Hamnet


Resumo

O episódio gira em torno de Hamnet (2026), novo filme de Chloé Zhao, discutindo sua origem (adaptação do romance Hamnet, de Maggie O’Farrell) e o recorte de “ficção histórica” que tenta preencher lacunas da vida pessoal de William Shakespeare. O grupo contextualiza os poucos fatos documentados: o casamento com Agnes/Anne Hathaway, o nascimento dos gêmeos (Judith e Hamnet) e a morte do filho aos 11 anos — evento que, na leitura do filme, reverbera na escrita de Hamlet poucos anos depois.

Para dar base à conversa, eles trazem um áudio de Sofia Nestrovski (doutora em literatura inglesa na USP), que resume Hamlet como a história de um príncipe convocado a vingar o pai, mas travado entre quem ele é por dentro e o papel que esperam dele — além da dimensão metateatral (peça dentro da peça) e da identificação persistente do público com o personagem (“eu sou Hamlet”).

Na avaliação do filme, há forte consenso sobre o impacto da atuação de Jessie Buckley (Agnes), a atmosfera sensorial e contemplativa de Zhao e a força emocional do desfecho no teatro, visto como ritual coletivo de luto e catarse. A divergência principal aparece na leitura do final: para alguns, a cena eleva o tema de como a arte metaboliza a dor; para outros, há um incômodo com o viés biográfico “redutor” (um “retcon” emocional de Hamlet) e com momentos em que o filme parece “coagir” a emoção ao explicar demais.


Indicações

Livros

  • Hamnet (Maggie O’Farrell) — romance de 2020 que inspira o filme; citado com edição brasileira pela Intrínseca

Filmes / Series

  • Nomadland — filme anterior de Chloé Zhao, usado como comparação de estilo (silêncio, paisagem, contemplação)
  • Eternos (Eternals) — passagem de Zhao pela Marvel, mencionada como contraste com Hamnet
  • Minha Mãe é uma Peça — citado pela Bia para ilustrar a sensação de “encaixe” emocional no final
  • Assassino da Lua das Flores — lembrado pela Bia ao falar de magnetismo da protagonista/atuação hipnótica
  • Stranger Things — citado numa fofoca sobre autoria/roteiro (Duffer Brothers)
  • Succession e O Rei Leão - mencionados como ecos/associações com Rei Lear (paralelos de trama)
  • BBC (contexto histórico e conversa com a autora) — usado como base para datas e registros sobre a família de Shakespeare
  • Peças em cartaz (SP/RJ): O Mercador de Veneza (com Dan Stulbach), Hamlet (dir. Bruce Gomlevsky) e Rei Lear (Companhia Extemporânea, versão drag) — indicadas no encerramento como caminhos para conhecer mais Shakespeare

Linha do Tempo

  • [00:01] — Abertura, apresentação do episódio e anúncio do tema: o filme Hamnet (Chloé Zhao)
  • [00:06] — Contexto da diretora: trajetória de Zhao (formação, Tisch/Spike Lee, Nomadland e Eternos)
  • [00:09] — O filme como adaptação do livro Hamnet (Maggie O’Farrell) e a proposta de ficção histórica
  • [00:11] — Fatos históricos sobre Shakespeare/Agnes e a morte de Hamnet; ligação com a escrita de Hamlet
  • [00:14] — Participação de Sofia Nestrovski: explicação rápida da peça Hamlet e seus temas centrais
  • [00:20] — Bastidores da adaptação: Paul Mescal levando o livro a Zhao; autora entra como co-roteirista
  • [00:24] — Sinopse do filme, repercussão crítica e campanha de prêmios (Globo de Ouro, shortlist do Oscar)
  • [00:27] — Impressões do Ronald: filme contemplativo que prende; elogios a Mescal e, sobretudo, Jessie Buckley
  • [00:32] — Impressões do Iago: experiência pessoal com o tema do luto, fanfic histórica e a potência do final
  • [00:40] — Impressões da Bia e do Merigo: catarse do desfecho vs. incômodo com explicação/“coerção” emocional
  • [00:54] — Spoilers: debate sobre a cena do teatro, recepção popular no século XVI e “peça dentro da peça”
  • [01:07] — Notas finais (5/4/4,5/3,5) e recomendações culturais ligadas a Shakespeare em cartaz

Dados do Episódio

  • Podcast: Cinemático
  • Autor: B9
  • Categoria: TV & Film / TV & Film / Film Reviews / TV & Film / TV Reviews
  • Publicado: 2026-01-21
  • Duração: 1h10m

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Olá, eu sou o Carlos Murigo, este é o Cinemático 580, Bia Fiorotto, tudo bem?

[00:00:27] Hoje, drama da melhor qualidade, Carlos Murigo.

[00:00:30] Dramas dramáticos, e aí, Iago Vinícius, como vai?

[00:00:34] Olá, pessoal, feliz ano novo a todos, feliz de estar de volta, pra felicidade de muitos,

[00:00:39] em felicidade de todo o público de valor sentimental.

[00:00:44] Vocês sabem que se tem Iago Vinícius, ou tem Brasil, ou tem literatura, já é literatura.

[00:00:47] Muito bem.

[00:00:49] E Ronald Vilar, e aí, Ronald, como vai?

[00:00:52] Tudo ótimo, William Shakespeare é meu pastor e nada me faltará.

[00:00:56] Gente, venham no vídeo, venham no vídeo ver a bíblia de William Shakespeare, que está nas moins de Ronald Vilar.

[00:01:05] Olha, Complete Works, Complete Works, é.

[00:01:09] Só ele e o Daniel Lameira que tem essa.

[00:01:11] É, você tem que estar num clube, né, é tipo uma…

[00:01:13] Isso, ele comprou de um músico opista.

[00:01:15] É comprar uma Berkley, você não pode chegar e comprar uma Berkley, você tem que…

[00:01:19] Alguém tem que te indicar.

[00:01:20] Alguém tem que comprar lá, alguém tem que te indicar.

[00:01:22] É, assim não.

[00:01:23] Muito bem, é isso, vamos falar de Hamnet.

[00:01:26] Filme da nossa amiga Chloe Zhao, que já esteve aqui.

[00:01:30] Zhao?

[00:01:31] É, esse ZH tem um som de G, tipo Zhao.

[00:01:34] Zhao.

[00:01:35] Muito bem, Vivendo e Aprendendo com Bia Fiorotto, todos os dias.

[00:01:38] Vinvenders e Aprendenders, não, esse eu não lembro.

[00:01:40] Ela que já esteve aqui no Cinemático 185.

[00:01:41] Gente, alguém já deu esse título no Globo, Gabriela Goulart, um beijo, Gabriela.

[00:01:46] Ela já deu esse título, Vinvenders e Aprendenders, tá?

[00:01:48] Aê!

[00:01:48] Por muitos anos, por muitos anos, foi vontade de muita gente dar esse título, a Gabriela conseguiu.

[00:01:55] Caralho, pela vida.

[00:01:56] Teve a coragem.

[00:01:56] Teve a coragem da gente, hein?

[00:01:57] Muito bom.

[00:01:58] Muito bem, então é isso, já falamos da Chloe Zhao aqui no Cinemático 185, sobre Nomadland.

[00:02:04] E agora ela estreia aí, chegou agora no dia 15 de janeiro de 2026 nos cinemas brasileiros.

[00:02:09] Mas o Hamnet tá rodando aí festivais, né, desde 2025.

[00:02:15] Inclusive acabou de ganhar o Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático.

[00:02:19] Foi.

[00:02:19] E é um dos grandes concorrentes ao Oscar aí, né?

[00:02:22] É um dos grandes colonizadores.

[00:02:24] Mentira, mentira, gente, filme bom.

[00:02:25] Vamos lá.

[00:02:27] Mas antes…

[00:02:28] Mas antes…

[00:02:30] Então é isso, acesse cinemático.b9.com.br, ou então cinemático.com.br, também funciona, tá?

[00:02:36] O site, gente, se você tá com vontade, tá com saudade de acessar uma URL…

[00:02:42] Uma URL, exatamente.

[00:02:43] Boa!

[00:02:44] Tem todos os episódios lá, com os links pras plataformas.

[00:02:47] Pra você ver, pra você passear, tá fazendo lá.

[00:02:50] Isso aí.

[00:02:51] Vai lá e também siga a gente nas redes sociais, arroba Cinemático Pode, Instagram,

[00:02:55] TikTok, Bluzkai, estamos em todas pra não perder lançamentos.

[00:02:59] Participar de enquetes, ter novidades sobre a edição especial desse ano do Cinemático no Oscar, certo, Bia?

[00:03:07] Sim, também.

[00:03:08] Isso vai ser legal, hein?

[00:03:09] Falaremos disso.

[00:03:10] Bia tá movendo mundos e fundos aí.

[00:03:13] Sim, estamos movendo terras e mares.

[00:03:17] Obviamente, siga a gente.

[00:03:18] Mas falando nisso, o Martim, Iago, ficou do seu lado, tá?

[00:03:24] No episódio de Valor Sentimental, ele tava falando comigo.

[00:03:27] Então pode dar o prêmio de ouvinte do mês pro Martim, do mês de dezembro.

[00:03:31] E já o primeiro ouvinte do mês do ano.

[00:03:33] Seja como o Martim, fale bem de mim.

[00:03:35] Venha retirar o seu prêmio.

[00:03:37] Seja como o Martim, fale bem de mim.

[00:03:40] É isso.

[00:03:40] Muito bem.

[00:03:41] E também, siga a gente lá.

[00:03:43] Se inscreva no nosso canal no YouTube, youtube.com.br

[00:03:46] Pra você assistir ao Cinemático, deixar os seus comentários, certo?

[00:03:52] Certo.

[00:03:52] Os cortes voltaram.

[00:03:54] Os comentários de quem cai de paraquedas e xinga a gente ou chama a gente de idiota também já voltaram.

[00:04:03] É, acontece.

[00:04:04] Então…

[00:04:05] No YouTube acontece muito.

[00:04:06] É, não, no YouTube, no TikTok às vezes, né?

[00:04:10] Também aparece, cai num lugar meio esquisito.

[00:04:11] No YouTube tem assim, gente que dá o play e fala

[00:04:14] Uma hora já ouvindo, vocês não começaram a falar do filme.

[00:04:17] Tipo, a pessoa que ia…

[00:04:18] Mentira.

[00:04:19] Isso.

[00:04:20] É isso, gente.

[00:04:22] Então venha ver.

[00:04:23] Mas é…

[00:04:23] Gostamos de todos, né?

[00:04:24] Siga.

[00:04:25] Cheguem, novos ouvintes e assistintes.

[00:04:27] Deixa eu falar uma coisa.

[00:04:28] Vocês são amados.

[00:04:29] A gente tá há muito tempo…

[00:04:30] Os quatro aqui, há muitos anos, trabalham com conteúdo, especialmente com internet.

[00:04:35] Eu sei que eu tenho 15, mas eu tô aqui há 14.

[00:04:38] Que a gente sabe que o doido também faz parte da paisagem, né?

[00:04:41] Então venha.

[00:04:43] Venham todos.

[00:04:44] Muito bem.

[00:04:45] Então é isso, vamos pautar?

[00:04:47] Vamos.

[00:04:48] Pauta!

[00:04:48] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:04:49] Pauta!

[00:05:19] Pauta!

[00:05:47] Pauta!

[00:05:48] Pauta!

[00:05:48] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Pauta!

[00:05:49] Fala aí, Bia. O que você tem a dizer?

[00:06:14] Ah, é o seguinte.

[00:06:15] A nossa amiga Chloe…

[00:06:17] Eu não assisti Nomadland, sabia?

[00:06:19] Eu esqueci isso quando

[00:06:21] eu tava fazendo a pauta, que eu não…

[00:06:22] O Nomadland não ganhou o Oscar lá?

[00:06:26] Eu não sou tão fã, não.

[00:06:27] Ganhou, né? Foi melhor filme, né?

[00:06:31] Foi…

[00:06:31] Melhor atriz, melhor direção

[00:06:33] e melhor filme. Enfim, tamo pulando, né?

[00:06:35] Que bom que o programa

[00:06:37] não é sobre esse, né?

[00:06:38] Porque a desesperança com que você tomou desse filme,

[00:06:41] assim, o desinteresse…

[00:06:43] Mas depois eu vou ver.

[00:06:45] É tipo aquele filme que você nem lembra que ganhou o Oscar, sabe?

[00:06:48] Tá lá,

[00:06:49] ganhou.

[00:06:49] Ou você lembra pelos motivos errados.

[00:06:52] Então, até agora, tudo ótimo.

[00:06:55] Enfim, em algumas entrevistas,

[00:06:57] incluindo um especial

[00:06:58] que ela fez pro The Talks,

[00:07:01] que é bem intimista, e uma pra

[00:07:02] Volt hoje, 2021,

[00:07:04] a Chloe contou que ela era uma

[00:07:06] vagal no colégio.

[00:07:09] Lembra de vagal?

[00:07:11] Essa é do tipo de bom, não sei.

[00:07:14] Era vagal.

[00:07:15] No colégio ela não queria nada com nada,

[00:07:17] ela só queria saber de ver filme.

[00:07:18] Ela gostava muito de cultura ocidental,

[00:07:21] lembrando que ela é chinesa, né?

[00:07:22] Então, cresceu lá.

[00:07:24] Ela foi mandada pros Estados Unidos

[00:07:26] pelos pais pra terminar os estudos.

[00:07:29] E aí,

[00:07:30] nos Estados Unidos, tem uma coisa de quando

[00:07:32] você faz faculdade, que é major

[00:07:34] e minor.

[00:07:36] Que eu acho que é formandão e formezinho.

[00:07:40] É especialista versus

[00:07:42] eu tô ligado. Tô sabendo.

[00:07:44] Tá aqui, né? Então, ela se

[00:07:46] formou major em ciências,

[00:07:48] em ciência política, e se formozinho

[00:07:51] em estudo de cinema.

[00:07:53] Entendi.

[00:07:53] Só que aí, ela já trabalhava num bar

[00:07:56] pra se bancar por lá,

[00:07:58] e ela virou aquela pessoa que ama

[00:08:00] ouvir pessoas. Tipo, quer saber

[00:08:02] a história da pessoa? Garçom,

[00:08:04] aqui nessa mesa de bar, era ela cantando.

