Justiça para Marielle, limites para Trump e outros penduricalhos


Resumo

O episódio gira em torno do “pupurri do patrimonialismo” que envolve o Supremo e o escândalo do Banco Master, com destaque para a reação do STF diante da crise de imagem. A conversa detalha como “penduricalhos” — verbas indenizatórias e benefícios criados muitas vezes por atos administrativos — fazem o teto salarial do serviço público virar “piso”, especialmente no Judiciário. São citados dados de reportagens sobre a escalada de pagamentos acima do teto, exemplos de auxílios e mecanismos que dificultam controle externo, além da interpretação de que a ofensiva recente contra esses benefícios (liderada por decisões de Flávio Dino e reforçada por Gilmar Mendes) pode funcionar também como cortina de fumaça para aliviar a pressão sobre o tribunal após o caso Master.

Na sequência, o debate se desloca para o impacto político-eleitoral do desgaste do STF. A pesquisa Atlas Intel/Bloomberg que aponta empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um segundo turno é analisada sob a hipótese de que a crise do Supremo “transborda” para o governo, corroendo a associação simbólica entre Lula e a defesa institucional da democracia contra o bolsonarismo. Os participantes discutem como a direita teria conseguido colocar o STF no centro do escândalo, obscurecendo o papel de atores do mercado e de políticos (sobretudo de direita) no caso Master, e alertam para o risco de a crítica legítima ao tribunal ser capturada para deslegitimar sua atuação contra tentativas de golpe — incluindo a controvérsia em torno do inquérito das fake news.


Indicações

Livros

  • (Segundo volume) da biografia do Lula, por Fernando Morais — Anunciado em pré-venda, cobrindo da disputa pelo governo paulista na ditadura até a eleição de 2002
  • “A Contaminação” (revista Piauí, edição de fevereiro) — Reportagem citada como um “raio X” do caso Banco Master e da rede de proteção ao banco

Linha do Tempo

  • [00:01] — Abertura: caso Master, penduricalhos e relação com a corrida presidencial
  • [00:06] — Por que os penduricalhos do Judiciário pesam mais que os do Congresso
  • [00:07] — Dados sobre salários acima do teto e o teto virando “piso” na magistratura/MP
  • [00:09] — Exemplos de benefícios e distorções: TJ-SP, TJ-RJ, fundos e privilégios
  • [00:11] — Cronologia: Dino reabre ação sobre teto salarial e STF tenta reagir à crise do Master
  • [00:14] — Veto de Lula a penduricalhos, escalada de decisões e resistência (Congresso, tribunais, PGR)
  • [00:17] — Pesquisa Atlas: metodologia, limites e o empate Lula x Flávio Bolsonaro
  • [00:20] — Leitura política: desgaste do STF atingindo Lula e fortalecendo discurso “anti-sistema”
  • [00:23] — Quem aparece no caso Master e como o foco no STF pode poupar atores políticos e econômicos
  • [00:28] — Debate sobre o inquérito das fake news: defesa da atuação contra o golpe vs. abuso de prerrogativas
  • [00:30] — Fechamento do 1º bloco e chamada para o tema Marielle (após o intervalo)
  • [00:31] — Inserção: prisão de Daniel Vorcaro, vazamento de operação e reportagem “A Contaminação”
  • [00:32] — Inserção: anúncio de pré-venda do 2º volume da biografia de Lula, por Fernando Morais

Dados do Episódio

  • Podcast: Foro de Teresina
  • Autor: piauí
  • Categoria: News / Politics
  • Publicado: 2026-02-27
  • Duração: 1h0m
  • UUID Episódio: e76ea2c5-4be2-4abf-b0ed-a1c0d3df0321

Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Rádio Piauí.

[00:00:09] Olá, sejam muito bem-vindos ao foro de Terezina,

[00:00:12] o podcast de política da revista Piauí.

[00:00:15] Qual o teto que vigora hoje no Brasil?

[00:00:18] Quem souber responder essa pergunta, ganha um prêmio.

[00:00:21] Ninguém sabe, hoje nós devemos ter

[00:00:24] aproximadamente dois mil ou três mil tetos vigentes no Brasil.

[00:00:29] Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo,

[00:00:32] tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa

[00:00:36] e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro.

[00:00:40] Olá, Ana, bem-vinda.

[00:00:41] Oi, Fernando, oi, pessoal.

[00:00:44] Quantas Marielles o Brasil permitirá sejam assassinadas

[00:00:49] até que se ressuscite a ideia de justiça

[00:00:53] nesta pátria de tantas indignidades?

[00:00:57] Diga lá, Celso Casca de Bala.

[00:00:59] Fala aí, Fernando, estamos aí, mais uma sexta-feira.

[00:01:14] Mais uma sexta-feira, sem mais delongas aos assuntos da semana.

[00:01:20] No primeiro bloco, a gente vai falar do caso master,

[00:01:23] dos penduricalhos e da corrida presidencial.

[00:01:26] Um pupu ri com foco inicial no Supremo, a casa do Judiciário,

[00:01:31] poder que tem sido o centro das atenções

[00:01:33] e das preocupações políticas nos últimos tempos.

[00:01:36] O presidente da Corte, Edson Faquin,

[00:01:38] arquivou a suspeição de diastófile.

[00:01:41] E o novo relator do caso master, André Mendonça,

[00:01:43] passou horas em reunião com a Polícia Federal na segunda-feira

[00:01:47] para atualizar o entendimento dos problemas que tem nas mãos.

[00:01:50] Mendonça havia determinado, na semana passada,

[00:01:52] a retomada do fluxo ordinário das ações de perícia das provas

[00:01:56] e depoimentos no inquérito.

[00:01:58] A sua decisão derruba as restrições que haviam sido impostas pelo TAYAYÁ

[00:02:02] ao trabalho dos investigadores.

[00:02:04] Mendonça, no entanto, também proibiu delegados do caso

[00:02:06] de compartilhar informações com seus superiores,

[00:02:09] o que causou mal-estar na cúpula da PF.

[00:02:11] Cada um com seus problemas e todo mundo desconfiando de todo mundo,

[00:02:14] é assim que estamos.

[00:02:16] No capítulo dos penduricalhos,

[00:02:18] essa palavra que parece fazer barulhinho

[00:02:20] e traduz também o funcionamento do Estado patrimonialista

[00:02:23] que dá as cartas no país.

