A ciência do invisível e o futuro da IA - com Ado Jório


Resumo

O episódio encerra a temporada do podcast Área com uma conversa com o físico Ado Jório de Vasconcelos sobre o “universo nano”: a escala do nanômetro e como a nanotecnologia — a manipulação da matéria em nível atômico e molecular — está presente em praticamente tudo, dos processos biológicos às propriedades de materiais e à base tecnológica de semicondutores e dispositivos eletrônicos. Ado também conta como a música o levou à física: ao buscar pesquisa em acústica durante a graduação em engenharia, encontrou na iniciação científica um modo de pensar que o reorientou para a física.

O centro da entrevista é o nanoscópio, um instrumento óptico de altíssima resolução capaz de observar estruturas na escala nanométrica usando luz — evitando a destruição de amostras associada ao microscópio eletrônico. Ado explica o princípio físico por trás do salto de resolução e destaca a relevância de o desenvolvimento robusto ter sido liderado no Brasil, culminando em transferência de tecnologia para uma spin-off que exporta equipamentos. Na segunda parte, ele discute ciência no Brasil, financiamento e competitividade, a criatividade do pesquisador brasileiro diante de limitações e os impactos ainda “em aberto” da inteligência artificial, incluindo a concentração de tecnologia em Big Techs e como o avanço computacional levou os LLMs ao cotidiano. Por fim, fala sobre o que move a curiosidade científica — do desconhecido em física fundamental à interface com biologia, visão, Alzheimer e questões sobre consciência e humanidade.


Anotações

  • 00:07:30 — Forças interatômicas e propriedades dos materiais Tudo ao redor — da digestão aos semicondutores e computadores — é regido pelas forças entre átomos e moléculas. A nanotecnologia busca controlar essas interações no nível molecular e atômico.
  • 00:19:30 — Brasil perdeu velocidade científica na última década Ado Jório observa que, nos últimos 10 anos, o Brasil tem evoluído mais lentamente do que deveria em ciência e tecnologia. Ele ressalta que essa percepção é compartilhada por colegas, porque o ambiente científico é naturalmente universalizado.
  • 00:20:00 — Importação demora 6 meses: desvantagem estrutural No Brasil, quase tudo o que se precisa para fazer ciência é importado, e uma importação pode levar seis meses. Em países como EUA e Europa, muitas vezes basta “pegar o telefone” e comprar, o que cria uma desvantagem competitiva brutal.
  • 00:20:45 — Criatividade brasileira como resposta à escassez O estudante e o pesquisador brasileiros são vistos no mundo como muito criativos e capazes de “se virar” diante da falta de recursos. Mas, na corrida da IA, competir com infraestrutura e equipamentos muito superiores torna difícil avançar apenas com talento.
  • 00:21:10 — Big Techs vs. universidades no controle da IA O acesso das universidades brasileiras à infraestrutura para testar e desenvolver sistemas de IA é muito menor do que o das Big Techs e de muitas universidades no exterior. Isso evidencia uma discrepância crescente entre o que a academia pode fazer e o que empresas privadas conseguem executar.
  • 00:21:40 — Tecnologia nas mãos de empresas, não da humanidade Para Ado, o problema central é que a tecnologia está cada vez mais concentrada nas Big Techs, e não em instituições públicas. A universidade “pertence à humanidade”, enquanto as empresas pertencem aos seus donos, o que muda a direção e os incentivos do desenvolvimento tecnológico.
  • 00:22:20 — Impacto da IA não está definido — analogia do jet ski Ele compara o momento atual a uma corrida em que todo mundo pulou na água sem saber onde fica a terra. Há quem tenha jet ski e quem ainda esteja colocando a touca, mas o ponto de chegada — e para que lado nadar — ainda não está definido.
  • 00:23:30 — IA na física: análise de dados já existe há muito tempo A base do que hoje se chama IA — tratamento de dados e aprendizado — já é usada há décadas na física para análise de dados. O que mudou foi a capacidade computacional, que tornou viáveis tarefas que antes demoravam tempo demais para valer a pena.
  • 00:23:41 — O salto dos LLMs: da ciência para o homem comum O grande salto recente veio com os large language models, por trás do ChatGPT e de ferramentas similares. A IA saiu do ambiente científico e passou a fazer parte do dia a dia de estudantes, advogados e trabalhadores em geral.
  • 00:24:30 — Calculadora que demora um dia: analogia da velocidade computacional Se uma calculadora levasse um dia para responder “4 + 4”, ninguém usaria — contaria nos dedos. Do mesmo modo, foi a aceleração do poder computacional que tornou a IA prática e marcou o ponto de virada para o público geral.
  • 00:25:20 — O que faz o coração do pesquisador acelerar A principal motivação é se deparar com o desconhecido e compreendê-lo de um jeito inesperado. No caso da física, isso aparece nas questões metafísicas mais fundamentais sobre espaço e tempo.
  • 00:26:19 — Do acidente de laser ao Alzheimer e à consciência artificial Um acidente com laser no olho levou Ado a estudar óptica e visão, e esse caminho o conectou a pesquisas sobre Alzheimer e o cérebro. Ele vê, no horizonte, a possibilidade de uma IA que se aproxime do que o cérebro faz — e até da ideia de consciência, evocando o filme “A.I.” do Spielberg.

