Céu: ainda dá pra ouvir um álbum por completo?
Resumo
No episódio, as apresentadoras Cris Bartz e Juvalauer recebem a cantora Céu para uma conversa sobre seus 20 anos de carreira. O bate-papo começa com a experiência de Céu no Tiny Desk Brasil, um projeto que celebra a música de forma crua e intimista. Ela reflete sobre o significado desse formato, que coloca todos os artistas em condições iguais e resgata a essência da performance musical, destacando a importância da vulnerabilidade e da conexão direta com o público.
A discussão avança para as transformações na indústria musical, especialmente a transição do consumo de álbuns completos para singles e playlists. Céu compartilha sua dificuldade em lidar com a pressão por singles, defendendo o álbum como uma narrativa coerente e uma obra de arte completa. Ela e as apresentadoras debatem o “encurtamento do processo” proporcionado pela internet, onde o acesso imediato a uma infinidade de músicas pode esgotar a capacidade de apreciação profunda.
O grupo explora o papel dos algoritmos e da curadoria na descoberta musical, comparando-os com os gatekeepers do passado, como rádios e programas de TV. A conversa aborda a homogeneização de gêneros musicais em “moods” e a importância de conhecer as raízes e a história por trás das fusões sonoras. Céu enfatiza seu amor pela música negra e pelas tradições brasileiras, que são a base de sua obra, que constantemente mistura passado e presente.
Por fim, Céu fala sobre seu processo de amadurecimento como artista, superando a timidez, e suas expectativas para o futuro: continuar fazendo música que atravesse corações, atuar como uma ponte entre diferentes gerações e cenários musicais, e se conectar mais com o público, mostrando também os bastidores de seu trabalho. Ela anuncia shows de comemoração dos 20 anos de carreira e deixa uma lista de seus Tiny Desks favoritos, incluindo artistas como Anderson .Paak, Dua Lipa e Stromae.
Indicações
Artistas
- Pedro Santos (Pedro Tananã) — Céu menciona estar revisitando a obra deste compositor e multi-instrumentista brasileiro, destacando a riqueza rítmica e as composições incríveis que a emocionam.
- Ticuãs — Julvalauer comenta sobre esta banda formada por três homens negros, cuja música complexa e desafiadora exige um “paladar” apurado do ouvinte. Ela destaca a história do grupo, que foi para a África e não voltou por muitos anos.
- Matheus Aleluia — Mencionado como o integrante sobrevivente dos Ticuãs, que retornou ao Brasil e tem feito shows, apresentando sua música singular a novas gerações.
Projetos-Musicais
- Tiny Desk Brasil — O projeto da NPR, agora com edição brasileira, é extensivamente discutido. É celebrado por seu formato intimista que remove artifícios, coloca artistas em condições iguais e foca na essência crua da música e na curadoria diversa.
Linha do Tempo
- 00:02:45 — Boas-vindas e introdução da convidada Céu — As apresentadoras Cris e Juvalauer dão as boas-vindas aos ouvintes e introduzem a cantora Céu, celebrando seus 20 anos de carreira. Elas destacam a trajetória da artista, que mistura samba, hip hop, afrobeat e jazz com naturalidade, e sua participação no Tiny Desk Brasil. Céu expressa sua alegria em estar no programa.
- 00:03:06 — O significado do Tiny Desk para Céu e para o Brasil — A conversa começa focando na experiência de Céu no Tiny Desk Brasil. Ela descreve a participação como um “corretivo melhorado”, após ter perdido a chance de fazer o Tiny Desk original durante a pandemia. Céu reflete sobre a importância do formato, que tira os artifícios e celebra a essência do som, colocando todos os artistas em condições iguais. Ela e as apresentadoras discutem o poder de curadoria do projeto e sua relevância para um país musicalmente diverso como o Brasil.
- 00:12:10 — O excesso de oferta musical e a perda do álbum como narrativa — A discussão se volta para o excesso de oferta musical na era digital e como isso afeta a apreciação. Céu contrasta a experiência de esperar e devorar um álbum físico, com sua ficha técnica, com o acesso imediato e fragmentado de hoje. Ela argumenta que o “encurtamento do processo” de busca pela música é esgotante e que se perdeu a narrativa coesa do álbum. As apresentadoras concordam, citando como exceção fenômenos como o álbum “Dominguinhos”.
- 00:17:50 — Algoritmos vs. curadoria humana e a homogeneização dos gêneros — O debate avança para o papel dos algoritmos na descoberta musical, comparando-o com a curadoria humana do passado (rádio, TV). Céu e as apresentadoras discutem se o algoritmo realmente amplia as portas ou cria uma ilusão de escolha. A conversa também aborda a migração dos gêneros musicais para “moods” e o risco de homogeneização. Céu defende a mistura de gêneros, mas com conhecimento das raízes, para não apagar a história.
- 00:27:36 — A relação artista-público na era das redes sociais — As apresentadoras questionam Céu sobre o novo modelo de consumo, onde o público consome a vida do artista, não apenas sua música. Céu admite se sentir um pouco “antiga” por ser muito focada na música em si, mas reconhece a beleza dessa nova forma de conexão e vulnerabilidade. Ela reflete sobre o que está disposta a compartilhar, como os bastidores e o processo criativo, mantendo a privacidade de sua vida familiar.
- 00:33:02 — As inspirações e raízes musicais de Céu — Céu fala sobre suas principais inspirações musicais, que estão profundamente enraizadas na música negra e na tradição brasileira. Ela cita Moacir Santos, Clementina de Jesus, Elza Soares e o jazz como fundamentais. Céu expressa sua crença de que toda música majoritariamente vem de uma “semente negra” e que seu trabalho sempre olha para o passado para construir o futuro, misturando folclore e modernidade.
- 00:39:08 — A simplificação da música e a pressão do mercado — A conversa aborda a aparente simplificação da música contemporânea, tornada mais “palatável” e rápida para consumo. Céu e as apresentadoras discutem como o mercado, sempre existente, agora age em escala massiva, pressionando por fórmulas que garantam visibilidade. Elas ponderam sobre a relação entre arte e mercado, e Céu conclui que, nesse “rolo compressor”, a arte acaba sendo comprometida.
- 00:42:28 — O que é “cantar bem”? Técnica vs. entrega emocional — Surge um debate sobre a definição de “cantar bem”. Céu defende que cantar bem é “entregar” e transmitir emoção, não necessariamente dominar técnicas vocais complexas ou atingir notas altas. Ela cita exemplos como Chico Buarque e Tom Waits. A discussão critica a tendência competitiva de valorizar apenas a proeza técnica, comum em reality shows, em detrimento da expressão artística genuína.
- 00:47:13 — Olhando para trás: 20 anos de carreira e aprendizados — Céu reflete sobre sua trajetória de 20 anos, desde o lançamento do primeiro álbum que mudou sua vida. Ela fala sobre superar a timidez para lidar com a exposição. Reviver as músicas para os shows comemorativos tem sido um processo de “cura”, onde ela legitima as escolhas do passado e abraça a artista que era, entendendo que fez o que era possível na época.
- 00:50:21 — O futuro: planos, desejos e a celebração dos 20 anos — Céu compartilha seus planos para o futuro: continuar fazendo música que atravesse corações, atuar como ponte entre diferentes gerações e cenários musicais, e se conectar mais com o público. Ela anuncia a turnê de comemoração dos 20 anos, com shows no Circo Voador (RJ) e por todo o Brasil, além de projetos futuros. Finalmente, ela e as apresentadoras trocam indicações de seus Tiny Desks favoritos.
Dados do Episódio
- Podcast: Mamilos
- Autor: B9
- Categoria: News
- Publicado: 2025-10-28T09:04:33Z
- Duração: 01:01:09
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/mamilos/8e5629f0-512e-0132-cf87-5f4c86fd3263/c%C3%A9u-ainda-d%C3%A1-pra-ouvir-um-%C3%A1lbum-por-completo/01fba57d-eccb-417e-a36f-e728ddfe49f3
- UUID Episódio: 01fba57d-eccb-417e-a36f-e728ddfe49f3
Dados do Podcast
- Nome: Mamilos
- Tipo: episodic
- Site: http://mamilos.b9.com.br/
- UUID: 8e5629f0-512e-0132-cf87-5f4c86fd3263
Transcrição
[00:00:00] Hoje, na verdade, mal se fala em disco, assim, a gente não vê o disco como um conceito,
[00:00:05] como uma narrativa, como você trouxe, é tão importante, é tudo quebrado.
[00:00:09] Mamilos.
[00:00:16] Mamileiros e mamiletes, sejam muito bem-vindos ao Mamilos, o seu espaço de diálogo de peito aberto.
[00:00:22] Eu sou a Cris Bartz.
[00:00:23] Eu sou a Juvalauer.
[00:00:24] E hoje estamos em boa companhia, mas espera, pra te contar antes,
[00:00:28] a gente vai pra um breve intervalo comercial.
[00:00:33] No Mamilos 525, a gente conversou sobre as forças invisíveis que moldam o nosso comportamento
[00:00:38] pra te empoderar a tomar as melhores decisões financeiras,
[00:00:42] escapar das armadilhas do inconsciente e realizar os seus planos.
[00:00:46] E você pode continuar essa jornada ouvindo o programa e depois escutando o Papo de Grana,
[00:00:51] da Acreditas, a maior plataforma de crédito com garantia da América Latina,
[00:00:56] realizado junto com a B3.
[00:00:57] São episódios rápidos, com conteúdos leves e acessíveis,
[00:01:01] que ajudam a organizar o seu dinheiro, sair de dívidas e até dar os primeiros passos nos investimentos.
[00:01:08] Os episódios estão disponíveis no YouTube da Acreditas
[00:01:10] e ainda tem materiais extras gratuitos pra você se aprofundar.
[00:01:14] A gente vai deixar o link pra página na descrição do episódio
[00:01:16] ou você pode ir lá conferir no site creditas.com barra papo de grana.
[00:01:22] Reforçando, creditas.com barra papo de grana. Confere lá.
[00:01:26] Vamos juntos levar a educação.
[00:01:27] A educação financeira pra mais brasileiros.
[00:01:32] Bora, voltamos.
[00:01:34] Vamos lá, vamos ver se vocês adivinham quem é.
[00:01:37] Há 20 anos, uma jovem de São Paulo lançou um disco que cruzava samba, hip hop, afrobeat, jazz e poesia
[00:01:44] com uma naturalidade rara.
[00:01:46] De lá pra cá, ela se tornou uma das vozes mais criativas e reconhecidas da música brasileira contemporânea.
[00:01:53] Uma artista que não se deixou prender a rótulos,
[00:01:56] que foi ousando disco a disco, criando pontes entre tradição e modernidade.
[00:02:01] Hoje, ela celebra duas décadas de carreira, olhando pra trás com um repertório cheio de marcos.
[00:02:07] De trilhas sonoras de novela a prêmios internacionais,
[00:02:10] de shows em grandes palcos a experimentações intimistas.
[00:02:14] E, ao mesmo tempo, olha pra frente.
[00:02:16] Como uma das primeiras cantoras a participar da edição brasileira do Tiny Desk,
[00:02:19] um espaço que celebra a música em sua forma mais crua e próxima.
[00:02:23] Nesse encontro hoje, a gente quer revisitar um pouco dessa história,
[00:02:26] Nesse encontro hoje, a gente quer revisitar um pouco dessa história,
[00:02:26] essa trajetória, entender os lugares que a atravessam
[00:02:30] e que ela gosta de atravessar como artista, como pessoa ativa na sociedade.
[00:02:36] Há 20 anos, ela transforma a vida em canção.
[00:02:38] E se tem algo nessa trajetória que mostra pra gente quem ela é,
[00:02:43] é que o céu é o limite.
[00:02:45] Céu, seja muito bem-vindo ao Mamilos!
[00:02:47] Que linda essa tradução!
[00:02:50] Amém!
[00:02:51] Gente, alegria imensa estar aqui com vocês.
[00:02:54] Sou fã e muito bom.
[00:02:56] Obrigada, obrigada.
[00:02:57] Vamos nessa.
[00:02:58] Vamos conversar.
[00:02:59] A gente queria primeiro conversar sobre música,
[00:03:01] porque tem muita coisa que eu converso com a Cris,
[00:03:03] e a gente queria te botar na roda.
[00:03:05] Bora.
[00:03:06] Mas vamos começar falando desse Tiny Desk que a gente já citou na introdução.
[00:03:11] O que significou pra você ser convidada pra esse projeto,
[00:03:14] nesse momento de carreira, nesse momento da música?
[00:03:17] O que é isso?