[00:02:25] Neste capítulo, o ministro Flávio Dino havia dado, no início do mês,

[00:02:28] prazo de 60 dias para que os três poderes revissem seus benefícios,

[00:02:33] muitas vezes indevidos, puxadinhos para obter vantagens aqui e ali.

[00:02:37] Nessa semana, Gilmar Mendes foi na mesma linha

[00:02:39] a respeito das verbas de caráter indenizatório.

[00:02:42] Foquim juntou as duas decisões

[00:02:44] e elas começaram a ser analisadas pelo plenário da corte.

[00:02:48] A coincidência entre as agendas não é casual.

[00:02:50] O escândalo do Máster arrastou o tribunal

[00:02:52] para a maior crise de imagem de sua história recente

[00:02:55] e obriga os ministros a encontrar maneiras de renovar

[00:02:58] ou recobrar sua autoridade diante do país.

[00:03:02] E o que tudo isso, ou o caso Máster, tem a ver com a corrida presidencial,

[00:03:06] é o que o Celso vai nos dizer.

[00:03:08] Uma nova rodada da pesquisa Atlas Intel Bloomberg,

[00:03:12] divulgada nesta semana,

[00:03:13] apontou Lula e Flávio Bolsonaro numéricamente empatados

[00:03:17] num virtual segundo turno.

[00:03:19] 46,3% para o Raxadinha,

[00:03:22] 46,2% para Lula.

[00:03:26] Com rejeições altas e um eleitorado já muito cristalizado nos dois campos.

[00:03:31] É uma pesquisa feita pela internet

[00:03:33] que precisa ser assimilada com grão de sal.

[00:03:36] No segundo bloco, a gente vai tratar da condenação dos mandantes

[00:03:40] do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

[00:03:43] Oito anos depois do crime que mobilizou o país e teve impacto mundial,

[00:03:47] a primeira turma do Supremo condenou os irmãos Brazão,

[00:03:51] Domingos e Chiquinho a 76 anos de prisão.

[00:03:54] O conselheiro do Tribunal de Contas do Rio

[00:03:57] e o ex-deputado federal já estavam presos há dois anos.

[00:04:00] Eles não só tinham contato com a milícia,

[00:04:03] eles eram a milícia, afirmou Alexandre de Moraes durante o julgamento.

[00:04:07] Também foi condenado a 56 anos Ronald Alves Pereira,

[00:04:11] conhecido como Major Ronald, policial militar reformado

[00:04:15] e ex-chefe da milícia da Musema na Zona Oeste do Rio.

[00:04:18] Ele monitorou a rotina de Marielle para repassar as informações

[00:04:22] a Rony Lessa e Elcio de Queiroz, o primeiro autor dos disparos

[00:04:26] e o segundo o motorista do carro usado no crime.

[00:04:29] Ainda foram condenados Rivaldo Barbosa de Araújo,

[00:04:32] delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio

[00:04:35] por obstrução à justiça e corrupção passiva com pena de 18 anos

[00:04:39] e Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão

[00:04:44] por organização criminosa.

[00:04:46] Ele pega 9 anos de prisão.

[00:04:49] Este é um julgamento histórico por várias razões e a gente vai discuti-las.

[00:04:54] No terceiro bloco a gente fala da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos

[00:04:58] que derrubou o tarifasso de Donald Trump.

[00:05:01] Por 6 votos a 3, a maioria disse que o presidente estrapolou a própria autoridade

[00:05:05] a usar uma lei de emergência econômica para impor tarifas de alcance quase global

[00:05:10] sem passar pelo Congresso.

[00:05:12] O voto de John Roberts recoloca a política tarifária no lugar

[00:05:16] onde a Constituição americana disse que ela deve estar

[00:05:19] e atinge o principal instrumento de pressão comercial

[00:05:21] que a Casa Branca vinha usando desde o ano passado.

[00:05:24] Trump respondeu no mesmo dia dizendo que nada muda na política,

[00:05:27] só o caminho jurídico e anunciou uma nova tarifa global

[00:05:30] com base em outro dispositivo legal.

[00:05:33] A decisão abre uma disputa sobre a devolução de bilhões já arrecadados,

[00:05:38] deixa acordos comerciais em suspenso e cria um intervalo

[00:05:41] entre a vontade política de taxar e a capacidade imediata de fazer isso.

[00:05:47] É esse espaço que passa a organizar a estratégia econômica e eleitoral do governo daqui em diante.

[00:05:52] E o Celso mais uma vez vai nos explicar isso.

[00:05:56] É isso. Vem com a gente.

[00:06:04] Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você.

[00:06:08] Como eu disse na abertura, é um pulpo ri de coisas,

[00:06:11] mas eu sei, aposto que você vai começar pelos penduricalhos.

[00:06:15] É, ó, informação privilegiada.

[00:06:17] Não é? É.

[00:06:19] Bom, esse assunto é aquele assunto óbvio, né?

[00:06:22] Um problema indigno que a gente tem no Brasil e que ninguém consegue resolver,

[00:06:26] porque em geral quem pode resolver também recebe penduricalho.

[00:06:30] Só quem não recebe penduricalho somos nós que amare e barra os nossos penduricalhos.

[00:06:35] Amarre e moraliza a bagunça aqui.

[00:06:38] É, só ficou o pão de queijo.

[00:06:40] Exato, pra vocês. Se mexer no pão de queijo vai ter brilho.

[00:06:44] Bom, a questão é que embora os privilégios do Congresso sejam revoltantes,

[00:06:50] porque tem verba de gabinete, milhares de auxílios, reembolsos, viagens internacionais,

[00:06:56] pagas com dinheiro público que quase nunca servem o interesse público.

[00:07:00] O que realmente pega são os penduricalhos do Judiciário.

[00:07:04] E eles são mais relevantes porque há muito mais juízes do que deputados e senadores.

[00:07:09] Juízes, promotores, procuradores, desembargadores.

[00:07:12] No Brasil inteiro eles são muito mais numerosos, então os penduricalhos deles acabam pesando muito mais.

[00:07:18] Além disso, eles podem criar penduricalhos por vias administrativas,

[00:07:23] o que acaba impedindo que qualquer outro órgão consiga disciplinar essas verbas,

[00:07:28] que muitas vezes não estão previstas em nenhuma lei.

[00:07:31] E o Congresso, por mais que eles quase sempre consigam aprovar as benesses que eles querem,

[00:07:36] sempre tem o constrangimento público, porque as votações em geral tem cobertura da imprensa, né.

[00:07:42] Então, nos casos do Congresso a gente fica sabendo do que eles fazem.