[00:08:06] E aí, já viu, né? Aí ela largou tudo

[00:08:08] pra seguir estudando cinema. Ouviu muito bêbado, né?

[00:08:11] Deve ter ouvido.

[00:08:13] Ouviu muito bêbado. Bêbado,

[00:08:14] gente que tomou bolo,

[00:08:15] gente que foi demitida.

[00:08:17] E aí, deve ser doideira.

[00:08:19] E aí, ela foi pra Nova York estudar

[00:08:21] na Tisch, que é aquela

[00:08:23] universidade em que o Spike Lee

[00:08:25] leciona, sabe?

[00:08:27] Ah, sim. A gente já falou disso

[00:08:29] aqui antes. E ela disse que ele é um

[00:08:31] professor incrível. Ela foi aluna

[00:08:33] dele. Ela falou que ele não fica

[00:08:35] açucarando nada

[00:08:37] pra te falar. Ele fala mesmo.

[00:08:40] A gente sabe.

[00:08:42] Estamos sabendo

[00:08:43] algumas décadas. E

[00:08:44] ele fala o que precisa ser dito pra corrigir o seu

[00:08:47] trabalho. E isso é ótimo. É um baita

[00:08:49] presente. O primeiro filme

[00:08:51] dela é o Songs My Brothers

[00:08:53] Taught Me. Mas o estouro

[00:08:55] que a gente tava falando é o

[00:08:57] Nomadland. Na temporada de premiação

[00:08:59] foi matador. Foi Oscar

[00:09:01] de 2021. No meio da pandemia

[00:09:03] levando o melhor atriz, melhor direção,

[00:09:05] melhor filme. Aquele Oscar de todo mundo de máscara

[00:09:07] foi

[00:09:08] traumático, pra dizer.

[00:09:11] E aí, depois disso,

[00:09:13] ela fez o grande Os Eternos

[00:09:15] da Marvel. Eita!

[00:09:17] Deixa pra lá!

[00:09:19] A galera odeia muito, né?

[00:09:22] Eu não odeio tanto, não.

[00:09:23] Você é fã da Angelina Jolie? Conta aqui pra gente.

[00:09:26] Eu sou fã da Angelina Jolie

[00:09:27] e o filme é um horror.

[00:09:30] É que perto do que poderia ser…

[00:09:31] Enfim, ela precisa pagar as contas,

[00:09:33] juntar o dinheiro pra fazer outros filmes.

[00:09:35] Não, é foda que falar que é perto do que

[00:09:37] poderia ser, o filme

[00:09:39] hipotético que poderia ser pior,

[00:09:41] aí também…

[00:09:42] Pelas potências, ele podia ser

[00:09:45] muito outra coisa do que foi.

[00:09:47] É outra Seara.

[00:09:49] É, exatamente. E aí, enfim, gente,

[00:09:51] esse filme é baseado em um livro

[00:09:53] que é o Hamnet, da Maggie

[00:09:56] O’Farrell, de 2020,

[00:09:58] que tem versão brasileira pela

[00:09:59] Intrínseca, se você quiser

[00:10:01] ler, tá bom? A Maggie,

[00:10:04] inclusive, é co-roteirista

[00:10:05] dessa adaptação, junto com

[00:10:07] a Chloe. Então,

[00:10:10] a história sobre o Shakespeare

[00:10:11] é tida como ficção histórica

[00:10:14] nesse filme. Porque, assim,

[00:10:16] apesar de muito famoso,

[00:10:17] a gente sabe pouco sobre a vidinha dele

[00:10:19] fazendo as coisinhas de Shakespeare dele,

[00:10:21] né? Ele acordava,

[00:10:23] ele escrevia as coisinhas dele,

[00:10:26] ele tomava um café,

[00:10:28] enfim, a gente sabe pouco, tá?

[00:10:29] Escrevia um sonetinho…

[00:10:30] Ah, umas coisinhas! Eu imagino ele

[00:10:33] escrevendo, assim, na cama, de

[00:10:35] bruxos, balançando o pezinho, assim, sabe?

[00:10:37] Naquela época não tinha…

[00:10:40] Não tinha rede social, né?

[00:10:41] Não tinha blog, não tinha Instagram…

[00:10:42] Todo mundo era escritor, era ótimo.

[00:10:44] Aí fica faltando um pouco aí da vida pessoal,

[00:10:47] dele. Exato. Mas, enfim,

[00:10:49] o que a gente tem como registro

[00:10:51] são coisas-chave que acontecem no filme.

[00:10:53] É história com H maiúsculo,

[00:10:56] tá? Mas, se você quiser

[00:10:57] entrar no filme sem saber

[00:10:59] de absolutamente nada de nada, pare aqui

[00:11:01] esse episódio, vá assistir o raio do filme

[00:11:03] e volte aqui. É, porque não dá.

[00:11:05] É. Não tem coisa que a gente vai ter que falar

[00:11:07] porque já aconteceram. Spoiler de história não

[00:11:09] existe, então… Exatamente.

[00:11:11] Vai lá, assiste e volta se você quiser,

[00:11:13] tá bom? Então, de acordo com a

[00:11:15] BBC, a gente sabe

[00:11:17] que, fato, na letra fria

[00:11:19] da história, o que que a gente sabe?

[00:11:21] Em 1582,

[00:11:23] o Shakespeare tinha 18 anos

[00:11:25] e ele se casou com a Agnes

[00:11:27] Hathaway, que em vários

[00:11:29] registros é tida como

[00:11:31] Anne Hathaway, que nem a atriz.

[00:11:33] Não confundi com aquela.

[00:11:35] É, mas o nome no registro

[00:11:38] do dote do casamento

[00:11:39] entre os dois, que foi escrito pelo pai

[00:11:41] dela, é Agnes. Então,

[00:11:44] fica Agnes.

[00:11:45] Que tem uma pronúncia específica, que tem uma pronúncia específica,

[00:11:47] que tem uma pronúncia específica,

[00:11:49] que ensina a Isabela

[00:11:51] Boscovi lá no canal dela, ela ensina como

[00:11:53] falar corretamente. Ah, ela é muito perfeita, né?

[00:11:56] Agnes. A professora de inglês,

[00:11:57] né, gente? Minha colega, eu entendo.

[00:11:59] Eu amo. Só os

[00:12:01] British English,

[00:12:03] de mãozinha dada. Eu não aguento, eu não

[00:12:05] aguento.

[00:12:07] Ela era mais velha que ele, portanto

[00:12:09] loba. Ela tinha 26

[00:12:11] anos e ela já estava esperando

[00:12:13] a primeira filha do casal, Suzana,

[00:12:15] quando eles se casaram.

[00:12:17] Então, tem essa parte. O que nessas famílias

[00:12:19] nessa época era super bem-vindo.

[00:12:21] Ué, que o pessoal adorava.

[00:12:23] Já que você interrompeu, você chamou

[00:12:25] a Anne Hathaway de loba?

[00:12:27] Foi isso mesmo?

[00:12:28] Ah, chamei, né? Porque é isso, né? Uma mulher mais

[00:12:31] velha. É igual

[00:12:33] a Marina Senna e o Juliano Floss, sem tirar nem por.

[00:12:36] Pior que é

[00:12:37] exatamente isso mesmo. Exatamente isso.

[00:12:38] É, o Hamlet é meio doidinho, tem uns amigos

[00:12:40] pequeninos da babu, assim. Exato,

[00:12:43] exato, exato. Aí a

[00:12:45] Agnes brigava com ele porque ele jogava

[00:12:47] tabaco na mesa. Galera,

[00:12:49] é mais ou menos isso. Enfim.

[00:12:50] Em 1585, nascem

[00:12:53] os dois gêmeos Judith e

[00:12:55] Hamlet. E em vários

[00:12:57] registros, se confunde

[00:12:59] Hamlet e Hamlet.

[00:13:02] Então, já começa

[00:13:03] aí, a gente vê, né? O começo do filme tem

[00:13:05] esse

[00:13:06] aviso. É, mas aí, lembrando

[00:13:09] que é isso. Se confundem os dois nomes

[00:13:11] porque, gente,

[00:13:13] é na caligrafia da pessoa, às vezes, né?

[00:13:15] Enfim, por aí vai.

[00:13:17] Em 1596, o

[00:13:18] bebê Hamlet morre com 11

[00:13:21] anos. Não se sabe ao certo

[00:13:23] se o Shakespeare tava ou não tava

[00:13:25] com ele, mas tudo indica

[00:13:27] pelos registros de viagem que parece

[00:13:29] que ele não tava mesmo em casa quando aconteceu.

[00:13:32] E aí, mais ou menos

[00:13:33] em 1600, Hamlet

[00:13:34] é escrito. E é isso.

[00:13:37] Ou seja, pouquíssimo tempo depois, né?

[00:13:38] Quatro anos apenas, né? É.

[00:13:41] Mas uma das poucas coisas que se sabem

[00:13:42] sobre a Anne Hathaway é que

[00:13:44] ela ficava longe de longe,

[00:13:47] Londres, e Shakespeare ficava

[00:13:48] e ia muito a Londres. Então, por isso tem essa dúvida

[00:13:50] se ele tava lá ou se ele não tava.

[00:13:53] É isso. Então, assim, se tava ou não

[00:13:55] tava, não sabemos. Se casou

[00:13:57] porque obrigou a casar porque

[00:13:58] tava grávida, ou se casou porque era apaixonado,

[00:14:01] ou se casou porque ela fez um

[00:14:02] feitiço, não se sabe.

[00:14:04] Se eram felizes, se eram

[00:14:07] miseráveis, não se sabe. Nada disso,

[00:14:09] tá? A gente tem só

[00:14:10] pequenos fatos.

[00:14:14] E aí, assim,

[00:14:15] antes da gente começar a falar,

[00:14:17] sobre esse livro

[00:14:19] e sobre a nossa diretora,

[00:14:21] eu e Iago Vinícius

[00:14:22] aprontamos uma pra vocês, porque é o seguinte.

[00:14:25] A gente, a gente não, a gente

[00:14:27] é muita gente, temos um fã de Shakespeare aqui.

[00:14:29] Eu não conheço

[00:14:31] tão a fundo a obra de Shakespeare.

[00:14:33] Inclusive, a gente tava falando hoje que

[00:14:34] eu nunca vi

[00:14:36] nenhuma peça

[00:14:38] e vou ver esse ano o Reilear

[00:14:40] da Alexi Twister, que eu consegui ingresso a mim.

[00:14:43] Mas eu não conhecia

[00:14:45] a Hamlet direito. E a gente

[00:14:47] vai falar bastante sobre ele. Então,

[00:14:49] Iago Vinícius, quem é a pessoa

[00:14:51] que chamamos

[00:14:52] pra conversar com os nossos ouvintes

[00:14:55] e dar um contexto sobre essa peça?

[00:14:58] Chamamos Sofia Nestrovski.

[00:15:00] Ela é doutora

[00:15:01] em literatura inglesa lá na USP.

[00:15:03] Ela é uma grande estudiosa de Shakespeare.

[00:15:05] Além disso, ela é podcast, ela é apresentadora

[00:15:07] do podcast do 20 Mil Léguas.

[00:15:09] É um podcast que bombou um pouco porque ele lê

[00:15:11] livros de ciência como se fossem livros de literatura.

[00:15:14] Ela trabalha bastante nessa interface

[00:15:15] e ela tem dado cursos de Shakespeare.

[00:15:17] E cursos de Hamlet no sentido

[00:15:19] de, cara, você não precisa de uma tese.

[00:15:21] Vamos sentar e vamos ler.

[00:15:22] E vamos ler dramaticamente.

[00:15:24] Ela tá agora com uma turma que você lê Shakespeare de forma dramática.

[00:15:27] Então, não atores e tal.

[00:15:29] Então, ela tá bastante acostumada

[00:15:31] a falar em 60 segundos sobre

[00:15:33] Hamlet, que foi o desafio que a gente propôs pra ela.

[00:15:35] Era a pessoa que podia fazer isso.

[00:15:38] Então, ouçam

[00:15:39] Sofia.

[00:15:40] A peça conta a história do jovem

[00:15:43] príncipe Hamlet, príncipe da

[00:15:44] dinamarca, que acaba de perder o pai.

[00:15:47] E ele, logo no comecinho da peça,

[00:15:49] é visitado pelo fantasma desse

[00:15:51] pai. E até aí, quem nunca,

[00:15:53] assim, mesmo quem

[00:15:55] ainda tem o pai vivo, a gente é o tempo

[00:15:57] todo visitado pelo fantasma do

[00:15:59] nosso pai. E o pai chega pra

[00:16:01] ele, o fantasma do pai chega pra ele falando

[00:16:03] eu fui morto, eu fui assassinado

[00:16:05] e eu quero que você vingue

[00:16:06] a minha morte.

[00:16:08] Acontece que o Hamlet

[00:16:10] não é um tipo que

[00:16:12] sai por aí matando

[00:16:14] gente. Ele é um jovem príncipe.

[00:16:17] Que se veste preto, que fica triste

[00:16:18] no canto da festa, que gosta de

[00:16:20] poesia, que gosta de filosofia. E, de repente,

[00:16:23] ele recebe essa incumbência de matar,

[00:16:25] de vingar um assassinato.

[00:16:27] Ao longo da peça,

[00:16:28] ele vai fazer um caminho longo pra tentar colar

[00:16:31] quem ele sente internamente

[00:16:33] que ele é, com as expectativas

[00:16:34] que os outros personagens da peça tem dele.

[00:16:37] E todos os personagens estão um pouco

[00:16:38] diante disso. Como que a gente olha pra eles

[00:16:41] ali na cena e tenta

[00:16:42] perceber quem eles são do lado de dentro

[00:16:45] a partir do que a gente consegue ver do lado

[00:16:47] de fora. E daí,

[00:16:49] essa peça poderia ter sido

[00:16:50] escrita em 2500

[00:16:52] em vez de ter sido escrita em 1600.

[00:16:55] Porque o que acontece,

[00:16:56] sem dar muito spoiler, os personagens

[00:16:58] dessa peça vão fazer uma peça de teatro.

