Inovação à brasileira — com Amanda Graciano
Resumo
Cris Dias recebe Amanda Graciano, economista e estrategista de negócios, para um mergulho no conceito e na prática da inovação corporativa no Brasil. A conversa começa desmistificando o termo “inovação”, que no dicionário significa simplesmente “fazer coisa diferente”, mas que no contexto empresarial depende profundamente do entendimento do negócio, do segmento e da cultura local. Amanda critica a visão de que a inovação deve ficar restrita a uma área específica, argumentando que todos os departamentos deveriam inovar, e destaca a importância de profissionais que atuem como “pontes” entre diferentes disciplinas.
O diálogo avança para os desafios estruturais que impedem a inovação, com foco na mentalidade de curto prazo predominante no mundo corporativo. Os sistemas de incentivo, como bônus atrelados a resultados trimestrais, desencorajam experimentações que demandam tempo para amadurecer. Amanda compartilha experiências de sua carreira, incluindo a criação de novas unidades de negócio dentro de grandes corporações, e discute a necessidade de redesenhar essas cadeias de recompensa para permitir ciclos de inovação mais longos.
Uma parte significativa da discussão é dedicada à cultura brasileira e sua relação com a inovação. Os participantes analisam a tendência histórica de copiar modelos estrangeiros (“copycats”) e a busca por validação externa, que reflete uma mentalidade colonizada. No entanto, também celebram características nativas como o “jeitinho” (interpretado como flexibilidade e capacidade de encontrar soluções alternativas) e a habilidade única do Brasil de assimilar e ressignificar culturas externas sem aniquilá-las, criando algo novo e adaptado ao contexto local.
A conversa também aborda o impacto da inteligência artificial (IA), que é vista não como uma ferramenta isolada, mas como uma nova “forma de trabalhar” que será ubíqua. Amanda argumenta que a IA exigirá um repertório robusto e habilidades de comunicação para ser usada de forma eficaz, e que seu maior risco está na falta de governança e legislação, especialmente em um ano eleitoral marcado por desinformação. Ela encerra incentivando o público a buscar conhecimento em fontes acessíveis como o Sebrae e a participar de ecossistemas de inovação para entender e moldar essa nova realidade.
Indicações
Concepts
- Oceano Azul vs. Oceano Vermelho — Estratégia de mercado explicada por Amanda: Oceano Azul representa mercados com baixa concorrência e novas oportunidades, enquanto Oceano Vermelho são mercados saturados com muitos concorrentes.
- Business Model Canvas — Ferramenta (quadro de modelo de negócio) mencionada como um mapa visual que ajuda a entender como uma empresa ganha dinheiro, com elementos como fontes de receita, parceiros-chave e métricas.
Events
- South by Southwest (SXSW) — Mencionado várias vezes como um grande evento internacional de inovação e cultura, mas também criticado por ser uma fonte de validação externa que os brasileiros muitas vezes buscam de forma excessiva.
- Startup Weekend — Amanda relata sua experiência rodando o Brasil por cinco anos com este evento de 54 horas, onde pessoas formam times para criar e testar um produto, destacando como as ideias variam drasticamente dependendo da realidade local.
Organizations
- Sebrae — Recomendado como fonte essencial de conhecimento para empreendedores, especialmente de pequenas e médias empresas, com conteúdo sobre crédito, tecnologia e gestão de fluxo de caixa.
- Cubo Itaú — Citado como um hub de inovação em São Paulo que reúne startups de diversos segmentos (agro, beleza, fintech), proporcionando um ambiente rico para aprendizado e networking com diferentes perspectivas de negócio.
Publications
- Newsletters da Amanda Graciano — Amanda menciona suas três newsletters: uma sobre negócios e tecnologia (‘antes do café’), uma sobre como usar ferramentas de IA (‘IAE’), e uma versão em inglês da IAE (‘Brands Patch’).
Linha do Tempo
- 00:01:11 — Introdução ao tema da inovação corporativa — Cris Dias apresenta o episódio, confessando sua própria confusão com o termo “inovação”, que é usado há muito tempo mas nem sempre é bem compreendido. Ele convida Amanda Graciano para ajudar a esclarecer o estado atual da inovação, especialmente dentro das empresas, e como isso se relaciona com diferentes cargos e culturas organizacionais. A ideia é desmistificar o conceito e torná-lo mais acessível.
- 00:06:17 — Definindo o que é (e o que não é) inovação — Amanda Graciano define inovação, começando pelo significado básico do dicionário: “fazer coisa diferente”. Ela ressalta que o contexto é crucial – algo pode ser inovador em um lugar e não em outro. No ambiente corporativo, inovar pode significar mudar processos, tecnologias ou produtos para serem mais rápidos, melhores ou diferentes. Ela critica a ideia de uma “área de inovação” isolada, argumentando que a responsabilidade deveria ser de todos.
- 00:15:01 — O maior inimigo da inovação: o pensamento de curto prazo — Amanda identifica a mentalidade de curto prazo como o principal obstáculo à inovação nas empresas. Ela explica que os sistemas de incentivo, como salários e bônus, são estruturados em ciclos trimestrais ou anuais, o que desencoraja projetos que demandam mais tempo para amadurecer. As pessoas optam por fazer “mais do mesmo”, que garante resultados imediatos, em vez de arriscar em algo novo que pode dar retorno apenas no longo prazo.
- 00:29:08 — O “jeitinho brasileiro” como habilidade empreendedora — A conversa explora o conceito do “jeitinho brasileiro”, muitas vezes visto de forma pejorativa. Amanda propõe uma releitura: essa capacidade de encontrar caminhos alternativos e flexíveis para resolver problemas é, na verdade, uma habilidade empreendedora poderosa. Ela argumenta que os brasileiros aplicam essa criatividade na vida pessoal, mas pouco a levam para o mundo corporativo, onde poderia ser um grande diferencial para a inovação.
- 00:35:48 — Da cópia para a inovação genuinamente brasileira — Os participantes discutem a evolução do ecossistema de inovação no Brasil, que passou de uma fase de “copycats” (cópias de modelos estrangeiros como Uber ou Netflix) para uma maturidade onde surgem soluções genuinamente brasileiras, como o Pix e fintechs avançadas. Eles celebram invenções locais como o boleto bancário, criado para resolver problemas específicos do contexto nacional, e argumentam que o Brasil deve parar de buscar validação externa e valorizar suas próprias criações.
- 00:53:29 — A busca por validação externa e a mentalidade colonizada — Amanda analisa a tendência, especialmente em São Paulo, de buscar validação em eventos internacionais como o South by Southwest. Ela vê isso como um reflexo de uma mentalidade colonizada, que ensina que “o mais legal está do lado de fora”. No entanto, ela contrasta isso com a curiosidade que estrangeiros têm sobre as soluções brasileiras, sugerindo que o país é um celeiro de ideias que o mundo observa, mas que os próprios brasileiros muitas vezes tentam “matar” para se parecerem com o “norte global”.
- 01:05:41 — Inteligência Artificial: revolução na forma de trabalhar — Amanda discute a inteligência artificial não como uma ferramenta, mas como uma mudança fundamental na forma como se trabalha – uma revolução comparável à eletricidade ou à internet. Ela argumenta que a IA exigirá um bom repertório e habilidades de comunicação para ser usada de forma eficaz, pois ferramentas que dão a mesma resposta para todos nivelam por baixo. O diferencial será a capacidade humana de contextualizar, editar e aplicar critério.
- 01:20:00 — Onde buscar conhecimento sobre inovação no Brasil — Para finalizar, Amanda dá recomendações práticas para quem quer se aprofundar em inovação e IA no Brasil. Ela sugere começar pelo Sebrae, que oferece conteúdo acessível e relevante para pequenas e médias empresas, que formam a maior parte do tecido empresarial brasileiro. Ela também menciona ecossistemas como o Cubo Itaú e eventos setoriais como formas de se conectar com diferentes perspectivas e aprender na prática.
Dados do Episódio
- Podcast: Boa Noite Internet
- Autor: Ampère
- Categoria: Society & Culture Philosophy Health & Fitness Mental Health
- Publicado: 2025-10-05T23:00:00Z
- Duração: 01:25:42
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/bebaacf0-d567-0136-3249-08b04944ede4/episode/038281d1-8865-4ae8-9c2d-8a45111b19bb
- UUID Episódio: 038281d1-8865-4ae8-9c2d-8a45111b19bb
Dados do Podcast
- Nome: Boa Noite Internet
- Tipo: episodic
- Site: https://boanoiteinternet.com.br/podcast
- UUID: bebaacf0-d567-0136-3249-08b04944ede4
Transcrição
[00:00:00] A gente quer ser um negócio que está lá fora.
[00:00:01] E que, mais uma vez, para mim, volta muito numa lógica cultural
[00:00:04] de quem foi colonizado, ensinado que o mais legal é o que está do lado de fora
[00:00:08] e não necessariamente aqui.
[00:00:09] Porque uma coisa que mata a inovação é o nosso pensamento de curto prazo.
[00:00:13] Porque o resultado que a gente vai dar no curto prazo,
[00:00:15] o salário, o bônus, tudo que…
[00:00:17] A nossa cadeia de incentivos, especialmente os financeiros no mundo do trabalho,
[00:00:23] elas são uma perspectiva de curto prazo.
[00:00:26] E algumas coisas, quando a gente vai falar de inovação,
[00:00:28] elas demandam tempo.
[00:00:30] Porque uma vez que você entende que a área de inovação
[00:00:32] não está na linha final de nada, no balanço,
[00:00:35] ela não é uma área que entrega nada,
[00:00:38] você vai para a área que entrega coisa
[00:00:40] e vai fazer coisa diferente na área que entrega.
[00:00:42] Eu brinco que o ser humano é uma boa maquininha de repetir.
[00:00:44] Se a gente estuda bem a história,
[00:00:46] a gente se assusta menos com algumas coisas
[00:00:48] e até com a nossa série de comportamentos.
[00:00:50] O ciclo de adoção das coisas é a mesma para a tecnologia,
[00:00:54] para a roupa, para quase tudo em termos de comportamento.
[00:01:00] Boa noite, internet.
[00:01:05] Boa noite, Brasil.
[00:01:06] Eu sou o Cris Dias e hoje aqui a gente vai falar de inovação.
[00:01:11] Inovação corporativa, inovação.
[00:01:14] Já começa por aí.
[00:01:15] Inovação é um termo que eu já escuto há muito tempo.
[00:01:19] Precisamos inovar.
[00:01:20] Tem uma área de inovação aqui na empresa.
[00:01:22] Qual é a sua política de inovação?
[00:01:24] Lugares chamados com inovação no nome e tal.
[00:01:26] E eu confesso que às vezes eu me sinto meio por fora,
[00:01:29] que eu não estou entendendo.
[00:01:31] Às vezes eu acho que eu estou simplificando demais,
[00:01:33] que eu estou complicando demais.
[00:01:35] Então eu resolvi assumir minha ignorância,
[00:01:39] minha falta de conhecimento
[00:01:40] e trazer uma convidada aqui para me ajudar a entender,
[00:01:44] para a gente ficar pensando sobre o estado atual da inovação,
[00:01:47] porque também é isso.
[00:01:48] Eu já escuto há tanto tempo que coisas já mudaram.
[00:01:51] Ajudar você aí que está assistindo, que está ouvindo também,
[00:01:53] entender como isso funciona ou não dentro da sua empresa,
[00:01:57] dependendo, inclusive, do seu caráter,
[00:01:59] do seu cargo na empresa.
[00:02:01] Quem eu convidei aqui hoje?
[00:02:02] A Amanda Graciano é economista e estrategista de negócios
[00:02:06] e uma das principais vozes sobre o futuro dos negócios,
[00:02:10] inovação e inteligência artificial no Brasil.
[00:02:13] Fundadora da Trama,
[00:02:14] ela compartilha conteúdo sobre tecnologia e negócios
[00:02:17] em palestras TEDx nas suas três newsletters.
[00:02:22] Três newsletters.
[00:02:22] Três.
[00:02:23] Acho que eu vou parar em três.
[00:02:25] Vou parar em sua coluna mensal no Estadão.
[00:02:28] Amanda, boa noite.
[00:02:29] Enfim, boa noite, internet.
[00:02:31] Boa noite.
[00:02:32] Boa noite, internet.
[00:02:33] Gente, eu estou muito feliz de estar por aqui
[00:02:36] e de a gente bater esse papo.
[00:02:38] Cris é uma super inspiração.
[00:02:40] Pelo podcast também, porque eu gosto de escrever, né?
[00:02:42] Isso.
[00:02:42] Então, gente, como é que a gente faz isso daqui crescer mais,
[00:02:46] chegar em mais pessoas e sair da superficialidade, né?
[00:02:49] Ficar apavorada.
[00:02:50] Como é que a gente consegue?
[00:02:51] Depois a gente grava um só para o Cris dar essas dicas para nós.
[00:02:55] Não, mas eu que venho.
[00:02:55] Você que é top voice do LinkedIn, eu só estou convidando top voice,
[00:02:59] porque eu quero virar top.
[00:02:59] Eu quero virar top voice.
[00:03:00] Então, depois eu quero o curso infoproduto seu, como virar top voice.
[00:03:05] Mas um fun fact de top voice, eu sou top voice da segunda lista do Brasil.
[00:03:10] Isso, 2018, 2019.
[00:03:13] Aí, quando a Amanda me mandou a mensagem…
[00:03:15] Menina, porque na minha terra é menina e menino que a gente chama as pessoas.
[00:03:17] Sou mineira.
[00:03:18] Aí, quando a Amanda mandou a mensagem, eu olhei e pensei.
[00:03:22] Legal.
[00:03:23] O que é isso?
[00:03:25] Aí, eu fui jogar no Google, porque não tinha um GPT nem nada.
[00:03:29] Joguei no Google para tentar entender o que era aquilo que a Amanda estava me falando.
[00:03:33] Porque ela era uma pessoa que trabalhava no LinkedIn.
[00:03:35] Me deu parabéns do negócio que eu não…
[00:03:37] Eu falei, eu vou ficar feliz, mas deixa eu descobrir se é uma coisa que eu me preocupo.
[00:03:41] Se eu tenho que pagar, eu já tive essa dúvida.
[00:03:43] Uma vez me mandaram, 2011, 2012.
[00:03:46] Não, estamos trazendo para o Brasil uma empresa que faz isso, aquilo, aquilo lá.
[00:03:50] E a gente queria que você participasse da primeira edição.
[00:03:53] E eu, assim, é para eu pagar ou é para eu receber?
[00:03:56] Eu ainda não entendi até hoje.
[00:03:58] Enfim.
[00:03:59] Então, virou um negócio gigante e…
[00:04:01] Enfim, perdi minha chance.
[00:04:03] Tenho tratado isso em terapia até hoje.
[00:04:05] Perdi minha chance.
[00:04:06] Mas aí, foi isso.
[00:04:06] Depois eu descobri.
[00:04:07] Eu falei, ah, tem um negócio de dados e tal.
[00:04:09] E, de fato, eu sempre trabalhei com inovação.
[00:04:11] Sempre é muito tempo.
[00:04:12] Mas, assim, há alguns anos eu trabalho com inovação.
[00:04:15] E, realmente, os posts tinham muito engajamento.
[00:04:18] Boa.
[00:04:18] Mas, eu aprendi há muitos anos atrás.
[00:04:20] Você faz conteúdo, né?
[00:04:21] Você não fica desesperado se vai dar like ou não.
[00:04:24] Porque é um negócio muito sofrido se você ficar fazendo só para isso.
[00:04:27] Você é uma pessoa bem resolvida.
[00:04:29] E, em dia…
[00:04:29] Eu não sou muito ansiosa.
[00:04:31] E, eu acho que, com o tempo, eu decidi não ficar preocupando-me com o que os outros acham.
[00:04:35] Não, vamos lá.
[00:04:36] É bom.
[00:04:36] É isso.
[00:04:37] Inovação é isso aí.
[00:04:38] Viu?
[00:04:38] Eu juro, na hora que eu estou escrevendo, eu estou só botando para fora.
[00:04:44] Tanto que eu tenho a brincadeira que eu escrevo melhor quando eu estou com raiva.
[00:04:46] Estou ali.
[00:04:47] Ah, tinha uma ideia.
[00:04:47] Vou fazer aqui.
[00:04:48] Menino, verdade.
[00:04:49] É melhor.
[00:04:49] E aí, só que no momento que eu aperto publicar, todo momentinho de microtédio, esperando
[00:04:56] o negócio, eu vou lá olhar.
[00:04:58] Ah, e aí?
[00:04:59] Principalmente agora que eu estou esse semestre fazendo conteúdo e vídeo.
[00:05:02] Publiquei um vídeo ontem no Instagram e tal.
[00:05:06] E, assim, será que eu entendi direito?
[00:05:10] Como é que funciona?
[00:05:10] Como é que funciona e tal?
[00:05:12] Aí, eu fico lá.
[00:05:12] Mas, com 30 minutos, eu já tinha entendido que o vídeo ia bem.
[00:05:16] Mas, eu estou até agora vindo no caminho para cá.
[00:05:18] Ah, deixa eu ver como é que está.
[00:05:19] Quantos fios estão?
[00:05:19] Não sei o que.
[00:05:20] Eu já aprendi como não fazer péssimo.
[00:05:22] Como péssimo?
[00:05:23] Não, beleza.
[00:05:24] Mas, o muito bom depende.
[00:05:25] Tem coisa que eu acho que não vai muito bem e vai.
[00:05:28] Isso.
[00:05:28] Mas, é isso.
[00:05:29] O texto faz toda a diferença, né?
[00:05:30] O dia, o que está acontecendo.
[00:05:32] Mas, por exemplo, no LinkedIn, eu sei fazer mesmo.
[00:05:34] Eu brinco, eu sei fazer conteúdo.
[00:05:36] Se alguém precisar de ajuda para conseguir um emprego, talvez eu não saiba ajudar.
[00:05:39] Tá.
[00:05:40] Mas, produzir conteúdo, para mim, assim, gente, eu acho que é a mais fácil de fazer.
[00:05:45] Mas, porque eu gosto muito de escrever, né?
[00:05:46] Eu tive blog quando eu tinha 15 anos e tal.
[00:05:48] Mas, os vídeos, TikTok, eu fico lá parando, olhando e falando, gente, mas por que esse
[00:05:53] engaja e esse não engaja?
[00:05:55] Tem coisas que eu não entendo.
[00:05:57] E tem uma que eu estou começando a navegar.
[00:05:58] Ah, tá.
[00:05:59] Ah, tá.
[00:05:59] Ah, tá.
[00:05:59] Ah, tá bom.
[00:06:00] Caramba.
[00:06:01] Mas, eu vou lá só para consumir.
[00:06:03] Eu não crio nada no Reddit.
[00:06:04] Pois é, mas a IA também consome.
[00:06:06] Por isso que era bom voltar lá.
[00:06:07] Ah, olha.
[00:06:08] A gente chegando nesse processo.
[00:06:11] Tá bom, mano.
[00:06:12] Vamos lá.
[00:06:12] Eu quero começar bem pelo começo mesmo.
[00:06:15] O que é inovação?
[00:06:17] Eu tenho que falar inovação corporativa, só inovação.
[00:06:19] O que não é inovação?
