Dados do Episódio

  • Podcast: É sobre isso
  • Autor: Ampère/Beet
  • Categoria: Society & Culture
  • Publicado: 2025-10-07T19:00:00Z
  • Duração: 00:59:30

Referências


Dados do Podcast

  • Nome: É sobre isso
  • Tipo: episodic
  • Site: https://ampere.audio/
  • UUID: ef647b60-bcb9-013d-c741-0affcf0896e5

Transcrição

[00:00:00] Quem cresceu na década de 80, como eu e alguns de vocês,

[00:00:03] lembra que a gente tinha tipo 4, 5 canais de TV,

[00:00:07] talvez 7, dependendo da sua cidade.

[00:00:09] Algumas rádios, uma ou outra livraria, bibliotecas.

[00:00:13] Esse era o universo mais imediato do consumo de cultura da maioria das pessoas.

[00:00:17] Aí ali, na segunda metade dos anos 90, vieram o quê?

[00:00:20] Os canais a cabo.

[00:00:22] Então, de repente, de 5 canais, a gente passou a ter centenas de canais

[00:00:26] de todas as partes do mundo, passando todo tipo de coisa.

[00:00:28] Logo na sequência também veio o quê? A internet.

[00:00:31] E aquela promessa maravilhosa de ter acesso a tudo.

[00:00:34] O que eu estou querendo dizer com isso é que sempre houve um limite

[00:00:37] para a nossa descoberta de conteúdo.

[00:00:38] Mas, em geral, a gente tinha alguma autonomia para sair por aí descobrindo.

[00:00:43] A nossa maior reclamação nessa fase era sobre como os sites de busca funcionavam.

[00:00:47] Imagina, eram tempos muito mais simples.

[00:00:49] E aí, ali na metade dos anos 2000, aconteceu o quê?

[00:00:52] Chegou a sua majestade, o algoritmo.

[00:00:54] Depois que o algoritmo entrou nessa história, a cultura nunca mais foi a mesma.

[00:00:58] A gente vê o que o algoritmo decide que a gente veja.

[00:01:02] E aconteceu o quê? A produção também mudou.

[00:01:04] A gente começou a criar para o algoritmo, antes de criar para as pessoas.

[00:01:08] A gente se preocupa com a performance, com os feedbacks.

[00:01:11] Aliás, aproveita e ouve os nossos episódios sobre KPIs e sobre feedback.

[00:01:14] A gente comemorou ter democratizado a criação, mas o que a gente democratizou mesmo

[00:01:19] foi a pressão, o medo do flop, o estresse de ter que render sempre.

[00:01:23] E isso numa escala industrial, numa rodinha de hamster que nunca para.

[00:01:27] Então, o que muda?

[00:01:28] Quando a gente cria, para a sua majestade, o algoritmo, antes de criar para as pessoas de carne e osso.

[00:01:32] O que a gente está perdendo no caminho?

[00:01:34] O que a gente está deixando de fazer?

[00:01:36] Ou o que a gente está aprendendo a fazer melhor?

[00:01:38] A gente está vivendo ou a gente está simplesmente agradando o algoritmo?

[00:01:47] Hoje vamos descendo esse papo, eu, a Catarina Secarelli, o Cris Dias e o Gui Pinheiro.

[00:01:51] E esse é o É Sobre Isso.

[00:01:53] A gente está aqui mais preocupado com as perguntas do que com as respostas.

[00:01:57] O É Sobre Isso.

[00:01:58] É Sobre Isso é uma produção da Ampere e da Bit, 15 anualmente no Spotify, no YouTube

[00:02:01] e em todos os lugares onde você acompanha os seus podcasts.

[00:02:04] Eu tenho certeza que você não vai querer perder nenhum episódio.

[00:02:07] Então, entra aí e assina o canal agora e facilita o nosso algoritmo também.

[00:02:11] A gente precisa agradar o algoritmo, senão ele vai punir a gente.

[00:02:16] Vocês estão brincando com os deuses aqui?

[00:02:19] Você acha que a gente tem agradado nos algoritmos?

[00:02:21] Eu acho que a gente tem que lançar frases de efeito, tem que citar nomes aqui.

[00:02:26] Fala o nome de pessoas famosas.

[00:02:28] Celca, Michel Coforado, aí o algoritmo pega e bomba a gente.

[00:02:32] Tem palavras que não pode falar.

[00:02:34] Que não pode falar, não fala.

[00:02:35] Aliás, eu estava vendo um canal, que eu estava maratonando o canal,

[00:02:38] eu peguei uns vídeos, um canal americano, uns vídeos ali de 2020 e 2021

[00:02:42] e a pessoa evitava falar sobre a pandemia, evitava falar o nome do vírus,

[00:02:48] porque falava que derrubava e é engraçado.

[00:02:51] Gente, mas eu adoro, uma coisa que é muito engraçada dos algoritmos

[00:02:54] é que ninguém entende o algoritmo, mas todo mundo quer entender.

[00:02:57] Isso.

[00:02:58] Tem as fórmulas mágicas de como o algoritmo funciona.

[00:03:01] Você vê no Instagram, as pessoas riscam a palavra, porque acham que vai ser punido.

[00:03:06] Então tem sempre essas, tipo, parece lenda urbana, assim,

[00:03:08] vai ser punido, não vai ser punido, não sei, mas não farei.

[00:03:10] Essa de riscar a palavra, eu acho bizarro, porque na minha cabeça, até de tecnólogo, é assim.

[00:03:17] Tecnólogo, aí.

[00:03:19] Comunicólogo e tecnólogo, vou mandar meu LinkedIn lá, comunicólogo e tecnólogo.

[00:03:23] Cara, o algoritmo sabe, consegue ler a palavra riscada.

[00:03:28] Aí, mais ou menos um ano atrás, eu fiz um bônus de internet, não, dois anos atrás,

[00:03:32] fiz um bônus de internet sobre luto e caiu o alcance em todas as redes, porque tinha palavras.

[00:03:40] E aí eu falei…

[00:03:41] Eu adoro você tentando não usar para não derrubar esse alcance.

[00:03:43] E aí eu falei, caramba, é real mesmo.

[00:03:46] E aparentemente, se você fizer isso, riscar, trocar o A por arroba, não sei o quê,

[00:03:50] essa é a parte idiota de…

[00:03:53] Ah, não, eu troquei o A por arroba e…

[00:03:55] Então, mas se você troca o A por arroba…

[00:03:57] Não troca o A por arroba, mas você está usando a palavra na voz, na fala, faz diferença?

[00:04:01] Então, sobre usar na voz, a gente, outro dia, estava gravando um conteúdo para um cliente nosso,

[00:04:06] o apresentador, ele tem o canal dele no YouTube,

[00:04:10] e ele foi gravar o vídeo, a chamada do programa,

[00:04:13] entrevistei o Cris Dias aqui e tal, não sei o quê,

[00:04:16] e ele falou que o… não é o consultor, a pessoa que atende ele no Instagram…

[00:04:21] A pessoa que atende ele lá.

[00:04:22] Enfim, falou que não pode falar clique aqui.

[00:04:25] Tipo, você tem que falar o link que está na tela, você não pode falar…

[00:04:27] Porque, segundo ele falou, o algoritmo pega as palavras clique aqui,

[00:04:32] e aí ele não impulsiona, não põe para frente aquele vídeo.

[00:04:35] Porque vai tirar a pessoa do aplicativo.

[00:04:37] Bom, tem uma dica tão direta, assim,

[00:04:39] porque a gente já teve situações de perguntar diretamente para pessoas,

[00:04:43] representantes da plataforma,

[00:04:45] mas se eu fizer de X jeito, é melhor ou é pior para o algoritmo,

[00:04:49] a resposta é não sei.

[00:04:50] Mas até esse…

[00:04:51] A gente não sabe.

[00:04:52] Esse mesmo cliente, antes dessa história, no início do ano, eu acho,

[00:04:57] estava uma discussão…

[00:04:57] Não, o Diel, o canal, o que que faz…

[00:04:59] Aí a pessoa do YouTube respondeu para ele assim…

[00:05:02] Ah, nem a gente aqui sabe direito se é verdade.

[00:05:05] Cara, mas eu já trabalhei com o Twitter, o Cri já trabalhou com o Facebook.

[00:05:08] É isso, tipo, você acha que as pessoas de dentro das plataformas

[00:05:10] sabem como o algoritmo funciona?

[00:05:12] Sabem tudo.

[00:05:12] Nem alguém que trabalha no algoritmo sabe como o algoritmo funciona e na íntegra.

[00:05:17] É tipo a fórmula do Guaraná Antártica,

[00:05:18] que tem duas pessoas que sabem, elas não podem estar juntas em nenhum voo,

[00:05:22] porque, tipo, tem um lance assim, né?

[00:05:24] Que fala que a fórmula ninguém sabe, duas pessoas.

[00:05:26] Mas gera essa…

[00:05:27] Que eu vou chamar de indústria, que você falou,

[00:05:29] que é de pessoas tentando adivinhar, é quase, sei lá…

[00:05:33] Hackear.

[00:05:34] Sacerdócio, hacker, oráculo.

[00:05:37] Se você entrar no YouTube agora e digitar algoritmo na pesquisa,

[00:05:40] vai aparecer trocentos vídeos de gente te ensinando a hackear.

[00:05:43] Como por lá, é a mesma coisa.

[00:05:45] Você é impactado o tempo todo, tudo sobre o algoritmo novo do LinkedIn,

[00:05:49] não sei o que, só que nada que está ali é oficial.

[00:05:51] São achismos, as pessoas, a parte que partem da observação.

[00:05:54] Mas a gente…

[00:05:56] Que nem a história que eu…

[00:05:57] A gente realmente percebe que o mesmo conteúdo…

[00:06:00] O mais óbvio de todos, título, né?

[00:06:03] Então, às vezes, não é o algoritmo, às vezes…

[00:06:05] E era a grande resposta que a gente dava no Facebook lá.

[00:06:10] Não é que o algoritmo prefere tal palavra.

[00:06:12] Os seres humanos preferem tal palavra, clicam mais,

[00:06:15] ou está vendo que o vídeo é sobre luto, não vai assistir o vídeo sobre luto,

[00:06:19] então vai mandar sinais.

[00:06:21] Eu tendo mais a acreditar nessa linha de explicação de que o algoritmo…

[00:06:27] Não está analisando a palavra,

[00:06:29] mas ele está analisando o comportamento das pessoas

[00:06:32] ao dar de cara com palavra, tema, imagem, o que quer que seja.

[00:06:36] E thumbnail e título são os casos clássicos.

[00:06:40] O algoritmo não interpreta a imagem.

[00:06:43] Inclusive, no bônus de internet com o Michel Coforado,

[00:06:45] eu fiz duas thumbnails.

[00:06:47] Eu tinha certeza que uma que eu fiz mais engraçadinha,

[00:06:49] mais não sei o que, ia ser melhor.

[00:06:51] Não foi. A outra que foi melhor.

[00:06:53] Então, essa coisa de você ficar o tempo todo…

[00:06:55] E a gente faz isso no Substack lá.

[00:06:57] Eu falei de Substack antes de você.

[00:06:59] A gente testa título no Substack e tal,

[00:07:01] e vê, ah, faz diferença.

[00:07:02] A gente fica testando o tempo todo.

[00:07:04] Mas esse é um ótimo exemplo, porque ali, exatamente,

[00:07:07] não é o algoritmo do Substack interpretando qual título vai melhor ou não.

[00:07:11] É o que as pessoas, seres humanos,

[00:07:13] clicaram menos ou clicaram mais.

[00:07:14] Ele está te dando um dado muito exato.

[00:07:17] Na minha experiência, faz pouquíssima diferença.

[00:07:18] É, e meu momento não é tão diferente assim

[00:07:23] do que sempre foi.

[00:07:23] Tipo, a manchete da capa de jornal.

[00:07:26] Exato.

[00:07:26] Eu já ia trazer esse ponto do jornalismo, assim.

[00:07:29] É que eu acho que o Substack é muito diferente

[00:07:30] de outras plataformas, porque, puta,

[00:07:32] se alguém quer ler a newsletter da Gaia,

[00:07:34] mano, eu vou ler.

[00:07:36] Independente do título, independente do tudo,

[00:07:38] eu vou abrir e vou ler.

[00:07:39] Agora, essa decisão de onde a gente vai colocar

[00:07:42] a nossa atenção, isso pra mim sempre existiu, gente.

[00:07:45] Eu sou jornalista de formação.