[00:17:01] Quer dizer, são personagens dentro

[00:17:02] do teatro que tem consciência de que

[00:17:04] são personagens. De que eles

[00:17:06] são atores encenando um papel

[00:17:08] e que eles podem ou não

[00:17:10] coincidir com esse papel.

[00:17:13] Mais do que isso, só lendo

[00:17:14] a peça. É uma coisa

[00:17:17] incrível que, desde que

[00:17:18] se começou a falar sobre Hamlet

[00:17:21] na crítica literária,

[00:17:22] a frase mais comum que a gente encontra

[00:17:24] ao longo dos séculos, em todo tipo

[00:17:26] de escritor, é a gente dizendo

[00:17:29] eu sou Hamlet.

[00:17:30] Me identifico com ele. Impressionante

[00:17:33] a capacidade dele, que ele tem

[00:17:35] de dizer pra gente de quem

[00:17:36] a gente é. É isso.

[00:17:39] Gente, mas chique demais, hein?

[00:17:41] Isso aí. Tô me sentindo

[00:17:42] no assunto, na Tusaneri.

[00:17:46] É!

[00:17:46] Sendo especialistas.

[00:17:48] A Bia, oito da noite. Você tem uma especialista em Shakespeare?

[00:17:50] Eu falei, peraí.

[00:17:51] É isso?

[00:17:55] Ele é…

[00:17:56] Os beletristas desse podcast

[00:17:58] não me deixam

[00:18:01] jamais de mãos a banana.

[00:18:03] Então, pessoal, isso posto

[00:18:04] pra quem não conhecia.

[00:18:06] Vamos seguir.

[00:18:08] Pra BBC ainda, tem uma conversa

[00:18:10] com a autora do livro, né? A Maggie.

[00:18:12] Que ela conta que ela resolveu escrever

[00:18:14] essa história, essa ficção histórica

[00:18:16] pra exaltar

[00:18:18] a figura da Agnes. Eu vou falar

[00:18:20] Agnes. Buscovi, desculpa, te amo.

[00:18:22] Que assim como outras esposas,

[00:18:24] filhas, irmãs, enfim, mulheres

[00:18:26] da vida de ícones masculinos,

[00:18:28] elas são frequentemente ignoradas,

[00:18:30] são frequentemente mal faladas,

[00:18:32] tem frequentemente seu trabalho roubado

[00:18:35] e diz que é do irmão,

[00:18:36] do pai, do marido, da puta que pariu.

[00:18:38] Né? E isso às vezes

[00:18:40] segue acontecendo até hoje, né? Porque

[00:18:42] tem uma história aí…

[00:18:44] Vou fazer esse parênteses da fofoca, tá?

[00:18:46] Nossa, Breaking News num podcast

[00:18:48] que eu jamais esperei. Calma. Eu li uma

[00:18:50] história… Breaking News sobre Hamlet.

[00:18:53] Supostamente… É, isso

[00:18:54] fofoca. Não, mas não é.

[00:18:56] Supostamente tem uma tese

[00:18:58] de que um dos Duffer Brothers,

[00:19:00] que são os autores de Stranger Things,

[00:19:02] a esposa dele era

[00:19:04] uma roteirista fantasma

[00:19:06] e ele se separou da esposa

[00:19:08] nesses últimos tempos e tal.

[00:19:10] Seria por isso que o texto teria perdido qualidade.

[00:19:12] Então assim…

[00:19:16] Ah! É, fecha parênteses aí.

[00:19:19] Então, é…

[00:19:21] A Agnes foi tida como

[00:19:23] uma bruxa, inclusive,

[00:19:25] que enfeitiçou o pobrezinho

[00:19:27] do Williamzinho Shakespeareinho.

[00:19:29] Existe essa ideia de que

[00:19:31] ai, essa horrorosa, né?

[00:19:33] Imagina que ele ia ficar com uma

[00:19:35] bruxa dessa. Com certeza isso aí

[00:19:37] é trabalho de magia. Então

[00:19:38] existe essa história que a Maggie

[00:19:41] quis desmistificar.

[00:19:43] Desmistificar, mas…

[00:19:45] Ela era a mocinha da floresta.

[00:19:46] A mocinha da floresta lá, né?

[00:19:47] Então, mas a fadinha do Rá-Tim-Bum, né?

[00:19:50] Isso!

[00:19:51] Ela era a pétala de rosa,

[00:19:53] o dálio matutino,

[00:19:55] o pulo de formiga, Rá-Tim-Bum.

[00:19:57] Achei incrível, aliás, mas…

[00:20:00] É maneiro, é maneiro.

[00:20:01] Não, mas é desmistificar no sentido de tirar

[00:20:03] a parte que é ruim da coisa, né?

[00:20:05] Que é a bruxa é maléfica, né?

[00:20:08] Ela odeia, ela vai sugar a energia dele.

[00:20:11] Sim.

[00:20:11] Pro Hollywood Reporter, a Chloe diz que

[00:20:14] nunca sabe dizer ao certo

[00:20:16] como ela escolhe histórias.

[00:20:17] Pelo contrário, as histórias é que a escolhe.

[00:20:20] Pro Harper’s Bazaar,

[00:20:22] a Chloe contou que foi o Paul Mescal

[00:20:24] que chegou com esse livro pra ela,

[00:20:26] que ele não é bobo nem inocente.

[00:20:27] Olha só!

[00:20:28] E aí, ela nunca tinha lido muita ficção histórica,

[00:20:33] ela já tinha visto

[00:20:34] Hamlet, mas até então

[00:20:35] ela não conseguia se conectar muito com a peça,

[00:20:38] mas aí…

[00:20:39] Então ele criou um papel pra ele e falou…

[00:20:42] Tá ligado?

[00:20:43] Chloe botou um post-it ali, né?

[00:20:45] É isso!

[00:20:46] A mais bobinha corre de costas de tamanco.

[00:20:49] Entendeu?

[00:20:50] Cobra comendo cobra, rapaz.

[00:20:52] Então, e aí, ela não queria…

[00:20:55] Ela leu o livro, a cabeça dela explodiu,

[00:20:57] ela achou muito foda, mas ela não queria

[00:20:59] filmar porque ela achou meio

[00:21:00] infilmável, assim.

[00:21:03] Apesar de ser um livro visual, ela achou

[00:21:05] que seria difícil ficar bom.

[00:21:07] Porra, o livro já é tão bom.

[00:21:09] Essa desculpa não cola mais, né?

[00:21:11] A gente já falou tantas vezes aqui,

[00:21:13] não, isso aqui é infilmável,

[00:21:15] nunca…

[00:21:16] Tantas coisas que eram infilmáveis foram filmadas.

[00:21:18] Talvez da pior maneira possível, é verdade.

[00:21:21] É isso, dá pra filmar.

[00:21:22] Se é bom, a gente conversa no caminho.

[00:21:26] É…

[00:21:26] O Paul Mescal insistiu e falou assim,

[00:21:29] para, boba, vamos filmar sim.

[00:21:32] Ó, vai, tá bom, vai.

[00:21:33] Eu vou ser o Shakespeare,

[00:21:35] só porque você…

[00:21:36] Só pra você visualizar.

[00:21:40] É, não precisa ser eu,

[00:21:42] mas eu vou ler um negócio aqui,

[00:21:44] aí você vê se fica bom, tá?

[00:21:46] É o fim de brinco, mas é uma coisa minha,

[00:21:47] eu tô usando o brinco agora.

[00:21:49] É muito bom.

[00:21:50] É isso.

[00:21:51] E aí, ela falou que passou a vê-lo

[00:21:54] como um Shakespeare novinho,

[00:21:56] que tem ali alguma coisa que ela enxergou,

[00:21:59] e aí ela topou filmar,

[00:22:01] mas ela queria a Maggie,

[00:22:03] a autora do livro, como co-roteirista,

[00:22:05] pra não virar bagunça.

[00:22:08] Acontece, meus amigos, que Maggie…

[00:22:09] Olha o problema de você ter ideia, né?

[00:22:11] Que a pessoa tem a mesma ideia…

[00:22:13] Não, é uma cova gigantesca.

[00:22:14] Olha quanta gente ele já envolveu,

[00:22:16] pra trabalhar.

[00:22:16] Olha quanta gente ele mandou pra trabalhar.

[00:22:18] Assim, por um lado, cria emprego,

[00:22:20] por outro, cria gente.

[00:22:22] Pessoa de boa lá na casa dela.

[00:22:24] Eu tava em casa.

[00:22:25] Isso.

[00:22:25] A Maggie tava lá, o livro já foi escrito,

[00:22:29] não tinha mais nada pra fazer,

[00:22:30] acabou a book tour,

[00:22:32] tava lá feliz, a vida dela toca o telefone.

[00:22:33] A Lilia Schwartz já até falou mal na Folha.

[00:22:38] Mas olha…

[00:22:39] Não é literatura.

[00:22:41] Isso.

[00:22:42] É, ficção especulativa.

[00:22:43] Ó, acontece que,

[00:22:45] assim como o Ronald colocou,

[00:22:47] a Maggie não queria mesmo.

[00:22:49] Ela escreveu um artigo…

[00:22:51] Ela escreveu um artigo pro LA Times,

[00:22:54] muito legal.

[00:22:55] E aí lá, ela contou que

[00:22:57] ela nem achava que a Chloe

[00:22:59] pudesse ser a melhor escolha

[00:23:01] pra fazer essa adaptação.

[00:23:02] Ela achou meio pai

[00:23:05] essa história.

[00:23:06] É porque ela viu Eternos.

[00:23:07] É, você gosta de Marvel, faz mal pra pessoa.

[00:23:10] Ela viu Eternos e ela falou, acho que não.

[00:23:13] Ai, que doida, né?

[00:23:14] Mas o que aconteceu? A Chloe chamou ela

[00:23:16] pra um Zoom e ela topou ir

[00:23:19] naquela de, assim,

[00:23:21] tá, eu vou ouvir o que ela tem pra falar

[00:23:23] e aí eu vou declinar de forma

[00:23:24] educada. Aí faz aí

[00:23:26] o que você quiser, que você comprou o direito, você faz, né?

[00:23:29] É isso. Só que

[00:23:30] no final da reunião,

[00:23:32] ela falou, claro, querida, te mando a primeira

[00:23:34] versão na data que a gente combinou.

[00:23:36] Tipo, de zero a cem,

[00:23:39] ela falou que a Chloe é muito

[00:23:41] persuasiva e aí

[00:23:43] é…

[00:23:44] Ela imaginava que uma diretora

[00:23:46] que já ganhou Oscar e lambeu

[00:23:48] o Oscar, né, que ela foi indicada,

[00:23:50] ganhou tudo, seria uma mulher

[00:23:52] com maçanetas de ouro

[00:23:54] e uma equipe de funcionários

[00:23:57] na casa dela. Ela achou que

[00:23:58] ela ia ser uma grande aristocrata.

[00:24:02] E aí, na hora

[00:24:02] que ela abre a câmera, ela vê

[00:24:04] uma mulher de moletom, cabelo molhado,

[00:24:07] cheia de cachorro em casa

[00:24:08] atrás dela, chacoalhando o livro

[00:24:10] e bradando. Eu quero fazer isso aqui!

[00:24:12] É,

[00:24:14] essa foi a imagem que a Maggie

[00:24:16] pintou, né? Não é à toa, ela é uma boa

[00:24:18] escritora. Gente, só dá pra errar, né?

[00:24:20] Você faz quentes cursos falando, não, você apresente

[00:24:21] bem, vai direitinho, bota uma camisa agora

[00:24:24] que o podcast tá… Não!

[00:24:26] Não, tem que ser um esclambado.

[00:24:28] O que convenceu foi a loucura.

[00:24:30] Então, deu certo.

[00:24:32] Ela até falou que ela tinha medo,

[00:24:34] ela nunca tinha trabalhado em dupla, achou que ia dar

[00:24:35] briga. Cara, foi maravilhoso.

[00:24:38] O artigo termina com a Maggie dizendo

[00:24:40] que não se arrepende de ter mudado

[00:24:42] de ideia. Fechou.

[00:24:44] Fechou o Jobs.

[00:24:45] Muito bem. Sinopse!

[00:24:48] Sinopse!

[00:24:49] Sinopse!

[00:24:51] Essa sinopse é adaptada do Baixada

[00:24:53] Cuiabana News!

[00:24:55] Que isso! Um beijo pra Cuiabá!

[00:24:57] E uma terra boa, viu, Merigo?

[00:25:00] A ligação de Shakespeare com Cuiabá

[00:25:01] deve ter, né? Sabe na super?

[00:25:03] A gente não sabe!

[00:25:06] Coisa muito comum de Shakespeare e Cuiabá,

[00:25:08] os dois comem jacaré.

[00:25:10] Aliás, que baita carne, viu?

[00:25:11] Um beijo pro jacaré de Cuiabá.

[00:25:13] Do nada! Meu Deus do céu!

[00:25:15] Vai lá, bora, Bia!

[00:25:18] Em Hamlet,

[00:25:19] A Vida Antes de Hamlet,

[00:25:21] William Shakespeare vive uma tragédia

[00:25:23] ao lado de sua esposa Agnes

[00:25:25] quando o casal perde

[00:25:27] seu filho de 11 anos

[00:25:29] para uma das várias pragas que

[00:25:31] assolaram o século XVI.

[00:25:33] Tragédia essa que inspira

[00:25:35] a criação de Hamlet.

[00:25:38] Muito bem.

[00:25:39] Repercussão do filme.

[00:25:41] Como eu falei, um dos favoritos da temporada

[00:25:43] de premiações. Bia vai contar mais sobre isso.

[00:25:45] E também, bastante

[00:25:47] aprovado pela crítica no Rotten Tomatoes.

[00:25:49] 86% de aprovação.

[00:25:52] E

[00:25:52] público 93%, até um pouquinho

[00:25:55] mais. Dairy Box 4.2

[00:25:57] de 5. Metacritic

[00:25:59] 84 de 100.

[00:26:00] Selinho must watch, né?

[00:26:03] Então, tá aí.

[00:26:04] É isso, né? O site The Playlist

[00:26:07] diz que o filme custou entre

[00:26:09] 30 e 35 milhões

[00:26:11] de dólares. Barato.