[00:06:21] O que as pessoas estão vendo errado?
[00:06:22] Chama e não é.
[00:06:25] Então, dê a barra.
[00:06:26] Acho que se chama de corporativa ou não depende.
[00:06:28] Tá.
[00:06:29] É porque a gente inventa nome para muita coisa, né?
[00:06:31] Então, a sua sensação de que há muitos anos eu ouço isso
[00:06:34] e parece que a coisa está mudando de cara, de jeito, mas é a mesma coisa,
[00:06:38] não está errada.
[00:06:39] Realmente é a mesma coisa.
[00:06:41] De jeito diferente, pessoas diferentes, segmentos diferentes,
[00:06:44] mas as coisas…
[00:06:45] Eu brinco com o ser humano, a gente é uma boa maquininha de repetir, assim.
[00:06:47] Se a gente estuda bem história, a gente se assusta menos com algumas coisas
[00:06:51] e até com a nossa série de comportamentos, assim.
[00:06:54] O ciclo de adoção das coisas é a mesma para a tecnologia, para a roupa,
[00:06:57] para quase tudo.
[00:06:58] Em termos de comportamento.
[00:07:00] Inovação no dicionário…
[00:07:01] Aí tem duas palavras que eu sempre gosto de falar, gente.
[00:07:03] No dicionário, que é aquele que talvez você já não veja há muitos anos,
[00:07:06] mas tinha na escola, eu ganhava, todo mundo ganhava um Aurélio, um sei lá o quê.
[00:07:11] No dicionário, inovação é fazer coisa diferente.
[00:07:14] O ato de inovar é você fazer diferente.
[00:07:17] O que falta no dicionário e que, ao meu ver, faz muita diferença
[00:07:21] é que depende do contexto.
[00:07:23] Tá bom.
[00:07:24] Porque senão a gente vai ficar nessa discussão que…
[00:07:26] Ai…
[00:07:27] Mas na cidade de São Paulo, que para mim,
[00:07:29] São Paulo se compara muito pouco com as outras cidades do Brasil,
[00:07:32] inclusive capitais.
[00:07:32] Eu acho que São Paulo parece as outras megalópolis.
[00:07:35] Uma Nova Iorque, alguma outra coisa assim,
[00:07:37] que também não tem nada a ver com os Estados Unidos.
[00:07:38] É muito diferente em termos de comportamento.
[00:07:41] Você comparar uma coisa que tem nesses grandes centros
[00:07:43] e aí na hora que você vai para 500 quilômetros, 300 de distância
[00:07:47] e fala, ah, mas isso aí já existe?
[00:07:49] Depende de onde que existe.
[00:07:51] Talvez ninguém tenha tido ainda acesso àquela tecnologia naquele lugar
[00:07:55] e por isso ali…
[00:07:57] Naquele contexto, aquela coisa é uma coisa inovadora.
[00:07:59] Ela é uma coisa diferente do status quo que está até então.
[00:08:03] Quando a gente vai para o ambiente de negócio,
[00:08:04] então inovar é quase tudo, é mesmo e tal.
[00:08:06] Não tem problema.
[00:08:07] Tá bom.
[00:08:08] Quando a gente vai para o mundo dos negócios
[00:08:09] e vai para as áreas de inovação,
[00:08:11] nesse mundo corporativo, etc.
[00:08:14] Inovação é tudo aquilo que eu vou fazer diferente no negócio
[00:08:18] que pode ser processo, tecnologia,
[00:08:21] vou fazer mais rápido, melhor.
[00:08:22] Tem várias…
[00:08:23] Ou um produto, o famoso produto inovador.
[00:08:26] Ou seja,
[00:08:27] várias áreas inovam.
[00:08:28] É uma grande loucura você dar para uma área
[00:08:30] só o desafio de ser a área que vai inovar.
[00:08:33] Que bom, queria te perguntar isso.
[00:08:35] A área de inovação não é da…
[00:08:36] É porque eu já fui rapazinho do digital, né?
[00:08:39] Ah, do digital.
[00:08:40] Então, eu…
[00:08:41] Mas digital era o quê?
[00:08:43] Era marketing ou era comportamento?
[00:08:44] Era do marketing digital, da agência ou do…
[00:08:46] Enfim.
[00:08:46] Então, eu acho errado ter a área do digital,
[00:08:50] mas entendia que precisava ter naquela época.
[00:08:53] Tem lugar que tem até hoje.
[00:08:55] Então, não que eu ache certo,
[00:08:57] mas eu entendo.
[00:08:58] Ah, não, a área de inovação, não.
[00:09:00] A área de inovação deveria ser todo mundo…
[00:09:02] Olha que engraçado, eu fui de uma área de digital
[00:09:04] são seis, sete anos atrás,
[00:09:07] mas dentro de uma empresa de tecnologia.
[00:09:09] Então, a digital era a área do design.
[00:09:12] Ah, tá bom.
[00:09:12] De design de negócio e de produto.
[00:09:14] Então, a gente que fazia…
[00:09:16] Lá a gente chamava de deep dives.
[00:09:17] Elas vão pensar se o início da consultoria,
[00:09:19] a investigação dentro do cliente
[00:09:20] para saber qual que era a cara do produto
[00:09:22] que a gente ia fazer,
[00:09:24] lá era a digital.
[00:09:25] Tá bom.
[00:09:25] Mas tinha uma área de marketing também.
[00:09:27] Tá bom.
[00:09:27] Por isso que é bom.
[00:09:28] A gente deu esse nome, mas chama o quê?
[00:09:30] Dentro dos negócios…
[00:09:32] Mas eu acredito que tem um bom motivo
[00:09:33] da gente ter as áreas de inovação,
[00:09:36] especialmente do boom, que teve cinco anos,
[00:09:39] seis,
[00:09:40] que é a área que detém duas coisas.
[00:09:43] Deveria deter, na verdade, três,
[00:09:44] mas ela vem capacitada sempre com duas coisas,
[00:09:47] que é o conhecimento digital,
[00:09:50] e aqui o digital do seu jeito mais amplo.
[00:09:52] Então, são pessoas que estudam sobre tecnologia,
[00:09:55] entendem sobre comportamento.
[00:09:56] Para mim, é uma gama de habilidades.
[00:10:00] Por isso, eu não tenho uma formação
[00:10:01] só para pessoas que trabalham com inovação, né?
[00:10:03] Elas podem vir do marketing,
[00:10:04] elas podem vir de área de produto,
[00:10:05] elas podem ser umas pessoas muito técnicas, etc.,
[00:10:08] porque você precisa de uma sopa de letrinhas.
[00:10:09] Eu já tive chefe que era formado em turismo
[00:10:11] e, para mim, foi uma das melhores gestoras
[00:10:12] de inovação que eu tive.
[00:10:13] Então, a formação, ela não vai te limitar.
[00:10:16] Mas são pessoas que estão mais plugadas
[00:10:18] no que é esse comportamento novo,
[00:10:20] intrinsecamente ligado à tecnologia digital.
[00:10:23] A Jajá explica o que é tecnologia,
[00:10:25] porque o dicionário é maravilhoso,
[00:10:26] também, quando a gente fala de tecnologia.
[00:10:28] Eles têm esse comportamento
[00:10:30] e uma outra parte desse time
[00:10:32] entende de negócio.
[00:10:34] Como é que é que a empresa roda, né?
[00:10:36] Como é que é o processo?
[00:10:38] Eu consigo trazer o negócio antes ou depois?
[00:10:40] Como é que a gente vai testar, validar?
[00:10:41] E aí, você tem várias metodologias,
[00:10:43] inclusive dentro do design, né?
[00:10:45] O design, enquanto a disciplina,
[00:10:49] você tem uma grande área do design
[00:10:50] que a gente vai dar para design de serviços,
[00:10:52] vai entender qual é aquele mercado,
[00:10:54] qual é a demanda.
[00:10:56] Se eu estou falando
[00:10:56] cliente final, que é uma empresa,
[00:10:57] se o cliente final são pessoas físicas.
[00:11:00] E aí, você vai plugar esse conhecimento
[00:11:01] com o que a empresa entrega, né, de negócio.
[00:11:05] Qual que é a terceira disciplina
[00:11:06] que as pessoas deveriam saber
[00:11:07] e poucas pessoas geralmente sabem
[00:11:09] quando a gente fala de inovação?
[00:11:10] Geralmente, pessoas mais sênior
[00:11:11] são melhores nisso.
[00:11:14] Querem entender qual que é o business
[00:11:15] dos negócios que elas estão.
[00:11:16] Claro.
[00:11:17] Eu conheço muita gente muito boa de inovação,
[00:11:20] mas elas não entendem muito bem o business.
[00:11:22] Então, na hora que elas trocam de negócio,
[00:11:24] especialmente de segmento,
[00:11:25] elas patinam muito tempo
[00:11:27] em dar algum tipo de resultado.
[00:11:29] Entender como eu transformo em dinheiro
[00:11:31] aquela ideia inovadora, é isso?
[00:11:33] Isso.
[00:11:33] Ou como você faz mais rápido, melhor.
[00:11:34] Então, por exemplo,
[00:11:35] você estava na rama da construção civil.
[00:11:37] Tá.
[00:11:38] Inovar na construção civil
[00:11:39] é diferente do que inovar na moda.
[00:11:42] Tá.
[00:11:43] Mas se você for só com os frameworks,
[00:11:44] não sei o que lá, provas bonitas,
[00:11:46] você passa uns seis meses lá
[00:11:47] enganando todo mundo.
[00:11:48] Tá.
[00:11:49] Mas se você não se aprofundar
[00:11:50] no que é o segmento da construção civil,
[00:11:53] essa área não vai dar resultado.
[00:11:54] Até para entender,
[00:11:55] quais são os problemas da construção civil,
[00:11:57] as limitações da construção civil e tal.
[00:11:59] Porque você vai, não,
[00:12:00] todo mundo tem problema com a inovação,
[00:12:02] porque o time de inovação vai dar uma ideia
[00:12:03] e aí todo mundo discorda.
[00:12:06] É, ué, porque você não parou para entender
[00:12:08] o que as pessoas estão fazendo.
[00:12:09] Às vezes você já está dando 20 e 10
[00:12:11] que já foram testadas,
[00:12:12] já deram errada.
[00:12:13] Tem gente que está lá há 10 anos naquele negócio.
[00:12:15] Eles vão ser os primeiros a ser contra
[00:12:17] qualquer ideia que você der,
[00:12:18] se você não for sentar lá
[00:12:20] e entender sobre aquele business.
[00:12:22] Então, eu vi muitos profissionais de inovação
[00:12:24] sendo muito bem requisitados, etc.
[00:12:28] Porque são bons profissionais de inovação
[00:12:29] e entendem das metodologias,
[00:12:31] mas patinando muito
[00:12:32] quando eles tinham que mudar de segmento.
[00:12:35] Eu trabalhei com saúde,
[00:12:36] com o membro da Academia Mundial de Ciências,
[00:12:38] umas coisas que eu nem sabia que existia.
[00:12:40] Depois fui para a digital.
[00:12:41] Trabalhei com farmas.
[00:12:43] Tipo, farmacêutica é super difícil.
[00:12:45] Como é que você lança o medicamento?
[00:12:46] Não é rápido.
[00:12:47] Você tem toda uma legislação.
[00:12:49] As indústrias, você tem mais legislação,
[00:12:51] menos reguladas.
[00:12:52] Cada uma, você vai conseguir
[00:12:53] fazer uma legislação
[00:12:54] e dar resultados diferentes.
[00:12:56] Mas você precisa ter essa disciplina.
[00:12:58] Para você ter mais sucesso
[00:12:59] enquanto profissional de inovação,
[00:13:01] você tem que se aprofundar
[00:13:02] no negócio que você está.
[00:13:04] E não só a gente ficar discutindo
[00:13:05] se a gente vai usar design thinking ou não.
[00:13:07] Sei lá, para quê, né?
[00:13:08] Qual é o tipo de resultado que você quer dar.
[00:13:10] Inovação, então, tem uma…
[00:13:11] Você está explicando do jeito.
[00:13:12] Tem uma ligação com entender, inclusive,
[00:13:16] por que as coisas sempre foram feitas daquele jeito
[00:13:19] e, de repente, até dizer,
[00:13:20] não, tem que ser feito desse jeito.
[00:13:22] A história que eu…
[00:13:23] O que eu adoro,
[00:13:25] eu vi naqueles documentários
[00:13:28] que vinham nos DVDs
[00:13:30] de um filme do Robert Rodrigues,
[00:13:31] não lembro nem que filme que era,
[00:13:33] e que ele conta uma história que é meio…
[00:13:34] Não foi ele que inventou,
[00:13:35] é meio, sei lá, universal,
[00:13:36] um grande anedota,
[00:13:37] que é a esposa dele
[00:13:39] fazia uma receita típica,
[00:13:41] acho que mexicana, sei lá,
[00:13:43] e aí ela pegava a carne
[00:13:45] e ela cortava uns pedaços da carne,
[00:13:47] botava na panela e fazia.
[00:13:48] Aí ele perguntou,
[00:13:49] por que você corta, sei lá,
[00:13:51] esse pedaço?
[00:13:52] Ah, porque a minha avó faz assim,
[00:13:53] a receita é assim.
[00:13:54] Aí, beleza.
[00:13:55] Aí um dia foram na casa da avó,
[00:13:57] aí falaram,
[00:13:57] avó, por que a senhora corta?
[00:13:59] Ah, porque a minha panela é pequena,
[00:14:00] então eu tinha que cortar.
[00:14:01] Era entender por que as coisas foram…
[00:14:03] E às vezes é não,
[00:14:04] porque, sei lá,
[00:14:05] porque a gordura da carne,
[00:14:06] não sei o que, tem um motivo.
[00:14:08] Então, parte do trabalho é olhar,
[00:14:11] entender o que é, por que é,
[00:14:13] porque as pessoas esqueceram por que era,
[00:14:16] e isso significa, então,
[00:14:18] corrigir minha prova,
[00:14:18] ver se eu estou…
[00:14:20] Que serve para o que você falou,
[00:14:22] para o Brasil inteiro,
[00:14:23] para todas as atividades.
[00:14:25] O que me leva à próxima pergunta,
[00:14:27] que é, não precisa ser,
[00:14:29] que nem na prova justifique,
[00:14:30] só a resposta da científica,
[00:14:32] mas se você olha para o Brasil,
[00:14:34] as empresas brasileiras
[00:14:37] estão mais ligadas à inovação,
[00:14:41] estão buscando inovação,
[00:14:43] certo ou errado.
[00:14:44] Outro jeito de perguntar isso,
[00:14:45] quem nunca tinha ouvido falar de inovação,
[00:14:47] está assistindo isso aqui,
[00:14:49] falar, ah, legal,
[00:14:50] quero trabalhar com isso.
[00:14:52] Tem demanda,
[00:14:53] ou meio que a curva,
[00:14:53] já passou e agora já está tudo estabelecido
[00:14:56] e todos os profissionais
[00:14:58] já incorporaram esse conhecimento
[00:15:00] e conseguem fazer.
[00:15:01] Como é que está aí?
[00:15:01] Tem super demanda,
[00:15:02] porque uma coisa que mata a inovação
[00:15:04] é o nosso pensamento de curto prazo.
[00:15:07] Porque o resultado que a gente vai dar no curto prazo,
[00:15:09] o salário, o bônus,
[00:15:10] a nossa cadeia de incentivos,
[00:15:14] especialmente os financeiros,
[00:15:15] no mundo do trabalho,
[00:15:17] elas são uma perspectiva de curto prazo.
[00:15:19] E algumas coisas,
[00:15:20] quando a gente vai falar de inovação,
[00:15:21] elas demandam tempo.
[00:15:23] Ou porque você está criando um novo produto,
[00:15:25] você vai para uma nova praça,
[00:15:27] você está fazendo um teste,
[00:15:28] poucas coisas,
[00:15:30] especialmente dependendo do que você está fazendo,
[00:15:32] vão dar resultado em um trimestre.
[00:15:33] Então, no geral,
[00:15:34] as pessoas tendem a não inovar
[00:15:37] por causa da cadeia de incentivos.
[00:15:40] Porque se você for fazer diferente,
[00:15:41] vai demorar tanto tempo,
[00:15:42] mas se você for fazer do seu jeito,
[00:15:43] você já sabe que você consegue,
[00:15:45] se trabalhar mais duas horas,
[00:15:47] você vai dar mais resultados,
[00:15:48] o seu bônus é tal.
[00:15:50] Então, tem um desafio
[00:15:51] da forma como as áreas são incentivadas.
[00:15:53] Tanto que teve uma época da minha carreira
[00:15:55] que eu trabalhei com o Venture Builder.
[00:15:57] Tá.
[00:15:57] Que é criar novas…
[00:15:59] Venture Builder mesmo é criar novas startups.
[00:16:02] Tá.
[00:16:02] Mas eu trabalhei isso dentro do mundo corporativo.
[00:16:05] A gente criou,
[00:16:06] eu era sócia de um fundo de investimentos,
[00:16:08] o fundo tocava criar startups
[00:16:09] e eu peguei a mesma metodologia
[00:16:11] e a gente colocou em grandes companhias.
[00:16:13] Que basicamente é criar novas unidades de negócio.
[00:16:16] Tá.
[00:16:17] Mas se a unidade de negócio,
[00:16:19] nos primeiros um ano,
[00:16:20] ela não dá resultado,
[00:16:21] quem são os executivos e executivas
[00:16:23] que vão querer ir para uma área
[00:16:25] que não dá resultado financeiro
[00:16:26] se todo mundo é incentivado por resultado financeiro?
[00:16:29] Então, a gente precisa recriar
[00:16:30] e redesenhar essa cadeia de incentivos.
[00:16:33] Ou pelo menos manter.
[00:16:34] Falar assim, Cris,
[00:16:35] você vai manter no próximo um ano,
[00:16:38] a gente vai manter o mesmo ciclo de bônus,
[00:16:40] você vai ganhar o seu bônus,
[00:16:41] mesmo se não der resultado financeiro,
[00:16:43] mas a gente precisa bater essas X metas.
[00:16:45] Tem que ter rodado MVP,
[00:16:47] a gente tem que ter testado pelo menos
[00:16:49] um público específico,
[00:16:50] a gente precisa entender melhor,
[00:16:52] saber qual que é o produto final,
[00:16:53] a gente tem que terminar um ciclo de um ano,
[00:16:55] um ano e meio,
[00:16:56] certos do que é que vai precisar ir
[00:16:58] para a linha de orçamento dessa nova área.
[00:17:00] E se essa área vai existir ou não.
[00:17:02] Ou não, volta todo mundo para onde estava,
[00:17:04] a gente aloca em novos projetos.
[00:17:06] Então, tem um desafio de como essas pessoas
[00:17:08] vão ser incentivadas,
[00:17:09] porque risco ninguém gosta,
[00:17:10] todo mundo gosta.
[00:17:11] Porque o CLT é seguro.
[00:17:14] Porque a gente criou essa ilusão
[00:17:15] de que o CLT é seguro.
[00:17:17] Não é, né?
[00:17:17] Por isso que tem layoff,
[00:17:18] a gente mostra como é que é 100% seguro.
[00:17:20] Por isso que tem burnout.
[00:17:21] É, mas a gente criou essa sensação,
[00:17:23] de segurança.
