#472 “O apocalipse para colorir” - com Cris Vector


Resumo

No episódio pós-carnaval, os apresentadores retomam a rotina falando de trabalho, cansaço e do “modo sério” que volta depois da folia — abrindo com um merchan e, em seguida, com recados de apoio ao financiamento do Viracasacas. A conversa principal recebe o ilustrador e cartunista Chris Vector, que relembra sua trajetória desde 2015 com cartoons políticos, sua atuação em coberturas como CPI da Covid e eleições, e sua migração do Twitter para o Bluesky, destacando como a instabilidade das plataformas pode simplesmente apagar anos de produção.

Chris apresenta seus projetos recentes: o livro de colorir “Papuda Goods”, inspirado em ilustrações sobre o 8 de janeiro, e o livro “Apocalipse Ilustrado” (Z Edições), que reúne cartoons desde 2018 como registro impresso do “fim do mundo” vivido no bolsonarismo. A partir disso, o papo discute o valor do impresso como forma de memória e comunidade, contrapondo a frieza e volatilidade do digital, e como lançamentos e encontros presenciais podem recompor vínculos em tempos de isolamento social e hiperindividualização.

Na parte mais política e cultural, eles debatem o papel da sátira para “minar o poder” do fascismo, ridicularizando sua pose de virilidade e autoridade, além de refletirem sobre a lógica dos memes como linguagem dominante — inclusive na comunicação política internacional. O episódio também aborda criticamente a popularização de imagens feitas por IA: o uso de obras de artistas para treinar modelos, a precarização do trabalho criativo, o “vício” estético que a IA cria em clientes e públicos, o impacto ambiental e de infraestrutura (data centers e escassez de peças), e a tendência das plataformas de impulsionar conteúdo rotulado como IA. Fechando, o programa entra em dicas culturais (HQs, filmes e livro) e termina com salves e uma breve conversa sobre Star Wars e a série Andor.


Anotações

  • 00:28:21 — Cartoons como forma de comunicar o absurdo: Cris explica que muitas pessoas diziam não conseguir expressar para a família o quão absurda era uma situação, e que o trabalho dele ajudava a comunicar isso. Ele pondera a dúvida sobre “dar tração” a temas que a direita tenta emplacar, mas defende que, ao trazer outro ponto de vista, o humor pode reposicionar o assunto: em vez de algo “muito sério” e ameaçador, vira piada, o que muda a forma como as pessoas encaram o tema.
  • 00:29:04 — Meme pesado e a ressignificação do tema: Ele cita um meme que postou, recebido de um grupo, sobre o homem que se explodiu em Brasília, com a legenda “conserva em pedaços”. Diz que, embora seja um humor “pesadíssimo”, a imagem foi muito compartilhada e que, para bolsonaristas, aquilo era absurdo porque tratavam o sujeito como herói. Segundo Cris, o excesso de piadas e compartilhamentos teria tornado o assunto ridículo a ponto de eles pararem de falar sobre isso; ele emenda que também não falam mais do Olavo, sugerindo que a ridicularização contribuiu para esvaziar a idolatria.
  • 00:30:26 — Tirar poder ao ridicularizar figuras da direita: Gabriel comenta que gostou da ideia de “tirar poder” de certas figuras, porque o campo progressista às vezes dá importância demais ao levar tudo a sério, e isso faz os personagens crescerem. Ele ressalta que não adianta fingir que nomes grandes desaparecem, mas defende a tática do escracho para minar a autoridade simbólica. Também relativiza o moralismo sobre fazer piada, dizendo que a direita faz memes e piadas piores, e que é mais eficaz expor o ridículo — inclusive o ridículo próprio do fascismo — do que tratar tudo com solenidade.
  • 00:43:43 — Nostalgia de TV e o caso Daniela Perez: A conversa deriva para lembranças de televisão dos anos 80 e 90: eles comentam os “Transformistas” no Programa Silvio Santos e como isso hoje seria “cancelado”, além de falarem do documentário sobre o assassinato de Daniela Perez. Gabriel destaca uma cena absurda do documentário em que a população quer invadir a delegacia e Alexandre Frota aparece pedindo calma, ironizando que ele seria o “sensato” da década, o que, para eles, mostra como aquele período era cheio de situações politicamente incorretas e estranhas.
  • 00:44:41 — IA e imagens no estilo de artistas: Gabriel puxa o tema das imagens feitas por inteligência artificial e diz achar “sacanagem” pedir um desenho “no mesmo formato” de um artista específico, comparando com a moda de transformar imagens no estilo do estúdio Ghibli. Ao mesmo tempo, critica o excesso de caça às bruxas na timeline, lembrando que nem todo meme rápido justificaria contratar um ilustrador. Ele pergunta a Cris como ele vê o assunto, entre paranoia e críticas justificadas.
  • 00:47:04 — Treinamento com trabalho alheio e rastros de assinatura: Cris argumenta que a IA não cria do nada: foi treinada com milhões de imagens feitas por pessoas. Ele diz que não é por acaso que as primeiras IAs tinham cara de fan art e concept art, já que fóruns com processos de trabalho alimentaram muito esse banco de imagens. Conta que houve artistas que identificaram a própria assinatura aparecendo em outputs, porque a IA interpretou a textura da assinatura como parte do padrão visual; menciona uma ilustradora tentando processar uma empresa após encontrar sua assinatura em várias imagens.
  • 00:48:33 — Uso de IA por grandes marcas e descuido com qualidade: Ele critica ver empresas com capacidade de contratar ilustradores optando por IA, citando as ilustrações usadas pela CazéTV nas Olimpíadas de Inverno como algo que, para ele, é “tudo IA”. Diz que algumas imagens até ficam “bacanas”, mas que há um orgulho em parecer IA, mesmo com erros evidentes — menciona um caso com “BRA do Brasil” escrito errado que foi ao ar. Para Cris, um ilustrador não entregaria daquele jeito por zelo, e essas empresas poderiam usar o trabalho para fomentar a comunidade de artistas, especialmente considerando o discurso de serem “do chão” e alternativos.
  • 00:49:15 — Hype da IA, desvalorização e confusão do público: Cris avalia que o hype faz muita gente usar IA por não querer pagar por um trabalho de melhor qualidade, e não sabe se isso vai passar ou se vai se consolidar. Ele observa que o tipo de imagem está “viciando” a percepção: pessoas veem ilustrações e já acusam de serem IA mesmo quando são feitas por humanos. Aponta que isso está tirando trabalho de muita gente, forçando artistas a tentar sobreviver mudando estilo para não “parecer IA”, e descreve o cenário como incerto.
  • 00:52:06 — Energia, utilidade e encurtar caminhos na arte: Gabriel comenta uma discussão que ouviu no podcast do Fischer com Herbaldo Maia e questiona a necessidade de certos usos, como “mais vídeos de gatinhos” gerados por IA, dado o consumo de energia. Ele reconhece que haverá empresas usando essas ferramentas por seu potencial, mas faz uma distinção quando o assunto é arte: para ele, a arte precisa propor algo e provocar sensações, e a lógica de encurtar caminhos pode matar a possibilidade do artista existir. Ele emenda com exemplos de música, filmes e a ideia de produzir obras inteiras via algoritmo.
  • 00:55:12 — Preocupação com o impulso das plataformas e o mercado de hardware: Cris diz que vê pouca forma de resistir além de conscientização, porque lutar contra a tendência é difícil. Ele relata que, em redes como Instagram, conteúdos rotulados como IA recebem mais entrega, e cita Spotify e TikTok como lugares onde isso é promovido como novidade e empurrado ao público, moldando a percepção até virar indiferente se é IA ou não. Em seguida, conta que seu computador teve problema na placa de vídeo e que leu uma matéria dizendo que componentes estão sendo comprados por empresas de data centers, reduzindo peças no mercado e encarecendo consertos, tudo para rodar IA — o que o deixa pessimista.
  • 00:56:31 — Escala dos data centers e medo do impacto social: Ainda no mesmo fio, Cris descreve a construção de uma infraestrutura “grandiosíssima” para IA e diz que isso deve gerar problemas para pessoas e pequenos produtores como eles, não apenas para grandes empresas. Ele teme mais perda de empregos e não sabe como isso poderia ser revertido. Apesar de gostar da reação de comunidades que tentam apoiar “artistas reais”, ele expressa receio de que, em algumas gerações, esse critério perca importância e fique em segundo plano.
  • 00:57:21 — Mudança de foco no humor político com o governo Lula: Felipe concorda com as críticas a grandes empresas usando IA e pergunta a Cris como mudou seu trabalho político com o governo Lula, já que ele começou por volta de 2015–2016 e antes havia muito material para atacar. Cris responde que, no governo Bolsonaro, era um modo de sobrevivência, com absurdos diários; com Lula, no início, ele sentiu que era preciso dar tração a ações de reconstrução, retomada de programas sociais e economia. Depois, diz que voltou um “modo de defesa” por ataques da mídia “isenta” e pautas como a economia e a Janja, tornando mais difícil responder a conteúdos que ganham tração no ódio.
  • 01:09:21 — Dicas de graphic novels para ter em papel: Felipe recomenda duas graphic novels clássicas: “Nova York”, de Will Eisner, e “Gênesis”, de Robert Crumb, destacando a ideia de Crumb ilustrar o livro bíblico. Ele diz que são obras para ter na prateleira e folhear, e aproveita para reforçar sua preferência por quadrinhos em formato físico. Para ele, romances podem ser lidos em tablet ou Kindle, mas livros profissionais e quadrinhos precisam estar na mão porque a experiência é diferente.
  • 01:13:33 — Dica de livro: coletânea de cartas de amor: Cris se prepara para dar sua dica cultural e sugere um livro que pegou emprestado de uma pessoa querida e que está gostando muito: “Cartas Extraordinárias de Amor”. Ele explica que é uma coletânea de cartas de vários tipos de amor — romântico, amizade, trabalho, amores impossíveis, cartas para pessoas que não existem mais ou que nem existem — e que a leitura é agradável, com textos curtos e longos, lidos aos poucos entre outras leituras.
  • 01:14:24 — Cartas famosas e contraste com mensagens instantâneas: Ele detalha que a edição é da Companhia das Letras, organizada por Shaun Usher, e cita exemplos de autores e personagens presentes: Simone de Beauvoir, a amante de Victor Hugo, Vladimir Nabokov, Beethoven e a “amada imortal”, além de Nelson Mandela, Napoleão e uma carta do Machado de Assis para Joaquim Nabuco. Cris comenta que, em tempos de mensagens instantâneas e ansiedade de “visualizou ou não visualizou”, ler cartas mostra a incerteza da entrega e a espera por semanas, além do esforço para escrever mensagens longas. Diz que lê antes de dormir, que isso traz conforto e recomenda como pausa na velocidade do cotidiano.

Indicações

Livros

  • Apocalipse Ilustrado — livro do Chris Vector (Z Edições) reunindo cartoons desde 2018 como registro do período Bolsonaro
  • Nova York (Will Eisner) — graphic novel indicada pelo Felipe Abal como clássico fundamental
  • Gênesis (Robert Crumb) — HQ indicada pelo Felipe Abal; leitura e objeto “para ter na prateleira”
  • Cartas Extraordinárias de Amor (Shawn Usher, org.) — dica do Chris: coletânea de cartas de amor (em vários sentidos) como contraponto à comunicação instantânea
  • Salomé (Oscar Wilde) — texto citado pelo Divan ao comentar o filme indicado e seu interesse pela peça

Filmes / Series

  • Sete Véus (Seven Veils) — filme indicado pelo Divan com Amanda Seyfried, sobre montar uma nova versão de Salomé
  • A Empregada — filme citado pelo Divan como “ruim constrangedor”, visto por curiosidade
  • Rogue One: Uma História Star Wars — citado como o “único filme” de Star Wars que realmente empolgou; recomendado para rever após Andor
  • Andor — série citada no final como surpresa positiva que fez o apresentador “quebrar a promessa” de não ver mais Star Wars
  • A Amada Imortal (Immortal Beloved) — filme mencionado em referência ao mistério da “amada imortal” nas cartas atribuídas a Beethoven
  • O Mandaloriano* e *Ahsoka — citadas como exemplos de produções que recomendam para quem gosta do universo Star Wars
  • Documentário sobre Daniela Perez — citado ao comentar bizarrices culturais dos anos 80/90 e o clima da época
  • Episódio do podcast “Fischer e os Fischerenos” com Herbaldo Maia — citado como conversa boa que discute IA e seus usos/absurdos

Linha do Tempo

  • [00:01] — Volta da rotina pós-carnaval e dilemas do dia a dia; merchan da Insider (calça Future Form)
  • [00:03] — “Tabela de abraços” e chamada para apoiar financeiramente o Viracasacas (Apoia.se, Orelo e Pix recorrente)
  • [00:08] — Apresentação do convidado Chris Vector e lembranças do episódio antigo sobre NFTs
  • [00:11] — Trajetória do Chris: cartoons políticos, CPI da Covid, eleições e migração do Twitter para o Bluesky
  • [00:13] — Projetos atuais: “Papuda Goods” (livro de colorir) e “Apocalipse Ilustrado” (livro impresso)
  • [00:18] — Debate sobre o valor do físico vs. digital: memória, dependência de plataformas e senso de comunidade
  • [00:23] — Carnaval, sátira política e a utilidade do deboche para enfrentar conservadores e polêmicas online
  • [00:31] — Humor como estratégia para tirar força do fascismo; ridicularização como “minar a aura de poder”
  • [00:35] — Memes como forma política dominante e o desafio de criar humor que engaje sem virar “meme do bem”
  • [00:44] — Impactos da IA na arte: roubo de estilos, uso comercial, precarização, estética padronizada e hype de plataforma
  • [00:57] — Mudança de foco no governo Lula: de sobrevivência no bolsonarismo para defesa, divulgação e julgamentos do 8/1
  • [01:03] — Prefácio do Boulos e textos de apoio; bastidores de campanhas e referências profissionais na ilustração
  • [01:08] — Dicas culturais: HQs clássicas, filme com Amanda Seyfried e livro de cartas de amor
  • [01:18] — Salves finais e conversa sobre Star Wars: decepção com a nova trilogia e entusiasmo com Andor/Rogue One

Dados do Episódio

  • Podcast: Viracasacas Podcast
  • Autor: Viracasacas Podcast
  • Categoria: News / Politics
  • Publicado: 2026-02-24
  • Duração: 1h22m

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] A bestialidade imperialista, bestialidade que não tem uma fronteira determinada nem pertenece a um país determinado.