[00:26:13] A arrecadação tá até agora

[00:26:15] em mais de 27 milhões

[00:26:16] e 928 mil dólares.

[00:26:19] Então, tá chegando aí.

[00:26:21] Vai dar, né? É, acho que vai dar.

[00:26:23] E aí, tá tendo bastante destaque

[00:26:25] na temporada de premiações.

[00:26:27] Levou Critics’ Choice Awards

[00:26:29] e Globo de Ouro pela atuação da Jessie Buckley,

[00:26:31] né? Que faz a Agnes.

[00:26:32] O prêmio AFI, que é do

[00:26:34] American Film Institute.

[00:26:37] E outro Globo de Ouro de melhor

[00:26:39] filme. Várias

[00:26:41] indicações. Presença fortíssima.

[00:26:42] Tá na shortlist de Oscar

[00:26:45] do que saiu em melhor elenco,

[00:26:47] que é uma categoria nova, inclusive.

[00:26:49] Melhor fotografia e melhor trilha sonora

[00:26:51] original, mas a gente sabe que

[00:26:52] vai vir aí muito mais

[00:26:54] indicação. Com certeza vai ver melhor

[00:26:56] filme, melhor diretora. Relaxa.

[00:26:58] É um dos grandes competidores. Eu vi uma

[00:27:00] lista que era não sei que publicação que fez

[00:27:02] que era os indicados a melhor

[00:27:04] filme. E só tem dois que é 100%

[00:27:07] de garantia de estar lá, que é

[00:27:09] o Hamnet e

[00:27:10] Uma Batalha Após a Outra. E os outros têm

[00:27:12] 96%.

[00:27:14] O Agente Secreto tá com 60%.

[00:27:17] Mas dizem que o Hamnet

[00:27:18] é garantido que vai estar lá.

[00:27:20] Ele vai. Eu não acho que a gente ganha melhor filme

[00:27:22] ainda. Mas ele vai.

[00:27:25] Pode indicar o clube.

[00:27:26] É isso. Mas vai estar lá. Vai ser uma delícia.

[00:27:29] Gente. Muito bem.

[00:27:31] Vai ser muito bom. Ronald,

[00:27:32] traga aí, por favor, suas

[00:27:34] palavras sobre Hamnet.

[00:27:37] O que você achou?

[00:27:38] Rimando, tá?

[00:27:39] Oi, querido. Rimando, tá?

[00:27:41] Legal.

[00:27:42] Gente, eu fiquei

[00:27:45] falando do Bardo, né? Porque

[00:27:47] contar essa história que a gente não sabe

[00:27:49] como exatamente aconteceu

[00:27:50] é muito importante

[00:27:53] porque Hamlet é

[00:27:54] a peça que

[00:27:56] os acadêmicos dizem

[00:27:59] que é a peça que o Shakespeare começa a

[00:28:01] investigar personagens mais

[00:28:02] em terrenos internos.

[00:28:05] A personalidade deles em terrenos

[00:28:07] mais arenosos, mais

[00:28:08] difíceis, mais

[00:28:11] dúbios.

[00:28:12] Antes de escrever Hamlet,

[00:28:15] ele já tinha feito

[00:28:16] coisas como Romeo e Julieta,

[00:28:19] Sonho de uma Lua de Verão,

[00:28:21] Comédia de Erros,

[00:28:22] Mercador de Veneza, que tem

[00:28:24] personagens também muito profundos e tal,

[00:28:26] mas os grandes personagens do Shakespeare,

[00:28:29] Othello veio depois de Hamlet,

[00:28:31] Macbeth veio depois de Hamlet,

[00:28:33] Henrique VIII veio depois de Hamlet.

[00:28:35] Então esses personagens que têm

[00:28:37] esse mundo interno

[00:28:39] muito dúbio

[00:28:41] vem todos depois de Hamlet.

[00:28:42] Então é a virada do Shakespeare

[00:28:44] para esses personagens mais, entre muitas

[00:28:47] aspas, profundos. Porque o que vem antes

[00:28:49] também é profundo, porque Shakespeare tem sempre

[00:28:50] muitas camadas. Mas esses personagens

[00:28:53] mais sombrios

[00:28:55] talvez

[00:28:56] vieram depois de Hamlet.

[00:28:59] Então é…

[00:29:00] E provavelmente foi inspirado na morte do filho

[00:29:02] porque os nomes eram intercambiáveis, como a gente vai ver

[00:29:04] na primeira cena, primeiro slide

[00:29:07] do filme, já fica isso claro pra gente entender

[00:29:08] porque o filme se chama Hamlet

[00:29:10] e porque a ligação com

[00:29:12] a vontade dele de escrever Hamlet.

[00:29:15] Então assim, só por conta disso

[00:29:16] o filme já me ganhou porque essa premissa é sensacional

[00:29:18] e a Maggie ter escrito um livro sobre isso

[00:29:20] eu já achei incrível e eu não li o livro

[00:29:22] então fui no…

[00:29:24] Intrínseca, manda pro Ronald o livro.

[00:29:27] Manda pra nós também.

[00:29:28] Eu fui já assistir ao filme já querendo

[00:29:31] gostar do filme.

[00:29:32] Porque eu gosto também de Shakespeare, evidentemente.

[00:29:35] Só que eu saí do filme flutuando.

[00:29:37] Eu não imaginava que o filme

[00:29:38] tivesse uma força tão grande

[00:29:40] como esse filme tem.

[00:29:42] E esse filme é a prova contundente

[00:29:44] de que um filme mais contemplativo

[00:29:46] onde não existem grandes viradas

[00:29:48] prende a sua atenção sim

[00:29:51] o tempo inteiro e que você não precisa

[00:29:53] ficar reforçando o conflito

[00:29:55] do filme a cada oito minutos

[00:29:56] porque você não consegue piscar

[00:29:58] o seu olho durante toda

[00:30:00] a história do Hamlet.

[00:30:03] E esse filme conta com o nosso querido

[00:30:05] Mescal, que é incrível, o Paul Mescal

[00:30:07] que tá perfeito, especialmente um Shakespeare jovem.

[00:30:09] Conseguiu, jovem. Tanto fez.

[00:30:11] Emplacou.

[00:30:12] E assim, a gente não consegue enxergar

[00:30:15] muito bem um Shakespeare jovem, né?

[00:30:17] Porque como tudo que diz respeito

[00:30:20] à literatura, e aí o Iago

[00:30:22] vai confirmar, tudo joga,

[00:30:23] todo mundo joga pra uma imagem

[00:30:25] um pouco mais madura, né?

[00:30:27] Tudo é muito maduro,

[00:30:29] muito mais velho, entre aspas, cabeludo.

[00:30:32] E você não imagina que Shakespeare

[00:30:33] era um jovem dramaturgo, né?

[00:30:35] Então isso fica muito legal e ali naquele

[00:30:37] a gente consegue imaginar, já que não

[00:30:39] temos as informações de como era

[00:30:41] Shakespeare jovem.

[00:30:42] A partir do que o Paul Mescal acha

[00:30:44] que o Shakespeare jovem era.

[00:30:47] Mas eu acho que não há dúvida alguma

[00:30:50] que a força desse filme é a nossa amiga

[00:30:52] Jessie Buckley, que é, eu fico arrepiado

[00:30:56] de falar, lembrando dela, ela é um rolo

[00:30:58] compressor.

[00:31:00] Essa atriz, ela tem que levar todos os prêmios,

[00:31:03] tem que inventar prêmios novos pra levar

[00:31:05] esse ano, porque assim, o trabalho dela é uma

[00:31:08] coisa avassaladora.

[00:31:09] Não consigo encontrar uma palavra melhor pra

[00:31:11] descrevê-la.

[00:31:12] É um rolo compressor dramático, assim, ela

[00:31:15] pegou Anne Hathaway ali com, a gente não

[00:31:18] sabe direito quem era também essa mulher,

[00:31:21] né?

[00:31:21] Ela conseguiu construir essa mulher aí que

[00:31:23] gostava da natureza, que manipulava os

[00:31:24] elementos a ponto de saber o que as abelhas

[00:31:27] da colmeia estavam pensando, né?

[00:31:29] Quando as abelhas estão se movendo de alguma

[00:31:30] maneira lá, elas estão irritadas com alguma

[00:31:32] coisa, se fosse você saía de perto.

[00:31:34] Tranca as crianças lá dentro, porque elas

[00:31:36] não estão pacientes hoje.

[00:31:38] Então ela tinha essa comunicação com a

[00:31:39] natureza muito forte, né?

[00:31:42] E além do mais, ela ainda entra na, em momentos

[00:31:45] especiais, ela entra na floresta usando vermelho,

[00:31:48] que era a cor favorita do Valentino, então, hello, né?

[00:31:50] Ah!

[00:31:51] Ela é incrível, a Jessie Buckley tá totalmente

[00:31:56] acertada em Hamlet.

[00:31:57] Então, o que mais que eu gostaria desse filme?

[00:32:00] Eu gosto dessa investigação de coisas que a gente

[00:32:05] não sabia como elas eram, mas a gente pode

[00:32:07] imaginar, Shakespeare escreveu Romeo e Julieta,

[00:32:10] a gente imagina que ele seja um cara que entenda

[00:32:12] muito bem como funciona o amor romântico, pelo

[00:32:14] menos naquela época, né?

[00:32:16] O que o amor romântico envolvia ali entre eles,

[00:32:19] a gente jamais saberá, a gente pode fazer

[00:32:21] suposições, né?

[00:32:22] A gente entende que Shakespeare era um homem

[00:32:24] que entendia a alma humana profundamente, então

[00:32:28] a gente quer também acreditar, né?

[00:32:30] Que a relação deles era uma relação que tinha

[00:32:34] uma certa profundidade e sendo ela uma mulher

[00:32:36] mais velha, né?

[00:32:37] Quando, quando casou com ele, isso me leva mais

[00:32:39] ainda a crer nessa, nessa possibilidade.

[00:32:42] Eu tô completamente apaixonado por esse filme,

[00:32:44] posso falar horas aqui, acho melhor só depois

[00:32:46] dos spoilers agora.

[00:32:47] Uh!

[00:32:48] Iago Vinícius, e você?

[00:32:50] Cara, no geral, em Minas, manos em Minas, pra variar,

[00:32:54] não olhei muita coisa, tava com raiva, que, que

[00:32:57] acabou com nossa, nossa noite, não acabou, né,

[00:33:00] mas roubou nós no final, garfou nós no final,

[00:33:03] é, abri até bem…

[00:33:04] Ah, no Globo de Ouro?

[00:33:05] É, nossa, tava puto, já tava assim, já, sabe,

[00:33:08] com a última, já, assim, pra abrir, aí você não abre.

[00:33:10] Não, escuta.

[00:33:11] Aí tem o trauma do brasileiro com coisa de Shakespeare, de novo.

[00:33:15] Com Aguinaldo, com Alta França!

[00:33:17] Sabe? Coisa de Shakespeare.

[00:33:18] É, por causa do Shakespeare apaixonado e a…

[00:33:20] E o Central do Brasil, a gente fica nervoso.

[00:33:23] Exato, então já tava assim.

[00:33:25] Não, mas eu, por mais que eu tenha feito Letras,

[00:33:28] a gente não passou por Shakespeare.

[00:33:29] Eu fiz faculdade na USP, na USP tem todo um esquema,

[00:33:32] tal, não sei falar, então não passou por mim.

[00:33:34] É, e aí eu tenho uma listinha de autores que eu só vou,

[00:33:37] só vou quebrar a caixinha do vidro depois dos 30, tá?

[00:33:39] Agora cheguei aos 30, então uma das coisas da minha vida…

[00:33:41] Era que eu ia ler Shakespeare esse ano.

[00:33:42] Eu fiz isso com o Marcel Proust.

[00:33:44] Eu falei assim, só depois de uma certa idade.

[00:33:46] Olha aí, quando o Balzac iô.

[00:33:48] É, não, Proust é só pra depois dos 50, eu tô…

[00:33:51] Então…

[00:33:52] É, Angústia é demais, eu já tenho muito pra cá.

[00:33:54] Não esperei tanto, mas…

[00:33:55] É, mas eu sabia que, por coisas que eu vi e tal,

[00:34:00] eu sabia pela profundidade da coisa, eu não podia chegar, pegar…

[00:34:02] Vocês podem, se vocês quiserem, tá? Não tô oprimindo ninguém.

[00:34:05] Mas eu não podia pegar Romeo e Julieta e sair lendo.

[00:34:07] Então eu queria ter coisas que me introduzissem nesse universo.

[00:34:10] Então esse filme caiu como uma luva, assim.

[00:34:12] Então, tanto que eu tava sumido do grupo cinemático.

[00:34:16] Aí eu já cheguei e falei, gente, quem for fazer Hamlet, ó, se for fazer, tô aqui já.

[00:34:19] E aí, então, tava meio disperso nas coisas ali, mais ou menos sabia do argumento e tal.

[00:34:24] Eu fui vendo o filme, meio…

[00:34:27] Vai ser muito pessoal, assim, meu relato.

[00:34:30] Inclusive, muito pessoal no nível de que eu acabei de perder uma pessoa muito próxima da minha família.

[00:34:34] E assim, foi um timing que, nossa, mexe um pouco com a cabeça da pessoa, porque…

[00:34:39] Não!

[00:34:40] Mandou no grupo assim, gente, eu precisava ter lido o sinopse, né?

[00:34:44] Tipo, cara, assim…

[00:34:45] Eu tava me controlando muito, aliás, ao longo desse processo todo, eu tava…

[00:34:49] Falei, será que é uma boa ideia?

[00:34:51] Mas Deus sabe o que faz.

[00:34:54] É, mas na primeira parte ali, até a metade do filme, eu tava meio tipo, gente…

[00:34:58] Legal, bonito, tô adorando, adoro uma bruxaria, uma macumbinha.

[00:35:02] Eu e a Alcione, a gente gosta de uns feitiços.

[00:35:04] Mas eu tava… Por que que a gente tá aqui?

[00:35:05] Tem uma coisa que eu tenho tido recentemente, que é tendo discussões com as pessoas.

