DUAS E TANTO AO VIVO com SIMONE TEBET


Resumo

O episódio especial ao vivo do Duas e Tanto recebe a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, para discutir o projeto “Mulheres em Diálogo” e o mapa narrativo “Entre Nós”, do Instituto Update. A conversa parte do diagnóstico de que há polarização entre mulheres que se identificam como feministas e as que rejeitam o rótulo, mas também um “grande centro” com temas de convergência — e que mudar a linguagem pode ser um caminho para ampliar o diálogo e a participação política.

Tebet relata sua trajetória na campanha de 2022, quando se posicionou contra a reeleição de Bolsonaro e apoiou Lula no segundo turno, e como foi acolhida especialmente por mulheres. Ela propõe ressignificar “feminismo” como “ponto de partida”: a defesa de que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações perante a lei — o que ajudaria a reduzir rejeições ao termo. A ministra também destaca consensos entre mulheres de diferentes espectros, como o combate à violência e a busca por igualdade salarial, citando a diferença de renda (maior ainda para mulheres negras).

O episódio aborda ainda a sub-representação feminina na política, a violência política de gênero e como a linguagem da imprensa e do Congresso tende a privilegiar a lógica do confronto. Tebet defende coragem para sair de “caixinhas” ideológicas, afirma ser de centro com pautas sociais progressistas e comenta a possibilidade de diálogo com mulheres de perfis diversos dentro do governo (como Marina Silva e Sonia Guajajara), citando um exemplo de articulação para recursos destinados a água em aldeias indígenas. O encerramento traz uma citação de Cecília Meirelles sobre a importância de lutar apesar das derrotas.


Anotações

  • 00:26:06 — Citação de Cecília Meirelles sobre resiliência Simone Tebet cita Cecília Meirelles: Eu não venci todas as vezes que lutei, mas deixei de ganhar todas as vezes que fui derrotada das vezes que deixei de lutar. Reflexão sobre coragem para buscar sonhos e enfrentar desafios.

Linha do Tempo

  • [00:00] — Abertura do Duas e Tanto e anúncio do episódio ao vivo com Simone Tebet
  • [00:01] — Apresentação do projeto “Mulheres em Diálogo” e do mapa narrativo “Entre Nós” (convergências e divisões)
  • [00:02] — Polarização política no Brasil e a pergunta sobre como Tebet foi recebida por mulheres “do outro lado”
  • [00:03] — Tebet relembra a campanha de 2022, seu posicionamento no 2º turno e o voto majoritariamente feminino
  • [00:05] — Redefinição de feminismo como “ponto de partida” e temas unificadores (igualdade perante a lei)
  • [00:06] — Desigualdade salarial e recortes de raça (mulheres negras/pardas com perdas maiores)
  • [00:07] — Convergências do estudo: combate à violência contra a mulher e igualdade salarial; debate sobre linguagem para comunicar feminismo
  • [00:08] — Tebet conta quando passou a se reconhecer feminista e percebeu violências (política e doméstica)
  • [00:10] — Crítica à ideia de que “mulher não gosta de política” e defesa da mulher como agente político por natureza
  • [00:12] — Papel da imprensa e do vocabulário de guerra/conflito na política; valorização do pedido de desculpas e do diálogo
  • [00:15] — Violência política de gênero, linguagem masculina como padrão e exemplos de deslegitimação (“histérica/descontrolada”)
  • [00:17] — Coragem para não caber em rótulos; Tebet se define como de centro, liberal na economia e progressista no social
  • [00:18] — Dado do Update: 85% apoiam mais mulheres na política; aproximações entre ministras com trajetórias distintas
  • [00:21] — Agro e meio ambiente: possibilidade de conciliação; exemplo de recurso para água em aldeias indígenas
  • [00:24] — Motivação pessoal, valores familiares e ideia de servir; encerramento com citação de Cecília Meirelles

Dados do Episódio

  • Podcast: Duas e Tanto
  • Autor: Carol Pires e Estúdio Novelo
  • Categoria: News / Politics
  • Publicado: 2025-10-30
  • Duração: 0h28m

Referências


Dados do Podcast

  • Nome: Duas e Tanto
  • Tipo: episodic
  • Site: None
  • UUID: bbba0d00-1c7f-013e-8aec-0e8fd7e33bcf

Transcrição

[00:00:00] Oi amiga, esse é o Duas e Tanto, nosso podcast de política, todas as terças e quintas, eu

[00:00:09] Carol Pires e eu Marina Dia conversamos sobre algum tema quente da política, mas sempre

[00:00:16] de um jeito descomplicado, rapidinho, a gente fala que é um videocast para você assistir

[00:00:21] passando um café, porque é super rápido.

[00:00:24] É isso, mas hoje o Duas e Tanto está um pouquinho diferente, a gente vai esticar

[00:00:30] um tempinho, vai dar para tomar um café e até comer um bolinho, porque a gente está

[00:00:34] ao vivo hoje e com uma convidada, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet,

[00:00:41] bem-vinda ministra, muito obrigada por ter aceitado nosso convite.

[00:00:45] Obrigada Marina, obrigada Carol e obrigada a esse público aqui, basicamente feminino,

[00:00:51] é uma coisa boa, tão incomum sermos maioria numa plena área, e cumprimentar todos

[00:00:56] que estão nos acompanhando nas redes sociais, especialmente as nossas meninas, as nossas

[00:01:01] Marias que estão nos acompanhando.