Indicações

Filmes / Series


Linha do Tempo

  • [00:00] — Abertura: o mundo do “muito pequeno”
  • [00:07] — Régua, milímetro e a ideia de escala
  • [00:16] — Definição intuitiva de nanômetro
  • [00:25] — “Coisas incríveis” acontecem nessa escala
  • [00:30] — Apresentação do convidado e da nanotecnologia
  • [01:12] — O nanoscópio e a capa na Nature
  • [01:39] — INL em Portugal e colaboração global
  • [02:01] — Contexto da temporada: IA e o mundo
  • [02:20] — Início da entrevista: currículo vasto, gancho musical
  • [03:17] — Rock progressivo e a dúvida de carreira
  • [03:44] — Da engenharia elétrica à física via acústica
  • [04:59] — Ondas como elo entre física e música
  • [05:49] — Nanotecnologia no cotidiano: o “problema semântico”
  • [06:52] — Propriedades dos materiais e a base dos semicondutores
  • [07:35] — Integração entre física, química e biologia
  • [08:05] — O “brilho nos olhos” ao ouvir sobre o nanoscópio
  • [08:41] — Microscópio vs. nanoscópio: um salto de resolução
  • [09:41] — Limite do microscópio eletrônico: ver e destruir
  • [10:01] — Ver átomos com luz: a virada do nanoscópio
  • [10:20] — Ciência feita no Brasil e maturidade do ecossistema
  • [11:19] — Do laboratório ao mercado: spin-off e exportação
  • [12:14] — Analogia do lápis: por que a luz “não enxerga” moléculas
  • [13:03] — Nanoantena: “apontar” a luz para ganhar detalhe
  • [13:41] — Potencial transversal e exemplo com grafeno
  • [14:29] — INL como microcosmo cultural de 34 nacionalidades
  • [15:29] — Ponte para o próximo bloco: IA e “jeito brasileiro” de fazer ciência
  • [16:41] — Ciência no Brasil: fruto de 50 anos e perda de velocidade recente
  • [19:12] — Criatividade como resposta à escassez e à burocracia de importação
  • [20:26] — IA e desigualdade de recursos: universidades vs. Big Techs
  • [21:29] — Metáfora do barco: corrida da IA sem linha de chegada
  • [21:56] — O nanoscópio como lição: tecnologia “definidora” pode surgir de quem veio depois
  • [22:59] — IA como evolução de análise de dados, impulsionada por computação
  • [23:49] — LLMs e a virada para o “homem comum”
  • [24:29] — O que faz o coração acelerar: do espaço-tempo ao desconhecido
  • [25:26] — Acidente no olho, visão, Alzheimer e consciência em IA
  • [26:13] — Referência a “A.I.” de Spielberg: humanidade em perspectiva
  • [27:19] — Encerramento da entrevista: divulgar ciência é parte do fazer ciência
  • [27:54] — Fechamento da temporada e convite para acompanhar

Dados do Episódio

  • Podcast: Area Podcast
  • Autor: Instituto Kunumi
  • Categoria: Technology / Science / Education
  • Publicado: 2026-02-10
  • Duração: 0h29m

Referências


Dados do Podcast

  • Nome: Area Podcast
  • Tipo: episodic
  • Site: http://kunumi.com
  • UUID: 7f7fd960-9802-0136-7b93-27f978dac4db

Transcrição

[00:00:00] O episódio de hoje vai falar sobre coisas pequenas, mas muito pequenas mesmo.

[00:00:07] Pra te ajudar a imaginar a dimensão do que eu tô falando, pega uma régua.

[00:00:13] Ela é dividida em centímetros e milímetros.

[00:00:16] Agora imagina dividir cada milímetro em 1 milhão de partes iguais.

[00:00:22] Essa unidade de medida se chama nanômetro.

[00:00:25] E mesmo que você nunca tenha parado pra pensar nisso, coisas incríveis acontecem

[00:00:29] nessa escala.

[00:00:30] O meu convidado do episódio de encerramento da temporada do área pesquisa justamente

[00:00:36] esse universo.

[00:00:38] Ele trabalha com nanotecnologia, que é a ciência de manipular a matéria em escala

[00:00:43] nanométrica, do tamanho de átomos ou moléculas.

[00:00:47] O nome do meu entrevistado é Ado Jório de Vasconcelos, um dos cientistas brasileiros

[00:00:53] mais renomados do século XXI.

[00:00:56] O Ado é físico, formado pelo FMG, e o trabalho dele ajuda a abrir caminhos para inovações

[00:01:02] tecnológicas como dispositivos eletrônicos mais eficientes, sensores mais precisos

[00:01:07] e aplicações em várias áreas da ciência.

[00:01:12] Um dos marcos na trajetória acadêmica do Ado foi a contribuição para o desenvolvimento

[00:01:16] do nanoscópio, um dispositivo de altíssima resolução que permite visualizar objetos

[00:01:22] em escala nanométrica.

[00:01:25] Esse trabalho rendeu uma capa na prestigiada revista científica Nature, e é revolucionário

[00:01:31] porque tem impacto em áreas que vão do diagnóstico em saúde ao avanço em tecnologias

[00:01:36] e materiais que sustentam a inteligência artificial.

[00:01:39] Hoje, o Ado é diretor-geral adjunto no Instituto Internacional Ibérico de Nanotecnologia,

[00:01:46] que fica na cidade de Braga, em Portugal.

