Lula e Trump na Malásia: tarifas, sanções e o “vigoroso” presidente
Resumo
Karol Pires e Marina Dias começam com avisos: anunciam o primeiro Duas e Tanto ao vivo em Brasília, com entrevista da ministra Simone Tebet, e prometem no fim do episódio uma “competição” de vaia cearense após comentários do público sobre uma tentativa frustrada no programa anterior.
No tema principal, elas analisam como a atuação de Eduardo “Bananinha” Bolsonaro nos EUA teria agravado a crise diplomática e comercial, culminando em tarifas contra produtos brasileiros e pressionando por uma negociação direta. Marina detalha o encontro entre Lula e Donald Trump na Malásia, em que Lula pediu a retirada/redução das tarifas de 50%, o fim de sanções a autoridades brasileiras (incluindo a lei Magnitsky e cancelamentos de visto) e se ofereceu para mediar a crise EUA–Venezuela — proposta que Trump não teria acolhido. Apesar do tom amistoso e da expectativa de um acordo, elas destacam a imprevisibilidade de Trump e a cautela da diplomacia brasileira.
Na conversa, também entram o paralelo entre os eventos políticos dos EUA e do Brasil (6 de janeiro vs. 8 de janeiro), as obsessões de Trump (China, imigração, Venezuela) e a leitura de que o encontro pode render ganhos políticos a Lula por fortalecer o discurso de soberania e destravar efeitos econômicos em ano eleitoral. No fim, Karol faz uma digressão sobre a formação do bolsonarismo — marcada por uma mentalidade de Guerra Fria e pouca noção de diplomacia — antes de as duas exibirem a prometida disputa de “vaia cearense”.
Indicações
Livros
Dados do Episódio
- Podcast: Duas e Tanto
- Publicado: 2025-10-26
- Duração: 0h22m
- UUID Episódio: 716586c4-d449-462a-8b14-13d742c68ca8
Dados do Podcast
- Nome: Duas e Tanto
Transcrição
[00:00:00] Oi amiga, sejam bem-vindos ao Duas e Tanto, eu sou Karol Pires e eu sou Marina Dias.
[00:00:09] Hoje a gente vai falar do encontro do Lula com o Trump, mas antes eu queria dar alguns
[00:00:14] avisos e anunciar que no final a gente vai rir da nossa própria cara, mas deixa eu
[00:00:21] explicar.
[00:00:22] Amanhã, quarta-feira, eu e Marina estaremos em Brasília e a gente vai fazer o primeiro
[00:00:27] Duas e Tanto ao vivo, presencialmente ao vivo, porque durante o Cameto do Bolsonaro a gente
[00:00:32] entrou ao vivo, mas pelo celular.
[00:00:35] E a gente vai entrevistar a ministra Simone Tebet, vai ser muito legal, vai ser às
[00:00:41] 7.
[00:00:42] Se vocês entrarem no meu Instagram, vai ter lá o link para quem quiser se inscrever,
[00:00:46] tem pouquíssimas vagas.
[00:00:48] Então esse é o primeiro anúncio, a gente está muito animada, né amiga?
[00:00:51] Muito animada, vai ser muito, muito legal para quem estiver em Brasília, corram,
[00:00:56] se inscrevam 7 da noite, 29 de outubro, quarta-feira.
[00:01:00] Isso, e a gente vai falar muito de um estudo do Instituto Update, que investiga a inovação
[00:01:05] política na América Latina, e a gente vai falar sobre como as mulheres na política
[00:01:11] estão conseguindo convergir através de pautas comuns, independente do espectro político.
[00:01:18] Vai ser bem legal.
[00:01:19] E aí, amiga, o que mais que eu ia avisar?
[00:01:23] No episódio passado, no programa passado, eu tentei fazer uma vai a Cearense, quando
[00:01:30] eu estava contando a fofoca do Gilmar e do Fux.
[00:01:33] Mas saiu uma ambulância.
[00:01:36] É, eu tentei fazer e saiu um barulho de ambulância, não era a minha intenção.
[00:01:41] E aí nos comentários, principalmente no Spotify e no YouTube, as pessoas comentaram que
[00:01:45] o que eu estava tentando fazer, deram o nome, que era uma vai a Cearense, que
[00:01:48] eu não sabia o nome, e tentaram ensinar a gente a fazer.
[00:01:52] Inclusive, uma pessoa mandou assim, procure no Google, concurso de vai a Cearense, amiga.
