#468 “O Gênio e a Lâmpada” - com Tanguy Baghdadi


Resumo

O episódio reúne os hosts do Viracasacas e o convidado Tanguy Bagdadi (Petit Jornal) para discutir como a política internacional entrou num ritmo de “mudança estrutural”, em que eventos antes impensáveis viraram rotina. A conversa passa pela erosão da confiança nos EUA e pela sensação de que o mundo saiu de um padrão “mais ou menos estável” (mesmo com guerras e intervenções) para uma fase de rupturas simultâneas: tarifas em massa, ameaças de expansão territorial, atritos com aliados europeus e a normalização de absurdos pela sobrecarga de crises.

Um eixo central é a ideia de que a agenda trumpista não é um raio em céu azul, mas algo com base social e chances de continuidade, o que empurra Europa, Japão e outros atores a recalcular dependências (defesa, comércio e diplomacia). Entram na pauta a intervenção/sequestro do presidente venezuelano, o reposicionamento da Europa diante de humilhações e pressões tarifárias, e a reconfiguração do Oriente Médio após 7 de outubro de 2023: Gaza devastada, enfraquecimento de Hamas e Hezbollah, queda de Assad e o Irã mais isolado e pressionado.

Por fim, o debate desce para dilemas do Brasil: como lidar com convites e “conselhos” liderados por Trump (como o “Conselho de Paz” para Gaza), a diplomacia pragmática de Lula, e os impactos e oportunidades do acordo Mercosul–União Europeia em um cenário de incerteza comercial com os EUA. O episódio encerra com recomendações culturais (filmes e livro).


Anotações

  • 00:51:18 — Acomodações após o “terremoto” no Oriente Médio: Ao falar do Oriente Médio, Tanguy descreve os últimos dois anos como um “terremoto absoluto” e diz que agora o cenário parece entrar em “terremotos de repique”, quando “a terra tá se ajeitando” e a questão passa a ser o que vem daqui pra frente. Ele cita Gaza como exemplo extremo, dizendo que foi “terraplanada”, com a conta de mortos “na casa de quase 70 mil”, e lembra a queda do governo Assad na Síria. Na sequência, aponta que a região vive novas acomodações, como a ascensão do HTS (apresentado como um grupo que era da Al-Qaeda e que agora tem a confiança dos EUA) prometendo respeitar direitos e minorias, o que ele considera obviamente problemático. Tanguy também menciona a incerteza sobre Gaza com a criação do ‘conselho’ organizado por Trump e, ampliando o quadro, levanta dúvidas sobre o Líbano, o futuro do Hezbollah e a capacidade do Irã de continuar apoiando aliados como Hezbollah e Hamas, além de citar o Afeganistão como mais um foco de problemas na região.

Indicações

Livros

  • Hamnet (Maggie O’Farrell) — Livro que inspirou a adaptação cinematográfica; recomendado junto com o filme pela força emocional e pelo retrato do luto na família de Shakespeare

Filmes / Series

  • Família de Aluguel — Filme indicado como “coração quentinho”, com Brandon Fraser em Tóquio e a premissa de “alugar” pessoas para papéis sociais
  • O Último Azul (Gabriel Mascaro) — Filme brasileiro premiado; distopia sensível sobre envelhecimento, controle burocrático e a busca por outro destino (com participação de Rodrigo Santoro)
  • Hamnet — Adaptação do livro homônimo; elogiado como emocionante e “soco no estômago”, em cartaz no cinema (segundo o convidado)
  • Bacurau (Kleber Mendonça Filho) — Citado como referência de um cinema nacional criativo e de forte imaginação de futuro
  • A Gente Secreto — Mencionado no contexto de premiações e do bom momento do cinema nacional
  • Atlanta (série) — Episódio citado como metáfora para a dificuldade de “reagir” a quem rompe regras do jogo de forma imprevisível
  • Mad Max 2 — Referência citada como influência mencionada por Kleber Mendonça Filho em entrevista

Linha do Tempo

  • [00:01] — Apresentação do episódio, clima de “2026 incendiário” e chamada para apoiar o podcast
  • [00:02] — Formas de ajudar o Viracasacas (compartilhar, Apoia.se, Orelo e Pix recorrente) e divulgação da lojinha
  • [00:06] — Entrada do convidado Tanguy Bagdadi e apresentação do Petit Jornal
  • [00:12] — Reflexão sobre como ficou difícil tomar posições “simples” num mundo cheio de incongruências
  • [00:14] — Mudanças na ordem internacional: Ucrânia, protecionismo/tarifas e a sensação de virada de época
  • [00:18] — Venezuela: intervenção/sequestro do presidente e o precedente perigoso para a região
  • [00:28] — Trump, expansionismo (Canadá/Groenlândia) e a lógica de “alargar” o aceitável
  • [00:34] — Europa e OTAN: humilhações, dependência dos EUA e dificuldade de reação coordenada
  • [00:42] — Irã: protestos após colapso da moeda, limites da oposição e força do regime
  • [00:44] — Oriente Médio reconfigurado: Gaza, enfraquecimento de aliados do Irã e queda de Assad na Síria
  • [00:54] — Brasil na encruzilhada: Conselho de Gaza, pragmatismo diplomático e a política de imagem do Trump
  • [01:01] — Acordo Mercosul–União Europeia: abertura de mercados, agro, exigências ambientais e substituição de parceiros
  • [01:10] — BRICS “menos falado”, mas não superado: China e Rússia observando os EUA brigarem com aliados
  • [01:14] — Bloco de indicações culturais e encerramento

Dados do Episódio

  • Podcast: Viracasacas Podcast
  • Autor: Viracasacas Podcast
  • Categoria: News / Politics
  • Publicado: 2026-01-27
  • Duração: 1h27m

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] A bestialidade imperialista.

[00:00:03] Bestialidade que não tem uma fronteira determinada

[00:00:08] nem pertence a um país determinado.

[00:00:12] Que tipo de democracia é essa?

[00:00:15] Que tipo de liberdade é essa?

[00:00:18] Isto é a doutrina liberal.

[00:00:21] É a doutrina que o mercado e a democracia vão juntos, são inseparáveis.

[00:00:26] Isto é uma praga.

[00:00:27] Porque a utopia serve para isso, para caminhar.

[00:00:57] Percorrer nesse 2026 que começa incendiário.

[00:01:00] É por isso que a gente conta com este convidado de hoje.

[00:01:03] Caramba, eu estava morrendo de saudade dele, cara.

[00:01:05] Fazia muito tempo já.

[00:01:07] Fazia, cara.

[00:01:08] Mas é tanta coisa para o homem comentar que ele fica meio zonzo até.

[00:01:12] A gente tem que separar por fatias e coisa parecida

[00:01:16] porque senão não vai ter condições.

[00:01:18] Mas também puderam, né?

[00:01:20] Deu a louca no mapa mundi, mais ou menos isso.

[00:01:22] Mas a gente aproveitou ele dessa vez também, né, cara?

[00:01:25] Saiu o zonzo do episódio.

[00:01:27] É, o negócio é castelo do vampiro, né?

[00:01:30] O cara sai de cabelo branco aqui.

[00:01:33] Muito bom, então.

[00:01:34] Mas, Gabriel, se o pessoal está ali se perguntando, né?

[00:01:37] Estou aqui ouvindo virar casacas, estou aqui ouvindo convidados bons.

[00:01:41] Vou ajudar os guris.

[00:01:44] É os guri.

[00:01:45] Como é que a pessoa pode fazer para nos ajudar?

[00:01:47] Bom, a pessoa quer ajudar os guri, né?

[00:01:50] Tu viu aquele cara lá, o cara dos sonhos de trem lá?

[00:01:54] Porra.

[00:01:54] Da fotografia que ele falou, vai corinthians.

[00:01:57] Sim.

[00:01:57] Quando foi indicado.

[00:01:59] Eu falei esses dias, né, cara?

[00:02:00] Eu queria ganhar um prêmio internacional um dia.

[00:02:02] Só para, no meio do agradecimento, eu meter um…

[00:02:04] Vamos para cima, Grêmio.

[00:02:07] Mas, enfim, né?

[00:02:09] Enfim.

[00:02:09] Ah, os guris.

[00:02:10] Volta para os guris.

[00:02:11] Como é que você ajuda os guris?

[00:02:12] Bom, você ajuda os guri da seguinte maneira.

[00:02:16] Em primeiro lugar, para de compartilhar coisa ruim e começa a compartilhar coisa boa, né?

[00:02:21] Aquele troço assim.

[00:02:22] Vou fazer aqui uma piada com a caminhada do deputadinho lá, não sei o que.

[00:02:27] Vou fazer aqui duas piadas com a caminhada do deputadinho.

[00:02:30] Vou botar uma câmera 24 horas por dia seguindo o deputadinho e transmitir aqui,

[00:02:33] porque eu quero rir muito com vocês.

[00:02:35] Ô, meu amigo.

[00:02:37] Meu Deus.

[00:02:37] Existe uma fronteira ali entre você comentar o assunto da moda

[00:02:41] e você trabalhar numa agência de propaganda, né?

[00:02:44] Na assessoria dos assuntos da moda.

[00:02:46] Então, gente, primeira forma de ajudar os guri.

[00:02:50] Curte, compartilha, escuta, mostra para a galera.

[00:02:53] Todos os streams que você quiser e as plataformas que você gostar,

[00:02:57] eles têm um botão lá, compartilhar.

[00:02:59] Então, mostra para alguém assim, ó.

[00:03:00] Pensa assim, ó.

[00:03:01] Ô, sabe quem é que vai gostar disso aqui?

[00:03:03] O Pedrinho, porque ele estuda tal coisa e ele trabalha com esse tema aqui.

[00:03:07] Sabe a Flavinha?

[00:03:08] Ela acha legal esse assunto aqui.

[00:03:10] Vou mostrar para ela.

[00:03:11] É assim que você ajuda o Viracazacas a se espalhar.

[00:03:14] Agora, caso você queira que a gente continue aqui,

[00:03:17] porque aqui não tem frigorífico patrocinando, né?

[00:03:21] Se eu, a Bal, decidi fazer uma caminhada até Foz do Iguaçu,

[00:03:25] por algum motivo ou coisa parecida,

[00:03:27] não tem frigorífico patrocinando,

[00:03:29] não tem grangeiro patrocinando,

[00:03:32] não tem fundo partidário sendo desviado para patrocinar.

[00:03:35] Então, a gente tem que fazer os nossos stories e os nossos reels só na mão mesmo, né?

[00:03:41] Porque aqui é assim, a gente depende da ajuda de vocês.

[00:03:44] É por isso que a gente não tem rabo preso.

[00:03:46] É por isso que a gente fala aqui o que você precisa escutar

[00:03:49] e o que você quer ver posto para fora.

[00:03:53] Então, vai lá em apoia.se barra Viracazacas.

[00:03:57] Ou vai lá em orelo.cc

[00:03:59] Ou faz o que é mais fácil ainda.

[00:04:01] Ele é brasileiro, ele é nosso, ele é o Pix.

[00:04:04] Faz lá um Pix recorrente para deixar R$ 5,00 por mês

[00:04:09] para viracazacaspodcast.com

[00:04:12] É R$ 5,00 uma vez no mês.

[00:04:15] Você não está escutando errado.

[00:04:17] Ou seja, no mês, imagina, 30 dias, R$ 5,00.

[00:04:22] Eu não consigo fazer de cabeça agora qual é uma possível divisão para isso,

[00:04:26] mas pelo menos…

[00:04:26] Pelo amor de Deus, cara.

[00:04:28] É só pensar no número inteiro.

[00:04:29] Não precisa nem pensar que ao final do ano você vai gastar só R$ 60,00 com o Viracazacas o ano inteiro.

[00:04:35] Pensa um mês.

[00:04:36] Num mês, digamos que nos cinco primeiros dias você doa R$ 1,00 para o Viracazacas.

[00:04:42] E aí você não precisa doar mais nada.

[00:04:43] Cara, pelo amor de Deus, não tem jeito de oferecer essa matemática que não seja só vantagens.

[00:04:49] Porque para nós esses R$ 5,00, olha, dá para fazer chover.

[00:04:53] A gente garante.

[00:04:54] Perfeito, cara.

[00:04:55] E uma coisa que faz tempo que a gente não lê.

[00:04:56] Lembra, pessoal, que o Viracazacas tem uma lojinha, né, cara?

[00:05:00] Então você pode ir lá em umapenca.com barra viracazacas.

[00:05:04] Tem camiseta, tem bóton, tem caneca, tem eco bag.

[00:05:10] Meu Deus, tem um monte de coisa assim, né?

[00:05:12] E volta e meio o pessoal nos manda uma fotinho, né?

[00:05:14] Dizendo assim, ó, tô usando as coisas do Vira.

[00:05:16] Pô, é tão gostoso de ver isso aí.

[00:05:18] Já faz propaganda, ajuda, tudo de bom.

[00:05:21] Cara, e é assim, ó.

[00:05:22] É umas coisas de qualidade.

[00:05:24] As camisas são muito boas.

[00:05:26] Eu tava…

[00:05:26] Esse dia com a camisa titular da firma, né?

[00:05:28] A camisa padrão aquela.

[00:05:30] Aí o cara do Uber perguntou se era uma banda de rock.

[00:05:32] Isso aí eu falei, é.

[00:05:34] Mais ou menos.

[00:05:36] É uma coisa um pouco diferente, né?

[00:05:38] Mas enfim, enfim, né, cara?

[00:05:40] É muito legal.

[00:05:41] Vai lá em umapenca.com barra viracazacas.

[00:05:44] E dá uma olhadinha lá.

[00:05:45] Tem muita coisa legal.

[00:05:46] Muita coisa mesmo.

[00:05:47] Camisetas, mas não só.

[00:05:49] E isso aí também ajuda a vir uns pilas pra cá, né?

[00:05:53] Assim como quando você eventualmente quer comprar alguma coisa.

[00:05:56] E quer usar o serviço do careca maldito, né?

[00:05:59] Porque ninguém tá livre de ter que usar barra acabar tendo que usar o serviço do careca maldito.

[00:06:05] Então dá uma olhada lá em viracazacas.com.

[00:06:08] Os links que a gente coloca, né?

[00:06:10] Quando é filme, se tá inteiro disponível, a gente bota.

[00:06:13] Se não tá, a gente bota o trailer.

[00:06:14] Quando é podcast, a gente indica, né?

[00:06:17] O site específico pro download.

[00:06:18] E quando é coisa de comprar, aí a gente bota o nosso linkzinho lá.

[00:06:22] Compra pelo linkzinho lá, que aí reverte alguma migalha pra nós aqui, né?

[00:06:26] Perfeito, Gabriel Divan.

[00:06:27] Agora sim, vamos ouvir aquela voz maravilhosa.

[00:06:31] Vamos lá, vamos lá.

[00:06:32] E nós vamos descobrir quem não é bem-vindo na barreira do Vasco.

[00:06:39] Gabriel Divan, tenho certeza que tu tá feliz, cara, neste momento.

[00:06:43] Tô muito feliz, cara.

[00:06:44] Tô muito feliz por estar aqui gravando um Viracazacas contigo.

[00:06:48] Tô muito feliz porque é um dia de sol, né?

[00:06:53] Não sabemos exatamente quando você está ouvindo isso, né?

[00:06:56] Mas aqui faz sol, não um sol mortífero ou escaldante e desagradável,

[00:07:01] mas um sol, aquele sol que dá energia.

[00:07:04] E estamos aqui com um velho amigo.

[00:07:05] A gente, inclusive, conversou menos nos bastidores do que o normal

[00:07:09] porque nós vamos matar as saudades aqui na frente de todo o Brasil e de todo mundo.

[00:07:13] Senhoras e senhores, ele está de volta, Tanguy, o Bagdadi.

[00:07:17] E aí, pessoal? Pô, quanto tempo, né, cara?

[00:07:19] Muito tempo mesmo.

[00:07:20] Eu não lembro qual foi a última vez que a gente gravou.

[00:07:22] Eu sei que faz bastante tempo.

[00:07:23] E eu acho, cara, que a culpa foi minha.

[00:07:25] Porque da última vez que eu vim aqui, eu acusei o Viracazacas de ser boy lixo.

[00:07:31] Porque só me liga na hora que o bicho está pegando.

[00:07:33] Na hora que está tudo bem, para bater um papo, tomar uma cerveja, não tem.

[00:07:37] Aí, pô, guerra, intervenção.

[00:07:39] Aí vocês me ligam, eu fiz essa crítica e eu percebi que vocês deram uma segurada.

[00:07:43] Só me procuraram realmente quando o apocalipse está mais perto.

[00:07:46] Eu entendo vocês.

[00:07:47] Mas é aí que está, cara.

[00:07:47] O apocalipse está perto, meu.

[00:07:49] Eu não vou morrer sem me reconciliar contigo, né, cara?

[00:07:51] Pô, imagina a situação.

[00:07:53] Imagina o desgosto para a eternidade.

[00:07:54] Vem a onda aquela, a onda aquela da beira da praia.

[00:07:58] E o cara pensa assim, pô, Tanguy, cara, não falei com o cara.

[00:08:02] Está certo, está certo.

[00:08:03] Estou entendendo vocês.

[00:08:04] Me lembrei do tweet lá do Guga Chakrado.

[00:08:06] Vamos se reunir quando as coisas estiverem melhor na Ucrânia.

[00:08:09] Quando as coisas estiverem melhor, a gente marca alguma coisa aí, pode ser?

[00:08:12] É, então o Petkovic, né?

[00:08:14] Tudo vai melhorar depois da Copa de 2014, né?

[00:08:17] As coisas vão melhorando.

[00:08:18] Vão, vão sim.

[00:08:20] Gabriel de Vande, vai ter que fazer o tradicional, se apresentar, coisa?

[00:08:22] Falar de Peti Jornal?

[00:08:24] Dez anos de Peti Jornal?

[00:08:26] Eu acho que a gente vai porque, né, podcasts, como chegamos à conclusão,

[00:08:31] de mesma geração, estão chegando aí em um…

[00:08:35] É bodas do quê isso aí, dez anos?

[00:08:37] Boda de loucura, de insanidade, cara.

[00:08:39] É, tem boda de tudo.

[00:08:40] Bodas de ouro, bodas de prata, bodas de zinco.

[00:08:43] Sei lá, tem, né?

[00:08:44] Mas, enfim, para além de outras coisas aqui,

[00:08:47] estamos falando com uma das vozes de um dos melhores podcasts da galáxia.

