#471 “A IA vai curar o câncer” - com Fabrício Pontin
Resumo
O episódio começa com o tom descontraído típico do podcast (carnaval, ressacas e recados de apoio financeiro ao Vira Casacas), antes de entrar no tema central: inteligência artificial. Com a participação do professor Fabrício Pontim, a conversa propõe sair do debate superficial (“IA faz imagem ruim”, “trend do momento”) para encarar o “problema difícil” da IA: entender o que de fato ela é (um sistema que reconfigura informação existente, dependente de infraestrutura e trabalho humano) e como ela se insere numa dinâmica de concentração de poder e capital pelas big techs.
A partir daí, o debate percorre autoria e transparência (IA deveria citar fontes e revelar “prompts” em usos públicos), o risco de transformar conhecimento comum em produto fechado e pago, e a crítica à ideia de que “algoritmo é discurso” (com destaque para a decisão Citizens United e seus efeitos na desregulamentação). Eles conectam IA à história da centralização informacional (imprensa, mídia, internet, redes sociais) e discutem impactos materiais: pressão produtivista na academia (fábricas de artigos e explosão de papers), automação protocolar em instituições (inclusive no Judiciário), desigualdades por “IA a várias velocidades” (quem paga acessa melhor), colonialismo de dados e precarização do trabalho.
Na reta final, apontam caminhos: regulação em múltiplos níveis (local, regional e global), políticas antitruste/antimonopólio, educação e letramento crítico sobre IA desde cedo, além da exigência de transparência quando IA é usada em decisões e serviços. O episódio fecha com dicas culturais e salves, reforçando que o debate não se resolve com boicotes performáticos ou moralismo de superfície, mas com enfrentamento político e institucional da hegemonia digital.
Anotações
- 00:05:57 — Autocrítica do ego e epistemologia: Ao ser provocado sobre “acreditar em si mesmo”, Fabrício começa uma fala filosófica citando Husserl e a crítica de Edmund Russell às “meditações cartesianas”: a redução cartesiana chegaria ao ego transcendental, mas não teria coragem de reduzir o próprio ego. Ele diz que, na fenomenologia genética e generativa, a questão é como colocar o próprio ego em dúvida; e que, quando fazemos isso, estamos duvidando de nós mesmos. Para ele, essa disposição de colocar o “eu” em questão vira um fundamento importante para a epistemologia do século XX e para pensar processos de instituição e análise — até ser interrompido pelos apresentadores, que brincam com o excesso de densidade da fala.
- 00:09:46 — O “problema difícil” da IA: Fabrício se apresenta como professor e explica que trabalha com liberdade de expressão e teoria das preferências, o que o leva a se interessar por IA como nova arena de disputa e de (des)regulamentação. Ele propõe importar a distinção do debate sobre consciência — “hard problem” e “easy problem” — para a inteligência artificial: seria preciso situar qual é o problema realmente difícil, porque há muito deslumbramento e discussões de ética, compliance e regulamentação que, mesmo quando críticas, acabam ficando no nível dos “problemas fáceis”. Ele compara isso ao modo como plataformas de ensino digital foram incorporadas de forma dócil e “deu no que deu”.
- 00:12:15 — Hype das big techs e uso sem letramento: Felipe Abal argumenta que o debate sobre IA é moldado, primeiro, por sua popularização em usos “bagaceiros” (vídeos e imagens ruins, perguntas que poderiam ser resolvidas com uma busca simples), o que leva a um uso “mal e errado” por falta de letramento sobre como funciona e para que serve. Segundo, ele critica como big techs (como Google, OpenAI e Anthropic) alimentam uma hype de que a IA “faz tudo” e resolverá problemas de trabalho e vida cotidiana, vendendo-a como pronta apesar das limitações. Ele diz não acreditar na chegada iminente de uma IA geral como afirmam figuras como Sam Altman, Dario Amodei e Elon Musk, e conclui que a adoção é incentivada por interesse econômico e valorização de mercado.
- 00:15:10 — “IA não é inteligente nem artificial”: Fabrício desloca a conversa para o que ele considera central: a inteligência artificial não seria “nem inteligente nem artificial”, porque depende de elementos naturais (pessoas) e “fazer” implica autonomia e criação. Ele questiona a metafísica embutida em dizer que a IA “faz” algo e pergunta se ela cria ou apenas recicla informações do seu “cluster informacional”. Para avançar, sugere que a discussão comece definindo o que é esse grande banco de dados operacionalizado via prompts — o que, exatamente, está sendo chamado de inteligência artificial.
- 00:16:00 — O que é uma big tech e o que a torna “big”: Na sequência, Fabrício diz que, além de entender a “database gigante” da IA, é preciso entender o que são as big techs e por que são “big”. Ele afirma que esses conglomerados exemplificam tendências do capitalismo contemporâneo: hiperconcentração de poder e de capital em poucas mãos. Ele compara a concentração atual à de períodos históricos como a Belle Époque e o pré-crash da bolsa, sugerindo que hoje o capital está ainda mais concentrado.
- 00:17:37 — Concentração informacional e barões da mídia: Fabrício conecta concentração de capital à concentração de informação, lembrando os grandes conglomerados de mídia do início do século XX e citando Foucault (especialmente o texto “O que é um autor?”) para falar da história desses conglomerados. Ele diz que essa história se vincula à regulamentação do conceito de autoria, indicando que o debate atual sobre tecnologia informacional e IA tem paralelos com processos históricos de centralização do controle sobre a informação.
- 00:18:02 — Imprensa: origem descentralizada e posterior centralização: Citando Castells e a história da imprensa, Fabrício descreve como a tecnologia de impressão teria surgido de forma descentralizada, anônima e “anárquica”, ligada à impressão de material ilegal e à distribuição de folhetos. Ele afirma que isso popularizou a linguagem e ajudou a criar a alfabetização como fenômeno social. Em seguida, aponta que, entre os séculos XVII e XIX, a regulamentação da mídia passa a servir tanto para responsabilização quanto para centralização do controle informacional.
- 00:19:27 — Autoria como responsabilização e retirada do anonimato: Fabrício argumenta, em chave foucaultiana, que o conceito de autoria não teria surgido apenas para proteger propriedade sobre textos, mas também para permitir responsabilização: tirar o anonimato e colocar um autor/proprietário identificado como forma de centralização. Ele afirma que isso também reconhece uma hegemonia do Estado sobre a linguagem e descreve a alfabetização sendo cooptada e incorporada ao sistema educacional, associado à formação de nacionalismos e à ideia de “aprender a ser” brasileiro, argentino etc., vinculando saber, poder e governo.
- 00:20:24 — Educação e mídia como instrumentos de hegemonia: Ainda nessa linha, Fabrício descreve como a educação passa a afirmar lugares hegemônicos (“a educação te ensina a ter lugar no mundo”) e como a mídia atua na centralização do que tenderia a ser descentralizado. Ele diz que a informação “quer ser” anárquica e livre, mas é centralizada por processos históricos que, no século XIX e XX, incluem jornais que começam como descentralização e gradualmente viram instrumentos de poder, de partidos e governos, numa relação bilateral entre produção da informação e produção do governo.
- 00:21:59 — IA como produto da internet e mineração em servidores: Fabrício afirma que a IA é produto de uma revolução informacional dentro da internet e que não existe IA sem o grande banco de dados que é a própria internet. Ele explica que as IAs “correm” sobre informação disponível em grandes clusters informacionais em servidores; esses dados são minerados, transformados e reiterados por algoritmos. Ele pergunta a Abal se a descrição é adequada, preparando a passagem para a discussão sobre autoria e sobre o acesso a esses sistemas.
- 00:25:27 — Acesso público e citação das fontes no treinamento: Abal afirma que, se a tecnologia é construída usando conhecimento existente na internet e em obras, surgem dois pontos: (1) a questão de autoria como direito de personalidade — para ele, mais grave do que o patrimonial é não aparecer o nome do autor ao final; e (2) a consequência de que algo treinado com “coisa de todo mundo” não deveria ser de acesso restrito, criticando a ideia de uma empresa como a OpenAI cobrar para dar acesso completo ao que a humanidade produziu. Ele defende que, se uma obra foi usada, o autor deve ser citado para que o usuário possa ir atrás das referências, comparando com a Wikipedia e suas notas e referências.
- 00:27:11 — IA como empacotamento do “general intellect”: Gabriel Divan diz concordar e traz uma leitura inspirada nos Grundrisse de Marx, especialmente o “fragmento sobre as máquinas”. Ele sugere que o que se faz com IA é uma tentativa de materializar, empacotar e capitalizar a lógica do “general intellect”, criando uma fonte agregadora de conhecimento. Ele reforça que a IA não é uma inteligência que “pensa e aconselha”, mas algo alimentado que compila informação em velocidade sem parâmetro; o problema é apresentar isso como “oráculo” sem citação, o que não universaliza conhecimento, mas extrai valor e lucra sobre a produção coletiva.
- 00:37:19 — Fantasias patronais e criação de databases para conglomerados: Fabrício argumenta que a IA alimenta uma “grande fantasia do patrão”: um profissional que não reclama, não dorme e faz tudo “direitinho” como foi mandado, sem questionar o prompt. Ele diz que, quando a IA questiona, isso depende de quem detém a propriedade intelectual, e ressalta uma ironia: o patrão que adota IA para otimizar processos não percebe que está trabalhando para alguém, pois ao usar a ferramenta cria bases de dados, processos e léxicos que alimentam grandes conglomerados. Ele encaixa isso numa dinâmica de centralização prevista por Marx: capital desregulamentado tende a concentrar-se.
- 00:38:17 — Internet prometia descentralização, mas ocorreu concentração: Fabrício contrapõe a expectativa utópica de descentralização informacional da internet (citando Pierre Lévy e a ideia de que cada um controlaria sua própria informação) ao movimento histórico de reconcentração. Ele aponta os blogs como auge da descentralização, mas também como prenúncio da concentração posterior, quando grandes conglomerados passaram a capturar o que estava descentralizado por meio de ferramentas e servidores. Ele afirma que redes sociais e microblogs reorganizam esse processo e que as inteligências artificiais são mais uma transformação nesse caminho de reconcentração da informação.
Indicações
Livros
- Racismo Algorítmico (Tarcísio Silva) — indicado para entender vieses algorítmicos (raça, gênero etc.) e o papel do treinamento das IAs
- A Era do Capitalismo de Vigilância (Shoshana Zuboff) — recomendado como base para discutir dados como moeda e lógica das plataformas (especialmente o Google)
- Viagem na Irrealidade Contemporânea (Umberto Eco) — sugestão para pensar como linguagem/texto postula realidade e irrealidade
- Estrutura Ausente (Umberto Eco) — citado junto ao anterior, na discussão sobre produção de texto e efeitos de hegemonia
Filmes / Series
- Derry Girls — ouvinte agradece recomendação anterior do podcast
- Valor Sentimental — indicado como filmaço (cinema norueguês), com atuações sólidas e tema de relações familiares
Artigos / Links
Linha do Tempo
- [00:01] — Abertura, abraços de carnaval e clima de ressaca
- [00:02] — Recados de apoio financeiro e independência do podcast
- [00:05] — Entrada do convidado Fabrício Pontim e piadas filosóficas de apresentação
- [00:08] — Tema do episódio: IA, expressão, regulação e o “problema difícil”
- [00:11] — Popularização via usos “bagaceiros” e hype das big techs; limites atuais dos modelos
- [00:15] — IA como reconfiguração de dados; questionamento sobre “inteligência” e “fazer”
- [00:17] — Big techs e concentração de capital/informação; paralelos com mídia, imprensa e autoria (Foucault/Castells)
- [00:24] — Autoria como direito de personalidade; necessidade de citação e acesso público ao conhecimento usado no treinamento
- [00:27] — General intellect (Grundrisse) e IA como tentativa de empacotar/capitalizar conhecimento comum
- [00:33] — Algoritmos, seleção de fontes, ilusões de autonomia e efeitos políticos (imaginação, cultura, bolhas)
- [00:40] — Citizens United, “algoritmo como discurso” e desregulamentação; hegemonia sobre linguagem
- [00:42] — “Fábricas de artigos” e crise na produção científica; pressão por produtividade e automação
- [00:49] — IA como “terapeuta melhor” por exaustão social; uso cotidiano e riscos de confiança cega
- [00:56] — IA “a várias velocidades” (paga vs. barata) e implicações éticas em serviços críticos
- [00:58] — Automação no Judiciário (Gaia/Galileu) e foco na transparência: prompts, parâmetros e controle
- [01:03] — Desigualdade, plataformização, colonialismo de dados e necessidade de antitruste global
- [01:13] — Encaminhamentos finais: regulação + educação; alerta sobre pornografia e privacidade
- [01:16] — Transição para dicas culturais
- [01:25] — Salves e mensagens de ouvintes; divulgação de projeto de resgate de gatos
Dados do Episódio
- Podcast: Viracasacas Podcast
- Autor: Viracasacas Podcast
- Categoria: News / Politics
- Publicado: 2026-02-17
- Duração: 1h34m
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/viracasacas-podcast/dee3a250-f2f5-0134-ec5e-4114446340cb/471-a-ia-vai-curar-o-c%C3%A2ncer-com-fabr%C3%ADcio-pontin/2270de73-8db4-485a-aa42-5ec041fa2f0d
- UUID Episódio: 2270de73-8db4-485a-aa42-5ec041fa2f0d
Dados do Podcast
- Nome: Viracasacas Podcast
- Tipo: episodic
- Site: https://www.spreaker.com/podcast/viracasacas-podcast—6704831
- UUID: dee3a250-f2f5-0134-ec5e-4114446340cb
Transcrição
[00:00:00] La bestialidad imperialista, bestialidad que no tiene una frontera determinada ni pertenece un país determinado.
[00:00:12] What kind of democracy is that? What kind of freedom is that?
[00:00:18] Isto é a motrina liberal! É a motrina que o mercado e a democracia vão juntos sem separar. Isto é uma praga!
[00:00:28] A utopia serve para isso, para caminhar.
[00:00:59] O abraço é para quem se emocionou com o presidente Lula pulando na pipoca do Baena System.
[00:01:06] O abraço é para quem já acordou de ressaca nesses últimos dias.
[00:01:10] É para quem já, em fevereiro ainda, fez a promessa de que ia parar de beber.
[00:01:15] É para quem já sofreu por amor.
[00:01:17] É para quem tem certeza que Lucas Pinheiro Bratton é Brasil, caralho!
[00:01:22] Se você está contemplado, por favor, nos avise e você ganhou esse abraço.
[00:01:28] Não precisa dizer no que.
[00:01:30] Sempre tem gente chata. Não porque veja bem, ele pegou e disse para, para, para.
[00:01:36] Seja feliz uma vez na vida.
[00:01:38] O cara sambou, meu. O cara disse que é Brasil, o cara namora a brasileira, o cara fala português e o cara sambou.
[00:01:44] E o cara está orgulhoso. É nós, não tem conversa. E depois de nós, é nós de novo.
[00:01:49] É isso aí, cara.
[00:01:51] Bom, o nosso episódio hoje está muito legal, Gabriel Divaz.
[00:01:53] Esse aqui eu gostei em especial, sabe?
[00:01:56] Achei que ficou muito, muito, muito, muito bacana.
[00:01:59] Mas antes da gente começar, então rapidinho, aqueles avisos de sempre.
[00:02:03] O Gabriel alertou outro dia nas redes sociais dizendo
[00:02:06] Ô, galerinha, estão caindo nossos apoios.
[00:02:09] Às vezes o pessoal não sabe, Divaz, sabe por quê?
[00:02:11] Quando você entra lá na plataforma, aparece o número, mas não aparece quem pagou.
[00:02:17] Mas olha só, tem aqui não sei quantos com não sei quanto e dinheiro,
[00:02:23] só que nem todos revertem de verdade para nós.
[00:02:26] Só nós sabemos como é que está o estado mental do palhaço.
[00:02:30] É, tem gente que vai lá e faz a promessa, sabe?