[00:17:25] E aí, a segurança,
[00:17:26] esse mundinho da segurança,
[00:17:27] ela não permite risco,
[00:17:29] ela não permite inovar,
[00:17:30] ela vai criando uma caixinha.
[00:17:32] Então, tem muito espaço.
[00:17:34] E por que eu acredito que tem muito espaço?
[00:17:36] Porque é na disciplina da inovação,
[00:17:40] eu brinco que é os profissionais da fronteira, né?
[00:17:43] Porque você tem que saber
[00:17:44] fazer um negócio diferente
[00:17:45] que ninguém quer fazer,
[00:17:46] mas você também tem que saber dialogar,
[00:17:48] porque a burocracia,
[00:17:49] ela existe por um motivo.
[00:17:51] É que, às vezes, não precisa de tanta,
[00:17:52] mas tem.
[00:17:53] Mas por quê?
[00:17:54] Quanto maior a empresa,
[00:17:55] não dá para você deixar todo mundo decidir,
[00:17:57] dependendo do tipo de negócio,
[00:17:58] uma mineradora.
[00:18:00] Sei lá, eu imagino que as pessoas que estudaram mais
[00:18:02] deveriam ser as que vão colocar mais responsabilidade
[00:18:06] naquele processo.
[00:18:07] É importante.
[00:18:08] Mas os profissionais de inovação,
[00:18:09] eles são meio profissionais de fronteira.
[00:18:10] Você tem que saber falar com…
[00:18:13] Isso tem que fazer sentido em algum nível no conselho,
[00:18:15] porque senão ninguém vai colocar um dinheiro
[00:18:17] num negócio que, aparentemente,
[00:18:18] pode não dar nenhum resultado.
[00:18:20] Mas você tem que saber falar com a operação,
[00:18:21] porque você vai precisar super do conhecimento
[00:18:23] de quem está no dia a dia,
[00:18:24] você vai precisar negociar com quem está criando tecnologia digital,
[00:18:27] você vai precisar negociar.
[00:18:28] Então, são profissionais de fronteira.
[00:18:30] Eu brinco que é…
[00:18:31] Você junta muitas habilidades
[00:18:32] para a gente conseguir fazer isso.
[00:18:34] E é na inovação que surgem as coisas novas, de fato,
[00:18:37] os novos mercados.
[00:18:38] Porque os mercados têm aquela lógica do oceano azul,
[00:18:40] do oceano vermelho,
[00:18:41] que ela é boa para ilustrar, assim.
[00:18:44] Conta, conta.
[00:18:45] Eu entrevistei uma vez a Leila Germano aqui,
[00:18:47] eu brinquei aqui no programa dela,
[00:18:48] ela falou assim,
[00:18:48] ah, meu público é burrinho,
[00:18:50] ele não entende,
[00:18:50] e ela que não entende,
[00:18:52] e sou eu que não entendo,
[00:18:52] ela fala, claro, eu sei.
[00:18:53] Não, não faz…
[00:18:54] Conta para mim o que é o oceano azul, o oceano vermelho.
[00:18:57] Eu vejo isso muito.
[00:18:58] A gente estava agora lá no Hotmart Fire,
[00:18:59] vou citar mais uma vez aqui,
[00:19:01] só para a galera da Hotmart ficar feliz.
[00:19:02] E era isso.
[00:19:02] Eu já tapei na rua do lado da casa da minha mãe,
[00:19:05] aquela chateaubriand ali,
[00:19:06] eu cansei de subir.
[00:19:07] Meus pais moram no bairro onde é a Hotmart hoje.
[00:19:11] Carnaval ali em frente é maravilhoso.
[00:19:12] Legal.
[00:19:13] E é isso, o oceano azul, o mar vermelho,
[00:19:15] o mar vermelho,
[00:19:16] é do tubarão,
[00:19:17] enfim, o que é o oceano azul?
[00:19:18] Mas de forma muito simples,
[00:19:20] um oceano azul é como se não tivesse um oceano com muitos predadores.
[00:19:25] Então, você tem baixa concorrência.
[00:19:26] Embora eu ache concorrência a melhor coisa que tem,
[00:19:28] porque pelo menos tem mais uns dois malucos fazendo a mesma coisa que você,
[00:19:31] você não está sozinho ou sozinha.
[00:19:33] Então, o oceano azul onde estão as oportunidades,
[00:19:35] os novos negócios, os novos produtos, etc.
[00:19:38] Oceanos vermelhos já são oceanos com muitos predadores, né?
[00:19:42] Então, essa lógica do tubarão, tem mais sangue, etc.
[00:19:45] Mas são ambientes de negócio com mais concorrência.
[00:19:48] Então, você vai ter muitos players,
[00:19:50] players que fazem a mesma coisa,
[00:19:51] empresas que estão entregando o mesmo produto ou serviço que o seu.
[00:19:54] Então, os desafios para você ter melhoras incrementais no seu faturamento,
[00:19:59] ou no seu produto, eles são um pouco maiores,
[00:20:01] uma vez que você tem muitos negócios naquele mesmo lugar.
[00:20:05] Mas quando eu olho para uma perspectiva de inovação,
[00:20:07] eu olho também muito para o que essa empresa vai fazer daqui 10 anos,
[00:20:11] daqui 20 anos.
[00:20:13] Porque boa parte das empresas do mundo,
[00:20:15] elas não morreram, elas só foram se transformando.
[00:20:18] Elas deixaram, uma que eu gosto muito,
[00:20:20] do case, é a Fuji.
[00:20:21] Chama Fuji Filme.
[00:20:22] Não vende filme.
[00:20:23] Tá.
[00:20:24] Fuji Filme vende tinta hoje.
[00:20:26] Não trocaram o nome da empresa, mas…
[00:20:28] Ela era uma empresa dos filmes que a gente revelava,
[00:20:30] não sei o que lá, 20 anos atrás.
[00:20:32] E hoje é uma empresa de tinta.
[00:20:34] É, o meu caso que eu vivi,
[00:20:36] inclusive estava lá no meio dessa mudança, foi a IBM.
[00:20:39] Eu digo que eu trabalhei na IBM 30 anos atrás.
[00:20:43] Pior época para se trabalhar na IBM,
[00:20:45] porque ela estava mudando de alugar computador mainframe para banco,
[00:20:50] e grandes empresas,
[00:20:51] e sei lá quantos anos depois virou consultoria,
[00:20:53] mas eu estava no meio desse caminho.
[00:20:55] Inclusive com essa lógica, me lembro que você falou de bônus e tal,
[00:21:00] porque o que pagava as contas era o mainframe,
[00:21:03] e a consultoria em cima disso,
[00:21:05] e até serviço de puxar cabo,
[00:21:08] que não era o wi-fi,
[00:21:11] vou puxar um cabo gigante e tal,
[00:21:12] todos esses serviços em cima.
[00:21:14] Mas existia, estava claro que aquilo ali estava com os dias contados,
[00:21:18] a própria IBM inventou,
[00:21:20] o computador pessoal, etc.
[00:21:22] E eles precisavam se reinventar,
[00:21:23] mas tinha essa coisa de recompensa de bônus e tal,
[00:21:30] e lá foi um dos lugares, não foi o único,
[00:21:32] que era meio assim,
[00:21:32] não, você tem que fazer essa coisa nova aqui,
[00:21:36] mas para garantir o seu bônus,
[00:21:38] também preciso que você faça essa outra coisa,
[00:21:41] para garantir.
[00:21:42] E óbvio, qualquer ser humano, qualquer ser vivo,
[00:21:44] não, eu vou garantir o meu bônus aqui,
[00:21:46] no tempo que sobrar eu faço outra coisa e nunca sobrava.
[00:21:49] Então,
[00:21:50] e aí as coisas novas demoram mais tempo.
[00:21:53] Isso, então essa estrutura que você descreveu de,
[00:21:57] não, eu te garanto o bônus e tal,
[00:21:59] eu te garanto que você não vai ser mandado embora,
[00:22:01] eu acho ótima,
[00:22:02] o meu cinismo me impede de acreditar que isso existe de verdade em algum lugar,
[00:22:06] mas pelo que você está me contando, tem.
[00:22:07] Existe, não existe no lote,
[00:22:09] mas existe.
[00:22:10] Mas até porque todos os executivos e executivas
[00:22:12] são incentivados por coisas no curto prazo.
[00:22:15] Então, a dinâmica do mundo do trabalho,
[00:22:18] ela faz com que isso tudo se torne muito melhor.
[00:22:20] É muito desafiador.
[00:22:21] Então, tanto que eu tenho uma percepção,
[00:22:24] é que a gente acha que as áreas de inovação estão acabando,
[00:22:26] eu tenho uma teoria diferente,
[00:22:27] eu acho que esses profissionais ficaram sênior o suficiente
[00:22:29] tornando para outras áreas de negócio.
[00:22:30] Tá.
[00:22:31] E aí a gente vai ter de novo um time mais júnior que vai crescer, etc.
[00:22:36] Porque uma vez que você entende que a área de inovação,
[00:22:38] ela não está na linha final de nada, no balanço,
[00:22:41] ela não é uma área que entrega nada,
[00:22:44] você vai para a área que entrega coisa
[00:22:45] e vai fazer coisa diferente na área que entrega.
[00:22:47] Então, você vê profissionais de inovação,
[00:22:50] que foram para a área do marketing, para a área de produto,
[00:22:53] para a área de tecnologia, foram para o comercial,
[00:22:55] foram para as áreas que são as áreas responsáveis no final
[00:22:58] e donas daquelas metas.
[00:23:00] Porque assim ali eles conseguem também viabilizar
[00:23:03] e são as áreas que vão ter o budget, né?
[00:23:04] Porque no final do dia as áreas de inovação,
[00:23:06] se ela não tem o budget dela,
[00:23:08] ela sai passando o chapéu e tentando negociar com as pessoas de áreas diferentes.
[00:23:13] Não, fazer um projeto vai ser para marketing,
[00:23:17] a gente vai ter mais lead.
[00:23:18] E aí, ali você…
[00:23:19] junta comercial e marketing e define que o budget de inovação.
[00:23:24] Então, a gente vai olhar projetos só nesse sentido,
[00:23:25] só startups nesse sentido.
[00:23:27] Então, para mim também tem uma sensação de que é um ciclo de amadurecimento mesmo.
[00:23:31] Esses profissionais estão indo para outras pastas, outras agendas
[00:23:35] e aí você tem um ciclo de uma galera um pouco mais nova que está se formando,
[00:23:40] nova de idade e de experiência, né?
[00:23:42] Porque eu acho que se você só colocar um peso na idade, não adianta nada.
[00:23:45] Tem que também botar o pessoal para o…
[00:23:47] Com a minha barba branca aqui, agradeço a sua.
[00:23:49] Mas você falou, acabou de falar, formação.
[00:23:51] Existe formação?
[00:23:53] Muito pelo contrário, você falou turismo.
[00:23:55] Ah, a pessoa trabalha no turismo, trabalha nisso, trabalha naquilo.
[00:23:57] Uma das épocas mais criativas e vou chamar de inovadoras da minha carreira
[00:24:01] foi quando eu trabalhei na Colmeia, que era uma produtora audiovisual.
[00:24:05] Mas tinha engenheiro, jornalista, programador, eu programador também.
[00:24:13] Enfim, era um famoso time multidisciplinar que fazia coisas voltadas para comunicação,
[00:24:19] para publicidade, mas para mim, e eu estava conversando até com um dos meus chefes
[00:24:23] naquela época, sei lá, semana passada, eu falei, cara, para mim, um dos grandes segredos era isso,
[00:24:28] que a quantidade de publicitário, a gente ficou tentando lembrar quem era publicitário na equipe,
[00:24:32] assim, porque o objetivo da empresa era inovar, né?
[00:24:38] Tipo, a publicidade está mudando, então a gente já quer estar no ponto onde ela vai estar.
[00:24:43] Então, se você trouxer essas pessoas que foram treinadas e recompensadas a vida inteira,
[00:24:49] a fazer daquele jeito, fica mais difícil.
[00:24:52] Então, o Brasil, como é que é a formação?
[00:24:55] O Brasil forma inovação, não é para formar inovação, é para juntar gente da equipe inteira.
[00:25:00] Sou mega CEO aqui da Ampere of Latin America, quero botar inovação na minha empresa,
[00:25:07] eu vou pagar por curso para os meus funcionários, o que é que eu vou fazer?
[00:25:11] Pode fazer, tem muitas opções.
[00:25:14] Mexe com essa cadeia de incentivos alguma hora, porque isso vai te ajudar.
[00:25:17] Boa!
[00:25:18] Você vai te pegar, assim, que é a estratégia, a cultura como é na estratégia.
[00:25:22] Se você botou uma cultura, ah, esse ano a gente vai inovar, mas a sua cultura, a prática é diferente,
[00:25:28] não vai adiantar nada que a gente escreva numa parede, etc., para mudar isso.
[00:25:32] Mas para mim tem algumas formações complementares.
[00:25:34] Entender de metodologia é importante, mesmo as mais clássicas, ah, um design think, um framework,
[00:25:39] um canva da vida que vira e mexe a galera, muda o canva.
[00:25:42] Você entender uma perspectiva de negócio, como é que cresce a empresa, como é que funciona.
[00:25:46] Não precisa de fazer um curso de administração.
[00:25:47] Tá.
[00:25:48] Uma coisa bem básica ali, o Empretec do Sebrae te ajuda para você entender o que você precisa,
[00:25:54] para que número que olha, quem é dono de empresa, o que está olhando, onde que tem que mexer,
[00:25:59] como que é um processo comercial.
[00:26:00] Esse conjunto de habilidades vai te ajudar a navegar bem.
[00:26:04] Mas o que me ajudou muito, quando eu me mudei para São Paulo, eu trabalhei com cientistas.
[00:26:10] E para mim isso foi um grande aprendizado.
[00:26:11] A gente pegou, na época, o time que eu trabalhava, o canva padrão de negócio.
[00:26:17] Não faço a menor ideia do que é, mas estou fingindo, estou balançando a cabeça aqui.
[00:26:20] Canva é um quadro branco, mas para o mundo de negócio, a gente tem lá o tal do business model canva,
[00:26:26] que é tipo um canva de modelo de negócio, que é como se fosse um mapa de como você ganha dinheiro.
[00:26:30] Como é que eu ganho dinheiro? Eu vendo isso para aquilo, para aquela pessoa.
[00:26:34] Você paga desse jeito? É uma receita recorrente, assinatura, paga de uma vez e tal.
[00:26:39] Tenho esses parceiros-chave e olho para essas métricas, o tal do business model canva.
[00:26:43] Na época que a gente trabalhava com biotec, a gente replicou isso,
[00:26:47] esse canva para o mundo de biotec.
[00:26:50] Porque às vezes você não vai vender um negócio, você vai licenciar a tecnologia.
[00:26:53] Aí é um bichinho diferente.
[00:26:54] E aí eu lembro que nessa época as pessoas ficavam assim, não, mas a indústria vai querer.
[00:26:58] Aí eu olhava para o pesquisador e pensava, mas qual indústria?
[00:27:01] A farmacêutica, a química, a disso, a daquilo.
[00:27:05] A indústria com um ímã no escuro.
[00:27:06] Mas tem 300 indústrias, né?
[00:27:08] E aí eu descobri, uma das coisas que eu fui aprendendo ao longo tempo foi perguntar.
[00:27:12] Porque as pessoas, elas acham que sabem.
[00:27:16] Isso não tem problema nenhum a gente não saber.
[00:27:18] Mas não ter uma noção grande de quais são os passos que você vai dar,
[00:27:22] isso pode te atrapalhar na hora que você tem um negócio, quando você lidera uma área.
[00:27:26] Então isso é um desafio.
[00:27:27] Mas perguntas são boas, porque o ser humano se guia por perguntas, né?
[00:27:31] A gente aprende também perguntando.
[00:27:33] E aí quando eu cheguei em São Paulo, que eu fui trabalhar com negócios digitais,
[00:27:36] eu era gerente de projetos, vamos falar assim, de uma grande empresa como startup.
[00:27:41] Então eu tinha startup querendo crescer com o sonho de vender para aquela empresa tudo.
[00:27:45] E às vezes eles não tinham tudo.
[00:27:47] E eu tinha que descobrir, porque se não tivesse a culpa também ia ser minha.
[00:27:50] E do outro lado, eu trabalhei basicamente nessa época,
[00:27:53] todo mundo que era meu interlocutor nas companhias era um country manager.
[00:27:57] Aí eu olhava a Amanda e falava, esta é a menina dos negócios de inovação.
[00:28:01] Aí eu entendi que eu tinha que ser muito estratégica
[00:28:06] numa conversa de 10, 15 minutos com esses caras ou com as caras,
[00:28:09] para eu conseguir ter a conversa.
[00:28:11] Mas eu tinha que saber as coisas da startup.
[00:28:14] Como?
[00:28:15] Eu estava perguntando o Jô Soares, o David Latimer.
[00:28:17] Eu sempre amei ver programas de entrevista.
[00:28:20] Eu falei, como é que esses caras tiram tanta informação?
[00:28:23] E parece que não perguntou nada e a pessoa está contando tudo.
[00:28:26] Então essa foi uma habilidade que me ajudou muito.
[00:28:29] Porque aí eu entendia, para um doía a parte financeira.
[00:28:33] Eu falei, putz, tem que aprender um pouquinho da parte financeira então para apoiar essa pessoa.
[00:28:37] Para o outro doía porque não sabia vender para grande empresa.
[00:28:40] E se vendesse com uma janela de tempo errado, quebrava o negócio dele.
[00:28:44] A outra fundadora era fazer a gestão do time.
[00:28:47] Porque ela estava indo lá e o time ela saía, virava caos.
[00:28:51] Falei, putz, como é que eu ajudo essa pessoa a fazer gestão de time?
[00:28:54] O que é que eu aprendo?
[00:28:55] Então saber perguntar me ajudou muito eu entender quais que eram as disciplinas
[00:28:59] que eu tinha que aprender e desenvolver naquele período
[00:29:02] que eu estava fazendo gestão de projetos diversos.
[00:29:04] Imagino na história que você brincou do a indústria vai querer ir no mercado,
[00:29:08] na indústria e perguntar a alguém, você compraria isso aqui?
[00:29:11] Uhum.
[00:29:12] E entender como que a indústria funciona assim.
[00:29:13] Porque as vezes essa transferência de tecnologia, tipo, não, legal,
[00:29:18] mas a gente já comprou porque é uma multinacional.
[00:29:21] Então, várias tratativas não são no Brasil, elas vão ser na Europa ou nos Estados Unidos.
[00:29:26] Você entender qual que é a indústria te ajuda a saber que porta que você tem que bater,
[00:29:30] para quem você tem que pedir ajuda.
[00:29:32] Esse desenho, por isso que eu falo que é da experiência,
[00:29:36] você tem que fazer algumas vezes isso dando o médio certo,
[00:29:39] até você falar, não, olha, o caminho certo é esse, esse e esse.
[00:29:42] E aí, quando você pergunta de Brasil, culturalmente,
[00:29:45] nós temos um elemento que pouco, que eu acho que nenhuma cultura tem,
[00:29:48] que é o jeitinho.
[00:29:50] Uhum.
[00:29:51] O jeitinho que é o jeito mais pejorativo que deram.
