[Método Exposto] 9. Por que fazer aquilo que não te deixa rico?


Resumo

O episódio inicia discutindo a importância central do dinheiro na vida moderna, conectando-o a necessidades básicas como moradia, alimentação e saúde. Ele apresenta estudos que mostram como a pobreza impacta negativamente a saúde física, mental e a capacidade cognitiva, tornando as pessoas vulneráveis a promessas de enriquecimento rápido.

A narrativa então critica a filosofia da ‘autoresponsabilização’ promovida por alguns coaches, que coloca todo o peso do sucesso ou fracasso no indivíduo. Citando o livro ‘A Sociedade do Cansaço’, de Byung-Chul Han, o episódio descreve como essa mentalidade de desempenho leva a um ciclo de autoexploração, onde a pessoa é simultaneamente explorador e explorado, resultando em um constante sentimento de culpa por não ser produtivo o tempo todo.

O programa explora como essa lógica utilitarista corrompe hobbies e relacionamentos, transformando atividades de lazer em potenciais fontes de renda e amizades em networking. Através de vinhetas humorísticas com o personagem Pedro, ilustra-se a frustração de tentar monetizar paixões pessoais, como a ideia absurda de abrir um negócio de ‘ovo mexido’.

Finalmente, o episódio argumenta pela importância de reservar tempo para atividades que simplesmente proporcionam bem-estar, citando estudos que mostram os benefícios do lazer para a saúde, humor e até para a produtividade no trabalho. Conclui que, após superar a pobreza extrema, é crucial equilibrar a busca por recursos financeiros com a atenção a outras necessidades humanas fundamentais.


Indicações

Books

  • A Sociedade do Cansaço — Livro do filósofo Byung-Chul Han, citado para descrever a mudança da sociedade disciplinar para a sociedade de desempenho, onde nos tornamos opressores de nós mesmos em um ciclo de autoexploração.

Studies

  • Estudo da revista The Lancet (2011) — Mostra que a pobreza reduz a expectativa de vida tanto quanto o sedentarismo, sendo um forte indicador de morbidade e mortalidade prematura.
  • Estudo da Universidade de Princeton (Science, 2013) — Demonstrou que pessoas em situação de pobreza sofrem um prejuízo cognitivo estimado em até 13 pontos de QI, impacto similar a virar uma noite acordado.
  • Estudo da Universidade da Califórnia (2015) — Identificou que hobbies e atividades de lazer impactam positivamente na saúde e felicidade, melhorando o humor e reduzindo o estresse.
  • Artigo científico sobre isolamento social (2021) — Mostra que intervenções em grupo durante períodos de isolamento melhoraram a conexão social e a saúde mental, ajudando a lidar com depressão leve e moderada.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Introdução ao Método Exposto e à primeira temporada — Carlos Merigo apresenta o podcast ‘Método Exposto’, uma série original Audible que investiga táticas usadas por empresas e influenciadores para capturar atenção e dinheiro. Anuncia que a primeira temporada, focada em coaches e influenciadores, está sendo disponibilizada gratuitamente, e que a segunda temporada será lançada em breve.
  • 00:04:19A reflexão central: atividades que não geram riqueza — O episódio propõe uma reflexão sobre o valor de fazer coisas que não nos deixam ricos, mas que podem aliviar um peso das costas. São citadas frases comuns do universo motivacional, como ‘Trabalhe enquanto eles dormem’ e ‘Trabalhe com o que você ama e nunca mais vai precisar trabalhar na vida’, estabelecendo o tom crítico.
  • 00:08:31Estudos sobre os impactos da pobreza — O narrador cita estudos científicos para fundamentar a importância do dinheiro. Um estudo da revista The Lancet mostra que a pobreza reduz a expectativa de vida tanto quanto o sedentarismo. Outras pesquisas relacionam a pobreza a maior vulnerabilidade a depressão, demência e a um prejuízo cognitivo equivalente a perder uma noite de sono.
  • 00:12:07A filosofia da autoresponsabilização e seus custos — O episódio critica o pilar da ‘autoresponsabilização’ no coaching, onde o fracasso é sempre culpa do indivíduo por não se esforçar o suficiente. Isso é conectado à ideia de ‘sociedade do desempenho’ do filósofo Byung-Chul Han, onde nos tornamos opressores de nós mesmos, levando à autoexploração e a um sentimento constante de culpa.
  • 00:17:55A perda do lazer e a corrupção dos hobbies — Discute-se como a mentalidade utilitarista faz com que abandonemos atividades de puro prazer, como andar de bicicleta sem destino ou aprender um instrumento. Tudo passa a ser julgado pelo seu retorno financeiro imediato. Isso leva à ‘monetização do hobby’, onde tentamos transformar paixões em negócios, muitas vezes sem sucesso, o que gera nova frustração.
  • 00:25:16A importância científica do lazer e das relações sociais — O episódio apresenta evidências contrárias à lógica puramente utilitarista. Um estudo de 2015 mostra que hobbies melhoram o humor, reduzem o estresse e trazem benefícios à saúde. Outras pesquisas destacam a necessidade biológica da conexão social e como o isolamento prejudica a saúde mental, argumentando que lazer e vida social são tão importantes quanto alimentação e exercícios.
  • 00:29:20Hobbies como vantagem competitiva e a conclusão paradoxal — Para contornar o sentimento de culpa, o episódio oferece um argumento pragmático: estudos indicam que pessoas com hobbies são mais produtivas no trabalho e têm vantagem na resolução de problemas. A conclusão reconhece a contradição de usar a produtividade para justificar o lazer, mas ressalta que é mais contraditório ainda sentir culpa por fazer algo que é benéfico para a saúde e, de quebra, pode melhorar o desempenho profissional.