[00:02:33] É carnaval, é doce ilusão, é promessa de vida no seu coração.
[00:02:37] O cara faz a promessa, o cara manda o papinho, o cara dá a letra,
[00:02:41] o cara sai para comprar cigarros.
[00:02:43] Tudo isso acontece no nosso apoia lá.
[00:02:45] Então, é por isso que a gente, humildemente, vem mais uma vez dizer
[00:02:49] projetos como o nosso precisam do seu apoio.
[00:02:53] Precisam que você nos ajude.
[00:02:55] Porque se a gente fala o que você quer ouvir,
[00:02:58] se a gente fala o que a gente quer dizer,
[00:03:00] se a gente fala o que pensa, sem preocupação em desagradar,
[00:03:03] Beth, dono do jornal, nem nada do tipo,
[00:03:06] é porque a gente é independente.
[00:03:08] Isso significa que precisamos contar com a sua ajuda.
[00:03:13] Portanto, além de espalhar o Viracasacas, compartilhar o Viracasacas,
[00:03:17] compartilhar a coisa boa que você gosta nas redes
[00:03:20] e não ficar espalhando coisa ruim que você detesta
[00:03:23] para mais pessoas verem a coisa ruim,
[00:03:25] para acharem ruim também o que é um tipo de poder.
[00:03:28] Enfim, espalhe a palavra do Viracasacas.
[00:03:30] Mas mais do que isso, se for possível,
[00:03:33] dê uma ajudinha, dê um apoio para nós,
[00:03:36] seja lá no apoia.se barra viracasacas,
[00:03:39] seja na orelo.cc ou no Pix recorrente.
[00:03:43] Você não precisa fazer nada, você só marca lá no Pix
[00:03:46] para uma vez por mês, que não está corrigido pela inflação,
[00:03:50] desde muito tempo o Pix fazer baixar 5 reais na nossa conta
[00:03:55] no viracasacaspodcasts.com.
[00:03:59] Você não entendeu errado, é 5 reais uma vez no mês.
[00:04:03] Somado o ano inteiro dá 60 reais no ano inteiro.
[00:04:07] Feito por episódio dá quanto mesmo?
[00:04:09] Centavos ali, na última vez foi 80 centavos.
[00:04:13] Por favor, imagina que você vai comprar no supermercado
[00:04:18] um pacotinho de chiclete e tablet, uma vez no mês.
[00:04:22] Uma vez no mês é isso para nós, a gente já faz chover.
[00:04:25] Nós prometemos que fazemos chover com esse seu valor.
[00:04:28] Por favor, não deixe de apoiar o Viracasacas,
[00:04:31] não deixe de apoiar os projetos que são importantes para você.
[00:04:34] Não se deixe engarnar por essas coisas.
[00:04:37] Se você pensa assim, sabe, não, mas já está bom.
[00:04:40] Não é bem assim, a gente não vai abrir tudo aqui,
[00:04:43] mas não é bem assim. Então, por favor.
[00:04:45] É, pelo amor de Deus, eu não sei em que mundo vive
[00:04:48] as pessoas que acham que esses caras estão cheios de dinheiro,
[00:04:51] eles não precisam de mais nada.
[00:04:53] É, não é.
[00:04:54] Quisera, quissá, se fosse.
[00:04:56] Sabe quem está cheio do dinheiro?
[00:04:58] Quem?
[00:04:59] Fabrício Pontinho.
[00:05:00] Esse aí está.
[00:05:01] É por isso que nós vamos ouvi-lo aqui.
[00:05:03] Estou falando sobre IA, não é?
[00:05:05] Vamos lá.
[00:05:06] Não é o que você está pensando, já aviso.
[00:05:12] Gabriel Diva.
[00:05:15] Como é que você está?
[00:05:16] Olha, eu estou naquele estilo Sérgio Moro, sabe?
[00:05:20] Sem boca?
[00:05:21] É, não.
[00:05:22] Quando não tem muita prova, mas convicção, está havendo.
[00:05:27] Eu não estou com energia e saúde, mas eu estou com vontade.
[00:05:31] Eu acho que isso basta.
[00:05:33] Acredite em você mesmo.
[00:05:35] Acredite em você mesmo como o Fabrício Pontinho faz.
[00:05:39] Fabrício, você acredita em você mesmo?
[00:05:41] Eu acredito em mim mesmo.
[00:05:42] Eu não vou acreditar em mim.
[00:05:44] O que eu vou acreditar?
[00:05:45] Mas o velho Edmund Russell, a grande crítica dele
[00:05:50] nas meditações cartesianas é que o método redutivo
[00:05:55] do Descartes, a redução cartesiana,
[00:05:58] ela chega até o ego transcendental,
[00:06:01] mas ela não tem a coragem de reduzir o próprio ego transcendental.
[00:06:07] Então, o problema do segundo e do terceiro Russell,
[00:06:13] fundamentalmente da fenomenologia genética
[00:06:15] e da fenomenologia generativa,
[00:06:17] ele está postulado principalmente
[00:06:20] em como a gente tenta encontrar, digamos assim,
[00:06:24] uma forma de colocar o próprio ego em questão.
[00:06:27] E quando a gente coloca o próprio ego em questão,
[00:06:29] o que nós estamos fazendo se não duvidando de nós mesmos?
[00:06:33] O que nós estamos fazendo se não colocando a nós mesmos em questão?
[00:06:38] Então, eu acho que colocar esse mesmo em questão, na realidade,
[00:06:41] é o fundamento mais próprio da epistemologia no século XX
[00:06:46] e para como a gente vai conseguir pensar esses processos de instituição,
[00:06:51] de analisticidade e por que não mesmo…
[00:06:54] Meu Deus, meu Deus.
[00:06:55] Não, não, não.
[00:06:56] Fabrício, pelo amor de Deus, cara.
[00:06:58] É que assim, tem duas coisas que as pessoas não vão ver
[00:07:01] e tu também não vai ver, cara.
[00:07:02] Que é, um, como em um minuto e trinta segundos
[00:07:06] vai cair as ouvidas assim, sabe?
[00:07:08] Tu vai ver as estatísticas e vai fazer…
[00:07:10] E a segunda coisa é o tamanho da cabeça do Fabrício
[00:07:13] aumentando até ultrapassar a câmera, né?
[00:07:16] O quanto ela alcança,
[00:07:17] precisava ter uma lente wide para conseguir alcançar isso aí.
[00:07:20] Queria lembrar aos senhores
[00:07:22] que esse episódio está saindo numa terça-feira de carnaval
[00:07:27] porque o Vira Casacas é um podcast que trabalha no carnaval também, né?
[00:07:30] É uma coisa impressionante isso aqui.
[00:07:32] Não para.
[00:07:34] É o meu segundo episódio consecutivo de carnaval.
[00:07:37] E a gente é do sul.
[00:07:38] A gente trabalha no carnaval.
[00:07:41] Eu não, eu estou sempre com um pé que é um leque
[00:07:43] para sair do Vira Casacas.
[00:07:45] Mas eu queria propor uma outra coisa, então, né?
[00:07:48] Em vez de falar sobre acreditar em si mesmo ou não,
[00:07:51] Fabrício,
[00:07:52] que filósofo ou filósofa diria a seguinte frase?
[00:07:57] Eu acredito na rapaziada que segue em frente e segura o rojão.
[00:08:01] Quem diria isso?
[00:08:02] Rousseau.
[00:08:03] Rousseau?
[00:08:04] Tá bom.
[00:08:05] E aproveita e eventualmente se apresenta para os desavisados
[00:08:09] que carnaval a carnaval
[00:08:11] acabam eventualmente não escutando os episódios em que tu está
[00:08:15] e por que diabos você está aqui
[00:08:19] em relação a esse tema e a mais uma vez uma participação no Vira Casacas.
[00:08:23] Oi, gente. Então, queria agradecer mais uma vez
[00:08:26] o Abalito e o Divan por que muito me prestigiam
[00:08:31] emprestando o seu espaço para essas considerações.
[00:08:35] Então, eu sou o Fabrício.
[00:08:36] Eu sou professor aqui no Programa de Pós-Graduação e Educação
[00:08:39] e no Programa de Pós-Graduação e Direito na Universidade de La Salle.
[00:08:43] Eu gosto muito de Batman
[00:08:45] e eu trabalho muito com questões vinculadas a questões de expressão,
[00:08:50] seja liberdade de expressão, problemas vinculados à teoria das preferências.
[00:08:55] E isso faz eu me interessar bastante pela mais nova via de disputa
[00:09:01] na questão da expressão, na mais nova via de regulamentação
[00:09:07] ou falta de regulamentação na via de expressão,
[00:09:10] que é a inteligência artificial.
[00:09:12] Então, eu acho que hoje, Divan,
[00:09:16] para fazer uma referência bem breve, juro,
[00:09:20] ao que a gente começou falando que é o problema da consciência,
[00:09:24] a gente tem que trabalhar um pouco o hard problem.
[00:09:28] Tem o problema difícil da consciência e o problema fácil da consciência.
[00:09:33] Então, o problema difícil da inteligência artificial
[00:09:37] e eu acho que é o que eu quero tentar junto com o Abalito, junto contigo, Divs.
[00:09:41] A gente tentar situar qual é propriamente o problema difícil,
[00:09:47] porque a gente está discutindo ética de A,
[00:09:50] está discutindo regulamentação, compliance,
[00:09:53] e tem muito deslumbramento, tem muita tentativa de problematização,
[00:09:58] mas eu acho que mesmo quando se problematiza,
[00:10:01] e é um pouco a provocação que eu quero fazer aqui para o Abal e para ti,
[00:10:05] a gente problematiza no nível dos problemas fáceis.
[00:10:08] E eu acho que a gente está caindo num buraco muito parecido
[00:10:12] com o buraco que a gente caiu, quando a gente caiu, por exemplo, de cabeça,
[00:10:16] em cima das plataformas de ensino digital, por exemplo,
[00:10:21] que foram incorporadas de forma superdoméstica e tudo mais.
[00:10:25] Dócil, perdão, bem dócil, e deu no que deu.
[00:10:29] Já antecipei bastante do que eu quero dizer, mas é por aí, gente.
[00:10:32] Mas o Batman é rico e tá, deixa para lá.
[00:10:36] Enfim, enfim.
[00:10:38] Felipe Abal, o assunto são IAAS.
[00:10:42] Então nós vamos passar aqui, cerca de uma hora e pouco, discutindo
[00:10:46] imagens ruins, trendes fubangas,
[00:10:50] e o fato de que, olha, eu descobri aqui que foi IAAS que fez isso.
[00:10:53] É isso, né?
[00:10:54] Não é, cara.
[00:10:55] Então não iria fazer uma coisa dessas com os nossos ouvintes queridos.
[00:10:59] Mas Fabrício Pontim, uma coisa, então,
[00:11:01] eu vou partir disso que o Diva falou por causa do seguinte,
[00:11:05] talvez uma boa parte de como a gente trata toda essa questão
[00:11:09] de inteligência artificial possa vir de duas coisas.
[00:11:13] Eu tô elaborando conforme eu tô falando aqui.
[00:11:17] Uma delas é essa questão de que a IAAS se populariza
[00:11:23] fazendo coisas extremamente bagaceiras.
[00:11:26] Que é exatamente para todos, né?
[00:11:28] O pessoal às vezes parte desse negócio de,
[00:11:30] ah, mas está muito popular.
[00:11:31] E esse muito popular é fazer videozinho bosta, é fazer imagem bosta,
[00:11:36] é fazer pergunta que podia ser respondida com um Google,
[00:11:41] com uma pesquisa básica que o pessoal vai direto na IAAS.
[00:11:44] Isso eu acho muito ruim, particularmente.
[00:11:48] Exatamente porque é uma tecnologia que, sim, pessoal,
[00:11:51] me batam quando quiserem.
[00:11:53] É muito interessante, mas muito interessante mesmo.
[00:11:57] Só que a gente começou a usar antes de saber como é que funciona
[00:12:02] e para que funciona coleção as potencialidades.
[00:12:05] E, de novo, eu friso em potencialidades porque ainda não são realidades.
[00:12:09] Porque agora junta a segunda coisa que eu queria colocar na mesa aqui, Fabrício,
[00:12:13] que é o seguinte.
[00:12:14] As big techs, as grandes empresas que lidam com inteligência artificial,
[00:12:20] principalmente, né?
[00:12:22] Google, OpenAI e Anthropic, elas pegaram e se jogaram completamente nesse negócio,
[00:12:29] numa hype absurda de que a IAAS pode fazer absolutamente tudo
[00:12:33] que vai resolver o problema do seu trabalho, vai resolver o problema do seu quê,
[00:12:37] vai resolver e tal, antes de estar pronta para isso.
[00:12:41] Não foram reconhecidas as limitações que a gente tem hoje.
[00:12:46] E também não sou daqueles que acredita que uma IA geral,
[00:12:52] a que teria capacidades humanas, vai surgir logo como Dario Amodei já falou,
[00:12:57] como Sam Altman sempre está dizendo, como Elon Musk vive dizendo.
[00:13:01] Estamos prestes a, não acredito nisso, né?
[00:13:05] Mas, enfim, o ponto que eu chego é,
[00:13:07] um, as pessoas estão usando muitas vezes mal e errado,
[00:13:13] porque assim como várias coisas antes a gente começou a usar
[00:13:17] antes de ter um letramento a respeito,
[00:13:19] e dois, isso é incentivado por essas empresas,
[00:13:24] porque, claro, elas têm interesse em uma evaluation melhor,
[00:13:28] em ter a sua empresa bem avaliada, bem monetizada,
[00:13:33] então ficam dizendo, está pronto para usar, é ótimo,
[00:13:36] e cada modelo novo que surge, cada versão nova,
[00:13:39] a gente vê que o passado tinha muitos problemas
[00:13:42] e esse também tem problemas, não é um negócio que está pronto
[00:13:47] para fazer absolutamente tudo como eles tendem a vender.
[00:13:50] Então, a primeira coisa aqui é, talvez,
[00:13:54] é pensar nessa coisa do deslumbramento, Abao.
[00:13:57] Em alguma medida, Deus me livre e guarde,
[00:14:01] falar bem de Habermas não vira casacas, né?
[00:14:04] Mas o velho Habermas, ele tem uma frase num dos livros dele
[00:14:09] sobre questão de genética,
[00:14:11] que ele diz alguma coisa que o pessoal que trabalha nessas questões
[00:14:15] faria bem de largar a mão do deslumbramento
[00:14:19] com certas ficções científicas, né?
[00:14:22] Porque o deslumbramento aí de ficção científica,
[00:14:25] de superestimar o que essas tecnologias são capazes de fazer por um lado,
[00:14:30] que favorece muito a indústria,
[00:14:34] mas que também acaba criando essa bolha,
[00:14:37] criando essa demanda, porque cria uma curiosidade por um lado.
[00:14:42] Ah, meu Deus, será que a gente finalmente criou
[00:14:45] uma inteligência artificial, seciente, autônoma e tudo mais.
[00:14:51] Por outro lado, a gente tem, dentro disso,
[00:14:54] uma outra parte que é, como essa tecnologia na realidade
[00:14:58] é um instrumento para diminuição do custo humano,
[00:15:02] ou seja, o meu interesse particular nisso,
[00:15:06] que a inteligência artificial não é nem inteligente nem artificial.
[00:15:10] Ela precisa de elementos naturais,
[00:15:13] sejam pessoas naturais,
[00:15:15] e o que ela faz não é propriamente uma inteligência.
[00:15:18] A gente precisa pensar, claro, que isso depende do conceito de inteligência,
[00:15:22] mas eu queria muito entender qual é o conceito de inteligência
[00:15:25] que a gente está trabalhando aqui.
[00:15:27] Por exemplo, uma das broncas que eu tenho,
[00:15:29] maiores broncas que eu tenho,
[00:15:31] é essa ideia que a gente tem que a inteligência artificial faz coisas.
[00:15:35] Poxa, como assim?
[00:15:37] Tem uma metafísica muito forte aqui para você conseguir dizer
[00:15:41] que uma inteligência artificial faz alguma coisa.
