Petit Convida Adriano Gambarini


Resumo

Nesta edição do Petit Convida, os hosts Daniel Souza e Tanguê recebem o fotógrafo e geólogo Adriano Gambarini para uma conversa abrangente sobre suas décadas de experiência documentando os biomas brasileiros. Gambarini, que completou 30 anos de trabalho sistemático na Amazônia, compartilha observações diretas sobre os impactos das mudanças climáticas, como a redução das chuvas e a diminuição da produção de castanha e açaí, que afetam tanto as comunidades locais quanto a economia nacional.

A discussão avança para iniciativas de sustentabilidade que Gambarini considera promissoras, como o manejo sustentável do pirarucu e da madeira certificada na Amazônia, e programas de valorização da sócio-biodiversidade. Ele destaca a importância de replicar ações bem-sucedidas que harmonizam atividade econômica com preservação, citando exemplos como o turismo de base comunitária e o ajuste de práticas pecuárias no Pantanal para minimizar conflitos com a fauna nativa, como a onça-pintada.

Gambarini também aborda questões controversas, como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, expressando ceticismo sobre os benefícios de longo prazo e alertando para os impactos sociais e ambientais que podem surgir décadas após a intervenção. A conversa termina de forma mais leve, com a história por trás da famosa foto da onça-pintada que estampa a nota de R$50, um trabalho seu publicado na National Geographic, e sua paixão por documentar predadores, especialmente a onça, pela qual nutre um carinho especial devido à sua importância no equilíbrio dos ecossistemas.


Indicações

OrganizaçõEs

  • Procarnívoros — Instituto de pesquisa com o qual Gambarini trabalha, dedicado ao estudo e conservação de carnívoros brasileiros nativos, como a onça-pintada e o lobo-guará.

Programas

  • Sustenta Bio (ICMBio) — Programa mencionado por Gambarini que se dedica a comunidades tradicionais e povos da floresta, valorizando a sócio-biodiversidade.

PráTicas

  • Manejo sustentável do pirarucu — Iniciativa que capacitou populações locais para a pesca sustentável do maior peixe de rio do Brasil, revertendo sua ameaça de extinção e conectando a produção a chefs e à gastronomia.
  • Manejo sustentável de madeira certificada — Estratégia de corte seletivo e rotativo de árvores na Amazônia, que preserva a floresta e permite a extração de madeira de forma responsável e com certificação de origem.
  • Turismo de base comunitária — Modalidade de turismo em que pessoas urbanas visitam e aprendem com povos tradicionais, gerando renda local e valorizando a cultura, citada como exemplo na Amazônia e no Pantanal.

Linha do Tempo

  • 00:00:14Boas-vindas e apresentação do convidado Adriano Gambarini — Os hosts Daniel Souza e Tanguê dão as boas-vindas aos ouvintes e apresentam o convidado especial, o fotógrafo e geólogo Adriano Gambarini. Eles destacam sua vasta experiência nos biomas brasileiros e mencionam de forma humorada que ele “ficou multimilionário” por ter tirado a foto da onça-pintada que estampa a nota de R$50. O contexto da COP30 é apresentado como pano de fundo para a conversa.
  • 00:01:56Trajetória de Gambarini: de geólogo a fotógrafo documental — Adriano Gambarini se apresenta, contando que é geólogo formado pela USP e se especializou em espeleologia. Ele explica que começou a fotografar cavernas por volta de 1988/89 e, desde 1991, atua profissionalmente como fotógrafo, focando em meio ambiente, expedições científicas e, nos últimos 15 anos, em culturas e povos tradicionais. Ele viajou por todos os estados brasileiros, documentando realidades pouco acessíveis ao grande público.
  • 00:06:29Impactos práticos das mudanças climáticas na Amazônia — Questionado sobre os impactos visíveis do aquecimento global, Gambarini relata suas observações de 30 anos na Amazônia. Ele menciona a redução das chuvas, comprovada cientificamente e percebida pelas comunidades tradicionais, e como isso afeta o Sudeste do país. Dá exemplos concretos, como a diminuição gradativa da produção de castanha e açaí nos últimos anos, impactando a economia local e nacional.
  • 00:10:38Mudanças climáticas e degradação em outros biomas brasileiros — Gambarini expande a discussão para outros biomas. Ele cita a Caatinga, historicamente usada para produção de carvão e pouco valorizada, e o Cerrado, dizimado para monoculturas. Enfatiza que as intervenções humanas têm respostas que se manifestam em décadas, não em anos, devido à escala temporal da evolução natural, e que é crucial buscar um equilíbrio entre produção e preservação.
  • 00:13:21Exemplos de iniciativas sustentáveis e replicáveis — Gambarini é questionado sobre iniciativas locais louváveis. Ele cita o programa Sustenta Bio, do ICMBio, que valoriza a sócio-biodiversidade e as economias dos povos tradicionais. Dá o exemplo do Raso da Catarina, na Caatinga, onde o resgate do uso tradicional de uma palmeira nativa resolveu o conflito entre agricultores e a arara-azul-de-lear. Ele afirma que é possível replicar essas ações com investimento e vontade.
  • 00:18:33Manejo sustentável do pirarucu e da madeira na Amazônia — A pedido de Daniel, Gambarini detalha exemplos de sucesso na Amazônia. Ele fala sobre o manejo sustentável da madeira, com rotação de corte para preservar a floresta, e do pirarucu, onde a capacitação de comunidades locais e a parceria com chefs reverteram o risco de extinção da espécie. Ele enfatiza a importância de conhecer a origem dos produtos que consumimos, seja madeira certificada ou peixe.
  • 00:23:41O papel do turismo sustentável na preservação dos biomas — Baseado na experiência conjunta na África, Tanguê pergunta sobre turismo. Gambarini defende o turismo sustentável, como o de observação e o de base comunitária na Amazônia, como uma forma vital de gerar renda e valorizar a cultura local, incentivando a preservação do bioma. Ele cita o exemplo do Pantanal, onde o turismo de observação de fauna, especialmente de onças, é economicamente rentável.
  • 00:27:47Visão crítica sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas — Gambarini expõe sua visão cética sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Ele questiona a real necessidade e os benefícios de longo prazo, usando como analogia a instalação de hidrelétricas, que geram empregos temporários e depois inflam a população local sem oportunidades, criando problemas sociais. Ele alerta que os impactos ecológicos e sociais podem ser percebidos apenas daqui a 20 ou 30 anos.
  • 00:33:42Mudanças climáticas perceptíveis no Pantanal e na Amazônia — Gambarini reforça que as mudanças mais perceptíveis ao longo de suas décadas de experiência são climáticas. Tanto no Pantanal quanto na Amazônia, ele nota uma alteração na dinâmica das águas e uma redução nas chuvas, informação que obtém através do diálogo com moradores mais velhos. Ele conecta essa mudança a ações humanas como desmatamento e queimadas repetidas.
  • 00:38:56A história por trás da foto da onça na nota de R$50 — De forma descontraída, os hosts pedem que Gambarini conte a história da foto da onça. Ele revela que a foto foi publicada na National Geographic Brasil e, anos depois, recebeu uma ligação inesperada da Casa da Moeda pedindo para usá-la como referência para a nova cédula. A história é simples, mas ele se diz feliz por poder mostrá-la em palestras, comparando a foto original com o desenho fiel na nota.
  • 00:43:36A paixão de Gambarini por predadores, especialmente a onça-pintada — Para encerrar, os hosts perguntam sobre sua ligação especial com as onças. Gambarini explica que, apesar de trabalhar com várias espécies, sua conexão com carnívoros começou na faculdade, através de pesquisadores dedicados. Ele vê os predadores, como a onça, com carinho, admirando sua perspicácia e seu papel crucial no equilíbrio do ecossistema, onde um único predador regula centenas de presas.

