Marty Supreme


Resumo

O episódio comenta “Marty Supreme”, novo filme de Josh Safdie que chega aos cinemas brasileiros, contextualizando o diretor (e sua parceria recorrente com Ronald Bronstein) e a recepção do longa na temporada de premiações. O grupo também aproveita para esclarecer a diferença entre pingue-pongue e tênis de mesa, e explica como o protagonista é inspirado em um jogador real, Marty Reisman, cuja trajetória mistura apostas, fanfarronice e uma subcultura esportiva pouco explorada no cinema.

Na conversa sem spoilers, os participantes elogiam o ritmo frenético e a direção “ágil” típica dos Safdie, destacando como o filme sustenta duas horas e meia sem parecer longo. O consenso é que o Marty vivido por Timothée Chalamet é insuportável, mas magnético: um retrato do lado mais tóxico do “sonho americano”, da obsessão por grandeza e da disposição de passar por cima de tudo para “vencer”, sem que o roteiro precise explicar didaticamente esses temas.

Nos spoilers, discutem arcos que parecem “sumir” (incluindo a participação de Gwyneth Paltrow) e como isso conversa com a natureza atropelada do protagonista, que deixa rastros pelo caminho. Debatem também a ambiguidade entre crítica e celebração da obsessão do personagem, além do final inesperado para quem vinha com a expectativa do tipo de desfecho de “Jóias Brutas”. No encerramento, dão notas, comentam a disputa do Oscar e citam favoritos do ano.


Anotações

  • 00:14:49 — Ansiedade e nomadismo na cultura judaica: Ao comentar uma fala do Josh Safdie ao Guardian, eles dizem que o diretor associa um “tipo de vida e comportamento bastante ansiosos” a uma herança histórica da cultura judaica. Ele menciona a ideia de que talvez seja preciso sair de onde se está a qualquer momento, descrevendo a cultura como nômade e marcada por impermanência; isso teria um lado espiritual, mas também apareceria como uma ansiedade latente no estilo de vida.
  • 00:18:10 — Ritmo ágil que faz esquecer as 2h30: Ronald conta que foi ao cinema com má vontade por o filme ter duas horas e meia, mas “quebrou a cara” e adorou. Ele diz que a direção é muito ágil, com clima meio de videoclipe (sem ser irritante), e que o filme passa rapidamente de uma cena para outra, a ponto de a duração não pesar. Ele cita ainda o uso de “Forever Young” no começo como um gatilho de nostalgia, que depois não volta a aparecer.
  • 00:19:04 — Marty como produto do capitalismo e do sonho de riqueza: Ronald descreve Marty Supreme como um personagem “absolutamente insuportável” e diz que isso é parte do efeito do filme: ele encarnaria um lado ruim que o capitalismo produziu no “americano médio”, a crença de que vai ficar rico e de que precisa “fazer o jogo” para se dar bem. Ele comenta que o personagem cria “atalhos” e “eras” para ganhar dinheiro, sucesso e notoriedade, refletindo uma sociedade que separa vencedores e perdedores e admira quem enriquece, mesmo passando por cima dos outros.
  • 00:21:24 — Privilégios de Timothée Chalamet e mérito no trabalho: Na conversa sobre Timothée Chalamet, eles lembram que o ator vem de um contexto nova-iorquino privilegiado: família com acesso a arte, escolas caras, e bilinguismo (francês e inglês falados em casa). A ideia é que ele foi colocado “na cara do gol”, mas que, apesar disso, ele tem aproveitado as oportunidades e entregado bons resultados, fazendo “juízo” aos privilégios que teve.
  • 00:22:48 — Oscar como prêmio da indústria e Chalamet como “produto perfeito”: Ronald retoma uma frase de Fernanda Montenegro de 1999 — “o Oscar é um prêmio da indústria para a indústria” — para situar a lógica do prêmio. Nesse contexto, ele diz que Timothée Chalamet é um personagem/ produto da indústria de Hollywood, “perfeito” por ser jovem, com carreira longa pela frente, já na terceira indicação ao Oscar e alternando papéis em blockbusters e outros filmes, o que reforça sua força na corrida.
  • 00:24:10 — Sílvia quase dá cinco estrelas e elogia nova “temperatura” de atuação: Sílvia afirma que gostou muito do filme e comenta que ficou procurando algo para não dar cinco estrelas, porque não o vê como “um filme que mudou a minha vida”, apesar de ser muito bom. Ela elogia a direção e diz que Chalamet encontrou uma “temperatura” de atuação que ela não tinha visto nele antes. Ao comparar, menciona que a última coisa que assistiu com ele foi “Um completo desconhecido”, que não agradou tanto, e reforça que, embora Marty seja “um saco”, ela não conseguia parar de olhar, riu e não sentiu as duas horas e meia.
  • 00:26:18 — Sonho americano sem diálogo expositivo: Sílvia destaca que o filme fala do sonho americano sem recorrer a diálogos expositivos explicando o conceito. Para ela, o roteiro vai construindo a ideia ao longo das cenas, e o espectador vai entendendo do que se trata “no indo, indo” da história, sem alguém parar para definir o que é o sonho americano.
  • 00:28:26 — Torcer contra e a favor do protagonista insuportável: Bia diz que o entorno do filme é muito bem construído para Marty ser “o pentelíssimo do rolê”, enquanto os outros personagens parecem ter mais bom senso e pedem calma — algo que ele não tem. Ela descreve a graça do filme como essa ambivalência: achar o personagem chato e vagabundo, mas ao mesmo tempo se pegar torcendo por ele, porque ele coloca tanta energia em si que dá vontade de ver até onde vai.
  • 00:29:42 — Montagem eletrizante e japonês sem legenda: Bia elogia especialmente as cenas de jogo e a montagem, dizendo que o filme torna o tênis de mesa mais eletrizante do que ela lembra de ver nas Olimpíadas. Ela menciona que o filme foi indicado a montagem no Oscar e diz que merece. Também observa que há partes em japonês sem legenda, o que coloca o público numa sensação de estar perdido e dependente de alguém traduzir — como acontece com o próprio Marty em certos momentos.
  • 00:31:44 — Arrogância magnética e atuação física de Chalamet: Merigo concorda com os elogios ao Chalamet e diz que esta pode ser sua performance mais intensa e emblemática, por causa da atuação física. Ele aponta que o ator transforma a arrogância do personagem em algo magnético: Marty faz coisas insuportáveis, mas o espectador não consegue odiá-lo e continua querendo que ele se dê bem, algo que depende do roteiro e da direção, mas também de como o ator faz o personagem funcionar.
  • 00:33:08 — Trilha anacrônica e elenco de apoio com “cheiro de não ator”: Merigo diz que gostou muito da trilha, com músicas dos anos 80 que são anacrônicas para a época em que a história se passa, e comenta que a mistura funciona. Ele também destaca a escolha de elenco de apoio com “cheiro de gente que é não ator”, o que dá personalidade e imprevisibilidade ao filme. Eles citam ainda a participação de Tyler, The Creator, que aparece “do nada” e forma uma boa dupla em cena.
  • 00:34:26 — Crítica à duração: cenas repetidas e personagens esquecidos: Merigo levanta um porém: apesar de tentar não reclamar de duração, ele acha que há várias cenas que poderiam ter ficado na sala de edição e que o filme não sabe quando parar. Ele fala em excesso, repetição e um estilo circular, além de notar que personagens secundários são introduzidos e depois esquecidos, sendo “sacrificados” pela narrativa — pontos que ele sugere aprofundar nos spoilers.
  • 00:35:40 — Ambiguidade moral: crítica ou celebração da obsessão por grandeza: Merigo diz ter ficado com a dúvida se o filme tenta criticar ou celebrar a obsessão pela grandeza e a ideia do homem que se faz sozinho. Bia reage dizendo que vê como “total crítica”, porque o protagonista é ridicularizado o tempo inteiro e “o nível da loucura não se paga”. Eles amarram isso ao que Sílvia havia notado: o filme não faz pregação direta, apenas mostra, e a interpretação fica por conta de cada um.
  • 00:36:32 — Não é filme típico de esporte; tênis de mesa como cenário: Eles concordam que o filme não segue a estrutura clássica de esporte, do atleta que luta, cai, levanta e vira herói. Comentam que o tênis de mesa aparece mais como um cenário para a história do que como foco didático: o público nem aprende direito as regras, só pega algo “meio ampassando”. Para eles, isso ajuda a afastar o filme do “típico filme de esporte” e reforça a crueldade e o questionamento sobre se vale a pena buscar grandeza a qualquer custo.
  • 00:38:44 — Metáfora do vampiro e o papel da Gwyneth Paltrow: Já nos spoilers, Bia pergunta por que ninguém falou da Gwyneth Paltrow e dizem que a personagem parece ficar “esquecida” no corre do filme. Em seguida, Bia conecta a trama a uma fala do personagem Rockwell, que se descreve como “um vampiro” de 1601 e diz que sempre haverá outros como Marty, sugerindo a permanência do capitalismo e do “sanguessuga”. Ela relaciona isso às cenas de sexo com a personagem da Gwyneth, com detalhes como morder o pescoço e o foco no colar, criando um jogo sobre quem “suga” quem.
  • 00:39:52 — Juventude, paixão e “quem se aproveita de quem”: Bia descreve a personagem da Gwyneth como alguém minguada num casamento que detesta e que se interessa pela juventude e pela paixão descontrolada de Marty. Ela narra a forma maluca como ele a aborda (jogar a maçã na janela) e diz gostar desse jogo de forças: Marty é uma “bomba” imprevisível, e a relação vira uma disputa entre controlar a bomba ou surfar sua explosão — porque é impossível passar por ele sem ser afetado.
  • 00:40:24 — Secundários que somem e o jeito “marcha” do protagonista: Respondendo ao ponto do Merigo sobre personagens esquecidos, Bia diz que isso, para ela, tem a ver com o Marty “metendo marcha”: a história avança e certas pessoas ficam para trás sem que o filme retorne a elas. Ela dá exemplos do protagonista fazendo coisas que “se pagam e outras não”, e cita a trama da garota que ele engravida, em que ele inventa histórias (como dizer que ela é sua irmã) e ela entra na encenação, enquanto o mundo real e as consequências inevitavelmente o alcançam.
  • 00:41:11 — Consequências inevitáveis e limites do sonho americano: Bia comenta que Marty “cuida dela descuidando”, tratando mal e dizendo que ela não tem propósito, enquanto ele teria. Ela ressalta que existe um mundo real do qual ele não consegue escapar: não há sonho americano que livre alguém das obrigações e das “terríveis consequências” dos próprios atos. Isso aparece nas situações em que o protagonista improvisa e tenta controlar tudo, mas é puxado de volta pelas responsabilidades e pelo estrago que causa.
  • 00:42:39 — Desejo de um final mais trágico e a lógica do “quase não rola”: Bia diz que gostou do final, mas que, pessoalmente, queria que Marty morresse, não por odiar o ator, mas por achar que a loucura do personagem só pararia assim. Ela descreve a escalada de aceleração e improviso: ele vai ao Japão aceitando apanhar, quase não consegue voltar e só volta porque os militares gostam dele; tudo acontece na linha do “quase que não rola”. Para ela, essa sucessão de gambiarra e aflição sugeria que morrer seria a forma de encerrar o furacão.
  • 00:43:37 — Comparação com ‘Coração de Lutador’ e alegria no mundano: Merigo questiona se, depois do final, Marty não para “de outro jeito”, e puxa a comparação com ‘Coração de Lutador’: após uma vida tentando a grandeza e sendo humilhado, haveria um encontro de alegria na vida normal, no mundano. Bia diz que não discorda e separa o “filme da cabeça” do filme que existe: ela teria escrito um desfecho mais fatal, mas não acha ruim a escolha feita, reconhecendo que sem o protagonista também não sobraria a paixão e o drive que movem a história.
  • 00:44:04 — Má vontade dos outros com Marty e o chefe da federação: Merigo pergunta se a má vontade contra Marty não era grande demais, citando o chefe da federação de tênis de mesa que não queria deixá-lo jogar. Bia reage lembrando que o protagonista é “insuportável” e “chato pra caralho”, e eles comentam que a única pessoa mais “suportável” com ele seria o tio. A conversa menciona ainda a influência da mãe e de outro personagem contra ele, e conclui que o chefe também não era “flor que se cheire”, num embate em que é difícil tomar partido.
  • 00:49:05 — Preferidos do Oscar: ‘Agente Secreto’ e ‘Pecadores’: Depois das notas, eles comentam que já falaram de todos os indicados a Melhor Filme e começam a citar favoritos. Bia afirma que ‘Agente Secreto’ é, para ela, o melhor filme do ano passado, com ‘Pecadores’ logo atrás; outro participante inverte a ordem, colocando ‘Pecadores’ em primeiro e ‘Agente Secreto’ em segundo. Eles reforçam que ‘Agente Secreto’ é “muito bom” e que a opinião já foi discutida em episódios anteriores.
  • 00:50:57 — Medo de concorrentes e chances de Wagner Moura: Eles dizem que a disputa do ano está pesada e mencionam estar com medo de ‘Apenas um acidente’, que chamam de “pica demais”, mesmo com o Globo de Ouro favorável. Em seguida, comentam as chances de melhor ator: Bia diz não achar que Chalamet leva, mas outro participante vê possibilidade para Wagner Moura, argumentando que ele já é um “personagem” em Hollywood e lembrando que o Oscar é um jogo político. A conversa aponta que pode ter ficado “cool” votar nele e que o momento político dos EUA e o fato de ele não ser americano podem favorecer como recado da Academia.