[00:15:44] Porque fazer tem um elemento aqui de autonomia,
[00:15:47] de conseguir criar algo,
[00:15:50] mas ela está realmente criando algo,
[00:15:52] ou ela só está reciclando informações
[00:15:54] que estão dentro do cluster informacional dela.
[00:15:56] E talvez essa nossa discussão, Abao,
[00:15:58] ela tem que partir para início de conversa,
[00:16:02] o que é esse negócio
[00:16:04] que nós estamos operationalizando com os prompt?
[00:16:08] Então, o que é esse grande database
[00:16:10] que nós estamos chamando de inteligência artificial?
[00:16:13] Porque me parece que é por aí.
[00:16:15] Tem esse primeiro momento,
[00:16:17] tem uma necessidade muito grande
[00:16:19] de entender o que é essa database gigante
[00:16:22] da inteligência artificial.
[00:16:24] Em segundo lugar, como é que essa database
[00:16:26] está criando uma referência
[00:16:29] a essas big techs?
[00:16:31] E essa é outra pergunta que talvez a gente deva dizer.
[00:16:34] O que diabos é uma big tech?
[00:16:36] Porque não sei se o nosso ouvinte já parou para pensar
[00:16:40] o que faz de uma big tech big.
[00:16:43] O que são esses grandes conglomerados tecnológicos
[00:16:46] e o que eles significam?
[00:16:48] Porque para mim, a existência desses conglomerados
[00:16:51] demonstra duas tendências do capitalismo ardio,
[00:16:55] do capitalismo hiperfinanceiro,
[00:16:58] do capitalismo, sei lá, pós neoliberal,
[00:17:00] se vocês quiserem colocar,
[00:17:02] que é essa hiperconcentração de poder,
[00:17:05] hiperconcentração de capital em poucas mãos.
[00:17:09] O que lembra muito, na realidade,
[00:17:12] nós estamos num momento de maior concentração de capital
[00:17:15] do que a bela época.
[00:17:17] Então, a época da bela época que a gente tinha,
[00:17:20] aquela coisa dicseniana,
[00:17:22] de grande concentração de capital,
[00:17:24] a concentração de capital hoje é maior
[00:17:26] do que no pré-crash da bolsa de valores.
[00:17:30] Hoje o capital está mais concentrado do que na época do crash
[00:17:34] e a gente se esquece que durante a época da concentração de capital
[00:17:39] também havia uma concentração informacional,
[00:17:42] que era a concentração dos grandes conglomerados de mídia
[00:17:45] ali nos primeiros anos do século XX,
[00:17:48] quando surgem os grandes barões da mídia.
[00:17:51] Isso é algo, o momento citei Foucault,
[00:17:54] que o Foucault traz um pouco naquele paper dele,
[00:17:57] o que é um autor,
[00:17:58] ele traz um pouco a história dos grandes conglomerados de mídia.
[00:18:02] E como essa história dos conglomerados de mídia
[00:18:05] está vinculado, vejam só,
[00:18:07] a história da regulamentação do conceito de autoria.
[00:18:11] Por que eu estou falando disso?
[00:18:13] Porque nós estamos falando de um processo interessante
[00:18:15] e altamente comparável,
[00:18:17] não apenas a internet,
[00:18:19] mas a tecnologia informacional
[00:18:21] e o pessoal que, sei lá, estava em 99,
[00:18:25] como nós estávamos,
[00:18:27] na ponta de frente das discussões sobre internet,
[00:18:32] sobre comunicação, sobre redes,
[00:18:34] vai lembrar dos três livrões do Castells,
[00:18:37] do Sociedade da Informação.
[00:18:39] O Castells explica isso muito bem no Sociedade da Informação.
[00:18:42] Ele mostra isso muito bem quando ele diz o seguinte,
[00:18:46] quando surgem os primeiros conglomerados de informação,
[00:18:49] quando surge a tecnologia da imprensa,
[00:18:52] a imprensa surge de forma descentralizada.
[00:18:56] A imprensa não surge de forma centralizada.
[00:18:59] A invenção da imprensa é descentralizada, anônima e anárquica.
[00:19:04] Quando a imprensa surge, ela tem essas características.
[00:19:07] Tanto que ela surge para a impressão de um material ilegal,
[00:19:10] ela surge para distribuição de folheto,
[00:19:13] ela populariza a linguagem
[00:19:15] e com a popularização da linguagem cria, em grande medida,
[00:19:19] o advento da alfabetização como fenômeno social.
[00:19:23] Então, a história da alfabetização como fenômeno social,
[00:19:27] como um direito, como uma demanda social,
[00:19:30] está vinculada a essa descentralização.
[00:19:33] Só que o que acontece,
[00:19:35] o que vai acontecer, que a gente vai ver,
[00:19:37] entre o século XVII, XVIII, início do século XIX,
[00:19:40] com o surgimento da regulamentação da mídia,
[00:19:44] é que a regulamentação da mídia serve para duas coisas.
[00:19:47] Ela serve para um lado,
[00:19:49] para criar a possibilidade de responsabilização
[00:19:53] e, por outro lado, para centralizar o controle informacional.
[00:19:57] Esse argumento é um argumento extremamente Foucaultiano, na minha parte,
[00:20:00] mas eu acho que o Foucault está certo quando ele faz essa narrativa,
[00:20:03] que é o seguinte, o próprio conceito de autoria.
[00:20:06] O conceito de autoria não surge para proteger direitos de propriedades sobre o texto.
[00:20:11] A autoria no texto tem um autor, o direito de autoria
[00:20:17] serve também para a responsabilização do autor.
[00:20:20] Então é a retirada do anonimato
[00:20:23] e a colocação do autor, do proprietário,
[00:20:27] de forma centralizada, uma forma de centralizar.
[00:20:30] Isso também é uma forma de reconhecer a hegemonia do Estado sobre a linguagem,
[00:20:35] ou seja, o Estado enquanto produtor da linguagem.
[00:20:38] O que a gente vai ver aqui também?
[00:20:40] A gente vai ver uma inversão
[00:20:42] ou uma transformação da própria ideia de alfabetização.
[00:20:45] A alfabetização é cooptada pelo Estado
[00:20:48] e colocada dentro do sistema educacional,
[00:20:50] na construção dos sistemas educacionais
[00:20:53] como sistemas de afirmação hegemônica
[00:20:56] e afirmação de lugares hegemônicos.
[00:20:58] Afirmação de lugares hegemônicos porque a educação te ensina a ter lugar no mundo.
[00:21:02] A gente está falando do modelo educacional aqui,
[00:21:05] de construtivismo, prelaçalhe, dos primeiros grandes modelos de educação,
[00:21:10] que é uma das questões mais interessantes
[00:21:13] que a gente vê o nacionalismo surgindo junto com o direito à educação.
[00:21:18] Por quê? Porque o cara tem que aprender a ser brasileiro,
[00:21:20] o cara tem que aprender a ser argentino,
[00:21:22] o cara tem que aprender a ser…
[00:21:24] Só que isso opreende ou exige uma hegemonia sobre a linguagem.
[00:21:29] Aquela relação saber poder governar,
[00:21:32] aquele triângulo fucotiano.
[00:21:34] Então tem essa relação.
[00:21:36] Essa relação está vinculada ao próprio surgimento da mídia,
[00:21:39] no certo sentido,
[00:21:41] e a mídia como instrumento de centralização dos processos informacionais.
[00:21:46] Então a gente usa a mídia para centralizar algo que quer ser descentralizado.
[00:21:51] A informação quer ser anárquica,
[00:21:54] ela quer ser livre,
[00:21:56] mas ela começa a ser centralizada a partir desses processos.
[00:22:00] Esses processos, no século XIX, no século XX,
[00:22:03] com a criação dos jornais e tal,
[00:22:06] que vão começar de novo como instrumentos de descentralização,
[00:22:10] os jornais gradualmente vão se centralizando como instrumentos de poder,
[00:22:15] de partidos políticos, de governos,
[00:22:18] o governo começa a controlar a mídia cada vez mais,
[00:22:21] e os grandes conglomerados de comunicação
[00:22:24] controlam governos também.
[00:22:26] Isso já acontece no final do século XIX.
[00:22:28] Essa relação bilateral entre a produção da informação
[00:22:32] e a produção do governo.
[00:22:34] O que você vai ter aqui?
[00:22:36] Você vai ter aqui a criação dos grandes conglomerados
[00:22:39] que vão crashear,
[00:22:41] que vão ter que ser divididos por causa de crises
[00:22:44] dentro desses grandes conglomerados de mídia.
[00:22:46] Então a gente tem que dividir esses grandes conglomerados
[00:22:49] e começar a regulamentar a mídia a partir do século XX
[00:22:53] como uma resposta a essa concentração do poder.
[00:22:56] A inteligência artificial
[00:22:58] ela é o produto de uma revolução informacional.
[00:23:02] Ela está dentro da revolução da internet.
[00:23:05] Não existe inteligência artificial
[00:23:08] sem o grande database que é a internet.
[00:23:12] A internet é o grande database para as inteligências artificiais.
[00:23:16] As inteligências artificiais, então,
[00:23:18] elas correm em cima de informação.
[00:23:20] Essa informação está disponível fundamentalmente
[00:23:23] em grandes clusters informacionais que a gente encontra em servidores.
[00:23:27] Os servidores estão produzindo informação
[00:23:29] que é minerada pelas inteligências artificiais,
[00:23:31] transformada, reiterada através de algoritmos.
[00:23:35] Acho que essa é uma…
[00:23:36] Abal, você está por dentro.
[00:23:38] Você acha que essa é uma explicação OK
[00:23:40] para a inteligência artificial assim?
[00:23:42] Eu acho que sim, Pontinho.
[00:23:44] E agora até para poder largar para o Divã e para ti,
[00:23:48] eu quero falar duas coisas disso aí.
[00:23:50] Primeiro, cara, talvez você coloque essa questão da autoria
[00:23:54] como uma das respostas mais fáceis.
[00:23:57] Mas eu quero problematizar um pouquinho isso aí
[00:24:00] com relação à questão da tecnologia.
[00:24:03] Então assim, Gabriel, Divã e depois Fabrício, Pontinho,
[00:24:06] para eu lembrar.
[00:24:07] Primeira das coisas.
[00:24:09] Se a gente tem uma tecnologia que é criada,
[00:24:12] que se utiliza como base do conhecimento existente na internet
[00:24:17] ou em outras obras, a gente tem duas coisas aqui.
[00:24:21] Primeira delas.
[00:24:22] A questão da autoria, sim.
[00:24:24] E aqui eu estou falando de direito de personalidade,
[00:24:26] eu não estou falando de direito patrimonial.
[00:24:28] Eu estou falando de reconhecimento de autor.
[00:24:30] A gente precisa voltar para isso depois. Ótimo.
[00:24:32] Primeiro, estou falando de direito de personalidade.
[00:24:35] Eu não me importo que coisas minhas que estão na internet,
[00:24:38] artigos, livros, coisas do gênero,
[00:24:41] sejam usadas para treinamento,
[00:24:44] para que alguém quando perguntar a respeito de nazistas no Brasil
[00:24:47] pegue um artigo meu e apareça lá aquilo lá.
[00:24:51] Problema que eu vejo não aparecer no final
[00:24:54] Abal, Birla, Felipe Citolin, tararararará.
[00:24:59] Isso para mim é mais grave,
[00:25:01] porque as minhas coisas estão em acesso aberto,
[00:25:04] do que a questão patrimonial que me parece
[00:25:07] que é o que as pessoas esperneiam mais a respeito.
[00:25:10] Segundo, falando da tecnologia.
[00:25:13] Se ela é construída e se ela utiliza todo o conhecimento que tem,
[00:25:18] isso aí não pode ser de acesso restrito.
[00:25:22] Ponto.
[00:25:24] Se está usando coisa que é minha, que é do Pontim,
[00:25:27] que é do Divã, que é do Zezinho,
[00:25:29] que é de fulano, de fulano, de fulano,
[00:25:31] não pode chegar uma open AI da vida
[00:25:34] e dizer, ó Felipe, se tu quiser ter acesso completo
[00:25:36] a tudo que a humanidade já produziu,
[00:25:38] a humanidade tem que pagar.
[00:25:40] Isso não faz o mínimo sentido para mim.
[00:25:44] Porque, sim, o que ela acaba fazendo,
[00:25:46] eu não vou ficar explicando de novo como é que funciona um Tolkien,
[00:25:49] como é que quando ele vai construir uma imagem,
[00:25:51] na verdade, desconstrói tudo e constrói de novo, etc, etc,
[00:25:54] e tal, porque eu acho que a galera já sabe.
[00:25:57] Mas se você pegou uma obra de fulano,
[00:25:59] fulano tem que ser citado, citado.
[00:26:03] Porque se a pessoa que está recebendo a resposta
[00:26:05] quiser ir atrás,
[00:26:06] ela tem que ter esse direito, essa possibilidade.
[00:26:09] Se tu vai na Wikipedia,
[00:26:11] que é o maior exemplo do que a internet se propunha
[00:26:15] fazer com questão de conhecimento,
[00:26:18] as coisas tem notinha, não tem?
[00:26:20] Chega lá no final nas referências e tem as notinhas?
[00:26:23] Por que que aqui é diferente?
[00:26:25] E segundo, se é feito com base em todo mundo,
[00:26:28] todo mundo tem que ter acesso.
[00:26:30] É Briel Divan.
[00:26:31] Olha, tem muito pouco a acrescentar
[00:26:34] sobre as considerações de vocês
[00:26:36] no sentido de querer começar a debater
[00:26:40] ou problematizar ou coisa parecida,
[00:26:42] coisa parecida porque concordo, assino embaixo.
[00:26:45] Agora, na qualidade de quem é o menos versado
[00:26:48] em LLM e coisas parecidas aqui da mesa,
[00:26:52] eu vou chamar num negócio que me parece
[00:26:58] interessante para essa discussão
[00:27:00] sobre certo aspecto.
[00:27:02] E eu estou, principalmente nos últimos tempos,
[00:27:05] eu tenho parado muito para pensar em algumas coisas,
[00:27:09] não de um Marx mais ortodoxo ou mais preso.
[00:27:14] Eu estou pensando em umas coisas do Marx faceiro,
[00:27:18] esquema ofensivo, sem muitos volantes,
[00:27:22] e eu me refiro aos Grundrisse.
[00:27:24] Eu me refiro, entre outras coisas,
[00:27:27] aquele momento da obra que costuma ser fatiado
[00:27:32] e separado e vendido em porções individuais,
[00:27:35] que não é chamado assim na verdade,
[00:27:37] mas é apelidado de fragmento sobre as máquinas.
[00:27:39] Eu gosto muito daquilo,
[00:27:41] até porque eu sou pós-moderno
[00:27:43] e alguém vai dizer assim, claro,
[00:27:45] tu não está lá carregando solda nas fábricas,
[00:27:48] e se você está falando isso comigo nesse momento,
[00:27:50] é porque você também não carregou
[00:27:52] solda em fábrica nenhuma.
[00:27:54] Mas, enfim, o que eu quero dizer com isso?
[00:27:57] Eu quero dizer que a gente tem uma série de questões
[00:28:00] para pensar e uma delas é, talvez,
[00:28:04] sob essa leitura, não quero dizer
[00:28:06] que essa é a única, porque não é,
[00:28:08] e não quero dizer que essa é a melhor,
[00:28:09] porque talvez não seja,
[00:28:10] mas, sob essa leitura,
[00:28:12] o que estão fazendo com as inteligências artificiais
[00:28:15] e a forma como as pessoas compraram elas
[00:28:18] é uma tentativa indescritível de materializar,
[00:28:22] de empacotar e de capitalizar a própria lógica
[00:28:27] de uma maneira bem gráfica
[00:28:29] do que era chamado na obra de general intellect.
[00:28:33] Ou seja, você está tentando
[00:28:35] criar uma espécie de fonte de agregar,
[00:28:39] de conhecimento,
[00:28:40] e aí que vem essa jogada.