[00:07:46] E eu lembro quando veio a grande polêmica,

[00:07:48] vocês grandes culpados também por isso,

[00:07:50] de, tipo, clickbaits.

[00:07:51] E a cultura BuzzFeed de fazer vídeos chamativos.

[00:07:55] E…

[00:07:55] E a gente tem vários clientes na beach que ficam,

[00:07:58] putz, mas eu queria que colocasse o nome da minha empresa no título.

[00:08:01] E tem alguns momentos que eu falo,

[00:08:03] cara, pra você, na verdade,

[00:08:04] não sei se é a melhor coisa do mundo.

[00:08:07] Porque se você é uma empresa que tá começando agora,

[00:08:09] ninguém sabe quem você é e fala,

[00:08:10] empresa tal fez x.

[00:08:11] Tipo, tá, foda-se.

[00:08:13] Ah, uma empresa está quebrando…

[00:08:15] A Isami adora fazer isso.

[00:08:16] Ah, essa empresa está tentando mudar, não sei o que lá.

[00:08:18] Puta, me parece mais interessante.

[00:08:20] Você fala, ah, quero saber como é que é.

[00:08:21] No esporte, eles fazem com Corinthians e Flamengo.

[00:08:24] Então, assim, o cara jogou…

[00:08:25] Três jogos no Flamengo em 1987.

[00:08:29] Aí acontece alguma coisa com o cara na China.

[00:08:32] O cara, assim, ex-jogador do Flamengo.

[00:08:35] E o cara, assim, não tem nada a ver com Flamengo.

[00:08:37] O cara nem foi uma pessoa importante na vida do Flamengo.

[00:08:40] Fazem com o Corinthians também.

[00:08:41] Mas é isso, assim.

[00:08:41] Não fala o nome que é pra você clicar.

[00:08:43] No mundo corporativo tem muito.

[00:08:44] Ex-Facebook, ex…

[00:08:46] Eu sou ex-nobake.

[00:08:47] Eu sou ex-nobake.

[00:08:48] Falando de clickbait, rolou uma ótima essa semana

[00:08:50] do Phil Collins assassinado em…

[00:08:52] Em Belo Horizonte.

[00:08:54] Se julga.

[00:08:55] Nossa.

[00:08:55] É um bandido da periferia de Belo Horizonte

[00:08:59] batizado Phil Collins.

[00:09:01] Mas, tipo, cliquei.

[00:09:02] É lógico que eu cliquei na hora.

[00:09:05] O que o Phil Collins tava fazendo?

[00:09:06] Tava na savassa, ali alguém passou e matou ele.

[00:09:08] Não era assassinado, era baleado.

[00:09:10] E ele tá bem?

[00:09:11] Ele sobreviveu?

[00:09:12] O que será que aconteceu?

[00:09:13] Mas, assim, muita presença de espírito do jornalista de colocar.

[00:09:15] Ele não mentiu.

[00:09:17] E você saiu pleníssima de ter essa informação maravilhosa.

[00:09:19] De ter essa informação, pensando quando é que eu vou poder usar.

[00:09:21] Phil Collins da Silva, né?

[00:09:23] Mas, escuta, eu queria ir um pouco lá atrás.

[00:09:25] E perguntar pra vocês, se vocês lembram

[00:09:27] quando a palavra algoritmo entrou na vida de vocês?

[00:09:31] Foi no contexto de…

[00:09:34] O like do Facebook, assim.

[00:09:36] Porque o Facebook foi o primeiro…

[00:09:39] A primeira rede social, o primeiro aplicativo.

[00:09:42] Acho que nem era aplicativo na época.

[00:09:44] Que começou a organizar…

[00:09:46] Não em ordem cronológica.

[00:09:47] O que você via não em ordem cronológica.

[00:09:49] E aí, os tradicionais do Twitter…

[00:09:52] Não, eu gosto do Twitter.

[00:09:54] Porque no Twitter dá pra ler.

[00:09:55] Na ordem cronológica, o Facebook não faz isso.

[00:09:59] Mas, e o motivo de se o Twitter acabou adotando a mesma coisa,

[00:10:02] que é a quantidade de conteúdo que as pessoas publicam

[00:10:05] é maior do que o tempo que você consegue ler.

[00:10:07] Quando eu comecei no Twitter lá atrás, eu zerava o Twitter.

[00:10:10] Opa, aqui eu já li.

[00:10:11] E tinha aquele aviso ótimo também do

[00:10:14] é hora de parar de postar.

[00:10:15] É hora de parar, é.

[00:10:15] Dá um tempo.

[00:10:17] Não precisando disso aí.

[00:10:19] Segura.

[00:10:19] Então, foi nesse contexto de, não, o algoritmo do Facebook…

[00:10:23] E era só isso.

[00:10:24] Era o algoritmo do Facebook.

[00:10:25] E as pessoas reclamando da existência do algoritmo

[00:10:28] versus uma leitura cronológica.

[00:10:31] E quanto mais pessoas iam entrando,

[00:10:34] mais as contas de todas as plataformas mostravam que, sim,

[00:10:38] você precisava ter o algoritmo.

[00:10:39] Que era só uma galerinha criada no quintal do Twitter

[00:10:43] que gostava do cronológico.

[00:10:44] E toda a plataforma que implementava o algoritmo

[00:10:47] aumentava o tempo de permanência das pessoas na plataforma.

[00:10:51] Hoje em dia, inclusive, a gente tocou nesse assunto

[00:10:53] em alguns programas.

[00:10:55] Há programas atrás que falavam…

[00:10:56] A maioria das pessoas que não conhecem o TikTok,

[00:10:59] quando alguém fala do TikTok pra elas,

[00:11:01] a primeira coisa é assim, o algoritmo é ótimo.

[00:11:03] Isso, isso.

[00:11:04] Se você treinar o seu algoritmo, ele vai ser ótimo.

[00:11:06] Tem a coisa do treinar o algoritmo.

[00:11:07] Mas tem o lance de treinar também pro mal, né?

[00:11:09] A gente viu aí o caso Felca de, tipo,

[00:11:11] você vai treinando o algoritmo de jeitos

[00:11:13] que também te levam pra lugares bem erradinhos.

[00:11:15] Mas pra mim foi também essa época, mais ou menos.

[00:11:17] Porque eu trabalhava com Twitter, então

[00:11:19] era muito barraco, tipo, o Facebook tá fazendo isso,

[00:11:21] não, mas o Twitter é puro.

[00:11:23] E aí o Twitter começou.

[00:11:25] A colocar, e eu tava ali tentando defender

[00:11:27] a coisa que eu não acreditava muito.

[00:11:28] Porque realmente eu adorava quando era cronológico.

[00:11:30] Mas no começo, no Twitter, eu acho que diferente do Facebook

[00:11:32] que chegou e entubou, assim, o Twitter ainda fazia um

[00:11:35] não, você pode escolher, você vai ser cronológico.

[00:11:38] E aos pouquinhos,

[00:11:39] eles foram introduzindo um mundo em que tá

[00:11:41] agora é isso aqui, lide com o rolê.

[00:11:43] Mas na linha do tempo,

[00:11:45] o Google não trouxe essa palavra

[00:11:47] pro léxico antes.

[00:11:49] Porque o Google, quando ele pintou como

[00:11:51] buscador lá atrás, o que ele fazia era

[00:11:52] organizar o que ele encontrava

[00:11:54] de uma forma que as pessoas podiam compreender

[00:11:56] melhor, ao invés de ser só uma listagem louca

[00:11:59] igual aos outros, né? Você acha que tinha uma coisa meio

[00:12:00] positiva, em certa medida, quando a gente

[00:12:03] falava de algoritmo de Google? Não, não, acho que

[00:12:04] eu não tô nem entrando no se é positivo ou

[00:12:06] negativo, pensando mais quando foi que

[00:12:08] essa palavra começou a fazer parte do nosso dia a dia.

[00:12:11] Acho que a palavra é só uma tecnicalidade.

[00:12:13] A palavra usada não era algoritmo,

[00:12:14] era otimização pra busca, um negócio assim.

[00:12:17] Tá, boa, boa. Mas era isso.

[00:12:18] Foi o momento

[00:12:20] que começou a acontecer o que você

[00:12:23] descreveu na abertura,

[00:12:24] a gente produzir de olho

[00:12:26] na máquina do SEO

[00:12:28] e não nos seres humanos. Porque

[00:12:30] o que acontece? O ser humano é uma

[00:12:32] espécie horrível, porque é assim,

[00:12:35] o Google falava assim, não,

[00:12:37] você escreveu essa página aqui.

[00:12:39] Se muita gente linkar

[00:12:41] pra essa sua página, isso quer dizer que ela é

[00:12:42] boa. Então, quando alguém

[00:12:44] buscar a palavra podcast, ela

[00:12:46] vai estar lá no início, porque você é uma

[00:12:48] referência no mundo dos podcasts. Aí o ser

[00:12:50] humano olha e fala, ah, então tá. Então eu vou

[00:12:52] construir um monte de página. Backlinks.

[00:12:54] Minha, linkando

[00:12:56] pra página principal, vou fazer uma fazendinha

[00:12:58] de links, linkando.

[00:13:00] Então começou uma corrida

[00:13:02] de pessoas tentando,

[00:13:04] eu vou chamar de trapacear,

[00:13:06] hackear, e o

[00:13:08] Google mudou. Então hoje em dia

[00:13:10] se parece muito mais com

[00:13:12] essa coisa mágica do algoritmo que a gente

[00:13:14] fala. E criar olhando pra máquina

[00:13:16] e não pro ser humano, não é

[00:13:18] uma coisa que nasceu

[00:13:20] na internet. A gente estava

[00:13:22] aqui nos anos 90, a gente

[00:13:24] estava aqui nos anos 90, quando a gente via

[00:13:26] o que acontecia, por exemplo,

[00:13:28] no domingo, onde o Gugu e o Faustão

[00:13:31] eles ficavam batalhando com a máquina

[00:13:32] do Ibope ligada. E assim, quem

[00:13:34] trabalhava na produção do Gugu era assim,

[00:13:37] tá subindo a audiência do Faustão, mete

[00:13:38] banheira do Gugu. Era isso, assim.

[00:13:41] E aí, quando começava a banheira do Gugu,

[00:13:43] ficava todo mundo de sunga e de

[00:13:44] biquíni, e aí cortava

[00:13:46] pra uma matéria e voltava e a galera tava lá

[00:13:48] no estúdio com ar-condicionado. Mas assim,

[00:13:50] porque eles estavam de olho no Ibope, assim.

[00:13:53] Acho que a primeira versão

[00:13:54] do algoritmo era a máquina do

[00:13:56] Ibope, que a galera, o Ratinho

[00:13:58] ele ficava de olho no

[00:14:00] coisa e tocava música de jornal

[00:14:02] nacional. Tocava música de jornal nacional

[00:14:04] quando o Ratinho chegava em primeiro na audiência,

[00:14:06] tocava a música de jornal nacional. Ele parava o que ele

[00:14:08] tava fazendo e comemorava e tal.

[00:14:10] Mas as novelas mudam também.

[00:14:12] A pesquisa matava o personagem.

[00:14:14] Ainda hoje. Mas uma pergunta sobre isso.

[00:14:16] Como que as pessoas, sem ter Twitter

[00:14:18] ou TikTok, quer que seja,

[00:14:20] sabiam o que tava acontecendo na

[00:14:22] banheira do Gugu e que ela

[00:14:24] tinha que mudar de canal pro banheiro do Gugu?

[00:14:25] É que eu acho que tinha centralização, esse lance que você comentou.

[00:14:28] Poucos anos. Só tinham cinco. Era isso.

[00:14:30] Você ficava indo e voltando. Deu um comercial.

[00:14:32] Ah, vou lá ver.

[00:14:33] Aí eu parei aqui. Opa, tem um monte de gente

[00:14:36] pelada e eu parei aqui.

[00:14:38] Ficou meio chato agora.

[00:14:40] E você não tinha tanta opção. Era isso. Domingo à tarde

[00:14:42] você tinha almoçado, tava lá na sala e tal.

[00:14:44] Não tinha 500 canais.

[00:14:46] Depois veio o cabo. Por que isso? A tensão ela sempre teve.

[00:14:48] Ah, a TV não tá legal. Você desliga a TV e vai fazer

[00:14:50] outra coisa. Ou, ah, o jornal não tem

[00:14:52] interessante. Talvez o tempo de resposta,

[00:14:54] era muito menor. Tipo, o Gui já falou mil vezes

[00:14:56] sobre como a mulher dele muda a cada cinco segundos.