[00:08:51] Tanguy Bagdadi, se apresente aí,

[00:08:54] eventualmente, alguém tem mau gosto,

[00:08:56] alguém não se informa a partir dos lugares bons,

[00:08:59] não conhece as melhores vozes,

[00:09:01] não está aí ligado em quem dá a barbada

[00:09:04] e não está ligado, principalmente, nessa grande festa aí

[00:09:07] que está sendo esse ano aí para esse nosso co-irmão, digamos assim,

[00:09:11] Peti Jornal, né?

[00:09:13] É muito bom falar esse nome, né, cara?

[00:09:14] É um nome sonoro, né, cara?

[00:09:16] Eu queria agradecer de novo pelo convite de vocês.

[00:09:18] Eu não lembro qual foi a última vez que eu vim aqui,

[00:09:20] mas lembro que já participei algumas vezes do Vira Casacas,

[00:09:23] alguns episódios.

[00:09:24] Acho que eu me orgulho muito, aliás.

[00:09:26] Um que a gente falou sobre Irã.

[00:09:27] A gente tem um episódio sobre Venezuela também, antigão.

[00:09:29] Foi muito legal também, repercussão muito boa.

[00:09:33] E, na verdade, a gente tem esse contato muito também

[00:09:36] porque, como o Divan falou, a gente é uma geração de podcast.

[00:09:40] O meu podcast é o Peti Jornal, que foi iniciado, né?

[00:09:43] A gente começou em junho de 2016,

[00:09:46] exatamente quando estava rolando aquela maluquice do Brexit,

[00:09:48] que a gente estava achando que era o auge da loucura, né?

[00:09:50] E a gente mal imaginava que o Brexit era, enfim,

[00:09:53] apenas um redutor de velocidade.

[00:09:55] Nem quebra-mola era, mas é um podcast diário, né?

[00:09:59] Naquela época, a gente fazia colunas de cinco minutinhos

[00:10:02] e a loucura está tão grande que agora são episódios diários, né?

[00:10:05] São seis vezes por semana, meia horinha, 25 minutos ali,

[00:10:09] para tratar dos principais assuntos.

[00:10:11] E eu e o professor Daniel Souza, né?

[00:10:13] Eu falo mais sobre política internacional,

[00:10:15] ele fala mais sobre economia.

[00:10:17] E é isso.

[00:10:18] Eu acho que tudo que tinha para saber sobre mim é isso,

[00:10:19] além de eu ser professor de política internacional também.

[00:10:21] É assim que eu ganho a vida.

[00:10:23] É só tudo que tinha para saber sobre ele.

[00:10:25] Isso é exatamente alguém com muito a esconder, né?

[00:10:28] Que diria.

[00:10:30] Mas, enfim.

[00:10:31] Cara, por favor, apelo aqui

[00:10:34] para os nossos ouvintes do Vira Casacas.

[00:10:36] Quer se informar bem? Também.

[00:10:39] Escuta o Petit Jornal, cara.

[00:10:40] Os caras são insanos, meu.

[00:10:41] Felipe, às vezes eu boto o Petit Jornal, né?

[00:10:44] Eu vou dormir pensando assim.

[00:10:46] Tá, agora eu vou, né?

[00:10:47] Vou recapitular aquilo que eu não pesquei ao longo do dia, né?

[00:10:50] Aquilo que os jornais não me mostraram.

[00:10:52] Aquilo que…

[00:10:53] Eu quero ouvir, né?

[00:10:54] Com as análises desses nossos amigos.

[00:10:57] E aí eu coloco assim…

[00:10:58] E aí é um filme de terror, cara.

[00:10:59] Tem gente que não vê filme de terror antes de dormir

[00:11:01] para não ter pesadelo.

[00:11:02] Não, os filmes de terror não me são tão problemáticos

[00:11:04] às vezes quanto o Petit Jornal,

[00:11:05] porque os caras, além de estar em cima do lance

[00:11:08] quanto a tudo que acontece, né?

[00:11:10] É um festival.

[00:11:11] Falar de economia e política internacional hoje em dia, né?

[00:11:14] É um negócio bem complicado.

[00:11:15] O Tanguy citou que ele já esteve aqui falando de Irã, Venezuela,

[00:11:18] ou seja, assuntos desatualizados, né?

[00:11:20] Mais ou menos isso.

[00:11:21] Quem me falou isso…

[00:11:22] Exatamente a mesma coisa foi o Kazé, cara.

[00:11:24] O Casimiro.

[00:11:25] O Casimiro, outro dia eu falei com ele

[00:11:26] e ele falou assim…

[00:11:28] Cara, eu estava outro dia na psicóloga

[00:11:29] e a minha psicóloga falou que para eu parar de ter ansiedade

[00:11:32] com relação à guerra, com relação ao mundo e tal,

[00:11:35] eu deveria ouvir um podcast.

[00:11:36] E ela indicou o Petit Jornal para ele.

[00:11:38] Ele falou, doutora, doutor, eu fujo do Petit Jornal.

[00:11:41] Eu fujo do…

[00:11:42] Eu não quero ouvir o Petit Jornal.

[00:11:44] Eu tenho medo do Petit Jornal.

[00:11:46] É isso, cara.

[00:11:46] O Petit Jornal faz isso com as pessoas.

[00:11:47] Não, mas a gente fala que nem o pessoal fala do Viracazacas, né?

[00:11:50] Que não é leve e tudo mais.

[00:11:52] E não pode ser um convite à covardia, né?

[00:11:55] Você tem que ouvir essas coisas, hora-bolas.

[00:11:57] E é um bom lugar, é um ótimo lugar,

[00:12:00] é um incrível lugar para se informar, né?

[00:12:02] Estamos aí participando, Felipe, dessa festa do Petit Jornal

[00:12:05] e uma das maneiras de participar é, inclusive, né?

[00:12:08] Trazer o Tanguy aqui para comentar essas desgraceiras com a gente.

[00:12:12] Eu queria começar, Tanguy,

[00:12:13] te colocando uma proposta de reflexão aqui,

[00:12:17] porque vamos pegar esses anos aí,

[00:12:19] vamos pegar os anos de existência, por exemplo,

[00:12:21] do Petit Jornal e do Viracazacas.

[00:12:23] A gente já viu uma galera dizendo que era todo mundo charlé, né?

[00:12:28] A gente já viu um monte de gente botando bandeira do Arco-Íris

[00:12:31] no meio da foto, inclusive o CEO, né?

[00:12:33] A gente já viu o cara dizer que era

[00:12:35] somos todos isso, somos todos aquilo, né?

[00:12:37] Teve gente que foi Moro, teve gente que foi tanta coisa.

[00:12:41] A gente ouviu muita gente dizer

[00:12:43] somos todos Ucrânia em dado momento.

[00:12:45] Tem muita gente que somos todos muita coisa.

[00:12:49] Mas eu diria que está meio difícil

[00:12:51] de ser uma coisa que a gente não sabe.

[00:12:52] Vamos sermos todos nos últimos tempos aí,

[00:12:54] porque existem algumas incongruências interessantes ali, né?

[00:12:59] Ucrânia, depois do Euro-Maidan,

[00:13:02] começou a ficar um pouco desgostoso

[00:13:04] para algumas pessoas dizerem que somos todos,

[00:13:06] apesar de haver uma invasão,

[00:13:08] nitidamente uma invasão de um país por outro.

[00:13:10] Ninguém se sente exatamente confortável,

[00:13:12] 100% em fazer uma defesa,

[00:13:15] assim como em relação a uma série de outras coisas,

[00:13:18] como, por exemplo, o que está acontecendo agora no Irã.

[00:13:20] Eu ouvi esses dias um cara dizendo,

[00:13:22] dizendo que a esquerda fala mal de todo mundo,

[00:13:26] menos quando são os seus aliados.

[00:13:28] E aí falava do Irã, né?

[00:13:31] E aí a gente tem o caso agora mais recente,

[00:13:33] mais próximo, que talvez dá muito o que falar para nós,

[00:13:37] que é o da Venezuela.

[00:13:38] Talvez alguém lá de cima poderia dizer

[00:13:40] que é o da Groenlândia, ou do momento.

[00:13:42] Mas a gente fica meio assim,

[00:13:44] e eu quero inclusive salientar o meu ainda

[00:13:47] em Basbacar com a manifestação incisiva de João Moedo,

[00:13:51] no sentido de dizer assim,

[00:13:52] sim, esse cara é uma ditadura,

[00:13:53] mas isso não é importante.

[00:13:54] O importante é…

[00:13:56] Cara, está complicado, hein?

[00:13:58] Está complicado porque a gente está vendo

[00:14:00] uma série de possibilidades ali

[00:14:03] que não está exatamente favorecendo

[00:14:06] a tomada de posição retilínea,

[00:14:08] a tomada de posição segura aquela

[00:14:10] que todo mundo simplesmente senta e diz,

[00:14:11] não, é fácil, a questão é essa, né?

[00:14:13] Tem os malvados, tem os bonzinhos,

[00:14:15] eu estou deste lado.

[00:14:17] Está complicado isso daí, né?

[00:14:18] Está complicado, Divan,

[00:14:19] porque eu acho, cara,

[00:14:21] que a gente se lembra,

[00:14:22] de um tempo no qual fatos históricos,

[00:14:25] eles eram fatos históricos

[00:14:26] que a gente hoje, para lembrar,

[00:14:28] a gente vai ter que fazer uma certa força.

[00:14:30] Pensa aí, cara,

[00:14:31] durante os primeiros, sei lá,

[00:14:33] 10 ou 15 anos do governo Putin, por exemplo,

[00:14:36] ou então durante os governos do…

[00:14:38] Do Bush a gente vai lembrar,

[00:14:40] porque teve duas guerras grandes, né?

[00:14:42] Essa invasão do Iraque,

[00:14:43] a invasão do Afeganistão,

[00:14:44] quer dizer, Afeganistão antes, Iraque depois.

[00:14:46] Mas Obama, por exemplo,

[00:14:47] a gente vai lembrar,

[00:14:48] claro que a gente vai lembrar.

[00:14:49] Mas não são coisas tão marcantes

[00:14:52] em termos de mudança,

[00:14:52] mudança da ordem internacional.

[00:14:54] O Obama, e aqui eu não estou passando pano,

[00:14:57] o Obama usou drone em tudo quanto foi lugar,

[00:14:59] o Obama, porra, invadiu a Líbia,

[00:15:00] fez um monte de merda também e tal.

[00:15:02] Mas nada que a gente se surpreendesse,

[00:15:04] nada que fosse…

[00:15:05] Meu Deus, mas os Estados Unidos estão fazendo isso mesmo?

[00:15:08] Tudo que o Obama fazia, a gente falava assim,

[00:15:10] ah, é isso aí mesmo, né?

[00:15:11] Isso a gente já esperava.

[00:15:13] Você pega o governo Biden também,

[00:15:14] o governo Biden saiu lá do Afeganistão

[00:15:16] daquele jeito que saiu e tal,

[00:15:17] mas foi meio mais do mesmo, né?

[00:15:20] E o próprio primeiro governo do Trump,

[00:15:22] ele foi um governo que teve um presidente

[00:15:23] muito falastrão, mas que mudou poucas coisas

[00:15:27] na prática, ameaçou muito,

[00:15:29] saiu lá do Acordo de Paris e tal.

[00:15:31] Só que esses últimos tempos agora

[00:15:34] são tempos nos quais a gente está vendo

[00:15:35] a mudança do mundo

[00:15:37] nas bases que a gente conhecia,

[00:15:40] que a gente sempre conheceu.

[00:15:42] Então a gente tem a Rússia, por exemplo,

[00:15:44] fazendo uma guerra contra a Ucrânia.

[00:15:47] Já tinha feito uma intervenção na Geórgia,

[00:15:49] beleza, já tinha feito lá em 2008.

[00:15:52] Já tinha anexado a Crimeia em 2014,

[00:15:54] mas até aí você meio que imagina,

[00:15:56] pô, tomou a Crimeia, foi ali,

[00:15:58] tinha uma justificativa histórica, né,

[00:16:00] que sempre foi meu e tal.

[00:16:01] Ainda assim era algo grande,

[00:16:03] mas não houve uma mudança internacional

[00:16:05] de dimensões colossais.

[00:16:08] No momento em que a Rússia toma 20% da Ucrânia,

[00:16:10] no total, né, contando inclusive a Crimeia,

[00:16:13] você tem uma mudança numa base

[00:16:14] que a gente não conseguia imaginar

[00:16:16] que seria dessa maneira,

[00:16:17] uma guerra de formato tradicional.

[00:16:19] No momento em que os Estados Unidos

[00:16:22] começam a tarifar o mundo todo,

[00:16:24] é claro que isso não é uma novidade absoluta,

[00:16:26] mas é uma volta a um passado

[00:16:28] que a gente não pegou, por exemplo.

[00:16:29] São os Estados Unidos protecionistas

[00:16:30] lá do século XIX.

[00:16:31] A gente não viu isso, né?

[00:16:33] Ninguém que está vivo hoje presenciou isso.

[00:16:35] E essa semana agora

[00:16:37] é que a gente vai se embasbacando cada vez mais, né?

[00:16:40] A gente tem os Estados Unidos

[00:16:42] arrumando briga com a Europa.

[00:16:44] Os Estados Unidos retomando

[00:16:45] a doutrina moral.

[00:16:47] A doutrina moral que agora está sendo

[00:16:49] chamada de corolário Trump, né?

[00:16:50] Enfim.

[00:16:52] Houve uma intervenção na Venezuela,

[00:16:54] que também não é exatamente uma novidade.

[00:16:55] Lá em 89 tinham já

[00:16:57] sequestrado, capturado, enfim,

[00:16:59] pegado lá o presidente do Panamá.

[00:17:02] Mas na América do Sul isso nunca tinha acontecido.

[00:17:04] Então, a gente tem uma sequência

[00:17:06] de fatos que mostram uma mudança

[00:17:08] que não é uma mudança apenas incremental.

[00:17:11] Ela é uma mudança muito mais ampla,

[00:17:12] uma mudança muito mais profunda

[00:17:13] na maneira como a gente sempre entendeu o mundo.

[00:17:15] E o meu palpite, cara, é que

[00:17:18] o gênio não vai voltar

[00:17:20] para a lâmpada tão cedo.

[00:17:22] A pasta de dente não vai voltar

[00:17:24] para dentro do tubo, sabe?

[00:17:25] Não vai voltar porque a mudança

[00:17:28] já ocorreu, já está

[00:17:30] gerando efeitos. O mundo

[00:17:32] para voltar a confiar nos Estados Unidos

[00:17:33] já complicou um pouquinho

[00:17:35] a ponto de a gente ter

[00:17:38] jornais russos, muito ligados

[00:17:40] ao governo russo, aplaudindo

[00:17:42] os Estados Unidos. Eu parei de entender

[00:17:44] tudo nesse momento. No momento que a Rússia gosta

[00:17:46] dos Estados Unidos, mas a Europa não,

[00:17:48] é uma mudança que a Guerra Fria

[00:17:49] não nos preparou. Que o 11 de setembro

[00:17:52] não nos preparou. Que o Brexit não nos

[00:17:54] preparou. Que o primeiro governo do Trump

[00:17:56] não nos preparou. A gente tem uma mudança aí

[00:17:58] que me parece que ela vai

[00:18:00] durar algum tempo. Se é que ela vai ser revertida,

[00:18:02] aí a gente não tem como saber.

[00:18:04] Pois é. Essa coisa da Venezuela, por exemplo,

[00:18:06] é muito emblemática

[00:18:08] porque muita

[00:18:10] gente, por cima,

[00:18:12] inclusive, de setores que a gente

[00:18:14] está acostumado a ver aqui, numa

[00:18:15] esquerda brasileira, por exemplo, por cima

[00:18:18] desses setores, saiu

[00:18:19] dizendo que a questão do

[00:18:22] grau aviltante da intervenção,

[00:18:24] do sequestro do presidente, é maior do que outros

[00:18:25] fatores. Então, assim,

[00:18:28] até para ter uma opinião fácil

[00:18:29] quanto a uma questão que a gente

[00:18:31] está desacostumado, ou não

[00:18:34] tem, quiçá, elementos,

[00:18:36] armas, a gente não tem, talvez,

[00:18:38] tino ou preparo para ver que é

[00:18:39] alguém indo lá e raptando o presidente, sem mais

[00:18:42] nem menos, botando dentro do helicóptero. Até

[00:18:43] para isso, nós temos uma série de questões

[00:18:46] escorregadias ali. É claro que

[00:18:47] fica um pouco mais tranquilo

[00:18:49] quando o cara percebe que isso aí é uma

[00:18:51] coisa que não teria como ser feita,

[00:18:54] não tem como ser defensável,

[00:18:56] e também por conta do que

[00:18:57] aconteceu lá, em relação à sublocadora

[00:19:00] de prêmio Nobel,

[00:19:01] e esse tipo de discurso que

[00:19:03] possivelmente está loteando

[00:19:05] esse país, Felipe Abal, que o último

[00:19:07] mapa que eu vi, ele já tinha uma outra bandeira.

[00:19:10] Eu vi esses dias um mapa, tu viu também?

[00:19:11] Pois é, Edvan, eu ia puxar exatamente isso aí

[00:19:13] com o Tanguy agora, porque, assim, tem

[00:19:15] muita coisa que dá para a gente puxar só

[00:19:17] dessa tua primeira fala, Tanguy, em termos

[00:19:20] de reorganização de mundo,

[00:19:21] em termos de o que a Europa

[00:19:23] vai pretender fazer agora.

[00:19:25] Isso que tu fala de uma quebra de

[00:19:27] confiança é um negócio muito pesado, né?

[00:19:30] Porque não vai

[00:19:32] ser uma mudança agora

[00:19:33] num futuro próximo que vai fazer

[00:19:35] eles dizerem, não, não, tudo perdoado,

[00:19:37] esquecido, vamos confiar em vocês.