Dados do Episódio

  • Podcast: Braincast
  • Autor: B9
  • Categoria: Business Technology Society & Culture
  • Publicado: 2025-11-25T13:00:00Z
  • Duração: 00:33:08

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Olá, eu sou o Carlos Merigo e continuo dividindo com você, aqui no Feed do Braincast,

[00:00:06] esse trabalho muito legal que o B9 desenvolveu com a Audible.

[00:00:09] Estou falando do método exposto.

[00:00:11] Esse original Audible mistura investigação, narrativa e humor

[00:00:14] para explorar as táticas, as fórmulas, os artifícios, as artimanhas que algumas empresas,

[00:00:21] instituições e influenciadores utilizam para capturar sua atenção, admiração e o seu rico dinheirinho.

[00:00:27] Nessa primeira temporada, o nosso foco foram os coaches e influenciadores

[00:00:30] e até hoje esse conteúdo estava disponível lá na Audible.

[00:00:34] Mas, como a gente vai lançar aí a segunda temporada,

[00:00:36] o B9 e a Audible decidiram disponibilizar a primeira temporada de graça,

[00:00:41] sem custos para você, que é ouvinte do Braincast.

[00:00:46] Sobre a segunda temporada, que vai ser lançada no próximo dia 2 de dezembro,

[00:00:49] eu ainda não posso divulgar o tema central dela, mas eu aposto que você vai gostar, tá?

[00:00:55] Enquanto ela não chega, fica aqui com mais um…

[00:00:57] episódio da primeira temporada de Método Exposto.

[00:01:00] E claro, vai lá na Audible para maratonar e dar todas as estrelas que essa série merece,

[00:01:04] dá para você testar a Audible de graça e ouvir tudo.

[00:01:11] Eu tô me amarrando no job, mãe.

[00:01:13] Uma empresa é enorme, o tamanho, sei lá, de um shopping.

[00:01:16] Tem vestiário, cantina, sala de jogos, spa.

[00:01:19] E a gente trabalha com um monte de marca gigante.

[00:01:21] Qualquer marca que você pensar, de qualquer área, a gente presta serviço para todas, na moral.

[00:01:25] E pô…

[00:01:27] A galera é gente fina demais, parceiraça.

[00:01:29] Eu mal cheguei e os caras me tratam como se eu fosse praticamente da família.

[00:01:32] Eu tô sendo super bem recebido, o ambiente é muito, muito, muito agradável.

[00:01:37] Não tem uma pressão, não tem estresse.

[00:01:39] Ninguém fica te cobrando, não enche o saco.

[00:01:41] Cara, na moral, nem parece trabalho.

[00:01:44] Quanto eles estão te pagando mesmo, Pedro?

[00:01:50] Poucas coisas são tão fáceis de entender quanto a importância do dinheiro.

[00:01:55] Não é preciso estudar.

[00:01:57] Não é preciso pesquisar economistas famosos.

[00:01:59] Na verdade, você nem precisa pensar muito.

[00:02:03] É só passar alguns minutos no mundo real para enxergar que, sem grana,

[00:02:07] tudo acaba sendo mais difícil.

[00:02:09] Ou até impossível.

[00:02:11] No mundo moderno, o dinheiro se tornou quase tão essencial quanto água potável,

[00:02:16] alimento ou sono.

[00:02:18] Garantir recursos financeiros é tão importante quanto suprir as nossas necessidades biológicas mais fundamentais.

[00:02:25] Até porque…

[00:02:27] Para comer e beber no mundo de hoje, você precisa de algum dinheiro.

[00:02:31] E se você está pensando para dormir, não.

[00:02:35] Pergunta para alguém que está com contas atrasadas há mais de seis meses.

[00:02:42] E eu não sei você, mas para eu ganhar meu suado dinheirinho,

[00:02:47] muitas vezes eu abro mão de boas horas de sono.

[00:02:51] Seja para, de fato, produzir alguma coisa pesquisando para escrever o texto desse original,

[00:02:57] seja porque eu estou preocupado com alguma pendência no trabalho.

[00:03:12] Esse é o Método Exposto, um original Audible.

[00:03:16] Antes da gente começar, os avisos legais.

[00:03:19] Qualquer crítica feita aqui não deve ser entendida nem de forma personalizada,

[00:03:24] nem por toda a classe de profissionais,

[00:03:26] sejam coachs ou influenciadores.

[00:03:29] Respeitamos muito aqueles que, de fato,

[00:03:31] estão preocupados em ajudar as pessoas a se desenvolverem financeira,

[00:03:36] profissional e pessoalmente.

[00:03:38] Vale dizer que a intenção deste conteúdo é te informar e entreter.

[00:03:43] É te instigar a refletir e pensar por conta própria.

[00:03:47] De maneira alguma, este conteúdo deve ser considerado como conselhos financeiros ou legais.

[00:03:53] Ele não se propõe a substituir a orientação

[00:03:56] de um profissional médico, coach profissional, psicoterapeuta

[00:04:01] ou outro profissional qualificado.

[00:04:03] Todas as suas decisões relacionadas aos seus investimentos, finanças, profissão,

[00:04:08] assim como os seus hábitos pessoais,

[00:04:11] devem ser tomadas com o auxílio de profissionais habilitados e certificados.

[00:04:19] E no episódio de hoje, uma reflexão que não vai te deixar rico,

[00:04:24] mas que talvez tire um grande risco.

[00:04:25] Um grande peso das suas costas.

[00:04:28] Quer se destacar? Trabalhe enquanto eles dormem.

[00:04:32] Você atrai o que pensa.

[00:04:34] Pare de encontrar defeitos. Encontre soluções.

