Guerra comercial entre Equador e Colômbia - BP 1028


Resumo

O episódio começa pela América Latina, com a escalada da disputa comercial entre Equador e Colômbia: Quito anuncia que elevará as tarifas sobre produtos colombianos de 30% para 50% a partir de 1º de março de 2026, justificando a medida como “taxa de segurança” ligada ao controle fronteiriço e ao combate ao narcotráfico. Os apresentadores discutem os impactos econômicos (distorções no comércio, inflação e prejuízo a cadeias regionais), além do componente político-ideológico e da tentativa do governo equatoriano de atribuir a deterioração da segurança pública ao vizinho.

Na Venezuela, a renúncia de Tarek William Saab do cargo de procurador-geral (um dos pilares do aparato de repressão desde 2017) é analisada como um movimento relevante, mas com sinais contraditórios: ele é realocado para “defensor do povo”, função ligada à fiscalização de direitos humanos, o que gera ceticismo. O programa também comenta a promessa de transformar o Helicoide — prisão acusada de servir como centro de tortura e sede de inteligência chavista — em um espaço cultural e social, reforçando a leitura de uma transição política errática.

Em seguida, o foco vai aos EUA e à Europa: um relatório do FMI recomenda substituir tarifas por imposto sobre consumo e alerta para riscos fiscais (déficits elevados e dívida podendo chegar a 140% do PIB), enquanto elogia a condução gradualista do Fed. Na União Europeia, Hungria e Eslováquia bloqueiam novas sanções à Rússia e um empréstimo à Ucrânia, alegando retaliação energética ligada ao oleoduto Druzhba, em meio a acusações cruzadas. O episódio ainda aborda o avanço do Japão rumo à flexibilização de exportações de defesa, a desinformação russa sobre suposta transferência de arma nuclear à Ucrânia, e termina com uma “geléia da Shakira” sobre a rivalidade pública entre líderes da OpenAI e da Anthropic.


Anotações

  • 00:05:24 — Tarifas como arma política (Equador x Colômbia): Ao comentar o aumento das tarifas equatorianas contra produtos colombianos, Daniel diz que a medida se parece com o uso de tarifas para fins políticos e punitivos: se o outro país “não se comporta” como o Equador gostaria, ele responde com barreiras comerciais. Ele associa essa lógica ao que chama de “Donald Trump fazendo escola” e ressalta que o impacto econômico é claro, porque tarifas distorcem o comércio, atrapalham cadeias produtivas e geram inflação para consumidores, ainda que existam alternativas comerciais para ambos os lados.
  • 00:13:33 — FMI recomenda mudanças aos EUA de Trump: O episódio passa a tratar de um relatório do FMI com recomendações aos Estados Unidos, algo que os apresentadores descrevem como incomum em comparação com críticas tradicionais do Fundo a emergentes. Daniel lista sugestões como substituir tarifas de importação por um imposto sobre consumo “baseado no destino” e adotar um sistema de migração baseado em habilidades, argumentando que isso reduziria desequilíbrios externos e efeitos colaterais das tarifas. O FMI também aponta que tarifas pressionam a inflação de bens e teriam pouco efeito sobre o déficit comercial, além de alertar para o quadro fiscal americano: déficit público na faixa de 7% a 8% do PIB, dívida podendo chegar a 140% do PIB até 2031 e necessidade de consolidação fiscal, ao mesmo tempo em que elogia a condução gradual do Fed sob Jerome Powell.
  • 00:25:53 — Boato sobre arma nuclear para a Ucrânia e desmentido francês: Tanguy relata que a Rússia vem espalhando a narrativa de que Reino Unido e França estariam planejando entregar uma arma nuclear — ou ao menos uma “bomba suja” — para a Ucrânia, como forma de fortalecer a posição ucraniana em negociações territoriais. Ele explica o que seria uma bomba suja, que não necessariamente “explode”, mas libera radiação. Em seguida, menciona que a França veio a público dizer que a informação é absolutamente infundada e atribuída à desinformação da inteligência externa russa (SVR), reforçando que cumpre rigorosamente compromissos internacionais, especialmente o Tratado de Não Proliferação.
  • 00:26:23 — “Rinha” de executivos de IA em evento de Modi: Na Geléia da Shakira, Daniel conta um episódio em um evento na Índia organizado por Narendra Modi sobre inteligência artificial, no qual o premiê tentou fazer líderes de IA darem as mãos em gesto de união. Sam Altman (OpenAI) estava ao lado de Dario Amodei (Anthropic), descritos como “arquinimigos”, e teria havido resistência a dar as mãos. Daniel contextualiza que Amodei foi vice-presidente e líder sênior de pesquisa na OpenAI antes de sair em 2021 para fundar a Anthropic.
  • 00:27:08 — Rivalidade OpenAI x Anthropic e divergências de visão: Daniel segue explicando que Altman e Amodei têm visões diferentes sobre o futuro da inteligência artificial. Ele cita uma provocação recente em propaganda da Anthropic no Super Bowl, sugerindo que “propagandas estão a caminho” na IA, “mas não para o Claude”, em referência ao chatbot da empresa, e ao fato de a OpenAI cogitar inserir anúncios para aumentar rentabilidade. A partir daí, ele contrasta a missão original da OpenAI de beneficiar a humanidade com uma mudança para crescimento agressivo e comercialização rápida, enquanto atribui à Anthropic um discurso mais cauteloso, com foco em segurança e alinhamento a valores, apontado por muitos como motivo da saída de Amodei.
  • 00:28:20 — Postura “responsável” das big techs é questionada: Após apresentar o contraste entre as empresas, Tanguy ironiza o discurso de responsabilidade no setor, dizendo que é “papinho” de big tech: uma tentando se vender como mais responsável do que a outra. Ele menciona a Anthropic e o Claude como exemplo dessa narrativa de que agora seria “bonzinho”, e conclui que rir desse tipo de disputa entre executivos de IA “sempre diverte” e rende assunto para o quadro.
  • 00:29:00 — Encerramento: pauta rendendo e convite para acompanhar: Tanguy fecha a Geléia da Shakira dizendo que quer mais episódios desse tipo de atrito, porque gera pauta para o quadro, e comenta que não tem faltado assunto. Em seguida, os apresentadores começam a encaminhar o encerramento do episódio, agradecendo a audiência e mantendo o tom de que temas do noticiário — inclusive na área de tecnologia — têm rendido material para o programa.