Indicações

Livros

  • The Money Player — autobiografia de Marty Reisman citada como base conhecida na cena do tênis de mesa e que desperta curiosidade após o filme

Filmes / Series

  • Ópera do Malandro — montagem nova no Teatro Renault (SP), recomendada como programa; músicas de Chico Buarque com novos arranjos
  • Jóias Brutas (Uncut Gems) — usado como comparação direta para ritmo/estilo Safdie e expectativa de desfecho
  • Coração de Lutador — citado ao falar do trabalho do irmão (Benny Safdie) e de como não é um “filme de esporte” típico
  • Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria — lembrado como outro queridinho da temporada (produção ligada ao time do filme), com menção a Conan O’Brien no elenco
  • Me Chame Pelo Seu Nome — citado como referência de atuação de Chalamet e início de prestígio do ator
  • Pequenas Mulheres (Little Women) — mencionado ao comentar que Chalamet já treinava tênis de mesa na época das filmagens
  • Um Completo Desconhecido — citado como trabalho recente de Chalamet que dividiu opiniões, ligado ao debate sobre Bob Dylan
  • A Noite que Mudou o Pop (We Are the World) — documentário mencionado ao falar de Bob Dylan e bastidores do projeto
  • Dias Perfeitos — citado como exemplo pessoal de filme “cinco estrelas”
  • Capitão Fantástico — citado como exemplo pessoal de filme “cinco estrelas”
  • Breaking Bad — referência visual/narrativa associada à cena da banheira
  • Challengers — lembrado pela dinâmica competitiva/obsessiva e sugerido em tom de brincadeira para “fanfic” cruzada
  • Anora — citado no papo sobre não criar expectativas com o Oscar
  • O Agente Secreto — apontado como favorito de melhor filme do ano/temporada entre os participantes
  • Pecadores — citado como forte concorrente e recomendado com ressalvas para quem tem medo de terror
  • Apenas um Acidente — citado como concorrente “forte demais” na temporada
  • Deadline (entrevista com Josh Safdie) — citado como fonte sobre as referências do filme e a construção da ideia
  • The Guardian (declarações de Safdie) — usado para discutir pós-Segunda Guerra, sonho americano e referências culturais
  • Crítica de Alice Lins (blog Social 1 / JC de Pernambuco) — base para a sinopse apresentada no episódio
  • Site da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa — consultado para a origem do termo “pingue-pongue” e distinções do esporte
  • Rotten Tomatoes / Metacritic — mencionados para contextualizar a recepção crítica e do público

Linha do Tempo

  • [00:00] — Abertura, apresentação do Cinemático 582 e do tema do episódio
  • [00:01] — Recados: redes sociais, YouTube e festa do Oscar do B9
  • [00:03] — Convite para a nova montagem de Ópera do Malandro em São Paulo
  • [00:06] — Introdução a Marty Supreme: diretor, histórico dos Safdie e contexto do filme
  • [00:09] — Pingue-pongue vs. tênis de mesa: terminologia, regras e cultura do esporte
  • [00:12] — Base real: Marty Reisman, autobiografia e inspirações do roteiro (pós-guerra/sonho americano)
  • [00:15] — Repercussão: notas, bilheteria, custo e indicações na temporada de prêmios
  • [00:17] — Impressões sem spoilers: ritmo, trilha, montagem e atuação de Chalamet
  • [00:33] — Ressalvas: duração, repetição de situações e personagens secundários “sacrificados”
  • [00:37] — Bloco de spoilers: subtramas, Gwyneth Paltrow, cenas marcantes e interpretação do final
  • [00:48] — Notas finais e conversa sobre favoritos ao Oscar/melhor filme do ano

Dados do Episódio

  • Podcast: Cinemático
  • Autor: B9
  • Categoria: TV & Film / TV & Film / Film Reviews / TV & Film / TV Reviews
  • Publicado: 2026-01-27
  • Duração: 0h52m

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Esse podcast é apresentado por P9.com.br.

[00:00:10] Olá, eu sou o Carlos Merigo e este é o Cinemático 582, dia feroz. Tudo bem?

[00:00:29] Tudo bem, Carlos Merigo.

[00:00:31] Estamos aqui com o Ronald Villardo. E aí, Ronald?

[00:00:34] Opa, estamos aí de novo.

[00:00:36] E Sílvia Nazaré. E aí, Síl?

[00:00:38] Olá.

[00:00:39] Fazia tempo que você não vinha antes. Já viu esse ano? Já veio, né?

[00:00:42] Fazia. Ela fez o último do ano passado.

[00:00:44] Ah, é? Olha só.

[00:00:46] Um dos últimos ou o último, é.

[00:00:47] Porque as férias passaram tão rápido.

[00:00:49] Essas férias que parecem seis meses de férias, né?

[00:00:52] Parece.

[00:00:53] Essas duas semanas que parecem seis meses, faz muito tempo.

[00:00:56] Para vocês, as minhas férias passaram rapidinho.

[00:00:57] Parece. É que você tem que entreter as crianças nas férias, que aí é outro job.

[00:01:01] Tem, tem. Exatamente.

[00:01:03] E aí, você tá sempre na ativa.

[00:01:05] Tudo bem. Vamos falar de Marth Supreme aqui nesse episódio.

[00:01:10] Filme dirigido pelo Josh Safdie.

[00:01:13] Safdie.

[00:01:15] Chegou agora no dia 22 de janeiro de 2026, nos cinemas brasileiros.

[00:01:19] Mas estreou no Natal, lá no Zeua.

[00:01:21] E é um dos grandes concorrentes aí da temporada de premiações.

[00:01:27] Inclusive, um de cada melhor filme.

[00:01:29] E tudo mais. Certo, Bia?

[00:01:31] Certo.

[00:01:32] Muito bem. Mas antes.

[00:01:34] Mais uma vez.

[00:01:36] Siga o Sinomático Pod na redes sociais para você acompanhar os lançamentos,

[00:01:40] enquetes, avisos, né?

[00:01:42] Teremos avisos lá de nossa festinha do Oscar, que vai ter esse ano novamente.

[00:01:47] Exatamente, vem aí.

[00:01:48] Sucesso de crítica e público.

[00:01:50] Já tem informações, já tem informações, Bia, sobre…

[00:01:53] Públicas não.

[00:01:55] A gente só pode dizer que vai ser no dia do Oscar, dia 15 de março.

[00:01:59] A gente pode dizer que vai ser no Sky Hall também, como no ano passado.

[00:02:04] E a gente pode dizer que vai ser show.

[00:02:06] Até agora é isso, mas abertura de ingresso e demais detalhes em breve.

[00:02:10] E eu vou comemorar o meu aniversário de 30 anos lá.

[00:02:14] Porque eu faço 30 anos no dia seguinte, no dia 16.

[00:02:17] Que é festa em cima de festa, com um dobro de festa e uma cerejinha de…

[00:02:23] Sil estará presente lá?

[00:02:25] Sil estará presente.

[00:02:27] Olha que chique. Vem pra São Paulo.

[00:02:29] Você vai fazer plantão? Você vai fazer plantão?

[00:02:31] Opo, então eu vendo aqui aquele que já vai, já vai no site.

[00:02:34] É, então dá uma olhada na escala.

[00:02:37] Veja aí, o que eu ia falar é, nas redes sociais

[00:02:41] nós não enchemos o seu saco, porque eu sei que às vezes…

[00:02:43] Eu também faço isso, tá? Eu sei como é que é.

[00:02:46] Às vezes você não quer seguir o arroba do programa que você…

[00:02:49] Ou por mais que você goste, que tem aquele exposto de engajamento, né?

[00:02:53] Qual é a sua frase preferida do programa?

[00:02:55] E aí você fica lá com esse negócio.

[00:02:57] Não tem isso. Se quiser falar pra frase preferida.

[00:02:59] Você acha que é falta isso, a gente fazer, Bia, no nosso Instagram?

[00:03:03] Não, eu acho que tá bom que não tem.

[00:03:04] Pra atingir o sucesso.

[00:03:06] É, comente aqui o seu emoji preto preferido.

[00:03:11] Tente digitar cinema de olhos fechados.

[00:03:14] Vamos ver se você consegue, tá ligado? É foda.

[00:03:17] E se inscreva no nosso canal no YouTube, youtube.com.brb9.

[00:03:22] Você assiste a gente, também tem cortes lá.

[00:03:24] Você pode comentar, participar, se envolver.

[00:03:28] Quem não tá no YouTube, tem que estar no YouTube

[00:03:30] e tá vendo a Bia fazer Vogue agora.

[00:03:32] É isso. São atuagens lindíssimas.

[00:03:35] Escuta, eu gostaria de deixar um convite a todos os ouvintes e presentes, que é

[00:03:41] stay ou, nesse final de semana em São Paulo,

[00:03:44] a nova versão de Ópera do Malandro no Teatro Renô,

[00:03:48] na visão de Jorge Farjala, que é um baita diretor.

[00:03:53] Essa é a primeira versão em muito tempo, montagem do Ópera do Malandro.

[00:03:57] Nossa amiga Ana Luisa Ferreira,

[00:03:59] que já esteve aqui no Cinemático em outras participações,

[00:04:03] é a fichinha, a prostituta mais esquisita da cidade.

[00:04:07] E aí vocês vão assistir e vão entender o porquê.

[00:04:10] Tem José Loreto sem camisa, para quem é de José Loreto sem camisa.

[00:04:13] Tem também Mulheres Muito Lindas, para quem é de Mulheres Muito Lindas.