Dados do Episódio

  • Podcast: Petit Journal
  • Autor: Petit Journal
  • Categoria: News
  • Publicado: 2025-11-07T01:30:31Z
  • Duração: 00:48:41

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.

[00:00:14] Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas para mais uma edição do Petit Convida.

[00:00:18] Hoje uma edição especialíssima com o nosso querido amigo Adriano Gambarini,

[00:00:24] que vai compartilhar muito da sua experiência nas suas andanças pela Amazônia, pelo Cerrado.

[00:00:30] pelo Pantanal, vai falar sobre sustentabilidade e sobre uma série de temas interessantes,

[00:00:35] ainda mais dentro desse contexto de COP30.

[00:00:39] Ele, que além de nosso amigo, ficou multimilionário porque tirou a foto da onça.

[00:00:45] Sim, sabe aquela onça na nota de R$50?

[00:00:47] A foto é de Adriano Gambarini, que recebeu um lote inteiro de notas de R$50 de pagamento

[00:00:53] e desde então ele vive nababescamente dessa belíssima fotografia

[00:00:59] que ele tirou.

[00:01:00] E vai ser muito legal essa nossa conversa de hoje. Não é isso, Tanguê?

[00:01:04] É isso, Daniel Souza. Deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que está acompanhando a gente.

[00:01:08] Como sempre, todo mundo que acompanha a gente pelo YouTube, sejam muito bem-vindos.

[00:01:12] Pessoal que vai acompanhar mais essa edição do Petit Convida pelo podcast,

[00:01:17] sejam muito bem-vindos também.

[00:01:19] E deixo aqui as boas-vindas a você também, Daniel Souza.

[00:01:21] Está aí sempre, né? Então deixo boas-vindas também.

[00:01:24] E aqui um grande abraço e super boas-vindas, tapete vermelho,

[00:01:27] para Adriano Gambarini.

[00:01:30] Tamba, vou dar as boas-vindas para você e já vou pedir para você se apresentar.

[00:01:33] Quem é Adriano Gambarini? Trajetória? Está fazendo o que da vida?

[00:01:38] Fez o que ao longo da trajetória?

[00:01:40] Eu sei que o papo é longo, né, Daniel?

[00:01:42] A gente sabe que Adriano Gambarini joga nas 11 aí, mas vou deixar…

[00:01:45] Pediu uma mini-bio para ele, né?

[00:01:47] Ele mandou uma bio de 55 páginas, né?

[00:01:50] Estou lendo até agora, né?

[00:01:52] Porque ele falou, mini-bio eu não consigo porque eu já fiz muita coisa.

[00:01:55] É isso.

[00:01:56] Não é porque…

[00:01:57] Bom, primeiro, obrigado pelo convite.

[00:02:00] Daniel, obrigado mesmo, é uma honra estar aqui.

[00:02:05] Boa noite para quem estiver assistindo.

[00:02:07] Obrigado pelo privilégio de vocês assistirem esse bate-papo.

[00:02:12] Bom, falando do currículo,

[00:02:15] cara, eu cresci com a enciclopédia britânica e com a Barça,

[00:02:19] então o mínimo que eu podia fazer era ter uma mini-bio mesmo

[00:02:24] que tinha embromação grande, né?

[00:02:27] É o que a gente faz.

[00:02:29] Eu sou da época das enciclopédias.

[00:02:33] Aliás, ó, eu estou vendo o fundo de vocês, é muito chique.

[00:02:37] Eu não sei se esses livros são de verdade ou aquela coisa fake, assim.

[00:02:41] Nunca saberá.

[00:02:42] Nunca vai saber.

[00:02:43] Deixa eu ver.

[00:02:45] Angola, província, esse daí é de verdade, eu estou acreditando nele.

[00:02:49] Está faltando o livro meu aí na prateleira de vocês.

[00:02:52] Está faltando, está faltando mesmo.

[00:02:54] É verdade, isso é um fato mesmo, está faltando.

[00:02:56] 20 livros já publicados, 20 livros.

[00:02:59] E então, falando um pouco dessa história minha,

[00:03:02] rapidamente, assim, para a gente conseguir conversar sobre outras coisas,

[00:03:07] eu sou geólogo de formação, me formei na USP em 1991,

[00:03:13] me especializei em espeleologia, que é pesquisa de cavernas e história natural,

[00:03:20] e só que logo que eu me formei, até um pouco antes,

[00:03:24] eu comecei a fotografar, comecei a fotografar,

[00:03:29] as cavernas que eu estudava, e lá por 88, 89,

[00:03:34] e logo que eu me formei, eu fui convidado por uma revista para trabalhar profissionalmente.

[00:03:41] E aí eu não saí mais do mundo da fotografia, né?

[00:03:44] Então, de 91 para cá, já são 34 anos como fotógrafo,

[00:03:51] sempre focado nessa parte de meio ambiente, de pesquisa, de expedições científicas,

[00:03:59] nos últimos 15 anos, eu comecei a me direcionar para questões mais de cultura,

[00:04:06] da parte social, principalmente de povos tradicionais,

[00:04:11] no Brasil, em outros países, e com isso tal, África, bastante.

[00:04:16] E por conta disso, eu acabei caminhando muito por todos os biomas,

[00:04:22] todo o Brasil, já viajei por todos os estados brasileiros,

[00:04:27] sempre documentando.

[00:04:29] Expedições científicas, expedições antropológicas, expedições arqueológicas,

[00:04:34] como uma forma de usar a fotografia como um instrumento

[00:04:40] para compartilhar muito do que a sociedade não tem acesso, né?

[00:04:45] O que a gente sabe sobre o Brasil, ainda principalmente do interior,

[00:04:50] e o que tem sido feito nessas áreas, é muito raso, né?

[00:04:54] A gente sabe pouco disso, a gente tem acesso à internet,

[00:04:59] a gente tinha muito mais acesso, eu acho, na época das revistas e jornais,

[00:05:05] a gente tinha mais acesso a esse tipo de conteúdo, mas agora não.

[00:05:09] Agora não, tá aí, tá na internet, à disposição, mas, assim,

[00:05:15] eu acho que muito menos, eu acho que quando era a época de revistas,

[00:05:19] eu sou um filhote das revistas da National Geographic,

[00:05:22] eu trabalhei durante todo o tempo que a National esteve no Brasil,

[00:05:26] eu trabalhei para eles publicando.

[00:05:29] Então, era um outro tempo, né, de produção, você apurava mais as informações,

[00:05:35] você trazia uma veracidade muito maior às informações.

[00:05:41] Mas, esse sou eu, um viajante que vai atrás dessa outra notícia.

[00:05:47] Agora, Gamba, a gente tá num momento aí de COP, né, COP30 acontecendo lá em Belém e tudo,

[00:05:52] e uma coisa que deixou a gente muito curioso, né,

[00:05:55] foi um dos motivos, aliás, da gente aproveitar esse gancho e te fazer esse convite, né,

[00:05:59] pra você estar aqui com a gente hoje,

[00:06:01] é exatamente o que a gente queria te ouvir um pouco sobre o que você tem visto, né,

[00:06:04] e é interessante porque falar com você não é apenas o que você tem lido, né,

[00:06:07] é o que você tem visto, né, você tem uma vivência muito grande de Pantanal,

[00:06:12] de Amazônia, né, de outros biomas brasileiros.

[00:06:15] Com relação ao aquecimento global, qual é a percepção que você tem,

[00:06:18] quais são os impactos que você tem visto de forma prática,

[00:06:21] pra deixar de ser apenas uma coisa abstrata, né, apenas uma coisa que a gente ouve falar,

[00:06:24] e ser algo que, de fato, tá sendo visto por você de forma direta.