[00:04:38] Dinheiro na poupança? A maior roubada.

[00:04:41] Trabalhe com o que você ama e nunca mais vai precisar trabalhar na vida.

[00:04:47] A tristeza que você vive é culpa sua.

[00:04:53] Para além das nossas questões,

[00:04:55] necessidades básicas como comer, beber e dormir,

[00:04:59] a gente também precisa de dinheiro para um monte de outras coisas.

[00:05:03] Eu não estou nem falando de coisas como viajar, comprar uma roupa nova,

[00:05:08] pedir comida pelo aplicativo ou pegar um cineminha domingo à tarde.

[00:05:13] Às vezes, a gente esquece que todas as nossas necessidades mais rotineiras

[00:05:19] dependem de dinheiro.

[00:05:21] Isso fica claro para quem vai morar sozinho pela primeira vez.

[00:05:25] Normalmente, quando a gente se prepara para essa importante fase da vida,

[00:05:30] a gente faz contas e mais contas para descobrir se vamos ter grana suficiente

[00:05:35] para o aluguel, IPTU, água, luz, internet.

[00:05:39] É, talvez a conta do streaming eu vá ter que rachar.

[00:05:44] E depois de instalados na nossa própria casa, no nosso próprio cantinho,

[00:05:49] vem a descoberta que aquelas coisinhas aparentemente bobas,

[00:05:53] que parecem se mesclar ao ambiente,

[00:05:55] na casa da nossa família, são na verdade bem importantes.

[00:05:59] E muitas vezes, bastante caras.

[00:06:03] Antes da gente morar sozinho,

[00:06:05] dificilmente a gente pensa de onde vieram os talheres,

[00:06:09] o escorredor de pratos ou aquele escovão do banheiro.

[00:06:12] Sabe aquela escova que parece uma girafa e que mora ao lado do vaso sanitário?

[00:06:17] Pois é.

[00:06:18] Mas a verdade é que todos os itens que a gente tem em casa custou algum dinheiro

[00:06:23] e podem fazer muita falta.

[00:06:26] Seu total deu R$307,45.

[00:06:30] Vai pagar em dinheiro, crédito ou débito.

[00:06:32] Oi? Desculpa, eu acho que não ouvi direito.

[00:06:35] Qual o valor que você falou?

[00:06:36] R$307,45.

[00:06:39] Não, não é possível tudo isso.

[00:06:41] Dinheiro, crédito ou débito.

[00:06:43] Será que deu algum erro?

[00:06:44] Não tem erro nenhum, querido.

[00:06:46] Seu carrinho de compras estava cheio.

[00:06:47] Você esperava que fosse de graça?

[00:06:49] Desculpa, mas é que eu acabei de me mudar

[00:06:51] e agora eu estou morando sozinho pela primeira vez.

[00:06:53] Essa é a primeira compra grande que eu faço

[00:06:55] e eu ainda não sei, não estou muito acostumado com o preço das coisas.

[00:06:58] Eu já sei, eu vou tirar a doces, os biscoitos.

[00:07:01] Estou precisando emagrecer mesmo.

[00:07:03] O total agora fica R$258,23.

[00:07:08] Tá, eu vou tirar também as carnes.

[00:07:11] Já estava pensando em virar vegetariano.

[00:07:14] O total agora é R$170,51.

[00:07:19] Eu vou tirar frutas, legumes, verduras.

[00:07:22] Eu não preciso comer saudável toda hora.

[00:07:24] Total R$130,09.

[00:07:28] Eu também não vou levar produto de empena.

[00:07:30] Quem precisa de faxina?

[00:07:31] Dá para viver sem faxina.

[00:07:32] R$70,31.

[00:07:36] Quer saber?

[00:07:37] Eu só vou levar um pão, uns ovos e papel higiênico.

[00:07:41] Só o essencial mesmo, é só o que eu preciso.

[00:07:43] Ótimo.

[00:07:46] Nós já falamos do dinheiro para morar em uma casa funcional,

[00:07:50] beber água, comer e dormir.

[00:07:52] Agora só falta tudo o resto.

[00:07:54] Traçar esse paralelo entre a importância do dinheiro,

[00:07:59] as necessidades básicas e a vida cotidiana pode soar meio forçado.

[00:08:03] Mas quando observamos os impactos que as pessoas mais pobres sofrem,

[00:08:08] essa relação fica bem mais nítida.

[00:08:10] Um estudo publicado pela revista médica The Lancet

[00:08:14] traz evidências de que a pobreza reduz a expectativa de vida

[00:08:18] tanto quanto o sedentarismo.

[00:08:20] E mais do que os conhecidos inimigos da saúde,

[00:08:23] como hipertensão, obesidade e alcoolismo.

[00:08:27] O estudo, publicado em 2011, diz que

[00:08:31] O baixo nível socioeconômico é um dos mais fortes indicadores

[00:08:35] de morbidade e mortalidade prematura em todo o mundo.

[00:08:39] Além de um risco direto à saúde física,

[00:08:42] os impactos psicológicos também são devastadores.

[00:08:47] Um relatório de 2011 identificou

[00:08:49] uma relação entre pobreza e problemas psicológicos

[00:08:53] em países de baixa e média renda, incluindo o Brasil.

[00:08:57] A pesquisa mostrou que os brasileiros mais pobres

[00:09:00] estão mais vulneráveis à depressão, demência

[00:09:04] e outros transtornos neuropsiquiátricos.

[00:09:07] Para piorar ainda mais, um estudo conduzido

[00:09:10] por um time internacional da Universidade de Princeton

[00:09:14] e publicado pela revista Science em 2013,

[00:09:18] demonstrou que pessoas em situação de pobreza

[00:09:20] sofrem um considerável prejuízo cognitivo,

[00:09:24] perdendo uma capacidade intelectual estimada em até 13 pontos de QI.

