A Nova Roupa do Reich


Resumo

O episódio discute o surgimento e a ascensão dos Groypers, um movimento de extrema-direita online liderado por Nick Fuentes nos Estados Unidos. Os participantes analisam como esse grupo, que começou com uma estética de humor e trollagem em fóruns da internet, evoluiu para uma ideologia política explícita de supremacia branca, antissemitismo e misoginia, ganhando espaço no mainstream político, inclusive com entrevistas em plataformas como a de Tucker Carlson.

A conversa explora as contradições e a coerência perversa do discurso de Fuentes, que se opõe a Israel não por solidariedade aos palestinos, mas por defender um Estado de supremacia étnica para homens brancos, usando o exemplo israelense como justificativa. Eles destacam como a linguagem cifrada, os memes (como o Pepe the Frog) e o humor servem como ‘apito de cachorro’ para driblar algoritmos e normalizar ideias nazistas.

Os participantes traçam paralelos com o Brasil, identificando ecos dessa ideologia na ‘bolha da resenha’ e em figuras como o deputado Nicolas Ferreira, que utiliza símbolos e retórica similares. Discute-se também a instrumentalização do antissemitismo, onde acusações são mais frequentemente direcionadas a críticos de Israel na esquerda do que a figuras abertamente neonazistas como Fuentes.

O episódio também aborda a institucionalização dessa extrema-direita, com a criação do partido Missão (ex-MBL) no Brasil, que agrega ressentimentos e uma estética ‘gamer’ ou ‘incel’. A discussão conecta esse fenômeno a casos de violência misógina, como o feminicídio no Cefete-RJ e a prisão do ‘Calvo do Campari’, ilustrando como ideologias online se materializam em violência real.

Por fim, são recomendados livros e artigos que ajudam a entender o antissemitismo, o antissionismo e a captura da contracultura pela extrema-direita, enfatizando a importância de se compreender essas dinâmicas para enfrentar a nova roupagem do fascismo na era digital.


Indicações

Articles

  • ‘Pop Culture Got Stale. Counter Culture Went Right Wing’ (NY Times) — Artigo de Jennifer Szalai recomendado por Alessandro, que traça uma historiografia de como a estética e os valores da contracultura foram cooptados pela extrema-direita, com origens em veículos como a Vice Media.

Books

  • O Que É Antissemitismo — Livro de Mark Mazower recomendado por Gregório, que coloca uma ‘pá de cal’ na discussão que equipara antissionismo a antissemitismo, mostrando como o termo tem sido manipulado pela propaganda sionista.
  • Antissionismo: Uma História Judaica (próximo lançamento) — Futuro livro de Benjamin Moser, mencionado por Bruno, que reconstrói a história da oposição ao sionismo dentro da própria comunidade judaica antes da criação do Estado de Israel.

People

  • Benjamin Moser — Escritor e biógrafo, citado por Bruno. Recomenda-se segui-lo nas redes sociais por suas análises contundentes contra o sionismo e a ideologia do Estado de Israel.
  • Etymology Nerd — Linguista especializado em linguagem algorítmica, mencionado por Gregório. Ele estuda como as pessoas mudam a maneira de falar por causa dos algoritmos e analisou a comunicação cifrada dos Groypers.

Linha do Tempo

  • 00:00:00Abertura e apresentação do tema dos Groypers — Gregório Duvivier dá as boas-vindas e apresenta o tema do episódio: os Groypers, um movimento de extrema-direita online dos EUA. Ele introduz os participantes Alessandro Orofino e Bruno Torturra, que ajudarão a explicar o fenômeno. A conversa começa com uma reflexão sobre o calor do verão e uma breve menção ao Clube do Calma, antes de adentrar o assunto principal.
  • 00:03:00Conexão com feminicídio no Cefete e misoginia crescente — Gregório conecta a discussão sobre extrema-direita ao feminicídio de duas professoras no Cefete-RJ, cometido por um funcionário que se negava a obedecer a uma mulher. Ele argumenta que há uma ideologia misógina crescente nas redes, que está intrinsecamente ligada ao surgimento de grupos como os Groypers. Isso serve como ponte para a análise do fenômeno internacional.
  • 00:05:00Explicação inicial sobre os Groypers e Nick Fuentes — Bruno Torturra começa a explicar os Groypers como uma evolução de fenômenos online de extrema-direita (como incels e alt-right) que se consolidaram em fóruns fechados. Ele apresenta Nick Fuentes, figura central do movimento, que surgiu em Charlottesville e ganhou notoriedade por seu antissemitismo e nacionalismo branco. Bruno destaca o recente retorno de Fuentes ao mainstream, em parte por criticar Trump e por se opor a Israel, injetando antissemitismo no debate.
  • 00:12:00Análise da ideologia de Nick Fuentes: guerra identitária — Alessandro Orofino aprofunda a ideologia de Fuentes, centrada na ideia de uma guerra identitária onde homens brancos americanos estariam perdendo por não se organizarem. Ele destaca que Fuentes admira a organização de outros grupos (judeus, feministas, negros) e argumenta que os brancos devem fazer o mesmo. Alessandro também introduz a ‘estética Groypers’, que mistura discurso explícito com humor e ambiguidade para criar dúvida e se resguardar.
  • 00:20:00A estética do humor e a linguagem cifrada dos Groypers — Gregório discute o ‘fascismo KKK’ – a intersecção entre nazismo e memes/humor. Ele explica como os Groypers usam linguagem cifrada, emojis (como o nariz) e comentários enigmáticos (‘well, well, well’, ‘juice’) como ‘apitos de cachorro’ para comunicar racismo e antissemitismo sem serem flagrados por algoritmos. Essa tática permite que sejam nazistas sob o disfarce da brincadeira.
  • 00:29:00O símbolo Pepe the Frog e a evolução além da piada — Bruno explica a origem do Pepe the Frog como um meme nazista há cerca de uma década, um símbolo de reconhecimento interno. Ele argumenta que Fuentes e os Groypers evoluíram além da fase da trollagem e piada, tornando-se influenciadores políticos sérios. A entrevista de Fuentes com Tucker Carlson é citada como marco dessa legitimação, onde ele argumenta de forma séria sobre identidade e poder.
  • 00:35:00Trecho explícito de Nick Fuentes: supremacia branca e misoginia — Alessandro toca um trecho de áudio de Nick Fuentes sendo extremamente explícito. Nele, Fuentes diz: ‘Judeus estão controlando a sociedade. Mulheres precisam calar a boca. Negros precisam ser presos na maior parte. E nós viveríamos no paraíso. […] Nós precisamos de homens brancos no comando de tudo de novo.’ O trecho mostra a radicalização e a coerência perversa de sua ideologia, atacando até mesmo os ‘red pills’ por serem moderados.
  • 00:49:00Impacto da entrevista com Tucker Carlson e cisão na direita — Alessandro analisa o impacto da entrevista de Fuentes com Tucker Carlson, que causou consternação na direita americana. Tucker, uma figura mainstream, deu uma plataforma respeitável a Fuentes. Isso gerou uma cisão, com alguns tentando minimizar o antissemitismo de Fuentes para focar em inimigos comuns como a esquerda. A discussão mostra como Fuentes, representando uma ala radical, empurra toda a coalizão direitista para a extrema.
  • 00:58:00Antissemitismo vs. antissionismo e a hipocrisia do lobby — Os participantes discutem a manipulação do termo ‘antissemitismo’, frequentemente usado para silenciar críticos de Israel, enquanto figuras abertamente antissemitas como Fuentes são relativamente ignoradas por organizações sionistas. Eles notam que, para o sionismo de direita, um antissemita que apoia um Estado de Israel maximalista (mesmo para acelerar o apocalipse) é menos ameaçador do que um antissionista de esquerda.
  • 01:07:00Reflexos no Brasil: bolha da resenha, Nicolas Ferreira e MBL — A conversa volta ao Brasil, identificando a ‘bolha da resenha’ como análoga aos Groypers. Nicolas Ferreira é apontado como um dos que adotam a iconografia (Pepe the Frog) e retórica (‘mataram a direita moderada’) após o assassinato de Charlie Kirk. Também se discute o pastor Tupirani e o MBL (agora partido Missão), onde há denúncias de infiltração nazista. Um vídeo do comício do Missão é mostrado, ilustrando a estética gamer, nerd e ressentida dessa nova extrema-direita institucionalizada.
  • 01:17:00Recomendações de leitura e encerramento — Os participantes fazem recomendações culturais. Gregório indica o livro ‘O Que É Antissemitismo’, de Mark Mazower, que desmonta a equação entre antissionismo e antissemitismo. Bruno fala sobre o próximo livro de Benjamin Moser, ‘Antissionismo: Uma História Judaica’. Alessandro recomenda um artigo do NY Times sobre como a contracultura foi cooptada pela extrema-direita. O episódio termina com um convite para o Clube do Calma.

Dados do Episódio

  • Podcast: Calma Urgente
  • Autor: Calma Urgente
  • Categoria: News Politics
  • Publicado: 2025-12-02T15:00:00Z
  • Duração: 01:23:51

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Olá, queridos ouvintes e espectadores do Calma Urgente, hoje é segunda-feira, dia 1º de dezembro

[00:00:10] e vou chamar já aqui eles, meus amigos, Alessandro Orofino e Bruno Torturra.

[00:00:17] Como é que vocês estão? Tudo bem com vocês?

[00:00:19] Oi, Greg. Oi, Alê. Oi, queridos, tudo bem?

[00:00:21] Dia 1º de dezembro, estamos entrando agora no último mês do ano, um dia ensolarado no Rio de Janeiro, pelo menos.

[00:00:27] Um dia caloroso, imagino, na maior parte do Brasil, acalorado, que é diferente de caloroso, né?

[00:00:32] Caloroso é positivo, acalorado não necessariamente. Um dia quente, vamos deixar de eufemismo, um dia quente,

[00:00:40] mostrando que o verão vai vir com tudo aí e nós hoje vamos falar de um tema igualmente…

[00:00:47] Credo nada, amo. Estou feliz, estou animada.

[00:00:50] Eu gosto também de verão. O Bruno é o nosso grinch, né? Desculpa, Bruno.

[00:00:54] Eu corri para a montanha.

[00:00:56] Eu corri para a montanha.

[00:00:57] A montanha, literalmente.

[00:00:58] Correu para a montanha, você fez bem. Na verdade, aí é sempre fresco.

[00:01:01] É sempre um pouquinho mais frio.

[00:01:02] É sempre um pouquinho mais fresco no alto. Você tem toda a razão.

[00:01:06] E a gente vai falar de um tema bem quente. Na verdade, eu diria até desesperador, para variar um pouco, né?

[00:01:12] Mas antes, antes, eu queria aproveitar para dizer que esse podcast que você está ouvindo é um podcast que não tem publicidade,

[00:01:19] que não tem patrocinador. Ele tem apenas você, os ouvintes, que são nossos patrocinadores.

[00:01:26] E como é que a gente faz isso?

[00:01:27] A gente faz com o Clube do Calma, sim.

[00:01:29] Tem um clube, que esse ano é um clube do livro, ano que vem vai ser maior ainda, é um clube de cultura.

[00:01:33] Ou seja, a gente discute não só livros, mas também filmes, séries e tal, no nosso clube.

[00:01:38] E tem um grupo no Telegram com um monte de gente.

[00:01:41] E tem também encontros, eventualmente presenciais e tal.

[00:01:45] É um clube muito leal, que dá desconto. Ano que vem vai dar desconto em várias coisas, desde cinemas a livrarias.

[00:01:50] Há um monte de produtos culturais. Então, é o Clube de Cultura nosso, do Calma Urgente.

[00:01:54] Vai ser um prazer ter vocês com a gente ano que vem.

[00:01:57] Esse ano já foi um barato, nosso Clube do Livro. Ano que vem vai ser mais legal ainda.

[00:02:00] Então, entre você pro Clube do Calma. Vai lá em calmaurgente.com, tá?

[00:02:05] E se inscreva pra gente passar o ano que vem, juntinhos.

[00:02:09] E, então, é curioso. Olha como é que a gente anuncia o clube, né?

[00:02:12] Tem uma coisa bem desesperadora pra dizer pra você. Mas antes, vai lá no Clube do Calma.

[00:02:16] Mas antes, vem discutir um filme, um livro com a gente todo mês. Vai ser muito legal.

[00:02:21] Não, mas na verdade, esse clube tem meio essa função mesmo. A gente se desespera no Calma Urgente.

[00:02:27] E, no Clube do Livro, a gente vê as coisas com um pouquinho mais de perspectiva, né?

[00:02:30] Porque eu acho que os livros, em geral, dão essa perspectiva, né?

[00:02:34] Sobretudo a ficção. Tipo, o que tá acontecendo aqui? Aí você vai lá e vê, tipo, o despertar de tudo.

[00:02:40] Na verdade, a gente vê que o que tá acontecendo hoje é mínimo e já foi repetido mil vezes na história.

[00:02:46] E tem algo, enfim, de cíclico. E você acaba não ficando mais tranquilo, isso jamais.

[00:02:50] Talvez mais calmo, que é diferente.

[00:02:52] E, então, vamos aqui trabalhar um pouco de calma pro ano que vem, né?

[00:02:56] No Clube do Calma. Mas vamos falar também de urgência nesse momento exato.

[00:03:00] Aconteceu uma coisa trágica essa semana, que foi o assassinato de duas professoras por um funcionário

[00:03:05] que se negava a obedecer a uma mulher, segundo o que ele mesmo dizia, não é?

[00:03:11] Se negava a respeitar mesmo a autoridade de uma mulher.

[00:03:15] Então, ele entrou no Cefete, no Rio de Janeiro, matou as duas e se matou.

[00:03:21] Um crime bárbaro que foi pouco noticiado, na minha opinião.

[00:03:25] Não teve a…

[00:03:26] Capa de jornais. Aliás, não na minha.

[00:03:28] Muitas pessoas que assinalaram isso, entre elas a Cris Fib, fez um vídeo bom, a Renata Correia,

[00:03:32] muita gente denunciou o fato de que esse crime não foi parar na capa de jornais.

[00:03:36] Teve uma mini, mini, mini matéria, muitas vezes, inclusive, jogando pra debaixo do tapete

[00:03:41] o crime de violência de gênero, né?

[00:03:43] Fingindo que foi um crime qualquer, bárbaro e tal.

[00:03:45] Sem usar o termo feminicídio, por exemplo.

[00:03:47] E foi um entre muitos, muitos feminicídios do Brasil, diários.

[00:03:53] Por que eu tô falando disso? Porque a gente, em geral, não fala muito de coisas factuais, né?

[00:03:56] Porque eu acho que tem algo aí por trás disso.

[00:03:58] Não só eu acho, enfim.

[00:04:00] É algo que eu acho que tá muito óbvio, que é uma ideologia misógina crescente nas redes.

[00:04:05] Que não é exatamente o que a gente vai falar hoje, não.

[00:04:07] A gente vai falar de algo maior e, eu acho que, internacional, inclusive.

[00:04:13] Mas que, pra mim, tá intrinsecamente ligado.

[00:04:15] Que é o surgimento de grupos de extrema-direita online

[00:04:19] e a importância, até o protagonismo que eles têm hoje nos Estados Unidos, sobretudo.

[00:04:25] Né?

[00:04:26] Governo Donald Trump.

[00:04:27] Pra vocês que me apresentaram esse termo, não conhecia,

[00:04:30] eu ia falar dos groipers hoje.

[00:04:33] A gente já algumas vezes citou essa palavra

[00:04:35] e sempre fala, ah, uma hora a gente vai ter que falar de groipers,

[00:04:37] uma hora a gente vai ter que falar de groipers.

[00:04:38] Finalmente, chegou esse momento.

[00:04:39] O programa de hoje é sobre eles, sobre os groipers.

[00:04:43] Você não sabe o que é groipers?

[00:04:45] Que sorte é sua.

[00:04:46] Você tem uma vida mais gostosa do que a minha,

[00:04:50] que sou amigo de Bruno Torturra e Alessandro Orofino.

[00:04:54] Mude de podcast, né?

[00:04:55] Mude de podcast.

[00:04:58] Eles me apresentaram o que é.

[00:04:59] Eu não vou falar muito, não, porque eles vão saber falar melhor do que eu.

[00:05:03] Então eu vou passar direto, vou começar talvez pelo Bruno,

[00:05:07] que foi quem apresentou esse termo talvez pra gente,

[00:05:09] ou talvez seja da Alessandra, enfim.

[00:05:11] Começar pelo Bruno, pra ele explicar.

[00:05:13] Bruno, assim, rapidamente, o que são os groipers

[00:05:17] e por que é importante falar deles hoje?

[00:05:19] Então, é uma pergunta que vai tomar o programa inteiro,

[00:05:22] então eu vou falar só uma pequena parte disso, né?