[00:01:49] Lyle colabora com cientistas de dezenas de países.

[00:01:55] Eu sou Filipe Foratini e esse é o Área, um podcast do Instituto Konome produzido pelo

[00:01:59] estúdio Novelo.

[00:02:01] Nessa temporada, a gente tenta entender o que a inteligência artificial está fazendo

[00:02:05] com o nosso mundo e com a gente.

[00:02:08] Bora para a entrevista com o Ado.

[00:02:20] Professor Ado Jório, bem-vindo ao Área.

[00:02:22] É um prazer te ter aqui, a gente poder bater um papo.

[00:02:25] O seu histórico como cientista, professor, é muito vasto.

[00:02:31] Confesso que se eu começar a ler que agora a gente vai gastar uns quatro ou cinco minutos

[00:02:35] lendo o resumo do seu currículo, mas eu queria começar com uma coisa bem específica

[00:02:40] que quando a gente pesquisa um pouco sobre vocês, sempre aparece, que é a sua paixão

[00:02:44] por música.

[00:02:45] Então, na época da graduação, você deve ter um professor que gostava muito

[00:02:48] de música e esse encontro mudou seu destino dentro da academia.

[00:02:53] Queria que você contasse um pouquinho para a gente.

[00:02:55] Essa história é muito significativa mesmo, muito interessante.

[00:02:58] Eu até te digo que é muito comum nas áreas científicas e acho até que mais

[00:03:05] nas áreas exatas, matemática, física, que os pesquisadores tenham envolvimento

[00:03:12] com música.

[00:03:13] Mas no meu caso específico, a coisa foi ao contrário, vamos dizer assim.

[00:03:17] Eu, quando novo, desde os 14 anos de idade, que eu tinha uma banda de rock,

[00:03:22] eu gostava de rock progressivo, tocava teclado, teve aquele sonho,

[00:03:26] será que essa é a minha carreira?

[00:03:28] Eu tenho muito orgulho que tem uma foto da banda que eu tinha do lado da banda

[00:03:32] do Patufú.

[00:03:33] O Patufú estourou, depois virou uma coisa fantástica, uma coisa fenomenal,

[00:03:37] mas não foi o meu caminho.

[00:03:39] Eu até hoje toco muito, mas é o famoso cantor de banheiro, eu só toco sozinho.

[00:03:44] Mas quando eu entro na universidade, eu entro na universidade para cursar

[00:03:47] Engenharia Elétrica, muito orientado para quem gosta de física,

[00:03:53] essa é uma área que tem mercado de trabalho, etc.

[00:03:57] Só que cursando o curso de Engenharia na universidade, o que me interessava

[00:04:01] de fato era música, eu gostava de tocar encalorada, tocava shows,

[00:04:05] eu queria estudar alguma coisa, queria fazer um projeto de pesquisa,

[00:04:08] e como gostava de música, queria fazer na área de acústica.

[00:04:11] E fui informado que na física tinha um professor que estudava acústica.

[00:04:15] Então eu procurei ele, perguntei se ele gostaria de me orientar,

[00:04:19] ele também tocava música, um grande violonista,

[00:04:22] também tinha uma banda na época, e eu começo a trabalhar com ele

[00:04:25] no chamado Iniciação Científica, que é um projeto da universidade

[00:04:29] que os jovens se engajam em projetos científicos.

[00:04:32] Eu começo a trabalhar com ele e entendo que o modo da física

[00:04:37] de olhar para os problemas é muito diferenciado da engenharia,

[00:04:40] gosto muito disso, e acabo pedindo reubição para a física.

[00:04:44] Então foi por isso que a música acabou me reorientando,

[00:04:47] me levando para a física através da acústica.

[00:04:50] Maravilha, e tem muito a ver, né? Física, engenharia, acústica, música,

[00:04:56] tem uma conexão forte aí esses quatro elementos.

[00:04:59] Tem, de diversas formas diferentes, viu, Filipe?

[00:05:03] Porque assim, se você for pensar puramente na física,

[00:05:07] quase tudo em física pode ser descrito como ondas.

[00:05:11] Então as ondas podem ser ondas acústicas,

[00:05:15] podem ser ondas de luz, que é o que hoje eu trabalho muito,

[00:05:20] e podem ser até as ondas da teoria das cordas,

[00:05:22] que é a teoria mais avançada que existe em física, né?

[00:05:26] De outro lado, quando você pensa na música, na engenharia,

[00:05:31] na física, isso tudo é instrumentalizar a humanidade,

[00:05:36] a sociedade, para criar as maravilhas que a gente cria,

[00:05:39] que a gente vê da arte, a engenharia, a tecnologia.

[00:05:44] E aí a gente vai um pouco para a sua pesquisa,

[00:05:46] e aí a gente entra num universo amplo.

[00:05:49] Vou começar falando um pouco sobre nanotecnologia e materiais.

[00:05:53] Como é que você vê isso tocando a vida das pessoas,

[00:05:56] o cotidiano das pessoas,

[00:05:57] quando você pensa em nanotecnologia e centros materiais?

[00:06:00] São expressões que às vezes parecem muito distantes da nossa vida,

[00:06:04] mas com certeza não é.

[00:06:05] Como é que você vê isso no nosso dia a dia?

[00:06:07] Essas coisas estão tão presentes no nosso dia, na nossa vida o tempo inteiro,

[00:06:12] que acaba se tornando um problema semântico, sabe?