[00:03:19] Olha, primeiro, acabou sendo meio que um corretivo pra mim interno,
[00:03:24] porque eu tinha sido chamada pra fazer o Tiny lá fora,
[00:03:27] e aí, por causa da pandemia, a gente não pôde ir.
[00:03:30] Aí eu fiquei muito triste, muito triste, assim.
[00:03:33] Nem imagino.
[00:03:34] Muito mal.
[00:03:35] Essa pandemia, ela cortou várias coisas muito interessantes que estavam por vir.
[00:03:39] Na época, eu tava com o disco Apk, que foi logo em seguida do Tropix.
[00:03:43] Enfim, tava acontecendo umas coisas bacanas, assim, como pra tanta gente, né?
[00:03:47] Enfim, a gente sabe a história.
[00:03:48] Mas o Tiny, quando veio essa possibilidade de fazer no Brasil, eu amei.
[00:03:54] Amei vir agora também, porque eu acho que a gente tá falando de um momento onde
[00:03:59] ferramentas que facilitam a nossa musicalidade, vamos dizer assim,
[00:04:07] estão sendo hiper exploradas na música e são usadas mesmo.
[00:04:11] E com naturalidade, eu acho que, sem nenhum juízo de valor.
[00:04:15] Ai, é ruim.
[00:04:16] Não, todo mundo usa. Eu usei. O mundo usa. Usa-se, né?
[00:04:21] Mas, de repente, vir um programa que tira tudo isso e te dá essa possibilidade,
[00:04:24] essa possibilidade de fazer o negócio, o extrato do que você ama, que é som,
[00:04:30] é uma celebração já por si só, assim.
[00:04:32] E ainda ser no Brasil, sabe?
[00:04:34] Que é um país muito musical, que tem muita gente foda.
[00:04:38] Enfim, pra mim, no final, foi aquele, assim, corretivo melhorado, sabe?
[00:04:43] Eu fiquei muito feliz.
[00:04:45] Eu queria, como você abre esse projeto, eu queria te perguntar
[00:04:50] o que você acredita que significa importar essa ideia pra cá,
[00:04:55] e o que a gente pode esperar desse projeto no Brasil?
[00:04:58] Eu acho que isso que eu mencionei, de você estar lá, num programa,
[00:05:03] onde você não tem, não é monitorado, é tudo muito cru,
[00:05:08] você canta com a banda tocando muito baixo,
[00:05:12] é uma coisa que nos leva pro início de tudo, de por que você faz música.
[00:05:17] Então, acho que, imediatamente, os artistas vão se reconectar com a raiz da escolha.
[00:05:24] Desse ofício, num lugar de, também, questionamento, sabe?
[00:05:29] Você tá lá em qual, quem é você nesse palco?
[00:05:31] Você tá lá, né, pela performance, você tá lá pelo som, você tá lá…
[00:05:36] Então, ele já traz, por esse formato, esse questionamento todo.
[00:05:42] Isso é muito inovador, isso é lindo pro Brasil, como eu disse,
[00:05:45] é um país tão musical, e muito desafiador.
[00:05:49] Mas você acha que funciona pra todo mundo?
[00:05:51] Eu acho que não, claro que não.
[00:05:53] Não?
[00:05:54] Não?
[00:05:54] Não?
[00:05:54] Não?
[00:05:54] Não?
[00:05:54] Não?
[00:05:54] Não?
[00:05:54] Não?
[00:05:54] E nem precisa, né?
[00:05:54] E nem precisa.
[00:05:55] Mas é importante dar um voz pra trás, eu acho.
[00:05:59] Porque a gente tá falando como se todo mundo soubesse, ninguém é obrigado,
[00:06:01] conforme a gente tava falando antes.
[00:06:03] Claro, claro.
[00:06:03] O que é esse projeto?
[00:06:06] Basicamente, eles construíram essa ideia de você entrar num, no caso, é um escritório.
[00:06:13] Isso.
[00:06:14] Onde você pega e, dentro daquele ambiente bagunçado, um ambiente informal, vamos dizer
[00:06:22] assim, você pega e toca.
[00:06:23] É isso.
[00:06:24] É isso.
[00:06:24] A ideia é essa.
[00:06:24] E você canta.
[00:06:25] O conceito é, a NPR é a rádio pública, né?
[00:06:28] Então, a gente tem uma função social.
[00:06:32] Sim.
[00:06:32] De, de, uma função pra cultura, uma função pros músicos e uma função de curadoria.
[00:06:38] Sim.
[00:06:38] Então, vamos apresentar coisas interessantes, coisas novas pra contribuir pra sua dieta musical.
[00:06:45] Então, ah, eu sempre escuto rock.
[00:06:47] Beleza.
[00:06:48] No Tiny Desk, a cada semana, a gente vai trazer uma música de ritmo diferente.
[00:06:54] De, de linguagem diferente.
[00:06:56] É, um artista diferente pra você conhecer esse artista, mas conhecer da maneira como
[00:07:00] a Sel tá falando que é.
[00:07:01] Ele veio aqui, ele colou no nosso estúdio e ele vai fazer uma canjinha.
[00:07:05] Isso.
[00:07:05] Sabe, uma canja.
[00:07:06] É uma ideia de roda de música que é muito presente no Brasil.
[00:07:10] O que eu acho mais interessante disso é que, tirando, coloca todo mundo em condições
[00:07:14] muito parecidas.
[00:07:16] Exato, nível ela.
[00:07:16] Porque a gente fica sempre falando, né, da diferença de cantores e quando as divas pop
[00:07:22] vão entrar.
[00:07:23] O que que é roupa?
[00:07:23] Troca cinco vezes de roupa, troca não sei o que, zazá, zazá.
[00:07:27] O Tiny Desk é, tá tudo nessa roda aqui e vai ter que fazer o som.
[00:07:30] Então, eu acho que colocar todo mundo em condições iguais faz florescer a potência
[00:07:35] da música em si.
[00:07:36] Exato, exato.
[00:07:37] E esse negócio da curadoria, de tá te apresentando coisas novas, que depois, talvez, quando
[00:07:41] você escutar lá na, na, na sua plataforma de músicas, vai falar, ah, eu gostava mais
[00:07:46] no Tiny Desk.
[00:07:47] Já aconteceu comigo.
[00:07:48] Exato, já aconteceu comigo.
[00:07:49] De ter músicas que, bandas que eu gostei muito ali e depois eu fui ver e falei, ah,
[00:07:52] eu gostava lá.
[00:07:53] Então, esse clima intimista, de proximidade com a essência do artista, eu acho que é
[00:07:58] o que tem de melhor nesse projeto.
[00:08:00] E o poder de curadoria, que é uma coisa que, por exemplo, aqui no Mamilos, a gente tem
[00:08:03] muito orgulho das pessoas falarem, eu conheci aquela pessoa no Mamilos e eu adorei.
[00:08:07] Maravilhosa.
[00:08:08] Então, essa oportunidade de apresentar, a responsabilidade é a oportunidade de apresentar
[00:08:13] pessoas para pessoas.
[00:08:15] Mas, eu ficava, o Tiny Desk, acho que vai fazer 20 anos, ele tem há muito tempo.
[00:08:19] Se você vê os primeiros, eram super simples.
[00:08:23] Sim, claro.
[00:08:23] E a coisa foi sofisticando com o tempo.
[00:08:24] A qualidade de engenharia de som que eles fazem para ficar…
[00:08:29] Intimista.
[00:08:30] É impressionante, tá?
[00:08:31] É bem parecida aqui com o Mamilos.
[00:08:32] Exato.
[00:08:33] Tem gente que não topa, tá?
[00:08:35] É babado.
[00:08:36] É, claro que é.
[00:08:37] Não é simples.
[00:08:37] É por isso que você falou, não é para todo mundo.
[00:08:39] Não é para todo mundo.
[00:08:40] Agora, eu ficava pensando, justamente porque já tem há tanto tempo, porque, gente, como
[00:08:44] que ainda não tem um Tiny Desk no Brasil?
[00:08:46] Porque era óbvio, porque a gente é disso.
[00:08:49] E eu achava que ia surgir, porque eu acompanho…
[00:08:53] Macaco Gordo, não sei se você acompanha aqui, é uma produtora do Nordeste, e eles
[00:08:57] começaram a fazer algumas coisas meio parecidas, assim, sabe?
[00:09:01] Só que, claro, bem menos e tal.
[00:09:03] Eu falava, vamos, gente, alguém, alguma marca, vai lá, vai lá, vai lá, vai lá, que tem,
[00:09:07] entendeu?
[00:09:08] Sim.
[00:09:08] Porque eles começaram a fazer, acho que com artistas deles e tal.
[00:09:13] E é isso, a gente tem uma riqueza.
[00:09:15] O Brasil é um continente musical inteiro, né?
[00:09:19] Diverso, muito diverso.
[00:09:20] Eles fazem do mundo.
[00:09:21] Tem um mundo aqui no Brasil.
[00:09:22] Essa ideia tava caindo de madura, né?
[00:09:25] Não, e acima de tudo, o que eu sinto é que a gente vive um momento onde as camadas e camadas
[00:09:30] e camadas de tudo, de imagem, de roupa, de artifícios, né, que te levam a melhorar os
[00:09:37] filtros, vamos dizer assim, da música, tão evidentes.
[00:09:40] E é isso, é a contemporaneidade do momento, é o que?
[00:09:44] A linguagem, a embalagem da música, tá?
[00:09:47] Só que, de repente, chegar uma coisa crua, ai, que alívio, sabe?
[00:09:51] Que sabor.
[00:09:52] Que sabor, que gostoso.
[00:09:55] Olha lá, ela errando.
[00:09:57] Isso.
[00:09:58] Que bonitinha.
[00:10:00] Sabe, é legal, pô.
[00:10:01] A gente é vulnerável, a vulnerabilidade vai estar evidente nos próximos anos.
[00:10:08] E aí, eu acho que é isso.
[00:10:10] Sabe quando a gente fala assim, ah, você tá bonita porque você tá toda produzida.
[00:10:14] Quero ver no ponto do ônibus se é bonita, sabe?
[00:10:17] Eu acho que é isso, quero ver no Tiny Desk se entrega.
[00:10:19] Então, eu fui assistir.
[00:10:20] Eu assisti o da Dodger, por exemplo.
[00:10:23] É chocante a qualidade musical daquela menina, entendeu?
[00:10:26] E ela entrega ao vivo, ali, pequenininha, com as coleguinhas.
[00:10:30] E você fala, essa aí é bonita no ponto do ônibus.
[00:10:33] Exato.
[00:10:34] Essa entrega.
[00:10:35] Exato.
[00:10:35] Puxa vida.
[00:10:36] E aí, eu acho que a gente vai pra um lugar que coloca o talento, né?
[00:10:44] Sabe o que foi uma das coisas que eu mais amei, assim?
[00:10:46] Isso eu não sabia que ia acontecer isso.
[00:10:48] Tudo que a gente tá falando, eu já meio que tava, né?
[00:10:50] Nossa, é isso, entregar com talentos, né?
[00:10:53] Será que dá conta?
[00:10:54] Será que a gente consegue?
[00:10:55] Será que vai desafinar?
[00:10:56] Será que a gente vai se ouvir?
[00:10:57] Será que vamos…
[00:10:57] A gente tem todo esse medo.
[00:10:59] Mas teve uma coisa que foi nova no momento que eu senti,
[00:11:02] que eu não sabia se eu não tivesse vivido essa experiência,
[00:11:05] que é o que acontece com a sala, porque eles botam o público.
[00:11:09] Eles chamam as pessoas.
[00:11:11] Todo mundo junto.
[00:11:11] Todo mundo fica junto com você.
[00:11:13] Todo mundo tá meio…
[00:11:15] Porque ninguém quer bater palma alto pra não ofuscar,
[00:11:18] porque a voz tá baixa.
[00:11:20] Então, começa a ser uma experiência única de todos.
[00:11:24] Muita presença.
[00:11:25] E isso é uma coisa que tem uma força no silêncio, no pouco, no menos.
[00:11:31] A força não vem dos amplificadores, que botam volume, que aumentam…
[00:11:35] Não, a força vem da força das pessoas.
[00:11:37] É muito legal, muito bonito.
[00:11:38] Você é lindo, sabe?
[00:11:40] Eu acho que tem uns que a gente consegue ver mais isso,
[00:11:42] a presença do público, do que em outros, né?
[00:11:46] Ao longo de todo esse tempo.
[00:11:47] A gente pode fazer no final a nossa playlist de…
[00:11:50] Cinco Tiny Desks preferidos, que isso dá muito pangando pra manga.