[00:01:57] Então, eu e a Marina, a gente tentou fazer, mas a gente vai mostrar só no final e aí
[00:02:02] vocês podem votar quem fez melhor.
[00:02:04] Isso, muito bom.
[00:02:05] Mas então vamos para o tema de hoje.
[00:02:09] Quero começar falando, a gente vai falar do encontro do Lula com o Trump, mas eu
[00:02:12] queria começar falando do Eduardo Bananinha Bolsonaro, que é um deputado que não estava
[00:02:20] sendo investigado por nada e decidiu ir para o Brasil, ir para os Estados Unidos, conspirar
[00:02:27] contra o Brasil, pedir tarifas para a economia brasileira.
[00:02:32] E ele conseguiu, desde então, ele conseguiu ser investigado, que ele não era, ele teve
[00:02:37] as contas bloqueadas, não sabemos como é que ele estava vivendo lá, ele conseguiu
[00:02:42] uma tornozeleira eletrônica para o pai, porque o Bolsonaro antes de ser condenado
[00:02:48] pelo golpe, já estava usando tornozeleira eletrônica por causa dessa investigação
[00:02:55] de tentativa de obstrução de justiça, quando ele vai para os Estados Unidos, ele
[00:02:59] conseguiu fazer com que o seu grupo político fizesse uma manifestação com um bandeirão
[00:03:04] dos Estados Unidos, mostrando que nacionalista é o caralho.
[00:03:09] Isso pegou super mal, deu um discurso de soberania para o governo, que estava até
[00:03:14] então um pouco perdido na sua comunicação.
[00:03:18] O que mais que ele conseguiu?
[00:03:20] Conseguiu as tarifas, mas porque eles conseguiu as tarifas, ele também forçou a diplomacia
[00:03:26] brasileira a negociar um encontro do Lula com o Trump, e aí é o que você vai
[00:03:32] contar porque Trump saiu apaixonado pelo presidente Lula, então parabéns deputado
[00:03:38] Eduardo Bananinha Bolsonaro, vamos lá amiga, com as informações.
[00:03:44] Bom, então Lula e Trump, amiga, se encontraram pessoalmente nesse domingo, dia 26 de outubro,
[00:03:53] na Malásia, para uma reunião de fato, então os dois se sentaram lado a lado, em
[00:03:59] uma sala, com três assessores cada um, e debateram vários dos assuntos que estão
[00:04:05] há meses assombrando as relações entre Brasil e Estados Unidos, desde que o Eduardo
[00:04:10] Bolsonaro está nos Estados Unidos em março, então o Lula basicamente pediu que o Trump
[00:04:17] retire ou reduza as tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, e as sanções
[00:04:24] sobre as autoridades brasileiras, e o Lula também se colocou como um possível
[00:04:30] mediador da crise entre Estados Unidos e Venezuela, a gente sabe que o Trump,
[00:04:36] só para explicar rapidinho, autorizou que a CIA, que é a agência de inteligência
[00:04:41] americana, realizasse ações militares na Venezuela, com o objetivo de derrubar o
[00:04:48] regime do ditador Nicolás Maduro, mas o Trump não está interessado em
[00:04:53] mediação na Venezuela, o que ele quer fazer é realmente tirar o Maduro do
[00:04:59] poder, e o governo Lula também não conseguiu nenhum tipo de mediação
[00:05:03] durante a eleição, o Brasil tentou medir a eleição na Venezuela e também não
[00:05:09] deu muito certo, mas enfim, apesar disso, a conversa foi muito boa, de acordo
[00:05:15] com pessoas do lado americano e do lado brasileiro, os dois, Lula e Trump,
[00:05:19] conversaram por quase uma hora ali e saíram falando que um acordo deve
[00:05:24] acontecer em poucos dias, mas com o Trump, amiga, a gente sempre fica na
[00:05:30] dúvida porque ele é imprevisível e etc, e depois da reunião, depois de falar
[00:05:36] que haveria um acordo logo, quando ele não estava mais na frente do Lula,
[00:05:41] ele deu uma declaração aos jornalistas dizendo, ah, vamos ver o que
[00:05:45] vai acontecer, ele deixou mais no ar, mas o seguinte, os diplomatas
[00:05:51] brasileiros, eles estão naquela situação cautelosos, mas otimistas,
[00:05:56] sabe, mais ou menos quando você vai para um date, sabe que é um feio, de
[00:06:04] repente um calvo, mas o cara tem bom papo, então assim, você vai
[00:06:09] otimista porque o papo bom é sempre ótimo, mas não deixa de ter
