Epstein, Bad Bunny e as Veias Abertas de America do Norte
Resumo
Gregório Duvivier, Bruno Torturra e Alessandra Orofino começam debatendo Bad Bunny no Super Bowl e o que isso simboliza para a “latinização” nos EUA. A conversa explora a identidade “latina” como algo muitas vezes imposto pelo olhar estadunidense, e como eventos culturais (como a NFL escolhendo um artista latino) podem funcionar menos como inclusão e mais como estratégia de expansão e dominação cultural sobre a América Latina — especialmente num continente historicamente ligado ao futebol, não ao futebol americano.
O episódio então mergulha na divulgação parcial dos “Epstein Files”, tratando Jeffrey Epstein como operador de uma elite global conectada por dinheiro, influência e mecanismos de proteção mútua. Eles discutem como os e-mails e documentos reforçam a percepção de uma “classe” transnacional (bilionários, celebridades, acadêmicos, políticos e figuras de corte) que troca favores, circula em redes fechadas e naturaliza crimes e abusos. O caso é analisado como mais do que um escândalo sexual: um retrato do capitalismo financeirizado e parasitário, que depende de intermediadores, chantagem, captura institucional e, possivelmente, ligações com inteligência e redes criminosas.
Por fim, o trio volta ao impacto político do vazamento: a edição e o controle das informações pelo poder nos EUA, o efeito de cinismo (“tudo farinha do mesmo saco”) e como isso pode ser capturado pela extrema direita — apesar do potencial de uma leitura antissistêmica e anticapitalista. O programa encerra conectando essa discussão à relação Brasil–EUA (evitar “torcer” como se fôssemos público doméstico deles) e com indicações de leitura, reforçando também a crítica à centralidade simbólica de prêmios e plataformas culturais americanas.
Anotações
- 00:47:20 — Trump como “insider” que promete consertar o sistema: Na conversa sobre como o escândalo Epstein repercute politicamente, eles dizem que o trumpismo tem uma “pornografia” própria: Trump não precisa se dissociar da sujeira do sistema porque se apresenta como alguém que está por dentro dele. Gregório cita o discurso “I alone can fix it” e a ideia de que Trump se vende como o maior insider, capaz de consertar justamente por conhecer a corrupção. Eles mencionam exemplos de uso explícito do Estado para benefício próprio (esquemas, pedidos de contratos e vantagens) como algo que, em vez de derrubá-lo, reforça a percepção de que ele apenas torna público o que muitos já suspeitavam que outros faziam. Concluem que existe uma linha que poderia ser cruzada (como aparecer material mais grave), mas que, com o que foi revelado até ali, essa linha não foi cruzada, e levantam a dúvida sobre qual deveria ser a resposta da esquerda diante disso.
- 01:00:49 — Não “torcer” pela política cultural dos EUA: Ao responder críticas de que o programa fala demais dos Estados Unidos, eles argumentam que é inevitável acompanhar uma potência imperialista em rápida mudança de regime, porque isso tem implicações para o Brasil. Ao mesmo tempo, alertam para não confundir análise com torcida, como se brasileiros fossem “cidadãos” do debate interno americano. Usam o exemplo do Bad Bunny no Super Bowl: para o Brasil, isso interessa principalmente como sinal de estratégia de captura cultural (como a expansão da NFL na América Latina), e não como uma vitória de “nosso time” lá dentro. Eles dizem que, no fim, os “times” americanos se unem em torno de uma política imperialista para a região e que a NFL funciona como máquina de produção cultural a serviço desse projeto, então é preciso manter distância crítica e não entrar na lógica de comemorar como se fosse conquista própria.
- 01:16:14 — Elite parasitária e exploração como “luxo”: Eles desenvolvem a ideia de que o desconforto causado pelos e-mails do Epstein revela uma elite parasitária e desconectada da produção real, e que isso pode ser articulado por uma crítica antissistêmica de esquerda. O argumento é que muitos dos homens que circulavam nesse ambiente não agiam apenas por “necessidade” sexual, mas porque podiam tratar a exploração como mais um luxo, naturalizando a desumanização — o mesmo padrão que aparece na forma como exploram continentes, trabalho e recursos. Dizem que essa elite se sente acima das vítimas e, por isso, tolera ou encobre crimes. A partir daí, conectam essa lógica ao capitalismo e à exploração generalizada (“seres humanos, a natureza, o trabalho, a máquina, a internet, a psicologia e o sexo”), encerrando com indignação contra essa classe que chamam de parasitária.
Indicações
Livros
- América América (Greg Grandin) — Bruno recomenda como um “livrão” para entender a história do continente e a relação EUA–Américas, recolocando os EUA como país do continente, não como “Europa nas Américas”.
- Realismo Capitalista (Mark Fisher) — Alessandra indica como leitura do Clube de Cultura; comenta que reler hoje ficou ainda mais relevante.
- São Bernardo (Graciliano Ramos) — Alessandra indica a edição da Todavia; comenta que começou a leitura e destaca a importância de Graciliano (e a crítica à obsessão por Nobel).
Filmes / Series
- O Aprendiz — Citado como filme que ajuda a entender o tipo de enriquecimento e formação do Trump nos anos 1980, em paralelo com a trajetória de Epstein.
- De Olhos Bem Fechados (Stanley Kubrick) — Mencionado como o filme mais comprado no fim de semana, pela associação popular a elites secretas e rituais; discutem também teorias conspiratórias em torno da obra.
- Documentário da Melania — Citado de passagem ao comentar a semana de revelações e conexões envolvendo Epstein e Trump.
Artigos / Links
- Artigo de Anangiri Radhas no New York Times sobre o caso Epstein — Mencionado como análise interessante sobre os e-mails e a elite “desenraizada”, que vive em trânsito global.
- Matéria no New York Times sobre financialização (colunista conservador de economia) — Citada para ilustrar como bancos investem pouco em economia produtiva e muito em derivativos e produtos financeiros, conectando isso ao caráter parasitário do sistema.
Linha do Tempo
- [00:00] — Abertura e conversa sobre Bad Bunny; sensação de “latinização”
- [00:01] — Identidade latina vs. lusofonia: incômodo com o pacote hispanofalante imposto de fora
- [00:02] — Bad Bunny no Super Bowl e a NFL como projeto de conquista de audiência na América Latina
- [00:06] — Introdução aos “Epstein Files” e à escala do escândalo; nomes citados e choque público
- [00:11] — Debate: não é “direita vs. esquerda”, mas elite e poder; redes globais e bastidores
- [00:17] — E-mails revelam a lógica do privilégio e do “contatinho”; exemplo envolvendo Woody Allen/Soon-Yi
- [00:20] — Divulgação parcial e politizada; Trump citado e a disputa pelo controle dos arquivos
- [00:23] — Suspeitas sobre a morte de Epstein; carta rascunhada antes do “momento oficial” do óbito e outras evidências
- [00:28] — Cinismo e “teatro” da discordância ideológica; elite pequena que se protege e performa política
- [00:36] — Efeito público: desmoralização, bilionários/filantropos e a “classe Epstein”; limites das generalizações
- [00:40] — Epstein como produto do capitalismo pós-1990: financeirização, operadores sujos e desigualdade estrutural
- [00:53] — Paralelos culturais e conspiração: “De Olhos Bem Fechados”, sociedades secretas e a estética do poder oculto
- [00:56] — Retorno ao tema EUA–América Latina: imperialismo cultural, NFL vs. Oscar e como não “virar torcida”
- [01:10] — Financeirização e parasitismo: elite desconectada da produção real; intermediação como riqueza
- [01:13] — Dimensão moral do escândalo: exploração e desumanização como extensão do parasitismo capitalista
- [01:17] — Encerramento com indicações de leitura
Dados do Episódio
- Podcast: Calma Urgente
- Autor: Calma Urgente
- Categoria: News / Politics
- Publicado: 2026-02-10
- Duração: 1h25m
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/calma-urgente/2a566eb0-ddce-013c-5d0d-0acc26574db2/epstein-bad-bunny-e-as-veias-abertas-de-america-do-norte/40fa27d3-3a44-47ce-bc3d-f37c9ce60177
- UUID Episódio: 40fa27d3-3a44-47ce-bc3d-f37c9ce60177
Dados do Podcast
- Nome: Calma Urgente
- Tipo: episodic
- Site: https://calmaurgente.com
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Transcrição
[00:00:00] Olá, bom dia, boa tarde, boa noite, querido ouvinte,
[00:00:06] querido espectador do Calma Urgente.
[00:00:08] Hoje é segunda-feira, dia 9 de fevereiro.
[00:00:11] Eu sou Gregório Dovivier e queria chamar aqui pra essa conversa
[00:00:16] meus dois amigos Bruno Torturra e Alessandra Orofino.
[00:00:21] Olá, meu povo.
[00:00:23] Vocês estão bad-bannizados?
[00:00:26] Completamente.
[00:00:27] Estou falando sobre isso mais cedo, totalmente bad-bannizados.
[00:00:30] Eu estou totalmente bad-bannizado.
[00:00:32] Ele é maravilhoso, ele é uma figura maravilhosa,
[00:00:34] mas eu não sou uma superfã da música, não.
[00:00:37] Eu também não.
[00:00:38] Não me pega, não me bora pra lançar.
[00:00:41] Essa, por acaso, é boa.
[00:00:43] Eu acho muito boa, muito boa.
[00:00:44] Essa é boa.
[00:00:45] E a outra do Hawái também é muito boa.
[00:00:46] Não, eu acho boa. Não é o tipo de música mais osso,
[00:00:49] mas eu estou ouvindo cada vez mais.
[00:00:50] Aliás, de modo geral, junto com bad-bunny está rolando,
[00:00:53] acho que uma latinização, sabe?
[00:00:56] Não só da América…
[00:00:58] América, América.
[00:00:59] América Falante. Como é que é o nome?
[00:01:00] América Anglo-Falante, mas da América Luso-Falante também, eu acho.
[00:01:06] Acho que a gente está um pouquinho mais latinizado.
[00:01:08] É até uma dúvida.
[00:01:09] Mas eu sempre gostei de salsa, eu gosto de dançar reggaeton.
[00:01:12] Mas você gosta da ideia de ser latina?
[00:01:14] Eu acho que o bad-bunny é o arrastar.
[00:01:15] É uma pergunta assim.
[00:01:17] Você gosta da ideia de ser latina?
[00:01:18] Eu acho que ela é complexa, sabia?
[00:01:20] Eu gosto da ideia de uma América Latina mais integrada, sim.
[00:01:23] Eu também, com certeza, eu gosto.
[00:01:26] Por outro lado, gente, me incomoda porque está tendo muito movimento de sim,
[00:01:29] somos latinos. Somos completamente, concordo.
[00:01:31] Óbvio que somos latinos, é uma questão óbvia, geográfica.
[00:01:35] A gente está na América Latina, ponto.
[00:01:36] Agora, às vezes, só me incomoda quando põem a gente
[00:01:39] dentro do pacote hispanoblante, que eu fico meio puto assim.
[00:01:42] Lembra, a gente fazia um programa que, uma época,
[00:01:45] ele tinha que ser aprovado por uma trupe de argentinos e colombianos.
[00:01:50] Não tinha uma pessoa que falava português.
[00:01:52] Porque para a emissora americana, norte-americana,
[00:01:55] para a emissora estadunidense,
[00:01:59] é tudo latino, a América Latina.
[00:02:01] Bota o colombiano para aprovar um programa brasileiro,
[00:02:03] é tudo América Latina.
[00:02:04] E não, meu amigo, é muito diferente, começar pela língua.
[00:02:08] Isso acarreta, infelizmente, talvez,
[00:02:10] mas acarreta um monte de outras diferenças culturais e tal.
[00:02:14] Então, às vezes, é importante lembrar que sim, somos latinos,
[00:02:16] mas somos lusofalantes, somos um pedaço.
[00:02:19] E a ideia do Brasil, ou dos brasileiros, como latinos, é isso.
[00:02:23] Ela é uma ideia muito mais vista de quem não é da América Latina,
[00:02:26] ou seja, é uma identidade que é construída a partir do olhar de fora,
[00:02:29] e não de dentro, né?
[00:02:31] Então, para os americanos, somos todos latinos.
[00:02:33] No senso americano, você, quando responde,
[00:02:36] responde dizendo que você é latino.
[00:02:39] Então, me incomoda também isso que são os americanos que estão ditando, então,
[00:02:43] os norte-americanos, perdão, os estadunidenses.
[00:02:46] Aliás, que momento complicado para você ser estadunidense?
[00:02:49] Muito complicado.
[00:02:51] Que momento.
[00:02:52] E tem o fato de que é isso, né?
[00:02:54] O Bad Bunny é uma figura interessante politicamente,
[00:02:57] e é interessante politicamente que a NFL tenha escolhido o Bad Bunny
[00:03:02] para ser a grande estrela do show do intervalo lá do Super Bowl,
[00:03:06] mas isso é interessante para dentro dos Estados Unidos,
[00:03:08] para política interna, doméstica americana.
[00:03:11] Para fora, é sintoma de uma coisa preocupante,
[00:03:13] que a NFL tentando dominar os países da América Latina.
[00:03:17] Por que o Bad Bunny? Não é porque a NFL está querendo provocar o Donald Trump.
[00:03:20] Talvez tenha até um pouco disso,
[00:03:22] mas é sobretudo porque a NFL já vem há alguns anos
[00:03:25] investido em capturar uma audiência da América Latina.
[00:03:28] Eles querem os brasileiros, eles querem os argentinos, eles querem…
[00:03:32] E a gente é um continente de apaixonados por futebol
[00:03:35] que não liga muito para o futebol americano,
[00:03:36] que, aliás, é um jogo chatésimo, insuportável.
[00:03:38] Futebol estadunidense.
[00:03:41] E aí eles querem a gente.
[00:03:42] Então, a escolha do Bad Bunny de dentro para dentro,
[00:03:45] quando eu penso a partir da política doméstica americana,
[00:03:49] eu fico feliz e contento que isso tenha acontecido,
[00:03:51] que isso significa nesse momento, etc.
[00:03:53] Quando eu penso nos Estados Unidos como essa potência regional e mundial
[00:03:58] tentando dominar o seu quintal, eu não gosto,
[00:04:02] porque para mim é parte dessa estratégia de dominação pelo esporte
[00:04:06] que a gente vai ver nos próximos dez anos.
[00:04:07] Ela vai gerar frutos, é muito dinheiro sendo colocado
[00:04:10] para conquistar a América Latina pela NFL.
[00:04:12] Não há detalhe, nada incidental nessa tese sua, Alê,
[00:04:15] que eu acho certíssima.
