdade única, o que a gente tem

[01:45:35] são momentos diferentes

[01:45:37] vendo isso de forma diferente. O que não

[01:45:39] quer dizer que qualquer coisa vale, porque eu acho que

[01:45:41] deu pra ver que não é que qualquer coisa vale

[01:45:43] mas que tem variações

[01:45:45] de acordo com o período.

[01:45:47] A Letícia mandou mais um, ela

[01:45:49] falou assim, é possível separar

[01:45:51] o conceito de mal do conceito de

[01:45:53] Satanás? Sim, com certeza.

[01:45:55] O

[01:45:57] Satanás só existe pra quem faz parte

[01:45:59] de um contexto

[01:46:01] em geral cristão

[01:46:03] e é só dentro de um contexto cristão

[01:46:05] um pouquinho

[01:46:07] do contexto judaico também, enfim, mas um contexto

[01:46:09] cristão especialmente que associa o mal

[01:46:11] com uma figura que é

[01:46:13] humanóide e que é um

[01:46:15] condensado de mal puro.

[01:46:17] Várias outras religiões e vários

[01:46:19] outros povos do mundo vão ver o mal

[01:46:21] como uma coisa muito mais fluida e

[01:46:23] difundida no meio do nada

[01:46:25] misturado, então assim

[01:46:27] a gente daqui do ocidente

[01:46:29] que mistura as coisas, em outros lugares

[01:46:31] não é junto não.

[01:46:33] Isabela mandou mais um,

[01:46:35] existe uma diferença entre o diabo das

[01:46:37] religiões e o diabo do imaginário

[01:46:39] popular? Eles se misturam

[01:46:41] muito, a gente pode falar

[01:46:43] mas e a separação? A gente tem que lembrar

[01:46:45] que as pessoas da religião literalmente são

[01:46:47] pessoas e daí elas estão no meio das pessoas

[01:46:49] e na população, então o diabo

[01:46:51] popular também está permeando a

[01:46:53] religião, porque afinal as pessoas que estão

[01:46:55] no dia a dia são pessoas que vão pra

[01:46:57] religião, então assim

[01:46:59] talvez a figura do

[01:47:01] diabo, a figura do satanás e tal

[01:47:03] dentro de um contexto acadêmico, se a gente vai estudar

[01:47:05] as origens, etc, etc, realmente é muito

[01:47:07] diferente, mas a figura

[01:47:09] que a gente acredita, a figura que a gente

[01:47:11] ouve na igreja e tal, ela é muito perpassada,

[01:47:13] ela mistura muito do que a gente tem

[01:47:15] tudo misturado, né? É, porque tem

[01:47:17] gente, né? Gente é esse negócio

[01:47:19] que mistura as coisas.

[01:47:21] O Lucas, ele falou o seguinte,

[01:47:23] eu nunca consegui entender se Lúcifer

[01:47:25] é um rei do inferno ou se ele é um

[01:47:27] prisioneiro que está sendo punido no inferno,

[01:47:29] você saberia explicar?

[01:47:31] Aí depende, ó, adoro, né? Que a história da

[01:47:33] pior explicação.

[01:47:35] Vou acrescentar até isso, né? Porque

[01:47:37] uma confusão que a pessoa

[01:47:39] faz é que o demônio, segundo

[01:47:41] a bíblia, o demônio está no inferno, ele não está no

[01:47:43] inferno, ele está aqui, né?

[01:47:45] É, depende.

[01:47:47] Pelo que os pastores explicaram aqui,

[01:47:49] o entendimento é que ele vai pra lá

[01:47:51] depois. Que ele está vivendo aqui.

[01:47:53] Isso tem muito a ver com uma visão

[01:47:55] que já vem da antiguidade,

[01:47:57] de que a gente tem eras da humanidade

[01:47:59] e a gente estaria vivendo numa era

[01:48:01] em que Deus permite

[01:48:03] que o mal exista no

[01:48:05] mundo. E daí a gente volta pra

[01:48:07] aquela ideia de eras que eu falei lá

[01:48:09] da ideia de ouro, prata,

[01:48:11] bronze, da própria estátua

[01:48:13] do livro de Daniel, essa ideia

[01:48:15] de que existem períodos da humanidade

[01:48:17] e a gente está vendo um período em que Deus permite

[01:48:19] que o mal exista por aqui.

[01:48:21] Mas a ideia, será que

[01:48:23] Lúcifer é rei e tal?