[00:05:25] Os groipers, na verdade, eu considero eles uma evolução,

[00:05:31] a progressão de um fenômeno que acontece há mais de 10 anos,

[00:05:35] online, extremamente, mas que com essa evolução,

[00:05:38] acho que muita gente perde a perspectiva que esses rótulos

[00:05:43] que há anos, que há muitos anos a gente falava que era o incel,

[00:05:49] ou era a alt-right, ou eram os zetrampistas,

[00:05:55] eles também estão em evolução, em evolução intelectual,

[00:05:59] em evolução política e estão ficando mais velhos.

[00:06:03] Os groipers, de algum jeito, é meio que a consolidação

[00:06:06] de um grupo ideológico que se forma muito fortemente

[00:06:11] em fóruns fechados de rede social e que estão à direita,

[00:06:17] da extrema-direita, que estão no poder nos Estados Unidos hoje.

[00:06:21] E eles são, e esse termo, ele foi cunhado e ele foi,

[00:06:25] popularizado e ele foi

[00:06:27] organizado por uma figura que se chama

[00:06:29] Nick Fuentes. Nick Fuentes

[00:06:32] é um cara ainda jovem,

[00:06:34] mas que apareceu no cenário

[00:06:36] há alguns anos

[00:06:38] quando no primeiro mandato do Donald

[00:06:39] Trump, ele estava naquela famosa

[00:06:41] passeata de Charlottesville,

[00:06:44] que teve, chamava

[00:06:45] Unite the Right,

[00:06:47] que foi essa ideia de que

[00:06:49] o proto-fascismo

[00:06:51] que o Trump representava quando ele

[00:06:53] se elegeu, saiu do armário

[00:06:55] literalmente e foi pra rua como

[00:06:57] movimento neonazista mesmo,

[00:07:00] com as tochas,

[00:07:01] com gente branca, falando

[00:07:03] discursos abertamente antissemitas,

[00:07:06] com a ideia da grande

[00:07:07] substituição, de que os

[00:07:10] judeus querem substituir

[00:07:11] a hegemonia branca nos Estados Unidos,

[00:07:14] ele estava lá, e com

[00:07:15] os anos ele foi se tornando uma figura

[00:07:17] popular na internet

[00:07:19] com esse discurso

[00:07:21] antissemita, de extrema direita,

[00:07:23] muito nacionalista branco,

[00:07:25] e ele teve muitos momentos de

[00:07:27] maior ou é menor fama,

[00:07:29] e de algum jeito ele estava meio

[00:07:31] descredibilizado

[00:07:32] nos últimos poucos anos, quando ele foi

[00:07:35] um dos caras, que a gente esquece disso, mas ele também

[00:07:37] foi um dos caras que tentou

[00:07:39] o Kanye West

[00:07:40] como candidato a presidente

[00:07:43] da república, nos anos

[00:07:45] Biden, na fase

[00:07:47] mais nazista

[00:07:49] do Kanye West, quando ele falava em

[00:07:51] podcast que ele amava Hitler e

[00:07:53] tudo mais, foi aí que o Nick Fuentes

[00:07:55] apareceu pra mais gente, e ao mesmo

[00:07:57] tempo ele foi meio tratado como uma piada.

[00:08:00] Mas nos últimos anos, e

[00:08:01] especialmente nesse último ano,

[00:08:03] por uma série de fatores que a gente

[00:08:05] vai falar aqui, ele volta

[00:08:07] com muita força ao

[00:08:09] mainstream, exatamente porque

[00:08:11] ele consegue ser parcialmente crítico

[00:08:13] do Donald

[00:08:14] Trump, e do fato de que o Donald

[00:08:17] Trump não vai às vias de fato

[00:08:19] com expulsão de imigrantes,

[00:08:22] com uma política mais extrema à direita,

[00:08:23] mesmo, mas ele se capitaliza ainda

[00:08:25] mais, porque ele é uma das poucas vozes

[00:08:27] de direita clássica nos

[00:08:29] Estados Unidos, que tá indo frontalmente

[00:08:31] contra Israel.

[00:08:33] Então, essa nova energia

[00:08:35] no mundo todo,

[00:08:38] que é antisionista,

[00:08:39] e ante o que

[00:08:40] o Estado

[00:08:43] de Israel representa,

[00:08:46] ele captura isso

[00:08:47] e injeta o antissemitismo

[00:08:49] dele. Então ele tem se tornado

[00:08:51] um…

[00:08:51] nas últimas semanas,

[00:08:53] nos últimos meses, uma figura muito mais

[00:08:55] poderosa, muito mais influente,

[00:08:57] não só dentro dos jovens,

[00:08:59] dentro do que eram os gróipers,

[00:09:01] mas agora dentro do

[00:09:03] Partido Republicano e de pessoas que eram

[00:09:05] gróipers e hoje tem lugar dentro da Casa Branca.

[00:09:08] Ah, tem muita coisa aí que eu

[00:09:09] queria perguntar. Vou passar

[00:09:11] pra Lê, mas antes… Não, não, mas eu só queria entender

[00:09:13] algumas coisas. Eu não sei se eu já passo pra Lê, se a Lê vai

[00:09:15] saber responder isso ou se é com você, mas é.

[00:09:17] Parece que tem muitas coisas contraditórias aí,

[00:09:19] nele. Pra começar,

[00:09:21] ele é latino, se eu não me engano, pelo nome, não é?

[00:09:23] De descendência latina, ascendência latina,

[00:09:25] perdão, e

[00:09:26] supremacista

[00:09:29] branco-americano, não é?

[00:09:31] O que já meio que é uma contradição em termos,

[00:09:33] já que ele apoiou e continua apoiando

[00:09:35] a deportação de imigrantes

[00:09:37] como eram os pais e os avós deles, enfim.

[00:09:40] Mas além disso, ele é um cara

[00:09:41] a favor de uma…

[00:09:43] Pelo que eu entendi, ele também é a favor de uma

[00:09:45] política

[00:09:47] de natalidade de muitos filhos e tal,

[00:09:49] como é romântico, mas era mais radical,

[00:09:51] e ao mesmo tempo não é casado,

[00:09:53] ele é meio céu, não tem filho, então, também tem

[00:09:55] essa contradição. Mas uma outra também é essa coisa

[00:09:57] de Israel, porque eu queria entender

[00:09:59] de onde é que vem a discordância dele com Israel

[00:10:01] pelo fato de ser uma política que a gente

[00:10:03] sabe, também racista,

[00:10:05] do Estado de Israel, hoje é uma política altamente

[00:10:07] baseada em raça,

[00:10:09] em genocídio, na supremacia, também

[00:10:11] na supremacia ocidental.

[00:10:14] De onde é que vem isso, você acha?

[00:10:15] De onde é que ele discorda?

[00:10:17] Esse é o ponto. Eu vou responder rápido

[00:10:19] e depois passo pra Alessandra.

[00:10:21] Na verdade,

[00:10:23] aí tem uma grande

[00:10:25] força que faz o

[00:10:27] discurso dele ganhar a

[00:10:29] legitimidade racional

[00:10:31] entre muitos eleitores do próprio

[00:10:33] Trump. Ele não é contra

[00:10:34] a existência do Estado de Israel.

[00:10:37] No fundo, ele usa

[00:10:39] o Estado de Israel como

[00:10:41] o próprio argumento pra falar assim,

[00:10:43] eu também quero um Estado

[00:10:44] de supremacia étnica,

[00:10:47] mas eu só não quero que o meu Estado

[00:10:50] esteja submetido,

[00:10:51] aos interesses

[00:10:53] desse outro Estado.

[00:10:55] Então, o que ele fala é que o Partido

[00:10:57] Republicano e o Partido

[00:10:58] Democrata dizem que os Estados

[00:11:01] Unidos não são um país de supremacia

[00:11:03] étnica, que é um país que tem

[00:11:05] que abraçar toda a

[00:11:07] diversidade de alguma forma,

[00:11:09] mas ele apoia militarmente,

[00:11:12] ele se submete

[00:11:13] politicamente,

[00:11:15] ele aceita dinheiro,

[00:11:17] e ele é vítima de um lobby

[00:11:19] de um país de supremacia étnica.

[00:11:21] Esse argumento, ele poderia

[00:11:23] ser mais polêmico e mais

[00:11:25] questionável há

[00:11:27] cinco anos atrás, mas

[00:11:29] pós dois anos e meio mais

[00:11:31] de genocídio,

[00:11:33] fica muito difícil você falar pra

[00:11:35] as pessoas que não é um Estado de

[00:11:37] supremacia étnica, porque até a direita

[00:11:39] dos Estados Unidos aceita isso já.

[00:11:41] A gente vê em pesquisa. Então, o que ele fala

[00:11:43] é Israel que fique lá

[00:11:45] e os

[00:11:48] judeus

[00:11:49] que vão

[00:11:51] pra lá.

[00:11:52] Quem apoia Israel, que se

[00:11:55] mude pra Israel. Então, ele faz

[00:11:57] um argumento antissemita, um argumento

[00:11:59] de supremacia étnica,

[00:12:01] mas ele usa Israel

[00:12:03] como argumento de

[00:12:05] legitimação da sua própria posição.

[00:12:07] Tem sentido.

[00:12:09] É terrível, mas tem sentido.

[00:12:10] Eu ainda vou querer entender um pouco mais, porque eu não vejo muito não.

[00:12:13] Porque ele se diz antisionista.

[00:12:15] Ao mesmo tempo, ele acha que o lugar judeu é Israel.

[00:12:17] Então, eu não entendo direito.

[00:12:19] Mas tudo bem, a gente vai voltar a isso.

[00:12:20] Queria ver com a Alessandra

[00:12:22] porque é que a gente acha…

[00:12:24] Por que você acha importante falar disso hoje? Você acha que eles estão crescendo?

[00:12:27] E mais, tem ecos disso

[00:12:28] no Brasil? Já é possível, você acha, dizer

[00:12:30] que existem gróipers brasileiros?

[00:12:33] E quem é que está representando

[00:12:35] esses caras aqui? Embora eu já imagine

[00:12:36] quem seja. Eu acho que você que está ouvindo também.

[00:12:39] Vamos chegar lá. Não, voltando um pouquinho

[00:12:41] só no Nick Fuertes. Também chama Nick, hein?

[00:12:43] Vai, continua.

[00:12:44] Os Nicolás são terríveis, né?

[00:12:47] Mas vamos lá. Voltando

[00:12:48] só um pouquinho no

[00:12:50] Nick Fuertes, né?

[00:12:53] E aí, fazendo a ponte com o Brasil.

[00:12:55] Voltando um pouco no que o Bruno falou,

[00:12:56] o Nick Fuertes, eu diria que o principal

[00:12:58] o principal

[00:13:00] eixo da

[00:13:02] ideologia que o Nick Fuertes

[00:13:04] tem

[00:13:06] trabalhado pra propagar

[00:13:08] não é nem só o antissemitismo.

[00:13:10] Apesar do antissemitismo ser muito importante e muito recorrente

[00:13:13] na fala dele.

[00:13:14] Mas ele tem uma visão

[00:13:16] de guerra identitária

[00:13:18] na qual

[00:13:20] ele entende que os brancos

[00:13:22] americanos e sobretudo os homens

[00:13:24] brancos, porque o aspecto misógino

[00:13:26] também é muito central

[00:13:27] estão perdendo essa guerra

[00:13:30] por não se organizarem

[00:13:31] e reivindicarem a sua identidade como tal.

[00:13:35] Então o argumento dele

[00:13:36] basicamente é todas as outras

[00:13:38] identidades se articularam

[00:13:39] politicamente e pedem

[00:13:41] espaço político enquanto grupos

[00:13:44] identitários, menos a gente.

[00:13:46] E se a gente não reagir

[00:13:48] a gente vai ser atropelado. A gente,

[00:13:49] a gente.

[00:13:50] entendam-se homens brancos americanos, né?

[00:13:52] Então, quando ele fala, por exemplo,

[00:13:54] nas palavras dele, né,

[00:13:56] conspiração de judeus no mundo todo,

[00:13:59] é um pouco essa tensão.

[00:14:01] Ele fala sobre isso

[00:14:03] com um discurso abertamente antissemita,

[00:14:06] retratando essa grande conspiração

[00:14:08] como uma grande ameaça, etc.

[00:14:10] Mas tem um pouco de admiração também,

[00:14:12] porque, no fundo, o que ele está dizendo é

[00:14:14] se eles estão fazendo,

[00:14:15] nós também temos que fazer.

[00:14:17] E ele vai fazer a mesma coisa

[00:14:18] com o movimento feminista,

[00:14:19] ele vai fazer a mesma coisa

[00:14:20] com o movimento negro.

[00:14:22] Tem uma fala, já de algum tempo,

[00:14:24] do Nick Fuentes, que ele fez,

[00:14:27] em que ele resume bastante

[00:14:29] essa ideologia dele.

[00:14:31] Eu vou jogar aqui já já

[00:14:32] pra gente dar uma olhada.

[00:14:33] Mas isso é um pouco a situação,

[00:14:35] digamos, ideológica dele.

[00:14:36] Tem um outro aspecto,

[00:14:38] que aí eu acho que se conecta muito com o Brasil,

[00:14:40] e é por isso que eu queria trazer isso,

[00:14:42] que é, pra além da ideologia,

[00:14:44] existe uma forma.

[00:14:46] E o que distingue muito os Groypers

[00:14:48] de outros neonazistas,

[00:14:49] e de outros misóginos, racistas, etc.,

[00:14:52] é também essa forma.

[00:14:54] Essa fala que eu vou mostrar já já,

[00:14:56] ela é uma das poucas falas

[00:14:57] em que o Nick Fuentes é absolutamente

[00:14:59] claro e curto,

[00:15:01] e que não dá pra fingir que ele está brincando.

[00:15:04] É muito difícil fingir que ele está brincando.

[00:15:06] Mas na enorme maioria das falas públicas

[00:15:08] que ele faz,

[00:15:09] ele está sempre beirando o humor,

[00:15:11] a zoeira, a ambiguidade

[00:15:13] na maneira de se colocar.

[00:15:15] Então ele consegue ser, ao mesmo tempo,

[00:15:17] profundamente explícito,

[00:15:18] mas sempre explicando,

[00:15:19] sempre resguardar

[00:15:20] uma certa dúvida,

[00:15:22] inclusive pelo nível,

[00:15:24] é tão explícito que fica fácil dizer

[00:15:27] que aquilo não pode ser verdade,

[00:15:28] ou não pode ser sério.

[00:15:30] E nesse sentido, eu acho que ele informou muito

[00:15:32] a comunicação política do próprio Donald Trump.

[00:15:34] Quando a gente fez aqui um programa, por exemplo,

[00:15:36] em que a gente falou daquele vídeo que o Donald Trump fez,

[00:15:39] e que ele publicou no Truth Social dele,

[00:15:41] que era um vídeo de AI,

[00:15:43] em que ele mostrava como seria a Gaza

[00:15:44] numa pós-invasão americana,

[00:15:47] em reconstrução,

[00:15:49] e a gente viu o Trump Tower no meio,

[00:15:51] e tinha o Netanyahu e o Trump tomando,

[00:15:53] sei lá, margueritas na piscina.

[00:15:55] Não sei se vocês estão lembrados desse vídeo,

[00:15:57] mas vale a pena ir lá olhar.

[00:15:58] Esse vídeo, ele tem muito dessa estética Grouper.

[00:16:01] Ele é tão explícito, ele é tão absurdo,

[00:16:03] ele coloca de maneira tão clara

[00:16:05] tudo aquilo que os críticos vão dizer que é, de fato, o projeto,

[00:16:10] mas ele explicita tanto

[00:16:12] que ele fica também um pouco com cara de piada,

[00:16:15] como se fosse uma apropriação da crítica,

[00:16:17] como se fosse,

[00:16:18] que eu estou pegando aquilo que você mais teme,

[00:16:20] e eu estou transformando isso numa pornografia tão grande

[00:16:23] que não dá para levar a sério que é isso mesmo que eu quero fazer.

[00:16:26] Então, é uma volta eterna entre aquilo que é,

[00:16:30] aquilo que parece ser,

[00:16:32] e é o explícito como o disfarce perfeito, sabe?

[00:16:35] E isso é muito a estética Grouper.

[00:16:37] O que essa estética acaba fazendo é que, bom,

[00:16:40] ela fica muito também voltada para…

[00:16:42] tem uma questão geracional, né?

[00:16:44] É uma estética de juventude,

[00:16:46] e quando alguém questiona,

[00:16:48] ou critica, ou se mostra

[00:16:50] apavorado ou apavorada com

[00:16:52] aquilo que tá sendo dito, existe

[00:16:54] uma saída fácil que é falar, olha só,

[00:16:56] tipo, o adulto, o boomer,

[00:16:58] que não entendeu a piada.

[00:17:00] Que também é uma coisa muito adolescente, né?

[00:17:02] Você coloca o crítico no lugar

[00:17:04] da mamãe,

[00:17:06] sabe? Da pessoa que não tem senso de humor.

[00:17:09] Que não consegue entender a piada.