[00:04:16] Mas mais do que isso, tem uma puta versão dessas músicas do Chico Buarque,

[00:04:23] que são músicas que todo mundo conhece ou quase todo mundo conhece.

[00:04:27] Um novo arranjo que tem a ver bastante com os pontos de candomblé,

[00:04:31] que tem muito tambor.

[00:04:33] Tudo é engraçado, né?

[00:04:36] Que é aquilo que a gente fica falando.

[00:04:38] Ópera do Malandro é sobre o Brasil e ele vai ser sobre o Brasil

[00:04:40] para sempre, de várias visões diferentes.

[00:04:42] Essa do Jorge é muito foda.

[00:04:44] Vai até mais ou menos o meio de março aqui em São Paulo.

[00:04:48] Não sei se vai ter uma perna que vai ser no Rio, vamos pensar.

[00:04:50] Não sei ainda.

[00:04:51] O Jorge pode ser que ele queira puxar para cá.

[00:04:53] É meu amigo querido, um beijo para ele.

[00:04:55] Porque eu fiquei numa dúvida, Bia, é o Zé Loreto faz o Malandro?

[00:05:01] Faz o Malandro, o Zé Loreto faz o Malandro.

[00:05:03] Tem o Amauri…

[00:05:06] Puta, qual é o nome dele? Amauri Lorenzo, é isso?

[00:05:09] Junior.

[00:05:10] Não é Junior?

[00:05:10] Tem o Amauri Junior no musical, né?

[00:05:13] Vem lá, meu amigo!

[00:05:15] Gente, seria ótimo.

[00:05:17] A Amauri Lorenzo também que fez.

[00:05:20] A galera reinventa as carreiras.

[00:05:21] Ele tá fazendo bastante sucesso, ele é um galanovo, ele fez novela.

[00:05:24] Ele está excelente.

[00:05:25] Enfim, o elenco tá foda, as versões estão lindas, assistam.

[00:05:30] E se vocês forem ficar na porta do teatro para falar com o elenco,

[00:05:34] falem para a Ana Luisa que vocês vieram pelo cinemático

[00:05:36] que ela vai achar a maior graça.

[00:05:38] Eu também, vou deixar.

[00:05:40] Muito bem, então é isso, vamos para a pauta?

[00:05:41] Vamos.

[00:05:55] Ok.

[00:06:00] Are you?

[00:06:02] I choose…

[00:06:06] This is you.

[00:06:25] Everything in my life is falling apart, but I’m gonna figure it out.

[00:06:27] Do you need any help?

[00:06:28] I could help you.

[00:06:29] I know it’s hard to believe,

[00:06:31] but I’m telling you this game, it fills stadiums overseas.

[00:06:35] And it’s only a matter of time before I’m staring at you

[00:06:37] from the cover of a Wheaties box.

[00:06:39] Bora lá, viu? Martinho aí, né?

[00:06:41] Ai, gente!

[00:06:43] Martinho da Vila Supreme.

[00:06:45] Josh Safdie é o diretor, produtor e co-roteirista.

[00:06:49] A gente já falou dele que ele tem um irmão Benny, né?

[00:06:52] São os irmãos Safdie.

[00:06:54] É o The Jets.

[00:06:55] Não, o The Jets é o outro, né?

[00:06:58] Então eles já fizeram Jóias Brutas, o Anka James.

[00:07:01] A gente já fez o Cinemático 83 sobre esse filme.

[00:07:04] E a gente acabou de falar do Benny no Cinemático 561 sobre Coração de Lutador.

[00:07:10] Os dois juntinhos.

[00:07:12] E já tá claro quem se deu bem aí, né, nessa dupla de irmãos aí.

[00:07:16] Cara, pois é, não que seja uma competição, mas se fosse, eu acho que teria ganhado.

[00:07:21] Exatamente.

[00:07:22] Porque o Coração de Lutador foi o Esnobadinho.

[00:07:24] Eu amei esse filme.

[00:07:26] A gente já sabia que ele ia ser o Esnobadinho do rolê.

[00:07:29] A gente falou disso no programa.

[00:07:31] Mas o The Rock tava contando muito, vai, com a indicação dele.

[00:07:34] Tadinho! Cuida dele, gente.

[00:07:37] Mas eu gostei, The Rock.

[00:07:39] Passa aqui em casa e você vem aqui em casa tomar um belo café da tarde.

[00:07:43] A gente passeia no shopping que tem aqui perto, você vai adorar.

[00:07:46] Então, a gente vai falar agora do Josh, que é esse estadunidense.

[00:07:51] Fazer crossfit com o Caio.

[00:07:53] É, ele pode fazer.

[00:07:54] Agora o Caio não tá mais no crossfit, né.

[00:07:56] Ele deu uma parada.

[00:07:57] Então eles podem até trocar treino, né.

[00:07:59] Ai, o que você faz pra abrir isso aqui?

[00:08:02] Ele tem 41 anos.

[00:08:04] Então ele ficou bem, bem, bem conhecido pelo Joias Brutas.

[00:08:08] Mas ele também dirigiu filmes tipo Bom Comportamento, Amor Drogos e Nova York.

[00:08:12] E ele e o roteirista do filme, que eu vou falar, Jajá,

[00:08:16] são também produtores de um outro queridinho aí da temporada, que é o

[00:08:20] Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria.

[00:08:22] Ah, olha só.

[00:08:23] Que tá no, ganhou indicação de atriz, né.

[00:08:26] Ganhou e ele é bem elogiado, né, também pela, na cena.

[00:08:31] Eu sei desse filme, por conta do Conan O’Brien.

[00:08:34] E ele faz um papel de psicólogo.

[00:08:36] O seu pai, Conan O’Brien.

[00:08:38] De uma entrevista que ele fala,

[00:08:40] o papel dele como ator dramático e tal.

[00:08:43] Eu já não vi o filme ainda, mas ele disse que tá bem.

[00:08:46] Ah, se tem o Conan, ruim não vai ser.

[00:08:48] E aí tem o Ronald Bronstein, que é o roteirista.

[00:08:52] Ele já conhece os irmãos Sefti há muitos anos.

[00:08:55] Ele já abre a geladeira.

[00:08:56] A mãe Sefti já dá bronca nos filhos na frente dele.

[00:08:59] Fala assim.

[00:09:00] Ê, você, Ronald, você faz isso em casa?

[00:09:04] Você trata a sua mãe assim?

[00:09:07] Porque o Josh trata.

[00:09:09] É, sua mãe ia deixar, sabe.

[00:09:11] E aí você tem vontade de desmaiar na casa dos seus amigos,

[00:09:14] quando isso acontece.

[00:09:15] Isso já acontece com o Ronald, porque eles são amigos.

[00:09:17] Então, trio de amigos.

[00:09:18] Há muitos anos.

[00:09:20] Bom, antes de mais nada, pessoal.

[00:09:23] Vamos colocar os pingos nos pongues.

[00:09:27] Que é pingue pongue e tênis de mesa.

[00:09:32] O nome certo é tênis de mesa.

[00:09:35] Ah, que chato que vocês são.

[00:09:37] Pingue pongue é muito mais legal.

[00:09:38] Calma, calma.

[00:09:39] Caralho, foi só a primeira frase.

[00:09:41] Vamos respirar.

[00:09:42] Eu fui conversar com os nossos amigos do elenco B9, Ken Fujioka.

[00:09:48] Ah, é verdade.

[00:09:49] E também com o Luiz e a Suda.

[00:09:51] Eles são dois atletas.

[00:09:52] Eles são federados, né?

[00:09:53] Entre várias outras coisas.

[00:09:55] Eu não sei se é, mas eu adoro falar isso.

[00:09:57] Eles são federados.

[00:09:58] É o amigo federado.

[00:09:59] É o federado do Pinheiros.

[00:10:00] É o federado do Flamengo.

[00:10:04] E o que eles falaram?

[00:10:06] Tem gente que pega a pilha e não gosta que chame de pingue pongue.

[00:10:11] Mas eles mesmos não ligam.

[00:10:14] E inclusive o lugar onde eles treinam tem uma cultura de ficar assim.

[00:10:18] Galera, relaxa.

[00:10:20] Pode chamar de pingue pongue.

[00:10:21] Ninguém vai morrer por causa disso.

[00:10:24] De qualquer forma, eu vi no site da confederação brasileira de tênis de mesa.

[00:10:28] Isso é a pura ação, hein.

[00:10:29] Que o jogo foi inventado.

[00:10:30] Isso é a pura ação.

[00:10:31] Que só o cinema de trás.

[00:10:33] Eu fiquei curiosa.

[00:10:35] Eu fiquei curiosa.

[00:10:36] No site da confederação brasileira de tênis de mesa.

[00:10:40] Diz que o jogo foi inventado na Inglaterra.

[00:10:42] Nasceu com esse nome mesmo.

[00:10:44] Pingue pongue.

[00:10:45] Por causa do barulho da bolinha que ela pinga e ponga.

[00:10:48] É isso.

[00:10:49] E inclusive esse nome foi registrado como marca.

[00:10:53] Nem podia ficar usando a zinha torta a direito.

[00:10:56] Porque era marca.

[00:10:57] A diferença que a gente tem hoje é que o pingue pongue.

[00:11:00] Pingue pongue geralmente é usado porque é brincadeira.

[00:11:03] Porque você joga lá quando você vai em hotel fazenda.

[00:11:05] Não tem TV, mas tem mesa de pingue pongue.

[00:11:08] Você joga lá.

[00:11:10] Que tem no salão de jogos do prédio.

[00:11:12] Um negócio assim.

[00:11:13] Uma praia com seus primos no final do ano.

[00:11:15] Hotel fazenda, Bia.

[00:11:17] O C é sensacional.

[00:11:19] Eu consegui ver o hotel fazenda.

[00:11:21] É que sempre tem, né.

[00:11:23] Tem aquela mesa que tá aquela raquete já toda carcomida.

[00:11:26] É.

[00:11:27] Hotel de águas de lindói.

[00:11:29] Enfim.

[00:11:30] E aí o tênis de mesa é coisa séria.

[00:11:33] Que isso inclui regras diferentes, mais estritas.

[00:11:36] O equipamento é mais sofisticado.

[00:11:38] Então a raquete, você monta a sua raquete com a espuma que você quer.

[00:11:42] Ou com uma EVA que você quer.

[00:11:44] Que é diferente do pingue pongue que vem o kit do brinquedo e é show.

[00:11:47] É um pingue pongue premium que custa mais caro, né.

[00:11:50] Então é isso.

[00:11:51] É.

[00:11:52] Então pra você que pega pilha e for xingar o Mérigo.

[00:11:54] Como o Carlos Calma.

[00:11:55] Ele tá só brincando com você.

[00:11:57] Ou não.

[00:11:58] É a séria dele que ele é brincalhão assim mesmo.

[00:12:00] Enfim.

[00:12:01] Marty existiu.

[00:12:03] Esse rapaz foi um rapaz.

[00:12:06] Definitivamente.

[00:12:07] Marty Mauser do filme é livremente baseado em Marty Reisman.

[00:12:13] Que foi um jogador de tênis de mesa que morreu em 2012 aos 82 anos.

[00:12:18] Gabu, peço que coloque a imagem dele.

[00:12:20] Eu coloquei na pauta pra vocês verem o rosto e a pinta de Marty.

[00:12:27] Para vocês verem que já tem algo aí muito parecido com o filme.

[00:12:30] Ele até escreveu uma biografia que chama The Money Player.

[00:12:33] Que é bem conhecida na cena do tênis de mesa.