[00:06:29] Ó, Tanguy, assim, curiosamente, assim,

[00:06:33] esse ano eu comemoro 30 anos de Amazônia, né,

[00:06:38] sistematicamente, é o bioma onde eu mais trabalhei, onde eu mais trabalho,

[00:06:45] e tanto do ponto de vista científico, de documentar trabalhos científicos de ponta, assim, né,

[00:06:53] de institutos tipo Mirauá, Instituto Guild,

[00:06:58] que é em Belém, né, com o que são grupos de pesquisadores

[00:07:03] aficionados pela Amazônia e dedicados na Amazônia.

[00:07:08] É, o que eu tenho visto, e só que, assim, é muito interessante,

[00:07:14] porque pra quem não conhece a Amazônia, principalmente a gente do Sudeste,

[00:07:19] é tão longe, é uma floresta, ah, é a maior floresta tropical do mundo,

[00:07:24] mas tá lá, só que não tá lá só, né,

[00:07:28] porque a gente vive num planeta em que o que é feito aqui reflete ali, é fato isso.

[00:07:37] E o clima, e tá, tem expressado isso, né,

[00:07:42] então a falta de chuva na Amazônia, que é uma coisa que tem acontecido,

[00:07:48] tem sido provado cientificamente pelos pesquisadores,

[00:07:51] mas a falta de chuva lá reflete na ausência de umidade de água aqui,

[00:07:58] no Sudeste, né, a gente tem isso, é real,

[00:08:03] então tá tudo sempre conjugado, tudo sempre conjugado.

[00:08:08] E eu acho que a COP, assim, eu tenho a grande esperança

[00:08:14] de que alguma coisa se resolva, se decida e seja feito

[00:08:18] em benefício de tentar reverter o que já foi danificado,

[00:08:25] pra não falar outra palavra, né,

[00:08:27] porque, e agora você me pergunta, é fato isso?

[00:08:32] É fato, é fato, sabe, é, eu vou dar um exemplo muito claro,

[00:08:37] assim, alguns meses atrás eu fiz um trabalho pro ICMBio,

[00:08:42] que é um programa que se chama Sustenta Bio,

[00:08:44] que é um trabalho de dedicação às comunidades tradicionais, né,

[00:08:51] aos povos tradicionais que são da floresta,

[00:08:55] sejam indígenas ou ribeirinhos,

[00:08:57] que moram lá, e eles, e eu, eles falaram pra mim

[00:09:04] que eles notam, porque a primeira pergunta que eu faço,

[00:09:08] ah, tem chovido mais, tem chovido menos, tá igual, né,

[00:09:12] principalmente os mais velhos falam, não, diminuiu a chuva,

[00:09:17] ou a sazonalidade tem espaçado cada vez mais, né,

[00:09:22] existe esse consenso até geológico de que existe essa temporalidade,

[00:09:27] de atividades, períodos e eras de seca e eras de chuva,

[00:09:33] mas esse tempo tá encurtando, né, então, vou dar um exemplo,

[00:09:40] eu conversei com castanheiros que vivem da castanha,

[00:09:45] há gerações, desde o avô, vivem da colheita da castanha,

[00:09:51] que é um bem não aderir da floresta, e eles têm falado,

[00:09:57] nos últimos três, quatro anos, a produção de castanha na Amazônia

[00:10:01] tem diminuído gradativamente, né, é a produção de açaí idem,

[00:10:07] o açaí que a gente come aí, que vocês comem na praia e coisa e tal, gostosinho,

[00:10:13] lá, se acabar lá, ou se diminuir a produção lá, afeta aqui,

[00:10:18] é um fato, afeta todo um sistema econômico, né, que vocês sabem lá.

[00:10:23] Então, você tem percebido esse tipo de mudança nos outros ecossistemas,

[00:10:27] brasileiros, você tem falado, tá falando agora especificamente

[00:10:30] do ecossistema amazônico, mas isso é percebido de maneira mais ampla

[00:10:34] nos demais ecossistemas aqui no país?

[00:10:38] Sim, sim, com certeza, sim, sim, falando, por exemplo, a caatinga,

[00:10:42] a caatinga é um dos biomas mais importantes que a gente tem no Brasil

[00:10:46] e é um dos mais castigados, né, porque a ciência sabe da importância

[00:10:53] do ponto de vista ecológico.

[00:10:57] Caatinga, mas para a sociedade, para o sistema que a gente vive, não,

[00:11:02] é uma floresta seca, né, e caatinga significa floresta cinza,

[00:11:10] floresta prateada, a expressão caatinga é essa, né,

[00:11:14] e só que ela é muito importante, só que ela, durante séculos,

[00:11:18] ela foi usada para produção de carvão, por exemplo.

[00:11:22] O cerrado, que é considerado um dos biomas com maior biodiversidade,

[00:11:27] do mundo, que é a savana, né, fazendo um comparativo com a África,

[00:11:32] é a savana brasileira, o cerrado, também ela está sendo dizimada

[00:11:37] para grandes produções, né, de monocultura.

[00:11:41] Ok, é necessário a monocultura, é super necessário, né,

[00:11:46] mas eu acho que a gente tem que chegar num equilíbrio disso,

[00:11:50] porque senão os efeitos colaterais do que é afetado é muito grande.

[00:11:57] Eu acho que o grande gargalo que eu vejo e que a geologia me ensinou

[00:12:01] é essa questão de temporalidade, quando a gente faz a intervenção

[00:12:06] no meio ambiente, a resposta não é daqui dois anos,

[00:12:13] é uma temporalidade pensando em décadas, porque se você for ver

[00:12:16] evolutivamente a evolução da vida, quantos milhões de anos demorou

[00:12:22] para a gente chegar onde chegou para nós, seres humanos, sermos o que somos?

[00:12:27] Ou seja, qualquer ação que afete diretamente esse equilíbrio na natureza

[00:12:34] tem um tempo de adaptação, que não é calculado em anos,

[00:12:41] é calculado em décadas.

[00:12:43] E, Gamba, em cima disso, assim, você falou sobre a expectativa, né,

[00:12:48] a esperança que você tem de a COP30, por exemplo, trazer algum tipo

[00:12:52] de resultado mais prático, né, ao que seja feito.

[00:12:56] Tem iniciativas que você possa mencionar, que você tem visto,

[00:13:00] seja no Pantanal, seja na Amazônia, seja na Caatinga ou qualquer outro lugar,

[00:13:04] que você considera louváveis? Porque a gente sabe que essas iniciativas existem, né,

[00:13:10] mas muitas vezes elas são muito locais, ou não tem muito financiamento.

[00:13:14] Tem algum movimento que seja feito localmente que te chame a atenção

[00:13:17] e que pode ser eventualmente replicado em outros lugares?

[00:13:21] Olha, Tegui, eu acho que esse exemplo que eu dei desse programa

[00:13:25] em que valoriza essa sócio-biodiversidade, é uma expressão muito usada, né,

[00:13:31] a economia da sócio-biodiversidade, é, pode, eu acho que pode ser replicado

[00:13:38] para outros biomas, para alguns dos outros biomas, né,

[00:13:42] então, você comentou do Pantanal, por exemplo, eu morei no Pantanal

[00:13:46] em 1993, 94, existia, era um consenso, era muito marcante a PQA, por exemplo,

[00:13:53] no Pantanal.

[00:13:55] Em que a PQA era adaptada àquele bioma, você não precisava acabar com o bioma

[00:14:04] para entrar em uma economia, ele era adaptado.

[00:14:09] O gado circulava no bioma, né, quer dizer, você tinha toda uma harmonia, né?

[00:14:15] Exato, né, você não precisava alterar o lugar, alterar o bioma

[00:14:20] para entrar em uma economia.