[00:28:42] O Fabrício lembrou muito bem,
[00:28:44] ela não é uma inteligência,
[00:28:45] ela não está te fornecendo nada
[00:28:48] como quem senta, olha para o céu,
[00:28:50] pensa um pouquinho e te dá um conselho.
[00:28:53] Ela é alimentada.
[00:28:55] A jogada dela é simplesmente fazer
[00:28:57] uma compilação dessa alimentação
[00:28:59] de uma maneira jamais vista,
[00:29:00] de uma maneira que a gente não tem
[00:29:02] em qualquer tipo de parâmetro de velocidade
[00:29:04] para acompanhar.
[00:29:05] Sendo assim, é um problemão, sim,
[00:29:09] você apresentar esse conhecimento
[00:29:12] não como uma espécie de comunhão
[00:29:15] daquilo que se produziu,
[00:29:16] não como conhecimento acumulado.
[00:29:18] Ela te apresenta isso como um oráculo mequetrefe.
[00:29:21] Então, o cara tirou do livro do Abao
[00:29:24] a definição e a questão
[00:29:26] de como foi o julgamento dos nazistas no Brasil,
[00:29:29] e ele te apresentou como uma coisa
[00:29:31] cruzada com outras informações
[00:29:33] que às vezes são díspares,
[00:29:35] ela juntou um pitaco daqui ou tudo ali
[00:29:37] e mandou para frente,
[00:29:39] sem citação, sem nada,
[00:29:41] o que é uma maneira muito interessante
[00:29:42] não de acumular e não de fazer
[00:29:45] com que esse conhecimento se universalize.
[00:29:48] É uma maneira de simplesmente te extrair,
[00:29:50] de lucrar em cima disso
[00:29:52] e de vender uma espécie de peixe
[00:29:54] como se fosse uma questão oracular.
[00:29:57] Então, olha só,
[00:29:59] a Wikipedia é um bom exemplo,
[00:30:01] porque a Wikipedia pode ser,
[00:30:05] sob um certo aspecto, uma torre de Babel,
[00:30:07] sob outro aspecto, ela pode ser uma utopia.
[00:30:09] O fato é que é uma construção
[00:30:11] de conhecimento comum que se assume como tal.
[00:30:14] E as pessoas estão interessadas
[00:30:16] em uma outra coisa aqui.
[00:30:18] O papo começou com vocês falando
[00:30:21] justamente sobre a questão de que,
[00:30:22] primeiro, estamos usando uma coisa
[00:30:24] ao mesmo tempo quando não atrás
[00:30:27] do letramento devido
[00:30:29] e estamos usando uma coisa de um jeito esquisito
[00:30:32] e nós estamos, inclusive,
[00:30:33] essa é a minha insistência nesse assunto
[00:30:35] há um bom tempo já,
[00:30:37] nós estamos debatendo de um jeito esquisito
[00:30:39] porque o debate não é só
[00:30:41] se você é pró ou contra,
[00:30:43] porque isso eu já falei outras vezes.
[00:30:45] Cara, se você é pró ou contra isso,
[00:30:47] você vai chegar naquelas conclusões
[00:30:48] meio bizarras, assim,
[00:30:50] que em algum momento não é para usar elevador
[00:30:52] ou coisa parecida,
[00:30:54] ou aqueles alarmismos assim
[00:30:56] antiquados epistemologicamente,
[00:30:59] a mesma mão que criou o raio laser
[00:31:03] para a cirurgia de córnea
[00:31:04] fez a bomba atômica, e agora?
[00:31:06] Cara, isso aí não tem nada a ver, meu.
[00:31:08] Esse papo é furado.
[00:31:10] Então assim, a gente está debatendo mal
[00:31:13] porque nós não estamos debatendo
[00:31:15] nesse aspecto aqui em larga escala
[00:31:17] do que nós estamos fazendo.
[00:31:18] O debate é geralmente esse.
[00:31:21] Olha só, como é que você vai ter
[00:31:24] equipamentos e programas
[00:31:27] para desbaratar o uso de IA
[00:31:29] quando o cartão de aniversário,
[00:31:31] quando o poema para a namorada,
[00:31:33] quando o prefácio da obra for feito por IA.
[00:31:35] Cara, isso é complicado,
[00:31:37] sem dúvida nenhuma.
[00:31:38] É complicado e é se debater
[00:31:40] no sentido ético, no sentido de autor,
[00:31:42] de direitos e tudo mais.
[00:31:43] Agora, cara, não é exatamente o problema
[00:31:46] porque você pode ter
[00:31:49] um gerador de combinações,
[00:31:52] de coisas assim.
[00:31:53] O próprio preenchimento automático
[00:31:55] do celular, cara, é que todo mundo
[00:31:56] usa a roda, é isso.
[00:31:58] Dependendo do que você costuma escrever
[00:32:02] ou costuma buscar,
[00:32:03] eu quero um sorvete.
[00:32:05] Eu quero piroca.
[00:32:07] Vai aparecer coisas desse tipo.
[00:32:09] Isso aí não dá para negar que
[00:32:11] é tecnologia nesse sentido,
[00:32:13] construindo coisas para ti.
[00:32:14] Corretor autográfico, tudo isso
[00:32:16] que a gente usa.
[00:32:17] A grande questão é debater
[00:32:19] esses fatores,
[00:32:20] ao meu ver pelo menos,
[00:32:22] que dizem respeito a,
[00:32:24] entre outras coisas,
[00:32:25] uma questão ética sobre
[00:32:27] como é que a gente lida com verdades
[00:32:29] a partir disso,
[00:32:30] para daí depois, obviamente,
[00:32:31] chegar nos outros campos.
[00:32:33] O cara vai botar, sei lá,
[00:32:35] um procedimento cirúrgico
[00:32:37] ou um diagnóstico
[00:32:38] medido por um negócio desse.
[00:32:39] Bom, cara, aí a gente chega
[00:32:41] em outros confins.
[00:32:42] Mas eu realmente me interesso muito
[00:32:44] por essa coisa quando a gente
[00:32:45] começa a pensar em máquinas,
[00:32:46] fazendo trabalho,
[00:32:47] e qual é a questão de reconfigurar
[00:32:50] o próprio capital fixo,
[00:32:52] a própria mão de obra
[00:32:53] a partir dessas coisas,
[00:32:55] e principalmente pensar também
[00:32:57] nesses fatores de autoria,
[00:32:58] porque, cara,
[00:33:00] é uma ponte incrível para a gente
[00:33:02] olhar para esse negócio.
[00:33:03] É nós construindo conhecimento,
[00:33:05] nós acumulando conhecimento,
[00:33:07] nós liberando conhecimento.
[00:33:08] Em alguma parte dessa equação,
[00:33:10] em alguma parte dessa tabela,
[00:33:11] está havendo algum tipo de distorção.
[00:33:13] Não é só a gente juntando tudo
[00:33:15] e podendo se aproveitar de tudo.
[00:33:17] Está havendo algum momento
[00:33:19] do telefone sem fio
[00:33:20] que a coisa vai para o outro lado.
[00:33:22] Assim, Giovana,
[00:33:23] me parece que uma das coisas
[00:33:25] que você coloca é justamente incrível.
[00:33:28] Nós estamos discutindo o problema
[00:33:30] da inteligência artificial.
[00:33:32] Por um lado,
[00:33:33] quando a gente trabalha a questão
[00:33:35] do que a inteligência é capaz de fazer
[00:33:37] e ignora que fundamentalmente
[00:33:39] o que ela é capaz de fazer
[00:33:41] é derivar e modificar
[00:33:42] informações já existentes.
[00:33:44] E aí entra um dos pontos
[00:33:45] que o Abao colocou.
[00:33:47] Essa é uma tecnologia que está
[00:33:50] basicamente reconfigurando
[00:33:53] o material já existente
[00:33:55] e se adornando de material já existente.
[00:33:58] O Gemini, por exemplo,
[00:34:00] ainda tenta fazer um esforço
[00:34:02] de colocar lá uma notinha
[00:34:04] para dizer de um dia
[00:34:05] que ele está tirando as coisas,
[00:34:07] o notebook também.
[00:34:09] Só que ainda é o caso
[00:34:10] que ele está selecionando esse material
[00:34:12] com base em densidade,
[00:34:14] ele está selecionando esse material
[00:34:16] com base em presenças algoritmicas
[00:34:19] desses bancos de dados,
[00:34:21] que, em primeiro lugar,
[00:34:22] são autorregulamentados,
[00:34:23] ou seja, são regulamentados
[00:34:24] pelas próprias plataformas,
[00:34:26] e, em segundo lugar,
[00:34:27] que são resultado e fruto
[00:34:29] da criatividade humana.
[00:34:31] Ou seja, entre a inteligência artificial,
[00:34:33] ela não faz nada novo.
[00:34:35] Ela é incapaz de fazer algo novo.
[00:34:37] E aqui, talvez, um espinocista
[00:34:39] vai dizer para mim,
[00:34:40] mas a consciência humana também.
[00:34:42] Ela não faz nada de novo.
[00:34:44] Ela só deriva o que existe na natureza.
[00:34:48] Tá, tudo bem.
[00:34:50] Mas ela ainda é vinculada
[00:34:52] a algum problema, por exemplo,
[00:34:53] de experiência, de escolha,
[00:34:55] de possibilidade de alternâncias.
[00:34:57] O que eu quero dizer com isso?
[00:34:59] Nós temos algo como, por exemplo, opções.
[00:35:02] Uma inteligência artificial
[00:35:04] tem um fluxo de informação determinado.
[00:35:06] Ela funciona de forma
[00:35:08] fundamentalmente determinada.
[00:35:09] E aqui, tá?
[00:35:10] Você quer ser um determinista
[00:35:11] e ver a nossa consciência também.
[00:35:13] Outra consciência nem existe.
[00:35:15] Beleza, mas você está
[00:35:16] despolitizando a discussão.
[00:35:18] E aí é o problema.
[00:35:19] Aí é onde nasce o problema.
[00:35:21] Eu acho que…
[00:35:22] E aqui eu não acho que é ser pós-moderno.
[00:35:24] Eu acho que tem dois níveis aqui
[00:35:26] aonde a gente está trabalhando.
[00:35:27] Num deles, a gente está sendo pós-moderno,
[00:35:30] daquele jeito que eu falei várias vezes
[00:35:32] aqui já no Vira,
[00:35:33] de Vã e a Balito.
[00:35:35] Que é, nós estamos sendo pós-modernos
[00:35:37] na medida que nós não estamos
[00:35:39] presumindo que ferramentas modernas
[00:35:41] são capazes de dar conta
[00:35:43] da explicação e regulamentação desse fenômeno.
[00:35:46] Isso é ser pós-moderno.
[00:35:48] Por que a inteligência artificial
[00:35:50] é um fenômeno pós-moderno?
[00:35:52] Porque ele está fora do quadrado.
[00:35:54] Ele está fora do traçado convencional
[00:35:57] para qual a modernidade nos preparou,
[00:36:00] ainda que ela tenha vários pontos em comuns.
[00:36:03] Eu comecei minha fala
[00:36:04] trazendo alguns pontos em comuns.
[00:36:06] Com a modernidade, com uma contemporaneidade,
[00:36:10] uma primeira contemporaneidade aí.
[00:36:13] Só que a velocidade, a natureza,
[00:36:16] a matematização desse negócio todo
[00:36:19] é muito peculiar.
[00:36:20] E ela é uma revolução
[00:36:22] dentro de uma revolução,
[00:36:23] dentro de uma revolução.
[00:36:24] Ela deve ser a quarta ou quinta revolução
[00:36:27] dentro da internet.
[00:36:28] E ao mesmo tempo que ela é a quarta
[00:36:30] ou quinta revolução dentro da internet,
[00:36:32] a gente já está vendo que muitas das promessas
[00:36:34] dessa inteligência artificial são loucas.
[00:36:36] Mas ao mesmo tempo que as promessas
[00:36:38] dessa inteligência artificial são loucas,
[00:36:40] o lastro que ela tem em termos financeiros,
[00:36:44] práticos e de expectativa e de performance
[00:36:47] não são ilusórios.
[00:36:50] E eu acho que aqui é onde, por exemplo,
[00:36:52] uma leitura marxiana vai nos ajudar muito.
[00:36:54] Por que ela vai nos ajudar muito?
[00:36:56] Porque ela vai nos levar
[00:36:57] para a materialidade desse negócio.
[00:36:59] Inclusive para dizer,
[00:37:00] não tem materialidade alguma
[00:37:01] e vai feder justamente
[00:37:03] porque não tem materialidade,
[00:37:04] porque esse troço é totalmente nominal,
[00:37:06] é uma compreensão nominal de informação,
[00:37:08] é uma compreensão nominal de escolha,
[00:37:10] é uma compreensão nominal de trabalho,
[00:37:13] que ao mesmo tempo está criando expectativas
[00:37:16] sobre como a gente trabalha.
[00:37:18] E tem algo na inteligência artificial
[00:37:20] que é uma grande fantasia do patrão,
[00:37:22] que é o profissional que nunca reclama do trabalho,
[00:37:25] nunca dorme e faz tudo direitinho
[00:37:28] que nem você mandou.
[00:37:29] Ele não questiona o prompt.
[00:37:31] A inteligência artificial
[00:37:32] dificilmente questiona o teu prompt.
[00:37:34] E se ela questiona o teu prompt,
[00:37:36] é baseado em quem é o detentor
[00:37:38] daquela propriedade intelectual
[00:37:39] e que é mais interessante daí,
[00:37:41] porque o patrão que está adotando
[00:37:42] a inteligência artificial não sabe
[00:37:44] que de uma certa forma
[00:37:45] ele está trabalhando para alguém.
[00:37:46] Então o cara adota uma inteligência artificial
[00:37:48] para optimizar processos,
[00:37:51] mas de verdade o que ele está fazendo
[00:37:53] é criando database,
[00:37:55] criando processos,
[00:37:56] criando léxicos
[00:37:58] para grandes conglomerados.
[00:38:00] Então a gente está num processo agora
[00:38:02] de intensa centralização,
[00:38:04] que é um processo que o Marx antecipa
[00:38:07] quando ele diz que o capital desregulamentado
[00:38:09] tende a concentrar.
[00:38:11] Então o capital desregulamentado
[00:38:13] não fica descentralizado.
[00:38:15] O capital procura mais capital.
[00:38:16] Então ele se centraliza naturalmente.
[00:38:18] Ele vai se centralizar em poucas mãos.
[00:38:20] Pareto.
[00:38:21] 20% dos produtores detêm 80% dos bens.
[00:38:25] Paretinho.
[00:38:26] Só que nesse caso é muito interessante.
[00:38:28] Por quê?
[00:38:29] Porque a nossa expectativa com a internet
[00:38:31] era uma expectativa de descentralização
[00:38:33] da informação.
[00:38:34] A gente vai ler o Pierre Levy
[00:38:36] no Cyber Cultura,
[00:38:38] aquela utopia da Cyber Cultura.
[00:38:40] Vai descentralizar.
[00:38:42] Aquela capa da Time.
[00:38:44] A pessoa do ano era um espelho,
[00:38:46] porque nós íamos deter
[00:38:48] a nossa própria informação.
[00:38:50] Os blogs.
[00:38:52] Os blogs foram o auge
[00:38:54] da descentralização informacional.
[00:38:56] Só que eles também foram usar altos
[00:38:58] do que vinha por aí.
[00:39:00] Porque foi com os blogs
[00:39:02] que a gente viu os grandes conglomerados
[00:39:04] começarem a concentrar
[00:39:06] o que estava descentralizado.
[00:39:08] Então os blogs que eram descentralizados
[00:39:10] começam a ser concentrados
[00:39:12] dentro de ferramentas de mídia.
[00:39:14] Ou seja, eles estão se concentrando.
[00:39:16] A informação volta a ser concentrada
[00:39:18] pelos detentores dos servidores.
[00:39:20] Aonde estão os blogs?