[00:19:40] Mas, já que o Edvan

[00:19:41] puxou ali a Venezuela,

[00:19:44] por exemplo, tu falou agora dessa

[00:19:45] questão da Venezuela também, Tanguy,

[00:19:47] de alguns paralelos com o passado,

[00:19:49] o que que tu pensa

[00:19:51] dessa questão, assim, de o que

[00:19:53] que vai acontecer com a Venezuela

[00:19:55] agora? Porque

[00:19:56] tudo parece um grande empreendimento

[00:20:00] imobiliário do Donald Trump,

[00:20:02] né? Na verdade, ele bate o olho

[00:20:03] em qualquer coisa, ele bateu o olho

[00:20:05] na Palestina, e ele diz,

[00:20:07] olha, sabe o que ficaria bem aqui? Um resort,

[00:20:10] né? Daí ele olha pra

[00:20:11] Venezuela, vê aquelas praias bonitas

[00:20:13] e coisa, e, né, o pessoal

[00:20:15] até fica muito no negócio do petróleo, eu acho

[00:20:17] que a gente tá um pouquinho além

[00:20:19] disso aí, claro, ótimo, muito bom,

[00:20:21] existe petróleo. Mas tu tem

[00:20:23] uma posição muito

[00:20:25] importante no continente, né?

[00:20:28] Tu tem toda essa questão

[00:20:29] que o Pontinho já falou muito

[00:20:31] nas lives, inclusive, de mão de obra

[00:20:33] barata, né, de possibilidade de

[00:20:35] fazer uma exploração muito mais profunda

[00:20:37] disso, e nem sei se é necessário

[00:20:39] sujar as mãos mais do que já foi

[00:20:41] sujo, né, de ter que botar

[00:20:43] tropa no chão, por exemplo,

[00:20:45] alguma coisa desse gênero, que

[00:20:47] eu acho que pegaria muito mal

[00:20:49] pro eleitor do Trump,

[00:20:51] né, já que ele sempre foi,

[00:20:53] sempre se colocou como um crítico

[00:20:55] disso aí. Mas é sempre aquele negócio, né,

[00:20:57] Tani? Nada mais republicano

[00:20:59] do que um democrata no poder, né?

[00:21:01] Então, quando a gente vê dessas coisas assim,

[00:21:03] como tu falou, né? Obama

[00:21:05] tava lá, paz e amor, gente boa

[00:21:07] e coisa, casamento,

[00:21:09] ninguém se case enquanto Obama

[00:21:11] for presidente. Muito perigoso

[00:21:13] isso aí. Pois é, enfim,

[00:21:15] no meio do futuro que a gente falou, né, a gente falou uma quantidade

[00:21:17] enorme de absurdos aqui, eu nem mencionei

[00:21:19] Gaza, né? Você imagina, assim, Gaza,

[00:21:21] caramba, agora,

[00:21:23] a gente tá tendo agora, tipo, hoje, ontem,

[00:21:25] de ontem, essa semana, agora, a formação do tal

[00:21:27] do Conselho de Gaza, que é uma novidade

[00:21:29] que ninguém entendeu muito bem ainda o que que é,

[00:21:31] me parece uma forma ali de tentar

[00:21:33] contornar a ONU, né, pra ONU perder

[00:21:35] completamente a sua

[00:21:37] função de existir, né? Os Estados Unidos

[00:21:39] estão levando quase dois anos já de contribuições

[00:21:41] à ONU, teoricamente, aliás,

[00:21:44] completando dois anos sem pagar

[00:21:45] a ONU, né, completando o equivalente a dois

[00:21:47] anos de contribuição em atraso,

[00:21:50] você poderia perder poder de voto,

[00:21:51] assim, você imagina se a ONU

[00:21:53] fala os Estados Unidos, sinto muito aqui, peguei aqui

[00:21:55] o regulamento aqui da FERG,

[00:21:57] e segundo esse regulamento, você

[00:21:59] não vota mais,

[00:22:01] é a chave pros Estados Unidos saírem

[00:22:03] da ONU, não voto mais, então

[00:22:05] eu tô fora, me parece que

[00:22:07] é uma provocação nesse sentido,

[00:22:10] então, quando a gente fala

[00:22:11] sobre a Venezuela, você vê que

[00:22:13] em qualquer outro momento histórico, ela

[00:22:15] seria um destaque absoluto, os Estados Unidos

[00:22:17] pegaram o presidente do país, e

[00:22:19] mantiveram o governo, o governo tá lá,

[00:22:21] o mesmo governo tá lá,

[00:22:23] e o presidente tá fora,

[00:22:25] e ela tá agora dialogando com

[00:22:27] a vice-presidente, negócio que, aliás, o

[00:22:29] Maduro já tinha oferecido, né,

[00:22:31] eu saio, fica a minha vice, vocês

[00:22:33] me dão aqui um salvo conduto, eu vou pra algum lugar

[00:22:35] aí, com a minha família,

[00:22:36] em segurança, eu quero que a galera mais

[00:22:39] próxima de mim também tenha salvo conduto

[00:22:41] e tal, e os Estados Unidos falando que não.

[00:22:43] Me parece que os Estados Unidos, né, particularmente

[00:22:45] o presidente, o Trump,

[00:22:47] ele queria a imagem,

[00:22:49] ele queria essa vitória,

[00:22:51] ele queria fazer essa operação,

[00:22:53] ele queria ter, né, o gostinho

[00:22:55] de cantar essa vitória,

[00:22:57] a imagem do Maduro

[00:22:59] sendo preso, levado pros Estados Unidos,

[00:23:01] o Maduro sendo julgado,

[00:23:03] é meio que o Maduro

[00:23:05] é pro Trump o que o Saddam Hussein

[00:23:07] foi pro George W. Bush, né,

[00:23:09] sendo que a diferença

[00:23:11] que a gente tem aí é que o Trump claramente não

[00:23:13] quer colocar o boots on the ground, né, não quer mandar

[00:23:15] os soldados lá porque é da trabalho, é um engajamento

[00:23:17] longo e tal, mas

[00:23:18] é de fato uma mudança que a gente não

[00:23:21] tá muito acostumado a ver, e são tantos

[00:23:23] tabuleiros se movendo ao mesmo tempo

[00:23:25] que às vezes a gente perde um pouco

[00:23:27] o rumo, e me parece,

[00:23:28] o Abau, que tem método nisso, né,

[00:23:31] o objetivo é exatamente

[00:23:32] quando você joga um absurdo

[00:23:35] muito grande, aquilo que é

[00:23:37] apenas absurdo soa normal,

[00:23:39] no momento em que você pega

[00:23:41] o presidente da Venezuela, você interferir

[00:23:43] em algum outro país que não seja prendendo

[00:23:44] o presidente, soa como natural,

[00:23:47] pô, nem foi tão

[00:23:49] agressivo assim, nem prendeu o presidente do país,

[00:23:51] e aqui uma coisa que eu quero deixar

[00:23:53] claro, porque é o seguinte,

[00:23:55] eu lembro que eu vim aqui, muitos anos

[00:23:57] atrás, pra falar sobre Venezuela,

[00:23:59] e eu desci o cacete no Maduro,

[00:24:00] e eu sei que tem muita gente que ouve o Vira Casasco

[00:24:03] e fala, que absurdo, o Maduro é um

[00:24:05] defensor, porra, da soberania e tal,

[00:24:07] eu sou zero, me engajaram com

[00:24:09] o Maduro, tá, zero, nunca gostei

[00:24:11] dele, mas lembro uma vez a pergunta que o Divan fez foi

[00:24:13] Tanguy, a gente tem que gostar do Maduro,

[00:24:15] eu lembro que a minha resposta foi, a gente não precisa gostar do Maduro,

[00:24:17] mas essa questão

[00:24:19] ela vai além, ela tem um significado

[00:24:21] muito maior, ela abre

[00:24:23] um precedente que é muito

[00:24:25] maior, se você faz isso num país

[00:24:27] da América do Sul, você imagina o que você pode fazer

[00:24:28] num país da América Central, que as pessoas não sabem o nome,

[00:24:31] se eu mostrar pra vocês uma pinha da América Central,

[00:24:33] vocês garantem pra mim que vocês sabem dizer todos os países

[00:24:35] ali, um país ali do Caribe,

[00:24:37] né, você abre um precedente,

[00:24:39] você faz com que ações comecem a ser muito

[00:24:41] mais simples, a ponto da gente ter

[00:24:42] o Steve Miller, né, que é um cara importante no governo Trump,

[00:24:45] falando em nosso hemisfério,

[00:24:47] isso já tava dito, mas no momento que você fala

[00:24:49] ninguém vai estar no nosso hemisfério,

[00:24:51] ajudando a Rússia ou a China,

[00:24:53] o recado tá muito claro,

[00:24:55] e você imagina, o Brasil ele fica emparedado

[00:24:57] nisso, mexe com a gente diretamente, né,

[00:24:59] o Lula agora foi convidado pro Conselho de Paz

[00:25:01] lá de Gaza, que é um negócio que o Lula

[00:25:03] sempre quis, desde lá dos dois primeiros

[00:25:05] mandatos, o Lula sempre quis

[00:25:06] se engajar, participar de algum tipo

[00:25:09] de solução pro Oriente Médio, no momento em que

[00:25:10] o Trump pede isso, o Brasil

[00:25:13] ele fica numa situação que é,

[00:25:14] será que é pra eu aceitar esse negócio,

[00:25:16] ou será que o negócio tá indo longe demais?

[00:25:19] Vocês viram, isso aconteceu,

[00:25:21] nesses dias agora, o Macron,

[00:25:23] presidente da França,

[00:25:24] não tô falando de presidente de um país que não importa

[00:25:27] pros Estados Unidos, é um aliado histórico, muito histórico,

[00:25:29] uma potência, um país que tem

[00:25:31] bomba nuclear e tal, o Macron

[00:25:32] mandou uma mensagem privada

[00:25:35] pro Trump, o Trump não respondeu,

[00:25:37] printou, publicou na rede social

[00:25:39] e disse que se o Macron não

[00:25:40] participar do Conselho de Paz,

[00:25:43] vai ter 200% de tarifas sobre os

[00:25:45] vinhos espumantes franceses.

[00:25:47] Tem alguma coisa errada, né, isso aí tá uma coisa muito

[00:25:49] fora do lugar, eu fico imaginando, sei lá,

[00:25:51] se alguém tiver um podcast falando sobre

[00:25:52] política internacional, essa pessoa deve tá ficando doida, né,

[00:25:55] porque as informações, elas se

[00:25:57] avolumam num nível que a gente não dá conta.

[00:25:59] Se tu pegar um print de uma mensagem

[00:26:01] nossa e botar nas redes, já vai ser

[00:26:02] indelicado, Tanguy, imagina se eu sou

[00:26:04] o presidente da França, né, cara.

[00:26:06] E quanto a América Central tem um joguinho que eu gosto

[00:26:09] de fazer toda noite,

[00:26:11] eu faço, eu e a Dani, assim, que ele é o

[00:26:12] Flags, então aparece assim uma, né,

[00:26:15] borradinho, tu conhece ali?

[00:26:16] Pô, quando aparece ali uma ilha da América Central,

[00:26:19] tu diz, cara, eu não tinha ideia,

[00:26:21] que existia, assim, um troço daqui.

[00:26:23] Sabe quem é que conhece? O Gabriel de Vann.

[00:26:25] O Gabriel de Vann tu pauta, assim, as cores da bandeira

[00:26:27] e ele acerta tudo. Tem um país que

[00:26:29] eu conheço muito bem, que é um país que eu

[00:26:31] frequento há quase tanto tempo

[00:26:33] quanto existe o Pet Jornal, né, em função

[00:26:35] do meu trabalho lá, uma vez por ano.

[00:26:37] Agora, ele é bem destacado, ele é bem

[00:26:39] grande, né, de, pra baixo do México,

[00:26:41] que já é a América do Norte, e pra

[00:26:43] cima dos outros lá, ele é mais gordinho,

[00:26:45] assim, né, ele é mais extenso, então dá pra

[00:26:47] saber bem, né, mas

[00:26:49] é uma coisa assim, ó,

[00:26:51] eu fico muito louco e fico

[00:26:53] muito abismado, porque as

[00:26:55] pessoas, elas têm aquele ânimos, né,

[00:26:57] ânimos lacrande, né,

[00:26:59] o cara fala assim, ah, o cara não poderia

[00:27:01] fazer isso com, aí ele cita o nome do

[00:27:03] país, né, o cara não pode pegar um print

[00:27:05] de um presidente da França, aí

[00:27:07] vem alguém correndo e diz assim, ele não poderia

[00:27:09] ter feito isso com a malazinha do Oeste

[00:27:11] também ano passado, onde foram mortos quatro

[00:27:13] periquitos, não, tudo bem, ele não poderia fazer com

[00:27:15] ninguém, cara, com nada, isso é óbvio,

[00:27:17] é óbvio, né, chega

[00:27:19] de, como é que é, what aboutism,

[00:27:21] né, chega, é óbvio,

[00:27:23] o cara não pode fazer a maioria das coisas, aliás, né,

[00:27:25] aquele post

[00:27:27] do Serge Katz lá, que é

[00:27:29] as primeiras vezes do Trump, tudo que foi,

[00:27:31] nunca tinha sido feito, que ele fez, né,

[00:27:33] a primeira vez que alguém, né, é bem

[00:27:35] elucidativo quanto a isso,

[00:27:37] mas, cara,

[00:27:38] há alguma coisa diferente no tabuleiro quando

[00:27:41] ele faz isso com esses aí, não é?

[00:27:43] Há que se pensar de uma maneira diferente,

[00:27:45] repito, é Gaza,

[00:27:47] é Venezuela, são pequenas

[00:27:49] repúblicas cuja bandeira, Felipe,

[00:27:50] a Bá não consegue adivinhar, não pode fazer

[00:27:52] isso com ninguém, é lógico, a gente é contra,

[00:27:55] agora, é preciso que

[00:27:57] se discuta as coisas com o peso

[00:27:58] que elas têm, então, de um

[00:28:01] ano pra cá, o cara olhar pra um Canadá

[00:28:03] e dizer assim, ó, eu vou anexar essa porra

[00:28:05] aí, né, isso aí vai ser tudo

[00:28:06] um estadão, vai ser mais um estadão na

[00:28:08] bandeira, mais uma estrelinha na bandeira, aí o

[00:28:10] cara vai pra Groenlandia e fala assim, eu vou comprar

[00:28:13] e se não comprar, eu vou pegar igual,

[00:28:14] cara, isso aí é indicativo,

[00:28:17] né, do que, Tanguy,

[00:28:19] a gente tem que começar a estocar,

[00:28:20] de vez, galão d’água, é isso?

[00:28:22] É, não, mas me parece que

[00:28:24] a lógica é exatamente ir

[00:28:26] alargando, né, você vai alargando as possibilidades.

[00:28:29] Uma coisa que tem ficado

[00:28:30] muito na minha cabeça esses dias agora

[00:28:32] é que os Estados Unidos vão comemorar

[00:28:34] 250 anos da independência, né, agora

[00:28:36] dia 4 de julho, esse ano agora,

[00:28:38] 4 de julho de 1776,

[00:28:41] né, você pula agora pra 2026.

[00:28:43] Me parece que o Trump, ele

[00:28:44] quer anunciar alguma expansão territorial,

[00:28:47] sabe, é um negócio meio século XIX,

[00:28:48] século XVIII, XIX, sabe, ele quer

[00:28:50] essa ideia da grandeza,

[00:28:53] do aumento do território e tal,

[00:28:55] e uma coisa que

[00:28:56] me parece que a gente não tem como contornar, né,

[00:28:58] quando a gente fala sobre o Trump, é que ele

[00:29:00] de fato, ele tem uma

[00:29:02] base doméstica

[00:29:04] que apoia muito essa

[00:29:06] mudança de tudo que tá aí,

[00:29:09] eu acho que ele leva essa mudança

[00:29:10] de tudo que tá aí pra um outro nível,

[00:29:12] o ponto é o seguinte,

[00:29:14] grande parte dos presidentes americanos

[00:29:16] sempre dialogaram, sempre foram

[00:29:18] votados, sempre atenderam,

[00:29:20] a população das costas,

[00:29:22] né, da costa leste, da costa oeste,

[00:29:24] onde você tem uma população muito grande,

[00:29:26] você tem aquelas cidades, ou aqueles

[00:29:28] estados que são símbolos, né, você fala

[00:29:30] sobre a Califórnia, né, que já é um ponto completamente

[00:29:32] fora da curva em termos de comportamento, de riqueza

[00:29:34] e tal, você tem Nova York,

[00:29:36] né, que é um grande símbolo

[00:29:38] dos Estados Unidos e tal, mas você tem a galera

[00:29:40] que tá lá no meião dos Estados Unidos.

[00:29:43] E essa galera,

[00:29:44] ela sempre olhou pra essa galera da costa

[00:29:46] e sempre falou, porra, essa galera é

[00:29:48] muito nariz em pé,

[00:29:50] controla os Estados Unidos, porque tem muito mais

[00:29:52] dinheiro, é quem controla a imagem

[00:29:54] dos Estados Unidos no exterior,

[00:29:56] então essa galera que fica mandando ajuda pra fora,

[00:29:59] que gosta da ONU,

[00:30:00] que acha que tem que se comprometer com

[00:30:02] grandes acordos e tal,

[00:30:04] e o Trump, que é um cara de Nova York,

[00:30:07] é um cara rico, do

[00:30:08] Queens, ele conseguiu

[00:30:10] entender que esse público

[00:30:12] da meiuca ali tinha muito voto

[00:30:14] pra dar e uma enorme frustração,

[00:30:16] e que é uma galera que quer mudança,

[00:30:18] então assim, se você fala assim, mas o Trump,

[00:30:20] você tá fazendo isso, você vai mudar

[00:30:22] tudo que existe, tudo que a gente conhece,

[00:30:24] os aliados, isso vai gerar instabilidade.

[00:30:26] O que essa galera tá dizendo é, ótimo,

[00:30:28] ótimo, ótimo.

[00:30:30] E esse é um cálculo,

[00:30:32] é por isso que eu tô dizendo, por isso que eu falei na minha

[00:30:34] primeira fala aqui, que não vai mudar tão cedo.

[00:30:37] O cálculo que os europeus

[00:30:38] tão fazendo, que o Japão tá fazendo,

[00:30:40] que o Brasil tá fazendo, é o seguinte,

[00:30:43] o Trump foi eleito pela primeira

[00:30:44] vez, lá na eleição de 2016,

[00:30:46] com 70 milhões de votos.

[00:30:49] Ele perdeu pro Biden,

[00:30:50] né?

[00:30:50] Quando ele tentou a reeleição, ganhando cerca

[00:30:52] de 70 milhões de votos.

[00:30:54] E ele foi eleito no ano passado, quer dizer,

[00:30:56] 2024, né, pra assumir em 2025,

[00:30:59] com 80 milhões

[00:31:00] de votos. Tem uma massa

[00:31:02] de pessoas, de eleitores nos Estados Unidos,

[00:31:04] dispostos a votar nesse projeto.