[00:14:58] Tipo, ouviu um negócio, não gostou e mudou.

[00:15:00] Hoje em dia, o tempo de resposta, ele é

[00:15:02] muito maior no nosso. Mas sempre existiu

[00:15:04] um, a audiência vai ditar pra

[00:15:06] em que caminho vamos. Então,

[00:15:08] acho que desde a faculdade de jornalismo

[00:15:10] a gente discutia muito sobre

[00:15:12] vieses, sobre a tal da

[00:15:14] objetividade jornalística.

[00:15:17] Gente, todo mundo tem algum nível

[00:15:18] de subjetividade que vai trazer pro jogo.

[00:15:20] Ele vai existir. Eu acho que partir

[00:15:22] disso é importante pra gente tomar

[00:15:24] decisões mais, tipo, tá, eu sei que

[00:15:26] esse conteúdo tá vindo de um lugar

[00:15:28] e eu acho que é muito isso que eu também queria levar

[00:15:30] a conversa sobre o algoritmo. Os algoritmos, eles

[00:15:32] têm uma agenda. E a gente tem que partir

[00:15:34] do pressuposto que isso existe e talvez

[00:15:36] só ter um olhar um pouco mais crítico. Porque eu sou

[00:15:38] a favor de algoritmos, gente. Assim,

[00:15:40] eu adoro meu algoritmo no Instagram pra me fazer

[00:15:42] comprar coisa. Acho incrível.

[00:15:44] Ele me mostra sempre coisas que eu adoro e que eu sempre

[00:15:46] compro. Eu falo, é isso, me mostra.

[00:15:48] É tipo uma versão melhor da Bahia

[00:15:50] de caixa, sabe? Assim, do…

[00:15:52] Como que é o nome daquilo?

[00:15:53] Do que? Sabe quando você tá num caixa de…

[00:15:55] A prateleirinha, quando você tá saindo

[00:15:56] de uma loja, entrando no caixa, assim?

[00:15:59] Como que é o nome daquilo? Ah, que é…

[00:16:00] Gôndolas? É, tipo as gôndolas de saída, assim.

[00:16:03] É, tem um… Mas tem um nome específico.

[00:16:04] É, tem um nome específico, é.

[00:16:06] Aquela fila ali que tem um… As canetas…

[00:16:09] Gente, eu sou, assim, vítima desse rolê.

[00:16:10] Eu sempre olho e falo, ah, um chocolatinho?

[00:16:12] Ah, um chicletinho? Ah, olha essa outra coisa.

[00:16:14] É, eu queria muito uma caneta.

[00:16:17] Eu sou sempre sendo vítima. Então, eu acho que isso,

[00:16:19] o algoritmo tá levando as compras

[00:16:21] online, por exemplo, pra um lugar maravilhoso.

[00:16:23] Ele me entende, ele sabe

[00:16:25] o que eu gosto, ele me dá opções

[00:16:26] que eu gosto, eu acho incrível. Continue,

[00:16:29] por favor, sou muito fã. É, porque um jeito

[00:16:31] que eu sempre falei

[00:16:33] disso é, você vai ver propaganda.

[00:16:35] Então, que pelo menos seja propaganda

[00:16:37] de algum assunto,

[00:16:39] ou produtos que te interessam, ou que sejam

[00:16:41] relacionados a quem você é,

[00:16:43] do que só propaganda, só ruído.

[00:16:45] Óbvio que aí,

[00:16:46] questões, privacidade, não sei o que,

[00:16:48] mas é isso. Existe

[00:16:50] um ser humano ou uma máquina decidindo

[00:16:53] o que a gente vai ver, ou o que é a banheira do Gugu,

[00:16:55] ou o horário, a grade de programação,

[00:16:57] ou qual personagem da novela vai ser

[00:16:59] morto, ou uma máquina.

[00:17:01] Eu acho que é uma diferença, não só

[00:17:03] de TV, mas dessa

[00:17:05] primeira época de internet

[00:17:07] que eu vou chamar, é o que

[00:17:09] eu, alguns anos, passei a chamar

[00:17:11] de, agora estamos nas redes

[00:17:12] pós-sociais. Antes,

[00:17:15] bem ou mal, cronológico ou não,

[00:17:17] eu ia ver no meu Twitter, no meu Facebook, no meu Instagram

[00:17:19] quem eu sigo.

[00:17:20] Meus amigos e tal.

[00:17:22] O TikTok chega e fala assim, não,

[00:17:24] eu vou te mostrar. Eu acho engraçado

[00:17:27] que todo TikTok zerado começa a te mostrar

[00:17:29] bunda. Vamos ver.

[00:17:31] Vamos meter bundas e peitos

[00:17:33] aqui e vamos ver quanto tempo essa pessoa

[00:17:35] fica olhando. Ah, deve ser um homem,

[00:17:37] tal, não sei o que. E vai entendendo.

[00:17:39] Então, abstraiu

[00:17:41] completamente esse tentar

[00:17:43] você mandar sinais bem claros

[00:17:45] assim, eu sou corintiano,

[00:17:47] eu sou amigo do

[00:17:49] Gui, eu tenho não sei o que.

[00:17:50] Eu vou te mandar

[00:17:53] e aí

[00:17:54] você atrapalha o lado de quem

[00:17:57] conta as histórias

[00:17:58] porque aí é que você tem

[00:18:01] que criar pra máquina e não pras pessoas.

[00:18:03] Então eu, no Twitter raiz,

[00:18:05] não, eu sei que as pessoas

[00:18:07] que me seguem gostam de, sei lá,

[00:18:09] piada de gatinho.

[00:18:10] Então eu vou contar piada de gatinho que a galera gosta.

[00:18:13] Agora sim, nesse momento,

[00:18:15] e o caso, pra mim, o caso clássico é quando eu tava tendo

[00:18:17] o julgamento Johnny Depp e Amber Heard.

[00:18:19] Tinha canal que falava,

[00:18:20] de maquiagem, que falava de videogame,

[00:18:23] que falava isso aqui no TikTok,

[00:18:25] não é nem canal, sei lá, perfil.

[00:18:27] Falou, se eu falo desse

[00:18:28] julgamento, meus views

[00:18:31] bom, bom. Ah, mas não tem

[00:18:33] nada a ver com o seu assunto. A pessoa que tá vendo

[00:18:34] pela primeira vez nem sabe, vai me seguir.

[00:18:37] Semana que vem eu volto a falar

[00:18:38] de videogame e eu vou ver o que é que acontece.

[00:18:41] E quando você é remunerado

[00:18:42] pelo número de visualizações,

[00:18:45] isso se torna super importante.

[00:18:46] Muito mais importante do que fidelidade do público.

[00:18:49] Então, mas eu acho que

[00:18:50] pensando do ponto de vista do criador de conteúdo,

[00:18:54] pelo menos os criadores

[00:18:55] que eu acompanho mais, que eu gosto

[00:18:57] mais, e aí de novo

[00:18:59] tô tirando do meu algoritmo,

[00:19:01] do que aparece pra mim. Eu acho que as pessoas

[00:19:02] que tendem a ter uma longevidade

[00:19:05] maior, são aquelas que contam

[00:19:07] as histórias que elas querem contar

[00:19:08] independentemente de algoritmo.

[00:19:11] Porque o problema de você é isso,

[00:19:12] essa semana tão falando do assunto X, eu vou falar de X.

[00:19:15] Aí você vira, aí nesse

[00:19:17] caso você literalmente vira refém do algoritmo.

[00:19:19] Porque semana que vem, X,

[00:19:20] acabou, tem que falar de Y, você muda de novo

[00:19:23] e você tem que ficar o tempo todo

[00:19:24] acompanhando a trend, o que tão fazendo,

[00:19:26] a dancinha e tal, não sei o que. Aí eu acho que

[00:19:28] do ponto de vista de longevidade, o criador de conteúdo

[00:19:31] ele tem mais a ganhar se ele contar

[00:19:33] a história que ele quer contar, independentemente

[00:19:35] do que o algoritmo, do qual

[00:19:37] que é a moda aquela semana e etc.

[00:19:38] Ou ele contar a história que ele quer contar pro público

[00:19:40] que ele sabe que ele tem. Porque uma coisa que o algoritmo

[00:19:43] não mudou é que conhecer o seu público

[00:19:45] é tudo, né? É a coisa mais importante.

[00:19:47] E tem uma coisa em PR

[00:19:49] que chama newsjacking.

[00:19:50] É um termo que basicamente é você

[00:19:52] sequestrar temas que estão na notícia

[00:19:54] que são relevantes. E cara, isso é

[00:19:56] não é uma coisa que foi inventada agora.

[00:19:58] É isso, tipo, desde que começamos

[00:20:00] a trabalhar no universo de relações

[00:20:02] públicas, isso já existe.

[00:20:04] Então assim, tá tendo um

[00:20:05] sei lá, a conta de luz tá

[00:20:08] muito alta. Putz, como, saiba

[00:20:10] dicas de como melhorar, como eu posso

[00:20:12] te ajudar nisso. Esse

[00:20:13] tipo de tática, ele sempre

[00:20:16] vai dar certo se você tiver algo a dizer.

[00:20:18] Eu acho que esse é o lance que as

[00:20:20] marcas precisam entender e os criadores

[00:20:22] enfim. E assim, eu não acho que surfar

[00:20:23] trend tá errado, assim. Eu tô falando aqui, eu acho que tem

[00:20:26] dois jeitos de fazer as coisas. Tem gente que

[00:20:28] vive do comentário do quente,

[00:20:30] né? E aí é isso. Mas ao mesmo tempo é a expressão

[00:20:32] que a gente usou em um contexto

[00:20:34] completamente diferente na hora do almoço, que foi

[00:20:36] cultura e plataforma. Então

[00:20:38] assim, você, eu concordo com você,

[00:20:40] eu tenho que

[00:20:41] respeitar ou até ditar a minha

[00:20:44] própria cultura. Ah, eu sou

[00:20:46] médico, eu vou falar

[00:20:48] de, sei lá, doenças de pele,

[00:20:50] não sei o que lá. Mas eu também preciso

[00:20:52] entender como a plataforma funciona

[00:20:54] pra exemplo mais básico de todos.

[00:20:56] Nos seis primeiros segundos, eu

[00:20:58] tenho que pegar a atenção das pessoas

[00:21:00] se não, nem deu tempo

[00:21:02] de explicar que a doença de pele

[00:21:04] não sei o que lá. Então, eu tenho que estar

[00:21:06] de olho, seja newsjacking,

[00:21:08] seja respeitar a linguagem

[00:21:10] da plataforma, eu

[00:21:12] também não posso, ah, eu vou contar a história

[00:21:14] que eu tiver afim. Tem aquele médico, a gente já

[00:21:15] falou, aquele cara que ele começa, ele fala de

[00:21:17] rosquinha, sabe? A gente já falou disso.

[00:21:20] Eu acho que é um exemplo que ilustra isso.

[00:21:22] Ele pega a pessoa, mas ele tá

[00:21:24] falando do que ele é especialista e aí

[00:21:26] depois que ele capta a atenção da pessoa

[00:21:28] ele vai dar mensagem. Não, isso é lógico, o tempo

[00:21:30] a seco, ah, como, sabe, pegar coisas

[00:21:32] que são interessantes pras pessoas.

[00:21:34] Porque no fim é isso, a gente tá falando sobre temas quentes

[00:21:36] que tem uma relevância pro público

[00:21:37] e tem que tá alinhado com o teu discurso.

[00:21:40] Eu acho que é essa parte mais difícil de

[00:21:42] não cair na armadilha. Eu lembro da primeira

[00:21:43] vez que o Choquei começou no Twitter

[00:21:46] a comentar, tipo, em tempo

[00:21:48] real, atentado, umas

[00:21:50] coisas assim. Eu lembro, bombardeio, eu fiquei

[00:21:52] que, que caralho que tá acontecendo aqui? Tipo, a Choquei

[00:21:54] tá comentando isso? Por quê, meu Deus?

[00:21:56] E é isso, assim, tipo, tem que fazer sentido

[00:21:58] no contexto, porque eu não tô seguindo por causa

[00:22:00] disso, eu tô seguindo pra seguir pra ver a fofoca da

[00:22:01] subcelebridade, sabe? Mas existe um problema

[00:22:04] que por conta desse

[00:22:05] algoritmo, você vai ver uma notícia

[00:22:08] do bombardeio ou da

[00:22:09] rosquinha e as interfaces

[00:22:11] estão deixando isso cada vez mais

[00:22:13] difícil, você não vai saber nem da onde

[00:22:15] veio. Então, pra mim, o grande exemplo é o YouTube Shorts.