[00:39:22] E com isso a gente começa a ver
[00:39:24] com as redes sociais
[00:39:26] e a organização disso.
[00:39:28] O microblog transforma isso.
[00:39:30] E o que são as inteligências artificiais?
[00:39:32] Elas são mais de uma transformação.
[00:39:34] Porque as ferramentas de procura
[00:39:36] elas usavam antes
[00:39:38] um modelo de descentralização.
[00:39:40] E aqui, Abao,
[00:39:42] tu fez um referência a uma coisa muito interessante
[00:39:44] que é como a gente pensa
[00:39:46] um modelo de regulamentação
[00:39:48] e como a gente pensa como ele vai ser montado
[00:39:50] dentro da questão de como a gente pensa o ator.
[00:39:52] E aqui é muito interessante a gente
[00:39:54] poder ver a decisão mais paradigmática disso
[00:39:56] que é Citizens United
[00:39:58] nos Estados Unidos.
[00:40:00] Aquela decisão da Suprema Corte
[00:40:02] sobre Citizens United.
[00:40:04] Por que é aquela a decisão mais importante
[00:40:06] sobre inteligência artificial que nós temos?
[00:40:08] Porque ela é um guia.
[00:40:10] Daquela decisão, a Suprema Corte norte-americana
[00:40:12] ela toma uma posição muito interessante.
[00:40:14] Ela toma uma posição
[00:40:16] eu escrevi um paper que vai sair num livro agora
[00:40:18] deve ser lançado
[00:40:20] acho que em abril
[00:40:22] sobre decisões da Suprema Corte
[00:40:24] e o meu artigo é sobre
[00:40:26] essa decisão.
[00:40:28] E eu chamei de ventriloquismo institucional.
[00:40:30] É uma concepção
[00:40:32] de liberdade de expressão ventrilocal.
[00:40:34] Por que?
[00:40:36] Porque você protege a expressão
[00:40:38] de um ator sem consciência
[00:40:40] e de um ator sem intenção.
[00:40:42] Você diz que o que é protegido é o discurso.
[00:40:44] Então qualquer entidade
[00:40:46] capaz de fazer discurso
[00:40:48] tem liberdade de expressão plena.
[00:40:50] Não pode ser, portanto, regulamentada.
[00:40:52] Isso foi feito na Citizens United
[00:40:54] para dizer que
[00:40:56] o lobby tinha proteção
[00:40:58] de primeira emenda.
[00:41:00] Ou seja, lobista podia mentir
[00:41:02] lobista podia fazer uma caralhada de coisa
[00:41:04] e ter a proteção da primeira emenda.
[00:41:06] Então você não podia regulamentar
[00:41:08] os discursos das empresas
[00:41:10] e como as empresas queriam
[00:41:12] proteger os seus discursos.
[00:41:14] Isso impactou diretamente a regulamentação
[00:41:16] das campanhas eleitorais dos Estados Unidos
[00:41:18] e a regulamentação do que que empresas
[00:41:20] podem fazer, inclusive mentir.
[00:41:22] Porque dá para empresas
[00:41:24] a liberdade de mentir dentro
[00:41:26] da legislação americana
[00:41:28] porque é discurso.
[00:41:30] Então como o discurso não pode ser
[00:41:32] protegido, não pode ser regulamentado
[00:41:34] sua consequência de discurso
[00:41:36] você pode mentir à vontade.
[00:41:38] Bom, isso tem a ver com
[00:41:40] inteligência artificial. Tem a ver um monte.
[00:41:42] Por quê? Porque o que que as empresas
[00:41:44] estão dizendo agora nos Estados Unidos?
[00:41:46] Você não pode
[00:41:48] interferir no algoritmo.
[00:41:50] Nós temos liberdade de construir o nosso algoritmo
[00:41:52] porque o algoritmo é discurso.
[00:41:54] Na concepção ventriloquista
[00:41:56] e discurso, tá certo?
[00:41:58] É mesmo? Então
[00:42:00] tu não prote… tu consegue
[00:42:02] desregulamentar e dizer vai ser auto-regulamentado.
[00:42:04] Olha que interessante.
[00:42:06] Nós estamos permitindo que
[00:42:08] essas empresas sejam hegemônicas
[00:42:10] na formação da linguagem
[00:42:12] e como elas transformam
[00:42:14] a linguagem através do algoritmo.
[00:42:16] Certo? E aqui
[00:42:18] quem detém o algoritmo
[00:42:20] detém um poder enorme.
[00:42:22] Então quem detém essas databases
[00:42:24] que formam os algoritmos
[00:42:26] tem um poder hegemônico dentro da estrutura
[00:42:28] informacional
[00:42:30] que tá de uma forma ou de outra
[00:42:32] começando a pautar, por exemplo
[00:42:34] o que significa eficiência
[00:42:36] pra professor universitário.
[00:42:38] Por que que eu tô dizendo isso?
[00:42:40] Porque a gente precisa dar uma olhada em gráficos.
[00:42:42] Então tem um gráfico
[00:42:44] eu não vou conseguir postar ele pra vocês aqui
[00:42:46] mas tem um gráfico absolutamente
[00:42:48] estarrecedor.
[00:42:50] Nós observamos a partir de 2022
[00:42:52] um aumento
[00:42:54] de 60%
[00:42:56] no fluxo de publicações
[00:42:58] global.
[00:43:00] Só que o que a gente percebe?
[00:43:02] Esse aumento no fluxo de informações
[00:43:04] é diretamente correlacionado
[00:43:06] à existência de um troço que nós chamamos
[00:43:08] de fábricas de artigos.
[00:43:10] As fábricas de artigos
[00:43:12] são LLMs
[00:43:14] Large Language Models
[00:43:16] que são modelos
[00:43:18] que não precisam de prompt.
[00:43:20] São inteligências artificiais que
[00:43:22] se autofazem o prompt.
[00:43:24] Elas têm, Lurman vem aí
[00:43:26] uma espécie de autopoieses.
[00:43:28] Elas fazem
[00:43:30] o próprio prompt.
[00:43:32] Elas pesquisam as palavras mais
[00:43:34] densas e criam os próprios
[00:43:36] processos de replicabilidade.
[00:43:38] Ou seja, elas têm esses grandes
[00:43:40] databases bases que são ordenados
[00:43:42] pra produção de material científico.
[00:43:44] No último dado
[00:43:46] de 2023
[00:43:48] a pressuposição que se tinha
[00:43:50] é que 20% dos
[00:43:52] papers publicados no mundo
[00:43:54] tinham saído de article
[00:43:56] news. Esses são artigos sem autores
[00:43:58] gente. São artigos cuja
[00:44:00] detentor é uma
[00:44:02] propriedade industrial que
[00:44:04] produz esse artigo e que vende
[00:44:06] esse artigo pra um cientista
[00:44:08] partir desse modelo.
[00:44:10] Eu não estou nem falando
[00:44:12] do Gemini. Eu estou falando isso
[00:44:14] como auto colocado.
[00:44:16] Não tem um prompt. Não tem uma grão
[00:44:18] lá digitando o prompt
[00:44:20] colocando no notebook as referências
[00:44:22] bibliográficas e pedindo pra organizar.
[00:44:24] É um processo totalmente automatizado.
[00:44:26] E a pressuposição
[00:44:28] dessa conferência que eu fui no Rio
[00:44:30] de Janeiro é que 40%
[00:44:32] dos papers globais
[00:44:34] que foram emitidos pra revistas
[00:44:36] saíram desse tipo
[00:44:38] de modelo. Entre 2023
[00:44:40] e 2024.
[00:44:42] E isso pra correlato com um aumento
[00:44:44] de 60% na produção científica.
[00:44:46] Sabe o que significa?
[00:44:48] Se você não está usando
[00:44:50] esse tipo de inteligência artificial
[00:44:52] logo logo vão estar começando a perguntar pra você
[00:44:54] porque você não está produzindo.
[00:44:56] Isso cria
[00:44:58] uma distinção vocacional
[00:45:00] dentro do nosso sistema e eu estou falando
[00:45:02] de identificação. Eu não estou falando
[00:45:04] que é uma
[00:45:06] ponta importante aqui, que é
[00:45:08] pesquisa médica, pesquisa social.
[00:45:10] Eu ouvi isso numa conferência, gente,
[00:45:12] de inteligência artificial. Um grande
[00:45:14] pesquisador brasileiro, que eu não vou
[00:45:16] falar o nome, mas um grande pesquisador
[00:45:18] de uma grande universidade
[00:45:20] gerando que uma coisa boa dos large
[00:45:22] language models é que não ia mais precisar
[00:45:24] fazer pesquisa empírica em antropologia
[00:45:26] e ciências sociais.
[00:45:28] Porque você jogava no large language model
[00:45:30] qual era o modelo analítico que você queria usar,
[00:45:32] o que você queria pesquisar e ele
[00:45:34] fazia a
[00:45:36] interação da quantidade de respostas
[00:45:38] possíveis e te largava
[00:45:40] alto, não precisava pro cão.
[00:45:42] O cara estava defendendo isso numa conferência
[00:45:44] com paper publicado
[00:45:46] financiado. Financiado eu adivinha por só
[00:45:48] pra quem.
[00:45:50] Então o que você tem aqui? Mas assim, tem vantagem
[00:45:52] pra esse cara defender isso, é claro que
[00:45:54] tem. Caralho Pontinho, agora
[00:45:56] fiquei estupefato com isso aí, cara.
[00:45:58] A coisa é tu dizer, faz o resumo
[00:46:00] do meu artigo pra mim. Pô, faz resumo
[00:46:02] um saco. Agora,
[00:46:04] fazer esse tipo de coisa? Fazer um campo.
[00:46:06] O cara estava dizendo não vai mais precisar fazer campo.
[00:46:08] E a outra defenda dele, aqui
[00:46:10] Marx sorri no inferno
[00:46:12] e ele tá no inferno não porque ele era malvado, mas
[00:46:14] porque o Marx não tá no céu,
[00:46:16] o céu é muito chato. É verdade.
[00:46:18] Não, não tô falando que ele tá no inferno porque ele é ruim.
[00:46:20] O que é que tá no céu?
[00:46:22] Tá no céu o…
[00:46:24] Como é que é no invasões bárbaras?
[00:46:26] No lado de um polonês
[00:46:28] viscoso e de uma…
[00:46:30] Ele fala porque todos
[00:46:32] os poloneses são viscosos.
[00:46:34] É algo assim. Então
[00:46:36] vamos lá, né? Agora,
[00:46:38] o que eu acho? Acho que a gente tem que olhar pra
[00:46:40] esses fenômenos e pensar
[00:46:42] eles, daí sim, fazer as perguntas difíceis.
[00:46:44] Primeiro lugar, o que a inteligência
[00:46:46] artificial tá significando pra
[00:46:48] como nós fazemos as coisas e a
[00:46:50] adoção dócil da inteligência artificial
[00:46:52] como ferramenta auxiliar,
[00:46:54] o que ela tá significando
[00:46:56] para as nossas respectivas funções?
[00:46:58] Porque nós estamos aqui numa inversão
[00:47:00] fundamentalmente vocacional.
[00:47:02] Nós estamos transferindo, e é o que eu digo
[00:47:04] pros meus alunos, né? Nós
[00:47:06] estamos transferindo pra inteligência
[00:47:08] artificial uma das coisas que são
[00:47:10] na realidade a coisa que é mais nossa.
[00:47:12] Entende? Se existe
[00:47:14] algo que é propriedade, se existe
[00:47:16] algo que é propriedade, é o nosso
[00:47:18] intelecto, é o que a gente pensa,
[00:47:20] é como a gente pensa, é como a gente desenvolve
[00:47:22] ideias. Uma inteligência artificial
[00:47:24] não pode ser inteligente
[00:47:26] porque ela não pode ter tesdão. Uma inteligência
[00:47:28] artificial não pode ser inteligente porque ela não pode ter
[00:47:30] dor. Uma inteligência artificial não pode ser
[00:47:32] inteligente porque ela nunca levou fora, mano.
[00:47:34] Uma inteligência artificial não sabe
[00:47:36] o que é chorar pela morena
[00:47:38] bêbada de sangria. Não sabe?
[00:47:40] Então uma inteligência artificial não pode ser
[00:47:42] inteligente, caralho. Inteligência tá
[00:47:44] baseada nesse patos, a gente precisa
[00:47:46] da porra do patos, a gente tá transferindo isso
[00:47:48] num algoritmo
[00:47:50] que os donos são meia dúzia de cuecão de couro em São Francisco
[00:47:55] lavando dinheiro para a magnata do petróleo.
[00:47:58] E a gente está fazendo pergunta se ética de ar
[00:48:01] é você dizer que você citou e usou e vai tomar no cu.
[00:48:05] Isso é uma pergunta extremamente fácil.
[00:48:08] Foda-se. A resposta para essa pergunta é fácil. Ela é.
[00:48:11] Foda-se. Foda-se mano.
[00:48:13] Tipo essa é uma pergunta fácil. Essa é uma pergunta idiota.
[00:48:16] Tipo não é essa a questão.
[00:48:18] A questão é como por exemplo o uso de inteligência artificial
[00:48:21] está transformando as expectativas dos nossos alunos
[00:48:24] com relação a nossa performance enquanto professor.
[00:48:27] Como está transformando a nossa expectativa sobre os nossos alunos
[00:48:30] sobre a expectativa deles e dos nossos chefes sobre as nossas expectativas.
[00:48:34] E eu falei como professor porque nós três somos professores.
[00:48:37] O mesmo serve para engenheiro. O mesmo serve para qualquer mundo.
[00:48:40] Eu vou dizer mais Pontinho.
[00:48:42] Como é que isso aí serve para nossas questões.
[00:48:44] Isso que é uma coisa que eu já falei antes
[00:48:46] para nossas questões de imaginação.
[00:48:49] E quando você está submetido a um algoritmo que você diz assim
[00:48:52] eu estou com vontade de ler um livro qual livro eu leio
[00:48:54] ele vai te dar os 20 livros mais lidos do mundo
[00:48:57] porque estatisticamente são os melhores livros que tem
[00:49:01] ou ele vai procurar nas listas que existem de melhores livros
[00:49:05] e vai te dar os mesmos e filme e música.
[00:49:09] E você nunca vai atrás de uma coisa diferente.
[00:49:12] É simples você ver o algoritmo que tem numa Netflix da vida
[00:49:15] no Amazon Prime da vida.
[00:49:17] Consiste um filme de detetive e ele diz assim você vai gostar.
[00:49:21] Outros 50 filmes de detetive.
[00:49:24] Tu nunca vai pegar uma coisa nova cara que tu está imaginando.
[00:49:27] Onde é que tem a tua imaginação.
[00:49:29] E tu entra dentro do problema de imaginação política na Abalito.
[00:49:31] Tu entra dentro do problema de imaginação política com isso.
[00:49:34] E daí uma crítica despolitizada ela cria um problemão para a gente.
[00:49:38] Que é porra mano você tem que pensar sozinho sobre isso.
[00:49:42] Ah como é que a captura e o betinho não.
[00:49:45] Existem duas escolas sobre isso.
[00:49:48] O que a gente acha mano.
[00:49:50] E claro de novo pode ser uma ferramenta útil.
[00:49:53] E tem a outra coisa que é muito triste.
[00:49:56] Muito triste e que a gente não começou a conversar aqui
[00:49:58] que é um outro problema difícil.
[00:50:00] Que é quando a IA
[00:50:01] consegue fazer um serviço melhor que as nossas interações humanas.
[00:50:05] Porque a gente está cansado a gente está fugido a gente está sem acesso.
[00:50:09] E a IA consegue ser um terapeuta melhor que o teu terapeuta.
[00:50:12] E ela não é um terapeuta melhor que o teu terapeuta
[00:50:15] porque o teu terapeuta é mal intencionado.
[00:50:17] Mas o teu terapeuta também está fugido.
[00:50:19] Entende ela é um terapeuta melhor que o teu terapeuta
[00:50:21] porque o teu terapeuta também está fugido.