[00:07:46] E no caso do Judiciário, como são decisões administrativas, ninguém fica sabendo.

[00:07:51] E o céu é o limite pra elas.

[00:07:53] Um levantamento do Globo feito pelo Dimitrios Dantas mostra que os pagamentos acima do teto no Judiciário

[00:08:00] subiram 43% em um ano, entre 2024 e 2025, superando 10 bilhões de reais.

[00:08:07] Ou seja, você ganhar o teto no Judiciário, que é o teto do Salário do Ministro do Supremo,

[00:08:13] de 46 mil reais, um pouco mais, isso é, na verdade, raro.

[00:08:19] O normal é você ganhar acima do teto.

[00:08:22] E nessa mesma reportagem, eles dizem que 90% dos membros da magistratura e do Ministério Público

[00:08:28] ganham acima do teto, ou seja, só 10% ganham o teto.

[00:08:33] Isso faz com que o teto seja visto como piso, na verdade, não como teto, né.

[00:08:37] E assim, no caso do Juízes é um negócio impressionante, né.

[00:08:40] Eles têm direito a uma folga cada três dias trabalhados, três por um.

[00:08:44] Tem a jornada seis por um?

[00:08:46] Opa!

[00:08:46] No caso do Judiciário, três por um.

[00:08:48] Tá vendo? E o Celso aí, feliz, se culpou de queijo.

[00:08:52] E se você não folga, você tem direito a receber o valor desse dia de trabalho como verbo indenizatória.

[00:08:59] E aí você tem auxílio moradia, auxílio transporte, auxílio saúde, auxílio viagem pré-tranquoso,

[00:09:04] auxílio livro, auxílio, enfim, todo tipo de auxílio.

[00:09:07] Pra vocês terem uma ideia, o Tribunal de Justiça de São Paulo, que é considerado o maior tribunal do mundo

[00:09:13] em número de juízes, aí contempla Desembargador, enfim, as carreiras do Judiciário, são 729,

[00:09:20] é o maior tribunal do mundo, e segundo o Metrópolis, eles pagaram 4,3 bilhões de reais

[00:09:26] em penduricalhos no ano passado.

[00:09:28] E os rendimentos desses servidores foram, em média, de 123 mil reais.

[00:09:35] Em média.

[00:09:36] O rendimento que eles embolsaram, sem redutor nenhum, só com base nos penduricalhos,

[00:09:41] sendo que o teto é 46 mil.

[00:09:43] Embora São Paulo se esforce, é difícil ganhar do Rio de Janeiro,

[00:09:47] o Tribunal de Justiça do Rio é realmente especial, assim, os benefícios são fabulosos.

[00:09:54] Cada desembargador tem direito a um carro blindado, importado, de mais de 400 mil reais cada um.

[00:10:01] As custas processuais da justiça aqui no Rio de Janeiro, elas acabam indo pra um fundo

[00:10:07] que os desembargadores pegam pra eles, assim, no sentido assim, não que eles sacam o fundo, não é isso.

[00:10:13] Mas eles usam esse dinheiro das custas, que é um dinheiro público, né, pra criar benefícios para eles próprios.

[00:10:20] Então assim, tem um fundo aplicado, e esse fundo chegou até a emprestar dinheiro pro Estado do Rio

[00:10:25] quando o Estado do Rio tava quebrado.

[00:10:27] Sendo que, assim, custas processuais, em tese, é um dinheiro que você tem que usar pra manutenção do sistema,

[00:10:35] não pro carro importado do desembargador, entendeu?

[00:10:38] Então assim, é isso que a gente vive.

[00:10:40] Só que, dito isso, o Supremo discutir isso agora, tudo indica, tem uma conexão com a crise de imagem

[00:10:48] que eles estão vivendo depois do caso Master.

[00:10:51] E a cronologia dos fatos reforça essa percepção, que é uma percepção, enfim, de todo mundo em Brasília.

[00:10:58] Porque vocês devem imaginar que toda Brasília está contra qualquer medida, contra os pinuricalhos.

[00:11:05] Nos próprios gabinetes dos ministros do Supremo, os juízes auxiliares estão desesperados com essas decisões.

[00:11:12] Mas vamos voltar pra cronologia.

[00:11:14] Por que a gente tá discutindo isso hoje, né?

[00:11:16] O Flávio Dino, no final do ano passado, foi sorteado pra ser relator de uma ação.

[00:11:21] Era uma reclamação de procuradores municipais de Praia Grande, em São Paulo,

[00:11:25] que estavam questionando o Tribunal de Justiça, que limitou a remuneração deles a 90% do salário de um ministro do STF.

[00:11:32] Eles queriam receber 100%.

[00:11:34] E aí eles entraram no STF e tal, e era a terceira vez que eles entravam no STF com a mesma demanda.

[00:11:40] O Flávio Dino recebeu essa ação, foi sorteado, e negou o provimento e a ação foi extinta.

[00:11:46] Porque era a terceira vez que eles entravam e já tinha sido negado.

[00:11:50] Isso foi no início de dezembro.

[00:11:52] No dia 4 de fevereiro, depois de tudo que se descobriu envolvendo o Supremo, o caso Master, o Taiayá e afins,

[00:12:00] os ministros voltam ao batente e o Alexandre de Moraes e o Tofoli fazem aquela defesa apaixonada

[00:12:08] do recebimento de dividendos por ministros do STF, que a gente viu e inclusive comentou aqui.

[00:12:14] O direito deles de receber dividendos, de ser sócio de empresas, ainda que não participem da gestão.

[00:12:22] O Alexandre de Moraes ainda teve a cara de pau de falar que daqui a pouco iam proibir ministros de dar aula.

[00:12:28] Como se esse fosse o problema. Foi a cara de pau.

[00:12:30] Pois é, e aí isso foi dia 4 de fevereiro.

[00:12:33] Essas declarações dos ministros nesses dias, elas mostram uma total desconexão com o que deveria ser

[00:12:39] o espírito público de quem ocupa essas cadeiras, né, mas enfim.

[00:12:43] No dia seguinte, dia 5 de fevereiro, Flávio Dino pega essa reclamação que ele mesmo tinha declarado

[00:12:49] extinta um mês antes, porque já tinha sido resolvida, e reabre essa ação.

[00:12:54] E pra não ter dúvida, ele coloca em capturar mérito da ação.

[00:12:59] O tema em debate nesses autos,versa sobre a observância de precedentes vinculantes

[00:13:05] acerca do chamado teto salarial.