[00:35:09] E aí, às vezes, a pessoa fala, tá tipo…

[00:35:12] Sei lá, tô tendo uma discussão, e aí, então tá falando de um relacionamento delas,

[00:35:16] uma briga que teve, e eu tenho uma vontade de falar assim, gente, eu não tô entendendo…

[00:35:19] Foi bem paulista isso, né?

[00:35:20] Eu não tô entendendo o que vocês não tão entendendo, tipo…

[00:35:23] Porque tem coisas de relacionamento, de vida social, que me parece muito óbvia,

[00:35:26] e as pessoas, elas não entendem o básico.

[00:35:28] Porque esse casal, os problemas que eles tinham, pra mim, era muito óbvio.

[00:35:31] Eu estava tão com a Jessy ali o tempo todo, com a Agnes Hathaway, tipo…

[00:35:34] Ela estava tão claramente com a razão, às vezes, se você não… Não, não…

[00:35:39] Você tá meio confuso com as coisas, olha pra quem tem razão e segue essa pessoa.

[00:35:42] Não tenta você ter a sua própria.

[00:35:44] Então, eu tava meio nessa, tipo, gente, qual é a questão com vocês?

[00:35:48] Porque é só fazer o que ela tá falando, tá certo?

[00:35:50] É… Aí eu tava meio nessa, tipo, ai que legal o filme, tipo, tudo funciona,

[00:35:54] uma cena após a outra, não sei o que lá.

[00:35:55] Mas também, ele tem um recall muito familiar, muito schadenfreude.

[00:36:01] Que é aquela coisa que você fala, mano, eu conheço isso, eu já vi isso, sabe?

[00:36:05] Todas as cenas, você ficava meio tipo, cara, eu já sei.

[00:36:09] O que vocês estão me passando? O que isso vai me passar?

[00:36:12] E aí, lá do meio pro final, depois os pais já falaram isso.

[00:36:14] Eu falei, gente, não é possível que eu estou vendo valor sentimental de novo.

[00:36:19] Porque teve uma hora que parecia muito o que eu ia perceber.

[00:36:21] Aí eu falei, cara, a gente está com um problema muito grave na arte como um todo.

[00:36:25] Precisa ter uma conferência mundial de arte.

[00:36:28] Porque a gente precisa parar com essa história de que você pode ser um filho da puta.

[00:36:32] E aí, você faz uma obra artística bonita. E aí, tudo bem.

[00:36:35] Não, não pode ser assim. O que a gente tá passando?

[00:36:39] Foi até a conversa que eu tive com o André, né?

[00:36:40] Que ele falou, ah, você tá lendo pela lente moralista.

[00:36:42] Eu falei, meu filho, mas moral existe no mundo, né?

[00:36:44] A gente tem que ter moral em algum momento.

[00:36:47] E aí, enfim, depois os pais já falaram um pouquinho mais disso.

[00:36:49] Mas, cara, por tudo isso que foi feito, eu acho que conseguiram um trabalho de fazer.

[00:36:58] E aí, não é spoiler, é pra justamente dar vontade da pessoa de ver.

[00:37:01] E depois, talvez, falar isso que é.

[00:37:03] Fizeram um final que é monumental por si.

[00:37:05] Se você assistir no mudo, você vai falar, cara, isso aqui…

[00:37:09] É um quadro em movimento.

[00:37:11] Só que, sabendo o contexto todo, você vai falar, caralho, caralho, caralho…

[00:37:16] Só isso, ó.

[00:37:16] Eu fui ver o vídeo da Isabela Boscov.

[00:37:19] Eu gosto muito de ver comentário, né? Pra fazer cinemático e tal.

[00:37:22] Pra ver a temperatura das coisas.

[00:37:23] E eu fui ver os comentários do vídeo da Isabela Boscov.

[00:37:25] Primeiro que todo mundo falou que tava chorando com a crítica dela, mesmo sem ter visto o filme.

[00:37:29] Ela tá toda entregue.

[00:37:31] Mas muita gente falou, mano, na minha sessão de cinema acabou o filme, ninguém levantou.

[00:37:34] Tipo, ninguém tava entendendo. A galera ficou um tempo, assim, meio away, assim.

[00:37:38] Porque vai pra um lado que você fala, meu Deus.

[00:37:40] Porque tem aquela coisa que você fala assim, ai…

[00:37:43] Sabe? Quando você tá meio que gritando pro personagem, faz tal coisa, faz tal coisa, faz tal coisa.

[00:37:47] E aí, não é por ter feito ou por não ter feito, mas pela ambivalência de fazer ou não fazer.

[00:37:52] Que você fala, caralho, olha o ponto que me levou.

[00:37:55] E aí, isso aí é muito justo, eu acho.

[00:37:59] Com a figura do Shakespeare, eu acho que é muito legal.

[00:38:02] Eu gosto muito, muito, muito de história ficcionalizada.

[00:38:06] Eu, como um homem negro brasileiro,

[00:38:07] que a gente não tem história, a gente vai ter que ficcionalizar.

[00:38:10] Já falei de Defenda e Cura aqui 400 vezes.

[00:38:12] Voltem todos os 400 e entendam um pouco essa questão.

[00:38:15] Mas eu gosto muito da possibilidade que isso abre.

[00:38:18] O Shakespeare, por mais que seja uma figura documentada,

[00:38:21] e tem vários estudos sobre ele, é que talvez o escritor mais estudado da história,

[00:38:25] ele adquire ares muito míticos, né?

[00:38:27] Então, o Ronald sabe disso muito dado, assim.

[00:38:31] É uma coisa meio mero, que ninguém sabe…

[00:38:33] Tipo, o pessoal começa a inventar que ele não existiu.

[00:38:36] Que era uma mulher, que era isso.

[00:38:37] Que era aquilo outro.

[00:38:38] E aí, eu acho que tem um ponto que o filme, muito claramente…

[00:38:42] Eu acho que você não precisa estudar.

[00:38:44] Tanto que eu fui depois conferir, e porque tava muito claro pra mim,

[00:38:47] que é, as datas, as pessoas e os espaços desse filme são reais.

[00:38:52] Todo o resto, eu caguei na minha cabeça.

[00:38:54] Tipo, é suspensão da inocência total, sabe?

[00:38:57] Não é pra você sair daqui fazendo fã clube do Shakespeare.

[00:39:00] Porque assim, você não sabe, e eu tô te falando que eu não sei.

[00:39:03] Eu tô falando como é que me parece essa história aqui, como ela ficaria bem pra mim.

[00:39:06] Então, acho que isso faz muita justiça a essa figura mítica do Shakespeare.

[00:39:10] Porque eu acho que a gente não tem que desconstruir a figura mítica.

[00:39:12] A gente tem que dar mais misticismo ali pras coisas, sabe?

[00:39:14] Por isso que até essa questão da bruxa, eu ia achar massa se ela fosse uma bruxa que a gente…

[00:39:18] Mano, agora eu vou lá, vou catar esse homem, vou fazer aqui o feiticinho que vai catar esse homem, vou pegar.

[00:39:22] Porque o jeito de você combater o medo que as pessoas têm da bruxa, entregar uma bruxa piora ainda.

[00:39:27] Mas a bruxa, o jeito que foi feito, foi bem feito, assim.

[00:39:30] Eu acho que o jeito que ela prevê as coisas, é tudo muito conectado à natureza mesmo.

[00:39:34] Então, eu achei que fez muita justiça.

[00:39:35] E fez muita justiça a questão do to be or not to be, assim.

[00:39:38] É… O filme não parece que vai ser isso.

[00:39:42] E aí, na hora que a frase aparece, você fala…

[00:39:44] Ah, nossa! É isso, assim. Tipo, isso aqui cabe em tudo e tal.

[00:39:48] Então… Pra quem começar a ver e ficar meio tipo…

[00:39:52] Ah, não sei o que eu tô fazendo aqui.

[00:39:54] Vai indo, que quando você souber… É.

[00:39:58] É isso.

[00:39:59] Muito bem. Bia Fiorotto, diga aí você.

[00:40:01] Olha, eu quero começar falando uma coisa ridícula.

[00:40:05] Pra explicar pra vocês a minha sensação.

[00:40:07] No filme, Minha Mãe é uma Peça, de Paulo Gustavo…

[00:40:09] Legal, demais. Muito bom.

[00:40:12] Tem uma coisa que é o seguinte… Não é ridículo, é insólito.

[00:40:16] Tá? Tem uma coisa que é o seguinte…

[00:40:19] O filme é engraçado. Você fica dando risada.

[00:40:22] E aí, são situações muito doidas. E aí, você fica…

[00:40:25] Meu Deus, que loucura. Ai, parece minha mãe, não sei o quê.

[00:40:28] Você acha que o título deveria ser Meu Filho é uma Peça, isso?

[00:40:31] Calma.

[00:40:35] É o maior publicitário da América Latina em linha reta.

[00:40:40] É nato, é uma coisa dele.

[00:40:41] Cara, eu cheguei a lacrimejar, você tem noção?

[00:40:44] É o spoiler no título?

[00:40:46] É isso.

[00:40:50] Cara, eu vou desligar. Título literal.

[00:40:51] Tchau, pessoal, até semana que vem. Saindo agora da gravação.

[00:40:55] Não podia ser, né? Hamlet, dois pontos, Meu Filho é uma Peça.

[00:41:00] Não, chega. Eu não quero mais fazer um podcast.

[00:41:04] É que assim, nada que eu vou falar agora vai ser melhor do que você falou.

[00:41:09] Mas eu vou seguir mesmo assim, porque a gente é muito amigo.

[00:41:11] Ele tá morrendo, olha pra ele.

[00:41:12] Não, é porque… Não, é ridículo, né?

[00:41:15] Ele mesmo provocou isso nele.

[00:41:16] Ele tá vermelho.

[00:41:17] É um negócio…

[00:41:18] Ai, ai, desculpa.

[00:41:19] Enfim, você fica lá assistindo o filme. E aí, você acha engraçado?

[00:41:22] Mas qual é o ponto alto?

[00:41:24] O filme acaba e entra, durante os créditos, um vídeo da mãe do Paulo Gustavo.

[00:41:31] Sendo exatamente a mãe que ele…

[00:41:34] Que ele fez, sem tirar nem pôr.

[00:41:37] Você fica meio, ah, é uma caricatura da mãe.

[00:41:39] Não é. Ela é assim.

[00:41:41] E é por isso que isso é engraçado pra caralho.

[00:41:43] E aí, enfim, rimos muito. Eu morri de rir e tal.

[00:41:47] Esse filme, como o Iago falou, ele é um filme muito lindo.

[00:41:51] Ele tem uma carga dramática muito pesada, mas muito bem feita.

[00:41:56] Podia ter ficado uma merda.

[00:41:58] Podia ter ficado muito ruim com esse drama todo.

[00:42:02] Não é qualquer pessoa que sabe matar no peito, sabe?

[00:42:05] E a Buckley foi lá, cara, como se nada fosse.

[00:42:08] Eu gosto… Você sabe que no…

[00:42:10] No Assassino da Lua…

[00:42:12] Assassino da Lua das Flores, né?

[00:42:15] É que eu sempre confundo com a gente brincando de cebolinha.

[00:42:17] Assassino da Lua das Flores.

[00:42:19] Não lembro quem é quem.

[00:42:21] Mas nesse filme, eu lembro que eu fiquei muito hipnotizada pela protagonista.

[00:42:26] E aqui aconteceu de novo.

[00:42:28] Eu só queria olhar pra cara dela.

[00:42:29] Eu só queria ver ela.

[00:42:30] Ela, o olhar dela, a bochecha dela.

[00:42:33] Às vezes baixa, às vezes mais alta, dependendo do negócio.

[00:42:37] Cara, ela detonou.

[00:42:39] Mas eu tava nessa, tipo assim…

[00:42:42] Beleza, cara.

[00:42:43] É uma grande tragédia.

[00:42:44] Talvez a gente esteja pensando sobre a tragédia na vida de um homem que escreve tragédias, né?

[00:42:51] Como esse tema é universal e tal.

[00:42:55] E aí, vem o final do filme.

[00:42:57] Não é depois dos créditos dessa vez, né?

[00:42:59] É no final do filme.

[00:43:01] Vem a cena.

[00:43:03] Que, ah, é por isso que eu assisti esse filme inteiro.

[00:43:09] Que me socou, me estapiou, ao mesmo tempo que me fez carinho e me deu de almoçar, entendeu?

[00:43:17] Essa cena é muito bem dirigida.

[00:43:20] É muito difícil, e eu vou falar em termos muito genéricos,

[00:43:24] a quantidade de figurante que tem ali e ninguém tá estragando a cena.

[00:43:28] Que sempre tem, né?

[00:43:30] Sempre tem, sempre tem.

[00:43:32] Um mais esquisito.

[00:43:33] Um menos…

[00:43:35] Cara, não tem.

[00:43:36] É lindo.

[00:43:37] É lindo de ver.

[00:43:38] É o papel de direção de figurante.

[00:43:39] Se você não tivesse, tinha que dar essa categoria pra dar esse prêmio.

[00:43:42] Porque, nossa, o que dirigir um figurante nessa foi…

[00:43:45] Foi foda, cara.

[00:43:46] E aí, assim, o meu coração foi parar na minha boca.

[00:43:51] Porque ali, eu acho que tem muito a ver com uma coisa que eu gosto muito de pensar.

[00:43:56] Que a gente fala muito aqui.

[00:43:58] E que é uma das coisas nas quais eu acredito, que é…

[00:44:02] Arte é feito pra gente…

[00:44:03] A gente processar a vida também, né?

[00:44:07] Arte é tudo, arte é nada.

[00:44:08] Mas é por meio dela que a gente processa as coisas.

[00:44:12] E o que a gente passa é o que todo mundo passa um pouco também.

[00:44:19] Em certa medida, mais, menos.

[00:44:22] Mas é coletivo.

[00:44:23] E aí, a gente é ensinado a ser individualizado, né?

[00:44:27] Seu mérito, vem o Pablo Marçal, coloca na sua cabeça, não sei o que lá.

[00:44:31] A gente vai acreditando que, né?

[00:44:33] Você tem que fazer por você mesmo, self-made, tudo isso.