[00:22:18] Na home do YouTube

[00:22:20] se você tá vendo no computador

[00:22:21] ou se você tá dando scroll sem abrir

[00:22:24] o Shorts, mas, enfim, dependendo

[00:22:26] de o que eles estiverem testando no dia

[00:22:28] de interface, você nem vê o nome do

[00:22:30] criador, o avatarzinho,

[00:22:32] não vê nada, só vê assim. Então,

[00:22:34] o meu algoritmo do YouTube me mostra

[00:22:36] muito trechinhos de

[00:22:38] making of e entrevista de filme.

[00:22:40] Ah, pra gravar aquela cena, usaram

[00:22:42] não sei quantos balões. Qual o canal?

[00:22:44] Não faço a menor ideia, tá falando do filme

[00:22:46] sei lá, Missão Impossível. Tom Cruise

[00:22:48] e ficou pendurado no avião.

[00:22:50] Qual o canal? Não sei, é o Choquei, é o Globo

[00:22:52] Esporte, não sei o que. E o exemplo que eu sempre

[00:22:54] dou, eu fui impactado

[00:22:56] uma vez por um vídeo

[00:22:57] do Harrison Ford sendo entrevistado

[00:23:00] pelo filme do Capitão América

[00:23:02] e o cara perguntando, ah, você não

[00:23:04] se sentiu meio ridículo de tá fazendo

[00:23:06] Hulk vermelho? Aí o Harrison Ford

[00:23:08] fala, é pelo dinheiro, é só trabalho.

[00:23:10] Eu faço isso pra ganhar dinheiro.

[00:23:12] E era um vídeo,

[00:23:14] tava quase com um milhão de views, era da

[00:23:16] Rádio Antena 1. E eu assim,

[00:23:18] porque eu trabalho com isso, eu me dei ao

[00:23:19] trabalho de entrar e ver e tal.

[00:23:22] E era no Instagram, não era nem no YouTube.

[00:23:24] Falei, cara, o que que isso tá construindo pra

[00:23:25] Rádio Antena 1? E a resposta, enfim,

[00:23:28] não trabalho na Antena 1, é nada

[00:23:30] ao mesmo tempo que

[00:23:31] no Media Kit da Rádio Antena 1 vai ter

[00:23:34] lá milhões de views, compre

[00:23:35] publicidade na Rádio Antena 1, que

[00:23:37] a gente tem muito alcance, tem milhões de views.

[00:23:40] Então, quem cria conteúdo tá sempre

[00:23:42] nesse desafio de, cara, se eu meter

[00:23:44] e assim, não precisa nem ir muito longe.

[00:23:46] Eu, o YouTube do Bona Internet sempre

[00:23:47] foi miado, porque eu subo a

[00:23:49] áudio, ninguém escuta só áudio no YouTube

[00:23:51] e tal, então nunca passava de mil

[00:23:53] plays, vídeos do Bona Internet no YouTube.

[00:23:55] Duas semanas atrás, publiquei a entrevista

[00:23:57] com o Michel Coforado,

[00:24:00] quando esse programa forrar, vai ter

[00:24:01] chegado a 10 mil plays, assim, nunca teve

[00:24:03] nada nem perto disso no Bona Internet.

[00:24:06] Por quê? Porque o Michel Coforado tá

[00:24:07] indo em tudo que é lugar, as pessoas são interessadas,

[00:24:10] é uma mensagem clara pro algoritmo,

[00:24:11] ele tá mostrando pras pessoas, e as

[00:24:13] estatísticas do YouTube me mostram, não.

[00:24:16] Eu tô mostrando pro povo na

[00:24:17] home, e as pessoas estão interessadas.

[00:24:19] Estão interessadas em ver, então

[00:24:21] eu, como criador, eu fico

[00:24:23] cara, eu vou contar a história que eu tô afim,

[00:24:26] ou eu agora vou ligar pra

[00:24:27] Camila Frender, que foi no podcast errado

[00:24:30] e não sei o que, é uma

[00:24:31] tentação, uma armadilha muito grande,

[00:24:34] assim, depende, inclusive, de como eu ganho

[00:24:35] dinheiro, se eu ganho dinheiro com o número de visualização

[00:24:38] ou construindo marca, ou enfim.

[00:24:40] Eu queria voltar numa coisa que você falou,

[00:24:41] quando você mencionou agora há pouco o shorts,

[00:24:44] mas você tá vendo o conteúdo,

[00:24:45] mas não tá claro pra você de que

[00:24:47] criador ou de que canal aquele conteúdo

[00:24:49] é, né? O que que você acha que a

[00:24:51] plataforma tá ganhando com esse

[00:24:53] esconder? Ela não tá escondendo diretamente.

[00:24:55] Cris Noites, bem-vindo. Cris Noites, bem-vinda

[00:24:57] a conversa. A plataforma

[00:24:59] tá ganhando tudo no sentido de que o YouTube

[00:25:01] é muito legal, não é a Gaia que é muito

[00:25:03] legal, ou o Choquei que é muito legal. Nossa,

[00:25:05] eu entro lá no YouTube, o elogio é o

[00:25:07] algoritmo do TikTok. Nossa, o algoritmo

[00:25:09] do TikTok é muito bom. Ah, tem aquele

[00:25:12] carinha, aí

[00:25:13] quem, sei lá, eu considero inteligente. Os criadores viram

[00:25:15] várias carinhas que estão ali.

[00:25:17] E você força

[00:25:19] os criadores a literalmente

[00:25:21] mostrarem seus rostos

[00:25:24] pra eu falar, ah,

[00:25:26] esse rapazinho do bigodinho

[00:25:28] toda hora aparece aqui, gosto

[00:25:29] muito dele. Se é uma pessoa, tipo

[00:25:32] nos Estados Unidos, eu fui criado no

[00:25:33] Nerdwriter, esses caras que fazem vídeo

[00:25:35] ensaio que nem aparecia a cara do sujeito.

[00:25:38] É cena de filme, é paisagem

[00:25:40] e tal. Não pode, senão você

[00:25:41] vira, você não constrói a sua marca.

[00:25:44] Então tem que ter, aí até

[00:25:45] esses caras hoje em dia aparecem no

[00:25:47] vídeo pra você, ah, legal,

[00:25:49] esse cara aí. E você acha que o

[00:25:52] Substack, ele é um

[00:25:54] antídoto pra isso, de alguma forma?

[00:25:56] Porque o Substack opera numa lógica

[00:25:57] totalmente diferente, pelo menos por enquanto.

[00:25:59] Eu ia fazendo pelo menos por enquanto.

[00:26:01] No e-mail sim,

[00:26:04] no Notes não, né?

[00:26:05] O Notes ainda aparece, a carinha da pessoa

[00:26:07] e tal, mas é uma

[00:26:09] twitterização, tiktokização,

[00:26:12] vamos ver onde vai dar. Mas é que ali

[00:26:14] o Substack, ele só ganha

[00:26:15] dinheiro se a gente ganha dinheiro.

[00:26:18] Então ele também funciona de um jeito que ele

[00:26:19] precisa que a gente ganhe dinheiro.

[00:26:21] Ele precisa que, se você, se eu tô lendo

[00:26:23] o seu conteúdo no Notes,

[00:26:25] ele quer empurrar pra que eu me torne

[00:26:27] o assinante paga do

[00:26:29] Bono Internet. Pelo menos por enquanto.

[00:26:31] Tanto que eu vejo, é, é isso,

[00:26:33] até entra a publicidade, mas assim, eu tendo

[00:26:35] a concordar com você. Inclusive eu vejo que

[00:26:37] como o Bono Internet é pago,

[00:26:40] quando ele vê que

[00:26:41] um post meu tá indo bem,

[00:26:44] ele começa a mostrar esse post pra todo mundo,

[00:26:46] é um algoritmo.

[00:26:47] Dessos, sei lá, o Substack do Gui que não

[00:26:49] cobra nada, ele fala assim, ah, não vou ganhar nada com esse

[00:26:51] Gui, vou mostrar esse cara

[00:26:53] e eu e você somos lá do grupo

[00:26:55] Best Sellers. Ah, não, eu vou

[00:26:57] privilegiar os Best Sellers

[00:26:59] porque eu já tenho sinais que mostram

[00:27:01] que as pessoas estão dispostas a pagar por

[00:27:03] esses caras aqui, então eu vou

[00:27:05] entuchar. Então, sempre

[00:27:07] tem um interesse de negócio por trás

[00:27:09] na escolha do algoritmo. É que como,

[00:27:11] sei lá, metade do Substack

[00:27:13] acontece no inbox do Gmail

[00:27:15] das pessoas, isso

[00:27:17] não acontece. Cara, tem uma parada que

[00:27:19] eu contei pro Cris semana passada

[00:27:21] que explodiu minha cabeça.

[00:27:23] Eu tava vendo um canal de YouTube

[00:27:25] e o cara, ele fez um vídeo explicando

[00:27:27] como ele ganhava dinheiro. E antes dele

[00:27:29] explicar quanto ele ganhava, ele falou

[00:27:31] abriu os números mesmo e tal.

[00:27:33] E aí, antes de começar

[00:27:35] o vídeo, ele tava explicando porque ele tava fazendo

[00:27:37] isso e tal, o YouTube.

[00:27:39] Aí ele vira e fala assim, porque o que é o YouTube?

[00:27:41] Aí na minha cabeça é uma plataforma

[00:27:43] de vídeos e ele respondeu, uma plataforma de anúncios.

[00:27:46] Aham.

[00:27:47] Aí, cara, e quando você enxerga como uma

[00:27:49] plataforma de anúncio, muda

[00:27:51] completamente. É isso, porque

[00:27:53] o YouTube, ele tá vendendo o quê?

[00:27:55] Nosso tempo de tela.

[00:27:57] Ele tá vendendo pro anunciante.

[00:27:59] E aí, isso não vale só

[00:28:01] pro YouTube, vale pro TikTok,

[00:28:03] vale pro Instagram, vale pra tudo.

[00:28:05] No final, são plataformas de

[00:28:07] anúncio, né? E o algoritmo

[00:28:09] ele é pensado

[00:28:10] pra empurrar a gente pra comprar

[00:28:13] ou pra ver algum anúncio.

[00:28:15] Enfim, no final é isso. Os caras estão

[00:28:17] monetizando a gente e o algoritmo,

[00:28:19] o algoritmo ele é feito pra manter a gente ali

[00:28:20] quanto mais gente tá vendo, mais caro eles

[00:28:23] conseguem cobrar das empresas que anunciam ali.

[00:28:25] Eu acho que essa loja, assim,

[00:28:26] tem defeitos nessa loja, mas assim, é que

[00:28:29] só o fato do cara enxergar, quando ele falou

[00:28:30] plataforma de anúncio, eu falei, cara, eu tenho

[00:28:33] 42 anos, eu nunca tinha pensado nisso.

[00:28:35] E também forçando o funcionamento

[00:28:37] dos criadores como nós a criar

[00:28:39] conteúdos que façam as pessoas

[00:28:41] ficarem ali dentro cada vez mais. Ou que comprem

[00:28:43] um curso, ou que comprem uma viagem, ou que comprem

[00:28:45] um livro, assim, porque hoje em dia

[00:28:47] você precisa publicar nessa geração,

[00:28:49] uma quantidade tão grande

[00:28:51] que dá muito trabalho. Fala assim, cara,

[00:28:53] publicar no Instagram não pode ser hobby.

[00:28:55] Ou é tipo, né, vá a festinha

[00:28:57] aqui e tal, tipo, sem nenhum objetivo.

[00:28:59] O objetivo é só se sentir

[00:29:01] criativo, mas se você tem

[00:29:03] um mínimo de pretensão

[00:29:05] de carreira naquilo, que seja vender

[00:29:07] o seu consultório de proctologia,

[00:29:09] você tem que fazer uma quantidade tão grande,

[00:29:11] você fala assim, cara, é melhor eu estar vendendo

[00:29:13] alguma coisa, senão dá uma menor condição.

[00:29:15] Então, do mesmo jeito, eu descrevo o Instagram

[00:29:17] como um grande carrinho de compra, seja

[00:29:18] de quem compra mídia no Instagram,

[00:29:21] seja dos criadores de conteúdo.

[00:29:23] Compre o meu batom, compre o meu curso,

[00:29:25] compre isso aqui. Não, ainda agora com o TikTok Shop,

[00:29:27] isso tá ficando cada vez mais…

[00:29:29] Mas eu acho que o ponto é, tá, a gente

[00:29:31] talvez tenha que ser menos ingênuo.