[00:01:04] Legal, ministra, como a gente comentou, hoje a gente vai falar sobre o Mulheres

[00:01:11] em Diálogo, que lançou esse mapa narrativo Entre Nós, e aí eu vou explicar um pouquinho,

[00:01:17] até para quem está vendo a gente e para você de onde vem isso, o Instituto Update

[00:01:22] investiga inovação política na América Latina, a primeira pesquisa que eles fizeram

[00:01:28] chamava Mulheres em Disputa, que foi analisar como as mulheres se posicionavam no Brasil

[00:01:34] em todo o espectro político e acabou descobrindo que existe uma polarização entre quem

[00:01:38] se considera feminista e quem rejeita esse rótulo, mas tinha um grande centro

[00:01:43] ali que chamava em disputa, por causa disso o Instituto Update seguiu esse estudo para entender,

[00:01:49] bom, então quais são os temas que a gente está de acordo, que a maioria está de acordo,

[00:01:54] quais são os temas que nos divide, mas quais são os temas de convergência que a gente

[00:01:58] pode puxar como um começo de diálogo, e disso nasce o mapa narrativo que é bem

[00:02:07] explicativo, bem didático, dando inclusive exemplos de como a gente pode mudar um

[00:02:12] pouco do léxico que a gente fala de política e de feminismo para trazer essas mulheres

[00:02:18] mais para perto e trazer também não só fazer acordos entre mulheres na política,

[00:02:24] mas também trazer, democratizar o debate para mais pessoas participarem

[00:02:29] politicamente. Você faz a primeira pergunta.

[00:02:32] Vou começar então, Ministra. Há alguns anos o Brasil entrou nessa fase

[00:02:38] de radicalização extrema, polarização, mas eu gosto de dizer radicalização,

[00:02:44] e que acabou extrapolando um pouco o mundo da política, que é o mundo da senhora,

[00:02:48] e entrou na casa das pessoas, então deu divórcio, deu briga de família,

[00:02:53] acabou com almoço de domingo, com festa de natal, e a senhora vem do agronegócio

[00:02:58] que em geral é visto como um movimento mais conservador e era de oposição aos

[00:03:04] governos do PT, mas a senhora fez um movimento de diálogo e construção de pons

[00:03:10] justamente no meio desse turbilhão que foi na campanha de 2022 quando a senhora

[00:03:16] declarou apoio ao Lula contra o Bolsonaro no segundo turno, e agora faz parte

[00:03:22] de um governo que tem uma base de esquerda forte, ainda que governe bastante

[00:03:27] ao centro. A gente queria começar perguntando para a senhora como que a senhora

[00:03:33] foi recebida pelas mulheres do outro lado da ponte, desse outro lado do espectro

[00:03:39] que a senhora estava com, que a senhora era acostumada a conviver.

[00:03:45] Bom Marina, você falando, me veio tanta coisa que assim, me veio um filme da

[00:03:49] campanha, e um filme dessa construção. Eu mirei no que vi e acertei no que

[00:03:53] não vi na campanha. Eu fui candidata sabidamente uma candidatura que estava

[00:03:59] apoiada, um insucesso eleitoral, porque eu sabia que o país estava polarizado,

[00:04:03] porque eu queria passar uma mensagem, uma mensagem de uma voz feminina contra

[00:04:07] um sistema que estava ali, contra tudo que estava posto pelo governo passado.

[00:04:12] E eu fui exatamente para enfrentar a reeleição, contra a reeleição de

[00:04:19] Bolsonaro. Foi esse meu propósito. O que eu me deparo, o que eu me

[00:04:24] deparo no final? Eu me deparo no final com a pesquisa confirmando que cada 10

[00:04:29] votos que eu tive, 8 foram de mulheres. Então aquele ditado, mulher não

[00:04:33] vota em mulher, que existia 30, 40 anos atrás da verdade, porque a mulher

[00:04:37] não votava em mulher, porque ela não se via preparada para as missões,

[00:04:42] então ela achava que nenhuma mulher também é preparada, hoje não

[00:04:46] existe mais isso. A mulher sabe do seu espaço, ela sabe do seu poder, ela

[00:04:50] sabe da sua competência, então ela vota em mulher desde que ela se

[00:04:54] identifique de alguma forma. Dentro desse processo, esqueci se eu queria

[00:04:58] colocar, já que nós estamos falando aqui duas e tanto, esse é o

[00:05:01] programa. Dentro desse processo, eu comecei a campanha já sabendo

[00:05:05] para onde eu estaria no segundo turno, eu só não imaginei que fosse

[00:05:09] uma eleição tão apertada, que eu ficaria em terceiro lugar e não

[00:05:13] em quarto, e o quarto lugar, embora eu não tenha fugido para Paris,

[00:05:17] não tenha tido a coragem de se por, se posicionar. Então quando eu

[00:05:22] me posiciono, e tendo uma eleição que foi acirrada, foi 0.1, foram

[00:05:28] 900 mil votos de um lado ou de outro, mesmo na campanha eu fui

[00:05:32] absolutamente acolhida pelas mulheres, antes de centro, mas também

[00:05:37] de esquerda, e desde então elas não me largaram, eu não largo

[00:05:40] elas também, porque eu não largo a mão de mulher independente

[00:05:43] disso, porque esse é o papel de uma pessoa de centro, tentar

[00:05:46] unir as pontes, tentar dialogar, e aí você comentou um termo que eu

[00:05:50] acho que é o primeiro termo que lamentavelmente nos divide,

[00:05:53] a primeira é aquela coisa que a mulher de esquerda é feminista e a mulher

[00:05:57] de direita não é, isso não é verdade, e segundo, o conceito de

[00:06:01] feminismo que a gente precisa começar a redesenhar, e eu acho

[00:06:05] que tem um termo, e eu falo isso com muita rapidez, é como

[00:06:08] advogada que eu sou, que eu acho que une todo mundo e que impede qualquer

[00:06:12] mulher de levantar a mão e falar, ah, eu não sou feminista.

