México: a morte de ‘El Mencho’ e a violência dos cartéis


Resumo

O episódio reconstitui a onda de pânico e violência que tomou o México após a morte de Emécio Oceguera Cervantes, o “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG). A reação incluiu ataques em mais de 20 estados, incêndios de veículos, bloqueios de estradas, fuga de presos e mais de 70 mortes, levando ao fechamento de escolas, suspensão de transporte e mobilização de cerca de 10 mil militares.

Na conversa com a analista Marina Pêra, o programa detalha por que o CJNG se tornou a organização criminosa mais poderosa e agressiva do país — altamente militarizada, transnacional, com atuação em múltiplas economias ilícitas (como extorsão e roubo de combustível) e centralidade crescente no fentanil. A morte de um líder de perfil “messiânico”, sem sucessor claro, abre um vácuo que pode fragmentar o cartel e aumentar a violência, já que sua operação funciona como “franquias” estaduais com autonomia relativa.

O episódio também discute a mudança na política de segurança mexicana, marcada por maior pressão dos EUA sob Donald Trump e por ajustes institucionais no governo Claudia Schenbaum (como o fortalecimento da inteligência e do superministério liderado por Omar García Harfuch). Por fim, avalia os efeitos políticos internos da operação (força vs. fragilidade do Estado), o papel da inteligência americana na localização do chefe do CJNG e possíveis paralelos com o avanço de facções no Brasil.


Anotações

  • 00:05:04 — Atividades ilícitas do cartel: Marina descreve o Cartel Jalisco Nova Geração como uma organização criminosa transnacional, com grande capacidade econômica e operacional, que não se dedica apenas ao tráfico de drogas para os Estados Unidos. Ela enumera outras frentes de atuação, como extorsão, roubo de combustível (um problema importante no México), tráfico humano e tráfico de drogas, e ressalta que El Mencho era visto quase como uma figura messiânica pelos membros do grupo.
  • 00:06:33 — Narco corridos e culto ao líder: Ao explicar por que El Mencho era tratado como uma figura messiânica, Marina diz que ele construiu o cartel em torno da própria figura e era seguido com devoção. Ela cita os “narco corridos”, músicas dedicadas ao crime organizado no México, que falavam sobre ele e faziam odes ao líder, reforçando a ideia de culto interno, apesar de ele manter um perfil muito baixo e haver poucas fotos disponíveis.
  • 00:08:41 — Cartel como “estado paralelo”: Natuzza pede mais detalhes sobre como a figura de El Mencho era cultuada e Marina afirma que o discurso dele não era público, porque ele tinha um perfil discreto e não era visto em público. Ainda assim, ela diz que o cartel atuava quase como um estado paralelo onde o Estado não chegava, distribuindo presentes no Natal e comida para populações carentes, especialmente em áreas rurais, o que alimentava uma celebração da figura dele como alguém que supria carências.
  • 00:10:17 — Extorsão e violência contra empresas: Ao falar das práticas violentas atribuídas ao cartel, Marina amplia o foco para além de ataques a autoridades e descreve um problema grave: a extorsão de empresas para que possam operar e ter acesso a estradas. Segundo ela, quando as empresas não aceitam ou não cumprem as demandas, enfrentam consequências violentas, como sequestro de funcionários e até morte, mostrando como a violência do crime organizado atinge também o setor privado.
  • 00:11:25 — Política de segurança de AMLO: Natuzza pergunta o que mudou para permitir a captura e morte de El Mencho, e Marina explica que a política de segurança do governo anterior, de Andrés Manuel López Obrador (AMLO), era mais reativa e resumida no slogan “abraços e não balas”. Ela diz que AMLO focava em prender líderes de meio escalão, fazia algumas apreensões de drogas, aumentou o orçamento do Exército e colocou militares nas ruas, mas, apesar disso, a política não apresentou muitos resultados.
  • 00:13:58 — Pressão por lista de “narcopolíticos”: Marina afirma que, mesmo com medidas e operações do governo, Trump passou a exigir “mais e mais” resultados. Ela relata uma informação de bastidor segundo a qual o próximo passo do governo Trump seria pedir ao México uma lista de “narcopolíticos”, isto é, políticos de diferentes níveis envolvidos com organizações criminosas e tráfico de drogas. Isso, segundo ela, colocaria Claudia Schenbaum “entre a cruz e a espada”, porque a entrega da lista poderia envolver pessoas do partido governista Morena, em um contexto em que a liderança dela é contestada por figurões do partido.
  • 00:14:58 — Caso Ovidio Guzmán e recuo do governo: Ao ser questionada sobre precedentes de ondas de violência após ações contra líderes do crime, Marina cita o episódio de 2019 com a prisão de Ovidio Guzmán, filho de El Chapo, ligado ao cartel de Sinaloa. Ela diz que a reação foi tão forte — com tiroteios, ameaças, bloqueios de estradas e ataques incendiários — que o governo acabou voltando atrás e o soltou; depois, ele foi preso novamente em 2023 e extraditado aos Estados Unidos, ilustrando como essas operações podem pressionar o governo e gerar instabilidade.
  • 00:18:43 — Percepção pública: força e dúvida: Natuzza pergunta se, internamente, a morte de El Mencho é percebida como força ou fragilidade do Estado diante das cenas de caos. Marina responde que as duas coisas: num primeiro momento, a opinião pública vê positivamente como sinal de compromisso e vontade política do governo para combater o narcotráfico, algo que ela diz ter faltado antes, e observa que a capacidade de localizar o líder sempre existiu. Porém, ela ressalta que, depois da operação, cresce a expectativa de pânico e instabilidade, e o impacto sobre o governo dependerá da capacidade de enfrentar a violência que pode vir na sequência.
  • 00:19:54 — Como conter novos focos de violência: Natuzza questiona como o governo conteria possíveis ondas de violência em escala nacional, e Marina destaca que o cartel tem tentáculos por todo o território, o que leva a antecipar focos localizados pelo país inteiro. Ela diz que o governo precisará estar preparado, que o cartel pode se recolher para avaliar próximos passos e que já há cerca de 10 mil militares nas ruas para tentar prevenir novas ondas, além de medidas preventivas estaduais; ainda assim, ela ressalta que o poder econômico e material do grupo é tão grande que pode fazer frente às capacidades do governo.
  • 00:22:37 — Participação dos EUA e versão oficial: Natuzza pergunta se os Estados Unidos participaram da localização de El Mencho, e Marina comenta que seguir a amante para encontrá-lo parece “um plot digno de novela mexicana”. Ela afirma que a versão oficial, tanto do governo mexicano quanto do americano, é que os EUA forneceram inteligência para localizá-lo antes da operação. Marina também relata a narrativa oficial mexicana de que ele teria sido capturado com vida após enfrentamento e seria levado à Cidade do México para ser julgado.
  • 00:24:03 — Paralelos com o Brasil e o PCC: Ao ser perguntada sobre paralelos entre México e Brasil, Marina diz que é possível traçá-los e cita especialistas que consideram o crime organizado brasileiro “pelo menos duas décadas atrás” do mexicano em sofisticação e hierarquia. Ela observa, porém, que no Brasil se vê diversificação econômica e penetração do PCC, especialmente em governos municipais, com aliados e contratos, algo que no México acontece há mais tempo. Para ela, o caso mexicano serve de alerta sobre o que pode ocorrer quando há cultura de impunidade e as instituições não enfrentam as organizações criminosas, permitindo sua expansão na economia ilícita e também na lícita.