Linha do Tempo

  • [00:00] — Abertura do bate-papo e contextualização do cenário internacional
  • [00:02] — Equador anuncia aumento de tarifas contra a Colômbia (de 30% para 50%) e justifica como “taxa de segurança”
  • [00:03] — Debate sobre narcotráfico, responsabilidades fronteiriças e efeitos econômicos das tarifas
  • [00:06] — Venezuela: renúncia de Tarek William Saab e implicações para o regime e os direitos humanos
  • [00:09] — Helicoide: anúncio de conversão da prisão em centro cultural e sinais ambíguos da transição venezuelana
  • [00:11] — Intervalo/patrocínio: oferta de planos e descontos da Alura
  • [00:13] — FMI critica tarifas e alerta para deterioração fiscal dos EUA; elogios à condução do Fed
  • [00:17] — União Europeia: Hungria e Eslováquia bloqueiam sanções à Rússia e empréstimo à Ucrânia por disputa energética
  • [00:21] — Japão debate flexibilizar restrições para exportar equipamentos de defesa, incluindo itens letais
  • [00:24] — Rússia espalha narrativa sobre França/Reino Unido fornecerem arma nuclear à Ucrânia; França nega e chama de desinformação
  • [00:26] — Geléia da Shakira: rivalidade entre Sam Altman (OpenAI) e Dario Amodei (Anthropic) em evento na Índia
  • [00:29] — Encerramento: recados sobre palestras, cursos do Petit Jornal e formas de apoio ao projeto

Dados do Episódio

  • Podcast: Petit Journal
  • Autor: Petit Journal
  • Categoria: News
  • Publicado: 2026-02-27
  • Duração: 0h31m
  • UUID Episódio: 86eb043d-7b65-4e20-b2d9-a19480daa96a

Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias.

[00:00:15] Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal.

[00:00:19] Esse é o bate-papo número 1.028.

[00:00:21] Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal.

[00:00:24] São exatamente 17 horas e 11 minutos da quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026.

[00:00:32] Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece e có.

[00:00:36] Tangue vírgula o Bagdaddy animado, contente, preparado, revigorado,

[00:00:40] resiliente, retumbante, descansado e tarifado.

[00:00:43] Mas menos tarifado do que estava até bem pouco tempo atrás.

[00:00:47] E também muito preocupado, o professor Bagdaddy muito, muito preocupado

[00:00:51] com o cenário internacional pantanoso no qual estamos inseridos nesse contexto,

[00:00:57] baixíssima previsibilidade, muita incerteza.

[00:01:00] Isso acaba tirando o sono do professor Tangue Bagdaddy.

[00:01:04] E temos também Daniel Sousa, que é esse que vos fala.

[00:01:07] Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais

[00:01:11] acontecimentos internacionais das últimas horas.

[00:01:13] Como vai, professor Bagdaddy? Tudo bem? Vamos a isso.

[00:01:16] Tudo bem, Daniel Sousa. Vamos lá para esse bate-papo 1.028.

[00:01:20] Um prazer estar aqui com você, Daniel Sousa, nesse cenário pantanoso que encontramos agora.

[00:01:26] Deixa que as boas-vindas a todo mundo que nos acompanha, Daniel Sousa,

[00:01:29] seja no YouTube, nessa live, de onde sai a gravação,

[00:01:33] todo mundo que acompanha a gente também pelo podcast.

[00:01:36] Um prazer ter vocês aqui.

[00:01:38] Daniel Sousa, eu queria começar falando sobre a América Latina.

[00:01:41] Um tempo atrás, você chegou a falar que Equador e Colômbia trocaram gentilezas,

[00:01:48] tarifas de parte a parte para 30%, que é bastante alto, né?

[00:01:52] E hoje tivemos uma novidade. Você me conta, Daniel, o que aconteceu?

[00:01:55] Pois é, Tangue.

[00:01:56] Realmente nós tivemos essa pauta aqui no Petit Jornal, não tem tanto tempo.

[00:02:00] No início de fevereiro, começaram a vigorar essas tarifas de 30%

[00:02:06] dos produtos colombianos quando entram no Equador.

[00:02:09] Inclusive, a Colômbia retalhou com 30% de tarifas sobre o produto,

[00:02:16] os produtos equatorianos.

[00:02:18] E agora, a poucas horas, nós tivemos o anúncio

[00:02:22] de um agravamento dessa crise entre os dois vizinhos.

[00:02:27] O governo do Equador anunciou que as tarifas agora não serão apenas de 30%,

[00:02:32] serão de 50% a partir de 1º de março de 2026.

[00:02:39] O Ministério Equatoriano classificou o novo aumento como uma taxa de segurança.

[00:02:45] Alegando as falhas colombianas na implementação de medidas eficazes

[00:02:50] de controle fronteiriço, e segundo o governo equatoriano,

[00:02:54] a decisão visa reforçar a co-responsabilidade no combate ao narcotráfico.

[00:03:01] É importante lembrar que ambos os países levaram já ao caso

[00:03:05] a comunidade andina de nações, bloco econômico do qual fazem parte.