[00:06:15] De como que a gente separa uma coisa de outra.

[00:06:17] Pensa o seguinte, nanotecnologia,

[00:06:19] esse prefixo nano, ele está nos dando a informação de um tamanho, né?

[00:06:24] De forma técnica é 10 elevado a menos 9,

[00:06:28] mas o que isso significa é que você está falando

[00:06:32] de coisas do tamanho de moléculas.

[00:06:35] E tudo o que acontece desde a hora que você come,

[00:06:39] todos os processos biológicos,

[00:06:41] tudo o que acontece nos materiais que estão à nossa volta,

[00:06:45] tudo isso é regido pelas forças interatômicas,

[00:06:50] pelas forças entre moléculas.

[00:06:52] Então assim, as propriedades, né?

[00:06:54] Por que uma água é diferente do gelo?

[00:06:56] O que acontece quando você se alimenta e digere que está comendo?

[00:07:01] O que acontece quando a gente faz uma pesquisa específica de um novo material

[00:07:07] e consegue modular a propriedade de condução elétrica deste material,

[00:07:13] que está por trás da tecnologia de semicondutores,

[00:07:15] que está por trás dessa tecnologia de computadores?

[00:07:18] Então absolutamente tudo com que a gente lida

[00:07:22] está relacionado ao controle das propriedades de materiais.

[00:07:26] Estamos hoje nessa escala de controle nanométrico,

[00:07:29] daí vem a nanossciência, a nanotecnologia, que é o controle molecular atômico.

[00:07:35] E isso se mistura, de certa forma, com a química, se mistura com a biologia.

[00:07:41] Não é mais só física, eu digo assim, não é mais só física porque é o meu ramo.

[00:07:45] Mas o conhecimento vai ficando cada vez mais integrado.

[00:07:50] E aí acho que é uma coisa que você já explicou diversas vezes,

[00:07:55] mas eu confesso que eu ouvi falar sobre isso

[00:07:58] exatamente através do trabalho do Instituto,

[00:08:01] conversando com um aluno em Fortaleza, e aí ele me falou sobre o nanoscópio.

[00:08:05] E ele me falou sobre o nanoscópio com o olho brilhando de uma forma que tinha muito tempo que eu não via.

[00:08:10] Eu fiquei louco para saber o que era, comecei a pesquisar e aí trombei com você de novo.

[00:08:14] Então eu queria que você contasse para a gente o que é o nanoscópio,

[00:08:17] esse trabalho inclusive rendeu uma capa da revista Nature,

[00:08:20] mas é algo que está em uso hoje,

[00:08:22] então eu queria que você falasse um pouquinho o que ele é e o que ele tem de revolucionário.

[00:08:27] Eu diria que tem duas coisas importantes,

[00:08:29] uma é uma importância universal para ciência, para tecnologia,

[00:08:34] e outra é a importância deste evento ter acontecido com a gente no Brasil, no país.

[00:08:41] Então o primeiro é o seguinte, o que é o nanoscópio?

[00:08:44] Todo mundo sabe o que é um microscópio.

[00:08:46] Aí de novo voltando ao prefixo micro,

[00:08:48] microscópio é a capacidade de você ver na escala dos microns que é 10 a menos 6.

[00:08:56] Aí você não está na escala de molécula, você está na escala de uma célula.

[00:08:59] Então o microscópio possibilitou o advento da microbiologia,

[00:09:05] ele possibilitou muita coisa porque ampliou a nossa capacidade de ver mil vezes.

[00:09:11] O nanoscópio é um salto equivalente a esse,

[00:09:15] ele é capaz de ver mil vezes maior resolução que um microscópio.

[00:09:20] Então o avanço que o microscópio gerou em relação ao nosso olho,

[00:09:23] o nanoscópio gera em relação ao microscópio.

[00:09:27] Já existia alguma técnica que possibilitava ver moléculas, ver átomos?

[00:09:34] Já existia, inclusive a nanossciência, a nanotecnologia,

[00:09:37] ela começa muito com o advento do microscópio eletrônico.

[00:09:41] O problema é que o microscópio eletrônico,

[00:09:43] ele em vez de usar luz, ele usa elétrons para ver as coisas,

[00:09:48] e os elétrons são partículas muito energéticas, eles destroem o que ele vê.

[00:09:53] Você não pode usar um microscópio eletrônico para fazer um exame clínico,

[00:09:56] para ver minimamente um material que você não quer que ele seja destruído.

[00:10:01] Então quando a gente inventa, quando a gente desenvolve um instrumento

[00:10:05] que é capaz de acessar, de ver moléculas e átomos usando não elétrons, mas luz,

[00:10:13] a gente habilita a nossa tecnologia a fazer uma coisa que a gente não conseguia fazer antes.

[00:10:20] E o segundo aspecto, é muito legal isso acontecer no Brasil,

[00:10:24] e foi um processo que de forma muito curta, ele só foi possível por causa de um amadurecimento

[00:10:31] significativo do ecossistema brasileiro de ciência e tecnologia.

[00:10:34] É importante dizer também que essa não foi uma busca única do laboratório nosso,

[00:10:40] tinha muita gente no mundo inteiro trabalhando nisso,

[00:10:43] e os primeiros indícios de uma ferramenta que chegou,

[00:10:47] o equipamento que a gente chegou, foi publicado no ano 2000 por três grupos,

[00:10:54] um grupo japonês, um grupo alemão e um grupo suíço.