Linha do Tempo

  • [00:00] — Cenas de pânico e ataques coordenados em diversos estados do México
  • [00:01] — Quem era El Mencho e o que é o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG)
  • [00:02] — Como ele foi localizado, o cerco, o tiroteio e a morte após a captura
  • [00:03] — País em alerta: medidas emergenciais e mobilização militar do governo
  • [00:04] — Início da entrevista: perfil do CJNG e a importância de El Mencho na estrutura do cartel
  • [00:06] — Vácuo de poder, disputa interna e risco de fragmentação ainda mais violenta
  • [00:08] — Construção do mito: “estado paralelo”, apoio local e culto à figura do líder
  • [00:09] — “Cardápio” de violências: ataques a autoridades, extorsão, sequestros e demonstrações de força
  • [00:11] — O que mudou na segurança: de AMLO a Schenbaum e a pressão direta dos EUA com Trump
  • [00:14] — Paralelo histórico: caso Ovidio Guzmán e reações violentas a operações do Estado
  • [00:17] — Efeito político interno: operação fortalece e, ao mesmo tempo, expõe fragilidades do Estado
  • [00:20] — O que pode vir: recolhimento do CJNG, novos focos de violência e embates múltiplos
  • [00:21] — Origem do caos: retaliação do CJNG contra forças de segurança, começando em Jalisco
  • [00:22] — Participação dos EUA e controvérsia: inteligência americana, narrativa oficial e motivo para não haver julgamento
  • [00:23] — Paralelos com o Brasil: avanço e diversificação de facções como PCC e CV e risco de escalada
  • [00:25] — Encerramento e créditos da produção

Dados do Episódio

  • Podcast: O Assunto
  • Autor: G1
  • Categoria: News
  • Publicado: 2026-02-25
  • Duração: 0h25m

Referências


Dados do Podcast


Transcrição

[00:00:00] Corre, corre, corre, corre, corre!

[00:00:03] As cenas eram de pânico.

[00:00:08] No aeroporto de Guadalajara, a segunda maior cidade do México,

[00:00:11] pessoas se amontoavam assustadas entre cadeiras e mesas.