[00:00:12] Que tipo de democracia é isso? Que tipo de liberdade é isso?

[00:00:18] Isso é a motrina liberal! É a motrina que o mercado e a democracia vão juntos sem separar. Isso é uma praga!

[00:00:28] A utopia serve para isso, para caminhar.

[00:00:58] Agora acabou a brincadeira, né? Agora é o legítimo alopovão, agora é sério, da real.

[00:01:04] Porque pós carnaval é aquilo, né? Quando a vida engrenha, meu Deus do céu.

[00:01:09] Agenda cheia, reunião, trabalho, trabalho híbrido, trabalho online, trabalho presencial, trabalho, trabalho, trabalho.

[00:01:14] Compromisso que aparece do nada, velho.

[00:01:16] É complicado. E daí vem também o velho dilema, né?

[00:01:20] Ou você se veste confortável demais e parece relaxado, ou se veste sério demais e passa o dia inteiro desconfortável.

[00:01:30] Pois é. Foi aí que eu adotei oficialmente, sabe o quê?

[00:01:34] Ah, fala aí. Eu não vou falar.

[00:01:36] Espera aí, deixa eu me preparar para falar, né? A calça Future Form.

[00:01:40] Repetindo, a calça Future Form da Insider. Como uniforme de cotina. Adotei como uniforme.

[00:01:46] Quem viu ontem no primeiro dia de aula lá, que eu dei na universidade, já ficou sabendo, né?

[00:01:51] Então é o seguinte, ó. O conforto é real, mas o visual é alinhado, cara.

[00:01:55] É o melhor de dois mundos.

[00:01:56] É perfeito, cara. Ela tem caimento de alfaiataria, mas não tem aquela rigidez.

[00:02:01] Dá para trabalhar o dia inteiro sem sentir a roupa te travando.

[00:02:05] É roupa pensada para rotina de verdade. É tecnologia, Gabriel Divan.

[00:02:10] Porra, isso serve para escritório, para home office, para reunião híbida, para evento casual.

[00:02:16] Tudo sem precisar trocar de roupa, ficar se ajeitando o tempo todo aquele negócio, né?

[00:02:20] É isso que eu gosto da Insider, meu velho. Não é roupa especial para um momento específico.

[00:02:24] É roupa que sustenta o ritmo quando a vida acelera.

[00:02:28] Hashtag acelerator.

[00:02:29] Não, não. Dames, então para encarar essa volta total à rotina,

[00:02:34] entra no site da Insider e use o cupom Viracasacas

[00:02:37] ou só clica aqui no linkzinho que vai mandar você direto para lá com o cupom aplicado.

[00:02:41] Como é que funciona o cupom, Divan?

[00:02:43] Cara, é muito bom explicar isso aqui porque, assim, presta atenção.

[00:02:47] Eu vou de novo impostar a voz. O cupom é dinâmico.

[00:02:51] Está entendendo? O cupom é dinâmico.

[00:02:53] Então, 20% off para os novos clientes e 10% off para quem já compra na Insider.

[00:02:59] Então, a primeira compra vai dar 20%, vai fazer uma outra compra, já é cliente, já vai dar 10%

[00:03:04] e isso vai aplicado direto no carrinho, rapaz.

[00:03:08] É uma delícia. Use o cupom Viracasacas.

[00:03:11] Comforto, presença e menos desgaste no meio do caminho.

[00:03:15] Vista Insider. Agora sim, Gabriel.

[00:03:18] Vista. Tecnologia.

[00:03:20] Primeiro programa pós-carnaval e nós temos pouca tabela de abraços aqui, Felipe.

[00:03:25] Vamos ver. Pega o seu bloquinho e vê se você marca alguns pontos aqui, mas hoje tem pouca coisa.

[00:03:31] Então, vamos lá. Abraço para quem sabia que o Lula não tinha que se humilhar na Casa Branca

[00:03:36] e que as tarifas iam acabar caindo e que a lei magnítica é a merda.

[00:03:40] Abraço para quem está cansado e está gripado e está com febre

[00:03:45] porque esses são efeitos terríveis da volta da rotina e recomenda-se mais uma semana de carnaval.

[00:03:50] E abraço para quem no horóscopo chinês é do signo do cavalo. Esse é o ano do cavalo.

[00:03:55] Tu podia fazer um RT comentado, sabe o quê? Anota aí.

[00:03:58] O cavalo filho da puta. Tô falando sério. O cavalo filho da puta.

[00:04:02] Depois a gente conversa sobre o cavalo. Mas, sim, é do signo do cavalo,

[00:04:06] manja tudo de tarifa, mais do que comentarista de jornalão e está passando mal com a volta da rotina.

[00:04:12] Se você marcou esses pontos aí, dou 10 pontos para cada um aí e me diga se você fez 30 pontos ou não.

[00:04:18] Bom, Felipe, temos aqui um programa magnífico, hein?

[00:04:21] Programa chegando com… Não é Magnitsky. É Magnífico.

[00:04:25] Convidado que fazia tempo que não voltava, um cara queridíssimo, talentosíssimo e meu.

[00:04:30] Que conversa que abriu leques impressionantes aqui.

[00:04:34] Isso aí chega no final e o cara fica se perguntando como é que a gente conseguiu falar de tanta coisa em tão pouco tempo, né?

[00:04:40] É que aí o cara é crack, né, meu? O cara é crack, né?

[00:04:43] Joga para ele, ele arredonda, gira, esconde a bola, enceradeira, cadencia o jogo, bota a pifada.

[00:04:49] Olha, baita episódio. Eu diria que ele dá uma pincelada, né?

[00:04:53] Mas aí o pessoal vai sempre entender do jeito errado, né? Sabe como é que é, né?

[00:04:56] Entendi. Sim, sim, sim, sim.

[00:04:58] Mas tem uma coisa que o pessoal não pode entender errado, Gabriel Duvall, que é o seguinte.

[00:05:02] A gente precisa da sua ajuda para manter o Viracasacas no ar.

[00:05:06] A gente tem gente trabalhando conosco, a gente tem coisas para pagar.

[00:05:10] Os painéis de apoios são enganosos.

[00:05:15] Então a gente precisa que você apoie o Viracasacas.

[00:05:19] Aquele RT, aquele comentário, mandar no grupo de WhatsApp.

[00:05:23] Todas essas coisas ajudam muito a gente.

[00:05:26] Mas se puder também contribuir financeiramente, a gente agradece demais, demais, demais.

[00:05:33] Como é que você faz para apoiar financeiramente, Gabriel Duvall?

[00:05:36] Sempre lembrando que você dando 5 reais por mês, uma vez por mês, 5 reais,

[00:05:43] divide 5 por 30 aí, né? Vê quanto é que você vai dar por dia eventualmente.

[00:05:48] Você vai fazer uma média de 60 reais por ano, o que nem nota-se.

[00:05:53] E você vai fazer centavos por episódio.

[00:05:56] É tudo isso que a gente pede. O Viracasacas até hoje não foi corrigido pela inflação.

[00:06:01] Olha, acho que o governo era temer ainda, e a música era da pitch ainda,

[00:06:05] quando passou a ver a categoria dos 5 reais.

[00:06:08] E você com 5 reais segue nos ajudando de montão.

[00:06:11] Então vai lá em apoia.se barra viracasacas e toca a gente lá nos seus apoios.

[00:06:17] Ah, mas eu quero contribuir com 14 e não com 5. Ótimo, ótimo.

[00:06:21] Você pode ir lá também na orelo.cc e lá tem o seu perfilzinho, tem os seus apoios por lá também.

[00:06:27] Taca 5 na gente lá, né? Pode ser um ou outro.

[00:06:30] Gabriel, eu quero colaborar nos dois. Ótimo.

[00:06:33] Gabriel, eu quero dar 14 no apoio e 26 na orelo. É, claro que pode, né?

[00:06:37] Claro que pode.

[00:06:38] Agora, 5 reais uma vez só, não precisa ser nos dois, e quizá nos três,

[00:06:43] porque você também pode fazer o Pix, ele que é do Brasil, ele que é nosso.

[00:06:47] Pix modalidade, você faz lá.

[00:06:51] Pix recorrente, viracasacaspodcast.com.

[00:06:55] É a chave, is the key.

[00:06:57] E aí você deixa 5 reais por mês lá.

[00:07:00] Então é um mês inteiro.

[00:07:01] Imagina assim, ó, o portal do mês se abre diante do guerreiro.

[00:07:05] Ele tem 30 dias, né, ao longo daquela caminhada.

[00:07:09] E nesses 30 dias, 5 reais vai ser pro viracasacas que ele gosta tanto,

[00:07:13] que ela gosta tanto, que ele escuta, que ela escuta,

[00:07:16] que estão com eles nos momentos mais difíceis e nos melhores

[00:07:19] e que manifestam a sua indignação e que trazem informação.

[00:07:23] Então eu acho que é um preço barato pra se pagar pra que a gente continue existindo.

[00:07:27] É o mínimo existencial.

[00:07:29] Muito bem, Gabriel.

[00:07:31] E também as pessoas dizem, ah, não estou com tempo aqui agora pra abrir,

[00:07:34] apoia-se pra abrir o Orelo.

[00:07:35] Pô, mas abriu o aplicativozinho do banco ali,

[00:07:37] botar 5 pila recorrente, é rapidinho, é rapidinho.

[00:07:41] Faça essa mão por nós.

[00:07:42] É, quer dizer, Pix pra dar 8,96, pra pegar uma lata de fanta caju, né?

[00:07:48] Isso, aí dá pra fazer, né?

[00:07:50] Então é, agora uma vez por mês, 5 reais pra virar…

[00:07:55] Vamos pro episódio.

[00:07:56] Gabriel Divan, pós-carnaval.

[00:07:59] Ai, ai, ai, cara, pós-carnaval, né?

[00:08:02] Voltou a realidade, infelizmente.

[00:08:05] Voltou, né?

[00:08:07] O horário normal do relógio, você abre a torneira,

[00:08:10] a água cai pra baixo novamente, né?

[00:08:13] O eixo do mundo está normalizado, o que é péssimo.

[00:08:16] Mas, enfim, sabe o que não é péssimo, Felipe Abal?

[00:08:19] O que não é péssimo é a gente estar hoje com um convidado,

[00:08:23] o que não é péssimo é a gente estar hoje com um convidado,

[00:08:26] que a última vez que apareceu eu não estava aqui,

[00:08:29] e agora voltou e eu estou, então eu estou feliz.

[00:08:32] Claro, claro.

[00:08:33] O nosso convidado, ele esteve aqui com a gente,

[00:08:36] pra não deixar mentir, vamos consultar os alfarábios aqui,

[00:08:39] ele esteve no Viracasacas número 261,

[00:08:44] em fevereiro de 2022, meu velho.

[00:08:47] O senhor estava, né, nas montanhas do Tibete, né?

[00:08:51] O senhor estava lá no Polo Norte, num ônibus, né?

[00:08:54] Morando num ônibus abandonado.

[00:08:56] E nós estávamos falando sobre NFT, quem lembra?

[00:09:00] Quem lembra?

[00:09:01] Grande sucesso.

[00:09:02] Quanto estava lendo o NFT do Macaco do Neymar hoje?

[00:09:05] Essas e outras questões vão ser respondidas

[00:09:08] por um dos nossos artistas preferidos, Chris Vector.

[00:09:11] Como é que você está, meu querido?

[00:09:13] Tudo bom, Gabriel? Tudo bom, Abal?

[00:09:15] Realmente, faz tempão, né?

[00:09:17] Na época a gente estava falando de NFT

[00:09:19] e esses dias eu estava conversando com um amigo meu

[00:09:22] sobre o cara que comprou o NFT físico, né?

[00:09:26] Teve um cara que comprou o NFT físico,

[00:09:28] eu acho que era o Gato Galáctico, não sei o quê.

[00:09:31] E será que ele fez um bom negócio? Não sei, né?

[00:09:35] Eu acho engraçado que a gente estava falando na época de NFT,

[00:09:39] hoje está falando sobre a bolha de que vai estourar, não vai estourar.

[00:09:44] Na época a gente preveu que ia estourar essa coisa da NFT, né?

[00:09:48] Não vale mais nada, será que ia estourar a bolha também? Não sabemos.

[00:09:52] Olha, o Abal, como eu disse, ele estava por aí,

[00:09:56] ele estava em missão especial, né?

[00:09:58] Hoje a gente mandou o cara para não ir em missão especial.

[00:10:00] E aí ele não lembra disso, mas a gente teve alguns backlashes

[00:10:04] e a maioria das pessoas gostaram do nosso episódio,

[00:10:06] mas a gente teve uns retornos meio esquisitos.

[00:10:09] Teve uma moça que me xingou do primeiro ao quinto,

[00:10:12] dizendo que eu era burro, que eu não sabia nada,

[00:10:14] que eu não conseguia ver as possibilidades de negócio, sei quê.

[00:10:17] Ah, minha filha, você hoje que está aí vendendo bolo de pote, né?

[00:10:21] Para pagar as contas, o que não é nenhum problema, né?

[00:10:24] Mas o seu bolo deve ser muito pior do que já faz bolo há mais tempo,

[00:10:27] porque enquanto você estava com essa merda aí do NFT,

[00:10:30] tinha gente se aprimorando no bolo.

[00:10:31] Eu quero saber então o que você acha, né?

[00:10:33] Então é o seguinte, vamos parar de falar desse tipo de coisa aí, né?

[00:10:36] Vamos falar das enganações atuais e das coisas boas atuais também,

[00:10:40] mas antes o pessoal talvez eventualmente queira saber

[00:10:44] um pouquinho mais do nosso convidado,

[00:10:46] tem gente que não é bem informado, tem gente que não está exatamente por dentro, né?