[00:17:10] Então, acho que isso, inclusive, eu devolvo a pergunta pra você,

[00:17:12] Greg, porque acho que você tem muito a agregar

[00:17:15] nessa reflexão sobre o papel do humor

[00:17:17] nesse espaço exato, sabe?

[00:17:19] Como, às vezes,

[00:17:20] de fato, uma arma pra falar

[00:17:22] com quem tem mais poder, etc.

[00:17:25] Mas também como uma maneira

[00:17:26] de você esconder certas verdades.

[00:17:29] Eles jogam muito com isso.

[00:17:30] E isso é absolutamente

[00:17:32] presente numa parte da extrema-direita

[00:17:35] brasileira. E, de fato,

[00:17:37] quem tem feito mais uso da estética

[00:17:38] gróiper, inclusive dos símbolos gróipers,

[00:17:40] o Pepe the Frog, que é aquele sapo

[00:17:43] que é um apito de cachorro gróiper,

[00:17:46] e outras

[00:17:46] expressões, é o Nicolas Ferreira.

[00:17:49] Sobretudo no pós-assassinato do Charlie

[00:17:51] Kirk. Então, tem uma coisa que é importante que a gente

[00:17:52] também coloque aqui na timeline

[00:17:55] e eu já passo a bola de volta pra você,

[00:17:57] que é o seguinte. Depois que o Charlie Kirk é

[00:17:58] assassinado nos Estados Unidos,

[00:18:00] existe uma guerra que se

[00:18:02] abre na direita americana

[00:18:05] em relação a quem que vai ocupar o espaço

[00:18:07] do Charlie Kirk. E, durante

[00:18:09] um primeiro momento, existe, inclusive,

[00:18:11] é aventada a possibilidade

[00:18:13] de que o assassino do Charlie Kirk

[00:18:15] seria gróiper.

[00:18:16] E essa possibilidade é aventada, e acho

[00:18:18] que ela nem está totalmente excluída, necessariamente,

[00:18:21] mas ela é aventada pelas seguintes razões.

[00:18:23] Porque, nas balas, tinha

[00:18:24] uma série de inscrições meio meméticas,

[00:18:26] meio em tom de piada, que dialogam

[00:18:28] muito com essa estética gróiper.

[00:18:30] Mas também porque o Nick Frentes estava

[00:18:32] em guerra aberta contra o Charlie Kirk

[00:18:34] naquele momento. Ele estava incitando

[00:18:37] os seus seguidores a irem nos eventos onde

[00:18:38] o Charlie Kirk ia falar, pra fazer

[00:18:40] uma coisa meio de perguntas engraçadas

[00:18:43] e hostilizar ele.

[00:18:45] Ele tinha uma grande…

[00:18:46] diferença ideológica e estética

[00:18:48] com o Charlie Kirk. O Charlie Kirk, ele se aproximava

[00:18:51] mais do instamento,

[00:18:52] do establishment do Partido Republicano.

[00:18:55] E o Nick Frentes, ele se vê

[00:18:57] mais como um revolucionário,

[00:18:59] um rebelde, mesmo dentro

[00:19:00] da extrema direita. É quase como

[00:19:02] se o Charlie Kirk fosse um pouco bom moço

[00:19:04] demais na sua figura pública

[00:19:07] em relação ao que o Nick Frentes,

[00:19:08] o lugar que ele queria ocupar, a persona que ele

[00:19:10] queria construir. Então, havia uma hostilidade

[00:19:13] entre os dois. Mas o que é curioso

[00:19:14] é que, pós-assassinato do Charlie Kirk, o que

[00:19:16] que o Nick Frentes faz? E aí a gente

[00:19:18] vai chegar no Nicholas. A maneira

[00:19:20] como ele vai se comportar e as

[00:19:22] declarações que ele vai fazer vão no sentido de

[00:19:24] dizer, mataram a direita moderada,

[00:19:27] como se o Charlie Kirk fosse o moderado.

[00:19:29] Porque ele tentava dialogar,

[00:19:30] porque ele ouvia o outro lado, que a gente já

[00:19:32] sabe que é tudo balela, né? Porque o Charlie Kirk, na verdade,

[00:19:34] ele encenava debates como maneira

[00:19:36] de trollar o outro lado.

[00:19:39] Mas, na cabeça do

[00:19:40] Nick Frentes, ele era o moderado. E aí o que ele vai dizer

[00:19:42] é, mataram a moderação. E agora

[00:19:44] a gente tem que radicalizar mais ainda.

[00:19:46] E isso é repetido

[00:19:48] ipsis literis pelo Nicholas. Um dos

[00:19:50] primeiros posts que o Nicholas Ferreira faz

[00:19:52] pós-assassinato do Charlie Kirk é

[00:19:54] mataram a direita moderada.

[00:19:57] E aí ele vai usar o Pepe the Frog,

[00:19:58] ele vai usar toda a iconografia dos

[00:20:00] Groypers pra falar sobre isso. Então,

[00:20:02] existe claramente, na própria extrema-direita

[00:20:04] brasileira, sobretudo a ala mais jovem,

[00:20:07] também um flerte com esse

[00:20:08] manual, né? Com esse playbook do Nick

[00:20:10] Frentes. Claro que a de grande

[00:20:12] diferença é que o Nicholas, ele é um deputado

[00:20:14] federal eleito. Ele tá

[00:20:16] no instamento. Ele agora faz

[00:20:18] vídeo todo dia pedindo pras pessoas se filiarem

[00:20:20] ao PL. Então, assim, ele não tem

[00:20:22] como se colocar como antipartido,

[00:20:25] anti-instamento da mesma

[00:20:26] maneira, né? Ele não casa

[00:20:28] muito bem com o momento de vida e de carreira que ele

[00:20:30] tá. Ele tem mais uma carinha

[00:20:33] de Charlie Kirk do que de Nick Frentes.

[00:20:35] A coisa evangélica, ele tenta ser

[00:20:36] um bom mocinho. O Nick Frentes é outra

[00:20:38] coisa. Ele é realmente um incel,

[00:20:40] rebelde, com uma estética

[00:20:42] da piada, da zoeira,

[00:20:44] e neonazista. Neonazista,

[00:20:46] misógino mesmo. Eu vou puxar já a falinha dele pra gente

[00:20:48] ouvir. Mas devolvo a bola pra você, Greg,

[00:20:50] pra falar um pouco dessa parte do humor, que eu acho

[00:20:52] que é interessante. Pois é, tem

[00:20:54] um fenômeno muito comum na extrema

[00:20:56] direita global

[00:20:57] e, bom, ele é predominante

[00:21:00] na internet, mas não só, já que as lideranças

[00:21:02] de extrema direita hoje estão muito ligadas,

[00:21:04] a base delas é, sobretudo, na internet,

[00:21:07] né? Do Trump ao

[00:21:08] Boris Johnson, Erdogan, Milley,

[00:21:10] todos eles, e Bolsonaro, claro.

[00:21:12] São fenômenos muito virtuais também,

[00:21:14] não é? E todos eles têm,

[00:21:16] o que é um fascismo KKK.

[00:21:18] A gente chamou isso na época do Greg News

[00:21:20] meio por alto, né? Que é essa,

[00:21:22] por acaso, em português, KKK

[00:21:24] significa tanto a risada quanto o Ku Klux Klan.

[00:21:27] E é uma coincidência

[00:21:28] muito, acho que

[00:21:30] diz muito, é por acaso, claro,

[00:21:32] mas que diz muito sobre o fato de que existe, sim,

[00:21:34] uma Ku Klux Klan KKK

[00:21:36] nos Estados Unidos. E é precisamente o que o Nick Fuentes é

[00:21:38] e o movimento grói, apesar do que me parece.

[00:21:40] É um encontro, é uma esquina,

[00:21:42] tá? Do nazismo

[00:21:44] com

[00:21:45] o meme. Tipo assim, se

[00:21:47] Goebbels tivesse Twitter,

[00:21:50] basicamente. Por quê?

[00:21:52] Eles são malandros a ponto de misturar

[00:21:54] o tempo todo

[00:21:55] a supremacia com a zoeira.

[00:21:58] O tempo todo. A tal

[00:22:00] ponto que é muito difícil incriminá-los

[00:22:02] porque

[00:22:03] volta e meia, tudo o que eles

[00:22:06] dizem pode ser encarado como uma

[00:22:08] hahaha. Até parece que eu ia falar isso sobre

[00:22:10] Hitler a sério. Então, o

[00:22:12] Fuentes tem vários elogios de Hitler,

[00:22:14] né? Dizendo que ele tinha uma,

[00:22:15] uma aura incrível, que ele era um cara, mas tudo isso.

[00:22:17] Aura é um termo muito de videogame hoje em dia, tá?

[00:22:19] Não é aura no sentido místico, não.

[00:22:22] Então, usando termos

[00:22:23] gamer, que faz parecer que é brincadeira,

[00:22:25] tem uma coisa que um, tem um linguista que eu adoro

[00:22:27] que é o Etimology Nerd, que é um

[00:22:29] cara que vale muito seguir nas redes.

[00:22:31] Etimology Nerd.

[00:22:33] E ele tem um texto bom que ele

[00:22:35] publicou recentemente. O livro dele chama

[00:22:37] AlgoSpeak, né? A especialidade dele

[00:22:39] é linguagem algorítmica, ou seja,

[00:22:41] o quanto que a gente muda a nossa maneira de falar

[00:22:43] por causa do algoritmo.

[00:22:45] E ele tem um estudo sobre os Groypers, sobre esse

[00:22:47] povo, como eles comentam. E eles

[00:22:49] comentam, você nunca vai ver eles comentando uma

[00:22:51] literalmente

[00:22:53] eba, nazis, viva o nazismo. Não.

[00:22:55] Eles não são burros a esse ponto.

[00:22:57] Eles falam de maneira cifrada.

[00:22:59] Então, volta o meu, por exemplo, qualquer vídeo que pode ser

[00:23:01] encarado de forma racista, então, por exemplo,

[00:23:04] uma pessoa negra é presa

[00:23:05] cometendo um furto. Eles vão comentar apenas

[00:23:07] well, well, well.

[00:23:09] Como quem diz assim. Ora, vejam só.

[00:23:11] Pronto. Todos vão seguir e vão

[00:23:13] curtir esse comentário. Vai ser o mais… Se você

[00:23:15] ver um comentário desse tipo, misterioso, é muito

[00:23:17] provável que seja um Groyper dando uma piscadela.

[00:23:19] Conteúdo antissemita. Se tem um

[00:23:21] judeu falando alguma coisa que eles consideram

[00:23:23] um absurdo, eles vão comentar apenas

[00:23:25] um suquinho, que é juice,

[00:23:27] que é uma brincadeira com juice.

[00:23:29] Juice e juice, né? Suco

[00:23:31] e judeus que se parece um pouco na

[00:23:32] fonética em inglês. Ou

[00:23:35] com nariz apenas, é outra coisa que eles

[00:23:37] comentam. Apenas o emoji de nariz, que também

[00:23:39] é um emoji antissemita, sim.

[00:23:41] Então, eles são…

[00:23:43] O tempo todo, eles comentam por emoji,

[00:23:45] ou de forma cifrada, porque

[00:23:47] isso é muito difícil. Primeiro, do algoritmo

[00:23:49] pegar, porque o algoritmo tem como

[00:23:50] derrubar um emoji, proibir um emoji,

[00:23:53] não é? E é muito difícil também

[00:23:55] ser incriminado por isso. Ninguém vai preso por

[00:23:57] causa de um emoji. Então,

[00:23:59] eles estão o tempo todo driblando

[00:24:00] o algoritmo de forma a poderem

[00:24:03] ser nazistas fazendo aquilo que a gente

[00:24:05] chama de apito de cachorro. E sempre

[00:24:07] na brincadeira. E no Brasil é a mesma coisa.

[00:24:09] Criou-se o que

[00:24:10] hoje chamam de bolha da

[00:24:12] resenha, que nada mais é do que a

[00:24:15] que me parecem os gróipers brasileiros, dos

[00:24:16] quais, claro, Nicolas Ferreira

[00:24:18] faz parte, foi um dos grandes propagandistas

[00:24:20] disso. Resenha, eu não sabia,

[00:24:22] descobri graças a nossa apuração de Luiz Amiguez.

[00:24:25] Tem virado cada vez mais uma

[00:24:26] piscada de olho, sobretudo bolha da

[00:24:28] resenha, tem sido uma piscada de

[00:24:30] olho para esse

[00:24:32] nazismo brasileiro.

[00:24:35] Resenha, só pra explicar, não era isso,

[00:24:36] resenha era uma gíria. Antes, era

[00:24:38] crítica literária, tá? Primeiro, claro,

[00:24:40] era uma resenha. Depois, por muito tempo…

[00:24:42] A primeira coisa aí. Começa por aí.

[00:24:45] Começa por aí. Antônio

[00:24:46] Cândido não tinha nada a ver com isso.

[00:24:49] Não tinha nada a ver, por favor.

[00:24:51] E aí depois foi apropriado…

[00:24:54] Fazer uma breve

[00:24:54] história da resenha, rapidamente. Eu acho que era

[00:24:56] respeito ao universo literário,

[00:24:58] a resenha, não sei como a resenha,

[00:25:01] essa palavra

[00:25:01] da letras, ela migrou

[00:25:05] para o funk, primeiro,

[00:25:07] e os jogadores de futebol, que depois do jogo

[00:25:09] faziam uma resenha, que era basicamente

[00:25:11] uma brincadeira pra tomar cerveja.

[00:25:13] Eu lembro da primeira vez que eu bebi.

[00:25:15] Eu sempre achei que vinha

[00:25:16] dos jogadores de futebol, que depois do jogo

[00:25:18] eles iam meio que falar do jogo.

[00:25:21] Entendeu? Era uma resenha no sentido

[00:25:22] de ser um pouco um debrief.

[00:25:24] Mas é meio isso.

[00:25:26] É meio isso. Tem um amigo, que é o João Polessa,

[00:25:29] que eu imagino, ele é um cara que tem muitas…

[00:25:31] Ele fez letras comigo e ele

[00:25:32] cunhou muita… Hoje em dia, não à toa, ele é tradutor.

[00:25:35] Ele cunhou muitos termos, eu acho.

[00:25:36] E ele foi a primeira pessoa que eu vi falando assim.

[00:25:38] Eu falei assim, será que aqueles caras estão fumando maconha?

[00:25:40] Eu percebi. Eu perguntei.

[00:25:42] E ele me respondeu, não. Estão resenhando

[00:25:45] o Faoro. Ele falou assim, resenhando

[00:25:47] o livro do Faoro. Ironicamente.

[00:25:49] Obviamente, estavam fumando maconha. E aí,

[00:25:50] ele foi uma das pessoas que…

[00:25:52] Ele foi uma das pessoas que eu vi a primeira vez usar.

[00:25:54] Se essa é a origem, eu vou te falar. Que maravilha.

[00:25:57] Piadas de letras.

[00:25:59] Aham. Então,

[00:26:00] ele usava resenhar, nesse sentido…

[00:26:03] Olha, antes, eu tô falando de

[00:26:04] 2001, 2002. Resenhar,

[00:26:06] olha lá. Eu juro pra vocês,

[00:26:08] que eu suspeito que o Polessa,

[00:26:11] que tentou várias vezes, talvez tenha sido

[00:26:13] o único que pegou, porque ele também tentou muito falar,

[00:26:15] ilibado, como algo, ironicamente,

[00:26:17] assim, maluco. Ilibado.

[00:26:19] Tá completamente ilibado. Alguém que tava muito…

[00:26:21] Tinha feito muita merda. Olha a conduta

[00:26:23] ilibada.

[00:26:25] Ele tentou. Então, ele tinha essa linguagem muito irônica.

[00:26:27] Ele é o droipe de esquerda, né?

[00:26:28] É, exatamente. E ele foi um dos caras

[00:26:31] que cunhou o resenhando primeiro. Enfim,

[00:26:33] só voltando à resenha. Não sei se foi ele,

[00:26:35] eu imagino que não. Mas eu sei que foi

[00:26:37] parar no funk, virou a resenha,

[00:26:38] virou… E foi parar na extrema

[00:26:41] direita. A tal ponto que Nicolas

[00:26:43] falou coisas como,

[00:26:44] bem-vindos à resenha.

[00:26:46] Ou, alguns falaram… Qual é o tweet

[00:26:48] que define claramente?

[00:26:50] Ele falou, mais é resenha

[00:26:52] e é menos alguma

[00:26:54] coisa. Mais resenha, menos alguma coisa.

[00:26:56] Logo depois da morte do Charlie Kirk.

[00:26:58] Exatamente nesse mesmo processo aí,

[00:27:00] de radicalização

[00:27:02] retórica. Eu vou dar as aspas

[00:27:04] exatas. Depois da morte do Charlie Kirk,

[00:27:06] ele fala o seguinte, comunista, você

[00:27:08] humilha ou pilha?