[00:04:17] Aquele clipe que todo mundo viu, que todo mundo ficou super emocionado,
[00:04:21] que ele fala que é Deus abençoe a América
[00:04:26] e sai falando em todos os países,
[00:04:27] ele, antes de começar, pega uma bola de futebol americano.
[00:04:33] É americano.
[00:04:34] E aí ele começa a falar todo o nome dos países,
[00:04:38] todos somos americanos.
[00:04:40] Ou seja, todos deveríamos gostar de futebol americano.
[00:04:43] Esse é o nosso futebol, esse é o americano, é futebol.
[00:04:47] De algum jeito, não é nem sutil, é muito direto isso.
[00:04:52] Então a gente tem que sempre lembrar que está vindo dos Estados Unidos isso.
[00:04:56] Então sempre tem que ter dois pés atrás
[00:04:58] antes de mergulhar de cabeça na propaganda.
[00:05:00] Não é nem futebol, nem americano, não é bom lembrar isso,
[00:05:02] porque não é um futebol, é um handball estadunidense.
[00:05:08] É, não é nem ball, exatamente.
[00:05:09] Handball, é um hand egg estadunidense.
[00:05:14] É ridículo demais aquilo, um povo que para para assistir.
[00:05:17] Mas imagina a tristeza de você ser estadunidense ali.
[00:05:21] E é um esporte feito para um comercial, ele se presta ao comercial.
[00:05:24] Isso, e você ser um estadunidense que monoglota do mundo,
[00:05:29] é o norte-americano, o chutaria, que é o país certamente mais monoglótico,
[00:05:33] então você já só fala uma língua
[00:05:36] e você já tem um esporte que só você gosta praticamente.
[00:05:40] Nesse esporte que só o seu país vê, um país que só fala uma língua,
[00:05:44] tem lá um cara falando uma língua que você não entende nada.
[00:05:47] Cara, é muito bom isso, eu adoro.
[00:05:50] Grita na… E esse cara está dizendo que o país de vocês não tem nome, tá?
[00:05:55] Porque é bom lembrar isso, os Estados Unidos são países sem nome.
[00:05:58] América é o nome do continente, Estados Unidos somos todos.
[00:06:01] Todo o país federativo da América é também Estados Unidos, Brasil,
[00:06:05] Estados Unidos, Argentina é Estados Unidos, Colômbia é Estados Unidos,
[00:06:07] México é Estados Unidos, tudo é Estados Unidos, não quer dizer nada, Estados Unidos.
[00:06:11] Então é bom lembrar também que eles construíram um país sem pensar no básico,
[00:06:15] não pensar no mínimo, como começaram pelo nome, e até hoje não inventaram um.
[00:06:20] Então ele joga isso na cara, vocês não somente não falam nenhuma outra língua,
[00:06:25] como acham que tem um país que na verdade nem sequer tem nome para ele.
[00:06:28] Então assim, é um tou, então eu acho muito bom, mas eu concordo com você,
[00:06:32] que o esporte, aliás, a melhor coisa ali, certamente foi o show do cara,
[00:06:37] porque o esporte futebol americano, quer dizer, hand-ag estadunidense,
[00:06:42] certamente não vale o espetáculo. E por que eu estou falando disso?
[00:06:45] Porque eu acho que está uma semana especialmente difícil de você ser
[00:06:48] estadunidense, não só por isso, porque também saíram milhões de arquivos
[00:06:53] do Epstein Files, ou seja, os arquivos do Epstein Files é redundante, né?
[00:06:58] Arquivos dos arquivos do Epstein. Enfim, são 30 milhões, quando eu digo milhões,
[00:07:03] é literalmente isso, tá? Muito, muito, muito mesmo dado, que está sendo divulgado,
[00:07:07] e ainda assim falta divulgar muito, porque são décadas de investigação
[00:07:12] em torno do bilionário e… dá pra chamar de pedófilo? Acho que dá, né?
[00:07:18] E pedófilo e coordenador de uma rede de pedofilia de Epstein.
[00:07:22] Eu acho que ele não vai te processar.
[00:07:24] Epstein, não vai.
[00:07:25] Acho que o jurídico passa essa.
[00:07:27] O jurídico deixa eu chamar, né? Então, que bom.
[00:07:30] Então, esse bilionário pedófilo, que está virando, inclusive, quase uma
[00:07:34] redundância, chamar de bilionário pedófilo, que aparentemente…
[00:07:37] Essa parte eu já acho que o jurídico não gosta tanto.
[00:07:39] Porque aparentemente, Alessandra, todos… Cara, o que eu acho mais…
[00:07:44] Eu quero muito ouvir vocês sobre isso.
[00:07:46] Está vindo bem, Greg?
[00:07:47] Eu quero muito ouvir vocês sobre isso, porque o que passa a impressão…
[00:07:50] Primeiro, o estadunidense é muito mais promíscuo que o brasileiro,
[00:07:55] porque a suruba do Epstein, ela não vê cara, não vê cor,
[00:08:00] não vê partido político. Ela é a partidária, a suruba do Epstein.
[00:08:06] Ela realmente é um surubão de Noronha.
[00:08:09] Aquele mito de que em Noronha tem suruba de artista.
[00:08:11] Parece que aquilo é um mito, mas o surubão do Einstein é verdade.
[00:08:14] Ele tem uma ilha também que não é Noronha, na qual acontecem grandes surubas.
[00:08:19] Não é nem o termo suruba, porque ali tinha, de fato, estupros,
[00:08:23] já que com pessoas de idade completamente imprópria para isso.
[00:08:27] Então é algo que…
[00:08:29] Onde crimes sexuais ocorriam e é uma ilha na qual aparentemente
[00:08:33] os bilionários todos ouiam ou queriam ir.
[00:08:36] Elon Musk, que sempre disse, ele me chamava e eu neguei.
[00:08:41] Revelou-se que ele, o Elon Musk, se convidava para ir para a ilha.
[00:08:45] Ele ficava assim, quando é que eu vou para a sua ilha, hein?
[00:08:48] E o Epstein falou assim, tem que ver, porque agora está complicado.
[00:08:51] Então, assim, você vê que o Elon Musk…
[00:08:54] A gente vai se falando.
[00:08:55] A gente vai se falando, o Epstein falou.
[00:08:57] Ou seja, Bill Gates, o bilionário bonzinho, com muitas aspas,
[00:09:01] bilionário a favor da taxação, bilionário que doou o dinheiro e tal,
[00:09:05] estava lá também contando o caso extraconjugal.
[00:09:08] Ninguém sabe o que ali também é inventado,
[00:09:10] porque não inventado pelo FBI, é inventado pelo próprio Epstein,
[00:09:13] porque ele muita coisa contava para os outros, contava vantagem e tal.
[00:09:16] Mas o fato que Bill Gates era muito próximo dele,
[00:09:18] o Elon Musk, Woody Allen e Noam Chomsky,
[00:09:22] a vaca sagrada da esquerda norte-americana.
[00:09:27] O Noam Chomsky, né?
[00:09:28] Um sujeito que estava lá, estava indo, estava jantando, mais que isso.
[00:09:32] Estava dizendo em cartas assim,
[00:09:34] que pena que a histeria do feminismo te condenou.
[00:09:38] Isso aí é uma coisa dita pelo Noam Chomsky.
[00:09:41] Ou seja, está muito difícil você ser estadunidense
[00:09:44] de qualquer espectro político, entendeu?
[00:09:46] Ali, com o caso Epstein.
[00:09:47] Porque o cara de esquerda que cultua o Noam Chomsky,
[00:09:50] cultua com razão, é bom dizer aqui, porque o Noam Chomsky é, sim,
[00:09:53] foi o maior linguista do século XX,
[00:09:54] era um cara genial do ponto de vista da ciência política também,
[00:09:58] um cara brilhante que eu mesmo admiro ou admirava pelo menos muito.
[00:10:02] É um cara que, sim, é um vexame, é uma vergonha o que está acontecendo.
[00:10:07] Então, o que eu achei de mais curioso foi isso.
[00:10:09] Primeiro, o dado, o Epstein prova para mim
[00:10:12] que as surubas norte-americanas realmente são mais transpartidárias, tá?
[00:10:19] Ou pelo menos o Epstein…
[00:10:21] Quer dizer, a gente tem aqui o Tayaya.
[00:10:22] Será que seria o Tayaya…
[00:10:24] Seria o Diastófali um Epstein brasileiro?
[00:10:27] Seria o Tayaya uma ilha do Epstein no Brasil?
[00:10:31] Aí acabou, aí o jurídico realmente desmaia.
[00:10:34] Eu fico no ponto de interrogação.
[00:10:36] Foco no ponto de interrogação.
[00:10:37] Foco, foco, é isso.
[00:10:39] Obrigado, Bruno.
[00:10:41] Obrigado. Eu perguntei.
[00:10:42] Seria, é o condicional, é o seria…
[00:10:45] Não, tá bom, deixa bem claro.
[00:10:47] E a gente não vai responder essa pergunta.
[00:10:49] Não vai responder.
[00:10:50] Mas eu queria jogar aí.
[00:10:51] Eu posso responder. Não é.
[00:10:55] O Jeff Epstein é muito pior e de uma outra categoria.
[00:11:00] E eu vou discordar um pouco do que você falou, Greg.
[00:11:02] Eu entendo que tem uma coisa que não é supri ideológica só, né?
[00:11:08] Ele fala com pessoas de amplos e de vários espectros, não sei o quê,
[00:11:12] mas eu acho que é basicamente um escândalo que,
[00:11:16] tirando o Noam Chomsky,
[00:11:20] que é muito mais algo que machuca a própria reputação dele
[00:11:28] do que qualquer outra coisa.
[00:11:29] Ele não tem envolvido em nenhum crime, aparentemente,
[00:11:32] mas é algo que queima o filme dele por uma falha de afinidade
[00:11:36] e se entregou com esse cara.
[00:11:38] Mas a esquerda não faz parte da esquerda esquerda.
[00:11:41] Não me refiro a personagens do Partido é Democrata
[00:11:44] que não merecem esse nome.
[00:11:45] Mas a esquerda americana está ilesa nessa situação.
[00:11:50] Não tem uma pauta, não tem um grande nome,
[00:11:53] não tem um editor, não tem uma revista,
[00:11:55] não tem nada que possa se afirmar de esquerda nos Estados Unidos
[00:11:58] que está implicado nesse escândalo.
[00:12:00] O que ele revela…
[00:12:01] Tá sim, Bruno, desculpa.
[00:12:03] Tá sim, quando eu digo esquerda, eu estou falando latocenso, tá?
[00:12:05] Eu não estou falando Partido Democrático,
[00:12:07] eu estou falando de Deepak Chopra, o guru da Califórnia, entendeu?
[00:12:12] É isso que eu quero dizer.
[00:12:14] Eu estou falando de um progressismo americano, entendeu?
[00:12:18] Mas o Deepak Chopra, na minha opinião, tá?
[00:12:22] Ele é muito mais fascista do que a esquerda.
[00:12:26] Ele faz parte dessa espiritualidade super neoliberal,
[00:12:30] ultra capitalista, entendeu?
[00:12:33] E só se relaciona com esse tipo de gente mesmo.
[00:12:36] Mas o que está ali, não é nem de direita e de esquerda em si,
[00:12:39] como um espectro, é o poder mesmo.
[00:12:44] É o poder financeiro, o poder militar, o poder geopolítico,
[00:12:48] e esses bastidores de como uma certa conspiração mesmo
[00:12:53] acaba funcionando entre quatro paredes, aviões, ilhas,
[00:12:58] apartamentos, mansões, meios e tudo mais.
[00:13:01] Nesse sentido, é muito diferente de Itaiaiá,
[00:13:03] porque o que esses caras representam é uma outra esfera,
[00:13:06] que não é nem o poder americano,
[00:13:08] é o poder do capitalismo depois dos anos 1990,
[00:13:12] que é a globalização dos grandes bancos,
[00:13:15] dos grandes operadores geopolíticos, dos grandes traficantes de arma
[00:13:20] e por aí vai, de um poder muito sério que nem é doméstico é
[00:13:25] lá nos Estados Unidos, é um poder de rede mesmo.
[00:13:28] E é isso que se descortina.
[00:13:30] E, novamente, você falou, não é bem suruba, né?
[00:13:34] É tráfico humano, é outra parada, né?
[00:13:38] Que é só um dos elementos que estão sendo revelados
[00:13:41] com esses arquivos e uma série de outras matérias que tinham sido feitas antes.
[00:13:45] Mas o equivalente do elenco lá da ilha do Epstein
[00:13:49] não é o equivalente do que se vê por exemplo no Itaiaiá, tá?
[00:13:56] O que valeria você ter lá ele recebendo o Chico Buarque
[00:14:00] e o João Moreira Salles e o Mourão e o Bolsonaro.
[00:14:08] Você não tem um ambiente, uma pessoa que una
[00:14:12] esses espectros tão diferentes de pessoas tendo o poder no Brasil, tem impressão.
[00:14:17] Dá impressão mesmo nos Estados Unidos, a conspiração é mais real.
[00:14:21] Aquela conspiração, inclusive, que foi muito conhecida,
[00:14:25] o QAnon e aquela história toda do Pizzagate,
[00:14:29] que é a história de que os bilionários todos se reúnem
[00:14:31] num subsolo de uma pizzaria e que tem uma rede de pedofilia
[00:14:36] que une a todos e tal.
[00:14:39] Aquela história, que é uma teoria de conspiração da direita,
[00:14:41] é meio verdade, só que sem ser.
[00:14:44] A direita dizia que eram os democratas,
[00:14:47] que era um partido democrata que estava no solo da pizzaria.
[00:14:49] Não são os partidos, não é o partido democrático,
[00:14:51] mas os bilionários, sim, é meio um Pizzagate, né?
[00:14:54] Não é a lei, você concorda com isso?
[00:14:55] É um pouco a impressão de que a conspiração nos Estados Unidos é real?
[00:15:00] Não é só a conspiração, né?
[00:15:02] Primeiro assim, eu discordo do Bruno de que a esquerda saiu ilesa.
[00:15:06] Quer dizer, eu concordo,
[00:15:07] é um pouco como a gente estava falando de ser latino ou do bad bunny.
[00:15:10] Eu concordo se a gente tomar uma ideia do que é a esquerda
[00:15:13] a partir da nossa visão de esquerda sentados no Brasil,
[00:15:16] onde a gente tem uma esquerda, de fato.
[00:15:18] Coisa que os Estados Unidos realmente não têm muito,
[00:15:21] é muito minoritário.