[00:06:15] Esse feminismo como ponto de partida, não como ponto de chegada, tá?

[00:06:18] Como ponto de chegada é muito mais coisa, mas como ponto de partida,

[00:06:21] ser feminista, e portanto toda mulher é feminista, e tem muita

[00:06:24] gente que vai me xingar por isso, significa aquela mulher que

[00:06:28] defende que todos os homens e mulheres são iguais perante a lei,

[00:06:31] em direitos e obrigações. Se você acredita nisso, você é

[00:06:35] feminista de ponto de partida, claro que aí um feminismo do

[00:06:39] jeito que a gente quer alcançar no futuro é outra história,

[00:06:41] então se você partir daí você une as mulheres, se une as mulheres

[00:06:45] porque as mulheres sabem que hoje nós somos iguais aos homens e

[00:06:48] obrigações, mas muito diferente dos homens em relação ao direito

[00:06:53] a começar, e paro por aqui, na questão da igualdade salarial.

[00:06:57] Uma mulher ganha até 25% menos, se for uma mulher negra,

[00:07:01] parda, chega a ganhar até 40% menos que um homem com a mesma

[00:07:05] profissão, mesmo currículo e mesmo tempo de serviço.

[00:07:09] Eu vou até puxar por aí, ministra, porque uma das

[00:07:12] descobertas do estudo Mulheres em Diálogo é que os temas que

[00:07:16] mais convergem são combate à violência contra a mulher,

[00:07:20] então isso assim, larguíssima maioria, igualdade salarial,

[00:07:24] também é muito difícil dizer não quero ganhar o mesmo que

[00:07:29] um homem pelo mesmo trabalho, mas fala também, inclusive

[00:07:35] é só fazer um parêntese aqui que a gente está falando que

[00:07:38] violência é um tema que todas as mulheres estão preocupadas e

[00:07:42] também nos solidarizar com as famílias que hoje no Rio de

[00:07:46] Janeiro estão sofrendo pelo que aconteceu.

[00:07:50] Mas aí voltando a falar do feminismo, o que o mapa

[00:07:54] mostra é muito também como a gente pode reformular e

[00:07:57] exatamente como a senhora falou, como é que a gente

[00:08:00] comunica feminismo, que sempre me considerei feminista, mas

[00:08:04] a gente entende que tem um movimento de desinformação

[00:08:07] sobre o que é feminismo e um pouco demonizando o que

[00:08:10] seria feminismo e aí o mapa sugere, eu vou até ler que eu

[00:08:13] separei esse trecho, como você falar com mulheres talvez

[00:08:18] conservadoras ou não politizadas sobre o que é e aí

[00:08:21] ele sugere formas de você dizer, então a conquista das

[00:08:25] mulheres, a luta por autonomia, você pode falar

[00:08:28] fortalecimento das mulheres, fortalecimento feminismo,

[00:08:30] a história das mulheres, os caminhos de superação

[00:08:33] feminina, as vozes que transformam, a caminhada das

[00:08:37] mulheres por dignidade, então tem vários outros, mas

[00:08:40] como a senhora exatamente falou, tem formas de assim,

[00:08:44] maneiras de refrazear a mesma mensagem que chegam lá.

[00:08:50] Mas aí eu queria perguntar se a senhora sempre se

[00:08:53] considerou feminista, porque a gente sabe que até

[00:08:56] há dez anos a gente não era um debate como é hoje

[00:08:59] massificado. Eu nunca me considerei feminista na minha

[00:09:04] adolescência, no início da minha vida pública, eu

[00:09:07] nunca achei que eu recebia violência política, eu

[00:09:11] nunca achava que era discriminada, porque eu fui

[00:09:14] criada, eu sou de uma geração criada para aceitar as

[00:09:17] coisas, então achava que era a ordem natural das coisas.