[00:27:10] Mais resenha, menos respeito com quem

[00:27:12] quer te fuzilar. É muito bom que

[00:27:14] ao ele opor resenha e

[00:27:16] respeito, ele mostra que realmente a palavra

[00:27:18] ela foi pro caralho, né? Ela quer

[00:27:20] dizer qualquer outra coisa. Enfim,

[00:27:22] aí você vai ver pessoas postando, por exemplo, como

[00:27:24] um perfil chamado Serafim, postando

[00:27:26] cadê a extrema direita dessa porra?

[00:27:28] Uma foto do Pinochet.

[00:27:30] Comenta aí pra geral seguir. E tem mais de mil

[00:27:32] comentários lá com todo mundo. E o Nicolas, e aquilo que eu falei,

[00:27:34] né? Ele fala, mataram a direita moderada,

[00:27:36] querem que morramos mansos e calados,

[00:27:38] pois que nos chamem de extremistas,

[00:27:40] não tem mais volta. Isso é pós-assassinato

[00:27:42] do Charlie Kirk, que não tem nada a ver com o Brasil.

[00:27:44] Pra começo de conversa. Mas só pra também

[00:27:46] trazer isso, que assim,

[00:27:48] a gente falou um pouco do assassinato do

[00:27:50] Charlie Kirk aqui, e

[00:27:51] a gente sabe que falar de políticas americanas

[00:27:54] às vezes é um pouco cansativo, porque,

[00:27:56] meu Deus do céu, mas a gente precisa

[00:27:58] entender até que ponto

[00:27:59] os movimentos dentro

[00:28:02] da direita americana estão pautando a direita

[00:28:04] brasileira, porque isso é real. Diretamente.

[00:28:06] O assassinato do Charlie Kirk, ele foi um

[00:28:08] acontecimento na direita brasileira.

[00:28:10] A Palver, que faz monitoramento de grupo

[00:28:12] de WhatsApp, Telegram, né? O que a gente chama

[00:28:14] de dark social, que é toda a parte

[00:28:16] de redes sociais que acontecem

[00:28:18] fora dos olhos do público, porque tá no

[00:28:20] mundo das redes, digamos, dos grupos,

[00:28:22] das comunidades, isso não é visível

[00:28:24] pra quem não faz parte do grupo.

[00:28:26] O que eles falaram é que

[00:28:28] pós-assassinato do Charlie Kirk,

[00:28:30] as menções à Charlie Kirk

[00:28:32] durante um bom tempo, elas

[00:28:34] superaram as menções à própria família

[00:28:35] Bolsonaro. Isso virou um tema

[00:28:37] central nesses grupos. E o

[00:28:40] Nicolas, portanto, ele tá dialogando

[00:28:42] com isso que era, de fato,

[00:28:44] um assunto central. E aí ele posta,

[00:28:46] inclusive, um meme que tem a cara do

[00:28:48] Pepe the Frog, que é o grande

[00:28:50] símbolo gróiper do Nick Fuentes.

[00:28:52] Isso eu queria que você falasse um pouquinho ali.

[00:28:54] Do Pepe the Frog? Mas, rapidamente.

[00:28:55] Não é o Pepe the Frog, não é um símbolo do Nick Fuentes, tá?

[00:28:58] Vai, então conta, Bruno, sobre o Pepe the Frog.

[00:29:00] Eu queria que você explicasse isso, porque

[00:29:01] o símbolo dos gróipers,

[00:29:04] aliás, se você já é curioso, é com Y,

[00:29:06] ou seja, gróipers. O líder

[00:29:08] é o Nick Fuentes, dá pra dizer, embora não seja

[00:29:10] uma liderança oficial organizada. E o

[00:29:12] símbolo deles é um sapo. Um sapo,

[00:29:14] um sapo gordo, assim, com uma cara bem

[00:29:15] engraçada. É o Pepe

[00:29:18] the Frog. Por que que virou o símbolo

[00:29:20] deles? Que porra de sapo é esse?

[00:29:22] É uma coisa que eu não consegui entender até agora.

[00:29:23] Me explica, seu sapo. Você tá

[00:29:26] bem atrasado nessa conversa.

[00:29:28] Então, o sapo já é um meme

[00:29:29] nazi, já tem uns 10 anos.

[00:29:32] Tem pelo menos 9,

[00:29:34] 10 anos. E é isso que eu acho

[00:29:36] que, por isso que eu comecei a ir falando,

[00:29:38] que isso tá em evolução.

[00:29:40] A gente não pode fazer uma

[00:29:41] a leitura,

[00:29:43] é idêntica

[00:29:44] do que esses

[00:29:47] caras representavam há 5, 6

[00:29:49] ou 8 anos.

[00:29:52] E eu acho que

[00:29:53] a coisa do humor com eles, e esses

[00:29:55] memes, que eram apitos de cachorro

[00:29:57] sim, o Pepe the Frog

[00:29:59] por algum motivo, que era um personagem,

[00:30:01] um personagem infantil, diga-se.

[00:30:03] Mas ele foi em fóruns, de maneira

[00:30:05] muito difícil de você mapear,

[00:30:07] ele virou um símbolo

[00:30:09] de quem sabe o que ele é.

[00:30:11] Então, quem é, sabe.

[00:30:13] Quem é de esquerda, muito

[00:30:15] antenado, sabe e fica puto.

[00:30:18] Mas é totalmente inegável.

[00:30:20] Isso tá no campo que você

[00:30:21] descreveu bem, que é o campo de

[00:30:23] uma certa piada, que você usa

[00:30:25] o humor e a não clareza, mas ele é

[00:30:27] óbvio pra você se esconder e pra você

[00:30:29] não parecer um nazista clássico

[00:30:31] com uma suástica no seu braço.

[00:30:34] Mas o que eu acho,

[00:30:35] e eu vou discordar um pouco da análise que

[00:30:37] vocês já fizeram, é que o Nicky e

[00:30:39] a Fuentes não tá mais

[00:30:41] na fase da piada.

[00:30:43] Eu acho que ele evoluiu.

[00:30:45] E eu acho que o campo dele também evoluiu

[00:30:47] porque eles entendem que eles estão num lugar

[00:30:49] diferente do que eles estavam há cinco anos

[00:30:51] atrás. Porque eles estão conquistando

[00:30:54] apoio, é demográfico

[00:30:56] muito mais amplo. E eles estão

[00:30:57] conquistando espaço

[00:30:59] no debate

[00:31:01] público, não como trolls mais,

[00:31:04] mas como influenciadores

[00:31:05] de opinião política mesmo, como

[00:31:07] ideólogos, como pessoas que estão formando

[00:31:09] argumentos e

[00:31:11] não mais

[00:31:12] mais

[00:31:13] é trollagem.

[00:31:15] Não é mais sobre irritar a esquerda

[00:31:17] e ficar rir, rir, rir, rir, rir, nós somos

[00:31:19] nazistas, a gente é mesmo, a gente não é, não sei o que.

[00:31:22] Não, é assim, agora nós temos

[00:31:23] a chance de liderar

[00:31:25] um movimento

[00:31:27] radical na identidade

[00:31:30] dos Estados Unidos e do

[00:31:31] mundo todo. Do Brasil, que

[00:31:33] imita, mas tem pontes reais, então

[00:31:35] é aprendendo isso em tempo real.

[00:31:37] E o Nicky Fuentes, ele

[00:31:39] nunca representou exatamente só

[00:31:41] esse piadista, só esse

[00:31:43] troll da alt-right. Ele navegava

[00:31:45] nesses dois ambientes, mas por ele ser

[00:31:47] visto como um incel, a gente lia ele mais

[00:31:49] assim. Mas ele nunca negou

[00:31:51] a admiração que ele tem por Hitler.

[00:31:53] Ele nunca voltou atrás

[00:31:55] das muitas vezes que eles falaram que o

[00:31:57] judeus,

[00:31:59] entendeu? E aí bota alguma teoria

[00:32:01] da conspiração em cima disso clássica.

[00:32:04] E o que eu acho que ele tinha

[00:32:05] esse lugar um pouco indeterminado,

[00:32:07] hoje ele não tem mais. E um marco

[00:32:09] muito importante disso foi uma entrevista

[00:32:11] que ele deu para o Tucker Carlson,

[00:32:13] recentemente, que é um

[00:32:15] cara que era do mainstream da

[00:32:17] mídia reacionária dos Estados Unidos,

[00:32:20] hoje está independente

[00:32:21] no ex-Twitter, no X,

[00:32:24] mas ele está maior

[00:32:25] do que qualquer um cara da Fox News,

[00:32:27] hoje em dia, então ele se fez como

[00:32:29] uma força muito influente, e ele

[00:32:31] entrevistou o Nicky

[00:32:33] Fuentes como uma voz

[00:32:35] legítima da

[00:32:37] direita americana, como alguém que tem

[00:32:39] algo a dizer

[00:32:41] mesmo. E o Nicky Fuentes não

[00:32:43] fez piada, ele estava argumentando

[00:32:45] sobre o que é ser americano,

[00:32:47] o que é ser homem,

[00:32:49] o que é ser democrata, o que é ser republicano,

[00:32:51] e mais importante, que aí é onde eu acho que

[00:32:53] a gente tem um espelho

[00:32:55] imperfeito no Brasil,

[00:32:57] mas é onde a nossa semelhança vai se dar.

[00:33:00] O que o Nicky Fuentes está fazendo,

[00:33:01] ele está capitalizando,

[00:33:03] capital social gigantesco que ele capta

[00:33:05] para ele mesmo,

[00:33:07] porque os republicanos de direita,

[00:33:09] e eu incluiria o Charlie Kirk

[00:33:11] nessa, quando ele estava vivo,

[00:33:13] eles não dizem o que eles

[00:33:15] realmente pensam, porque eles estão

[00:33:17] acovardados de fazer críticas

[00:33:19] ao Donald Trump,

[00:33:21] que o Nicky Fuentes faz abertamente,

[00:33:24] ele xinga, eu rompi, me arrependo

[00:33:25] do meu voto, nunca mais, esse cara é um

[00:33:27] falso, ele é um socialista, ele xinga

[00:33:29] o Donald Trump, abertamente, e ele xinga

[00:33:31] a Israel, ele fala de

[00:33:33] crianças mortas, então se você

[00:33:35] é um direitista, jovem ou mais

[00:33:37] velho, como o Tucker Carlson,

[00:33:39] também está nessa linha, eles estão falando

[00:33:41] se eu romper com um

[00:33:43] presidente que está caindo em popularidade

[00:33:45] e se eu falar as coisas

[00:33:47] que o partido republicano não tem coragem

[00:33:49] de falar por medo de retaliação,

[00:33:51] de lobby, de rabo preso,

[00:33:53] de Charlie Epstein, coisa que ele também fala

[00:33:55] que deu muito capital

[00:33:57] do Jeffrey Epstein

[00:33:59] me corrigindo, que ele

[00:34:01] também abertamente fala, solta

[00:34:03] os arquivos, a gente quer ver o que é

[00:34:05] então ele ganha um capital que ele é honesto

[00:34:07] parecido com aquela conversa que nós

[00:34:09] já tivemos, que é

[00:34:11] tipo, se

[00:34:13] você não está mentindo nisso

[00:34:15] então eu acho que você é confiável

[00:34:17] então eu abro os meus ouvidos

[00:34:19] pra ver o que você tem pra falar sobre

[00:34:21] os judeus, sobre

[00:34:23] mulheres. Então, Bruno, sobre essa história

[00:34:25] dele estar falando mais sério, eu concordo

[00:34:27] acho que você tem razão, acho que ele evoluiu de uma

[00:34:29] coisa muito piadística

[00:34:30] pra uma coisa cada vez mais explícita

[00:34:33] porque o humor, ele serviu pra testar

[00:34:35] as águas, ele serviu pra ir testando

[00:34:37] os limites e ele foi ganhando mais

[00:34:39] espaço, né, então você fala

[00:34:41] uma coisa muito ultrajante que você

[00:34:43] ainda consegue voltar atrás

[00:34:45] dizendo, era só piada, gente

[00:34:47] é molecagem. Se cai mal

[00:34:48] é, se cai mal, se cai bem

[00:34:51] você não precisa voltar atrás, aí era sério

[00:34:53] e assim você vai empurrando o limite

[00:34:55] do que é dizível, né, do que é dizível

[00:34:57] no discurso público. Antes dessa

[00:34:59] entrevista do Nick Fuentes com o Tucker Carlson

[00:35:01] que acho que vale a gente falar um pouco mais sobre o que

[00:35:03] ela significou e tá significando nesse

[00:35:05] momento no Partido Republicano

[00:35:06] ele fez um

[00:35:08] uma transmissão no Rumble, que é onde ele tem

[00:35:11] onde ele tá, ele foi expulso do

[00:35:13] YouTube, né, em que ele foi bem

[00:35:15] mais explícito do que ele costumava ser, isso já

[00:35:17] tinha causado um certo furor, isso foi em março

[00:35:19] desse ano, então é relativamente

[00:35:21] recente, que é esse trecho que eu queria

[00:35:23] mostrar pra vocês, eu tô com ele aqui, vamos ouvir

[00:35:25] porque eu acho que vale a pena a gente ouvir um pouco

[00:35:27] diretamente dele, apesar de ser bem nojento

[00:35:28] pra gente entender um pouco a estética

[00:35:31] e o linguajar que a gente tá

[00:35:32] referenciando. Vamos dar um play aí

[00:35:35] por favor.

[00:35:43] E, igualmente,

[00:35:47] just like the obfuscation with Jews,

[00:35:49] you have all these people saying

[00:35:50] no, no, no, that’s not the problem.

[00:35:53] The problem is modern

[00:35:55] women. They say

[00:35:57] it’s all these degenerate modern

[00:35:59] women. You need to find yourself a good

[00:36:01] girl who’s traditional and

[00:36:03] Christian and conservative.

[00:36:05] It’s like they’re telling us what to do, too.

[00:36:07] They’re talking way too much, too.

[00:36:10] Half the time

[00:36:11] when you go on Twitter and you have

[00:36:13] some stupid bitch wagging her finger

[00:36:15] in your face, she’s a Christian!

[00:36:17] So it’s, they’re always coming up

[00:36:19] with, no, it’s not the Jews.

[00:36:21] No, it’s not women. No, it’s not

[00:36:23] blacks. It’s actually really

[00:36:25] complicated. No, it fucking

[00:36:27] isn’t at all.

[00:36:29] Jews are running society.

[00:36:31] Women need to shut the fuck up.

[00:36:33] Blacks need to be imprisoned for the most

[00:36:35] part. And we would live in paradise.

[00:36:37] It’s that simple. It’s

[00:36:39] literally that simple.

[00:36:41] But the older I get, the more I

[00:36:43] realize it is really this simple.

[00:36:45] We need white men in charge of everything

[00:36:47] again. That’s it.

[00:36:49] Like, it’s that simple. You sort of

[00:36:51] start to get based and you kind of

[00:36:53] realize what’s up. And you have this

[00:36:55] inkling in your head. You’re like, man, we need white

[00:36:57] men in charge of everything.

[00:36:58] And then people kind of get convinced, like, no,

[00:37:01] it’s like, it’s about ideology. We need, like,

[00:37:03] right-wing patriots that love the

[00:37:04] free market. Or like, no, we need, like,

[00:37:07] trad Christians. It’s like, no, dude,

[00:37:09] we need white men running everything.

[00:37:12] Okay.

[00:37:13] White men need to run the household.

[00:37:15] They need to run the country. They need to

[00:37:17] run the companies. They just need

[00:37:19] to run everything.

[00:37:20] Eu sinto que esse vídeo, ele, primeiro,

[00:37:23] ele corrobora um pouco o que o Bruno tava falando, né?

[00:37:25] De que ele evoluiu pra além da

[00:37:26] piada. E aí ele é muito explícito mesmo.

[00:37:29] Não tá em piada aqui. É muito claro.

[00:37:31] Mas ele também tem uma coisa que,

[00:37:33] além de ser um resumo

[00:37:34] ultrajante, terrível, mas muito

[00:37:36] a destilação da ideologia

[00:37:39] do Nick Fuentes, tem

[00:37:41] uma coisa que eu acho central e que ele fala

[00:37:43] em One Passant, mas que é muito

[00:37:45] central, que é quando ele diz

[00:37:46] a questão não é ideológica. A gente não

[00:37:49] precisa de patriotas de

[00:37:51] direita. A gente precisa de homens brancos

[00:37:53] mandando em tudo. A gente

[00:37:55] precisa de homens brancos mandando na casa, né?

[00:37:57] Pra quem não acompanhou em inglês,

[00:37:59] ele termina dizendo isso.

[00:38:00] A gente precisa de homens brancos mandando na casa,

[00:38:03] mandando nas empresas, mandando no governo

[00:38:04] e aí vai ficar tudo bem. Esse é,

[00:38:07] na cabeça dele, né?

[00:38:08] Essa é uma solução mais simples

[00:38:10] do que a conversa ideológica.