[00:14:23] Então, você, eu acho que é…

[00:14:25] É uma questão de ajuste isso, né, de você, por exemplo,

[00:14:30] eu acho que é replicar certas ações, por exemplo, na Amazônia,

[00:14:35] isso de valorizar a economia dos povos que vivem naquele determinado bioma,

[00:14:41] isso é importantíssimo, né, a gente, eu lembro,

[00:14:44] acabei de lembrar de uma atividade, de um trabalho que eu produzi,

[00:14:49] que eu até publiquei em várias matérias, fiz um documentário na Caatinga,

[00:14:55] tem bem no meio, no coração do Sertão Baiano,

[00:15:00] tem um lugar que se chama Raso da Catarina,

[00:15:02] que é um lugar que tem um arara azul, que se chama Arara Azul de Lir,

[00:15:08] que é endêmica de lá, só existe lá, né,

[00:15:11] e o alimento natural dela era um tipo de coquinho que dá numa palmeira nativa.

[00:15:20] Antigamente, as pessoas, os moradores que tinham pequenas,

[00:15:25] pequenas ou grandes áreas, eles cortavam toda a Caatinga,

[00:15:29] inclusive essa palmeira, para plantar milho, para fazer uma mini monocultura, né.

[00:15:36] O que que acontecia?

[00:15:38] Essa arara começava a atacar aquela cultura, principalmente milho,

[00:15:44] e aí existia um conflito direto entre o ser humano que fez aquilo contra o bicho.

[00:15:52] No momento em que vieram instituições e começaram,

[00:15:55] começaram a trabalhar e resgatar umas culturas relacionadas àquela palmeira,

[00:16:00] por exemplo, historicamente, aquele povo usava a folha daquela palmeira

[00:16:06] para produzir um certo artesanato, produtos que eles mesmos usavam.

[00:16:12] Quando eles pararam de cortar palmeira e fazer o plantio consorciado com aquele bioma,

[00:16:19] parou de ter problema, parou de ter conflito com o bicho, né.

[00:16:23] Isso se…

[00:16:24] Isso pode ser percebido também no conflito de onça-pintada,

[00:16:29] que é um bicho que eu trabalho há 30 anos,

[00:16:32] que eu fiz dois livros sobre onça-pintada,

[00:16:34] uma série de documentários que é a onça da nota.

[00:16:38] Para…

[00:16:38] Assim, existe um conflito direto entre o bicho nativo com a pecuária.

[00:16:46] É possível fazer esse ajuste?

[00:16:49] Sim, é possível.

[00:16:50] Mas, primeiro, a gente entra naquela questão,

[00:16:54] tem que ter bom senso, tem que ter estudo, tem que ter percepção de que…

[00:16:59] E boa vontade de querer achar um equilíbrio, porque é possível.

[00:17:03] É possível.

[00:17:04] Então, Tanguy, desculpa, Daniel, só fechando essa…

[00:17:09] Essas ações de replicar processos que deram certo,

[00:17:18] por exemplo, na Amazônia, de dar apoio às comunidades e aos povos tradicionais

[00:17:23] que vivem lá, que querem ficar lá, para eles manterem aquele lugar,

[00:17:29] é possível replicar em…

[00:17:30] Lá na Atlântica é possível também,

[00:17:33] de trabalhos que foram feitos na Mata Atlântica,

[00:17:37] de Foz do Iguaçu, de minimização de conflito de onça-pintada,

[00:17:41] que tem muita onça-pintada na região de Foz do Iguaçu,

[00:17:44] com os produtores.

[00:17:46] Então, existe todo um trabalho de conscientização da sociedade local

[00:17:51] naquele determinado lugar,

[00:17:53] naquele determinado bioma.

[00:17:55] É possível, mas precisa ter investimento, Faf.

[00:17:59] Aliás, eu queria até aproveitar esse gancho que você deu, Gamba.

[00:18:03] Você compartilhou comigo, inclusive, algumas experiências impressionantes

[00:18:07] na região amazônica de atividades econômicas bem-sucedidas

[00:18:12] que acabam justamente conciliando a preservação

[00:18:16] e, ao mesmo tempo, a geração de emprego, a geração de renda.

[00:18:20] Eu queria que você compartilhasse com a gente um pouco,

[00:18:23] de alguns exemplos, de algumas situações muito bem-sucedidas

[00:18:29] na região amazônica que tem esse tipo de característica.

[00:18:33] Olha, eu lembro de um trabalho que eu fiz no Pará,

[00:18:37] porque o Pará é um dos estados que tem maior,

[00:18:40] paradoxalmente, onde vai ser a COP,

[00:18:44] onde tem maior intervenção de desmatamento e queimadas e coisa e tal.

[00:18:49] É notório isso no Pará, de longa história.

[00:18:54] Outros estados têm também, principalmente no que eles chamam

[00:18:58] de arco do desmatamento, que é norte do Mato Grosso,

[00:19:02] sul do Amazonas, é o arco do desmatamento.

[00:19:08] Qual é o grande problema no Amazonas com o desmatamento?

[00:19:12] O uso da madeira.

[00:19:15] Existem ações no Pará, e agora eu documentei também no Amazonas,

[00:19:20] de manejo sustentável da madeira.

[00:19:23] Em que os grandes territórios, as grandes fazendas que têm floresta

[00:19:31] e que têm como fazer manejo de madeira, existem estratégias e estudos

[00:19:39] e institutos que fazem esse manejo da madeira.

[00:19:43] Então, não é simplesmente ir numa determinada área da floresta e dizimar.

[00:19:48] Porque se você dizima e corta, bota no chão,

[00:19:52] a floresta…

[00:19:53] O aproveitamento é muito pequeno, porque não é qualquer madeira

[00:19:58] que é própria ou usada para a gente, pela sociedade.

[00:20:05] Então, existem estratégias de estudos de como que os caras cortam

[00:20:10] a determinada árvore, quantos anos tem que ter a árvore,

[00:20:14] uma rotação da área.

[00:20:16] Então, se numa determinada área tem 10 indivíduos de uma determinada espécie

[00:20:21] de árvore…

[00:20:22] Não se corta as 10, se corta uma ou duas, ou um número menor,

[00:20:27] para daqui dois, três anos, voltar naquela mesma área e recomeçar o corte.

[00:20:33] Então, faz o que eles chamam de rotação.

[00:20:37] Então, isso é possível.

[00:20:39] Isso é possível.

[00:20:40] Mas precisa ter investimento, precisa ter uma vontade da gente,

[00:20:45] da sociedade como um todo.

[00:20:47] Ah, vai fazer uma obra, vai construir uma casa, compra madeira,

[00:20:52] certificado, sabe?

[00:20:54] Que aí você sabe a origem.

[00:20:57] E aí, falando agora desses outros trabalhos, por exemplo,

[00:21:02] há anos eu documento o manejo sustentável do pirarucu,

[00:21:06] que é o maior peixe de rio do Brasil e é um dos maiores do mundo de água doce.

[00:21:13] E esse manejo foi provado, e eu estou finalizando um documentário

[00:21:19] que vai ser passado na COP, justamente sobre o manejo,

[00:21:22] o manejo do pirarucu.

[00:21:24] Isso reverteu a situação daquela espécie que estava ameaçada de extinção.

[00:21:31] De que forma?

[00:21:33] Dando capacitação para as populações locais que tinham a tradição

[00:21:39] de pescar aquele peixe, de fazer uma pesca.

[00:21:43] Então, e aí eles fazem uma associação com chefes,

[00:21:47] com chefes, grandes chefes de cozinha do sudeste, do centro-oeste,

[00:21:52] para usar aquele peixe na gastronomia, que é um peixe certificado.

[00:21:58] Então, você fecha a cadeia, você dá capacitação para as pessoas locais

[00:22:05] produzirem e pescarem aquele peixe de uma forma sustentável.

[00:22:11] Esse peixe vai para a nossa, para os nossos restaurantes.

[00:22:15] A gente sabe que tem origem, é o que chama de origem.

[00:22:20] É importante a gente saber.

[00:22:22] É importante a gente saber o que é origem das coisas.