[00:00:15] Gritos, correrias na tentativa de se esconder de um alerta.

[00:00:19] Supostamente, havia homens armados no local.

[00:00:24] A expectativa era falsa, mas a imagem que rodou o mundo

[00:00:27] retrata com precisão um país em alerta.

[00:00:30] Do lado de fora, pilares de fumaça escura diziam que o medo era compreensível.

[00:00:36] Vinte estados mexicanos, mais da metade do país,

[00:00:39] registraram ataques.

[00:00:40] Em Puerto Vallarta, um importante destino turístico,

[00:00:43] moradores de turistas registraram nuvens de fumaça em diversos pontos da cidade,

[00:00:48] além da presença de navios militares e helicópteros sobrevoando a região.

[00:00:52] Durante a confusão, 23 criminosos fugiram da prisão.

[00:00:55] Os criminosos atearam fogo a carros e ônibus,

[00:00:58] vandalizaram lojas e prédios públicos e bloquearam as estradas.

[00:01:02] Barricadas com frontos armados e baixas, muitas baixas.

[00:01:06] A conta até aqui ultrapassa os 70 mortos entre militares, policiais,

[00:01:11] agentes penitenciários e criminosos.

[00:01:14] Tudo em reação à execução de um homem.

[00:01:17] Emécio Oceguera Cervantes, conhecido como El Mencho,

[00:01:21] um dos homens mais perigosos do país, líder do cartel Ralisco Nova Geração.

[00:01:27] Em 2011, o cartel Ralisco Nova Geração se tornou independente

[00:01:31] sob a liderança de El Mencho.

[00:01:33] É o cartel mais agressivo que cresce mais rapidamente no México,

[00:01:38] é uma multinacional altamente militarizada com presença na Ásia,

[00:01:42] na América do Sul, por exemplo, no Equador.

[00:01:44] Nos últimos tempos, foi deixando descanteio a produção de cocaína

[00:01:48] e tem apostado mais no fentanil.

[00:01:51] Uma organização até que recente, mas que em pouco tempo rivalizou

[00:01:56] com as maiores e mais organizadas estruturas do tráfico.

[00:01:59] O diferencial, a violência e a audácia.

[00:02:03] Até mesmo organizações criminosas como Sinaloa, com mais de 30 anos

[00:02:07] de atuação no México, não tinham o costume de entrar

[00:02:10] em embates pesados contra o exército.

[00:02:12] Mas o cartel liderado por El Mencho mudou tudo.

[00:02:15] A gangue costuma fazer ataques complexos a forças de segurança,

[00:02:19] com o uso de drones, lançadores de granada e outros armamentos pesados.

[00:02:23] As emboscadas e execuções também são comuns.

[00:02:27] O cartel lucra bilhões todo ano, inundando os Estados Unidos

[00:02:31] e outros países com drogas altamente viciantes.

[00:02:34] O Drug Enforcement Administration dos Estados Unidos classifica

[00:02:38] o cartel ralístico Nueva Geração como uma organização terrorista internacional.

[00:02:43] Forneça do chave de fentanil para os Estados Unidos.

[00:02:46] Essa organização se expandiu para além das fronteiras mexicanas

[00:02:49] e se estabelecendo presidência em mais de 40 países.

[00:02:52] Com seus mais de 15 mil integrantes, o cartel manteve seu chefe blindado até então.

[00:02:57] Mas um deslize permitiu localizar El Mencho na última sexta-feira.

[00:03:01] Os passos da namorada do mega traficante estavam sendo seguidos pelas autoridades.

[00:03:06] Na manhã de domingo, tropas especiais cercaram o local e entraram em ação.

[00:03:11] Oito criminosos que faziam a segurança do líder morreram.

[00:03:14] O chefe do bando chegou a fugir para uma região de mata.

[00:03:17] Lá, trocou tiros com os agentes e foi ferido gravemente antes de ser capturado.

[00:03:22] Emécio morreu na transferência do helicóptero para um hospital.

[00:03:28] Foi o gatilho para que cenas de caos e medo se espalhassem pelo México.

[00:03:32] O transporte público foi suspenso e escolas fecharam.

[00:03:36] O governo pediu que a população fique em casa.

[00:03:39] No dia seguinte à operação, o México continuou em estado de alerta.

[00:03:43] A presidente, Claudia Schenbaum, pediu calma à população

[00:03:46] e disse que as estradas não estão mais bloqueadas.

[00:03:49] O governo mobilizou mais de 10 mil militares para conter os criminosos.

[00:03:53] A crise de segurança ainda deixa a população apreensiva.

[00:03:56] Isso porque ninguém sabe o que pode acontecer com o cartel e o seu domínio.

[00:04:05] Da Redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é…

[00:04:10] A morte de um mega traficante e a violência dos cartéis no México.

[00:04:14] Neste episódio, eu converso com Marina Pêra,

[00:04:17] analista sênior de risco político na consultoria Control Risks no México.