[00:38:13] E eu acho isso muito

[00:38:15] central pelo seguinte, ele

[00:38:16] tá inaugurando

[00:38:19] uma conversa

[00:38:21] dentro do Partido Republicano

[00:38:22] que vai completamente

[00:38:24] contra a linha central

[00:38:27] que o instamento do Partido Republicano

[00:38:29] tava tentando adotar

[00:38:30] pra manter essa grande coalizão

[00:38:33] que elegeu o Donald Trump unida.

[00:38:35] E essa linha central, ela é basicamente

[00:38:37] anti-esquerda, né? Então,

[00:38:39] o que se diz é, olha,

[00:38:40] não interessa as nossas

[00:38:42] divisões internas, elas não interessam

[00:38:45] porque a gente se une

[00:38:46] em torno de uma ideologia que é

[00:38:48] anti-esquerda. O Nick Fuentes não é

[00:38:50] anti-esquerda exatamente, ele é também.

[00:38:53] Mas essa não é a batalha

[00:38:55] central que ele propõe

[00:38:56] e a partir da qual ele organiza

[00:38:59] a ideologia dele. A batalha

[00:39:01] central é identitária.

[00:39:03] Ele organiza a ideologia dele em volta

[00:39:05] dessa ideia de que homens brancos

[00:39:06] precisam estar no poder. E no fundo

[00:39:09] que ele tá dizendo, se eles forem de direita, se eles forem

[00:39:11] de esquerda, não é muito importante.

[00:39:12] O importante é que sejam homens brancos no comando.

[00:39:15] É evidente que homens

[00:39:16] brancos confortáveis em estar no

[00:39:18] comando e excluindo

[00:39:20] das posições de liderança qualquer

[00:39:22] mulher, qualquer pessoa negra, qualquer judeu,

[00:39:24] etc, não vão ser exatamente progressistas.

[00:39:27] Mas isso é uma

[00:39:28] consequência de uma

[00:39:30] visão ideológica que é de batalha

[00:39:32] civilizacional, identitária,

[00:39:34] dessa ideia de que existe uma batalha

[00:39:36] ser travada pela sobrevivência desses homens

[00:39:38] brancos, tá? Isso é muito, muito central

[00:39:40] pra ele. E se conecta com o

[00:39:42] caso do Cefete, se conecta com toda

[00:39:44] essa ideologia mais red pill.

[00:39:47] E no Brasil, como

[00:39:48] a gente tem uma sociedade onde

[00:39:50] o racismo é muito arraigado, mas ela é uma

[00:39:52] sociedade menos racializada nas identidades,

[00:39:55] tem muitas pessoas pardas, tem muito mais

[00:39:56] mistura, né? A maneira

[00:39:59] como isso tem que ser transmutado

[00:40:00] é em cima da religião. Então

[00:40:02] são os cristãos, é a coisa

[00:40:04] da cristofobia, né? São os cristãos

[00:40:07] como aqueles que são ameaçados,

[00:40:08] né? Uma figura importante pra essa

[00:40:10] bolha da resenha. Inclusive é um

[00:40:12] pastor, e acho que vale depois a gente falar um pouco

[00:40:14] desse pastor. Mas só pra falar

[00:40:16] como isso depois se transmuta em outros

[00:40:18] contextos. Mas isso pra mim é muito

[00:40:20] central. Esse é o Nick Fuentes

[00:40:22] que tá exercendo essa influência toda hoje no

[00:40:24] Partido Republicano. E a gente fala muito de red pill

[00:40:26] e o que ele tá fazendo nesse vídeo é basicamente

[00:40:28] atacar, essa é a primeira parte mais

[00:40:30] louca, atacar os red pill.

[00:40:33] Porque quando ele diz assim

[00:40:34] vocês estão dizendo que o problema

[00:40:36] é a mulher moderna, tá? Quando

[00:40:38] na verdade o problema é a mulher, ele tá basicamente

[00:40:40] dizendo assim, não, porque o red pill basicamente

[00:40:42] é

[00:40:42] um pessoal que defende

[00:40:44] que o feminismo acabou com a

[00:40:46] família, porque o feminismo botou

[00:40:48] a mulher, a mulher hoje em dia ela quer

[00:40:50] basicamente liberdade,

[00:40:52] ela quer ser alguém, ela quer ter direitos.

[00:40:55] Quando na verdade ela

[00:40:56] nasceu pra trabalhar no lar, enfim,

[00:40:58] alguma estupidez desse tipo. Só que

[00:41:00] o que o black pill diz é muito pior,

[00:41:02] que assim, não, não foi o feminismo que acabou com a família,

[00:41:04] a mulher sempre foi perversa,

[00:41:06] sempre foi má. Não é a mulher moderna,

[00:41:09] o problema é a mulher. Então ele é bem

[00:41:10] mais radical,

[00:41:12] ele é bem mais nazista mesmo,

[00:41:14] nazismo também não é o termo.

[00:41:16] É mais misógino.

[00:41:19] Ele é mais misógino, mas é isso.

[00:41:20] E não tem solução pra ele, não tem solução.

[00:41:22] A não ser o extermínio das mulheres.

[00:41:24] Então ele é mais abertamente feminicida,

[00:41:26] porque o que ele tá dizendo basicamente é

[00:41:28] a mulher, ela é o pânico,

[00:41:31] ela é o demônio, ela precisa

[00:41:32] ser extirpada, assim, é uma coisa

[00:41:34] ainda consegue ser mais violenta do que

[00:41:36] o red pill, que já são

[00:41:37] misóginos pra caralho e apoiam o feminicídio

[00:41:40] e tal, mas eles são feminicidas assim.

[00:41:42] Como o projeto deles é feminicida

[00:41:44] desde o início, né? Eu tenho a impressão de que eles

[00:41:46] discordam do red pill de uma maneira que consegue

[00:41:48] tornar ainda pior algo

[00:41:50] que já é abominável. Mas desculpa, eu tô

[00:41:52] aqui te cortando, Bruno, fala.

[00:41:54] Eu acho que sim, mas na verdade é assim,

[00:41:56] eu acho que ele tem uma certa

[00:41:58] consistência perversa

[00:42:01] de ir até

[00:42:02] o final do raciocínio que o projeto

[00:42:04] de supremacia branca representa

[00:42:06] e ele fala abertamente.

[00:42:08] Ele vai até a consequência lógica

[00:42:11] de uma misoginia,

[00:42:12] uma misoginia que nós entendemos

[00:42:14] como radical, mas na visão dele ainda

[00:42:16] é moderada, que é a misoginia do

[00:42:18] Donald Trump, do J.D. Vance.

[00:42:21] Então ele fala assim,

[00:42:22] não tem moderação

[00:42:24] com misoginia, não tem moderação

[00:42:26] com racismo, não tem moderação

[00:42:28] com supremacia branca. Eu tô falando

[00:42:30] sério do que vocês estão insinuando.

[00:42:33] Entendeu? Ele fala assim,

[00:42:34] se é o MAGA, se é Make America

[00:42:36] Great, então assim,

[00:42:39] é da época em que os homens brancos estavam

[00:42:40] no comando. É disso que eu tô falando.

[00:42:42] Então se você quer retomar

[00:42:45] uma idade de ouro,

[00:42:47] tem uma receita simples.

[00:42:49] A gente não tava debatendo ideologia.

[00:42:51] Era um monte de branco lá

[00:42:52] no poder e a mulher ficava em casa calada.

[00:42:55] Então assim, ele tem uma consistência,

[00:42:57] ele tem uma coerência.

[00:42:58] Se essa

[00:43:00] disputa de guerra

[00:43:01] é cultural, fez com que

[00:43:04] o centro fosse pra

[00:43:06] direita tanto, ele é

[00:43:08] coerente de estar na posição dele. E é essa

[00:43:11] honestidade, entre grandes aspas,

[00:43:12] é essa coerência trágica

[00:43:14] dele que faz com que ele ganhe espaço

[00:43:16] hoje, porque as pessoas estão

[00:43:18] acompanhando o raciocínio lógico.

[00:43:21] E só pra encerrar, tem uma coisa

[00:43:22] dele que a gente não pode esquecer, que é de onde

[00:43:24] ele vem. A primeira vez que ele aparece

[00:43:26] como uma figura pública assim, forte,

[00:43:28] é naquele protesto, aí sim,

[00:43:31] de supremacia branca, que se sentia

[00:43:33] vitimizada

[00:43:34] pelos judeus, pelos negros

[00:43:36] e tudo mais, que ele falava, eles querem

[00:43:38] nos substituir. Então ele tem essa ansiedade

[00:43:40] e a genética mesmo, de falar,

[00:43:42] a nossa

[00:43:43] etnia de homem

[00:43:46] branco hétero,

[00:43:48] ela está ameaçada,

[00:43:50] fisicamente, eles querem nos

[00:43:52] substituir. Então ele ainda acha isso.

[00:43:55] E outra, uma segunda vez que ele

[00:43:56] apareceu muito, é quando ele falou abertamente

[00:43:58] que ele era um incel

[00:44:00] orgulhoso. Então ele

[00:44:02] também representa, é isso que eu tô falando,

[00:44:04] ele é o filho

[00:44:06] pródigo desse universo

[00:44:09] de homens isolados,

[00:44:10] homens tóxicos, incels,

[00:44:12] inseguros, sabe?

[00:44:14] Ele é aquele moleque

[00:44:16] broxa, tonto,

[00:44:18] que chegou lá, entendeu?

[00:44:20] Ele é o avatar do incel

[00:44:22] que atingiu o lugar de

[00:44:24] influência mesmo, ele puxou

[00:44:26] pra o mainstream.

[00:44:28] E a questão religiosa,

[00:44:30] pra ele também é importante.

[00:44:32] Porque apesar dele ser um nacionalista

[00:44:34] étnico, cada vez

[00:44:36] mais, nas últimas entrevistas dele,

[00:44:38] ele vem afirmando cada vez

[00:44:40] mais forte que ele é um católico.

[00:44:42] Que não é nem evangélico, mas que ele é um católico

[00:44:44] fervoroso, e ele se apoia

[00:44:46] na Bíblia pra falar sobre o papel

[00:44:48] feminino, e sobre como formar

[00:44:50] casais, que é outra coisa que ele

[00:44:52] tem feito. Que é entrado em

[00:44:54] podcasts de masculinidade,

[00:44:57] não a lá Calvo do

[00:44:58] Campari, que aliás esse fim de semana foi

[00:45:00] preso. Outra notícia relevante

[00:45:03] pro nosso caso. Você não ficou sabendo?

[00:45:04] Calvo do Campari? São tantos motivos

[00:45:06] que eu não sei qual poderia ser.

[00:45:08] O Calvo do Campari foi preso no fim de semana

[00:45:10] porque, e eu achei

[00:45:12] estranho que a imprensa até fez um eufemismo,

[00:45:14] porque ele bateu na namorada, ele agrediu

[00:45:16] por violência doméstica,

[00:45:18] só que foi uma tentativa de estupro

[00:45:20] no fundo, porque ele espancou

[00:45:23] ela, porque ela não queria fazer sexo

[00:45:24] com ele. E ela

[00:45:27] gravou, e na audiência de

[00:45:28] a custódia dele, ele foi

[00:45:30] liberado. Ah, é?

[00:45:32] Ele passou menos de um dia preso, ele tá liberado

[00:45:35] com ação restritiva,

[00:45:37] que não pode chegar perto dela,

[00:45:38] mas ele foi preso em flagrante

[00:45:40] e foi liberado. Esse é o Calvo do

[00:45:42] Campari. Caralho.

[00:45:44] Então assim, só pra, é parênteses

[00:45:46] relevantes pro nosso papo. Vocês podem

[00:45:48] só situar pra audiência, pra quem não

[00:45:50] sabe quem é o Calvo do Campari,

[00:45:52] em uma palavra, em uma frase, que a gente não se

[00:45:54] perder no Calvo do Campari. O Calvo do Campari

[00:45:56] é um coach, é um coach red pill,

[00:45:58] fala rapidamente, que fica dando dicas de como

[00:46:00] chegar em mulher, mas sempre

[00:46:02] de uma maneira misógina, sempre

[00:46:04] desprezando as mulheres, e um

[00:46:06] vídeo dele viralizou

[00:46:08] especialmente pelo fato

[00:46:10] dele dizer que ele,

[00:46:12] ele não, ele tá sendo com uma mulher, e a mulher

[00:46:14] fala assim, quer tomar uma cerveja? E ele

[00:46:16] de cara deixa claro quem que manda, que é ele

[00:46:18] que manda. Ele fala, cerveja não, eu só tomo

[00:46:20] Campari. Que é muito importante.

[00:46:22] E ele é calvo, tem esse detalhe.

[00:46:24] Ele é calvo. Mas isso daí,

[00:46:26] isso daí eu sou contra, entendeu? A gente apontar

[00:46:28] isso como um defeito. A calvície

[00:46:30] ela, enfim,

[00:46:32] ela não é demérito. É Thiago Schultz.

[00:46:35] É o nome dele? É o nome dele.

[00:46:36] Ele ficou conhecido como Calvo do Campari

[00:46:38] depois dessa entrevista maravilhosa.

[00:46:40] Claro que foi um apelido depreciativo.

[00:46:42] Depreciativo, mas olha, só o problema

[00:46:44] de chamar ele de Calvo do Campari é que ele adorou, tá?

[00:46:46] Ele adorou, ele vestiu isso, sou calvo mesmo, qual o problema?

[00:46:48] Ganhou dinheiro, fez uma

[00:46:50] propaganda de implante,

[00:46:52] tá? Então, esse que é um dos problemas

[00:46:54] da gente. Eu não tô falando sério mesmo.

[00:46:56] Eu acho que o Calvo do Campari foi uma estratégia

[00:46:58] meio, uma das estratégias

[00:47:00] meio burras da esquerda, sabe? Zoar calvo,

[00:47:02] eu acho que é o tipo de coisa, e não é porque eu sou, não.

[00:47:04] É que realmente eu acho que é meio um tiro no pé,

[00:47:06] porque é o tipo de defeito fofo.

[00:47:08] No sentido assim, que não é um defeito.

[00:47:10] É um defeito que ele

[00:47:12] não tem responsabilidade.

[00:47:14] Exatamente. É um defeito que ele não tem culpa esse.

[00:47:16] O cara, ele é supremacista

[00:47:18] masculino, ele é

[00:47:19] misógino, né? Comete algo que eu considero

[00:47:22] crime de ódio contra mulheres, incita

[00:47:24] crime de ódio, e

[00:47:25] a gente tá chamando ele de Calvo?

[00:47:27] Tipo assim, é isso? Ah, é porque é isso que vai

[00:47:30] machucar ele. Eu acho que não,

[00:47:31] tanto é que é isso. Ele tá lá fazendo propaganda de

[00:47:33] implante. Enfim, façam o que quiserem,

[00:47:36] eu só acho que esse cara daí, enfim, que já vai

[00:47:38] tarde pra cadeia, quer dizer, não vai tarde pra cadeia, né?

[00:47:41] Mas o novo,

[00:47:41] vamos voltar pro seu trabalho.

[00:47:43] Só pra encerrar, porque eu tô falando que o Fuentes,

[00:47:45] apesar de ser o misógino que ataca as mulheres,

[00:47:48] ele não ataca elas no estilo Calvo

[00:47:50] do Campari, desculpa,

[00:47:51] é o termo que tem

[00:47:52] do Schultz.

[00:47:55] Porque o Schultz ainda tá no campo

[00:47:57] de tipo, eu sou pegador.

[00:48:00] As mulheres não vão

[00:48:01] valer nada, mas elas vão me valorizar porque eu sou

[00:48:03] macho alfa. Ele é mais no campo

[00:48:05] do Andrew Tate,

[00:48:07] dos caras que eram pegadores, que se dão

[00:48:09] dicas de como pegar um monte de mulher.

[00:48:11] O Nick Fuentes não. Ele fala assim,

[00:48:13] você tem que casar cedo e virgem.

[00:48:15] E ter uma parceira só. Porque

[00:48:17] a promiscuidade acaba

[00:48:19] com o seu espírito.

[00:48:21] Você não vai ter muitos filhos, que é pra

[00:48:23] repovoar a população branca.

[00:48:25] Então nesse sentido, é exatamente isso que eu tô falando.

[00:48:28] Ele tem mais consistência

[00:48:29] radical mesmo. Ele não tá

[00:48:31] só falando essas

[00:48:33] merdas, ele vai até o fim do pensamento

[00:48:35] dele. Então ele faz parte de uma outra

[00:48:37] misoginia, mais bíblica

[00:48:40] mesmo, e menos

[00:48:41] contemporânea. Que é o lugar de

[00:48:43] a mulher é como uma reprodutora

[00:48:45] calada em casa.

[00:48:47] E o homem toca o mundo

[00:48:49] público. Sim.

[00:48:51] E é nesse sentido

[00:48:53] que isso

[00:48:54] que isso cria

[00:48:57] uma cisão também dentro do partido.