[00:44:38] E é muito lindo ver há quanto tempo, e muito tempo antes disso,

[00:44:43] e muito tempo depois que a gente morrer,

[00:44:45] a arte também vai servir pra gente lembrar que tá todo mundo nivelado nas coisas da vida, cara.

[00:44:52] Todo mundo nivelado nas coisas da vida.

[00:44:55] E, portanto, toca o coração.

[00:44:57] Se você se deixa abrir, né?

[00:44:58] Se você não fica sendo cínico, falando,

[00:45:00] Ah, que ridículo!

[00:45:01] Porque aí vai tomar no seu cu.

[00:45:02] Mas se você abre…

[00:45:03] Se você abre o seu coração pras coisas como eu acho que deve ser,

[00:45:07] sei lá.

[00:45:08] Esse senso de coletivo, ele ganha um novo brilho,

[00:45:12] que não é bonito, nem triste, né?

[00:45:14] Ele é várias coisas.

[00:45:16] Enfim, mano, eu fiquei descassetada.

[00:45:18] O final me fez entender o motivo da comoção toda,

[00:45:22] e eu tô com um remnant no ar.

[00:45:24] Tem uma coisa que, quando a gente se forma na OITAS da USP,

[00:45:28] não sei se você fez o mesmo juramento, Ronald.

[00:45:30] Mas você tem que fazer um juramento que é,

[00:45:32] Ah, eu prometo defender a cultura, mas eu não vou fazer isso.

[00:45:32] Ah, eu prometo defender a cultura, mas eu não vou fazer isso.

[00:45:32] Ah, eu prometo defender a cultura, mas eu não vou fazer isso.

[00:45:32] Ah, eu prometo defender a cultura, mas eu não vou fazer isso.

[00:45:32] Eu prometo defender a cultura brasileira.

[00:45:34] E a gente fala, caramba, foi isso que eu fiz esses anos todos?

[00:45:35] Eu não sabia que era isso o combinado nosso.

[00:45:37] E esse filme dá meio essa, né?

[00:45:38] Tipo, nossa, era isso que a gente tava sentindo aqui?

[00:45:41] Eu achei que tava sentindo outra coisa.

[00:45:43] E aí, isso aí é catarse.

[00:45:44] Carlos Merigo, vai falar mal, né?

[00:45:46] Não gostou, né?

[00:45:48] Não vou, não vou.

[00:45:49] Ah, isso eu não te conheço. Olha…

[00:45:51] Tô com medo de você me mandar pra aquele lugar

[00:45:52] que você falou que os cínicos deveriam…

[00:45:55] É…

[00:45:57] Amigo, você é carapuça, você…

[00:45:59] Para!

[00:45:59] Que isso!

[00:46:00] Que isso, calma!

[00:46:02] Ó, vamos… Vou aqui nos prós e contras, né?

[00:46:05] Eu gosto muito, assim, como vocês falaram,

[00:46:08] a atuação da Jessie Buckley é monumental, né?

[00:46:11] Ela é física, dolorosa.

[00:46:13] E acho que o filme funciona quando ele funciona muito por conta dela, assim, né?

[00:46:18] E eu gosto muito dessa persona bruxa, mística, mulher da floresta, né?

[00:46:24] Mulher da floresta.

[00:46:26] Que criaram dela.

[00:46:26] É, e que a gente não necessita de ter nenhuma…

[00:46:29] Deus é valentino, a minha fanfic.

[00:46:31] Nenhuma explicação.

[00:46:32] Mas é muito legal você ver ela ligada, né?

[00:46:34] Tanto que quando tem uma cena lá que ela quer ir pra floresta e não deixa,

[00:46:38] você fica desesperado e fala

[00:46:39] não, pelo amor de Deus, o que vocês estão fazendo com essa mulher?

[00:46:42] Você sente que é uma tortura com ela, né?

[00:46:45] Então, acho que a atuação dela é incrível.

[00:46:49] E eu gosto principalmente da direção bastante sensorial da Chloe.

[00:46:56] Cara, tá ali de novo…

[00:46:58] Como ela já fez bastante no Nomadland, né?

[00:47:00] Saindo da…

[00:47:01] De quando ela foi pra Marvel, apostando bastante no silêncio, na paisagem, né?

[00:47:07] Na respiração, uma coisa muito mais de atmosfera e não de eventos, né?

[00:47:13] Acho que foi o Ronald que falou disso, né?

[00:47:16] Assim, não tem acontecimentos, né?

[00:47:19] As pessoas estão vivendo a sua vida e ela consegue criar uma atmosfera em cima disso.

[00:47:24] E pra quem consegue entrar no ritmo, vira quase que uma hipnose emocional.

[00:47:30] Eu também lembrei…

[00:47:31] É um valor sentimental que o Iago citou,

[00:47:34] porque é mais uma história de como você metaboliza a dor, né?

[00:47:40] Através da arte.

[00:47:42] Apesar desse lance de, tipo, tudo vira uma desculpa, né?

[00:47:45] Você é um escroto em vida, mas veja só que artista incrível você é.

[00:47:50] Mas acho que o que ele consegue fazer, pra mim, funciona melhor.

[00:47:53] Essa parte, emocionalmente falando, funciona melhor.

[00:47:57] O que eu acho que me incomoda…

[00:48:01] E me tira do filme.

[00:48:03] Nessa cena final, que eu concordo com vocês, é incrível.

[00:48:06] Principalmente a parte em que você vê pessoas tendo contato com a arte pela primeira vez.

[00:48:11] Então, você imagina, sei lá, em 1600, as pessoas nunca viram aquilo.

[00:48:15] Assim como a gente teve, como as pessoas foram ver o cinema pela primeira vez,

[00:48:19] acharam que o trem ia atropelar elas.

[00:48:22] Você imagina isso, aquela galera nunca teve contato com nada, é só, sei lá…

[00:48:26] Não, o teatro tinha regras.

[00:48:28] Tipo, você não achava que podia aquelas coisas.

[00:48:31] Exato!

[00:48:31] Exato!

[00:48:31] Exatamente.

[00:48:32] Então, acho que essa…

[00:48:35] Acho lindo isso, né?

[00:48:36] De você ver a arte tendo esse impacto nas pessoas e como aquilo, a partir dali,

[00:48:44] a nossa história ia evoluir a partir daquilo e ia passar a ser algo fundamental.

[00:48:50] Mas o que me incomoda, assim, é que eu sinto que é um retcon do The Hamlet, né?

[00:48:59] Explica pra quem não sabe o que é retcon.

[00:49:01] É, retcon, como eu posso explicar, é quando você conta…

[00:49:07] A tradução é continuidade retroativa, né?

[00:49:11] Que é quando você tem uma obra posterior, que é o caso de Hamlet,

[00:49:14] que vai alterar ou vai reinterpretar fatos que já foram estabelecidos numa obra anterior, né?

[00:49:22] Hamlet, ele é mais simbólico disso, porque ele não tá mudando a história,

[00:49:28] mas ele tá reposicionando…

[00:49:31] O Hamlet, que, na verdade, sempre foi visto como uma tragédia política, né?

[00:49:37] Uma reflexão filosófica de ação, de dúvida.

[00:49:41] Aqui tá colocando isso mais num aspecto emocional, de falar de perda, de silêncio, né?

[00:49:47] No pai que não consegue elaborar o luto dele, então ele…

[00:49:52] Mas ele fala dos dois.

[00:49:53] Acho que ele…

[00:49:54] É, mas…

[00:49:55] Hamlet fala dos dois.

[00:49:57] Não era tanto sobre isso, né?

[00:49:59] Assim…

[00:50:00] Primeiro que…

[00:50:01] O Shakespeare já tinha escrito tragédia antes, então fica um pouco…

[00:50:07] Precisa que você…

[00:50:10] Essa suspensão de descrença, ou esse…

[00:50:12] Parece que às vezes você tá vendo, né?

[00:50:15] Talvez seja esse filtro, né?

[00:50:16] Que talvez eu tenha ido, né?

[00:50:17] Assim, e isso tenha me atrapalhado.

[00:50:19] Ah, como se fosse um registro biográfico, né?

[00:50:22] Não, é uma ficção histórica.

[00:50:23] Ele não é, né?

[00:50:24] Exatamente.

[00:50:25] É uma fanfic, é uma boa fanfic, mas não deixa de ser.

[00:50:30] Isso.

[00:50:31] Uma boa fanfic, uma fanfic, né?

[00:50:33] Porque…

[00:50:34] E aí, eu acho que isso dá uma…

[00:50:36] Apesar de reconhecer o peso emocional disso, né?

[00:50:41] E acho que tem uma grande força.

[00:50:43] Ao mesmo tempo, eu ficava me questionando se não tava reduzindo um pouco uma peça, né?

[00:50:50] Que é considerada um monumento cultural, a simplesmente um trauma pessoal do Hamlet, né?

[00:50:55] Por um lado, é muito bonito porque humaniza, mas por outro, cara, não sei se…

[00:51:00] Não dá uma empobrecida.

[00:51:02] Enfim, isso ficou me…

[00:51:03] Nessa cena final, tava todo mundo na sala de cinema chorando.

[00:51:07] Dava pra eu ver as pessoas soluçando na sala.

[00:51:10] Eu tava o tempo todo com aquela cara mais cheia.

[00:51:13] Ah, mas também não é assim, vai!

[00:51:15] Eu tava assim.

[00:51:16] E quando eu ia pra aula…

[00:51:17] E tava o emoji pensando.

[00:51:19] Ai, mas eu tinha nessa época esse vestido.

[00:51:22] Eu tava um pouco assim, peço perdão.

[00:51:25] E uma coisa que mais me faz…

[00:51:27] Quase me…

[00:51:28] Quase não, eu revirei os olhos.

[00:51:30] Quando a personagem, a Agnes, cita, ela fala, ela tá descrevendo a peça

[00:51:37] pelo ponto de vista que o filme quer que a gente faça, que é…

[00:51:40] Eu posso falar essa frase ou é…

[00:51:42] Cuidado, é…

[00:51:43] Ou é spoiler?

[00:51:44] Ela fala, então esse é tal?

[00:51:47] Fala, putz, não, eu já entendi.

[00:51:49] Eu ia te perguntar exatamente isso.

[00:51:50] Você acha que você se sentiu…

[00:51:51] Porque as críticas negativas falam muito nesse sentido.

[00:51:53] Você se sentiu coagido a ficar triste?

[00:51:56] Coagido, putz, é isso aí.

[00:51:58] Fica tristinho aí, vai.

[00:51:58] Perfeito.

[00:51:59] Agora eu vou fazer um negócio que é pra você.

[00:52:00] Oh, gente, mas eu não fiquei triste, não.

[00:52:03] Eu acho que o filme não sugere, ele tá insistindo a gente a ficar emocionado.

[00:52:11] Inclusive porque ele prolonga todo o sofrimento infantil, né, que é o motor emocional.

[00:52:17] Oh, gente, vamos falar desse menininho.

[00:52:21] Ah, puta que pariu, é isso!

[00:52:23] Tem que falar pro menino!

[00:52:24] Porra, eu não…

[00:52:25] Gente, ele é muito…

[00:52:26] Eu saí do filme falando, a primeira coisa que eu vou falar no cinemático é do menino.

[00:52:30] O menino que é o Jude, não sei o que, né?

[00:52:32] Como é que é, lembra o nome?

[00:52:34] Ele é jovenzinho, ele é criança, é o Jacob Jude.

[00:52:38] E na peça, quando ele já faz ele mais velho, é o irmão dele, o Nobe.

[00:52:42] É o Jacob, né, que é o menino loiro.

[00:52:44] Ah, mas é o Jacob é o que aparece.

[00:52:46] Como faz esse menino atuar desse jeito, cara?

[00:52:48] A gente é muito pro trabalho infantil nesse podcast.

[00:52:50] Muito, muito, caramba!

[00:52:52] A gente não aguenta uma criança.

[00:52:54] É isso.

[00:52:54] Não, mas é que ele não é só uma criança, ele tá incrível no filme, é absurdo.

[00:52:58] É absurdo.

[00:52:59] É muito fofo.

[00:53:00] Ele é muito…

[00:53:01] Não, o tamanho da bochecha daquele garoto, eu não acredito, né?

[00:53:04] Enfim, gente, eu gosto do filme, mas eu tenho uma…

[00:53:08] Eu acho que tem uma leitura biográfica um pouco redutora do que foi a série.

[00:53:13] Enfim, como vocês falaram, o próprio Iago falou, é uma história…

[00:53:17] Não tem diário do Shakespeare contando a vidinha dele, então ninguém sabe.

[00:53:23] Então dá muita margem pra gente pensar, imaginar.

[00:53:26] Então as datas se aproximam, deve ser sobre isso e tal.

[00:53:29] Então, legal.

[00:53:30] Legal, muito bom, bonito.

[00:53:32] Acho que dá pra gente fazer, façam mais.

[00:53:35] Mas…

[00:53:35] Façam mais, crianças.

[00:53:36] Façam mais, eu vou odiar tudo.

[00:53:39] Mas…

[00:53:39] Eu tenho essa questão.

[00:53:42] Essa questão que…

[00:53:44] Mas você acha que se o filme tivesse se assumido mais, se ele tivesse ido pra um clima mais…

[00:53:49] Novela das oito, ao invés de série das onze da noite na Globo…

[00:53:53] Pode ser.

[00:53:53] Você acharia que ficaria mais confortável?

[00:53:54] Pode ser.

[00:53:55] Você tá dando aí uma forçadinha, mas você tá aqui pra dar uma forçadinha mesmo.

[00:53:58] Claro, é.

[00:53:59] Pode ser.

[00:54:00] Também tem muito essa, né?

[00:54:01] Tipo, cara, que é uma coisa que eu sempre reclamo do cinema, que é…

[00:54:03] Tipo, olha essa cena aqui, cinema.

[00:54:05] A gente vai dar uma virada de clima, porque é muito cinema.

[00:54:07] Ele é bem rígido, né?

[00:54:09] Nessa questão.

[00:54:09] Ele é rígido, coreografado, consciente de si.

[00:54:13] Então, acho que tem um pouco disso, assim.