[00:13:07] Ou seja, ele pega essa ação pra discutir esse assunto, que é um consenso, né,

[00:13:13] direita, esquerda, todo espectro político, se existe um consenso nesse país,

[00:13:19] é que há um, enfim, um abuso, né, nessa questão dos penduricalhos e dos benefícios do judiciário.

[00:13:26] Então ele transforma esse caso já extinto na discussão.

[00:13:30] Então assim, o caso de Paraia Grande vira uma decisão sobre todo o setor público.

[00:13:35] E quando ele deu essa decisão, que foi 5 de fevereiro, meio que não teve muito efeito,

[00:13:39] porque o assunto era Máster, era o Toffoli, era a Polícia Federal, enfim, tava aquele auê, né,

[00:13:44] a gente tava discutindo isso aqui.

[00:13:47] E aí vem o Carnaval também.

[00:13:49] No Carnaval se falava mais da saída do Toffoli, da relatoria,

[00:13:53] daqueles áudios que foram divulgados e que a divulgação é atribuída a ele.

[00:13:57] Enfim, quando volta do Carnaval, o presidente Lula, ele veta alguns penduricalhos

[00:14:03] que tinham sido aprovados pelo Congresso pra furar o teto de quem trabalha no Legislativo e também no TCU.

[00:14:09] E aí esse assunto deu uma levantada no tema.

[00:14:11] E aí o Dino foi lá e deu uma nova decisão proibindo que novas leis sejam editadas pra criar novos penduricalhos.

[00:14:18] Aí o Gilmar foi lá e ampliou isso pro Judiciário dos Estados e pro Ministério Público.

[00:14:23] E aí realmente a pauta mudou, saiu o Toffoli e Alexandre de Moraes e entrou penduricalhos.

[00:14:28] A questão é que como ninguém combinou com os russos, o Congresso, os tribunais e, como eu disse,

[00:14:34] os próprios juízes auxiliares dos ministros, estão irados com essa cruzada antipenduricalhos, né.

[00:14:40] Ninguém quer perder.

[00:14:41] E até o Paulo Gonê, procurador-geral da República, que concorda com o Supremo em absolutamente tudo,

[00:14:48] ele é quase um ministro do Supremo hoje em dia, até ele foi contra.

[00:14:53] Então, assim, é a primeira vez que o Paulo Gonê tá discordando do Supremo nessa gestão.

[00:14:57] E saiu em defesa dos penduricalhos.

[00:15:00] É, isso lembra muito aquela frase do Brecht, né.

[00:15:04] Primeiro o estômago, depois a moral.

[00:15:07] Que estômago desses caras é estômago de avessura.

[00:15:11] É isso que eu ia dizer, né. Porra, acha estômago, né.

[00:15:14] Exato, é.

[00:15:15] É espaçoso.

[00:15:16] Exato.

[00:15:18] Agora, é claro que daí teve toda uma discussão em senta pra conversar, o Columbre, o Gumota, Flávio Dino,

[00:15:26] porque não dá pra se proibir todos os penduricalhos do dia pra noite, né.

[00:15:32] Assim, tem muita gente que não está interessada nisso, aliás, a grande maioria.

[00:15:36] Então, eles sentam pra conversar, pra tentar paziguar.

[00:15:39] A ideia agora é criar uma regra de transição pra esses penduricalhos,

[00:15:43] que seja votada no Congresso, pra tentar acomodar ali os interesses.

[00:15:48] Mas assim, meio palpite, muito cético.

[00:15:51] Com certeza, daqui um mês ninguém mais vai lembrar dessa discussão e aí…

[00:15:55] É o mais provável.

[00:15:56] É.

[00:15:57] Aí, no fim, eles vão aprovar o fim do penduricalho do professor universitário, né.

[00:16:01] Alguma coisa.

[00:16:02] É, tipo.

[00:16:03] Exato.

[00:16:04] Penduricalho de um cara totalmente ferrado.

[00:16:06] Ela diz que o problema é esse cara aqui, né.

[00:16:08] O enfermeiro do…

[00:16:10] Exato.

[00:16:11] O servidor do Ibama, entendeu.

[00:16:13] Vão tirar o auxílio em salubridade dele.

[00:16:17] Então, é isso que vai acontecer.

[00:16:19] Vão tirar a indenização do cara do Ibama, que é mordido por onça, né.

[00:16:22] Alguma coisa assim.

[00:16:23] A palavra já é maravilhosa.

[00:16:25] Ela parece um diminutivo.

[00:16:27] Penduri, daí vem um caralho, no fim, né.

[00:16:29] Penduri, caralho.

[00:16:31] A palavra já tem essas contradições todas.

[00:16:34] Agora, diante dessa cronologia, vocês acham realmente que esse assunto chegou à pauta

[00:16:40] por interesse público?

[00:16:42] Eu tenho dúvidas, não sei.

[00:16:44] Vocês podem discordar de mim, mas…

[00:16:46] Diante da cronologia, parece mais fácil que eles tenham usado isso como cortina de fumaça

[00:16:51] para tirar o foco.

[00:16:52] O que não reduz a importância desse assunto.

[00:16:55] Eu concordo totalmente com o que você está falando.

[00:16:57] E se eles acabassem com o negócio para usar como cortina de fumaça, também era bom.

[00:17:02] Depois a gente tira a cortina de fumaça, mas pelo menos acabou os penduricalhos.

[00:17:06] Mas é difícil imaginar que vai acabar.

[00:17:08] Por exemplo, se esse negócio do Congresso deixar alguma brechazinha,

[00:17:12] é o suficiente para algum juiz, em algum lugar,

[00:17:14] interpretar que aquela brechazinha permite o penduricalho dele, daí…

[00:17:19] Sim.

[00:17:20] Celso Rocha de Baus introduza o seu penduricalho nessa discussão.

[00:17:26] Opa!

[00:17:27] Momento tenso.

[00:17:28] Então, eu queria puxar para uma coisa que eu acho bastante relacionada a essa discussão,

[00:17:33] que é o resultado da última pesquisa Atlas.

[00:17:35] A Atlas faz pesquisa por uma metodologia que é essa grande comercial.

[00:17:39] Eles dizem, não, essa metodologia é justamente o que a gente vende para os nossos clientes,

[00:17:42] então eu não vou abrir para vocês exatamente o que a gente faz.

[00:17:45] Então você tem que julgar a Atlas pelos resultados em várias eleições.

[00:17:50] Eu acho que no Brasil ainda não tem tempo suficiente para a gente

[00:17:53] tirar um diagnóstico definitivo sobre a eficácia do método no Brasil,

[00:17:57] mas pelo menos não tem sido significativamente pior do que a dos outros.