[00:48:59] O que aconteceu, então, voltando pra entrevista do

[00:49:01] Tucker Carlson, que acho que é essencial

[00:49:03] pra conversa, inclusive sobre sucessão, aqui

[00:49:05] dentro do bolsonarismo.

[00:49:07] Quando o Nick Fuentes vai no Tucker Carlson, isso

[00:49:09] cria uma consternação dentro da direita

[00:49:11] americana. Cria um problema.

[00:49:14] Por quê? Porque o Tucker Carlson

[00:49:15] é, como o Bruno falou, um dos

[00:49:17] grandes âncoras, bem

[00:49:19] mainstream, bem grande público

[00:49:21] da direita. Ficou muito

[00:49:23] tempo na Fox News, era o âncora

[00:49:25] mais visto da TV

[00:49:27] a cabo americana durante muito tempo.

[00:49:29] Ele sai da Fox News, ele é expulso

[00:49:31] da Fox News como um

[00:49:33] pouco ali

[00:49:34] vítima colateral da conversa

[00:49:37] toda sobre

[00:49:38] não reconhecimento do resultado da

[00:49:41] eleição. A Fox News, obviamente,

[00:49:44] também tá jogando um jogo meio

[00:49:45] duplo ali, porque ao mesmo tempo que expulsa

[00:49:47] o Tucker Carlson, ela não realmente

[00:49:49] volta atrás, nem se redime

[00:49:51] do papel que ela cumpriu em incitar aquela

[00:49:53] insurreição do 6 de janeiro lá

[00:49:55] nos Estados Unidos. Enfim, ele é expulso

[00:49:57] e aí o Elon Musk, que é

[00:49:59] uma figura importante nessa conversa também, porque

[00:50:01] o Elon Musk tem um pique gróiper, ele é

[00:50:03] quase um gróiper ele próprio. Antissemita.

[00:50:05] E claramente antissemita. Ele

[00:50:07] abre espaço pro Tucker Carlson ter o programa

[00:50:09] dele no Twitter. Com o financiamento,

[00:50:11] em tese, no início do próprio

[00:50:13] Elon Musk. E esse programa

[00:50:15] do Tucker Carlson vira uma coisa enorme

[00:50:17] também. E aí ele vai e recebe o Nick Fuentes

[00:50:19] e ele faz uma entrevista

[00:50:20] leve, macia

[00:50:23] com o Nick Fuentes, sabe? Não é que ele faz uma entrevista

[00:50:25] tentando entender

[00:50:27] essa

[00:50:28] dissidência dentro da direita.

[00:50:31] Não é uma entrevista de

[00:50:33] questionamento e tampouco

[00:50:35] ela não tem uma postura assim de, meu Deus,

[00:50:37] deixa eu entender esses malucos, porque a gente precisa

[00:50:39] dialogar com eles dentro da direita. Poderia ser.

[00:50:41] É muito mais uma plataforma pra ele

[00:50:43] falar das ideias dele mesmo como

[00:50:45] uma pessoa respeitável, né?

[00:50:47] E aí, quando ele faz isso, isso gera

[00:50:49] uma série de reações. Então a gente tem

[00:50:51] uma das grandes fundações na direita americana

[00:50:53] que é a Heritage Foundation, que foi

[00:50:55] quem foi responsável por compilar

[00:50:57] o Project 2025, que era uma espécie

[00:50:59] de programa de governo informal do

[00:51:01] Donald Trump,

[00:51:03] cujo presidente, inicialmente,

[00:51:06] faz um vídeo

[00:51:07] defendendo o Tucker Carlson e defendendo

[00:51:09] por tabela o próprio Nick Fuentes,

[00:51:11] e aí a Heritage, ela vai lidar

[00:51:13] com uma rebelião dentro da sua equipe,

[00:51:15] de pessoas falando, não, o Nick Fuentes não.

[00:51:17] E aí um monte de gente se demite,

[00:51:19] então isso vai gerando uma cisão.

[00:51:21] A tal ponto que

[00:51:23] o Trump começa a ser indagado sobre isso,

[00:51:25] ele dá uma desconversada, fala que ele nem sabe

[00:51:27] direito quem é o Nick Fuentes, sendo que ele já jantou

[00:51:29] com o Nick Fuentes, mas enfim, em Mar-a-Lago.

[00:51:32] Mas ele diz, não, eu não sei direito

[00:51:33] o que ele fala.

[00:51:35] Ele põe essa

[00:51:36] essa é a narrativa que ele adota

[00:51:39] e você começa a ter uma série

[00:51:41] de outros articulistas, Megan Kelley,

[00:51:43] outros âncoras, outras figuras

[00:51:45] midiáticas dentro da direita americana,

[00:51:48] que vão tentando

[00:51:49] chamar essa direita e falar

[00:51:51] não, gente, vamos brigar por causa

[00:51:53] do Nick Fuentes. A gente tem outros

[00:51:55] inimigos, que são a esquerda.

[00:51:57] E isso tá acontecendo nas semanas

[00:51:59] em que o Mamdani tá pra

[00:52:01] ganhar a prefeitura de Nova York.

[00:52:03] Então, quando o Mamdani ganha,

[00:52:05] o chamado dentro da

[00:52:07] da direita americana é

[00:52:08] não odeiem o Nick Fuentes, odeiem o Mamdani.

[00:52:11] A gente precisa se unir contra

[00:52:12] esses caras. Por que que estamos falando do

[00:52:15] antissemitismo do Nick Fuentes, quando na verdade

[00:52:17] tem o suposto antissemitismo do

[00:52:19] Mamdani, entende? É um pouco essa

[00:52:20] a linha narrativa que se adota

[00:52:23] ali dentro. E eu acho ela muito fundamental

[00:52:25] porque tem um

[00:52:27] um jogo

[00:52:29] natural dentro da política eleitoral

[00:52:31] quando você tem um sistema

[00:52:33] representativo em que você precisa

[00:52:35] ganhar a eleição, que é você tentar construir

[00:52:37] uma tenda grande

[00:52:39] o suficiente pra ter maioria.

[00:52:41] Nos Estados Unidos, a maioria não é exatamente

[00:52:43] necessária pra se ganhar, mas ainda assim

[00:52:45] é muito mais confortável ganhar com a maioria do voto

[00:52:47] popular do que sem ela. Então, você tá

[00:52:49] sempre construindo em torno

[00:52:51] de uma tenda grande. O Nick Fuentes

[00:52:53] não é um cara de tenda grande, entende?

[00:52:55] Ele não tá tentando conciliar as contradições

[00:52:57] dentro dessa coalizão pró-Trump.

[00:53:00] Ele representa um pedaço

[00:53:01] dessa tenda que não

[00:53:03] faz acordo com

[00:53:05] o resto. Por um lado,

[00:53:07] tem uma coisa boa nisso, que é dificilmente

[00:53:09] ele vai ter o mesmo nível de adesão eleitoral

[00:53:11] por outro lado, ele vai empurrando

[00:53:13] toda a tenda

[00:53:15] mais pro lado dele, porque ele ganhou massa

[00:53:17] crítica suficiente pra também ser

[00:53:19] imprescindível. Então, ele é quase aquela

[00:53:21] não se chama parlamentarista, ele seria

[00:53:23] aquele partido minoritário

[00:53:25] porém grande o suficiente

[00:53:27] dentro de um campo pra que

[00:53:29] você não consiga formar governo sem esse

[00:53:31] partido, sabe? É isso que ele tá conseguindo

[00:53:33] criar. E isso, acho que é

[00:53:35] parecido com a extrema-extrema-direita

[00:53:37] no Brasil e

[00:53:39] também é parecido com o tipo

[00:53:41] de papel que

[00:53:43] o fundamentalismo cristão no Brasil

[00:53:45] hoje exerce dentro da direita brasileira.

[00:53:47] Ele não é majoritário, não é que você vai

[00:53:49] ganhar uma eleição só falando em teocracia,

[00:53:51] você não tem 50% mais um,

[00:53:53] mas ele é importante o suficiente

[00:53:55] dentro do campo de direita

[00:53:57] pra você não conseguir ganhar dentro

[00:53:59] da direita sem ele. Então, você precisa

[00:54:01] compor com ele. Então, ele vai

[00:54:03] empurrando esse centro da direita

[00:54:05] mais pra extrema-direita, que é

[00:54:07] o que acontece também com o Nick Fuentes.

[00:54:09] Acho que tem uma coisa muito importante que

[00:54:11] a entrevista do Tucker Carlson representou,

[00:54:13] que é apresentar o Nick Fuentes pra

[00:54:15] um público mais velho do que

[00:54:17] o que ele tava acostumado. Porque ele

[00:54:19] sempre teve um certo bloqueio midiático.

[00:54:21] Ele era tratado como uma figura

[00:54:23] maluca, como ele foi

[00:54:25] perfilado, mas ele nunca foi entrevistado.

[00:54:27] E o que o Tucker Carlson representa

[00:54:28] é o velho

[00:54:30] espectador da Fox,

[00:54:33] que é mais velho do que os

[00:54:35] Gropers, não é em céu, não conhece

[00:54:37] essa linguagem.

[00:54:39] E ele fala, está aqui,

[00:54:41] um jovem direitista

[00:54:43] falando certas verdades que o

[00:54:45] Partido Republicano não tem mais coragem de falar.

[00:54:47] E eu acho que isso transcende um pouco

[00:54:48] o cálculo eleitoral puro e simples.

[00:54:51] Mas tem a ver com essa radicalização

[00:54:53] da formação de uma

[00:54:55] conversa que era uma guerra cultural,

[00:54:57] aonde o Nick Fuentes fazia parte,

[00:54:59] que ela vira agora

[00:55:01] propriamente uma formação

[00:55:03] que não é só de guerra cultural mais,

[00:55:05] mas que é uma formação de um pensamento

[00:55:07] político com mais consistência.

[00:55:09] E eu volto no meu ponto, que eu acho,

[00:55:11] que ele é central pra entender o que representa

[00:55:13] o Nick Fuentes hoje, tá? Eu acho

[00:55:15] que não é de longe a única

[00:55:17] coisa que explica, mas pra mim

[00:55:19] ele é o… é concreto

[00:55:21] que o prédio vai ser construído

[00:55:23] em cima, que foi a questão

[00:55:25] de Israel e o genocídio

[00:55:27] e o bloqueio crítico

[00:55:29] midiático que se deu.

[00:55:31] Eu não acho que ele, pros Estados

[00:55:33] Unidos, é o assunto mais

[00:55:35] importante na cabeça das pessoas,

[00:55:37] mas ele é um teste da sua

[00:55:39] honestidade intelectual.

[00:55:40] Se você não

[00:55:42] reconhece o genocídio,

[00:55:45] o lobby, as mentiras,

[00:55:47] a maneira como o governo dos Estados

[00:55:48] Unidos é cúmplice do que tá acontecendo

[00:55:50] lá, você perde muito

[00:55:52] capital político com a maioria

[00:55:54] dos dois partidos hoje já.