[00:29:33] É isso, assim, ah, eu vou usar

[00:29:35] uma plataforma, eu vou produzir conteúdo,

[00:29:37] eu vou olhar pra plataforma que tá mais

[00:29:39] alinhada com o que eu espero ganhar.

[00:29:41] Então, por exemplo, o Substack, putz, é isso,

[00:29:43] ele ganha comigo, então tá, então eu quero

[00:29:45] investir nisso. Ou se eu vou trabalhar

[00:29:47] com o Instagram, eu sei como,

[00:29:48] eu vou ganhar dinheiro, eu sei como ele ganha dinheiro,

[00:29:50] a gente tem que se alinhar de algum jeito. Se não tá

[00:29:52] alinhado, talvez não é a plataforma pra eu estar.

[00:29:55] Acho que, assim, a gente tem muito essa

[00:29:56] forma de precisar estar em todos os lugares.

[00:29:58] Precisa mesmo, assim. É, super não precisa.

[00:30:00] E do lado do consumidor, se você tá

[00:30:02] consumindo conteúdo, também consuma com essa

[00:30:04] noção de que você tá, o teu

[00:30:07] tempo tá sendo usado em prol de alguma

[00:30:08] coisa. É que a gente tá falando dentro

[00:30:10] da nossa bolha aqui, né, daí a gente

[00:30:12] tem essa consciência. Mas saiu

[00:30:14] daqui, as pessoas não têm, as pessoas só estão

[00:30:16] escolando. E eu acho que tem uma outra coisa que é,

[00:30:18] talvez, as pessoas, elas, muitas, a maioria

[00:30:21] das pessoas que criam conteúdo, eu não

[00:30:22] acho que elas chegam com uma visão tão madura

[00:30:25] tipo de pensar, então,

[00:30:27] é, ela simplesmente,

[00:30:29] ela simplesmente, ela começa a fazer

[00:30:30] e ela quer ser famosa, ou ela quer

[00:30:32] vender bolo, sei lá, né.

[00:30:35] Normalmente é público.

[00:30:37] É isso, então, eu acho que

[00:30:38] é isso, assim, é importante você ter essa visão

[00:30:40] de, passa pelo processo de maturação

[00:30:42] do nosso mercado de influência, de

[00:30:44] creators e etc, que por si

[00:30:46] só pode ser um outro episódio, assim, mas é isso.

[00:30:48] Entender, então, quais são os seus objetivos

[00:30:51] quando você começa a criar? Pode ser que eu queira

[00:30:52] só fazer meus bolos e botar ali

[00:30:55] e não espero nada disso.

[00:30:57] Mas se você espera alguma coisa, se você

[00:30:58] eventualmente quer viver daquilo, então você tem que pensar

[00:31:01] antes, falar, bom, então eu acho que eu vou pra cá, eu vou

[00:31:02] ter uma saída, vídeos curtos pra…

[00:31:04] Enfim, entender de fato qual que é o teu negócio,

[00:31:07] quais são as suas linhas de receita, onde você pode

[00:31:09] ganhar dinheiro e montar o negócio pra isso.

[00:31:11] E a gente falou muito disso no episódio

[00:31:13] de resultados, né.

[00:31:15] Mas eu acho que tem uma parte importante do algoritmo que

[00:31:16] sim, a gente precisa estar atento e precisa

[00:31:18] ter cuidado. Que é o lance do

[00:31:20] dos vieses que vem com o algoritmo

[00:31:23] que realmente mudam, a cultura

[00:31:25] existe, assim. E eu acho que isso é

[00:31:27] uma questão muito relevante, assim.

[00:31:29] Preconceitos que vem do algoritmo

[00:31:30] a gente vê agora com

[00:31:32] exponencializado com o IA, por exemplo

[00:31:34] que o IA não reconhece o rosto de pessoas pretas

[00:31:37] direito, e aí isso

[00:31:38] gera toda uma coisa. Então você vai pedir uma imagem

[00:31:40] em geral, são pessoas brancas, vem com

[00:31:42] vieses muito grandes, você pede uma foto de uma mulher

[00:31:44] vem uma mulher com um puta peitão.

[00:31:46] Então assim, tem certas

[00:31:48] coisas que sim…

[00:31:50] Um homem velho, branco…

[00:31:52] Então tem sim coisas que…

[00:31:54] Porque isso, o algoritmo é uma coisa viva

[00:31:56] e isso que é engraçado, é uma caixa preta

[00:31:58] então ninguém entende direito como funciona

[00:32:01] ninguém sabe explicar

[00:32:02] como que encaixou ali, mas a gente tem que ser

[00:32:04] cuidadoso. No mercado financeiro, por exemplo

[00:32:07] gente, sabe como os

[00:32:08] bancos decidem quanto você vai ter de crédito

[00:32:10] no seu cartão, quanto você vai ganhar

[00:32:12] quanto você vai ter de limite? Eles decidem

[00:32:14] por meio de algoritmos. É isso, gente.

[00:32:17] Algoritmo está em todas as partes.

[00:32:19] E esses algoritmos podem ter vieses terríveis.

[00:32:21] E a gente não tem essa noção

[00:32:22] de que hoje em dia, os dados

[00:32:24] que a gente gera pro mundo

[00:32:27] eles estão gerando insights em diferentes lugares.

[00:32:29] Eu sou muito da pessoa dos opens

[00:32:30] eu trabalhei muito tempo com open finance

[00:32:32] sou muito fã da gente compartilhar com

[00:32:34] responsabilidade nossos dados para as pessoas

[00:32:36] conhecerem a gente melhor. Você

[00:32:38] dando o teu consentimento

[00:32:40] você tendo clareza sobre como seus dados são usados

[00:32:42] mas é isso. Assim,

[00:32:44] tem coisas absurdas, tipo

[00:32:46] você morar na periferia, você morar num bairro rico

[00:32:48] vai dizer muita coisa sobre quanto você vai receber

[00:32:51] o que tipo de ofertas você recebe do teu banco

[00:32:53] e essas coisas, o impacto

[00:32:54] disso é sim muito importante

[00:32:56] a gente tomar consciência, sabe?

[00:32:59] Queria perguntar pra vocês

[00:33:00] a vida fora das telas, assim

[00:33:02] ou em real life. E fora dos stories.

[00:33:04] E fora dos stories, vocês estão bem?

[00:33:07] Não, mas

[00:33:08] como que vocês fazem pra escolher

[00:33:10] o que vocês vão consumir? Eu não gosto muito

[00:33:12] do consumir, mas o que vocês vão ler

[00:33:14] ou assistir sem

[00:33:16] passar por algum tipo

[00:33:18] de algoritmo definidor que não é vocês?

[00:33:20] Qual é o momento em que vocês tomam

[00:33:22] uma decisão, que você sabe que é uma decisão

[00:33:24] você, por exemplo, Cris, que eu sei que

[00:33:26] compra muito livro na Amazon

[00:33:27] então a sua home da Amazon

[00:33:30] ela te traz várias sugestões

[00:33:33] traz, traz, sim

[00:33:34] isso é um fato. Você sempre

[00:33:36] chega sabendo o livro que você

[00:33:38] vai comprar ou você está

[00:33:40] sujeito a essas sugestões? Sempre chego sabendo

[00:33:42] o livro que eu vou comprar. E por quê?

[00:33:44] Porque eu sou bizarro, né?

[00:33:47] A minha, antes eu quero compartilhar

[00:33:48] a minha estratégia. Eu tô querendo que você fale, tipo,

[00:33:50] da onde vem a sua decisão

[00:33:52] em relação aos livros que você vai ler? Eu vou começar

[00:33:54] respondendo a minha estratégia de Instagram

[00:33:56] que é eu abro, eu vejo stories do Suquita

[00:33:59] e fecho e vou embora. A minha relação

[00:34:00] com o Instagram é parecida. É, é essa aí.

[00:34:02] A palavra que você tá, eu acho que você tá buscando

[00:34:05] é curadoria. Alguém

[00:34:06] me falou de um livro

[00:34:08] no caso, né, da Amazon. Eu vou lá

[00:34:11] e vou buscar aquele livro e vou ver

[00:34:13] botar na lista de desejos

[00:34:15] aguardar a oferta, que seja

[00:34:17] até porque outro dia eu entrei

[00:34:18] na Amazon e falei assim, ah, eu preciso fazer o clube do livro

[00:34:20] do bônus da internet e vou entrar nos

[00:34:22] mais vendidos e vou dar uma olhada

[00:34:25] o que é um sinal

[00:34:26] eu sendo o meu próprio algoritmo

[00:34:28] vou procurar sinais de quais livros

[00:34:30] o meu público, de repente, ia querer ver

[00:34:32] e aí era, tipo, Bob Goodes

[00:34:35] Café com Deus Pai? É, os dez primeiros

[00:34:37] eram dois Café com Deus Pais e oito

[00:34:38] Bob Goodes. Eu falei, ah, entendi.

[00:34:40] Ah, esse Bob Goodes é nóis. Por favor, faz um clube

[00:34:42] da leitura do Bob Goodes.

[00:34:45] Então, clube da pintura, talvez dê certo,

[00:34:47] hein, meu algoritmo. Vem aí.

[00:34:48] Então, eu chego de algum lugar

[00:34:50] mas eu também acho

[00:34:52] que uma grande reclamação

[00:34:54] que as pessoas têm dos algoritmos

[00:34:57] é de que a gente tá

[00:34:58] passivamente, a gente tá terceirizando

[00:35:01] a decisão pros outros, né? Exato.

[00:35:03] Eu concordo com isso, mas

[00:35:04] a pergunta é

[00:35:06] será que a gente talvez

[00:35:08] não esteja muito consciente disso?

[00:35:11] Uma das coisas…

[00:35:11] Tem nada a ver, mas é assim que a minha cabeça funciona.

[00:35:15] Uma das coisas que eu escutei, acho que

[00:35:16] dois, três anos atrás de Moro no Triplex

[00:35:18] na minha cabeça até hoje, foi

[00:35:20] quando a nossa diretora Ana Paula Maron

[00:35:22] fez um podcast chamado Pouca Vergonha

[00:35:24] sobre sexualidade. Acho que penúltimo episódio

[00:35:27] falava sobre BDSM.

[00:35:28] E aí ela fala assim, e eu vou

[00:35:30] destruir o roteiro dela, depois ela

[00:35:32] a gente acerta as contas aqui.

[00:35:34] Muitas pessoas praticam

[00:35:37] BDSM no contexto

[00:35:39] de eu já tenho que tomar um monte

[00:35:40] de decisão durante o dia,

[00:35:43] eu tenho que fazer um monte de escolha, mandar pessoas…

[00:35:45] Nesse momento aqui,

[00:35:46] eu só vou obedecer,

[00:35:48] fazer o que mandarem eu fazer.

[00:35:51] Tinha noção desse tipo de coisa.

[00:35:53] Então talvez o algoritmo

[00:35:54] do TikTok e do Instagram é assim,

[00:35:56] ai que bom, agora eu não tenho o que pensar,

[00:35:59] agora eu vou ficar aqui vendo

[00:36:00] vídeo de gatinho, é isso. Nossa, o algoritmo

[00:36:02] me entende, ele é muito bom e tal.

[00:36:04] Quando a pessoa tá vendo vídeo de gatinho, tudo bem, né?

[00:36:06] Mas quando a pessoa tá vendo, enfim, várias outras coisas

[00:36:08] que estão rolando por aí nesse momento…

[00:36:11] Eu amo que tá todo mundo Cris, menos o Cris.

[00:36:13] É, eu também, eu percebi isso.

[00:36:15] Então de que eu me

[00:36:16] considero uma super

[00:36:18] internação disso, inclusive

[00:36:19] o meu tempo de tela do telefone

[00:36:22] é menor do que

[00:36:24] da maioria das pessoas,

[00:36:26] e o meu consumo de redes sociais em geral

[00:36:28] é, você

[00:36:30] me mandou um link no WhatsApp, eu vou

[00:36:32] clicar, eu vou abrir aquilo que você

[00:36:34] viu, eu vou fechar e a gente vai conversar

[00:36:36] no WhatsApp sobre aquilo que você falou, ou só

[00:36:38] vou dar uma risada e tal. E eu sei que

[00:36:40] eu sou a exceção, porque a gente fica

[00:36:41] próximo, próximo, próximo.

[00:36:44] Por algum motivo eu me treinei a não fazer isso.