[00:09:20] Até o momento em que eu comecei a ver fazendo

[00:09:23] política, mesmo como professora em sala de aula,

[00:09:26] que alguma aluna minha chegava machucada, ferida,

[00:09:30] e submissa muitas vezes ao companheiro novinha, já

[00:09:33] casada, eu comecei a perceber na campanha, que eu

[00:09:37] fazia muita campanha, que as mulheres eram chamadas

[00:09:40] para contar na cota, mas os homens saíam com cheques

[00:09:44] poupudos para suas campanhas e elas saíam

[00:09:47] felizes da vida com um pacotinho de Santinho,

[00:09:49] ninguém sabe mais o que é Santinho, Santinho era

[00:09:51] fotografia com o número que a gente levava no bolso

[00:09:54] para votar, porque não tinha internet, não tinha como

[00:09:56] pesquisar, achando com um pouquinho de gasolina,

[00:09:59] achando que fosse competir em pé de igualdade, não

[00:10:02] tinha condições nenhuma. E eu só fui perceber

[00:10:05] as tantas violências políticas que eu sofria e

[00:10:08] que eu era feminista desde carteirinha, desde sempre,

[00:10:12] porque eu aprendi isso inclusive dentro de casa,

[00:10:14] quando eu realmente entrei para a vida pública,

[00:10:18] eu falei, mas eu luto por isso há muito tempo,

[00:10:20] então eu sou feminista, dentro desse conceito

[00:10:22] como ponte partida, eu já estou um pouco à frente

[00:10:24] desse ponto de partida, mas vamos lá, como esse

[00:10:26] ponto de partida que todos, homens e mulheres

[00:10:29] são iguais em direitos, não tem como dizer

[00:10:32] uma mulher no Brasil que não é feminista,

[00:10:34] se ela acredita que o corpo de uma mulher não é

[00:10:36] objeto, portanto não pode ser saco de pancada

[00:10:39] e o homem não tem direito a esse corpo,

[00:10:41] que o corpo é dela, automaticamente ela tem

[00:10:44] que se chamar pelo menos como ponte partida,

[00:10:47] é como feminista. Então assim, demorei para

[00:10:50] perceber, mas foi entrando na vida pública

[00:10:53] que eu acho que é um outro assunto também

[00:10:55] que precisa ser abordado, a gente tem mania

[00:10:58] de dizer o seguinte, a maioria das mulheres

[00:11:01] brasileiras, não sei se o Instituto fala isso,

[00:11:03] talvez é uma boa pesquisa, fala que não

[00:11:05] gosta de política, normalmente se fizer

[00:11:07] uma pesquisa vai dizer assim, x% dos homens

[00:11:10] falam que não gostam de política, um percentual

[00:11:13] muito mais alto de mulheres vai falar que não

[00:11:15] gostam de política, gente, não tem um ser

[00:11:18] mais político do que a mulher, porque a mulher

[00:11:21] nasce tendo que brigar por tudo, ela tem

[00:11:24] que brigar por espaço dentro de casa

[00:11:26] com o irmãozinho, ela tem que brigar pelo

[00:11:28] espaço na escola, ela tem que brigar pelo

[00:11:30] filho na creche, ela tem que brigar pela

[00:11:32] família que ela tem, e é interessante

[00:11:34] porque a mulher, ela começa brigando

[00:11:37] primeiro por ela mesma, pelos seus

[00:11:39] direitos, depois quando ela está mais

[00:11:41] empoderada, ela começa a trabalhar

[00:11:43] e ela começa, você pode ver, porque isso

[00:11:46] é natural da mulher, a solidariedade, a

[00:11:48] empatia, ela começa a lutar pelo direito

[00:11:50] da vizinha, do amigo, do parede, e quando

[00:11:53] ela entra para a vida pública, ela passa

[00:11:55] a lutar pelo coletivo, então a mulher é um

[00:11:58] ser político por natureza e a gente não

[00:12:01] consegue lidar sequer com isso, eu diria

[00:12:04] até com essa superioridade de alma

[00:12:07] feminina, porque até para sermos

[00:12:10] orgulhosas, nós temos dificuldade, se você

[00:12:14] me perguntar assim, é duas e tanto, Simone,

[00:12:16] onde você se enquadra em tanto? Se fosse há

[00:12:18] dez anos atrás, eu falava assim, é duas e

[00:12:20] meia, eu me correspondo a meia, hoje não,

[00:12:22] hoje eu bato no peito e falo assim, é

[00:12:24] duas e mais uma, eu sou uma inteira, mas eu

[00:12:26] preciso ter 50 anos de idade, eu tenho

[00:12:28] mais que isso, mas eu preciso ter lá os

[00:12:30] cinco anos atrás para falar, opa, pera aí,

[00:12:32] então eu acho que é um pouco isso, é

[00:12:34] uma evolução, pena que ela é muito

[00:12:36] lenta, ela é muito lenta pela história,

[00:12:38] mas ela é muito lenta internamente

[00:12:40] dentro de nós, né, a gente ficar

[00:12:42] empoderada, tirar toda essa camada

[00:12:45] cultural que coloca em cima da gente,

[00:12:47] vai muito tempo, né, mas enfim, então é

[00:12:50] importante é que estamos evoluindo.

[00:12:52] Queria fazer só um comentário disso, porque

[00:12:54] hoje também eu participei de um debate

[00:12:56] na Câmara e surgiu com um assunto

[00:12:58] ainda falando de linguagem, né, eu e

[00:13:00] Marina, que cobrimos congresso desde

[00:13:02] mais tempo que queremos admitir,

[00:13:04] assim, hoje em dia a gente tem

[00:13:07] 18% do Congresso da Câmara dos

[00:13:10] Deputados são mulheres, são deputadas,

[00:13:12] o que é muito pouco, mas a gente quando

[00:13:14] a gente começou era ainda menos e ainda

[00:13:17] menos quanto mais você vai subindo,

[00:13:19] menos ministras, né, isso foi mudando

[00:13:21] ao longo do tempo, mas então as nossas

[00:13:23] fontes são homens, não somos mulheres

[00:13:25] cobrindo, pegando informação com

[00:13:27] homens, isso acaba também moldando

[00:13:29] a forma como a gente comunica a

[00:13:31] política, que eles também

[00:13:33] comunicam para a gente, a gente

[00:13:35] repete sem muito perceber, sempre

[00:13:37] muito na chave do derrotou, da briga,

[00:13:40] do adversário, do passou a

[00:13:42] perna. E não do diálogo, da união,

[00:13:45] da ponte o que é possível.