[00:15:22] É tão minoritário que está fora dos círculos de elite,
[00:15:25] e não só de elite financeira, mas de elite intelectual também,
[00:15:29] muito excluído, inclusive dos círculos acadêmicos.
[00:15:31] A esquerda nos Estados Unidos é totalmente marginalizada,
[00:15:34] com raríssimas exceções.
[00:15:36] Então, se a gente olhar a partir do nosso critério
[00:15:38] do que é de ser de esquerda, talvez.
[00:15:40] Mas pensando na política doméstica,
[00:15:43] é um escândalo suprapartidário,
[00:15:46] é um escândalo que pega grandes nomes de todos os campos
[00:15:51] e ex-presidentes dos dois lados,
[00:15:54] intelectuais dos dois lados, diplomatas dos dois lados,
[00:15:58] advogados que advogaram para os dois lados.
[00:16:01] Então, você tem um país muito dividido numa linha entre dois partidos,
[00:16:05] você tem aí um escândalo que vai tocar todo mundo.
[00:16:07] O que tem de comum nessas pessoas é que elas fazem parte de uma elite.
[00:16:12] E acho que parte da operação bem sucedida do Trump
[00:16:15] e do movimento neemaga e tal nos Estados Unidos
[00:16:19] foi equivaler democratas com o instamento, com o elite.
[00:16:23] O que, evidentemente, é falacioso,
[00:16:25] porque a elite é composta de elites, de novo,
[00:16:28] com inclinações políticas distintas.
[00:16:30] Então, o que para mim os e-mails revelam,
[00:16:33] e sobretudo essa última leva de e-mails,
[00:16:34] onde a gente ganhou muito mais acesso ao teor
[00:16:38] dessas conversas mais banais até entre essas pessoas e o Epstein,
[00:16:42] é uma coisa que o público intuitivamente já sabia
[00:16:45] e que aí eu concordo contigo, Greg.
[00:16:46] É essa intuição que está na base do que o Anon
[00:16:48] e das teorias da conspiração,
[00:16:50] que é essa ideia de que existe uma elite muito poderosa,
[00:16:54] onde essa identidade de elite é o que é fundamental.
[00:16:57] Ela é mais importante do que todas as outras coisas.
[00:17:00] E as moedas de troca são outras e elas se dão dentro de um círculo
[00:17:04] que se protege a si próprio antes de qualquer coisa.
[00:17:08] Então, para além, claro, do escândalo de exploração sexual de menores
[00:17:12] e da misoginia muito evidente em muitas das interações,
[00:17:17] que é terrível,
[00:17:19] mas tem também uma coisa mais banal dessas interações
[00:17:22] entre membros de uma elite que se protege.
[00:17:25] Então, por exemplo, para mim um dos e-mails mais interessantes
[00:17:28] é o e-mail da mulher do Woody Allen,
[00:17:30] agradecendo o Epstein por ter supostamente conseguido
[00:17:34] que a filha deles entrasse na faculdade.
[00:17:37] E é maravilhoso, essa é uma interação maravilhosa.
[00:17:40] O e-mail é todo muito revelador, primeiro que assim,
[00:17:43] o diretor da faculdade de Bard fala que
[00:17:46] o Epstein não ajudou, de fato o Epstein fez o contato,
[00:17:49] pediu uma reunião, isso ninguém nega, nem o diretor nega.
[00:17:52] Mas ele diz, mas não foi por causa do Epstein que ela entrou na faculdade,
[00:17:54] entrou na faculdade porque ela passou.
[00:17:56] E aí o que ele diz é, o Epstein gostava de dizer
[00:17:58] que ele estava prestando um serviço mesmo quando ele não estava,
[00:18:01] ele no fundo queria que fosse verdade que tinha sido por causa dele,
[00:18:05] mas o fato é que a mulher do Woody Allen acreditou.
[00:18:07] E veja bem, não é que faltava nomes famosos ou importantes
[00:18:12] para conseguir esse acesso ao Bard, entende?
[00:18:14] A gente está falando dos filhos do Woody Allen.
[00:18:16] E ainda assim eles atribuem ao Epstein esse contatinho.
[00:18:19] Mas uma parte maravilhosa do e-mail é quando ela diz
[00:18:21] que é melhor eles não falarem para o adolescente,
[00:18:24] para a criança em questão, que tinha sido por causa disso
[00:18:27] que ela tinha passado para a faculdade,
[00:18:29] porque se ela soubesse que tinha sido assim,
[00:18:31] no fundo eles já sabiam que ela já tinha entrado,
[00:18:33] mas acho que o resultado oficial não tinha saído ainda.
[00:18:36] E eles queriam que ela sentisse que foi difícil
[00:18:38] para ela desejar mais ir para a faculdade.
[00:18:41] Então ela basicamente diz para o Epstein, vamos não falar para ela
[00:18:45] que ela já passou, ela tem que sweat it,
[00:18:48] ela tem que suar um pouco mais, senão ela não vai valorizar o passe,
[00:18:51] ela não vai levar a sério.
[00:18:53] Cara, a Sunyi, ela é completamente pirada,
[00:18:56] porque tem um e-mail dela também que ela pede para o Epstein,
[00:18:58] você viu o e-mail que ela pede para ela?
[00:19:00] Oi, se você puder não dar presente com nossas iniciais
[00:19:04] para a gente poder revender depois…
[00:19:09] Mas assim, o que eu quero dizer, é o fim da picada.
[00:19:12] Mas eu acho que…
[00:19:14] Eu estou falando desse e-mail que é o menos politicamente relevante,
[00:19:16] ou enfim, o menos, mas não é politicamente relevante,
[00:19:19] mas ele é revelador de algo que eu sinto que está muito
[00:19:22] na raiz dessa insatisfação generalizada com o instamento político,
[00:19:26] que depois se transformou em raiva contra uma elite amorfa
[00:19:31] e que foi canalizada pela direita, aí sim,
[00:19:33] e canalizada e usada como arma contra a esquerda no mundo todo.
[00:19:39] Mas que é esse sentimento que é real,
[00:19:41] que se baseia em fatos reais, de que nada é realmente justo,
[00:19:46] nada na vida é realmente meritocrático,
[00:19:49] nada está realmente levando em consideração
[00:19:51] apenas quem trabalhou mais ou se esforçou mais,
[00:19:54] é tudo sobre quem você conhece, quem vai abrir a porta,
[00:19:56] quem vai dar o presente, e que o mundo é fundamentalmente injusto,
[00:20:01] e que esse jogo está completamente viciado.
[00:20:03] Eu não sei, eu discordo um pouco, eu acho que você está certa,
[00:20:07] mas eu quero retomar uma coisa, gente, não dá para jogar isso
[00:20:10] como se tivesse algum tipo de equivalência entre quem queimou o filme,
[00:20:15] que pode ser ou não associado com o certo progressismo nos Estados Unidos,
[00:20:21] ou mais afiliado com o Partido Democrata,
[00:20:23] que muita gente estava envolvida, sem dúvida,
[00:20:25] até por ser um partido muito poderoso e que ordena muita coisa,
[00:20:30] mas vamos lembrar de dois aspectos aqui.
[00:20:33] Um, a teoria da conspiração que parece que é o Epstein,
[00:20:39] é o cara da pedofilia, do porão, da mansão,
[00:20:43] ela veio da direita, e da direita é trampista.
[00:20:47] A outra questão é que esse escândalo todo, a gente está falando,
[00:20:51] meio como se a gente tivesse acesso a todos os arquivos dessa investigação.
[00:20:56] E a gente não tem.
[00:20:58] A gente tem acesso a um tanto de arquivos
[00:21:01] que o departamento da Casa Branca, do Donald Trump,
[00:21:07] liberou e riscou coisas que não é para ninguém ler.
[00:21:12] Fizeram besteira, eles falharam em vários grifos lá,
[00:21:16] que era para ter colocado, eles não colocaram e tudo mais,
[00:21:19] mas o ponto é, tem milhões de documentos ainda no poder da Casa Branca,
[00:21:23] que eles disseram hoje e ontem, que não vão divulgar mais, que chega,
[00:21:27] que o que tem é o que vocês vão ver.
[00:21:29] E o mais importante não é isso.
[00:21:31] O mais importante é que um dos nomes mais citados no arquivo inteiro
[00:21:36] é o do Donald Trump.
[00:21:38] O Trump e, simultaneamente a isso, o Donald Trump se elegeu,
[00:21:42] em parte mobilizando a indignação de pessoas
[00:21:47] que queriam ver esses arquivos soltos na época do Biden.
[00:21:51] E o Biden não abriu esses arquivos, eles não foram liberados
[00:21:54] quando tinha um democrata no meio das duas presidencias Trump.
[00:21:58] Então muita gente não foi incidental isso,
[00:22:01] Muita coisa dessa machosfera, do Joe Rogan, desses caras,
[00:22:07] tinha o arquivo Webstein como uma coisa central que o Trump ia liberar.
[00:22:11] Apesar dele já ter muito associado com o próprio Webstein por décadas,
[00:22:17] desde os anos 80, eles são muito amigos.
[00:22:20] Ao ponto de fazerem parte da mesma rede,
[00:22:24] para lá de suspeita de tráfico de mulheres vindas do leste europeu.
[00:22:30] Ironicamente, esses arquivos vêm à tona
[00:22:33] na mesma semana que saiu o documentário da Melania,
[00:22:37] que ainda nem em inglês aprendeu a falar bem.
[00:22:39] Ela fala inglês pior do que o Bad Bunny.
[00:22:42] Então o Bad Bunny fala bem, tá?
[00:22:44] Ele só optou por não falar, mas ele fala tudo bem.
[00:22:49] Ele fala melhor, mas tudo bem.
[00:22:50] O que eu estou dizendo é que a Melania foi apresentada pelo Jeffrey Epstein.
[00:22:55] O que eu quero dizer é que esse escândalo atinge direto
[00:23:00] a extrema-direita dos Estados Unidos na sua credibilidade popular,
[00:23:05] racha o movimento maga, mas o mais importante do que isso
[00:23:08] é que ele não é simplesmente um escândalo do contatinho
[00:23:11] e das redes de influência de clube de campo que arruma a vaga.
[00:23:15] Eu sei que é interessante a coisa prosaica de ver como eles funcionam.
[00:23:18] Mas tem e-mails e muito mais volume nisso
[00:23:22] de coisas muito mais esquisitas e muito sinistras
[00:23:27] que não estão colocadas nem nas notícias ainda,
[00:23:30] porque são cruzamento de dados que as pessoas estão começando a fazer,
[00:23:34] que aí envolve, sim, agências de inteligência, assassinato,
[00:23:39] pedofilia, estupro, muito tráfico humano.
[00:23:44] E, para encerrar, que é a grande questão,
[00:23:48] o Epstein morre preso numa cadeia em Nova York
[00:23:52] durante o governo Trump.
[00:23:55] E não sei se vocês viram isso, mas pra mim é a coisa mais escandalosa
[00:23:58] que aconteceu. Há dois dias, na sexta-feira, aliás, há três dias,
[00:24:04] na sexta-feira, alguma pessoa acha nesses milhões de arquivos
[00:24:08] que estão disponibilizados uma carta do Departamento de Ajustiça
[00:24:15] dos Estados Unidos, um dia antes do Epstein morrer,
[00:24:19] um dia antes dele morrer, do dia 9, ele morre no dia 10.
[00:24:23] No dia 9 tem um rascunho de uma carta falando que o Epstein morreu
[00:24:29] do Departamento de Ajustiça, que é um comunicado,
[00:24:32] tipo, rascunhado, que ele morreu.
[00:24:35] Só que ele só foi encontrado morto, e de acordo com a versão
[00:24:39] do próprio governo dos Estados Unidos, ele só foi encontrado morto
[00:24:43] 6 da manhã do dia 10, e durante essas 48 horas,
[00:24:47] ninguém explicou o que essa carta estava fazendo lá no dia 9.
[00:24:50] Então tem muitas coisas muito suspeitas, e que eu acho que é isso
[00:24:54] que está pegando nas pessoas. Não é só que vê que a elite vive
[00:24:57] num mundo especial, que todo mundo mais ou menos sabe,
[00:25:00] e a gente tem um raio x de como é que isso funciona no mundo real,
[00:25:03] é que tem uma cabala criminal mesmo, sinistra,
[00:25:08] que está operando o poder num mais alto nível.
[00:25:12] E aí eu acho que não é o QAnon que estava certo,
[00:25:15] mas a coisa louca é que a gente precisa ver isso e falar,
[00:25:19] cara, é uma conspiração, quando você começa a falar dessas coisas,
[00:25:22] eu sou QAnon.
[00:25:25] Quando eu vou explicar aqui em casa o que esse cara fazia,
[00:25:30] como ele ganhava dinheiro, as câmeras na casa dele,
[00:25:33] os caras acharam, Greg, um alçapão.
[00:25:36] Aliás, alçapões na casa da ilha dele.
[00:25:40] Alçapões que saem do chão e dão no mar.
[00:25:44] Já começa pela palavra alçapão, que só pode existir
[00:25:47] numa teoria da conspiração.
[00:25:48] E joga no mar.
[00:25:50] Joga no mar.
[00:25:52] Você quer ver um outro só para encerrar,
[00:25:54] que é muito doido esse dado.
[00:25:56] No dia que o FBI reabre a investigação dele sobre pedofilia,
[00:26:02] no ano que ele vai preso, em 2019, no começo do ano,
[00:26:05] quando ele abre a investigação, no dia seguinte,
[00:26:10] o Jeff Epstein compra centenas e centenas de litros de ácido sulfúrico
[00:26:16] e manda para a ilha dele, que é uma coisa que se usa
[00:26:19] para você destruir absolutamente arquivo,
[00:26:22] ou corpo, ou pessoas, ou documentos.
[00:26:26] Manda para a ilha dele.
[00:26:28] Tem o voucher, tem o e-mail dele fazendo a compra.
[00:26:32] Nunca tinha comprado antes, nunca comprou depois.
[00:26:34] Ninguém sabe para que serve,
[00:26:36] tipo, centenas de litros de ácido sulfúrico numa ilha caribenha.
[00:26:40] Cheia de alçapão, cheia de algema, cheia de menina precicada,
[00:26:44] cheia de câmera gravada, cheia de câmera que estava filmando Bill Gates.
[00:26:48] Deve estar, tipo, a Badiânia. Pior que a Badiânia.
[00:26:51] Deve estar em um lugar, imagina, que loucura.
[00:26:54] A ilha de máscaras.
[00:26:55] Um lugar assombrado, com certeza.