[00:04:22] Quarta-feira, 25 de fevereiro.

[00:04:28] Marina, eu quero entender um pouco mais sobre esse personagem,

[00:04:32] o narcotraficante e o mentio,

[00:04:34] e porque a queda dele pode reconfigurar o cartel.

[00:04:38] O mentio é o fundador e o líder do cartel Raliresco Nova Geração,

[00:04:42] que é atualmente a principal e mais poderosa organização criminosa do México,

[00:04:47] que tem presença em quase todos os estados do México

[00:04:50] e também em alguns países da Europa, alguns países da Ásia.

[00:04:54] Então, uma organização criminosa transnacional

[00:04:57] que se dedica não só ao tráfico de drogas nos Estados Unidos,

[00:05:01] mas também a uma série de atividades ilícitas como extorsão,

[00:05:05] roubo de combustível, que no México é um problema muito importante,

[00:05:08] tráfico humano, tráfico de drogas.

[00:05:10] Então, é uma organização criminosa com muita capacidade econômica,

[00:05:14] muita capacidade operacional,

[00:05:16] e ele era quase uma figura messiânica para os membros dessa organização criminosa.

[00:05:21] Ele começou sendo um traficante de drogas de rua nos Estados Unidos,

[00:05:27] chegou a ser preso lá algumas vezes, aí voltou para o México,

[00:05:31] foi sicário ou matador de aluguel para um cartel que não existe mais,

[00:05:35] chamado Cartel do Milênio, isso lá nos anos 90,

[00:05:38] e depois ele passou para o Cartel de Sinaloa,

[00:05:41] que é o segundo maior, digamos, aqui no México.

[00:05:45] E aí, com isso, ele formou um braço armado do Cartel de Sinaloa,

[00:05:50] chamado Cartel Realismo Nova Geração,

[00:05:52] e essa aliança, quando se rompeu, deu origem ao que hoje é esse cartel tão poderoso.

[00:05:58] E ele tem um perfil muito baixo,

[00:06:00] tanto é que só tem umas três fotos dele disponíveis, circulando por aí,

[00:06:04] e ele estava escondido há muito tempo,

[00:06:06] só se sabia que ele tinha algum problema de saúde,

[00:06:08] possivelmente uma insuficiência renal, mas ninguém sabia dele.

[00:06:12] E ele era essa figura messiânica para os membros da organização,

[00:06:16] porque ele construiu esse cartel em torno da figura dele.

[00:06:20] E seguiam ele com muita devoção,

[00:06:23] tem inclusive os chamados Narco Corridos aqui no México,

[00:06:26] que são músicas dedicadas ao crime organizado,

[00:06:29] que falavam sobre ele, faziam odes a ele.

[00:06:44] E agora, com a morte dele,

[00:06:46] vem um vácuo de poder, porque não tinha um sucessor muito claro.

[00:06:50] Agora, o que a gente vai ver são, provavelmente,

[00:06:53] são figuras mais sênior do cartel realista nova geração,

[00:06:57] lutando por essa liderança a nível nacional

[00:07:01] e uma reconfiguração interna,

[00:07:04] então uma mudança dos peões no tabuleiro agora.

[00:07:07] Um cenário possível agora dessa reconfiguração interna do cartel

[00:07:12] é que alguns grupos a nível estadual

[00:07:16] tentem se descolar um pouco da marca que virou o cartel realista nova geração

[00:07:20] para formar grupos menores.

[00:07:22] E a tendência é que essa fragmentação da cena criminal no México

[00:07:26] seja ainda mais violenta.

[00:07:28] E isso porque um diferencial do cartel realista nova geração

[00:07:32] em comparação com outros

[00:07:34] é que atua quase como franquias a nível estadual,

[00:07:37] em que os líderes dos estados têm relativa autoridade e autonomia,

[00:07:43] embora a figura central sempre tenha sido o mente,

[00:07:47] e agora a gente pode ver, por um lado, algumas figuras sênior

[00:07:51] tentando manter a união do cartel

[00:07:54] e outras figuras a nível estadual tentando se descolar um pouco

[00:07:58] e afirmar uma liderança,

[00:08:00] ou seja, um momento de volatilidade e incerteza para o futuro do cartel.

[00:08:04] Eu quero voltar para o personagem.

[00:08:06] Você disse que ele era um líder messiânico.

[00:08:08] Como? O que ele dizia?

[00:08:10] Como é que ele cultuava a própria figura?

[00:08:12] Como a figura dele era cultuada pelos demais?

[00:08:15] Queria entrar um pouco mais nesse personagem.

[00:08:17] Ele tinha 59 anos.

[00:08:20] Elmentio viveu ilegalmente nos Estados Unidos,

[00:08:24] foi preso por tráfico, deportado,

[00:08:26] e ao retornar ao México,

[00:08:28] chegou a trabalhar como policial até voltar para o mundo do crime.