[00:31:07] O que eu quero dizer com isso? Pode até

[00:31:08] ser que o substituto do Trump

[00:31:10] não seja um cara igual a ele.

[00:31:12] Pode ser, porque a eleição é muito apertada,

[00:31:14] a eleição é muito balanceada,

[00:31:16] mas é muito provável que os próximos

[00:31:18] presidentes tenham um

[00:31:20] Q de Trumpista em algum momento.

[00:31:22] Um J.D. Vance, pode ser um Marco Rubio,

[00:31:25] pode ser o Trump tentando mais uma vez,

[00:31:26] que ele sempre flerta com essa possibilidade.

[00:31:29] Então,

[00:31:30] o que o mundo tá olhando agora

[00:31:32] é, não dá pra gente confiar

[00:31:35] que o Trump, ele é um

[00:31:36] fator passageiro, que foi a impressão que deu

[00:31:38] quando o Biden ganhou, né? Quando o Biden ganhou,

[00:31:41] o mundo falou assim,

[00:31:42] ah, ufa, os Estados Unidos voltaram

[00:31:44] ao normal. Os Estados Unidos, eles tinham virado

[00:31:46] um zumbi, tinham virado um bicho esquisito,

[00:31:48] mas era apenas uma coisa passageira.

[00:31:50] Tinha sido uma aventura. Acontece,

[00:31:52] a gente entende. Beleza, ok.

[00:31:55] Beleza, bem-vindo de volta ao clube.

[00:31:57] O Biden não

[00:31:58] reverteu completamente. Isso é uma coisa que

[00:32:00] às vezes a gente não repara.

[00:32:02] O Trump colocou um monte de tarifa, um monte de

[00:32:04] restrição, um monte de medida nacionalista.

[00:32:07] O Biden não recuou,

[00:32:08] ele apenas não avançou mais, mas ele não

[00:32:10] recuou. Por quê? Porque eram medidas

[00:32:12] populares. O Trump, na prática, fez

[00:32:14] algo que muitos polícia-americanos gostariam de fazer,

[00:32:16] mas seriam taxados de conservadores,

[00:32:19] de nacionalistas. Pô,

[00:32:20] será? Será que a gente quer e tal?

[00:32:22] E agora o Trump volta

[00:32:23] muito mais forte do que antes, muito mais poderoso

[00:32:26] do que antes. Principalmente porque ele não tem

[00:32:28] mais o Partido Republicano pra repreendê-lo.

[00:32:31] O Partido Republicano hoje é o Partido

[00:32:32] Trumpista. A gente já falou sobre isso aqui em Outras

[00:32:34] Oportunidades, inclusive. O Partido Republicano

[00:32:36] foi transmutado. Tem uma galera

[00:32:38] não-trumpista no Partido Republicano

[00:32:40] que esses estão marginalizados.

[00:32:42] Quem não tá marginalizado é a base

[00:32:44] trumpista. Então ele tá muito

[00:32:46] fortalecido pra fazer aquilo que ele sempre quis,

[00:32:48] que é dar porrada na Europa.

[00:32:50] O americano, do centro,

[00:32:52] não gosta da Europa. Não gosta

[00:32:54] da Europa. Acha os europeus um monte

[00:32:56] de nariz em pé, que quer

[00:32:58] cagar regra, que quer me dizer se eu posso

[00:33:00] ou não posso usar carvão.

[00:33:02] Meu amigo, você cura os seus problemas aí,

[00:33:04] eu quero cuidar dos meus. Os Estados Unidos

[00:33:06] tem que fazer o que bem entendem.

[00:33:08] Então essa ideia de comprar briga com o Canadá,

[00:33:10] Canadá também é um monte de mauricinho,

[00:33:12] sabe? Uma galera que se acha superior.

[00:33:14] Ah, que eu não sou americano, que eu não sou

[00:33:16] Estados Unidos, que eu sou diferente de vocês.

[00:33:18] Vocês querem ser diferente da gente? Então agora vamos ver.

[00:33:20] De repente vão ter que

[00:33:22] rebolar aí pra não ser anexado pelos Estados Unidos.

[00:33:25] Então, é uma

[00:33:26] mudança de pensamento

[00:33:28] que tende a ser

[00:33:30] uma mudança que permanece com

[00:33:32] o passar do tempo. E aí que vem a loucura, né?

[00:33:34] Porque essa é uma mudança de pensamento

[00:33:36] que acaba com uma certa unidade

[00:33:38] desse bloco ocidental.

[00:33:40] Bloco ocidental que não é o ocidente geográfico, né?

[00:33:42] A gente tá falando dos Estados Unidos, Canadá, Europa,

[00:33:45] Japão, Austrália, Israel,

[00:33:47] né? Essa galera, esse

[00:33:48] ocidente cultural.

[00:33:50] É, americana, exatamente.

[00:33:52] Então, essa galera toda

[00:33:54] se considera o ocidente,

[00:33:56] o Putin sempre quis

[00:33:58] acabar com isso, sempre criticou e tal,

[00:34:00] e agora o Trump tá fazendo isso por conta própria,

[00:34:02] uma implosão interna. Então, é por isso

[00:34:04] que a gente tem a sensação de que as coisas estão mudando,

[00:34:06] porque estão mudando mesmo, e me parece que vai ser

[00:34:08] uma mudança que tem alguma perenidade.

[00:34:10] A gente não sabe até quando, mas que não vai

[00:34:12] ser revertida tão cedo, não.

[00:34:14] Eu fico muito curioso, assim,

[00:34:16] fico matutando, às vezes,

[00:34:18] a respeito de questão de qual é que vai

[00:34:20] ser, ou se existe possibilidade de ter

[00:34:22] uma resposta da Europa,

[00:34:24] sabe? Porque, assim, o pessoal era

[00:34:26] império até ontem, a Inglaterra mandava

[00:34:28] no mundo até ontem, né?

[00:34:30] A França estava por

[00:34:32] todo mundo também, e de repente

[00:34:34] chega hoje, assim, e vamos ser

[00:34:36] sinceros, o Trump tira os caras pra merda,

[00:34:39] né? A Inglaterra falou

[00:34:40] ali, ah, vamos devolver, o que que foi?

[00:34:42] Qual ilhota ali que falaram, vamos devolver

[00:34:44] para as Ilhas Maurício? Se diz, ah, tem que me pedir

[00:34:46] autorização antes.

[00:34:48] O Macron manda uma mensagem, né,

[00:34:50] que estava, semana passada, estava gatíssimo

[00:34:52] dando, né, de óculos,

[00:34:54] aviator, né, falando, assim,

[00:34:57] e o cara pega e põe em rede

[00:34:58] social e diz, cala a boca, senão eu vou te botar

[00:35:00] 200%. Pô, é assim, ó, é tirar pra

[00:35:02] merda mesmo, né?

[00:35:04] A OTAN me corrija,

[00:35:06] fale sobre isso, por favor.

[00:35:08] Se o Trump seguir com esse negócio

[00:35:10] de Groenlândia, vai

[00:35:12] terminar da forma como a gente conhece

[00:35:14] hoje, né? Não vai ter como tu manter

[00:35:16] a OTAN com o cara pegando pra ele e

[00:35:18] dizendo, então tá, parcerias, obrigado,

[00:35:20] viu, agora é meu. O que que

[00:35:22] vem? Eu não tô pensando exatamente

[00:35:24] num desmantelamento da

[00:35:26] Europa, né, com o Brexit

[00:35:28] que já aconteceu isso aí,

[00:35:31] porque, senão, nenhum

[00:35:32] desses países é forte o suficiente

[00:35:34] pra se manter. Eles só são fortes como

[00:35:36] União Europeia, de fato,

[00:35:38] né? Mas, uma

[00:35:40] reconfiguração de OTAN, uma reconfiguração

[00:35:42] exatamente essa aproximação

[00:35:44] Mercosul-União Europeia,

[00:35:47] isso é uma dicasinha,

[00:35:48] do que que pode ser feito exatamente

[00:35:50] pra combater esse negócio do, opa,

[00:35:52] a gente ficou dependente demais

[00:35:54] dos Estados Unidos, né?

[00:35:56] Confiamos, né? Cometemos o erro

[00:35:58] número um da história recente, que é

[00:36:00] confiamos nos Estados Unidos.

[00:36:03] Até que, enfim, chegou neles também, né?

[00:36:05] É, essa semana agora,

[00:36:06] ô Abau, o primeiro

[00:36:08] ministro da Bélgica, cara, se você olha

[00:36:10] pra ele, é aquele cara pacífico,

[00:36:12] é o cara que toma chá, é o cara

[00:36:14] que provavelmente deve gostar de

[00:36:16] cachimbo, deve ler o jornal

[00:36:18] toda manhã, ele tem um gato, né? Que é mais

[00:36:20] popular do que ele, né? Uma simpatia

[00:36:22] de gato e tal. Esse cara

[00:36:24] falou, essa semana agora, que

[00:36:26] a gente vai ter que fazer alguma coisa.

[00:36:28] Pra esse cara, né? Fala assim, a gente

[00:36:30] vai ter que fazer alguma coisa, porque os Estados

[00:36:32] Unidos estão tirando a gente pra merda, ele não falou com

[00:36:34] essas palavras exatamente, mas foi algo mais ou menos

[00:36:36] por aí. Os Estados Unidos estão tirando

[00:36:38] a gente pra merda, estão passando a mão na nossa

[00:36:40] bunda e rindo disso,

[00:36:42] é porque, realmente, a coisa, ela

[00:36:44] saiu um pouco do controle. A situação

[00:36:46] europeia é uma situação muito

[00:36:48] ruim, geopoliticamente. Aqui,

[00:36:50] vou fazer o disclaimer aqui, tá?

[00:36:52] A Europa é rica, vai continuar

[00:36:54] sendo rica. O PIB per capita

[00:36:56] da Europa é altíssimo, vai continuar

[00:36:58] sendo, a Europa é industrializada,

[00:37:00] a Europa tem empresas gigantescas,

[00:37:02] a Europa recebe muito turista

[00:37:04] e tal, mas me parece

[00:37:06] que o horizonte da Europa, ele tá mais ou menos

[00:37:08] por aí, ele meio que para aí.

[00:37:11] A Europa é um continente envelhecido,

[00:37:13] a Europa é um continente que,

[00:37:14] por exemplo, a França, agora, teve pela

[00:37:16] primeira vez mais morte do que

[00:37:18] nascimentos, e a França não é

[00:37:20] o país que tem os piores índices, tem países que estão

[00:37:22] muito piores do que a França, estão com

[00:37:24] um declínio populacional acentuado.

[00:37:27] A solução pra isso

[00:37:28] deveria ser migração. E toda vez

[00:37:30] que você olha notícias na Europa, é

[00:37:31] temos que parar a migração! A migração, ela seria

[00:37:34] uma saída, né? Mas aí você passa a ter

[00:37:36] um choque cultural. Você tem que ter migrante,

[00:37:38] mas o migrante não é europeu. O migrante

[00:37:40] é o cara que vem do norte da África,

[00:37:42] o migrante vai ser o cara que vem da Síria, o migrante

[00:37:44] vem do Afeganistão, o migrante vem da Somália,

[00:37:46] o migrante vem, sei lá, de onde que ele vai.

[00:37:48] Ele vem. Os europeus chegaram a ensaiar,

[00:37:50] inclusive, colocar pessoas bonitas de outros

[00:37:52] lugares, né? Então traz, sei lá, vê no Brasil

[00:37:54] aí, pô, tem um

[00:37:55] berdinase da vida, né? Algum

[00:37:57] tamarela da vida, e traz pra cá, pelo menos

[00:38:00] pô, não tem um choque, né?

[00:38:02] Estético e tal. E também

[00:38:04] não deu certo, porque também tem dificuldade

[00:38:06] de adaptação e tudo.

[00:38:07] E a Europa tem dificuldade de participar da

[00:38:10] brincadeira dos grandes, né? A brincadeira dos

[00:38:12] grandes é inovação, é inteligência artificial.

[00:38:15] E a Europa, principalmente,

[00:38:16] ou a BAL, como você falou,

[00:38:18] ela confiou na segurança dela, né?

[00:38:20] Desde o fim da Segunda Guerra Mundial

[00:38:21] nos Estados Unidos. E aí

[00:38:23] é a chave pra você se dar mal, né? Porque

[00:38:26] não, você depende de uma boa vontade

[00:38:28] dos Estados Unidos, que a qualquer momento pode faltar.

[00:38:30] É exatamente o que tá acontecendo agora. Não é a primeira vez,

[00:38:32] né? Os Estados Unidos em algum momento já

[00:38:33] aventaram, ô Europa, porra, se vira aí,

[00:38:36] vê aí o que você vai fazer, mas

[00:38:37] nunca da maneira como vem sendo feito.

[00:38:40] O que que a Europa vai fazer?

[00:38:42] Cara, eu não faço a menor ideia,

[00:38:43] porque a impressão que eu tenho é que

[00:38:46] a Europa não sabe o que vai fazer. A Europa

[00:38:48] me parece muito perdida. No momento

[00:38:50] em que o Trump, por exemplo,

[00:38:52] anunciou tarifas

[00:38:54] de 10% adicionais, né?

[00:38:55] Além das tarifas que já existem,

[00:38:58] sobre a taxa, né? De 10%.

[00:38:59] Sobre países europeus, aí são

[00:39:01] oito países que não concordarem

[00:39:03] com a aquisição da Groenlândia,

[00:39:06] a Europa marcou uma reunião de emergência

[00:39:07] que é, tá, e agora?

[00:39:10] A gente faz o quê? Até agora

[00:39:11] parecia, a BAL, que era um negócio

[00:39:13] meio assim, não, o Trump tá falando,

[00:39:16] mas você sabe como é que é, né?

[00:39:18] Falando aí, mas na hora de fazer,

[00:39:20] não vai fazer, não vai fazer.

[00:39:22] E tá fazendo. Ele tá

[00:39:24] indo adiante, né? Ele tá humilhando os

[00:39:26] europeus. Essa é uma questão de humilhação

[00:39:28] muito, muito, muito

[00:39:30] acentuada. Então, a Europa

[00:39:32] agora, ela vai ter que pensar o que fazer, levando

[00:39:34] em consideração que a maior economia da

[00:39:36] Europa é a Alemanha,

[00:39:38] e a Alemanha teve dois anos

[00:39:40] de recessão, e esse ano agora,

[00:39:42] quer dizer, 2025, voltou a crescer.

[00:39:44] 0,2%.

[00:39:45] Dois anos de recessão, e você cresce

[00:39:47] 0,2%.

[00:39:49] Você tem uma França que não consegue manter

[00:39:51] um governo. Sebastião Lecornil

[00:39:54] aí, que, porra, o nome, pelo amor de Deus, também,

[00:39:56] escolheu, tem que consultar os brasileiros

[00:39:58] pra saber se Lecornil pode ser primeiro-ministro, né?

[00:40:00] O nome do camarada Lecornil vai cair

[00:40:02] também, porque acabou de aprovar

[00:40:03] um orçamento sem ser votado no parlamento.

[00:40:06] Não votou no parlamento, ele usou

[00:40:08] uma cláusula da Constituição que permite

[00:40:10] passar o negócio sem passar pelo

[00:40:11] parlamento. Tipo, é uma medida autoritária,

[00:40:14] não consegue montar maioria, vai ter eleição

[00:40:16] a…

[00:40:17] a Marine Le Pen lá, ou o Bardelá, enfim,

[00:40:20] quem quer que esteja representando ali

[00:40:21] o Rassemblement National, né, da extrema-direita,

[00:40:24] vai ganhar espaço. Talvez

[00:40:26] ganhe maioria, sabe? Sei lá o que vai acontecer.

[00:40:29] Então, a Europa, ela tá

[00:40:30] muito mal parada. A gente vai ter

[00:40:32] reunião nos próximos dias, né? Não quero

[00:40:33] datar esse episódio aqui, não sei se quando sair já vai ter

[00:40:36] acontecido ou não, mas nos

[00:40:38] próximos dias pra tentar imaginar

[00:40:39] pra onde que a Europa vai, mas me parece que a Europa

[00:40:42] tá perdidinha, esperando pra

[00:40:44] ver se alguma coisa

[00:40:45] ilumina a mente de Donald Trump e ele recua.

[00:40:47] O que não me parece que vai acontecer.

[00:40:49] Também não me parece, não, Gabriel,

[00:40:51] recuar não tá muito no vocabulário.

[00:40:53] Não, cara, e essa questão

[00:40:56] que vocês estão salientando aí,

[00:40:57] ela é muito séria, assim, no sentido

[00:41:00] de, de fato,

[00:41:02] não só não tem havido

[00:41:04] reação, como

[00:41:05] também não é fácil, assim, tá, vai fazer o que,

[00:41:08] então? Vai cortar relações?

[00:41:10] Vai bombardear os Estados Unidos?

[00:41:12] Sabe, é uma coisa muito difícil, porque

[00:41:13] a gente tá inteiramente

[00:41:15] lastreado num…

[00:41:17] acordão de cavaleiros, nem tão cavaleiros

[00:41:20] assim, né? No momento em que alguém

[00:41:21] simplesmente começa a agir

[00:41:23] num sentido totalmente imprevisível

[00:41:25] e inconsequente pra além

[00:41:27] daquilo que se tava esperando,

[00:41:30] véio, não há reação possível, né?

[00:41:32] Não há reação.

[00:41:33] É mais ou menos que nem aquele…

[00:41:36] tem o episódio daquela série do Atlanta

[00:41:38] que o cara fala assim, ô meu, vou pegar esse tênis

[00:41:39] na loja e vou sair correndo, porque eles têm uma

[00:41:41] política aqui de, né, não

[00:41:43] necessariamente eles vão me bater e

[00:41:45] não vão me dar uma gravata e me botar no

[00:41:47] chão e tem toda a questão de eu ser negro

[00:41:49] e tudo mais, aí o cara rouba o tênis e vai embora.

[00:41:52] E aí o outro que tá com ele fica olhando

[00:41:53] como quem diz assim, ué, né?

[00:41:55] E nós temos algo parecido aí,

[00:41:57] no sentido de que, o que que

[00:41:59] se faz com o Trump? Esse é o problema,

[00:42:02] porque não se faz porque não se deveria

[00:42:04] fazer, porque eles não deveriam

[00:42:05] tá enfrentando esse tipo de coisa.