[00:29:53] Porque é a história do brasileiro que não é contada pelo brasileiro, né?
[00:29:55] Mas aí, isso é um outro dia a gente fala disso.
[00:29:57] Isso.
[00:29:58] Porque é a habilidade brutalmente empreendedora, assim.
[00:30:01] Olha, Amanda, não vai dar.
[00:30:03] Aí eu olho e penso, não vai dar assim.
[00:30:05] Por isso que entender o processo é bom.
[00:30:07] Porque você fala, olha, não dá porque na cabeça dessa pessoa ela vai fazer A, B, C, D.
[00:30:10] Eu, beleza.
[00:30:11] Mas eu acho que dá.
[00:30:12] Então, entendi que pra você não dá porque na sua cabeça tá esse fluxo.
[00:30:16] E agora eu vou te dar três opções, olha.
[00:30:18] E se a gente fizer assim?
[00:30:20] E se fizer assado?
[00:30:21] E se fizer desse outro jeito?
[00:30:23] Sem infligir regras, assim.
[00:30:24] Não tô falando de infligir regras.
[00:30:25] Tô falando da gente fazer de um jeito diferente
[00:30:27] e dar um resultado tão bom quanto e sem te dar trabalho.
[00:30:30] Então, esse entendimento é o jeitinho.
[00:30:32] Só que a gente deixou o jeitinho só na vida pessoal, né?
[00:30:35] Poucas pessoas levam a habilidade empreendedora de ver as coisas
[00:30:38] por diversas possibilidades pro mundo do trabalho.
[00:30:41] Isso é o jeitinho.
[00:30:43] Não é o jeitinho pejorativo de querer passar a perna, porque eu duvido.
[00:30:46] Acho que o brasileiro, na maior parte das vezes,
[00:30:48] a gente quer mais ajudar as pessoas que necessariamente passar a perna.
[00:30:51] Senão, não era tão grande.
[00:30:53] Eu acho que quando eu penso em jeitinho, pra mim, é pejorativo e tal.
[00:30:57] E eu, antes até de ler o que você falou de jeitinho brasileiro na inovação,
[00:31:03] eu meio que já pensava como uma coisa positiva, mas sabendo que é negativo.
[00:31:06] Mas eu vi, por exemplo, quando eu trabalhei em empresas gringas,
[00:31:10] que eu vou chamar de flexibilidade.
[00:31:12] Tipo assim, ah, eu só giro o parafuso pra direita.
[00:31:15] Pra girar pra esquerda, tem que vir outro cara aqui.
[00:31:17] Cara, gira aí.
[00:31:19] Não vai ficar tão perfeito quanto se fosse, não sei o quê.
[00:31:22] E óbvio que isso, às vezes, descamba no…
[00:31:26] Aí você falou, quebrar regras, respeitar a legislação.
[00:31:28] Ah, não pode, tem que ter, sei lá, equipamento de proteção pra girar o parafuso
[00:31:32] e eu girei com o meu chaveiro aqui.
[00:31:34] Não dá pra quebrar regras.
[00:31:35] É, mas essa capacidade…
[00:31:37] Não, tá bom, vamos fazer do jeito que der.
[00:31:39] E depois a gente vê, aprende e tal.
[00:31:43] Mas é engraçado, porque aí no Vale do Silício vira hacker culture, né?
[00:31:47] Vira uns nomes bonitos em inglês.
[00:31:50] Olha que legal, fail harder.
[00:31:52] Aí lá pode ter jeitinho.
[00:31:54] Isso, aí lá pode ter.
[00:31:55] Aqui não pode, é.
[00:31:56] Mas a gente é muito empreendedor e é uma cultura acostumada.
[00:31:59] Eu tenho uma amiga italiana que falou isso há alguns anos, assim.
[00:32:02] Eu fiquei, cara, ela mora há muito tempo no Brasil.
[00:32:04] Ela falou, vocês brasileiros.
[00:32:06] Aí eu fiquei, nossa.
[00:32:07] Lá vem.
[00:32:09] Porque eu falei assim, né?
[00:32:10] Às vezes eu falo assim, não, os homens, as pessoas não negras e tal.
[00:32:13] Ela falou assim, vocês brasileiros.
[00:32:14] Eu falei, tá, o que a gente faz?
[00:32:15] Ela, vocês têm uma coisa que vocês não sabem.
[00:32:18] Então eu vou contar pra você.
[00:32:19] Porque às vezes você sabendo, você fica mais tranquila.
[00:32:22] Que é, vocês têm a habilidade de ficar com o melhor das culturas.
[00:32:25] Então, no geral, é uma coisa, quando encontra uma outra cultura,
[00:32:29] quando a cultura brasileira encontra uma outra cultura,
[00:32:32] vira só uma dessas culturas.
[00:32:34] Vocês não têm o costume de acabar com a cultura do outro.
[00:32:37] Por exemplo, a pizza no Brasil.
[00:32:39] Ela é a pizza brasileira.
[00:32:40] Ela não é a mesma massa italiana, mas ela é tão boa quanto a massa italiana.
[00:32:44] A comida italiana no Brasil, a comida japonesa no Brasil,
[00:32:47] a comida, tipo, não é a comida japonesa.
[00:32:49] É a comida japonesa feita no Brasil.
[00:32:51] Isso tem um, é diferente.
[00:32:53] Porque mistura a cultura de vocês com a cultura do outro povo.
[00:32:57] Vocês normalmente não matam a cultura do outro,
[00:33:00] igual diversos outros países fazem que a cultura acaba sobressaindo.
[00:33:03] E isso é um elemento incrível.
[00:33:05] Porque em muitos outros lugares do mundo,
[00:33:07] essas confusões, conflitos e brigas,
[00:33:09] e grandes confusões, elas vêm do choque das culturas.
[00:33:12] E delas não se suportaram no mesmo lugar.
[00:33:14] Ela falou, não, no Brasil é um dos poucos lugares do mundo
[00:33:17] onde muita gente de cultura diferente veio.
[00:33:19] E no Brasil essas coisas coexistem
[00:33:22] sem o grande estresse que há em outros lugares.
[00:33:24] Eu fiquei olhando assim, eu falei, nossa.
[00:33:27] Quando eu morei, eu morei um ano e meio nos Estados Unidos e um ano e meio no Canadá.
[00:33:30] E nos Estados Unidos era, a postura era,
[00:33:33] vire um de nós, perca a sua cultura.
[00:33:36] E no Canadá era o contrário, às vezes até meio chato assim.
[00:33:39] Não, você tem que, sei lá, falar…
[00:33:42] Sem você.
[00:33:43] É, fala português no trabalho.
[00:33:44] Ninguém vai te entender, mas a gente vai…
[00:33:46] E, legal, mas era um respeito diferente assim de, cara,
[00:33:49] a gente, até por questões que o Canadá está resolvendo em terapia,
[00:33:54] de destruição de povos e tal, não sei o quê.
[00:33:57] Então eles eram super respeitosos.
[00:33:59] E a galera nos Estados Unidos era, não,
[00:34:01] toma uma bandeira pra você pendurar na porta da sua casa.
[00:34:04] É, o norte-americano, ele é americano.
[00:34:05] O norte-americano, ele é americano sobretudo.
[00:34:07] Por isso que eles são tão confusos de entender, às vezes.
[00:34:10] E aí tem isso, essa dificuldade.
[00:34:13] Mas aí, isso é um bom gancho também,
[00:34:15] pra falar de uma outra coisa que eu vi que você escreveu,
[00:34:18] de que a gente…
[00:34:21] Eu não sei se é isso que você chamou de inovação pelo retrovisor,
[00:34:24] ou se é outra coisa.
[00:34:25] O que é inovação pelo retrovisor?
[00:34:27] Não, termina sua lei de raciocínio.
[00:34:29] Não, porque eu fui, eu tava outro dia num fundo de investimento,
[00:34:32] e a gente tá, enfim, desenhando um evento lá,
[00:34:35] eu tô ajudando a galera lá a fazer um evento,
[00:34:38] e aí eu ouvi uma frase que eu achei legal, assim,
[00:34:41] ah, passamos da fase de startups,
[00:34:43] de Uber brasileiro, o DoorDash brasileiro,
[00:34:46] não sei o que lá brasileiro,
[00:34:47] de pegar, né, é isso,
[00:34:49] nossa, sei lá, Netflix brasileira.
[00:34:51] Ah, legal, o cara tinha, era,
[00:34:53] deve até existir até hoje, a Netmovies.
[00:34:55] Não, legal, vou mandar DVD pelo correio,
[00:34:57] porque tem uma empresa nos Estados Unidos
[00:34:59] que manda DVD pelo correio, vou fazer igual.
[00:35:01] De que isso passou, e que agora, sei lá,
[00:35:04] eu, aí, opinião minha, e não das pessoas do fundo,
[00:35:07] o boom do Brasil são das coisas genuinamente brasileiras,
[00:35:12] tipo o Pix, tipo, acho que Fintech deve ser,
[00:35:14] deve ser, tá numa fase maravilhosa no Brasil,
[00:35:17] que é assim, em muitas coisas a gente tá até mais avançado
[00:35:20] do que outros países do mundo, e mesmo avançado não,
[00:35:23] assim, é diferente, aqui, eu adoro o boleto,
[00:35:26] já falei em vários podcasts que eu adoro o conceito de boleto,
[00:35:28] que é, cara, o preço das coisas sobe de um dia pro outro,
[00:35:31] nos Estados Unidos, paga a conta de luz mais rápido,
[00:35:34] mandando cheque pelo correio.
[00:35:36] Se você for esperar o cheque chegar pelo correio,
[00:35:38] desvalorizou a moeda, o brasileiro inventa o boleto,
[00:35:41] é inovação.
[00:35:43] Então, é, a gente tá entendendo, então,
[00:35:48] que é pra parar de ficar, ir no, sei lá, no South West,
[00:35:52] anotar, ah, tem uma startup que faz isso aqui,
[00:35:54] eu vou fazer igual no Brasil,
[00:35:56] como é que tá a cultura brasileira nisso?
[00:35:58] Boa pergunta, tá, a do retrovisor.
[00:36:00] Com frequência, acho que a gente ainda faz bastante isso,
[00:36:03] que é inovar tentando se adaptar,
[00:36:06] e tentando copiar alguém em algum lugar do mundo.
[00:36:08] Então, grandes negócios no Brasil,
[00:36:10] especialmente as startups de tecnologia,
[00:36:12] elas são copycats, então elas são cópias
[00:36:15] de alguma outra empresa do lado de fora.
[00:36:18] Quase todas as grandes.
[00:36:20] Já existe alguma outra coisa fora.
[00:36:21] E que massa, porque isso não é problema nenhum, assim,
[00:36:23] vai tentar fazer a mesma coisa no Brasil,
[00:36:25] tem um milhão de desafios, a gente vê,
[00:36:27] até pelos negócios que chegam no Brasil,
[00:36:29] ficam um ano, dois, e fala, não dá, tchau.
[00:36:32] E como o Brasil também é um laboratório, né,
[00:36:35] todos os grandes e-commerces da China operam no Brasil,
[00:36:38] é o único lugar do mundo que você tem todos os e-commerces chineses operando,
[00:36:41] é no Brasil, porque com certeza eles estão fazendo um laboratório
[00:36:45] e tentando entender como é que uma cultura absorve tanto a rede social
[00:36:49] e ao mesmo tempo também compra,
[00:36:51] como é que é uma cultura muito aderente, assim,
[00:36:54] a gente consegue consumir tudo,
[00:36:56] vai ver a novela, compra o que aparece na novela,
[00:36:58] o QR Code, vai ter TV digital, então,
[00:37:00] em termos de comportamento,
[00:37:01] o comportamento brasileiro está sendo estudado.
[00:37:05] Mas eu tenho a sensação de que a gente passou de uma primeira fase,
[00:37:08] inclusive de falar que essas coisas não existiam no Brasil.
[00:37:13] Então era uma coisa, tipo assim,
[00:37:14] se você quisesse ter uma empresa de tecnologia,
[00:37:16] você tinha que ter ido para o Vale do Silício,
[00:37:18] porque só lá que tem,
[00:37:20] não tem em outro lugar, não existe.
[00:37:22] E sendo que, na verdade,
[00:37:24] quando a gente começa a olhar para os números do Brasil nos últimos 20 anos,
[00:37:27] na América Latina, o Brasil é uma superpotência,
[00:37:30] em criação de negócios, todas as regiões,
[00:37:32] as regiões que tem mais,
[00:37:34] são as que tem maior concentração de dinheiro,
[00:37:36] porque é uma condição sine qua non para o negócio voar,
[00:37:38] é você conseguir investir em gente boa e em tecnologia.
[00:37:42] Duas coisas, cara.
[00:37:44] Por isso que a gente acha que a IA vai salvar,
[00:37:46] porque a IA, se ela realmente substitui as pessoas,
[00:37:48] é ótimo, porque ela barateia um custo aqui,
[00:37:50] que as pessoas, no final do dia, quando você vai pagar salários altos,
[00:37:52] você quer gente boa,
[00:37:54] isso no seu fluxo de caixa pode te matar.
[00:37:56] Só consigo pagar pessoas dois meses,
[00:37:58] aí conta para o seu time que você consegue,
[00:37:59] só no mais dois meses,
[00:38:00] porque as pessoas não vão performar bem,
[00:38:02] porque elas vão ficar desesperadas,
[00:38:04] pensando para onde elas têm que mandar um currículo
[00:38:06] para conseguir um novo emprego.
[00:38:08] Então, tem todo esse desafio.
[00:38:10] Mas existe uma fase em que a população como toda,
[00:38:12] e até os profissionais de tecnologia,
[00:38:14] eles existem em mais quantidade do que existia há 10 anos atrás.
[00:38:18] Eu lembro quando eu comecei a falar que eu trabalhava com startups,
[00:38:21] o pessoal não tinha a menor ideia do que eu fazia,
[00:38:23] eu falava assim, tipo, coitada, enlouqueceu.
[00:38:25] É economista, foi trabalhar com esse negócio que ninguém sabe o que é,
[00:38:28] porque ela não vai trabalhar em um banco.
[00:38:29] Eu trabalhei em banco, com startup,
[00:38:31] mas as pessoas não sabem o que eles estão fazendo.
[00:38:35] Hoje já está mais comum.
[00:38:37] E os empreendedores e as empreendedoras
[00:38:40] chegam com mais vocabulário e repertório na mesa,
[00:38:43] seja numa mesa de negociação com fundo,
[00:38:45] seja numa mesa de negociação com o possível cliente.
[00:38:48] O que está fazendo? Como está fazendo?
[00:38:50] Qual é a tecnologia que está usando?
[00:38:52] Onde que isso vai ser usado?
[00:38:53] Eu vi lá no início, as pessoas chegavam e falavam,
[00:38:56] olha, eu tenho isso?
[00:38:57] Descobre aí como é que a gente usa na sua empresa.
[00:39:00] O que não faz o menor sentido numa negociação comercial.
[00:39:04] Você tem que entender.
[00:39:05] Tanto que, no mundo inteiro, startup não é coisa de gente jovem.
[00:39:10] Normalmente as pessoas empreendem nos mercados
[00:39:12] que elas já atuaram no mundo corporativo.
[00:39:15] Tipo, já saiu da empresa onde trabalhou bastante tempo,
[00:39:18] você já…
[00:39:19] Você tem repertório.
[00:39:20] Você sabe qual é o problema,
[00:39:21] você sabe normalmente como é que as outras…
[00:39:23] Porque a gente é amigo das pessoas que tem o mesmo trabalho
[00:39:26] que o nosso em outro lugar, né?
[00:39:27] Isso.
[00:39:28] Eu brinco, tem vários grupos de WhatsApp.
[00:39:29] Tem o grupo da galera do marketing, da inovação, do jurídico.
[00:39:32] Todo mundo é amigo de alguém que faz a mesma coisa em algum outro lugar.
[00:39:35] Você cria repertório.
[00:39:36] Então, mesmo eu não tendo trabalhado na empresa X,
[00:39:39] eu escutei tanta minha amiga falar que os processos e tal,
[00:39:42] eu tenho mais ou menos o conhecimento.
[00:39:44] E aí, os negócios, a média, são pessoas acima dos 40 anos,
[00:39:47] que têm experiência em gestão de pessoas,
[00:39:50] com mais ou menos sucesso,
[00:39:52] que entendem da tecnologia,
[00:39:54] que entendem do processo que elas estão trabalhando,
[00:39:55] que entendem daquele mercado.
[00:39:57] Por isso que as coisas geralmente dão um pouquinho mais certo.
[00:39:59] Eventualmente, a gente tem um ou outro jovem fazendo diferente,
[00:40:03] mas essas pessoas não estão sozinhas.
[00:40:05] Ah, legal.
[00:40:06] Sempre tem gente com muita experiência junto com elas, assim.
[00:40:10] Pega a própria meta.
[00:40:11] O Facebook, todo mundo é o Zouk.
[00:40:13] Antes fosse o Zouk sozinho, tem mais…
[00:40:15] Tinha pelo menos ali três, quatro executivos parrudões de renome
[00:40:19] para ajudar a fazer com que a empresa sobrevivesse 10 anos.
[00:40:23] Para mim, inclusive,
[00:40:24] essa virada…
[00:40:26] Fase adulta.
[00:40:27] É, essa virada, enfim, sombria do Zouk,
[00:40:30] ela acontece quando a Sheryl Sandberg sai, entendeu?
[00:40:33] Eu trabalhava lá, ela fez um post,
[00:40:36] botou uma faixa na sala dele.
[00:40:39] Finalmente, meu chefe tem mais de 30 anos de idade.
[00:40:41] Então, assim, na minha fanfic, ela que segurava a onda dele,
[00:40:45] no dia que ela sai fora, ele…
[00:40:47] Tipo, adolescente saindo de casa, sabe?
[00:40:50] Não moro mais com a mamãe.
[00:40:52] Enfim, questões e não é pauta aqui.
[00:40:54] Mas o Brasil, você já falou algumas vezes,
[00:40:56] o Brasil é um país conservador num monte de coisa…
[00:40:58] Em tudo, quase.
[00:40:59] E a economia, o mercado financeiro também incentiva, facilita isso,
[00:41:05] que é a famosa frase que eu…
[00:41:07] Se eu já escutei muito você mais ainda,
[00:41:09] é que deve ser assim…
[00:41:10] Tá, mas se você não me render não sei quantos por ano,
[00:41:13] é mais fácil eu deixar na Selic,
[00:41:15] é mais fácil eu deixar aplicado no banco.
[00:41:17] E aí, não sei se é uma coisa brasileira ou universal,
[00:41:20] a famosa frase também…
[00:41:22] Tá, eu preciso que você inove,
[00:41:24] ou seja, a definição que você deu.
[00:41:25] Faça uma coisa de um jeito que nunca foi feito antes,
[00:41:28] mas me prova que vai funcionar.
[00:41:30] Me traz o famoso case.
[00:41:32] Você tem alguém que já fez…
[00:41:34] Alguém já fez, já usou…
[00:41:35] É…
[00:41:36] Não, porque senão não era, né?
[00:41:38] Eu não tava te trazendo isso aqui.
[00:41:40] Como é que esse choque de culturas no Brasil,
[00:41:42] na prática, o que que vira?