[00:11:53] Toda vez que fala isso, some tudo da minha mente.
[00:11:56] É como se eu nunca tivesse visto, porque eu me sinto muito pressionada.
[00:11:58] Eu odeio lista, mas eu volto com vocês, tá?
[00:12:00] Eu fico muito perdida.
[00:12:02] Eu posso falar dois.
[00:12:03] Vocês não vão prestar atenção em mais nada do que a gente vai falar.
[00:12:06] Tá bom, tá bom.
[00:12:06] Já estão pensando na lista.
[00:12:09] Baixando.
[00:12:10] Falando em lista, eu e a Cris, a gente teve a oportunidade de ir pra Cuiabá
[00:12:15] pra fazer um evento do Sebrae, umas oficinas do Sebrae.
[00:12:19] E a gente ficou muito encantada com a diferença de público.
[00:12:24] De como as pessoas estavam abertas e zero cinismo, interessadas e tal.
[00:12:30] E a gente entrou numa discussão gigante sobre o quanto o excesso
[00:12:35] tira a nossa capacidade de valorizar, de apreciar,
[00:12:40] de se entregar pras experiências.
[00:12:43] E que a gente vive uma época de excesso na música.
[00:12:46] Que tem tudo, que tem em todo momento, que tá disponível pra caramba.
[00:12:49] O que isso faz com a nossa capacidade de achar aquilo precioso, sabe?
[00:12:54] Eu queria, como isso é seu ofício, eu queria que você falasse
[00:12:58] como é que você sente isso, né?
[00:12:59] Da diferença do álbum, que você pegava aquilo e comia aquilo, e vivia aquilo.
[00:13:06] E sabia cada respiro da música pra hoje, como a gente se relacionou com a música que tem tanto.
[00:13:11] Eu acho que a internet é uma grande culpada disso.
[00:13:15] Tá maravilhosa a internet, a gente não tem nada que reclamar.
[00:13:17] Só temos grandes benefícios.
[00:13:19] Mas temos também o ônus que a gente precisa falar.
[00:13:23] Eu acho que o fato de o encurtamento de processo.
[00:13:28] Então assim, eu pegava o meu busão e ia até a Hi-Fi na Rua Augusta.
[00:13:35] Ou eu ia lá no centro.
[00:13:38] Esperava meses, às vezes anos, um lançamento.
[00:13:42] Quando chegava o dia de eu pegar meu busão e chegar na Hi-Fi,
[00:13:44] ou chegar sei lá onde, eu devorava um disco.
[00:13:47] Eu olhava ficha técnica.
[00:13:49] Ficha técnica, que não tem mais.
[00:13:51] Assim, eu acho que, não sei se é pelo fato de já querer ser música desde muito menina,
[00:13:57] mas eu devorava tudo.
[00:13:59] Eu gostava de ver quem tinha tocado, quem eram os músicos.
[00:14:01] Eu fazia comparações com discos anteriores do Gil, sabe?
[00:14:06] As coisas que…
[00:14:07] A gente encurtou esse processo.
[00:14:10] Tudo virou um resumo do que tem na palma da nossa mão.
[00:14:14] Esse encurtamento de processo, eu acho que é um…
[00:14:18] É um…
[00:14:19] É um…
[00:14:19] É um problema muito grande.
[00:14:22] E acaba que tem muita possibilidade de espalhar, pulverizar.
[00:14:26] A gente pulveriza muito produto.
[00:14:28] Tem acesso a muito produto.
[00:14:30] Mas a gente encurtou o processo de ir atrás desse produto.
[00:14:34] Então, vem tudo, mas a gente não está preparada internamente para receber tudo.
[00:14:40] Então, é drenante, porque nos esgota.
[00:14:44] A gente precisa dessa caminhada, é o que eu sinto.
[00:14:47] A gente precisa ir atrás de uma coisa que…
[00:14:49] Pô, você falou, eu fiquei afim de ouvir.
[00:14:51] Eu vou atrás.
[00:14:52] Mas hoje é tão curto.
[00:14:54] Tipo, pá.
[00:14:55] Mas já sei tudo, acabou.
[00:14:57] Então, assim, isso eu acho que vai de encontro a um problema grande que a gente tem, que enfrenta, sabe?
[00:15:03] Que já vai para a saúde mental, assim, que é uma coisa de muita coisa.
[00:15:06] Mas voltando para a música, eu acho que é complicado, assim.
[00:15:12] Eu trabalho com isso e não conheço nem um quinto de tudo que eu deveria conhecer.
[00:15:16] Morro de vergonha, sabe?
[00:15:18] Porque eu não…
[00:15:18] Não consigo dividir meu tempo.
[00:15:20] Não vou mentir.
[00:15:21] Não consigo parar para ouvir tudo que eu sei que é incrível.
[00:15:24] Eu tenho uma série de discos que estão aí sendo super premiados, de pessoas que eu amo
[00:15:28] e que eu ainda não consigo acompanhar, sabe?
[00:15:31] Então, é isso.
[00:15:32] Acho que é a gente aprender a se treinar para este novo mundo.
[00:15:36] Entender o ônus e o bônus, mas, assim, desafio.
[00:15:39] Eu acho que desafio também para os músicos, né?
[00:15:42] Que o álbum contava uma história.
[00:15:44] Tinha um porquê de ser a primeira música, a segunda música.
[00:15:47] Ou…
[00:15:48] O que tinha no lado A, o que tinha no lado B.
[00:15:51] E aí você perde a narrativa, você fica com um fragmento.
[00:15:54] Eu sou uma artista que tem muita dificuldade em single, por exemplo.
[00:15:58] E essa coisa de single já é falada já faz tempo.
[00:16:00] Mas eu não consigo.
[00:16:02] Desde o meu…
[00:16:03] Olha, para vocês terem uma ideia.
[00:16:04] Meu primeiro álbum teve um single, né?
[00:16:06] Teve um hit, vamos dizer assim, que é Malemolência.
[00:16:10] Naquela época eu não precisei porque não tinha essa fala.
[00:16:12] Não tinha essa fala de vamos lançar isso aqui.
[00:16:14] Não tinha.
[00:16:15] Não tinha nada.
[00:16:16] Era tudo muito diferente.
[00:16:18] Quando eu fui lançar o meu segundo, que foi o Vagarosa,
[00:16:20] que eu já quis, pé na porta, mostrar uma faceta minha que ia…
[00:16:25] Porque eu tenho esse lado meio desafiador, assim, pé na porta.
[00:16:31] Tinha a fala do single.
[00:16:33] E eu já não sabia.
[00:16:34] Eu já não sabia.
[00:16:36] Que sufoco, né?
[00:16:37] É difícil.
[00:16:37] É escolher um filho.
[00:16:39] Exatamente.
[00:16:39] O pensamento para mim é esse.
[00:16:40] Gente, é um filho.
[00:16:41] Como assim?
[00:16:41] Eu gosto de todas.
[00:16:42] Desculpa se eu gosto de todas, mas eu gosto de todas.
[00:16:44] Eu não vou eleger uma.
[00:16:46] Tá, mas elege aqui.
[00:16:47] Que você acha que é mais assim…
[00:16:48] Não, eu não sei o que é isso.
[00:16:50] Tipo, o que eu tenho que fazer?
[00:16:52] No fim, é uma tormenta eterna.
[00:16:54] E isso foi ficando cada vez mais imponente.
[00:16:58] Importante na indústria.
[00:16:59] Hoje, na verdade, mal se fala em disco, assim.
[00:17:02] A gente não vê o disco como um conceito, como uma narrativa, como você trouxe.
[00:17:06] É tão importante.
[00:17:07] É tudo quebrado.
[00:17:09] E eu não quero ser aquela pessoa que reclama, tá?
[00:17:10] Só tem exceções que comprovam a regra, né?
[00:17:13] Eu tava conversando com a Cris.
[00:17:15] O Dominguinho, que foi um evento…
[00:17:18] Uma coisa que é meio…
[00:17:19] É a exceção mesmo que comprova a regra.
[00:17:21] Eu tava esperando ele ser lançado.
[00:17:23] Eu ouvi a primeira vez quando ele foi lançado.
[00:17:25] E a gente escuta sempre na íntegra e várias vezes na íntegra.
[00:17:28] Mas é essa exceção.
[00:17:30] Porque geralmente o que te chega são…
[00:17:33] É isso.
[00:17:33] Vai chegar por um algoritmo a música nova.
[00:17:37] Vai chegar pelo cinema.
[00:17:39] Vai chegar por uma playlist.
[00:17:40] Não é mais um disco, né?
[00:17:41] Eu queria…
[00:17:42] A música não tem nem mais gênero quase.
[00:17:43] Não sei se vocês repararam, mas tá migrando pro mood.
[00:17:46] Exato.
[00:17:47] Mas isso não é tão ruim, porque, assim…
[00:17:50] Vocês…
[00:17:51] Espera aí um pouco.
[00:17:52] Eu queria falar sobre a diferença.
[00:17:55] Por que isso é ruim?
[00:17:55] Porque, olha só.
[00:17:56] A gente sempre teve…
[00:17:58] E a gente pode chamar de curador.
[00:18:00] Ou a gente pode chamar de algoritmo.
[00:18:02] Então, assim, a gente tinha uma novela.
[00:18:07] Eram as músicas que a gente escutava.
[00:18:09] Ou quando eu ia…
[00:18:10] Tinha menos shows.
[00:18:13] E aí eu tinha rádio.
[00:18:14] Eu, você tava falando, você ia na galeria comprar o disco.
[00:18:17] Eu ficava com o dedo…
[00:18:18] Pra gravar.
[00:18:19] Pra gravar.
[00:18:20] Eu também.
[00:18:20] Pra dar pras minhas amigas.
[00:18:22] E o locutor falava assim, mano.
[00:18:23] Que ódio.
[00:18:23] Que ódio.
[00:18:24] Então, você dava uma fita de presente pro crush, entendeu?
[00:18:28] Isso é amor que chama.
[00:18:30] É muito fofo.
[00:18:31] Então, hoje, o algoritmo…
[00:18:34] O que você vê de diferença do que era o processo da rádio, o processo da TV…
[00:18:40] A edição, né?
[00:18:41] De entregar, né?
[00:18:42] Vai tocar isto.
[00:18:43] A curadoria.
[00:18:44] O Globo de Ouro.
[00:18:45] As 10 mais iam pro Globo de Ouro.
[00:18:47] E a gente assistia.
[00:18:48] Era um dos poucos programas musicais que eram em TV aberta.
[00:18:51] Diz que a gente via.
[00:18:52] Onde a gente ia do décimo pro primeiro lugar.
[00:18:55] O que você vê desse processo, com o processo hoje, que é de algoritmo?
[00:18:59] Qual que é a diferença?
[00:19:00] O que tem de similaridade?
[00:19:01] É, eu acho que a curadoria é importante, é legal, é interessante, é maravilhosa.
[00:19:05] Desde sempre.
[00:19:06] Seja algoritmo, seja gente.
[00:19:09] Acho que o algoritmo já trouxe coisas interessantes pra mim.
[00:19:12] Com certeza.
[00:19:13] Mas, falando dessa outra fala do…
[00:19:17] O que que implica a música virar mood?
[00:19:21] Eu acho que…
[00:19:21] Só pra tentar adentrar um pouquinho nessa questão.
[00:19:24] Depois chegar na sua.
[00:19:26] Mas…
[00:19:27] O problema é que tem gêneros que estão sendo destruídos nessa coisa de…
[00:19:33] É que você mistura gênero.
[00:19:35] Eu achei que você achava tudo bem.
[00:19:37] Não, mas eu misturo, mas eu sei o que eu tô fazendo.
[00:19:40] Eu não quero…
[00:19:41] Não é necessariamente que vai virar uma confluência total e não existe mais…
[00:19:45] Eu, por exemplo, acho o rock…
[00:19:47] O que eu amo, tá?
[00:19:48] Eu amo rock, eu amo punk, eu amo post-punk.
[00:19:50] Eu amo muita coisa.
[00:19:52] Eu amo reggae, eu amo…
[00:19:54] Mas tem que ficar cada um no seu quadrado?
[00:19:56] Não, de forma alguma.
[00:19:57] Eu misturo.
[00:19:57] É a coisa que eu mais amo fazer.
[00:19:59] Exato.
[00:19:59] Mas é legal você saber de onde vem as raízes.
[00:20:02] Pra gente aprender.
[00:20:03] Pra não que…
[00:20:04] Tipo, a gente não precisa massificar tudo e virar um maçã.
[00:20:08] Ah, é lavar.
[00:20:09] E deixar de ter contorno, sabe?