[00:03:11] A escalada tarifária tende a prejudicar cadeias produtivas regionais,

[00:03:16] elevar preços para consumidores, como sempre acontece com tarifas,

[00:03:20] e ao mesmo tempo intensificar tensões diplomáticas.

[00:03:24] Lembrando que os dois governos têm alinhamentos ideológicos distintos,

[00:03:28] e isso acaba sendo ingrediente adicional nessa confusão que envolve os dois países.

[00:03:34] O pano de fundo acaba sendo uma deterioração muito forte da segurança pública equatoriana.

[00:03:42] O Equador até 10, 15 anos atrás era um país relativamente tranquilo,

[00:03:48] e o que acabou acontecendo foram que rotas de escoamento do narcotráfico

[00:03:53] passaram a adentrar o Equador e isso levou ali a disputas, a violência,

[00:04:00] e levou realmente a uma degradação muito palpável da qualidade de vida dos equatorianos.

[00:04:07] O Equador inclusive passou por alguns eventos dramáticos ao longo dos últimos anos,

[00:04:13] envolvendo segurança pública.

[00:04:16] Por um lado é verdade que a Colômbia é parte do problema,

[00:04:21] afinal algumas rotas de transporte de drogas passam realmente pelo território colombiano

[00:04:27] e acabam chegando ao Equador pelo território colombiano,

[00:04:30] para que depois você tenha ali o escoamento dessa droga

[00:04:34] através principalmente do Porto de Higuaiacil em direção à América do Norte.

[00:04:40] Mas por outro lado, Tangue, me parece também um pouco o governo do Equador

[00:04:44] tentando terceirizar responsabilidades, como quem diz

[00:04:47] olha, a segurança pública vai mal, mas é culpa da Colômbia, não é culpa minha.

[00:04:53] Eu sou o responsável pelo controle da fronteira?

[00:04:56] Sou, eu sou o responsável por enfrentar a insegurança pública doméstica também,

[00:05:02] mas é tudo culpa da Colômbia, veja bem, vejam vocês aí como a Colômbia é malvada,

[00:05:07] a Colômbia desses esquertistas aí que ficam de alguma forma atrapalhando o funcionamento regional,

[00:05:13] produzindo cocaína, cocaína que passa aqui pelo território equatoriano,

[00:05:17] para depois seguir em direção à América do Norte.

[00:05:21] E é o Donald Trump fazendo escola, porque na prática você está utilizando

[00:05:25] tarifas com objetivos políticos e objetivos até punitivos.

[00:05:31] Você não está se comportando da maneira como eu gostaria, então eu coloco tarifas em você.

[00:05:37] É o Equador nesse sentido se posicionando dessa forma,

[00:05:41] mas acho que tem um pouco esses dois lados, não é, Tangue?

[00:05:44] Mas o impacto econômico é muito evidente, o impacto econômico acaba acontecendo

[00:05:48] porque tarifas distorcem o comércio, atrapalham cadeias produtivas e geram inflação.

[00:05:54] Inflação para os consumidores dos países que praticam essas tarifas.

[00:05:58] É claro que você tem ali alternativas comerciais para o Equador,

[00:06:03] alternativas comerciais para a Colômbia, mas de qualquer maneira não deixa de ser algo

[00:06:07] que constrange o funcionamento da economia, atrapalha a vida dos consumidores dos dois países.

[00:06:14] Falando agora sobre, aproveitando que você está falando sobre a América Latina,

[00:06:17] Daniel, vamos seguir no sentido horário, falou sobre Equador, Colômbia,

[00:06:21] vamos falar então sobre Venezuela.

[00:06:23] No dia de hoje nós tivemos a renúncia de um dos pilares do governo de Nicolás Maduro,

[00:06:29] do regime de Nicolás Maduro, Tarek William Saab, Daniel,

[00:06:34] ele era o procurador-geral da Venezuela desde o ano de 2017

[00:06:41] e era um super aliado histórico de Nicolás Maduro.

[00:06:45] A saída dele foi anunciada pelo Jorge Rodrigues, que é o presidente da Assembleia Nacional,

[00:06:50] que por acaso também é irmão da presidente Delci Rodrigues.

[00:06:55] E aí, Daniel, eu sempre acho importante dar uma contextualizada em quem é Tarek William Saab

[00:07:00] e por que a renúncia dele é tão importante.

[00:07:03] Ele é um cara, Daniel, de ascendência libanesa, ele é budista, que é sempre curioso,

[00:07:09] e é o autodenominado Poeta da Revolução.

[00:07:12] Ele está desde 2017 no Ministério Público e quando ele assumiu inclusive esse posto,

[00:07:18] Daniel, ele substituiu a Luisa Ortega Dias.

[00:07:22] A Luisa Ortega Dias foi retirada desse cargo porque ela rompeu com o Maduro.

[00:07:26] Ele não perdeu tempo, Daniel, assim que ele assumiu, ele deu um jeito de condenar,

[00:07:31] na verdade de processar e acabou conseguindo levar a condenação da Luisa Ortega Dias,

[00:07:35] a sua antecessor, à prisão.

[00:07:38] Ela fugiu para Colômbia, então acabou não sendo presa,

[00:07:41] mas de qualquer maneira a gente está falando sobre um dos pilares mais importantes

[00:07:45] do governo Nicolás Maduro caindo.

[00:07:47] Ele foi responsável durante muito tempo, Daniel, na perseguição sistemática

[00:07:51] a opositores, como, aliás, ele fez com a sua própria antecessor.

[00:07:54] Você discora do governo, você fica ligado porque o Tarek Saab,

[00:08:00] o Tarek William Saab, vai atrás de você, então isso era uma preocupação

[00:08:05] quando a gente fala sobre questões relacionadas a direitos humanos.