[00:12:36] As pessoas conhecem bastante.

[00:12:38] A vida dele tem vários pontos que batem com o filme.

[00:12:42] Então ele era mesmo muito, muito bocudo.

[00:12:46] Falava pra caralho.

[00:12:47] Mais do que devia.

[00:12:48] Sempre dizia que só fazia aposta garantida.

[00:12:51] E por isso só apostava nele mesmo.

[00:12:53] Saudável.

[00:12:54] Ele de fato inventou jogadas que ficaram famosas.

[00:12:57] Ele perdeu os jogos pra jogadores japoneses.

[00:13:00] E ele também viajou pra entreter militares na Ásia.

[00:13:03] Então tudo isso aconteceu.

[00:13:05] Mas o como?

[00:13:06] Aí é que o pessoal vem na costura, na criatividade ali pra trabalhar.

[00:13:12] Pro Deadline, o Josh Safdie contou que a ideia desse filme é uma salada de referências.

[00:13:17] Incluindo a leitura dessa autobiografia do Marty.

[00:13:20] E os papos dos amigos do bisavô dele que eram veteranos da Segunda Guerra Mundial.

[00:13:25] Isso porque ele foi ler essa biografia.

[00:13:28] E aí ele viu duas coisas interessantes nessa história.

[00:13:31] Que é a história de um sonhador desacreditado.

[00:13:34] E uma subcultura a ser explorada.

[00:13:37] Que é uma coisa que ele e o irmão dele gostam muito.

[00:13:39] Porque eles sabem que na hora que você abre a caixinha.

[00:13:42] Vem uma série de coisa que tem fofoca, que tem história, que tem não sei o quê.

[00:13:47] Que tem pessoas que são grandes ícones.

[00:13:49] E aí é pano pra manga até perder de vista.

[00:13:53] E além disso, ele coloca como elemento esse pós Segunda Guerra.

[00:13:57] E aí pro Guardian ele completou.

[00:13:59] Falando que a sensação do pós Segunda Guerra.

[00:14:03] Inclui nos Estados Unidos a euforia pelo sonho americano.

[00:14:07] Ganhando novas alturas.

[00:14:09] Reforçando essa ideia de que basta querer o indivíduo vai mudar o mundo.

[00:14:14] Basta ter a vontade de acordar cedo nesse país.

[00:14:18] Só é pobre quem quer.

[00:14:21] A bandeira tremula atrás.

[00:14:24] É uma loucura.

[00:14:25] Meleceu mal pra dizer o mundo.

[00:14:27] Ainda pro Guardian ele contou que se inspirou.

[00:14:30] Ele leu muita literatura feita.

[00:14:32] Os dois.

[00:14:33] Leiram muita literatura feita por autores judeus.

[00:14:36] E ainda diz que existe na cultura judaica.

[00:14:39] Um certo tipo de vida e comportamento bastante ansiosos.

[00:14:43] E aí ele bota na conta da herança histórica.

[00:14:45] Então ele fala.

[00:14:47] Existe a ideia de que talvez a gente precise sair de onde está a qualquer momento.

[00:14:51] Nossa cultura é nômade de quem já precisou andar muito.

[00:14:54] E essa impermanência é bem espiritual.

[00:14:57] Mas acho que a ansiedade latente aparece também no estilo de vida.

[00:15:01] Por conta disso.

[00:15:02] Muito bem.

[00:15:03] Sinopse.

[00:15:04] Sinopse.

[00:15:05] Essa sinopse é adaptada da crítica da Alice Lins.

[00:15:08] No blog Social 1.

[00:15:10] Dentro do JC de Pernambuco.

[00:15:12] Um beijo Pernambuco.

[00:15:13] Uma triosca de.

[00:15:14] Martin Mauser é um jogador de tênis de mesa que se recusa a ser apenas mais um trabalhador

[00:15:20] precarizado em Nova Iorque nos anos 50.

[00:15:23] E ele não medirá esforços para alcançar os sonhos megalomaníacos fixos na mente dele.

[00:15:29] Muito bem repercussão.

[00:15:31] Rotten Tomatoes aprovação da crítica 94% versus 82% do público.

[00:15:38] 4.2 de 5.

[00:15:40] E no Metacritic 89 de 100.

[00:15:43] Sem contar isso que a gente falou.

[00:15:45] Queridinho ainda tem barada de premiações.

[00:15:47] Indicado a trocentas.

[00:15:50] 89 de 100 no Metacritic é impressionante.

[00:15:53] E muita indicação.

[00:15:55] Né.

[00:15:56] Esse é o filme mais caro da história da A24.

[00:16:00] Até agora custou 70 milhões de dólares.

[00:16:05] Mas tudo bem.

[00:16:06] Tá tranquilo.

[00:16:07] Tá favorável.

[00:16:08] Porque já recadou mais de 105 milhões e 96 mil dólares no cinema.

[00:16:12] Por enquanto.

[00:16:13] E contando.

[00:16:14] Sem contar que todas essas indicações ao Oscar talvez enchem bem a conta corrente

[00:16:20] do pessoal.

[00:16:21] Né.

[00:16:22] O Timote Chalamet.

[00:16:23] Gente Timote Chalamet.

[00:16:24] Eu tô ligada.

[00:16:25] Mas é que quando ele surgiu eu ouvia muito Timote Chalamet.

[00:16:29] Timote.

[00:16:30] Timote.

[00:16:31] Timote.

[00:16:32] O Timo.

[00:16:33] Ele levou Globo de Ouro.

[00:16:34] É verdade.

[00:16:36] O filme foi ainda indicado para melhor roteiro e melhor filme.

[00:16:40] No Oscar veio deslizando.

[00:16:43] Não mais que o Brasil.

[00:16:44] Né.

[00:16:45] Porque a gente está com tudo e não estamos prosa.

[00:16:47] Mas foram nove categorias no Oscar.

[00:16:49] Incluindo o melhor ator que ele vai perder.

[00:16:52] Mas Good Game.

[00:16:53] Né.

[00:16:54] Ele também foi indicado a figurino, montagem.

[00:16:57] Também tá com a gente na nova categoria de melhor elenco.

[00:16:59] Além das outras principais que a gente tá careca de saber.

[00:17:02] Então assim.

[00:17:03] Como é que o Merigo falou no dia das indicações?

[00:17:05] Ele fez barba, cabelo e bigode.

[00:17:06] Mas é um corrente forte pro nosso amigo Wagner.

[00:17:11] É isso que eu ia falar.

[00:17:12] Não, mas esse ano o melhor ator está forte.

[00:17:15] Tá todo mundo se fudendo com todo mundo ali.

[00:17:17] Diz que tá uma…

[00:17:18] Ninguém tá bem.

[00:17:19] Eu li é banho de sangue a categoria.

[00:17:22] Ninguém tá bem.

[00:17:23] Pra isso e o filme…

[00:17:26] A categoria melhor filme também, né.

[00:17:28] 14 indicados todos.

[00:17:30] Vai indicar quem?

[00:17:31] Vai indicar quem?

[00:17:32] Todo mundo.

[00:17:33] Todo mundo é o melhor filme.

[00:17:34] Muito bem.

[00:17:35] Vamos lá falar de Martinho Supremo Ronaldinho.

[00:17:38] Quer começar aí por favor?

[00:17:41] Já parece um prato, né?

[00:17:43] Martinho Supremo.

[00:17:46] Supremo de Martinho seria, né?

[00:17:48] Supremo de não sei o quê.

[00:17:49] Olha, eu fui…

[00:17:50] Eu me dirigia à sala de cinema para não gostar desse filme.

[00:17:53] Com má vontade.

[00:17:54] Com má vontade.

[00:17:55] Porque quando eu vi que ele tinha duas horas e meia de filme eu falei já vou

[00:18:00] Porque eu não vejo um motivo para um filme ter duas horas e meia.

[00:18:03] Quebrei a cara.

[00:18:04] Porque eu adorei o filme.

[00:18:06] O filme tem duas horas e meia mas você realmente não percebe.

[00:18:10] Porque ele tem uma direção muito ágil.

[00:18:13] Ele tem um clima meio de videoclipe.

[00:18:17] Mas não até aquele videoclipe irritante, né.

[00:18:19] Ele tem cenas que são realmente muito ágeis.

[00:18:21] E passa de uma cena pra outra muito rapidamente.

[00:18:24] Eu fiquei feliz quando começou a tocar Forever Young.

[00:18:28] No começo do filme.

[00:18:29] Mas assim não toca depois nunca mais.

[00:18:31] Que é aquele clássico do Alfaville, né?

[00:18:33] Que remete a uma certa nostalgia.

[00:18:37] Mas eu entendi que foi só para colocar aquela nostalgia daquele personagem.

[00:18:41] Que é insuportável que é esse Marty Supremo.

[00:18:43] Esse homem é absolutamente insuportável.

[00:18:46] E eu acho que o fato dele ser uma pessoa insuportável.

[00:18:51] Que encarna esse…

[00:18:53] Todo esse lado ruim que o capitalismo produziu no Americano Médio.

[00:18:58] De achar que ele vai ficar rico.

[00:19:01] De achar que ele tem que fazer o jogo pra poder se dar bem.

[00:19:06] Que ele fica criando eras pra ele ter atalhos.

[00:19:12] Pra ganhar mais dinheiro.

[00:19:13] Ou ter mais sucesso.

[00:19:14] Ou ter mais notoriedade.

[00:19:15] Pra chegar em lugares que ele supostamente acha que ele seja merecedor.

[00:19:20] Então ele é o resultado daquela sociedade que diferencia vencedores de perdedores.

[00:19:26] Se você não tem dinheiro você é um perdedor.

[00:19:28] E você não merece nada.

[00:19:29] E aí você vai te dar um tiro.

[00:19:31] E se você fica milionário.

[00:19:35] Não importa se você é honesto.

[00:19:36] Se você não é honesto.

[00:19:37] Se você passa na frente dos outros.

[00:19:39] Passa por cima dos outros.

[00:19:41] Se você se torna um bilionário você é uma pessoa a ser admirada.

[00:19:44] São mais ou menos esses valores ali que me parecem ser daquele personagem.

[00:19:48] Então eu achei um personagem meio irritante.

[00:19:50] E eu acho que o fato do Timothee Chalamet ter conseguido me irritar.

[00:19:54] Dentro daquele personagem ainda assim.

[00:19:56] Mantido minha atenção até o final daquele filme.

[00:19:58] Mostra que ele realmente fez um trabalho incrível.

[00:20:01] Com a frente desse filme.

[00:20:05] Eu acho o Timothee Chalamet.

[00:20:06] Eu realmente acho.

[00:20:07] Tem gente que tem implicância com ele.

[00:20:08] Ele tem haters.

[00:20:09] Eu sei.

[00:20:10] Mas eu realmente acho o Timothee Chalamet um bom ator.

[00:20:14] Desde lá de…

[00:20:15] Me chame pelo seu nome.

[00:20:18] Tem uma certa implicância com ele agora.

[00:20:20] Mais recentemente por conta do namoro dele.

[00:20:22] Ele namora uma Kardashian.

[00:20:24] É uma Jenner.

[00:20:26] É uma Kylie Jenner.

[00:20:27] Ah, é uma Jenner.

[00:20:28] Não é a mesma coisa?

[00:20:29] É, é outra família.

[00:20:30] É a mesma coisa.

[00:20:31] Mas é que algumas são filhas do Rob Kardashian.

[00:20:33] Outras da Caitlyn Jenner.

[00:20:35] Tudo que eu sei sobre o Kardashian é contra a minha vontade.