[00:20:11] É legal eu saber que eu peguei um pouco do reggae aqui, misturei um pouco com o post-punk.
[00:20:16] Eu acho que isso é construção.
[00:20:17] Isso é construção.
[00:20:18] Eu acho bonito isso.
[00:20:20] É a história do reggae, a história de não sei o que, que misturei.
[00:20:24] Caramba, por que ela fez isso?
[00:20:25] Porque ela é doidinha?
[00:20:26] Ou porque ela é de São Paulo?
[00:20:27] Ou porque ela é petulante?
[00:20:29] Ou porque…
[00:20:30] Fale o que for.
[00:20:31] Mas eu acho bonito você mostrar a história, assim.
[00:20:35] Acho importante.
[00:20:38] Misturar é lindo, perfeito, maravilhoso.
[00:20:40] Eu amo, gosto de fazer o que eu aplico o tempo todo.
[00:20:43] E eu, particularmente, por exemplo, vou fazer um show.
[00:20:47] De reggae, eu acho muito interessante as pessoas saberem a história do reggae.
[00:20:51] Eu gosto.
[00:20:52] Agora, hoje, o que eu tô sentindo um pouco é que tudo é…
[00:20:55] Ah, é tipo, putz, vou cozinhar num dia de domingo, sabe?
[00:20:59] Com essa música.
[00:21:01] É legal também.
[00:21:02] Mas é legal que a nova geração saiba que de onde vem.
[00:21:05] Só isso.
[00:21:06] Eu acho importante.
[00:21:06] Eu sou uma pessoa que construí toda a minha carreira baseada em origem.
[00:21:11] Eu gosto muito de…
[00:21:13] Então, assim, meu primeiro disco é um disco que…
[00:21:16] Eu quis construir…
[00:21:17] Eu quis construir misturando música do folclore com modernidade, com contemporaneidade.
[00:21:22] Coro, Resposta, Ciranda, Coco, não sei o quê.
[00:21:24] Mário de Andrade, música do Brasil e tal.
[00:21:26] Traz pra frente.
[00:21:28] A gente só tem futuro se a gente olha pro passado.
[00:21:31] Então, assim, eu acho só importante misturar, poder ser livre, fluido, mas não necessariamente…
[00:21:38] Sem apagar.
[00:21:39] Misturar sem apagar.
[00:21:39] Eu acho que…
[00:21:40] Se eu tô entendendo, você tá falando da diferença entre misturar e homogenizar.
[00:21:45] Pode ser.
[00:21:45] É isso, eu sei.
[00:21:47] Pode ser.
[00:21:47] Eu gosto demais.
[00:21:47] Eu gosto demais.
[00:21:47] Mamão.
[00:21:47] Mas quando você mistura, faz uma vitamina, eu não consigo mais entender.
[00:21:51] É, pode ser.
[00:21:52] Vitamina de mamão.
[00:21:53] Não, mas aí foi mamão com banana, maçã e água de coco.
[00:21:57] E eu falo, não sei mais o que que tem aqui, porque homogenizou.
[00:22:01] Isso.
[00:22:01] Então, eu acho que trazer, misturar e homogenizar são coisas bem diferentes.
[00:22:06] Diferentes tintas.
[00:22:07] E aí, indo pro que você falou sobre algoritmo ou curadoria humana.
[00:22:11] Aí a gente entra nessa conversa, né?
[00:22:12] O quanto a curadoria digital, que é o algoritmo…
[00:22:17] O algoritmo nos tá manipulando pra um lugar que a gente também, às vezes, não é necessariamente
[00:22:22] onde a gente quer estar.
[00:22:23] Uhum.
[00:22:24] Né?
[00:22:24] Quem é por trás desse pensamento?
[00:22:26] O que é?
[00:22:26] Quanto de agência a gente tem.
[00:22:28] Exato.
[00:22:28] Então, acho que é esse lugar, porque traz coisas boas, mas traz coisas manipuladas que
[00:22:33] a gente ainda tá sem controle.
[00:22:35] Sem tempo.
[00:22:35] Mas não sempre teve.
[00:22:36] Porque, por exemplo, a Cris tava falando, ah, porque é a rádio que me trazia o que
[00:22:40] era novidade.
[00:22:41] Mas aí tinha o Jabá.
[00:22:43] Sim.
[00:22:43] E assim, a porta sempre foi estreita.
[00:22:45] Não entrava todo mundo.
[00:22:46] E não necessariamente entrava o melhor.
[00:22:48] É uma boa pergunta.
[00:22:48] Entrava alguma coisa.
[00:22:50] Pode ser que seja pelo fato de que, humanamente, talvez seja mais fácil de ler?
[00:22:56] Ou não?
[00:22:56] Imagina, a gente não tinha acesso a essa informação.
[00:22:58] De Jabá?
[00:22:59] É.
[00:23:00] É.
[00:23:00] Quem tinha acesso a essa informação de Jabá?
[00:23:02] É.
[00:23:03] É o que eu acredito que a gente tem de diferença.
[00:23:06] É, exato.
[00:23:06] Porque eu sou filha de músico.
[00:23:07] Exato.
[00:23:08] Eu acho que sempre existiu.
[00:23:10] Mas a gente não pode falar que é a mesma coisa por uma questão de escala.
[00:23:14] Sim.
[00:23:14] Então, quando você tem uma escala.
[00:23:16] E isso é manipulado de uma maneira global, eu acho que você tem mais dificuldade de
[00:23:22] diferenciar o que você está ouvindo porque você quer e o que está ouvindo porque está
[00:23:25] sendo imposto.
[00:23:26] Sim, total.
[00:23:27] Então, eu acho que tudo que quando a gente coloca tecnologia, eu acho que vira global
[00:23:31] e a gente precisa falar, não, não é como antes.
[00:23:34] Tem similaridades, mas ganha uma escala que tira qualquer proporção, inclusive de busca.
[00:23:39] Eu falo, eu estou consumindo essa música ou essa música está me consumindo?
[00:23:43] Eu nem gosto disso e estou aqui cantando.
[00:23:45] Estou aqui, é.
[00:23:45] Estou aqui, é.
[00:23:45] Estou aqui, é.
[00:23:45] Estou aqui, é.
[00:23:45] Estou aqui, é.
[00:23:45] Estou aqui, é.
[00:23:45] Estou aqui, é.
[00:23:45] Estou aqui, é.
[00:23:45] Estou aqui, é.
[00:23:45] Mas é que eu acho que a música já tinha essa discussão antes, né, que é a coisa
[00:23:51] do, música popular é o que está tocando na loja de departamento, é o que está tocando,
[00:23:57] que você não tem como não saber, você não escolheu saber e quem determinou que
[00:24:02] era aquilo que ia tocar, também não foi, não veio de baixo para cima, vem de cima
[00:24:09] para baixo.
[00:24:10] Sim.
[00:24:10] Tem um pouco de influência, mas tem um poder de direcionar.
[00:24:15] Tem um pouco de influência, mas tem um gosto grande.
[00:24:16] Eu realmente não consigo colocar a mão do quanto mudou com o algoritmo, do quanto não
[00:24:22] aumentou as possibilidades, talvez, entende?
[00:24:26] Talvez eram menos pessoas escolhendo antes e hoje, se você tem mais jeitos de influenciar,
[00:24:31] alargou, a questão é se alargou a porta ou diminuiu, se tem mais gente tendo oportunidade
[00:24:36] ou menos gente tendo oportunidade, isso que eu não sei.
[00:24:38] Eu também não sei.
[00:24:39] Eu também não sei.
[00:24:39] Essa é uma resposta muito complexa, porque não é, assim, a grosso modo a gente pode
[00:24:44] achar que alargou.
[00:24:45] Isso, né?
[00:24:46] Mas pode ser uma ilusão, eu acho.
[00:24:47] Mas pode ser uma ilusão enorme.
[00:24:48] Eu acho.
[00:24:49] Agora, tem um lance do algoritmo que também pode ser uma ilusão, tá?
[00:24:53] Mas que eu acho fascinante que essa sensação que as redes sociais te dão de que você
[00:25:00] está vendo a coisa nascer ali na sua frente e de que foi o público que fez aquele artista
[00:25:05] ser gigante.
[00:25:06] Então, por exemplo, eu comecei a ver o Rosier pequenininho, aí daqui a pouco ele está
[00:25:10] em shows maiores e daqui a pouco todo mundo está falando do Rosier.
[00:25:14] Daqui a pouco ele está em todos os late shows e daqui a pouco ele está acontecendo.
[00:25:18] Eu vi isso acontecer com a Chappelle Rohn, que nunca tinha ouvido falar, de repente todo
[00:25:22] mundo sabia, de repente o conteúdo de foi era gigante, de repente ela está em todos
[00:25:25] os lugares.
[00:25:26] Mas isso é escalada, né?
[00:25:28] Não, e aqui, eu não sei quem é e não sei quem são todos os lugares e nunca vi
[00:25:33] um vídeo com essa pessoa.
[00:25:34] Não, eu também.
[00:25:34] Então, a hora que ela fala, eu olho e falo, ela está em todos os lugares, está em todos
[00:25:39] os late shows.
[00:25:39] Eu não vejo.
[00:25:40] Gente, vocês já viram, por exemplo, tem uma coisa interessante do Trap.
[00:25:44] A cena do Trap é uma coisa que é impressionante, porque você vai ver, você vai falar, meu
[00:25:50] Deus, eu não sei quem é essa pessoa.
[00:25:51] Essa pessoa tem zilhões de seguidores.
[00:25:53] Exato.
[00:25:54] Zilhões.
[00:25:56] E onde é que estão esses zilhões?
[00:25:57] É.
[00:25:58] Mas eu não acho que isso é de agora.
[00:26:00] É que a rede, ela deu uma escalada muito grande.
[00:26:02] Isso existe desde sempre.
[00:26:04] Ontem mesmo eu estava vendo o documentário do Funk, que é absurdamente interessante,
[00:26:09] a história do Funk.
[00:26:11] E é isso.
[00:26:12] Enquanto as pessoas…
[00:26:14] As pessoas estavam…
[00:26:14] A Zona Sul estava consumindo uma coisa.
[00:26:17] O Funk já movimentava zilhões de pessoas sem ninguém saber nada na Zona Sul.
[00:26:25] E lá com zilhões.
[00:26:27] Então, assim, essas coisas sempre aconteceram, de certa forma.
[00:26:32] A internet trouxe essa…
[00:26:34] Escala.
[00:26:35] Escalada a olhos nus, né?
[00:26:37] É, não.
[00:26:38] E enquanto está todo mundo aqui a roll, que eu não sei quem é, e vou continuar pelo
[00:26:43] jeito de saber.
[00:26:44] Não sabendo.
[00:26:44] Eu vou te mostrar a foto, você vai saber.
[00:26:46] Que está indo em vários jogos.
[00:26:46] É possível eu não saber.
[00:26:47] Não, é super.
[00:26:48] Eu prefiro continuar sem saber quem é.
[00:26:50] Mas o Festival Psica está aí, gente.
[00:26:52] Para mostrar que a gente não conhece nada, entendeu?
[00:26:55] É.
[00:26:56] O C6 aqui em São Paulo.
[00:26:58] Eu vou no C6 para conhecer as pessoas.
[00:27:00] Sim, sim.
[00:27:01] Eu também, gente.
[00:27:01] E eu acredito naquela curadoria.
[00:27:03] Eles me apresentam as pessoas e falam…
[00:27:05] Exato.
[00:27:05] Obrigada por ter me apresentado a essas pessoas.
[00:27:07] Então, mas acho que tem um jeito de dialogar, esse jeito de consumir música, com o que
[00:27:12] a gente estava falando de álbum, né?
[00:27:14] Que essa ideia de não ser uma relação tão efêmera, de você se relacionar melhor
[00:27:21] com qual é o conceito, o que a pessoa quis dizer, que a música é mais do que uma coisa
[00:27:26] para você consumir para a próxima e para a próxima, que não necessariamente é tão
[00:27:30] legal, mas a forma que eu vejo hoje é que você consome conteúdo do artista e não só
[00:27:36] a música.
[00:27:36] Então, o Roser, a Chappelle, agora a Olivia Dean, que é a galera que…
[00:27:42] A Olivia Dean é super…
[00:27:43] A amo.
[00:27:44] É a mesma coisa.
[00:27:44] E eu acompanhei desde…
[00:27:46] É a mesma coisa.
[00:27:48] Então, é essa coisa de você não ver a música dela.
[00:27:52] Você vê onde ela está, qual é o show, o que ela come.
[00:27:56] Como é que você se relaciona com esse novo jeito de fazer música, que eu não consumo
[00:28:01] só a música, eu consumo a sua vida.