[00:41:44] Tá, eu acho que tem uma vontade de ser um Estados Unidos wannabe, assim, né?
[00:41:48] Tipo, ah, então eu quero que as minhas empresas
[00:41:50] sejam iguais às norte-americanas, etc.
[00:41:52] E aí, eu gosto muito quando a gente fala,
[00:41:53] voltar na história,
[00:41:54] porque enquanto economista,
[00:41:56] pra mim, eu faria essa graduação de novo,
[00:41:58] porque é uma maluquice,
[00:41:59] mas você mistura exatas com história
[00:42:01] e vai estudando tudo de novo pra você entender
[00:42:03] porque aquelas coisas foram daquele jeito,
[00:42:05] porque tem alguns contextos históricos.
[00:42:07] E aí, eu, que gosto muito de história,
[00:42:09] vou ser obrigada aqui a falar de Michel
[00:42:12] por um ponto específico.
[00:42:14] Viu, Michel tá em todo lugar.
[00:42:15] É um momento quase obrigatório,
[00:42:16] pelo menos pra gente citar Michel Coffurado.
[00:42:18] Tem que citar Michel Coffurado.
[00:42:19] Por quê?
[00:42:20] O jeito de fazer empresas nesse país,
[00:42:22] ele não vem do build.
[00:42:26] Igual a economia americana.
[00:42:28] Então, a gente se espelha numa economia
[00:42:30] que é a economia das pessoas criarem coisas,
[00:42:33] falando que a gente quer chegar lá,
[00:42:35] mas a gente quer ter a segurança
[00:42:37] de um país que foi colonizado
[00:42:38] e a maior parte das empresas ainda são familiares
[00:42:40] e que a pessoa que tá ali tocando
[00:42:42] não foi a pessoa que criou.
[00:42:44] Ela é uma pessoa que herdou aquilo
[00:42:46] de alguma forma.
[00:42:48] E aí, o mecanismo do herdar,
[00:42:50] ele quer garantir que aquilo
[00:42:52] vá continuar ali sem que ele tenha esforço.
[00:42:55] Então, esse conflito, ele vai sempre existir.
[00:42:57] Porque, culturalmente,
[00:42:58] quem tá gerindo aquela empresa,
[00:42:59] ela tá na lógica do
[00:43:01] preciso minimizar o risco e manter o meu dinheiro.
[00:43:04] Por isso que a conversa é a do
[00:43:05] o quanto que rende?
[00:43:07] O quanto que vai ficar aqui no meu bolso?
[00:43:09] Se você não me…
[00:43:10] Tô comparando duas coisas,
[00:43:11] essa daqui parece que vai me dar mais.
[00:43:12] Então, eu vou continuar deixando meu dinheirinho aqui
[00:43:14] em vez de ficar nessa loucura desse pessoal.
[00:43:17] Tanto que a gente tem várias empresas grandes
[00:43:19] que elas não são brasileiros,
[00:43:21] que tocaram o início delas.
[00:43:23] Você pega, tipo, o Nubank.
[00:43:25] Não, teve um colombiano
[00:43:27] de uma cultura diferente,
[00:43:29] de fato, de criar,
[00:43:30] pra terminar de ajudar a tirar o time do papel.
[00:43:32] O time é fenomenal?
[00:43:34] É fenomenal.
[00:43:35] Mas não é um time só de uma cultura de pessoas
[00:43:37] com dinheiro pra fazer um negócio.
[00:43:39] No Brasil, se são pessoas com dinheiro,
[00:43:41] o dinheiro delas
[00:43:43] não veio de construir nada.
[00:43:45] Então, culturalmente, você tem…
[00:43:47] Por que eu falo assim?
[00:43:48] O Michel é bom porque ele explica,
[00:43:49] tem várias vezes que ele fala
[00:43:50] da lista da Forbes, etc.
[00:43:52] E pra mim é muito isso.
[00:43:53] Eu falo que era verdade, né?
[00:43:54] A pessoa não é de uma cultura do fazer,
[00:43:56] ela é da cultura da estabilidade.
[00:43:58] Do conquistar.
[00:43:59] Não existe isso que eu vou falar,
[00:44:01] mas quem, por acaso, ainda não ouviu
[00:44:03] a minha conversa com o Michel,
[00:44:05] foi a primeira agora desse segundo semestre,
[00:44:07] eu comento logo, acho que logo no início,
[00:44:09] de que a explodida de cabeça que deu no livro dele
[00:44:12] é que ele diz que os ricos americanos
[00:44:14] ou, enfim, gringos em geral,
[00:44:16] usam o verbo construir
[00:44:18] pra falar da sua riqueza.
[00:44:20] Construir minha riqueza.
[00:44:21] E o brasileiro usa o verbo conquistar.
[00:44:23] Eu conquistei a minha…
[00:44:24] Só ali eu podia fechar o livro.
[00:44:26] Tchau, vou embora.
[00:44:27] É, mas é uma coisa bem do colonizado, né?
[00:44:29] Mas a gente…
[00:44:30] Esse colonizado eu também fiquei pensando
[00:44:32] de que, de novo, mega enviesado,
[00:44:35] não estou nesse mundo de inovação,
[00:44:37] nem de startup, nem nada,
[00:44:38] mas às vezes eu vejo muitas startups
[00:44:40] ou iniciativas de empresas
[00:44:42] de que, na verdade, o sonho delas
[00:44:44] é virar fornecedor de uma empresa gringa.
[00:44:48] Não é eu vou fazer…
[00:44:49] Ou é o copycat que você falou,
[00:44:51] eu vou ser a Netflix brasileira.
[00:44:53] Ou assim, não, eu vou fazer um data center
[00:44:56] que o Mark Zuckerberg vai rodar
[00:44:58] o data center dele no Brasil,
[00:44:59] porque a mão de obra é mais barata
[00:45:01] e que é cultura extrativista, assim.
[00:45:05] Se antes era cana-de-açúcar ou borracha,
[00:45:08] agora é água, é data center.
[00:45:10] O que é?
[00:45:11] Estou comunistinha demais?
[00:45:12] Estou viajando?
[00:45:13] O que você vê por aí?
[00:45:14] Comunistinha demais.
[00:45:15] Não, de certa forma,
[00:45:16] pra mim faz bastante sentido
[00:45:17] porque você vai mudando
[00:45:18] a camada produtiva da economia
[00:45:20] daquele ciclo, né?
[00:45:21] As big techs, querendo ou não,
[00:45:23] elas estão em voga
[00:45:24] e vai ficar mais ainda
[00:45:26] a gente que aprenda aí
[00:45:27] como detectar o que está certo
[00:45:29] e o que está errado,
[00:45:30] o que é um deep fake ou não,
[00:45:32] porque até os olhos mais treinados
[00:45:34] vão ser enganados,
[00:45:35] mas no final do dia, pra mim,
[00:45:36] tecnologia digital é um novo poder.
[00:45:38] Não é necessariamente
[00:45:39] só porque eu vou criar isso
[00:45:40] porque uma meta vai rodar
[00:45:42] ou, sei lá, qualquer uma outra
[00:45:43] grande big tech vai usar,
[00:45:45] mas significa que ali
[00:45:46] eu vou ter um grande fluxo de dados,
[00:45:48] de dinheiro,
[00:45:49] então é melhor isso
[00:45:50] do que eu criar uma loja,
[00:45:51] do que eu, sei lá,
[00:45:52] ter um comércio.
[00:45:53] Tentar fazer um concorrente
[00:45:54] do Facebook.
[00:45:55] Tentar fazer um concorrente.
[00:45:56] Então, você vai ter essas práticas.
[00:45:57] E você tem já grandes monopólios, né,
[00:45:59] de tecnologia.
[00:46:00] Antes era assim,
[00:46:01] ah, essa rede social
[00:46:02] roda só lá na Ásia.
[00:46:03] Não, os negócios
[00:46:04] rodam tudo em todo lugar.
[00:46:06] É que a gente usa mais
[00:46:08] X ferramentas,
[00:46:09] uma outra cultura
[00:46:10] usa mais a outra,
[00:46:11] mas assim, você pode acessar.
[00:46:12] Se a gente quiser entrar aqui no WeChat,
[00:46:13] criar um grupo e tal,
[00:46:14] a gente…
[00:46:15] Inclusive, eu tenho o WeChat
[00:46:16] e eu tenho vários amigos
[00:46:18] que estão brasileiros
[00:46:19] que estão mundo afora
[00:46:20] em que a gente usa
[00:46:21] a ferramenta para se comunicar.
[00:46:22] Então, não é mais
[00:46:23] um negócio só chinês.
[00:46:25] A minha percepção é que no Brasil,
[00:46:27] durante um bom tempo,
[00:46:29] quem estava empreendendo,
[00:46:31] quem estava conseguindo ter acesso
[00:46:32] aos fundos de investimento
[00:46:33] era quem, de certa forma,
[00:46:34] já tinha dinheiro.
[00:46:35] Por isso que era uma coisa assim,
[00:46:37] ah, isso aí é só para quem
[00:46:38] tem dinheiro.
[00:46:39] Criar uma startup
[00:46:40] é só para quem tem dinheiro,
[00:46:41] porque é caro mesmo
[00:46:43] e no Brasil você já tem
[00:46:44] uma dinâmica de classe diferente
[00:46:46] de outros lugares do mundo.
[00:46:47] E o que eu acho
[00:46:48] que é muito interessante
[00:46:49] é que a gente tem
[00:46:50] uma cultura de empreendedorismo
[00:46:51] e a gente tem uma cultura
[00:46:52] de empreendedorismo
[00:46:53] muito diferente
[00:46:54] do que a gente tem
[00:46:55] no Brasil.
[00:46:56] Por isso que eu tendo
[00:46:57] a voltar que é…
[00:46:58] Putz, tem um pouco
[00:46:59] de que é cultural.
[00:47:00] E aí, é curioso,
[00:47:01] eu rodei o Brasil
[00:47:02] durante uns cinco anos
[00:47:03] fazendo Startup Weekend,
[00:47:04] que é um evento
[00:47:05] de três dias,
[00:47:06] cinquenta e poucas horas.
[00:47:07] Começa sexta à noite
[00:47:08] e termina no domingo
[00:47:09] em que você ensina as pessoas
[00:47:10] a pensar
[00:47:11] qual é a cultura empreendedora
[00:47:12] e elas vão testar
[00:47:13] criar um produto
[00:47:14] naquele final de semana.
[00:47:15] E elas não se conhecem
[00:47:16] e têm que formar time e tal.
[00:47:17] Então, você tem
[00:47:18] uma cultura animal.
[00:47:19] É muito divertido
[00:47:20] e caótico,
[00:47:21] mas é muito divertido.
[00:47:22] E aí, eu rodei o Brasil.
[00:47:23] Fui para diversos lugares
[00:47:24] do Brasil fazer isso
[00:47:25] e uma das coisas
[00:47:26] que eu entendi foi
[00:47:27] dependendo do lugar
[00:47:28] onde as pessoas estão,
[00:47:30] as ideias são diferentes.
[00:47:31] Sim.
[00:47:32] As dores estão muito…
[00:47:33] As soluções,
[00:47:34] elas estão muito conectadas
[00:47:35] com a realidade local.
[00:47:36] Então, você tinha lugar
[00:47:37] que as pessoas
[00:47:38] queriam fazer
[00:47:39] uma solução digital
[00:47:40] para resolver
[00:47:41] o problema
[00:47:42] de saneamento básico.
[00:47:43] E na capital,
[00:47:44] estava rodando
[00:47:45] um Startup Weekend
[00:47:46] de criptomoeda.
[00:47:47] Uhum.
[00:47:48] Porque já era
[00:47:49] um público
[00:47:50] que já tinha feito
[00:47:51] um de fintech,
[00:47:52] eu estava mais conectada
[00:47:53] a banco
[00:47:54] e queria testar
[00:47:55] e validar
[00:47:56] um produto
[00:47:57] voltado para criptomoedas.
[00:47:58] Aí, eu já rodei
[00:47:59] um outro
[00:48:00] que era impacto social.
[00:48:01] Como é que a gente usa
[00:48:02] essa metodologia
[00:48:03] de criar startup
[00:48:04] que pode dar
[00:48:05] muita escala
[00:48:06] e faturamento?
[00:48:07] Mas pensando
[00:48:08] em impacto social,
[00:48:09] que eu vou ter também
[00:48:10] um elemento aqui
[00:48:11] que é,
[00:48:12] isso vai mudar
[00:48:13] a vida das pessoas,
[00:48:14] de preferência
[00:48:15] com Delta
[00:48:16] para melhorar
[00:48:17] a vida das pessoas
[00:48:18] como é que a gente
[00:48:19] pensa
[00:48:20] essa metodologia
[00:48:21] e como é que você ajuda
[00:48:22] as pessoas que estão
[00:48:23] na ponta
[00:48:24] a pensar
[00:48:25] nesses elementos,
[00:48:26] não ficar só
[00:48:27] nos incentivos
[00:48:28] de curto prazo.
[00:48:29] E aí, eu aprendi
[00:48:30] que, cara,
[00:48:31] uma solução
[00:48:32] na cidade de São Paulo
[00:48:33] ela é diferente
[00:48:34] das soluções
[00:48:35] ao redor
[00:48:36] que são diferentes
[00:48:37] das soluções
[00:48:38] que você tem em Curitiba.
[00:48:39] Porque em Curitiba
[00:48:40] a realidade é outra,
[00:48:41] porque em BH
[00:48:42] a realidade é outra,
[00:48:43] no Rio é outra,
[00:48:44] em Recife é outra.
[00:48:45] E isso me deixou
[00:48:46] muito atenta
[00:48:47] e me deixou
[00:48:48] muito mais atenta
[00:48:49] e me deixou
[00:48:50] muito mais atenta
[00:48:51] ao que eu tinha
[00:48:52] no Brasil
[00:48:53] também.
[00:48:54] Porque,
[00:48:55] eu me lembro
[00:48:56] que eu estava
[00:48:57] a ir para o Brasil
[00:48:58] e não me deixava
[00:48:59] de ir para o Brasil
[00:49:00] porque eu não
[00:49:01] sabia
[00:49:02] o que tinha
[00:49:03] de bom
[00:49:04] para eu,
[00:49:05] para eu
[00:49:06] que eu ia
[00:49:07] para o Brasil
[00:49:08] e eu não
[00:49:09] sabia
[00:49:10] nada
[00:49:11] do que
[00:49:12] tinha de bom
[00:49:13] para eu.
[00:49:14] Então,
[00:49:15] eu me deixei
[00:49:16] do ensino básico da região
[00:49:17] eram muito fracas, que as crianças
[00:49:19] falavam assim, olha aí, tem um
[00:49:21] cheiro do que mostra que tipo de solução
[00:49:24] aquela região precisa, né?
[00:49:25] Porque a gente fica, tipo, vou nascer global?
[00:49:27] Porque o global é, vou pros Estados Unidos,
[00:49:30] pra mim sempre o global é sempre o outro,
[00:49:32] você tem o ser único, ele é um norte-americano,
[00:49:34] o ser único no mundo dos negócios
[00:49:36] ele é um norte-americano. Então, quando a gente
[00:49:37] fala, vou nascer global, eu preciso me comunicar
[00:49:39] com o mercado americano. Mas quando você tem
[00:49:41] um país do tamanho do continente,
[00:49:44] é igual os chineses e os indianos fazem,
[00:49:46] assim, poucas soluções, a gente vê, porque eles já tem
[00:49:48] meio mundo lá entregando produto e serviço
[00:49:50] e tá rodando lá.
[00:49:51] Aqui também eu fico pensando, putz, se a gente conseguisse
[00:49:54] atender o Brasil,
[00:49:56] como é que você faz um negócio pro público
[00:49:57] brasileiro? E você atende
[00:50:00] o mercado consumidor, você já tem meio mundo,
[00:50:02] já tá meio global, você tá
[00:50:03] minimamente bem regional na América Latina,
[00:50:06] porque você compõe, tá,
[00:50:08] dentro do Brasil, você não precisa pensar,
[00:50:09] tem que ir pro mercado americano,
[00:50:11] porque lá no mercado americano tem pelo menos uns 500
[00:50:13] igual o que você tá fazendo, sempre tem muita gente.
[00:50:15] E se educar, assim,
[00:50:16] ir no South by Southwest, adoro, um monte de gente
[00:50:19] diz que foi por minha causa,
[00:50:21] tenho saudade de ir, por favor, alguém pague
[00:50:23] pra eu ir e tal. Ai, paga pra gente ir.