[00:20:37] Por isso que ele namora uma dessas pessoas.

[00:20:40] Ele namora uma dessas pessoas.

[00:20:42] E por conta disso desenvolvemos aí uma certa implicância com ele.

[00:20:46] Até porque ele é um garoto meio chato, né?

[00:20:49] E o Timothee Chalamet…

[00:20:50] Aí que a gente descobriu que ele é hétero.

[00:20:52] É isso que ficou ruim.

[00:20:53] Pode ser, pode ser.

[00:20:54] Ele começou bem, né?

[00:20:55] Como ele chama pelo seu nome, ele começou bem, né?

[00:20:57] É, então.

[00:20:58] A gente tava achando as coisas.

[00:21:00] Será que ele tem uma ambição pública que combina com o filme, né?

[00:21:04] Então acho que…

[00:21:05] É.

[00:21:06] É isso que tem um pouco de…

[00:21:08] Rance.

[00:21:09] O Timothee Chalamet, ele é…

[00:21:10] Pode ser.

[00:21:11] Ele é um produto…

[00:21:12] Mas eu gosto.

[00:21:13] Pode esquecer que ele é o…

[00:21:14] Eu também gosto dele.

[00:21:15] Ele é o produto de um…

[00:21:16] De um Nova Iorquino extremamente privilegiado.

[00:21:19] Né?

[00:21:20] Ele vem de uma família privilegiada.

[00:21:22] Ele estudou em escolas…

[00:21:24] Caras.

[00:21:25] Ele fala francês e fala inglês.

[00:21:28] Ele é bilíngue.

[00:21:29] Ele fala as duas línguas em casa.

[00:21:31] É…

[00:21:32] Assim, ele…

[00:21:33] É um garoto que consome arte dentro de casa por conta da família dele.

[00:21:37] Desde muito cedo.

[00:21:38] Então, assim, ele teve tudo ali.

[00:21:40] Tudo tava…

[00:21:41] Colocaram ele na cara do gol.

[00:21:43] Né?

[00:21:44] Pra ele…

[00:21:45] Dar o chute ali.

[00:21:46] O que eu acho bacana nisso é que ele tem dado chutes e tem…

[00:21:49] E tem ido bem.

[00:21:50] Assim, porque muitas vezes tem gente que fica ali na cara do gol e não faz nada.

[00:21:53] Né?

[00:21:54] Baixa pra fora e tal.

[00:21:55] E ele não.

[00:21:56] Ele resultado tá…

[00:21:57] Tá cumprindo ali bem.

[00:21:58] Tá fazendo juízo ao seu privilégio de…

[00:22:01] Os privilégios que teve ao longo da vida.

[00:22:04] É…

[00:22:05] E eu acho essa é a indicação dele merecida.

[00:22:06] Acho que ele vai dar trabalho…

[00:22:08] Trabalho sim.

[00:22:09] No Oscar acho que ele vai dar trabalho pro Wagner.

[00:22:12] Ele é forte.

[00:22:13] E uma coisa que eu falei na CBN e eu repito.

[00:22:16] É…

[00:22:17] O Timothée Chalamet é um personagem da indústria de Hollywood.

[00:22:20] E aí eu lembro da Fernanda Montenegro.

[00:22:23] Lá em 99, quando ela foi ganhando todos os prêmios.

[00:22:25] Era outro tempo, evidentemente, mas ela foi ganhando todos os prêmios, né?

[00:22:28] Quando chegou no Oscar, a imprensa brasileira entrevistou e aí a expectativa e ela falou

[00:22:33] uma frase que eu nunca mais esqueci.

[00:22:34] Olha, o Oscar é um prêmio da indústria para a indústria.

[00:22:38] Então o Oscar é outra conversa.

[00:22:40] Né?

[00:22:41] Então essa frase da Fernanda Montenegro, ainda que tenha sido lá em 99.

[00:22:45] A gente sabe o que aconteceu.

[00:22:47] A fé é a temporal.

[00:22:48] Eu me lembro disso até hoje.

[00:22:50] Então assim, o Timothée é um produto da indústria de Hollywood.

[00:22:54] É o produto perfeito.

[00:22:55] Porque ele é jovem, tem uma carreira ainda gigante pela frente.

[00:22:58] É a terceira vez que ele é indicado ao Oscar.

[00:23:01] Ele faz papéis em blockbusters, em filmes…

[00:23:05] Quantas vezes o de Capcom foi indicado até alguém falar

[00:23:10] Eu não lembro, mas isso virou uma piada.

[00:23:12] Porque ele foi indicado várias vezes.

[00:23:15] Teve alguma coisa que viralizou.

[00:23:17] Dei um Oscar para esse cara.

[00:23:18] Tipo, pelo amor de Deus, né?

[00:23:20] Ninguém aguenta mais.

[00:23:21] Eu já contei 300 vezes.

[00:23:23] Tinha a Veia, né?

[00:23:24] Que é…

[00:23:25] Ele desceu para gravarem o nome dele ali na base do prêmio.

[00:23:30] E aí ele tá conversando com a moça e fala

[00:23:32] Ah, você faz isso aqui todo ano?

[00:23:33] Ela faz?

[00:23:34] Ele é…

[00:23:35] Eu não tinha como saber.

[00:23:38] Eu não lembrava disso não.

[00:23:39] Você lembrava?

[00:23:40] Eu não lembrava disso não.

[00:23:41] Bichinho, pequenininho.

[00:23:42] Mas é isso.

[00:23:43] E aí agora o Timothée Chalamet…

[00:23:45] Agora que o Leonardo DiCaprio virou o novo Jack Nicholson, né?

[00:23:48] Que é aquele personagem que aparece na plateia de todas as premiações.

[00:23:54] E virou um personagem que você fica observando, né?

[00:23:57] Caralho, você falou…

[00:23:59] Você falou…

[00:24:00] Verdades, né?

[00:24:01] Agora.

[00:24:02] Eu gostei dessa…

[00:24:03] O novo Jack Nicholson.

[00:24:05] E aí o Timothée tá nesse lugar agora de…

[00:24:08] Pô, será que agora vai, né?

[00:24:09] E tal.

[00:24:10] Ele ainda é muito jovem, né?

[00:24:11] Tem esse outro lado.

[00:24:13] Mas aí a gente vai ter que ver o que vai acontecer.

[00:24:15] E mais sobre ele, falo nos spoilers.

[00:24:17] Muito bem.

[00:24:18] Você, Sil.

[00:24:19] Diga aí.

[00:24:20] Eu gostei muito, muito desse filme.

[00:24:21] Eu fiquei tipo…

[00:24:22] Eu fui assistir com o meu respectivo.

[00:24:24] E aí ele aí, quantas estrelas?

[00:24:26] E eu, cara, eu tô muito catando alguma coisa pra eu não dar cinco.

[00:24:29] Porque…

[00:24:32] Porque sei lá, tipo…

[00:24:33] Porque ele não foi um filme que mudou a minha vida.

[00:24:36] E eu sei que não vai ser um filme que mudou a minha vida.

[00:24:38] Então, tipo, eu dei cinco estrelas pra Dias Perfeito, pra Capitão Fantástico.

[00:24:43] Mas ele é muito bom.

[00:24:45] Eu achei uma direção muito boa.

[00:24:46] Eu achei que o Timothée achou uma…

[00:24:50] Uma temperatura ali de atuação que ele nunca tinha usado.

[00:24:54] Nas outras coisas dele.

[00:24:55] A última coisa dele que eu tinha assistido foi um completo desconhecido.

[00:24:59] Ah, ele tava legal.

[00:25:01] Eu não gostei muito, não.

[00:25:03] Ah, ele tava ruim.

[00:25:05] Então eu não gostei muito do filme dele.

[00:25:06] Mas é porque você tá vendo que eu gosto muito do Bob Dylan.

[00:25:12] Porque…

[00:25:13] É, o Bob Dylan é quem viu…

[00:25:17] Como é que é o nome do filme?

[00:25:19] A Noite do Pop?

[00:25:20] A Noite que Mudou o Pop?

[00:25:21] Ah, é o…

[00:25:22] Do We Are the World.

[00:25:23] O filme do We Are the World, é.

[00:25:25] Exato.

[00:25:26] Impraticável.

[00:25:27] Enfim.

[00:25:28] Mas é isso, né.

[00:25:29] Mas o Bob Dylan é um personagem chato.

[00:25:32] Mas não sei, eu achei…

[00:25:34] Não, não é.

[00:25:35] Ele não é chato.

[00:25:36] Tudo bem.

[00:25:37] Ele é Bob Dylan.

[00:25:38] Entendi.

[00:25:39] As coisinhas dele.

[00:25:40] As coisinhas dele.

[00:25:41] As coisinhas dele de Bob Dylan dele.

[00:25:43] E assim, Martinho é um saco.

[00:25:45] É isso que o Ramiro estava falando.

[00:25:47] Ele, de fato, é um saco.

[00:25:49] Mas eu não consegui parar de olhar.

[00:25:53] E eu ri, sabe, eu curti.

[00:25:55] E tinha uns horas e meia de filme e eu não senti.

[00:25:58] Eu só senti quando teve vontade de assistir.

[00:26:00] E eu gostei muito como fala do Sonho Americano sem ter nenhuma…

[00:26:05] Nenhum diálogo que eu lembre, pelo menos.

[00:26:07] Aí vocês me dizem.

[00:26:08] Eu não lembro de nenhum diálogo expositivo

[00:26:10] explicando o que é o Sonho Americano.

[00:26:12] Sabe?

[00:26:13] Tipo, as pessoas sabem que nós…

[00:26:17] Tipo, vai indo, vai indo.

[00:26:19] E no roteiro.

[00:26:20] E você acaba entendendo o que é sobre isso.

[00:26:23] Então é isso.

[00:26:24] Acho que o resto é dos spoilers.

[00:26:25] Eu acho que vale a pena, sim, essa daqui.

[00:26:29] Se você estiver fazendo cinema, tipo, de sanduíche,

[00:26:32] vai ouvir aqui, vai assistir.

[00:26:34] Vai ver depois os spoilers.

[00:26:35] É muito vale a pena.

[00:26:36] Muito bem.

[00:26:37] E você, Bia?

[00:26:38] Moleque desgraçado!

[00:26:40] Seita, fica quieto!

[00:26:42] Cara, que furacão!

[00:26:45] Que furacão!

[00:26:46] Gente, eu gosto muito, muito de jóias brutas.

[00:26:50] Eu fui, querendo não gostar, a Dan Sandler.

[00:26:54] A gente está sabendo que a Dan Sandler tem atuações que são boas.

[00:26:56] Quando eu assisti Jóias Brutas, eu falei,

[00:26:58] ai, o que que isso pode me trazer?

[00:27:00] O que acontece?

[00:27:01] Eu terminei o filme, busto suado, apetite debaixo do braço,

[00:27:04] ofegante, o cabelo colado na cabeça de suar.

[00:27:07] Pensando, meu Deus do céu, o que que foi isso?

[00:27:09] Que horror, não termina nunca!

[00:27:11] Na época, a Tio Lin, minha amiga Tio Lin, um beijo.

[00:27:15] Eu lembro que ela twittou que assistir Jóias Brutas

[00:27:19] é tipo a sensação de quando você precisa correr de um perigo num sonho.

[00:27:23] E você corre devagar e você vai ter que dar o soco,

[00:27:26] aquele soco mole de sonho que você não consegue socar.

[00:27:29] E é aquilo.