[00:13:47] Sempre a Câmara derrotou e é isso,

[00:13:49] acho que as mulheres falam muito, né,

[00:13:51] acho que essa é parte da proposta

[00:13:53] e é parte da força da mulher na

[00:13:55] política, porque a gente quer, claro,

[00:13:58] debater ideias, disputar ideias, mas

[00:14:01] a gente, né, quer falar também de

[00:14:04] acolher, de chegar em consensos, a

[00:14:07] gente quer falar, né, ver mais

[00:14:09] pontos de vista, a gente vê de uma

[00:14:11] forma mais global os assuntos, então

[00:14:13] só para comentar que também acho que

[00:14:15] é papel da imprensa a gente repensar

[00:14:17] como a gente fala da política, eu

[00:14:19] lembro da campanha do Boulos contra o

[00:14:22] Bruno Covas na Prefeitura de São

[00:14:24] Paulo, que teve uma situação em que

[00:14:26] alguém da campanha do Bruno Covas

[00:14:28] soltou, acho que era uma fake news

[00:14:30] contra o Boulos e depois o próprio

[00:14:32] Bruno Covas pediu desculpas e acho

[00:14:35] que era Natuza na Globo News, ficou

[00:14:37] falando, olha, incrível que ele pediu

[00:14:39] desculpa, isso é, então quando a gente

[00:14:41] ressalta que isso é um valor na

[00:14:43] política, as pessoas vão entender,

[00:14:45] ah, o que pede desculpa é legal, mas

[00:14:47] se a gente comunica só de que é

[00:14:49] guerra e um derrota o outro, as

[00:14:51] pessoas também vão entendendo que

[00:14:52] isso é um valor político e daqui a

[00:14:53] pouco a gente está falando em

[00:14:55] exterminar o adversário, né?