[00:08:08] E aí, Daniel, temos um problema sério.

[00:08:12] O problema sério é que, a partir do momento em que ele sai dessa posição

[00:08:17] de procurador geral, havia uma certa expectativa de que, embora a situação

[00:08:22] dos direitos humanos talvez vá melhorar, de repente pode ser um aceno positivo.

[00:08:26] O problema é que ele não saiu completamente da vida pública venezuelana.

[00:08:31] O Tarek Saab, Daniel, ele foi realocado para a função de defensor do povo.

[00:08:38] Aí você vai ver o que significa a defensor do povo, né, Daniel?

[00:08:42] Defensor do povo é um cargo responsável por fiscalizar o cumprimento

[00:08:47] dos direitos humanos na Venezuela.

[00:08:49] Ora, Daniel, esse cara como procurador geral, ele era conhecido exatamente

[00:08:53] por perseguir opositores. Se você é opositor, você vai se perseguir

[00:08:57] independente da legitimidade do seu pleito. Não importa, você vai ser perseguido.

[00:09:01] E, de repente, esse cara sai da posição de procurador geral,

[00:09:05] e aí muita gente respira aliviado. Pô, temos um aceno e tal.

[00:09:08] Mas, ao mesmo tempo, ele vai para uma posição que pode, na verdade, dificultar

[00:09:12] ainda mais o cumprimento dos direitos humanos.

[00:09:16] São sinais muito confusos que o governo venezuelano oferece, né, Daniel?

[00:09:20] A gente vem falando isso aqui já tem um tempo. O governo venezuelano

[00:09:23] tem determinados momentos que acena para um superdiálogo com os Estados Unidos.

[00:09:28] Aí depois diz que está cansado dos Estados Unidos mandarem demais.

[00:09:32] Aí, em determinado momento, tira o cara aqui, o procurador geral,

[00:09:36] que tinha uma posição de perseguir direitos humanos, de violar direitos humanos,

[00:09:40] e coloca o cara para ser exatamente o fiscal dos direitos humanos.

[00:09:43] No meio disso tudo, o governo anunciou também, esse anúncio já tinha sido feito,

[00:09:47] mas foi confirmado recentemente, a transformação do helicóide.

[00:09:51] Helicóide, Daniel, é uma prisão que fica no centro de Caracas

[00:09:55] que é acusada de ser um centro de tortura.

[00:09:59] Inclusive, a cumula ali, além de ser uma prisão,

[00:10:02] é também a sede da Agência de Inteligência Chavista.

[00:10:05] E aí o governo da Delce Rodrigues anunciou que esse prédio vai ser convertido

[00:10:10] em centro cultural, espaço esportivo e área comercial e social,

[00:10:15] e que o local atenderá a família policial e a comunidade.

[00:10:19] Então, a Venezuela, Daniel, ela está dando vários sinais

[00:10:22] que não apontam exatamente no sentido de uma mudança do que era o regime

[00:10:27] e tampouco no sentido de uma manutenção do que era o regime.

[00:10:30] Você tem um negócio meio híbrido, não sei se é exatamente proposital

[00:10:33] ou se, me parece que essa talvez seja a minha hipótese, Daniel,

[00:10:37] aponta também para determinar as contradições que você tem dando o próprio governo.

[00:10:41] Ora, contradições que são naturais, a partir do momento que você pensa

[00:10:44] que é um governo que é um resquício de um governo anterior,

[00:10:47] que foi retirado, mas cujo regime mais ou menos se mantém.

[00:10:51] Delce Rodrigues era vice-presidente do Nicolás Maduro.

[00:10:54] Nicolás Maduro não é mais presidente, ela fica dialogando com os Estados Unidos.

[00:10:58] Então, a Venezuela se encontra num período de transição,

[00:11:01] mas é uma transição que se dá num caminho ainda meio errático, Daniel.

[00:11:05] Está avançando para que lado? É uma manutenção do regime?

[00:11:08] É um desmoronamento do regime?

[00:11:11] A gente vai ter que acompanhar para saber exatamente o que vai acontecer.

[00:11:15] Agora, no meio de futuro, Daniel, se você está querendo saber mais, conhecer mais,

[00:11:21] a gente tem uma outra recomendação na área da tecnologia, que é a Alura.

[00:11:25] Daniel Souza, entrei no site da Alura hoje,

[00:11:28] nos utilizando o link que está na descrição do episódio, tá?

[00:11:31] Não é link escondido, nada disso, estou falando aqui só para vocês

[00:11:34] que estão me ouvindo, o link está lá.

[00:11:36] Daniel, 20% de desconto para se você contratar o plano anual

[00:11:42] e 30% de desconto se você contratar o plano de dois anos.

[00:11:47] 30% de desconto para você se tornar aluno da maior escola de tecnologia do Brasil

[00:11:55] no momento em que a tecnologia tem o tamanho da importância que tem.

[00:11:59] Aliás, a gente acabou de oferecer curso, aula, palestra sobre tecnologia.

[00:12:03] A gente sabe como é que a tecnologia vem sendo muito importante

[00:12:06] e esses planos de 24 meses têm um custo-benefício gigantesco,

[00:12:11] além de uma série de outros benefícios, de vários outros benefícios,

[00:12:15] que a Alura traz, como por exemplo o Talent Lab,

[00:12:18] que é uma área exclusiva da Alura para o plano Ultra Lab,

[00:12:22] que conecta aprendizado e mercado por meio de vagas,

[00:12:25] mentorias, eventos, networking e suporte para carreiras no Brasil e no exterior.