[00:50:24] E se o teu terapeuta está procurando resposta na IA
[00:50:27] porque ele está cansado isso também é um problema.
[00:50:30] Olha aqui nós três vamos nos olhar nós três aqui
[00:50:32] vamos dizer que num momento de dificuldade de cansaço
[00:50:35] a gente não pediu para a IA nos dar uma mãozinha para criar uma atividade.
[00:50:39] Com certeza.
[00:50:40] E aí cara eu tomei no cu uns tempos atrás com isso
[00:50:43] porque eu confiei na IA para fazer uma questão de prova para mim
[00:50:46] achando que ela ia reviver melhor que eu e eu só fui me dar conta
[00:50:49] que estava mal redidida errado e tive que cancelar minha questão na prova
[00:50:53] quando eu estava conversando com os alunos e vi puta que pariu a IA errou.
[00:50:56] Só que eu estava cansado para caralho.
[00:50:58] Eu estava precisando terminar aquela prova.
[00:51:00] Eu queria introduzir uma questão sobre um determinado tema.
[00:51:03] Eu não refizei cara eu não refizei eu não refizei.
[00:51:05] E até para coisas né agora passando até para o divã
[00:51:09] as coisas que não estão a gente já falou sobre isso aqui
[00:51:12] mas as questões que não estão ligadas com o seu trabalho.
[00:51:15] Relatório disso relatório daquilo preencher uma planilha me desculpa
[00:51:19] isso é coisa que não me dá pau duro para fazer.
[00:51:21] Não vou ficar perdendo quatro horas para preencher uma planilha desculpa.
[00:51:26] Não dá para o divã gastar quatro horas para preencher.
[00:51:28] Cara é aí que tá meu é muita coisa
[00:51:31] muita coisa que é interessante.
[00:51:33] Por exemplo já batemos nessa tecla
[00:51:36] a gente está fazendo uma crítica a uma superfície muito equivocada.
[00:51:43] Eu diria que eu diria que fazer a crítica fácil
[00:51:47] a esse filão esse patamar de superfície é em si uma trend.
[00:51:54] É a ideia de olha aqui.
[00:51:57] Cara assim puta que pariu cara artistas
[00:52:01] artistas do meu Brasil estou com vocês.
[00:52:04] Estou com vocês agora pegar alguém que fez uma bosta
[00:52:09] de um cartaz de um negócio em iá e lá como quem diz assim
[00:52:13] eu estou denunciando aqui esse cara porque ele fez em casa
[00:52:16] um troço com o iá em vez de telefonar para um desenhista.
[00:52:20] Cara isso aí é o tipo de coisa que não nos leva a muita coisa.
[00:52:27] É claro que uma categoria uma classe está vendo
[00:52:31] ir por água abaixo muita coisa mas quem não está todas estão.
[00:52:37] Se eu falar direito aqui para não ficar com que o Fabrício nos contou
[00:52:41] sobre produção acadêmica eu diria que está todo mundo no mesmo barco.
[00:52:46] Agora essa coisa de dizer assim
[00:52:48] olha aqui esse cara fez um negócio aqui com o iá
[00:52:51] cara você pode fazer a chamada zoação
[00:52:54] você pode tirar onda você pode debochar.
[00:52:57] Agora não dá para ficar só nessa impressão
[00:53:01] como se isso fosse o grande lance da discussão inteira.
[00:53:05] Descobri que tem um iá que quiseram descobrir uma vez
[00:53:10] que era um desenho que a Ingrid fez vira casacas.
[00:53:15] Olha ali é por isso por aquilo vai se foder não era.
[00:53:19] E aí é para provar que essa sua percepção
[00:53:22] aí é completamente infantil inclusive.
[00:53:25] Bom as pessoas elas não devem dar nenhuma bola
[00:53:28] para o fato de que eu escrevo abusando do uso de travessões
[00:53:32] desde 2008 sei lá o que quando nem existia esse tipo de coisa popularizado
[00:53:36] e muito possivelmente alguém vou olhar um troço que eu escrevi
[00:53:39] e vai dizer assim só que foi um iá não sei o que não cara.
[00:53:41] As minhas coisas eu lamentavelmente erro eu mesmo.
[00:53:45] Agora é isso é isso quer dizer
[00:53:49] se alguém me disser assim olha vai ter vai preencher esse formulário aqui.
[00:53:55] Uma coisa que até hoje eu não entendi né cara tem lugares que tem que preencher formulário
[00:53:59] como se a coisa não pudesse vir já ou como se não pudesse alimentar
[00:54:04] uma pequena base de dados que já te coloca lá.
[00:54:08] É isso sabe essas coisas elas vão trabalhar por nós em vários aspectos
[00:54:13] e a nossa luta tem que ser para que elas trabalhem nesses.
[00:54:17] Para que elas trabalhem nisso agora.
[00:54:19] Eu acho de fuder esse negócio assim do cara ficar tentando fazer assim
[00:54:24] e eu não vou nem entrar na discussão que ganhou moda
[00:54:26] nos últimos tempos falar nesses termos é um termo
[00:54:29] que andava até um pouco apagado um pouco esquecido o termo do ludismo.
[00:54:34] Eu acho que não é nem esse o ponto porque isso aí também
[00:54:36] é outra banalização da ideia é uma banalização da discussão.
[00:54:40] Eu acho que o ponto é ficou uma coisa meio idílica
[00:54:44] assim quando na verdade a gente tem que estar preocupado com outras coisas.
[00:54:47] Isso aí que o Fabrício falou é muito interessante porque
[00:54:51] eu particularmente gosto muito da discussão
[00:54:53] sobre essa decisão da Suprema Corte Americana.
[00:54:56] Eu conheço ela a partir da crítica que é feita pela Wendy Brown.
[00:55:01] Eu acho que é bem flagrante isso daí.
[00:55:03] Ela explora muito num certo aspecto que não estava pensando em ia
[00:55:09] de dizer que olha o nível que está a coisa
[00:55:12] é que a empresa tem liberdade individual ou análoga
[00:55:16] empresa da discurso e empresa tem liberdade de expressão por isso.
[00:55:21] Quando jogamos para ia esse tipo de coisa
[00:55:24] velho a porca torce o rabo umas 15 vezes.
[00:55:28] Então esse é o ponto sabe.
[00:55:29] É uma discussão que a gente tem que pensar a partir de uma série de coisas
[00:55:34] que não passa por essas coisas mais histriônicas não que não possa chegar
[00:55:38] mas não passa por essas coisas histriônicas
[00:55:40] que as pessoas geralmente falam assim eu já vi o estrenador do futuro.
[00:55:44] É aquilo onde eles vão lançar o míssil. Olha meus amigos
[00:55:48] eu estou mais preocupado se elas me apaixonarem me abandonarem
[00:55:53] que nem no filme do que se elas apertarem o botão do míssil
[00:55:56] porque para isso ainda tem ser humano que vai apertar.
[00:55:58] Mas a realidade assim a gente também está vendo um processo
[00:56:02] que é um processo de automação cada vez maior que entra dentro
[00:56:05] do que o garro nálação chamava de modelos institucionais de tomada de decisão
[00:56:10] que são os modelos totalmente automatizados que você só ativa um protocolo
[00:56:14] e essa protocolização de modelos decisórios que ela vem de longe
[00:56:18] ela vem de modelos de eficiência ela tem utilidade
[00:56:21] mas em última medida ela é para dizer vamos diminuir o risco
[00:56:25] da ação individual através do protocolo e tem coisas principais
[00:56:29] eu quero protocolo mas assim eu quero uma inteligência artificial
[00:56:33] decidindo o tratamento médico e se tem uma inteligência artificial
[00:56:37] decidindo o tratamento médico.
[00:56:38] Eu quero uma outra pergunta.
[00:56:40] Isso vai ser feito através de um sistema a la carte.
[00:56:43] Como assim a gente vai ter as várias velocidades da inteligência artificial
[00:56:47] porque nós já sabemos a resposta para isso e a resposta é sim.
[00:56:51] Qual é o problema das várias velocidades da inteligência artificial.
[00:56:54] É o seguinte meu caro amigo ouvinte do Vira
[00:56:57] e essa é uma pergunta difícil para caralho.
[00:56:58] Isso não é uma pergunta fácil. Sim o algoritmo pode diversificar
[00:57:03] o algoritmo pode dar respostas complexas ponderadas e muito boas
[00:57:08] se você paga se você usa o algoritmo baratinho lá
[00:57:13] tu vai ter a resposta mais padrãozinha mais basiquinha mais queridinha
[00:57:17] aquilo é legal em questão de vida e morte também.
[00:57:20] Então o que acontece.
[00:57:21] Eu tenho uma inteligência artificial que me dá um protocolo super fudido
[00:57:25] super foda super bom para uma determinada ação e para minha educação.
[00:57:30] Então eu estou lá pagando isso e tem uma outra inteligência artificial
[00:57:33] que me dá um troço porco.
[00:57:35] Não tem nenhuma implicação ética para isso.
[00:57:37] Aperte bem porque eu ouvi gente dizendo mas sobre isso
[00:57:40] como é que se diferente comprar um livro porque tem um livro barato
[00:57:44] tem um livro caro.
[00:57:45] Às vezes o livro barato ele tem um valor menor
[00:57:49] do ponto de vista da informação que tem no livro caro
[00:57:52] mas a pessoa que tem menor poder aquisitivo
[00:57:55] ao menos está tendo acesso ao livro barato sim
[00:57:57] é a mesma coisa seu cínico do cacete.
[00:57:59] Olha só eu vou só fazer um vou só pedir uma intervenção
[00:58:03] porque esse talvez seja um bom momento para eu exemplificar
[00:58:07] de uma maneira ainda mais direto que eu estou tentando dizer.
[00:58:10] Se tu pegar por exemplo a Gaia que é a inteligência artificial do tribunal
[00:58:15] assim como o Galileu que é a inteligência artificial do TRT
[00:58:19] e esses nomes são incríveis a Gaia o Galileu
[00:58:22] assim como tinha um bigodudo no site do Ministério Público do Rio Grande do Sul
[00:58:25] que era o Bento o assistente eletrônico do site.
[00:58:28] Mas enfim cara as pessoas estão criticando assim
[00:58:32] agora o juiz nem faz mais nada agora é só inteligência artificial.
[00:58:35] Meu amigo se você não vive do mundo do direito de seriados
[00:58:40] de tribunais do advogado correndo entre as audiências e gritando
[00:58:44] objection overrun você sabe muito bem que os despachos
[00:58:48] eles são entre aspas automatizados há muito tempo e com o perdão
[00:58:53] das minhas juízes dos meus juízes queridos do Brasil
[00:58:56] que eu sei que tem muita gente que sua muito trabalha muito e sofre muito para decidir bem.
[00:59:00] Cara tem uma maioria de pessoas que já não aparecia já não fazia nada já mal e mal assinava
[00:59:05] eletronicamente as coisas porque decisões automatizadas e decisões repetitivas e decisões copia e cola de parâmetros que não se encaixam
[00:59:12] no próprio caso a contrário do que os códigos de processo civil penal mandam fazer
[00:59:17] já tem a roda isso aí já está instituído a gente está fazendo uma crítica às vezes a isso
[00:59:23] quando na verdade deveria estar fazendo uma crítica a outro tipo de coisa que é isso que o Fabrício trouxe ou seja
[00:59:29] quais são os meandros
[00:59:31] dessas inteligências artificiais porque dá uma decisão padrão daquilo que o Gabriel
[00:59:37] decide há dez anos sobre um tipo de causa que o Gabriel enfrenta há dez anos é muito barbada
[00:59:42] agora a questão é qual é o parâmetro de escolha que tem ali qual é o parâmetro do protocolo a bau antigamente
[00:59:50] a piada era você não manda mais cesta de fim de ano com o champanhe para o juiz e manda para os estagiários né porque
[00:59:57] são quem realmente está
[00:59:59] fazendo viver a coisa agora a minha pergunta é outra né cara não é a inteligência artificial
[01:00:04] deu esse despacho aqui porque o juiz alimentou com 38
[01:00:08] parâmetros ali ele escolheu ali ele deu e o juiz nem olhou não é esse o problema que o problema é o seguinte
[01:00:13] qual essa seleção de parâmetros é barato ou é caro no exemplo do Fabrício aí
[01:00:20] importa ou não importa porra é claro que importa meu porque veio
[01:00:25] protocolos de vida e morte né existem em muitos lugares né muitos lugares se fosse só na medicina por exemplo já seria um
[01:00:31] problemão mas existem em todos os lugares sabe que aí tem várias questões interessantes né divã na Inglaterra só não estou equivocado
[01:00:38] aconteceu um caso recente que foi que eles descobriram que o ministro tomou decisões de política pública se utilizando do chat ept
[01:00:46] né ou enfim que uma inteligência artificial antes que venham me corrigir né
[01:00:51] eles conseguiram através de uma lei da transparência que ele liberasse a conversa
[01:00:56] eu quero saber o prompt que que tu pediu para qual versão tu pediu isso é público
[01:01:01] né é mais ou menos isso que tu tá dizendo do tipo ok o juiz utilizou mas qual é que foi o prompt alimentado com o
[01:01:07] que é isso são questões muito mais profundas né fabrício
[01:01:12] é utilizar ou não a questão é de quem é o dono desse prompt que é o dono do database
[01:01:18] ah mas não é diferente de usar doutrina que é a diferença de um livro que é de uma editora que tem um dono também
[01:01:25] não é a mesma coisa irmão não é não é não é não é não é é uma despersonalização do processo primeiro lugar e cria
[01:01:32] expectativas estranhas e padrões estranhos a gente tem direito de saber
[01:01:37] primeiro lugar e se está acontecendo nós temos o direito de saber então nós temos o direito de saber o aluno tem direito de saber
[01:01:44] se a prova dele está sendo corrigida por uma inteligência artificial para facilitar processos da instituição e
[01:01:51] baratear custos ele tem direito a saber se o chat com qual ele fala no EAD é um chat que na real não tem
[01:01:58] ninguém ali do outro lado quando a Clara me liga ela não me conta que eu estou falando com uma inteligência
[01:02:04] artificial e eu tô em lá um lugarzinho lá no buraco dentro da Clara o que diz não é aqui a transparência
[01:02:15] a tá no contrato numa das 83 páginas do contrato está lá tem um parágrafo escrito e talvez a gente queira que por
[01:02:22] exemplo esse trabalho de telemarketing sejam feitos por ias porque são trabalhos horríveis e stressantes e que
[01:02:28] talvez está tudo bem mas eu também quero saber porque e quem e quem e eu quero saber se tem um telemarketing
[01:02:36] diferente para quem paga mais para menos e qual é o resultado disso para qualidade do trabalho a gente são coisas
[01:02:42] básicas que a gente não está refletindo e não está inclusive não está trabalhando em termos de efeitos
[01:02:48] disso e aqui de novo nós não estamos conversando o suficiente sobre as consequências da inteligência
[01:02:56] artificial para o que nós chamamos de trabalho é que isso é um ponto interessante Fabrício para a gente
[01:03:03] entrar nessa questão tecnologia e aqui eu não tô falando especificamente de a mas também claro ela pode
[01:03:12] ser um grande amplificador de desigualdades outro dia eu tive uma discussão com uma pessoa que eu
[01:03:19] pensei que nem existia mais esse tipo de pessoa em 2026 que é que diz que a internet democratizou
[01:03:24] o desenvolvimento para ele cara já era já morreu já foi foi uma utopia que a gente teve só que
[01:03:32] hoje tudo é plataformizado tudo é pago como estava falando Fabrício para eu acessar né a um
[01:03:41] modelo de linguagem bom bom eu tenho que pagar eu tenho que ter uma internet decente eu tenho
[01:03:48] um dispositivo para utilizar ele não basta mais o que eu tenho hoje em termos de o que que é
[01:03:55] gratuito é o que é uma coisa que eu tenho pavor nesses planos de celular que dizem acesso
[01:04:01] ilimitado a whatsapp e facebook e tiktok disse em cara porque esses aí de que forma esses
[01:04:08] e você sabe que tá vendendo as suas informações né aí é que eu quero entrar meu caro né porque a
[01:04:23] gente tem sim coisa de trabalho e não é tão simples quanto porque a gente ligar um bullshit jobs
[01:04:29] do David Graber com a ia tá pegando telemarketing talvez a gente chegue na conclusão de que tudo
[01:04:37] é assim esses trabalhos de bosta é o que tem que ir embora a gente tem que ter trabalho decente
[01:04:42] né agora a grande questão é isso aí de um amplifica a desigualdade quem é pobre continua
[01:04:49] ficando de fora quem é periférico continua ficando de fora tem uma galera em país
[01:04:54] periférico que tá sendo pago miséria para treinar fino né fazer o treinamento fino
[01:04:59] desses modelos e outra acaba se tornando Fabrício nesse negócio de que um monte de
[01:05:06] mercado de colonialismo de dados eles chegam aqui para o Brasil e dizou libera o modelinho
[01:05:10] ali do chat e pt a 10 pila para o pessoal utilizar a gente pega todos os dados deles
[01:05:17] leva para esse escusão da Califórnia eles continuam treinando eles continuam
[01:05:22] fazendo coisa a gente vira um mercado extrator de dados e dois mercado consumidor deles e nada
[01:05:30] e eles não são responsáveis como tu falou por absolutamente nada se eu um guri de 15 anos
[01:05:37] ingressar ali um LLM disse é para ele se mata eles dizem pois é acontece tá ali ó né tá escrito
[01:05:44] embaixo a LLM pode cometer erros né que a mesma lógica que a gente já falou a respeito de
[01:05:51] rede social a não mas ele é todo mundo entra não tenho como fazer nada desculpa sendo que
[01:05:57] é uma exceção atrás da outra eu falei isso um tempo atrás quanto é isso de um direito
[01:06:03] autoral que a gente só tem que tomar cuidado porque se não é Cítizense United toda decisão
[01:06:07] que aparentemente é boa cai no cu dos mesmos né quando o pessoal chegou ah mas o clode então
[01:06:14] pegou um monte de livro pirateado e coisa que é absurdo vamos comprar calma que daqui a pouco
[01:06:19] que vai cair de livro pirateado eu vou me citar por causa que eu né é o abal não vai ser Antrop não
[01:06:28] vai ser os grandes mas saca pontinho a gente tá nessa situação também como estado e completa
[01:06:36] submissão eu tenho falado muito nessa comparação né que a disputa por um lado sobre soberania
[01:06:42] digital mas por outro lado acho que um conceito mais importante é hegemonia digital e eu já
[01:06:47] já vi algumas vezes mas esse é uma das frentes mais importantes porque a informação é a grande