[00:50:25] Mas, é, a gente gravou
[00:50:27] um ar sobre isso aqui, nessa mesa,
[00:50:29] meio sobre tendências,
[00:50:32] porque também tem isso
[00:50:33] assim, não, alguém precisa dizer
[00:50:35] no South by Southwest pra aquilo ser
[00:50:37] verdade, e não
[00:50:39] necessariamente é verdade pro Brasil,
[00:50:41] talvez aquela verdade já estivesse aqui,
[00:50:43] talvez, a gente tava zoando,
[00:50:45] outro dia, que a Apple agora lançou
[00:50:47] o carnê, né,
[00:50:49] pague no, como é que é, buy first, pay later,
[00:50:51] galera, o carnê, a Apple inventou o carnê,
[00:50:54] e a grande novidade e tal,
[00:50:55] e talvez seja uma coisa muito de metrópole,
[00:50:57] eu sou específico de São Paulo, de que
[00:50:59] não, aqui
[00:51:01] a gente tem isso, eu vou
[00:51:03] buscar a tendência lá fora,
[00:51:05] quando, de repente, a tendência é
[00:51:07] implementar tudo isso que você falou
[00:51:09] no Brasil, e outro exemplo que
[00:51:11] eu sempre dou, a gente fez um podcast
[00:51:13] com a Taquibã, que é,
[00:51:15] a empresa de tecnologia
[00:51:17] que o produto mais famoso é o Banco 24
[00:51:19] Horas, e aí vários
[00:51:21] programas eram assim, ah, as pessoas não vão mais
[00:51:23] à agência bancária, não,
[00:51:25] as pessoas, na Zona Oeste de São
[00:51:27] Paulo, não vão mais à agência bancária,
[00:51:29] em outros lugares do Brasil, as pessoas não vão à agência
[00:51:31] bancária, porque não tem agência bancária, a gente
[00:51:33] ainda tá levando a agência bancária lá
[00:51:35] com tecnologia, então,
[00:51:37] o Brasil tem essa, e eu acho
[00:51:39] que o paulistano tem muito, de olhar
[00:51:41] pra fora e falar, não, e aí
[00:51:43] chega o ponto da
[00:51:45] do governo de São Paulo fazer
[00:51:47] ações de empreendedorismo
[00:51:49] no South by Southwest, meio que assim, ah, vamos ver
[00:51:51] se agora a galera, ah, está
[00:51:53] aqui, então é importante, então a gente
[00:51:55] tá sempre olhando pra fora e não
[00:51:57] precisou algum gringo
[00:51:58] chancelar, então agora
[00:52:01] é verdade, e essa minha pira toda
[00:52:03] não é uma pergunta, é só uma grande reclamação
[00:52:05] eu falei que eu escrevo melhor quando eu tô com raiva, agora
[00:52:07] eu falei com raiva. Ah, a minha impressão é quando a gente
[00:52:09] fala do mercado de São Paulo, especificamente,
[00:52:11] porque eu não sou daqui, às vezes eu falo das pessoas aqui
[00:52:13] que são, elas são diferentes, assim,
[00:52:15] primeiro quando eu falo Sudeste, às vezes
[00:52:17] eu fico querendo me colocar do lado de fora, eu falo
[00:52:19] Sudeste é São Paulo e Rio
[00:52:20] que vocês esquecem de Minas e do Espírito Santo
[00:52:23] com uma frequência muito grande, e culturalmente
[00:52:25] é muito diferente Sudeste, né
[00:52:27] São Paulo, Rio, Rio é muito
[00:52:29] diferente, Minas, Espírito Santo, é todo mundo
[00:52:31] muito diferente, apesar de ser
[00:52:32] regionalmente a gente tá no mesmo lugar
[00:52:35] mas em São Paulo, esse grande
[00:52:37] mundo corporativo, a Faria Lima ali
[00:52:39] que é meio que parece, tal
[00:52:40] todo mundo tem um uniforme, né, a blusa
[00:52:43] branca, falando que as pessoas são todas
[00:52:45] iguais, pra mim, eles
[00:52:47] tem uma coisa do ser muito
[00:52:49] parecido com o mercado norte-americano, até porque
[00:52:51] o que a gente fala das grandes empresas, elas
[00:52:53] são todas multinacionais, né
[00:52:54] então elas são empresas de culturas
[00:52:57] que não são a do Brasil, então é uma empresa alemã
[00:52:59] é a empresa inglesa, é a empresa
[00:53:01] de uma marca, é a empresa americana
[00:53:02] tem ações na bolsa, então tem investidor
[00:53:05] tem membro do conselho
[00:53:06] então se tem esse jeito de fazer, que ele é meio americano
[00:53:09] e a minha sensação é, o fato de ir
[00:53:11] pro STCW, ou algum evento
[00:53:13] fora, e voltar a falar no inglês, que mais
[00:53:15] 20 pessoas falaram a mesma coisa que a gente
[00:53:17] fala ou faz aqui, tem a ver com uma
[00:53:19] validação, porque quando a gente
[00:53:21] olha pro que é legal de fora
[00:53:23] e quem que a gente quer ser, a gente
[00:53:25] não quer ser uma coisa que tá aqui, a gente quer ser
[00:53:27] um negócio que tá lá fora, e que mais uma vez
[00:53:29] pra mim volta muito numa lógica cultural
[00:53:30] de quem foi colonizado, ensinado
[00:53:33] que o mais legal é o que tá do lado de fora
[00:53:35] e não necessariamente aqui, e eu já penso o contrário
[00:53:37] gente, toda vez que eu encontro
[00:53:39] uma pessoa do lado de fora, eu sou conselheira do
[00:53:41] Pacto Global da ONU, já fui à ONU, no lugar, você tem
[00:53:43] gente de muitos lugares, a galera sabe
[00:53:45] que a gente é do Brasil e fica muito curioso
[00:53:47] e curiosa pra entender como é que a gente
[00:53:49] tá fazendo as coisas aqui, assim
[00:53:50] pro mundo, o Brasil é um grande
[00:53:53] lugar e celeiro de ideias, de jeito
[00:53:55] de fazer, de forma de fazer, e a gente vive tentando
[00:53:57] matar isso, pra ser cada
[00:53:59] vez mais parecido com o que é o mundo
[00:54:01] velho, assim, o norte global
[00:54:03] é o velho mundo, e o novo
[00:54:05] mundo é a gente, é o sul global
[00:54:07] Brasil, China, Índia
[00:54:09] e é por isso que a gente tem muitas confusões políticas
[00:54:11] exatamente, porque é um jeito novo de fazer
[00:54:13] de ver negócio, e
[00:54:15] etc, cultura, tudo mais
[00:54:16] e aí, pra mim, o problema do
[00:54:19] mundo dos negócios é que a gente mira em querer ser
[00:54:20] nos Estados Unidos, que a gente não é
[00:54:22] e fica validando, eu acho um absurdo
[00:54:24] você ter uma palestra num evento desse
[00:54:27] e ser a palestra do ano que todo mundo faz
[00:54:29] todo mundo contrata, nada contra, eu acho
[00:54:31] excelente o framework, acho muito legal
[00:54:32] de forma de pensar
[00:54:34] de conseguir abarcar um tanto de coisa no negócio
[00:54:37] só. O framework de um evento tipo
[00:54:38] South by Southwest, é isso que você tá falando? Sim
[00:54:40] e de palestrantes que, tipo, faz
[00:54:42] a palestra na estrada CW pra ser
[00:54:45] palestra do ano. Tá, tá. Animal, mas se a gente
[00:54:47] passar 12 meses falando
[00:54:49] a mesma coisa, temos um problema, tem alguma coisa
[00:54:51] errada aí, não é possível. Porque 12 meses depois
[00:54:53] joga tudo fora e vem um novo PowerPoint
[00:54:55] de 500 slides, um relatório de tendências
[00:54:57] mas enfim. E que é tudo meio parecido
[00:54:59] diferente, assim, acho que
[00:55:00] tem pra mim até essa coisa de falar que foi
[00:55:03] olha, eu tô mais parecido com o que a gente tá falando
[00:55:05] que quer ser, e pra mim a comunidade
[00:55:07] brasileira é muito legal, mas
[00:55:09] você viajar sem saber falar a língua
[00:55:11] do evento, eu começo a achar que é
[00:55:13] um jeito malucudo
[00:55:15] o mundo corporativo de São Paulo, se tem muita gente
[00:55:17] que viaja pros Estados Unidos
[00:55:18] não sabe falar inglês e não vê
[00:55:21] palestra nenhuma, porque… É um jeitinho brasileiro
[00:55:22] não tem como, mas aí pra mim
[00:55:25] é o… é a coisa cultural
[00:55:27] da gente falar que acessou, que foi
[00:55:29] que teve lá. Sim, sim, sim.
[00:55:30] Você fazer as reuniões, ah, é muito difícil te encontrar
[00:55:32] em São Paulo. Gente, os prédios são um do lado do outro
[00:55:35] é todo mundo que trabalha presencialmente. É um
[00:55:36] de novo, é uma coisa de rico. É coisa de
[00:55:39] todo mundo mora no mesmo bairro. Eu fui
[00:55:41] pra Austin, estava lá
[00:55:43] em Austin, não sei o que, e fui visto, né
[00:55:45] o famoso. Ah, se eu
[00:55:46] te encontrei lá, você deve
[00:55:49] ser importante, porque ou você pagou
[00:55:51] do bolso, você é rica e pagou do bolso pra ir
[00:55:53] ou a sua empresa te pagou,
[00:55:55] alguém te pagou. Ou você é importante, porque a empresa
[00:55:56] e é uma viagem cara, né
[00:55:59] não é estar falando o que é. Sim, sim, sim. Por isso que
[00:56:00] eu nunca fui pagando do bolso. Mas particularmente
[00:56:03] eu acho Austin, Austin é uma cidade
[00:56:05] maravilhosa, é a capital do Texas. Eu acho que tem
[00:56:07] coisa tão legal, muito mais legal do que só ver
[00:56:09] palestras. Eu falo, gente, esse ano eu não
[00:56:11] fui. Aí o pessoal fala, o que que eu faço?
[00:56:13] Eu vou nos restaurantes, vai na rua X, na
[00:56:15] rua Y, é a cidade da música, vai
[00:56:17] ouvir música. Belo Horizonte e Austin
[00:56:19] são cidades irmãs, né.
[00:56:21] Vai lá na universidade, pelo amor de
[00:56:23] Deus, é a capital desse lugar, não é Houston,
[00:56:25] não é Dallas. Eu fui na universidade e me senti mal, porque eu comparei
[00:56:27] com a minha universidade e me senti um,
[00:56:29] enfim. É, mas então, ó, vamos
[00:56:31] lançar, é, vamos lançar aqui, hein.
[00:56:33] Pra ver a gente. É, como chama?
[00:56:35] Comitiva? Vamos fundar uma comitiva.
[00:56:37] Como chama? É excursão, comitiva. Eu e você, excursão,
[00:56:39] tia, tia Augusta
[00:56:41] da Tia Eliana. By Southwest,
[00:56:43] eu e a Amanda aqui, empresa,
[00:56:44] liguem pra gente, vamos fazer uma comitiva
[00:56:47] aqui, levar, que significa que eu preciso
[00:56:49] renovar meu visto, que eu tô sem passaporte, sem visto,
[00:56:51] mas eu dou meu jeito. É, vamos
[00:56:53] começar logo, né, porque
[00:56:54] é, eles estão querendo
[00:56:57] demorar um pouquinho mais,
[00:56:58] com visto que já é demorado.
[00:57:01] Você vai, eu fico daqui, mas vamos,
[00:57:03] quem, né, liguem pra gente aí.
[00:57:04] Gente, leva a gente. Mas eu gosto, pra mim,
[00:57:06] essa perspectiva de você ver como é que o outro
[00:57:08] faz, é importante. Eu acho que viajar é um negócio
[00:57:11] muito legal de se fazer mesmo. Sim, sim, sim.
[00:57:13] Seja pela língua, seja pelo jeito,
[00:57:14] eu sou uma pessoa muito curiosa pela forma.
[00:57:17] Fico, tá, deu certo, mas deixa eu entender
[00:57:19] o que que o Cris tá fazendo aqui, tá?
[00:57:21] Será que se eu fazer do jeito
[00:57:22] que o Cris faz, mas olhando
[00:57:24] pra um outro mercado, um outro segmento,
[00:57:27] dá um resultado parecido ou não dá?
[00:57:29] Essa coisa, pra mim, da forma, quando a gente
[00:57:30] vai pro mundo dos negócios, é o
[00:57:33] que mais me interessa, que é inovar, né, porque
[00:57:34] inovar é no jeito, não é que a gente tá
[00:57:36] reinventando a roda. Não vai dar, vai
[00:57:38] rodar, mas o material vai ser melhor,
[00:57:41] vai ser mais leve, vai rodar
[00:57:43] mais rápido. E também a
[00:57:44] coisa que a gente até falou no programa aqui,
[00:57:46] que fomos de tendências e festivais,
[00:57:48] que eu brinco que é o lema extra-oficial do
[00:57:50] Bônus da Internet, que é eu não tô maluco sozinho,
[00:57:52] assim, eu vou lá, eu estou
[00:57:55] há 15 anos falando que tem que fazer sei lá o
[00:57:56] que, eu vou lá, o Scott Galloway
[00:57:58] fala, aí eu volto e falo assim, ó, não sou
[00:58:00] eu que tô dizendo, foi o Scott, pô, Scott Galloway,
[00:58:03] o cara falou, então vamos fazer. Então,
[00:58:05] tem uma validação,
[00:58:07] tem uma peneira, tem eu olhar os 500 slides
[00:58:09] da M-Web e achar, ah, esse aqui
[00:58:10] vai me ajudar a vender essa
[00:58:12] ideia. Então, também é saber,
[00:58:14] jogar o jogo e
[00:58:16] encontrar pessoas de todos os lugares do mundo
[00:58:19] e de culturas
[00:58:20] diferentes. E tem a coisa
[00:58:22] do Hacktown que a gente foi,
[00:58:25] de que você não está em São
[00:58:26] Paulo, então você
[00:58:28] não dá, não, de manhã eu vou lá na agência
[00:58:31] e de tarde eu vou,
[00:58:32] entendeu? Você tá em outra cidade, o ritmo
[00:58:34] é diferente, a cultura é outra. Você tá imerso
[00:58:36] no negócio, enfim, pro lado
[00:58:38] bom e pro lado ruim. Deixa eu
[00:58:40] te perguntar, indo pro final,
[00:58:42] eu muitas vezes falo,
[00:58:44] ah,
[00:58:44] agora a plateia faz, ah…
[00:58:46] No bônus de internet em geral, principalmente na
[00:58:48] newsletter, eu bato muito na
[00:58:50] história do que eu chamei de
[00:58:52] planilha apontada pra cima, de tudo,
[00:58:55] todas as
[00:58:56] empresas são focadas, não, se eu não conseguir
[00:58:58] provar o ROI, se eu não conseguir mostrar
[00:59:00] que o número, a coluna
[00:59:02] W da planilha tá
[00:59:04] verde, isso não existe. Eu tava
[00:59:06] conversando esse fim de semana com uma amiga minha,
[00:59:08] eu entrevistei aqui a Mariana Clark, psicóloga,
[00:59:10] que fala de saúde
[00:59:12] mental nas empresas, lutos,
[00:59:14] lideranças e tal. E aí
[00:59:16] essa amiga minha tava, ah, que legal, quero
[00:59:18] conversar com ela, porque eu tô tentando implementar
[00:59:20] isso, sei lá. E aí
[00:59:22] ela falou a frase, a grande frase
[00:59:24] que é, mas é difícil
[00:59:26] provar pros gestores
[00:59:28] que dá resultado. Aí eu falei assim,
[00:59:30] cara, olha que ponto chegamos, né? É tipo
[00:59:32] tratar bem o funcionário, não, mas
[00:59:34] vai
[00:59:36] na planilha, se você tratar
[00:59:38] os funcionários como seres humanos,
[00:59:40] será que é melhor pros negócios?
[00:59:42] Como é que eu provo
[00:59:44] inovação? É que no curto
[00:59:46] prazo, né, a galera ia falar
[00:59:48] isso é uma doença de longo prazo.
[00:59:50] Inovação é mais fácil de provar, talvez
[00:59:51] seja o caminho pelo
[00:59:54] lado da inovação, também tá difícil pra inovação,
[00:59:56] como é que se prova a ROI de inovação?
[00:59:58] Em cima de tudo que a gente falou até agora.
[00:59:59] Inovação também se prova ao longo do
[01:00:02] tempo, no longo prazo.
[01:00:03] Na trama, né, a trama é porque
[01:00:06] a gente gosta de costurar disciplinas
[01:00:08] que não são tão óbvias,
[01:00:10] exatamente porque a gente não acredita numa coisa só
[01:00:11] pra resolver problema de negócio.
[01:00:14] A gente só trabalha com coisa de crescimento, assim,
[01:00:15] no final vai melhorar, vai ser melhor
[01:00:18] mais rápido ou vai dar mais dinheiro, porque se
[01:00:19] isso não mexer no jeito
[01:00:22] do negócio fazer, a gente não continua
[01:00:23] atendendo aquele cliente. Então tem um
[01:00:26] ah, que bonito, não, é porque a gente sabe
[01:00:27] se não costura direito ou não
[01:00:29] avança em termos da agenda.
[01:00:31] Mas pra clientes eu gosto muito de sempre falar
[01:00:33] duas coisas, assim. Primeiro é, qual que é aquele
[01:00:35] projeto que já tá dentro de casa,
[01:00:38] mas não foi porque ou não teve um
[01:00:40] bom sponsor, ou
[01:00:42] quando a gente fez, começou a fazer, mas aí desistiu
[01:00:44] porque tinha que bater a meta do trimestre.
[01:00:46] Que negócio que é aquele que tá meio capenga,
[01:00:48] mas se a gente ajustar
[01:00:49] ou quiser botar a culpa na consultoria,
[01:00:51] avança. Esse a gente faz.
[01:00:54] E aí é inovação, porque ninguém queria tocar
[01:00:55] muito bem, mas é um gol rápido.
[01:00:57] Só o pessoal ficar um pouquinho feliz e deixar
[01:00:59] a gente lá mais um pouco pra conseguir dar o resultado
[01:01:01] de longo prazo. Mas são iniciativas que se
[01:01:03] provam no longo prazo. E por que que é difícil
[01:01:05] você provar, às vezes, o ROI?
[01:01:07] Lembra que lá no início eu falei, a galera é muito boa de framework,
[01:01:10] é boa de falar bonito, mas não entende o negócio.
[01:01:12] Aí não entende o negócio, não sabe
[01:01:13] o que que é ROI pro negócio. É o quê?
[01:01:15] Vender mais?
[01:01:17] Não sabe nem escolher o ROI, apontar…
[01:01:19] É o quê? É um novo mercado? Qual que é a meta
[01:01:21] desse ano? E pra mim, no mundo
[01:01:23] corporativo, se a gente não tem essa…
[01:01:26] Porque pra mim, o mindset é um
[01:01:27] software mesmo, é um jeito de pensar,
[01:01:30] é mentalidade de verdade, porque
[01:01:31] qual que é a lógica é essa?
[01:01:33] Que a gente trabalha em empresas
[01:01:35] que a meta é fazer
[01:01:37] exatamente o que a gente faz,
[01:01:39] mas faturar 10% a mais do que no ano passado.
[01:01:42] Aí ano que vem, a gente vai
[01:01:43] querer fazer a mesma coisa que a gente faz
[01:01:45] e faturar mais do que a gente faturou.
[01:01:48] Não tem como. Fazendo a mesma coisa,
[01:01:49] a gente chega sempre nos mesmos resultados.
[01:01:51] Então tem que fazer alguma coisa diferente. Ou é o produto,
[01:01:53] ou é o jeito, ou ir pra outro mercado.
[01:01:56] Se não tiver esses
[01:01:57] profissionais, ou… Hoje eu tenho
[01:01:59] visto dentro de áreas específicas,
[01:02:01] você tem um profissional… Sempre chamam de inovação, coitado.
[01:02:04] Mas, ah, inovação de produto,
[01:02:05] inovação comercial. Mas é o profissional que
[01:02:07] precisa olhar pra o que não é
[01:02:09] core, né? O que é que a gente não tá
[01:02:11] fazendo pra que no próximo ano
[01:02:13] eu possa colocar uma meta maior. Porque pra mim
[01:02:15] é muita loucura. Já dizia minha mãe, fazer
[01:02:17] a mesma coisa e querer o resultado diferente
[01:02:19] é maluquice. E a gente insiste.
[01:02:22] Todo mundo… A gente tá começando
[01:02:23] aqui o último tri de 25.
[01:02:26] Vai todo mundo planejar
[01:02:27] vou fazer a mesma coisa desse ano
[01:02:29] pra faturar mais. Não tem
[01:02:31] menor sentido. Então por isso que é difícil…
[01:02:33] Mas com palavras de vamos focar mais,
[01:02:35] vamos ter mais sinergia. Vamos ser inovador,
[01:02:37] a gente vai colocar inteligência artificial e tudo vai se resolver.
[01:02:40] Então não tem como fazendo a mesma
[01:02:41] coisa. E é por isso que é difícil provar o
[01:02:43] ROI. Porque muitos desses profissionais não estão no dia a dia
[01:02:45] de negócio. Porque eu poderia colocar
[01:02:47] um ROI que era… Se o
[01:02:49] negócio é fazer uma melhor gestão de dados,
[01:02:51] com a tecnologia que a gente tá usando aqui,
[01:02:53] a gente consegue ajudar a empresa a fazer a melhor
[01:02:55] gestão de dados. Puts, bate a meta
[01:02:57] da TI lá. ROI.
[01:03:00] Porque se a TI não vai aumentar o time
[01:03:01] e eu ainda consigo resolver um BO deles,
[01:03:03] eles vão fazer mais rápido, beleza.
[01:03:05] A gente quer vender mais. Como?
[01:03:07] A gente conhece o cliente, a gente tem esses dados do cliente?