[00:08:32] O discurso dele não era muito público.

[00:08:35] Como eu disse, ele era uma figura de muito baixo perfil,

[00:08:39] que não era visto em público,

[00:08:41] mas que o cartel realista nova geração

[00:08:44] atuava quase como um estado paralelo

[00:08:47] em lugares em que o Estado não chegava.

[00:08:50] Então, distribuía presentes no Natal,

[00:08:53] distribuía comida para a população mais carente.

[00:08:57] Isso é o que se sabe da atuação dele nos recônditos do México,

[00:09:02] em áreas rurais.

[00:09:03] Por isso, existia uma celebração da figura dele

[00:09:08] como essa pessoa que estava lá para suprir carências.

[00:09:12] E que práticas violentas são atribuídas a Elmentio

[00:09:16] e ao cartel que ele liderava?

[00:09:19] O cartel realista nova geração mandou matar muitos juízes,

[00:09:23] muitos políticos, violência política muito alastrada,

[00:09:26] principalmente em épocas de campanha, mas não só.

[00:09:30] Inclusive, teve um atentado em 2020

[00:09:33] contra o atual ministro da Segurança Pública,

[00:09:36] Omar Garcia Harfoot, aqui na cidade do México,

[00:09:39] que o cartel realista nova geração tentou matá-lo,

[00:09:42] porque justamente ele estava tentando fazer frente

[00:09:45] com uma mão dura ao crime aqui na cidade.

[00:09:48] Então, o cartel realista nova geração tem essa audácia,

[00:09:52] digamos, de enfrentar as autoridades públicas.

[00:09:55] Mas, além da esfera pública, a gente pode pensar, inclusive,

[00:09:59] em atividades predatórias do crime organizado contra empresas no México.

[00:10:03] Um problema muito grave é o da extorsão.

[00:10:06] E não só essa organização criminosa, muitas outras

[00:10:09] extorsionam empresas para elas poderem operar,

[00:10:12] para poderem ter acesso a estradas.

[00:10:15] E se as empresas não aceitam e não cumprem com essas demandas,

[00:10:20] sofrem consequências também violentas.

[00:10:23] Pode ser sequestro de funcionários, inclusive morte.

[00:10:27] E aí também, num outro nível, pensando nos rivais,

[00:10:31] uma violência muito marcada com matadores de aluguel,

[00:10:36] decapitações, os corpos são deixados nas estradas também

[00:10:40] como uma demonstração de força e demonstração do poder

[00:10:45] e da inclemência, digamos, dessas organizações criminosas.

[00:10:50] Então, é um cardápio de violências que o cartel está envolvido

[00:10:56] já nesses quase 20 anos de atuação, envolvendo diversos atores

[00:11:01] aqui no México, tanto públicos quanto empresas privadas

[00:11:04] ou, inclusive, cidadãos.

[00:11:06] O que mudou na política de segurança do México

[00:11:09] que permitiu a captura e a morte desse chefão do narcotráfico,

[00:11:14] do Elmentio?

[00:11:15] Em poucas palavras, o que mudou foi o Donald Trump.

[00:11:18] A política de segurança do governo mexicano anterior,

[00:11:21] do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, o AMLO,

[00:11:25] era muito mais reativa.

[00:11:27] Ele até tinha um slogan, abraços no balaço,

[00:11:30] os abraços e não balas.

[00:11:32] Então, ele focava muito mais em prender líderes de meio escalão,

[00:11:38] ele focava também em algumas apreensões de droga,

[00:11:41] ele aumentou muito o orçamento para o exército

[00:11:44] e colocou o exército nas ruas para tentar fazer frente ao crime,

[00:11:48] mas a verdade é que ele não apresentou muitos resultados.

[00:11:51] Pelo contrário, quando a Schenbaum entra,

[00:11:53] com esse papel um pouco de dar continuidade ao legado do AMLO,

[00:11:57] mas ao mesmo tempo tentar deixar a marca dela,

[00:12:00] ela anunciou algumas mudanças na política de segurança.

[00:12:04] Por exemplo, ela criou um superministério de segurança pública

[00:12:07] e colocou o braço direito dela, Omar Garcia Harfoot,

[00:12:10] para ser o líder, o superministro.

[00:12:12] E ele foi desenvolvendo um pouco as capacidades de inteligência do México

[00:12:16] para tentar desmantelar os grupos criminosos.

[00:12:19] Mas aí chega Donald Trump, no segundo governo dele,

[00:12:23] colocando segurança e o combate ao crime organizado

[00:12:27] no centro da relação bilateral com o México

[00:12:30] e, de maneira mais ampla, com a América Latina.

[00:12:32] E ele começou a demandar, a pressionar o México

[00:12:34] para entregar mais resultados no combate ao crime organizado,

[00:12:38] de uma forma mais contundente.