[01:48:25] A gente está voltando pro texto do

[01:48:27] John Milton, quando ele fala

[01:48:29] esse debate do John Milton de ser rei

[01:48:31] no inferno, prefiro ser rei no inferno.

[01:48:33] Mas vai depender

[01:48:35] um pouco da sua interpretação,

[01:48:37] porque em alguma medida ele está

[01:48:39] teoricamente servindo a Deus, né?

[01:48:41] Então talvez ele seja um prisioneiro.

[01:48:43] Essa discussão tem inclusive

[01:48:45] em relação a Judas, né?

[01:48:47] Judas faz tanto parte do plano

[01:48:49] porque se Judas não faz o que ele

[01:48:51] tem que fazer, inclusive tem uma hora que Jesus fala

[01:48:53] vai e faz o que você tem que fazer.

[01:48:55] Se ele não vende Jesus

[01:48:57] pelas moedas e não entrega e não sei o quê,

[01:48:59] não acontece o plano.

[01:49:01] Entendeu?

[01:49:03] Ele tem um papel, então tem essa discussão?

[01:49:05] Até que ponto Judas foi o cara que mais

[01:49:07] se viu?

[01:49:09] Ele é o pior ou ele é o melhor?

[01:49:11] Claro que segundo a bíblia, o que a gente tem entendimento, ele foi o pior.

[01:49:13] Porque ele sucumbiu ao mal, né?

[01:49:15] Exatamente.

[01:49:17] Mas é a mesma coisa.

[01:49:19] É uma discussão.

[01:49:21] E não tem como a gente ter uma definição

[01:49:23] correta. Eu acho que é a coisa da

[01:49:25] gente sentar, respirar fundo e pensar.

[01:49:27] Se você vive num

[01:49:29] lugar em que você manda, ou você

[01:49:31] acha que você manda, mas você ainda serve

[01:49:33] alguém, você é livre ou não é?

[01:49:35] E daí é uma coisa pra gente questionar mais.

[01:49:39] Se você serve a um senhor,

[01:49:41] por mais que você viva uma vida

[01:49:43] confortável, você é livre, de verdade?

[01:49:47] Eu vou deixar pra vocês pensarem.

[01:49:51] Vamos então tentar

[01:49:53] fazer umas definições.

[01:49:55] Diabo, Satanás,

[01:49:57] Lúcifer, que mais? Daimon.

[01:49:59] É muito bom. Tortura é historiadora.

[01:50:01] Tudo o que a gente falou

[01:50:03] dá uma resumida.

[01:50:05] Ai meu Deus, vamos lá.

[01:50:07] Vamos tentar.

[01:50:09] Os termos

[01:50:13] que a gente usa em português pra Diabo

[01:50:15] vieram de lugares diferentes,

[01:50:17] vieram de línguas diferentes.

[01:50:19] E por serem termos que vêm de línguas diferentes,

[01:50:21] muitas vezes eles eram sinônimos.

[01:50:23] Eles eram utilizados como sinônimos.

[01:50:25] Então a gente tem Daimon, que

[01:50:27] vem do grego, que vem de

[01:50:29] uma figura que não é nem boa nem má,

[01:50:31] mas que, com o cristianismo,

[01:50:33] ele vai se tornar um termo

[01:50:35] que define uma figura malvada.

[01:50:37] E que depois vira Daimonis

[01:50:39] e Demônio em português.

[01:50:41] Quando esse termo Daimon

[01:50:43] vai ser traduzido pro latim, você usa o

[01:50:45] termo Diabolus. Então é

[01:50:47] só uma tradução do outro, que vai

[01:50:49] definir em português a palavra

[01:50:51] Diabo. E por isso muitas vezes

[01:50:53] que em português a gente usa Demônio e Diabo

[01:50:55] como uma coisa que pode ser

[01:50:57] trocada. Ah não, mas eu li

[01:50:59] que Diabos, Demônios

[01:51:01] são os Minions e Diabo

[01:51:03] é o chefe. Tudo bem, mas existem

[01:51:05] etimologicamente pode

[01:51:07] funcionar de outro jeito.

[01:51:09] Satanás. Satanás é um termo

[01:51:11] que vem do hebraico, vem de

[01:51:13] Shaitan, que significa adversário.

[01:51:15] E ele é um termo também que muitas

[01:51:17] vezes é utilizado pelas igrejas como

[01:51:19] entre

[01:51:21] Demônio, Diabo

[01:51:23] e Satanás, muitas vezes você troca um pelo

[01:51:25] outro. Mas se a gente pensar na Bíblia,

[01:51:27] Satanás aparece no livro de Jó como

[01:51:29] um adversário e não como um rei de inferno

[01:51:31] nenhum. Até porque o inferno não existe

[01:51:33] naquele texto.