[00:14:57] É, foi interessante isso que você

[00:14:59] comentou, porque assim, o mundo é

[00:15:02] por si só masculino, a nossa língua

[00:15:05] portuguesa também tem esse problema,

[00:15:07] quando tem uma multidão aqui, olha,

[00:15:09] eu estou vendo aqui 90% de mulheres,

[00:15:11] aí quando eu vou dar boa noite eu

[00:15:13] falo assim, normalmente a língua, se eu

[00:15:15] tivesse que escolher só um gênero, eu

[00:15:16] falo assim, boa noite a todos, mas

[00:15:18] peraí, tem dois ou três homens só,

[00:15:19] aqui a maioria é mulher que está aqui,

[00:15:21] eu tinha que falar boa noite a todas,

[00:15:22] então tem que ser a maioria

[00:15:23] feminina, então a gente começa por

[00:15:25] aí até e a gente não discute, a

[00:15:27] gente não questiona isso, né? E é

[00:15:30] impressionante porque assim, o mundo da

[00:15:32] política, ele exclui a mulher, ele faz

[00:15:35] questão de não querer mulher, porque

[00:15:38] a violência política contra a mulher

[00:15:40] ela é muito forte, porque nós somos

[00:15:42] julgadas por aquilo que os homens

[00:15:43] não são pelo modo de falar, pelo

[00:15:45] modo de vestir, se a gente falar

[00:15:46] alto, se a gente quer ensinar alguma

[00:15:48] coisa, nós somos professores de

[00:15:49] Deus, professoras de Deus, se a

[00:15:51] gente assenta e só fica mexendo com

[00:15:54] a cabeça, até porque às vezes a

[00:15:55] gente concorda, ah, é fraca, não

[00:15:57] serve, né? Me lembro de um episódio

[00:16:00] que na CPI da Covid estava um

[00:16:02] burburinho, né? E veio um senador

[00:16:04] atacando assim, fortemente e

[00:16:06] corretamente o ministro de Estado,

[00:16:10] a voz era claramente masculina que

[00:16:13] estava abordando ele, quando eu

[00:16:15] fui falar sobre outro assunto, ele

[00:16:17] falou assim, ele me chamou de

[00:16:18] estérica, aliás, ele me chamou

[00:16:20] descontrolada, eu olhei e falei assim,

[00:16:22] mas eu não falei nada, eu fui muito

[00:16:24] contundente, mas não tinha sido eu a

[00:16:26] questionar, então são meios velados,

[00:16:29] né, que se tem de tentar excluir a

[00:16:32] mulher de alguma forma da política,

[00:16:34] e você tem razão, né? E faz falta a

[00:16:37] sensibilidade, a solidariedade, como

[00:16:39] eu falei, a capacidade de diálogo,

[00:16:41] eu acho que a mulher tem a capacidade

[00:16:43] de se colocar no lugar do outro muito

[00:16:45] mais facilmente, né? Porque também

[00:16:47] foi criada aí, aí é um equívoco

[00:16:49] também na criação dos nossos

[00:16:51] meninos, né? Que a gente cria os

[00:16:53] meninos para não chorar, para ser

[00:16:55] fortes, para ser, a gente chama de

[00:16:56] arrino de família, né, ser o chefe da

[00:16:58] família, quando isso é coisa do

[00:17:00] passado, mas acho que dentro desse

[00:17:02] processo, acho que foi Marina que

[00:17:05] comentou alguma coisa sobre polarização

[00:17:07] e nesses momentos, acho que isso serve

[00:17:09] para tudo, né? Eu acho que neste

[00:17:11] momento que o Brasil está precisando,

[00:17:13] seja para o fim da polarização,

[00:17:15] seja para que a gente possa ocupar

[00:17:17] mais espaços, é que a gente tenha

[00:17:19] coragem, acho que o mundo está

[00:17:21] precisando, a política brasileira está

[00:17:23] precisando, a sociedade brasileira está

[00:17:25] precisando de coragem, de pessoas que

[00:17:27] defendam os seus valores, ainda que

[00:17:29] não seja a voz da maioria, né? Por

[00:17:31] exemplo, eu sou uma pessoa de centro

[00:17:33] no país polarizado, então fala assim,

[00:17:35] onde eu me cacho aqui? Porque eu não

[00:17:37] agrado nenhum lado e nenhum outro,

[00:17:39] mas eu não vou abrir mão das minhas

[00:17:41] convicções, né? Então fala assim,

[00:17:43] poxa, mas você é de centro e é

[00:17:45] progressista na pauta social, na

[00:17:47] pauta de costumes, eu sou, e qual o

[00:17:49] que é uma caixinha para falar, ah, você

[00:17:51] fica aqui porque você é liberal na

[00:17:53] economia? E daí eu sou mais liberal

[00:17:55] na economia, mas se eu me identifico

[00:17:57] com a pauta social progressista,

[00:17:59] com a própria pauta de costumes

[00:18:01] progressista? Então, dentro desse

[00:18:03] aspecto também, eu acho que a gente

[00:18:05] tem que sempre lembrar de não aceitar

[00:18:07] ficar nas caixinhas que nos colocam.

[00:18:09] Se ela serve para você, está tudo

[00:18:11] certo, se você está incomodada, saia

[00:18:13] e tenha coragem de

[00:18:15] remar contra a maré, né? Eu acho que

[00:18:17] também é uma coisa que é difícil

[00:18:19] fazer, né? Mas que ela é necessária.

[00:18:21] Ministra, quero só te dar um dado

[00:18:23] antes de ir para a minha pergunta,

[00:18:25] mas que a senhora falou, né,

[00:18:27] que as pessoas querem sempre afastar

[00:18:29] as mulheres da política. E nesse

[00:18:31] levantamento do Instituto Update,

[00:18:33] não importa

[00:18:35] progressistas ou conservadoras,

[00:18:37] 85%

[00:18:39] das mulheres apoiam a ideia

[00:18:41] de ter mais mulheres na política,

[00:18:43] porque elas acham que aí elas vão ser

[00:18:45] mais ouvidas, que as decisões vão ser

[00:18:47] mais democráticas e que vão

[00:18:49] ser decisões mais voltadas para

[00:18:51] as mulheres também.

[00:18:53] É uma grande mudança cultural, né?

[00:18:55] Exato, é um grande dado, né?

[00:18:57] Ou seja, aquela tese que eu falei

[00:18:59] há 30 anos atrás, não, mas hoje,

[00:19:01] mulher, vota em mulher, desde que

[00:19:03] se identifique com a proposta dela.

[00:19:05] Exato. E queria lembrar,

[00:19:07] né, a senhora organizou uma

[00:19:09] reunião com as ministras mulheres do

[00:19:11] governo Lula no início do ano,

[00:19:13] e a gente soube que a senhora se deu muito

[00:19:15] bem com ministras progressistas

[00:19:17] e defensoras de causas ambientais,

[00:19:19] por exemplo, como Marina Silva,

[00:19:21] ministra do meio ambiente, Sonia Guajajara,

[00:19:23] ministra dos povos originários.

[00:19:25] Mas me contaram também,

[00:19:27] a senhora me conta, se é verdade,

[00:19:29] que a senhora se dá muito bem com a Clara

[00:19:31] Ante, que é uma assessora

[00:19:33] de muita confiança do presidente Lula,

[00:19:35] ela prepara documentos

[00:19:37] para o presidente Lula, ela dá aquele

[00:19:39] tipo de assessor que entra na sala do presidente

[00:19:41] sem bater na porta. E pra lembrar

[00:19:43] aqui, pra quem não sabe, pros jovens,

[00:19:45] inclusive eu que sou jovem, a Clara

[00:19:47] Ante era da Liberu, que é uma organização

[00:19:49] trosquista que veio do movimento

[00:19:51] estudantil que lutava

[00:19:53] pela democracia durante a

[00:19:55] ditadura no Brasil. E a Marina

[00:19:57] Silva é do movimento ambientalista,

[00:19:59] que em muitos momentos, né, considerado

[00:20:01] inimigo mortal do

[00:20:03] agronegócio. Então,

[00:20:05] eu queria entender um pouco como

[00:20:07] é se relacionar com mulheres de

[00:20:09] perfil e de histórico tão

[00:20:11] diferentes dos

[00:20:13] da senhora, né? E quais são

[00:20:15] os temas que poderiam unir as mulheres

[00:20:17] que pensam diferente, assim

[00:20:19] como vocês? Bom, primeiro que

[00:20:21] Clara é uma graça, né?