[00:09:29] É o mesmo impacto sofrido por alguém

[00:09:32] que vira uma noite inteira acordado.

[00:09:35] Mas, apesar de todas essas evidências serem importantes

[00:09:39] para entender o reflexo da falta de dinheiro,

[00:09:43] elas apenas reforçam o sentimento que a maioria das pessoas

[00:09:46] que já passou por essas dificuldades já conhecem.

[00:09:50] A falta de dinheiro toma conta da nossa cabeça

[00:09:55] e prejudica a nossa capacidade de funcionar normalmente.

[00:09:59] É como ser afogado pelas dificuldades financeiras,

[00:10:03] investindo toda a energia que nos resta

[00:10:06] em colocar o nariz para fora e respirar um pouco.

[00:10:09] Dentro de todo esse desespero e procurando uma alternativa

[00:10:14] para sair de vez dessa situação,

[00:10:16] nos tornamos bastante vulneráveis a qualquer ideia que pareça nos ajudar.

[00:10:21] Pessoas com grandes dificuldades financeiras são alvos fáceis

[00:10:25] para quem gosta de lucrar com o desespero dos outros.

[00:10:29] Porque, quando estamos nos afogando,

[00:10:32] qualquer corda que joguem na nossa direção parece uma boa ajuda.

[00:10:38] Para alguns coachs e influenciadores de finanças,

[00:10:41] usar essa vulnerabilidade é uma forma

[00:10:44] de atrair uma audiência cativa.

[00:10:46] São pessoas dispostas a engajar,

[00:10:49] que estão atentas a qualquer dica para sair do sufoco.

[00:10:53] Mesmo que a dica seja estratégias para conquistar

[00:10:57] o primeiro milhão ganhando pouco.

[00:11:01] Ah, você acha que eu estou brincando?

[00:11:03] Pois é só dar uma busca na internet para você ver

[00:11:06] quantos influenciadores prometem essa façanha.

[00:11:11] Vai ser uma boate.

[00:11:12] Uma boate, não.

[00:11:13] Um clube.

[00:11:14] Não, um clube não.

[00:11:15] Um espaço de entretenimento.

[00:11:18] Cinco andares, pista de dança, palco para show, camarote VIP, restaurante, bar, casa de swing.

[00:11:24] Que viagem, brother.

[00:11:25] Com que grana tu pretende abrir um negócio desses?

[00:11:27] Eu tenho assistido uns vídeos na internet.

[00:11:29] Tem uns especialistas que fazem uns cálculos.

[00:11:31] Eles sacam do assunto.

[00:11:32] Os caras mostram quanto de dinheiro a gente precisa juntar

[00:11:35] para conseguir o que a gente quer.

[00:11:37] Eu só preciso guardar uma graninha todo mês.

[00:11:39] Pedro, tu só tem grana para pagar o aluguel e olhe lá.

[00:11:42] Como é que tu vai conseguir guardar um dinheirinho?

[00:11:45] Moleque, fácil.

[00:11:46] Eu vou conseguir um segundo trabalho fora da agência.

[00:11:48] Que trabalho é esse, Pedro?

[00:11:50] Sei lá, irmão.

[00:11:51] Eu posso virar motorista de aplicativo, passear com cachorro.

[00:11:54] Eu posso trabalhar de babá.

[00:11:55] De babá?

[00:11:56] Sim, eu levo o jeito com criança.

[00:11:57] Nunca te vi interagindo com nenhuma criança, cara.

[00:12:00] É porque eu não conheço nenhuma criança, mas elas me adoram.

[00:12:02] Eu sou tipo o rei dos baixinhos.

[00:12:04] Não tem como esse plano dar errado.

[00:12:07] Um dos pilares do ensinamento de certos coachs é a autoresponsabilização.

[00:12:12] A ideia de que devemos nos enxergar como protagonistas das nossas vidas

[00:12:17] e não culpar outras pessoas pelas coisas que acontecem com a gente.

[00:12:22] A ideia parece até boba quando você não está dentro do contexto.

[00:12:27] Mas se resume em, se não deu certo, é porque você não se esforçou o suficiente.

[00:12:33] No segundo episódio do Método Exposto, o seu sucesso depende apenas de você?

[00:12:40] Eu apresentei essa ideia

[00:12:42] com profundidade e mostrei por que ela não se sustenta.

[00:12:46] Hoje, eu quero falar sobre o custo emocional e pessoal disso.

[00:12:51] Se você ainda não escutou o nosso segundo episódio ou quer lembrar o que é

[00:12:56] autoresponsabilização, aqui vai a definição de uma respeitada instituição de coaching.

[00:13:02] Autoresponsabilidade é a capacidade da gente se responsabilizar por tudo aquilo

[00:13:08] que acontece em nossas vidas, independente de ser positivo,

[00:13:12] ou negativo.

[00:13:13] Quando a gente lê com cuidado essa ideia, é fácil perceber a linha sutil que divide

[00:13:20] a ideia de assumir responsabilidade por suas ações e um discurso que impõe

[00:13:26] um constante sentimento de culpa pela própria situação.

[00:13:33] Seguindo a autoresponsabilização, sempre que o conselho que você seguiu te deixou

[00:13:40] numa situação ainda pior,

[00:13:42] não é porque o conselho era raso ou mesmo vazio, a culpa é sua.

[00:13:48] Você que não se esforçou o suficiente, que não se dedicou o quanto podia.