[00:12:30] Tudo isso só clicando no link que está na descrição desse episódio,

[00:12:34] vendo as condições, não dá para perder, Daniel.

[00:12:36] Link na descrição, até 30% de desconto para você ser aluno da Alura, Daniel.

[00:12:42] Imperdível, gente. A Alura é a maior escola de tecnologia do Brasil.

[00:12:46] Conhecimentos em tecnologia são incontornáveis para qualquer profissional.

[00:12:50] Fica aqui a nossa recomendação.

[00:12:52] Plataforma da Alura, link no descritivo, uma gama de cursos

[00:12:56] para os mais diferentes níveis de conhecimento

[00:12:59] e também com as mais diferentes temáticas

[00:13:03] e condições especialíssimas para os amigos e amigas do Peticional,

[00:13:07] link no descritivo desse episódio.

[00:13:09] Daniel, avançando para a próxima pauta,

[00:13:11] eu sou de um tempo em que o FMI soltava relatórios,

[00:13:15] esculhambando países emergentes,

[00:13:18] dizendo que estavam fazendo tudo errado, que ia acabar mal,

[00:13:22] meu Deus do céu, não façam isso, essa política econômica está errada.

[00:13:26] Eis que de repente, não mais que de repente,

[00:13:29] o FMI traz considerações sobre os Estados Unidos.

[00:13:34] É o processo de latino-americanização dos Estados Unidos

[00:13:38] que segue imparável, professor Bagdadier.

[00:13:41] E o FMI traz aqui muitas recomendações

[00:13:44] para o governo do presidente Donald Trump.

[00:13:48] Em relatório divulgado nessa quarta-feira,

[00:13:52] o FMI sugeriu aos Estados Unidos.

[00:13:54] Toma em nota, substituir tarifas de importação

[00:13:58] por um imposto sobre consumo baseado no destino

[00:14:01] e adotar um sistema de migração baseado em habilidades.

[00:14:06] Segundo o FMI, essa abordagem ajudaria a evitar desequilíbrios externos,

[00:14:13] ou pelo menos reduzir esses desequilíbrios externos,

[00:14:16] e também evitar efeitos colaterais negativos

[00:14:21] associados às tarifas.

[00:14:24] O FMI lembra que tarifas têm efeito negativo sobre a oferta de produtos,

[00:14:29] que contribuem para a inflação de bens,

[00:14:32] e que o índice de inflação nos Estados Unidos

[00:14:35] fica mais alto por conta das tarifas que foram adotadas por Donald Trump.

[00:14:41] E tem mais, o FMI destaca que a colocação de tarifas

[00:14:45] por parte do governo Trump deve diminuir

[00:14:48] modestamente o déficit comercial dos Estados Unidos,

[00:14:52] ou seja, o ônus seria muito superior ao bônus nesse caso.

[00:14:58] E a gente está falando de um relatório que foi produzido

[00:15:01] antes do revés que aconteceu na Suprema Corte dos Estados Unidos,

[00:15:05] que acabou derrubando as tarifas recíprocas.

[00:15:10] O FMI também falou da situação fiscal nos Estados Unidos.

[00:15:14] Veja você, situação fiscal nos Estados Unidos.

[00:15:16] Segundo o FMI, o déficit público americano, da maneira como está,

[00:15:22] deve permanecer entre 7% e 8% do PIB.

[00:15:25] Não existe aí uma clara trajetória de queda do déficit dos Estados Unidos.

[00:15:31] Existe uma trajetória de aumento do déficit dos Estados Unidos.

[00:15:35] Com isso, a dívida pública do país poderia atingir 140% do PIB até 2031,

[00:15:42] o que seria algo muito preocupante.

[00:15:44] O FMI, veja você, propõe medidas de consolidação fiscal.

[00:15:50] Consolidação fiscal é o eufemismo para ajuste fiscal,

[00:15:54] para cortar gastos, aumentar impostos e reequilibrar as contas.

[00:16:00] Então, os Estados Unidos estão com uma trajetória fiscal insustentável

[00:16:04] na opinião do FMI.

[00:16:06] E teve mais.

[00:16:07] O FMI avaliou que o Federal Reserve agiu corretamente ao afrouxar

[00:16:13] a política monetária de maneira lenta, de maneira gradual, como tem acontecido.

[00:16:19] E, consequentemente, fez vários elogios à gestão de Jerome Powell

[00:16:25] como presidente do Fed.

[00:16:27] A bem da verdade, Tanguy, olhando para essas considerações do relatório,

[00:16:31] me parece que o FMI segue onde sempre esteve.

[00:16:36] Quem mudou de lugar foi os Estados Unidos.

[00:16:39] O FMI segue aqui criticando tarifas de importação.

[00:16:43] O FMI segue defendendo a disciplina fiscal, o equilíbrio das contas públicas

[00:16:48] e ali uma certa responsabilidade para que o endividamento não saia do controle.

[00:16:53] O FMI continua defendendo um banco central que atue de maneira independente

[00:16:59] e possa ali, através da política monetária, controlar a pressão inflacionária.

[00:17:03] Quem está diferente não é o FMI.

[00:17:06] Quem está diferente é os Estados Unidos de Donald Trump, que deu aí um cavalo de pau,

[00:17:11] que não está se preocupando com questões relacionadas ao fiscal.

[00:17:16] Você está tendo aí, inclusive, um aumento importante do endividamento.

[00:17:20] Teve a Big Beautiful Bill, que na prática aumenta o déficit americano

[00:17:25] e a dívida dos Estados Unidos ao longo dos próximos anos.

[00:17:27] A gente chegou a falar sobre isso aqui no Petit Jornal.

[00:17:30] Um governo americano que ataca o Fed, que vai contra a autonomia do Fed.