[00:20:23] É mérito dela, portanto, se dá bem

[00:20:25] comigo. Porque ela

[00:20:27] me recebeu com muito carinho, a experiência que

[00:20:29] ela tem, né, assim, sempre muito

[00:20:31] pronto, a gente conversa muito.

[00:20:33] Eu acho que independente do

[00:20:35] espectro ideológico que une as mulheres

[00:20:37] é muito maior do que aquilo que nos separa,

[00:20:39] não ser aquelas mulheres muito radicais

[00:20:41] que tem um posicionamento assim

[00:20:43] que viola aquilo que a gente entende como

[00:20:45] o básico dos direitos humanos, aí

[00:20:47] você pode ter até uma dificuldade

[00:20:49] maior. Mas a gente tenta se colocar

[00:20:51] no lugar do outro ou da outra, mesmo

[00:20:53] assim, né? É

[00:20:55] interessante, eu vou repetir isso, né?

[00:20:57] Acho que a gente tem que rediscutir

[00:20:59] até esta questão de conceitos

[00:21:01] esquerda e direita. Porque como eu sou

[00:21:03] uma pessoa de centro que ora eu me identifico com

[00:21:05] algumas coisas da direita, eu ora algumas coisas da

[00:21:07] esquerda, nunca dos extremos,

[00:21:09] jamais da extrema direita.

[00:21:11] Por exemplo, o fato de ser liberal na economia

[00:21:13] não me impediu desde

[00:21:15] cedo, desde o início da

[00:21:17] minha vida pública, ter a minha pauta

[00:21:19] com a pauta social, com a pauta de direitos

[00:21:21] humanos, com a pauta de diminuição

[00:21:23] das desigualdades sociais, com a pauta da

[00:21:25] educação de qualidade como professora que sou.

[00:21:27] Então, assim, eu como prefeita fui a

[00:21:29] prefeita que mais fez casas populares,

[00:21:31] que mais fez creches e escolas, meu projeto

[00:21:33] era esse. Então, isso, porque

[00:21:35] de novo, eu tenho uma pauta

[00:21:37] mais progressista

[00:21:39] na pauta social. Eu sou

[00:21:41] do Agro Grande, eu sou do Agro Negócio, mas

[00:21:43] quando vocês não eram nascidos, ou muitas

[00:21:45] aqui, quem está acompanhando, eu sei que tem muita gente

[00:21:47] que me acompanha nas redes sociais,

[00:21:49] que eu vi que está aqui, né, me acompanhando,

[00:21:51] quando essas meninas que estão aí não eram

[00:21:53] nascidas, eu estava fazendo um mestrado

[00:21:55] na PUC, em São Paulo, de direito urbanístico e

[00:21:57] ambiental. Na década de 90,

[00:21:59] ninguém falava direito ambiental.

[00:22:01] E eu falava de direito ambiental.

[00:22:03] Por quê? Porque o agro,

[00:22:05] o agro do bem, não necessariamente

[00:22:07] rivaliza com o meio ambiente.

[00:22:09] Pelo contrário, ele sabe que

[00:22:11] se ele não preservar o manancial,

[00:22:13] se ele jogar muito agrotóxico,

[00:22:15] se ele não cuidar

[00:22:17] dos barrancos,

[00:22:19] e ele destruir a terra, ele não planta

[00:22:21] da outra vez,

[00:22:23] no próximo momento, que você não pode

[00:22:25] ter ambição. Se você tiver ambição de querer

[00:22:27] só lucro-lucro, aí obviamente você vai

[00:22:29] atorrar tudo, vai… Então, eu acho

[00:22:31] que é um pouco isso. O fato

[00:22:33] de eu ter essa pauta social

[00:22:35] muito forte, isso eu devo à minha mãe, eu devo

[00:22:37] a meu pai, eu conto isso no

[00:22:39] livro que eu escrevi para as meninas, né,

[00:22:41] eu acho que isso me

[00:22:43] permitiu

[00:22:45] chegar com muito conforto.

[00:22:47] Eu chego, a porta está aberta,

[00:22:49] e eu me sinto à vontade para dialogar

[00:22:51] com elas. Eu e Marina nos damos

[00:22:53] muito bem, diga esse passagem,

[00:22:55] com a Sônia Guajajara acabei de conseguir um recurso

[00:22:57] para ela, achei um jeito

[00:22:59] de resgatar o Fossem, não vou explicar o que é isso,

[00:23:01] depois eles investigam, é um dinheiro a fundo

[00:23:03] perdido que estava há muito tempo

[00:23:05] que não se liberava, na época do Bolsonaro

[00:23:07] ficamos quatro anos sem conseguir,

[00:23:09] de 20 milhões de dólares para

[00:23:11] colocar água nas aldeias indígenas.