[00:28:03] Eu consumo quem você é, do que você gosta, como você faz as coisas, onde é que você
[00:28:08] vai.
[00:28:09] Como que é para você isso?
[00:28:10] Eu me sinto um pouco antiga, né, gente?
[00:28:12] Essa é a verdade.
[00:28:12] Será?
[00:28:14] Sabe por quê?
[00:28:18] Porque eu sou muito da música.
[00:28:21] Eu curto muito som.
[00:28:22] E, às vezes, eu me sinto inadequada por isso.
[00:28:24] Mas, assim, não é que eu curto som, eu curto som.
[00:28:26] Não, é que eu me sinto musicista.
[00:28:28] Você quer me ver feliz?
[00:28:30] Vai lá no ensaio ver como é que eu estou falando com os músicos.
[00:28:32] Como é que eu estou testando um negócio, uma harmonia, uma passagem de som.
[00:28:37] O meu lugar é esse.
[00:28:38] E esse lugar, ele está…
[00:28:40] Assim, é o que você falou.
[00:28:41] Você falou exatamente o que eu sinto.
[00:28:44] Não querem só isso de você.
[00:28:46] Não.
[00:28:47] Sabe?
[00:28:47] Então, é isso.
[00:28:50] É uma nova forma de estar junto.
[00:28:53] É aquele Tiny Desk onde eu estava vulnerável e as pessoas, de repente, estavam comigo.
[00:28:59] Fazendo parte muito daquele momento, me escutando baixo e presenciando uma coisa além da experiência
[00:29:08] da música, na verdade.
[00:29:09] Era uma experiência pessoal.
[00:29:11] Pessoal.
[00:29:11] Exato.
[00:29:12] Então, sim.
[00:29:13] Eu acho que tem beleza.
[00:29:15] Muita beleza nesse movimento.
[00:29:17] Acho que eu consigo ver muito pela minha filha de 17.
[00:29:22] Ela me ensina muito sobre isso.
[00:29:24] Mas se fala, céu, é fácil pra você.
[00:29:27] Não, não é fácil.
[00:29:28] Eu sou daquelas que não falava nada na internet.
[00:29:30] Não queria falar nada.
[00:29:31] Falava quando dava.
[00:29:33] E viver é político.
[00:29:36] Eu faço o meu.
[00:29:37] Eu tenho um filho.
[00:29:38] Eu pago meus impostos.
[00:29:41] Eu reciclo meu lixo.
[00:29:42] Eu vou atrás.
[00:29:43] Eu faço o que eu acho.
[00:29:44] Eu tento legitimar as escolhas.
[00:29:46] Eu tento ser uma pessoa boa.
[00:29:47] Eu erro pra cacete.
[00:29:50] Mas…
[00:29:51] A chave que isso é.
[00:29:52] Mas não é suficiente.
[00:29:55] É, tem essa complexidade.
[00:29:57] Mas é legal, né?
[00:29:58] Porque eu acho que é pra gente não ficar…
[00:30:01] A gente tá sempre se fazendo pergunta.
[00:30:03] Não vamos cair no meu tempo que era bom, né?
[00:30:05] Essa coisa é péssima, gente.
[00:30:06] É, então, o jeito da gente se conectar com o que tem escolhendo, né?
[00:30:10] Fazendo o que a Viviane e o Moisés sempre nos pedem, da membrana.
[00:30:13] De ser semi-permeável.
[00:30:14] De deixar passar o que é bom e deixar fora o que é ruim.
[00:30:17] Eu acho que é isso que você falou, assim.
[00:30:19] Tá bom, as pessoas querem se conectar comigo.
[00:30:21] Não só através da música.
[00:30:23] O que eu tô disposta a oferecer.
[00:30:24] E o que eu tô disposta a oferecer é a minha relação com a música.
[00:30:27] Não com os meus filhos, não com o meu marido, não com…
[00:30:30] Não, o que eu tô disposta a oferecer é…
[00:30:32] Puta, você quer ver o ensaio e não só o produto final?
[00:30:34] Eu posso te levar pro ensaio?
[00:30:36] Você quer ver como que é a divulgação de show?
[00:30:39] Como a gente tá exausta que o meu trabalho não termina quando eu componho a música?
[00:30:43] Ou não é só a parte de estar no palco que é a parte que eu mais gosto?
[00:30:47] Eu te levo junto.
[00:30:48] Então, acho que…
[00:30:49] O que que dá pra gente, né?
[00:30:51] E ao mesmo tempo, sem terminar, tem uma coisa que também eu não…
[00:30:55] Não quero voltar naquela coisa de…
[00:30:56] Ai, no meu tempo?
[00:30:57] Exato.
[00:30:58] Mas tinha uma coisa sobre mistério.
[00:31:02] Sim.
[00:31:04] Sei como é.
[00:31:04] E isso mudou.
[00:31:07] Onde é que tá isso?
[00:31:08] Isso existe?
[00:31:09] É legal? Não é legal?
[00:31:11] Faz sentido? Não faz? Sabe?
[00:31:13] É um questionamento interessante, assim.
[00:31:15] Eu adorava o mistério dos meus ídolos.
[00:31:18] Achava super interessante.
[00:31:18] Mas é que tem a exceção.
[00:31:20] Enquanto você falou do tempo, eu fiquei pensando.
[00:31:22] Você falou, ai, a gente esperava anos por um álbum.
[00:31:24] Alguém ouviu falar da Rihanna?
[00:31:25] Porque tá todo mundo esperando.
[00:31:27] E ela deixa a gente esperando.
[00:31:29] Ela deixa e o mistério mesmo.
[00:31:31] E é o mistério mesmo, né?
[00:31:32] Eu não vou te contar.
[00:31:33] Eu vou te contar o que eu quiser na hora que eu quiser.
[00:31:36] Não, eu acho que funciona pra algumas pessoas.
[00:31:38] Mas o risco que você corre, você…
[00:31:41] Você corre o risco.
[00:31:43] O risco de ser esquecido.
[00:31:44] Sim, super.
[00:31:44] Se você passa três anos trabalhando num álbum,
[00:31:47] quatro anos trabalhando num álbum,
[00:31:49] com a quantidade que tem…
[00:31:50] Exato.
[00:31:52] Se você faz uma música de cinco minutos,
[00:31:54] que tem uma introdução de um minuto…
[00:31:57] Música de cinco minutos, gente…
[00:31:59] Gente, assim…
[00:31:59] Só doido.
[00:32:01] Aí é isso que acontece.
[00:32:02] Se não é só refrão, né?
[00:32:04] Tem mais do que cinco frases?
[00:32:05] É, imagina.
[00:32:07] Se fosse…
[00:32:08] Então, assim, mudou a musicalidade no meio.
[00:32:11] Porque eu tô tentando…
[00:32:13] Tô te fazendo uma provocação.
[00:32:14] Então, existe um lugar de risco que eu acredito que é maior mesmo.
[00:32:18] A Rihanna não se importa.
[00:32:19] Nem ela sabe se ela vai voltar.
[00:32:21] Na verdade, ela fez a estratégia perfeita, né, gente?
[00:32:23] Ela foi um…
[00:32:24] Gênio.
[00:32:25] Dona do mundo.
[00:32:27] Falou, não, peraí.
[00:32:28] Eu vou fazer tudo que eu tenho que fazer agora.
[00:32:29] Eu vou ganhar todo o dinheiro.
[00:32:31] Eu vou ser a mulher mais poderosa do mundo.
[00:32:34] Aí, quando eu tiver fim, eu vou parar.
[00:32:37] Vou dar meu turno e pronto.
[00:32:38] Não, ia parar numa parte.
[00:32:40] Ela tem outros interesses.
[00:32:42] Exato.
[00:32:42] Ela bifurcou.
[00:32:43] Pra coisas incríveis.
[00:32:43] Tem um negócio de, não, você tem que cantar.
[00:32:45] Eu vou cantar se eu quiser.
[00:32:46] Quiser.
[00:32:47] Quando eu quiser.
[00:32:48] Exato.
[00:32:48] Então, assim, ter outros interesses, eu acho que é um grande…
[00:32:52] Sim.
[00:32:53] É uma grande dádiva na vida.
[00:32:55] Sim, demais.
[00:32:56] Mas quando a gente fala de Rihanna e a gente fala de música,
[00:32:59] e a gente fala de ancestralidade musical,
[00:33:02] acho que é uma curiosidade saber o que te inspira.
[00:33:06] Já sei que você é muito fã de Bob Marley.
[00:33:08] Tem um lugar ali que vem do reggae que fala muito com você.
[00:33:12] Conta pra gente um pouco o que que, quando você ouve,
[00:33:15] você fala papai e mamãe, sabe?
[00:33:18] Ó, meu Deus, isso eu amo muito.
[00:33:20] Então, eu tenho, não sei se é por causa da família e tal,
[00:33:25] mas essas coisas mais antigas mesmo me tocam muito, né?
[00:33:28] Então, sei lá, outro dia a gente tava ouvindo,
[00:33:31] imagina, ainda, meu companheiro é o Pupilo,
[00:33:33] a gente ouve coisas muito antigas, rítmicas, coisas raras.
[00:33:37] A gente ouve muito vinil em casa.
[00:33:39] Então, assim, esse lugar de brasilidade,
[00:33:41] de música tradicional do Brasil, assim, de raiz,
[00:33:44] me toca muito, assim, me toca muito.
[00:33:47] Por exemplo?
[00:33:48] Voltando pra coisa de origem, sabe?
[00:33:50] Da gente falar dessas coisas.
[00:33:51] Esses dias a gente tava revendo Pedro Santos,
[00:33:56] que depois assinou como, ele tinha um outro nome,
[00:34:00] segundo nome, é um cara branco, que tocou com muita gente,
[00:34:05] mas que fez muitos discos, ritmicamente, muito ricos.
[00:34:11] Fez composições incríveis.
[00:34:13] Pedro Santos é o jeito mais facilmente achado,
[00:34:17] mas ele tem um outro nomezinho também, Pedro Tananã, que agora fugiu.
[00:34:21] Mas a gente tava revendo Pedro Santos e, cara, isso me arrepia.
[00:34:25] Então, aquela coisa que eu te falei da origem,
[00:34:28] a coisa, eu gosto muito de entender a semente.
[00:34:31] Acho que a semente me toca das coisas.
[00:34:33] Então, o Bob, a coisa da música da Jamaica,
[00:34:36] a música preta sempre foi uma coisa que eu amei muito, assim, sabe?
[00:34:41] Entender.
[00:34:41] Eu não sei porquê.
[00:34:42] Meu pai é um cara bossa nova,
[00:34:45] mas eu sempre fui muito induzida em casa em estar nesse lugar mais bossa nova.
[00:34:50] A minha voz é uma voz mais baixa, não tem uma emissão super alta.
[00:34:54] Mas a curva que fez na minha cabeça, no meu coração,
[00:34:57] foi quando eu conheci Mócer Santos,
[00:34:58] quando eu fiz esse entendimento do que é a música negra, sabe?
[00:35:06] Esse lugar me toca, esse é o lugar que me mexe.
[00:35:10] Vai, fala.
[00:35:11] Quem são as referências pra você de composição que te emocionam?
[00:35:15] Todo mundo.
[00:35:16] Mócer Santos, Clementina cantando, depois Elza, depois o Jazz.
[00:35:27] Essa curva que eu fiz, assim, foi uma curva que mexeu, sabe?
[00:35:31] Quando meu pai me mostrou xadê, eu era adolescente,
[00:35:35] ele viu a cara que eu fiz.
[00:35:37] Ele falou, putz, eu mostrei um negócio que mudou a vida dela.
[00:35:39] Sim.
[00:35:41] Esse minimalismo de falar pouco, mas falar, de estar ali daquela maneira, enfim, mexeu.
[00:35:52] Então, eu acho que, nem acho que exista música branca, sabe?
[00:35:58] Acho que toda música majoritariamente vem de uma semente negra.
[00:36:04] Então, nem acho que, nem a erudita, eu acho que é capaz de ser uma pessoa negra
[00:36:10] que tá ali fazendo, sabe?
[00:36:13] Então, a coisa da origem, de buscar, é isso que me toca mais.
[00:36:17] Então, quando eu faço, eu sou uma pessoa de fazer pontos, assim.
[00:36:20] Eu gosto da contemporaneidade, eu gosto de entender o que tá acontecendo hoje.
[00:36:23] Mas eu sempre olho muito pra trás.
[00:36:25] Acho que esse é o meu lugar meio ambivalente, sabe?
[00:36:28] E aí, em todos os meus discos, eu faço isso.