[00:10:50] Das melhores coisas, dos melhores canais,

[00:10:53] melhores pessoas, melhores perfis e tudo mais.

[00:10:56] Chris Vector por ele mesmo, o que ele pode dizer para nós?

[00:11:00] Bom, eu sou ilustrador, cartoonista, tentando ser um cartoonista aí.

[00:11:07] Trabalho com ilustração já faz mais de 20 anos.

[00:11:10] Comecei com cartoons e ilustrações políticas em 2015 mais ou menos,

[00:11:15] na época do impeachment da Dilma.

[00:11:17] E aí assim, a minha plataforma principal de publicação é o Instagram,

[00:11:24] antigamente era o Twitter, mas eu acabei nessa mudança de bastão de Twitter,

[00:11:30] de bilionário comprando a rede social, acabei saindo de lá, né?

[00:11:34] Depois eu percebi que eu perdi minha conta e aí eu agora estou só no Buskay.

[00:11:38] Mas está sendo legal no Buskay, assim,

[00:11:41] é um lugar que não tem, assim, aquela grandiosidade do Twitter,

[00:11:46] mas é uma comunidade muito bem participativa, né?

[00:11:52] Divulgo meu trabalho lá no Buskay, no Instagram,

[00:11:55] então nesse meio tempo aí, entre 2015 para cá,

[00:11:59] tem a minha produção pessoal de cartoons políticos,

[00:12:03] trabalhei na cobertura das CPIs da Covid,

[00:12:08] trabalhei nas eleições, nas últimas eleições para presidente,

[00:12:13] assim, produzindo os cartoons, produzindo outras peças,

[00:12:16] também na parte de ação nas redes sociais.

[00:12:21] E aí estou por aí, também colaboro com diversas organizações,

[00:12:25] trabalhei com a Mídia Ninja, trabalhei com a MST,

[00:12:29] então estou sempre por aí, assim, que precisar de cartoons, de ilustrações,

[00:12:35] de apoio em militância, de esquerda, estou por aí ajudando aí.

[00:12:40] Ele está ajudando, Felipe Abao.

[00:12:42] Olha, na época da CPI da Covid, na época da eleição do Lula,

[00:12:47] a última eleição presidencial,

[00:12:49] eu me arrisco a dizer que Chris Vector se tornou o cartoonista mais querido do Brasil.

[00:12:53] Claro que por alguns, uns mais odiados também, né?

[00:12:56] Mas é o tipo de coisa que a gente carrega com orgulho.

[00:12:59] Que beleza, hein?

[00:13:01] E vem cá, a gente vai poder falar bastante disso aí,

[00:13:04] mas tem livros saindo aí, tem coisa chegando e tudo mais,

[00:13:08] mas eu passo a bola para o nosso pai fundador aqui.

[00:13:10] Ah, mas eu queria exatamente saber disso aí,

[00:13:13] porque eu gostei que o Chris, ele pegou e disse, se o pessoal de esquerda quiser,

[00:13:17] porque eu imaginei já o Van Haten aparecendo para o Chris,

[00:13:20] dizendo, oh, trabalha aqui para mim, vai tomar uma canetada no olho.

[00:13:26] Quero registrar que eu sou o único dos viras que não é desenhado pelo Chris,

[00:13:31] que a época, eu lembro, eu invejei que Gabriel Divan e Carapana ganharam,

[00:13:36] Chris, quando puder, quando sobrar um tempinho.

[00:13:38] Mas eu quero saber dessas coisas novas,

[00:13:41] porque se você entrar agora no Blue Sky do Chris,

[00:13:44] tem lá promoção de livro, tem promoção do Papuda para colorir,

[00:13:51] e tem coisa nova chegando.

[00:13:52] Chris, vamos aproveitar o início aí, fazer um jabá para depois a gente desenvolver o papo.

[00:13:58] No jabazimita, no ano passado, eu fiz isso por conta própria,

[00:14:04] aproveitando essa onda de 2025, ficou muito marcado por algumas coisas,

[00:14:09] livro de colorir, labubu, pistache, morango do amor,

[00:14:14] aí entrei na onda e aí eu fiz um,

[00:14:17] produzir por mim mesmo um livro de colorir com algumas ilustrações que eu já tinha sobre,

[00:14:23] acho que a maioria era sobre o 8 de janeiro,

[00:14:27] que também foi uma coisa que rendeu muito matéria para eu fazer ilustrações e cartoons mais engraçados possíveis,

[00:14:35] e aí eu não sei, eu peguei umas economias que eu tinha e imprintei e comecei a vender,

[00:14:43] a galera comprou bastante, vendeu quase tudo,

[00:14:47] e acho que o pessoal pegou a onda dos Bob Goods,

[00:14:52] aí começaram a apelidar o Papuda Goods,

[00:14:55] e foi uma ideia que eu tive,

[00:14:57] quando o Bolsonaro foi preso, ele já não consegue muito ler,

[00:15:01] então para ele relaxar, de repente fazer pintar um livro de colorir,

[00:15:07] para ele refletir sobre as tentativas de golpe de estado,

[00:15:13] de repente ele aprende alguma coisa,

[00:15:15] aí eu pensei que de repente o pessoal compra um monte e manda para ele numa trollagem muito louca,

[00:15:21] ia ser muito engraçado,

[00:15:23] e aí eu lancei esse livro, aí eu estava vendendo por mim mesmo,

[00:15:27] lá no Blue Sky tem todos os contatos,

[00:15:29] eu coloquei um e-mail, então é uma coisa bem rudimentar mesmo de pedido,

[00:15:35] mas deu certo.

[00:15:37] E aí com isso eu também reuni material,

[00:15:41] eu tive uma editora que entrou em contato comigo, que é a Z Edições,

[00:15:46] e propôs de fazer um livro com a produção minha de cartoons,

[00:15:51] e charges, e ilustrações,

[00:15:53] daí eu peguei desde 2018, que eu tinha produzido,

[00:15:56] passei para eles, eles organizaram,

[00:15:59] e resultou no livro Apocalipse Ilustrado,

[00:16:03] que a ideia é assim, são ilustrações do fim do mundo,

[00:16:08] o mundo acabou na época do Bolsonaro,

[00:16:11] e aí a gente teve uma reconstrução do que sobrou,

[00:16:15] foi também uma ideia que eu tive de,

[00:16:17] poxa, são tantas coisas que aconteceram,

[00:16:21] e essa produção diária de cartoons,

[00:16:23] ela conta tanta coisa, sabe?

[00:16:25] E como a maioria da minha produção é divulgada em redes sociais,

[00:16:30] principalmente Twitter, foi no caso do Twitter e Instagram,

[00:16:34] acho que é importante ter esse impresso também, sabe?

[00:16:37] Para daqui a algum tempo você entender como que foram esses anos,

[00:16:44] e também assim, isso me acendeu,

[00:16:46] quando teve o problema do Twitter também,

[00:16:49] me motivou bastante a seguir com esse projeto,

[00:16:51] porque quando o Twitter foi fechado,

[00:16:54] fui lá para o Blue Sky e eu desativei a minha conta do Twitter,

[00:16:56] só que eu acabei me acostumando tanto com o Blue Sky,

[00:16:58] que eu esqueci de voltar e reativar a minha conta no Twitter,

[00:17:02] e quando eu voltei a conta estava apagada,

[00:17:04] aí eu tive que fazer uma outra conta,

[00:17:06] então assim, eu só pensava e falei,

[00:17:08] caramba, tipo, tudo o que eu publiquei lá, acabou, sabe?

[00:17:12] Fica muito a mercê, assim, de humores de bilionário,

[00:17:18] e, sabe, eu falei, não, precisa ter uma coisa impressa mesmo,

[00:17:22] as pessoas que vieram falar comigo, elas têm toda a razão,

[00:17:25] e aí eu me empenhei em produzir esse livro,

[00:17:28] e ele foi lançado agora, né?

[00:17:31] Assim, a gente abriu uma campanha no Catarse no final do ano passado,

[00:17:35] e aí teve alguns atrasos na impressão,

[00:17:38] mas agora ele está impresso, já está na editora,

[00:17:41] então quem colaborou no final do ano passado já está recebendo,

[00:17:45] e quem quiser adquirir agora no site das edições,

[00:17:50] na loja deles, pode adquirir lá, que já está à venda.

[00:17:53] Agora sim, Gabriel Divã, por favor, vamos, além de falar sobre as obras,

[00:17:58] falar sobre a arte.

[00:18:00] Não, mas eu queria ficar num ponto que o Cris trouxe,

[00:18:03] que é muito interessante, eu queria a opinião do artista

[00:18:06] sobre isso também, porque a gente está vivendo num mundo

[00:18:10] onde o digital facilita muito,

[00:18:13] ele em certa medida democratiza, ele agiliza,

[00:18:17] os preguiçosos de plantão estão fazendo a farra com versões digitais,

[00:18:22] e às vezes não é exatamente uma versão bem acabada,

[00:18:26] não é uma versão de maior qualidade, às vezes o cara está assim,

[00:18:30] olha, vou baixar esse livro aqui, está uma diagramação meio estranha,

[00:18:34] porque foi do Epub para o PDF, por não sei quê, por não sei quê e tudo mais,

[00:18:38] mas eu imagino que o artista sofre um pouco com isso.

[00:18:41] Um dos grandes chatos do Brasil, chamado o Ed Motta,

[00:18:45] ele tinha toda aquela briga no que diz respeito ao MP3,

[00:18:49] o MP3 perde a qualidade.

[00:18:51] Eu me lembro que na época, quando popularizou os serviços de peer-to-peer e tudo mais,

[00:18:57] ele fez uma aposta muito errada, no sentido de dizer assim,

[00:19:00] não, isso aí não vai colar, porque o amante da música,

[00:19:03] ele vai perceber que o som está comprimido,

[00:19:06] você tem músicas graves, você não tem não sei quê,

[00:19:08] todo mundo cagou ante a possibilidade de ter músicas de graça,

[00:19:12] isso é um fenômeno, e hoje é com todas as mídias,

[00:19:15] filmes, um contrabando espetacular de livro, texto acadêmico, quadrinho e tudo mais,

[00:19:21] e o Cris está trazendo uma coisa aqui que é muito interessante,

[00:19:26] a gente também já fez essa crítica aqui no Vira Casacas,

[00:19:29] antigamente, tu tinha uma coisa num sentido de, olha, está na minha coleção, está aqui,

[00:19:35] não é um ódio à propriedade física, pura e simplesmente,

[00:19:39] é uma questão de os caras estão nos enganando,

[00:19:41] porque eles querem vender filme pra gente,

[00:19:43] pra um filme ficar numa plataforma, sabe-se lá, a mercê do quê e de quem e tudo mais,

[00:19:48] então Cris, eu acho bem bacana tu dizendo, por exemplo,

[00:19:51] que entre uma proibição do Xandão e outra,

[00:19:55] o teu trabalho na tua principal plataforma foi varrido,

[00:20:01] então ter um livro físico não deixa de ser uma resistência também

[00:20:05] num mundo que precisa de algumas lentidões,

[00:20:08] a gente precisa de algumas coisas do tipo,

[00:20:11] e eu também não quero fazer aquela coisa de romantizar a dificuldade da coisa,

[00:20:15] mas poxa, você conseguir o livro, ele chegar na tua casa, você buscar na banca,

[00:20:19] você buscar na loja, dava todo um colorido, dava uma paixão diferente,

[00:20:24] em relação às obras que a gente gosta, os quadrinhos, as coisas que a gente consumia, ou não?

[00:20:29] Sim, eu acho que a produção desse livro foi muito legal,

[00:20:34] porque principalmente essa parte de financiamento coletivo,

[00:20:38] eu acho que traz um sentido de comunidade também,

[00:20:46] todos os trabalhos aqui, eles todos foram pensados para rodar no ambiente digital,

[00:20:51] então tem um pensamento nisso, até pelo tipo do trabalho,

[00:20:57] dos elementos que têm um trabalho, eu sei que aquilo vai ser visualizado numa tela de celular,

[00:21:05] se fosse, por exemplo, se fosse para rodar numa publicação impressa, ele teria um outro cara,

[00:21:10] mas, como você falou, fica muito a mercê da autorização de um bilionário de isso se manter vivo,

[00:21:20] então em algum momento eu acho importante ter essa questão do livro impresso,

[00:21:25] então, por exemplo, depois eu vou marcar um lançamento,

[00:21:28] nesse lançamento já vai ter uma questão de comunidade, as pessoas vão se encontrar,

[00:21:33] as pessoas vão conversar, esse livro vai poder ser emprestado por uma pessoa,

[00:21:37] tem uma ligação que não é só aquela ligação fria de você passar um link, passar um meme,

[00:21:46] e aí postam as suas redes, a pessoa vê e achou legal, e depois sai,

[00:21:49] tudo essa parte impressa carrega junto essa aura de comunidade,

[00:21:57] que é uma coisa que a gente está se perdendo,

[00:22:00] a gente pode ficar meio saudazista, mas eu acho que é importante isso,

[00:22:04] as coisas são tão empurradas para a individualização do isolamento,

[00:22:09] a gente sempre fala das pessoas que se sentem isoladas, se sentem solitárias,

[00:22:13] e às vezes, de repente, uma publicação ela pode fomentar, não sei nem se é o seu caso,

[00:22:20] mas outras publicações podem fomentar esse senso de comunidade,

[00:22:26] você sempre faz um lançamento, as pessoas vão lá, olham na cara do autor, conversam,

[00:22:32] e depois trocam ideias, acho que isso é legal de manter,

[00:22:36] é uma coisa que acaba se perdendo no digital,

[00:22:39] a gente não está mais na pandemia que a gente se isolava e tentava resolver isso no digital,

[00:22:44] já acabou, então a gente pode se encontrar,

[00:22:47] não sei se estou falando isso por ainda influência de carnaval,

[00:22:50] não sou uma pessoa de carnaval, mas eu gosto muito de que as pessoas saem, ocupem a cidade,

[00:22:56] que elas se encontrem, mesmo se elas não forem para um bloco, mas, sei lá, receba pessoas em casa e conversem,

[00:23:04] acho que tudo isso que é produzido nos encontros nunca vai para o digital,

[00:23:09] e é super importante para a gente manter essas relações e os pensamentos rolando assim.