[00:36:46] Cara, eu acho que eu, enfim, já fui

[00:36:48] um heavy user de Twitter e depois

[00:36:50] no começo do Blue Sky e tal, hoje em dia…

[00:36:53] Amigo, a gente começou esse podcast

[00:36:54] era muito importante no Blue Sky,

[00:36:56] tadinho. Não, mas eu comecei,

[00:36:59] enfim, você vai ficando mais velho, começa a pensar

[00:37:00] nas coisas. E uma coisa que

[00:37:02] nesses últimos, sei lá, 10 anos

[00:37:04] o ambiente político

[00:37:06] do Brasil… Do mundo, né?

[00:37:08] É, mas enfim, a gente pensando no que tá mais

[00:37:10] próximo aqui, você começa a notar

[00:37:12] que as pessoas que ficavam imersas

[00:37:14] nesse tipo de rede social, aquele meme

[00:37:16] do… Era um

[00:37:18] quadrinho do Cebolinha, da Turma da Mônica, que é

[00:37:20] as pessoas correndo, o que está acontecendo?

[00:37:23] É o tempo todo

[00:37:24] é aquele urgente,

[00:37:26] emergência, não sei o quê. E aí

[00:37:28] e vale não só pra política, vale pra

[00:37:30] qualquer outra coisa. Você fica imerso, né? Você fica

[00:37:32] numa sala onde tá todo mundo falando sobre

[00:37:34] copo com água, você começa a achar que copo com água

[00:37:36] é a coisa mais importante do mundo. E aí

[00:37:38] quando você sai, assim,

[00:37:40] sei lá, tivemos uma semana difícil

[00:37:42] no Congresso Nacional aí e tal, né?

[00:37:45] Você entra… É bom que

[00:37:46] esse comentário que você fez, o programa pode… Ele pode…

[00:37:48] Pode ser esse ano que vem. Sempre vai fazer

[00:37:50] assim, já. Atemporal.

[00:37:52] Aí você entra em qualquer

[00:37:54] rede social de texto e, cara,

[00:37:56] parece, assim, que o meteoro tá aqui,

[00:37:59] acabou de passar a lua e tá chegando

[00:38:00] pra bater na Terra. Cara, foi muito ruim,

[00:38:02] tá? Mas no outro dia você vai levantar e

[00:38:04] aí… Já é outra coisa. Já é a

[00:38:06] Mara Kerry em Belém. O que eu tô falando é

[00:38:08] não é que você não tem que se preocupar com isso,

[00:38:11] mas é que o problema é que quando você tá

[00:38:12] imerso dentro desse algoritmo, você

[00:38:14] começa a achar que só aquilo importa

[00:38:16] e nada mais importa. E tá todo mundo falando.

[00:38:18] Tá todo mundo falando isso. E aí você vai tomar café

[00:38:20] na padaria e, cara, os caras tão falando

[00:38:22] da novela. Mas aí é a importância. Mas aí é o clássico

[00:38:24] do Twitter do… É um alívio saber

[00:38:26] que fora daqui… Exato!

[00:38:28] Exato! Mas sabe uma coisa?

[00:38:30] Assim, isso eu acho que é comportamento de bolha.

[00:38:32] A real da real é essa, assim.

[00:38:34] Se a gente só anda com um grupo de amigos

[00:38:36] que pensam de um jeito, se você encontra

[00:38:38] uma pessoa que pensa de outro jeito, você fala

[00:38:39] nossa, tem alguém que pensa diferente, que loucura.

[00:38:42] E acho que o algoritmo, ele tende a

[00:38:44] potencializar o comportamento de bolha.

[00:38:46] Porque é isso. Ele entendeu que você gosta de

[00:38:48] uma coisa, ele vai te mostrar pessoas que gostam

[00:38:50] dessa mesma coisa e vai ficar refletindo isso

[00:38:52] até chegar num ponto que você tá inflamado

[00:38:54] porque você acha que isso é o fim do mundo.

[00:38:56] Só dar um exemplo claro.

[00:38:58] Então, eu diminuí meu consumo em redes sociais.

[00:39:01] Diminuí, hoje, acho que

[00:39:02] até usando um pouco mais o Instagram do que eu costumava usar.

[00:39:04] Outro dia eu tava sentado do lado

[00:39:06] da Sofia, e ela do TikTok.

[00:39:08] Aí eu vi algum rio, alguma coisa

[00:39:10] que tinha musiquinha. Ela virou pra mim e falou assim

[00:39:12] nossa, eu não aguento mais ouvir essa música.

[00:39:14] Aí eu virei e falei assim, eu literalmente tô

[00:39:16] ouvindo pela primeira vez. Ela falou aqui no TikTok,

[00:39:18] tipo, essa música é bom.

[00:39:20] E quando chegou no rio é porque já esgotou no TikTok.

[00:39:22] Mas essa

[00:39:23] coisa que eu falei de cultura e plataforma,

[00:39:26] de entender a plataforma e tal, essa semana

[00:39:28] saiu um estudo de que

[00:39:30] basicamente o título do estudo

[00:39:32] entre aspas era o YouTube

[00:39:34] privilegia a CNN.

[00:39:36] O YouTube quando vai mostrar notícias

[00:39:38] a CNN tá sempre

[00:39:40] lá. 97% das vezes

[00:39:42] a CNN está em primeiro

[00:39:44] e 100% das vezes

[00:39:46] tem um vídeo da CNN

[00:39:47] sendo sugerido pelo YouTube, segundo a

[00:39:49] metodologia que a gente fez.

[00:39:52] E a reclamação era, o YouTube

[00:39:54] não pode fazer

[00:39:56] isso, e eu interpretei

[00:39:58] tipo assim, algum engenheiro do YouTube

[00:39:59] que tem que entrar lá no código fonte

[00:40:01] e mandar, tipo, sortear

[00:40:04] não, agora é a Globo,

[00:40:05] depois é a Jovem Pan, depois é sei lá quem

[00:40:08] e tal. E assim,

[00:40:10] a interpretação que eu dou, até como

[00:40:12] de novo, como é que é tecnólogo e comunicólogo

[00:40:14] vou mudar minha byline

[00:40:16] do LinkedIn. Rapidinho,

[00:40:17] acho que você pode aproveitar isso pra gente voltar

[00:40:19] a ter bylines do LinkedIn que sejam

[00:40:21] sucintas e compreensíveis

[00:40:23] porque elas estão num momento muito doido

[00:40:26] sendo uma storyteller.

[00:40:28] Pô, mas enfim,

[00:40:29] de que a CNN entendeu

[00:40:31] o que é necessário, principalmente de

[00:40:33] título e thumbnail, mas também de ritmo,

[00:40:35] de edição, de duração. Ela entendeu

[00:40:38] pra eu publicar uma notícia

[00:40:40] ela, sei lá, vou inventar aqui, não pode ter mais

[00:40:41] cinco minutos, tem que começar com não sei o que

[00:40:43] tem que fazer não sei o que lá. Enquanto

[00:40:45] principalmente o que eu vou chamar de veículos

[00:40:47] progressistas, então assim, não

[00:40:49] meu trabalho fala por mim, eu estou

[00:40:51] trazendo a verdade, eu estou trazendo

[00:40:54] uma informação muito importante

[00:40:55] e o público vai entender

[00:40:57] não, o público não dá nem

[00:40:59] play no seu vídeo pra entender

[00:41:01] porque a gente já falou isso no início do programa

[00:41:04] metade do algoritmo são as pessoas

[00:41:06] dando play ou olhando e falando

[00:41:08] assim, o algoritmo mais básico do que

[00:41:09] o algoritmo humano mais básico do YouTube

[00:41:11] cara, esse vídeo é até legal, mas

[00:41:13] 45 minutos, eu vou

[00:41:15] botar no assistir mais tarde aqui, depois

[00:41:17] eu vejo, vou ver se é aqui de cinco. Então

[00:41:19] a solução não é, ah, o YouTube

[00:41:21] o Instagram, o TikTok, tem que, não tem

[00:41:23] que nada, porque, inclusive eles tem

[00:41:25] olha que loucura eu vou fazer, eu vou defender

[00:41:27] os interesses financeiros das plataformas aqui. Amigo, você está

[00:41:29] muito Cris Dias hoje, eu estou chocado. Estou muito Cris Dias porque eu tomei

[00:41:31] café. Ele está Cris Business. Café

[00:41:33] café é uma coisa maravilhosa

[00:41:35] inclusive assim, se o Instagram

[00:41:37] começar a mostrar conteúdo que as

[00:41:39] pessoas não querem ver, as pessoas vão fechar

[00:41:41] e vão pro TikTok e vice-versa

[00:41:43] e tal, então assim, você tem que entender

[00:41:45] a plataforma

[00:41:47] que ela gosta, ah, vou jogar o jogo

[00:41:49] beleza, não estou dizendo que é fácil

[00:41:51] e nem que é bonito, mas se não

[00:41:53] a CNN, a Jovem Pan vai

[00:41:55] deitar e rolar, entendeu? Eu queria dizer que na hora que você

[00:41:57] estava falando da galera que quer fazer as

[00:41:59] coisas do seu jeito e vocês tem que se

[00:42:01] dobrar a minha vontade, mano, meu olho

[00:42:03] foi pra trás aqui, eu fui, virei de um lado

[00:42:05] de revolta, eu estou até com o pescoço

[00:42:07] até dei um mau jeito, eu falei

[00:42:09] nossa, sofri aqui, porque isso é terrível

[00:42:11] assim, eu acho que essa postura de

[00:42:13] as coisas são do jeito que eu acho que elas

[00:42:15] tem que ser e se você não está ouvindo

[00:42:17] eu acho que tem uma postura muito arrogante

[00:42:19] em muita gente, assim, se você não está

[00:42:21] entendendo o meu conteúdo, o problema é seu

[00:42:23] e eu já falei isso algumas vezes, tipo

[00:42:25] cara, como comunicólogos, o nosso

[00:42:27] papel, como comunicadores

[00:42:29] é garantir que a mensagem chegue

[00:42:31] no nosso publicado. Eu já vi, eu já vi, não um

[00:42:33] não dois, não três jornalistas

[00:42:35] que em algum lugar da bio estava escrito

[00:42:37] eu sou responsável pelo que eu falo

[00:42:39] não pelo que você entende, cara

[00:42:41] é só profissional

[00:42:42] e sobre os bylines

[00:42:45] do LinkedIn, às vezes dá vontade

[00:42:47] de perguntar assim, tá, mas quando você emite nota

[00:42:49] para o cliente, qual é o serviço que está lá

[00:42:51] qual é o KINAI

[00:42:53] qual que é seu KINAI, assim

[00:42:55] mas essa é uma

[00:42:57] grande diferença

[00:42:59] e não tem nada a ver com o algoritmo, talvez tenha

[00:43:01] entre de novo

[00:43:03] até usando palavras para o algoritmo

[00:43:05] levantar progressistas

[00:43:07] e conservadores, geralmente

[00:43:10] não vamos generalizar, geralmente

[00:43:12] os conservadores

[00:43:13] entendem que é um jogo que precisa ser

[00:43:15] jogado inclusive com dinheiro

[00:43:17] e os progressistas, não gente

[00:43:19] é pela verdade, é pela liberdade

[00:43:22] é pelo bem, é pelo isso aqui

[00:43:23] mas o pela verdade, pela liberdade, pelo bem

[00:43:26] é o discurso que os conservadores usam

[00:43:28] também, aqui você vai ver a verdade

[00:43:30] porque fulano humilhou a esquerda

[00:43:32] não, não, da porta para dentro

[00:43:33] mas fala de um jeito que vai

[00:43:35] viralizar, eles tem uma linguagem

[00:43:37] acho que uma adoção da linguagem

[00:43:40] um entendimento sobre como

[00:43:42] usar as ferramentas que precisa

[00:43:43] ser estudado

[00:43:46] precisa ser avaliado

[00:43:47] mas até assim, pegar o exemplo extremo

[00:43:49] campanha política

[00:43:50] o candidato conservador tende

[00:43:54] a falar assim

[00:43:55] quem é o melhor marqueteiro?

