Proibição das redes para adolescentes com Sheylli Caleffi e Rodrigo Nejm | Mamilos #545
Resumo
O episódio discute a polêmica proposta de proibir redes sociais para menores de 16 anos, inspirada pela medida radical adotada na Austrália. Os especialistas Sheylli Caleffi e Rodrigo Nejm analisam os riscos documentados que crianças e adolescentes enfrentam online, incluindo violência sexual digital (54% dos adolescentes brasileiros já sofreram algum tipo, segundo pesquisa do Child Fund), cyberbullying, exposição precoce à pornografia, danos à atenção, sono e desenvolvimento cognitivo, além do consumismo exacerbado e da influência de conteúdos de ódio e misoginia.
É destacado que o modelo de negócio atual das grandes plataformas, baseado na economia da atenção e no design manipulativo, explora intencionalmente vulnerabilidades psicológicas. No entanto, também são reconhecidos os benefícios potenciais da internet, como ativismo social, conexão com pares (especialmente para minorias e jovens em situações de isolamento) e acesso à informação. A discussão central gira em torno de como equilibrar riscos e oportunidades, transformando perigos em danos evitados e oportunidades em benefícios reais.
O programa detalha o novo Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), aprovado no Brasil em 2025, que entra em vigor em março de 2026. Esta legislação estabelece uma responsabilidade compartilhada entre Estado, empresas e famílias. Ela exige que plataformas criem ferramentas de configuração acessíveis, proíbe o design manipulativo e o perfilamento de crianças para publicidade, e determina que menores de 16 anos só acessem redes sociais com autorização expressa dos responsáveis. O ECA Digital é apresentado como uma alternativa mais flexível e realista do que a proibição total australiana.
Sheylli e Rodrigo oferecem conselhos práticos para famílias: manter diálogo aberto com ‘cara de alface’ (sem reações exageradas), estudar as configurações das plataformas, estabelecer acordos de uso (‘acordo de geladeira’), usar ferramentas de controle parental (como Family Link ou Qustodio), retardar a oferta do primeiro celular (recomendação internacional: a partir dos 14 anos), e monitorar sinais de alerta como mudanças de comportamento, irritabilidade, privação de sono e esconder o celular. A mudança é apresentada como um desafio coletivo que exige a reeducação dos hábitos digitais de toda a família.
Indicações
Ferramentas_E_Plataformas
- Family Link (Google) — Ferramenta de controle parental da Google mencionada como uma opção popular entre os pais para gerenciar o tempo de tela e o acesso dos filhos.
- Qustodio — Aplicativo de controle parental pago (cerca de R$ 80/ano) elogiado por sua capacidade de granularidade, permitindo bloquear categorias específicas de sites (como apostas ou conteúdo adulto) e liberar um território de pesquisa mais seguro.
Livros
- A Máquina do Caos — Livro de Max Fisher recomendado para entender como as redes sociais surgiram e atuam de forma manipulativa, abordando desde fake news até como algoritmos podem impulsionar predadores sexuais.
- Pornland: Como a pornografia sequestrou nossa sexualidade — Obra da pesquisadora Gail Dines, traduzida para o português, que analisa profundamente como a pornografia afeta a infância e a adolescência, atrapalhando a sexualidade de meninos e meninas.
- Respire Fundo - Contos Proibidos da Internet — Livro de Sheylli Caleffi com seis histórias para adolescentes, cada uma abordando um risco online diferente, como namoro virtual, notícias falsas e golpes. Usado por professores para gerar discussão.
- As Famílias Contemporâneas e os Desafios na Educação de Crianças e Adolescentes — Livro de Hugo Monteiro Ferreira que inclui entrevistas com famílias de atacantes de escolas e infiltração em grupos de ódio para entender os desafios atuais, incluindo a radicalização online.
Movimentos
- Movimento Desconecta — Movimento brasileiro citado que defende a desconexão e o uso mais consciente de tecnologia, promovendo a ideia de retardar a oferta de celulares e redes sociais. Apresentado como um apoio coletivo para famílias.
Pessoas
- Jonathan Haidt — Autor do livro ‘Geração Ansiosa’ citado no programa. Suas pesquisas e o movimento inspirado por seu trabalho são mencionados como referências importantes na discussão sobre os impactos das redes sociais na saúde mental dos jovens.
- Vanessa Cavalieri — Juíza mencionada por Sheylli que usa uma analogia poderosa: assim como não deixamos um filho sair sem saber onde vai, com quem está e que horas volta, não devemos deixá-lo navegar na internet sem os mesmos cuidados.
Sites_E_Recursos
- Script for Parents — Site (em inglês) que oferece roteiros prontos para ajudar pais a conversarem com os filhos sobre temas difíceis, como ataques em escolas, nazismo e outros assuntos complexos.