[01:03:09] Não tem? Tem produto novo? Tem parceiros?
[01:03:12] O que é que tá acontecendo? Puts, isso aqui é
[01:03:13] que eu consigo, ó. Na praça de São Paulo
[01:03:15] aumentar X%, a gente
[01:03:17] consegue por causa das capabilidades que a gente
[01:03:19] desenvolveu no time de inovação.
[01:03:21] Entender do negócio te ajuda a descobrir que ROI
[01:03:23] que é esse. Mas pra mim também não é um ROI
[01:03:25] de curto prazo. A gente tá falando de uma coisa, de um ciclo.
[01:03:28] Ou é um ciclo de
[01:03:29] três? Três eu acho muito pouco. Três meses
[01:03:31] você pescou, passou três meses.
[01:03:33] Mas ciclos de seis meses, um ano
[01:03:35] que é a hora que a gente começa a ver os resultados
[01:03:37] disso feito com consistência
[01:03:40] e insistência, né? Porque
[01:03:41] é um pouco de insistência,
[01:03:43] olha, eu sei que você tá
[01:03:45] fazendo o que tem que fazer, mas
[01:03:47] eu preciso que você, só um minutinho aqui, eu te
[01:03:49] ajudo. Como é que é que faz? Vou fazer
[01:03:51] que também me ensina, me explica e você vai
[01:03:53] fazendo com que esses
[01:03:55] novos projetos deem resultado.
[01:03:57] Porque é o novo que vai garantir o nosso emprego
[01:03:59] ano que vem, de todo mundo, da
[01:04:01] companhia. Mas a gente insiste em
[01:04:03] querer fazer o negócio que a companhia sempre fez.
[01:04:06] É uma…
[01:04:07] É uma loucura. Mas isso em todos
[01:04:09] os lugares, tá? Em português, em inglês,
[01:04:11] em francês, é…
[01:04:13] O mundo corporativo
[01:04:15] não se faz isso. Eu já tive empresas que eu chegava
[01:04:17] assim, não, ó, quanto mais
[01:04:19] nova a pessoa, mais aberta ela vai
[01:04:21] estar a mudança, e os dinossauros
[01:04:24] lá no alto, não.
[01:04:25] Às vezes muito pelo contrário, é.
[01:04:28] Realmente não tem nada a ver.
[01:04:30] E o jovem sempre foi o problema, né? Então, assim,
[01:04:32] tem uns 200 anos que o jovem…
[01:04:34] Não, é porque
[01:04:35] quem pensa diferente, quem tá de fora, tem um outro
[01:04:37] jeito de pensar, e quem não tá pensando igual a gente
[01:04:39] no geral, vai criar algum atrito.
[01:04:41] Eu sempre falo, já falei aqui nesse
[01:04:43] programa, que eu sou entusiasta do jovem,
[01:04:45] defendo o jovem. Dito isso, se no meu
[01:04:47] telefone eu digito TEM,
[01:04:49] o teclado já completa. Que acabaram
[01:04:51] o jovem. Então, assim, eu vivo essa relação
[01:04:53] conflituosa com o… É, o jovem sempre foi o problema.
[01:04:55] E aí, agora, a gente vai ser jovem mais
[01:04:57] tempo, porque, graças
[01:04:59] ao sucesso da humanidade, a gente vive
[01:05:01] muito mais tempo. Se você for pensar que o vovô
[01:05:03] ou a vovózinha, 40 anos atrás, era uma pessoa
[01:05:05] de 40 anos. Isso, e culturalmente
[01:05:07] e biologicamente, saúde e tal.
[01:05:09] Biologicamente. Então, a gente vai ter que dar
[01:05:11] um jeito nesse mundo do trabalho, porque
[01:05:13] a gente vai ficar, pelo menos, mais 40 anos trabalhando.
[01:05:16] Não sei se tomaram
[01:05:17] ou, pelo contrário, meus advogados
[01:05:19] me recomendaram falar nada. Melhor não falar.
[01:05:22] Você já tocou nesse assunto
[01:05:23] várias vezes aí, que é
[01:05:25] inteligência artificial.
[01:05:27] Ou como eu chamei. E aí,
[01:05:29] chegou a inteligência artificial pra bagunçar tudo.
[01:05:31] Qualquer programa que eu fizer aqui, psicologia,
[01:05:34] antropologia,
[01:05:35] inovação. E aí,
[01:05:37] chegou a inteligência artificial pra
[01:05:39] bagunçar tudo. Como é que você tá vendo isso?
[01:05:41] Você tá falando por aí de inteligência artificial?
[01:05:43] Fico vendo os seus stories, você circulando
[01:05:46] empresas
[01:05:47] pra falar de A.
[01:05:49] Na inovação, o que que as pessoas
[01:05:51] deveriam estar de olho
[01:05:53] pro bem e pro mal? Olha, cuidado com isso aqui.
[01:05:55] Por outro lado, isso aqui é realmente
[01:05:57] onde devia estar prestando atenção.
[01:06:00] Tá.
[01:06:01] Olha pra você ver que engraçado. A gente
[01:06:03] teve um pré-anúncio de que isso aconteceria
[01:06:06] porque, alguns anos atrás, a gente ficou falando
[01:06:07] muito de dados. Ah, o professor de dados.
[01:06:10] Essas pessoas trabalharam muito bem
[01:06:11] e organizaram as informações. Agora, a gente tem um
[01:06:13] inteligência artificial. Que, eu gosto
[01:06:15] muito de pensar ela enquanto disciplina. Por isso que
[01:06:17] ela tá em diversas áreas.
[01:06:19] Né? Não é só uma coisa de quem é de tecnologia
[01:06:21] e etc. Mas, pra mim, é um jeito
[01:06:23] novo de trabalhar.
[01:06:25] Porque te obriga a ser uma pessoa,
[01:06:27] não ser uma pessoa mais organizada, mas tem que saber
[01:06:29] que informação você tá consumindo, de onde que você tá
[01:06:31] consumindo, como é que você vai pedir
[01:06:33] a ferramenta. Porque se você pedir de um jeito
[01:06:35] muito superficial, ela vai dar a mesma resposta
[01:06:37] pra todo mundo. Então, o resultado do seu trabalho
[01:06:40] vai ser o mesmo que o de todo mundo.
[01:06:42] Que que é aquilo que só o CRI sabe
[01:06:43] fazer? Só a Amanda. Pra mim, me ajuda
[01:06:45] muito, porque a linha de raciocínio
[01:06:47] ela não é inteligente, tá gente? Inteligentes
[01:06:49] são só coisas orgânicas.
[01:06:51] Ou seja, gente. Mas, é
[01:06:53] o jeito mais fácil de explicar o que que ela faz.
[01:06:55] É uma grande equação matemática, com
[01:06:57] bilhões de variáveis. Ela é muito boa
[01:06:59] de dar a resposta da próxima palavra.
[01:07:02] Então, se você dá muito contexto,
[01:07:04] ela geralmente parece
[01:07:05] mágica, assim. Ela vai te dar boas respostas, vai fazer
[01:07:07] boas conexões, desde que quem
[01:07:09] esteja usando tenha um bom repertório.
[01:07:11] Então, eu brinco assim, vai
[01:07:13] mudar tudo? Mas não vai.
[01:07:15] Vai continuar a mesma lógica de quem tem mais acesso
[01:07:17] a conhecimento, vão ser as pessoas que vão se dar
[01:07:19] melhor nisso. Deveria.
[01:07:22] Então, assim, se você tem muito conhecimento e tá se dando
[01:07:23] mal, você tá fazendo alguma coisa errada, porque
[01:07:25] é o seu repertório, vai editar
[01:07:27] muito a sua forma de usar
[01:07:28] essa ferramenta como um todo.
[01:07:31] Eu tenho visto
[01:07:32] de tudo, mas pra mim tem
[01:07:35] em grandes lugares, assim, na área da saúde,
[01:07:37] o volume de formação, você pegar
[01:07:39] o seu médico, não precisa ser você.
[01:07:41] Pessoal que eu já fiz isso muitas vezes, mas pode ser.
[01:07:43] Seus exames. Todo mundo já fez, só não precisa
[01:07:45] assumir, tá tudo certo. Pega seus exames, vai
[01:07:47] comparando, né, o que que
[01:07:49] você mudou, como é que você pode melhorar, assim.
[01:07:51] O seu médico vai ter um super assistente,
[01:07:53] um lugar. Você sabe onde estão todos os seus
[01:07:55] exames de sangue dos últimos três anos que você fez?
[01:07:58] Melhorou mesmo? Ou melhorou
[01:08:00] de um dia pro outro, foi só porque você comeu
[01:08:01] melhor um dia antes de fazer o exame de sangue?
[01:08:04] É, tem gente que rouba isso.
[01:08:05] Tem gente que rouba isso, é uma loucura.
[01:08:07] Outro dia eu tava com uma amiga que falou, não, não vou beber
[01:08:09] porque amanhã eu vou fazer exame. Não, tudo bem,
[01:08:11] beber, o jejum, mas assim. Cara,
[01:08:13] eu quando fui fazer exame, eu continuei
[01:08:15] vivendo a minha vida porque… Eu vou comer melhorzinho
[01:08:17] hoje pra não… o colesterol.
[01:08:20] Essa semana eu vou dar uma…
[01:08:21] Enfim. Mas tudo o que
[01:08:23] requer um volume de informação
[01:08:25] maior, vai ajudar
[01:08:27] muito a inteligência artificial, né, a aplicação.
[01:08:29] Até pra você criar gêmeos digitais, pra mim
[01:08:31] essa é uma outra aplicação genial. Você pega uma petrobrás
[01:08:33] que tá lá no fundo do mar
[01:08:35] o negócio traindo petróleo. Pra que
[01:08:37] que a gente vai mandar um submarino com
[01:08:39] x pessoas pra ir até lá embaixo, que é super
[01:08:41] arriscado? Se eu consigo simular
[01:08:43] aquele ambiente, fazer vários testes no ambiente
[01:08:45] digital, usando inteligência
[01:08:47] artificial, é muito mais
[01:08:49] barato e menos arriscado e muito
[01:08:51] mais seguro pro meu time eu fazer esse primeiro ambiente virtual
[01:08:53] e só ir lá caso necessário
[01:08:55] do que eu rodar e rodar vários testes
[01:08:57] num ambiente extremamente
[01:08:59] inseguro. Então, você tem muitas
[01:09:01] possibilidades em termos de aplicação.
[01:09:03] Qual que é o risco aqui? Pra mim, um grande risco
[01:09:05] é algo que precisa ser
[01:09:07] legislado e ter governança
[01:09:09] e a gente, em termos de Brasil como
[01:09:11] todo, tá patinando muito. Acho que o Brasil,
[01:09:13] a gente é muito ruim de criar essas regras, assim,
[01:09:15] big tech, etc. Até
[01:09:17] politicamente, porque
[01:09:19] pra mim, a minha grande crítica
[01:09:21] quando eu olho pra política, é que as
[01:09:23] pessoas não sabem o que é ser político até sentar
[01:09:25] na cadeira de ser político. E aí,
[01:09:27] todo mundo perde, porque independente do que você
[01:09:29] é, se você não
[01:09:31] sabe o que você tá fazendo, nem como é que você prometeu,
[01:09:33] você demora quatro anos, oito anos pra fazer
[01:09:35] um negócio direito. E aí, perde, né?
[01:09:37] A máquina pública, o dinheiro, o resultado.
[01:09:40] Se o pessoal conseguisse criar leis
[01:09:41] com mais sentido, a gente avançava.
[01:09:43] Então, a gente tem lugares do mundo que deram pras pessoas
[01:09:45] o direito de voz e imagem delas
[01:09:47] universal. Então, se a sua
[01:09:49] imagem for usada sem seu consentimento,
[01:09:52] você pode processar.
[01:09:53] Hoje mesmo, a gente tem uma quadrilha que foi pega
[01:09:55] aplicando golpe, usando
[01:09:57] imagens e vozes de celebridades.
[01:10:00] O crime mais velho do mundo,
[01:10:02] assim, mais velho que andar pra trás, mas
[01:10:03] isso vai acontecer cada vez mais.
[01:10:05] A gente entrando no ano eleitoral,
[01:10:07] as pessoas sem muita informação,
[01:10:10] qualquer um vai poder falar qualquer coisa
[01:10:11] de qualquer coisa.
[01:10:13] Super arriscado, assim. O volume de informação
[01:10:15] que circula no WhatsApp de fake news,
[01:10:18] isso mais do que…
[01:10:19] Esse foi o meu primeiro artigo de 2025, foi isso.
[01:10:21] Fake news. É péssimo quando
[01:10:23] você acerta, né?
[01:10:25] Quando o negócio é muito ruim.
[01:10:27] Mas, pra mim, é um grande risco, porque como
[01:10:29] essas pessoas entendem de como
[01:10:31] manipular dados e de como manipular
[01:10:33] a opinião pública, a gente tem muitos desafios.
[01:10:36] E aí, eu comecei a escrever por causa disso.
[01:10:37] Porque eu sempre trabalhei, mais recentemente,
[01:10:40] só com C-Level.
[01:10:41] Mais bonito, menos bonito, tem seus desafios.
[01:10:43] De interagir com um público que tem a agenda
[01:10:45] muito escassa e precisa sempre ser muito
[01:10:47] estratégico, né? Mas, eu percebi
[01:10:49] nessas conversas que mesmo quem tava
[01:10:51] vendendo tecnologia, tinha uma
[01:10:53] dificuldade de falar sobre os impactos desse negócio.
[01:10:55] Eu pensei, é, todo mundo ferrado
[01:10:57] então, porque se nem você
[01:10:59] que tá fazendo, tá vendendo,
[01:11:01] tá sabendo me explicar como que isso impacta
[01:11:03] em segurança, em privacidade,
[01:11:06] em como é que eu vou fazer
[01:11:07] gestão desse time. Se tá todo mundo usando
[01:11:09] IA, eu sei o que o Cris
[01:11:11] precisa melhorar ou não.
[01:11:13] Porque eu não sei se você tá, se é o GPT,
[01:11:15] se é qualquer outro falando, ou se é o Cris.
[01:11:17] E aí, eu comecei a escrever que eu falei, cara, essas pessoas não sabem
[01:11:19] nem usar o GPT, assim. Elas não sabem
[01:11:21] nem como pedir. Não, e volta no que você falou, que a gente já falou
[01:11:23] aqui de recompensas, né?
[01:11:25] Essa semana, minha filha
[01:11:27] mais nova tava fazendo o dever de casa
[01:11:29] com o GPT. Ela tinha que, era alguma
[01:11:31] coisa, ela tinha que ter lido um conto, ela não leu
[01:11:33] e ela falou assim, ah, eu não li o conto
[01:11:35] e ela falou assim, cara, não li o conto e tô fazendo.
[01:11:37] Aí eu falei, tá bom, depois a gente conversa. Mas, assim,
[01:11:40] porque
[01:11:40] na escola e depois de um trabalho
[01:11:43] a gente é treinado de que
[01:11:45] o que vale é a entrega
[01:11:47] e não o processo, o raciocínio,
[01:11:50] seja o que for.
[01:11:52] Assim, a resposta tá certa ou errada,
[01:11:54] parabéns, passou ou
[01:11:55] conseguiu emprego ou não.
[01:11:57] Então, tem isso. E aí
[01:11:59] é o que você tá falando. Se eu não entender o processo
[01:12:01] como é que a equipe tá usando e tal.
[01:12:04] Isso, no longo prazo
[01:12:05] vai te pegar, assim. Porque é isso,
[01:12:07] né? Uma sociedade acostumada com
[01:12:09] os incentivos de curto prazo,
[01:12:11] hoje tá tudo massa, uhul.
[01:12:13] Mas daqui cinco anos, se você não souber usar bem,
[01:12:15] você não vai saber usar nada no trabalho, né?
[01:12:17] A minha sensação é essa. A gente saiu de um cenário
[01:12:19] do ambiente de trabalho que era assim,
[01:12:21] você tinha lá no currículo, sei usar o pacote
[01:12:23] office.
[01:12:25] Hoje, é porque eu me peguei nessa reflexão
[01:12:27] um dia que eu falei assim, se eu trocar todos os sistemas,
[01:12:30] celular, tudo mais.
[01:12:31] Aí o pessoal falou, mas o custo de trocar é alto.
[01:12:33] Eu fiquei, hum, já foi.
[01:12:36] Mas agora não. Se eu abro
[01:12:37] a internet e
[01:12:39] uso tudo na internet,
[01:12:41] se eu tiver um browser, todo mundo
[01:12:43] tem um browser, eu uso igual.
[01:12:45] Porque antes eu tinha um apego à ferramenta, assim,
[01:12:46] não, eu só faço apresentação no
[01:12:48] Keynote. Eu só não sei o que lá no
[01:12:50] Excel. Não, a gente teve
[01:12:53] isso lá em casa, quando a Ana
[01:12:55] ela tinha um Mac,
[01:12:57] coitado, já tava velhinho, a gente trocou
[01:12:59] por um PC, ela, não, eu só sei usar
[01:13:01] Mac. Falei, Ana, você usa o Chrome,
[01:13:03] você não usa mais nada, você não usa
[01:13:05] Final Cut, você não usa nada. E é isso,
[01:13:07] ela, claro, né, os menus começam a
[01:13:09] jogar mais rápido. Ah, os teclados,
[01:13:10] mas se adaptou. E
[01:13:12] alguns meses atrás, eu
[01:13:15] virei a famosa pessoa que
[01:13:17] larga o Windows e passa a usar o Linux.
[01:13:20] Finalmente migrei
[01:13:21] meu ambiente de trabalho pro Linux. E era
[01:13:23] assim, chat.pt, eu quero fazer,
[01:13:25] sei lá, mudar a cor do ponteiro
[01:13:27] do mouse. Onde eu vou? Ah, vai aqui,
[01:13:29] não sei o que, sei lá. Então, assim, eu não precisei ler um
[01:13:31] guia, fazer um curso, era isso. Eu ia lá,
[01:13:33] chat.pt, como é que fazia? Ih,
[01:13:35] deu uma mensagem de erro aqui, o que que eu faço?
[01:13:37] Ah, essa mensagem de erro quer dizer
[01:13:39] isso, aquilo, assim que você conserta.
[01:13:41] Não precisei virar especialista. Então,
[01:13:43] concordo com esse teu raciocínio, assim, curso de mudança.
[01:13:45] Nossa, meu pai usa o Linux há uns 20 anos.
[01:13:47] Não, há 20 anos eu tenho esse sonho,
[01:13:49] mas sempre ficava, não, é, ainda
[01:13:51] não, tal, e agora eu estou lá.
[01:13:53] A minha sensação é que isso vai estar,
[01:13:55] a inteligência artificial
[01:13:56] vai ser o pano de
[01:13:59] fundo de tudo que a gente vai precisar usar
[01:14:00] pra trabalhar, que se a gente não tiver um bom
[01:14:02] repertório e sabe se comunicar bem com
[01:14:05] essa máquina, se vai ser visualmente, se vai
[01:14:07] ser por voz, se vai ser digitando,
[01:14:09] isso pode causar em nós um
[01:14:11] desafio muito grande de avançar
[01:14:13] mesmo na carreira, porque aí não é só resultado, porque
[01:14:15] o resultado da máquina vai dar. Isso. Por que que eu vou
[01:14:17] colocar a Amanda ou o Cris naquele lugar? Isso.