[00:27:30] E aí, junta um do Saft e a volta do roteirista de Jóias Brutas

[00:27:35] e só podia dar certo uma coisa nessa mesma velocidade altíssima.

[00:27:40] Fiquei muito feliz.

[00:27:41] Assim como o Ronald, eu fui meio de nariz torcido

[00:27:46] porque eu fiquei, ai, está todo mundo falando bem

[00:27:49] só porque eu já amei.

[00:27:52] É, mas é que ele está bom mesmo.

[00:27:54] Então, ele está bem.

[00:27:56] O entorno dele está muito bem construído

[00:27:59] para ele ser o pentelíssimo do rolê.

[00:28:03] Todo mundo parece que tem um julgamento muito melhor do que o dele.

[00:28:07] Todo mundo parece que assim, cara, pelo amor de Deus,

[00:28:10] vamos com calma.

[00:28:11] E ele não vai com calma.

[00:28:13] E é tudo errado.

[00:28:14] E aí, toda vez que ele dobra a posta,

[00:28:16] ele é incapaz de pensar cinco segundos no futuro

[00:28:20] para fazer as coisas que ele quer fazer.

[00:28:22] E a gente está aqui falando dele ser insuportável,

[00:28:25] mas a graça toda do filme sou eu.

[00:28:27] Meu Deus, que menino chato.

[00:28:29] Ai, tomara que ele consiga.

[00:28:30] Nossa, que vagabundo.

[00:28:31] É isso mesmo.

[00:28:32] Vai, vai, vai nessa.

[00:28:33] Eu não quero torcer para ele,

[00:28:35] mas eu me pego torcendo para ele.

[00:28:37] Ele me distrai.

[00:28:40] E aí, quando eu estou vendo, eu estou lá torcendo para ele

[00:28:42] porque não é possível que um menino que coloque tanta energia em si

[00:28:46] não tenha alguma coisa também, né?

[00:28:48] Vamos ver o que ele tem para falar.

[00:28:50] Isso não é um spoiler.

[00:28:51] Eu vou falar assim de forma cifrada.

[00:28:53] Existe uma cena que eu gosto muito, muito, muito,

[00:28:56] que ele está falando com uma personagem feminina

[00:28:59] em que ele acusa ela de ser todas as coisas que ele é.

[00:29:04] E essa cena é de forma supernegativa,

[00:29:08] porque você é isso, isso e aquilo é outro.

[00:29:11] E é muito bom, porque você está seguido da Silva, né, meu amigo?

[00:29:16] Você não consegue ver nada na sua frente,

[00:29:18] além da bolinha de tênis de mesa.

[00:29:22] Eu não sabia que dava para ser tão…

[00:29:24] E assim, um abraço para todo mundo que dirigeu as cenas de jogo,

[00:29:29] porque eu já vi tênis de mesa nas Olimpíadas, né, que passa.

[00:29:33] É legal, mas não é eletrizante como é com a edição, com a montagem.

[00:29:38] Aliás, esse filme também tem indicado a montagem no Oscar com muito louvor,

[00:29:42] porque merece para caralho.

[00:29:44] Existem partes desse filme que são em japonês,

[00:29:47] que os personagens falam japonês.

[00:29:49] E aí, em vários momentos, a gente não tem legenda,

[00:29:52] porque a gente está lá meio mágica.

[00:29:54] Eu fico até pensando o quanto que isso afeta

[00:29:57] quem é falante de japonês que assiste o filme

[00:30:00] e que não se sente perdido como a gente.

[00:30:02] Que a gente está assim como ele,

[00:30:04] dependendo de que alguém seja bondoso o suficiente para traduzir,

[00:30:07] dependendo de, por favor, fala tal coisa assim para ele, porque eu não consigo.

[00:30:10] Eu fiquei muito impressionada também com o quão longe a gente vai sem perder o ritmo.

[00:30:16] E eu achei que só tinha um final possível para ele.

[00:30:21] Eu não sabia até que o Martin tinha existido de verdade e tal.

[00:30:24] Eu achei, baseado em Joias Brutas, que a gente só tinha um final possível.

[00:30:28] Não foi o final que aconteceu.

[00:30:30] E eu gostei do final que aconteceu,

[00:30:33] porque, enfim, ele vai falar de propósito, de outros jeitos.

[00:30:40] Mas eu fiquei, inclusive, curiosa para ler essa autobiografia desse doido do Martin de verdade,

[00:30:47] porque um monte de coisa dessa bocudice dele está lá.

[00:30:50] Enfim, achei ele um personagem interessante da história do esporte.

[00:30:55] Olha, eu concordo com vocês no questão do Shalalei aí,

[00:31:01] que está nesse modo Hawin, não é?

[00:31:05] Eu também gosto dele, por exemplo.

[00:31:08] Me enxame pelo seu nome e acho que ele faz uma performance sensacional, cara.

[00:31:13] Lindo.

[00:31:14] Não é? E foi ali que eu sabia da existência dele, não é?

[00:31:18] Acho que ele despontou por mundo ali.

[00:31:20] Mas aqui ele tem, acho que a performance mais intensa e emblemática, talvez, da carreira dele,

[00:31:26] porque tem uma atuação física que chama muito a atenção.

[00:31:32] E isso que você falou, Bia, ele consegue transformar a arrogância do personagem numa coisa magnética.

[00:31:38] Ele faz as coisas mais insuportáveis e você não consegue odiar ele.

[00:31:42] Você continua querendo que ele se dê bem.

[00:31:44] Acho que isso está muito…

[00:31:46] Tudo bem, está no roteiro, está no texto, está na direção,

[00:31:49] mas em como ele consegue fazer esse personagem funcionar.

[00:31:53] Tem…

[00:31:54] Só uma adenda aqui que o Merigo falou que ele tem uma presença física.

[00:31:58] Ele está treinando tênis de mesa há seis anos.

[00:32:01] Queria perguntar isso, aliás. Ele está jogando de verdade?

[00:32:04] Ou isso é feio, é iá?

[00:32:06] Há seis anos.

[00:32:07] Sei que ele falou numa entrevista que na época, tipo, estava acabando Pequenas Mulheres.

[00:32:13] Como é Pequenas Adoráveis Mulheres, o nome do filme?

[00:32:15] Little Women.

[00:32:17] Mulherzinha.

[00:32:18] E ele já estava treinando pinpoint tênis de mesa.

[00:32:23] Pois é.

[00:32:24] Adoráveis Mulheres, é isso aí.

[00:32:25] Porque é impressionante.

[00:32:27] E tem essa energia do Safi de novo, como a Bia falou, ritmo alucinante.

[00:32:35] Um caos organizado, como ele consegue fazer.

[00:32:38] De novo, ele deixa o Marty sem respirar e a gente também vai nisso.

[00:32:44] Então, cara, direção técnica, tudo isso de altíssimo nível, chovendo molhado.

[00:32:49] Cara, eu gostei muito da escolha da trilha.

[00:32:51] Tem várias músicas anos 80, que são totalmente anacrônicas da história.

[00:32:55] Mas…

[00:32:56] Ai, que delícia essa mistureba.

[00:32:59] Funciona, né?

[00:33:00] Eu amei.

[00:33:01] Amei muito.

[00:33:02] Funciona.

[00:33:03] Eu gosto muito que ele faz uso.

[00:33:04] Eu acho que no Jóias Brutas já tinha isso.

[00:33:06] De um elenco de apoio que com um cheiro de gente que é não ator.

[00:33:11] Então, dá uma personalidade pro filme que a gente não costuma ver em outros, né.

[00:33:17] Dá uma imprevisibilidade, assim, cada um que aparece ali em pequenos papéis e participações.

[00:33:23] E o Tyler, o The Creator, do nada.

[00:33:25] É verdade, que tá lá também, faz uma boa duplinha.

[00:33:28] Absolutamente nada.

[00:33:29] Ele tá demais, ele tá demais.

[00:33:30] Porém, né, sempre tem um porém.

[00:33:33] Lá vem.

[00:33:34] Sou o cara do porém.

[00:33:36] Lá vem.

[00:33:37] Eu acho… Eu não gosto de ser o cara que fica reclamando de duração do filme, tá?

[00:33:43] Inclusive, Pátia, nossa audiência já nos chamou de…

[00:33:46] A gente não é mais adolescente pra reclamar de duração do filme.

[00:33:50] Cresçam.

[00:33:51] Cresçam.

[00:33:52] Eu gosto de acreditar que o filme tem o tempo que ele tem que ter.

[00:33:55] Mas às vezes passa do ponto, né.

[00:33:58] É o tempo que ele tem que ter, mas também…

[00:34:00] É, o filme tem que ter o tempo que ele tem que ter.

[00:34:03] Tem uns filmes que não eram pra ter o tempo.

[00:34:06] É isso, exato.

[00:34:07] É isso.

[00:34:08] Essa é a história.

[00:34:09] Dito isso, que eu gosto de tentar não reclamar, pra mim tá claro que tem várias cenas

[00:34:14] aqui que poderiam ter ficado na sala de edição.

[00:34:16] Porque o filme não sabe quando parar, né.

[00:34:19] Tem um excesso, uma repetição.

[00:34:22] Tem um estilo, né, que vai se repetindo.

[00:34:26] Inclusive o personagem, além deles terem cenas que se repetem, eles introduzem

[00:34:32] personagens que também são esquecidos, né, que são deixados pra trás.

[00:34:36] Várias personagens secundárias são completamente sacrificados.

[00:34:39] Depois a gente pode falar isso nos spoilers.

[00:34:42] Mas é isso, acho que confunde um pouco intensidade com profundidade.

[00:34:47] Por mais que seja fascinante, também é cansativo em alguns momentos porque ele

[00:34:53] tem esse lance circular.

[00:34:55] E o outro ponto, eu acho que tem uma moralidade meio ambígua do filme, que é…

[00:35:02] Eu acho muito bonito o final também.

[00:35:04] Eu gostei, a Bia falou sobre…

[00:35:06] Esperava um final, foi uma coisa completamente diferente.

[00:35:09] E eu gosto da decisão do final.

[00:35:11] Mas eu fiquei com a dúvida se o filme tá tentando criticar essa obsessão por

[00:35:16] grandeza, né, do homem que se faz sozinho.

[00:35:21] Ou se ele tá celebrando isso.

[00:35:23] Ah, sério?

[00:35:26] Eu acho que é total crítica.

[00:35:28] Total crítica, né, porque ele é ridicularizado, né, no…

[00:35:31] O tempo inteiro.

[00:35:33] Falando assim de forma cifrada, não se paga.

[00:35:39] O nível da loucura não se paga.

[00:35:41] Essa dúvida que você ficou vai ao encontro do que a Ciú falou.

[00:35:46] O filme não faz uma pregação contra nada.

[00:35:49] Ele vai te mostrando ali, você vai…

[00:35:51] Isso.

[00:35:52] Aí vai de cada um.

[00:35:53] Ele não vai ser herói de ninguém, né.

[00:35:55] É verdade, vocês têm razão.

[00:35:58] Tem mais…

[00:35:59] Pensando assim, ele tem mais momentos ridículos atrás desse…

[00:36:04] Pagando o preço de ter essa grandeza.

[00:36:07] É mais cruel, né, do que você ter um cara que vai ter um…

[00:36:11] Enfim, o filme típico de esporte, né.

[00:36:13] Que quando o filme começa, eu achei, putz, será que vai ser isso?

[00:36:17] Não é um filme de esporte.

[00:36:18] É, e é legal que ele não…

[00:36:20] Tanto que a gente nem sabe direito sobre ping-pong, tênis de mesa.