[00:18:01] Todos os institutos de pesquisa têm saído mal.

[00:18:04] Então acho que vale a pena discutir o resultado da Atlas.

[00:18:07] Nos Estados Unidos, a Atlas, Bloomberg…

[00:18:10] Teve um ano bastante bom.

[00:18:12] Bastante bom, né?

[00:18:13] Eu me lembro agora qual foi a eleição.

[00:18:15] Não sei se foi a última ou a penúltima, enfim.

[00:18:17] É uma metodologia diferente, isso tem que ser levado em conta,

[00:18:20] mas assim, não é um negócio dessas picaretades que aparece de vez em quando,

[00:18:24] uns institutos novos que você fala, pelo amor de Deus.

[00:18:27] Agora, pesquisa sobre o processo eleitoral, por exemplo,

[00:18:30] isso que você não revela a metodologia, já temos aí um problema, de qualquer forma.

[00:18:34] Tem, então, aí é que tá.

[00:18:36] Aí eles basicamente estão dizendo assim, eu entrego o resultado.

[00:18:38] Conforme vai passando eleições, eleições, eleições,

[00:18:40] você vai vendo se ele funciona ou não,

[00:18:42] e aí estabelece ou não a credibilidade do negócio.

[00:18:46] Mas isso é claramente pior do que se for um negócio,

[00:18:49] aquela pesquisa tradicional para mostragem,

[00:18:51] que todo mundo sabe como funciona.

[00:18:53] Enfim.

[00:18:54] E na nova pesquisa da Atlas, o Lula e o Flávio aparecem empatados.

[00:18:58] Nesse resultado deve ter uns fatores conjunturais.

[00:19:00] Por exemplo, teve essa confusão toda do carnaval,

[00:19:03] que a gente discutiu semana passada.

[00:19:06] Eu não acredito que o carnaval tenha tido impacto…

[00:19:09] Eu também acho que não é grande coisa.

[00:19:11] Eu acho que o pessoal tem gente dizendo isso, mas eu não vejo que isso vá…

[00:19:14] Eu não vejo.

[00:19:15] Flávio Oliveira falou muito bem sobre isso na Globo.

[00:19:17] Como de hábito, ela falou muito bem.

[00:19:19] Sem dúvida.

[00:19:20] Ela deu uma esvaziada nesse negócio do carnaval.

[00:19:23] Eu acho também.

[00:19:24] Esvaziada na influência da escola sobre o processo político,

[00:19:28] sobre a educação do voto das pessoas,

[00:19:30] e particularmente do público evangélico.

[00:19:32] Mas enfim.

[00:19:33] O principal, que me parece claro,

[00:19:35] é que a crise do STF está transportando para o governo.

[00:19:37] A minha interpretação é que o principal motivo para esse empate,

[00:19:40] em especial para a queda do Lula,

[00:19:42] o Flávio subiu um pouco e o Lula caiu.

[00:19:44] A ascensão do Flávio pode ser aquele processo de consolidação

[00:19:47] que a gente já vinha falando.

[00:19:48] O pessoal da direita aceitou que ele é o candidato

[00:19:51] e quem for de direita vai votar nele.

[00:19:52] Você vê que esses candidatos ratinhos,

[00:19:54] essas coisas assim, não decolaram.

[00:19:56] Na pesquisa estão tão bem parados.

[00:19:57] Agora, a queda do Lula merece explicação.

[00:19:59] E o que me parece é que, primeiro,

[00:20:02] a direita conseguiu colocar o STF no centro do escândalo do máster.

[00:20:06] Como o STF impediu o golpe do Bolsonaro,

[00:20:08] o STF ficou ligado na opinião pública ao Lula.

[00:20:11] Ficou ligado à defesa do Lula.

[00:20:13] Isso está errado, enfim.

[00:20:14] Uma parte da opinião pública.

[00:20:16] É a defesa da democracia, no caso de ser contra o golpe do Bolsonaro.

[00:20:19] O Lula teve a vantagem na última eleição

[00:20:21] de ser o candidato da democracia contra o candidato do golpe.

[00:20:24] E isso agora está cobrando um certo preço

[00:20:26] porque o escândalo do STF está tirando voto da democracia.

[00:20:30] E agora o golpe empatou com a democracia na pesquisa eleitoral.

[00:20:34] E ao que parece, inclusive, essa próxima eleição

[00:20:36] também vai ser democracia contra o golpe de Estado,

[00:20:38] o que é desesperador.

[00:20:40] É desesperador que em quatro anos isso não tenha mudado,

[00:20:43] que a direita não tenha conseguido construir uma candidatura democrática.

[00:20:47] Isso é uma vergonha para o país.

[00:20:49] Você vê em todas essas matérias como o Brasil evitou o golpe

[00:20:52] e é um exemplo para o mundo.

[00:20:54] Cara, o establishment brasileiro está trabalhando

[00:20:56] para reverter isso tudo nesse exato momento.

[00:20:58] Está topando um candidato que vai reverter isso tudo,

[00:21:00] que é o Flávio Bolsonaro.

[00:21:02] É até uma ironia porque

[00:21:04] o governo está levando esse ônus da crise do Supremo,

[00:21:08] sendo que o Supremo tem a avaliação

[00:21:10] de que o governo não está ajudando eles em nada.

[00:21:12] E isso é desde o ano passado,

[00:21:14] quando teve o ataque do Trump ao Supremo,

[00:21:17] ao Alexandre de Moraes e ao Supremo de uma forma geral,

[00:21:19] o Supremo já achava que o governo tinha deixado eles ao Léo

[00:21:23] e que não estava junto deles e tal.

[00:21:25] E agora mais ainda,

[00:21:27] então assim, o governo está levando esse ônus

[00:21:30] sem que eles de fato sejam uma força ali unida

[00:21:34] e nem acho que tem que ser, entendeu?

[00:21:36] Mas enfim, é a ironia da coisa, né?

[00:21:38] É exatamente isso.

[00:21:40] Por exemplo, tem várias notícias

[00:21:42] nessas últimas semanas de que o Lula estava muito puto

[00:21:44] com o Toffoli torcendo para ele sair

[00:21:46] não só da relatoria, mas de preferência do STF.

[00:21:48] Eu acredito inteiramente nisso

[00:21:50] porque o Lula está entendendo que

[00:21:52] isso vai bater no sistema, né?