[00:26:57] Bruno, sobre a questão das equivalências,
[00:27:01] não estou equivalendo, tá?
[00:27:02] E acho que, primeiro, que denunciar a falsa equivalência em si
[00:27:05] vira um pouco um clichê, sabe?
[00:27:07] Eu não acho que é possível falar de equivalências e nem de equilíbrios
[00:27:11] nesse caso do Epstein até agora pela razão que você mesmo trouxe, que é…
[00:27:16] A gente não tem a totalidade, dado dos documentos,
[00:27:19] que o próprio governo americano já teve acesso, né?
[00:27:22] Então, a gente tem uma edição.
[00:27:24] A gente tem uma parte do que foi publicado.
[00:27:26] E é muito provável, ou mais provável,
[00:27:29] que se a gente tivesse acesso à totalidade desses documentos,
[00:27:32] isso ia trazer outros protagonistas para essa história, né?
[00:27:35] Isso ia colocar muito mais ênfase em certos personagens
[00:27:38] e menos ênfase em outras.
[00:27:40] Mas eu acho que se a gente ficar se contando uma história
[00:27:43] de que esse é um problema da direita americana ou da direita mundial,
[00:27:47] a gente perde uma parte que, para mim, é muito central do escândalo que é.
[00:27:51] Isso é a elite mundial.
[00:27:53] Isso é como a elite global funciona.
[00:27:56] É assim que ela funciona.
[00:27:57] E quando eu falo do prosaico do pequeno, do Woody Allen,
[00:28:00] da mulher do Woody Allen e da rainha pedindo bilhete de avião
[00:28:04] e carona no jatinho e do…
[00:28:07] No Hans Chomsky agradecendo pelo casaco de Kashmir,
[00:28:11] eu acho isso relevante porque tem um aspecto voyeurista também
[00:28:17] dessa exposição, dessa mega exposição,
[00:28:19] dessa correspondência de anos do Epstein com tantas pessoas
[00:28:23] que ocupam um lugar de destaque.
[00:28:24] Então, desde membros de famílias reais pelo mundo,
[00:28:27] até grandes intelectuais, até grandes artistas,
[00:28:29] até ex-presidentes, até bilionários, né?
[00:28:32] E o que eu acho que esse voyeurismo acaba informando no público
[00:28:36] é, eu acho que o que dá é uma sensação de confirmação
[00:28:40] de algo que todo mundo sempre soube, mas não podia confirmar,
[00:28:43] que é essas pessoas, todas se conhecem ou elas têm redes muito próximas,
[00:28:47] mas é uma elite, no fundo, muito pequena, onde todo mundo se esbarra
[00:28:51] e onde o teatro das discordanças políticas,
[00:28:55] pelo qual muitas vezes a gente aqui dá o sangue e a alma e luta por isso,
[00:29:00] pra muitas dessas pessoas é só performance.
[00:29:03] Então, por exemplo, uma correspondente, pelo visto regular, do Epstein,
[00:29:08] ela era White House counsel, né?
[00:29:10] Ela era tipo a advogada da Casa Branca na época do Obama,
[00:29:13] e depois foi considerada pra Suprema Corte,
[00:29:15] ela até discute essa possibilidade de ir pra Suprema Corte com o Epstein,
[00:29:19] depois ela recebe uma oferta de milhões de dólares
[00:29:22] pra ir pra um grande escritório de advogados,
[00:29:24] e ela era da Casa Branca do Obama.
[00:29:27] Quando você vê as declarações públicas dela na época,
[00:29:29] você entende ela como uma pessoa que faz parte de uma grande luta política,
[00:29:33] cuja principal linha orientadora é ideológica,
[00:29:38] alguém que tem um lado numa guerra ideológica.
[00:29:40] Quando você vê ela no privado discutindo o bônus que ela vai ganhar
[00:29:45] no escritório de advogados com o Jeffrey Epstein,
[00:29:48] quando o Jeffrey Epstein já estava totalmente, já tinha sido condenado uma vez,
[00:29:51] é um Jeffrey Epstein que a gente já sabia que não prestava,
[00:29:54] que não tinha nenhuma, não existe nenhuma possibilidade de ela alegar inocência.
[00:29:58] Quando você vê esse comportamento, você percebe que, no fundo,
[00:30:03] essa performance da luta política é irrelevante no privado.
[00:30:07] Ela está tratando da mesma maneira pessoas que talvez publicamente
[00:30:11] ela teria executado.
[00:30:12] O Epstein senta com ela e senta com o Steve Bannon.
[00:30:15] Ele fala com os dois.
[00:30:16] Em um certo e-mail, ele sugere um encontro dos dois
[00:30:21] e fala, por que a gente não se encontra todo mundo?
[00:30:23] Então, tem um cinismo, que eu acho que,
[00:30:27] sobretudo para quem é engajado politicamente,
[00:30:29] é importante que a gente saiba.
[00:30:31] Porque acho que a gente às vezes acredita na própria história
[00:30:34] que nos é contada sobre o porquê das lutas políticas.
[00:30:37] E esquece que não é o caso de todo mundo, obviamente.
[00:30:40] Tem muita gente que está na política por verdadeira crença
[00:30:43] naquilo que a política pode fazer em termos de melhoria da vida das pessoas.
[00:30:47] Então, isso não é uma generalização.
[00:30:49] Mas é importante que a gente lembre que, para muita gente,
[00:30:52] a luta política e, inclusive, as linhas ideológicas
[00:30:56] que se apresentam para o público, elas são só dispositivos
[00:31:01] que permitem uma certa alternância de poder dentro de uma elite só.
[00:31:06] Então, como que essa elite organiza o jogo de quem é que vai estar
[00:31:09] no poder agora e quem é que vai estar no poder amanhã
[00:31:11] e para onde é que eu vou depois?
[00:31:13] Como que você organiza esse jogo de uma maneira que dê
[00:31:15] uma ilusão de escolha para a população?
[00:31:18] É a partir do mecanismo da disputa eleitoral
[00:31:21] e do teatro da discordância ideológica.
[00:31:25] Mas, no final das contas, essa é uma elite que está se protegendo
[00:31:28] e que está em contato constante com as pessoas umas com as outras
[00:31:32] e botando seus interesses pessoais acima de tudo
[00:31:35] e acima, inclusive, dessas aparentes discordâncias ideológicas.
[00:31:38] Pois é. Eu tenho a impressão de que o que mais fica dessa divulgação
[00:31:43] muito parcial e pensada e editada dos arquivos do Epstein,
[00:31:48] o que mais fica é um sentimento cínico, despolitizado,
[00:31:55] de que, no fundo, é tudo farinha do mesmo saco.
[00:31:58] E não à toa eles escolheram divulgar, por exemplo, o Chomsky,
[00:32:02] o Woody Allen e uma série de figuras, o Deepak Chopra, o Michael Wolff, tá?
[00:32:07] Michael Wolff, um dos biógrafos do Trump, super crítico ao Trump,
[00:32:11] um grande jornalista, agradecendo um sapato que tinha ganhado.
[00:32:15] Ele é muito suspeito, o Michael Wolff.
[00:32:16] É suspeito?
[00:32:17] O Michael Wolff é um jornalista muito estranho,
[00:32:20] porque ele tem furos de verdade, ele tem acesso,
[00:32:24] é um acesso inacreditável que hoje em dia está meio claro
[00:32:27] que se deve, em parte, ao Jeffrey Epstein.
[00:32:29] Mas ele foi um cara que o Trump pôs na Casa Branca no primeiro mandato dele
[00:32:33] e depois ficou puto quando saiu aquele livro.
[00:32:36] Mas ele é um cara também que publica muita coisa esquisita
[00:32:39] e ele tem uma agenda, ele segura informação,
[00:32:41] porque ele gosta de circular nesse universo.
[00:32:43] Isso, o próprio Wolff fez um vídeo engraçado,
[00:32:46] assim, a cara de pau do…
[00:32:47] É que esse meio do jornalista cortesão, o Jornalista da Corte,
[00:32:52] isso é foda, mas ele tem um vídeo que ele diz assim, olha,
[00:32:56] tem coisas muito sérias que o Trump não está divulgando,
[00:32:59] coisas que eu vi, tá?
[00:33:00] Que o Epstein me trouxe, o Epstein me mostrou,
[00:33:03] olha isso daqui, olha isso, fotos,
[00:33:06] tem fotos do Donald Trump cometendo crimes,
[00:33:08] ele indica que é pedofilia, mas não diz que é isso,
[00:33:11] e eu quero ver essas fotos, cadê essas fotos?
[00:33:13] Onde é que elas estão?
[00:33:15] Vocês têm uma ideia, o Epstein arrancou da casa dele,
[00:33:18] trouxentos caixas de material,
[00:33:20] tipo, sumiu da casa dele um dia antes de uma das batidas que o FBI fez.
[00:33:24] Quer dizer, ele tá, assim,
[00:33:25] o negócio lá é completamente integrado com o poder
[00:33:30] e não pode esquecer disso.
[00:33:32] Assim, o Trump é um dos caras que se a investigação fosse séria
[00:33:36] e fosse feita e a justiça fosse feita,
[00:33:39] ele tava número 3, 4 na fila de ser preso
[00:33:41] pelo que aconteceu no escândalo do Jeffrey Epstein.
[00:33:45] É muito indício, muita coisa que ele abafou
[00:33:48] e o esforço que ele tem feito pra mudar de assunto, claramente,
[00:33:51] ele tem feito isso, que é um dos recibos de culpa maior que tem.
[00:33:54] A começar que ele enfiou a ex do Jeffrey Epstein,
[00:33:59] que é a monstra viva, a Ghislaine Maxwell,
[00:34:03] ela tá vivendo num resort de prisão
[00:34:06] com mais benefício que qualquer outro preso nos Estados Unidos tem.
[00:34:09] Ela tá nessa prisão, que é uma prisão de segurança mínima,
[00:34:15] muito confortável, ela tem o direito que nenhum outro preso tem lá,
[00:34:19] que é de ficar com o pet dela.
[00:34:21] Ela pode andar livremente pela grama, no mato, quando ela quiser,
[00:34:25] ela recebe visita quando ela quiser
[00:34:27] e ela tem acesso a telefone, e-mail e a computador.
[00:34:33] E ela tem provavelmente também, Bruno, um provador dela,
[00:34:36] alguém que prova a comida. Eu teria se fosse ela.
[00:34:38] Alguém que prova a comida antes dela.
[00:34:40] Não precisa mais, porque o que acontece
[00:34:43] é que ela tá sentada em cima de muito material.
[00:34:46] E ela já deu essa pista em várias entrevistas
[00:34:49] e várias coisas que ela fez, que ela prova,
[00:34:52] que ela tem muito poder ainda na mão dela,
[00:34:54] não é à toa que o Trump fez isso com ela.
[00:34:55] E ele mandou ela pra esse resort, basicamente,
[00:35:00] depois que ele mandou um representante dele
[00:35:03] entrevistá-la na cadeia onde ela estava.
[00:35:06] Sabe quem esse representante dele era?
[00:35:08] Que hoje tá no departamento de justiça dos Estados Unidos.
[00:35:12] É o advogado de defesa do Donald Trump,
[00:35:15] que defendeu ele nos processos da época que ele não era presidente.
[00:35:20] Esse cara entrevistou ela, depois disso mandou ela pra esse resort
[00:35:25] e saiu de lá falando, sem nenhuma gravação, sem nenhuma prova,
[00:35:29] que ela inocentou o Donald Trump. Declarou isso.
[00:35:32] Não existe nenhuma dúvida de que o Trump tá, obviamente,
[00:35:36] mais implicado do que a gente sabe, gente.
[00:35:37] Isso é formação de trás.
[00:35:39] Ah, não, total. Eu, na verdade, comecei a fazer uma digressão
[00:35:42] porque eu tava começando a falar que o que foi divulgado,
[00:35:47] estrategicamente, o que fica do que foi divulgado,
[00:35:50] nos casos de Epstein, é um cinismo.
[00:35:52] É a ideia clássica que é de direita,
[00:35:56] ou pelo menos é a ideia que empurra as pessoas pra direita,
[00:35:58] de que a classe política é toda farinha do mesmo saco.
[00:36:02] Essa é uma ideia que tá muito central
[00:36:05] nessa outright, com muitas aspas aí.
[00:36:09] E o que é curioso é que um escândalo que toca no coração
[00:36:12] da outright, que é o Epstein, porque é o melhor amigo do Trump
[00:36:15] e do Bannon, e de muitas figuras dessa extrema direita,
[00:36:19] do Elon Musk e tal,
[00:36:20] esse escândalo, eles conseguiram fazer uma divulgação
[00:36:24] que fizesse com que a conclusão midiática dele
[00:36:28] fosse despolitizada, ou pior que isso,
[00:36:30] que a conclusão dele tendesse para um cinismo de direita.
[00:36:35] Porque eu acho que é isso que tende.
[00:36:37] Acho que o que tende é assim, meu Deus, todo mundo,
[00:36:41] a classe política e bilionária, tudo a mesma coisa.
[00:36:44] Poxa, que mundo, né? Todo mundo errado ali.
[00:36:48] Eu não sei.
[00:36:49] Eu vou descortar mais uma vez.
[00:36:51] Toca no Trump.
[00:36:53] Eu acho que tem um cinismo, não vou falar nem do Donald Trump,
[00:36:55] agora que acho que ele já se encerrou,
[00:36:57] mas o que eu acho é que eu não tô vendo da mesma maneira,
[00:37:00] claro assim, que tem muito cinismo, isso não tem a menor dúvida.
[00:37:03] Isso vai fazer um mal enorme para a cabeça,
[00:37:05] não só dos Estados Unidos, mas do mundo todo,
[00:37:08] que vai ver isso e falar, puta, que pariu.
[00:37:11] E o que mais é aflitivo,
[00:37:13] que em parte se deve a ter uma Casa Branca
[00:37:15] totalmente implicada nisso,
[00:37:17] é que ninguém vai ser punido de verdade com isso.
[00:37:19] Vai ter um, outro vai perder um cargo aqui,
[00:37:22] o Príncipe Andrew vai mudar de mansão,
[00:37:25] mas todo mundo já sabe que isso, no fundo, não vai dar em nada,
[00:37:29] a gente só vai ver como é que a salsicha é feita
[00:37:31] e é o que tem no jantar é mais salsicha.
[00:37:34] Eu entendo que isso é o cinismo que vai acontecer.
[00:37:37] Mas o que eu acho é que na cabeça da maioria das pessoas,
[00:37:39] pelo menos que estão prestando atenção nisso,
[00:37:41] eu acho que tá pegando pior pra classe dos bilionários
[00:37:45] do que a dos políticos em si.