[00:23:13] Isso ninguém sabe,

[00:23:15] ninguém tinha, não foi o presidente

[00:23:17] que me pediu,

[00:23:19] Sônia, eu tenho aqui porque o meu estado tem a segunda

[00:23:21] maior população indígena fora da Amazônia,

[00:23:23] eu sei como as

[00:23:25] aldeias indígenas vivem lá,

[00:23:27] e tem uma inclusive especial que é a aldeia

[00:23:29] urbana, a maior

[00:23:31] aldeia urbana do Brasil,

[00:23:33] onde há uma miséria, onde há uma

[00:23:35] desigualdade muito grande, então

[00:23:37] eu

[00:23:39] não olho

[00:23:41] para a cara das pessoas, eu gosto das pessoas,

[00:23:43] eu gosto do ser humano,

[00:23:45] e eu como tive o privilégio de ter tudo,

[00:23:47] e falo isso com muita

[00:23:49] tranquilidade, eu nunca passei fome,

[00:23:51] sempre me era negado

[00:23:53] das coisas, não por falta de dinheiro,

[00:23:55] era a forma que meus pais me criavam,

[00:23:57] você quer uma calça-dins? Quando você

[00:23:59] quiser aniversário, você escolhe.

[00:24:01] Minha mãe podia estar numa calça-dins

[00:24:03] por mês, mas ela me ensinou valores,

[00:24:05] então isso me formou

[00:24:07] a ter a seguinte,

[00:24:09] eu acho que, eu sou muito

[00:24:11] espiritualizada, eu não necessariamente vou à igreja,

[00:24:13] eu não fico lá de joelho, mas

[00:24:15] sou uma pessoa muito espiritualizada, eu falo eu tenho que ter vindo

[00:24:17] com algum propósito na vida.

[00:24:19] Se eu tenho saúde e tenho condições financeiras,

[00:24:21] eu tenho que estar fazendo o que aqui?

[00:24:23] Eu tenho que servir, então minha mãe tem uma frase

[00:24:25] que me marca muito,

[00:24:27] marcou muito desde a minha infância,

[00:24:29] que ela diz assim, ninguém minha filha é feliz vendo a infelicidade

[00:24:31] alheia, isso é muito forte pra mim,

[00:24:33] porque assim, como eu tenho a oportunidade

[00:24:35] de ser feliz,

[00:24:37] no mínimo do básico, que a maioria não tem,

[00:24:39] o mínimo que eu posso fazer ao fazer política

[00:24:41] é servir as pessoas,

[00:24:43] então acho que é por conta disso

[00:24:45] que eu me sinto extremamente confortável

[00:24:47] no governo do presidente Lula.

[00:24:50] Já passamos, já estamos em meia hora,

[00:24:52] já deu pra tomar café,

[00:24:54] comer bolinho.

[00:24:56] Deu, né? Deu sim.

[00:24:58] Ministra, obrigada de novo por ter aceitado nosso convite,

[00:25:00] foi nosso primeiro ao vivo

[00:25:02] assim, com o Platéia,

[00:25:04] estamos muito felizes que foi com a Senhora.

[00:25:06] Muito,

[00:25:08] obrigada por aceitar,

[00:25:10] obrigada por falar tão bem,

[00:25:12] acho que a gente precisa achar

[00:25:14] meio do caminho pra pessoas que pensam

[00:25:16] diferente, eu tenho certeza que aqui a gente

[00:25:18] tem muitas coisas em comum,

[00:25:20] mas a gente também pensa diferente,

[00:25:22] eu e Carol a gente briga, às vezes,

[00:25:24] e somos muito amigas.

[00:25:26] Quem tem razão.

[00:25:28] Eu não vou entrar nessa briga.

[00:25:30] Mas é isso, então é muito

[00:25:32] importante gente que pensa

[00:25:34] diferente, tentando achar um caminho do

[00:25:36] meio, então a gente está muito feliz que a gente conseguiu

[00:25:38] fazer esse episódio com você.

[00:25:40] Muito obrigada.

[00:25:42] Agradeço quem está nos acompanhando aqui,

[00:25:44] presencialmente quem está nos acompanhando,

[00:25:46] eu vou citar Cecília Meirelles pra

[00:25:48] encerrar, citar uma mulher,

[00:25:50] eu não vou citar um homem aqui,

[00:25:52] mas acho que é importante que as mulheres

[00:25:54] tenham coragem e sempre

[00:25:56] façam

[00:25:58] das dificuldades, das pedras pelo

[00:26:00] caminho,

[00:26:02] uma pavimentação.

[00:26:04] Cecília Meirelles tem uma frase que também impactou muito

[00:26:06] na vida, onde ela disse assim

[00:26:08] eu não venci todas as vezes que

[00:26:10] lutei, mas deixei de ganhar

[00:26:12] todas as vezes, fui derrotada

[00:26:14] das vezes que deixei de lutar,

[00:26:16] então a gente deixar de lutar

[00:26:18] já significa derrota, então

[00:26:20] acho que isso é importante porque a gente

[00:26:22] tem a coragem de buscar os nossos

[00:26:24] sonhos e enfrentar os desafios da vida.

[00:26:26] Muito obrigada. Obrigada.

[00:26:34] Obrigada a todo mundo que está ao vivo,

[00:26:36] a ministra tem muitos fãs aqui,

[00:26:38] obrigada pela participação de todo mundo

[00:26:40] e quem está aqui

[00:26:42] porque veio, fã da ministra

[00:26:44] e ainda não segue o canal,

[00:26:46] acompanhou duas e tanto, a gente também está

[00:26:48] no Spotify em vídeo, nas demais

[00:26:50] plataformas só em áudio. Um beijo

[00:26:52] e até semana que vem.