[00:43:57] custa um milhão, eu pago

[00:43:59] e o progressista é

[00:44:01] ah gente, mas poxa

[00:44:03] é uma causa tão legal

[00:44:04] óbvio que eu estou exagerando, estou transformando em caricato

[00:44:07] mas para vocês aqui

[00:44:10] quem está em casa acompanhando

[00:44:11] entenda o tipo de diferença que eu estou

[00:44:13] é isso, eu estou galgado

[00:44:15] no que eu considero a verdade

[00:44:17] e acho que precisa existir

[00:44:19] alguma justiça humana e divina

[00:44:21] que me favorece, a mídia não está nem aí

[00:44:24] o algoritmo não está nem aí, quem está assistindo

[00:44:25] quem está dando play, não está nem aí

[00:44:27] ele quer assim, caramba

[00:44:28] o Lula, e é meio assim, como é que é

[00:44:31] ex-jogador do Flamengo

[00:44:33] meteu três gols, cara eu quero ver

[00:44:36] não tem, sou flamenguista

[00:44:37] só não tem, aí você entrou

[00:44:40] no vídeo, aí você foi impactado

[00:44:42] pela mensagem, aí o viruzinho

[00:44:44] da ideia se instalou na sua cabeça

[00:44:45] e aí é ladeira abaixo

[00:44:47] mas os dois lados têm que entender

[00:44:49] que esse é o game, não fica assim

[00:44:50] eu já estive pessoalmente numa reunião

[00:44:54] no Facebook, sei lá, dez anos

[00:44:55] atrás, onde uma pessoa

[00:44:57] de uma equipe política

[00:44:59] virou e falou assim, não, vocês têm

[00:45:01] que mudar o algoritmo

[00:45:03] para todo post que o meu candidato

[00:45:05] fizer, aparecer no feed

[00:45:07] da pessoa, tipo assim

[00:45:09] a gente falando, escreve mais assim

[00:45:11] mas alguma coisa assim, conflitas

[00:45:13] em vez dele falar assim, não, eu vou

[00:45:15] passar a escrever

[00:45:17] criar coisas

[00:45:18] de um jeito que o público esteja

[00:45:20] interessado, tipo

[00:45:22] esquece Facebook, em vez de

[00:45:24] eu fazer uma capa de jornal com uma foto

[00:45:26] bonita e uma manchete

[00:45:28] chamativa, não, eu acho que

[00:45:30] vocês têm que entrar na casa

[00:45:32] de todo mundo e obrigar as pessoas a ler

[00:45:34] o jornal todo dia de manhã, pode até

[00:45:36] ser muito bonito, mas não vai rolar

[00:45:38] entendeu, então

[00:45:39] isso vale, eu estou usando a política

[00:45:42] como um extremo, mas vale

[00:45:43] vale para a empresa, para o mundo corporativo

[00:45:45] vale para a pessoa física, assim, cara, você

[00:45:47] olha a comunicação e antes de mais nada

[00:45:49] chamar a atenção da pessoa para ver

[00:45:50] e de novo, eu sou artistinha, boa na internet

[00:45:53] tem títulos enigmáticos

[00:45:55] beleza

[00:45:56] mas cada vez mais eu vou

[00:45:59] entendendo e entrando no jogo

[00:46:01] e falo, cara, se não a pessoa não vai nem

[00:46:03] chegar na minha história para ver

[00:46:05] o valor que ela tem, então eu preciso

[00:46:07] de uma tamba, eu preciso de um título, eu preciso de uma duração

[00:46:09] eu preciso de um monte de coisa para chegar na história

[00:46:11] e é isso, para empresas isso também

[00:46:13] eu já vi muitos casos de tipo

[00:46:15] não, eu não preciso fazer nenhuma comunicação ativa

[00:46:17] se eu faço um bom trabalho, as pessoas vão querer

[00:46:19] essa bebidinha, as pessoas querem, cara, não querem

[00:46:22] e mesmo se você, já vi muitos

[00:46:23] casos de empresas que foram muito relevantes

[00:46:26] e inovaram

[00:46:27] seus mercados, e aí largaram mão

[00:46:30] o que acontece? as pessoas querem

[00:46:31] de você, porque é isso, a gente está falando da economia

[00:46:33] da atenção, as pessoas, elas estão

[00:46:35] sendo impactadas por um milhão de coisas

[00:46:37] ninguém está checando se você foi o primeiro

[00:46:39] as pessoas estão

[00:46:41] atrás de novidades, se você ficou sem novidade

[00:46:43] você ficou para trás, em certa medida

[00:46:45] e outra coisa que a gente já falou aqui também

[00:46:47] quantidade

[00:46:48] ah, fiz um baita filme, gastei 10 milhões de dólares

[00:46:52] com o melhor diretor do mundo, fiz isso aqui

[00:46:54] semana que vem, o que é que você… não, nada

[00:46:56] eu já… gastei meu budget

[00:46:58] não, não, não, não, não

[00:46:59] existe um problema na publicidade

[00:47:01] que a considerada melhor propaganda

[00:47:04] da história da publicidade só foi veiculada

[00:47:06] uma vez, que é o Macintosh 1984

[00:47:08] isso cria uma impressão de que

[00:47:10] não, eu vou fazer um negócio, a famosa

[00:47:12] bala de prata, eu vou fazer um negócio tão incrível

[00:47:14] que vai ficar décadas na cabeça

[00:47:16] das pessoas

[00:47:17] não, cara, principalmente online, não é assim que funciona

[00:47:20] você falou do Michel Alcorforado

[00:47:22] quantas vezes hoje? Já duas, três?

[00:47:24] não foi suficiente

[00:47:25] porque eu vou falar mais uma vez

[00:47:27] porque…

[00:47:28] esse homem merece menções

[00:47:30] na divulgação de livro

[00:47:32] enfim, divulgar literatura

[00:47:35] contemporânea brasileira tem sido

[00:47:37] nunca foi fácil, mas tem sido um tremendo

[00:47:39] de um drama, né, e tem vários fatores novos

[00:47:42] tipo o booktalk

[00:47:43] mas eu tenho achado muito interessante acompanhar

[00:47:45] o que está rolando com o Alcorforado

[00:47:47] foi uma estratégia de divulgação

[00:47:50] muito bem amarrada

[00:47:51] inclusive a decisão de ir no teu podcast

[00:47:54] sentar nessa cadeira que você está

[00:47:56] aqui?

[00:47:56] aqui tudo

[00:47:58] e fez com que um livro

[00:48:01] que é muito relevante

[00:48:02] para o nosso momento, de fato, rompesse

[00:48:04] a bolha da literatura contemporânea

[00:48:06] ele se esgotou antes de

[00:48:08] hoje de manhã eu mandei mensagem para o Cris

[00:48:10] eu falei, Cris, duas pessoas

[00:48:12] que eu conheço, que são muito

[00:48:14] ricas, postando sobre o livro

[00:48:16] nas redes sociais

[00:48:17] e eles não se tocaram, porque ele estava falando

[00:48:20] dessas pessoas

[00:48:22] é a prova de que ele está certo

[00:48:24] mas ele é o livro mais vendido

[00:48:26] que não envolve nem café

[00:48:28] nem canetinha colorida

[00:48:30] no Brasil, na Amazon

[00:48:32] e temos que aprender, né, gente

[00:48:35] olha que maravilhoso, você pode fazer

[00:48:36] um conteúdo muito profundo

[00:48:38] sobre um tema muito importante

[00:48:40] que é sério, e você vai fazer uma estratégia

[00:48:43] de comunicação que não está fazendo

[00:48:45] dancinha, ele faz várias coisas

[00:48:47] legais nessa questão

[00:48:47] mas é isso, ele está fazendo

[00:48:50] ele está falando com a linguagem das plataformas

[00:48:52] sem colocar em risco ali

[00:48:54] a essência de quem ele é

[00:48:56] a história que ele está contando

[00:48:58] e olha que legal, trabalho acadêmico

[00:49:00] case, gente, case

[00:49:02] isso é importante também, mas respeitando

[00:49:04] a personalidade dele

[00:49:06] e até brincando assim, ah, vou fazer

[00:49:08] ASMR aqui do meu livro

[00:49:10] brincando, as pessoas sabem o que é e tal

[00:49:12] mas isso que você falou da tese

[00:49:14] de doutorado é mais legal também assim

[00:49:16] ele podia

[00:49:17] como muita gente já fez, pegar a tese de doutorado

[00:49:19] mandar pra editora e falar, publica aí

[00:49:21] porque aqui está o tratado definitivo

[00:49:23] não, ele escreveu e ele falou pra gente aqui

[00:49:26] que a primeira versão do livro tinha 700 páginas

[00:49:28] ele falou, não, está muito grande

[00:49:30] esse livro não pode passar de 250 páginas

[00:49:32] então ele foi editar o livro

[00:49:34] dar ritmo

[00:49:34] uma pessoa que entende o poder de comunicação

[00:49:36] como você tem que se adaptar ao contexto, ao formato

[00:49:39] mas aí é um trabalho, é aquela coisa

[00:49:41] é um trabalho que envolve além do autor

[00:49:44] porque envolve

[00:49:45] figura de um editor, tem um editor que trabalha

[00:49:47] trabalhou com ele ali, daí tem a equipe

[00:49:49] de divulgação

[00:49:51] a equipe de PR da editora

[00:49:53] ajudando a montar toda essa estratégia

[00:49:55] e venho aqui trazer uma visão dias pra ser feliz

[00:49:57] cara, o potencial do algoritmo

[00:49:59] nesse sentido, quando você aprende a usar

[00:50:01] você aprende a falar, ele te leva pra além

[00:50:03] do que você conseguiria alcançar

[00:50:05] ele te leva pra fora da tua bolha

[00:50:07] então em certa medida ele é sim relevante

[00:50:09] cara, vai te mostrar pra pessoas que não

[00:50:11] te veriam antes, obviamente

[00:50:13] tudo tem seu lado ali

[00:50:15] positivo e negativo, mas o uso

[00:50:17] positivo, olha pro negativo

[00:50:19] entende com ele, vê o que você tem

[00:50:21] que tomar, os cuidados que você tem que tomar

[00:50:23] não passa com ingenuidade

[00:50:25] mas é muito legal, ele consegue chegar a muito mais gente

[00:50:27] esgotar, etc, porque ele não tá falando

[00:50:29] só com quem se identifica com isso

[00:50:31] ele tá falando com o rico que talvez não se ligou

[00:50:33] que tá sendo, enfim

[00:50:34] que o livro é sobre ele

[00:50:35] na verdade fui eu

[00:50:37] eu me dei conta agora

[00:50:40] qual que é a palavra do dia?

[00:50:42] vou agora pistolar aqui não

[00:50:43] banheira do gugu

[00:50:46] banheira do gugu

[00:50:47] lógico

[00:50:48] eu queria contar pra vocês que a gente entrou nesse estúdio

[00:50:50] ele falou, vou falar banheira do gugu e vai fazer sentido

[00:50:52] e assim, fez sentido pra caralho

[00:50:54] parabéns

[00:50:54] eu amo que se tem uma coisa que eu posso parar de você Gui

[00:50:58] é que você vai trazer cultura popular

[00:50:59] você vai trazer aqui, a gente vai falar de chucha

[00:51:02] eu sou aprendiz do Chico Barney

[00:51:04] nossa, ele conversando com o Chico Barney

[00:51:06] eu falei assim, cara

[00:51:07] tem coisas que ele olha e fala, do que vocês estão falando

[00:51:10] a menor ideia do que vocês estão falando

[00:51:12] eu fui uma criança

[00:51:14] a minha mãe

[00:51:15] ela tem televisão em todos os cômodos

[00:51:17] e aí quando chegou a TV a cabo

[00:51:20] ela botou a TV a cabo em casa

[00:51:21] então eu vi muita TV, cara, TV dos anos 90

[00:51:24] assim, cara, é uma memória

[00:51:26] muito viva, porque eu

[00:51:28] consumia, cara, eu lembro do dia que

[00:51:30] eu cheguei em casa e minha mãe botou net no meu quarto

[00:51:32] eu falei, cara, eu não vou nunca mais estudar

[00:51:34] sacou? porque, cara, eu tenho

[00:51:36] todos os canais de escola de filme

[00:51:37] eu tinha uma rotina de, tipo, eu via exatamente

[00:51:40] tipo, ah, eu vou chegar em casa

[00:51:42] depois da escola, aí duas horas tentar o negócio

[00:51:44] três horas tentar o negócio, aí eu vou ver a novela

[00:51:46] a malhação

[00:51:47] a novela das seis, a novela das sete, a novela das oito

[00:51:49] gente, mas assim, o Brasil

[00:51:52] funciona assim até hoje

[00:51:53] as pessoas veem muito a televisão

[00:51:55] a gente fala muito de internet, aqui estamos

[00:51:57] na nossa bolha, mas

[00:51:58] o veículo, o que é mais consumido no Brasil

[00:52:02] até hoje é TV e rádio

[00:52:03] isso, isso, e eu era a criança

[00:52:05] que sabia a hora ligando a televisão

[00:52:07] não, e quando chegava a revistinha

[00:52:09] da TV a cabo, você ficava tendo os horários

[00:52:11] pra escolher o que você ia ver

[00:52:13] a noite você chegava no quarto, se não tinha jogo, botava na Sony

[00:52:15] ou na Warner, e aí

[00:52:17] via a série que, assim, você ia inventando

[00:52:19] tipo, Law & Order

[00:52:20] só que era um chamado diretor de programação

[00:52:23] é isso, diretor de programação

[00:52:25] o avô do algoritmo

[00:52:26] mas uma coisa que o Cris falou mais cedo

[00:52:29] e eu acho muito doido

[00:52:30] a gente hoje em dia tá tão esgotado

[00:52:33] que a gente tá feliz quando alguém toma uma decisão

[00:52:35] eu sou assim, às vezes eu só quero

[00:52:37] sentar, e até quando eu abro

[00:52:40] Netflix e eu tenho que escolher alguma coisa

[00:52:41] me cansa, então às vezes entrar no TikTok

[00:52:43] no Instagram é um jeito de consumir

[00:52:45] conteúdo, se ocupar

[00:52:47] não pensar em nada

[00:52:48] falando em algoritmo, outro dia eu vi um vídeo

[00:52:52] de uma criadora de conteúdo

[00:52:53] que ela fala sobre os dates dela

[00:52:56] e uma das coisas que ela

[00:52:57] foi sair com o cara, que ela elogiou e falou assim

[00:52:59] cara, ele só falou tal dia, tal hora

[00:53:02] e ele reservou

[00:53:03] ela tava tipo, porra

[00:53:04] entrou no carro e falou, e aí, onde a gente vai?