[00:21:54] E aí o cara que se apresentar como anti-sistema,

[00:21:56] que se apresentar como não sei o que lá,

[00:21:58] sai ganhando diante de um negócio desse.

[00:22:00] O Toffoli proibiu o Lula de ir no enterro do irmão.

[00:22:02] Exatamente, mas eu não acho que foi só isso

[00:22:05] que fez o Lula ficar com raiva do Toffoli nesse caso não.

[00:22:07] Eu acho que realmente o pessoal do governo

[00:22:09] estava vendo que isso ia sobrar para eles.

[00:22:11] Se essa indignação contra o STF

[00:22:13] respingasse na imagem do STF

[00:22:15] no combate ao golpe,

[00:22:17] ou se isso respingasse na ideia

[00:22:19] das instituições democráticas como um todo,

[00:22:21] isso seria ruim para o governo e é mesmo,

[00:22:23] está sendo. Essa avaliação estava correta.

[00:22:25] E enquanto isso, o Flávio já disse

[00:22:27] para a Folha de São Paulo que vai soltar os golpistas,

[00:22:29] que vai anistiar todo mundo,

[00:22:31] o pai dele, aquele pessoal todo,

[00:22:33] o pessoal todo, que o mundo elogiou o Brasil

[00:22:35] por prender, é isso que o Flávio vai soltar.

[00:22:37] E deixou claro naquela entrevista para a Folha de São Paulo

[00:22:39] que se o STF reclamar, vai ter golpe de estado.

[00:22:41] Ele vai sair das quatro linhas da constituição.

[00:22:43] Aí o pessoal diz assim,

[00:22:45] o Flávio moderou porque ele fez

[00:22:47] um post para a comunidade LGBT usando

[00:22:49] linguagem neutra. Talvez

[00:22:51] não seja golpe de estado, talvez seja golpe

[00:22:53] ex destadox, alguma coisa assim.

[00:22:55] Destade.

[00:22:57] É, destade, golpe

[00:22:59] destade, mas a ideia do Flávio

[00:23:01] é a mesma do Jair.

[00:23:03] Assim, ninguém duvida que o STF

[00:23:05] cometeu um erro gravíssimo do Caso Master,

[00:23:07] a gente já falou aqui várias vezes.

[00:23:09] Agora, não tem a menor hipótese do STF ser a principal

[00:23:11] história do Caso Master, gente. O Caso Master

[00:23:13] é uma fraude do setor financeiro, do setor

[00:23:15] privado, da Faria Lima,

[00:23:17] em parceria com o político de direita. Já falei

[00:23:19] aqui, parece que eu estou querendo, enfim, fazer propaganda

[00:23:21] para a esquerda, mas é só contar, gente,

[00:23:23] os árabes não deixaram esse legado que são os numerais.

[00:23:25] Se você pegar os numerais

[00:23:27] e sair contando quantos

[00:23:29] caras de direita e quantos caras de esquerda tem

[00:23:31] nesse escândalo, a diferença numérica

[00:23:33] é muito grande. Tem mais gente

[00:23:35] de direita no

[00:23:37] petrolão do PT, por exemplo, tinha duas

[00:23:39] diretorias da Petrobras, uma com o PP e uma

[00:23:41] com o PMDB no escândalo do petrolão,

[00:23:43] do que tem esquerdista no escândalo do Master.

[00:23:45] Eu já falei aqui que 18

[00:23:47] dos entes federativos que botaram dinheiro

[00:23:49] de aposentado no Master, 17

[00:23:51] eram de direita, se você

[00:23:53] quiser botar aqui o PT da Bahia, que tinha lá

[00:23:55] a amutreta que a Ana explicou com o sócio

[00:23:57] fica 17 a 2.

[00:23:59] Quem tentou salvar o Master? Não, olha só,

[00:24:01] o Ciro Nogueira, do PP, tentou passar

[00:24:03] emenda a Master, que aumentava a cobertura do FGC.

[00:24:05] O Felipe Barros, do PL,

[00:24:07] do Bolsonaro, o mesmo cara que em

[00:24:09] 30 de novembro de 2022 pediu o artigo

[00:24:11] 142, discursando no Congresso,

[00:24:13] também apresentou o projeto de lei

[00:24:15] para aumentar o limite do FGC.

[00:24:17] Quem assinou o pedido de urgência enquanto

[00:24:19] o Banco Central julgava o caso,

[00:24:21] para o Congresso poder afastar diretor do Banco Central?

[00:24:23] Pega lá a lista, quais foram os partidos

[00:24:25] tem um PSB perdido ali,

[00:24:27] mas o resto é PL, MDB, PP,

[00:24:29] União Brasil, a turma toda.

[00:24:30] Quem tentou salvar o Master com dinheiro

[00:24:32] foi o Ibanez Rocha, o cara que estava lá,

[00:24:34] o governador de Brasil durante oito de janeiro.

[00:24:36] O Ibanez Rocha. Quem se solidarizou

[00:24:38] com o Toffoli, quando o Toffoli saiu da relatoria

[00:24:40] do caso do Master, foram União Brasil e PP.

[00:24:42] Então assim, não tem muito o que fazer

[00:24:44] com isso. Agora, ninguém sabe disso.

[00:24:46] A opinião pública não sabe disso.

[00:24:48] O Claudio Castro também, o maior

[00:24:50] aporte de

[00:24:52] aposentados é o do Rio de Janeiro.

[00:24:54] Um bilhão de dinheiro de aposentados do Rio de Janeiro.

[00:24:56] Você tem toda a razão

[00:24:58] em insistir nesse ponto.

[00:25:00] Eu concordo com você, não minimizo

[00:25:02] e entendo que o foco

[00:25:04] jogado sobre o Supremo

[00:25:06] alivia a barra desses caras.

[00:25:08] E a imprensa no movimento geral

[00:25:10] fez isso.

[00:25:11] Mas o plano desses caras

[00:25:13] é deixar esse troço morrer daqui a pouco

[00:25:15] deixando a queimação de filme toda com o Supremo.

[00:25:17] Não é que o Supremo é inocente.

[00:25:19] Isso não diminui a gravidade

[00:25:21] porque quem fez um contrato

[00:25:23] de 130 milhões de reais

[00:25:25] com o Vorcaro, não fui eu, nem foi você.

[00:25:27] Quem foi sócio lá no

[00:25:29] resort, sócio do Vorcaro

[00:25:31] não fomos nós também.

[00:25:33] Enfim, tudo isso é bastante grave também.