[00:13:54] Essa filosofia não é exclusiva do Brasil e, ao longo das últimas décadas,

[00:14:00] foi exportada dos Estados Unidos para o resto do mundo.

[00:14:04] E, apesar desse discurso ser acentuado por alguns coaches, é uma mentalidade bem mais ampla

[00:14:10] e que reflete na sociedade como um todo.

[00:14:13] No livro A Sociedade do Cansaço, o sul-coreano radicado na Alemanha,

[00:14:19] Byung-Chul Han, descreve essa mudança de mentalidade com bastante precisão.

[00:14:24] Segundo Han,

[00:14:26] No século XXI não somos mais a sociedade disciplinar, mas uma sociedade de desempenho.

[00:14:33] No lugar de proibição, mandamento ou lei, entram projeto, iniciativa e motivação.

[00:14:40] O sujeito do desempenho é mais rápido e mais produtivo que o sujeito da obediência.

[00:14:46] O autor ainda sugere, reconhecendo que é uma associação que exige maiores estudos,

[00:14:52] que muitas das doenças psicológicas surgem dessa mentalidade de que tudo depende apenas de nós.

[00:14:59] Por trás da ideia de ser nosso próprio chefe, os donos do nosso próprio tempo,

[00:15:05] nos tornamos opressores de nós mesmos.

[00:15:09] Sentimos que devemos trabalhar e produzir o tempo todo.

[00:15:14] E quando não conseguimos mais, absorvemos o peso do fracasso.

[00:15:21] Pedro! Pedro! Pedro! Acorda, Pedro!

[00:15:25] Dona Rosane, a senhora chegou cedo. Como é que foi o jantar?

[00:15:30] Eu não acredito que você estava dormindo.

[00:15:32] Isso, eu não estava dormindo, não. Só estava meio cansado depois de um longo dia de trabalho.

[00:15:36] E eu tirei um cochilinho rápido.

[00:15:38] Eu te contratei para ficar de olho nos meus filhos, não para tirar um cochilinho rápido.

[00:15:42] Não foi mal, Dona Rosane. Foi mal, mas relaxa. Pode ficar tranquila que está tudo bem.

[00:15:46] Tudo bem? As crianças comeram um bolo de chocolate todo.

[00:15:49] Ah, um docinho faz bem, deixa a gente feliz.

[00:15:51] Elas passaram um trote para os vizinhos.

[00:15:53] Quem nunca passou um trote é a coisa mais legal que tem, Dona Rosane.

[00:15:56] Pedro, elas jogaram bola dentro de casa e quebraram quatro janelas. Está cheio de caco de vidro na sala.

[00:16:01] É, aí realmente é meio chato.

[00:16:04] Sai daqui. Vai embora da minha casa.

[00:16:06] Eu nunca mais quero te contratar.

[00:16:08] Sim, eu vou sim, mas e meu pagamento?

[00:16:11] Hoje eu vou ter que cobrar o dobro por causa da insalubridade e eu também podia ter me machucado com vidro.

[00:16:17] Voltando ao autor de A Sociedade do Cansaço.

[00:16:20] O sul-coreano conclui com um resumo perfeito do sentimento moderno estimulado pelos coachs,

[00:16:27] influências de finanças, coruja e empreendedorismo e por todas as empresas que lucram muito com tudo isso.

[00:16:35] O excesso de trabalho e desempenho acontece em um ciclo de autoexploração.

[00:16:40] Esse é mais eficiente que a exploração do outro.

[00:16:44] A autoexploração caminha de mãos dadas com um sentimento de liberdade.

[00:16:49] O explorador é, ao mesmo tempo, explorado.

[00:16:53] Agressor e vítima não podem mais ser distinguidos.

[00:16:57] Esse profundo sentimento de que tudo que nos resta é trabalhar, porque qualquer melhora na vida só depende de nós,

[00:17:03] se traduz num constante sentimento de culpa.

[00:17:07] É só sentar para assistir uma série nova que a culpa surge, quase como um reflexo,

[00:17:13] nos dizendo que deveríamos fazer algo mais produtivo.

[00:17:17] Praticar uma atividade física por lazer, ler um livro de ficção, jogar videogame

[00:17:24] ou fazer qualquer coisa que não tenha nada a ver com o trabalho ou dinheiro

[00:17:29] são atividades que, aos poucos, perdemos a capacidade de fazer.

[00:17:33] É só se divertir e se divertir.

[00:17:36] Lembra quando você era criança?

[00:17:38] Ou até no começo da adolescência, quando pegava uma bicicleta e andava sem um destino certo?

[00:17:43] Ou passava um tempo desenhando alguma coisa só porque imaginou como ficaria?

[00:17:49] Ou tentava aprender algum instrumento para tocar músicas da sua banda favorita?

[00:17:55] Eu lembro. Dá uma saudade.

[00:17:58] É claro, com a chegada da vida adulta o tempo se torna mais escasso

[00:18:03] e podemos priorizar melhor nossas atividades.

[00:18:06] Mas abandonamos quase que por completo esse interesse de viver experiências

[00:18:10] que simplesmente nos fazem bem.

[00:18:13] Agora, quando pensamos em fazer algum curso só pela curiosidade ou pela diversão,

[00:18:19] um questionamento surge quase que naturalmente nas rodas de conversa.

[00:18:23] Mas e aí? Isso serve para quê? Vai te fazer mais produtivo? Arrumar uma promoção?

[00:18:30] Afinal, isso aí dá dinheiro?

[00:18:32] Quando essa pergunta surge num papo de bar, sentimos até uma vergonha

[00:18:37] quando encolhemos os ombros para responder que não.

[00:18:40] Só queríamos fazer algo diferente.