[01:14:19] E se não for a gente, por que que a outra pessoa?
[01:14:21] Então, se você obriga
[01:14:23] todo mundo a repensar o jeito de fazer,
[01:14:25] se obriga o RH a repensar como é a cultura organizacional.
[01:14:28] E vai ter
[01:14:29] que ser mais estratégico, porque as coisas
[01:14:31] do dia-a-dia, muito operacionais, a máquina
[01:14:33] também vai fazer. Eu já sei quem está
[01:14:35] faltando, quem não está, não precisa de ninguém ver a planilha,
[01:14:37] porque ainda bem que aquele negócio ainda costa,
[01:14:39] eu não recebo relatórios se eu pedir.
[01:14:41] Então, isso, pra mim,
[01:14:43] é uma grande revolução no mundo do trabalho,
[01:14:45] porque muda a forma da gente fazer.
[01:14:47] E a gente passou por poucas
[01:14:49] revoluções de forma. A gente,
[01:14:52] que esteve lá,
[01:14:52] era o carro, saiu do vapor,
[01:14:55] não sei o que lá, eu leio essas histórias, mas eu não
[01:14:57] vivi isso. Isso, isso.
[01:14:58] Ah, é que o tempo de outrora.
[01:15:00] É, lá atrás, quando e tal.
[01:15:02] Pra mim, essa é a nossa grande revolução do vapor,
[01:15:05] da eletricidade, a inteligência artificial.
[01:15:07] Tanto que eu brinco muito,
[01:15:08] quando eu estou com cliente, ou quando eu estou em palestras,
[01:15:10] eu falo, gente, é tipo energia elétrica.
[01:15:12] Certeza que eles fizeram vários simpósios
[01:15:14] sobre energia elétrica, se iam colocar lâmpadas
[01:15:16] ou não nas ruas e tal. E hoje, isso não é
[01:15:18] mais uma coisa discutida. Assim como a internet.
[01:15:21] Nossa, está chegando um negócio
[01:15:22] aí, que vai ter essa caixinha,
[01:15:24] as caixas são grandes, existem várias
[01:15:26] empresas disso.
[01:15:28] Nunca mais, assim. Hoje, quando tem
[01:15:30] eventos pra falar sobre a internet, você tem
[01:15:32] um pra falar de creator economy
[01:15:35] nas redes sociais.
[01:15:36] Não, tem eventos pra falar de saia da internet.
[01:15:38] Estamos demais na internet.
[01:15:40] É, mas você não tem um evento pra falar de internet.
[01:15:42] Inteligência artificial, pra mim, é a mesma
[01:15:44] batida. Hoje, a gente está falando
[01:15:46] de inteligência artificial, como é que usa, se é de comer
[01:15:48] ou de passar no cabelo e tal. Mas é que
[01:15:50] uns cinco anos, no máximo,
[01:15:52] a gente vai discutir umas outras coisas,
[01:15:54] mas nós vamos mudar a agenda.
[01:15:56] Mas a IA vai estar aí, em todo lugar,
[01:15:58] nos vigiando, mais
[01:16:00] ou menos. E a gente vai ter
[01:16:02] que saber como lidar com isso.
[01:16:04] Mas pra mim, é por causa que mudou a forma.
[01:16:05] Então, a sua faculdade, a minha,
[01:16:07] ensinaram coisas pra aquele
[01:16:09] tempo. Não ensinaram…
[01:16:11] De tecnologia, cinco anos depois, já não valia
[01:16:13] mais nada. Mas não prepararam
[01:16:15] a gente pra essas mudanças
[01:16:18] bruscas. E eu
[01:16:19] tenho uma sensação, aí é 100%
[01:16:21] voz da minha cabeça, que
[01:16:23] essa sensação de…
[01:16:26] Tudo que é diferente causa, né?
[01:16:27] Essa sensação do, ah, eu não sei, tô com medo,
[01:16:30] vai roubar, tem uma galera muito louca,
[01:16:31] vai roubar os empregos, não sei o que lá.
[01:16:34] Mas eu tenho uma sensação de que o fator
[01:16:35] pandemia
[01:16:36] deixou isso mais
[01:16:39] exarcebado. Porque eu fico pensando,
[01:16:41] e se não tivesse existido a pandemia?
[01:16:43] E a gente passasse por isso agora?
[01:16:45] Será que a gente não
[01:16:46] agiria com mais naturalidade
[01:16:49] e menos pavor com relação a uma tecnologia
[01:16:51] do que… Porque agora, tudo que é
[01:16:53] muito diferente, a gente se apavora.
[01:16:56] Eu acho que a gente vive um transtorno
[01:16:57] pós-traumático da pandemia
[01:16:59] coletivamente.
[01:17:00] De se assustar com tudo, se assustar com mudanças.
[01:17:02] Com as grandes mudanças.
[01:17:04] Porque isso vai mudar a forma, assim.
[01:17:06] A gente pensa, se rodar o mundo inteiro
[01:17:08] parado, é um negócio muito louco.
[01:17:10] Alguém vai fazer um livro, vai explicar pra gente direito
[01:17:12] o que foi daqui a um tempo.
[01:17:15] Então, foi uma mudança
[01:17:16] muito brusca na forma de fazer as coisas.
[01:17:19] E essa é mais uma mudança brusca
[01:17:20] na forma de fazer as coisas. Normalmente, na história,
[01:17:23] aconteceu uma vez
[01:17:24] na temporada de cada um.
[01:17:26] Já é a segunda em cinco anos, então acho que isso causa…
[01:17:29] Como diria a amiga minha,
[01:17:30] não aguento mais viver mais um momento histórico.
[01:17:33] É muito momento, viver um momento histórico
[01:17:34] aparentemente é muito difícil.
[01:17:36] É que você lida com um volume
[01:17:38] de certezas maior, etc.
[01:17:40] E aí, o que sustenta todo mundo
[01:17:42] querendo viver uma vida de segurança,
[01:17:44] a gente descobre que de segurança não tem nada.
[01:17:47] E as tecnologias
[01:17:48] acabam impulsionando muito isso.
[01:17:50] Mas pra mim é, vamos aprender a usar.
[01:17:53] Porque na hora de criar a regra,
[01:17:54] é bom a gente saber como é que funciona pra criar a regra.
[01:17:57] Ver lá o tigrinho,
[01:17:58] quando o pessoal tentou fazer uma CPI, não sabia nem ligar o aplicativo.
[01:18:01] Então, assim, é muito difícil.
[01:18:03] Eu não sei onde está o erro.
[01:18:04] Eu não sei como usa.
[01:18:06] Eu não estou sabendo apontar o lugar de melhoria.
[01:18:09] Então, é bom a gente saber usar.
[01:18:11] Isso vai estar em todos os lugares.
[01:18:12] Então, antes era pacote office.
[01:18:15] Sei usar o pacote office.
[01:18:16] Sei escrever e-mails.
[01:18:18] A gente tinha tudo isso nos currículos há uns anos atrás.
[01:18:20] Sei usar no computador, não sei o que lá.
[01:18:22] Pra virar, entendo de modelo
[01:18:25] de linguagem natural.
[01:18:26] Ou sei usar essas inteligências artificiais.
[01:18:29] Ou daqui a pouco, que tipo de resultado
[01:18:30] você dá com essa ferramenta.
[01:18:32] Porque eu posso escrever e pedir um artigo,
[01:18:34] você também. É tudo artigo.
[01:18:36] A princípio. Qual que é melhor?
[01:18:38] Você vai depender sempre de um
[01:18:39] olhar atento
[01:18:41] e de uma pessoa boa de repertório
[01:18:44] pra definir o que é certo ou errado.
[01:18:46] Então, a gente vai avançar pra isso.
[01:18:48] Mas é mais uma mudança de forma em cinco anos.
[01:18:50] Se segurem todos.
[01:18:52] A galera já se…
[01:18:52] Mas você falou,
[01:18:55] lá no meio, conectando isso que você falou
[01:18:57] de aprender, entender e se preparar.
[01:19:01] No meio
[01:19:02] da conversa, você falou do Sebrae
[01:19:04] e falou assim, não é fazer curso,
[01:19:06] em Stanford, não sei o que.
[01:19:07] Onde a galera… É isso.
[01:19:09] Começa pelo Sebrae, onde o pessoal
[01:19:11] no Brasil, se esse episódio aqui é inovação
[01:19:14] brasileira, onde o pessoal no Brasil pode
[01:19:15] ir se conectar pra se aprofundar
[01:19:17] mais no tema de inovação, mas também
[01:19:20] de inteligência artificial.
[01:19:21] Lê as minhas sliders. Três!
[01:19:23] Eu tenho três. Na verdade, eram duas.
[01:19:26] Uma é antes do café,
[01:19:28] que eu falo de negócios, tecnologia.
[01:19:30] E a outra é a IAE, que eu falo sobre
[01:19:32] como usar ferramentas. Então, toda semana, a cada
[01:19:33] 15 dias, uma ferramenta que eu testei e usei,
[01:19:36] ensino como usar. E aí tem
[01:19:38] a Brands Patch, que é a IAE em inglês.
[01:19:40] Porque a IAE é uma das que mais
[01:19:42] cresce no Substack em tecnologia.
[01:19:44] E a IAE é português do Brasil.
[01:19:46] Só nós falamos o português do Brasil.
[01:19:48] Se esse negócio tá crescendo em português,
[01:19:50] vamos deixar esse trem em inglês e alcançar
[01:19:52] mais pessoas. Mas assim,
[01:19:54] né, antes fosse só traduzir.
[01:19:56] Uma delas, de fato, são trens.
[01:19:58] Mas além disso, eu procuraria
[01:20:00] conteúdo do Sebrae, porque a gente falou muito
[01:20:02] de, ah, as empresas grandes, etc.
[01:20:03] Mas a maior parte das empresas do Brasil
[01:20:05] são médias e pequenas empresas, que o
[01:20:07] conteúdo do Sebrae ajuda bastante. Então, o Sebrae
[01:20:10] fala de como captar crédito, de como olhar
[01:20:11] pra tecnologia, de como olhar pro seu fluxo
[01:20:14] de caixa, assim, é um…
[01:20:15] Você tem um negócio mesmo, se entra dinheiro,
[01:20:18] sai dinheiro e sobra mais dinheiro em algum
[01:20:19] lugar. Isso é muito óbvio,
[01:20:22] mas na prática é muito desafiador.
[01:20:24] Não só por causa da…
[01:20:26] Não é? Não é na teoria?
[01:20:28] Mas assim, você tem que procurar
[01:20:29] cliente, tem que convencer a pessoa a comprar
[01:20:31] e tem que pagar. E na hora que ela paga, você tem que entregar.
[01:20:34] Assim, na teoria, é tudo muito
[01:20:35] mágico, mas na hora de executar,
[01:20:37] você tem seus desafios. Cada mercado
[01:20:39] vai ter o seu. Então, os conteúdos do Sebrae
[01:20:42] ajudam muito nisso. E o Sebrae
[01:20:43] no Brasil inteiro faz
[01:20:45] evento, tem feira,
[01:20:47] tem formação. Acho que eu vi muito,
[01:20:49] durante muito tempo, as pessoas falarem assim, ah,
[01:20:52] é coisa só pra pequeno
[01:20:54] e tal. Cara, o Sebrae, o sistema
[01:20:56] S, como um todo, faz
[01:20:57] assim, coisas incríveis,
[01:20:59] difícil de se ver em outros lugares
[01:21:01] do mundo. Então, eu olharia
[01:21:03] pra isso. E também, depois, olharia se
[01:21:05] já é mais tech pra
[01:21:07] coisas dos grandes hubs, assim, né?
[01:21:09] Eu fui Red Startups do Clube Itaú, então tem
[01:21:11] muito evento. É um ecossistema
[01:21:13] que ele
[01:21:15] respira muitos eventos, né? Então, verticais
[01:21:17] diferentes, interagindo. Mas ao redor do
[01:21:19] Brasil, tem vários outros hubs
[01:21:21] de inovação também que respiram. Durante muitos anos, o
[01:21:23] Bona Internet terminava, o Bona Internet
[01:21:25] é uma produção do Ampere, gravado no Inovabrabita,
[01:21:27] nos estúdios Inovabrabita. A gente
[01:21:29] ficava lá. E aí, por causa
[01:21:31] da pandemia, olha ela, a gente acabou devolvendo
[01:21:33] as nossas posições lá.
[01:21:35] E eu fui no Cubo pela primeira vez
[01:21:37] no dia que a gente almoçou lá.
[01:21:39] Fez aquele almoço com a galera do Hacktown.
[01:21:41] Eu tava no Cubo, com terra, e fui lá
[01:21:43] encontrar vocês. Eu nunca tinha ido no Cubo, achei
[01:21:45] animal, achei animal. Mentira, é muito legal.
[01:21:47] Era um lugar, para mim, de difícil acesso
[01:21:49] na Vila Olímpia. É, mas
[01:21:51] eu achei animal. É, no meio de tudo, né?
[01:21:53] A conta reza a lenda de que uma das
[01:21:55] hipóteses era ser perto do Habitat,
[01:21:58] mas como as empresas
[01:21:59] que faziam sentido, tá tudo lá embaixo,
[01:22:01] aí foi tudo lá pra baixo.
[01:22:04] Mas é um lugar que eu ia só
[01:22:05] nos últimos seis anos, eu frequentei
[01:22:08] as diversas versões lá. Mas o
[01:22:10] Cubo também é uma área do banco,
[01:22:12] mas é uma área com mais autonomia,
[01:22:14] assim, então. E você tem outras
[01:22:16] empresas. Eu acho que o grande pulo do gato
[01:22:17] que faz ser muito diferente é, você tem
[01:22:19] 30 empresas de segmentos muito diferentes.
[01:22:22] Então, obrigatoriamente, você tem que ter um negócio de
[01:22:23] agro, um negócio de beleza, um negócio
[01:22:25] de fintech, mesmo que o sobrenome seja
[01:22:28] Itaú. O que pro banco também é muito
[01:22:29] bom, porque é um dos maiores bancos
[01:22:31] de private do Brasil, então
[01:22:33] os clientes deles também,
[01:22:35] B2B, frequentam aquele espaço.
[01:22:37] E pra mim ajuda muito
[01:22:39] quando você vê muita coisa que não…
[01:22:41] Mas é forma de pensar, né, gente? Eu realmente, talvez,
[01:22:43] não trabalhei com outra coisa se não fosse inovação.
[01:22:46] Poucas outras pastas fariam sentido
[01:22:47] por causa do meu jeito de trabalhar e de gostar
[01:22:49] de ver coisa diferente. E de não ser
[01:22:51] muito ansiosa, porque se eu fosse muito ansiosa,
[01:22:53] acho que eu não conseguiria trabalhar
[01:22:55] com o que eu trabalho, dado o volume de informação
[01:22:58] e coisas novas. Mas é um ambiente
[01:23:00] que você aprende muito. Um monte de gente agora
[01:23:01] pensa, ah, queria tanto trabalhar com inovação,
[01:23:03] mas a minha ansiedade não vai me permitir.
[01:23:05] É, assim, é verdade, porque
[01:23:07] a maior parte dos que a gente faz hoje é trabalhar, né?
[01:23:10] Então é bom ser alguma coisa que não te mate
[01:23:11] no caminho.
[01:23:13] É, era bom você gostar, mas
[01:23:15] e não coisas que vão te dar muita ansiedade,
[01:23:17] porque o trabalho, no geral, ele tem
[01:23:19] esse quê de ansiedade. Mas tem o
[01:23:21] cubo. O STSW, pra mim, é muito
[01:23:23] coisa por causa disso. Ó, se vira
[01:23:25] um cubo expandido,
[01:23:27] assim, né? Vira aquela coisa de
[01:23:29] muita gente diferente, de áreas
[01:23:31] diferentes, mesmo que quase todos norte-americanos,
[01:23:33] mas de segmentos muito diferentes.
[01:23:35] Tudo junto.
[01:23:37] Pode ver a mesma coisa, assim. Então você escuta
[01:23:39] as pessoas, cada um vê
[01:23:41] de um lado da montanha. Você entende
[01:23:43] um negócio, eu entendo o outro. Fala, nossa, mas que maluquice,
[01:23:45] a gente escutou a mesma coisa durante 40 minutos.
[01:23:47] Por que você entendeu isso? E tá
[01:23:49] sempre muito ligado ao repertório que você tem, né?
[01:23:51] Ao seu dia-a-dia, assim. Você só é capaz de entender
[01:23:53] aquilo que você mais ou menos já sabe.
[01:23:55] Soma com algum conhecimento que você já tem.
[01:23:57] Não é um negócio 100%
[01:23:59] em vão. Então, pra mim, trabalhar
[01:24:01] com inovação tem um pouco dessa prática de
[01:24:03] juntar pecinhas não óbvias,
[01:24:05] de juntar as tecnologias,
[01:24:07] de entender onde que o mercado vai atacar
[01:24:09] primeiro, se é o do meu cliente que eu tô trabalhando
[01:24:11] hoje ou não, se eu tenho que falar com
[01:24:13] startup. Às vezes não. Às vezes eu tenho que ir lá
[01:24:15] no interior e entender
[01:24:17] com as artesãs do negócio muito
[01:24:19] específico como é que elas estão conseguindo ir pra
[01:24:21] Europa e o
[01:24:23] cara da Faria Lima não consegue.
[01:24:26] O que elas estão sabendo que ele
[01:24:27] não sabe? Que aprendizado que é esse?
[01:24:29] Quase sempre é relacionamento, assim.
[01:24:31] É a forma de fazer e não
[01:24:33] necessariamente o que você faz.
[01:24:35] A gente vai costurando coisas
[01:24:36] aparentemente que não tinham nada a ver
[01:24:39] e dá sentido
[01:24:41] e dá sentido pra isso no mundo dos negócios.
[01:24:44] Muito bem. Amanda Graciano,
[01:24:46] muito obrigado.
[01:24:47] Como sempre, vou deixar na descrição
[01:24:49] nas coisas todas lá, como diriam os
[01:24:51] vlogbrothers, um duplo do links
[01:24:53] pras 27 newsletters da Amanda,
[01:24:55] Instagram, LinkedIn e tudo mais.
[01:24:58] E aí eu quero que você vá
[01:24:59] no Instagram da Amanda, marca lá pra
[01:25:01] incentivar a gente a fazer nossa comitiva
[01:25:03] South by Southwest e no meu
[01:25:05] pra mandar eu tirar o visto americano
[01:25:07] dar um dinheiro lá pro Trump, mas enfim
[01:25:09] pra gente fazer alguma coisa. É, pra Polícia Federal
[01:25:11] que vai dobrar o preço desse
[01:25:12] desse passaporte.
[01:25:15] Tá bom, preciso ir lá. Amanda, muito
[01:25:17] obrigado por vir aqui conversar. Gostei
[01:25:19] muito. Volto sempre. Cris, eu que
[01:25:21] agradeço. Brigadão. Foi bom. E agora
[01:25:23] a gente tem vários outros fios pra puxar.
[01:25:25] Que assunto é o que não falta.
[01:25:27] Bom demais. Valeu.
[01:25:35] Bom demais. Valeu.