[00:06:14] cautela, então é isso, o Brasil acha que vai rolar, mas está
[00:06:17] cauteloso, então só para explicar o que seria esse acordo que
[00:06:21] Brasil e Trump, Brasil e Estados Unidos fariam. Em primeiro lugar, claro, é sobre as
[00:06:27] tarifas, as tarifas são a prioridade para o Brasil, o Lula falou para o
[00:06:33] Trump que as tarifas são injustas porque os Estados Unidos tem vantagem
[00:06:37] comercial na relação com o Brasil, não o contrário, então os
[00:06:42] produtos brasileiros como carne e café estão ficando mais caros para os
[00:06:47] americanos, porque colocar tarifas sobre os produtos brasileiros significa que os
[00:06:52] americanos vão pagar mais por eles, então o Trump pode anunciar uma
[00:06:58] redução de algumas das tarifas, mais exceções a alguns produtos e até
[00:07:04] reverter as tarifas de alguns setores, então o Lula falou que está
[00:07:09] pronto para negociar, sabe aonde ceder e o Trump também, então os dois estão
[00:07:14] dispostos a conversar e achar um meio do caminho. E o Lula também pediu a
[00:07:20] retirada das sanções sobre as autoridades brasileiras, para a gente
[00:07:24] lembrar que o Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal,
[00:07:28] recebeu uma sanção da lei Magnitsky, que é uma sanção econômica, é o
[00:07:33] bloqueio de contas, de bens e de transações financeiras com qualquer
[00:07:40] corpo nos Estados Unidos, corpo financeiro, enfim, instituição financeira e os
[00:07:47] Estados Unidos também caçaram os vistos de vários ministros sob o
[00:07:50] argumento Bolsonaro, dizendo que Bolsonaro estava sofrendo uma perseguição
[00:07:56] política no Brasil e aí só um detalhe importante, lembrar que o Trump
[00:08:01] não mencionou o nome do Bolsonaro e nenhuma das vezes que ele conversou
[00:08:07] com o Lula e dessa vez na Malásia foi o Lula que trouxe o assunto Bolsonaro,
[00:08:12] ele resolveu puxar o assunto Bolsonaro, ele usou como justificativa, olha
[00:08:18] essas sanções que os Estados Unidos colocaram sobre as autoridades
[00:08:22] brasileiras, elas são injustas porque o Bolsonaro não estava
[00:08:27] sofrendo perseguição, o Bolsonaro tentou um golpe e bolou um plano para
[00:08:31] assassinar a mim, meu vice e o Alexandre de Moraes, então ele foi julgado e
[00:08:38] condenado e tudo seguiu a independência do judiciário brasileiro, eu não
[00:08:42] poderia interferir em nada, o Lula explicou isso para o Trump, que ouviu
[00:08:47] calado segundo os assessores brasileiros que estavam ali na
[00:08:53] reunião e o Trump, última coisa que eu vou falar que é
[00:08:58] curiosa, o Trump quis saber da prisão do Lula, perguntou quanto tempo ele ficou na
[00:09:04] cadeia, perguntou como foi a volta dele depois da cadeia para a presidência,
[00:09:09] então o Trump se mostrou interessado na história do Lula e aí, mas por que?
[00:09:17] Nesse papo de judiciário, prisão, enfim, o senhor também foi preso, como é
[00:09:23] que foi? E o Lula explicou ali, aí ele quis saber quanto tempo o Lula
[00:09:26] ficou preso, nossa, depois de quanto tempo preso, que foram 580 dias, o senhor
[00:09:32] voltou para a presidência e tal, e aí, depois da reunião, o Trump falou que o
[00:09:38] Lula era um cara vigoroso e desejou happy birthday do Lula, porque era o
[00:09:46] aniversário do Lula e o Trump saiu falando, vocês sabem, para os jornalistas, vocês sabem
[00:09:50] que hoje é aniversário do Lula, 27 de outubro, é hoje aniversário do Lula, então
[00:09:54] parabéns, feliz aniversário para o Lula.
[00:10:14] Trump mandou essa, então foi isso, foi uma conversa muito amistosa e que abriu
[00:10:19] para as negociações, agora os dois times, Brasil e Estados Unidos, já
[00:10:23] começaram as conversas, um time brasileiro vai para os Estados Unidos na
[00:10:27] próxima semana e eles estão esperando um acordo, um meio do caminho,
[00:10:31] principalmente sobre tarifas, a ir para as próximas semanas, é isso.