[01:51:35] Ok, então Demônio,

[01:51:37] Satanás, Diabo,

[01:51:39] Lúcifer. Lúcifer é

[01:51:41] um termo, aquele que traz a luz,

[01:51:43] que é literalmente o termo dado,

[01:51:45] uma tradução em latim para um

[01:51:47] termo do hebraico que significa a Estrela da Manhã,

[01:51:49] mas que vai ser associado

[01:51:51] depois com uma figura

[01:51:53] demoníaca ou um anjo

[01:51:55] que seria um anjo rebelde

[01:51:57] que é punido, ou não,

[01:51:59] com sair do céu e ele vai

[01:52:01] reinar no inferno.

[01:52:03] Isso tudo são interpretações

[01:52:05] que vão surgir ali a partir de 1500

[01:52:07] com o livro Paraíso Perdido do

[01:52:09] John Milton. Isso solidifica e a gente meio

[01:52:11] que acredita nelas como se sempre foi assim

[01:52:13] e nem sempre foi assim.

[01:52:15] O grande resumo de tudo é

[01:52:17] nem sempre foi assim e depende, que é a pior

[01:52:19] coisa que historiador pode fazer para as pessoas ficarem

[01:52:21] felizes. Mas é legal

[01:52:23] a gente pensar que quanto mais complexo é o

[01:52:25] mundo, mais fascinante ele é, mais detalhes

[01:52:27] tem para a gente descobrir sobre ele.

[01:52:29] E então a gente sabe

[01:52:31] que na antiguidade

[01:52:33] o mal não era personificado.

[01:52:35] O mal existia, era externo

[01:52:37] aos seres humanos, mas ele não tinha

[01:52:39] uma face, ele não tinha uma

[01:52:41] descrição certinha. Mais para

[01:52:43] frente ele vai sendo, a partir

[01:52:45] de centenas e centenas de anos,

[01:52:47] as pessoas vão começando a

[01:52:49] pensar, tá, e se tiver

[01:52:51] uma face? E daí

[01:52:53] começa uma certa especialização também.

[01:52:55] Então a gente vai ter, na Goécia, que é um

[01:52:57] livro que vem de uma tradição

[01:52:59] de folclore judaico. E daí

[01:53:01] qual que é essa Goécia? Ah, cada

[01:53:03] demônio tem um papel

[01:53:05] e daí eles funcionam assim e você pode

[01:53:07] aprisioná-lo sabendo o nome deles.

[01:53:09] Essa ideia de saber o nome e nomear as

[01:53:11] coisas é muito importante. A gente nem falou

[01:53:13] tanto disso, mas saber o nome

[01:53:15] te dá poder sobre aquela coisa.

[01:53:17] Então é por isso que saber o nome do demônio

[01:53:19] seria tão importante. Essa ideia vem

[01:53:21] desde… Vem desde lá de trás.

[01:53:23] Os anjos, quando os anjos são

[01:53:25] criados e os anjos muitas vezes…

[01:53:27] É interessante isso. Os anjos na Bíblia

[01:53:29] não necessariamente,

[01:53:31] nesses textos mais antigos, eles não necessariamente

[01:53:33] são seres, eles são

[01:53:35] desejos e ordens de Deus.

[01:53:37] Então Deus fala,

[01:53:39] sei lá, Gabriel,

[01:53:41] El,

[01:53:43] significa, vem de divino

[01:53:45] e o começo da palavra

[01:53:47] é a função daquele anjo. E tem

[01:53:49] até um debate na antiguidade se os anjos

[01:53:51] deixavam de existir depois de cumprir suas funções.

[01:53:53] Porque você tem anjo do trovão,

[01:53:55] você tem anjo da chuva, você tem anjo do vento,

[01:53:57] você tem anjo de tudo.

[01:53:59] Mas aí você vê a importância de

[01:54:01] nomear. É o nome dele que faz

[01:54:03] com que ele tenha a sua função.

[01:54:05] As palavras têm poder

[01:54:07] de ação. As palavras têm poder

[01:54:09] de criação, afinal…

[01:54:11] O princípio era o verbo, né?