[00:10:56] Nessa época eu nem trabalhava nessa área.

[00:10:59] O que eu começo a fazer de 2003 até 2005 em diante é entender o que esses grupos fizeram,

[00:11:08] que ainda era uma tecnologia muito rudimentar, e começar a trabalhar em cima,

[00:11:13] para chegar num equipamento robusto que é o que a gente tem hoje,

[00:11:16] e que nem o suíço, nem o japonês, nem o alemão tem.

[00:11:19] Para você ter ideia disso, várias empresas,

[00:11:23] empresa britânica, russa, e a última, uma grande empresa japonesa,

[00:11:29] chegaram a lançar no mercado nanoscópios,

[00:11:33] com base no conhecimento gerado por nós, pelos suíços, pelos alemães, etc.

[00:11:39] Todos eles estão tirando o seu equipamento no mercado,

[00:11:42] porque o equipamento deles não funciona, porque o equipamento deles não é bom,

[00:11:45] e o equipamento que a gente desenvolveu foi transferido para uma spin-off,

[00:11:49] uma empresa de base tecnológica nascente com ex-alunos da UFMG.

[00:11:54] Essa empresa está no mercado e está exportando para a Alemanha,

[00:11:58] está exportando para todo lado.

[00:12:00] Isso não é adivento de uma pessoa, isso não é adivento de uma faculdade,

[00:12:03] é a maturidade de um sistema que foi desenvolvido com 100 anos de investimento,

[00:12:08] eu posso dizer isso sem exagero.

[00:12:10] Me explica um pouquinho como ele funciona do ponto de vista prático.

[00:12:14] Olha só, por que um microscópio ótico não consegue ver uma molécula?

[00:12:20] Porque um microscópio ótico, a luz nuvisível, que é a ótica,

[00:12:24] é uma oscilação de um campo eletromagnético que tem um comprimento de onda,

[00:12:29] ela tem uma dimensão que é da ordem de 500 nanômetros.

[00:12:33] Então imagina que você tenha um lápis, que a ponta do lápis tem 500 nanômetros.

[00:12:40] Como que você vai desenhar uma coisa de um nanômetro

[00:12:43] com um lápis que tem 500 nanômetros a ponta dele?

[00:12:46] Então a luz normal não consegue diferenciar um átomo de outro

[00:12:52] porque ela tem uma resolução muito baixa

[00:12:54] e você não consegue aumentar essa resolução.

[00:12:57] O que a gente fez foi o seguinte, a gente desenvolveu um equipamento

[00:13:03] que é capaz de segurar uma nanoantena.

[00:13:06] Então a luz que interage com antenas,

[00:13:10] se a gente é capaz de desenvolver uma antena que tem um tamanho nanométrico,

[00:13:14] a gente é capaz de pegar esse lápis enorme

[00:13:18] e apontar esse lápis e fazer ele ficar com uma pontinha tão fina

[00:13:22] que eu consigo agora desenhar, ver as nuances de um átomo ou de uma molécula.

[00:13:28] E de ordem prática então, hoje, onde o nanoscópio tem sido usado

[00:13:33] e como que você vê o potencial dele na pesquisa científica?

[00:13:38] Felipe, eu vou te responder de uma forma ampla e de uma forma específica.

[00:13:41] A forma ampla é o seguinte, do mesmo jeito que o microscópio

[00:13:45] abriu uma enormidade de ramos de pesquisa,

[00:13:50] o microscópio possibilita microfabricação, micromecânica,

[00:13:54] microbiologia, micro-isso e aquilo, ele entra em todas as áreas,

[00:13:59] o nanoscópio tem potencial para fazer o mesmo,

[00:14:01] para ir da biologia à engenharia mecânica.

[00:14:04] Mas de forma mais concreta, a gente estuda muito no laboratório

[00:14:07] grafino, que é um material que tem propriedades muito interessantes,

[00:14:11] ele já está sendo usado por empresas chinesas para fazer touchscreen de celular, por exemplo.

[00:14:18] E hoje você está no INL e que é traduzindo,

[00:14:21] laboratório internacional ibérico de nanotecnologia.

[00:14:24] Eu queria que você contasse um pouco para a gente essa perspectiva

[00:14:27] de estar nesse nível de colaboração internacional.

[00:14:29] Olha, o INL tem sido uma experiência muito interessante, viu, Felipe?

[00:14:34] Porque você pega um continente que, por razões diversas, se desenvolveu muito.

[00:14:41] E um continente que se desenvolve muito, atrai muito imigrante.

[00:14:45] E a imigração se torna um problema cultural, econômico e várias coisas.

[00:14:51] Quando a gente vê essa convivência de culturas distintas,

[00:14:56] a gente vê como que isso é difícil, como que isso é complicado.

[00:14:59] E o INL é um microcosmos que junta tudo isso dentro de um prédio.

[00:15:04] Atualmente tem 34 nacionalidades lá dentro.

[00:15:07] E isso vai desde o cheiro da cozinha até no tratamento, por exemplo,

[00:15:13] que é uma coisa muito em palto hoje em dia, do tratamento de respeito entre homem e mulher.

[00:15:17] Essas coisas são muito culturais.

[00:15:19] É tudo muito rico, muito confuso, às vezes gera tritos.