[01:06:54] digamos assim riqueza né que a gente tem de ter informação é muito importante então a gente
[01:07:02] tem toda uma economia que é uma economia derivada da informação e da circulação de
[01:07:07] informação a mercadoria desses novos bilionários das big tax né é informação é o que eles
[01:07:14] Por que é de graça acessar o Facebook o grupo meta na tua companhia telefônica porque não é
[01:07:21] de graça meu amigo você tá dando a tua informação de contraparte a meta tá pagando
[01:07:26] pelo privilégio de você acessar de graça para deter a tua informação e você chamar
[01:07:30] o Facebook WhatsApp e o Instagram de internet enquanto você alimenta o algoritmo deles te
[01:07:37] contaram isso quando você assinou o contrato ah mas eu teria assinado igual mas você sabe
[01:07:42] o que vai acontecer com a tua informação tá Fabrício qual é a alternativa ser mais
[01:07:46] caro a alternativa é a gente precisa de lei antitrust a gente precisa de lei antimonipólio
[01:07:52] e a gente precisa dessas leis em nível global primeiro lugar e segundo lugar as pessoas
[01:07:56] precisam saber o que estão fazendo a internet passou e na realidade todas as nossas circunstâncias
[01:08:03] né passaram de circunstâncias ativas para circunstâncias passivas e eu quero
[01:08:08] dizer isso quando nós damos guris a gente tem que correr atrás da informação na internet
[01:08:13] era difícil agora a informação corre atrás de ti e ela corre atrás de ti de forma cotejada
[01:08:19] tem um algoritmo que tá cotejando a informação para ti tutelando a informação para ti e
[01:08:25] jogando para ti a informação que você quer o que ninguém está te contando é que estão
[01:08:30] pagando para você querer aquela informação e isso vai criando todos esses processos de
[01:08:36] conhecimento cognitivo nos quais a gente tá né que é de uma hora para outra tá todo mundo
[01:08:41] dentro de uma bolha com as mesmas coisas com os mesmos produtos com o cara eu gosto da Amazon
[01:08:46] entendi eu gosto da Amazon eu acho uma puta de uma conveniência do cacete mas tem que
[01:08:52] regulamentar uma loja não pode ter todo o poder que a Amazon tem só que eu como
[01:08:57] indivíduo a bocota o Amazon tá foda-se e precisaria exatamente do que não temos e
[01:09:03] o problema fica pós moderno né porque as soluções que nós temos para oferecer são
[01:09:09] soluções que não alcançam o problema a gente tem excelentes explicações eu acho
[01:09:13] que explicações marxianas como a gente trouxe hoje são excelentes para esse problema
[01:09:18] soluções marxianas nem tanto não porque elas não seriam interessantes mas porque
[01:09:22] eu não sei como é que a gente faz para efetivar elas né onde é que tá onde é que
[01:09:27] tá condição política material que possibilita isso na revolução a cara eu não sei se a
[01:09:32] solução que a gente vai ter hoje é essa aí que você tá pensando não né então
[01:09:35] tu tem uma tu tem uma dificuldade que prática muito forte né Gabriel Divã qual é a solução
[01:09:41] cara é talvez essa aí seja a grande pergunta e talvez essa aí seja a questão ápice da
[01:09:49] proposta de discussão que nós estamos tendo agora porque a maioria das soluções que eu
[01:09:54] vejo e que eu vejo pessoas imprimindo elas passam por essa coisa meio né é um negócio
[01:10:04] meio bravateiro assim né vamos boicotar cara vamos boicotar primeiro não sou contra tá mas eu
[01:10:13] gostei de avisar que ele é necessário ser massificado e ele é necessário ter impacto
[01:10:19] não adianta essa coisa de eu fiz minha parte aqui ó eu não compro mais a tal é tipo aquele
[01:10:25] papo assim caralho aí eu não entro mais na van tá velho não entra na van agora tem 738
[01:10:33] coisa aí que tu faz e aí sabe ó de minha parte aqui não compro mais o chocolate crê crê
[01:10:39] porque o dono é bolsonarista assim vai ficar todas as redes supermercados que tu vai tudo
[01:10:44] sabe esse é o tipo de coisa que eu acho que não rola né não rola sei lá se você se sente
[01:10:51] bem né beleza mas não rola no sentido de efeito nenhum assim é feito inclusive para postar
[01:10:58] na internet que você está ou não está fazendo quando a gente vai postar no algoritmo que o
[01:11:03] dono é o cara que tá coordenando de fato toda essa putaiada é que é mais ou menos
[01:11:08] que nem aquilo que eu digo né cara aquele livro por que você tem que apagar as redes
[01:11:13] mas agora eu só vejo gente postando nas redes sociais foto do livro e dizendo que né que achou
[01:11:20] máximo então é basicamente é basicamente só para isso que serve né aliás eu gostei de ver a
[01:11:26] minha mão exemplar desse livro um dia aí porque eu só vejo foto dele nas redes sociais eu
[01:11:31] não sei se não é um prompt que não mandou fazer a capa desse livro pra fazer enfim né
[01:11:35] enfim mas cara é isso pensar esse tipo de política ele tem que começar a ser pensado
[01:11:42] e a partir dessa questão pública da gente tem inclusive acessos no que diz respeito a pelo
[01:11:49] menos esses usos quando eles não são inteiramente privados né uma decisão tipo a do do citizens
[01:11:56] né nos estados unidos ela tá abrindo um leque muito grande para que a gente pense isso sobre
[01:12:02] outro ponto de vista sobre o ponto de vista de direito de expressão não do dono da empresa
[01:12:10] enquanto empresa e talvez o seu produto enquanto discurso né agora minimamente nessas questões de
[01:12:17] uso público aí nós temos que saber qual é o prompt minimamente nós temos que saber aberto
[01:12:24] quais os detalhes desse tipo de uso que esses serviços nos colocam né como o da claro por
[01:12:30] exemplo que foi dito aqui minimamente tem que ser esclarecido para as pessoas como
[01:12:35] sobre pena de anular e de poder se discutir muita coisa quanto ao uso indiscriminado de
[01:12:42] iá para essas tarefas aí que nós falamos agora pouco né agora esse tipo de saída não
[01:12:49] passa a meu ver por essa coisa do tipo assim olha aquele seu amigo lá fez um cartaz de iá
[01:12:56] pro negócio a esquina deles e que não vá mais lá não sei não vai adiantar nada cara
[01:13:03] não vai adiantar nada cara isso aí é um uso bem bem boomer inclusive da coisa né qual é a
[01:13:10] resposta qual é a polícia vai ver se eu soubesse né cara ela seria a plataforma da minha campanha
[01:13:15] o senado mas não é não teria financiadores inclusive ser uma campanha bem fajuta que
[01:13:20] não teria financiadores eu acho engraçado esse negócio do peguei uma iá aqui veja só
[01:13:25] como é uma bosta por causa que é tipo aquele diagrama lá do avião né quando tu pegou tu
[01:13:30] e os outros 60 que tu não pegou não viu não percebeu e achou que é humano passou tranquilo
[01:13:36] né então só vê o que não funciona Fabrício alguma colocação final a gente só conseguiu
[01:13:41] arranhar a superfície do negócio mas acho um belíssimo início de discussão até a gente
[01:13:47] falou de bastante coisa e bastante coisa importante nós precisamos na minha opinião de
[01:13:53] cinco coisas nós precisamos de regulamentações locais nós precisamos de regulamentações
[01:13:58] regionais e de regulamentações globais vinculadas com o processo daí sim internacional de antitrust
[01:14:09] anti-monopólio essas empresas precisam ser quebradas em pequenas empresas outra coisa
[01:14:15] nós precisamos constatar que essa informação é de todos a única forma que a gente constata
[01:14:20] que essa informação é de todos é não incorporando a inteligência artificial nas nossas
[01:14:26] aulas do ensino médio mas ensinando já no ensino médio o que que é uma inteligência
[01:14:32] artificial porque eu não conheço nenhum adolescente que não use redes e inteligências
[01:14:37] artificiais de forma profundamente passiva isso é muito problemático e isso está
[01:14:42] destreinando a nossa inteligência então a gente tem processos aqui que são processos
[01:14:46] para o futuro muito problemático se algo não for feito existem alternativas a gente está
[01:14:52] em algum lugar e tá vindo uma bolha por aí tá ficando muito claro que o grande trunfo
[01:14:57] da inteligência artificial é a pornografia esse é um outro programa que não é comigo mas tá
[01:15:03] ficando muito claro que o grande trunfo da inteligência artificial é a pornografia e agora
[01:15:08] como é que a gente vai ver quando começar a aparecer fotos de todo mundo pelado não como
[01:15:13] é que a gente faz quando a gente perder essa privacidade também porque é só uma caricatura
[01:15:17] então nós precisamos pensar nisso em como a gente vai construir um sistema capaz de dar conta
[01:15:24] disso eu tenho algumas ideias né a minha principal é essa regulamentação regulamentação
[01:15:29] regulamentação e daí educação né tem que ter o modelo de educação só que essas são
[01:15:34] políticas de longuíssimo prazo e o decisiónismo e o judicial é um bandage numa fratura
[01:15:41] exposta é melhor que nada mas você vai continuar morrendo e mais uma né quando tu
[01:15:46] é político falando de inteligência artificial dá vontade se dá um tiro na cabeça né
[01:15:51] eles não têm a menor ideia do que eles estão falando eles não sabem eles não precisam saber
[01:15:56] para ganhar o apoio lá é não o lobby tá lá né só preciso repetir o que tá na cartilhazinha
[01:16:01] que abriu de vão agora sim então vamos para nossas dicas culturais vamos né cara vamos
[01:16:07] porque é o assunto fica aberto em tantas frentes aí que ele segue ele segue em qualquer
[01:16:13] assunto aí não vira casacas mais próximo de você porque agora agora a gente sai por cima
[01:16:20] a gente deixa o mal estar instalado né e simplesmente sai né mentira né eu não
[01:16:26] acho que a gente tenha feito algo tão assim isento de respostas e de coisas eu acho que
[01:16:32] a gente se depara com uma situação onde só é possível mais perguntas e dúvidas mas cara tem
[01:16:38] muita coisa para pensar né no sentido de não estar respondido de uma forma bem digamos
[01:16:45] assim ortodoxa né mas no sentido de estar colocado muito debate muita frente debate
[01:16:51] diferenciada aqui mas a gente vai para as nossas dicas culturais a gente vai para aquele
[01:16:57] momento onde você recolhe o que você quiser né do debate inclusive os caquinhos né da sua
[01:17:04] personalidade e remonta eles a partir de uma série de coisas que a gente deixa para que você
[01:17:12] se divirta ou para que você se desgraça ainda mais essa é a função da dica cultural do
[01:17:17] vira casacas e é por isso que a gente abre aqui aquele momento para conversar sobre coisas
[01:17:22] que tem ou não tem a ver com o episódio tem ou não tem a ver com as temáticas e que pode
[01:17:28] servir para você aliviar pode servir para você ficar mais pensativo vale qualquer coisa de
[01:17:35] livro a peça de teatro passando por jogo de videogame música qualquer coisa que possa
[01:17:41] de certa maneira edificar quem está nos ouvindo aqui Felipe Abal dicas ou dica da
[01:17:49] semana e que nós temos duas dicas ligadas ao episódio cara primeira delas é o livro
[01:17:55] do tarcismo algorítmico do tarciso silva né que ele fala exatamente sobre essa questão de como
[01:18:01] o treinamento das ias ela vai refletir na questão de um viés algorítmico né e vai
[01:18:08] existir tanto relação à raça quanto a gênero quanto a tudo isso gostaria muito de falar
[01:18:13] inclusive com ele a respeito desse tópico especial o livro é oriundo da tese dele então
[01:18:19] assim é muito bacana e tem questão de regulamentação também segundo nisso que o
[01:18:24] Felipe estava falando a respeito de capitalismo e dados etc de tal a gente tem um livro que
[01:18:29] é essencial para começar o debate que é o da xuxa nas o bofe que se chama era do
[01:18:36] capitalismo de vigilância né que ela vai falar a respeito dessa questão do uso de dados como
[01:18:42] né uma moeda então que vai sendo dada para essas plataformas ela vai usar em especial o
[01:18:48] livro do google eu não vou botar nos links gabriel divan não vou mandar o link disso aqui
[01:18:56] que eu vou falar mas assim ó isso aqui é uma dica para ti e para o pontinho já mandei para
[01:19:00] vocês no nosso grupinho ali eu mandei tá e é eu acho um caso muito engraçado tem no spotify
[01:19:07] né no youtube tem tem uma produtora chamada girly girl productions que eles há um tempo
[01:19:14] logo no início de quando começaram a ser geradas músicas por ia eles começaram a
[01:19:19] lançar música né e como tem esse lance do o algoritmo pega as coisas que são mais
[01:19:26] chamativas eu acho interessantíssimo que eles têm uma música chamada tem drunk cigarettes né que
[01:19:33] ele diz basicamente que garotas não precisam de dos homens e não sei o que e daí tem
[01:19:38] o que é meio o que que as garotas querem ele diz assim um vape novo duas linhas de pó três
[01:19:46] drinks do bar mais quatro linhas de pó quatro batatas fritas seis baforadas no meu de maconha
[01:19:54] sete mais linhas de coca oito pares de sapatos 900 bb e 10 cigarros bêbados eu acho
[01:20:04] que saber que aí acha que isso que as garotas querem que é impressionante fica até meio
[01:20:13] difícil de dar minha dica né uma dica extremamente tradicional né cinema e cinema tradicional né
[01:20:21] num sentido tranquilamente não feito por iá aqui nesse ponto e eu vou dizer para vocês uma
[01:20:28] coisa que eu fugi desse filme durante um certo tempo eu manifestei sempre interesse em assisti-lo
[01:20:35] mas eu fugi um certo tempo que eu pensei assim cara isso aqui vai ser o nome o nome dele já
[01:20:42] indica o nome dele sugere uma coisa eu pensei isso aqui vai ser um dramalhão choradeira não
[01:20:48] sei se eu estou pra ver isso nesse momento mas de fato assistir e de fato ele entrega
[01:20:55] muito impressionante torna mais do que nunca complicada uma das nossas disputas aí que é a
[01:21:03] do óscar pelo filme estrangeiro mas cara torna complicada com todos os méritos cara eu assisti
[01:21:09] o valor sentimental meu que filmaço filmaço assim ó bom demais sóbrio assim no tom no tom
[01:21:18] perfeito para discussão que ele quer propor né tudo a ver assim ó é o tipo de coisa que
[01:21:25] a gente tem que ver com o valor sentimental e veia assim o cara pensa puta merda relação estragada
[01:21:34] pai e filha relação que tem a ver com toda uma questão do cara ser um gênio do estilo recluso
[01:21:42] sarcástico relação que tem a ver com um passado difícil e tudo mais que que vai vir aí cara
[01:21:50] é um filme muito bom filme muito original vem atuações muito muito sólidas ali muito mesmo
[01:21:59] vem um filme que é norueguês né mas que não não não tem aquele ranço do cara pensa nossa
[01:22:06] esse cinema que não não não cara assim ó poderia ser para você que tem certo preconceito
[01:22:11] poderia ser o filme mais americano possível e cara tem tem tantas coisas ali tem tantas
[01:22:17] eu achei muito interessante achei muito bacana mesmo repito os filmes internacionais né o que eu
[01:22:25] vi né eu não vou comentar agora eu não vou dar de dica agora eu eu até nem queria vir mas eu
[01:22:31] vi lado do cabeludo né o cabelo de despeitado né cara e também é o pior da safra mas assim
[01:22:41] a safra tá muito furiosa tá muito forte e véio eu achei assim eu só não achei eu não
[01:22:49] colocaria ele como o grande favorito né porque eu tenho a minha torcida e eu tenho o que eu
[01:22:54] acho que é o melhor né mas assim a safra tá muito muito poderosa mesmo eu vou puxar aqui
[01:23:01] então vou fazer um jabazinho que eu não ganho nada por isso aí também eu falei lá no blues
[01:23:06] aí mas vou falar pro pessoal se você acompanha o Oscar se você gosta de assistir o Oscar eu
[01:23:12] fiz um aplicativozinho aplicativozinho não um sitezinho chamado Oscar 2026 eu vou botar o
[01:23:17] link ele é Oscar 2026 checklist.netlify.app vai tá o linkzinho ali para vocês que tu pode
[01:23:25] marcar quais filmes você viu quais você acha que ganha e quais você queria que ganhasse então
[01:23:30] se você é dessas pessoas que nem eu que gosta de assistir o Oscar acompanha ali né é
[01:23:35] o que a gente tem que fazer para abrir esse pontinho. Minha dica é bem rápida dois livros mas mais um
[01:23:40] um livro bem antigo na realidade do Humberto Eko de 72 se chama viagem na irrealidade contemporânea
[01:23:47] ele fala muito sobre como a linguagem postula a realidade e postula também a irrealidade né
[01:23:54] essa coisa do autêntico que também está num outro livro dele chamado estrutura ausente eu
[01:23:59] tenho um autor que tem voltado muito e tem sido vingado nesses últimos tempos é o Eko muito
[01:24:07] tudo que eu coloquei aqui inclusive são coisas do Eko que eu tenho voltado muito para ele
[01:24:12] nesse momento então as minhas dicas culturais seriam esses dois textos que trabalham muito
[01:24:17] com a produção do texto e eu acho que nós temos que prestar atenção em como a inteligência
[01:24:22] artificial está produzindo o texto e ao produzir texto produz realidade e ao produzir
[01:24:28] realidade produz a hegemonia eu acho que essa relação é uma relação muito importante da
[01:24:33] gente compreender para compreender por que que informação é essa grande moeda contemporânea
[01:24:39] na qual a gente está navegando e eu acho que voltar para o Eko nunca faz mal sempre faz bem
[01:24:44] voltar para o Eko. Muito bom Fabrício Pontinho muito obrigado por ter voltado ao virar casacas.