[00:18:43] Essas interações refletem bem a lógica utilitarista,

[00:18:48] sempre presente quando a gente toma alguma decisão nos dias de hoje.

[00:18:53] Tudo só é bom ou ruim conforme o benefício imediato.

[00:18:57] Tudo só é bom ou ruim conforme o dinheiro que pode proporcionar.

[00:19:02] Olha só essas frases constantemente compartilhadas na internet.

[00:19:06] A Lamborghini não faz anúncios na televisão

[00:19:09] porque pessoas que podem comprar seus carros não ficam sentados na frente da TV.

[00:19:14] Coisas incríveis não acontecem dentro da zona de conforto.

[00:19:18] Faça o que tem que fazer até poder fazer o que quer.

[00:19:22] Tem gente que sonha com sucesso e tem gente que trabalha todo dia para alcançá-lo.

[00:19:29] Isso sem falar no péssimo e especialmente

[00:19:32] nocivo, trabalhe enquanto eles dormem.

[00:19:40] A questão fica ainda mais complexa quando a gente está passando por uma dificuldade financeira

[00:19:45] ou simplesmente se a gente não tiver conquistado os marcos que a sociedade convencionou

[00:19:51] para medir o sucesso de uma pessoa em determinada fase da vida.

[00:19:55] Nessas situações, qualquer momento de prazer, descontração ou mesmo descanso

[00:20:01] pode ser julgado.

[00:20:03] Porque você sabe.

[00:20:05] Como assim está tirando um cochilo na rede?

[00:20:08] Não estava precisando de dinheiro para o aluguel?

[00:20:11] Vai andar de skate sábado à tarde?

[00:20:13] Mas e o carro novo?

[00:20:15] A casa própria?

[00:20:17] O primeiro milhão?

[00:20:20] Aos poucos, só nos sentimos confortáveis para nos envolver em atividades

[00:20:25] que podem trazer algum dinheiro.

[00:20:27] Pior ainda.

[00:20:29] Estamos a corromper as poucas coisas que ainda nos dão algum prazer legítimo,

[00:20:35] transformando tudo numa incessante busca por lucro.

[00:20:39] É a tão comum monetização do hobby.

[00:20:43] Cara, eu preciso arrumar um jeito de fazer um dinheirinho extra, cara.

[00:20:47] O negócio da babá não deu nada certo.

[00:20:50] Por que você não tenta aproveitar algum hobby seu?

[00:20:53] Alguma coisa que você gosta para ganhar dinheiro?

[00:20:55] Tipo o quê?

[00:20:56] Sei lá, Pedro.

[00:20:57] Por exemplo,

[00:20:57] tu gosta de funk.

[00:20:58] Irmão, eu gosto de ouvir funk.

[00:21:00] Eu não sei fazer funk.

[00:21:03] Então, talvez alguma coisa relacionada à jardinagem?

[00:21:06] Jardinagem?

[00:21:07] É, cara.

[00:21:08] Tu gosta dessa parada, não gosta, Pedro?

[00:21:10] Está sempre cheio de planta aqui no teu apê?

[00:21:12] É tudo falso, cara.

[00:21:13] Tu acha que eu sei cuidar de planta?

[00:21:14] O que eu entendo de jardinagem?

[00:21:17] Já sei.

[00:21:18] Tu gosta de animais.

[00:21:20] Por que tu não adota um pet, aí tu cria uma conta na rede social para ele?

[00:21:24] Você pode ficar rico, Pedro, fazendo parceria com um pet shop.

[00:21:27] Eu não sei, cara.

[00:21:28] Já tem muita gente criando conta de gato, de cachorro.

[00:21:31] Tem muita concorrência.

[00:21:32] Adota um animal diferente, então.

[00:21:34] Uma capivara.

[00:21:36] Capivara está na moda.

[00:21:37] Bichinho carismático.

[00:21:39] Irmão, é proibido ter capivara dentro de casa.

[00:21:41] Aí tu me complica.

[00:21:43] Cara, vamos lá.

[00:21:44] O que você gosta de fazer?

[00:21:45] Você é bom em alguma coisa?

[00:21:47] Sei lá, não tenho muito talento, né?

[00:21:49] Acho que a única coisa que eu sei fazer bem, bem mesmo, assim, de verdade, é ovo mexido.

[00:21:52] É isso?

[00:21:54] Isso o quê?

[00:21:55] Ovo mexido.

[00:21:57] É um negócio do futuro?

[00:21:59] É.

[00:22:00] Pensa comigo.

[00:22:01] Já teve a moda da tapioca, do frozen iogurte, das paletas mexicanas.

[00:22:07] Mas ninguém nunca abriu um negócio só de ovo mexido.

[00:22:10] Chegou a era do ovo mexido, Pedro.

[00:22:13] Mano, tu é um visionário.

[00:22:17] A grande questão desse utilitarismo exagerado

[00:22:21] é que ganhar dinheiro com essas atividades é bem mais difícil do que parece.

[00:22:27] Cada uma dessas atividades, que para nós é só uma diversão no tempo livre,

[00:22:32] é o trabalho integral de alguém que estudou e se profissionalizou durante anos

[00:22:37] e muitas vezes, mesmo assim, não ganha tanto dinheiro quanto as pessoas imaginam.

[00:22:43] Quando entendemos que a tão sonhada renda extra não vai aparecer,

[00:22:48] nossa paixão vira apenas uma nova frustração.

[00:22:52] Agora, sem o brilho da diversão e os resultados prometidos,

[00:22:56] investir tempo e energia nessas atividades deixam de fazer sentido.

[00:23:02] Pouco a pouco, essa mentalidade utilitarista de olhar para tudo

[00:23:07] como oportunidades a serem exploradas corrompe nossos interesses

[00:23:12] e até nossos relacionamentos.