[00:23:15] E falando em carnaval, doutores, semana passada nós tivemos uma coisinha, digamos assim, polêmica na Sapucaê,

[00:23:24] desfile em homenagem ao Lula repleto de sátira que deixou um pessoal meio enfurecido, deixou um pessoal meio irritado,

[00:23:33] estamos falando aqui, Felipe, com um especialista em fazer isso, com um especialista no tema irritar essa galera.

[00:23:40] Como é que é essa questão? Porque o teu humor e a tua leitura do cotidiano, Chris, ela é sempre muito engajada,

[00:23:48] sempre foi, claro, tu tens trabalhos ali, que é que não lembra da tua Anitta,

[00:23:55] que é muito legal, muito bonitinho, Anitta, mas assim, o pessoal que chega em ti, acredito eu muito mais pelo teu discurso,

[00:24:03] pelo teu trabalho o mais crítico, mais ácido possível, sempre com uma pegada de humor, mas com uma denúncia assim,

[00:24:10] que eu consigo notar em ti uma revolta. É revolta que a gente sente, ainda bem que tem gente que nem tu,

[00:24:15] para traduzir em cores e em desenhos criativos. Mas como é que fica isso? Porque a gente às vezes chega num sentido

[00:24:23] que é preciso a sátira, é preciso o deboche, é preciso a alfinetada,

[00:24:29] mas às vezes a gente pensa um pouco também se isso não é uma espécie de distração e tudo mais.

[00:24:35] Bom, eu não preciso dizer os incontáveis problemas que foram suscitados a partir desse desfile da Unidas Literai,

[00:24:42] e eu não acho que seja para tanto, como estão falando, de impugnar candidaturas e isso e aquilo.

[00:24:49] Agora, que realmente dá um caldo para uma certa munição, por outro lado, para ter o que falar também,

[00:24:59] porque tem o que falar, tem o que falar todo mundo. Virou a roda de conversa, fez esse assunto,

[00:25:06] mas o fato é, a gente está numa era em que me parece que, como o pessoal fala que a crise é estética,

[00:25:13] eu não sei, às vezes o humor e às vezes esse tipo de crítica parece muito escrachado e muito literal,

[00:25:20] a polarização está nos tornando às vezes necessariamente muito literais e às vezes é um problema

[00:25:25] para quem trabalha com isso, para quem usa isso como matéria-prima.

[00:25:28] Eu acho que no caso da escola, os caras odeiam o carnaval porque eles não podem participar do carnaval,

[00:25:38] então eles ficam de olho para qualquer brecha que aparecer para poder tentar ganhar pontos com isso,

[00:25:45] no caso os conservadores. E aí, o que eu vi, eles tentando mostrar que foi uma crítica aos evangélicos

[00:25:55] e transformar isso numa impugnação de candidatura, eu não sei, eu acho uma coisa super exagerada,

[00:26:02] mas eu tenho uma noção dentro da minha bolha, não cheguei a rodar pela cidade, pelos lugares,

[00:26:12] para ver se as pessoas estão falando isso, então para mim ficou ainda muito assim,

[00:26:16] será que aquele assunto que está na internet existe fora da internet? Então eu ainda não tive essa percepção,

[00:26:22] talvez agora quando… Será que ele existe fora da internet e do estúdio I? Exatamente.

[00:26:30] São dois lugares onde os assuntos existem muito. Será que o problema que está na Globo News,

[00:26:36] será que é meu esse problema também? E eu acho que eu vou ter mais a noção agora que volta o comércio,

[00:26:43] volta a cidade funcionar direito e ver como que as pessoas estão… Eu gosto muito de rodar pela cidade

[00:26:50] e ouvir o que as pessoas estão comentando, sabe? No cotidiano, tipo, você pega um Uber,

[00:26:57] você conversa um pouco, sei lá, vai na padaria, vai no mercado, vê o que as pessoas estão falando,

[00:27:03] porque às vezes as pessoas estão falando até com desdém, sabe? Às vezes, eu vi um negócio lá que rolou,

[00:27:09] nada a ver, estão falando, o pastor falou, mas eu nem liguei, sabe? Às vezes rola muito isso.

[00:27:16] Então, às vezes, faça uma way, assim, para muita coisa, eles tentam capitalizar, mas às vezes não tem tração.

[00:27:23] Então, eu acho que às vezes, eu acho que é importante, assim, eu pessoalmente comecei a fazer

[00:27:31] os cartoons muito mais, não tinha nenhuma intenção muito estratégia, era uma coisa muito mais para eu

[00:27:40] ter ansiedade das coisas, sabe? Então, porra, tem umas coisas absurdas rolando e eu acho que na minha cabeça

[00:27:48] sempre vinha umas piadas assim, absurdas, e eu falava, mano, eu acho que eu vou desenhar isso. E às vezes eu tava com

[00:27:55] trabalho de outros clientes, eu parava para poder fazer porque eu não conseguia tirar aquilo da minha cabeça,

[00:27:59] então eu precisava falar aquilo. E assim, eu percebia que outras pessoas achavam a mesma coisa, né?

[00:28:05] Às vezes as pessoas mandavam mensagens para mim e falavam assim, cara, eu queria falar alguma coisa para minha família,

[00:28:12] eu não conseguia, mas pelo seu trabalho eu consegui comunicar o que, o quão absurdo eu achava de uma situação

[00:28:19] a partir daquele trabalho. Então, assim, às vezes pensa assim, ah, vai dar atração a mais para uma coisa que eles estão colocando?

[00:28:27] Não, às vezes você traz um outro ponto de vista, né? Tipo, às vezes eles colocam como se fosse uma coisa muito séria,

[00:28:33] muito absurda, assim, tipo, meu Deus, para o Brasil, vamos invadir. Aí você fala, meu, isso é uma piada, sabe?

[00:28:41] Por exemplo, o que está rodando muito, o cara, teve um meme que eu postei, que eu nem fui eu que fiz esse meme,

[00:28:47] eu recebi de um grupo que está falando ainda no tema dos caras, dos conservadores lá, das conservas em lata,

[00:28:56] que era do cara que se explodiu em Brasília, que era, conserva em pedaços, sabe? Tipo, bagulho assim, pesadíssimo,

[00:29:05] mas eu achei tão engraçado aquilo, eu postei, meu, a galera está tudo compartilhando.

[00:29:11] Para os bolsonaristas aquilo foi uma coisa absurda, meu Deus, que coitado, o cara é um herói, o cara se explodiu,

[00:29:18] e a gente usou tanto aquilo que os caras nem falam mais disso, sabe? Nem falam mais, tipo, ficou uma coisa ridícula,

[00:29:25] eles nem comentam, a gente até achou que ia fazer homenagens para o cara, tipo, transformar ele no Marte,

[00:29:32] não falaram mais dele, nem do Olavo eles falam mais, sabe? Que virou um super bem assim.

[00:29:38] É terrível ser tripudiado de uma pessoa que faleceu assim em condições trágicas,

[00:29:45] mas não sei, de alguma forma isso funcionou, sabe? E também a gente vê que as pessoas estão tão fartas dessas figuras,

[00:29:53] que quando acontece esse tipo de coisa parece que estão esperando a piada, sabe?

[00:29:58] E aí quando ela aparece todo mundo adere e vai, aí você ressignifica o negócio.

[00:30:03] Então não sei, eu acho que eu continuo fazendo assim, algumas coisas eu até reavali,

[00:30:09] se não é um caso de ficar dando corda, mas a maioria dos casos eu gosto mesmo de ridicularizar mesmo,

[00:30:15] assim, para aliviar a minha própria ansiedade, e eu percebo que as pessoas aliviam a própria ansiedade delas,

[00:30:21] assim, a partir dos trabalhos e acho que vai indo bem, assim.

[00:30:24] Cris, eu acho muito legal isso que tu falou, só antes um parêntese, pelo menos no pessoal de direita que eu conheço,

[00:30:31] chegou esse negócio do carnaval. Claro que eles não assistem, claro que eles não gostam, nada do gênero,

[00:30:37] mas, ah, é, dinheiro, está tal, indo, sempre tem aquele vínculo com a corrupção, assim, sabe?

[00:30:45] No sentido lato que eles gostam de colocar. Eu achei que não precisava se queimar, ficar explicando coisas por tão pouco,

[00:30:54] fecha o parêntese. Eu gostei muito disso que tu fala, Cris, da questão especialmente do tirar poder que os caras têm, tá?

[00:31:05] Por quê? Porque às vezes a gente, que eu estou falando de campo progressista, a gente acaba dando tanto poder

[00:31:13] para algumas figuras, levando elas a sério, que a gente acaba trazendo para um debate, a gente dá uma importância muito grande

[00:31:23] e essas pessoas vão crescendo. É o que a gente sempre fala aqui do negócio de para de reverberar coisa ruim.

[00:31:30] Quando você diz fulano de tal, lia a coluna dele porque ele fala um monte de bobagem, ordem dessa bobagem.

[00:31:36] Você está dando importância. Quanto mais tu deixar essa pessoa na sua insignificância, mais ela vai desaparecer, né?

[00:31:45] Que não é o caso de falar de um político muito famoso, etc. e tal, porque daí também é o outro lado, né?

[00:31:51] Esquece que o Nicolas Ferreira existe. Porra, mano, o cara tem um milhão e meio de seguidores, sabe?

[00:31:57] O que tu está falando? Ele não vai desaparecer. Mas essa tática de você rir de colherizar,

[00:32:02] de tirar sarro, tu dá risada. E eu só acho que não é terrível, Cris, porque assim a gente tem que parar um pouquinho com certos

[00:32:11] bom mocismos da vida, né? Porque os caras pegam e fazem coisa muito pior. Eles fazem piadas tenebrosas

[00:32:20] a respeito das coisas, memes péssimos, né? Então eu acho que não é um negócio de, não sei se a gente deveria tirar sal.

[00:32:28] Eu acho muito legal isso aí, tirar o poder. Quando você parte pro ridículo, né? E todo o fascismo, ele tem um quê de ridículo?

[00:32:37] É muito mais interessante fazer isso do que ficar levando essa galera a sério. Isso é o que eu acho mais legal, por exemplo, do teu trabalho.

[00:32:46] É, mas a ideia é essa mesmo. A ideia é você mina o poder, porque o fascismo sempre vem com esse ideal de poder,

[00:32:56] de virilidade, de perfeição, de uma coisa imaculada. E aí quando você pega e você ridiculariza, eu gosto muito de até usar essa linguagem

[00:33:13] meio de cartoon, até fofinho, sabe? Tem gente que fala assim, ah não, o fulano está muito fofinho. Mas é para tirar toda essa aura,

[00:33:23] se você vê as coisas deles quando eles se exaltam, é totalmente o contrário. É o cara machão, é o cara fortão.

[00:33:33] E tinha uma época até que eles faziam de um jeito que eles copiavam da extrema-direita americana, que era se auto-escrachar.

[00:33:42] E eles meio que foram largando isso, porque eles não conseguem fazer, sabe? Eles não têm esse humor.

[00:33:48] Mas era uma coisa que até funcionava para eles, até minava um pouco essa coisa de ridicularizá-los. Mas eles não conseguem, eles fazem, sei lá,

[00:33:59] copiando alguma fórmula de alguma coisa. Eu acho assim, quando você pega uma coisa e você ri, você abre uma via na sua mente,

[00:34:10] para aquela informação entrar já com um ruído que já incorpora a piada. Então, quando eles estão trazendo alguma coisa muito séria,

[00:34:20] você transforma uma piada, aquilo dá certo, é muito difícil para os caras depois, sabe? Aquilo se tornar popular, é muito difícil para os caras tentarem

[00:34:29] trazer a seriedade para o negócio. Isso eles fazem com a gente também, né? Muitas vezes a gente também tem dificuldade de colocar pautas nossas,

[00:34:38] e eles ou usam o terror para criar um ruído e, por exemplo, a discussão da escala 6x1. Tem muito terror, não é?

[00:34:48] Meu Deus, o empresariado vai morrer, vai ter muito que fechar. E no fim das contas, a conversa é assim, a pessoa pode ter um pouco mais de tempo livre,

[00:34:58] sabe? Não vai, ninguém vai fechar, mas aí colocam todos esses ruídos e tal. Então, a gente acha também um jeito de colocar os nossos ruídos

[00:35:07] para as coisas absurdas que eles propõem, né?

[00:35:09] Perfeito, o Gabriel Divan.

[00:35:11] Pois é, é nessa toada que a gente entra também nessa outra temática que é o tipo de humor e o tipo de discurso político de hoje, né?

[00:35:21] Porque a gente vem sob um domínio avassalador da forma meme, né? A forma social, a forma política meme, né?

[00:35:31] E, cara, isso é uma máquina, assim, muito impressionante, muito impressionante mesmo. Bom, o suposto líder do free world, né?

[00:35:40] O presidente do mais poderoso do mundo, o cara governa a toques de meme, o cara legisla, né? Eu sei que não é no sentido literal que eu estou falando,

[00:35:53] o fato é que ele decreta, o fato é que ele se comunica, ele despacha sob a forma de memes, ele não deixa de usar sua conta pessoal numa rede social, né?

[00:36:04] Para passar por cima, inclusive da conta oficial, que também tem largo alcance e tração, que é a da presidência dos Estados Unidos,

[00:36:12] ele faz tudo isso numa linguagem que é perfeitamente adequada para uma realidade onde as pessoas não só gostam de memes, como elas talvez só queiram e só saibam.

[00:36:22] O público dele só sabe consumir memes. Tanto é que de pesquisa sobre qual é o remédio ou vacina que dá para usar, passando por teorias políticas,

[00:36:33] chegando em conspirações absurdas, né? Que acaba indo para o próprio rabo, né?

[00:36:38] Ou seja, tudo isso aí é basicamente alimentado por um tipo de comunicação que ela pega um pouco do humor, ela pega um pouco de retórica,

[00:36:48] ainda que de um jeito tosco, pega um pouco de sarcasmo, pega um pouco de tentativa de impor, ela abaixa as coisas e faz uma misturada e atira para o consumo da galera.