[01:54:13] Então a palavra é fundamental

[01:54:15] para criação. Então você saber o nome das coisas

[01:54:17] e saber nomeá-las te dá poder sobre

[01:54:19] elas. Os anjos, quando eles

[01:54:21] se apresentavam, eles se apresentavam pelo nome também?

[01:54:23] Sim, sim. Às vezes eles fingem

[01:54:25] que eles não são anjos. Aí eles se apresentam

[01:54:27] pelo nome. No livro de Tobias,

[01:54:29] o anjo não fala que ele é um anjo.

[01:54:31] Ele vai de suaçado.

[01:54:33] Mas é isso, assim, você tem

[01:54:35] essa questão da palavra. É muito forte, né?

[01:54:37] Acho bonito.

[01:54:39] Que mais, Tupã? É isso?

[01:54:41] Faltou alguma coisa?

[01:54:43] Faltou alguma coisa? A gente pode falar rapidinho

[01:54:45] também da consolidação

[01:54:47] da figura do demônio.

[01:54:49] Como é que o demônio tem chifre, é vermelho,

[01:54:51] tem asinha, enxofre

[01:54:53] e tudo mais. Isso é…

[01:54:55] A gente pega um pote

[01:54:57] gigante de referências de um monte

[01:54:59] de lugares separados e mistura

[01:55:01] todas elas ao longo de centenas

[01:55:03] de anos. E depois de um

[01:55:05] tempo, chegando no século 19 e no século

[01:55:07] 20, começa a ter

[01:55:09] esse negócio que é a indústria do cinema,

[01:55:11] que vai meio que refinar todas

[01:55:13] essas referências e consolidar

[01:55:15] elas numa imagem que a gente usa até hoje,

[01:55:17] que é essa ideia do demônio, é sempre de

[01:55:19] chifrinho e tal. E aí alguém vai me perguntar

[01:55:21] ah, mas, Tupã, eu li

[01:55:23] que o Tridente é porque estava demonizando

[01:55:25] os deuses gregos.

[01:55:27] Também, gente, também. Só que

[01:55:29] não é tão direto assim, não é como se

[01:55:31] tivesse tido um grande

[01:55:33] encontro de padres malvados

[01:55:35] e eles se reunirem e falaram

[01:55:37] vamos fazer essas coisas

[01:55:39] malvadas, tudo será malvado. Não foi assim.

[01:55:41] A gente tem que lembrar que as pessoas

[01:55:43] que eram padres tinham sido criadas

[01:55:45] também nessas outras culturas. Eles estão

[01:55:47] tentando entender e interpretar

[01:55:49] o cristianismo com base no que eles já tinham

[01:55:51] da cultura deles de antes.

[01:55:53] E daí você vai misturando, por isso que eu falo do pote.

[01:55:55] É um pote gigante

[01:55:57] de referências que depois de

[01:55:59] ferver por horas e horas e horas e milênios

[01:56:01] você tem as referências que chegam até

[01:56:03] a gente. Talvez daqui a 100, 200 anos

[01:56:05] essas referências se modifiquem um pouco.

[01:56:07] É, com certeza.

[01:56:09] Agora, com a tecnologia, né?

[01:56:11] O demônio da IA.

[01:56:13] Tupá, obrigado demais pelo papo aí.

[01:56:15] Eu que agradeço o convite.

[01:56:17] Espero que voltemos com outros assuntos, mas

[01:56:19] você não está livre, não.

[01:56:21] Se você está pensando que acabou o papo, né?

[01:56:23] São três perguntas aí que a gente faz

[01:56:25] para todo mundo que vem pela primeira vez.

[01:56:27] É tipo o clube da luta.

[01:56:29] Eu posso contar as perguntas para os outros?

[01:56:31] Pode.

[01:56:33] Aqui você pode.

[01:56:35] É o clube da luta?

[01:56:37] Está sendo filmado ao vivo, então a galera já vai saber.

[01:56:39] Primeira pergunta é qual foi o momento mais difícil da tua carreira

[01:56:41] ou da tua vida, Tupá?

[01:56:43] Mais difícil?

[01:56:45] Gente, é muito um momento difícil da vida, sim.

[01:56:47] Eu acho que

[01:56:49] essa resposta vai mudar

[01:56:51] com o tempo, mas nos últimos tempos

[01:56:53] foi a pandemia.

[01:56:55] Eu perdi três tios

[01:56:57] e o meu pai em sequência muito

[01:56:59] curta na pandemia.

[01:57:01] Eu não tive a oportunidade de dar tchau para nenhum deles.

[01:57:05] Teu pai também?