[00:36:25] É, a gente saca regras muito anpassando.

[00:36:29] É isso.

[00:36:30] É como se fosse um cenário, né.

[00:36:33] É quase como se fosse um cenário do filme acontecer.

[00:36:36] Então eu gosto dele não ir pra esse lado de ser o filme típico de esporte, né.

[00:36:41] Do cara que vai, luta, cai, levanta, né, no final, o grande herói.

[00:36:45] Esse é o shade pro Coração de um Lutador?

[00:36:47] Você tá rivalizando os irmãos?

[00:36:49] Mas o Coração de um Lutador é a mesma…

[00:36:50] Cara, os dois são irmãos, os dois filmes.

[00:36:52] Porque são os dois caras também…

[00:36:54] Que não é filme de esporte também.

[00:36:56] É, dessa grandeza.

[00:36:57] E no fim, cara, você fala, meu, será que vale, né?

[00:37:00] Tudo isso aqui, um é mais divertido, né, engraçado.

[00:37:04] Outro é mais dramaticão, assim, mais deprê.

[00:37:07] Enfim, vamos pra spoilers.

[00:37:09] Vamos!

[00:37:10] Spoilers!

[00:37:11] Spoilers!

[00:37:12] Por favor.

[00:37:16] Eu sou o Pai.

[00:37:19] Um garoto é o melhor amigo da sua mãe.

[00:37:20] O que está na caixa?

[00:37:22] Eu vejo as pessoas mortas.

[00:37:24] Eu vou te matar!

[00:37:29] Dizem e gritem, pessoas!

[00:37:32] Ele derrubando a casa, ele pega o cachorro, joga o cachorro, mata o cachorro…

[00:37:37] A banheira desce, eu achei super…

[00:37:39] A banheira, eu só pensava na banheira.

[00:37:41] Achei super Breaking Bad no negócio da banheira.

[00:37:43] Por que ninguém falou nada da Guinness?

[00:37:44] O que aconteceu nesse episódio?

[00:37:45] Ai, cara, a Guinness, né, a nossa querida Goop, ela…

[00:37:50] Ela foi esquecida, gente.

[00:37:52] Ficou pra trás, no correria todo, apressada do filme.

[00:37:55] É!

[00:37:56] Porque na hora que o Timothée mostra a bunda dele, aquela realmente é a bunda dele, essa informação eu tinha.

[00:38:01] Olha aí, ele passou seis anos fazendo glúteos pra estar a bunda atuando no método.

[00:38:07] O Caio virou pra mim e falou assim, amor, por que que no final do filme, por que que essa linha de história com a Guinness Petro existe?

[00:38:12] É!

[00:38:13] Cara, mas eu não acho ruim, eu acho que tem uma coisa, e aí passando pra outras coisas que eu li, que são spoiler, que é…

[00:38:21] No final, a gente tem lá o cara da fábrica de canetas lá, o senhor Bentel, não sei…

[00:38:27] Como que é o Rockwell, né?

[00:38:31] É Rockwell.

[00:38:33] Ele fala pro Marty numa cena muito foda que é, eu sou um vampiro, eu sou de 1601, eu já vi vários como você e outros virão e…

[00:38:47] Que é essa coisa de assim, não acaba o capitalismo, não acaba o sanguessuga.

[00:38:53] As cenas da Guinness Paltrow, especialmente quando eles estão transando, existe uma coisa meio pescoço, meio ela morde o pescoço dele uma hora.

[00:39:02] O Marty tira o colar dela, que depois vai descobrir que é fantasia, né, que é figurino.

[00:39:09] Ele tira do pescoço dela, foca bem.

[00:39:12] Existe uma relação ali também de, ela já tá esquecida, minguada num casamento que ela detesta.

[00:39:19] Com uma grana que ela gasta assim, meio, ah, eu vou pro Copacabana Palace, aí eu volto, sei lá.

[00:39:25] E ele é um doidão que ligou pra ela de maluco.

[00:39:30] Ah, fico olhando aí pra janela que vou jogar a maçã.

[00:39:33] Que porra é essa? Que diálogo são esses? Mas é isso, esse é o Marty.

[00:39:37] E aí é uma coisa dela querer a juventude dele, a paixão dele, né, esse tesão pela vida que é até descontrolado.

[00:39:48] Assim, para que serve? A ver, mas eu gosto muito desse jogo de quem suga quem.

[00:39:56] De quem se aproveita de quem, sendo ele uma bomba, e aí você vai querer o quê?

[00:40:05] Você vai querer controlar essa bomba? Você vai querer surfar a onda dessa bomba?

[00:40:08] Ele é tão explosivo, ainda não tem uma bomba.

[00:40:12] Imprevisível.

[00:40:13] Que é uma, é impossível você passar por ele e não ser afetado.

[00:40:18] Esses personagens secundários que você falou, Merigo, que ficam, que a gente perde de vista,

[00:40:24] pra mim, é ele metendo marcha. A gente nunca mais viu e nunca mais vou ver.

[00:40:30] Forte abraço, sabe? A menina que ele, e ele faz umas coisas, eu acho muito engraçado, né,

[00:40:37] que tem coisas dele que se pagam e outras não.

[00:40:40] Essa história do tênis de mesa que ele foi lá, pediu pra fazer o outro jogo só pra mostrar que ele podia,

[00:40:47] só pra falar, gente, eu não sou doido, eu jogo muito.

[00:40:52] Vocês acham que eu sou doido?

[00:40:53] Talvez um pouco, mas é que eu tô falando sério que eu jogo muito.

[00:40:56] Ele vai perder tudo, mas ele quer essa chance de mostrar, né?

[00:40:59] Exato, e com a menina que ele engravida, que eu adoro tudo que ele inventa com ela.

[00:41:04] Ah, ela é minha irmã, você deixar minha irmã grávida na rua?

[00:41:08] Ah, essa aqui é fulana. Ele vai inventando e ela vai indo junto, né?

[00:41:12] Eu acho engraçado como ele, ele, e aí eu não, enfim, né, eu não pensei em tudo, mas…

[00:41:19] Ele tá, ele cuida dela descuidando e tratando ela mal e falando que ela não tem…

[00:41:25] Pô, e ela que fingiu que apanhou do cara lá, do marido.

[00:41:30] Cara, ela não tem… Que ele falou que ela não tem propósito, que ele tem.

[00:41:36] Cara, assim, existe um mundo real pra onde ele não quer ir, mas que ele não consegue escapar.

[00:41:45] Jamais, porque ele está vivo no planeta Terra.

[00:41:47] Não há sonho americano que tire você das obrigações das coisas que você faz,

[00:41:53] das terríveis consequências dos seus próprios atos.

[00:41:55] Então, agora, aquele final dele muito emocionado com a Nenei…

[00:42:00] Ah, legal.

[00:42:01] Eu gostei, mas eu queria que ele morresse, sabia?

[00:42:04] É? Caramba, Bia.

[00:42:06] Imagina que você fosse falar isso?

[00:42:07] Por quê?

[00:42:08] É, porque… Ai, puta.

[00:42:10] Queria que ele morresse.

[00:42:12] Não, calma. Não é porque eu odeio o Char…

[00:42:15] Sil, eu não quero que o Charlamagne morra, tá?

[00:42:18] Fica tranquilo.

[00:42:19] Mas o… Gente, eu vou precisar falar um negócio de jóias brutas.

[00:42:24] Não, não.

[00:42:25] Fala, Paula.

[00:42:26] É, mas…

[00:42:27] Fala um negócio…

[00:42:28] Não pode falar também.

[00:42:29] Tá, tá, tá.

[00:42:30] É que assim, tá bom.

[00:42:31] Então vou só falar.

[00:42:32] Que é, no nível de aceleração que ele tava e de aflição, que é assim, esse menino,

[00:42:38] ele vai pro Japão porque ele apanha na bunda, porque ele acha que é melhor apanhar

[00:42:42] na bunda e conseguir ir pro Japão do que não fazer esse negócio acontecer.

[00:42:45] Ele tá no Japão, ele não tem mais avião pra voltar.

[00:42:47] Ele só tem avião pra voltar, porque os militares gostaram dele.

[00:42:50] É tudo no rem, é tudo na linha de quase que não rola.

[00:42:53] É.

[00:42:54] É bem brasileiro, né?

[00:42:55] Ele é gambiarreiro pra caramba.

[00:42:56] Gambiarreiro pra caralho.

[00:42:58] Eu fiquei pensando que a única gente de parar essa loucura, stop the madness, é morrer.

[00:43:07] É ele morrer dentro do próprio furacão que ele causou.

[00:43:13] Mas você não acha que ele parou depois desse final?

[00:43:15] Porque que nem no coração…

[00:43:16] Ele para de outro jeito, é isso.

[00:43:18] Como é o coração de lutador lá?

[00:43:20] É isso, você se encontra na vida normal, né, depois de você passar a vida inteira…

[00:43:24] Nossa, o final de coração de lutador é muito bom.

[00:43:26] Depois de você passar a vida inteira tentando a grandeza e sendo humilhada,

[00:43:30] você encontra alegria no mundano, não é isso?

[00:43:34] Não, eu não discordo.

[00:43:35] É que aqui entra o âmbito do filme da minha cabeça versus o filme que existe.

[00:43:40] Não acho que tinha que ter, que tinha que ter morrido.

[00:43:43] O filme que eu escreveria, eu acho que eu teria matado ele.

[00:43:46] E eu acho que eu teria deixado o negócio do…

[00:43:49] Ele era tudo isso, ele era, cara, inclusive várias vezes desprezível.

[00:43:54] Mas sem ele, não sobra paixão, não sobra drive, não sobra nada, sabe?

[00:44:00] Que tinha algo ali.

[00:44:01] Mas não acho ruim o outro.

[00:44:02] Para o Sil e para o Ronald falarem mais, que eu quero ouvir mais a opinião deles.

[00:44:07] Desculpa, eu não monopolizei o microfone.

[00:44:08] Eu também, eu também tô roubando aqui, mas…

[00:44:11] Vocês não acham que a má vontade com ele também era grande demais?

[00:44:16] Sem motivo, aquele cara lá que era o chefe da federação lá, de tênis de mesa,

[00:44:22] que não queria deixar ele jogar…

[00:44:24] Eu não entendo pra quê.

[00:44:25] Sem motivo?

[00:44:26] É.

[00:44:27] Você viu o filme?

[00:44:28] Ele é suportável.

[00:44:29] Chato pra caralho!

[00:44:30] Eu sei, mas porra…

[00:44:31] Eu acho que a única pessoa que é suportável com ele sem motivo é o tio.

[00:44:34] Tipo, cara, paga o menino, cara.

[00:44:36] É, que é o tio carraspo, né?

[00:44:37] É que a mãe não queria, né?

[00:44:39] Era macomunado com a mãe dele.

[00:44:42] A mãe, né?

[00:44:43] É, porque a mãe não queria que ele fosse.

[00:44:44] A mãe e o Fren Fine.

[00:44:45] Do lado do cara lá…

[00:44:46] Ele era muito chato, ele era muito chato.

[00:44:50] Chato?

[00:44:51] Insistente!

[00:44:52] É claro que…

[00:44:53] Deixa eu jogar…

[00:44:54] É, o cara também não era flor que se cheire, evidentemente.

[00:44:59] Mas vendo aquele jogo deles ali, né, dava pra entender o cara em algum nível.

[00:45:07] Mas assim, também era um jogo ali de duas pessoas que…

[00:45:11] Isso, é o sujo jogando com uma lavada.