[00:36:59] E parece que a gente não tem outra alternativa se não jogar no mesmo jogo também, só que para jogar bem nesse jogo é preciso ter um quezinho de maldade,

[00:37:08] é preciso ter uma pitadinha de um sarcasmo meio perverso, porque a gente já sabe muito bem que meme do bem, meme esmilinguido, meme da Proerds, não funciona, cara, não funciona.

[00:37:20] Então a gente está jogado num mundo onde o próprio humor ou a própria questão de fazer arte com esse sentido, ela está um pouco colonizada.

[00:37:31] Quantas vezes Cristo já pensou numa tirinha, num quadro, numa cena que você vai fazer e pensa assim, eu vou botar tal coisa aqui para dar uma viralizada ou isso aqui vai engajar ou não vai e tudo mais?

[00:37:42] Isso não é um pecado, né? Não é um pecado porque é uma coisa que o artista acaba obrigado a pensar hoje também, ainda que obviamente não pensa só nisso.

[00:37:50] Isso que você falou é totalmente verdade e é engraçado você falar do Trump que ele usa o meme para se comunicar e também para conduzir o que ele quer que as pessoas saibam só, né?

[00:38:00] Então, por exemplo, quando tem alguma coisa lá da lista do Epstein que saiu, ele põe o meme todo zoado para ninguém falar mais sobre e falar só sobre o meme.

[00:38:10] E é isso, vai moldando o discurso. Eu acho que no meu próprio trabalho eu tento colocar algumas coisas.

[00:38:20] Acho que assim, acho que tem que ter sempre um que de fundão, de turma do fundão, de quinta série, porque isso se conecta a uma coisa afetiva, uma coisa de zoeira.

[00:38:36] Então eu sempre tenho que trazer alguma coisa desse tipo, mas eu pessoalmente eu tento colocar num limite.

[00:38:44] Acho que é pela minha própria personalidade mesmo. Eu não sou assim uma pessoa super escachada que, sabe, xinga muito assim.

[00:38:52] Então se eu começasse a fazer isso não seria nem eu não reconhecer o meu próprio trabalho ali.

[00:38:59] Mas eu tento trazer referências assim, comuns, sabe? Eu penso quem vai receber aquele trabalho.

[00:39:05] Por exemplo, eu fiz um quadrinho esses dias que, assim, é uma coisa que não tem a ver exatamente com política, tem um pouco.

[00:39:13] Tem um pouco porque eu cito a escala Thesis por Um, que é sobre angústia de domingo, que é um negócio que eu queria já fazer há um tempo, sabe?

[00:39:21] Chega domingo e fala, pô, essa coisa de esse sentimento péssimo, né? Por que a gente tem angústia de domingo?

[00:39:27] Eu tenho vários estudos aí sobre por que a pessoa tem esse sentimento, tipo, de ter que trabalhar na segunda-feira.

[00:39:36] E se a pessoa não tivesse que trabalhar na segunda-feira, será que ela sentiria, né? Será que se ela tivesse mais tempo para poder desfrutar?

[00:39:43] E aí eu fiz um quadrinho, então é assim, é como se o cara está na casa dele, já tem muito o que fazer à noite, e aí começa o fantástico.

[00:39:52] Começa ele ter vários gatilhos, assim, de angústia de domingo, e aí chega um monstro perto dele, que é o monstro da angústia de domingo.

[00:40:01] E aí o monstro vem e fala, por exemplo, várias perguntas. Ah, já fez a marmita? Já está preparado para a reunião amanhã?

[00:40:07] Aí eu coloquei uma coisa que é do Jesus do SBT, sabe? Que ele tem, antigamente, um Jesus SBT no domingo que foi a causa de traumas de gerações, assim.

[00:40:20] Pelo menos a minha, eu sempre lembro daquele Jesus aparecendo, tendo que ir dormir para acordar cedo para ir para a escola.

[00:40:26] E aí tem uma frase que ele falava assim, você já fez tudo o que podia pelo seu semelhante?

[00:40:30] E aí eu coloquei essa frase no quadrinho, então esse quadrinho está rolando assim, sabe?

[00:40:35] Está sempre a pessoa compartilhando, toda vez chega domingo, todo mundo acha esse quadrinho e compartilha.

[00:40:41] E embaixo, para finalizar o quadrinho, eu coloquei, se a angústia de domingo poderia ser menos angustiante, acho que não lembro agora a frase que eu coloquei,

[00:40:49] mas poderia ser menos angustiante se tivesse o fim da escala 6x1, sabe?

[00:40:54] Então assim, eu embuti uma mensagem ali que, se aquilo for atingir públicos que não estão engajados em política,

[00:41:01] que estão vendo alguma coisa no Instagram sobre, sei lá, saúde mental, que às vezes acaba aparecendo,

[00:41:07] aí já tem lá uma informação embutida para ela pensar a respeito.

[00:41:12] Então eu tento fazer muito isso, sabe? Tem a piada, tem alguma referência afetiva, tem alguma coisa.

[00:41:18] Então estou procurando também trabalhar temas, vendo muito material de saúde mental,

[00:41:24] tem até a minha própria terapia também que está me ajudando nisso.

[00:41:27] Então, sabe, eu vou sempre tentando incorporar esses elementos assim.

[00:41:31] Olha, você jovem que está nos escutando e não tem talvez ideia da dimensão do que o Cristo está falando,

[00:41:40] faz o seguinte, vai no YouTube, vai no Google, vai a algum lugar e bota assim Jesus do SBT, tá?

[00:41:46] Você vai ver um vídeo completamente macabro que nos assombrava no domingo, exatamente como ele está falando.

[00:41:54] E assim, é um Jesus não é exatamente acolhedor, né?

[00:41:57] Ele parece saído de um videoclipe, aquele de transmissão de TV de um show do Deep Purple, em 1970.

[00:42:04] E é uma estética completamente horrorosa. E aí ele dizia assim, ó,

[00:42:08] Paz, amor, fé, esperança, luz, união não são apenas palavras.

[00:42:16] Você tem certeza que fez tudo o que podia pelo seu semelhante?

[00:42:21] Pense bem, pois um dia vamos nos encontrar e eu gostaria muito de chamá-lo de meu filho.

[00:42:28] Era macabro, o bagulho era macabro, assim, horroroso aquilo lá, cara.

[00:42:34] E além de vir com a questão da angústia da segunda-feira e tudo mais,

[00:42:38] ainda tinha um quezinho de ameaça, Felipe, porque o Jesus assim, ó,

[00:42:42] Pense bem, um dia eu gostaria de chamá-lo de meu filho.

[00:42:46] Quer dizer que tem chance de não chamar, né?

[00:42:48] Tem gente que tem chance de eu te mandar para o outro setor lá, né?

[00:42:50] Cara, é um negócio complicado.

[00:42:51] Que bizarrice, velho.

[00:42:53] Olha que quem cresceu nos anos 80 e 90 já viu coisas, né? Coisas indizíveis.

[00:42:59] Não, detalhe, detalhe, né? Isso aí passava no SBT em meio ao Programa Civil Santos,

[00:43:04] que já estava lá nos finalmentes da sua programação,

[00:43:08] e eu ficava a minha avó assistindo aquilo e eu, do lado dela, sentadinho.

[00:43:13] E aí no SBT, lá pelas tantas, tinha um show de calouros e essa hora, mais ou menos, né,

[00:43:17] para contrastar com o Jesus, tinha o show dos Transformistas,

[00:43:21] que nada mais era do que um lip sync de drag queens da sua época, embora não levasse esse nome.

[00:43:27] Sim, verdade.

[00:43:28] Seria completamente cancelado, né?

[00:43:30] Nossa, nossa!

[00:43:32] Não, é muita coisa politicamente incorreta que acontecia, cara.

[00:43:36] Os Transformistas!

[00:43:38] Os Transformistas, cara.

[00:43:40] Mas quando eu vi aquele documentário a respeito do assassinato da…

[00:43:44] Como é que é o nome? Da filha da roteirista de novela da Globo, da Daniela Peres.

[00:43:50] Cara, pelo amor de Deus, velho!

[00:43:54] Sabe, o que acontecia nesse mundo não é uma coisa simples.

[00:43:58] Cara, no documentário tem uma hora que a população quer invadir a delegacia

[00:44:02] e Alexandre Frota está na frente pedindo calma.

[00:44:05] Isso, ele é o sensato.

[00:44:07] Ele é o sensato da década, para ter uma ideia.

[00:44:11] Mas, Cris, adaptando para a nossa década, né, uma coisa que tu falou de passagem ali no início,

[00:44:17] quando estava falando dos NFTs, eu queria saber agora

[00:44:20] a respeito da tua relação com o negócio das imagens, dos desenhos

[00:44:24] feitos por inteligência artificial.

[00:44:27] Porque assim, a gente fez o nosso último episódio a respeito disso

[00:44:31] e eu acho também que é daqueles negócios assim que a galera não está pesando muito bem.

[00:44:38] Eu acho completamente sacanagem eu pegar e dizer assim

[00:44:42] olha, quero um desenho no mesmo formato que o Cris Vector.

[00:44:46] Eu acho que isso aí é um desrespeito completo, que nem estavam fazendo com o negócio de

[00:44:50] faça o seu desenho como do estúdio Ghibli, né?

[00:44:53] Ah, irmão, vai se fuder, cara.

[00:44:55] Falou, amor de Deus, coisa ridícula, coisa boomer do caralho, assim.

[00:44:59] Agora, tem uma galera também que passa olhando numa lupa

[00:45:03] todas as imagens que passam na sua timeline.

[00:45:06] Dizendo, olha, Iá, né, rova-se usando o Iá, o Iá.

[00:45:10] Calma, velho, também calma, eu também não vou chegar assim, ó.

[00:45:13] Cris, tive uma ideia aqui de um meme que eu queria fazer, né?

[00:45:18] Quero te contratar porque eu acho divertido.

[00:45:21] O cara não vai fazer isso aí também, né?

[00:45:23] Ah, gastou um bilhão de litros d’água, né?

[00:45:26] Assim como várias outras coisas gastam, sei lá.

[00:45:29] Como é que tu vê todo esse negócio assim?

[00:45:31] É meio paranoia, meio tem razão.

[00:45:34] Qual é que é o lance?

[00:45:35] Olha, pra mim, assim, é bem complicado porque

[00:45:39] eu afeto muito o meu próprio trabalho, né?

[00:45:42] É muito improvável eu receber um trabalho de uma pessoa, uma pessoa física.

[00:45:49] Falar, eu tava aqui em casa, quis fazer um meme e eu queria te contratar.

[00:45:53] Até porque algumas coisas demandam uma velocidade que eu não tenho como atender.

[00:45:59] Por mais que eu trabalhe rápido, eu não tenho como atender, né?

[00:46:02] Então, às vezes a pessoa tá lá mexendo, teve uma ideia, fez,

[00:46:05] ok, ela não vai contratar uma pessoa pra fazer isso.

[00:46:08] O que pegou no meu trabalho bastante foi que

[00:46:12] pessoas que começaram a contratar meu trabalho,

[00:46:15] elas começaram a fazer os seus layouts usando a inteligência artificial.

[00:46:20] E elas começaram a viciar o próprio trabalho já com a linguagem de IA.

[00:46:26] Então, assim, parte do meu trabalho foi corrigir layouts de IA.

[00:46:32] Então, aí o trabalho final fica com uma cara muito comum de inteligência artificial

[00:46:38] e depois a gente tem que ficar limpando essas coisas, né?

[00:46:42] E eu acho que, assim, primeiro que é uma negócio que, assim,

[00:46:48] as ilustrações de IA, a máquina foi alimentada com o trabalho de alguém.

[00:46:53] Isso, ela não criou do nada, né?

[00:46:56] Então, foram milhares e milhares e milhões de imagens

[00:47:00] que foram usadas como modelo pra treinar.

[00:47:04] Não à toa que as primeiras IAs elas têm uma cara de ilustração

[00:47:09] daquelas ilustrações de fan art ou concept art de personagens,

[00:47:15] porque tem muitos fóruns que as pessoas trocam muitas imagens de processo de trabalho,

[00:47:21] de um estilo de trabalho, assim, bem característico.

[00:47:27] Então, as primeiras sempre foram nesse estilo.

[00:47:30] E era muito marcante o estilo até de alguns artistas.

[00:47:36] Teve artistas que até identificaram a própria assinatura na IA.

[00:47:40] Porque a IA interpretou aquela textura só que era a assinatura da pessoa.

[00:47:47] Eu acho que eu não lembro agora o nome da ilustradora,

[00:47:50] mas ela estava tentando processar uma empresa de IA

[00:47:53] porque ela identificou em várias imagens a assinatura dela lá.

[00:47:56] Isso aí é uma coisa que quando você pega uma empresa que poderia, por exemplo,

[00:48:02] uma coisa que está rolando, que toda vez que eu vejo, fico assim,

[00:48:06] tem as Olimpíadas de Inverno agora rolando.

[00:48:09] Então, por exemplo, na Casa TV eles estão utilizando ilustrações.

[00:48:13] E, cara, é tudo IA.

[00:48:15] Só que, assim, são ilustrações até bacanas,

[00:48:18] mas eles têm como contratar, teriam como contratar um ilustrador, sabe?

[00:48:22] Eu acho que, e outra, eles parecem ter um orgulho de que pareça IA.

[00:48:28] Até alguém apontou uma ilustração de, não sei se é Bob’s Legend, sei lá,

[00:48:35] que estava até o B.R.A. do Brasil escrito tudo errado.

[00:48:39] E os caras colocaram no ar mesmo assim.

[00:48:41] Se você tivesse contratado um ilustrador para fazer aquilo,

[00:48:45] o cara até quer fazer muito rápido.

[00:48:48] Ele nem é entregado daquele jeito,

[00:48:50] porque a gente tem muito zelo pelo trabalho, sabe?

[00:48:54] E eu fiquei pensando, po, eles poderiam pegar alguém para, sabe,

[00:48:58] fazer as ilustrações, um estúdio, uma equipe, ajudar a divulgar também,

[00:49:03] eles que têm todo esse discurso de ter vindo do chão,

[00:49:07] de ter vindo de ser alternativo, de fomentar comunidade,

[00:49:13] eles poderiam usar isso até para fomentar uma outra comunidade de artistas.