[00:25:35] A única discordância

[00:25:37] é que o Centrão quer jogar

[00:25:39] na conta do Supremo. Eu acho que o Centrão

[00:25:41] quer, na verdade, passar pano

[00:25:43] para tudo que o Supremo faz.

[00:25:45] Eles querem matar o escando.

[00:25:47] Mas do jeito que está, a história está muito conveniente

[00:25:49] porque quem sai queimado dessa história?

[00:25:51] Cara, olha só, se acabar agora esse negócio

[00:25:53] e fizeram uma pizza agora no escando

[00:25:55] do Máster, quem que saiu queimado?

[00:25:57] Os caras da União Brasil e do PP, que são os dois principais

[00:25:59] partidos, vão ser disputados

[00:26:01] a tapa por Lula e Flávio Bolsonaro

[00:26:03] para apoiar eles na eleição presidencial.

[00:26:05] Esses caras todos que estão aí, que botaram

[00:26:07] de apresentar emenda para salvar o Máster,

[00:26:09] ninguém está pagando preço nenhum

[00:26:11] por causa disso. A queimação de filme

[00:26:13] está inteira em cima do Supremo.

[00:26:15] Vamos repetir mais uma vez, o Supremo fez um monte de merda

[00:26:17] nessa história. Mas a história do Máster

[00:26:19] é uma história do É Supremo e Tribunal Federal?

[00:26:21] Não, gente. Claramente não.

[00:26:23] Quem roubou com o Máster foram esses governadores.

[00:26:25] O Supremo entra no enredo

[00:26:27] mal nessa história também

[00:26:29] porque tem todas as viagens

[00:26:31] patrocinadas, seminários em Londres,

[00:26:33] patrocinados pelo Vorcaro.

[00:26:35] Enfim, um monte de coisinhas

[00:26:37] que não são coisinhas e que vão compondo

[00:26:39] um estado de coisas

[00:26:41] de uma república patrimonialista.

[00:26:43] Isso, que é o que a gente

[00:26:45] é, de fato. Mas o que eu digo é o seguinte,

[00:26:48] se você deixa esse assunto

[00:26:50] ficar no ponto que está,

[00:26:52] acontece isso, enfim. A democracia

[00:26:54] perde pontos, gente, da opinião pública.

[00:26:56] As instituições perdem pontos. E os caras

[00:26:58] que estão denunciando são os caras

[00:27:00] que roubaram com o Máster. Se você

[00:27:02] pegar quem está saindo ganhando dessa história,

[00:27:04] são esses partidos e esses políticos

[00:27:06] que estavam roubando com o Máster.

[00:27:08] E que vão apoiar o Flávio Bolsonaro.

[00:27:10] Ou o Lula também, entendeu?

[00:27:12] Vai ter caras desses aí que vão apoiar o Lula.

[00:27:14] Vai ter gente do União Brasil. Cara, olha só,

[00:27:16] o Paulo Pimenta falando na CPI

[00:27:18] do INSS, e aí ele estava reclamando

[00:27:20] xingando lá o

[00:27:22] Máster, e ele falava de Campos Neto,

[00:27:24] das doações

[00:27:26] do Fabiano Zettel para o Taciz

[00:27:28] e para o Bolsonaro. Ele não

[00:27:30] pode falar do União Brasil, do PP,

[00:27:32] desses caras todos à direita, porque ninguém

[00:27:34] governa sem esses caras. Cara, hoje a gente

[00:27:36] vai falar de Banco Máster,

[00:27:38] de Caso Marielle,

[00:27:40] são os mesmos, cara, que estão lá.

[00:27:42] O PP está em todos esses negócios, o União Brasil

[00:27:44] está em todos esses negócios. E a gente acaba tratando esses caras

[00:27:46] como se fosse a atmosfera, sabe? Um negócio que está aí,

[00:27:48] não tem o que fazer, não tem como a gente se livrar

[00:27:50] desse negócio. Então vamos falar

[00:27:52] das outras coisas que a gente, em tese, pode mudar.

[00:27:54] E nessas caras vamos se perpetuando, entendeu?

[00:27:56] Então eu acho que assim, a primeira

[00:27:58] regra para a gente tratar desse assunto

[00:28:00] é, antes de você criticar o

[00:28:02] STF, expulsa os bolsonaristas da sala.

[00:28:04] Porque, olha só, não se pode

[00:28:06] misturar o processo de aperfeiçoamento

[00:28:08] da democracia brasileira, que

[00:28:10] é criticar o STF no Banco Máster,

[00:28:12] com a crítica à atuação do STF

[00:28:14] contra o golpe de estado. São duas coisas completamente

[00:28:16] diferentes. E essa crítica

[00:28:18] está vazando dos sites de extremistas

[00:28:20] para o centro. Eu já estou vendo

[00:28:22] gente dando a entender que não. O problema

[00:28:24] foi aquele poder todo que deram para os caras lá

[00:28:26] no inquérito das fake news. Cara, inquérito

[00:28:28] das fake news é assim, a Constituição Brasileira

[00:28:30] de fato dá muito poder para o Supremo

[00:28:32] brasileiro. É a tese do Carlos Pereira e do Marcos Mello

[00:28:34] que é a coleira forte para cachorro grande.

[00:28:36] A presidência brasileira é muito forte,

[00:28:38] é muito mais forte que a do Trump, como a gente vai ver no

[00:28:40] terceiro bloco, e por isso os constituintes

[00:28:42] fizeram o Supremo bastante forte. No

[00:28:44] fundo, o que acontece desse inquérito das fake news

[00:28:46] é que tinha um monte de coisa que normalmente não é feita

[00:28:48] pelo Supremo. Mas por que dessa vez teve que

[00:28:50] ser? Porque as coisas que teriam

[00:28:52] que ser feitas pela Polícia Federal

[00:28:54] jamais seriam feitas porque o Bolsonaro aparelhou

[00:28:56] aquele negócio inteiramente. As coisas que seriam

[00:28:58] feitas pela PGR do Augusto Ars não iam ser

[00:29:00] feitas porque o Bolsonaro aparelhou aquilo inteiramente.

[00:29:02] E as coisas que deveriam ser feitas pelo Congresso,

[00:29:04] que é a maioria das coisas, jamais seriam feitas

[00:29:06] porque o Bolsonaro deu para eles orçamento secreto.

[00:29:08] Então, assim, não tem um mundo ideal

[00:29:10] em que você pode voltar no tempo

[00:29:12] e substituir o inquérito das fake news

[00:29:14] pelo Aras tomar vergonha na cara

[00:29:16] e fazer o trabalho dele.