[00:15:25] Então hoje eu vejo essa realidade no dia a dia de forma muito clara.

[00:15:29] No próximo bloco, a conversa com o Ado vai ser sobre o impacto da inteligência artificial

[00:15:38] na área dele e sobre o jeito brasileiro de fazer ciência.

[00:15:41] É logo depois de um intervalo rapidinho.

[00:15:44] Nesse intervalo, deixa eu aproveitar para te contar um pouco

[00:15:58] sobre o Instituto Conumia.

[00:16:00] Somos um coletivo de pesquisa livre, com mais de 200 pesquisadores espalhados por vários

[00:16:05] estados do Brasil e alguns pelo mundo.

[00:16:08] A partir do SU Global, a gente desenvolve pesquisa científica em IA, alinhada aos

[00:16:13] valores humanos e com potencial de aplicação em várias áreas.

[00:16:16] É o caso do INL, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, onde

[00:16:24] o Ado Jório é diretor geral adjunto.

[00:16:26] Para conhecer mais sobre o trabalho dele, o site do laboratório está na descrição

[00:16:30] do episódio.

[00:16:31] Na segunda parte do papo com o Ado, a gente falou de Brasil, de inteligência artificial

[00:16:39] e de brilho nos olhos ao fazer ciência.

[00:16:41] E falando um pouquinho sobre a pesquisa no Brasil, eu tenho muita vontade de te

[00:16:51] perguntar como você vê a pesquisa científica por aqui, sobre financiamento, sobre

[00:16:56] formação das pessoas, sobre infraestrutura.

[00:16:58] Lembrando que você está fora do Brasil, você é hoje parte de um instituto que

[00:17:03] é localizado em Portugal.

[00:17:06] Eu queria que você contasse um pouquinho como você vê ainda a ciência no Brasil

[00:17:09] e como você tem visto essa diferença estando aí em Portugal.

[00:17:13] A ciência que o Brasil tem hoje, ela não é fruto do financiamento que o Brasil

[00:17:20] faz hoje em ciência, ela é fruto do financiamento que o Brasil fez em ciência nos últimos

[00:17:26] 50 anos.

[00:17:27] É claro que se a gente comparar com a realidade dos Estados Unidos, da Europa, da China,

[00:17:34] a gente tem menos recurso.

[00:17:36] Mas a gente produz da ordem de 3% da ciência mundial, dos artigos mundiais, sendo

[00:17:43] que a nossa população é da ordem de 3% da população mundial.

[00:17:47] Nesses 50 anos, o Brasil acelerou e fez um processo de construção do seu ecossistema

[00:17:53] científico de forma muito acertada.

[00:17:57] Se a gente falar de um ciclo recente, o Brasil precisa, neste momento, de algumas

[00:18:05] reestruturações que eu acho que estão fazendo com que, no presente, a gente evolua

[00:18:13] de forma um pouco mais lenta do que deveria estar evoluindo.

[00:18:16] Porque a gente vê um investimento muito significativo de ciência acontecendo nos

[00:18:23] Estados Unidos, na Europa, no Japão, na China.

[00:18:26] Quando o mundo desenvolvido vê isso, ele aumenta o seu incentivo à ciência e

[00:18:31] tecnologia, e o Brasil está fazendo o oposto.

[00:18:33] É claro que é uma questão de cobertor curto.

[00:18:37] Eu entendo as dificuldades, mas é verdade que se o Brasil acelerou muito

[00:18:44] durante muitos períodos, nos últimos, talvez eu possa dizer, 10 anos, o Brasil

[00:18:49] tem perdido um pouco de velocidade.

[00:18:51] E eu falo isso não por estar fora, porque quando a gente está nesse ambiente

[00:18:57] científico, os colegas que estão no Brasil ou eu estando fora, o ambiente

[00:19:02] científico é um ambiente naturalmente muito universalizado.

[00:19:05] Então a gente tem essa consciência.

[00:19:07] Se você fizer essa pergunta para colegas no Brasil, eu tenho certeza que

[00:19:11] eles terão a mesma visão.

[00:19:12] Professor, então essa diferença de investimento, comparando com os outros

[00:19:16] países, tem impacto no perfil de trabalho dos cientistas brasileiros?

[00:19:20] O que é considerado no mundo inteiro é que o pesquisador, o estudante

[00:19:25] brasileiro é muito criativo, ele sabe se virar.

[00:19:28] E uma coisa que eu vejo na Europa, e eu vi isso nos Estados Unidos também,

[00:19:33] eles têm muita facilidade de pegar o telefone e comprar o que precisa.

[00:19:36] No Brasil isso é impossível, é impensável, porque tudo o que a gente

[00:19:40] precisa na ciência, tudo não, mas quase tudo o que a gente precisa é importado.

[00:19:44] E uma importação demora seis meses.

[00:19:45] Isso é um problema de ponto de vista de competição brutal.

[00:19:50] Por outro lado, você é obrigado a aprender a se virar.

[00:19:53] Então o estudante brasileiro em todo lugar eu ouço isso, que ele é muito

[00:19:58] criativo, ele é muito bom, tem capacidade de fazer coisas que muitas

[00:20:02] vezes os estudantes europeus, americanos e coisas não são.

[00:20:06] Agora é claro que essa é a parte de formação, porque do ponto de vista

[00:20:09] de realizar a ciência mesmo é aquilo, a gente está numa corrida onde o tênis,

[00:20:15] a roupa, os equipamentos de treino

[00:20:18] dos seus competidores são todos superiores aos seus.