[00:37:48] Porque, por exemplo, o Partido Democrático inteiro
[00:37:50] votou pra abrir esses arquivos.
[00:37:55] Não tem na lista do próprio Epstein,
[00:37:58] não tem muito senador, deputado, fora o Bill Clinton
[00:38:01] e o próprio Trump, não tem o Obama, não tem o Bush,
[00:38:05] não tem o Dick Cheney, não tem o Paul Wolfowitz,
[00:38:07] não tem a Casa Branca do Bush.
[00:38:09] Pensa nisso, ninguém da Casa Branca Bush tá envolvido nisso.
[00:38:12] Então eu não acho que a classe política
[00:38:15] sai mais desmoralizada do que ela já tava antes,
[00:38:18] mas quem eu acho que sai machucado disso são
[00:38:21] os filantropos bilionários
[00:38:24] e essa ideia de que esses caras são esses gênios e não sei o quê,
[00:38:27] e você vê elas querendo ir pra ilha,
[00:38:30] o que o Peter Thiel tava falando com o Jeff Epstein sobre…
[00:38:35] Muito louco esse cara não ser preso.
[00:38:37] De hiper-vigilância e não só isso, eu genia.
[00:38:40] Os caras falando sobre gênios, sobre multiplicar gênios.
[00:38:43] Então tem uma coisa que é a classe dos bilionários.
[00:38:46] E um dos deputados, que é um republicano e um democrata,
[00:38:50] que fizeram esses arquivos virem à tona com muita pressão,
[00:38:53] e alguns votos republicanos que foram a favor de soltar isso.
[00:38:59] Mas um deles, o Raoul Kana, que é um político bem interessante lá,
[00:39:03] tá chamando de classe…
[00:39:05] A classe Epstein.
[00:39:06] É. Tô muito gago hoje.
[00:39:08] Que é um jeito de definir esse tipo de elite.
[00:39:12] Meio que até pra diferenciar de outros ricos, outros políticos,
[00:39:17] outras lideranças de partido, presidente de Ebanco,
[00:39:19] que não tá aparentemente no escândalo.
[00:39:22] Então tem esse risco também de todo mundo atacar
[00:39:26] todos os filantropos do mundo como um monte de bilionário é pedófilo.
[00:39:30] E aí você vê, dando um exemplo claro,
[00:39:32] o filantropo que a direita dos Estados Unidos sempre falou que era o vilão,
[00:39:39] que era o judeu que tava por trás de tudo, que pagava pedofilia,
[00:39:42] que tinha o Obama na mão, é o Jorge Soros.
[00:39:45] Um dos caras mais influentes em termos de filantropia da história.
[00:39:49] Não tem nem assim.
[00:39:51] Não tá na rede do Epstein de nenhuma forma.
[00:39:54] Não tem nenhum diretor da fundação dele que tá conversando com Epstein.
[00:39:58] Não tem um diretor de programa da fundação dele.
[00:40:00] Não tem conexão esse dinheiro com o outro dinheiro.
[00:40:03] Então também acho que na maneira como a gente fala disso,
[00:40:07] também é importante a gente entender que a ausência dos arquivos Epstein,
[00:40:12] por enquanto, também é muito relevante pra gente entender
[00:40:15] que tem círculos diferentes.
[00:40:17] E pra encerrar, o que eu acho que a gente precisa lembrar aqui,
[00:40:21] que eu acho que é uma análise que tem sido feita com muita qualidade
[00:40:24] por algumas pessoas, mas não viraliza,
[00:40:26] porque não tem esse sabor do escândalo do Bill Gates, da própria pedofilia,
[00:40:31] é que isso é meio que uma consequência lógica do tipo de capitalismo
[00:40:35] que foi montado nos anos 1990 pra cá.
[00:40:38] Que isso é uma das faces do sistema econômico e político que a gente montou.
[00:40:44] Que ele depende de estruturas conspiratórias
[00:40:48] pra ele funcionar dessa maneira que ele funciona hoje.
[00:40:52] Como a geopolítica funciona, como o Wall Street funciona,
[00:40:55] como as faculdades, como a filantropia, como a reputação de pessoas funciona,
[00:41:00] ela precisa de operadores criminosos, inescrupulosos,
[00:41:05] demoníacos como o Jeffrey Epstein.
[00:41:08] Então não é que todos são iguais a ele,
[00:41:11] mas todos precisam dele pra fazer um trabalho sujo
[00:41:14] que mantém o mundo extremamente desigual
[00:41:16] e pegando grana de todo mundo, enfiando na classe Epstein, sabe?
[00:41:20] Então é o capitalismo também, que a gente não pode esquecer disso.
[00:41:24] E aí é que eu acho, tem o potencial de esquerda nisso
[00:41:27] que precisa ser mais ou menos trabalhado
[00:41:30] pra não ficar só no cinismo de que a gente é só ovelha aqui embaixo.
[00:41:34] Então, sobre essa questão do cinismo desembocar na direita,
[00:41:40] eu concordo que completamente que isso tá na origem
[00:41:44] da formação dessa nova direita.
[00:41:46] E quem mais se beneficiou de uma certa insatisfação com a política
[00:41:51] foi a nova direita.
[00:41:53] Mas eu não acho que necessariamente precisa ser assim.
[00:41:56] A gente teve… E aí tem algumas coisas, Bruno.
[00:42:00] E de fato não tem tantos políticos.
[00:42:02] Tem políticos, tem políticos importantes,
[00:42:03] tem os políticos que as pessoas conhecem.
[00:42:05] Então, se você já tem o Donald Trump e o Bill Clinton,
[00:42:08] você já tem muita coisa, né?
[00:42:09] Isso já é mento-animicamente na cabeça do público,
[00:42:12] isso já vai querer dizer a classe política está implicada,
[00:42:16] mesmo que isso não seja necessariamente verdade como generalização.
[00:42:19] Mas você tem alguns símbolos importantes.
[00:42:21] Mas de fato não é político a questão.
[00:42:25] É uma… De novo, é uma elite que tem muitas faces.
[00:42:29] Ela vai dar política pro setor privado, pra academia, pra classe artística,
[00:42:33] ela vai ter um pouquinho de cada coisa.
[00:42:35] E é uma corte mesmo.
[00:42:38] Acho que a coisa que mais se parece,
[00:42:39] quando você falou cortezão, Greg, acho que você foi no ponto,
[00:42:42] é um olhar muito específico de bastidor
[00:42:46] pro funcionamento de uma certa corte.
[00:42:48] E o Epstein não é o rei dessa corte.
[00:42:51] Ele também não é o bobo da corte.
[00:42:53] Ele é uma figura que é mais um operador das sombras dessa corte, assim.
[00:42:59] Ele é uma figura um pouco…
[00:43:01] Não sei o que seria num arquétipo claro, assim, de história de corte,
[00:43:05] mas a gente pode pensar.
[00:43:06] Tem algum personagem Shakespeareano que ele vai ser.
[00:43:08] Me ajuda a achar, Gregório.
[00:43:10] Não, não tem muitos.
[00:43:11] Mas, em todo caso, ele é uma figura que a gente, intuitivamente,
[00:43:14] meio que sabe quem é, assim, essa figura que resolve…
[00:43:17] Ele é um fixer, né, de luxo.
[00:43:19] E ele é um pouco um concierge de hotel também.
[00:43:23] Ele vem de acesso à corte.
[00:43:24] Ele é uma mistura entre um guia turístico, um concierge de hotel
[00:43:28] e um fixer de gente rica.
[00:43:30] E é isso, ele vai te dar acesso a…
[00:43:33] E chantageista, é óbvio.
[00:43:35] E espião e todas essas outras coisas.
[00:43:37] Então, é uma figura muito curiosa.
[00:43:40] Mas que, claramente, o mais central para ele
[00:43:42] é que ele tem acesso à informação.
[00:43:44] Ou ele também, ele é rei de poder percebido, né?
[00:43:47] Então, ele também, muitas vezes…
[00:43:49] Ele projeta um acesso à informação maior do que o que ele, de fato, tem.
[00:43:53] Um outro meio muito sintomático que saiu
[00:43:56] é dele falando com um cientista que estuda mudança climática,
[00:44:00] um cientista importante nos Estados Unidos.
[00:44:02] E ele, basicamente, dá uma teoria dele sobre mudança climática
[00:44:06] que é completamente absurdo e furado e completamente ridículo.
[00:44:08] Ele fala, não, mas eu acho que não está acontecendo por isso e isso.
[00:44:11] Mas ele fala como se fosse uma grande…
[00:44:13] Uma grande revelação a qual ele teve acesso, de alguma forma.
[00:44:17] E o cientista meio que dá uma desconversada e diz, não…
[00:44:20] Não é bem por aí, mas a gente, na verdade, precisa de mais dinheiro
[00:44:23] para poder fazer mais pesquisa, para poder entender.
[00:44:27] Então, ele vai e aproveita para pedir um financiamento.
[00:44:29] Mas o meu ponto aqui é só o seguinte.
[00:44:32] De fato, a desconfiança do público,
[00:44:35] que, de novo, eu acho que ela é uma desconfiança embasada.
[00:44:38] Ela está ancorada na realidade.
[00:44:40] A desconfiança do público em relação à elite, à morfa,
[00:44:44] e como ela se comporta, e como ela se entre-ajuda,
[00:44:48] e como ela se protege,
[00:44:49] essa desconfiança foi aproveitada politicamente pela extrema-direita.
[00:44:53] E eu acho que não é uma desconfiança só com os partidos,
[00:44:56] ou com a elite política, ou com os políticos eleitos.
[00:44:59] Ela é uma desconfiança mais ampla com o instamento.
[00:45:02] E o que a extrema-direita nos Estados Unidos e fora dele
[00:45:05] fez muito bem foi associar a esquerda
[00:45:09] com esse instamento político latus senso.
[00:45:12] Como se a direita não fizesse parte desse instamento,
[00:45:14] o que, evidentemente, é falacioso.
[00:45:16] Então, isso é a primeira coisa.
[00:45:17] Eu acho que sim que é possível aproveitar
[00:45:19] essa mesma desconfiança que é embasada para a esquerda.
[00:45:23] Inclusive, deveria ser mais fácil,
[00:45:24] porque, tradicionalmente, a esquerda é mais antissistêmica.
[00:45:28] É a esquerda que questiona, justamente,
[00:45:30] a maneira como as pessoas acumulam riqueza, para começar.
[00:45:34] Que é o que permite, depois que essa elite se sustente
[00:45:36] e mantém esse nível de desconexão com a vida das pessoas.
[00:45:41] Então, deveria ser um lugar mais natural para a esquerda.
[00:45:46] E, curiosamente, é um lugar que as esquerdas, em vários lugares,
[00:45:50] não conseguiram ocupar.
[00:45:52] E é difícil entender por quê.
[00:45:54] Mas o que o Donald Trump falou no primeiro discurso dele
[00:45:57] de aceitação, de inauguração,
[00:46:00] quando ele é eleito no primeiro mandato,
[00:46:03] eu acho que é revelador de como essa operação foi feita
[00:46:05] no caso do Trumpismo, que é um caso muito específico.
[00:46:08] Não sei se vocês lembram, mas ele diz que ele conhece o sistema
[00:46:12] melhor do que ninguém,
[00:46:13] e por isso apenas ele pode consertar o sistema.
[00:46:16] I alone can fix it.
[00:46:18] Então, ele se apresenta não como exatamente um outsider,
[00:46:22] ele se apresenta como o maior insider.
[00:46:25] O homem-bomba, o cara que está dentro.
[00:46:27] A não ser que, de fato, surja uma foto…
[00:46:29] A não ser que surja uma foto dele
[00:46:32] estuprando uma menina de 14 anos.
[00:46:35] O mero fato de que ele é citado pelo app,
[00:46:40] de que ele está no círculo, de que ele estava nas festas,
[00:46:42] de que ele viu de perto, isso não pega nele,
[00:46:46] porque ele nunca escondeu que ele fazia parte desse sistema.
[00:46:49] Ele nunca se vendeu como um outsider.
[00:46:50] Ele sempre falou, eu estou aqui dentro,
[00:46:52] eu sei que é tudo uma grande sujeira
[00:46:54] e é por isso que eu sou a pessoa certa para limpar.
[00:46:56] Então, é uma posição muito confortável politicamente,
[00:47:01] porque ele não precisa se dissociar completamente da sujeira.
[00:47:04] Ele pode estar nos dois lugares ao mesmo tempo, ele se vende como…
[00:47:08] E, em alguma medida, quando ele torna a corrupção mais explícita,
[00:47:12] quando ele faz um esquema de cripto,
[00:47:14] quando ele pede para a família ser beneficiada
[00:47:17] com contratos de exploração de real estate na Índia
[00:47:21] para poder liberar, para poder baixar tarifa na Índia,
[00:47:24] quando ele pede para ter um campo de golfe em tal lugar para ele poder…
[00:47:27] Quando ele usa o aparato do Estado para benefício próprio,
[00:47:30] ele faz uma coisa que é deixar claro aquilo que todo mundo sempre achou
[00:47:35] que todo mundo fazia sem que fosse público.
[00:47:37] Então, tem uma coisa na pornografia do trampismo
[00:47:40] que eu acho que é pouco afetada pelo que já foi revelado no caso Epstein.
[00:47:45] É óbvio que existe uma linha que poderia ser cruzada.
[00:47:48] Essa linha não foi cruzada.
[00:47:49] Como a esquerda deveria se comportar em relação a isso
[00:47:51] nos Estados Unidos e fora dos Estados Unidos, eu não sei.
[00:47:54] Mas eu sinto que ou a resposta vai ser antissistêmica
[00:47:57] ou ela não vai ser suficiente.
[00:47:58] Se ela for uma resposta de afirmação desse sistema
[00:48:02] e de como ele precisa ser protegido dessas ameaças despolitizantes,
[00:48:06] acho que a gente perde.
[00:48:08] Perfeito. É, você tem razão.
[00:48:09] E eu acho que o caso Epstein dá para ser lido de uma maneira também não cínica
[00:48:14] e anticapitalista.
[00:48:16] Porque, no fundo, ele é também a história de uma pessoa
[00:48:19] que ficou rica nos anos 80, tanto de ficaram como o próprio Trump.
[00:48:24] Rica não porque descobriu algo genial,
[00:48:27] não porque trabalhou mais do que todo mundo,
[00:48:31] não porque era um gênio, como algumas pessoas até o chamaram,
[00:48:33] um gênio das finanças, não.