[00:29:18] Pelo Congressistas desistir do orçamento secreto

[00:29:20] para punir o Bolsonaro pela

[00:29:22] ofensiva golpista. Isso não existe.

[00:29:24] O fato é que tem um jovem jornalista

[00:29:26] qualquer, que seria o Vladimir

[00:29:28] Herzog da próxima ditadura,

[00:29:30] que continua vivo e vai morrer de velhice.

[00:29:32] E essa pessoa não morreu porque

[00:29:34] o Supremo atuou nesse caso.

[00:29:36] Então, se você quiser agora voltar com essa

[00:29:38] crítica para trás e descer o pau na atuação

[00:29:40] do Supremo no

[00:29:42] combate ao golpe, o que você está

[00:29:44] dizendo é assim, você topava matar esse cara.

[00:29:46] Para não deixar o Supremo acumular

[00:29:48] poderes, enfim.

[00:29:50] Eu te acompanho em boa parte,

[00:29:52] mas não consigo assimilar o fato de que

[00:29:54] esse inquérito das fake news

[00:29:56] sirva hoje para o cara amarrar

[00:29:58] a perna de auditor fiscal e início

[00:30:00] de investigação. Não pode fazer

[00:30:02] de jeito nenhum. A gente imaginava

[00:30:04] que o Alexandre de Moraes estava

[00:30:06] avançando nas suas prerrogativas

[00:30:08] em nome da democracia.

[00:30:10] E agora ele está avançando em suas

[00:30:12] prerrogativas em nome de outras coisas também.

[00:30:14] E as duas coisas são verdades. Ele estava avançando

[00:30:16] em nome da democracia e agora

[00:30:18] ele está avançando por uma treta. Mas aí

[00:30:20] o que a gente tem que dizer é isso. O que ele estava fazendo ali

[00:30:22] era correto e o que a gente está fazendo agora é errado.

[00:30:24] Mas é assim, eu estou vendo a análise

[00:30:26] que a coisa está vazando daqueles

[00:30:28] colonistas que você sabe que vão falar a mesma

[00:30:30] merda sempre, para os caras mais inteligentes.

[00:30:32] Os caras que deviam estar escrevendo coisa melhor.

[00:30:34] Estou vendo aqui se o professor Celso

[00:30:36] vai aprovar meu próximo artigo.

[00:30:38] Ah, vou sim, sem certeza.

[00:30:42] A gente encerra então o primeiro

[00:30:44] bloco, o Pupuri, como

[00:30:46] dizia o Delfim. Pupuri do patrimonialismo.

[00:30:48] Encerramos por aqui.

[00:30:50] Fazemos um rápido intervalo, vamos falar

[00:30:52] do julgamento dos

[00:30:54] mandantes do assassinato de

[00:30:56] Marielle. Já voltamos.

[00:31:02] No dia 17 de novembro do ano passado,

[00:31:04] o banqueiro Daniel Vorcaro

[00:31:06] se reuniu com o Banco Central.

[00:31:08] Supostamente, um grupo

[00:31:10] teria se juntado com investidores árabes

[00:31:12] para comprar o Banco Master.

[00:31:14] E para selar a negociação,

[00:31:16] Vorcaro ia ter que viajar

[00:31:18] para os Emirados Árabes naquela noite.

[00:31:20] Acontece que, por uma

[00:31:22] coincidência muito peculiar,

[00:31:24] o Banco Central se reuniu com o Banco Central.

[00:31:26] O Banco Central se reuniu com o Banco Central.

[00:31:28] O Banco Central se reuniu com o Banco Central.

[00:31:30] Por uma coincidência muito peculiar,

[00:31:32] a Polícia Federal ia prender o Vorcaro

[00:31:34] no dia seguinte.

[00:31:36] Ou seja, a operação tinha vazado.

[00:31:38] A PF se antecipou,

[00:31:40] Vorcaro foi preso naquele mesmo dia

[00:31:42] e o Master foi liquidado no dia seguinte.

[00:31:44] Esse foi mais

[00:31:46] um capítulo na operação

[00:31:48] que envolveu grandes figuras da república

[00:31:50] para salvar o Master.

[00:31:52] E que já entrou na galeria

[00:31:54] dos grandes escândalos nacionais.

[00:31:56] Eu, conselo de egs,

[00:31:59] trago um raio X do caso

[00:32:01] na reportagem

[00:32:03] A Contaminação

[00:32:05] da Piauí de Fevereiro.

[00:32:07] Como uma fonte me disse,

[00:32:09] nunca se viu no país uma rede

[00:32:11] tão poderosa de proteção

[00:32:13] a um pequeno banco.

[00:32:15] O assinante da Piauí

[00:32:17] lê essa e outras reportagens

[00:32:19] no papel, no celular

[00:32:21] ou no computador.

[00:32:23] Saiba mais

[00:32:25] em RevistaPiauí.com.br

[00:32:28] A Contaminação da Piauí de Fevereiro

[00:32:30] A Contaminação da Piauí de Fevereiro

[00:32:32] A Contaminação da Piauí de Fevereiro

[00:32:34] A Contaminação da Piauí de Fevereiro

[00:32:36] A Contaminação da Piauí de Fevereiro

[00:32:38] Oi, ouvintes do Foro de Teresina.

[00:32:40] Aqui é a Stephanie Roque, editora na Companhia das Letras

[00:32:42] e apresentadora da Rádio Companhia.

[00:32:44] Está chegando a guardar do segundo volume

[00:32:46] da biografia do Lula, escrita por Fernando Moraes.

[00:32:48] Com acesso direto e franco ao presidente,

[00:32:50] o autor narra 20 anos fundamentais

[00:32:52] na vida do líder sindicalista

[00:32:54] que se tornou um dos políticos mais influentes do mundo.

[00:32:56] O livro cobre o período que vai da disputa

[00:32:58] pelo governo paulista ainda na ditadura

[00:33:00] até a conquista do Planalto em 2002,

[00:33:02] passando pela Campanha das Diretas já

[00:33:04] e pela eleição presidencial de 89.

[00:33:06] E a notícia em primeira mão pra vocês,

[00:33:08] ouvintes do Foro.

[00:33:10] O livro já está em pré-venda

[00:33:12] e chega às livrarias agora em março.

[00:33:14] É só entrar em www.companhiadasletras.com.br

[00:33:16] e garantir seu exemplar.

[00:33:18] O link também está na descrição desse episódio.

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