[00:12:44] E ele condicionou as relações comerciais com o México

[00:12:47] com esses resultados de segurança.

[00:12:49] Então colocou a Schembaugh numa situação um pouco desconfortável

[00:12:52] em que ela teve que tomar medidas mais drásticas de segurança

[00:12:56] para tentar fazer avançar as negociações,

[00:13:00] principalmente de suspensão das tarifas.

[00:13:02] Então o governo começou a mandar mais tropas para a fronteira

[00:13:08] para tentar conter o tráfico de drogas, principalmente de fentanil

[00:13:12] e também de imigração irregular.

[00:13:14] E em muitos sentidos deu certo, ela conseguiu mostrar números

[00:13:17] de que, de fato, o tráfico de drogas estava reduzindo

[00:13:20] e começou a prender alguns políticos, principalmente o governo municipal

[00:13:25] que estavam envolvidos com o crime organizado,

[00:13:28] destapou um esquema de roubo de combustível também,

[00:13:33] um esquema transnacional de roubo de combustível,

[00:13:36] prendeu algumas pessoas que estavam envolvidas, autoridades do governo,

[00:13:40] mas não estava sendo suficiente.

[00:13:42] Não estava sendo suficiente, Trump estava pedindo mais, mais e mais.

[00:13:45] A informação de bastidor é que o próximo passo do governo Trump

[00:13:49] era pedir uma lista para o governo mexicano dos narcopolíticos,

[00:13:54] ou seja, políticos de todos os níveis do governo

[00:13:57] que estavam envolvidos com organizações criminosas, com o tráfico de drogas.

[00:14:01] E isso colocou a Schembaugh de novo numa posição entre a cruz e a espada.

[00:14:07] Ela não poderia entregar essa lista porque envolveria muito

[00:14:11] e possivelmente várias pessoas do partido governista do Morena.

[00:14:14] E ela já tem uma liderança um pouco mais frágil no governo

[00:14:18] porque existem figurões do partido do Morena que contestam um pouco a liderança dela.

[00:14:24] Então, ao invés de entregar essa lista, ela foi com um golpe mais claro

[00:14:28] e entregou a cabeça do mente numa bandeja de prata para o Trump

[00:14:32] com esse objetivo de comprar oxigênio.

[00:14:35] Já houve na história do México, ou pelo menos na história recente,

[00:14:40] um narcotraficante, um líder de uma organização

[00:14:43] cujo resultado tenha sido essa onda de violência, algo parecido na história?

[00:14:49] Sim, tem casos parecidos. Acho que a gente pode citar em 2019

[00:14:53] a prisão do Ovidio Guzmã, que era um filho do Chapo, que atuava no cartel de Sinaloa.

[00:14:59] E a reação de violência foi tão forte, com tantos tiroteios, ameaças,

[00:15:03] as forças de segurança e as autoridades do governo,

[00:15:06] bloqueios de estradas, ataques incendiários.

[00:15:10] Foi tão forte que o governo acabou voltando atrás, soltando o Ovidio Guzmã

[00:15:15] e voltaram a prender ele em 2023 e já extraditaram para os Estados Unidos onde ele está hoje.

[00:15:20] Então, para a gente ver que a reação das organizações criminosas

[00:15:24] em operações dessa natureza são tão fortes que realmente pressionam o governo

[00:15:30] e criam uma instabilidade no ambiente de segurança.

[00:15:33] Mas essa operação que levou à morte do mentio é mais importante, é maior do que outros casos.

[00:15:43] Primeiro, porque foi uma morte, não foi a detenção.

[00:15:47] E segundo, porque o Cártel Jalisco Nova Geração, como a gente estava comentando,

[00:15:52] é atualmente muito poderoso e foi um golpe um tanto inesperado.

[00:15:57] Foi o principal golpe na história recente do México para o crime organizado aqui no país.

[00:16:03] Você entende como golpe uma espécie de desmantelamento da estrutura do cartel,

[00:16:08] tal qual é conhecido hoje.

[00:16:11] Mas por que a queda de uma figura desse tamanho pode desencadear essa mudança,

[00:16:19] essa movimentação de placas tectônicas?

[00:16:22] O que muda exatamente na estrutura do cartel

[00:16:26] e o que muda exatamente nas instituições que combatem o narcotráfico?

[00:16:31] É uma avalanche para a organização criminosa, porque nesse caso não tinha uma sucessão,

[00:16:38] não tinha uma figura para substituir essa liderança de uma organização criminosa bilionária

[00:16:46] e que está tão penetrada em todas as esferas de poder aqui no México.

[00:16:51] Então no fim do dia é sobre dinheiro e sobre poder.

[00:16:54] E agora a preocupação é a continuidade das operações do Cártel Jalisco Nova Geração,

[00:17:00] que se expandiu muito ao longo desses últimos quase 20 anos.