[00:49:19] Então essas coisas que às vezes pegam, porque parece que está tudo num hype,

[00:49:23] todo mundo parece ter orgulho de usar IA, independentemente,

[00:49:28] não tem nenhum argumento que faça as pessoas que querem usar isso pensar a respeito,

[00:49:33] já está começando a ficar assim,

[00:49:35] essa coisa de quem usa IA é porque não quis gastar com uma qualidade melhor de trabalho.

[00:49:43] Então não sei se isso vai se perdurar, se isso vai se reverter,

[00:49:47] se o hype vai passar,

[00:49:49] mas a questão é que assim, está viciando muito o tipo de imagem,

[00:49:55] as pessoas já olham ilustração e já falam que é IA,

[00:49:59] às vezes é uma ilustração de verdade e as pessoas já acham que é IA,

[00:50:03] está tirando realmente o trabalho de bastante gente

[00:50:07] e está tentando passar ao redor,

[00:50:13] tentando sobreviver, fazendo outros tipos de trabalhos,

[00:50:16] mudando o próprio estilo para não parecer IA,

[00:50:18] mas não sei até quando isso vai rolar,

[00:50:22] se vai ser uma coisa que vai ser na nossa época,

[00:50:25] se daqui alguns anos ninguém vai mais usar, não sei.

[00:50:28] Para mim é bastante incerto assim.

[00:50:30] Isso aí é o Gabriel Divan que agora vai ter que parar de usar a travessão,

[00:50:33] por causa que outro dia ele me mandou a parte de um troço que a gente está escrevendo juntos,

[00:50:37] eu mandei para o Terriã, eu digo Terriã, se eu largar isso aqui num detector,

[00:50:41] o que você acha? Ele disse 100% IA.

[00:50:43] 100% IA, que bom se fosse IA,

[00:50:46] daí eu estava de barriga para cima fazendo alguma outra coisa

[00:50:49] e não estava a moda antiga, pensando e escrevendo,

[00:50:53] mas que coisa.

[00:50:56] Cara, esse negócio aí é um negócio interessante

[00:51:00] para a gente discutir sobre vários aspectos.

[00:51:03] Será que a IA vai ter o seu momento também?

[00:51:07] Porque daria para levar o papo para muitos lados.

[00:51:10] Aquela coisa, por exemplo, da reprodutibilidade,

[00:51:13] do Andy Warhol, por exemplo,

[00:51:16] as fotos da Mellen, do Mau, da lata de sopa de tomate e tudo mais.

[00:51:22] Será que vai chegar um momento assim que vai rolar a exposição da IA,

[00:51:26] enquanto IA assumidamente usada como um produto em si mesmo?

[00:51:31] Olha aqui, fiz aqui um monte de cópias,

[00:51:34] vi um trabalho de Chris Vector,

[00:51:37] e aí vira uma confusão entre Chris Vector se achar roubado, se achar homenajado,

[00:51:42] quem lucra com o quê, é muito interessante isso aí.

[00:51:46] Mas eu estava escutando, e aqui já pode ser incidentalmente

[00:51:50] uma das dicas futuras aí, a gente sempre dá essa dica aqui.

[00:51:55] Eu estava escutando o episódio do Fischer e os Fischerenos com o Herbaldo Maia,

[00:52:00] maravilhoso, saiu na semana passada também.

[00:52:03] Mandei até para o Gonzen, meu carnaval,

[00:52:06] o cara tira um tempinho para ouvir porque é coisa boa.

[00:52:10] E eles estavam discutindo isso, quer dizer,

[00:52:13] precisa realmente, tem muitos usos da coisa,

[00:52:18] e tem muita coisa que já usa esse tipo de ferramenta,

[00:52:22] esse tipo de tecnologia.

[00:52:25] Agora, a gente precisa realmente de mais vídeos de gatinhos,

[00:52:29] fazendo coisinhas fofas, não dá para a gente fazer vídeos de gatinhos

[00:52:33] como a gente sempre fazia até pouco tempo atrás, até dois anos atrás,

[00:52:37] mas que diabo, e precisa se consumir tanta energia

[00:52:41] para você usar esse tipo de coisa.

[00:52:44] Claro, a gente tem que entender também,

[00:52:47] quando se fala do estouro da bolha,

[00:52:50] obviamente vai ter um monte de empresa que segue,

[00:52:53] seguiu e seguirá trabalhando com isso, porque isso tem um potencial

[00:52:57] bastante interessante para muita coisa.

[00:53:00] Agora, quando se fala de arte,

[00:53:03] a gente tem que tomar esse cuidado porque estamos falando

[00:53:06] de simplesmente encurtar caminhos,

[00:53:09] o que muitas vezes não é exatamente o trabalho da arte.

[00:53:13] A arte tem que nos propor alguma coisa,

[00:53:16] a arte tem que nos causar alguma sensação,

[00:53:19] eu não estou falando só de uma alta cultura,

[00:53:22] como alguns gostam de falar, um termo horroroso,

[00:53:25] eu digo que a arte nos provoca coisas,

[00:53:28] e encurtar caminhos para promover esse tipo de sensação,

[00:53:31] você acaba basicamente matando a possibilidade do próprio artista existir.

[00:53:35] E aí vem aquela velha discussão, mas e aí?

[00:53:38] E se uma música for produzida inteiramente por um robô, por um algoritmo,

[00:53:42] e se eu pedir para ele um dia, eu quero uma música assim assado

[00:53:45] com influência assado assim, com um saxofone

[00:53:48] no mesmo estilo de pá, e aí?

[00:53:51] Daqui a pouco é isso, é filme, é desenho e tudo mais, né?

[00:53:54] Bom, não tem agora lá o outro que vai fazer um filme

[00:53:57] inteiramente com o Iá, lá, o Aronofsky, não é isso?

[00:54:00] Não, assim, cara, pior que já tem, viu?

[00:54:03] Eu estava até vendo sobre música de Pão Lúcio…

[00:54:07] Sabe qual o problema do hype da Iá também?

[00:54:11] Que assim, por exemplo, no Instagram, qualquer coisa que você…

[00:54:14] Eu estou por base no Instagram, que eu uso bastante.

[00:54:17] Mas se você fizer qualquer coisa que tenha Iá,

[00:54:20] que você coloque um rótulo de Iá, o Instagram entrega mais.

[00:54:23] Então, por exemplo, o Spotify.

[00:54:26] Spotify tem músicas que é feita por Iá,

[00:54:29] e os caras anunciaram isso como se fosse uma grande coisa,

[00:54:32] como se fosse uma coisa maravilhosa, e eles acabam entregando mais.

[00:54:35] Nas redes sociais, então, sabe, por exemplo, TikTok,

[00:54:38] um vídeo de gatinho de Iá vai entregar mais,

[00:54:41] porque está configurado para entregar mais Iá,

[00:54:44] porque parece que é um negócio que tem que enfiar na goela abaixo das pessoas, assim.

[00:54:48] E isso é preocupante, porque aí você vai moldando

[00:54:51] a percepção das pessoas,

[00:54:54] e elas vão se acostumando com aquilo até o ponto que,

[00:54:57] tipo, tanto faz ser Iá ou não Iá,

[00:55:00] sabe, não sou artista, o pessoal pensa desse jeito,

[00:55:03] não sou artista, só quero ver um vídeo engraçado e republicar.

[00:55:06] A negócio que é uma coisa

[00:55:09] que realmente me preocupa, assim, sabe,

[00:55:12] eu não consigo ver

[00:55:15] uma forma de resistir a não ser

[00:55:18] de conscientização mesmo, sabe, porque

[00:55:21] lutar contra isso é muito difícil.

[00:55:24] Eu estava até lendo hoje de manhã porque, assim, eu tive um

[00:55:27] computador que teve um problema com uma placa de vídeo.

[00:55:30] Eu estou vendo que no mercado, eu deixei numa oficina

[00:55:33] para resolver e eles não estão achando placa de vídeo

[00:55:36] no mercado. Aí eu vi uma matéria hoje falando que

[00:55:39] as empresas, elas que fabricam

[00:55:42] componentes de computador,

[00:55:45] elas estão vendendo para empresas que fazem

[00:55:48] data centers, então a produção toda está

[00:55:51] indo para esses lugares, então, assim, no futuro

[00:55:54] próximo, se você tiver um problema com o seu computador,

[00:55:57] você vai gastar muito mais porque não vai ter peça no mercado,

[00:56:00] porque os caras estão comprando tudo para fazer data center,

[00:56:03] para rodar IA, para, sabe, é um negócio que está

[00:56:06] sendo construído de uma maneira muito grandiosa,

[00:56:09] isso ainda vai dar muito problema, vai dar

[00:56:12] problema para qualquer pessoa que tem, sabe,

[00:56:15] não produtores grandes, mas pessoas, tipo eu, vocês,

[00:56:18] que produzem, sabe, coisas assim,

[00:56:21] mais em baixa escala

[00:56:24] e é muito preocupante, assim, é um negócio que é

[00:56:27] grandiosíssimo e isso me preocupa muito,

[00:56:30] assim, eu não sei como isso vai

[00:56:33] ser revertido, eu não sei quantas pessoas ainda vão perder

[00:56:36] seu emprego, mas sei lá, cara, eu tô, assim,

[00:56:39] eu fico um pouco pessimista, assim, sabe, eu gosto

[00:56:42] de como a comunidade reage, como as pessoas

[00:56:45] abraçam a causa, sabe, tipo não, vamos,

[00:56:48] vamos fomentar as coisas mais de artistas

[00:56:51] reais, né, mas acho que

[00:56:54] em algumas gerações isso vai acabar

[00:56:57] ficando em segundo plano, assim, não sei.

[00:57:00] É complicado, eu concordo plenamente contigo,

[00:57:03] Cris, no que diz respeito, por exemplo, essas grandes empresas, eu acho

[00:57:06] assim, um papelão, cara, eu vi esses negócios da Casetev, assim,

[00:57:09] eu achei uma coisa horrível, né,

[00:57:12] essa ideia é uma coisa que a gente já falou antes

[00:57:15] de que tudo está pronto, feito por inteligência

[00:57:18] artificial, é muito ruim, é muito ruim mesmo, assim,

[00:57:21] mas voltando até pra questão política,

[00:57:24] Cris, como é que tu tá vendo,

[00:57:27] como é que mudou pra ti com o governo Lula,

[00:57:30] né, porque tu começou mais ou menos então,

[00:57:33] né, esse negócio de 2015, 2016, mais ou menos na mesma

[00:57:36] época que a gente, né, Divã, e

[00:57:39] teve muito tempo que a gente ficou, podia

[00:57:42] chorar muita pitanga, podia atacar muito mais fácil,

[00:57:45] como é que ficou pra ti esse negócio agora, assim,

[00:57:48] Poxa, governo Lula, né, perdeu muito

[00:57:51] assunto ou ainda tem bastante coisa pra falar vindo

[00:57:54] do lado de lá? Olha, acho que durante o governo Lula

[00:57:57] mudou um pouco o foco, né, que antes

[00:58:00] o governo Bolsonaro a gente tava sobrevivendo, né, a gente tava literalmente

[00:58:03] no apocalipse,

[00:58:06] até o tema do livro, mas

[00:58:09] a gente tava naquela coisa de, tipo,

[00:58:12] as coisas a gente ligava o noticiário, via aqueles

[00:58:15] absurdos, aquele cara falando na TV e falava, pelo amor de Deus, cara,

[00:58:18] impossível isso. Então,

[00:58:21] tava muito mais no modo sobrevivência, no modo,

[00:58:24] sabe, tipo,

[00:58:27] de coisas diárias absurdas. E aí entrou o governo Lula,

[00:58:30] acho que a primeira

[00:58:33] primeiro sentimento era dar tração

[00:58:36] às coisas que eles faziam, né, de

[00:58:39] reconstrução, de retomada de

[00:58:42] programas sociais e retomada de economia.

[00:58:45] Então, eu tava muito nessa pegada de realmente, de

[00:58:48] assim, eu por mim mesmo, tipo, não,

[00:58:51] a gente precisa dar tração às essas coisas bacanas

[00:58:54] que estão rolando, né, de, tipo,

[00:58:57] de coisas que foram prometidas em campanha

[00:59:00] e que estão sendo feitas, então teve a questão dos impostos,

[00:59:03] teve a questão dos programas sociais que reativou,

[00:59:06] lembro que teve, que voltou

[00:59:09] a Bolsa Família, então, assim,

[00:59:12] a gente foi dando tração às essas coisas.

[00:59:15] Mas depois acho que da metade do governo pra cá,

[00:59:18] principalmente, o governo começou a ser

[00:59:21] muito atacado, né, principalmente por essa

[00:59:24] mídia mais, mais assim, entre aspas,

[00:59:27] isenta, né, tipo, aqueles ataques mais

[00:59:30] sutis, ah, porque economia não sei o quê, economia não sei o quê lá,

[00:59:33] ah, porque a janja.

[00:59:36] Então, aí voltou o modo de defesa, que é uma coisa muito

[00:59:39] difícil de fazer, né, então, às vezes,

[00:59:42] tem coisas que ganham tração no ódio, né, então, com delícia.