[00:10:36] Sim, será que ele perguntou para dizer, oh, você está dizendo aí que o
[00:10:41] judiciário é independente, mas também te prendeu, ou era tipo, vai
[00:10:46] acontecer comigo logo mais, me conta aí o que vem pela frente, não sabemos,
[00:10:50] mas me ocorreu.
[00:10:51] Não sabemos, mas eu acho que o Trump tem muito essa sensação de espelho com o
[00:10:57] Brasil, ele fica pensando assim, olha o que está acontecendo lá, poderia ter
[00:11:02] acontecido aqui, porque nos Estados Unidos teve o 6 de janeiro, que foi a
[00:11:07] invasão do Capitólio para impedir a certificação da vitória do Biden em
[00:11:12] 2020, o Trump instigou aquelas pessoas, naquele mesmo dia, em
[00:11:19] discurso, num comício para as pessoas invadirem o Capitólio e nada aconteceu
[00:11:23] e ele, inclusive, depois de tomar posse como presidente, declarou perdão
[00:11:28] das 1.500 pessoas envolvidas nessa invasão.
[00:11:31] E tem uma coisa que tinha a ser, a gente também, de alguma forma, está espelhando lá
[00:11:35] com dois anos de atraso, porque é isso, teve o 6 de janeiro lá,
[00:11:38] depois foi o 8 de janeiro aqui, foi eleito Trump lá, depois o Bolsonaro
[00:11:41] aqui, depois o Biden, Lula, e aí Trump volta, então vamos ver o que vai
[00:11:46] acontecer na eleição do ano que vem, que a gente sempre, a nossa, são dois anos
[00:11:51] depois, né? E como você falou, o Trump é errático, mas eu lembro que no
[00:11:56] final do ano passado, eu participei do Filho da Meada, com a Branca Viana,
[00:12:00] exatamente para falar do que é que esperar do governo Trump para a
[00:12:06] América Latina e os temas dele, naquele momento, a fotografia do
[00:12:10] momento era que ele ia atacar, a questão dos imigrantes, que de fato ele
[00:12:14] está, enfim, fazendo tudo o que ele está fazendo, um horror, expulsando, inclusive,
[00:12:19] pessoas que estão legalmente nos Estados Unidos, mas politicamente para ele, né?
[00:12:24] É um símbolo ali que ele vendeu bastante na campanha, inclusive contando
[00:12:28] mentiras de que imigrantes estavam comendo cachorros em Ohio, e todo esse
[00:12:33] delírio dele. Tinha a questão da China, que ele fica falando, né? China, China, China, China,
[00:12:39] e as tarifas têm muito a ver com isso também, porque, né, a China tomou
[00:12:43] conta que da América Latina aos pouquinhos, enquanto os Estados Unidos não
[00:12:47] estavam mais olhando para cá, e a questão da de Cuba, Nicarágua e
[00:12:51] Venezuela, né? Que era um pouco o objetivo de vida dele, derrubar esses
[00:12:57] regimes e, por outro lado, apoiar esses governos de direita,
[00:13:02] Milley e o próprio Bolsonaro. Então, ele é super labiríntico, né? E não dá
[00:13:09] para entender o que ele está planejando, às vezes porque ele realmente não está
[00:13:13] planejando, ele age muito no impulso, né? Mas você também falou isso, assim, de
[00:13:20] como ele presta atenção no que está na cara dele, e aí depois ele perde o
[00:13:25] interesse e pula para a próxima, né? Mas acho que está tudo meio orbitando
[00:13:28] dentro desses temas gerais. Que são obsessões, né? Eu ia falar, ele é
[00:13:32] obsessivo por alguns temas, mas a forma como ele age dentro de cada tema é
[00:13:37] erratica e imprevisível, mas China, imigrantes, América Latina, isso são
[00:13:43] obsessões do Trump, Venezuela, né? China, Venezuela, imigrantes, mas o jeito que ele
[00:13:48] age dentro disso que é labiríntico. Eu amo quando você fala labiríntico.
[00:13:53] Labiríntico. Não, sabe o que eu queria comentar também, antes de mostrar a
[00:13:59] nossa competição de vaiacearense? Acho que duas coisas que a gente pode falar.
[00:14:04] Vem pertinho do microfone. Desculpa, eu fico indo para trás, né?