[00:17:05] E fica incerteza de quem vai ser o líder e como vai ser a estrutura de liderança do cartel

[00:17:12] para permitir a continuidade dessas operações.

[00:17:17] Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com a Marina Peira.

[00:17:25] Bom, a gente viu uma onda de violência assustadora, gente em pânico, ruas vazias, fumaça preta,

[00:17:34] estradas bloqueadas, voos cancelados, mais de 70 mortos.

[00:17:38] É algo inimaginável. Eu quero te ouvir, Marina, sobre um ponto.

[00:17:43] A morte dele fortalece o governo porque você nos explicava que a presidente do México

[00:17:50] quis entregar a cabeça do líder do narcotráfico desse cartel numa bandeja de prata.

[00:17:57] Mas eu queria te perguntar como é que isso está sendo percebido internamente.

[00:18:02] Está sendo percebido como força do Estado para combater o narcotráfico

[00:18:07] ou como fragilidade do Estado diante das cenas que o mundo inteiro viu nas últimas horas?

[00:18:14] As duas coisas, Natusa.

[00:18:15] Num primeiro momento, a opinião pública vê com bons olhos esse desenvolvimento

[00:18:19] como uma mensagem que o governo está comprometido com o combate ao narcotráfico

[00:18:23] e que o governo tem agora vontade política de ir atrás desse líder da organização criminosa

[00:18:31] do cartel realístico Nova Geração.

[00:18:32] Isso era o que faltava nos governos anteriores, vontade política,

[00:18:36] porque a capacidade de encontrar e de prender, enfim, de capturar esse líder sempre existiu,

[00:18:42] mas agora o governo da Schembaugh, por pressão dos Estados Unidos, mostrou esse compromisso.

[00:18:47] Então, num primeiro momento, a população entende como algo positivo.

[00:18:52] Porém, no segundo momento, o que vem depois dessa operação?

[00:18:57] Por causa das ondas de violência que seguiram operações dessa natureza no passado,

[00:19:03] já se espera um pouco de pânico, de caos, de medo, de instabilidade, dessas mudanças de peça,

[00:19:11] como a gente estava comentando.

[00:19:13] Então, embora isso fortaleça o governo no primeiro momento,

[00:19:16] no segundo momento a gente tem que ver qual vai ser a capacidade do governo

[00:19:19] de fazer frente a essa onda de violência.

[00:19:21] O governo pediu que a população fique em casa.

[00:19:24] A presidente, Cláudio Schembaugh, pediu calma à população

[00:19:28] e disse que as estradas não estão mais bloqueadas.

[00:19:31] Então, podem estar tranquilos de que se está resguardando a paz,

[00:19:37] a segurança e a normalidade no país.

[00:19:40] Como que o governo vai conter possíveis ondas de violência,

[00:19:44] incidentes de alto perfil no país inteiro?

[00:19:47] Como o cartel Jalisco Nova Geração tem esses tentáculos

[00:19:52] espalhados por todo o território mexicano

[00:19:54] e a gente está antecipando focos de violência localizados no país inteiro,

[00:20:00] o governo vai ter que estar preparado para lidar com esses episódios de violência.

[00:20:06] O que vem por aí provavelmente é o cartel Jalisco Nova Geração

[00:20:11] se recolhendo um pouco para entender quais são os próximos passos

[00:20:16] e avaliando as estratégias para o futuro.

[00:20:19] E o governo já colocou muito exército na rua,

[00:20:23] aproximadamente 10 mil militares já estão na rua

[00:20:26] para tentar prevenir essas ondas de violência.

[00:20:29] Os governos estaduais também já estão com as medidas preventivas,

[00:20:33] mas mesmo assim, como a gente estava comentando,

[00:20:36] a capacidade material e econômica do cartel é tão grande

[00:20:40] que consegue sim fazer frente às capacidades do governo.

[00:20:44] Então, a gente vai ver um embate em todos os lados,

[00:20:47] entre o governo e o cartel Jalisco Nova Geração,

[00:20:51] também entre os grupos rivais e o cartel

[00:20:54] e, internamente, o cartel para definir quem é a próxima liderança.

[00:20:59] Mas nesse caos que a gente viu nas imagens,

[00:21:01] a gente estava falando de que?

[00:21:03] De reação dos comparsas do Eumentio

[00:21:06] para mostrar para o governo quem manda mais

[00:21:10] numa briga de gangues, de organizações

[00:21:14] ou da própria organização pelo comando do cartel,

[00:21:17] pela liderança do cartel ou outra coisa.

[00:21:20] Eu queria entender a origem das imagens que a gente viu.

[00:21:23] Foram os bandidos que fizeram isso?

[00:21:25] Foi o confronto entre bandidos e as forças do Estado

[00:21:30] ou entre bandidos e bandidos?