[00:17:35] Tudo isso junto e somado me parece algo importante,

[00:17:39] mas é o FMI que está onde sempre esteve.

[00:17:43] Quem mudou de lugar foi o governo dos Estados Unidos.

[00:17:46] Perfeito. E eu queria falar um pouquinho sobre a Europa,

[00:17:49] porque essa semana agora a gente teve uma tentativa de ir na União Europeia

[00:17:53] aprovar duas coisas.

[00:17:55] Novas sanções contra a Rússia e um empréstimo de 90 milhões de euros para a Ucrânia.

[00:18:03] Então eram duas maneiras ali de tentar ajudar a Ucrânia, pressionar a Rússia e ajudar a Ucrânia.

[00:18:10] Só que essas duas medidas não passaram pelo fato de que dois governos

[00:18:15] de países da União Europeia votaram contra e justificaram o voto contrário,

[00:18:20] que foram a Hungria de Viktor Orbán e a Eslováquia do Premier Robert Fico.

[00:18:26] O argumento dos dois, Daniel, em primeiro lugar foi que a gente não tem motivos

[00:18:30] para sancionar mais a Rússia, as sanções a Rússia já foram colocadas,

[00:18:34] desse mato não sai mais coelho.

[00:18:36] Então o que tinha que sancionar já foi sancionado

[00:18:39] e nós somos contra novas ajudas à Ucrânia.

[00:18:43] O motivo que é estabelecido por eles, Daniel,

[00:18:46] segundo eles, a Ucrânia parou de fornecer, na verdade interrompeu o fluxo de petróleo

[00:18:53] que tradicionalmente sai da Rússia em direção à Hungria e à Eslováquia por motivos políticos.

[00:19:01] O problema, Daniel, é que a Ucrânia diz que não é por motivos políticos.

[00:19:05] Segundo a Ucrânia, a interrupção no fornecimento de petróleo se deu por conta de um dano

[00:19:11] ao principal oleoduto, que é o oleoduto Drusba, aliás, um oleoduto da época da União Soviética,

[00:19:16] da década de 1960, foi danificado, teria sido danificado por um ataque russo.

[00:19:22] Então a Ucrânia diz, olha, vocês não estão recebendo petróleo da Rússia aí?

[00:19:26] Por culpa da própria Rússia, você vê lá com a Rússia porque ela atacou e o oleoduto danificou

[00:19:31] e o óleo, portanto, o petróleo não passa mais.

[00:19:34] O problema é que tanto a Hungria quanto a Eslováquia estão subindo o tom e dizendo

[00:19:39] a gente sabe que não foi por conta de uma questão técnica.

[00:19:43] A gente sabe que é por conta de uma questão política.

[00:19:47] E aí Daniel Viktor Orbán, ontem, ele veio a público para dizer que acha que a Ucrânia

[00:19:53] está fazendo de tudo para levar a um colapso da estrutura energética da Hungria,

[00:19:58] que inclusive estaria movimentando tropas para proteger instalações críticas da Hungria.

[00:20:04] Já achei grave isso aqui, né?

[00:20:06] Você tem aí a Ucrânia e um membro da União Europeia, a relação nunca foi boa,

[00:20:12] mas subindo bastante o tom com a Hungria, inclusive falando da movimentação de tropas.

[00:20:16] Hoje a gente teve a Hungria mais uma vez pedindo uma comissão independente

[00:20:22] para ir lá na Ucrânia para verificar o oleoduto.

[00:20:26] Daniel, a impressão que eu tenho é que o Viktor Orbán já tem a informação

[00:20:30] de que o oleoduto pode transmitir, pode passar o petróleo tranquilamente,

[00:20:35] porque ele está apostando muito alto.

[00:20:38] O que ele está dizendo é, gente, União Europeia, vocês não acreditam em mim?

[00:20:42] Faz uma comissão, vamos lá ver o oleoduto, cadê o dano no oleoduto?

[00:20:46] Eu quero ver o dano no oleoduto.

[00:20:48] Se tiver dano no oleoduto, eu recuo.

[00:20:50] E beleza, a gente aprova o que a Ucrânia está pedindo.

[00:20:53] Mas eu sei que não tem dano nesse oleoduto,

[00:20:55] ou seja, a Ucrânia está boicotando a Hungria e a Eslováquia

[00:20:59] e dessa maneira a gente não vai aprovar nem empréstimo,

[00:21:02] nem novas sanções contra a Rússia.

[00:21:05] De novo, Daniel, não é uma surpresa que você tenha um atrito

[00:21:09] entre Hungria e Ucrânia, isso já vem há algum tempo.

[00:21:12] Mas você tem a Hungria e a Eslováquia subindo mais ainda o tom

[00:21:17] do que você tinha pouco tempo atrás,

[00:21:19] o que torna a vida da Ucrânia ainda mais complicada.

[00:21:22] Afinal de contas, nem empréstimo eles estão conseguindo junto à União Europeia.

[00:21:26] Eu vou me acompanhar, mas o fato é que, de fato,

[00:21:29] o Orban e o Robert Fico também da Eslováquia

[00:21:32] são amigos do peito do Putin.

[00:21:34] É tudo que o Putin poderia querer, Daniel.

[00:21:36] Tenho que registrar rapidamente que o Partido Governista do Japão,

[00:21:41] sempre ele, o Partido Liberal Democrático,

[00:21:44] aprovou a recomendação para abolir restrições

[00:21:49] que hoje limitam as exportações de equipamentos de defesa

[00:21:53] a cinco categorias não letais.

[00:21:56] Ou seja, hoje o Japão só pode exportar equipamentos não letais

[00:22:02] e o Partido Liberal Democrático quer remover essa limitação.