[00:42:08] A gente tem uma série

[00:42:09] de outras questões aqui, Tangui, e

[00:42:11] uma delas que eu queria te ouvir a respeito

[00:42:14] é essa situação

[00:42:15] recente do Irã, né? Tu falou agora há pouco,

[00:42:17] que a gente esquece Gaza.

[00:42:19] Esquecer a gente nunca esquece, agora

[00:42:21] a sucessão de coisas é tamanha

[00:42:23] que, assim como quando

[00:42:25] entrou Gaza, parece que a Ucrânia

[00:42:27] virou old news, né?

[00:42:30] Ficava o Zelensky pra lá e pra cá,

[00:42:32] né, com uma carinha de coitadinho e pedindo

[00:42:33] esmola e tal, e ninguém dava bola, porque o que tava

[00:42:35] rolando era Gaza. Aí depois

[00:42:37] começa a acontecer essas bravatas

[00:42:39] em relação a Canadá e o começo

[00:42:41] do papo da Groenlândia, já começa a ficar

[00:42:43] outra coisa pra trás, aí vem Venezuela

[00:42:45] e, na verdade, elas vão se acumulando

[00:42:47] ao invés de ir se sucedendo.

[00:42:49] E agora, nós temos uma das

[00:42:51] bolas da vez, que é a questão do Irã

[00:42:53] e é uma situação também

[00:42:55] muito tensa, num certo

[00:42:58] sentido, porque o cara

[00:42:59] a gente já tá escaldado, nós estamos no Brasil,

[00:43:02] né? Nós estamos escaldados quanto a essas coisas.

[00:43:04] Mas quando o cara vê, assim, ó,

[00:43:05] levante da juventude, tá

[00:43:07] tentando fazer frente ao regime

[00:43:10] do Ayatollah e tudo mais. Opa!

[00:43:12] Interessante! Daí o cara vê, assim,

[00:43:14] é, eles estão, inclusive, carregando

[00:43:16] cartazes do neto do

[00:43:17] Razapaleve e tal, porque é pra voltar

[00:43:19] a monarquia. Aí o cara pensa

[00:43:22] nossa, cara, será

[00:43:23] que é pra sempre esse negócio?

[00:43:25] Pelo amor de Deus, velho, quando o

[00:43:27] Egito, na chamada Primavera

[00:43:29] Arbe, fez o levante pra terminar com a ditadura

[00:43:31] do Mubarak, né? O cara pensa

[00:43:33] ó, interessante! Aí vem,

[00:43:35] né, uma teocracia, né,

[00:43:38] de mesmo molde e tal. E aqui no Irã,

[00:43:40] né, a gente não tem grandes desenvolvimentos

[00:43:42] ainda, fora a matança, né?

[00:43:44] Fora, né, o fato

[00:43:46] de que o pau tá quebrando o real, mas a gente…

[00:43:47] a gente ainda não tem, né, uma coisa

[00:43:49] que parece ser um desfecho pra situação

[00:43:51] e a gente não tem também a próxima bola da vez, né?

[00:43:53] Então, vamos de Irã no momento aí.

[00:43:55] É isso mesmo, né?

[00:43:57] Vai reivindicar o trono. É tipo o príncipe

[00:43:59] Orléans deles, é isso? É, é tipo isso.

[00:44:01] É tipo o príncipe Orléans. Vai ser a

[00:44:03] dinastia de Petrópolis deles lá.

[00:44:06] Olha, quando a gente fala sobre

[00:44:07] Irã, Ivan, eu acho importante

[00:44:09] a gente contextualizar, porque

[00:44:11] o Oriente Médio também, parece clichê,

[00:44:13] né, mas o Oriente Médio mudou

[00:44:15] radicalmente, radicalmente.

[00:44:17] Com relação ao que

[00:44:19] a gente conhecia cinco anos atrás.

[00:44:21] Eu lembro que eu já vim aqui

[00:44:23] no Vera Casacas algumas vezes pra falar,

[00:44:25] uma vez foi só sobre Irã, né, a gente lembrou disso.

[00:44:28] Outras vezes a gente falou sobre

[00:44:29] Oriente Médio e a gente é uma estrutura no Oriente

[00:44:31] Médio que passava por mudanças aqui

[00:44:33] a colar, mas ela mais ou menos se mantinha.

[00:44:35] Essa estrutura, ela acabou.

[00:44:37] Ela acabou. A gente teve os ataques

[00:44:39] do Hamas lá contra Israel no dia

[00:44:41] 7 de outubro de

[00:44:43] 2023 e esses ataques,

[00:44:45] eles levaram a uma reação

[00:44:47] de Israel, que a gente sabe bem

[00:44:49] qual foi, mas Israel também tentou

[00:44:51] aproveitar pra resolver todos

[00:44:53] os problemas de uma vez. Tentar resolver

[00:44:55] problema, aí é Maquiavel, tá?

[00:44:57] Resolver problema é tudo de uma vez.

[00:44:59] É uma porrada só,

[00:45:02] vai ser mal vista mesmo, todo mundo

[00:45:03] vai falar mal de mim, eu vou ser cancelado,

[00:45:05] vai ter gente fazendo passeata e tal.

[00:45:07] Então assim, eu vou ter que passar por isso.

[00:45:10] Eu vou resolver tudo

[00:45:11] de uma só vez. E os problemas

[00:45:13] israelenses, eles são o Irã.

[00:45:15] O Irã é

[00:45:16] a…

[00:45:17] na visão israelense, é a raiz

[00:45:19] dos grandes problemas, e geopoliticamente

[00:45:21] é mesmo, tá? Aqui não tem juízo de valor,

[00:45:23] mas geopoliticamente o Irã é

[00:45:25] a dor de cabeça de Israel.

[00:45:27] Por quê? Porque não apenas é um país

[00:45:29] muito grande, e aí,

[00:45:31] isso é uma frase que eu sempre falo, que eu acho importante a gente ter em mente,

[00:45:34] o Irã não é o Iraque.

[00:45:36] O Iraque é importante, o Iraque é central

[00:45:37] e tal, mas o Irã é muito mais importante.

[00:45:40] População grande, uma quantidade

[00:45:41] inacreditável de petróleo, tem programa

[00:45:43] nuclear, é um povo

[00:45:45] muito orgulhoso da sua história,

[00:45:47] é um povo que tá acostumado

[00:45:49] a ir pra guerra, que tem história de guerra,

[00:45:51] que tem história de luta, que tem história de resistência,

[00:45:54] tá lá numa

[00:45:55] ditadura feroz há muito tempo, então

[00:45:57] tem lá seus problemas internos,

[00:45:59] mas internacionalmente o Irã é um país muito

[00:46:01] poderoso. E o Irã

[00:46:03] é um país tradicionalmente muito isolado na região.

[00:46:06] Então o Irã é um país

[00:46:07] chiita,

[00:46:09] não apenas um país chiita, uma teocracia chiita

[00:46:11] numa região em que

[00:46:13] praticamente todos os países têm

[00:46:15] governos, ou a maioria

[00:46:17] da população sunita. Pegar os chiitas

[00:46:19] ali, você tem basicamente, de mais importante

[00:46:21] você tem o Iraque, você tem

[00:46:23] o Azerbaijão, que tem uma população chiita

[00:46:25] importante, você tem o Bahrein, que é pequenininho,

[00:46:28] mas mesmo

[00:46:29] assim, dos países com governo

[00:46:31] chiita, é disparado maior.

[00:46:33] Então os sunitas olham

[00:46:35] pro Irã meio

[00:46:36] esses caras vão querer influenciar os chiitas

[00:46:39] aqui no meu país, isso pode ser um problema,

[00:46:42] os caras fizeram uma revolução chiita,

[00:46:44] se os chiitas quiserem se movimentar

[00:46:45] aqui vai ser um problema pra mim. Então,

[00:46:47] isolado nesse sentido. É um país

[00:46:49] de maioria persa, numa região em que

[00:46:51] grande parte da população é árabe.

[00:46:53] E aí também tem uma outra

[00:46:55] camada. É um país que tem problemas

[00:46:57] com os Estados Unidos, aí tem um monte de países que não

[00:46:59] quer problema com os Estados Unidos, aí mantém uma

[00:47:01] relação ali, e aí você tem

[00:47:03] uma estratégia que foi montada pelo Irã

[00:47:05] que foi de fazer aliados na região.

[00:47:07] Eu vou fazer aliados na região, qualquer momento que eu

[00:47:09] precisar, eu balanço o sininho, essa galera

[00:47:11] vem todo ao meu socorro. Essa galera é Hamas,

[00:47:14] que é um grupo sunita,

[00:47:15] mas que se aproxima de uma teocracia,

[00:47:17] se é chiita, porque tem um inimigo comum, que é

[00:47:19] Israel. Israel foi lá e passou

[00:47:21] o carro por cima do Hamas.

[00:47:23] Destruiu a faixa de Gaza junto,

[00:47:25] mas o Hamas, ele é uma sombra

[00:47:27] hoje do que ele foi no passado. Não deixou

[00:47:29] desistir, mas tá muito,

[00:47:31] mas muito enfraquecido, porque de fato

[00:47:33] Israel passou o trator

[00:47:35] por cima do Hamas. Outro é

[00:47:37] o Hezbollah, passou o trator

[00:47:39] também. Israel foi lá, invadiu o sul

[00:47:41] do Líbano, bombardeou tudo que podia

[00:47:43] bombardear, matou um monte de libanês e tal.

[00:47:45] O Hezbollah deixou

[00:47:47] desistir, mas tá, teve também um assombro

[00:47:49] do que foi no passado. Isso não

[00:47:51] foi culpa de Israel, mas caiu

[00:47:53] o governo do Assad, era outro aliado também,

[00:47:55] governo do Assad na Síria. Os caras estavam

[00:47:57] no poder desde 1971.

[00:47:59] 71! O pai do Assad

[00:48:01] assumiu o poder, o Assad estava no poder desde

[00:48:03] 2000, caiu de Maduro,

[00:48:05] ali no final de 2024.

[00:48:07] De repente não tem mais Assad no poder.

[00:48:09] Israel vai lá e bombardeia os Houthis no Iêmen.

[00:48:11] Então, o Irã,

[00:48:13] ele passa uma sensação

[00:48:15] de um enfraquecimento muito grande, ao ponto

[00:48:17] de, em junho do ano passado,

[00:48:19] você ter os Estados Unidos e Israel

[00:48:21] fazendo ataques diretos contra as

[00:48:23] instalações nucleares do Irã. Em 2024,

[00:48:26] a gente teve os primeiros

[00:48:27] confrontos diretos,

[00:48:28] troca de ataques de um lado pro outro,

[00:48:31] entre Irã e Israel,

[00:48:33] e no ano passado a gente teve ataques diretos

[00:48:35] dos Estados Unidos, inclusive, contra instalações

[00:48:37] nucleares iranianas. Isso vai levar

[00:48:39] a uma série de crises de confiança.

[00:48:42] Então, assim,

[00:48:43] esses protestos atuais, eles começaram porque

[00:48:45] no dia 28 de dezembro,

[00:48:47] agora de 2025,

[00:48:49] a moeda iraniana colapsou.

[00:48:51] Colapsou. E aí a galera vai pra rua

[00:48:53] pra protestar, claro, porque

[00:48:55] você tá perdendo o poder de compra. Não é uma questão ideológica,

[00:48:57] é uma questão de sobrevivência diária.

[00:48:59] E quem vai pras ruas, isso aqui é

[00:49:01] interessante, né, do ponto de vista até

[00:49:03] sociológico, quem vai pras ruas

[00:49:05] são os comerciantes de Teherã,

[00:49:07] daquela região central de Teherã,

[00:49:09] que, curiosamente, eram pessoas que, ao

[00:49:11] irem pras ruas em fevereiro de 1979,

[00:49:14] tinham propiciado a revolução.

[00:49:15] Então, é meio que assim, olha,

[00:49:17] essa galera aqui,

[00:49:19] os meus antepassados e tal, meu pai,

[00:49:21] meu avô, foram pras ruas e

[00:49:23] permitiram essa revolução, colocou vocês no

[00:49:25] poder aí, é a gente que tá indo pra

[00:49:27] rua, você se liga aí, porque a gente

[00:49:29] tá meio de saco cheio. Noves

[00:49:31] fora isso tudo, não me

[00:49:33] parece que o fim do regime iraniano esteja tão

[00:49:35] próximo quanto…

[00:49:37] Ah, vai cair a qualquer

[00:49:39] momento, sei lá, viu, não tá me parecendo

[00:49:41] que seja algo tão simples, não.

[00:49:43] É um governo muito bem embasado,

[00:49:45] é um governo muito forte, tá

[00:49:47] mais enfraquecido, assim, do que nunca,

[00:49:49] mas, ainda assim, não me parece que seja

[00:49:51] um governo desse que vai cair de maduro, não.

[00:49:53] Aqui, perdão o trocadilho, tá, mas

[00:49:54] não tá maduro quanto o governo

[00:49:57] venezuelano, né, o presidente venezuelano

[00:49:59] maduro estava no momento em que foi

[00:50:01] capturado lá.

[00:50:02] Eu vi o Gabriel de Van Rino, pensei que ele ia trazer

[00:50:04] alguma coisinha aí.

[00:50:05] Não, não, não, eu ri porque

[00:50:07] ficou um encaixe mais do que perfeito,

[00:50:10] né, pra situação. Mas, Tanguy,

[00:50:12] assim, vamos aproveitar que a gente tá no Irã,

[00:50:14] assim, pra dar uma faladinha, então, exatamente

[00:50:15] sobre a região, né,

[00:50:17] porque tem toda essa questão

[00:50:18] Gaza, tem a questão

[00:50:21] do Irã, tem a questão

[00:50:23] de Afeganistão, tem a Síria,

[00:50:26] tem a questão dos curdos

[00:50:27] também, que agora parece que

[00:50:29] estão querendo se adaptar

[00:50:31] e receber determinados direitos,

[00:50:34] tal, ou ainda aquela

[00:50:35] ideia de barril de pólvora,

[00:50:37] ou as coisas vão ir se ajeitando,

[00:50:39] porque também foi outro negócio, né,

[00:50:41] agora na Líbia nos livramos

[00:50:43] de um, na Síria nos livramos

[00:50:45] de um, e o que a gente viu em todos esses

[00:50:47] lugares foi um desastre.

[00:50:49] A impressão que eu tenho, Abau,

[00:50:51] é que a gente teve dois anos de

[00:50:53] terremoto absoluto. Terremoto,

[00:50:55] assim, as coisas foram mudando de forma

[00:50:57] muito acelerada, muito rápida, né,

[00:50:59] então, Gaza, por exemplo,

[00:51:01] foi terraplanada,

[00:51:03] né, você destruiu Gaza inteiro,

[00:51:05] você matou, porra,

[00:51:06] essa conta deve estar na casa de quase 70 mil

[00:51:09] pessoas em Gaza. Você teve mudança

[00:51:11] na Síria, que é um governo importante,

[00:51:13] você tem protestos no Irã,

[00:51:15] as coisas foram acontecendo,

[00:51:17] e agora a gente tá naqueles

[00:51:18] terremotos de repique, que é meio que uma

[00:51:21] assim, a terra tá se ajeitando,

[00:51:24] o que que vai ser daqui pra frente?

[00:51:25] Então, por exemplo, você falou sobre a Síria, né,

[00:51:27] o Assad caiu,

[00:51:29] aí quem assume lá são os caras do

[00:51:31] HTC lá, né, o Hayat Ar-Hir

[00:51:33] Halicham, HTS, né,

[00:51:35] o Hayat Ar-Hir Halicham, que era

[00:51:37] um grupo lá que era da Al-Qaeda,

[00:51:39] né, não tem como falar de outra maneira, era um grupo da Al-Qaeda

[00:51:41] que agora tem a confiança

[00:51:43] dos Estados Unidos, é muito difícil, realmente,

[00:51:45] assim, ter a confiança dos Estados Unidos,

[00:51:47] e que tá lá dizendo

[00:51:49] que os direitos das mulheres vão ser

[00:51:51] respeitados, né, que as minorias, não,

[00:51:53] não tem espaço, jamais, mas imagina

[00:51:55] se a gente perseguiria alguma minoria

[00:51:57] religiosa, alguma minoria,

[00:51:59] porra, de qualquer coisa,

[00:52:01] jamais, jamais faríamos isso,

[00:52:03] é óbvio que vai dar problema, é óbvio

[00:52:05] que vai dar problema, então, a Síria

[00:52:07] é um país que tá passando por uma série

[00:52:08] de acomodações, pra não

[00:52:11] falar sobre a acomodação maior,

[00:52:13] que aí não é uma acomodação, é uma

[00:52:14] uma escolha muito importante que tem que ser

[00:52:16] feita,

[00:52:17] que tá nas mãos de Donald Trump, que é o que vai ser

[00:52:19] de Gaza, ele tá montando esse conselho

[00:52:21] de Gaza aí, eu não sei

[00:52:22] se vocês confiariam muito não, tá,

[00:52:24] porra, Gaza,

[00:52:26] o Trump, é ele que vai decidir sobre Gaza,

[00:52:29] como é que vai ser, então ele colocou lá o

[00:52:30] Tony Blair, aí convidou Lula,

[00:52:33] aí convida o Netanyahu, aí convida o Putin,

[00:52:35] essa galera toda tá lá, discutindo

[00:52:36] o que vai ser de Gaza daqui pra frente, e aí

[00:52:38] diz que cada um quiser ter um

[00:52:41] assento permanente, tem que pagar um bilhão

[00:52:42] de dólares pra poder

[00:52:44] tá lá, é quase um

[00:52:46] meet and greet, né, assim, você

[00:52:48] tá convidado aqui, você paga um bilhãozinho

[00:52:50] aí você fica permanente, então tem

[00:52:52] muita coisa acontecendo, mas são

[00:52:54] as acomodações que a gente vai ter

[00:52:56] aqui pra frente, e o importante que eu quero deixar

[00:52:58] claro aqui, é quando eu falo aqui a acomodação,

[00:53:01] eu não tô querendo dizer que isso vai levar

[00:53:02] mudanças menores, podem ser mudanças muito

[00:53:04] grandes, mas a partir de

[00:53:06] uma mudança estrutural na região

[00:53:08] que já está em curso, não há

[00:53:10] mudança que vai começar, agora vai começar a questão,

[00:53:12] não, isso tudo já passou

[00:53:14] por mudanças muito grandes, a gente tem que ver como é

[00:53:16] que isso tudo vai se acomodar, e aí você tem

[00:53:18] todos os problemas que isso pode acarretar junto,

[00:53:20] por exemplo, o Líbano,

[00:53:22] o que vai ser do Líbano daqui pra frente, assim,

[00:53:24] o Hezbollah volta a ser uma força

[00:53:26] importante, nesse ponto tá enfraquecido,

[00:53:28] volta a ser uma força importante, o Irã

[00:53:30] consegue apoiar o Hezbollah?