[00:48:35] Inclusive, dá para ver pelos emails que ele era bem burro mesmo
[00:48:38] quando ele fala com cientistas ou pela maneira que ele redige os emails.
[00:48:43] Ele não era especialmente brilhante longe disso.
[00:48:45] Ele era um cara que estava no lugar certo, conhecia as pessoas certas
[00:48:49] e fez desse conhecimento, dessa rede de contatos,
[00:48:52] uma forma de manipulá-las e chantageá-las.
[00:48:55] E é assim que muitas fortunas foram feitas,
[00:48:58] inclusive a do próprio Donald Trump,
[00:49:00] que está bem contado, aliás, no filme O Aprendiz,
[00:49:02] que eu pensei o tempo todo no filme quando lia o caso Epstein.
[00:49:06] Porque era…
[00:49:08] Você enriqueceu nos anos 80, no auge, no apogeu, talvez,
[00:49:13] dos Estados Unidos capitalistas como dono do mundo, não é?
[00:49:18] Era relativamente fácil, porque era uma maçonaria,
[00:49:21] que se você entrasse, você estava empregado,
[00:49:23] você estava dono de segredos, você estava…
[00:49:27] Tinha uma facilidade, tanto é que muita gente sem grandes talentos,
[00:49:31] como é o caso desses dois, ficaram muito ricos muito rápido.
[00:49:35] Vamos lembrar que o cara é um dropout de uma escola,
[00:49:39] ele é um cara que abandonou a faculdade com resultados pifes na faculdade,
[00:49:43] não era exatamente brilhante em nada.
[00:49:45] O Epstein, o Trump, então, nem se fala, né?
[00:49:48] Era um filho rejeitado pelo próprio pai,
[00:49:51] o próprio pai achava ele uma besta, todo mundo achava,
[00:49:53] ele era famoso mesmo também, nunca foi o percentual inteligente,
[00:49:56] e conseguiu se vender como um grande gênio.
[00:49:57] Por quê? Por ganhar dinheiro.
[00:49:59] Porque o dinheiro numa sociedade ultracapitalista
[00:50:02] é sinônimo de sucesso, é sinônimo de moral.
[00:50:04] Uma pessoa que ganha muito dinheiro, ela passa a ser digna
[00:50:08] de entrar, de abrir todas as portas nos Estados Unidos.
[00:50:11] Isso aí fica muito claro nos e-mails.
[00:50:14] Todo mundo tinha que falar com o Epstein, porque ele era muito rico,
[00:50:17] você não deixa de responder o e-mail de uma pessoa
[00:50:19] bilionária, de uma pessoa riquíssima.
[00:50:21] Então, aí, eu tinha que responder, porque até o Bill Gates falou isso.
[00:50:25] Por que você falava com o Epstein? Porque ele era um cara muito rico,
[00:50:27] ele podia ajudar.
[00:50:28] O Bill Gates estava precisando do dinheiro do Epstein, entendeu?
[00:50:32] Você sabe o que o Bill Gates exageria dele?
[00:50:34] Que é o que está aparecendo em apurações paralelas
[00:50:37] que as pessoas estão fazendo, gente que falou em Eof.
[00:50:41] Ele buscou o Jeffrey Epstein, porque ele queria
[00:50:46] ganhar o Nobel da Paz.
[00:50:47] Então, ele queria ver se o Epstein podia ajudar nisso, entendeu?
[00:50:50] Já que ele tem relações com a família real da Noruega,
[00:50:52] aparentemente, por aí vai, entendeu?
[00:50:55] Tem um escândalo lá na Noruega, está rolando exatamente isso,
[00:50:59] porque uma dessas é princesa, pedir um favor para o Epstein.
[00:51:02] Isso não me interessa tanto, esse lado da fofoca, caras,
[00:51:05] eu não estou tão de olho, porque eu estou muito mais interessado
[00:51:08] nas coisas que não são muito saborosas.
[00:51:10] E que é isso, eu acho que você tem razão, mas lembrando que o Trump e o Epstein,
[00:51:13] esses caras todos, não é que eles aprenderam a fazer isso.
[00:51:18] Eles foram puxados por estruturas que já existiam antes
[00:51:21] para ocupar um papel necessário de troca de guarda,
[00:51:27] de tipos de pessoas que o capitalismo oficial precisa.
[00:51:31] Ele precisa de gente que nem o Epstein, fazendo esse trabalho
[00:51:35] para que o Bill Gates tenha a Microsoft, a fortuna que ele fez,
[00:51:39] mas que ele garanta que não vão quebrar a patente da Microsoft na Suécia.
[00:51:47] Entendeu? Que ele vai ter acesso ao que ele precisa na África.
[00:51:51] E que aquele partido não pode ganhar aquela eleição.
[00:51:54] E aí que o Epstein entra, começa a falar que ele é o não-espião,
[00:51:59] trabalhava para Mossad e para CIA.
[00:52:01] O ponto é que a gente tem que lembrar que agências de inteligência,
[00:52:04] nós achamos que eles espionam, estão trazendo informação para os governos.
[00:52:10] Essa é a versão oficial.
[00:52:12] Mas o que a história do Epós-Guerra meio que mostra,
[00:52:16] é que eles são operadores de certas redes criminais para estatais,
[00:52:20] de golpe de Estado, de manipulação de eleição,
[00:52:23] de veículos de comunicação, de infiltração de pessoas
[00:52:26] e de produção de material para chantagem.
[00:52:29] Então, quando o Epstein sai da faculdade e era esse cara que ele é,
[00:52:35] esse bom vivã com ego gigantesco,
[00:52:38] se acha muito mais do que qualquer coisa que ele possa ser,
[00:52:41] ele é puxado por pessoas muito suspeitas para esse universo.
[00:52:45] Um deles, o pai da parceira de crime dele, entendeu?
[00:52:49] Que era um agente de agências de inteligência
[00:52:53] e crime é organizado nos anos 60 e 70.
[00:52:59] E o Trump foi ensinado, está no filme isso,
[00:53:03] por um advogado do crime de Nova York,
[00:53:06] que era um cara que gravava as putarias na casa dele
[00:53:10] para chantagear advogados ricos de Nova York e por aí.
[00:53:15] Então o que o Epstein fazia na ilha, no rancho, em altíssimo nível,
[00:53:19] o cara que criou o Donald Trump em Nova York
[00:53:22] estava fazendo isso na mansão dele, produzindo uma…
[00:53:25] Então tem isso, tem esse universo que é uma mistura de capitalismo seco
[00:53:29] com casa de campo, mas tem também algo que é a parte mais louca.
[00:53:36] Vocês sabem qual é o filme mais é vendido na Apple no final de semana?
[00:53:41] O filme mais assistido, mas é comprado no final de semana,
[00:53:45] de olhos bem fechados do Stanley Kubrick, que é o último filme do Kubrick,
[00:53:49] que fala sobre essa sociedade secreta de autelite que vive num lugar diferente,
[00:53:54] que faz festas de sexo, que mata pessoas de maneira esquisita
[00:53:59] quando o segredo pode vir à tona
[00:54:03] e que hoje, por conta do ambiente e a conspiratório é todo,
[00:54:08] as pessoas estão vendo esse filme porque o TikTok, o Hewes
[00:54:11] e todo mundo falando que mataram o Kubrick porque ele fez esse filme
[00:54:15] antes de encerrar o filme, que os executivos de Hollywood
[00:54:19] eles tiveram que mudar o filme, tirar a narração que o Kubrick tinha colocado
[00:54:24] porque aproximava muito da verdade do clube do Epstein
[00:54:29] e dessas seitas e desses grupos ridículos por aí
[00:54:31] que ele nos e-mails faz parte.
[00:54:35] Sociedade é secreta só de homens que fazem rituais que não aceitam
[00:54:40] e que não aceitam minorias ele lá no meio disso
[00:54:43] é meio falando sobre eugenia abertamente.
[00:54:47] Estava usando a Etiópia,
[00:54:50] escolas infantis da Etiópia para fazer teste
[00:54:55] de identidade digital para inteligência artificial
[00:54:59] para ver se isso pode ser um laboratório lá
[00:55:02] extraindo dados dos hábitos infantis na Etiópia, uma coisa assim.
[00:55:06] Soa conspiratório, mas é isso que estava acontecendo mesmo.
[00:55:11] E aí fica esse buraco, o pior, o pior ainda está guardado
[00:55:17] que são os vídeos, são as fotos, são as pessoas que o Trump não quer que saia.
[00:55:23] Não tá, porque é bom lembrar que esse daí é um escândalo
[00:55:27] que está acontecendo e está sendo investigado dentro de uma autocracia.
[00:55:32] Vamos lembrar disso que os Estados Unidos
[00:55:34] não tem independência da Polícia Federal lá, não tem.
[00:55:39] A Polícia Federal não tem mesmo.
[00:55:41] Há muito tempo assim, antes até desse mandato do Trump, não é?
[00:55:45] Mas agora mais do que nunca.
[00:55:47] Não tem um Supremo realmente independente, não tem, não tem,
[00:55:51] não tem um Congresso e não tem barreiras para o poder desse homem.
[00:55:55] Então, a gente acreditar que o vazamento desses dados
[00:55:59] foi realmente para proteger as vítimas, alguma história que eles estão contando,
[00:56:02] sim, tem que ser muito burro.
[00:56:05] Então, isso daí também é o mais louco e mais distópico.
[00:56:09] A gente não tem acesso e fica uma especulação.
[00:56:12] Mas o que a gente tem, eu acho que dá para concluir que é um escândalo bem norte-americano
[00:56:17] e vem numa época, por isso que eu comecei com o Bad Bunny,
[00:56:21] vem numa época que eu acho que a identidade estadunidense está mais em cheque,
[00:56:27] que tem a ver com o ICE também, que tem a ver com o Bad Bunny,
[00:56:30] tem a ver com a EFD, tem a ver com o Trump.
[00:56:33] A Venezuela, vamos lembrar disso.
[00:56:35] Sequestraram o Maduro no começo do ano.
[00:56:38] Tem a ver com caírem as máscaras, né?
[00:56:40] Tem a ver com caírem as máscaras.
[00:56:42] Essa música que eu gosto do Bad Bunny, que eu comecei falando do Hawaii,
[00:56:44] é muito foda, que foi a que o Ricky Martin contou.
[00:56:47] Ele torcendo que não aconteça com a gente o que aconteceu com o Havaí.
[00:56:51] E é muito foda, porque o Havaí é um case de sucesso para os americanos.
[00:56:55] É tipo, uau, hawaii, olha o que fizemos lá.
[00:56:57] E tipo, trocaram para quem gosta de português é um pesadelo.
[00:57:01] Destruíram um lugar, ninguém fala mais a língua original,
[00:57:04] só se fala inglês, só tem gringo, louro surfando.
[00:57:07] O negócio era um…
[00:57:08] Tipo, a ideia de que o Havaí é uma distopia
[00:57:13] é algo novo para os americanos estarem ouvindo isso.
[00:57:17] E agora está na segunda fase da distopia, é a Havaiana, né?
[00:57:21] Que são os bilionários estão expulsando os surfistas.
[00:57:25] Os surfistas, né?
[00:57:26] Então sim, a gentrificação original que criou esse Havaí,
[00:57:30] é romântico, é onde estão montando um banque lá,
[00:57:32] a Oprah, o Zuckerberg, os bilionários, né?
[00:57:35] Em Maui, especificamente.
[00:57:37] Exatamente.
[00:57:38] E aí volta para a nossa conversa inicial sobre o que é ser latino
[00:57:41] e sobre o significado do Bad Bunny no Super Bowl, que é isso, né?
[00:57:45] A gente também não cair nessa armadilha.
[00:57:48] A gente está num momento muito curioso da política internacional
[00:57:51] e da nossa relação com os Estados Unidos.
[00:57:52] E a gente tem, inclusive, recebido muito comentário aqui no Calm Urgente,
[00:57:55] de que a gente tem falado muito dos Estados Unidos.
[00:57:57] E a gente decidiu falar dos Estados Unidos de novo,
[00:57:59] ainda que eu argumentaria que o caso Epstein,
[00:58:02] ele é um caso mais global do que americano, né?
[00:58:04] Ele envolve personagens de várias nacionalidades
[00:58:06] e acho que, inclusive, uma das coisas mais notórias
[00:58:08] é como essa elite também, ela é amorfa
[00:58:12] e ela não tem enraizamento territorial.
[00:58:15] O Anangiri Radhas, que é um jornalista que eu gosto muito,
[00:58:18] escreveu um artigo no final do ano passado para o New York Times
[00:58:21] falando sobre o caso Epstein antes desse último…
[00:58:27] Nesses últimos documentos, né?
[00:58:28] Das 20 mil páginas que foram publicadas recentemente.
[00:58:31] E ele fala que é uma das coisas mais interessantes
[00:58:34] ou mais frequentes nos e-mails
[00:58:36] e que quase todos os e-mails começam com a pessoa falando de onde é que ela está.
[00:58:40] Ah, eu estou chegando aqui em Nova York por dois dias,
[00:58:42] mas amanhã eu já sigo para Paris, depois disso estarei em Davos.
[00:58:45] Você está por aí?
[00:58:46] Tipo, é tudo… E ele fala são meio bad signals dessa elite, assim,
[00:58:50] que é tudo sobre aonde é que você vai estar,
[00:58:53] você vai estar passando por Londres,
[00:58:54] a gente talvez possa se encontrar no aeroporto,
[00:58:56] você vai estar em tal lugar, então é uma elite meio desenraizada.
[00:59:00] Mas voltando para a questão dos Estados Unidos e Brasil,
[00:59:02] tem um lance aí que é, a gente tem recebido muito esse comentário,
[00:59:05] vocês estão falando demais dos Estados Unidos,
[00:59:07] e é óbvio que quando você tem uma potência global imperialista
[00:59:12] passando por um processo claramente de,
[00:59:15] mais do que de erosão democrática, de mudança de regime mesmo,
[00:59:18] a olhos vistos e num tempo muito curto,
[00:59:20] então a coisa está acontecendo muito rápido, muito visivelmente,
[00:59:23] com todos os indícios e todas as provas e toda a plasticidade,
[00:59:28] toda a performance,
[00:59:29] é óbvio que isso tem implicações para a gente.
[00:59:32] Você estar no quintal de um império já é desconfortável,
[00:59:37] quando esse império passa para uma mudança de regime clara
[00:59:40] e se torna de fato autocrático, inteiramente autocrático,
[00:59:43] isso tem implicações para a gente também.