[00:22:24] E não simplesmente receber.

[00:22:26] A gente não está falando de produtos industrializados.

[00:22:30] E mesmo produtos industrializados, é interessante saber a origem.

[00:22:34] Ah, vai comprar uma roupa?

[00:22:37] A gente tem que saber a origem desse algodão.

[00:22:39] De que fazenda é?

[00:22:41] Ah, a fazenda, ela trabalhava de uma maneira certa, coerente,

[00:22:46] com leis trabalhistas legais e coisa e tal.

[00:22:49] Então, é a gente ter essa consciência.

[00:22:52] Então, respondendo, finalizando a tua pergunta,

[00:22:56] Pirarucu é um grande exemplo, o manejo do Pirarucu,

[00:22:59] o manejo da madeira certificada é um grande exemplo.

[00:23:04] O próprio manejo de castanha e desses bens não madeireiros que a gente fala,

[00:23:10] para manter a floresta interna.

[00:23:12] Essa é a ideia.

[00:23:14] Porque se não mantém, isso já dá um efeito colateral no clima.

[00:23:19] É fato.

[00:23:21] Agora, o…

[00:23:22] Gamba, só para dar um pouquinho de contexto para quem está ouvindo a gente,

[00:23:25] a gente se conheceu na viagem na África.

[00:23:27] Eu e o Daniel estávamos como especialistas.

[00:23:30] A gente acompanhou esse grupo por sete países africanos.

[00:23:34] O Gambarini estava junto com a gente, estava na condição de fotógrafo.

[00:23:37] E essa é a pergunta que eu quero fazer com relação ao turismo.

[00:23:41] Porque a ideia do turismo também, Gambarini,

[00:23:44] é dependendo da maneira como você faz,

[00:23:46] você está garantindo que tenha dinheiro circulando,

[00:23:50] premiando que, por exemplo, a floresta esteja…

[00:23:52] Porque se a floresta cai, o turismo deixa de fazer sentido.

[00:23:56] E tem que ser, naturalmente, um turismo que seja responsável.

[00:23:59] Eu queria saber um pouquinho da sua percepção sobre turismo,

[00:24:03] turismo sustentável, é possível, tem tido?

[00:24:06] Qual é a percepção que você tem nesses locais que você conhece tão bem?

[00:24:11] Tem tido, sim.

[00:24:13] E eu acho que é uma das grandes formas de se manter os biomas.

[00:24:19] Porque hoje em dia tem, por exemplo, na Amazônia,

[00:24:25] eu vou falar primeiro da Amazônia,

[00:24:27] você tem esses turismos, o tipo de turismo de observação,

[00:24:32] de contemplação, você tem o turismo de base comunitária,

[00:24:37] que eles falam que é aquilo em que as pessoas urbanas

[00:24:43] vão conhecer a vida dos povos tradicionais da floresta.

[00:24:47] Isso são ações que têm?

[00:24:49] Tem acontecido bastante e tem tido um retorno muito grande

[00:24:54] em dois aspectos, economicamente, falando para as comunidades

[00:24:59] que recebem os turistas e do ponto de vista também

[00:25:03] de valorização daquela cultura.

[00:25:07] Porque quando você chega na frente de um senhor

[00:25:10] que há gerações só sabe fazer farinha e você aprende com ele

[00:25:16] aquela sabedoria tradicional.

[00:25:19] Ele se sente empoderado.

[00:25:24] O que eu faço, o que meu avô fazia, é legal.

[00:25:28] E ele vai continuar fazendo aquilo.

[00:25:30] Então, são economias super viáveis.

[00:25:32] Eu acho que o turismo, e a gente percebeu isso na África,

[00:25:36] muitos lugares, principalmente nos países que mexem com safari,

[00:25:43] o recurso econômico que eles têm e que é revertido

[00:25:47] para aquele lugar.

[00:25:49] O bioma é impressionante, porque é fato.

[00:25:54] Se a pessoa que mora ali recebe um dinheiro para manter

[00:25:58] aquele lugar original, ele não vai mexer, não vai alterar.

[00:26:03] É um fato.

[00:26:04] Então, isso eu tenho visto em alguns lugares na Amazônia,

[00:26:08] eu acho que dá para ampliar, porque eu acho que o grande gargalo

[00:26:12] da Amazônia é acesso.

[00:26:14] É muito complicado, tudo é muito grande lá.

[00:26:17] A Amazônia é superlativa, né?

[00:26:19] Então, você acessar alguns lugares que são maravilhosos,

[00:26:26] que têm uma natureza exuberante, que têm um povo exuberante ali,

[00:26:32] é você…

[00:26:33] Desculpa.

[00:26:35] Só um segundo, gente.

[00:26:37] Deixa eu tirar do…

[00:26:39] Aqui.

[00:26:40] Falha.

[00:26:41] Estou parecendo no cinema, né?

[00:26:43] De falhar assim.

[00:26:44] Mas, enfim.

[00:26:45] Eu acho que o turismo é muito importante, principalmente

[00:26:49] para você valorizar o lugar, para você manter o lugar, o bioma.

[00:26:55] No Pantanal já é notória o turismo de observação de fauna, né?

[00:27:01] Então, tem lugares no Pantanal em que os caras pagam bem,

[00:27:06] o turista paga bem para ir atrás de…

[00:27:09] Para ver uma onça pintada na frente, assim, por exemplo, sabe?

[00:27:15] E…

[00:27:16] Então, eu acho que é uma atividade…

[00:27:19] Super rentável.

[00:27:20] Outros países…

[00:27:21] Só que a gente ainda no Brasil engatinha no turismo, né?

[00:27:25] Eu acho que a gente tem um turismo de massa que já é muito institucionalizado,

[00:27:32] só que ter esse turismo mais sensorial, mais de contemplação, de aprendizado,

[00:27:39] eu acho que ainda tem muito o que fazer.

[00:27:43] Mas é, eu acho, muito importante.

[00:27:45] É uma atividade muito importante, sim.

[00:27:47] Agora, Gama, um…

[00:27:49] Um tema que se tornou bem contornável no debate público nos últimos tempos

[00:27:53] foi a questão da exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, né?

[00:27:58] E uma das coisas que muitas vezes se coloca é que isso vai gerar emprego,

[00:28:03] vai impactar o desenvolvimento local, que ambientalmente o risco é baixo.

[00:28:09] E essas são justificativas que muitas vezes são utilizadas para justificar esse tipo de empreitada.

[00:28:16] Qual é a tua visão em relação a…

[00:28:18] A…

[00:28:19] Dessa discussão e, enfim, você como sendo alguém que conhece muito bem a região,

[00:28:24] o que é que te passa na mente quando esse debate aparece?

[00:28:28] Eu vou te…

[00:28:29] Assim, debate pronto, eu acho que do ponto de vista ambiental,

[00:28:34] não tem estudo, não tem percepção de qual vai ser…

[00:28:39] Quais vão ser as consequências.

[00:28:42] Como eu falei, as consequências de uma intervenção demoram décadas para a gente perceber.

[00:28:49] Essa coisa de gerar emprego, quanto de emprego?

[00:28:57] Quantas pessoas?

[00:28:59] Então, eu vou dar exemplo de coisas que eu vi lá, né?

[00:29:07] Instalação de grandes hidrelétricas na Amazônia.

[00:29:11] Com esse mesmo discurso.

[00:29:12] Ah, gera emprego.

[00:29:14] Gera.

[00:29:15] Durante o tempo em que aquela…

[00:29:19] Aquela obra está sendo instalada.

[00:29:22] Porque, por exemplo, uma hidrelétrica vai ser construída,

[00:29:29] vai gerar um emprego grande.

[00:29:30] Só que, ao mesmo tempo que gera um emprego grande,

[00:29:34] gera um boom populacional ali, temporário.