[00:54:17] E aí, eu acho que o final, inclusive essa frase, depois eu falo nos spoilers.

[00:54:21] Eu acho que ela foge de tudo que tava sendo contado, né?

[00:54:24] Porque aí ela resolve…

[00:54:25] Ó, se você não entendeu até aqui, agora eu vou te explicar.

[00:54:28] E aí, isso me dá uma…

[00:54:30] Professor Baixa na Lousa, né?

[00:54:32] Vamos, vamos pros spoilers.

[00:54:33] Vamos pros spoilers, vai.

[00:54:34] Vamos, vamos.

[00:54:35] Eu tô desesperada.

[00:54:37] Vai, vai, vai.

[00:54:37] Spoilers!

[00:54:38] Spoilers!

[00:54:39] Spoilers!

[00:54:39] Por favor, tenha um cadáver.

[00:54:43] Eu sou o seu pai.

[00:54:46] Um garoto, o melhor amigo é a mãe dele.

[00:54:48] O que tá na caixa de foda?

[00:54:49] Eu vejo pessoas mortas.

[00:54:51] Maldita você, que diabos!

[00:54:55] Rocha!

[00:54:56] Silent Green é people!

[00:55:00] Fala a frase, cara.

[00:55:01] Não, a frase que quando aparece o fantasma, ela fala…

[00:55:04] Ah, então o fantasma é ele, é o filho.

[00:55:07] Cara, a gente entendeu.

[00:55:09] A sua atuação deu a entender que, né, você não precisa falar.

[00:55:12] Só que é uma hora e meia.

[00:55:12] Mas, Merigo, em defesa dessa frase…

[00:55:16] Em defesa dessa frase, eu lembro daquelas pessoas que estão na sala de cinema

[00:55:19] e começam a explicar pras pessoas ao redor

[00:55:21] o que está acontecendo e o que elas estão vendo na frente.

[00:55:24] Isso.

[00:55:24] Então, assim, a gente pode prever que isso acontecia também lá atrás

[00:55:27] quando as pessoas estavam no teatro, né?

[00:55:29] Mas, gente, fala em mais.

[00:55:30] Vocês, porque eu já vou aceitar aqui as pessoas me batendo,

[00:55:34] crítica que eu não tenho no meu coração.

[00:55:37] É que eu queria falar sobre o contexto do teatro,

[00:55:39] que tá ligado também ao teatro daquela época,

[00:55:41] que não era o teatro como nós o entendemos hoje.

[00:55:44] Sim.

[00:55:44] Então, aquelas pessoas estavam ali em pé, né, no teatro.

[00:55:49] Aquela era a maneira como as pessoas assistiam ao teatro naquela época.

[00:55:53] Elas iam pra interagir com aquilo que estava acontecendo dentro do palco.

[00:55:57] Muitas vezes parecendo, segundo a gente estuda,

[00:56:00] em teatro, o teatro infantil de hoje.

[00:56:02] Quando você fala, não, mata ela, olha pra trás.

[00:56:05] Sim.

[00:56:05] E lembrando que a gente tá falando aí do século XVI

[00:56:09] que as pessoas não eram letradas.

[00:56:11] Isso.

[00:56:11] A gente tá falando num momento ainda que

[00:56:14] ser alfabetizado era fazer parte de uma certa elite ali também.

[00:56:18] Então, aquele era o contato que as pessoas tinham

[00:56:20] com as grandes questões da vida,

[00:56:24] naquela linguagem simples de Shakespeare,

[00:56:26] mas ao mesmo tempo tão profunda.

[00:56:28] Por isso, por conta da…

[00:56:30] Por isso a genialidade dele.

[00:56:31] E acho lindo todo mundo botando a mão e dando a mão pra ele.

[00:56:35] Gente, essa cena da mão, eu senti uma tensão.

[00:56:38] Maravilhoso.

[00:56:38] Que é, ele tá com a mão ali e ela não se aguenta.

[00:56:42] É isso que é lindo.

[00:56:43] Quer dizer, é aí que já tá lindo antes, né?

[00:56:46] Quando ela chega.

[00:56:47] Ah, puta que pariu!

[00:56:48] Não fala o nome do meu filho!

[00:56:50] Cala a boca!

[00:56:50] Aí todo mundo…

[00:56:52] Parece a gente hoje.

[00:56:54] E aí, quando ela vai se desarmando, desarmando, desarmando.

[00:56:59] É um show de teatro.

[00:57:00] E aquela cena que ela não aguenta, pega na mão dele.

[00:57:05] Aquilo é quase um…

[00:57:06] Quase um, sei lá o quê, um abrir de portas.

[00:57:10] É um ritual. Aquilo é um ritual místico.

[00:57:11] Aquilo é uma coisa…

[00:57:12] É um portal, exatamente.

[00:57:14] Exatamente.

[00:57:15] E todo mundo embarca nesse mesmo portal dela.

[00:57:17] E aí todo mundo faz…

[00:57:19] Gente, mas aquilo é de uma força.

[00:57:21] E de uma força imagética muito grande.

[00:57:24] De novo, a foto do Lula, né?

[00:57:26] Eu lembrei muito disso na hora.

[00:57:28] O Lula no meio.

[00:57:29] Bacana.

[00:57:29] Todas as pessoas…

[00:57:30] Eu gostava do cinemático, não vou falar de política.

[00:57:32] É verdade.

[00:57:32] Agora o YouTube vai…

[00:57:33] Eu vou querer promover o vídeo e o YouTube vai vetar.

[00:57:37] Porque é propaganda pública agora.

[00:57:37] Tem essa fofoca aí.

[00:57:39] Você é o nosso ouvinte pela primeira vez.

[00:57:41] Agora você já sabe um pouquinho mais sobre nós.

[00:57:44] Isso, exato.

[00:57:45] Então, enfim, lembrei muito dessa coisa…

[00:57:47] Enfim, não tem muito a ver.

[00:57:49] Eu lembrei por causa da imagem mesmo.

[00:57:50] Mas assim, essa coisa coletiva de…

[00:57:55] Bate em todo mundo.

[00:57:57] Se você não sabe ler,

[00:57:59] não leu…

[00:57:59] Seja como for,

[00:58:00] você viu aquela história

[00:58:01] e você sacou aquilo que está acontecendo,

[00:58:03] é bater em todo mundo.

[00:58:04] Todo mundo se une por isso,

[00:58:06] porque é universal.

[00:58:07] Caralho!

[00:58:08] Posso falar um pouquinho do Hamlet?

[00:58:10] Absolutamente.

[00:58:11] Porque justamente esse último ato

[00:58:12] é a encenação do Hamlet.

[00:58:14] Aí já a inspiração baseada…

[00:58:17] Inspirado, talvez…

[00:58:18] Inspirado talvez não seja a melhor palavra,

[00:58:20] mas gatilhado, né?

[00:58:22] Impulsionado pela morte do filho dele.

[00:58:26] Porque…

[00:58:27] O espetáculo começa com…

[00:58:29] Aparece o fantasma do pai

[00:58:31] que chega para o filho dele.

[00:58:32] O filho está achando estranho

[00:58:34] que a mãe dele já está casada

[00:58:36] com o outro rei da Dinamarca.

[00:58:38] E o pai chega para dizer

[00:58:39] que ele foi assassinado…

[00:58:40] Para revelar para o filho

[00:58:42] que ele foi assassinado pelo Cláudio,

[00:58:44] que é o rei da Dinamarca.

[00:58:45] E aí vem também uma outra frase célebre

[00:58:47] desse espetáculo,

[00:58:49] que é o Marcelo,

[00:58:49] que é um dos guardas do reino.

[00:58:51] Ele ouve e fala

[00:58:52] que tem algo de podre no reino da Dinamarca.

[00:58:55] Porque tem toda uma questão política

[00:58:57] com o Cláudio aí.

[00:58:58] E aí…

[00:58:59] O Marcelo vê esse…

[00:59:01] O Marcelo vê esse…

[00:59:04] Testemunha esse encontro,

[00:59:06] essa aparição do fantasma.

[00:59:09] E aí o menino,

[00:59:11] que é o Hamlet,

[00:59:12] o homem, né?

[00:59:13] Que é o Hamlet,

[00:59:13] ele não acredita que isso aconteceu.

[00:59:15] Ele não acredita no fantasma.

[00:59:16] Assim, imediatamente ele vai testar.

[00:59:19] Vai começar a investigar

[00:59:20] se realmente o pai dele

[00:59:21] foi assassinado pelo cara

[00:59:22] que agora está casado com a mãe dele.

[00:59:24] E aí ele resolve usar como instrumento

[00:59:26] para essa investigação,

[00:59:29] cumprir uma peça

[00:59:29] em que ele encena a morte do próprio pai.

[00:59:32] Que é o terceiro ato de Hamlet,

[00:59:34] que tem cinco atos.

[00:59:35] O terceiro ato é a ratoeira,

[00:59:37] The Mousetrap.

[00:59:38] Muita gente só monta esse terceiro ato,

[00:59:39] que é a peça dentro da peça.

[00:59:41] Que é justamente quando eles tentam,

[00:59:42] começam a encenar essa morte

[00:59:44] e aí chegaram a uma conclusão

[00:59:45] de como é que foi.

[00:59:46] Quem matou, na verdade, o…

[00:59:50] O Odete Reutemann.

[00:59:51] O primeiro Ruth Dunnett.

[00:59:53] É, nesse caso a gente já fica…

[00:59:55] O fantasma já fala quem é, né?

[00:59:57] Ele fica na dúvida,

[00:59:58] mas ele já sabe quem é.

[00:59:59] E o que a gente vê ali na peça

[01:00:02] é um pedaço dessa…

[01:00:03] Tem um pedaço dessa…

[01:00:05] Da ratoeira.

[01:00:06] Mas tem um pedaço do último ato,

[01:00:08] pelo que eu pude entender,

[01:00:09] que é a hora da mão.

[01:00:10] Que é quando tem aquela sequência de mortes.

[01:00:12] Gente, todo mundo morre, tá?

[01:00:13] É uma peça do século XVI.

[01:00:15] Pelo amor de Deus.

[01:00:17] E aí me parece que é aquela última cena

[01:00:20] ali do Hamlet.

[01:00:21] Então por isso estava impactando também

[01:00:23] aquelas pessoas.

[01:00:23] Elas estavam embarcadas ali naquela história

[01:00:25] de nossa…

[01:00:26] Que tragédia é essa, né?

[01:00:28] Como é que…

[01:00:29] Como é que esse cara foi assassinado?

[01:00:30] Como assim o fantasma do cara?

[01:00:32] O fantasma do pai, né?

[01:00:33] O fantasma reaparece em algum momento.

[01:00:35] É uma peça fascinante.

[01:00:37] E do jeito que eu estou fascinado aqui,

[01:00:39] parece que eu estava lá naquelas pessoas, né?

[01:00:41] Naquele teatro, no filme.

[01:00:42] Mas a gente estava meio lá.

[01:00:44] Eu fiquei…

[01:00:45] A minha vontade foi de fazer, sabe?

[01:00:47] Assim também.

[01:00:48] Tem uma coisa de…

[01:00:50] É por isso que eu acho que me pegou tanto

[01:00:53] essa coisa dessa construção, sabe?

[01:00:56] Porque…

[01:00:56] Quando a gente sente todo aquele peso,

[01:00:59] e é isso que vocês falaram.

[01:01:00] Shakespeare, cara…

[01:01:02] Irmão, volta pra cá.

[01:01:03] Fica fazendo o filho e fugir.

[01:01:05] É tranquilo, né?

[01:01:06] Ah, que não sei o quê que eu tenho que…

[01:01:08] Ah, porque o pessoal lá na capital é foda.

[01:01:10] Estão me chamando.

[01:01:11] Né?

[01:01:12] Mas enfim.

[01:01:13] Eu acho que…

[01:01:15] Não tratando com presentismo

[01:01:17] essa história e tal.

[01:01:19] E percebendo que…

[01:01:20] Eu também tive essa sensacional.

[01:01:22] Falar, pô…

[01:01:23] É, não, cara.

[01:01:24] Escuta, você não estava aqui.

[01:01:27] Né?

[01:01:27] E esse menino também…

[01:01:29] A gente ficar nessa coisa dos poderes dele, né?

[01:01:32] Que ele é ali o…

[01:01:35] As irmãs, foda-se, né?

[01:01:36] Ninguém liga, não sei o quê.

[01:01:38] Mas o…

[01:01:39] Ele tem ali uma conexão com o pai

[01:01:42] dessa coisa da arte.

[01:01:44] Mas ele também tem esse lance da mãe

[01:01:46] dessa sensibilidade, da natureza.

[01:01:48] Tanto que, enfim, né?

[01:01:49] Ele…

[01:01:49] Não, mas a cena dele com a irmã, né?

[01:01:52] Puta, aquilo lá é de quebrar o coração, velho.

[01:01:54] Tem que fazer o santo desse menino.

[01:01:56] Tem que fazer o santo quando é assim.

[01:01:57] Eu troco de lugar com você.

[01:01:59] Puta que pariu, velho.

[01:02:00] Ele fez o que a minha mãe, quando eu era criança,

[01:02:03] ficava doente, que ela ficava, enfim, chateada.

[01:02:05] Ela falava assim, se eu pudesse,

[01:02:07] eu tirava de você e buia em mim.

[01:02:10] E aí o menino, não sabendo que era impossível,

[01:02:12] foi lá e fez.

[01:02:14] Mas, enfim,

[01:02:15] essa carga dramática toda muito bem feita

[01:02:17] e quando você joga pra peça, né?

[01:02:20] Eu concordo.

[01:02:20] O Merino falou e eu concordo que talvez

[01:02:23] se você não vá com a cabeça

[01:02:25] de que isso é um recorte dentro de ficção,

[01:02:29] pareça reducionista mesmo.

[01:02:31] Mas eu também fico pensando

[01:02:32] que a gente vê a interpretação

[01:02:35] da Agnes

[01:02:37] tem a ver com o que…

[01:02:38] Ela também tava vivendo isso.

[01:02:40] Ela é a esposa do cara.

[01:02:41] O cara meteu tudo isso no palco.

[01:02:43] O que ela mais viu foi essa parte

[01:02:45] do que as outras.