[00:53:32] O Hezbollah sempre dependeu muito do Irã,

[00:53:34] o Hamas sempre dependeu muito do Irã,

[00:53:36] vai continuar apoiando?

[00:53:38] Não me parece que consiga apoiar da mesma maneira

[00:53:40] que antes, Afeganistão,

[00:53:42] como é que tá a situação no Afeganistão? Afeganistão

[00:53:44] outro dia tava com problemas

[00:53:46] isso também, com outros vizinhos,

[00:53:48] então tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo,

[00:53:50] e me parece que a gente vai ter que ter um vira-casaques

[00:53:52] no início de 2027, pra conseguir

[00:53:54] comentar tudo que vai acontecer ao longo

[00:53:56] desse ano, que eu tenho certeza que vai ser bastante coisa.

[00:53:58] Que felicidade, Gabriel de Vé,

[00:54:00] que felicidade. Pois é,

[00:54:02] tem uma coisa aqui, sobre a qual a gente

[00:54:04] ainda não falou, tem um camarada aí

[00:54:06] que a gente ainda não falou,

[00:54:08] em que pese os assuntos circularam

[00:54:10] ali, literalmente pelo lado dele,

[00:54:13] eu tô falando do Gustavo Petro,

[00:54:14] presidente da Colômbia, que deu

[00:54:16] uma série de declarações inflamadas,

[00:54:18] eu assinaria embaixo

[00:54:20] das declarações dele,

[00:54:22] mas dias passados das declarações

[00:54:25] a respeito da questão do sequestro

[00:54:27] do Maduro pelas tropas americanas,

[00:54:29] anunciou-se que ele ia

[00:54:30] telefonar pro Trump, eles iam fazer um encontro,

[00:54:33] e disseram que a conversa foi muito

[00:54:34] positiva, aí tem gente que

[00:54:36] corre pra dizer assim, ó, não podia ter

[00:54:38] se ajoelhado pra esse patife,

[00:54:40] ou coisa parecida, e é uma coisa que

[00:54:42] volta agora, nesses últimos

[00:54:45] dias, quando houve o convite para o

[00:54:46] Conselho de Paz, que já largou

[00:54:49] uma galera na frente, né, botou a carroça na frente

[00:54:51] dos bois, e saiu dizendo assim, ó,

[00:54:52] Lula não tem que aceitar jamais

[00:54:54] se sentar ao lado desses cretinos

[00:54:56] e tudo mais, olha,

[00:54:59] Tanguito, vai me ajudar a construir uma

[00:55:00] opinião melhor, tá? Assim, me parece

[00:55:03] que esse é um conselho

[00:55:04] bravata, é que nem conselho

[00:55:06] do tipo Prêmio Nobel,

[00:55:09] né, Medalha do Nobel, coisa

[00:55:10] parecida, quem quiser estar no conselho aqui

[00:55:13] tem que pagar e tem que concordar comigo,

[00:55:15] se não quiser eu vou taxar, é um

[00:55:16] conselhinho meio, né, furreco,

[00:55:19] né, nesse sentido. Agora,

[00:55:22] Lula se reúne

[00:55:23] com o Trump, inclusive,

[00:55:25] me parece que um dos grandes trunfos,

[00:55:27] né, do ano passado, foi

[00:55:28] essa questão de rever

[00:55:30] a questão das tarifas e uma série de

[00:55:32] outras coisas, né, pra não parecer que é

[00:55:35] família Bolsonaro dando cartas,

[00:55:37] Lula se reuniu com o Trump, né,

[00:55:38] e Trump tece elogios e diz, não,

[00:55:41] esse é um cara muito interessante, gosto

[00:55:42] de falar com ele e tudo mais, e aí tem

[00:55:45] que ficar decepcionado, né,

[00:55:47] o que que tu tem pra nos dizer sobre

[00:55:49] isso, porque tem, um, relações

[00:55:50] institucionais entre presidentes de países

[00:55:52] de economias grandes, de populações

[00:55:55] grandes, tem relações internacionais

[00:55:57] no sentido, né,

[00:55:59] relações internacionais e ponto, né,

[00:56:01] existe toda essa coisa, né, você não faz o que

[00:56:03] ele faz, de ficar debochando os outros e tudo mais,

[00:56:05] a gente aqui no Vira Casacas

[00:56:07] comemorou o fato de que

[00:56:09] Lula não foi se reunir com

[00:56:11] Trump lá naquela sessão de

[00:56:12] roast, né, de stand-up que rola no

[00:56:14] Salão Oval, ao contrário, conversaram

[00:56:17] que nem gente grande, né, pelo que parece,

[00:56:19] e agora tem essa história aí, quer dizer,

[00:56:22] compor um

[00:56:22] conselho como esse, que parece

[00:56:24] um conselho simplesmente pra carimbar

[00:56:27] as maluquices do outro lá,

[00:56:28] não acho legal, agora,

[00:56:31] não dá pra simplesmente

[00:56:33] resolver as questões assim, né,

[00:56:34] Petro não tinha que ter nem falado, Lula

[00:56:36] não tem nem que responder, não me parece, né.

[00:56:39] Então, quando

[00:56:40] começou a rolar essa questão de

[00:56:43] o Brasil tá sendo tarifado,

[00:56:44] como é que vai ser,

[00:56:46] vai ter contato e tal, eu falei

[00:56:48] lá atrás, eu consigo imaginar

[00:56:50] perfeitamente

[00:56:52] Lula e Trump se encontrando.

[00:56:55] Mas perfeitamente, porque

[00:56:56] isso é a cara do Lula, isso é a cara do Trump.

[00:56:59] Assim, uma coisa que sempre

[00:57:00] veio à cabeça ao longo desse período todo é

[00:57:02] até hoje, né, desde

[00:57:04] a década de 1940, só um

[00:57:06] presidente americano esteve na Coreia do Norte.

[00:57:09] Só um.

[00:57:11] Donald Trump.

[00:57:12] Ele gosta

[00:57:13] dessa ideia de que,

[00:57:14] que ele tá fazendo contato com

[00:57:16] pessoas improváveis.

[00:57:18] É improvável que ele se encontre com

[00:57:20] o Kim Jong-un. Ele encontrou o Kim Jong-un três vezes

[00:57:22] no seu primeiro mandato. Três

[00:57:25] vezes, não foi uma só, não. Três vezes.

[00:57:26] Ele entrou, ele passou da fronteira

[00:57:29] ali a pé, ele tava na Coreia do Sul,

[00:57:31] chegou na fronteira ali, o Kim Jong-un

[00:57:33] veio, ele passou pro lado da Coreia do Norte.

[00:57:35] A ideia do

[00:57:36] Trump conversar com o Lula e dizer

[00:57:38] tá vendo aí, mais um que veio falar

[00:57:40] comigo e tal. E o Lula

[00:57:42] também. O Lula,

[00:57:44] gente, foi, se disse,

[00:57:46] amigo pessoal de George W. Bush.

[00:57:50] George W. Bush.

[00:57:51] Ah não, é meu amigo pessoal. Fizeram

[00:57:52] competição de churrasco. Qual o melhor churrasco?

[00:57:54] O americano, o brasileiro e tal, se encontraram lá

[00:57:56] no rancho presidencial lá dos

[00:57:58] Estados Unidos, lá de Camp Day, pra fazer

[00:58:00] competição de churrasco. Qual era o melhor?

[00:58:02] O que é melhor? O bourbon americano ou a cachaça

[00:58:04] brasileira? Isso é o Lula purinho.

[00:58:07] Isso é a cara do Lula. É claro

[00:58:09] que ele ia se encontrar. É óbvio que ele ia se

[00:58:10] encontrar. E os dois ali vão conversar.

[00:58:12] São dois caras muito bons de resenha.

[00:58:15] Muito do feeling

[00:58:16] ali. O Trump

[00:58:18] também tem muito isso. O Trump não tem muita

[00:58:20] categoria. Não, esse eu gosto, esse eu não gosto.

[00:58:23] Se ele encontrar com o cara, o cara gostou,

[00:58:25] fez uma elogia a ele, falou

[00:58:27] e tal, o Trump vai embarcar.

[00:58:29] É claro que vai embarcar.

[00:58:30] Então foi isso que aconteceu lá naquela Assembleia Geral

[00:58:32] que o Lula

[00:58:34] tava falando, o Trump gostou

[00:58:36] do que ele tava falando, gostou do jeito dele,

[00:58:38] que ele não tava abaixando a cabeça. Isso é uma coisa que

[00:58:40] aliás o Trump respeita muito.

[00:58:42] Gente que abaixa a cabeça, o Trump detesta.

[00:58:44] Isso não é de hoje não, tá gente? Você que pega lá

[00:58:46] o livro dele lá de 87,

[00:58:48] ele fala sobre isso. O desprezo, puxa

[00:58:50] saco, o desprezo, gente que

[00:58:52] fica pedindo desculpa e tal.

[00:58:55] Então no momento em que o Lula tava fazendo o discurso

[00:58:56] lá na Assembleia Geral da ONU e disse

[00:58:58] não vamos abaixar a cabeça, que se foda

[00:59:00] vocês. Porra, eu quero que se dane

[00:59:03] Estados Unidos. Não é assim que a banda

[00:59:04] toca não, sem nunca acertar os Estados Unidos.

[00:59:07] O Trump gostou. Os dois se encontraram

[00:59:09] ali nos bastidores e o Trump

[00:59:10] sai falando bem.

[00:59:13] Falando bem do Lula. E aí o que

[00:59:14] eu mais me diverti foi a galera bolsonarista

[00:59:16] aqui no Brasil falando assim, colocou o Lula

[00:59:18] em maus lençóis. Agora

[00:59:20] eu quero ver como é que o Brasil vai

[00:59:22] reagir, esse governo vai cair.

[00:59:25] O Trump é um gênio. Ele é um

[00:59:26] arquiteto. Ele, pô, tá planejando

[00:59:29] já e colocou o Lula

[00:59:30] em péssimos lençóis e tal.

[00:59:32] E os dois foram lá e se encontraram na Malásia lá

[00:59:34] e a coisa tem como acontecer.

[00:59:37] Então assim, a avaliação sobre se o Lula

[00:59:39] vai ou não participar desse conselho

[00:59:40] tá acontecendo nesse momento.

[00:59:42] Agora isso tá sendo

[00:59:44] debatido. Me parece que

[00:59:46] mais do que não tem

[00:59:48] saída boa, me parece

[00:59:50] que a gente também pode inverter a coisa e

[00:59:52] as duas saídas podem ser boas. Você participar

[00:59:55] te cacifa

[00:59:57] também. Você vai

[00:59:59] ter voz. Você vai tá lá. Você não precisa

[01:00:00] aceitar tudo que os Estados Unidos querem. Você vai

[01:00:02] ter que ter cuidado. O Trump é um cara que

[01:00:04] é muito personalista,

[01:00:06] um ego gigantesco. Então se você quiser discordar

[01:00:09] você vai ter que fazer isso

[01:00:11] ponderando quais são as

[01:00:12] consequências que isso vai trazer e tal.

[01:00:14] Aceitar tudo. Assim como não participar

[01:00:16] também pode ser um

[01:00:18] recado importante. Então eu tô curioso

[01:00:20] pra saber qual vai ser a decisão que o Brasil vai tomar.

[01:00:22] Claro que eles têm mais informações do que a gente tem.

[01:00:25] Mas eu acho que

[01:00:26] mais do que ir e qualquer solução é ruim

[01:00:28] também pode ter uma que é

[01:00:30] as duas soluções têm lá suas vitórias.

[01:00:32] Você consegue cantar vitória em qualquer uma das duas

[01:00:34] e política tem muito disso.

[01:00:36] Quanto que você consegue cantar

[01:00:38] uma vitória. Aliás, quem faz isso perfeitamente

[01:00:40] é o Trump. O Trump tem uma lógica que é

[01:00:42] nunca contar

[01:00:44] derrota. Você canta vitória. Qualquer coisa.

[01:00:46] O tempo todo. 100% do tempo.

[01:00:48] Você conta vitória o tempo todo

[01:00:50] porque a sua imagem ela melhora. Você passa a ter

[01:00:52] mais confiança. As pessoas acreditam que você

[01:00:54] de fato é um vencedor. Então

[01:00:55] eu acho que o Brasil pode usar um pouco essa lógica também.

[01:00:58] Fazer parte vai ser bom.

[01:01:00] Não fazer parte também é um recado importante que o Brasil pode passar.

[01:01:03] Agora, Tanguy,

[01:01:05] eu vou puxar

[01:01:06] duas coisas aqui. Primeiro,

[01:01:09] disso que tu tá falando

[01:01:10] da capacidade do Lula

[01:01:12] de pegar e conversar com

[01:01:14] todo mundo, né?

[01:01:15] Tem essa capacidade

[01:01:17] política mesmo, né? Raiz. Aquela que a gente

[01:01:20] sente falta e coisa assim.

[01:01:22] Primeiro, então, tu acha que uma

[01:01:24] parte do Trump largou a

[01:01:26] mãozinha dos bolsonaros foi exatamente

[01:01:28] porque ele viu fraqueza, né?

[01:01:30] Por causa que todo aquele papo de coitadismo

[01:01:32] aquilo nunca me pegou

[01:01:34] muito bem, assim, do tipo, ah, o Trump

[01:01:36] vai ficar com pena. O Trump não tem pena.

[01:01:38] O Trump, ele tem essa questão

[01:01:39] do vitorioso, de quem

[01:01:42] tá falando alto

[01:01:44] e, claro, de quem puxa muito o saco dele.

[01:01:46] Ele tem pavor de qualquer um que não fique

[01:01:48] falando que ele é a melhor coisa desde o pão fatiado.

[01:01:50] E segundo, puxando então pra

[01:01:52] esse, né, nosso lado aqui,

[01:01:54] queria que tu falasse um pouquinho mais

[01:01:56] sobre esse acordo do Mercosul

[01:01:58] com a União Europeia, sabe?

[01:02:00] Tem

[01:02:01] elementos pra dar bom pra gente?

[01:02:04] É só, né? Porque eu acho engraçado

[01:02:06] que às vezes o cara liga a televisão e diz

[01:02:07] azeite de oliva e queijo vai ficar mais barato.

[01:02:10] Eu digo, tá, muito bom,

[01:02:12] fico feliz com isso aí, né? Mas não

[01:02:14] deve ter sido um acordo que tá sendo negociado

[01:02:16] há, sei lá, quantos anos,

[01:02:18] há 10 anos que tá sendo negociado o negócio

[01:02:20] pra dizer assim, ó, sabe o que que falta,

[01:02:22] cara? Azeite de oliva e queijo.

[01:02:23] Essa vai ser a nossa vitória.

[01:02:25] Então, a primeira coisa que você perguntou sobre os

[01:02:28] Bolsonaro, né? Eu tenho

[01:02:30] a impressão que o Trump caga

[01:02:32] baldes, mas baldes

[01:02:34] pra esses caras.

[01:02:35] Que assim, ele nem sabe muito bem quem são.

[01:02:38] Sabe quem são. Então, o Eduardo

[01:02:39] Bolsonaro tentou passar a ideia de que

[01:02:41] ele tava lá controlando a narrativa,

[01:02:44] que ele tinha acesso lá

[01:02:45] à Casa Branca, ao Salão Oval,

[01:02:48] à Aloeste lá da Casa Branca,

[01:02:50] que as coisas não aconteciam sem ele falar

[01:02:52] e tal. Que é uma tentativa meio

[01:02:54] desesperada, né? Era o que

[01:02:56] ele tinha, não tem mais nada. Ele não tá no governo.

[01:02:59] Ele tem um governo

[01:03:00] brasileiro que tá se aproximando do governo americano,

[01:03:02] tá tentando reduzir danos e tudo.

[01:03:04] E fica tentando apostar que se alguma coisa

[01:03:06] der errado, ele vai poder dizer que foi ele. Mas eu tenho

[01:03:07] a impressão que o Trump nem liga pra ele.

[01:03:10] Me parece que a lógica do Trump é

[01:03:12] esse aí é quem mesmo?

[01:03:13] Não, é o filho daquele outro presidente.

[01:03:16] É aquele que tá preso.

[01:03:17] É aquele que não tá mais aí

[01:03:19] que dane-se. É, é esse.

[01:03:22] Que não vai poder disputar a eleição.

[01:03:23] É esse. Ah, tá bom.

[01:03:26] Beleza. Então, assim, a impressão

[01:03:28] que eu tenho é que o Trump, ele…

[01:03:29] Do lado de cá, claro que a gente olha

[01:03:31] muito pro Eduardo Bolsonaro,

[01:03:33] pro Flávio Bolsonaro, pro Nicolas

[01:03:35] e tal. Esses caras… Pro Figueiredo

[01:03:37] e tal. Claro que esses caras, eles

[01:03:39] fazem parte do nosso cotidiano, do que a gente

[01:03:41] acompanha, do que a gente sabe, do que a gente lê.

[01:03:43] Do que a gente

[01:03:44] se contrapõe.

[01:03:47] Mas me parece que quando você olha lá

[01:03:49] pros Estados Unidos, a própria fala

[01:03:51] do Trump lá, que aliás o pessoal

[01:03:53] do Medo Delírio no Brasil,

[01:03:55] um beijo pra eles, amo de paixão,

[01:03:57] coloca lá, assim,

[01:03:59] não é meu amigo, é apenas uma pessoa que eu conheço.

[01:04:01] É isso, assim. A visão

[01:04:03] que ele tem do Bolsonaro é essa.

[01:04:05] É só alguém que eu conheço. Sei lá quem é.

[01:04:07] Não me interessa muito.

[01:04:09] Então, essa é a minha visão sobre

[01:04:10] essa galera e influência que eles têm

[01:04:12] lá na…

[01:04:13] na Casa Branca, que eu acho que é muito próxima

[01:04:15] de zero. E sobre esse acordo,

[01:04:17] você foi muito bondoso quando você falou que

[01:04:19] esse acordo tá sendo negociado há 10 anos. Esse acordo

[01:04:21] começou a ser negociado em 1999.