[00:23:15] Se antigamente nosso círculo social era formado principalmente por pessoas

[00:23:20] que compartilhavam dos mesmos interesses, nessa exaustiva sociedade

[00:23:25] focada em desempenho, o que parece importar

[00:23:30] são os benefícios financeiros e profissionais que nossas relações podem trazer.

[00:23:35] Nossas amizades, as pessoas que buscamos conhecer

[00:23:40] e todos os eventos sociais passam a ser apenas networking.

[00:23:45] Os amigos são cada vez mais raros.

[00:23:49] Tudo o que temos agora são contatos.

[00:23:52] Galera, eu queria muito agradecer a todos vocês que vieram aqui

[00:23:56] passar o meu dia comigo e comemorar meu aniversário.

[00:24:00] A presença de vocês e, principalmente, a amizade de vocês são muito especiais pra mim.

[00:24:05] De verdade.

[00:24:06] Ah, vamos cantar parabéns. Cadê o bolo?

[00:24:09] Não tem bolo.

[00:24:10] Não tem bolo?

[00:24:11] Não.

[00:24:12] Mas tem ovo mexido!

[00:24:14] Ah, não. É sério isso?

[00:24:16] Temos ovo mexido de cogumelo paris e parmesão,

[00:24:18] de presunto de parma e mussarela de búfala

[00:24:20] e, é claro, queijo ruim regado com azeite escofado.

[00:24:25] Calma, que tem pra todo mundo. Eu aceito piques, hein, galera?

[00:24:27] Ah, não, Pedro. Peraí, peraí.

[00:24:29] Então você não chamou a gente aqui pra comemorar seu aniversário?

[00:24:32] Você chamou a gente aqui pra vender ovo mexido, Pedro?

[00:24:35] O Pedrão ficou maluco!

[00:24:37] Tem cupom de desconto, 10%, só no mês do lançamento, hein?

[00:24:41] O caminho que nos traz até essa encruzilhada é confuso e cheio de voltas,

[00:24:45] mas as consequências são fáceis de reconhecer.

[00:24:48] A falta de dinheiro

[00:24:50] consome nossos pensamentos.

[00:24:52] Tudo e todos nos dizem que mudar de vida só depende de nós.

[00:24:57] Assim, investimos tudo o que temos,

[00:25:00] até nossas paixões pessoais, para tentar alcançar a tão sonhada tranquilidade.

[00:25:06] Só que, apesar do dinheiro ser uma necessidade real,

[00:25:09] ele não resolve todas as necessidades

[00:25:12] que trazem qualidade e tranquilidade para nossa vida.

[00:25:16] Um estudo de 2015, publicado pela Universidade da Califórnia,

[00:25:20] investigando as relações das atividades de lazer na vida das pessoas,

[00:25:24] identificou que hobbies impactam positivamente na saúde e na felicidade.

[00:25:30] Lazer parece trazer um benefício consistente na saúde e bem-estar diário de uma pessoa.

[00:25:36] Quando as pessoas se envolvem nessas atividades,

[00:25:39] também relatam um melhor humor, menos tédio, menos estresse,

[00:25:44] e apresentam uma frequência cardíaca mais baixa do que quando não estão se envolvendo em atividades de lazer.

[00:25:50] Além dos pontos positivos de manter algum hobby,

[00:25:54] precisamos lembrar que a manutenção de uma vida social equilibrada

[00:25:58] é uma necessidade biológica.

[00:26:01] Assim como a fome nos avisa que precisamos comer,

[00:26:04] o sentimento de solidão é um alerta de que precisamos solucionar nossas necessidades sociais.

[00:26:11] Os estudos observando o isolamento social nos últimos anos

[00:26:15] nos ajudam a entender ainda mais o reflexo da solidão na saúde física

[00:26:20] e mental das pessoas.

[00:26:23] Um artigo de uma revista científica publicada em 2021

[00:26:27] mostra que intervenções realizadas com grupos durante o período de isolamento

[00:26:32] trouxeram melhorias na conexão social e saúde mental das pessoas,

[00:26:37] também auxiliando na capacidade de lidar com casos de depressão leve e moderada.

[00:26:44] Há alguns anos circularam manchetes dizendo que o dinheiro

[00:26:48] só garante felicidade até certo ponto,

[00:26:51] sugerindo que depois de um valor específico o impacto já não era mais tão significativo.

[00:26:56] Mas calma, não serei eu quem vai te dizer que dinheiro não traz felicidade.

[00:27:03] Repetir esse discurso raso enquanto a vida de milhões de pessoas

[00:27:07] poderia ser beneficiada com o aumento da renda seria uma enorme irresponsabilidade.

[00:27:13] Mesmo porque estudos mais recentes mostram que dinheiro produz

[00:27:16] enorme potencial de melhora na percepção de felicidade das pessoas.

[00:27:22] Pessoas mais ricas ou que vivem em países ricos relatam maiores índices de satisfação com a própria vida.

[00:27:30] O que muda é que, depois de um ponto, essa satisfação não aumenta na mesma proporção que antes.

[00:27:37] É só pensar que ganhar 200 mil reais não te deixa duas vezes mais feliz do que ganhar 100 mil reais.

[00:27:46] Mesmo que ainda seja muito melhor.

[00:27:48] O aumento dessa percepção de felicidade continua existindo, só que vai ficando cada vez menor.

[00:27:54] Por outro lado, ignorar que as necessidades básicas para uma vida mais feliz vão além do que o dinheiro pode comprar

[00:28:02] também traz prejuízos para todos nós, não apenas indivíduos, mas como sociedade.