[00:22:07] A proposta, inclusive, será discutida com o parceiro da coalizão,

[00:22:10] que é o Partido da Inovação do Japão,

[00:22:13] antes de ser apresentada formalmente para a submissão ao Parlamento.

[00:22:19] E tudo sugere que esse é um desejo, inclusive, da Primeira-Ministra do Japão.

[00:22:25] Atualmente, o Japão só pode exportar equipamentos de defesa para finalidades não letais,

[00:22:29] equipamentos de transporte, resgate, alerta e vigilância.

[00:22:34] Por exemplo, as exportações de equipamentos letais

[00:22:38] seriam permitidas apenas a países com acordos com o Japão.

[00:22:44] Você já tem, inclusive, vários países interessados em comprar equipamentos japoneses.

[00:22:50] A marinha australiana tem interesse na fragata classe Mogami, da Mitsubishi.

[00:22:58] Você tem conversas avançadas com Filipinas sobre destroyers usados.

[00:23:04] A Nova Zelândia também está interessada em navios.

[00:23:07] E a Indonésia avalia a compra de submarinos japoneses.

[00:23:13] Na prática, então, a gente está falando de um Japão que imagina que pode se militarizar.

[00:23:19] E, obviamente, quando você começa a exportar armamentos letais,

[00:23:23] isso dá escala para a sua produção de armamentos,

[00:23:26] reduz custos e aumenta a sua eficiência, além de gerar caixa

[00:23:30] para que você possa produzir ainda mais armamentos e se militarizar ainda mais.

[00:23:36] É um passo adicional nesse Japão que abandona o pacifismo

[00:23:40] e caminha na direção de uma militarização em função de um contexto geopolítico mais delicado.

[00:23:47] E também observa aí na indústria armamentista um ótimo filão econômico,

[00:23:52] uma ótima oportunidade de gerar receita e de ganhar dinheiro.

[00:23:56] Daniel, eu queria trazer uma outra pauta que talvez as pessoas já tenham começado a ver em alguns lugares,

[00:24:01] alguns veículos de imprensa, redes sociais, isso tem começado a aparecer.

[00:24:06] Que é, basicamente, a Rússia que está espalhando por aí,

[00:24:10] que Reino Unido e França estariam planejando entregar uma arma nuclear para a Ucrânia.

[00:24:17] Então, segundo a Rússia, o plano dos britânicos e dos franceses

[00:24:22] seria garantir que a Ucrânia tivesse condições melhores de negociação

[00:24:26] caso possuísse uma bomba nuclear.

[00:24:28] Está ali negociando o que estão da Lourença, que Donetsk, território,

[00:24:35] e que, segundo a Rússia, Reino Unido e França acreditam que se a Ucrânia tiver uma bomba nuclear,

[00:24:40] a negociação muda de patamar, seja uma bomba nuclear especificamente, um explosivo nuclear,

[00:24:46] ou seja, pelo menos uma bomba suja.

[00:24:48] Bomba suja é aquela que não é que vai explodir, mas ela solta radiação,

[00:24:52] ela pode gerar, portanto, danos à saúde pública, inclusive a militares,

[00:24:57] soldados russos em alguma situação assim.

[00:25:00] Segundo a França, e a França veio a público hoje, isso é uma notícia absolutamente infundada

[00:25:06] e que seria, portanto, algo que estaria sendo plantado pela inteligência externa russa,

[00:25:11] a agência SVR, e que seria, portanto, desinformação.

[00:25:16] Então, a Moscou, segundo a França, recorre frequentemente a esse expediente

[00:25:22] de ir espalhando informações por aí, você solta informações em determinadas bolhas

[00:25:27] e deixa a coisa se espalhar e tudo, mas, segundo a nota francesa,

[00:25:31] a França cumpre rigorosamente seus compromissos internacionais,

[00:25:35] especialmente aqueles ligados ao tratado de não proliferação de armas nucleares.

[00:25:40] Deixando claro também que Dona França está saindo de santa nessa daí,

[00:25:43] mas também é um país que tem os divos nucleares, que não se desarma,

[00:25:47] que não fala em desarmamento, que não dá força para qualquer discussão nesse sentido,

[00:25:52] mas que a maneira achei importante trazer, Daniel, porque já começou a chegar em mim

[00:25:56] Twitter, você começa a ver algumas pessoas falando,

[00:25:59] po, a Ucrânia, de repente, vai ter bombas nucleares britânicos e franceses, vão ceder.

[00:26:04] Então, segundo a França, isso é desinformação da Rússia,

[00:26:08] e seria, portanto, uma informação falsa, Daniel.

[00:26:11] Daniel, podemos avançar para a geléia da Shakira de hoje?

[00:26:14] Vambora, Daniel, o que você traz hoje?

[00:26:16] Hoje eu trago rinha de executivos de inteligência artificial.

[00:26:21] Nós tivemos um evento há poucos dias na Índia,

[00:26:24] um Narendra Modi organizando ali debates sobre inteligência artificial.

[00:26:29] O presidente Lula até foi convidado, esteve presente.

[00:26:32] Eis que, num determinado momento, o premié indiano resolveu ali pegar

[00:26:38] os camaradas da inteligência artificial e dar as mãos,

[00:26:42] vamos levantar as mãos, mostrando união, mostrando como é importante.

[00:26:46] Eis que o Sam Altman, que é o CEO da OpenAI, do Chat EPT,

[00:26:52] estava ao lado do Dário Amodei, da Anthropic,

[00:26:57] e eles são, como direi, arquinemigos.

[00:27:01] E aí, rapaz, todo mundo dando a mão ali?

[00:27:03] Vamos lá, vamos dar as mãos aqui, gente, união, os dois…

[00:27:06] Não, não vou dar a mão, não, o que é isso?