[01:04:23] Eu sei que às vezes parece que a gente tá em 2010, né?

[01:04:25] Mas não, a gente tá em 2026, tem 27 anos.

[01:04:28] Ontem teve

[01:04:29] o 11 de setembro, cara.

[01:04:30] Foi isso, foi isso. Faz 10 anos.

[01:04:32] Então, nesse sentido, faz 10 anos. É mais ou menos 10 anos.

[01:04:35] Então, começou em 99, 10 anos pra 2026.

[01:04:37] É isso. Mas tá sendo negociado

[01:04:39] esse tempo todo. O Trump,

[01:04:41] ele tá doido pra ganhar o Prêmio Nobel da Paz.

[01:04:43] E eu acho que ele merece

[01:04:45] o Prêmio Nobel da Paz. Porque

[01:04:47] ele é capaz de fazer

[01:04:49] tanta gente que se odiava

[01:04:51] passar a ser amigo.

[01:04:53] Que é um negócio impressionante. Tá todo mundo olhando

[01:04:55] pro Trump falando assim, cara, fudeu.

[01:04:57] Como é que vai ser agora? Os Estados Unidos

[01:04:59] tão taxando todo mundo.

[01:05:01] A gente vai precisar se aproximar.

[01:05:03] Então, essas coisas que pareciam diferenças

[01:05:05] incontornáveis,

[01:05:08] elas passam a ser, não, mas

[01:05:09] é só isso, vamos resolver. Aí você tem

[01:05:11] lá uma cena maravilhosa.

[01:05:13] A primeira ministra do Japão

[01:05:15] tocando bateria com o primeiro-ministro da

[01:05:17] Coreia do Sul. Os caras se odeiam.

[01:05:19] Os caras se odiaram.

[01:05:21] Japão e Coreia do Sul, os caras tão tocando bateria

[01:05:23] junto. Tão tocando, aliás, Guerreiros do K-Pop.

[01:05:25] Porra, vocês não têm

[01:05:27] filho pequeno. Tem uma filha de 10 anos.

[01:05:30] Loucura completa, né?

[01:05:31] Tocando lá Guerreiros do K-Pop, né?

[01:05:34] Você tem

[01:05:35] países que até pouco tempo

[01:05:36] não queriam conversa um com o outro. E que agora

[01:05:39] tão começando a, é, tô achando

[01:05:41] melhor a gente dialogar.

[01:05:42] Então, esse acordo entre

[01:05:44] Mercosul e União Europeia,

[01:05:47] ele pode trazer, sim,

[01:05:48] consequências positivas pro Brasil,

[01:05:51] principalmente porque abre um mercado

[01:05:52] importante no Brasil. Um mercado que, hoje,

[01:05:55] o Brasil tem muito nos Estados Unidos.

[01:05:57] Agora, de novo, gente, dá pra

[01:05:58] confiar no mercado americano?

[01:06:00] Não dá. Não dá pra você saber, porque

[01:06:02] hoje a tarifa já é alta, o Brasil

[01:06:04] já diminuiu muito. Se pegar os dados de 2025,

[01:06:07] as exportações brasileiras

[01:06:08] pros Estados Unidos já diminuíram bastante.

[01:06:11] E os Estados Unidos são o segundo maior

[01:06:12] parceiro comercial do Brasil. Você precisa substituir

[01:06:14] o segundo maior parceiro comercial do Brasil.

[01:06:17] Por que você faz isso? Como é que você substitui?

[01:06:19] Você vai vender mais pra Argentina, que já tá na Mercosul?

[01:06:22] Tem espaço pra vender

[01:06:23] mais pra Argentina? Já tem livre comércio com a Argentina

[01:06:25] sei lá quanto tempo.

[01:06:26] Você vai vender mais pra China? Pô, a China já

[01:06:29] compra do Brasil uma quantidade

[01:06:30] inacreditável. É difícil você aumentar mais

[01:06:33] quando você já tá no teto, assim.

[01:06:35] A China faz, assim, de comércio com o Brasil

[01:06:37] sei lá, 160 bilhões

[01:06:39] de dólares por ano. O Brasil tem um superávit

[01:06:41] grande com a China. É difícil,

[01:06:42] se exportar ainda mais. Então,

[01:06:45] há uma necessidade de abrir mercados.

[01:06:47] Claro que há uma necessidade de abrir mercados.

[01:06:49] E a Europa, particularmente,

[01:06:50] vai precisar muito disso. A Europa

[01:06:52] tá vendo agora. Me parece que a Europa

[01:06:54] tá falando assim, porra, acho que eu perdi tempo demais

[01:06:56] confiando só nos Estados Unidos

[01:06:58] e eu preciso fazer esse acordo sair.

[01:07:00] E me impressiona muito que a Europa

[01:07:02] ela tenha travado esse acordo durante

[01:07:04] tanto tempo por conta da pressão

[01:07:06] de agricultores franceses.

[01:07:09] São os agricultores franceses que estão colocando

[01:07:10] grande entrave. Eu fui dar uma olhada.

[01:07:12] Agricultura na França responde por menos de

[01:07:14] 2% do PIB. Eu falei 12,

[01:07:16] eu não falei 12, eu não falei 20.

[01:07:18] 2, 2, menos de 2.

[01:07:20] Deve estar na casa de 1,7% do PIB.

[01:07:22] Mas é uma questão cultural, né?

[01:07:24] Você tem uma

[01:07:25] questão até sentimental, histórica.

[01:07:29] Você tem uma questão pragmática

[01:07:30] que é a da autossuficiência alimentar e tal.

[01:07:32] Só que a partir do momento que você assina um acordo

[01:07:34] com o Mercosul, a autossuficiência alimentar

[01:07:36] tá mais garantida, não menos garantida.

[01:07:39] Então, você vai ter

[01:07:40] um escoamento maior de produtos,

[01:07:42] de produtos brasileiros pra Europa.

[01:07:44] Então, quem vai se dar bem nisso vai ser o agro.

[01:07:47] Essa galera que odeia o Lula e tal,

[01:07:48] mas que vai se dar bem, vai vender mais.

[01:07:50] Vai ser mais dinheiro entrando no Brasil.

[01:07:52] Acho bom, acho importante

[01:07:54] que a Europa esteja cobrando padrões

[01:07:56] ambientais mais elevados

[01:07:58] do Brasil. Essa é uma parte boa.

[01:08:00] O Brasil reclama, pô, mas eles ficam cobrando

[01:08:02] questões ambientais e lá eles não se preocupam tanto assim

[01:08:04] e querem que a gente se preocupe.

[01:08:06] Que bom, tomara que coloquem isso aí no papel

[01:08:08] porque os agricultores brasileiros,

[01:08:10] o agrobusiness brasileiro vai vender mais.

[01:08:12] É bom que eles tenham uma travinha ali

[01:08:14] pra não sair plantando ainda

[01:08:16] mais soja, porra, ainda mais

[01:08:18] pasto e tal, porque senão

[01:08:20] as consequências do Brasil podem ser

[01:08:22] grandes, mas

[01:08:24] no cenário atual

[01:08:25] é um acordo que vejo com meus olhos.

[01:08:28] Pode ter seus problemas aqui, acolá, claro que pode ter,

[01:08:30] mas é um acordo que, dado o fato

[01:08:32] de que a gente precisa substituir o segundo

[01:08:34] maior parceiro comercial do Brasil, o segundo maior mercado

[01:08:36] consumidor de produtos brasileiros,

[01:08:38] o Brasil vai precisar.

[01:08:40] E a Europa daqui a pouco vai assinar um acordo com a Índia, por exemplo.

[01:08:42] Vai ter que assinar. Ah, mas eu não quero

[01:08:44] que a Índia, não sei o que, não respeita

[01:08:46] padrões ambientais. É uma oportunidade,

[01:08:48] pressiona lá a Índia, eu quero padrões

[01:08:50] ambientais pra serem seguidos.

[01:08:52] Os produtos indianos vão entrar no mercado

[01:08:54] europeu, vai ajudar, vai

[01:08:56] movimentar. A Europa tá precisando

[01:08:58] também sair desse espaço,

[01:09:00] um certo conforto. Não, tá tudo bem, tá tudo

[01:09:02] garantido, a gente já é rico, porque

[01:09:04] a situação pra Europa tá muito

[01:09:06] difícil e o Brasil é

[01:09:08] um país que faz muito pouco comércio internacional.

[01:09:10] O Brasil é um país muito isolado em termos

[01:09:12] comerciais, então

[01:09:13] não acho que vai ser de todo ruim, não.

[01:09:16] Acho que pode ter pontos bastante positivos

[01:09:18] em termos de reconfiguração

[01:09:21] da posição brasileira no mundo.

[01:09:23] Muito bom. Gabriel

[01:09:24] de Vona? Qualquer hora eu vou criar

[01:09:26] um podcast paralelo que o nome vai ser

[01:09:28] Abujamra. Aí eu vou chamar os convidados

[01:09:30] e vou fazer só umas perguntas assim.

[01:09:32] Tangui Bagdadi, bomba atômica,

[01:09:35] sim ou não?

[01:09:36] Tô brincando. Meu Deus. Tô brincando.

[01:09:38] Você me avisa antes que eu vou ter um

[01:09:40] compromisso. Nesse dia eu vou ter um compromisso.

[01:09:42] Que é a vida. Não.

[01:09:45] Mas assim,

[01:09:47] a gente já tá se encaminhando pro nosso final,

[01:09:49] né? E isso aqui abriria um leque muito

[01:09:51] grande, que talvez ia permear

[01:09:53] uma conversa pra outro podcast,

[01:09:54] até pro Tangui não ficar tanto tempo mais

[01:09:56] sem aparecer, sem dar as caras aqui.

[01:09:59] Mas esse acordo

[01:10:00] ele faz com que…

[01:10:02] Não digo que ele faça com que,

[01:10:05] mas ele termina

[01:10:07] um ciclo onde a gente tem

[01:10:09] gradativamente parado de falar

[01:10:11] em altíssima rotação de BRICS, né?

[01:10:13] Que, nossa, tava…

[01:10:15] Ano passado, por exemplo,

[01:10:16] parecia basicamente engatilhado

[01:10:19] ali. Era disso que se falava.

[01:10:21] Ampliação do bloco, né?

[01:10:23] O Trump fazendo medidas que

[01:10:24] minavam vários integrantes do bloco,

[01:10:27] no que não dá pra negar também, né?

[01:10:29] Há uma certa tentativa de enfraquecimento.

[01:10:30] Agora, a gente tá vibrando com o acordo

[01:10:33] Mercosul-Europa e tudo mais

[01:10:35] e aí eu não sei.

[01:10:37] Não sei se é a minha impressão ou não.

[01:10:38] Parou-se de falar um pouco, né?

[01:10:41] A questão também de…

[01:10:42] O certo desconforto com a situação Rússia.

[01:10:45] Ninguém sabe exatamente o que vai acontecer, né?

[01:10:47] Enfim, a gente não vai começar

[01:10:49] agora a falar de BRICS, mas

[01:10:51] tu também sente que, né?

[01:10:53] Parece que deu uma arrefecida, assim,

[01:10:55] porque ano passado era a Lula, inclusive,

[01:10:57] botando manguinhas de fora, né?

[01:10:59] O ousado chegou, né?

[01:11:01] O cara aparece e diz assim, tem que ter a moeda dos BRICS

[01:11:03] e tem que acabar a dolarização.

[01:11:05] Depois não se falou mais, né?

[01:11:07] Talvez pra não acirrar mais os ânimos

[01:11:08] em questão dessa coisa do tarifado,

[01:11:11] né? Que foi bem conduzida, mas

[01:11:12] eu não sei, me parece que

[01:11:14] saiu um pouco de moda, né?

[01:11:16] Tava no hit, tava no número um lá das paradas

[01:11:19] e agora deu uma caída, né? Ou não?

[01:11:21] Eu acho, Divan, que

[01:11:23] não é definitivo isso, tá?

[01:11:25] Me parece que os BRICS, eles continuam na pauta

[01:11:27] aí, mas se você reparar

[01:11:29] a gente passou a ter

[01:11:30] uma pauta internacional

[01:11:33] muito mais voltada pro Ocidente.

[01:11:35] A gente tá falando sobre Europa, a gente tá falando sobre Groenlândia.

[01:11:37] Tem se falado menos sobre China,

[01:11:39] menos sobre Rússia. Aliás, você deve ter

[01:11:41] reparado, provavelmente, que a China e a Rússia estão

[01:11:43] quietinhas, né? Quanto tempo você não

[01:11:45] ouve falar de China e Rússia? Por quê? Você é quem falou muito

[01:11:47] bem, foi o Daniel Souza, né? Meu parceiro

[01:11:49] lá no Petit Jornal,

[01:11:51] que ele disse foi, não interrompa

[01:11:53] o seu inimigo quando ele está cometendo um erro.

[01:11:55] Então, na hora que os Estados Unidos

[01:11:56] estão caçando briga com os aliados,

[01:11:59] não é aliadinho,

[01:12:00] é aliadaço deles, né? Canadá,

[01:12:03] Reino Unido. Pô, o Reino Unido tá entrando no rock

[01:12:05] aí, né? Tá zonzinho.

[01:12:07] O Reino Unido tá meio sem saber

[01:12:08] o que fazer, né? Não, peraí,

[01:12:11] não quero brigar com eles, mas eles estão fodendo a gente,

[01:12:13] estão colocando tarifa, como é que vai ser

[01:12:15] e tal. Então, no momento em que isso tá acontecendo,

[01:12:18] tanto a China quanto a Rússia

[01:12:19] fizeram pipoquinha

[01:12:21] e estão assistindo.

[01:12:22] Deixa o pau quebrar, deixa eles fazerem

[01:12:25] o trabalho lá que a gente tá tentando fazer um tempão

[01:12:27] e que tá sendo devagar,

[01:12:29] né? Mas esse cara é capaz

[01:12:31] de fazer isso muito rapidamente.

[01:12:33] Então, não me parece que os BRICS

[01:12:34] eles tenham desaparecido, não.

[01:12:36] Eu acho que os BRICS eles continuam aí e tudo.

[01:12:39] Inclusive, mais

[01:12:40] do que isso, eu acho que o cenário

[01:12:42] internacional que a gente tem hoje, ele é um

[01:12:44] cenário que demoliu

[01:12:46] a maneira pela qual a gente conhecia

[01:12:48] a estrutura internacional, né? A estrutura

[01:12:50] que a gente conhecia era Estados Unidos

[01:12:52] são aliados do Canadá e dos europeus,

[01:12:55] eles falam sobre questões

[01:12:56] liberais, eles fazem intervenções

[01:12:58] mundo afora, a Rússia

[01:13:00] tem ali sua questão da zona de influência,

[01:13:02] você tem a China produzindo loucamente

[01:13:04] e vendendo pro mundo todo e a América

[01:13:06] Latina tá ali meio tentando sobreviver,

[01:13:08] meio que tentando se posicionar e tal.

[01:13:10] A gente conhecia essa estrutura, essa estrutura

[01:13:12] era familiar pra gente.

[01:13:14] Quando essa estrutura, ela começa a mudar

[01:13:15] completamente, e é isso que a gente

[01:13:18] tá vendo a olhos vistos

[01:13:20] o tempo todo diante da gente,

[01:13:22] novas iniciativas elas são

[01:13:24] mais prováveis. É um mundo mais incerto,

[01:13:27] mas é um mundo também que

[01:13:28] traz mais oportunidades. Então, os BRICS, por exemplo,

[01:13:30] eles são oportunidades, os BRICS eles são uma

[01:13:32] enorme possibilidade. Então, não me

[01:13:34] parece que tenha sumido,

[01:13:36] é porque a gente tá sendo meio tapeado

[01:13:38] pela noção de tempo, né?

[01:13:40] A cúpula dos BRICS que aconteceu aqui no Rio

[01:13:42] e que foi exatamente quando se falou

[01:13:44] sobre desdolarização e que o Trump

[01:13:46] enlouqueceu, aí mandou cartinha pro Brasil

[01:13:48] falando de Bolsonaro, falando dos 50%

[01:13:50] de tarifa e tudo, aquilo parece que tem

[01:13:52] seis anos, né? Mas isso foi

[01:13:54] no segundo semestre do ano passado, gente.

[01:13:56] Foi no segundo semestre do ano passado, não faz tanto tempo

[01:13:58] assim, não. Então, me parece que o

[01:14:00] tema BRICS ainda volta, só que

[01:14:02] tanto Rússia quanto China estão esperando

[01:14:04] o Trump fazer o trabalho todo, né? Acabar

[01:14:06] logo com essa unidade europeia, com essa unidade

[01:14:08] perdão, ocidental.

[01:14:10] Pra poderem voltar a falar, mas

[01:14:11] não acho que a gente vai

[01:14:13] parar de falar sobre BRICS, não. Eles vão acabar

[01:14:16] voltando aí. Vão acabar voltando

[01:14:18] assim, Felipe Abal,

[01:14:20] como o Tanguy vai acabar voltando, logo

[01:14:22] em breve, né? Enfim,

[01:14:24] enfim, eu acho

[01:14:26] que é um bom momento pra gente

[01:14:28] sair por cima aqui e chamar,

[01:14:30] sabe o quê? Dicas culturais!

[01:14:32] Sim! Aquele momento

[01:14:34] em que o nosso convidado fica um pouquinho

[01:14:36] mais aqui, o programa não acabou,

[01:14:38] mas agora a gente, né,

[01:14:40] a gente relaxa um pouco, né?

[01:14:42] A gente consegue respirar um pouquinho,

[01:14:45] vamos lá pra passar

[01:14:46] o momento em que a gente

[01:14:47] deixa com os nossos ouvintes aí

[01:14:50] alguma coisa que a gente queira recomendar,

[01:14:52] vale qualquer coisa de

[01:14:53] joguinho, passando por peça de teatro,

[01:14:56] chegando a livro, filme, revista, artigo,

[01:14:58] site, podcast, ou

[01:15:00] qualquer elemento que sirva para

[01:15:02] talvez desgraçar mais

[01:15:04] a cabeça de alguém, né?