[00:55:56] Acho que o

[00:55:57] Emamdani representa muito isso,

[00:56:01] porque o fato de ele ter rompido

[00:56:02] com o consenso democrático

[00:56:04] pró-Israel

[00:56:07] fez com que ele

[00:56:08] subisse rápido na pesquisa

[00:56:10] Ele saiu

[00:56:12] de um cara realmente honesto

[00:56:14] E o Nicky F. Wentz, de um lado

[00:56:16] é perverso, de um lado é

[00:56:18] direitista, é extremo

[00:56:20] Ele conseguiu fazer

[00:56:22] com que o silêncio em relação a Israel

[00:56:24] fosse algo que lhe fizesse

[00:56:26] parecer um cara honesto. E o

[00:56:28] Tucker Carlson, a mesma coisa

[00:56:30] O Tucker Carlson não tava tão

[00:56:32] bem na fita mais, ele não

[00:56:34] cresceu rápido esse show dele

[00:56:36] E eu acho que o

[00:56:38] uso tático,

[00:56:40] inteligente que esses caras estão fazendo

[00:56:42] do choque público em relação

[00:56:44] a essas mortes que Israel fez

[00:56:46] eu acho que é o que fez a piada

[00:56:48] acabar. Eles não precisam

[00:56:50] mais do Pepe the Frog

[00:56:51] Eles não precisam mais usar o apito

[00:56:54] de ir a cachorro. Eles podem

[00:56:56] ir mais frontalmente

[00:56:58] e é contra

[00:57:00] o que eles sempre foram

[00:57:02] que é a ideia de que os

[00:57:04] é judeus no fim das contas, não

[00:57:06] Israel, não o lobby, não uma questão

[00:57:07] específica, mas os é judeus

[00:57:10] judeus controlam o mundo

[00:57:12] que é uma frase que ele falou

[00:57:14] é muito curioso isso, porque

[00:57:15] porque, é, exatamente

[00:57:18] a gente ouve muito

[00:57:20] a acusação de antissemitismo

[00:57:22] sendo jogada pra pessoas que estão apenas

[00:57:24] estão apenas

[00:57:26] atacando o Netanyahu, estão apenas criticando

[00:57:28] o genocídio perpetrado pelo Estado de Israel

[00:57:30] estão apenas defendendo o direito

[00:57:32] à Palestina de existir

[00:57:34] e as pessoas são chamadas de antissemita

[00:57:36] e toda a artilharia, eu acho, dessas

[00:57:38] grandes ONGs que supostamente

[00:57:40] lutam contra o antissemita, do antissemitismo

[00:57:42] são voltadas

[00:57:44] para essas

[00:57:45] declarações, para as pessoas que apoiam a Palestina

[00:57:48] inclusive é proibido você ter

[00:57:50] cartaz, você segurar um cartaz

[00:57:52] escrito I support Palestinian action

[00:57:54] em lugares como a Inglaterra

[00:57:55] foi preso ontem mesmo uma mulher de 85

[00:57:58] anos, foi carregada pelos

[00:58:00] policiais porque estava com uma placa escrito

[00:58:01] eu apoio a ação palestina, que é um grupo em defesa

[00:58:04] da Palestina, mas

[00:58:06] não é crime você

[00:58:08] postar o Pepe de Frogue

[00:58:10] você apoiar o Nick Fuentes

[00:58:11] Nick Fuentes, atenção, quando diz que ele é antissemita

[00:58:13] não é que ele critica o Estado de Israel

[00:58:15] ou que ele critica o Netanyahu, não

[00:58:17] é que ele nega o Holocausto

[00:58:20] ele diz que achava muito difícil ter morrido

[00:58:22] 6 milhões de pessoas, é que ele diz

[00:58:24] que os judeus tinham que se converter

[00:58:25] os judeus talmúdicos que eles chamam

[00:58:28] ou seja, os judeus ortodoxos, que queiram

[00:58:29] ficar nos Estados Unidos, deveriam ser

[00:58:31] obrigados a se converter ao cristianismo

[00:58:34] assim, é

[00:58:35] antissemitismo, isso é

[00:58:38] antissemitismo, entendeu assim, e ao mesmo tempo

[00:58:40] não parece mobilizar tanto

[00:58:41] essas organizações que supostamente

[00:58:43] combatem o antissemitismo, mas são apenas

[00:58:45] são apenas organizações de extrema direita

[00:58:47] sionista, são apenas isso

[00:58:49] o Nick Fuentes já falou que Hitler era awesome

[00:58:51] que ele era cool, que ele era um cara legal

[00:58:53] então assim, é antissemitismo mesmo

[00:58:55] tem uma

[00:58:56] coisa curiosa que é

[00:58:58] essa transmutação, ou essa associação

[00:59:02] do discurso

[00:59:03] antisionista

[00:59:04] com o antissemitismo puro mesmo

[00:59:07] essa acusação foi muito direcionada à esquerda

[00:59:10] como algo que já se dizia

[00:59:11] isso está acontecendo, ou como um medo

[00:59:14] de que isso pudesse acontecer, né, você vai começar

[00:59:15] criticando o Estado de Israel e se dizendo

[00:59:18] antisionista, em dado momento você vai revelar

[00:59:20] isso vai se transmutar

[00:59:22] em antissemitismo, isso foi muito direcionado

[00:59:24] para a esquerda, e certamente deve ter

[00:59:26] exemplos dentro da esquerda em que

[00:59:28] isso de fato aconteceu, mas isso está

[00:59:30] muito mais flagrantemente presente

[00:59:32] na extrema direita, ali sim

[00:59:34] a gente tem uma associação explícita

[00:59:36] entre um discurso antisionista

[00:59:38] e anti-Estado de Israel e crítico ao

[00:59:39] genocídio e por aí vai, e

[00:59:41] antissemitismo puro e simplesmente

[00:59:43] esses caras já eram abertamente antissemitas

[00:59:46] antes do 7 de outubro e antes da guerra

[00:59:48] e eles seguem sendo

[00:59:49] e agora eles têm um outro argumento

[00:59:52] que eles estão usando

[00:59:54] abertamente para

[00:59:55] alimentar um discurso antissemita

[00:59:57] mesmo, e você tem razão

[00:59:59] Greg, apesar disso, isso não

[01:00:02] não parece gerar

[01:00:04] o mesmo tipo de reação

[01:00:05] é isso, quando o Nick Frentes

[01:00:07] dá essa entrevista para o Tucker Carlson, que você vê

[01:00:09] um monte de comentaristas

[01:00:12] de direita nos Estados Unidos, falando

[01:00:13] gente, mas vamos falar do antissemitismo do Mandani

[01:00:16] como diz assim, o antissemitismo do Nick Frentes

[01:00:18] não é conveniente pra gente

[01:00:20] vamos falar do antissemitismo desse outro cara aqui

[01:00:21] que aliás, não é antissemita

[01:00:23] esse de fato é puramente crítico

[01:00:26] do Estado de Israel, mas zero antissemita

[01:00:28] então existe uma busca

[01:00:30] e acho que

[01:00:31] talvez em algum receio

[01:00:34] mesmo, de que o antissemitismo

[01:00:36] ele vai ser a consequência política

[01:00:38] de um crescimento

[01:00:39] grande no antisionismo

[01:00:41] que está absolutamente mal direcionada

[01:00:44] e acho que

[01:00:45] por vezes mal direcionada simplesmente por conveniência

[01:00:47] política, por oportunismo político

[01:00:50] e por alinhamento ideológico à direita mesmo

[01:00:52] mas por vezes, também talvez por não

[01:00:54] entender e não conseguir fazer leitura

[01:00:55] do tamanho desse fenômeno

[01:00:57] hoje, sabe, que repito

[01:00:59] de novo, a maneira como ele se expressa no Brasil

[01:01:02] ainda está pouco clara, mas onde eu vejo

[01:01:04] mais ligação

[01:01:06] é dentro

[01:01:08] dos círculos fundamentalistas religiosos

[01:01:09] brasileiros, que são profundamente

[01:01:12] antissemitas, apesar de vestirem

[01:01:14] a camisa, aí é mais loucura mesmo, porque eles são

[01:01:16] sionistas e antissemitas

[01:01:18] desculpa, não é loucura

[01:01:20] tem muita consistência

[01:01:21] entre o antissemitismo e

[01:01:23] ser um

[01:01:25] sionista gentil

[01:01:27] quero que eu explique

[01:01:28] você falou que eles são loucos, mas não é

[01:01:31] é uma loucura

[01:01:32] que está justificada na própria teologia

[01:01:36] mas que é

[01:01:37] essa contradição aparente

[01:01:39] entre você falar, não, eu sou a favor

[01:01:41] não só da existência do Estado de Israel

[01:01:43] mas de um Estado de Israel maximalista

[01:01:45] que domina todas as outras pessoas naquela

[01:01:47] região, inclusive pela força

[01:01:49] e ao mesmo tempo eu sou antissemita, porque eu quero

[01:01:51] esse Estado de Israel maximalista

[01:01:54] para acelerar o apocalipse

[01:01:55] e o cumprimento da profecia que termina, culmina

[01:01:57] com todos os judeus do mundo

[01:01:59] ardendo no inferno, então

[01:02:01] esse é o espaço onde

[01:02:03] esse tipo de

[01:02:05] ideologia gróia está se expressando no Brasil

[01:02:07] e uma das grandes

[01:02:09] diferenças dessa bolha da resenha

[01:02:11] dessa galera

[01:02:12] que encarna talvez um pouco

[01:02:15] o Nick Fuentes aqui

[01:02:17] é o pastor Tupirani

[01:02:19] que é o Tupirani da Hora Loris, inclusive

[01:02:21] achei que fosse Tupirani, não é não?

[01:02:23] é Tupirani? Talvez

[01:02:24] eu só vejo ele escrito

[01:02:27] eu nunca vejo ele falado

[01:02:28] o Nicholas

[01:02:31] inclusive depois da morte

[01:02:33] do Charlie Kirk, não, perdão

[01:02:35] não depois da morte do Charlie Kirk, agora

[01:02:37] durante a operação no Alemão

[01:02:39] durante a operação aqui na Penha

[01:02:41] no Alemão, no Rio

[01:02:42] e a chacina que aconteceu

[01:02:44] ele tuita, Tupirani, o Tupirani

[01:02:47] deve estar como nessas horas

[01:02:49] que é também um apito de cachorro pro Tupirani

[01:02:51] o Tupirani é um pastor

[01:02:53] evangélico, carioca

[01:02:56] teocrático

[01:02:57] mesmo

[01:02:58] e ele tem esse discurso bem hostil ao Estado

[01:03:01] e ele fala abertamente de

[01:03:03] a Bíblia como a única

[01:03:05] regra de vida, a gente tem a Bíblia sim

[01:03:07] a Constituição não, é por aí que ele vai

[01:03:09] e ele é super referenciado nessa bolha

[01:03:11] da resenha brasileira

[01:03:13] é, sim

[01:03:15] e eu acho que

[01:03:17] é muito

[01:03:18] claro que tem um movimento fundamentalista

[01:03:21] religioso que vai tentar ocupar

[01:03:23] esse lugar

[01:03:25] mas ele não é exatamente nativo

[01:03:27] desse universo de onde o Nick Fuentes

[01:03:29] parte, e acho que tem

[01:03:31] uma questão, a gente não precisa entrar muito fundo nisso

[01:03:33] hoje, mas que eu acho que o legado

[01:03:35] bolsonarista, já que

[01:03:37] o homem tá não só preso, mas tá

[01:03:39] empolgado, esse capital político

[01:03:41] tá aí, e tem uma parte

[01:03:43] dessa coalizão que é muito forte

[01:03:45] que precede o próprio Bolsonaro

[01:03:47] e que tem a mesma origem parecida

[01:03:49] digital, ressentida, machinho

[01:03:52] que não, entendeu? Que é o próprio

[01:03:53] MBL, que agora tá com um partido

[01:03:55] e já tá se colocando abertamente

[01:03:58] mais extremista do que o

[01:03:59] bolsonarismo, falando que o bolsonarismo é fraco

[01:04:01] que o Flávio Bolsonaro

[01:04:03] vai ser destruído, que eles sim

[01:04:05] são os revolucionários, usando essa própria

[01:04:07] expressão, então não tô falando que

[01:04:09] é a mesma coisa, que é a mesma

[01:04:11] ideologia, mas tem a mesma

[01:04:13] tem a mesma base

[01:04:15] cultural, assim, a mesma

[01:04:17] infraestrutura, é cultural

[01:04:19] digital, muito

[01:04:22] é online, não vem

[01:04:23] de um lugar da política tradicional

[01:04:25] e meio rompe isso

[01:04:27] claro que eles já tiveram o auge

[01:04:29] deles, eles são eleitos, eles já tem um partido

[01:04:31] então assim, eles também vêm com muito mais

[01:04:34] bagagem, e muito

[01:04:35] mais passivo mesmo, eu acho que não vai ser tão

[01:04:37] simples pra um MBL conseguir fazer

[01:04:39] esse sequestro, mas

[01:04:41] esse amálgama de

[01:04:43] ressentimentos, de

[01:04:45] eis em céus que hoje estão com seus

[01:04:47] 30 e meios anos

[01:04:49] tem no MBL

[01:04:51] e eles vão reaparecer

[01:04:53] agora com muito mais força e horário em

[01:04:55] TV, financiamento público e tudo mais

[01:04:58] pra ficar de olho nisso

[01:04:59] também, e só pra reforçar o que vocês colocaram

[01:05:02] antes sobre sionismo e

[01:05:03] antissemitismo, vocês terem uma ideia

[01:05:05] uma dessas associações

[01:05:07] dos Estados Unidos que monitoram

[01:05:09] que monitoram

[01:05:11] antissemitismo, entre grandes aspas

[01:05:14] porque é muito mais uma defesa

[01:05:16] de Israel mesmo, estão lançando

[01:05:18] um ranking

[01:05:19] do antissemita do ano

[01:05:21] e nos

[01:05:23] 10 primeiros colocados que eles estão fazendo

[01:05:25] a votação e tudo mais, não está o

[01:05:27] Nick Fuentes

[01:05:28] está o Tucker Carlson

[01:05:31] e a maioria de pessoas de esquerda

[01:05:33] não sei o que, e uma das pessoas que

[01:05:35] estão, pra você ter uma ideia

[01:05:37] é a Miss Rachel

[01:05:39] que é assim

[01:05:41] é uma apresentadora infantil

[01:05:43] absolutamente

[01:05:45] inocente, uma pessoa

[01:05:48] assim, boazinha de qualquer nível

[01:05:50] e que cometeu o pecado

[01:05:52] imperdoável antissemita

[01:05:54] de falar de uma

[01:05:56] criança palestina que perdeu as

[01:05:58] pernas e se

[01:05:59] solidarizar com essa

[01:06:01] criança, foi um pacto tão forte

[01:06:04] porque ela é tão grande

[01:06:05] ela é tão inevitável, ela atingiu famílias

[01:06:08] que foi inaceitável pra

[01:06:09] o lobby acionista que isso pudesse

[01:06:11] ser feito, então ela está sendo

[01:06:13] muito mais apontada como antissemita

[01:06:15] do que o Nick Fuentes

[01:06:17] e isso é o meu ponto

[01:06:19] se você é um nacionalista étnico

[01:06:21] mesmo que você seja antissemita

[01:06:24] você é menos uma

[01:06:25] ameaça pro estado de Israel

[01:06:27] e isso é o que importa

[01:06:29] pra esses caras, pra o acionismo

[01:06:31] e quando a coisa se radicaliza

[01:06:33] no nível de um genocídio explícito

[01:06:36] onde os velhos argumentos não

[01:06:37] param mais em pé, você

[01:06:39] vê qual é a prioridade mesmo

[01:06:41] os caras são muito mais confortáveis

[01:06:43] em se aliar ou fechar

[01:06:45] os olhos pra um cara que é

[01:06:47] anti-judaísmo do que

[01:06:49] pra um cara que é anti-Israel

[01:06:52] e pró-judaísmo

[01:06:54] então você vê exatamente

[01:06:55] esse aspecto

[01:06:58] antissemita do

[01:06:59] sionismo muito colocado hoje

[01:07:01] em dia e o Nick Fuentes

[01:07:03] ele é protegido

[01:07:05] por essa estrutura e ele

[01:07:07] bebe dela pra se legitimar

[01:07:09] então é um mau negócio mesmo

[01:07:12] e eu já vou passar pra vocês

[01:07:14] também indicarem seus livros

[01:07:15] mas antes disso, eu só queria mostrar pra vocês

[01:07:17] um vídeo que eu recebi aqui

[01:07:19] que eu acho que fala um pouco sobre

[01:07:21] essa ruptura

[01:07:23] na direita, na extrema direita brasileira

[01:07:25] e nessa disputa que tá rolando pelo

[01:07:27] bolsonarismo, tem um cavalo que corre

[01:07:29] por fora aí, que é um cavalo

[01:07:32] não é possível que ele me levaria muito a sério

[01:07:33] não, mas que eu acho curioso pelo menos mostrar

[01:07:35] o que tá rolando no MBL

[01:07:37] que agora não é mais o MBL, é o Missão

[01:07:39] então olha só esse vídeo aqui

[01:07:41] acho que dá, se eu não me engano

[01:07:43] é o primeiro grande comício do Missão

[01:07:45] desse novo MBL aí

[01:08:09] , o mesmo Lula que nós

[01:08:11] prendemos em 2018

[01:08:13] fomos nós na rua

[01:08:14] foi uma operação Lava Jato que nós apoiamos

[01:08:17] foi a nossa causa, foi a nossa

[01:08:19] coragem, nós já vencemos

[01:08:21] eles antes, nós já os

[01:08:23] superamos antes, nós temos

[01:08:25] PHD em como derrotar o PT

[01:08:27] e uma dica sempre, qual é

[01:08:29] o único número que supera

[01:08:31] o 13?

[01:08:33] qual é o único número que supera

[01:08:35] o 13, caralho?

[01:08:36] qual é o único número?

[01:08:38] é 14?

[01:08:39] não precisamos

[01:08:41] é tão ruim a dicção

[01:08:44] é, qual é o único número que supera

[01:08:47] o único?

[01:08:47] e ele comete um erro básico

[01:08:50] que é deixar a plateia falar

[01:08:52] o número, então não fica bom

[01:08:54] não é bom como peça de propaganda política, entendeu?

[01:08:56] ele tinha que falar

[01:08:57] são tantas burrices aí que eu não sei pra onde começar

[01:09:01] mas várias coisas

[01:09:02] que são curiosas, uma delas onde vocês perceberam

[01:09:04] tem furries, pessoas de

[01:09:06] atrás dele

[01:09:08] de boneco, mas com as gordinhas de pelúcia

[01:09:10] junto com, ele tá com uma

[01:09:12] espada na cintura, que é a espada de

[01:09:14] Dom Pedro, supostamente

[01:09:16] tá, então ainda tem essa pisca dela

[01:09:18] a espada de Dom Pedro

[01:09:20] depois tem outro cara, ah, então deixa eu só mostrar um outro vídeo

[01:09:22] por favor, vai ser rápido, se você quiser

[01:09:23] vocês tiram, só porque ele explica, acho que é um pouco melhor

[01:09:26] aqui, ó, tá aqui, ó, põe aqui

[01:09:28] vai lá, vai lá, Greg

[01:09:29] põe isso aí também, porque tem um outro colega dele fazendo

[01:09:32] um discurso também espetacular

[01:09:34] com a mesma espada, e também é muito especial

[01:09:36] pra ver a cara dessas

[01:09:38] extrema-direita brasileira, né

[01:09:40] e que, bom

[01:09:42] tem muita coisa aí

[01:09:43] mas eu gosto muito da ideia de que eles derrotaram

[01:09:46] o Lula, então as vitórias são deles

[01:09:48] as derrotas não, mas olha isso

[01:09:50] recuperar o Brasil que a gente precisa

[01:09:51] o Brasil que a gente deseja

[01:09:53] o Brasil que a gente nunca teve

[01:09:55] eles tiraram esse país da gente

[01:09:58] e a gente tem que tomar ele de volta

[01:10:00] eu peço uma coisa

[01:10:01] às vezes alguns vão falar

[01:10:04] chateado, mas nossa

[01:10:05] perdemos o fulaninho

[01:10:07] perdemos o Beltrano

[01:10:09] olhem pro lado

[01:10:11] olhem a quantidade de gente aqui

[01:10:13] a gente não para de aumentar

[01:10:16] nós não somos

[01:10:17] um ou outro que saem

[01:10:19] nós somos isso aqui

[01:10:21] tentaram destruir

[01:10:23] várias e várias vezes

[01:10:25] e vão tentar, só tem uma alternativa

[01:10:28] vencer

[01:10:29] é vencer ou morrer

[01:10:31] ponto

[01:10:33] é isso que eles não tiram da gente

[01:10:35] ao longo desse caminho, em todos os momentos

[01:10:37] de problema

[01:10:38] às vezes alguns colegas, amigos

[01:10:40] com ansiedade

[01:10:42] chateados por ataques nojentos

[01:10:45] que a gente vive

[01:10:45] vem conversar comigo, eu falo

[01:10:49] irmão, enquanto você estiver vivo

[01:10:51] o jogo não acabou

[01:10:53] então irmão

[01:10:54] que é para a gente só tem um jeito

[01:10:57] ok?

[01:10:58] e mesmo que eles parem um ou outro

[01:11:00] eles não vão parar vocês

[01:11:02] ai ai

[01:11:04] com uma espada na mão, curvado

[01:11:06] berta

[01:11:07] é um misto

[01:11:09] devolve o Dungeons and Dragons pra ele

[01:11:11] exatamente, porque tem algo meio nerd

[01:11:14] algo meio medieval, mas também

[01:11:15] meio coach

[01:11:16] é importante vencer

[01:11:19] com um discurso meio Faria Leimer

[01:11:21] junto com o nerd

[01:11:22] meio sócio falido do Pinheiros

[01:11:24] exatamente, é um caldo

[01:11:27] de ressentimento

[01:11:28] que ao mesmo tempo é perigoso

[01:11:31] os ressentidos unidos

[01:11:32] já elegeram o Bolsonaro em 2000

[01:11:34] aliás, eles estavam lá

[01:11:36] embora eles tentem

[01:11:37] fingir que não

[01:11:38] mas é muito, é isso

[01:11:40] acho que tem um caldo de ressentimento

[01:11:42] que é muito poderoso

[01:11:44] e que lembra aquele livro que a gente adora

[01:11:45] que é o Filho do Século

[01:11:46] que narra a sessão do fascismo

[01:11:48] como a união dos ressentidos

[01:11:50] dos falidos, dos quebrados

[01:11:52] dos rejeitados amorosos

[01:11:53] mas todos aqueles que foram os canteados

[01:11:56] da sociedade

[01:11:58] aqueles que gostam de se vestir de pelúcia

[01:12:01] aqueles que gostam de

[01:12:02] estão todos juntos

[01:12:03] mas a gente está rindo

[01:12:05] mas o MBL conseguiu uma proeza

[01:12:07] gente, que é registrar um partido

[01:12:09] não é óbvio

[01:12:11] sobretudo porque eles não estão apoiados

[01:12:12] numa força ou sindical

[01:12:14] ou corporativa específica

[01:12:16] que já dê esse tipo de capilaridade

[01:12:18] então, registrar um partido no Brasil

[01:12:20] requer que se reúna

[01:12:22] mais de meio milhão de assinaturas

[01:12:24] com um mínimo por estado

[01:12:26] que seja representativo de todos os estados

[01:12:28] e que se registre isso junto ao Tribunal Superior Eleitoral

[01:12:31] então, não é um processo simples

[01:12:33] e ele requer real organização

[01:12:35] no território, sabe?