[00:59:45] Mas tem uma outra coisa que é,
[00:59:47] então não dá para ignorar o que está acontecendo lá,
[00:59:49] mas tem uma outra coisa que é, ao mesmo tempo,
[00:59:51] a gente também não pode achar que analisar os Estados Unidos
[00:59:55] e pensar na política americana como algo que tem consequência para a gente,
[00:59:59] quer dizer que a gente deveria se ver
[01:00:01] como parte quase que da constituency,
[01:00:05] parte de quem está sendo afetado diretamente,
[01:00:07] de quem tem poder de tomada de decisão.
[01:00:09] Então quando a gente fica falando,
[01:00:10] não, mas o Bad Bunny foi chamado, que legal, ele é latino,
[01:00:13] gente, mas não é,
[01:00:14] para o Brasil a única coisa que isso quer dizer
[01:00:17] é que eles querem que a gente seja o Havaí,
[01:00:19] eles querem a NFL no Brasil,
[01:00:21] eles querem substituir o Campeonato Brasileiro pelo Super Bowl,
[01:00:24] é isso que nos interessa,
[01:00:26] é só essa parte que nos interessa,
[01:00:28] o resto tem que ser análise,
[01:00:29] mas a gente não pode entrar na torcida, entendeu?
[01:00:32] Porque tem uma confusão que eu acho que é muito clara na direita,
[01:00:34] mas ela também se dá na esquerda,
[01:00:36] que é quando você começa a achar que você é cidadão de outro país.
[01:00:39] Começa a comemorar o Bad Bunny.
[01:00:40] Começa, exatamente,
[01:00:42] começa a achar que isso é parte do seu time ganhando,
[01:00:45] e não, não, não, isso é parte de um time,
[01:00:48] que é o time que a gente simpatiza mais, ganhando lá,
[01:00:51] mas no final das contas,
[01:00:53] todos os times lá, eles se unem em uma coisa que é,
[01:00:57] eles estão dentro de um país
[01:00:59] que tem uma política imperialista para a América Latina,
[01:01:02] isso inclui o Brasil,
[01:01:03] e a NFL é uma máquina de produção cultural a serviço desse país.
[01:01:06] E acho que isso, o caso Epstein,
[01:01:08] é muito revelador nesse sentido também,
[01:01:11] que é como que, no fundo, essas potências coloniais,
[01:01:14] desde as decadentes das monarquias europeias,
[01:01:17] até as potências coloniais da atualidade,
[01:01:20] os Estados Unidos, os bilionários,
[01:01:22] as grandes empresas que se comportam também como potências coloniais,
[01:01:25] como elas se comportavam no passado, né,
[01:01:28] procurando um lugar para botar data center,
[01:01:29] pegando água, pegando…
[01:01:31] Como que essa galera, no final das contas,
[01:01:34] ela se conecta nesse desejo de comunizar todo o resto.
[01:01:38] Isso é muito evidente.
[01:01:40] Eles falam, tem um e-mail que o Epstein fala assim,
[01:01:43] não, ele é um…
[01:01:44] Ele está se refirindo, não, a pessoa não me lembra mais quem é,
[01:01:46] mas ele fala assim, ele é um dos africanos mais inteligentes.
[01:01:49] Ai, caralho.
[01:01:51] A coisa racista do…
[01:01:52] Os africanos.
[01:01:53] A coisa racista do Ed F-Rap,
[01:01:55] eu não vou nem entrar aqui porque vai aparecer a conspiração mesmo.
[01:01:59] Não, mas ele falando com Peter Thiel é só eugenia e racismo.
[01:02:03] Ele pesquisando o eugenia de muitas formas com outros e-mails
[01:02:06] e as pessoas vão começando a cruzá-dado,
[01:02:09] ele teve conversas sérias com pessoas que depois se retiraram da sala.
[01:02:14] Isso é importante falar, tem várias pessoas lá que
[01:02:16] a gente sabia que estavam nos arquivos porque já tinha vazado foto,
[01:02:20] e umas duas, três eu sei que saíram melhor do vazamento
[01:02:24] porque eles brigaram com o Epstein e se recusaram a participar das novas conversas.
[01:02:27] Uma delas é sobre a eugenia.
[01:02:29] Sobre ele tentando discutir seriamente com esses cientistas
[01:02:32] que ele achava que ele fazia parte dessa grande casta,
[01:02:35] de que a gente tinha que começar a falar sobre como acabar com os pobres,
[01:02:40] como espalhar os genes bons e tudo mais.
[01:02:43] Mas só pra pegar um gajo que você colocou,
[01:02:45] ali que eu acho que você matou uma charada ótima aí,
[01:02:47] e a gente se definiu super bem o incômodo que eu tava com o Super Bowl hoje de manhã,
[01:02:51] depois que eu vi um âncora mexicano, um âncora de esporte mexicano
[01:02:59] falando no final do show do Bad Bunny, ele começou a chorar de emoção.
[01:03:04] Porque você, viva Bad Bunny, Deus abençoe o Bunny
[01:03:11] porque ele falou em espanhol na maior festa dos Estados Unidos, não sei o quê.
[01:03:15] E se definiu bem, né?
[01:03:16] A gente não pode achar que a gente é a audiência de Super Bowl
[01:03:20] porque eles ganharam o projeto.
[01:03:23] Claro, mas Bruno, ao mesmo tempo, só fazendo uma ressalva aqui,
[01:03:26] não deixa de ser uma vitória, assim como eu acho,
[01:03:28] pela mesma lote, por essa mesma argumentação,
[01:03:30] o Wagner Moura estar indicado ao Oscar é uma derrota.
[01:03:34] Não, não é.
[01:03:36] Mas é a mesma coisa, é claro que sinaliza uma vontade da gente,
[01:03:43] isso aí vai fazer com que a gente observe e gravite mais
[01:03:46] em torno de um prêmio que é da indústria americana,
[01:03:49] que deveria mais é morrer e que foda-se a academia, foda-se o Oscar.
[01:03:54] Tem esse lado também.
[01:03:54] Isso aí vai fazer com que a gente observe e torça
[01:03:57] e vai dar uma audiência monstro e vai dar uma centralidade
[01:04:00] dessa festa gringa, xoxa, branca, bilionária americana,
[01:04:07] vai fazer com que o sul global pare pra assistir.
[01:04:10] Não era melhor deixar eles então se fuderem e morrerem nas mãos
[01:04:13] se premiando a si, entendeu?
[01:04:15] Tem um lado que talvez, mas não, não, não,
[01:04:18] eu tô só levando o seu argumento ao extremo.
[01:04:20] Não, eu sei, mas eu só quero me defender da sua contra-argumentação.
[01:04:26] Eu acho que foi muito bom que o Bad Bunny fez o que ele fez.
[01:04:30] Eu acho que é positivo pra América Latina, pra o continente.
[01:04:33] Não, mas é importante lembrar, eu entendi o seu ponto.
[01:04:35] Eu acho que é importante isso, mas assim, se o Wagner Moura
[01:04:38] ganhar o Oscar e subir com uma bola de futebol americana,
[01:04:42] eu vou ficar um pouco mais preocupado.
[01:04:44] Tem certa simbolia… E eu entendo, tem isso.
[01:04:47] O Oscar vira a coisa mais importante do que os outros prêmios incríveis,
[01:04:51] muito mais qualificados do que o Oscar que ele já ganhou.
[01:04:54] Que não são prêmios de indústria, que levam questões políticas e industriais
[01:04:59] em consideração, mas prêmios mais artísticos mesmo, já levaram tudo.
[01:05:03] Assim como do comentário da Alessandra.
[01:05:06] Como indicado é o Oscar e arrastou todos os prêmios de documentário que tem
[01:05:11] e deve ganhar o BAFTA, espero eu, no próximo mês.
[01:05:14] Mas o ponto é, não é que a gente não tem que achar isso bonito,
[01:05:19] bom e superimportante no momento que a gente vive hoje,
[01:05:21] é maravilhoso isso, mas é pra ter sempre a orelha acesa.
[01:05:25] É nunca esquecer que é o Oscar.
[01:05:27] E o Wagner Moura não esquece disso.
[01:05:29] Exatamente isso que eu ia falar, o Wagner Moura sabe muito bem.
[01:05:33] Você vê a entrevista que ele deu ontem na CNN falando sobre o Jeffrey Epstein,
[01:05:39] falando que o Trump quer move on.
[01:05:42] Ele falou assim, não, não, não, vamos ficar com o arquivo.
[01:05:45] E ele relacionou isso com o filme dele.
[01:05:47] A gente não pode esquecer.
[01:05:49] Então a coisa é viva.
[01:05:51] É bom lembrar que o próprio filme com o qual ele está indicado
[01:05:56] é um filme sobre, basicamente, Pernambuco concentrismo.
[01:06:01] É um filme, não Pernambuco, mas nordeste, sobre voltar a centralidade para as periferias,
[01:06:08] criar novas centralidades.
[01:06:10] Então seria bobo a gente deixar de lado essa perspectiva.
[01:06:13] E eu acho que também tem uma coisa que é muito Pernambuco,
[01:06:17] mas tem uma outra coisa, que o filme tem um universalismo,
[01:06:20] ou é político nele, que se conecta com o Jeffrey Epstein.
[01:06:23] O filme também é sobre o poder secreto que mata pessoas.
[01:06:28] É verdade.
[01:06:29] O filme tem a conspiração de gente poderosa.
[01:06:32] E eugênico.
[01:06:33] E um poder eugênico que considera aquele lugar como um lugar periférico e menor,
[01:06:38] que tem que ser dominado.
[01:06:39] Como é um trabalho que o Kleber fez em outros filmes,
[01:06:41] mas nesse especificamente, vocês já falaram no outro programa sobre a gente,
[01:06:48] mas é um mundo secreto do poder, ele é constituído mesmo,
[01:06:54] que vai atrás de gente normal, gente do bem, de uma família, de um cara e tudo o mais.
[01:06:59] Então tem uma relação que não é só botar a América Latina no meio de Hollywood,
[01:07:06] mas dialoga até com o Skanderle Epstein, o que o filme representa, eu acho.
[01:07:10] E tem algumas outras, mas a gente não precisa entrar demais nesse assunto,
[01:07:13] mas tem um lance, mas acho que a gente está falando de uma coisa
[01:07:16] que é culturalmente relevante para reflexão.
[01:07:18] Tem uma coisa que é, o cinema americano já é tão hegemônico no Brasil,
[01:07:22] ele já é tão hegemônico no mundo todo, talvez o produto cultural mais bem acabado dos Estados Unidos,
[01:07:27] ele domina o mundo de um jeito inacreditável.
[01:07:30] E o Brasil tem um cinema maravilhoso, e o Agente Secreto é um exemplo desse cinema brasileiro
[01:07:37] de excelente qualidade produzido no Brasil, centrando histórias brasileiras,
[01:07:40] atores brasileiros em português, falando de Brasil,
[01:07:43] que ainda assim tem um espaço muito menor do que deveria ter no Brasil.
[01:07:47] Mas quando a gente fala dos brasileiros no Oscar,
[01:07:49] o Oscar é em alguma medida uma indústria que já é dominante no nosso país,
[01:07:55] a gente já não conseguiu segurar, ela entrou e ela dominou, e ela domina comercialmente,
[01:08:00] e aí a gente fala, não, vamos cavar um espaço aqui para aproveitar as plataformas que essa indústria criou,
[01:08:06] porque ela criou plataformas para se autopromover, para a gente promover o nosso também,
[01:08:10] para a gente não ficar promovendo só o deles, ele não está indicado com um filme gringo,
[01:08:13] ele está indicado com um filme brasileiro de um diretor brasileiro pernambucocentrista.
[01:08:17] A NFL me preocupa mais em alguma medida porque ela está entrando num território
[01:08:21] que não é dominado por uma indústria americana, eles não estão aqui,
[01:08:25] a gente tem algumas identidades, algumas indústrias culturais a gente preservou,
[01:08:30] é claro que o futebol brasileiro também já não é mais o mesmo,
[01:08:32] pós Copa do Mundo muita coisa mudou, inclusive na organização dos estádios,
[01:08:36] e as ligas são corruptas e tem milhões de problemas,
[01:08:39] mas a gente tem uma identidade cultural ligada ao esporte que é distinta dos Estados Unidos,
[01:08:45] ela é distinta e ela permaneceu distinta, e agora a NFL está investindo milhões de dólares
[01:08:50] para tentar eliminar essa diferença cultural, isso é o que está acontecendo no esporte.
[01:08:54] Eu acho deprimente isso gente, agora vou comprar uma briga aqui,
[01:08:57] mas esse povo que está começando a assistir NBA, está acompanhando isso?
[01:09:00] É o fim da picada, o fim da picada, resistam.
[01:09:04] Pelo amor de Deus, aí tem limite cara, tem limite sabe?
[01:09:09] É um pouco como eu me sinto também com música, por exemplo,
[01:09:13] é legal quando um artista brasileiro é indicado a um Grammy,
[01:09:16] mas é muito menos interessante e gera menos comoção também no Brasil do que o Oscar,
[01:09:20] porque a música brasileira é um mercadão no Brasil,
[01:09:25] brasileiro escuta música brasileira, ela se baixa, a gente não precisa de gringo para desedinar,
[01:09:29] então é um pouco diferente, a gente não está falando de uma hegemonia tão colocada comercialmente,
[01:09:34] de uma indústria que já arrastou tudo e a gente está tentando justamente cavar um espaço para a gente,
[01:09:39] num espaço que é dominado por eles, não é o caso na música, não é o caso no esporte,
[01:09:43] então é onde dá para resistir culturalmente de outras maneiras.