[01:57:07] Meu pai é uma pessoa incrível. Morava em Florianópolis.

[01:57:09] Ele morreu em 2021.

[01:57:11] No começo de 2021.

[01:57:13] Na segunda onda?

[01:57:15] Na segunda onda.

[01:57:17] Ele não morreu de Covid, mas ele morreu de consequências da pandemia.

[01:57:19] O que é?

[01:57:21] Meu pai teve uma crise de

[01:57:23] convulsões em casa

[01:57:25] e os hospitais

[01:57:27] estavam todos super lotados e não tinha

[01:57:29] ambulância. Meu pai ficou mais de três horas convulsionando

[01:57:31] sozinho.

[01:57:33] Se tivesse um atendimento mais rápido?

[01:57:35] Ah, Tupá, ele teria vivido muito mais.

[01:57:37] Eu não sou essa pessoa.

[01:57:39] Mas ele não precisava ter sofrido o que ele sofreu.

[01:57:41] Isso para mim é uma coisa que

[01:57:43] dói muito lá no fundo.

[01:57:45] Mas é difícil achar

[01:57:47] um momento terrível porque é isso.

[01:57:49] A vida é cheia de momentos terríveis.

[01:57:51] E momentos maravilhosos também.

[01:57:53] Pois é.

[01:57:55] Pesei o clima, foi mal.

[01:57:57] E a tua crença?

[01:57:59] Você culpa o mal?

[01:58:01] Você acha que é totalmente randômico?

[01:58:03] É uma coisa aleatória?

[01:58:05] Não, não.

[01:58:07] Eu acho que a vida é uma coisa

[01:58:09] de caos, mas nesse caso

[01:58:11] específico eu vejo como uma gestão

[01:58:13] incorreta de um governo.

[01:58:15] Não, tudo bem. Eu não estou falando

[01:58:17] no plano material.

[01:58:19] Existe alguma coisa além?

[01:58:21] Não, para mim é caos.

[01:58:23] É caos mesmo?

[01:58:25] Eu realmente acho que a vida

[01:58:27] é aleatória.

[01:58:29] E a gente tenta colocar significado

[01:58:31] nessas coisas.

[01:58:33] Eu não estou adicionado com isso.

[01:58:35] Eu brinco que…

[01:58:37] Aquela pergunta que você fez no começo.

[01:58:39] O que acontece com coisas ruins?

[01:58:41] Com pessoas incríveis.

[01:58:43] Porque a vida é assim.

[01:58:45] Não tem uma explicação.

[01:58:47] Eu não consigo dar uma explicação

[01:58:49] que me faça ficar…

[01:58:51] E que possa ser replicada.

[01:58:53] Sempre que o meu pai é assim,

[01:58:55] não tem isso.

[01:58:57] Eu acho que existe uma aleatoriedade

[01:58:59] da vida. Infelizmente é.

[01:59:01] Eu sei dessa possibilidade

[01:59:03] e ela me deixa muito triste

[01:59:05] se for verdade.

[01:59:07] Eu sei que existe essa possibilidade e é muito forte.

[01:59:09] E se ela for a verdade,

[01:59:11] é uma pena.

[01:59:13] Não, é maravilhoso como ideia,

[01:59:15] como conceito, mas para a gente

[01:59:17] como…

[01:59:19] A gente tem quase nenhum controle.

[01:59:21] A gente tem zero controle.

[01:59:23] A vida não está nem aí.

[01:59:25] Você planeja…

[01:59:27] Você não sabe nada.

[01:59:29] Eu tive…

[01:59:31] Minha mãe faz essa piada comigo

[01:59:33] com frequência porque ela fala…

[01:59:35] As fiandeiras…

[01:59:37] Os nórdicos tinham essa ideia

[01:59:39] de que tinham as fiandeiras que estavam tecendo o tapete da sua vida.

[01:59:41] E toda vez que você faz um plano,

[01:59:43] elas riem da sua cara e testem outra coisa.

[01:59:45] Então, vai que é isso.

[01:59:47] Mas eu realmente acho…

[01:59:49] E daí isso é uma coisa muito de fé,

[01:59:51] porque cada um tem a sua.

[01:59:53] E…

[01:59:55] A que faz mais sentido para mim é o caos.

[01:59:57] E não é que é uma coisa que me deixa tranquila, necessariamente.

[01:59:59] Tem a magia do caos, você sabe também, né?

[02:00:01] Tem, mas deixa isso aí para os meus amigos.

[02:00:03] Eu tenho amigos que são.