[01:24:49] Excelente gente foi um prazer. Agora é a hora que tu diz foi um prazer. Excelente gente foi um prazer sempre
[01:24:56] estou muito feliz eu acho que foi um episódio muito bacana estou bem animado quero muito
[01:24:59] ouvir o pessoal depois reagindo. Gabriel D’Van vamos dar uns vivas? Vamos para os vivas né porque
[01:25:04] depois do episódio aqui agora a gente começa a entrar em modo aterrissagem.
[01:25:09] Life moves pretty fast. You don’t stop and look around once in a while. You could miss it.
[01:25:15] Muito bem Gabriel D’Van ficou massa eu falei lá no início que tinha ficado massa ficou massa.
[01:25:20] Você fez o ponto futuro. Isso eu já sabia né eu já sabia. Nós agora estamos aqui para dar salves
[01:25:27] para dar vivas eu tenho dois longos um longo e um não tão longo assim mas eu tenho um longo
[01:25:34] salve não sei se eu começo tu quer começar? Começa eu tenho eu tenho um médio. Tá eu vou
[01:25:39] olha só a Rafaela nos mandou uma mensagem lá no Instagram ela diz o seguinte. Sou a Rafaela
[01:25:45] quero aproveitar o programa do Fischer para mandar um salve para vocês e para minha amiga
[01:25:48] Fânica. Apresentei o Vira para ela antes da pandemia e por coincidência poucos dias antes
[01:25:54] do episódio do Vira sair estava indicando leitura de Fischer para ela que comentou dos programas
[01:26:00] antigos que vocês fizeram mal sabíamos que poucos dias depois viria mais um episódio olha
[01:26:06] ali ó a gente está em está conectado com os ouvintes. E aí vem uma coisa importante
[01:26:13] Gabriel D’Van aproveitando também para indicar o gatil que é o trabalho como voluntário
[01:26:18] de janeiro em Vila Isabel gatos de Francisca é a arroba gatos de Francisca no Instagram em que
[01:26:26] cuidamos de centenas de gatinhos e infelizmente muitos maltratados das formas mais cruéis que
[01:26:32] possam imaginar sempre estamos com as contas no vermelho com gatinhos internados e outros
[01:26:38] em estadias agora eu vou fazer um parêntese aqui galera se mobiliza muito foi horrível todo
[01:26:43] o resto do cachorro a orelha a ajuda em esses lugares que faz um trabalho massa cara não adianta
[01:26:49] também ficar né sempre o mesmo troço Gabriel pessoal esperneia na rede social daí ao invés
[01:26:54] de adotar um gatinho vai lá e compra um gato por três mil reais ou pega e diz aí é bonito
[01:26:59] e quando não ajuda tem que ajudar mas volta fechando com uma nota mais positiva um salve
[01:27:06] para meu gatinho King que eu adotei no gato de Francisca e como conheci o projeto um gatinho
[01:27:12] que por isso sempre tem menos chance de adotar né então tem fotinho ele tem um perfil próprio
[01:27:19] no Instagram arroba King mãozinha é então que ó ficam salve para a Mônica ficam salve para
[01:27:26] Rafaela e apoiem esses projetos arroba gatos de Francisca Gabriel de van cara isso é muito
[01:27:32] importante dizer porque porque é uma contraparte daquilo que a gente sempre pede né tudo bem
[01:27:38] tudo bem né a gente sabe que o ódio engaja a gente sabe que a indignação ela é uma força
[01:27:43] motriz muito grande agora você tem que fazer um filtro ali entre o que você quer meio que berrar
[01:27:50] sabe aquela aquela coisa assim da pessoa sai do escritório vai para sacada dá um berro e
[01:27:55] volta né então às vezes a internet é isso agora tem vez que você passa o tempo todo
[01:28:01] fazendo propaganda e aí não existe propaganda boa mal você faz propaganda para coisas ruins
[01:28:06] então assim ó no caso por exemplo que aconteceu com o cão orelha a indignação é muito válida a
[01:28:12] indignação ela é ela é eu diria que ela é essencial numa coisa como essa agora é preciso
[01:28:17] dessa contrapartida ou seja tem lugares que cuidam bem dos cachorrinhos dos gatos os outros
[01:28:22] bichos tem lugares que dão tratamento que procuram lares que fazem assistência médica para
[01:28:27] esses bichinhos vamos divulgar essas coisas também ao invés de ficar o dia inteiro assim ó
[01:28:31] eu achei o nome da irmã da ex ficante do filho da puta que foi um dos garotos aqui
[01:28:36] assim que cara isso é produtivo e lá pelas tantas tem que pensar isso é produtivo não é mais
[01:28:41] produtivo você divulgar aí né esse tipo de lar de iniciativa e tudo mais então vamos pensar
[01:28:46] com isso né vamos pensar com o amor também a Felipe só tem uma coisa que é capaz de vencer
[01:28:52] o ódio é o amor ah não cara todo bad bunny das ideias a gente já passou disso aí cara não
[01:29:00] nós vai dar um salve com amor não salve viva viva ó eu vou dizer uma coisa sabe que eu sou um
[01:29:07] cara que eu gosto de acompanhar o basquete dos estados unidos né e é uma coisa meio ingrata
[01:29:13] você acompanhar isso aí porque assim o fuso horário é complicado né tu vai pegar o fuso
[01:29:17] horário de los angeles por exemplo cara é uma quarta-feira no meio da semana e aí o jogo
[01:29:22] começa a meia-noite pouco não tem condições né cara não tem o trabalhador não tem
[01:29:26] é complicado então eu conto com a ajuda de reprises contas né nas redes sociais e
[01:29:33] principalmente de podcast tal que me deixam sempre atualizar e tudo mais dois deles novo
[01:29:38] bola presa não bola presa mas eu quero falar de um outro agora que é o café Belgrado porque
[01:29:44] o bola preso e o Belgradão me deixam atualizado aí esses dias eu fiz uma brincadeira
[01:29:49] aqui né e eu citei o negócio do pix lá do café Belgrado aí eu tava correndo no parque
[01:29:55] e eu baixei um episódio do Belgradão para ouvir as últimas da trade line né eu tô correndo lá
[01:30:01] pela quarta volta na pista vem um ouvinte dizendo assim queria aproveitar que eu ouvi o Gabriel
[01:30:07] no vira casacas falando isso isso aqui ele queria dizer isso aqui aí né ou a dupla dinâmica lá
[01:30:13] do Belgradão né que é o Guilherme Tadeu o Gibas e o Lucas Nepomuceno o Nepopop eles
[01:30:20] vira casaco se especulando pô mas é é sobre política né que eles falam qual será a onda
[01:30:25] deles ó eu vi que tem aqui o tanguí bagraje será que o tanguí é do vira ele é de casa né mas
[01:30:31] ele não é do podcast mas ele volta e meta aqui e aí eles ficaram falando não vamos investigar aqui
[01:30:36] por resta o lance foi justamente esse né eu lembrei que a gente tem o nosso pix também eles
[01:30:41] têm várias modalidades de pix ou a bala a gente podia instituir algumas delas também eles
[01:30:45] são uma paixão por exemplo que você manda o pix manda um recadinho para alguém e a gente lê
[01:30:50] no ar e tal ideias boa eu acho que dá para copiar ideias boas né enfim enfim queria mandar
[01:30:57] então abraço né para o para o Lucas e o Guilherme né dizer que eu sou fã do café Belgrado e queria
[01:31:03] dizer que eles podem ouvir o vira casacas aí com tranquilidade Felipe porque quando o
[01:31:07] cara ouvir muito podcast o cara vai sacando né quem as pessoas que elas acham e tudo mais
[01:31:13] eu tenho plena certeza que eles vão gostar estão do nosso lado tá o que é muito bom então
[01:31:18] excelente queria deixar registrado e você que gosta de basquete aí né uma grande opção aí
[01:31:22] para acompanhar né não só a basquete eles têm umas variedades de temas bem interessantes ali
[01:31:27] então se vocês quiserem explicar pro pessoal do Belgrado lá por que que foi a menção dá
[01:31:31] para eles não ficarem perdidos que nem segue tiroteio né pode explicar e deixa um abraço aí
[01:31:36] podcast é isso os podcasts têm que se ajudar né mais ou menos isso aí cara eu vou mandar um
[01:31:42] e-mail aqui para Maria que mandou o e-mail para gente no seguinte boa noite a bala falou
[01:31:47] direto comigo então tá eu vou ali eu vou tomar água então isso tô aproveitando aqui que você
[01:31:52] lembrou do apoio no blue sky praticar essa pendência semanas falo para mim mesmo que
[01:31:56] preciso apoiar urgente mas é sempre contou no carro em lavagem de louça hoje foi mas
[01:32:03] vim mandar o e-mail porque além do pix recorrente eu tinha outra pendência séria se arrastando
[01:32:07] a meses precisava muito de agradecer pela recomendação de Dairy Girls não teria visto
[01:32:12] ou tivesse ouvido você recomendar fora isso fico agradecimento também pela parte mais séria
[01:32:17] do trabalho de vocês grande abraço Maria cara eu fico muito feliz quando as pessoas curtem
[01:32:23] as dicas culturais velho fico muito feliz eu fico feliz quando as pessoas elas reprisam
[01:32:28] brincadeiras e coisas que estão na fase das dicas culturais e no final do programa no
[01:32:33] salves porque é sinal que elas ouve até o fim não é modinha né não é a cara que
[01:32:39] o single consagrado não não não assim como eu fico triste que novamente Gabriel de van
[01:32:44] acontece uma coisa lá dos nossos primórdios que a gente botando em algumas plataformas tipo
[01:32:48] o programa começa aos 6 minutos e 82 segundos a velho vocês ainda tão nessa cara a gente
[01:32:56] não sabe vai se tem uma publicina no início cara ouve dá essa força assim sabe a gente
[01:33:02] não pede muito porque chegar ali dizer vamos pular que essa parte que não interessa
[01:33:07] e porra que saco cara eu ouvi qualquer podcast gringo velho qualquer podcast gringo tá com
[01:33:13] cinco propaganda no meio do episódio sabe ou tu paga vinte dólares por mês ou tu vai
[01:33:19] ouvir em cinco propaganda e daí a gente tem um negocinho no início ali não vou pular porque
[01:33:23] meu tempo é muito valeu mas é tudo é o podcast sei lá eu fico pensando nesse Spotify
[01:33:30] qualquer dia vai o cara vai botar para tocar o shine on e o crazy diamond e aí alguém
[01:33:35] vai botar assim a música começa mesmo aos cinco minutos e dois até lá é enrolação porra mas
[01:33:42] enfim né então mas é o meu coração está com a maria pense nisso a frase de guitarra do início
[01:33:47] lá que o Gilmore fica reprisando por uns dez minutos aqui a pensa na música sem aquilo pensa
[01:33:51] tá é isso né não no mais né no mais é aquele salve para quem ouviu até aqui para quem
[01:33:58] participa de todo o nosso banquete né para quem não vai embora no meio do prato principal
[01:34:04] e agora fica por cafezinho fica para sobremesa e muito obrigado muito obrigado por estar ouvindo
[01:34:08] isso aqui muito obrigado por inclusive né chegar ao ponto em que a gente tem que repetir que
[01:34:14] nós somos homens normais né esse tipo de coisa vamos inocentes esse tipo de coisa isso aí
[01:34:18] tchau galerinha bom resto de carnaval porque amanhã precisamente amanhã é quarta de
[01:34:25] e aí volta a vida normal né o que é muito triste