[01:09:48] Resistiremos bravamente, cada vez mais acho que estamos caminhando para isso,
[01:09:55] eu pelo menos não tenho tido menor interesse em ver filme American, por isso entendo estadunidense,
[01:10:02] nenhum interesse de modo geral, acho a mesmice, a Alessandra gostou, nunca vou entender,
[01:10:07] nunca vou entender ter gostado daquela cafonise, aquele batalha após a outra,
[01:10:10] eles são cafonas, eles são repetitivos, eles são formulaicos,
[01:10:17] todos leram lá o Mackey, o roteiro, ou do fulano e fazem roteiro de acordo com uma formatação mental, estúpida,
[01:10:27] eu tenho a impressão de que é realmente mesmo, é um deserto de ideias, cara,
[01:10:33] todos conversando com Jeff Reb, não é mentira, nem todos,
[01:10:36] uma coisa que surgiu aqui na conversa que eu não queria deixar passar,
[01:10:41] você falou Greg do capitalismo dos anos 80, ou você ou o Bruno, já não sei mais,
[01:10:46] algum de vocês falou sobre capitalismo dos anos 80 e isso como foi o que produz de alguma forma o Epstein,
[01:10:52] tem um lance aqui que tem a ver também com o tipo de capitalismo no qual a gente vive,
[01:10:58] que são esses dinheiros muito distantes de qualquer tipo de valor real, de produção real de valor,
[01:11:04] e portanto distantes das pessoas e das comunidades onde valor é criado, de investimento de fato,
[01:11:08] tem uma matéria também no New York Times, de agora, dessa semana,
[01:11:12] que foi escrita por um colunista conservador, um cara que escreve sobre economia,
[01:11:16] mas que de uma perspectiva bem conservadora, não é anticapitalista, não é antissistêmica,
[01:11:20] mas é ele falando de financialização, e tem um dado que ele traz,
[01:11:25] ele fala que menos de 2% dos investimentos do Goldman Sachs, por exemplo,
[01:11:32] e menos de 7% para o JP Morgan e assim por diante,
[01:11:37] é investimento produtivo em empresas que de fato estão produzindo coisas,
[01:11:42] o resto, todo o faturamento do banco é derivativos, é produtos financeiros complexos, é seguro do não sei o quê,
[01:11:49] é comprar dívidas e repaginar e revender e refinanciar, não é botar dinheiro no setor produtivo,
[01:11:56] e tem uma coisa quando a gente vê os e-mails do Epstein, que eu sinto que também está na base do desconforto,
[01:12:02] que é o quão parasitário é esse modelo, e como a gente hoje tem uma elite completamente parasita,
[01:12:09] que está desconectada, não só do mundo real, mas da produção real, isso é um assunto…
[01:12:13] E entra no Brasil também, que é o paraíso dos atravessadores,
[01:12:18] isso aí tem muitos Epstein nesse sentido, pessoas que vivem de vender proximidade,
[01:12:24] vender lugar no círculo de afeto, lugar do círculo de amigo, existe esse bilionário brasileiro?
[01:12:30] Sim, pessoas que não são nada além de conectores, isso daí é um sintoma desse capitalismo,
[01:12:37] porque as pessoas mais ricas não produziram nada a não ser intermediações entre quem tem dinheiro e quem está precisando,
[01:12:45] então assim, é isso que a porra do Epstein era, era isso, não produziu nada,
[01:12:50] vai ver os e-mails, não tem uma ideia original, não tem.
[01:12:53] Ele é burro, os e-mails são estúpidos.
[01:12:56] Ah, e outra coisa que fica claro no e-mail é que ele não é um financista, ele não entende porra nenhuma de finança,
[01:13:01] ninguém está pedindo um conselho financeiro pra ele, o que está pedido não, eles se vendiam sim.
[01:13:05] Os únicos conselhos financeiros é de evasão fiscal, isso pedem, até o Peter Thiel pede, como é que eu faço pra não pagar imposto?
[01:13:11] Mas aí é que tá, você viu o cachê que ele cobrava pra fazer acerto com o governo pra encerrar investigações de evasão de divisas,
[01:13:20] ele cobrava 25 milhões de dólares pra abafar casos de evasão de divisas, era parte da planilha dos caras.
[01:13:29] Mas a coisa parasitária pra mim é muito central, e eu vou falar um negócio que espero que não seja muito controverso,
[01:13:36] mas a gente nem falou sobre pedofilia, sobre o escândalo sexual em si, a gente excitou.
[01:13:42] E esse é o escândalo que tá trazendo mais atenção pras pessoas, por bom motivo.
[01:13:47] São as mulheres vitimizadas, que são as heroínas disso daqui, que vieram a público,
[01:13:52] que ainda tão em público é pedindo pra todos os arquivos virem a etona.
[01:13:57] Tem uma heroína dessa história, que é a jornalista do Miami Herald, que nunca alargou o caso muito por conta do escândalo sexual,
[01:14:07] mas quando a gente vê os e-mails e o jeito como esses homens estavam indo pra essa ilha e esses bilionários estavam indo,
[01:14:14] às vezes não fica muito claro se o cara tá indo por causa da festa, por causa da menina, por causa da mulher, por causa da pedofilia.
[01:14:20] E a coisa que me veio muito, quando eu vi isso, eu falei que esses caras não são pedófilos autênticos.
[01:14:27] O pedófilo que tem o desejo e que ele não se contém, vai cometer esse crime,
[01:14:32] ele precisa do Jeffrey Epstein pra fazer isso, meio que como as redes de pedofilia fazem,
[01:14:39] elas estão atendendo homens que têm essa urgência sexual terrível.
[01:14:43] Eles não eram pedófilos porque eles precisavam, mas é porque eles podiam.
[01:14:47] Eles sentiam que era mais um dos luxos que eles poderiam ter na vida.
[01:14:52] E aí quando você vê quem são os caras que flertam com isso, ou que sabem que isso tá acontecendo e não se importam,
[01:15:00] que a maioria é isso, não são homens que usaram essas meninas, mas sabiam que elas estavam lá,
[01:15:06] viram a festa, sabiam que o Jeffrey Epstein era esse cara porque já tinha sido preso,
[01:15:10] são pessoas que naturalizaram a exploração em todos os seus níveis.
[01:15:15] Então assim, são os mesmos caras que exploram os continentes de algum jeito,
[01:15:19] que impede que as pessoas tenham um plano de saúde, que extraem a riqueza dos seus próprios funcionários,
[01:15:25] que tipo, é precarizam todo o trabalho que a gente tá vivendo hoje em dia,
[01:15:30] e sexualmente é isso que eles vão fazer.
[01:15:33] Eles vão ou fazer vistas grossas ou vão explorar,
[01:15:36] é mulheres menores de idade ou as vezes maiores de idade, é traficadas ou não.
[01:15:41] Então é o parasita mesmo que desumaniza essas pessoas
[01:15:47] e o isolamento que eles conseguem produzir numa ilha ou com bilhões de dólares
[01:15:52] é o isolamento de que vê a população embaixo deles como menos do que eles, como menos que o humano.
[01:15:58] E é muito naturalizado para esses caras aceitarem que o Jeffrey Epstein é um pedófilo e não tá nem aí,
[01:16:04] porque afinal de contas eles estão acima de quem foi vítima disso.
[01:16:09] Porque é parasitismo mesmo.
[01:16:11] E a classe parasitária é algo que eu tenho a sensação,
[01:16:15] é algo que pode ser muito bem trabalhado para o antissistêmico de esquerda,
[01:16:20] e mais importante, recuperar boa parte de quem vota na direita por ter uma narrativa equivocada na cabeça,
[01:16:27] por associar esse elitismo com outras coisas.
[01:16:30] Mas a lógica do parasita, e é por isso que eu voto, é a lógica capitalista.
[01:16:36] É a consequência meio final do que o Marx avisou.
[01:16:41] É isso aí, eles estão explorando os seres humanos, a natureza, o trabalho, a máquina, a internet, a psicologia e o sexo.
[01:16:49] Bando de parasita do inferno.
[01:16:51] Perfeito. Sua imagem tava um pouco ruim, mas a gente ouviu perfeitamente o que você falou.
[01:16:56] Aparentemente as big techs já foram alertadas de que estão sendo denunciadas.
[01:17:01] Nem falamos de big tech hoje direito.
[01:17:03] Nem falamos.
[01:17:04] Que é assim que o Edson, ó.
[01:17:06] Claro, é aí.
[01:17:07] Bom, vai dar alguns programas de conversa ainda.
[01:17:09] Peter Thiel, esse cara vale o programa inteiro, o Peter Thiel.
[01:17:11] A gente faz, vamos fazer.
[01:17:13] Porque ele é o nazistão profissional e é um dos homens mais poderosos do mundo.
[01:17:18] Ele é perigoso demais.
[01:17:20] Então, dito isso, vamos concluir com dicas de leitura de Bruno Tortura.
[01:17:25] Diz aí, tem alguma?
[01:17:26] Cara, eu recomendei isso num outro Calma, antes que o ano passado,
[01:17:30] Mas eu vou lembrar desse livro do Greg Grandin.
[01:17:33] Tem muito a ver com o que a gente falou hoje.
[01:17:35] É o América América.
[01:17:36] O América sem assento e com assento.
[01:17:38] Que é um livrão de um historiador americano especializado no continente.
[01:17:43] Estadunidense especializado no continente.
[01:17:45] E fez um livro, cara, eu acho assim, dos livros mais incríveis que eu já li na minha vida de história.
[01:17:50] Que é recontando a história do continente em relação com os Estados Unidos e o continente em si mesmo.
[01:17:58] Então ele conta exatamente a história dos Estados Unidos como um país do é continente.
[01:18:04] Não num país que se acha europeu.
[01:18:07] Não como um representante do pensamento ocidental aqui.
[01:18:12] Mas como um dos países, genuinamente, do nosso é continente.
[01:18:17] Fala sobre a profunda influência dos espanhóis, dos latinos.
[01:18:22] E como a escravidão se relacionava de maneira diferente entre continente.
[01:18:26] Como as democracias se dialogavam numa época em que não tinha problema de visto, de imigração, de fronteira, de passaporte, de nada.
[01:18:35] Então é um jeito muito incrível de ler o que a gente está vendo hoje como um momento muito fora da curva da história do nosso continente.
[01:18:45] Em que a gente separa esses países de maneira muito mais arbitrária do que a história inteira foi.
[01:18:52] Perfeito, é bem curioso e fica dica aí para os editores brasileiros, porque não há no Brasil ainda.
[01:18:57] Então me parece bem interessante.
[01:19:00] Tem muita entrevista dele que dá para traduzir, que tem a legenda, que vale a pena.
[01:19:04] Se você não vai ler o livro, ele deu várias entrevistas muito interessantes sobre esse livro.
[01:19:09] Boa, a Alessandra?
[01:19:10] Eu comecei a ler o livro do Mark Fischer, que vai ser o nosso segundo livro do Clube de Cultura esse ano.
[01:19:16] E está sendo super interessante.
[01:19:19] Já tinha lido ele em inglês há um tempo atrás.
[01:19:21] Ele foi publicado em português e é essa edição brasileira que a gente está usando.
[01:19:25] E eu estou retomando a leitura e está sendo mais interessante ler ele hoje do que tinha sido quando li pela primeira vez.
[01:19:32] Então ele só ficou mais relevante, o que eu achei interessante.
[01:19:35] E eu comecei a ler também ainda, estou no início ainda, mas já estou amando, então já vou indicar, que me foi enviado pela Todavia, o São Bernardo.
[01:19:43] Ah, desculpa, não mostrei o Mark Fischer que está lá em casa.
[01:19:45] Mostrei o Bruno Mark Fischer para a gente mostrar a capinha.
[01:19:47] Autonomia literária.
[01:19:48] Realismo.
[01:19:49] E descontos para membros e membras do Clube de Cultura do Calma Urgente.
[01:19:52] A gente vai discutir em março, não?
[01:19:54] E vai ser o livro de abril.
[01:19:55] Abril.
[01:19:56] E aqui o Graciliano Ramos, São Bernardo, que eu nunca tinha lido.
[01:19:59] Já leu, Greg?
[01:20:00] Não, boa, boa lembrança.
[01:20:02] São Bernardo fez uma edição bonita, né?
[01:20:04] Uma edição super linda da Todavia.
[01:20:06] Ótima lembrança de falar disso.
[01:20:08] Ah, está aí também, viu?
[01:20:09] Eu nunca li, eu também sou louco para ler e chegou numa edição incrível.
[01:20:14] Lindinha e cheirosa.
[01:20:15] Com a presença do Antônio Cândido.
[01:20:16] Eu li para vestibular.
[01:20:17] Adorei.
[01:20:18] Leu?
[01:20:19] Nunca li.
[01:20:20] Ótima lembrança, Alessandra.
[01:20:22] São Bernardo da Todavia.
[01:20:23] E é isso, vou ficar com São Bernardo, que eu não li ainda, mas tem dúvida.
[01:20:27] O Graça é nosso maior.
[01:20:29] E é a prova, é bom lembrar disso, de que, cara, às vezes o brasileiro fica meio, a
[01:20:33] gente fica meio vira-lata com o Nobel.
[01:20:35] Tipo assim, pô, o Brasil nunca ganhou o Nobel.
[01:20:37] Já vi gente, pessoas falando isso, até acho que intelectuais falando assim.
[01:20:41] Brasileiro é complicado, porque pensa bem, 200 milhões de habitantes, ninguém nunca
[01:20:44] ganhou o Nobel, como se fosse culpa dos habitantes e não do Nobel.
[01:20:48] Amigos Jeffrey A.
[01:20:49] Epstein, além do quê?
[01:20:51] Cara, Graciliano Ramos é a maior prova disso.
[01:20:54] Ele viveu em época de Nobel e não ganhou, não foi nem cogitado.
[01:20:58] Vidas secas?
[01:20:59] Os maiores livros do século XX.
[01:21:01] Não foi cogitado, imagina.
[01:21:03] Não foi, não foi.
[01:21:05] Nunca.
[01:21:06] Cotado.
[01:21:07] Vou falar de Jorge Amado, Clarice Lispector, de João Baldo Ribeiro e tantos outros.
[01:21:13] Só pra ficar na literatura, ninguém vai falar da ciência, dos tantos de Oswaldo Cruz,
[01:21:19] a Vital Brasil e o Lattes, Cesar Lattes, por ter criado o currículo.
[01:21:26] Lattes não, não por isso.
[01:21:27] Mas por tantas outras coisas.
[01:21:29] Então, fica aí a dica, a gente nunca culpar o brasileiro por uma falta de Nobel,
[01:21:35] sim culpar o Nobel pela falta de brasileiro.
[01:21:38] Um grande abraço pra todos vocês e tenham uma boa semana.
[01:21:44] Beijo pessoal.
[01:21:45] Não sei letra ainda de qual.
[01:21:51] O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções e do Estúdio Fluxo.
[01:21:55] Na apresentação, Alessandra Orofino, Gregório Duvivier e Bruno Torturra.
[01:21:59] Na produção, Carolina Foratini Igreja e Sabrina Macedo.
[01:22:03] Na pesquisa e roteiro, Luisa Miguez.
[01:22:05] Na captação de som, edição e mixagem, Vitor Bernardes.
[01:22:09] Na ilustrações, Ana Brandão.
[01:22:11] Na sonoplastia, Felipe Croco.
[01:22:13] Na edição de cortes, Júlia Leite.
[01:22:15] Nas redes sociais, Bruna Messina.
[01:22:17] Gestão de comunidade, Marcela Brandes.
[01:22:19] Na identidade visual, Pedro Inoue.
[01:22:21] E consultoria de comunicação, Luna Costa.