[00:36:31] Isso é uma coisa que eu sinto na música, porque você tá falando de musicalidade,
[00:36:35] eu tava falando com a Juliana, que numa mesma música, a gente ouvia 3, 4 ritmos diferentes.
[00:36:40] Eu precisava de uma banda de 10 pessoas pra fazer aquela música.
[00:36:43] Na minha música, você tá falando de música geral.
[00:36:45] Dessa música que você tá contando, essa música mais raiz.
[00:36:48] Que tinha uma construção de musicalidade, de tons e de ritmos dentro de uma mesma canção
[00:36:54] que precisava de muita gente pra produzir.
[00:36:56] E que hoje, eu sinto que a música tá mais palatável,
[00:37:01] ela tá pra ser consumida mais rápida, ela derrete na boca, você nem sente que engoliu.
[00:37:06] Você não precisa trabalhar meio fast food.
[00:37:09] Sim.
[00:37:09] Então, eu tenho hoje um pouco mais de dificuldade de diferenciar quem que tá cantando.
[00:37:14] Parece tudo muito parecido pra mim.
[00:37:17] Embora eu sempre coloco na conta esse negócio do saudosismo,
[00:37:21] porque eu acho que a música nos conecta muito emocionalmente.
[00:37:24] Então, relembrar coisas que marcaram o momento da minha vida,
[00:37:29] me leva muito pra relembrar aquilo que eu amava.
[00:37:34] Só que eu acho que a gente coloca hoje descoberta muito como algo que tá acontecendo agora.
[00:37:38] Sim.
[00:37:38] E eu acho que a gente precisa ampliar esse olhar.
[00:37:41] Descoberta é aquilo que você ainda não viu.
[00:37:43] Você descobriu.
[00:37:44] Você é você.
[00:37:44] Então, assim, se aconteceu antes de eu nascer, quando eu era criança, ano passado,
[00:37:50] descoberta não é só o futuro, não é só o que tá acontecendo agora.
[00:37:53] Descoberta é o que você ainda não conhece.
[00:37:55] Exato.
[00:37:55] E eu acho que hoje, por conta da tecnologia, a gente tem a oportunidade de conhecer muita gente.
[00:38:01] Muita coisa.
[00:38:01] Do passado, que antes ficava num CDzinho, num sebo, que você nunca ia saber.
[00:38:06] Mas alguém foi lá, adorou, colocou no streaming.
[00:38:08] Streaming, hoje você pode conhecer.
[00:38:10] Então, antes da gente começar a gravar, eu comentei isso dos Ticuãs,
[00:38:15] que eram três homens negros que faziam uma música muito, muito, que exige o seu paladar.
[00:38:25] Assim, você fala, não conheço isso aqui.
[00:38:27] Onde isso aqui bateu?
[00:38:28] E eles foram fazer uma turnê e gostaram de um país na África onde eles estavam visitando e não voltaram.
[00:38:35] E muitos anos depois, o Matheus Aleluia…
[00:38:38] Aleluia, que é o que está vivo dessa banda, ele voltou para o Brasil e hoje ele tem feito alguns shows.
[00:38:46] E quando eu tive a oportunidade de assistir um show, eu falei, isso é novo para mim.
[00:38:50] Lindo, né?
[00:38:51] Sim.
[00:38:52] E é muito bonito.
[00:38:53] Então, eu acho que esse lugar da Descoberta, ele pode estar ligado à semente que você estava falando.
[00:38:58] Mas o que você enxerga dessa musicalidade?
[00:39:01] Ela realmente, ela diminuiu o tom.
[00:39:03] A gente está simplificando para poder produzir mais rápido, produzir mais barato.
[00:39:08] E não existe…
[00:39:08] Não exige tanto do ouvinte.
[00:39:10] Gente, o mercado sempre existiu, né?
[00:39:14] Sempre existiu.
[00:39:15] E as regras sempre foram essas.
[00:39:17] A gente sempre simplificou.
[00:39:18] Isso desde sempre.
[00:39:20] O que acontece é que agora é massivo.
[00:39:23] Massivo e fácil.
[00:39:25] Na mão.
[00:39:27] O resultado está aí.
[00:39:30] Massivo.
[00:39:33] O mercado continua vencendo.
[00:39:35] Sempre falando mais alto.
[00:39:37] Todo mundo precisa.
[00:39:38] Conseguir entrar.
[00:39:41] É muito difícil você ter uma visibilidade no mundo, né?
[00:39:45] Com tanta oferta.
[00:39:47] Então, a briga está grande para você entrar, para você conseguir.
[00:39:50] Então, as pessoas estão cedendo mais ainda as ferramentas para facilitar, para digerir,
[00:39:55] para deixar mais palatável, para conseguir entrar no sistema, para ser votante de premiação, sabe?
[00:40:02] As coisas estão…
[00:40:04] É um rolo compressor.
[00:40:06] E, claro, a arte é comprometida, né?
[00:40:12] Eu acho que é uma pergunta interessante, assim.
[00:40:14] O que é arte?
[00:40:15] O que é mercado?
[00:40:16] É, até porque nem sempre o sofisticado é melhor do que o simples.
[00:40:22] Qual era o documentário?
[00:40:23] Não tem coisa mais sofisticada do que o simples.
[00:40:25] Exato.
[00:40:25] E é muito difícil chegar no simples.
[00:40:27] Para mim, é a coisa mais sofisticada que tem no mundo.
[00:40:29] A gente assistiu, a gente estava conversando faz tempinho, aquele documentário do Sullivan e…
[00:40:35] Massada.
[00:40:36] Massada.
[00:40:36] Massada.
[00:40:36] Massada.
[00:40:36] Que, assim, não tem nada mais massificado do que isso, mas…
[00:40:40] E quanta música marcou para a gente.
[00:40:43] Maravilhosa.
[00:40:43] Falou coisas importantes para a gente.
[00:40:45] E aí, a gente assistindo e falando assim…
[00:40:48] Mas por que isso não pode ser bom, gente?
[00:40:50] Olha, mas eu não acho aquilo simples.
[00:40:52] Eu acho bem complexo.
[00:40:53] A musicalidade que está sendo oferecida ali…
[00:40:56] Mas passa pelo esse rolo compressor.
[00:40:57] É porque passa.
[00:40:58] É pensado com essa lógica.
[00:40:59] Teve uma estratégia de pop, de comercial.
[00:41:02] Mas o simples é muito sofisticado.
[00:41:05] O pop é muito sofisticado.
[00:41:06] A estratégia é muito sofisticada.
[00:41:09] Assim como o Dorival Caymmi pegar um violão e escrever um disco inteiro de violão,
[00:41:15] é uma orquestra inteira por trás daquele violão.
[00:41:18] É muita sofisticação.
[00:41:22] E aí, cabe a gente dizer o que nos interessa escutar, mas assim…
[00:41:26] Não dá para dizer o que está certo e o que não está certo, né?
[00:41:28] O que está bom e o que não está bom.
[00:41:29] O que a Tata falou, Cris?
[00:41:31] A filha da Cris.
[00:41:32] É que a gente estava dando uma discussão seríssima sobre arte.
[00:41:36] E aí, treta, treta, treta…
[00:41:38] Amo essas discussões.
[00:41:40] E aí, foi maravilhoso que no final ela falou assim…
[00:41:42] Tá bom, mamãe.
[00:41:43] Então, você pode falar o que é arte.
[00:41:46] Sua filha?
[00:41:46] É.
[00:41:47] Mas você não pode falar o que não é arte.
[00:41:50] Maravilhosa.
[00:41:50] E aí, eu falei…
[00:41:51] É um excelente conceito.
[00:41:52] Vamos junto.
[00:41:53] Uma menina de 15 anos ganhou da Cris numa discussão, hein, gente?
[00:41:56] Não, Neto.
[00:41:57] É esse orgulho puro.
[00:41:59] Parabéns.
[00:42:00] A Miris.
[00:42:01] É uma reflexão sofisticada.
[00:42:03] Maravilhosa.
[00:42:04] Porque a gente estava justamente discutindo sobre qualidade.
[00:42:06] E qualidade tem muito a ver com empenho também.
[00:42:09] Claro.
[00:42:09] Com o quanto você se dedicou para fazer aquilo.
[00:42:12] Seja para chegar no ultracomplexo ou no mais complexo, que é o simples.
[00:42:16] Então, é isso que você falou.
[00:42:18] Eu não posso falar o que não tem qualidade.
[00:42:19] Mas eu posso falar o que tem qualidade.
[00:42:21] Sim, sim.
[00:42:22] Para mim, né?
[00:42:23] Agora, essa discussão também vai na hora de cantar.
[00:42:28] Não só de compor.
[00:42:29] Porque vira e mexe, a gente volta na mesma discussão de…
[00:42:33] Não, isso na cantar.
[00:42:34] Essa aí não é cantora.
[00:42:35] Você falou…
[00:42:36] Ah, eu tenho um jeito mais bossa nova de cantar.
[00:42:40] Eu não chego lá em cima, não sei o quê.
[00:42:42] Porque assim…
[00:42:42] Desculpa, eu até chego lá em cima, tá, gente?
[00:42:44] Vou corrigir a mim mesma.
[00:42:46] Eu chego lá em cima, eu tenho uma bela extensão.
[00:42:49] Mas eu sou mais…
[00:42:51] Eu não tenho uma emissão de cantar.
[00:42:52] Mas é aí que eu quero chegar.
[00:42:54] Que assim…
[00:42:54] Não, a Nara não cantava.
[00:42:55] Quem cantava era a Elis.
[00:42:56] A Nara cantava muito.
[00:42:58] Não é?
[00:42:58] Gente, quem acha que a Nara não cantava?
[00:43:00] Não, a Taylor não canta.
[00:43:02] Quem canta é a Beyoncé.
[00:43:03] Canta, canta.
[00:43:04] Eu não gosto de Taylor Swift.
[00:43:05] Mas ela canta.
[00:43:06] Desculpa.
[00:43:06] Mas sempre essa discussão, né?
[00:43:08] O que é cantar bem, mulher?
[00:43:11] Cantar bem é conseguir atingir as maiores notas?
[00:43:14] É ter as maiores técnicas vocais?
[00:43:17] Cantar bem…
[00:43:18] O que é cantar bem, afinal?
[00:43:20] Jura que você quer…
[00:43:21] Ai, só pergunta simples.
[00:43:24] Você não sabia quando você veio no Mamilos?
[00:43:26] Ai, meu Deus.
[00:43:26] Olha…
[00:43:27] Fábio não te contou que era assim aqui?
[00:43:31] Para esta criatura que senta aqui ao lado de vocês,
[00:43:34] cantar bem é entregar.
[00:43:36] É uma canção com emoção.
[00:43:38] É transpassar o coração das pessoas que estão escutando.
[00:43:41] Isso é cantar bem.
[00:43:43] Não é técnica, necessariamente.
[00:43:45] Não é técnica.
[00:43:46] Não é técnica.
[00:43:46] É o Chico Buarque.
[00:43:47] Você já viu ele cantando ao vivo?
[00:43:49] Já ouviu que o meu marido quase me bateu.
[00:43:53] Bateu.
[00:43:53] Tom Waits.
[00:43:54] Quando eu falei, não canta.
[00:43:56] Entrega para ele.
[00:43:56] Entrega para ele, Regina, cantar.
[00:43:58] Ele não sabe cantar.
[00:43:59] Ele falou, fica quietinha, senão eu vou te matar.
[00:44:01] Não, o Tom Waits praticamente…
[00:44:04] Eu tenho uma história muito engraçada.
[00:44:05] Minha sogra ouvia o meu companheiro escutando o Tom Waits e falava,
[00:44:09] meu Deus, esse cara está no banheiro.
[00:44:13] Ela é uma figura, minha sogra, pernambucana, raiz, assim.
[00:44:18] Saiu de um livro, sei lá, sabe?
[00:44:21] Do Guimarães Rosa.
[00:44:22] Ela brotou, assim.
[00:44:23] E é isso.
[00:44:24] Ela está certa.
[00:44:25] O Tom Waits, sinto muito, mas ele canta assim.
[00:44:29] E eu amo.
[00:44:30] Você vai me dizer que o Tom Waits não canta bem?
[00:44:31] Ele canta muito bem.
[00:44:33] Então, assim…
[00:44:33] É relativo.
[00:44:35] Relativo.
[00:44:36] Vamos dizer…
[00:44:38] Vamos voltar a cantar mini…
[00:44:39] Não dá para dizer o que não é.
[00:44:42] Exato.