[01:15:06] Ou talvez desligar geral o cérebro,

[01:15:08] ponto morto, né? Deixar ela

[01:15:10] de maneira… Felipe Abau, o que que nós

[01:15:12] temos de dica essa semana? Eu vou dar uma dica

[01:15:13] exatamente pro pessoal poder

[01:15:16] deixar o cérebro mais tranquilo,

[01:15:18] sabe? Você aí tá cansado,

[01:15:21] você tá assim meio estressado,

[01:15:22] você esquece de ligar a TV

[01:15:23] e ver um trocinho bacana

[01:15:26] que te deixe com o coração quentinho,

[01:15:28] não é uma grande

[01:15:30] obra de arte, assim, mas tu quer ficar com o coração

[01:15:32] bem, tu quer se sentir feliz e coisa…

[01:15:34] Casamento às cegas, casamento às cegas, é isso?

[01:15:36] Não, não, irreversível

[01:15:38] do Gaspar, não, também não,

[01:15:40] né?

[01:15:41] Eu vou indicar o Família de Aluguel,

[01:15:44] cara, que é o novo filme do Brandon Fraser,

[01:15:46] né? Ele é

[01:15:48] um filme dirigido por

[01:15:50] uma diretora que eu não conhecia,

[01:15:52] que é Hikari, simplesmente

[01:15:54] Hikari, e ele conta

[01:15:56] a história de um ator que está

[01:15:58] em Tóquio, e assim são belíssimas

[01:16:00] as coisas, assim, que aparecem nas roupas,

[01:16:02] esse tipo de coisa,

[01:16:04] e bem, né, como

[01:16:05] o Japão tem todo aquele troço de coisas

[01:16:08] bizarras e tentáculos e coisas do jeito,

[01:16:10] que também tem, né,

[01:16:11] segundo este filme, acho que não tem na vida real,

[01:16:14] é que tu pode alugar

[01:16:16] pessoas, assim, seja pra ir na tua casa e jogar

[01:16:18] um videogame contigo, seja pra

[01:16:20] apresentar pros teus pais, pra fazer um casamento

[01:16:22] fake, pra alguma coisa do gênero,

[01:16:24] e o Brandon Fraser, então, ele

[01:16:26] entra nesse serviço, meio

[01:16:28] sem querer, e acontecem coisas

[01:16:30] fofinhas, coisas

[01:16:32] emocionantes, você

[01:16:34] vai dar umas risadas,

[01:16:36] você vai ficar com o olho cheio d’água,

[01:16:38] então, assim, ó, não vai

[01:16:40] esperando, assim, o melhor filme da sua vida,

[01:16:42] mas, assim, ele vai te deixar

[01:16:44] com o coração aquecido, guarda ali pra

[01:16:46] domingo, naquele momento que meio bate uma deprê

[01:16:48] e coisa, assiste ele, você vai ficar

[01:16:50] feliz no final, garanto

[01:16:52] pra ti, então, Família de Aluguel

[01:16:54] acho que só tá

[01:16:55] nas meios alternativos

[01:16:57] pelo mundo. Olha aí, cara,

[01:17:00] olha aí, baita dica.

[01:17:02] Bom, eu vou indicar um

[01:17:04] filme também, meus amigos, e

[01:17:06] a gente tá falando muito,

[01:17:08] muito, do A Gente

[01:17:10] Secreto, né, dadas as premiações aí

[01:17:12] que já foram, já foram vitoriosos

[01:17:14] e que, oxalá, virão, né,

[01:17:16] mas a gente não pode esquecer,

[01:17:18] cara, que o cinema nacional vive

[01:17:20] um grande momento, cara, né,

[01:17:22] aliás, eu já perdi a conta de quantas

[01:17:23] retomadas já teve, né, talvez

[01:17:26] é porque queiram enterrar ele,

[01:17:28] né, de uma vez por todas e não consigam nunca,

[01:17:30] e nessa última

[01:17:31] safra que a gente pode localizar aí,

[01:17:34] sei lá, eu, né, vamos pegar uns 5, 6

[01:17:36] anos pra trás, talvez, né,

[01:17:38] a gente tá vendo muita coisa,

[01:17:40] muita coisa que dribla

[01:17:41] questões orçamentárias com estilo

[01:17:44] e com criatividade, né,

[01:17:46] o próprio A Gente Secreto, né, ele é de

[01:17:47] propósito, né, fotografado

[01:17:50] com uma série de equipamentos mais

[01:17:51] antiquados, né, pra fazer ambientação e tudo

[01:17:53] mais, dá pra remeter

[01:17:55] também ao outro filme grande sucesso

[01:17:57] do Kleber Mendoza, né, o Bacurau,

[01:18:00] e, cara, a gente tá vendo,

[01:18:02] por exemplo, no Bacurau,

[01:18:03] uma imagem de futuro que é

[01:18:05] uma imagem de futuro adequada a um

[01:18:07] lugar específico do Nordeste

[01:18:09] brasileiro, né,

[01:18:11] o próprio Kleber já, eu vi uma entrevista dele

[01:18:13] falando que ele é fanático

[01:18:15] por Mad Max 2, eu achei curioso

[01:18:18] o 2, é especificamente o 2,

[01:18:20] né, e, cara, do cara pensar um

[01:18:21] futuro, né, naquele nível do Bacurau,

[01:18:23] é estritamente condizente,

[01:18:25] assim, e aí eu assisti um filme

[01:18:27] que também ganhou premiação

[01:18:29] internacional muito importante

[01:18:31] esse ano, mas dado o sucesso do A Gente Secreto,

[01:18:34] acho que o pessoal meio que passou por cima,

[01:18:35] coitadinho, deixou ele de lado, e não

[01:18:37] merece deixar de lado, porque é um filmaço,

[01:18:39] pô, eu tô me referindo a O Último Azul

[01:18:42] do Gabriel Mascaro,

[01:18:44] outro cineasta recifense,

[01:18:46] eu não sei o que tem na água dessa galera

[01:18:47] lá, eu vou mandar trazer uma pra beber

[01:18:49] e ver se eu me inspiro pra fazer alguma coisa de útil

[01:18:51] na minha vida, mas, cara, O Último Azul,

[01:18:53] uma história muito legal,

[01:18:56] pequenas nuances

[01:18:57] que te dão o grau da distopia

[01:19:00] do futuro onde está se localizando

[01:19:02] o filme, em que pese a maioria das coisas

[01:19:03] pareça o presente,

[01:19:05] soluções de roteiro, né, e soluções

[01:19:08] de ideias muito interessantes,

[01:19:09] sensível, bonito, curtinho,

[01:19:12] dá pra dizer que hoje é curtinho, né, uma hora e vinte,

[01:19:14] poucos, né, Felipe, eu acho que é um filme

[01:19:15] normal, filmes inocentes, né, filmes bons,

[01:19:18] e, bom, ele conta

[01:19:20] a história, né, desse futuro onde

[01:19:22] tu tem toda uma predisposição

[01:19:23] para as pessoas idosas, quando

[01:19:26] elas atingem uma certa idade, e aí nós temos

[01:19:27] essa personagem, essa protagonista que

[01:19:29] desde o começo do filme se mostra

[01:19:31] bastante arredia, mostra que não

[01:19:33] quer seguir esse destino planificado,

[01:19:36] né, que mistura uma questão de

[01:19:37] burocracia com uma

[01:19:39] espécie de situação

[01:19:41] policialesca e tudo mais, e ela resolve

[01:19:43] sair e buscar um outro destino,

[01:19:45] filme bem bacana, filme assim,

[01:19:47] ó, simples, mas assim, com muita carga

[01:19:49] emocionante, muito legal

[01:19:51] mesmo, eu já tinha visto o

[01:19:53] Boi Neon, do Gabriel Mascaro, né, e

[01:19:55] só prova que esse cara aí é um puta de um

[01:19:57] cineasta, então fica essa dica também,

[01:19:59] não fica só no hype aí, né, dá

[01:20:01] uma valorizada aí na produção nacional

[01:20:03] que, porra, pra além do que

[01:20:05] tá ganhando o Oscar, o que é maravilhoso, né,

[01:20:08] a gente tem muita coisa bacana.

[01:20:09] Eu vou indicar um filme que eu vi

[01:20:11] esse final de semana agora, tá no cinema,

[01:20:14] né, pelo menos aqui no Rio, tá no

[01:20:15] circuito aí, e que

[01:20:17] é baseado num livro

[01:20:19] que eu li no ano passado, chamado Hamnet,

[01:20:22] e o filme também,

[01:20:24] né, chamado Hamnet,

[01:20:25] o livro é de uma irlandesa chamada

[01:20:28] Maggie O’Farrell,

[01:20:29] e a premissa do livro

[01:20:31] se passa naturalmente no

[01:20:33] período ali do Shakespeare, né, sobre a

[01:20:35] família do próprio William Shakespeare,

[01:20:38] é muito cuidadoso porque

[01:20:39] em momento algum fica se referindo a ele como Shakespeare,

[01:20:41] né, você sabe que é ele, mas

[01:20:43] o foco não é ele, o foco é basicamente a família

[01:20:45] e a maneira pela qual a peça,

[01:20:48] né, a peça que foi pra eternidade, né,

[01:20:49] Hamlet, enfim, seria uma homenagem

[01:20:52] ao filho dele, que

[01:20:53] morreu, aqui não é spoiler, tá, gente,

[01:20:55] isso aí tá na própria sinopse,

[01:20:57] que morreu com a praga,

[01:20:59] né, com a peste bubônica

[01:21:02] da época, então

[01:21:03] é um filme que, na verdade, é um livro

[01:21:05] maravilhoso e que setou num

[01:21:07] filme ainda melhor,

[01:21:09] né, assim, aquela coisa de você

[01:21:11] ler o livro, aí você vai ver o filme, você fica

[01:21:13] com um pouquinho de medo de estragar e tal, e o que

[01:21:15] eles conseguiram fazer no filme é um negócio

[01:21:17] inacreditável de bom,

[01:21:19] assim, de emocionante, lida muito com

[01:21:21] luto, lida com perda, lida com família,

[01:21:24] devo admitir,

[01:21:26] meus amigos, que eu chorei

[01:21:27] horrores, eu acho que eu nunca chorei tanto vendo um filme,

[01:21:29] cara, então, assim, se você for no cinema, vá

[01:21:31] preparado porque é realmente um soco

[01:21:33] no estômago, mas é muito

[01:21:35] bonito, realmente, assim, lindíssimo,

[01:21:37] vai confiante porque,

[01:21:39] o livro é muito bom, o livro é curtinho, muito

[01:21:41] bom de ler, e o filme também é um

[01:21:43] filmaço, fica aqui a minha recomendação.

[01:21:45] Vale mais a pena ler o livro

[01:21:47] ou ver o filme ou o contrário?

[01:21:49] Cara, tanto faz, se você quiser ver o

[01:21:51] filme e depois ler o livro, enfim, você vai estar

[01:21:53] muito bem representado, porque o livro, como

[01:21:55] é curtinho, assim, eu tenho a impressão que o cinema

[01:21:57] tem dificuldade de adaptar livros grandes,

[01:21:59] né, que você acaba tendo que deixar muita coisa de fora e tudo,

[01:22:02] mas o próprio livro, ele é curtinho, então,

[01:22:03] assim, o que eles conseguiram fazer no filme,

[01:22:05] a imagem do filme, as atuações,

[01:22:07] assim, é realmente

[01:22:08] uma

[01:22:09] introdução muito cuidadosa,

[01:22:11] maravilhosa, se você, ah, vou

[01:22:13] aproveitar que tá no cinema, daqui a pouco sai do cinema e tal,

[01:22:15] quero ver o filme e depois você decide

[01:22:17] se você lê o livro, vale a pena também, não tem

[01:22:19] problema. Eu adorei a declaração

[01:22:21] do Paul Mescal,

[01:22:22] que disseram assim, e como é que foi na Premiere

[01:22:25] lá, você encontrou

[01:22:27] o rei Charles, né, você conheceu o rei

[01:22:29] e como é que é a sensação? Ele falou,

[01:22:31] cara, eu sou irlandês, isso aí não é exatamente

[01:22:33] uma coisa com a qual eu sonho, então,

[01:22:35] muito bom.

[01:22:37] Os irlandeses são

[01:22:38] especiais, né.

[01:22:39] Cara, que gente massa.

[01:22:41] Tanguy, muito obrigado por ter vindo,

[01:22:43] cara, que programa massa,

[01:22:45] velho, tava com saudade, não vai demorar

[01:22:47] tanto agora e no próximo a gente

[01:22:49] vai falar de desgraça também,

[01:22:51] não vou prometer que a gente vai falar de coisa boa.

[01:22:52] Vocês são boy lixo, mas não tem problema,

[01:22:55] beleza? Vocês mandam mensagem

[01:22:57] de madrugada, assim,

[01:22:59] ah, tá afim de fazer alguma coisa,

[01:23:01] duas e meia da manhã, eu atendo,

[01:23:03] não tem problema, tá?

[01:23:04] Então, pode mandar mensagem, pode procurar que eu volto.

[01:23:07] Eu esqueci, Felipe, de

[01:23:08] dizer que tem uma participação muito

[01:23:11] comentada,

[01:23:13] ela não é tão longa assim,

[01:23:15] mas é importante, dada

[01:23:16] o brilho da estrela, no filme

[01:23:19] O Último Azul, que é do

[01:23:20] Rodrigo Santoro. Sabe o que o Rodrigo Santoro

[01:23:23] tem em comum com o Tanguy, além de

[01:23:25] ser bonito e ser competente?

[01:23:27] É Vasco, Vascão, meu.

[01:23:30] Casé também, né.

[01:23:31] Casé também, Vasco da Gama.

[01:23:33] No meu podcast,

[01:23:34] a Bujanra vai ter também essa pergunta, né,

[01:23:37] no final, assim, quem não é bem-vindo na

[01:23:38] barreira do Vasco?

[01:23:40] A pessoa tem que responder, assim, não pode

[01:23:42] fugir da resposta. Vamos lá mandar

[01:23:44] uns vivas, uns salves, vamos pra lá.

[01:23:52] Caramba, é muito sucesso, cara.

[01:23:54] O Tanguy é sempre sucesso

[01:23:56] quando aparece no giro, velho.

[01:23:58] Os caras não estão aí a todo esse tempo, né,

[01:24:01] de brinqueixo, né, não estão à toa

[01:24:02] por aí, né. Não, o Tanguy é

[01:24:04] mais do que autorizado aí, uma das

[01:24:06] vozes aí, não só no sentido literal,

[01:24:08] né, porque o homem tem uma voz que eu vou te

[01:24:10] contar, mas no sentido de

[01:24:12] ser realmente uma fonte, né,

[01:24:14] pra gente pensar essas questões

[01:24:16] aí, então, né, quando ele tá com a gente

[01:24:18] aqui, é sucesso absoluto, não tem

[01:24:20] erro. Todo mundo gostou do

[01:24:22] episódio, eu tenho certeza. Que homem,

[01:24:25] cara. Gabriel,

[01:24:27] eu não recebi nenhum

[01:24:28] pedido de salve, cara. Fiquei

[01:24:30] meio triste, inclusive, nada no e-mail,

[01:24:33] nada, assim. Pois é,

[01:24:35] cara, pois é. Aqui

[01:24:36] também tá fraca a coisa, né.

[01:24:38] Esses dias o Miguel lembrou

[01:24:40] de um salve que ele ganhou

[01:24:42] há muito tempo atrás, que ele tava ouvindo

[01:24:45] um episódio meio perdido

[01:24:46] no tempo e no espaço, né,

[01:24:48] mas fora isso, não teve grandes pedidos

[01:24:50] aqui de salve. Vocês estão com

[01:24:52] preguiça? Vocês não gostam mais de

[01:24:54] aparecer com os bichinhos

[01:24:57] aqui pra nós? Vocês não gostam de nos mandar

[01:24:58] carinho? É assim que funciona?

[01:25:01] Não, tô brincando, tô brincando.

[01:25:03] Isso não é estar de férias, só tranquilo,

[01:25:05] daí, ah, nem

[01:25:06] vou ali, não tô na frente do computador,

[01:25:08] tô no computador trabalhando pra mandar um e-mailzinho

[01:25:10] escondidinho, assim, sabe? É, pode ser,

[01:25:12] cara, pode ser, mas enfim, né,

[01:25:14] salves, perguntas,

[01:25:17] compartilhamento de

[01:25:18] dúvidas existenciais, né,

[01:25:21] correio elegante,

[01:25:22] pedidos de casamento, né, não pra nós,

[01:25:24] por favor, mas pra outras pessoas,

[01:25:27] se assim for o caso,

[01:25:28] você pode fazer tudo isso pelas nossas redes,

[01:25:31] pelo Blue Sky, pelo Instagram,

[01:25:32] pelas DMs, pela arroba mesmo,

[01:25:35] aliás, né, que nem aquela,

[01:25:36] aquele meme da

[01:25:38] daquele print da Mila que

[01:25:40] disse pro cara assim, pô, por que que tu só me manda

[01:25:42] DM e tal, tu é foragido?

[01:25:46] É,

[01:25:46] então assim, ó, você pode

[01:25:48] mandar na DM, caso queira

[01:25:50] falar com uma certa intimidade, pode mandar

[01:25:52] pro Viracazacas, podcast, arroba

[01:25:54] gmail.com, mas manda no

[01:25:56] arrobão lá, manda pra todo mundo ver,

[01:25:59] né, nos assume, né,

[01:26:00] é, nos assume, né.

[01:26:03] Fazer aquele agradecimento só, né,

[01:26:04] pra todo mundo que nos apoia, cara, tem galera

[01:26:06] no Apoia-se, tem galera no Aurelo,

[01:26:08] tem galera que começou a mandar pixa e corrente,

[01:26:10] porra, muito obrigado mesmo, pessoal.

[01:26:13] Assim, ó, vocês podem achar que passou batido,

[01:26:15] mas nunca passa batido, a gente agradece

[01:26:16] de coração mesmo, né.

[01:26:18] Não, toda vida, né, isso aí é o que nos

[01:26:20] mantém aqui, é por vocês, né.

[01:26:23] Se não, era muito mais fácil, não precisava

[01:26:24] de nenhum aparato tecnológico, só a gente

[01:26:26] marcava aí o Felipe onde é que a gente tomava um chimarrão,

[01:26:29] se era na casa dele ou na minha, ou na praça,

[01:26:31] né, e conversava

[01:26:32] sobre assuntos do mundo, né.

[01:26:34] A gente tá aqui por vocês, né.

[01:26:36] Afinal de contas,

[01:26:38] nós somos homens inocentes, né.

[01:26:40] Somos homens normais, é isso aí.

[01:26:42] Até semana que vem, galera. Valeu!

[01:26:44] Tchau!

[01:26:46] What is normal, man?

[01:26:49] What do you mean normal, man?

[01:26:51] I just didn’t say that.