[02:00:05] Grant Morrison é um…

[02:00:07] Isso, deixa esse pessoal, tudo bem.

[02:00:09] Mas não é a minha vibe.

[02:00:11] A segunda pergunta tem a ver com o que a gente está falando aqui.

[02:00:13] A gente vai para o meio-dia, essa aleatoriedade.

[02:00:15] A gente nunca sabe quando e porquê e se tem alguma coisa além.

[02:00:17] Mas esse vídeo a gente sabe

[02:00:19] que fica além da gente aqui,

[02:00:21] se não acabar tudo, né?

[02:00:23] Então manda um recado para 200 anos no futuro,

[02:00:25] e a gente vai sabendo aqui quais seriam suas últimas palavras,

[02:00:27] teu epitáfio.

[02:00:29] É, gente, foi massa, mas…

[02:00:31] foi caos.

[02:00:33] É isso.

[02:00:35] Foi muito legal, né?

[02:00:37] Tô me divertindo horrores.

[02:00:39] Mas às vezes não tanto.

[02:00:41] E a terceira pergunta é qual a tua dúvida atual?

[02:00:43] Imagino que você se faça perguntas,

[02:00:45] pega a tua atual antes de dormir,

[02:00:47] que você fica pensando.

[02:00:49] Nossa, o que que eu penso muito antes de dormir?

[02:00:51] Eu durmo muito rápido, eu não penso muito antes de dormir.

[02:00:53] Nossa, que inveja!

[02:00:55] Fui dormir às cinco horas da manhã

[02:00:57] porque simplesmente eu não conseguia dormir.

[02:00:59] É meu superpoder.

[02:01:01] E deitou as duas.

[02:01:03] Não, deitei aqui, pô. Acabou cedo o podcast ontem aqui.

[02:01:05] É meu superpoder, eu durmo.

[02:01:07] Eu tinha esse poder.

[02:01:09] Eu espero não perdê-lo.

[02:01:11] Eu acho que das coisas que eu mais me questiono ultimamente

[02:01:13] é justamente

[02:01:15] é entender…

[02:01:17] Eu quero muito entender

[02:01:19] como que a…

[02:01:21] Como que a ideia de demônio influencia a sociedade contemporânea.

[02:01:25] Ou seja,

[02:01:27] como que a gente pega tudo isso que a gente debateu

[02:01:29] e muito mais,

[02:01:31] essa grande sopa de referências

[02:01:33] e de repente tem uma igreja falando A

[02:01:35] e outra igreja falando B

[02:01:37] e isso tá influenciando a política.

[02:01:39] Sabe que isso é uma pesquisa nos Estados Unidos

[02:01:41] que mostra que pessoas que acreditam em um demônio

[02:01:43] votam mais no Trump?

[02:01:47] Cara, que associação!

[02:01:49] Pois é, e daí a referência…

[02:01:51] Mas acreditam no demônio ou a pergunta era diferente?

[02:01:53] Acreditam em um mal?

[02:01:55] Acreditam no demônio.

[02:01:57] Isso. E daí não é? Não tem nada a ver.

[02:01:59] Porque muita gente fala que ele pode ser o anticristo.

[02:02:01] É não, mas não tem nada a ver com isso.

[02:02:03] É porque tem a ver com a ideia de que a maior parte

[02:02:05] das pessoas que acreditam no demônio

[02:02:07] e daí isso nesse paper que fizeram,

[02:02:09] e é um contexto dos Estados Unidos,

[02:02:11] eu não tô passando ele pro Brasil, tá?

[02:02:13] Essas pessoas elas também tendem a acreditar

[02:02:15] mais na ideia de fim dos tempos

[02:02:17] e na ideia de que tenham salvador

[02:02:19] e daí eles acreditam muito mais

[02:02:21] que o Trump pode ser essa figura de salvação.

[02:02:23] Entendi.

[02:02:25] Se o pessoal estudar melhor, essa pessoa que vai

[02:02:27] parecer que vai salvar,

[02:02:29] mas não vai, é o anticristo.

[02:02:31] Será?

[02:02:33] É, mas tem essa ideia.

[02:02:35] É o cara que parece que vai ser o salvador.

[02:02:37] É o cara que faz acordo de paz.

[02:02:39] Mas no fundo…

[02:02:41] Vai começar a tribulação a partir daí.

[02:02:43] Inclusive com a construção do terceiro templo, né?

[02:02:45] É, terceiro templo.