[00:29:39] O que eu testei na Amazônia, numa grande hidrelétrica que foi instalada,

[00:29:44] foi que deu um boom de pessoas que não eram…

[00:29:49] Que não eram de lá, que foram migradas para lá e ficaram aquele período de três, quatro anos,

[00:29:56] eu não sei se é o certo, na obra.

[00:29:59] Depois que a obra é pronta, a geração de energia de uma grande hidrelétrica,

[00:30:05] que é importante, é importante, não sou contra, é importante, geração de energia, óbvio.

[00:30:11] Mas depois, aquela estrutura, aquela atividade é realizada por meia dúzia de pessoas.

[00:30:19] Porque tudo está pronto.

[00:30:21] E aquelas pessoas que foram migradas,

[00:30:24] constituem família durante os anos que estão lá,

[00:30:28] não voltam, geralmente não vão embora de lá,

[00:30:31] só que aí eles saem e volta a rotina normal, aquela região.

[00:30:37] Aí o que você deu?

[00:30:38] Você inflou o lugar de pessoas que depois que termina a obra não vão ter trabalho,

[00:30:49] você gera um problema social enorme,

[00:30:52] porque você tem muito mais gente no lugar que estava acostumado com meia dúzia de gente,

[00:30:56] vamos falar assim.

[00:30:58] E aí você tendo essa inflada de pessoas ali na sociedade,

[00:31:05] você começa… Sem emprego, sem dinheiro, sem trabalho,

[00:31:10] o que acontece? Começa a ter outros problemas, começa a ter o lado negativo das coisas,

[00:31:16] bandidagem, droga, etc, etc, etc.

[00:31:19] Então, eu acho que essa questão da exploração de petróleo na Foz do Amazonas,

[00:31:29] a minha pergunta é essa, o que precisa agora?

[00:31:33] Será que não tem outros lugares que sejam capazes de suprir o consumo de petróleo

[00:31:41] em áreas que já estão instaladas?

[00:31:44] A gente está indo, assim, a minha percepção,

[00:31:49] aleatória, a gente está indo mexendo em um lugar que é a Foz de um rio como o Amazonas.

[00:31:56] Todo aquele ecossistema local vai ser afetado,

[00:32:02] eu não estou falando como um cara naturalista que vê só o lado ecológico,

[00:32:09] não, não vejo só o lado ecológico, a gente tem que ter esse bom senso de

[00:32:12] ah, é preciso? É, então vai.

[00:32:15] Mas será que é preciso ali?

[00:32:17] Né?

[00:32:18] Será que existe…

[00:32:19] Existe essa estimativa e esse cálculo de quantas, vai ser gerado emprego?

[00:32:25] Vai, durante quanto tempo? E depois?

[00:32:28] Né, porque a produção de petróleo, depois que está instalada toda a estrutura

[00:32:33] para extrair o petróleo, não sei de engenheiro que vai mexer nisso, né, entre aspas, assim.

[00:32:40] Mas não vai ser aquele público, aquele povo que vai estar ali construindo, então,

[00:32:44] e eu acho que é isso, vai fazer? Se fizer?

[00:32:49] A gente vai perceber um efeito colateral danoso, não só na parte ecológica,

[00:32:56] mas na parte social da região daqui 20, 30 anos.

[00:33:02] Então, fica a minha dúvida, né.

[00:33:04] Dando, eu quero retomar um ponto que você falou várias vezes,

[00:33:07] que é o tempo, né, que você tem de, tanto de Amazonas, da floresta, né, amazônica,

[00:33:14] quanto o Candanal.

[00:33:16] O que é que você repara?

[00:33:18] Como há uma diferença, quando a gente fala sobre a Amazônia e o Pantanal, especificamente,

[00:33:23] ao longo desse tempo?

[00:33:25] Né, porque a gente, muitas vezes, pode ter a impressão de que a diferença é somente o desmatamento, né.

[00:33:30] A floresta, ela está diminuindo, ok.

[00:33:33] Mas há outras mudanças sociais ou econômicas ou até ambientais que você tenha reparado

[00:33:39] ao longo desses 30 anos de vivência tão próximo da natureza?

[00:33:42] Olha, eu tenho reparado do ponto de vista climático.

[00:33:48] Isso é falta.

[00:33:50] Tem áreas que não estão chovendo mais.

[00:33:53] A dinâmica das águas, né, mudou demais.

[00:33:59] Isso é notório, é perceptível, tanto no Pantanal quanto na Amazônia.

[00:34:04] É porque a gente vê, eu sempre tiro essas conclusões a partir de diálogos, assim.

[00:34:13] De ter conversado com as pessoas que vivem lá, que nasceram lá,

[00:34:17] que ouviram dos avós como era, sabe.

[00:34:21] E é fato, é notório, todo mundo fala isso, assim, a chuva está diminuindo.

[00:34:27] Então, do ponto de vista climático, eu percebo isso nesses dois biomas,

[00:34:31] que a água está acabando, está reduzindo a produção e o ciclo das águas.

[00:34:39] Mas a gente fala, nossa, é só chuva, só chuva, só chuva lá, chove demais.

[00:34:45] Pode, mas…

[00:34:46] Da mesma forma que chovia 5, 10 anos atrás, aí a gente está falando dessa temporalidade.

[00:34:53] Porque, assim, e isso eu aprendi muito com vocês nessa viagem,

[00:34:58] do ponto de vista da economia e da geopolítica, né.

[00:35:02] Não dá para falar de evolução humana sem falar de natureza.

[00:35:10] Não dá para pensar em geopolítica ou economia sem pensar a consolidação

[00:35:16] e a associação e o equilíbrio com a natureza.

[00:35:19] Não dá, a gente não está isolado.

[00:35:23] Vocês sabem disso, no sentido de as questões geopolíticas, né,

[00:35:28] de conflitos ou não, apaziguamentos entre países e coisa e tal,

[00:35:35] como era a evolução das grandes populações originárias daqueles determinados países,

[00:35:41] onde foi da…

[00:35:43] Sempre está associado com a natureza.

[00:35:45] Sempre está associado com a natureza.

[00:35:45] Sempre está associado com a natureza.

[00:35:46] Como é que o ser humano convive com a natureza, como ele se adapta à natureza.

[00:35:51] Sempre vou pensar, a gente é uma espécie que conseguiu ocupar todos os tipos de ambiente,

[00:36:00] dos extremos, do calor mais extremo, do frio mais extremo.

[00:36:05] Nenhum outro ser vivo, nenhuma outra espécie é capaz disso.

[00:36:10] A gente vive no Ártico, ao mesmo tempo que vive no Saara.

[00:36:15] Olha que loucura isso.

[00:36:16] Nenhum outro bicho faz isso.

[00:36:18] Nenhuma outra planta conseguiu essa evolução.

[00:36:23] Então, não sei se eu me perdi na sua pergunta,

[00:36:27] mas eu acho que as mudanças são perceptíveis.

[00:36:32] Eu percebo muito no clima isso,

[00:36:36] porque é notório, se você desmata uma determinada área

[00:36:39] ou se você queima repetidamente uma determinada área,

[00:36:44] esse é um grande problema, porque…

[00:36:46] O ser humano que bota queimadas estrondosas, enormes,

[00:36:52] ele não percebe o que vai acontecer daqui a 10 anos.

[00:36:55] Porque queimou esse ano, ano que vem brota.

[00:36:59] Queimou de novo, brota de novo.

[00:37:01] Mas daqui a 10 anos não brota mais.

[00:37:03] Daqui a 15 anos não brota mais.

[00:37:05] E aí, se não tem área úmida, não tem chuva.

[00:37:11] Sabe, é uma equação simples até de se pensar.

[00:37:14] Então…

[00:37:16] Eu tenho visto, sim, tenho visto.

[00:37:19] Tenho visto essas alterações, sim.