[00:59:45] Quando você, por exemplo, teve aquela questão lá

[00:59:48] do Nicolas, do vídeo,

[00:59:51] contra o Pix, né,

[00:59:54] que trabalhou, sabe, um super,

[00:59:57] um medo das pessoas baseada numa teoria de conspiração

[01:00:00] que eles mesmo criaram, era muito

[01:00:03] difícil reverter, sabe, e aí

[01:00:06] porque assim, é muito mais difícil você estar no papel de ficar

[01:00:09] defendendo essas coisas do que propor, né,

[01:00:12] então mudou um pouco o foco, né, então,

[01:00:15] assim, também acaba tirando um pouco

[01:00:18] do foco dos Bolsonaro, porque tinha material

[01:00:21] sempre pra ridicularizar, a gente acabou, eu pelo menos

[01:00:24] fiquei mais na parte dos julgamentos

[01:00:27] dos condenados pelo

[01:00:30] 8 de Janeiro, que foi também uma coisa

[01:00:33] legal que foi rolando e

[01:00:36] como essas pessoas foram,

[01:00:39] assim, caindo, né, aquele poder

[01:00:42] delas, que elas tinham, na época que a gente, nos anos Bolsonaro

[01:00:45] pareciam pessoas imbatíveis, né, que elas

[01:00:48] faziam tudo, e aí elas foram sendo condenadas

[01:00:51] e as defesas delas, assim, tentando apelar pra tudo

[01:00:54] e a gente acabou, aí eu ridicularizava

[01:00:57] muito essa coisa, umas tentativas muito

[01:01:00] patéticas, assim, de se defender, defender o

[01:01:03] indefensável, né, e também o próprio

[01:01:06] visão do Bolsonaro, que acho que a

[01:01:09] gente precisava muito comemorar isso, sabe, precisava muito

[01:01:12] ser feliz com isso, porque uma coisa que eu

[01:01:15] realmente achava que não ia rolar não, eu achei

[01:01:18] que as coisas foram

[01:01:21] caminhando de uma forma

[01:01:24] correta, né, do jeito que deveria

[01:01:27] ser, pra depois não ter problemas mais pra frente, né,

[01:01:30] e quando rolou, acho que teve muito que se

[01:01:33] comemorar, assim, então a produção

[01:01:36] de cartões e tudo foi nesse sentido, assim,

[01:01:39] sabe, de também estar uma mais

[01:01:42] orçizada, assim, sabe, nas coisas.

[01:01:45] Mas, assim, de forma geral mudou muito o caráter, né,

[01:01:48] era uma coisa muito mais de ataque, agora

[01:01:51] uma coisa mais de parte ataque, parte ironização,

[01:01:54] parte divulgação das coisas boas,

[01:01:57] então, assim, nesse período, agora vai

[01:02:00] entrar as eleições, então eu acho que vai ter

[01:02:03] que ficar muito esperto com o que eles vão trazer, né,

[01:02:06] a direita vai trazer pra desconstruir isso

[01:02:09] que foi construído, né, durante o governo,

[01:02:12] e aí ainda não sei como vou me situar

[01:02:15] nisso aí, mas vou ver como que

[01:02:18] vai rolar mais pra frente, hein. Muito bom,

[01:02:21] Gabriel Divan. Pois é, cara, é uma coisa muito

[01:02:24] louca, né, porque a gente passou por tanta

[01:02:27] coisa, né, e nossa, assim, é uma coisa que

[01:02:30] eu insisto muito aqui há muito tempo, assim,

[01:02:33] parece, esses caras fazem parecer

[01:02:36] que cabe mais coisa no tempo, né,

[01:02:39] de tanta coisa, de tanta notícia,

[01:02:42] de tanta loucura, e é um negócio

[01:02:45] impressionante. Tão pra vir aí mais eleições,

[01:02:48] tão pra vir aí, né, mais cenários, digamos,

[01:02:51] assim, perigosos pra nos dar dor de cabeça,

[01:02:54] talvez não tanto desesperados quanto

[01:02:57] os últimos, mas a gente sempre tem aí

[01:03:00] matéria-prima, né, mais do que nunca, né,

[01:03:03] tamo no Brasil, né, e tamo num país em que,

[01:03:06] meu Deus, né, só de olhar a capa, né,

[01:03:09] só de olhar a capa do apocalipse,

[01:03:12] né, do Chris Vector, a gente já percebe

[01:03:15] assim, meu Deus, cara, quanta coisa, quanta coisa,

[01:03:18] isso é só a capa, é só a capa, e aí o cara

[01:03:21] começa a pensar, né, no trabalho e pensar em todo o

[01:03:24] resto, e a gente fica até meio maravilhado, assim,

[01:03:27] como é que se consegue, cara, é muito impressionante,

[01:03:30] né, e, poxa, tu inclusive conta com

[01:03:33] o prefácio do Boulos, né? Sim, sim, foi uma coisa

[01:03:36] assim, cara, ele foi muito generoso,

[01:03:39] ele foi muito generoso, sabe, em poder

[01:03:42] escrever, eu trabalhei na campanha do Boulos,

[01:03:45] aquela campanha, não do ano passado, mas a

[01:03:48] campanha, a primeira campanha dele como prefeito,

[01:03:51] ainda na pandemia, né, que

[01:03:54] ele, assim, não podia se sair, não tinha,

[01:03:57] a parte forte do Boulos sempre foi essa parte

[01:04:00] de sair, de conversar com as pessoas na rua,

[01:04:03] e aí ele precisava, ele tava muito atrás,

[01:04:06] ele precisava tirar uma diferença do Rosumano aqui,

[01:04:09] até chegar no Bruno Covas,

[01:04:12] e então a campanha dele foi uma coisa assim,

[01:04:15] teve uma, um mote que era do Boulos

[01:04:18] invasor, então ele começou a invadir

[01:04:21] artpop, ele começou a invadir o mangá, ele começou a invadir

[01:04:24] tudo, todas essas, diversas linguagens

[01:04:27] de comunicação, né, então isso abriu possibilidades pra muita gente

[01:04:30] colaborar, e aí eu fui uma das pessoas que começou a colaborar,

[01:04:33] era assim, tipo, eu não fui convidado, assim, até, até

[01:04:36] teve um contato com a campanha, assim, mas essa parte

[01:04:39] orgânica das pessoas se juntarem, sabe,

[01:04:42] então tinha muita gente de fora de São Paulo,

[01:04:45] falava, nossa, se eu pudesse votar em São Paulo, eu votava no Boulos.

[01:04:48] Fala, então você não pode votar, mas você pode criar um meme,

[01:04:51] pode fazer uma arte, pode colocar nas suas redes,

[01:04:54] e isso aconteceu de forma muito orgânica.

[01:04:57] E aí eu comecei a fazer muitas peças,

[01:05:00] eu fiz posters, como se fosse um poster do Dragon Ball, sabe,

[01:05:03] com caracteres japoneses, assim,

[01:05:06] pra trazer essa narrativa do

[01:05:09] Boulos vindo como um herói, enfim.

[01:05:12] E aí isso aproximou muito, assim,

[01:05:15] me aproximou da campanha dele e tal.

[01:05:18] E isso ficou, assim, na outra campanha que ele fez também,

[01:05:21] fiz algumas artes pra ele, teve, ele usou

[01:05:24] durante um tempão uma ilustração minha que eu fiz

[01:05:27] na época, foi pra uma exposição na mídia ninja,

[01:05:30] na sede da mídia ninja, eu fiz vários retratos

[01:05:33] de várias personalidades da política, eu fiz uma dele,

[01:05:36] e aí eu postei, ele gostou,

[01:05:39] ele usou foto de Avatar durante um tempão,

[01:05:42] então sempre ficou essa relação.

[01:05:45] Mas aí como, né, depois ele entrou no governo,

[01:05:48] e aí deu uma separada, não uma separada, mas uma distanciada,

[01:05:52] mas aí eu, tipo, eu vou tentar, né,

[01:05:55] ver se ele consegue escrever alguma coisa, seria muito legal

[01:05:58] pra mim, né, pessoalmente.

[01:06:01] E aí eu entrei em contato com o assessor dele,

[01:06:04] ele falou que ia escrever, ele escreveu, ele escreveu um texto

[01:06:07] assim, maravilhoso, que eu tô usando em todo lugar, assim,

[01:06:10] todo lugar pra divulgar o livro ali, eu tô usando.

[01:06:13] E pra mim é uma honra imensa, assim, sabe,

[01:06:16] ter um texto dele, é uma pessoa que eu admiro, sabe, tipo,

[01:06:19] que acompanha a trajetória, assim, desde quando, né,

[01:06:22] quando começou a querer esse candidato perfeito e tal.

[01:06:25] Então eu fiquei muito honrado de ter.

[01:06:28] E tem outro texto do Orlando Pedroso também,

[01:06:31] Orlando Pedroso, eu acompanho o trabalho do Orlando Pedroso

[01:06:34] desde quando eu comecei a trabalhar com ilustração,

[01:06:37] quando eu comecei a me informar sobre ilustração.

[01:06:40] Ele tinha, ele participava de uma lista, na época não tinha

[01:06:43] grupo de zap, nada, era lista de discussão do Yahoo, assim, sabe.

[01:06:46] E aí ele era um dos moderadores,

[01:06:49] então eu aprendi muito com ele, sabe, aprendi muito, assim,

[01:06:52] como a parte profissional da ilustração, sabe,

[01:06:55] como orçar, como cobrar, como fazer contratos,

[01:06:58] como manter uma saúde financeira razoável,

[01:07:02] porque ilustrador é muito difícil

[01:07:05] ser contratado de alguma empresa, é sempre um trabalho,

[01:07:08] eu sou PJ desde antes do fenômeno da pejotização,

[01:07:12] assim, então eu tive que me adaptar com isso

[01:07:15] e com esses caras eu aprendi muito, assim.

[01:07:18] Então, cara, foi uma honra, assim, ter os textos deles

[01:07:22] para introduzir meu trabalho, assim, fiquei muito feliz.

[01:07:25] Muito massa, cara, muito bom mesmo.

[01:07:28] Gabriel Divan, o que tu acha, cara?

[01:07:31] Temos um virar casacas, como a gente diria antigamente?

[01:07:35] Pô, se temos, mas nós vamos seguir tendo ainda,

[01:07:39] porque depois de toda essa conversa aí

[01:07:42] que passeou por muita coisa,

[01:07:45] o Chris Vector fica aqui com a gente um pouquinho mais,

[01:07:48] porque a gente está rumando para aquele momento

[01:07:51] das nossas dicas culturais, aquele momento que a gente

[01:07:54] indica coisas, sugere coisas aí, pode ter a ver

[01:07:57] com os temas aqui trabalhados ou não,

[01:08:00] é uma hora que muita gente gosta, muita gente gosta

[01:08:03] das nossas dicas culturais e elas estão todas lá

[01:08:06] no nosso site, viracasacas.com,

[01:08:09] junto com a postagem de cada episódio,

[01:08:12] tem links para você fazer compras casuqueira,

[01:08:15] dá uma olhadinha, dá uma espiadinha casuqueira também, né?

[01:08:18] Hey, brothers.

[01:08:21] Enfim, Felipe Abal, o que você tem de dica para nós?

[01:08:24] E no Instagram também, né, Gabriel Divan?

[01:08:27] Complementando, quinta-feira sempre sai lá.

[01:08:30] Ele sai antes, sai antes as dicas lá.

[01:08:33] Carrosselzinho no Instagram.

[01:08:36] Aproveitando que o Chris está aqui, então já está anotadinho

[01:08:39] dele, claro, para a gente botar em todos esses lugares.

[01:08:42] Eu vou dar a dica graphic novels.

[01:08:45] E eu sou um cara das antigas,

[01:08:48] eu sou um cara dos clássicos, então eu vou dar

[01:08:51] duas dicas bem rapidinhas de dois clássicos absolutos.

[01:08:54] O primeiro deles é Nova York

[01:08:57] de Will Eisner, que é uma obra de arte

[01:09:00] bonito demais, história boa.

[01:09:03] Volta lá para o início, viu que os caras, né,

[01:09:06] que capinaram tudo quando era mato, estava fazendo.

[01:09:09] E tem um livro que eu gosto muito,

[01:09:12] né, por causa até da ideia dele, que é o Gênesis

[01:09:15] do Robert Crump, cara, que eu acho também uma obra

[01:09:18] bacana demais porque, porra, é o Robert Crump

[01:09:21] fazendo o Gênesis. Então assim, ó, se você

[01:09:24] não conhece, você não tem, esse é daqueles que

[01:09:27] tem que ter na prateleira para mostrar para as visitas,

[01:09:30] para de vez em quando abrir, sortear uma página e dar uma

[01:09:33] lidinha assim, coisa boa, volte para as raízes.

[01:09:36] Isso aqui tem que ter físico.

[01:09:39] Eu sou um cara que eu gosto muito de ler romance,

[01:09:42] coisa assim, livro eu posso ler num tablet, posso ler

[01:09:45] num Kindle da vida que, infelizmente, eu tenho.

[01:09:48] Livros profissionais e quadrinhos eu tenho que ter na mão.

[01:09:55] Eu não gosto desse negócio assim de, ah, vou ler um quadrinho,

[01:09:58] vou ler uma graphic novel num tablet.

[01:10:01] Eu não consigo, né, eu preciso ter, eu acho que a experiência

[01:10:04] é diferente. Então se você vai ter alguns, eu dou de dicas, esse aqui.

[01:10:08] Que beleza, que maravilha, grande dica anotada.

[01:10:12] Bom, eu vou dar uma dica de um filme

[01:10:15] que tem alguns anos aí, passou meio desapercebido, né,

[01:10:19] para não dizer que ninguém viu, né.

[01:10:21] Esses dias eu precisava de ver um filme ruim.

[01:10:24] Sabe quando você precisa de ver um filme ruim?

[01:10:26] Tem o ruimzinho, o ruim bom aquele, o ruimzinho

[01:10:29] que satisfaz aquele, né.

[01:10:30] Pois é, não é o caso, porque eu vi um ruim péssimo, né.

[01:10:33] Eu estava em casa de noite e eu pensei,

[01:10:35] por que eu não vou ver a empregada, né.

[01:10:37] As piores ideias que alguém pode ter na vida.

[01:10:40] Eu pensava que ele ia ser um ruim divertido,

[01:10:43] ele é um ruim constrangedor, né.

[01:10:45] Mas tudo bem, né, o que eu não faço

[01:10:47] para não ver aquela loira maravilhosa?

[01:10:50] Eu me refiro, claro, a Amanda Seyfried, né,

[01:10:52] que é uma das minhas musas.

[01:10:55] Eu gosto muito, muito, muito

[01:10:57] do texto da peça do Salomé, do Oscar Wilde,

[01:11:01] e tem um filme da Amanda Seyfried, então,

[01:11:04] que ela faz uma diretora que está tentando montar

[01:11:08] uma ópera, uma nova versão de Salomé,

[01:11:11] que é o nome do filme Sete Véus.