[02:02:47] Se você ouvir em algum lugar que tá construindo

[02:02:49] o terceiro templo, corra pra montanha.

[02:02:51] Mas tem bastante templo já.

[02:02:53] E daí é muito louco, né, porque uma parte

[02:02:55] posterior à destruição do templo,

[02:02:57] uma galera vai falar, não, na real

[02:02:59] o terceiro templo é celeste.

[02:03:01] Ele jamais vai ser construído na terra, né?

[02:03:03] Tem várias interpretações, é.

[02:03:05] Assim como o milênio também.

[02:03:07] Essas coisas de tempo na Bíblia, é o tempo assim?

[02:03:09] São mil anos, um dia são mil anos?

[02:03:11] Várias contas.

[02:03:13] Muito ótimas pra serem feitas.

[02:03:15] Inclusive, foi semana passada que era pra ter

[02:03:17] acabado o mundo?

[02:03:19] Ah, não, era pra ter um arrebatamento.

[02:03:21] Arrebatamento de semana passada, não foi?

[02:03:23] Dia 23 pra 24?

[02:03:25] 24.

[02:03:27] Você sabe que o arrebatamento é uma ideia

[02:03:29] que tem menos de 100 anos?

[02:03:31] É uma ideia dos Estados Unidos.

[02:03:33] Tanto é que vem de um pastor dos Estados Unidos.

[02:03:35] Porque já existia um debate há muito tempo,

[02:03:37] eu falando mais loucamente,

[02:03:39] a gente encerrando e eu falando.

[02:03:41] Mas sempre existiu esse debate do que vai acontecer no fim dos tempos.

[02:03:45] Certo.

[02:03:47] Aí a terra vai gemer, as corpos, as pessoas vão voltar,

[02:03:49] vai todo mundo acender pro céu?

[02:03:51] Sempre teve esse debate.

[02:03:53] Mas aí tem um pastor nos Estados Unidos, que eu esqueci o nome agora,

[02:03:55] em 1800 e tanto,

[02:03:57] que ele vai virar e vai falar, não, na real

[02:03:59] o que vai acontecer é que as pessoas serão arrebatadas.

[02:04:01] Elas irão…

[02:04:03] Serão tiradas da terra e irão para a coisa

[02:04:05] porque as outras pessoas vão sofrer o tempo

[02:04:07] de tribulações aqui na terra.

[02:04:09] Mas isso é uma ideia recente.

[02:04:11] Antes as pessoas acreditavam que…

[02:04:15] Acreditavam em outras formas,

[02:04:17] de que, ah, todo mundo vai morrer

[02:04:19] e as almas que vão,

[02:04:21] isso vai ser uma coisa não certo.

[02:04:23] Não, tem uma descrição, já fizemos até,

[02:04:25] pré-tribulacionista,

[02:04:27] pós-tribulacionista,

[02:04:29] medo.

[02:04:31] Tem gente que acha que a Igreja de Cristo

[02:04:33] vai ser arrebatada antes,

[02:04:35] outros que vão passar pela tribulação.

[02:04:37] Tribulação e só depois.

[02:04:39] Pois é, e essa discussão

[02:04:41] é relativamente recente.

[02:04:43] Tem muita discussão, de novo, né?

[02:04:45] Acho que isso que é mágico da história, entender que

[02:04:47] o que a gente acha que sempre existiu não existiu.

[02:04:49] Não. Não, foi de agora.

[02:04:51] Esse programa, inclusive, não existiu.

[02:04:53] Você tá vendo isso aqui, não existiu.

[02:04:55] O Bigoda não existe.

[02:04:57] É só uma voz.

[02:04:59] É só uma voz e um penteado ridículo.

[02:05:01] Não é bonito, pode falar.

[02:05:03] Assistiu o nome da Rosa?

[02:05:05] Ajuda o Sean Connery.

[02:05:07] Parece um pouco.

[02:05:09] Assiste depois, ele tem esse cabelinho.

[02:05:11] Vou dizer que o nome da Rosa

[02:05:13] é um livro que me deixou muito frustrada

[02:05:15] por muito tempo. Por quê?

[02:05:17] Porque ele termina com a frase em latim e não tinha tradução

[02:05:19] na cópia que eu ganhei.

[02:05:21] E não tinha Google? Não tinha Google?

[02:05:23] Eu peguei esse livro e tava lá, estátia, rosa, prit, nanômena,

[02:05:25] nômena nuda tenemos.

[02:05:27] E eu falei, o que ele tá me falando?