[00:20:22] Dá-lhe criatividade para lhe dar confiança.

[00:20:26] No universo de inteligência artificial isso está ficando muito claro.

[00:20:30] O acesso que as universidades brasileiras têm hoje para rodar

[00:20:34] sistemas de IA para teste, para desenvolvimento de modelos,

[00:20:38] é muito menor do que o investimento de qualquer Big Tech ou até de

[00:20:41] universidades fora.

[00:20:42] Existe inclusive uma diferença entre Big Techs e universidades,

[00:20:45] que também é muito discrepante a realidade.

[00:20:49] Hoje existe uma preocupação mundial

[00:20:52] que a tecnologia hoje está na mão das Big Techs

[00:20:58] e não na mão mais dos estados.

[00:21:00] Quando a gente fala assim a coisa está na empresa, não está na universidade,

[00:21:05] o grande problema disso é que a universidade pertence à humanidade

[00:21:08] e as Big Techs pertencem aos seus donos.

[00:21:11] Essas companhias acabam se transformando em escravas do próprio sucesso

[00:21:16] e procurando soluções onde a gente olha e fala assim cara por aí não vai dar certo.

[00:21:21] Agora o impacto da inteligência artificial

[00:21:25] eu tenho para mim que ele ainda não está desenhado, ele ainda não está definido.

[00:21:29] É como se tivesse, vamos dizer assim, todo mundo num barco

[00:21:33] e está todo mundo pulando a água, saindo, nadando para qualquer lado.

[00:21:37] Ninguém sabe onde está a terra, só que tem gente que tem jet ski

[00:21:42] e tem gente que está colocando a touca, mas a corrida ainda não está definida.

[00:21:47] O ponto de chegada não está definido.

[00:21:49] A tecnologia para que lado deve se nadar,

[00:21:53] que foi o que aconteceu com a gente com o nanoscópio.

[00:21:56] O nanoscópio é uma coisa muito emblemática nesse aspecto.

[00:21:59] Por quê?

[00:22:00] Porque a ciência é desenvolvida na Suíça, no Japão, na Alemanha.

[00:22:06] Aí um time brasileiro pega essa tecnologia de forma tardia,

[00:22:12] começa a trabalhar com a criatividade e a falta de recurso e etc.

[00:22:18] E acaba gerando uma tecnologia que se transforma na tecnologia definidora.

[00:22:24] Então por mais que os competidores,

[00:22:28] vamos dizer assim, Suíça, Japão e Alemanha tivessem mais recurso,

[00:22:32] tivessem mais know-how, tivessem na frente.

[00:22:36] Eles não descobriram, eles não deram os passos necessários

[00:22:40] para gerar uma tecnologia que fosse a tecnologia definidora.

[00:22:45] O investimento diz muito, mas não está definido.

[00:22:48] Eu queria te perguntar uma coisa em relação ao IA no seu trabalho.

[00:22:52] Como que você vê os avanços da IA

[00:22:55] interferindo no desenvolvimento de materiais e da nanotecnologia também?

[00:22:59] Assim como lá no início a gente falou da nanotecnologia,

[00:23:03] essas coisas acabam se tornando um pouco semânticas.

[00:23:06] Se você for ver a base da IA,

[00:23:10] tratamento de dados, aprendizado, essas coisas,

[00:23:14] a gente trabalha com coisas ligadas a isso

[00:23:16] para fazer análise de dado em física há muito tempo.

[00:23:19] Só que com a melhoria da capacidade computacional dos computadores,

[00:23:24] você vai ficando cada vez mais capaz de desenvolver tecnologias

[00:23:29] e fazer coisas que antes o tempo computacional

[00:23:32] fazia com que aquilo não fosse útil.

[00:23:35] Imagina que você tivesse uma calculadora, que você digitasse 4 mais 4 igual

[00:23:39] e tivesse que esperar um dia para ver a resposta.

[00:23:41] Você não ia usar, você ia contar com os dedos.

[00:23:44] Então quando a velocidade vai acelerando,

[00:23:47] o que a gente chama de inteligência artificial evolui.

[00:23:49] Chega ao grande salto que foi esses large language model,

[00:23:54] que está por trás do chat GPT e outros,

[00:23:57] porque aí a coisa entra na vida do homem comum.

[00:23:59] Hoje um estudante usa isso para estudar, um advogado usa isso para escrever.

[00:24:03] Ela sai do ambiente científico de análise de dado

[00:24:07] e entra para a vida do homem comum.

[00:24:08] É aí que a gente vê que uma tecnologia vai realmente

[00:24:12] impactar a humanidade mesmo,

[00:24:14] porque ela vai mudar as formas do trabalho mesmo.

[00:24:16] E quando eu digo que ainda falta um pouco,

[00:24:18] é porque quando os computadores ficarem ainda mais rápidos,

[00:24:22] essa tecnologia vai ser capaz de fazer muito mais do que ela está fazendo hoje.

[00:24:29] Dentro do que você pesquisa hoje e de todas as pesquisas que você lidera,

[00:24:34] o que que te faz acelerar o coração do tipo

[00:24:37] eu quero ir atrás dessa formação

[00:24:39] e o que você gostaria de descobrir na sua carreira ainda?