[01:11:14] Acontece que ela tem toda uma questão de relação

[01:11:18] com uma outra montagem da obra,

[01:11:20] com uma questão pessoal que ela tem envolvendo

[01:11:23] o diretor da outra montagem, assim como tem um monte

[01:11:27] de questões pessoais da vida dela e tudo mais.

[01:11:30] Então, assim, é um filme bem interessante

[01:11:32] porque vai lidando com uma diretora, né,

[01:11:34] explorando uma série de possibilidades

[01:11:36] para a montagem dessa ópera a partir desse texto clássico.

[01:11:40] A vida pessoal dela não está absolutamente nada boa, né,

[01:11:45] e vai se contrastando também com uma série de questões

[01:11:48] que tem a ver com o elenco,

[01:11:50] com os próprios demônios que vão surgindo a partir

[01:11:53] do que ela quer trazer para essa obra.

[01:11:56] Eu achei bem interessante porque eu gosto muito dela

[01:11:58] e também, de novo, porque eu gosto muito do texto.

[01:12:01] Então fica aí a dica, é um filme que, tranquilamente,

[01:12:03] você não ouviu falar e ele também não vai mudar nada

[01:12:06] na sua vida, mas pelo menos esse é legal.

[01:12:08] A coitada da Amanda Seyfried não vai ter que encarar

[01:12:11] aquele troço tenebroso lá, aquele livro de aeroporto

[01:12:15] de quinta categoria que, sabe-se lá por quê,

[01:12:18] talvez o Chris Vector nos explique esse fenômeno

[01:12:20] e ele se irrite com esse fenômeno,

[01:12:22] sabe-se lá por que vende tanto esse troço pavoroso aí.

[01:12:25] Enfim, né.

[01:12:26] Graças a Deus não é um filme pelo qual eu paguei

[01:12:29] para assistir porque, né, coisinha.

[01:12:32] Enfim.

[01:12:33] Esses filmes têm todo o mercado do filme ruim, viu?

[01:12:37] Eu acho que tem toda uma galera que curte demais

[01:12:41] esse filme ruim.

[01:12:42] Eu gosto, eu gosto.

[01:12:43] Às vezes eu gosto de ver umas coisas muito absurdas,

[01:12:45] assim, também, porque sugere um sentimento em mim,

[01:12:49] gera uma criatividade em mim, assim, sabe-se.

[01:12:52] Eu quero responder esse absurdo e, enfim.

[01:12:56] E, meu, essa parte do Virar Casacas eu gosto muito,

[01:13:00] assim, eu, tipo, até me preparei aqui.

[01:13:03] Então, eu queria sugerir, cara, de dica, um livro

[01:13:07] que foi um livro que cai na minha mão,

[01:13:10] foi impressado por uma pessoa muito querida

[01:13:12] e é um livro que, cara, eu estou gostando muito de ler,

[01:13:15] ainda não terminei de ler,

[01:13:17] mas ele é um livro, que ele é uma coletânea de cartas,

[01:13:21] o livro chama Cartas Estraordinárias,

[01:13:24] são cartas de amor.

[01:13:26] E são cartas de diversos tipos de amor,

[01:13:29] não só o amor românticos,

[01:13:31] tem amor de amizade, amor de trabalho,

[01:13:34] amor de amores impossíveis,

[01:13:37] cartas para pessoas que deixaram de existir,

[01:13:41] cartas para pessoas que não existem.

[01:13:44] Então, assim, é um livro que são diversas cartas,

[01:13:48] muitas são mais curtas, outras mais compridas,

[01:13:51] mas é um livro muito gostoso de ler, sabe?

[01:13:55] E eu estou lendo, assim, aos poucos,

[01:13:57] intervalo entre uma coisa e outra,

[01:13:59] intervalo entre um livro e outro.

[01:14:01] E, assim, eu caí na minha mão

[01:14:04] de dar uma edição da Companhia das Letras,

[01:14:06] o autor é o organizador, né, é Shawn Usher.

[01:14:10] Assim, o livro é Cartas Estraordinárias de Amor,

[01:14:13] então são cartas de pessoas famosas da literatura,

[01:14:17] então, por exemplo, tem uma carta da Simone de Beauvoir

[01:14:20] para um dos amantes dela,

[01:14:22] tem uma carta da amante do Victor Hugo

[01:14:26] falando sobre a esposa dele,

[01:14:29] tem uma carta do Vladimir Nabokov para a esposa,

[01:14:32] tem pedidos de casamento meio estranhos, assim,

[01:14:36] tem uma carta de uma mulher russa

[01:14:39] que acho que o marido dela ficou preso

[01:14:42] no regime lá do Stalin

[01:14:45] e ela precisava falar com ele e a carta nunca foi entregue,

[01:14:49] sabe, tem umas coisas meio até mais tristes,

[01:14:53] tem uma carta até do Beethoven

[01:14:56] que ele escreveu para uma tal de amada imortal

[01:14:59] que ninguém nunca soube quem é, né,

[01:15:01] se era uma namorada imaginária dele,

[01:15:04] se era uma pessoa real, ninguém nunca soube,

[01:15:07] tem até uma carta do Machado de Assis por Joaquim Nabuco,

[01:15:10] eu não cheguei a ler essa carta,

[01:15:13] mas estou curioso para chegar ainda nessa parte do livro,

[01:15:16] tem Nelson Mandela, tem uma carta até do Napoleon Bonaparte,

[01:15:20] então, assim, eu acho que em tempos que a gente vive

[01:15:23] de mensagens instantâneas, dessa ansiedade

[01:15:26] de ler ou não ler, visualizou ou não visualizou,

[01:15:29] você lê essas cartas e vê como as pessoas

[01:15:32] elas tinham essa incerteza,

[01:15:35] se a carta ia ser entregue, se a pessoa ia ler,

[01:15:38] elas podiam esperar semanas até ter a resposta

[01:15:41] e como as pessoas investiam esforço

[01:15:44] para escrever uma mensagem maior,

[01:15:47] maior do que alguns caracteres,

[01:15:50] e dizer tantas coisas, e você lê um trecho de uma carta,

[01:15:54] você imagina tudo aquilo que as pessoas estão vivendo,

[01:15:57] o que elas viveram, aquele amor impossível,

[01:16:00] a possibilidade de você ter a pessoa ali perto para você falar,

[01:16:03] muitas vezes, tem muitas cartas que eram

[01:16:06] amores proibidos, que a pessoa só podia se comunicar por carta,

[01:16:10] então, assim, eu achei muito legal,

[01:16:14] é uma coisa que eu leio antes de dormir,

[01:16:17] eu falei, eu leio isso nesses intervalos,

[01:16:20] e me dá até um conforto, sabe?

[01:16:23] Eu acho que para quem está precisando dar uma pausa um pouco

[01:16:26] na velocidade das coisas, é uma leitura que

[01:16:29] eu indico bastante, que eu gostei demais.

[01:16:32] Cara, eu estava espiando aqui, que livro massa, parece muito legal mesmo,

[01:16:35] e tem o filme, A Amada Imortal do Beethoven,

[01:16:38] que você falou a respeito dela.

[01:16:41] Eu adorei esse livro, adorei, a pessoa que me indicou assim

[01:16:44] é muito querida, muito bacana, e ela acertou em cheio.

[01:16:47] Muito bom.

[01:16:50] Cris, muito obrigado por ter vindo aqui conversar com a gente,

[01:16:53] não demore tanto agora para voltar,

[01:16:56] não precisa ter três anos, vamos conversar antes.

[01:16:59] Estou sempre aqui, quando quiser conversar,

[01:17:02] qualquer coisa, estou aí, vocês têm meu contato,

[01:17:05] o Divan me segue no Buscai,

[01:17:08] você também me segue,

[01:17:11] só mandar lá, mandar no Instagram, qualquer lugar,

[01:17:14] estou por aí.

[01:17:17] Maravilha, programasso.

[01:17:20] Então, agora a gente dispensa o nosso convidado,

[01:17:23] mas o Viracasaca segue também mais um pouquinho,

[01:17:26] porque nós vamos mandar vivas para uma galera.

[01:17:29] Vamos lá.

[01:17:35] Gabriel Divan, o Cris manda bem demais,

[01:17:38] eu fiquei feliz porque da outra vez eu não tinha participado,

[01:17:41] agora participei, então fiquei feliz.

[01:17:44] É muito assunto, é muita coisa, e a gente vê como é que

[01:17:47] o mundo da arte está resistindo,

[01:17:50] mas ao mesmo tempo está sempre sob ataque.

[01:17:53] Ele tinha vindo falar do NFT, aquela confusão

[01:17:56] que o pessoal estava tentando fazer uma absorção

[01:17:59] da produção artística às vezes para transformar naqueles ativos

[01:18:02] meio esquisitos e coisa parecida,

[01:18:05] não só isso, mas isso também.

[01:18:08] E agora, falando sobre toda essa questão tecnologia,

[01:18:11] questão cultural, questão de inteligência artificial,

[01:18:14] sempre tem assunto, e o bom artista está aí.

[01:18:17] Esse, legitimamente, cumpre o riscado que diz

[01:18:20] que o artista tem que estar onde o povo está.

[01:18:23] É verdade.

[01:18:25] Gabriel Divan, como é que estamos de salves aí?

[01:18:28] Alguma coisa específica fora do início que várias pessoas devem ter se encaixado?

[01:18:31] É, acho que vai ter gente com 30 pontos aí.

[01:18:34] O meu signo onoróscopo chinês é carneiro.

[01:18:37] Sabe o seu, qual é?

[01:18:40] Não tenho nem ideia.

[01:18:43] Mas tanto faz. O fato é que você pode dizer para a gente

[01:18:46] no Instagram, no nosso YouTube, nos comentários, nos streams aí,

[01:18:49] se vocês se encaixam ou não, os abraços.

[01:18:52] Mas aqui é outra coisa, aqui é um plus.

[01:18:55] Aqui é os salves mais queridos da podosfera brasileira,

[01:18:58] mas, no entanto, estou sem salve específico hoje, fora o salve geral,

[01:19:01] que não é aquele de 2006, pelo contrário, é um salve do bem

[01:19:04] para quem nos apoia, para quem nos compartilha, para quem está com a gente.

[01:19:07] Eu vou mandar um salve aqui, também não recebi pedido de salve, Gabriel,

[01:19:10] mas eu vou mandar um salve para o Galo Vasco,

[01:19:13] para a Telebambi, para o Raul Duarte,

[01:19:16] para o Rei Luanei, para o Rodrigo Assunção,

[01:19:19] claro, nosso amigo Rodrigo Metal,

[01:19:22] para o Alison Matthew King, para a Lini,

[01:19:25] para o Marcelo Arruda, para a Maga Lógica,

[01:19:28] para o Daniel Eberhart e para o Gabriel Divan,

[01:19:31] que foram lá no último RT comentado

[01:19:34] e deram um RT, um RP comentado.

[01:19:37] Eu fiquei muito feliz, porque eu gostei muito de fazer aquele RT,

[01:19:40] eu estava quase pedindo para a Ingrid

[01:19:43] para botar uma música triste, porque eu achava

[01:19:46] que eu não ia ver meu nome aqui, eu achava que eu ia ser o Suriname,

[01:19:49] eu achava que eu ia ser o Suriname,

[01:19:52] e aí o que aconteceu?

[01:19:55] Cara, eu de fato, eu achei tão tenebroso

[01:19:58] e tão caça-níquel e tão ruim

[01:20:01] aquela trilogia última que foi para os cinemas do Star Wars,

[01:20:04] e cara, assim, a gente é da uma idade

[01:20:07] e viveu uma geração, né, crianças, não havia internet,

[01:20:10] você era educado pelo filme que passava na Globo,

[01:20:13] na Tela Quente, no Supercine, na Seção da Tarde,

[01:20:16] cara, Star Wars foi um dos meus catecismos, né,

[01:20:19] mas eu fiquei tão irritado com a ruindade

[01:20:22] dessa última trilogia, que eu prometi para mim mesmo,

[01:20:25] cara, eu não vou ver mais nada de Star Wars,

[01:20:28] Star Wars está feito para mim, está acabado, deu.

[01:20:31] Não, tu tem que ver o Mandalorian, não, tu tem que ver não sei quê,

[01:20:35] tu tem que ver As Okas, não, tu tem que ler os livros, não,

[01:20:38] e depois de eu ter comentado eu fui correndo

[01:20:41] e dei play em Andor, é só o que eu tenho que dizer.

[01:20:44] Gostou do que assisti até agora? Gostei do que assisti até agora, cara,

[01:20:47] eu acho que o Diego Luna é um puta herói, né,

[01:20:50] ele tem a marca, é perfeito no papel, cara, ele é perfeito no papel,

[01:20:53] e eu já tinha gostado muito de Rogue One, né,

[01:20:56] se os filmes da trilogia e tudo, mas tivesse a pegada do Rogue One,

[01:20:59] eu estaria até hoje fazendo…

[01:21:02] Só que no caso, né? E eu já te falei,

[01:21:05] tu vai terminar Andor e tu vai engatar Rogue One, vai assistir de novo,

[01:21:08] porque daí vai fazer mais sentido ainda. Cara, o Rodrigo Metal mandou, né,

[01:21:11] para mim lá o comentário dizendo assim,

[01:21:14] tu tem que meter o Rogue One depois, eu falei, cara, não só já vi

[01:21:17] como ele estragou todo o resto, porque eu considero o único filme,

[01:21:20] qual é o primeiro filme da saga Star Wars?

[01:21:23] Eu estou esperando pelo segundo, pelo terceiro, pelo quarto,

[01:21:26] só tem um até agora, chama Rogue One. Perfeito, cara, perfeito.

[01:21:29] Mas é isso, Gabriel, vamos lá que voltamos

[01:21:32] a vida também fora do podcast.

[01:21:35] Vamos lá, né, afinal de contas somos

[01:21:38] homens normais, somos homens inocentes,

[01:21:41] e como diria Jyn, né, nós vamos andando, né,

[01:21:44] até a vitória. Perfeito, vamos lá. Tchau, galera!

[01:21:59] Legendas pela comunidade Amara.org