[00:53:08] não, não, não, ó, tal dia, tal hora, vou passar aí

[00:53:10] tá reservado, beleza, beleza

[00:53:11] só isso já botou o cara

[00:53:13] muito na frente

[00:53:15] vocês dois tão falando isso, eu tô lembrando

[00:53:17] da pergunta da Amazon e tal

[00:53:19] que é a curadoria, porque beleza

[00:53:21] temos isso, mas tem um papel

[00:53:23] famoso assim, eu tenho um amigo que eu vou mandar

[00:53:25] piada de sei lá o que

[00:53:27] pra Ana, eu vou mandar, se aparece um vídeo

[00:53:30] de bichinho no meu feed

[00:53:31] eu mando pra Ana, coquinha

[00:53:33] eu mando pra aquele cara, piada depressiva

[00:53:36] eu mando, então a gente vai

[00:53:37] fazendo a curadoria entre a gente

[00:53:39] não é eu mando tudo pra todo mundo

[00:53:41] tem algumas coisas que eu boto nos meus stories

[00:53:43] agora o Instagram tem o retweet

[00:53:46] lá, ah não, só que eu vou dar um retweet

[00:53:47] porque eu acho que é melhor aparecer no feed da pessoa

[00:53:49] então a gente

[00:53:51] pode não perceber, mas a gente faz essa curadoria

[00:53:53] você falou de livro, tem livro

[00:53:55] que eu não quero nem saber nada, não vou nem ler

[00:53:57] o que a Aya falou, a Aya só falou

[00:53:59] li esse livro, achei legal, eu quero ser

[00:54:01] surpreendido, filme, eu faço isso muito com filme

[00:54:03] porque ao mesmo tempo as pessoas

[00:54:05] tem o paradoxo da escolha, abre a Netflix

[00:54:07] fica olhando lá, caramba

[00:54:09] 25 capas de coisa pra eu ver aqui

[00:54:11] não quero, eu quero

[00:54:13] e aí tem toda a pira da Fast TV

[00:54:15] que é, cara, vou 24 horas

[00:54:17] de férias com o ex

[00:54:19] aqui eu vou pegar no meio

[00:54:21] e vou ver, porque eu só quero

[00:54:22] alguém decidir por mim

[00:54:25] nem que seja o destino, a aleatoriedade

[00:54:26] eu estabeleci a regra dos dois minutos, eu abro a plataforma

[00:54:29] e se eu demorar dois minutos no chanel

[00:54:31] não tem nada, então eu vou, troca, vai pra Apple

[00:54:33] é porque o ficar escolhendo

[00:54:35] muito tempo, ficar navegando

[00:54:37] ali muito tempo

[00:54:39] tipo, o que eu vou ver, daí eu já terminei a comida

[00:54:41] que eu ia comer e eu ainda tô escolhendo

[00:54:43] isso é uma coisa que me dá muita aflição, tipo, bicho eu perdi uma hora

[00:54:45] que eu despedi, não, não, não

[00:54:47] eu poderia estar olhando

[00:54:49] podia ter ido dormir

[00:54:50] e eu tô aqui, meu

[00:54:52] então eu faço isso, se eu não escolher

[00:54:54] Cris falou uma coisa que na verdade traz

[00:54:57] tipo, sim, a gente tá guiado pelo algoritmo

[00:54:59] e impactado pelo algoritmo

[00:55:01] mas olha o papel que os creators e os influenciadores

[00:55:03] tem nas nossas vidas também

[00:55:05] porque isso, é muito conteúdo

[00:55:06] e a gente, querendo ou não, quando tem pesquisas

[00:55:09] de compra, de intenção de compra, etc

[00:55:11] você ter ali familiares e amigos

[00:55:13] como indicação, vem em primeiraço

[00:55:15] criadores também tá ali em cima

[00:55:17] pessoas que você confia

[00:55:19] eu adoro coisas de maquiagem

[00:55:20] e assim, eu tenho os criadores que eu tenho certeza

[00:55:23] a pessoa falou de um negócio, eu vou atrás pra comprar

[00:55:25] porque eu sei que é uma pessoa que tá muito alinhada

[00:55:27] com o que eu gosto, que já tem ali

[00:55:29] então, no fim, a gente ainda segue

[00:55:32] sim, somos reféns de algoritmos

[00:55:33] aliás, pra falar um algoritmo bom

[00:55:35] o algoritmo da Netflix é bom, eu gosto

[00:55:37] ele mostra coisas baseadas em coisas que

[00:55:39] o catálogo não é tudo isso, mas enfim

[00:55:40] depende do tipo de coisa

[00:55:44] que você gosta de ver

[00:55:45] porque as coisas que eu assisto com a Sofia

[00:55:46] ele costuma acertar

[00:55:48] eu vou defender o algoritmo do YouTube Music

[00:55:50] porque eu era Spotify

[00:55:51] ou eu era Spotify

[00:55:52] pra quem não sabe, meu senhor é meu esposo, ele trabalha no YouTube

[00:55:56] e por desespero dele, eu usava Spotify

[00:55:58] ele ficava, pô, tem que entrar no YouTube, é muito melhor

[00:56:00] tá, beleza, fui entrar no YouTube Music

[00:56:03] no começo foi insuportável, gente

[00:56:05] era terrível, aí eu falei

[00:56:06] vou me dedicar, e eu acho que isso é uma coisa importante

[00:56:08] algoritmos, você precisa ter trabalho

[00:56:10] você precisa ensinar o mocinho, ensinei

[00:56:12] falei, tá bom, vamos lá, vou te ensinar, vou te mostrar

[00:56:14] guiar, e hoje em dia eu ponho

[00:56:16] uma música, ele vai me render 5 horas

[00:56:19] de músicas maravilhosas

[00:56:20] e eu falo, cara, que incrível

[00:56:22] gente, eu gosto de escolher minhas músicas

[00:56:24] mas também já estive nesse lugar

[00:56:27] várias vezes de vir

[00:56:28] recomendações, eu queria aproveitar e contar uma coisa

[00:56:30] ainda bem que eu tinha feito esse erro, porque eu queria contar essa história

[00:56:32] quando meu filho era criança, a gente morava na Granja Viana

[00:56:34] a gente passava muito tempo no carro

[00:56:36] levar pra escola, voltar da escola

[00:56:38] e a gente viajava muito junto também

[00:56:40] e eu tinha um casezinho de CD

[00:56:42] que eram CDs que eu gravei com as músicas

[00:56:44] que eu gostava pra ir ouvindo na estrada

[00:56:46] e o Lourenzo meio cresceu

[00:56:48] ouvindo as bandas que eu ouço, tipo, sei lá

[00:56:50] Ravenettes, assim

[00:56:52] aí quando rolou, quando o Lourenzo cresceu

[00:56:54] ganhou um próprio celular e

[00:56:56] foi criar o próprio Spotify, uma das primeiras coisas

[00:56:58] que ele fez foi pegar o case de CDs

[00:57:00] pegar as músicas, encontrar as músicas

[00:57:02] do Spotify e criar as playlists

[00:57:04] CD 1, CD 2

[00:57:05] então, exatamente, o gosto

[00:57:09] musical dele foi desenvolvendo

[00:57:10] a partir das recomendações do Spotify

[00:57:13] a partir desse CD

[00:57:14] consequentemente, meu filho tem

[00:57:16] excelente gosto na música

[00:57:18] até hoje, ele é perfeito

[00:57:19] não, a gente tava num rolê

[00:57:22] de audição de coisa

[00:57:23] e ele foi um das poucas pessoas

[00:57:25] ele ia surtando, porque eles queriam ouvir

[00:57:27] Massive Attack, eu falei, caraca, velho

[00:57:29] vem aí, Brasil, hein, Massive Attack

[00:57:31] mas, não do Spotify

[00:57:34] porque eles saíram do Spotify ontem

[00:57:35] eu tô tentando sair do Spotify também

[00:57:38] mas tô achando bem difícil

[00:57:39] porque não adianta nada sair do Spotify pra ir pro

[00:57:42] YouTube, eu quero, tipo assim, onde eu

[00:57:44] posso ouvir música de forma que eu esteja

[00:57:46] escolhendo o que eu ouço

[00:57:47] e eu esteja beneficiando a banda que eu tô ouvindo

[00:57:50] porque esse é um valor importante pra mim

[00:57:51] mas que eu consigo ouvir com facilidade

[00:57:54] porque, sei lá, tem o Bandcamp, mas

[00:57:55] ah, galera

[00:57:56] pô, aí é muito esforço

[00:57:59] eu acho, apesar de não ser cliente, que a Apple Music

[00:58:02] não, a Apple Music, esquece

[00:58:04] você vai comprar o CD, entre aspas

[00:58:05] você vai comprar e você vai fazer a playlist

[00:58:07] e o artista vai ganhar, por um lado, uma vez

[00:58:10] só, mas vai ganhar mais do que os centavinhos

[00:58:12] lá, mas enfim, não sou usado já

[00:58:14] ela vai parar de ouvir música pra sempre

[00:58:16] tem esse lugar, né

[00:58:17] quero ir aos poucos substituindo

[00:58:20] aqui o assunto newsletter e literatura

[00:58:22] pro assunto música, porque o meu próximo livro

[00:58:24] é um livro sobre música

[00:58:25] olha aí, spoiler

[00:58:27] tudo amarrado no final

[00:58:29] maravilhoso, pra facilitar com o algoritmo

[00:58:32] muito bem, então é isso

[00:58:33] é isso, é sobre isso

[00:58:35] amigos, espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje

[00:58:37] nós gostamos, você achou que a gente tava um pouco

[00:58:39] qual que é a palavra? distraído? evasivo?

[00:58:42] não, eu já achei que você ia falar otimista

[00:58:44] é porque é sexta, final da tarde

[00:58:46] tá todo mundo meio cansado

[00:58:48] agora o que eu quero saber é

[00:58:50] será que o nosso algoritmo vai ajudar a gente aqui?

[00:58:53] será? vai, a gente joga a palavra chave

[00:58:55] eu vou desencerrar o programa

[00:58:56] você tava falando de emoções

[00:58:59] fortes aqui no algoritmo?

[00:59:00] alguém tava falando

[00:59:01] o é sobre isso mais visto e ouvido

[00:59:04] é o que? falar mal de paulistano

[00:59:07] então

[00:59:07] hackeamos o algoritmo

[00:59:11] joga uma polêmica

[00:59:12] a gente não falou mal de paulistano hoje

[00:59:14] mas a gente usou muito o nome de muitas

[00:59:16] plataformas, o que eu não sei

[00:59:17] se é benéfico ou não, deu nas plataformas

[00:59:20] fica aí a dica, vamos acompanhar

[00:59:22] tudo são dados

[00:59:23] a gente pode trazer no episódio que vem, como esse episódio o performou

[00:59:26] você que nos ouviu até aqui

[00:59:28] lembra banheira do cumbu

[00:59:29] obrigada