[00:44:43] Mas aí a gente vai para um lugar que é…
[00:44:46] Como a gente tudo está competitivo, a técnica vai melhorando, melhorando.
[00:44:49] Esses dias passou na minha timeline um vídeo inteiro sobre belting.
[00:44:53] O que eu tenho que saber belting, minha filha?
[00:44:55] O que é belting?
[00:44:56] Que é uma técnica vocal que é usada muito em musical e tal.
[00:45:00] E a menina estava explicando como…
[00:45:02] Por que Golden é uma música dificílima de cantar.
[00:45:05] E ela falando que a gente só chegava nessa nota.
[00:45:08] Aí fulano foi lá e chegou nessa nota.
[00:45:10] Aí fulano…
[00:45:10] Sabe?
[00:45:11] Essa coisa da evolução infinita.
[00:45:14] E que isso é o que vai te dar métrica de se a pessoa é boa ou não.
[00:45:17] O que você acha disso?
[00:45:18] Eu discordo.
[00:45:21] Discordo 100%.
[00:45:21] Exausta.
[00:45:22] Exausta.
[00:45:23] Só de…
[00:45:24] Eu tenho vontade de dormir.
[00:45:26] Nossa, é uma honra.
[00:45:27] Mas você vê…
[00:45:27] A gente estava assistindo um…
[00:45:29] Parece que a gente mora na mesma casa, né?
[00:45:31] E a gente só assiste coisa junto.
[00:45:32] É quase isso.
[00:45:33] É a distância.
[00:45:35] É que uma não precisa…
[00:45:35] Precisa ver o que a outra está vendo.
[00:45:36] Porque conta tudo.
[00:45:38] Tem um reality show montando uma banda.
[00:45:41] Divertidíssimo.
[00:45:42] Assisti com meus filhos.
[00:45:43] E aí é isso.
[00:45:44] Minha filha falou.
[00:45:44] Preciso assistir.
[00:45:45] Já que vai ter que comparar.
[00:45:47] Quem é que consegue chegar mais alto que vai ganhar?
[00:45:49] Aí eu falo…
[00:45:50] Mas precisa.
[00:45:50] Eu não gosto.
[00:45:51] Eu gosto de voz grave.
[00:45:53] Não faz isso, não.
[00:45:53] É o mercado.
[00:45:54] Sempre.
[00:45:55] Lembra que o mercado sempre vai estar falando mais alto.
[00:45:57] Ou vai estar botando o reality para funcionar.
[00:46:00] Vai estar criando disputa.
[00:46:02] E a disputa é importante.
[00:46:04] O ser humano…
[00:46:04] A gente é ser humano.
[00:46:05] A gente precisa.
[00:46:05] A gente é competitivo.
[00:46:06] A gente é péssimo.
[00:46:07] Mas tem que ser disputa por quem chega mais alto, né?
[00:46:10] Não pode ter outros critérios para cantar.
[00:46:12] Imagina só.
[00:46:13] Não, eu já dei minha opinião, tá?
[00:46:15] Tá claro aqui.
[00:46:16] Mas assim, imagina você ver uma disputa ao vivo da Whitney Houston com a Beyoncé.
[00:46:20] Tipo…
[00:46:21] E a Mariah Carey.
[00:46:22] E a Mariah.
[00:46:23] E a Mariah.
[00:46:23] Ia ser, tipo assim, pico de audiência.
[00:46:27] Por quê?
[00:46:27] Porque a gente gosta.
[00:46:29] Porque são divas.
[00:46:31] E a gente é quase uma Olimpíada, né?
[00:46:33] Não, é que de lá pra cá vem só grito.
[00:46:35] E aí eu acho que isso tem a ver com a audição da gente também.
[00:46:39] Eu acho que com a idade, o agudo demais já começa a doer, entendeu?
[00:46:46] Então, assim, começou a gritar.
[00:46:48] E aquele grito infinito.
[00:46:50] E a…
[00:46:50] Aí…
[00:46:51] O dedinho.
[00:46:52] Valeu.
[00:46:52] Não, não, não.
[00:46:53] É.
[00:46:55] Valeu.
[00:46:56] Aí já fica mais frio isso pra mim.
[00:46:58] Mas quando a gente tá falando de técnica e a gente tá falando de referência e de estrada,
[00:47:04] a gente tá sempre falando de…
[00:47:05] De estender o caminho, né?
[00:47:07] É a evolução enquanto extensão do caminho.
[00:47:10] 2005, 2025.
[00:47:13] O que que você reconhece em comum em você?
[00:47:16] O que que continua?
[00:47:18] E o que que vem ao longo desse tempo de tanta experiência e de mudança do mercado que tem?
[00:47:23] Que você deixou?
[00:47:24] O que que você trouxe?
[00:47:25] Quem é agora?
[00:47:28] É muito legal falar disso porque justamente eu tô celebrando esse primeiro disco que eu comecei
[00:47:33] e que foi uma avalanche na minha vida.
[00:47:35] Mudou muita coisa.
[00:47:36] De repente uma menina muito tímida que só queria viver de música.
[00:47:40] Falar de música e ser música.
[00:47:43] Tinha que saber se virar no palco.
[00:47:45] Tinha que ter uma roupa boa.
[00:47:47] Tinha que saber dar entrevista e falar de si própria.
[00:47:50] Eu era muito tímida.
[00:47:52] Eu sou uma pessoa tímida.
[00:47:53] E aí lidar com tudo isso, né?
[00:47:55] Então foi uma avalanche nível.
[00:47:58] E as coisas realmente aconteceram num nível muito diferente.
[00:48:00] Pra aquele momento eu tava com o disco, enfim, num momento muito específico.
[00:48:05] O que aconteceu, tudo aquilo.
[00:48:07] Então eu tô revivendo isso.
[00:48:09] E eu sempre fui fazendo as coisas achando que, ah, tá bom.
[00:48:13] Eu não sou muito de ficar nostálgica.
[00:48:16] Eu gosto de andar.
[00:48:17] Eu gosto de aprender.
[00:48:18] Eu tento evoluir.
[00:48:19] Eu vou andando, vou colhendo o que eu aprendi.
[00:48:23] E não vou olhando tanto pra trás.
[00:48:25] Mas quando a gente volta, a gente vê.
[00:48:28] Aquele montinho que a gente criou daquele momento.
[00:48:31] Aquele som, aquele…
[00:48:32] Tô ensaiando essas músicas com esses ensaios.
[00:48:34] E eu…
[00:48:35] Eu tô, ao mesmo tempo, olhando, né?
[00:48:38] Tudo que eu também optei.
[00:48:40] As coisas que eu deixei pra trás.
[00:48:42] Então assim, imagina.
[00:48:42] O Rick Martin me chamou pra cantar com ele naquela época.
[00:48:45] Eu era tão tímida.
[00:48:47] Que eu fiquei, não, eu vou cantar com o Rick Martin.
[00:48:49] Eu não fui.
[00:48:51] Ah…
[00:48:51] Porque eu era uma assessorada também.
[00:48:53] E ficava…
[00:48:54] Nossa, mas gente, como assim?
[00:48:56] Boba, jovem, sem saber.
[00:48:58] A Hebe me chamou pra sentar no sofá dela, pra dar um beijo nela.
[00:49:01] Eu não tive coragem.
[00:49:02] Ai, que bonitinho.
[00:49:05] Então eu fui…
[00:49:06] Hoje eu olhava…
[00:49:07] Hoje eu olho e falo…
[00:49:08] Putz, eu deixei tanta coisa, sabe?
[00:49:10] Tanta coisa que eu vacilei.
[00:49:13] Mas, voltando pra essa obra de 2005, trabalhando, ensaiando, né?
[00:49:19] Tendo acesso de novo à construção desse disco.
[00:49:22] Eu entendo o que eu tava sendo…
[00:49:25] O que era possível pra mim.
[00:49:28] E aquilo foi o possível pra mim, naquele momento.
[00:49:32] Então, é quase um processo um pouco de cura, sabe?
[00:49:35] Imagino, você tá se pegando no colo de 20 anos atrás.
[00:49:38] Eu tô, exato.
[00:49:39] Ainda mais num momento muito, né?
[00:49:42] 2025 é um ano desafiador de reposicionar a minha estrutura de escritório.
[00:49:48] Acabei tendo um ano complexo nesse lugar.
[00:49:52] E tô aprendendo um monte de coisa.
[00:49:53] E tô vendo esse outro momento.
[00:49:56] Então tá sendo muito gostoso.
[00:49:58] Porque, na verdade, eu legitimo tudinho.
[00:50:00] Eu acho que é isso.
[00:50:01] Eu não tinha outro jeito.
[00:50:03] Exato.
[00:50:03] É o que pode ser, né?
[00:50:05] Eu consegui ser, tipo, a Rihanna, a Taylor Swift, ou sei lá, entendeu?
[00:50:12] Eu fui a céu.
[00:50:13] Aquilo ali.
[00:50:14] E foi legal.
[00:50:15] Eu tô, sabe?
[00:50:16] E agora, bora pra frente, que a gente tem muito trabalho.
[00:50:19] É, e essa é a questão.
[00:50:21] O que vem pra frente?
[00:50:22] Como você vê o futuro?
[00:50:23] O que te encanta?
[00:50:24] O que te apaixona?
[00:50:26] Onde é que tá o seu olhar?
[00:50:28] Olha, é…
[00:50:30] Atravessar as pessoas segue sendo uma coisa que eu amo.
[00:50:33] Eu acho que a minha música…
[00:50:34] Ela tem um jeito muito particular de atravessar o coração das pessoas.
[00:50:39] Um jeito que traz uma intimidade.
[00:50:41] Uma proximidade muito louca.
[00:50:45] Eu quero conseguir atravessar mais corações.
[00:50:50] Eu quero poder fazer o que você mesma tava falando.
[00:50:53] Acho que o público tá querendo ver outra coisa, né?
[00:50:56] Acho que eu tô aprendendo a fazer isso hoje.
[00:50:59] Essa timidez existe.
[00:51:00] Acho que a timidez nunca vai embora 100%.
[00:51:02] Mas tá mais afim de trocar.
[00:51:04] Sabe?
[00:51:05] De vulnerabilizar, de tá junto, de aprender, de trocar.
[00:51:07] Enfim, acho que eu tô mais preparada.
[00:51:10] Então, acho que isso só, por si só, já é uma caminhada longa que eu quero, sabe?
[00:51:14] Eu quero…
[00:51:16] Eu acho que essa coisa de ponte…
[00:51:17] Eu sou uma pessoa que…
[00:51:19] Transito com pessoas de diversos lugares na música.
[00:51:23] Gente do…
[00:51:24] Super indigente, do superman.
[00:51:26] Eu acho isso super rico.
[00:51:30] Especialmente, politicamente, num momento…
[00:51:33] Tão…
[00:51:34] Tão difícil de transitar, sabe?
[00:51:36] Acho que a gente ter essa capacidade de conversa é muito rico, né?
[00:51:43] Então, acho que é esse lugar que eu quero, sabe?
[00:51:45] Acho que o meu futuro é fazer som.
[00:51:47] É também conversar com pessoas que tão conchegando.
[00:51:51] E aprender e também poder ajudar, sabe?
[00:51:54] Esse disco, ele teve uma coisa muito de porta de entrada também pra uma geração.
[00:51:58] Acho que eu tenho um pouquinho essa coisa de ajudar, assim, sabe?
[00:52:02] E eu acho que…
[00:52:04] Nesse lugar, eu espero.
[00:52:06] E viver continuando de música, né, gente?
[00:52:08] Que música é um babado no Brasil.
[00:52:09] É, é verdade.
[00:52:10] Não é?
[00:52:11] Só de ter uma carreira longeva de 20 anos já é uma grande conquista, né?
[00:52:15] Nossa!
[00:52:18] Independente, né?
[00:52:18] É uma vitória.
[00:52:19] É uma mulher independente, criando, compondo, escrevendo, sabe?
[00:52:23] É.
[00:52:24] É uma…
[00:52:25] Não vamos falar que é qualquer 20 anos, né?
[00:52:27] Não.
[00:52:28] Sim.
[00:52:29] Tá difícil viver a história.
[00:52:30] 20 anos e 20.
[00:52:31] Tá difícil viver a história.
[00:52:32] É.
[00:52:34] Os roteiristas estão de parabéns.
[00:52:36] Acho que ser uma geração que viveu o offline e viveu o online já coloca, principalmente
[00:52:43] na área que você trabalha, um universo inteiro novo.
[00:52:47] Exato.
[00:52:47] Né?
[00:52:48] Agora, pra finalizar, eu queria que você contasse um pouquinho o que que tem de comemoração
[00:52:54] e se tem projeto no forno, se tem coisa pra fazer, o que que você tem de agenda aí prevista.