[00:24:42] Eu tenho duas respostas para você.

[00:24:45] Uma é a resposta que eu carrego desde criancinha

[00:24:49] e a outra é uma mais recente que foi habilitada pelo percurso.

[00:24:53] Primeiro, o que brilha os olhos da gente

[00:24:56] é você se deparar com um desconhecido

[00:25:00] e entender o desconhecido de uma forma que você não imaginava.

[00:25:04] Então, para uma pessoa que estuda física,

[00:25:07] entendeu as questões metafísicas mais fundamentais de espaço, tempo,

[00:25:13] essas coisas que fazem o coração da gente bater mais rápido.

[00:25:17] Agora, o que foi habilitado mais recentemente,

[00:25:21] aí mais recentemente, não é agora, é os últimos 10, 20 anos, quase,

[00:25:26] é a interface disso com a biologia

[00:25:29] que começa quando eu tive um tempo atrás um acidente com laser no olho.

[00:25:35] Aquilo me levou a estudar ótica, estudar visão

[00:25:39] e esse estudo da visão me levou a estudar o Alzheimer.

[00:25:42] Isso me conectou com pesquisadores do Instituto D.O.R.

[00:25:47] Eles estão muito interessados na capacidade do cérebro

[00:25:51] de interpretar fenômenos quânticos.

[00:25:54] E tudo isso nos leva, no final da linha,

[00:25:58] nessa possibilidade de você gerar uma IA

[00:26:02] que chegue próxima do que o cérebro é capaz de fazer

[00:26:06] e que chegue próximo de gerar uma consciência

[00:26:10] ou algo que vá ser um…

[00:26:13] Eu reassisti outro dia o IA.

[00:26:16] O IA do Spielberg.

[00:26:18] E aquilo ali coloca o próprio ser humano muito em perspectiva.

[00:26:22] Ali tem duas crianças e você vai ver,

[00:26:24] uma é uma criança biológica, a outra é uma criança artificial

[00:26:29] e você começa a olhar para aquelas duas.

[00:26:32] Então, todas essas questões, quando a gente acaba indo

[00:26:36] do espaço-tempo para a introspectiva da gente entender até a nossa própria humanidade,

[00:26:42] ela faz a gente ficar com os olhos brilhando, o coração palpitando

[00:26:45] e muitas vezes até confuso.

[00:26:49] Maravilhado.

[00:26:51] Eu queria maravilhado. É ótimo.

[00:26:53] Eu falei maravilhado e ao mesmo tempo falei maravilhado

[00:26:56] porque é uma resposta maravilhosa mesmo.

[00:26:58] Ado, muito obrigado pelo seu tempo, pela conversa.

[00:27:02] Acho que é uma forma maravilhosa de fechar essa temporada

[00:27:07] e já pensando na próxima você não foi o último à toa.

[00:27:11] Mas eu queria te agradecer muito.

[00:27:12] Foi muito legal a sua disponibilidade.

[00:27:14] Eu sei que é uma agenda complexa e foi muito, muito legal a gente bater esse papo.

[00:27:19] Felipe, eu agradeço pela oportunidade e pelo trabalho de vocês

[00:27:23] porque o fazer ciência

[00:27:28] e o divulgar ciência, o divulgar ciência

[00:27:31] é tão importante quanto o fazer ciência.

[00:27:34] O que a gente faz, ele deve e ele pertence à humanidade.

[00:27:39] E se a humanidade não toma contato com essa coisa,

[00:27:42] muitas vezes muito obscura que a gente faz,

[00:27:45] acaba que o nosso trabalho fica sem sentido.

[00:27:47] Então eu agradeço também pelo trabalho de vocês.

[00:27:54] E chegamos ao final dessa temporada do Ária.

[00:27:57] Nesses oito episódios, a gente mostrou um pouco da pesquisa de ponta

[00:28:00] que está sendo desenvolvida em nossa rede de laboratórios aqui no Brasil e no mundo.

[00:28:05] Muito obrigado por ter ouvido até aqui.

[00:28:07] O Ária é um podcast do Instituto Konumi, produzido pelo Estúdio Novelo,

[00:28:11] que está disponível em todas as principais plataformas de áudio e também no YouTube.

[00:28:15] Siga o podcast para não perder nenhum episódio.

[00:28:18] A pesquisa e o roteiro são do Leonardo Aquino.

[00:28:21] O tratamento de roteiro é do Vitor Hugo Brandalise e a produção é da Ashley Calvo.

[00:28:26] A montagem desse episódio é da Luisa Silvestrini.

[00:28:30] A sonorização e mixagem são da Mariana Leão e da Júlia Matos.

[00:28:34] A direção de locução é do Rodrigo Alves.

[00:28:36] Nós gravamos a entrevista e a locção deste episódio no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro.

[00:28:41] A direção executiva do Estúdio Novelo é da Marcela Casaca.

[00:28:44] A gerência de parcerias é da Luisa Sade.

[00:28:47] E a gerência de produto é da Juliana Yeager.

[00:28:50] A coordenação de produto é da Bia Ribeiro,

[00:28:53] que também faz a distribuição dos episódios com o apoio da Isabel de Santana.

[00:28:56] A pesquisa de ponta que está disponível em todas as principais plataformas de áudio e no YouTube.

[00:29:02] Eu sou Filipe Foratini e te encontro em breve na próxima temporada do Área. Até lá!