[01:02:47] Então, o drama político e as questões.

[01:02:49] Então, tem isso também.

[01:02:51] Mas, enfim, seja ele um cuzão ou não,

[01:02:54] seja ele um

[01:02:55] um esquerdomacho

[01:02:57] da Santa Cecília,

[01:02:58] é isso?

[01:02:59] De brinquinho, né?

[01:03:01] Ah, muito engraçado, né?

[01:03:04] Enfim.

[01:03:05] Em certo momento, isso não

[01:03:07] importa mais, porque, de novo,

[01:03:09] as tragédias, as tristezas

[01:03:11] e a arte nivelam a gente

[01:03:13] sempre. Porque

[01:03:14] seja o filho

[01:03:17] do rei ou o filho

[01:03:19] da pessoa mais pobre, a dor

[01:03:21] de perder um filho é a dor

[01:03:23] profunda, igual e que

[01:03:25] parece que não tem fim.

[01:03:26] E isso nivela.

[01:03:28] Então,

[01:03:29] eu queria muito destacar, assim,

[01:03:31] acabou de passar aqui pela minha timeline

[01:03:33] um vídeo, vou até mandar no nosso grupo

[01:03:36] depois, que, pela

[01:03:37] tipografia, só pode ser no SBT,

[01:03:40] é um disclaimer antes de começar o vídeo,

[01:03:42] e o disclaimer é o seguinte.

[01:03:44] Os primeiros minutos deste filme

[01:03:46] tem um ritmo lento. A partir do

[01:03:48] minuto 26 até o seu final, a ação

[01:03:50] se desenvolve de forma vertiginosa e sensacional.

[01:03:52] Continue assistindo e você vai entender.

[01:03:54] Que isso?

[01:03:55] É o pouco disso, né?

[01:03:56] O SBT é SBTando, né?

[01:03:58] Não é possível.

[01:03:59] Isso é real?

[01:04:00] Se eu quero que você mande, eu gosto.

[01:04:02] Eu vou mandar, vou mandar. Tudo é real nos anos 90.

[01:04:04] Tudo é real.

[01:04:05] Mas, cara, eu acho que tem um negócio muito

[01:04:07] eu amei, achei incrível

[01:04:10] com essa questão da morte, dessa reação

[01:04:13] da morte, assim, porque tem essa coisa

[01:04:15] de, ai, aconteceu

[01:04:17] o que tem que acontecer, e a morte

[01:04:19] fragiliza, e não sei o que,

[01:04:21] e a pessoa se encanta, aí começa a sair

[01:04:23] brilho dela, que nem o Edward Cullen lá.

[01:04:25] Cara, morreu uma bosta, a pessoa

[01:04:27] se caga, se mija, vomita,

[01:04:29] e você que tá vendo, você grita, você

[01:04:31] arranca o cabelo, você desespera,

[01:04:33] é terrível, é caos, blackout, você quebra

[01:04:35] tudo, você não vê nada na sua frente.

[01:04:37] Eu acho isso muito foda, assim.

[01:04:39] E tem um negócio

[01:04:41] que o Ronald falou,

[01:04:43] que é isso, né? Tipo, ah, Shakespeare

[01:04:45] fez, sabe, o grande romance

[01:04:47] que é Romeo e Julieta, ele fez histórias

[01:04:49] de amor profundíssimas.

[01:04:52] Aquelas, é o Relear, né?

[01:04:53] Que é a história do rei que tem as filhas lá, tal, não sei o que lá.

[01:04:55] Que tem uma coisa…

[01:04:57] Succession? Não.

[01:04:58] Succession, isso.

[01:04:59] E também do Rei Leão

[01:05:00] e da novela Nossa Família.

[01:05:03] Você quer dizer que nada disso é original?

[01:05:05] Amigo, puxa. Não acredito.

[01:05:07] É cópia?

[01:05:09] É, tem um homem que fez uma teoria da jornada do herói,

[01:05:11] se você for dar uma olhada lá, você vê,

[01:05:13] absurdo. Tá tudo lá? Tá tudo lá.

[01:05:16] É… Mas tem um negócio

[01:05:17] que é isso, assim, que eu ouço muito, sei lá,

[01:05:19] do Chico Buarque, ah, porque o Chico Buarque compreende as nuances

[01:05:21] da alma feminina. E, gente,

[01:05:23] não tem essa, o artista trabalha.

[01:05:25] Eu acho, eu não sei se eu sonhei,

[01:05:27] mas acho que tem um vídeo do Marieta Severo, tipo, ah,

[01:05:28] o Chico em casa era um homem, né, um homem,

[01:05:30] normal, assim, homem, sabe? Homem, chega, sabe?

[01:05:32] Deixa a cueca jogada,

[01:05:35] homem. Tipo, esse artista,

[01:05:37] ele escreve sensibilidade, não sei o que lá,

[01:05:38] mas ele não bota isso na vida dele, isso não vai mudar

[01:05:40] a essência dele por si.

[01:05:42] O que vai mudar a essência é você ter

[01:05:44] a cara de pau de lá e mudar a essência.

[01:05:47] E, de novo, comparando com o meu

[01:05:48] arquirrival filme, Valor Sentimental,

[01:05:51] o que essa mulher fez…

[01:05:53] Arquirrival.

[01:05:55] Arquirrival é maravilhoso.

[01:05:56] O que essa mulher fez lá no palco

[01:05:58] é o que eu queria que a filha dele fizesse lá na situação

[01:06:00] lá, que eu não vou dar spoiler de outro programa aqui.

[01:06:03] Porque, cara,

[01:06:04] a arte pode muita coisa.

[01:06:06] A arte é muito poderosa, ela desperta muita

[01:06:08] coisa em você, mas a arte nunca

[01:06:11] é maior do que a vida.

[01:06:12] E se a vida… Você tem que ir lá e arruinar a arte,

[01:06:14] porque o que ela fez ali, ela arruinou a cena.

[01:06:17] Ficou muito mais bonita, ficou melhor, mas a cena

[01:06:18] não era aquela. Ela arruinou, ela estragou a peça.

[01:06:21] Porque é isso. Não importa se

[01:06:23] ah, eu tava puta, e aí eu fui lá,

[01:06:24] entendi, fiz a catarse, mas é a minha catarse.

[01:06:27] A minha catarse…

[01:06:28] A minha catarse é maior do que essa peça.

[01:06:30] Se for preciso derrubar essa porra desse palco,

[01:06:32] eu vou derrubar, porque eu sou a mãe.

[01:06:34] Eu sou a mãe que perdeu o filho

[01:06:36] que tá aí, registrado.

[01:06:38] Então o direito é meu, a história é minha.

[01:06:41] Eu acho que isso também tem que ser mostrado.

[01:06:42] Tipo, legal, a arte é maravilhosa.

[01:06:44] E eu acho muito legal,

[01:06:46] acho muito bonito, e aí acho mágico,

[01:06:48] me contradizendo, que eu não tenho medo de ser

[01:06:50] hipócrita,

[01:06:51] que tem essa coisa,

[01:06:54] esse final, seja essa catarse coletiva,

[01:06:56] todo mundo pega na mão junto,

[01:06:57] não sei o que lá.

[01:06:58] E todo mundo relatando que nas salas de cinema,

[01:07:01] todo mundo chorou ao mesmo tempo,

[01:07:02] todo mundo teve as mesmas reações.

[01:07:04] Conseguiu-se causar esse efeito,

[01:07:06] porque acho que nesse momento, a gente tava falando disso,

[01:07:08] que agora é a moda do filme, é o filme ficar dizendo toda hora,

[01:07:11] explicando qual que é a sinopse.

[01:07:12] Saiu uma análise sobre isso, que nos streamings tem que fazer

[01:07:15] duas, três vezes, explicar qual que é o pote,

[01:07:17] que as pessoas não prestam atenção e tal.

[01:07:19] Tipo, nesse caso,

[01:07:21] a coisa foi coletiva.

[01:07:22] Então se a gente precisa,

[01:07:23] se tem algo que a gente precisa aprender

[01:07:25] com a forma que se consumia teatro lá no século XVI,

[01:07:28] esse filme foi muito eficiente

[01:07:30] em trazer esse efeito.

[01:07:32] E isso é foda, isso é o que a arte pode.

[01:07:35] Não pode mais do que uma família.

[01:07:36] Então se você for um artista e um pai de família,

[01:07:38] cuide dos seus filhos.

[01:07:39] Muito bem. Vamos dar notinhas?

[01:07:42] Vamos.

[01:07:44] Ronald, comece aí.

[01:07:45] Cinco. Caramba.

[01:07:48] Já começou o ano assim?

[01:07:49] Cinco tranquilo.

[01:07:50] Cinco tranquilo.

[01:07:51] É de graça, não sei se te falaram.

[01:07:53] Cinco tranquilo.

[01:07:55] Você, Iago?

[01:07:57] Cara, eu vou dar um quatro.

[01:07:58] Boa. E você, Bia?

[01:08:00] Quatro e meio.

[01:08:02] Eu vou de três e meio.

[01:08:04] Que é excelente.

[01:08:05] Excelente.

[01:08:06] Excelente.

[01:08:07] Gostei.

[01:08:08] Cinco é dez.

[01:08:09] A audiência discorda.

[01:08:11] Não, três e meio, gente.

[01:08:13] É bem mais do que metade.

[01:08:15] Tá tudo certo, tá tudo bem.

[01:08:16] A gente é amigo.

[01:08:17] Deu quatro pontos vinte e cinco.

[01:08:19] Se for comigo, é quatro e meio.

[01:08:22] Se for com o Merica, é quatro.

[01:08:22] É isso.

[01:08:24] Na minha mão.

[01:08:26] Votações abertas.

[01:08:27] Votações abertas.

[01:08:29] Exatamente.

[01:08:29] E se você discorda muito da minha opinião, me xingue.

[01:08:31] Porque eu vi que quando me xingam, vai gente lá me defender.

[01:08:34] Então, aí já tá o tempo de contactar.

[01:08:36] Já vai o comentário atrás delas.

[01:08:37] Tudo que a gente faz aqui é pra engajar.

[01:08:39] Não tem nenhum…

[01:08:40] É isso.

[01:08:41] O rage bait.

[01:08:42] É isso.

[01:08:43] Eu nem vi o filme, na verdade.

[01:08:44] Estou inventando.

[01:08:44] É verdade.

[01:08:46] É verdade.

[01:08:46] Posso dar uma dica?

[01:08:47] Diga.

[01:08:48] Posso dar uma dica final?

[01:08:49] Pra quem quiser conhecer mais Hamlet, se você estiver assistindo, se você estiver ouvindo

[01:08:53] esse…

[01:08:53] Assistindo ou ouvindo, né?

[01:08:54] Esse podcast nessa semana que ele vai ao ar, né?

[01:08:58] Tem em São Paulo o Mercador de Veneza em cartaz, com o Dan Stubar.

[01:09:02] Eu já assisti esse espetáculo.

[01:09:04] É genial.

[01:09:04] É a minha peça favorita de Shakespeare.

[01:09:07] Que legal.

[01:09:07] Eu li das 37 peças de Shakespeare, eu li 27.

[01:09:11] E essa é a minha favorita, o Mercador de Veneza.

[01:09:15] E tá lá em cartaz, nesse final de semana, no BTG Pactual Hall.

[01:09:20] E no Rio, se você está no Rio de Janeiro, tem Hamlet, propriamente dito, dirigido pelo

[01:09:25] Bruce Gomlewski, no Teatro Glaucio Gil.

[01:09:28] Que reabriu o Super Tinindo.

[01:09:30] E o Bruce Gomlewski, um dos maiores estudiosos de teatro que eu conheço.

[01:09:34] Então, ainda não assisti ao Hamlet dele, mas já posso indicar com tranquilidade.

[01:09:38] Tá em cartaz no Glaucio Gil, até fevereiro aqui no Rio.

[01:09:41] Vou aproveitar o ensejo.

[01:09:43] Em fevereiro, em São Paulo, eu finalmente consegui ingressos.

[01:09:47] Essa montagem ganhou muitos prêmios, eu não conseguia nunca.

[01:09:49] Jamais dessa vez eu consegui, amém.

[01:09:51] Que é o Rei Lear da Companhia Extemporânea.

[01:09:55] Que tem pessoas tipo Alexia Twister.

[01:09:58] Da Cota Manteiro, Ginger Moon.

[01:10:01] Essa é uma proposta em drag de Rei Lear.

[01:10:06] Então, se falou em cultura queer, me chamou, né?

[01:10:10] Então, eu vou aproveitar para ver pela primeira vez o Rei Lear.

[01:10:13] E ainda por cima com esse tempero.

[01:10:14] Mercador de Veneza é uma história que começa com dois homens.

[01:10:20] Shakespeare começa a peça dizendo, são dois grandes amigos que moram juntos.

[01:10:24] Que amizade boa essa, hein?

[01:10:26] Que amizade.

[01:10:27] Eu vou gostar.

[01:10:28] Eu vou gostar.

[01:10:28] Eu vou gostar.

[01:10:28] Eu vou gostar.

[01:10:28] Que engraçada é essa?

[01:10:30] Brincadeiras bobas.

[01:10:32] Ai, eu amo.

[01:10:34] Gente, ao longo da história, muitos amigos e amigas que moravam juntos, né?

[01:10:39] Essa galera que se gosta, que coisa fraternal.

[01:10:42] Vamos lá?

[01:10:42] Muito bem.

[01:10:43] Então é isso, gente.

[01:10:44] Obrigado, até o próximo episódio.

[01:10:45] Valeu.

[01:10:46] Beijo.

[01:10:46] Beijo.

[01:10:47] Tchau.

[01:10:48] Beijo, tchau.

[01:10:48] のは.

[01:10:59] De importante?

[01:11:00] É um abraço.

[01:11:01] Beijos.

[01:11:03] Um abraço.

[01:11:05] Beijo.

[01:11:06] Beijos.

[01:11:07] Beijo.

[01:11:09] Beijos.

[01:11:11] Beijos.

[01:11:12] Beijos.

[01:11:13] Beijos raios.

[01:11:14] Beijos raios.

[01:11:16] Beijos raios.

[01:11:17] Beijos raios.