[00:53:00] Então, vão rolar os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:03] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] Os shows.
[00:53:04] As agendas bonitas chegando com os palcos muito importantes que são os meus palcos
[00:53:10] queridos do Brasil.
[00:53:11] A gente tá chegando em todas as praças, o primeiro que vai começar, que abre caminhos
[00:53:14] é do Rio de Janeiro, o Circo Voador, que é um palco muito…
[00:53:17] Nossa, que legal!
[00:53:18] É muito legal.
[00:53:20] O show no circo é…
[00:53:21] Sei lá, acho que não tem um artista que eu conheço que não tem um carinho especial
[00:53:25] por esse palco.
[00:53:27] Vai rolar show na áudio, vai rolar em Brasília, a gente tá, enfim, tamo aí trabalhando
[00:53:32] pra rolar no Brasil tudo.
[00:53:33] fora do Brasil vai rolar também
[00:53:35] já tamo começando
[00:53:37] a articular os festivais
[00:53:39] coisas, enfim
[00:53:40] aí tem um
[00:53:43] projeto que a gente tá aqui em andamento
[00:53:45] mas eu não sei o que era dele
[00:53:46] bom, então tem coisa
[00:53:49] por vir
[00:53:49] vem aí
[00:53:53] aí tem que seguir lá nas redes sociais
[00:53:55] que ela vai contar
[00:53:56] gente, vai lá
[00:53:57] eu tô aprendendo a ser boa nas redes sociais
[00:54:00] mas eu
[00:54:03] é isso, vai tá tudo atualizado
[00:54:05] eu vou contando, tô curtindo isso
[00:54:07] não vou te deixar sair sem você
[00:54:09] dar a sua lista dos seus time desk
[00:54:11] preferidas, vamos lá
[00:54:12] eu nunca lembro, eu não lembro o que
[00:54:15] que eu fiz ontem, sacanagem
[00:54:16] pode colar, pode abrir
[00:54:19] e procurar
[00:54:20] ah, é, mas eu nem tô com o celular, não, eu vou de cabeça
[00:54:23] a Rosa, minha filha, ela
[00:54:25] falou da, eu sempre erro
[00:54:27] o jeito de pronunciar, eu não sei se é Doetche
[00:54:29] ou Doetche, não sei, Dote
[00:54:31] é a Dote
[00:54:32] que foi um bapho, eu vi com a minha filha
[00:54:35] eu achei assim, inacreditável
[00:54:37] Anderson Paque, a gente não pode
[00:54:39] tipo assim, é um dos meus favoritos
[00:54:41] da vida
[00:54:42] da vida, da vida, da vida
[00:54:44] aí eu vou jogar um pouco
[00:54:47] o meu jogo
[00:54:48] o Almas, que é um projeto do Pupilo
[00:54:51] com o Seu Jorge, com
[00:54:52] os meninos, com o Antônio, com
[00:54:55] o Den e o Lúcio
[00:54:56] acho que foi um dos primeiros Tiny
[00:54:58] que tem, então é muito divertido
[00:55:01] ver uns brasileiros
[00:55:02] se divertindo
[00:55:04] Lineker foi
[00:55:05] eu ia falar Lineker, não queima, eu só lembro dois
[00:55:08] Lineker maravilhosa
[00:55:10] ah, eu já cheguei, hein
[00:55:12] já foi
[00:55:13] entregou, entregou muito
[00:55:16] teve uma que eu preciso falar
[00:55:18] que eu amo ela, mas que
[00:55:20] o que me chamou atenção
[00:55:22] é um pouco péssimo que eu vou falar, né
[00:55:25] a pessoa fala bem, fala meio mal
[00:55:26] mas não é que é isso, é que
[00:55:28] o da Nora Jones
[00:55:30] deu pra ver, é porque a gente
[00:55:32] começou a
[00:55:33] pesquisar, né, os artistas, quando você vai ver
[00:55:36] você começa a ver, e aí o da Nora
[00:55:38] eu olhei, eu falei, gente, será que ela tá
[00:55:40] sofrendo muito com o som?
[00:55:42] porque teve um momento que ela tava muito com a carinha
[00:55:44] tensa, sabe?
[00:55:46] então esse me vem, apesar dela ter entregado
[00:55:49] super
[00:55:49] e é isso, acho que é o Tiny
[00:55:52] ele bota os artistas nesse lugar, assim
[00:55:54] que eu gosto, acho que a gente tem que
[00:55:56] tá mesmo, vamos nessa
[00:55:57] eu ia falar de Lineker, porque tem uma musicalidade
[00:56:01] absurda sendo entregada
[00:56:02] assim, ó, a boca semi
[00:56:05] aberta, né, entregando
[00:56:07] tudo
[00:56:08] é, assim, um absurdo
[00:56:11] é, e foi muito bonito
[00:56:12] tava no início, ainda era os caramelos
[00:56:15] então, um negócio muito
[00:56:17] legal, achei que Dua Lipa
[00:56:19] foi divertido, foi uma coisa
[00:56:20] eu acho que tem uma voz legal
[00:56:22] que me agrada, uma musicalidade que me
[00:56:24] agrada, gosto que ela tenha
[00:56:26] feito um feat com Elton John, porque
[00:56:28] vários jovens conhecem Elton John
[00:56:31] porque ela trouxe, então
[00:56:32] eu acho que é um jeito muito legal
[00:56:34] de fazer, de fazer essa
[00:56:37] ponte, então, a minha filha
[00:56:38] falou assim, nossa, você vê essa ponte, não, mas esse é
[00:56:40] Elton John mesmo, quem é Elton John? Eu
[00:56:42] oh my God, estão fazendo tudo
[00:56:44] errado, então
[00:56:46] eu achei que ficou fantástico
[00:56:48] são os dois de bate
[00:56:50] assim, que eu lembro, que eu achei que vale a pena
[00:56:52] assistir, legal
[00:56:53] eu tô perdendo o nome daqui a mais
[00:56:56] vai, que você vai fazer 20
[00:56:58] não, e fora que tem uma galera
[00:57:00] que podia usar o celular, sabe?
[00:57:02] sei que podia, ah, mas eu preciso te falar
[00:57:04] uma coisa, que, eu amo
[00:57:06] Liane Ravas, nossa
[00:57:07] não, mas não é ela, ai
[00:57:10] eu vou ficar muito brava, depois
[00:57:12] você posta, é, eu
[00:57:14] tem uma que é, eu conheci
[00:57:16] pelo Tiny Desk, nunca tinha ouvido falar, e eu fiquei
[00:57:18] ouvindo daquele, o meu hiperfoco
[00:57:20] loucamente, tudo que ela
[00:57:22] lançou eu escuto, agora tá me
[00:57:24] eu não tô vendo o nome, vamos ver se falando os outros
[00:57:26] eu conheço, a Corine Rybay
[00:57:28] amo, amo, é lindo o Tiny
[00:57:30] dela, a Alicia Keyes
[00:57:32] o Tiny dela é incrível
[00:57:34] é aquela que você falou
[00:57:36] que é a música que eu amei lá, depois eu vou
[00:57:38] ouvir no Spotify, não é tão legal
[00:57:40] porque ela conta a história
[00:57:43] da música, de o que que ela tava sentindo
[00:57:45] e tem muito a ver com o que a gente tá sentindo, o que a gente tá passando
[00:57:47] é maravilhoso
[00:57:47] a Liane Ravas, amo
[00:57:51] gênia, gênia, gênia
[00:57:52] Stromae, que eu também
[00:57:55] fiz todo mundo escutar, fiquei
[00:57:56] enlouquecida por ele
[00:57:58] enlouquecida, o que que tá acontecendo, o que que é isso
[00:58:01] ele é muito, e ele é muito
[00:58:02] exótico, ele é muito
[00:58:03] ele é magnético, enlouquecida
[00:58:06] ele é magnético, você não consegue olhar pra outra coisa, você fica assim
[00:58:08] meu sobrinho tinha dois anos e ficava dançando
[00:58:10] na minha casa, ouvindo loucamente
[00:58:12] eu fiquei enlouquecida
[00:58:14] o que eu acho
[00:58:17] que é isso que você falou, que é pegar
[00:58:18] o que você já conhece e colocar
[00:58:20] num jeito que você nunca ouviu
[00:58:22] é o do Coldplay, que ele é de
[00:58:24] showzão, e ele traz um
[00:58:26] não, tô te falando, vai ouvir
[00:58:28] ele traz um coral gospel
[00:58:30] um pouco muito
[00:58:32] ele trouxe um coral gospel
[00:58:34] tá muito legal
[00:58:36] ele tá
[00:58:37] mas eu entendo
[00:58:38] acredita, acredita, vai lá e escuta
[00:58:42] ele tá super
[00:58:43] você vê de um outro jeito
[00:58:45] não é os
[00:58:47] da pandemia
[00:58:50] o que rolou na pandemia é uma outra
[00:58:52] coradoria, né, porque daí saiu completamente
[00:58:54] desse
[00:58:55] mas eu achei que a Dua Lipa fez uma coisa bonita
[00:58:58] é, mas daí
[00:58:59] é, mas daí cada um colocou os
[00:59:02] recursos que queria, daí saiu da proposta
[00:59:04] o do Coldplay não é, é lá no Tiny Desk
[00:59:06] mesmo, e por fim
[00:59:07] o Alconcur, a gente tá no mês
[00:59:10] da latinidade no Tiny Desk
[00:59:12] e o Fito Paz foi
[00:59:13] maravilhoso, eu sou enlouquecida
[00:59:16] com o Fito Paz, bem velhinho
[00:59:18] você é interessante
[00:59:20] olha, tô tentando te ler
[00:59:22] musicalmente, tu só vai conseguir
[00:59:24] não conseguirás
[00:59:25] não conseguirás, eu vou precisar de uns dias
[00:59:28] mas falando
[00:59:30] em ouvir uma coisa e se
[00:59:32] apaixonar, eu não posso deixar você sair daqui
[00:59:34] sem te dizer que com o Cret Jungle
[00:59:36] eu amo muito mais na sua voz
[00:59:37] do que no próprio Bob Marley
[00:59:39] e eu ouço, e eu ouço
[00:59:42] e eu ouço, e aquela música me
[00:59:44] atravessa muito, a sua interpretação
[00:59:46] é linda, a musicalidade
[00:59:48] proposta é sexy, é bonito
[00:59:50] é gostoso de ouvir
[00:59:52] cantou no Tiny Desk?
[00:59:54] como é que foi?
[00:59:55] não cantei
[00:59:56] você quer contar o que você cantou?
[00:59:59] eu posso? pô, eu vou contar então
[01:00:00] conta
[01:00:00] eu cantei
[01:00:02] como é, tem a tá rolando essa celebração, né
[01:00:04] algumas do primeiro disco mesmo
[01:00:06] então as clássicas, Malemonência, Lenda
[01:00:08] é
[01:00:09] Rod, não, é
[01:00:12] Ave Cruz, Ave Cruz
[01:00:14] que é uma música do primeiro disco
[01:00:16] que eu nem trabalhei tanto, mas que a gente começou a remexer
[01:00:18] e a gente, nossa, por que a gente fez isso?
[01:00:21] enfim
[01:00:22] muito legal, daí eu trouxe
[01:00:23] Varanda Suspensa, que é um hit meu, que tipo
[01:00:26] não é do primeiro disco, mas tinha que
[01:00:28] que ter
[01:00:29] e eu tô falando, ah
[01:00:31] e aí eu trouxe
[01:00:32] uma bem
[01:00:32] desses movimentos mais lentos que eu faço
[01:00:35] mais trip-hopzão, assim
[01:00:37] devagarosa, que se chama
[01:00:37] Ganda e Botê
[01:00:39] que é uma bem
[01:00:40] ficou bem variado
[01:00:41] é, no fim peguei um pouquinho do primeiro
[01:00:43] mas atravessei tudo, assim
[01:00:44] foi bem legal
[01:00:45] foi muito legal
[01:00:46] então vamos ouvir, né?
[01:00:47] vamos nos divertir juntos
[01:00:48] é isso, gente
[01:00:49] obrigada pra quem ficou com a gente até aqui
[01:00:51] você já sabe, né?
[01:00:52] seja o algoritmo que você quer ver no mundo
[01:00:54] manda esse programa pra quem precisa ouvir
[01:00:57] e se divertir com você
[01:00:58] bora
[01:00:59] família
[01:01:00] família
[01:01:01] família
[01:01:01] família
[01:01:02] família
[01:01:02] mamilos
[01:01:03] mamilos