[00:27:08] Não vou dar coisa nenhuma para esse meu arquinemigo.

[00:27:13] Lembrando que o senhor Amodei foi vice-presidente e senior research leader da OpenAI

[00:27:21] antes de pedir demissão em 2021 para fundar a Anthropic.

[00:27:26] O que acaba acontecendo é que eles têm visões muito diferentes

[00:27:30] sobre o futuro da inteligência artificial.

[00:27:32] Recentemente, inclusive, você teve uma propaganda no Super Bowl,

[00:27:39] uma propaganda da Anthropic dizendo o seguinte,

[00:27:42] propagandas estão a caminho na inteligência artificial,

[00:27:46] mas não para o Cloud.

[00:27:49] O Cloud é justamente o chat bot ali da Anthropic

[00:27:54] e é o rival da OpenAI.

[00:27:57] A referência à provocação é que a OpenAI está cogitando

[00:28:00] colocar propaganda no seu chat bot como forma de aumentar a sua rentabilidade.

[00:28:06] Na prática, a OpenAI foi fundada com a missão de desenvolver

[00:28:10] inteligência artificial para beneficiar a humanidade, etc.

[00:28:13] Mas as coisas têm mudado.

[00:28:16] Você tem um CEO que acredita num crescimento agressivo e comercialização rápida.

[00:28:22] Já o Dário, da sua rival, ele tem muito mais preocupação

[00:28:28] com segurança e alinhamento a valores.

[00:28:31] Aliás, muita gente diz que essa foi a principal motivação

[00:28:34] dele deixar a OpenAI, porque a OpenAI estaria abandonando os seus valores originais

[00:28:40] e estaria caminhando por uma postura muito mais agressiva.

[00:28:44] E ele tem aí um discurso mais cauteloso sobre o impacto da inteligência artificial.

[00:28:50] Tudo papinho também, né, Daniel Souza?

[00:28:52] Ficar de inteligência artificial aí, umas big tech.

[00:28:55] Ah, não, porque eu faço uma big tech mais responsável, mas sei lá.

[00:28:59] Enfim, Daniel Souza, a Anthropic.

[00:29:02] Não me engano também não, a Anthropic.

[00:29:04] Ela lançou o Claude, e agora é bonzinho, agora é bonzinho, Daniel.

[00:29:08] Enfim, rir desse pessoal aí, Daniel, sempre diverte.

[00:29:12] Então, queremos mais, Daniel Souza, queremos mais.

[00:29:15] Pode continuar, porque pelo menos gera pauta aqui para a Gelada Shakira.

[00:29:18] Não esteja faltando pauta na Gelada Shakira, né?

[00:29:21] Tem sobrado, aliás, mas sempre bom saber.

[00:29:24] Daniel Souza, dessa maneira, a gente encerra o nosso episódio.

[00:29:26] Muito obrigado a todos que nos ouvem, todos que nos acompanham.

[00:29:30] É sempre um prazer, né?

[00:29:32] Muita gente, aliás, enquanto na rua, vem uma palestra hoje, Daniel, lá na Petrobras.

[00:29:36] Muita gente falando que é o Petit Jornal, que curte e tal.

[00:29:39] Então, fica um abração para todo mundo.

[00:29:41] Aliás, se você quer a palestra do Petit Jornal, fala com a gente também.

[00:29:45] Tem um e-mail que está na descrição desse episódio.

[00:29:47] Vai ser um prazer a gente conversar sobre a possibilidade de te ajudar, né?

[00:29:51] Ajudar a sua empresa a ter uma visão acerca desse mundo, da maneira como vem mudando.

[00:29:55] E se você quer outro conteúdo do Petit Jornal,

[00:29:58] tem também a descrição desse episódio, tem lá o link

[00:30:00] Peticursos.com.br

[00:30:02] A gente vai oferecer um curso que vai começar na semana que vem

[00:30:05] sobre o esfacelamento da liderança americana, né?

[00:30:08] Os Estados Unidos estão passando por um momento no qual ainda são líderes internacionais,

[00:30:11] não há dúvida disso.

[00:30:12] Mas é uma liderança que já dá demonstrações de fraqueza.

[00:30:16] E esse é apenas um dos muitos e muitos cursos que você passa até acesso.

[00:30:21] Se você acessar lá, em Peticursos.com.br

[00:30:25] Tenho certeza que muitos dos cursos que estão lá vão te interessar.

[00:30:28] Fica aqui o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petit Jornal,

[00:30:32] vocês que ajudam a manter o nosso projeto.

[00:30:34] Petic é uma mídia artesanal, não tem aí o suporte de um grande conglomerado de mídia,

[00:30:39] nem de uma grande produtora.

[00:30:41] Por isso a ajuda de nossos apoiadores acaba sendo de tanta importância

[00:30:44] e por isso registramos aqui o nosso agradecimento a cada um deles.

[00:30:48] Fica também o convite, se você gosta do nosso projeto,

[00:30:51] se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar.

[00:30:54] No descritivo desse episódio tem várias alternativas.

[00:30:56] Tem a chave PIX, que é uma maneira prática e instantânea de apoiar o Petit Jornal.

[00:31:00] Dá inclusive para ativar o PIX recorrente.

[00:31:03] Chave PIX no descritivo desse episódio.

[00:31:07] Temos também o link para apoia-se, o link para o Patreon.

[00:31:10] Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.

[00:31:15] É isso, Daniel. Suas amanhã, às 9 da manhã,

[00:31:17] a gente tem a gravação do Petit Invest e bate-papo.

[00:31:20] A gente volta na próxima segunda-feira às 9 da manhã.

[00:31:23] Nos vemos, um abraço e até a próxima.

[00:31:25] Valeu! Tchau, tchau!