[00:21:32] Essa reação imediata que ocorreu no domingo,

[00:21:36] logo depois da morte do Eumentio,

[00:21:38] foi uma retaliação do cartel Jalisco Nova Geração

[00:21:42] contra as forças de segurança.

[00:21:44] Começaram no estado de Jalisco, que é o bastião do cartel,

[00:21:47] e já se espalharam para os estados ali ao redor de Jalisco,

[00:21:52] onde o cartel também exerce dominância, muita influência.

[00:21:56] Marina, a cena da captura e morte dele

[00:22:01] é uma cena muito impressionante,

[00:22:04] porque a gente dizia na abertura do podcast

[00:22:07] que eles monitoraram a namorada

[00:22:09] e foi por meio do monitoramento da namorada

[00:22:12] que se chegou até ele.

[00:22:14] Mas eu queria entender se já se sabe

[00:22:17] se os Estados Unidos tiveram participação na captura,

[00:22:21] na localização do Eumentio?

[00:22:24] Foi um plot digno de novela mexicana,

[00:22:28] seguir a amante para encontrá-lo.

[00:22:30] E a versão oficial tanto do governo mexicano

[00:22:33] quanto do governo americano

[00:22:35] é que os Estados Unidos proporcionou inteligência para localizá-lo.

[00:22:39] E esse foi o apoio que deram antes da operação.

[00:22:44] A narrativa oficial do governo mexicano

[00:22:46] é que ele foi capturado com vida

[00:22:48] depois de um enfrentamento entre o Exército

[00:22:51] e o cartel Jalisco Nova Geração,

[00:22:53] e que ele seria transportado para a cidade do México

[00:22:56] para ser futuramente julgado.

[00:22:58] Mas eu acho importante dizer isso,

[00:23:00] ele foi morto, ele não foi capturado com vida,

[00:23:04] porque se ele abrisse a boca, enfrentasse um julgamento

[00:23:07] e compartilhasse informação,

[00:23:09] também provavelmente comprometeria muitos níveis de poder aqui no México.

[00:23:13] Quando eu vi as cenas do México,

[00:23:15] o primeiro temor que eu tive foi me perguntar

[00:23:19] se isso poderia acontecer no Brasil,

[00:23:22] um país em que no histórico recente

[00:23:25] a gente viu um crescimento abissal

[00:23:28] das organizações criminosas, das facções criminosas.

[00:23:31] Nós temos aqui instituições criminosas fortíssimas e organizadas,

[00:23:36] PCC, Comando Vermelho, para citar as duas maiores.

[00:23:39] É possível traçar paralelos entre o que está acontecendo no México agora

[00:23:46] e o Brasil de alguma maneira?

[00:23:48] Sim, com certeza dá para traçar paralelos.

[00:23:51] Tem especialistas em segurança que falam que

[00:23:54] as organizações criminosas no Brasil estão pelo menos duas décadas atrás

[00:23:59] das organizações criminosas do México

[00:24:01] em nível de sofisticação, de ordem hierárquica

[00:24:04] da organização do crime organizado.

[00:24:06] Mas o que a gente tem visto recentemente no Brasil, principalmente do PCC,

[00:24:10] é a diversificação das atividades econômicas

[00:24:13] e também a gente tem visto a penetração do PCC,

[00:24:17] principalmente nos governos municipais,

[00:24:19] ganhando contratos com aliados lá dentro,

[00:24:22] Câmara de Vereadores, enfim.

[00:24:24] Algo que aqui no México também já acontece há bastante tempo.

[00:24:27] Então, existem paralelos.

[00:24:29] Acho que o Brasil ainda está um pouco atrás do México nesse sentido,

[00:24:33] mas toda essa operação no México gera um alerta também para o Brasil,

[00:24:39] como as coisas podem caminhar

[00:24:41] quando o país fomenta uma cultura de impunidade

[00:24:45] em que as instituições não fazem frente, de fato, às organizações criminosas

[00:24:49] e permitem a expansão dessas organizações

[00:24:52] em diversas frentes na economia ilícita e também na economia lícita.

[00:24:58] Acho que é um prelúdio do que pode acontecer no Brasil,

[00:25:01] inclusive essa onda de violência,

[00:25:03] que no México a violência é mais forte do que no Brasil,

[00:25:06] em muitos sentidos, se o Brasil continuar por esse caminho.

[00:25:09] Marina, muito obrigada por explicar para a gente todos os aspectos

[00:25:14] do que está acontecendo no México.

[00:25:16] Bom trabalho para você.

[00:25:17] Muito obrigada, Natusa. Foi um prazer. Tchau.

[00:25:31] No assunto estão Luiz Felipe Silva, Amanda Polato,

[00:25:34] Sara Rezende, Carlos Catelan e Luiz Gabriel Franco.

[00:25:38] Eu sou Natusa Neri e fico por aqui. Até o próximo assunto.