[00:37:21] Tenho visto que está mudando.

[00:37:23] E o clima é um grande alerta.

[00:37:27] É uma sirene que está na nossa frente.

[00:37:30] Oh, vocês estão mudando.

[00:37:31] Oh, vocês estão mudando.

[00:37:34] Recentemente, não sei se vocês viram uma notícia,

[00:37:37] eu acho que, não sei se é no Oceano Índico,

[00:37:39] ou é no Oceano Índico, eu acho que a parte do…

[00:37:45] Desculpa.

[00:37:46] As águas quentes de alguns oceanos,

[00:37:49] as áreas mais quentes de alguns oceanos,

[00:37:51] todos os corais, eles estão morrendo

[00:37:54] e já estão chegando ao ponto de não retorno.

[00:37:57] Não vão nascer mais.

[00:37:59] Ah, mas é um coral.

[00:38:01] Não é um coral.

[00:38:03] É a água que está quente.

[00:38:05] É a água que está quente onde o peixe que a gente come vive.

[00:38:09] Sabe?

[00:38:11] Então, tem que pensar de uma maneira macro.

[00:38:13] E tem que pensar de uma maneira meio holística.

[00:38:15] Meio holística, assim, sabe?

[00:38:17] Porque tudo está conectado.

[00:38:19] Tudo está conectado.

[00:38:21] Acho que a palavra é essa.

[00:38:23] Tudo está conectado na expressão.

[00:38:25] Mas a gente pode falar de coisa boa.

[00:38:27] Vamos falar de coisa boa.

[00:38:29] Ah, por favor.

[00:38:30] Por favor, eu estou quase chorando aqui.

[00:38:32] Então, eu quero falar de uma coisa boa,

[00:38:34] que o Daniel adiantou no início dessa nossa conversa.

[00:38:37] A história da foto da nota de 50 reais.

[00:38:40] Não sei se o pessoal que está ouvindo a gente

[00:38:42] achou que era brincadeira.

[00:38:43] Não é brincadeira, né?

[00:38:44] Quem tem uma nota de 50 reais na carteira,

[00:38:46] não que alguém tenha hoje, né?

[00:38:47] Todo mundo usa cartão e pix.

[00:38:49] Mas quando teve nota de 50 reais,

[00:38:51] você carregou uma foto de Adriano Gambarini

[00:38:54] na sua carteira.

[00:38:56] Como é que foi, ô Gamba?

[00:38:57] Me conta aí.

[00:38:58] Como é que foi essa história de tirar foto?

[00:39:00] Adriano Gambarini que ficou multimilionário com essa foto.

[00:39:03] Por favor, fique com o registro.

[00:39:04] Ah, porque o passeio pelo mundo, não sei o quê.

[00:39:07] Porque ele está multimilionário.

[00:39:08] É por isso.

[00:39:09] Na realidade, eu estou sentindo uma segunda intenção no Daniel.

[00:39:13] Ele está replicando essa informação

[00:39:17] porque, no fundo, ele quer que eu contrate ele

[00:39:19] como meu assessor econômico.

[00:39:23] Gestor de patrimônio.

[00:39:24] Olha que lindo.

[00:39:26] Eu vou te contratar para gerir o meu arquivo fotográfico, cara.

[00:39:31] Que eu já perdi a conta.

[00:39:35] Ele não diferencia cores muito bem, tá, Gamba?

[00:39:37] Eu não sei se é a pessoa mais, porra, mais adequada para isso.

[00:39:41] Mas você tenta aí.

[00:39:42] Mas ele faz o seguinte, fala que é tudo preto e branco,

[00:39:45] porque aí vira vintage, é fine art, é chique a foto preto e branco, etc.

[00:39:50] Mas, bom, a nota de 50 foi o seguinte, assim, como eu falei,

[00:39:55] durante todo o tempo que a National Geographic esteve no Brasil,

[00:39:59] eu trabalhei como fotógrafo para a National, né?

[00:40:02] E uma das matérias, a primeira matéria, na realidade,

[00:40:05] a National entrou no Brasil, acho que em 2000.

[00:40:08] Eu já tinha publicado para a National americana.

[00:40:11] E aí, logo que entrou a revista, né?

[00:40:14] Ainda existe o site, vamos falar isso, mas a revista não existe mais.

[00:40:18] E quando ela entrou no Brasil, a primeira matéria que eu ofereci

[00:40:23] foi sobre onça-pintada.

[00:40:25] Porque eu trabalhava, e até hoje eu trabalho,

[00:40:28] junto com pesquisadores de um instituto que se chama Procarnívoros,

[00:40:32] que é um instituto que trabalha com todos os tipos de carnívoros brasileiros, nativos, né?

[00:40:39] Eu ofereci uma matéria para eles, publiquei a matéria.

[00:40:44] Fui, produzi a matéria e tal, publiquei a matéria.

[00:40:47] E uma das fotos que foi publicada na revista,

[00:40:52] depois de alguns anos, que eu não lembro exatamente quando,

[00:40:56] que teve a virada da produção, quando o Brasil mudou a nota do Real Antiga para o que hoje está,

[00:41:06] estava muito bem quieto na minha casa.

[00:41:09] Recebi uma ligação.

[00:41:11] Alô, aqui é o fulano de tal da Casa da Moeda do Brasil e não sei o quê.

[00:41:19] Eu tentando reconhecer a voz, né?

[00:41:22] Falei, isso é trote, algum amigo passando trote.

[00:41:24] Nós vimos uma foto sua publicada na National Geographic,

[00:41:28] e a gente queria conversar com você a respeito de utilizar a foto

[00:41:34] como referência para o desenho do Brasil.

[00:41:38] O desenho da…

[00:41:40] Cara, juro, eu fiquei alguns minutos tentando reconhecer aquela voz.

[00:41:45] Bom, resumida, era verdade.

[00:41:47] Eu tratei com eles, mandei a foto para eles e está aí até hoje para quem tem a nota.

[00:41:52] Porque tem duas fotos, tem dois desenhos na nota de 50.

[00:41:56] Tem um desenho que é mais traço, ilustrativo mesmo, que dá para você ver que é uma ilustração.

[00:42:02] E o outro, ele é muito…

[00:42:04] O desenho, eu fiquei muito feliz, porque ele é muito fidedigno à minha foto.

[00:42:08] Então, ela está ali, assim.

[00:42:11] Provavelmente essa onça já foi morta, porque faz muito tempo.

[00:42:15] Ou morreu de morte morrida, como diz o interior.

[00:42:19] Mas foi assim que aconteceu.

[00:42:21] Foi assim que aconteceu.

[00:42:23] Foi uma ligação casual, assim.

[00:42:25] E é muito legal.

[00:42:27] Fico muito feliz que isso tenha acontecido, porque eu mostro…

[00:42:31] E aí, assim, em palestras que eu dou, eu mostro a foto e mostro o desenho, sabe?

[00:42:36] A nota, assim.

[00:42:38] E é isso.

[00:42:40] Basicamente é uma história simples, assim.

[00:42:42] Mas foi bem interessante.

[00:42:44] É uma história que é legal contar, que é legal levar, que é legal saber.

[00:42:50] Imagina, uma super história.

[00:42:52] Hoje eu vivo de brisa, assim, sabe?

[00:42:55] Eu nunca fui muito ligado a isso.

[00:42:57] E agora muito bem.

[00:43:00] Acho que é legal ter a onça, né?

[00:43:03] A onça foi…

[00:43:04] É, isso que eu queria te contar, assim.

[00:43:05] Para finalizar também.

[00:43:07] A sua ligação com as onças, né?

[00:43:08] Porque a gente esteve na África, por exemplo.

[00:43:10] A gente esteve lá em Ruanda, né?

[00:43:11] E deu para ver, assim, o prazer que você tinha em fotografar os gorilas, por exemplo.