[01:12:37] presença mesmo

[01:12:38] distribuída no país

[01:12:39] então, tem um tanto que é trágico

[01:12:41] e patético

[01:12:43] mas agora isso é um partido

[01:12:45] que é isso

[01:12:46] elegível pra ter fundo partidário

[01:12:48] pra ser sustentado com dinheiro público

[01:12:50] vai disputar eleições

[01:12:51] vai poder disputar espaço de debate

[01:12:53] vai botar lá o Arthur Duval de candidato

[01:12:55] entendeu?

[01:12:56] e essa, o mamãe

[01:12:57] que aliás a gente não tem que chamar de Arthur Duval

[01:12:59] a gente tem que pra sempre chamar de mamãe falei mesmo

[01:13:01] porque é isso

[01:13:02] mamãe falei

[01:13:03] mamãe falei

[01:13:04] e aí a conexão com a nossa pauta agrói

[01:13:07] porque a gente tem que chamar de mamãe falei mesmo

[01:13:07] ela é muito evidente

[01:13:09] não só porque tem essa questão de ser o grupo

[01:13:11] que tá disputando a direita por dentro

[01:13:12] no momento em que o bolsonarismo tá em baixa

[01:13:15] dentro da própria extrema direita

[01:13:17] mas o MBL é o lugar

[01:13:19] onde a gente teve a mais denúncia

[01:13:21] assim, pública

[01:13:22] de presença dessa juventude

[01:13:25] dessa ideologia

[01:13:27] jovem, racista, misógina

[01:13:30] nos rangos

[01:13:31] do partido, dentro do movimento

[01:13:33] com a anuência

[01:13:35] ao que tudo indica

[01:13:37] da liderança

[01:13:37] tem uma matéria de

[01:13:38] 2023 do Intercept

[01:13:40] que fala das denúncias feitas

[01:13:43] por um ex-moderador dos grupos de WhatsApp

[01:13:45] e de Telegram ligados ao MBL

[01:13:47] era um cara chamado William Tavares

[01:13:49] que falou que ele

[01:13:51] denunciou a presença de

[01:13:53] ideologias nazistas e neonazistas

[01:13:56] nesses grupos

[01:13:57] e ele foi silenciado

[01:13:59] pela liderança

[01:14:00] e aí ele deu um monte de prints pro Intercept

[01:14:02] a matéria tá no ar pra quem quiser ler

[01:14:05] é uma matéria super boa do Intercept

[01:14:06] mas

[01:14:07] um comentário de vários participantes

[01:14:09] desses grupos no nível Nick Fuentes mesmo

[01:14:11] falando que pessoas pobres deveriam ser

[01:14:13] esterilizadas, que tem que

[01:14:15] eutanasiar os tetraplégicos

[01:14:17] bem um nazismo raiz

[01:14:19] então é uma situação

[01:14:20] isso é presente, isso é parte do movimento

[01:14:23] e é isso que agora

[01:14:25] tá se institucionalizando como partido no Brasil

[01:14:27] disputando recurso público no Brasil

[01:14:29] e é por aí que vai se dar a disputa

[01:14:31] interna dentro do bolsonarismo

[01:14:32] porque quando o Renan fala nesse vídeo

[01:14:35] Flávio Bolsonaro eu quero acabar com a sua vida

[01:14:37] raça, ele tá dispensando o Flávio

[01:14:39] mas ele não dispensa o bolsonarismo

[01:14:41] ele precisa do movimento bolsonarista

[01:14:43] pra sobreviver politicamente

[01:14:44] mas o que ele quer é a cauda longa

[01:14:47] do movimento sem a cabeça liderança

[01:14:49] Bolsonaro, ele quer dar uma alternativa

[01:14:51] mais radical e mais à direita

[01:14:53] e tem essa estética gamer

[01:14:55] que é bem groiper mesmo

[01:14:57] meio incel, esse bando de homem

[01:14:58] um monte de homem né, as imagens pra quem tá

[01:15:01] ouvindo a gente só por áudio

[01:15:02] as imagens no vídeo é um monte de homem, no palanque, na plateia

[01:15:05] tem três mulheres perdidas no

[01:15:07] meio, e é um bando de menino

[01:15:09] não tanto menino, que agora já estão mais velhos

[01:15:11] começou com uma coisa bem de adolescente mesmo

[01:15:13] e agora eles cresceram

[01:15:15] e é um bando de homem frustrado

[01:15:16] o tempo passa

[01:15:18] são adolescentes calvos

[01:15:20] adolescentes velhos

[01:15:22] mas que adolescência tá lá ainda, tem um cheiro

[01:15:24] tem um cheiro de quarto

[01:15:26] não arrumado, assim, de meia

[01:15:28] mais suja, de virilha

[01:15:30] aquela umidade de meia

[01:15:32] desculpa a imagem, mas sabe

[01:15:34] tem, tem cheirinho de virilha

[01:15:36] e quando o Nick Fuentes fala

[01:15:38] é sempre uma mulher falando o que você pode ou não pode fazer

[01:15:41] tem um cheiro de adolescente chateado

[01:15:43] com a mãe, sabe assim

[01:15:44] e ela falou que eu não podia sair do meu quarto

[01:15:46] depois das oito horas, é bem esse

[01:15:48] essa estética, esse pique

[01:15:50] mas esse pique está no poder

[01:15:52] é isso que é importante que a gente lembre

[01:15:53] isso não é um movimento minoritário, pequeno

[01:15:56] de internet, isso é

[01:15:58] a mais nova legenda

[01:16:00] oficial do Brasil

[01:16:02] da extrema direita, organizada

[01:16:04] em forma de um outro partido

[01:16:06] saiu um livro bom aqui do

[01:16:07] Mark Mazauer

[01:16:08] o que é antissemitismo

[01:16:11] não estou com ele a mão aqui não

[01:16:12] mas chegou aqui em casa, comecei a ler

[01:16:15] da cumprida das letras

[01:16:16] Mark Mazauer

[01:16:17] e basicamente acho que põe uma pedra

[01:16:21] põe uma pá de cal

[01:16:22] nessa discussão de que o antisionismo

[01:16:24] seria um antissemitismo e tal

[01:16:26] ele é um cara, enfim, ele é judeu, um estudioso do antissemitismo

[01:16:29] porque escreveu alguns livros, inclusive

[01:16:30] sobre Hitler, sobre a segunda guerra e tal

[01:16:32] e que conta a história desse termo

[01:16:35] e

[01:16:36] não só conta a história desse termo

[01:16:37] como conta como ele tem sido destruído

[01:16:39] e manipulado com a propaganda

[01:16:42] sionista

[01:16:42] que quer colar, quer isentar

[01:16:45] Israel de críticas usando

[01:16:47] esse termo e ele lembra que existe

[01:16:50] ainda muito antissemitismo e está muito forte

[01:16:52] ainda, mas sobretudo na extrema direita

[01:16:54] na extrema direita nacionalista e tal

[01:16:55] é onde ele está mais forte do que nunca

[01:16:58] então recomendar esse livro

[01:17:00] aproveitar para recomendar também

[01:17:01] a editora Dantes que mandou aqui três livros

[01:17:03] espetaculares aqui pra casa

[01:17:06] que eu não conheço

[01:17:35] mas enfim

[01:17:35] editora Dantes que mandou aqui três livros

[01:17:36] é muito maneiro, tem livros lindos

[01:17:37] tem um do Krenak também que eu não vi ainda

[01:17:39] um novo do Krenak, enfim, livros sobre

[01:17:42] agroecologia, sobre cosmogonias indígenas

[01:17:45] livros que abrem a cabeça

[01:17:46] então conheço a editora Dantes

[01:17:48] livros lindíssimos, obrigados aí

[01:17:49] e vocês, tem algo a indicar?

[01:17:51] vai você Bruno

[01:17:52] na verdade eu estou lendo o mesmo livro que eu já indiquei

[01:17:55] então eu estou um pouco parado, um pouco empacado nele

[01:17:57] mas eu vou falar de um livro que ainda não saiu

[01:17:59] mas que complementa bem o que o Greg disse

[01:18:01] e enquanto isso dá pra acompanhar ele

[01:18:04] nas redes sociais, que é o novo livro

[01:18:05] do grande Benjamin Emoser

[01:18:08] que escreveu a famosa

[01:18:10] biografia da Clarice Elispector

[01:18:12] o cara que morou aqui no Brasil

[01:18:13] ele entende muito da cultura brasileira

[01:18:16] e acho que vai sair no ano que vem

[01:18:18] espero, mas um livro

[01:18:19] que chama Anticionismo

[01:18:22] uma história judaica

[01:18:24] ele

[01:18:25] é judeu e é uma dessas

[01:18:27] vozes mais assertivas

[01:18:30] condenando não só o Estado

[01:18:31] de Israel, mas a ideologia sionista

[01:18:34] e o sentido do próprio Estado

[01:18:35] e ele fez um livro

[01:18:37] meio remontando

[01:18:39] essa história que hoje está um pouco apagada

[01:18:41] mas que antes da história, antes da criação

[01:18:43] do Estado de Israel

[01:18:45] o sionismo era uma linha

[01:18:47] divisória dentro do próprio judaísmo

[01:18:50] e tem uma história muito

[01:18:52] profunda, muito bonita e muito radical

[01:18:54] que entendia o sionismo

[01:18:56] como parte do movimento

[01:18:58] antissemita e ele reconstrói

[01:19:00] essa história dentro

[01:19:02] da própria história judaica

[01:19:03] como que muitos judeus

[01:19:05] como muitos judeus

[01:19:05] e muitas judias

[01:19:07] eles atravaram uma luta

[01:19:10] que era antisionista

[01:19:12] antes da fundação

[01:19:14] do próprio Estado de Israel

[01:19:15] e é uma história que vale a pena acompanhar

[01:19:17] e enquanto isso, sigam o grande

[01:19:19] Benjamin Moser nas redes sociais

[01:19:22] grande escritor

[01:19:22] é espetacular

[01:19:24] Alessandra, quer indicar alguma coisa?

[01:19:26] quero, eu não vou indicar um livro, eu vou indicar um artigo recente

[01:19:29] do New York Times, dá pra traduzir

[01:19:31] ele facilmente

[01:19:32] ele é um artigo de uma

[01:19:34] articulista que eu gosto muito

[01:19:35] chamada Jennifer

[01:19:37] S-L-A-Z-A

[01:19:38] S-L-A-L-A-I

[01:19:41] Jennifer

[01:19:42] Jennifer S-Z-A-L-A-I

[01:19:46] e ela escreve muito

[01:19:48] sobre cultura

[01:19:49] faz resenha

[01:19:51] e também fala da resenha

[01:19:53] e o nome do artigo é

[01:19:55] Pop Culture Got Stale

[01:19:57] a cultura pop ficou morna, ficou em soça

[01:19:59] Counter Culture Went Right Wing

[01:20:02] a contracultura foi pra extrema direita

[01:20:04] e aí ela vai fazer

[01:20:05] é um artigo longo

[01:20:07] e ela vai fazer toda uma historiografia

[01:20:10] da emergência dessa extrema direita

[01:20:12] que se veste

[01:20:15] com as roupagens

[01:20:17] da contracultura

[01:20:18] e ela situa o início desse processo

[01:20:21] na Vice

[01:20:22] na Vice Media

[01:20:24] ela vai lembrar como é que a Vice

[01:20:27] é fundada, a Vice tem uma história muito interessante

[01:20:29] que ela começa no Canadá

[01:20:30] era um jornalzinho pequeno ali do Quebec

[01:20:33] que vai virando uma coisa maior

[01:20:35] vira Voice of Montreal

[01:20:37] e aí de Voice of Montreal

[01:20:40] vira Vice

[01:20:41] e a Vice Media, ela tem bem essa estética

[01:20:43] muito jovem, muito niilista

[01:20:45] já desde o início

[01:20:46] mas isso é anos 90, início dos anos 90

[01:20:49] e ela vai se tornando

[01:20:51] um gigante da comunicação

[01:20:54] num momento em que você tem

[01:20:55] uma mudança profunda na maneira como as pessoas

[01:20:57] consomem mídia, e um dos fundadores

[01:20:59] da Vice é um cara chamado Gavin McInnes

[01:21:01] que depois foi fundar

[01:21:03] o Proud Boys, que é um movimento

[01:21:05] neonazista, misógino, bem

[01:21:07] pró-Trump

[01:21:08] mas ela vai falar, claro, da história

[01:21:11] do McInnes, mas ela faz muito

[01:21:13] uma história cultural e estética

[01:21:15] dessa nova extrema-direita

[01:21:16] o artigo é primoroso, e eu acho que

[01:21:19] ela vai mencionar os Groypers também

[01:21:21] apesar de não ser só sobre Groypers

[01:21:23] fala dos Black Peels e tudo isso

[01:21:25] mas ela vai num lugar

[01:21:27] assim, muito, muito precioso

[01:21:29] e cita um livro aí sim, que eu não li

[01:21:31] mas que é citado no artigo

[01:21:33] chamado Blank Space, que é aparentemente

[01:21:35] é sobre isso, mas aí

[01:21:37] não tem como recomendar ou não, porque eu não li

[01:21:39] mas ela parece basear parte da

[01:21:41] tese dela nisso, mas ela cita outras referências

[01:21:43] também, é uma, ela fala da

[01:21:45] Taylor Swift, ela fala muito também da cultura

[01:21:47] pop, como ela vai ficando mais chata

[01:21:49] e mais pasteirizada, e ela também

[01:21:51] associa isso à emergência dessa

[01:21:53] contracultura de extrema-direita, então

[01:21:54] vale muito a pena ler, é um artigo

[01:21:57] realmente sensacional pra quem quer

[01:21:59] começar a botar o pezinho nessa

[01:22:01] água desse universo cultural

[01:22:02] tudo muito previsto, diga-se de passagem

[01:22:05] um realismo capitalista

[01:22:07] do Mark Fisher, que meio adianta

[01:22:09] esse papo 15 anos antes

[01:22:11] e que vai ser o nosso segundo livro do Clube de Cultura

[01:22:13] do próximo ano, a gente vai ler junto o realismo

[01:22:15] capitalista, pra falar

[01:22:17] dessa

[01:22:18] água parada da nossa cultura

[01:22:21] e como isso tem a ver diretamente

[01:22:23] com a nossa incapacidade, não só de imaginar

[01:22:25] futuro, mas de fazer

[01:22:27] com que a nossa ideologia seja novamente

[01:22:29] rebelde e excitante

[01:22:31] tem a ver com essa paralisação

[01:22:33] das nossas artes mesmo, da

[01:22:35] música, do filme

[01:22:37] e da literatura

[01:22:39] Perfeito

[01:22:40] Gente, vamos voltar então ao começo e lembrar

[01:22:43] você pode assinar ainda o nosso Clube do Livro

[01:22:45] assina enquanto é tempo e fica com a gente

[01:22:47] ano que vem, vai lá em

[01:22:48] calmaurgente.com.br e assina o nosso

[01:22:51] Clube do Calma, até breve gente

[01:22:53] um grande beijo, foi um prazer conversar aqui com vocês

[01:22:55] e até mais

[01:22:57] um beijo pessoal, tchau tchau

[01:23:00] até segunda que vem

[01:23:00] o Calma Urgente

[01:23:05] é uma produção da Periproduções

[01:23:07] na apresentação temos eu, Alessandra

[01:23:09] Orofino, o Gregório do Vivier e o

[01:23:11] Bruno Torturra, na coordenação de produção

[01:23:13] Carolina Foratini Igreja

[01:23:15] na pesquisa, roteiro e apuração

[01:23:17] Luísa Miguez, na captação

[01:23:19] edição e mixagem

[01:23:21] Vitor Bernardes, na ilustração

[01:23:23] Ana Brandão, na sonoplastia

[01:23:25] Felipe Croco, nas redes

[01:23:27] sociais Teodora do Vivier e Bruna

[01:23:29] Messina, na gestão da nossa

[01:23:31] comunidade, Marcela Brandes

[01:23:33] a nossa identidade visual foi feita

[01:23:35] por Pedro Inouye e a nossa

[01:23:37] consultoria de comunicação é da

[01:23:39] Luna Costa