[02:05:29] Porque, enfim, concluímos que

[02:05:31] frase em latim, eu falo…

[02:05:33] E aí?

[02:05:35] Aí eu não sei.

[02:05:37] Coloquem nos comentários.

[02:05:39] Tá em aberto.

[02:05:41] O Bigoda, é contigo aí, Bigoda.

[02:05:43] Agradecer aí o pessoal, né?

[02:05:45] É isso aí, agradecer todo mundo que chegou até o final dessa live.

[02:05:47] Deixa aquele like maroto.

[02:05:49] Exatamente, deixa o seu like e também se inscrever no canal

[02:05:51] pra ajudar a gente a bater a meta de 6 milhões de inscritos.

[02:05:53] 6 milhões?

[02:05:55] Ah, melhor.

[02:05:57] Posso pedir pras pessoas se inscreverem no meu canal também?

[02:05:59] Isso. Passa em suas redes sociais.

[02:06:01] Normalmente, as redes sociais

[02:06:03] arrobatupaguerra, que é o meu nome, literalmente.

[02:06:05] Então, você me acha… Faz sentido.

[02:06:07] Né? Em vários lugares aí.

[02:06:09] E amanhã, 7 da noite,

[02:06:11] vai lançar o meu podcast,

[02:06:13] Uma Tupa No Tempo. Onde?

[02:06:15] Vai lançar no YouTube.

[02:06:17] Mas vai ter também, pra quem é velho

[02:06:19] que nem eu e gosta de ouvir só áudio,

[02:06:21] vai ter também só áudio.

[02:06:23] Mas sabe o que dá pra fazer? Dá pra assistir no YouTube

[02:06:25] e não olhar. Dá também.

[02:06:27] Mas é que às vezes o YouTube você não paga aí,

[02:06:29] fecha o celular e…

[02:06:31] Eu tô falando isso porque quando eu trabalhava com publicidade,

[02:06:33] a gente tinha que mandar uns vídeos lá pra eles de animação.

[02:06:35] Sim.

[02:06:37] Aí o cara mandou assim, falou, putz, mas

[02:06:39] o áudio não tá aprovado. Eu queria ver só a imagem.

[02:06:41] Vocês mandaram a imagem e o áudio.

[02:06:43] A gente falou assim, é só você abaixar o volume.

[02:06:45] Tem essa magia.

[02:06:47] Ah, é? Obrigado. Desculpa aí.

[02:06:49] Olha essa magia. Tá me atrapalhando aqui.

[02:06:51] Só deixar mutado. É, só deixar mutado.

[02:06:53] Desculpa aí, tá certo.

[02:06:55] Tem essa magia aí.

[02:06:57] Eu vou dar um curso.

[02:06:59] Dia 1º de novembro eu vou dar um curso

[02:07:01] sobre a origem do diabo. Só que um curso

[02:07:03] de 6 horas mais aprofundado.

[02:07:05] Onde? Online.

[02:07:07] Onlines?

[02:07:09] Se procurar nas… No seu Instagram vai achar essa informação?

[02:07:11] No meu Instagram tem essa informação. Essa informação vai estar lá.

[02:07:13] Vai ser com o pessoal do Mundo Freak Confidencial.

[02:07:15] Boa, boa, boa. Obrigado demais Tupá.

[02:07:17] Que papo legal. Eu que agradeço.

[02:07:19] Muita gente pedindo, muita gente

[02:07:21] te indicando aí, né?

[02:07:23] Obrigado. Muita gente, muita gente.

[02:07:25] O que o pessoal escreve nos… Olha o que você vai colocar, hein, cara.

[02:07:27] O que o pessoal escreve nos comentários

[02:07:29] pra provar que chegou até o final desse papo.

[02:07:31] Ó, pra você provar que chegou até aqui, dita aí.

[02:07:33] Bandeirinha do Havaí.

[02:07:37] Que não é do Havaí.

[02:07:39] Não é do Havaí. Ah, não diga.

[02:07:41] Agora eu sei de qual estado que é.

[02:07:43] Eu vou atrás até da bandeirinha do Havaí.

[02:07:45] Agora eu fiquei curioso. Para não saber qual que é.

[02:07:47] Escrevam bandeira do Havaí então nos comentários

[02:07:49] que a gente sabe que você chegou até o final. Fiquem com Deus. Beijo no cotovelo.

[02:07:51] Vou ficar com o demônio também se você quiser, né?

[02:07:53] E é legal que vocês vieram aí. Até mais.