[00:28:08] É como eu sempre digo por aqui, precisamos olhar de forma isolada para o que cada pessoa precisa.

[00:28:16] Depois que passamos da zona da insegurança alimentar ou de uma pobreza acentuada,

[00:28:22] onde é impossível investir energia além dos problemas imediatos,

[00:28:26] precisamos olhar com mais cuidado para as nossas outras necessidades.

[00:28:31] Reservar um espaço na rotina para algo que nos faz bem, mesmo que seja por poucos minutos ao dia,

[00:28:37] deve receber a mesma prioridade que os outros compromissos da nossa agenda.

[00:28:42] Lazer e tempo de qualidade com outras pessoas.

[00:28:46] Muitas pessoas precisam estar no mesmo patamar de preocupação que uma alimentação balanceada,

[00:28:52] exercícios físicos e uma boa noite de sono.

[00:28:56] E olha só, eu posso te garantir, a culpa, por não estar sendo produtiva, não vai se resolver com tanta facilidade.

[00:29:05] E se em algum momento você não conseguir se livrar dessa culpa,

[00:29:10] e isso começar a te impedir de aproveitar momentos de ócio ou lazer,

[00:29:15] ainda tem uma última coisa que pode te ajudar a contornar esse sentimento.

[00:29:20] Existem boas evidências de que pessoas envolvidas em hobbies e atividades criativas são mais produtivas no trabalho.

[00:29:28] É o que diz uma publicação científica de 2014.

[00:29:33] Ter um hobby pode ser considerado até como uma vantagem competitiva

[00:29:38] para pessoas que estão iniciando novos negócios ou que lidam com a resolução de problemas.

[00:29:45] O que você acha?

[00:29:47] Bom dia, amor.

[00:29:48] Bom dia. Nossa, você acordou cedo.

[00:29:51] Eu tenho uma apresentação importante para um cliente na agência agora de manhã.

[00:29:55] Se eu mandar bem, acho que pode rolar até uma promoção.

[00:29:57] Nossa, que legal, amor. Você vai arrasar.

[00:30:00] Será, Alona? Estou inseguro.

[00:30:02] Por quê?

[00:30:03] Sei lá, tudo que eu tenho feito ultimamente tem dado tão errado.

[00:30:06] Fora a gente, né? Eu sinto que eu não faço nada direito.

[00:30:09] Eu preparei um ovo mexido para você.

[00:30:11] Obrigada, meu amor.

[00:30:15] Nossa, gente, isso aqui está uma delícia.

[00:30:19] É o melhor ovo mexido que eu já comi na minha vida.

[00:30:22] Para. Sério mesmo?

[00:30:25] Aham.

[00:30:26] Hum, está bom demais.

[00:30:29] Ai, você ainda diz que não faz nada direito.

[00:30:32] Eu tenho que ir, amor. Obrigado. Tenho que ir lá.

[00:30:36] Boa sorte.

[00:30:37] Amor, obrigado. Te amo.

[00:30:39] Tem uma coisa me dizendo que vai dar tudo certo na reunião.

[00:30:41] Energia e alegria!

[00:30:45] É até meio contraditório usar essa desculpa de ser mais produtivo

[00:30:49] para justificar uma atividade que nos beneficia

[00:30:52] exatamente por remover essa pressão.

[00:30:55] Mas pensa, contraditório mesmo é sentir culpa

[00:30:59] por colocar nosso tempo em atividades que,

[00:31:02] além de todos os benefícios para nossa saúde,

[00:31:05] ainda nos deixam mais produtivos.

[00:31:11] Amor! Amor! Amor, cheguei!

[00:31:15] A apresentação foi um sucesso!

[00:31:18] O cliente adorou as minhas ideias e o meu chefe ficou impressionado.

[00:31:22] Ele gostou tanto que resolveu me dar uma promoção.

[00:31:24] Lu, eu vou ganhar um aumento.

[00:31:26] Ah, está vendo? Sabia! Parabéns, meu amor.

[00:31:31] Sabia que ia dar tudo certo, viu?

[00:31:33] Agora você vai começar aquela poupança.

[00:31:35] Como esquece? Isso já era.

[00:31:37] Amor, a parada agora é investir.

[00:31:39] Olha que plano. Eu vou começar a investir em cripto.

[00:31:42] Criptomoeda, vocês já ouviram falar?

[00:31:45] No próximo episódio de Método Exposto,

[00:31:48] antes de embarcar no próximo Trem da Oportunidade,

[00:31:51] pare e se pergunte, para onde é mesmo que ele está indo?

[00:31:57] Este é um original Audible, produzido por Audible Originals e B9.

[00:32:03] Escrito por Bruno Bloch, Alexandre Potashev e Alberto Startup da Real Brandão.

[00:32:09] No elenco, Jorge Lucas, Adassa Martins,

[00:32:13] André Dale, André Pelegrino, Adriano Martins,

[00:32:18] Érida Castelo Branco e Maíra Sá Ribeiro.

[00:32:22] Desenvolvido por B9.

[00:32:25] Produção executiva e desenvolvimento criativo original Audible.

[00:32:30] Leo Neumann e Luiza Miguez.

[00:32:32] Produção executiva B9.

[00:32:34] Carlos Merigo.

[00:32:36] Dirigido por Alexandre Potashev.

[00:32:39] Gravado por Rafael Piquet da Megafone Studio.

[00:32:43] Edição de voz, efeitos sonoros, sound design, edição, mixagem e masterização, Gabriel Pimentel.

[00:32:51] Identidade visual, Johnny Brito.

[00:32:54] Copyright 2023 por Audible Inc.

[00:32:57] Copyright da gravação de som 2023 por Audible Inc.