[00:45:13] É, não dá pra tomar muito partido ali, né?

[00:45:16] Mas, assim, no frigir dos ovos, eu não diria no fim do dia nunca, no frigir dos ovos,

[00:45:23] você consegue entender porque o cara tá tendo aquela atitude com ele.

[00:45:28] Então…

[00:45:29] E você sabe outro filme que me lembrou isso aí?

[00:45:31] O Challengers.

[00:45:32] Me lembrou muito o Challengers.

[00:45:33] Não é?

[00:45:34] Essa coisa…

[00:45:35] Aquela cena dele com o Edo… Endo.

[00:45:37] Ah, é o Edo, é o Edo.

[00:45:39] Que é o jogador japonês que massacrou ele, ele quer ter a revanche.

[00:45:44] Eu ficar…

[00:45:45] Primeiro, eu claramente não sei as regras de tênis de mesa, porque quando ele fazia

[00:45:49] um ponto…

[00:45:50] Ah, agora acabou, ele ganhou!

[00:45:51] Ah não, não.

[00:45:52] Espera.

[00:45:53] Eu também ficava assim.

[00:45:54] Não, é que é igual a bowling, né?

[00:45:55] Você tem que ganhar com dois de diferença.

[00:45:56] Com dois, é.

[00:45:57] Então, mas aí eu só fui sacar isso depois, porque eu já tinha passado muito nervoso.

[00:46:02] Inclusive, escrevam essa fanfic de Challengers, os meninos de Challengers com o Timothée

[00:46:08] e me mandem.

[00:46:09] É, podia fazer o Marty e esse jogador japonês depois se reencontrando e falando

[00:46:15] ah, o jogo é diferente, o jogo do amor.

[00:46:19] Mas eu gostei muito dessas cenas, porque a gente…

[00:46:23] Ele se doa, e aí de novo essa coisa física dele, né.

[00:46:27] Ele tá mal-ajambrado, sendo que esse ator, ele é super elegante, né.

[00:46:33] Ele se veste super bem, ele tem esse negócio…

[00:46:35] Se bem que…

[00:46:36] Eu tô falando, mas desfalo.

[00:46:38] Porque ele veio pra CCXP no final do ano passado e ele tava fora da casinha.

[00:46:44] Mas enfim, a impressão geral é diferente.

[00:46:47] Então, quando ele tá lá, esbudegado pra conseguir aquele ponto que ele se joga…

[00:46:53] Que delícia, cara, que delícia.

[00:46:55] Que delícia.

[00:46:56] É o que você falou, Bia.

[00:46:58] De novo, né, o Timothée Chalamet, ele, personalmente, ele é produto de uma Nova

[00:47:02] York de elite, não é?

[00:47:05] Eu acho que é por aí, acho que é por aí.

[00:47:07] Então assim, tem coisas, por mais que ele coloque aquilo que ele usou no CCXP ali,

[00:47:12] ele tá fazendo também o personagem ali, bem pro Brasil, ah, engraçadinho.

[00:47:17] Mas ele, na vida real, ele é o cara que vai no melhor restaurante mesmo.

[00:47:20] Ele tem o guarda-roupa dele, tá cheio de roupa cara mesmo.

[00:47:24] E sempre esteve, né? Não precisou da fama.

[00:47:26] Sempre esteve, é exatamente isso.

[00:47:28] E ele disse que assistiu muitos vídeos de girafas, porque ele queria ter uma postura…

[00:47:33] Ai, juro, chegou o excêntrico.

[00:47:37] Vai, Chalamet, fala o que foi que você fez.

[00:47:39] Que interessante girafa, né?

[00:47:41] Muito doido, né? Inclusive, eu me impressiono muito com a minha reação em relação a Chalamet.

[00:47:45] Porque se fosse outros atores específicos falando isso, eu falo

[00:47:51] O time hoje, nossa, é isso, né cara? Método.

[00:47:53] Não, maravilhoso. Arrasou.

[00:47:56] Não, realmente, girafa. Não tinha pensado.

[00:47:58] Realmente, vou até ver aqui pra peça que eu vou fazer um negócio do animal…

[00:48:01] Gente, nada como ter tempo livre, né? É muito bom ter tempo livre, né?

[00:48:06] Cara, é muito interessante.

[00:48:08] De um menino com os truques deles, os estudos deles.

[00:48:10] Não se preocupar com o boleto, é muito bom.

[00:48:12] É isso, é isso.

[00:48:14] Vamos usar notinhas?

[00:48:15] Vamos fazer notinhas!

[00:48:16] Notinhas!

[00:48:19] Quatro.

[00:48:20] Gostei, Sil.

[00:48:21] Quatro e meia.

[00:48:22] Gostei, Bia.

[00:48:23] Quatrão.

[00:48:24] Eu vou de três e meia.

[00:48:25] Ah, eu sabia tão.

[00:48:26] Ping e pong, né? A gente foi, você viu? Quatro.

[00:48:28] É.

[00:48:29] Quatro e meia.

[00:48:30] Ping.

[00:48:31] Agora, ó, com o Martin Supreme, a gente completou os dez filmes indicados ao Oscar aí.

[00:48:37] Ah, a média deu quatro, tá?

[00:48:39] Média quatro.

[00:48:40] Média quatro.

[00:48:41] Vocês têm um…

[00:48:42] Completamos o álbum de figurinhas, né?

[00:48:44] Completamos o álbum de figurinhas.

[00:48:45] Não existe mais filme da categoria Melhor Filme que a gente não tenha falado aqui.

[00:48:51] Vocês têm um preferido?

[00:48:54] Qual é o voto de vocês?

[00:48:55] Do quê?

[00:48:56] Pra Melhor Filme?

[00:48:57] Tem um top três?

[00:48:58] Porra, Agente Secreto.

[00:48:59] Próxima pergunta.

[00:49:00] Eu nem vi Agente Secreto ainda, e eu tô torcendo.

[00:49:04] Gente, não, peraí.

[00:49:05] Vocês estão sendo muito…

[00:49:06] Não, eu não tô fazendo isso.

[00:49:08] Agente Secreto, pra mim, é o melhor filme do ano passado, depois Em Pecadores, acabou.

[00:49:13] Tá bom.

[00:49:14] Eu vou inverter a ordem pra mim, é Pecadores.

[00:49:17] Depois Agente Secreto.

[00:49:18] O melhor filme, depois Agente Secreto.

[00:49:19] Agente Secreto é muito bom.

[00:49:21] Bom, enfim, vocês já ouviram o episódio, vocês já sabem tudo o que eu achei, né?

[00:49:24] Eu só assisti Martinho.

[00:49:26] Mas ó, dá uma olhada, vê o que você sente no seu coração.

[00:49:29] Não, então, eu acho…

[00:49:30] Eu escutei…

[00:49:31] Eu vi pedaços de Pecadores e escutei o cinemático de Pecadores.

[00:49:34] Porque eu não quero assistir…

[00:49:35] Você vai passar mal com o Pecadores.

[00:49:36] Mas eu acho que eu vou…

[00:49:37] Não, eu acho que eu vou ter Pesadelo.

[00:49:39] Eu acho que…

[00:49:40] Não vai, o tema música é maior do que o tema…

[00:49:43] Não vai.

[00:49:44] Não vai.

[00:49:45] Não é.

[00:49:46] Todo mundo que tem medo de terror pode ver quem…

[00:49:48] Você é cinemática…

[00:49:49] Olha, se eu sonhar com o Michael B.

[00:49:51] Jordan…

[00:49:52] Ai, que pena.

[00:49:53] Mas aí…

[00:49:54] Ai, vai sonhar com o Michael B.

[00:49:55] Jordan mordendo meu pescoço, que chato.

[00:49:57] Ai, gente, mas é que assim, eu de verdade gosto muito, muito mais do Agente Secreto

[00:50:04] do que os outros.

[00:50:05] Existem excelentes…

[00:50:06] Esse ano está um inferno.

[00:50:08] Esse ano está.

[00:50:09] Esse ano está.

[00:50:10] Tem um voto claro, disparado, que não…

[00:50:13] É tipo, ele está olhando no retrovisor todos os outros, que é uma batalha após a outra.

[00:50:18] Eu acho que é o melhor filme deles.

[00:50:20] Ah, é muito foda.

[00:50:21] Talvez seja o que venha de melhor filme deles.

[00:50:23] E o Pecadores em segundo lugar.

[00:50:25] Pensando num geral, é que eu sei que eu gostei muito mesmo do Agente Secreto.

[00:50:30] Não é patriotismo exagerado.

[00:50:35] Outranacionalismo.

[00:50:36] É, entendeu?

[00:50:37] Não é.

[00:50:38] Outranacionalismo.

[00:50:39] Marte suprimeu uma competição pesada.

[00:50:41] Uma batalha após a outra vai ser muito pesado.

[00:50:45] E, dia internacional, eu ainda estou com medo, apesar do Globo de Ouro ter sido muito favorável

[00:50:50] pra gente, eu ainda estou com medo do apenas um acidente, porque apenas um acidente é

[00:50:54] pica demais.

[00:50:56] Então…

[00:50:57] É verdade.

[00:50:58] Eu não acho que ele se leva a melhor ator, mas te amo.

[00:51:01] Que isso.

[00:51:02] Não acho, não.

[00:51:03] Não espero.

[00:51:04] Olha, eu acho que existe uma possibilidade, sim.

[00:51:07] Eu acho que existe uma possibilidade, sim, porque o…

[00:51:09] Diferentemente da Fernanda, o Wagner Moura já é um personagem de…

[00:51:14] É, ele é amigo do Pedro Pascal, vai rolar com certeza.

[00:51:18] Ele tá beijinho no ombro da Julia Roberts, entendeu?

[00:51:21] Depois de Anora, eu não quero mais me iludir com nada.

[00:51:23] É, mas tem efeito anora.

[00:51:25] E esse ano ainda tem coisa de Shakespeare de novo, a gente fica mal, né.

[00:51:29] Mas o…

[00:51:30] Embora a remenade tenha sido linda, mas o…

[00:51:33] Eu tava conversando, já não me lembro mais com quem.

[00:51:36] Que é, como a gente sabe que Oscar é um jogo político, mais do que cinema, né.

[00:51:42] Eu acho que o Wagner tem chances reais, não só pela excelente atuação dele,

[00:51:47] mas porque eu tô começando a sentir que começou a ficar cool votar nele.

[00:51:51] É.

[00:51:52] Né?

[00:51:53] Sim.

[00:51:54] Pode ser que seja por isso e seja pelo que for, a gente tá aceitando.

[00:51:57] Como é que é gol feito, também é gol.

[00:51:59] Vamos embora.

[00:52:00] Mas é o momento também político dos Estados Unidos que pode favorecer também

[00:52:04] chamar uma atenção pra ele, né.

[00:52:08] Perfeitamente.

[00:52:09] Não sendo americano, pode ser um recado também da academia.

[00:52:13] Acho que várias coisas podem nos favorecer aí.

[00:52:16] É, então eu acho que tem algo aí diferente do ano passado,

[00:52:21] que vai conversar e vai ser bom.

[00:52:24] E eu acredito!

[00:52:27] Eu acredito!

[00:52:28] Finaliza aí, Marigold!

[00:52:30] Veremos.

[00:52:31] Então é isso, gente.

[00:52:32] Até o próximo episódio.

[00:52:33] Beijo!

[00:52:34] Eu acredito!

[00:52:35] Tchau!

[00:52:36] Beijo!

[00:52:37] Tchau, gente!

[00:52:38] Acreditem!

[00:52:39] Tchau!