[00:14:08] Inclusive, perdão, ouvintes, que no episódio passado eu fiquei rindo para
[00:14:13] trás, igual uma galinha, voltando e o som ficou todo esquisito, a gente não sabia
[00:14:16] como arrumar. Mas, não, a coisa dele ter falado que o Lula era vigoroso,
[00:14:21] isso realmente é uma coisa que, independente de opinião política ou,
[00:14:26] enfim, nada sobre isso, mas o encontro pessoalmente com o presidente Lula é
[00:14:32] sempre marcante porque ele é realmente vigoroso no sentido, inclusive, né, nós
[00:14:38] já entrevistamos ele, eu já não só cobri governo Lula, então estava todo
[00:14:42] dia ali no Palácio do Planalto, acompanhando o dia a dia ali no
[00:14:46] quebra-queixo, mas também entrevistei ele para o Democracia Invertigem,
[00:14:50] entrevistei ele recentemente, que eu fui lá para a reportagem da New Yorker
[00:14:54] do John Leanderson, e ele tem essa coisa, você também, amiga, ele pega,
[00:15:00] então ele quando vai dar um abraço, ele dá um tapa, assim, de tapinha nas
[00:15:04] costas, é um tapa nas costas, ele fala olhando para a sua cara, então ele
[00:15:10] passa essa sensação de que, assim, ele está ali presente e, por isso também,
[00:15:15] ele sempre lembra, acho que ele grava mesmo a coisa das pessoas, né, eu
[00:15:19] lembro que uma vez um policial federal me contou que, enfim, já tinha
[00:15:23] conhecido ele durante o governo e, no dia da prisão, ele estava, no dia da
[00:15:27] prisão do Lula, prendendo o Lula, né, e ele fala que quando eles se viram, ele
[00:15:31] foi e falou, e aí, Corinthians, ou era, sei lá, qual o time, ele lembrava o time
[00:15:37] do policial federal, então, isso acho que é o que o Trump chamou de vigoroso,
[00:15:42] né, você também tem essa impressão?
[00:15:44] Completamente, tenho essa impressão, e uma última coisa que eu queria
[00:15:48] falar, que é justamente essa vigorosidade que conquistou o Trump ali,
[00:15:55] e que vai fazer com que, muito provavelmente, haja uma solução, um acordo,
[00:16:00] talvez não seja o que é melhor, 100% do que o Brasil está pedindo, ou 100% do
[00:16:07] que os Estados Unidos estão pedindo, mas é justamente isso que os chefes de
[00:16:10] Estado fazem, conversam para achar um meio do caminho, e a gente já falou
[00:16:15] aqui algumas vezes, no Duas e Tanto, que essa crise entre Brasil e
[00:16:18] Estados Unidos ajudou o governo Lula, como você falou no começo, deu
[00:16:22] para ele o discurso de defesa da soberania nacional, defender os
[00:16:26] interesses do país sem que nenhum governo estrangeiro interfira aqui,
[00:16:30] isso tudo pegou muito bem para o Lula, mas essa solução que ele conseguiu
[00:16:35] costurar com o Trump é mais um tijolo nessa construção, né, porque dá
[00:16:40] ideia que o Lula foi capaz de contornar a pior crise entre Brasil e
[00:16:44] Estados Unidos em 200 anos de relação bilateral entre os dois países,
[00:16:49] e os frutos econômicos e comerciais disso tudo vão poder ser colhidos no
[00:16:54] ano que vem, que é ano eleitoral, então, assim, é um gol, né, é um gol,
[00:17:01] é um gol. Isso me faz lembrar, o último comentário que eu faço
[00:17:04] antes da gente ir para a Vaia, o que eu ia falar, puxando isso que você
[00:17:08] disse, quando eu fiz o retrato narrado com o Bolsonaro, e tem isso
[00:17:14] também, né, eu já entrevistei o Bolsonaro várias vezes, e é outro
[00:17:17] tipo de ele estar o tempo todo pegando sua pergunta e virando
[00:17:20] contra você, e ele não olha assim, né, ele olha, enfim, é outra
[00:17:24] experiência, mas uma coisa que me ocorreu de toda essa reunião do
[00:17:30] Lula com o Trump é que para mim sempre fica muito demarcado como
[00:17:34] o Bolsonaro é muito, mantém as raízes do pensamento dele desde