[00:43:15] Mas quando a gente foi no safári, né?

[00:43:17] A gente esteve no safári também, na Zâmbia.

[00:43:20] A sua ligação com os felinos me parece algo diferente.

[00:43:23] Você lá falava o tempo todo sobre as onças, né?

[00:43:27] As onças no Brasil, as onças pintadas e tal, que são uma espécie única.

[00:43:30] Queria que você falasse um pouquinho disso, né?

[00:43:32] Para a gente encerrar o nosso papo aqui.

[00:43:33] Que eu sei que é um tema que te apaixona muito, né?

[00:43:35] Essa sua ligação com as onças.

[00:43:36] Assim, eu tenho que…

[00:43:38] Geral, assim, eu trabalho com todos os tipos de fala, assim, sabe?

[00:43:43] De bicho.

[00:43:44] Eu não tenho…

[00:43:46] Né?

[00:43:47] Eu já trabalhei com onça pintada, lobo-guará.

[00:43:50] Fiz um livro sobre lobo-guará, que ganhou o Jabuti.

[00:43:53] Pato-mergulhão, que é uma das dez espécies de aves aquáticas mais ameaçadas do mundo.

[00:43:59] Eu fiquei dez anos fotografando, né?

[00:44:01] Produzi um livro, várias matérias para a National Academy.

[00:44:04] E, assim, eu…

[00:44:05] Só que a onça foi uma coisa que…

[00:44:08] Os carnívoros, de modo geral, né?

[00:44:10] Como eu, na época da USP ainda, quando eu estava na faculdade, eu conheci pesquisadores de carnívoros brasileiros, né?

[00:44:19] Fiz amizade.

[00:44:20] E aí, eles tinham toda essa dedicação.

[00:44:23] Porque eu me alimento dessa dedicação dos pesquisadores, assim, sabe?

[00:44:27] A dedicação que os caras têm àquela história, àquela história.

[00:44:33] Aquele animal.

[00:44:36] Ao que…

[00:44:37] A querer reverter determinada situação.

[00:44:41] Se o bicho está ameaçado ou não.

[00:44:43] Sabe?

[00:44:44] De entender o bicho.

[00:44:45] De perceber a importância desse bicho para o todo.

[00:44:48] Para o ecossistema, para o bioma.

[00:44:50] Eu…

[00:44:51] Foi justamente com esses pesquisadores que eu comecei a documentar carnívoros.

[00:44:58] Sabe?

[00:44:59] Primeiro foi onça pintada.

[00:45:00] Depois foi lobo-guará.

[00:45:01] Só que a onça pintada…

[00:45:02] Só que a onça pintada, ela tem esse estigma do grande felino.

[00:45:06] Né?

[00:45:07] Do grande bicho brasileiro.

[00:45:10] O maior predador brasileiro.

[00:45:12] Vamos pensar assim.

[00:45:13] Sabe?

[00:45:14] Da América do Sul.

[00:45:15] E eu gosto também de pensar nos predadores.

[00:45:19] A gente tem predador e presa.

[00:45:21] Os predadores…

[00:45:22] É muito interessante.

[00:45:23] Porque você olha…

[00:45:25] Né?

[00:45:26] A gente foi para um safári.

[00:45:28] Né?

[00:45:29] Aí você vê um predador pegando uma presa.

[00:45:31] Né?

[00:45:32] Todo mundo…

[00:45:33] Ah!

[00:45:34] Tadinho da presa!

[00:45:35] Tadinho da capivara!

[00:45:36] Tadinho do jacaré!

[00:45:37] Bom, só que você não sabe que enquanto uma onça dote filhotes a cada um ou dois anos,

[00:45:42] uma capivara produz filhotes a rodo.

[00:45:43] Então existe esse equilíbrio.

[00:45:44] Então eu sempre olho os predadores de uma maneira muito carinhosa, pensando…

[00:45:47] Pô, o que os caras pensam?

[00:45:48] É…

[00:45:49] É…

[00:45:50] É…

[00:45:51] É…

[00:45:52] É…

[00:45:53] É…

[00:45:54] É…

[00:45:55] É…

[00:45:56] É…

[00:45:57] É…

[00:45:58] É…

[00:45:59] É…

[00:46:00] É…

[00:46:01] É…

[00:46:02] É…

[00:46:03] É…

[00:46:04] É…

[00:46:05] É…

[00:46:06] É…

[00:46:07] É…

[00:46:08] É…

[00:46:09] É…

[00:46:10] É…

[00:46:11] É…

[00:46:12] É…

[00:46:13] É…

[00:46:14] É…

[00:46:15] É…

[00:46:16] É…

[00:46:17] É…

[00:46:18] É…

[00:46:19] É…

[00:46:20] É…

[00:46:21] É…

[00:46:22] É…

[00:46:23] É…

[00:46:24] É…

[00:46:25] É…

[00:46:26] É…

[00:46:27] É…

[00:46:28] É…

[00:46:29] É…

[00:46:30] da onça pintada, porque eu trabalhei muito

[00:46:32] com onça parda, a nossa

[00:46:34] sussuarana, o puma americano

[00:46:36] que tem

[00:46:37] no continente americano

[00:46:40] eu gosto

[00:46:42] dessa

[00:46:43] perspicácia que esses

[00:46:46] bichos tem, de poder

[00:46:48] se dar bem

[00:46:50] nesse ambiente, não porque

[00:46:52] ele é o maior ou mais forte

[00:46:54] mas porque

[00:46:55] o equilíbrio, quando você percebe

[00:46:58] esse equilíbrio, que você tem uma onça

[00:47:00] para centenas

[00:47:02] de capivaras, ou você tem

[00:47:04] um leão para centenas de

[00:47:06] antílopes ali, e que não é

[00:47:08] fácil para o leão caçar um antílope

[00:47:10] não é fácil

[00:47:11] então eu vejo que o bicho tem

[00:47:14] que ser malandro, ele tem que ser esperto

[00:47:16] então eu gosto dessa

[00:47:17] relação, olhando

[00:47:20] do ponto de vista para o

[00:47:22] predador, para a onça

[00:47:24] para o leão, para o leopardo

[00:47:26] para o gorila e por aí vai

[00:47:28] é isso. Maravilha

[00:47:30] Maravilha. Gambarini

[00:47:32] prazer te receber aqui, prazer

[00:47:34] a gente estava falando

[00:47:36] sobre essa possibilidade já de conversar com você

[00:47:38] aqui no Petir com Vida, há bastante

[00:47:40] tempo, queria agradecer não apenas

[00:47:42] sua presença, mas também todo mundo que está acompanhando

[00:47:44] a gente, nessa live que a gente faz no YouTube

[00:47:46] todo mundo que acompanha também pelo podcast

[00:47:48] assinem o canal do Petir Jornal

[00:47:50] se inscrevam, para a gente faz muita

[00:47:52] diferença, comentem lá o que acharam

[00:47:54] e sigam o Gambarini

[00:47:56] nas redes sociais

[00:47:58] o Instagram dele é excelente também

[00:48:00] ajuda muito a entender boa parte

[00:48:02] do que ele está vendo, o olhar que ele tem

[00:48:04] um olhar bastante diferente

[00:48:06] por ser fotógrafo, por ter um olhar mais treinado

[00:48:08] e nos vemos numa próxima oportunidade

[00:48:10] Gambarini, muito obrigado

[00:48:12] com certeza, um abraço

[00:48:13] obrigado também, obrigado Daniel

[00:48:15] gente, obrigado mesmo, obrigado

[00:48:17] por quem está por aí, nos vemos

[00:48:20] em breve, nos vemos, um abraço, valeu

[00:48:22] tchau, tchau

[00:48:23] Petir Jornal

[00:48:25] inteligência e irreverência em doses

[00:48:28] diárias

[00:48:30] acesse www.petijornal.com.br