[00:17:40] sempre, ele não evolui muito o pensamento dele, ele também
[00:17:43] tem suas próprias obsessões. E, amiga, quando ele entra para
[00:17:48] a Academia Militar, ele entra em 74, que é justamente ditadura,
[00:17:53] ápice da repressão, e quem foi instrutor do Bolsonaro na
[00:17:59] Academia Militar eram os militares que tinham assassinado,
[00:18:02] torturado e desaparecidos guerrilheiros do Araguaia, então
[00:18:06] o Bolsonaro foi das poucas turmas que foi literalmente
[00:18:09] treinado por militares que torturaram, então grava essa
[00:18:16] informação, e depois ele sai da Academia Militar em 86,
[00:18:19] que é justamente na redemocratização, então ele
[00:18:22] nunca fez parte do exército que teve que aprender a ser
[00:18:26] exército, forças armadas em geral, sobre um governo
[00:18:29] civil, porque quem continuou dentro do exército e foi
[00:18:32] virando general, subindo na carreira, teve que entender
[00:18:37] qual é a função das forças armadas no governo Fernando
[00:18:40] Henrique, no governo Collor, no governo Sarney, no governo
[00:18:43] Lula, no governo Dilma, que era uma ex-guerrilheira, o
[00:18:46] Bolsonaro nunca teve isso, o Bolsonaro é de uma época
[00:18:49] em que a Amã não estudava relações internacionais,
[00:18:53] não estudava diplomacia, então olha como a cabeça dele
[00:18:56] ficou parada na guerra fria, não tem diplomacia.
[00:19:02] Estados Unidos estão tentando fazer uma coisa aqui
[00:19:06] que eu não gosto, aí Estados Unidos vem e apoia os golpes
[00:19:10] na América Latina, intervenção na soberania dos
[00:19:13] Estados, e a coisa se resolve não através da política
[00:19:16] e da diplomacia, e sim com o dedaço dos Estados Unidos,
[00:19:20] e ele ficou parado nesse lugar, e como o Bolsonaro
[00:19:23] e seus círculos mais íntimos filhos, principalmente
[00:19:26] que são espelhos dele, eles vivem muito num mundo
[00:19:30] anedótico, então nunca é, os dados dizem, sempre
[00:19:33] é meu vizinho ou aconteceu tal coisa, e eu li o livro
[00:19:38] do Flávio Bolsonaro sobre o pai e é um livro de anedotas,
[00:19:43] anedotas, mas eles tiram essas anedotas como se fossem
[00:19:46] a verdade sobre o mundo, então eu não consigo não
[00:19:49] pensar que o bananinha fez tudo isso de ir lá, Trump
[00:19:54] ajuda meu pai, ajuda meu pai.
[00:20:03] Com essa cabeça de que é assim ainda numa cabeça
[00:20:11] de guerra fria que se resolve as coisas e não
[00:20:14] através da política e da diplomacia, acabei
[00:20:17] minha exposição.
[00:20:19] Amiga, perfeita, perfeita, obrigada.
[00:20:22] De nada, alguma coisa a gente tem que ter aprendido
[00:20:25] depois de estudar o Bolsonaro por anos. Amiga, eu
[00:20:29] fiz um print da tela da gente ontem à noite, tentando
[00:20:34] ensaiar a vai a ciarense, aí eu vou colocar aqui
[00:20:38] para as pessoas ouvirem e votarem quem fez melhor,
[00:20:41] já tô rindo, vamos lá.
[00:20:47] Eu tô parecendo um gato no final.
[00:21:00] Vai ficar parecendo uma ambulância o meu.
[00:21:07] E aí amiga, eu acho que eu me esforcei mais.
[00:21:12] Eu acho que o seu é melhor, porque assim, eu não
[00:21:14] consigo rasgar, ele fala que é, sai um e depois rasga
[00:21:19] a parte do rasgar eu não consigo, mas enfim, vamos
[00:21:22] ouvir o público, gente, comentem aqui, comentem quem
[00:21:26] fez melhor a vai a ciarense, será que as pessoas
[00:21:29] vão conseguir entender quem sou eu, quem é você?
[00:21:31] Tomara, né?
[00:21:33] Tá escrito ali, eu sou eu e tá escrito Marina Dias,
[00:21:36] acho que vai dar, e tá minha fotinho, vão entender.
[00:21:38] Tá bom.
[00:21:39] Então até quinta, amiga.
[00:21:40] Até, com o episódio da ministra Simone Tebeti.
[00:21:45] Quem tiver em Brasília, vem, beijo.
[00:21:47] Beijo.