- Portal Lunetas (Instituto Alana) — Portal com conteúdo prático sobre parentalidade, incluindo recomendações de produções audiovisuais de ‘baixo estímulo’ para crianças, que têm um ritmo mais calmo e menos ansioso.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Introdução: A internet como cidade perigosa — As apresentadoras Juvalauer e Cris Bartes introduzem o tema da proibição de redes sociais para adolescentes, citando o caso radical da Austrália e as questões centrais do debate: riscos à saúde mental, violência digital e a responsabilidade das empresas versus das famílias. É proposta uma discussão baseada em dados e nuance, analisando o caso australiano e possíveis caminhos para o Brasil.
- 00:02:38 — Apresentação dos especialistas Sheylli Caleffi e Rodrigo Nejm — Sheylli Caleffi se apresenta como professora e criadora de conteúdo sobre violência online e sexual, com foco na proteção de crianças. Rodrigo Nejm, psicólogo e especialista em educação digital do Instituto Alana, fala sobre seu trabalho de 20 anos e seu desafio pessoal como pai de uma criança de 6 anos, equilibrando oportunidades e riscos no ambiente digital.
- 00:05:19 — Evidências dos riscos: violência sexual online e outros danos — Sheylli apresenta dados alarmantes: pesquisa do Child Fund (2025) mostra que 54% dos adolescentes que acessam redes sociais já sofreram violência sexual online. Ela detalha o que constitui violência sexual digital, desde receber imagens íntimas não solicitadas até aliciamento e chantagem (sextorsão). Rodrigo complementa falando dos riscos categorizados em conteúdo, contato, conduta e contrato, e discute a forte correlação (mesmo sem causalidade absoluta) entre acesso precoce à pornografia e problemas de saúde sexual futuros.
- 00:13:50 — Impactos no desenvolvimento: atenção, sono e habilidades — Os especialistas abordam a ‘pandemia de erosão da atenção’ causada pelo design viciante das plataformas, impactando a capacidade de aprendizado. Discutem os danos da privação de sono em adolescentes que usam dispositivos à noite, comparando-o a um vício tão prejudicial quanto o cigarro. Também mencionam prejuízos no desenvolvimento da fala, coordenação motora fina e capacidade cognitiva, especialmente com o uso excessivo desde a primeira infância.
- 00:20:20 — Os benefícios das redes sociais e da internet — O debate se volta para os aspectos positivos. Sheylli destaca o uso para ativismo social por adolescentes, conexão com amigos e familiares distantes, e como espaço de inspiração e encontro para minorias (LGBTQIA+, racializadas, neurodivergentes). Rodrigo faz a distinção crucial entre o modelo de negócio problemático das redes atuais e o potencial da internet como um todo, lembrando que é possível criar outras formas de rede social mais éticas e benéficas.
- 00:30:47 — Sinais de alerta para famílias: o que observar — Sheylli lista comportamentos que indicam problemas na relação da criança/adolescente com a tecnologia: esconder o celular, acessar excessivamente, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, choro frequente, privação de sono, perda de interesse pela escola (possível cyberbullying), alterações nos hábitos alimentares e um consumismo ou preocupação excessiva com a aparência influenciada por youtubers e blogueiras.
- 00:46:50 — A regulação: Caso da Austrália e o ECA Digital brasileiro — Rodrigo explica a medida australiana que restringe o acesso de menores de 16 anos a redes sociais como TikTok e Instagram, exigindo verificação de idade. Em contraste, detalha o ECA Digital brasileiro: uma conquista que estabelece responsabilidade compartilhada. A lei exige autorização parental para acesso de menores de 16 anos, proíbe design manipulativo e perfilamento para publicidade, e obriga as plataformas a oferecerem ferramentas de configuração acessíveis. A lei entra em vigor em março de 2026.
- 00:56:51 — Dicas práticas para famílias e cuidadores — Sheylli oferece um guia passo a passo: 1) Conversar abertamente, mantendo a ‘cara de alface’ (sem pânico); 2) Estudar as plataformas e suas configurações; 3) Fazer um ‘acordo de geladeira’ com regras claras para toda a família; 4) Acompanhar e monitorar o uso; 5) Respeitar a classificação indicativa; 6) Retardar a oferta do primeiro celular (recomendação: a partir dos 14 anos). Ela enfatiza a mediação ativa, mesmo que cause conflitos, comparando-a a outras questões de saúde como escovar os dentes.
- 01:10:00 — Riscos adicionais: nazismo, misoginia e radicalização — Sheylli alerta para o crescimento alarmante de apologia ao nazismo e misoginia (aumento de 224,9% em um ano) em grupos online frequentados por adolescentes, principalmente meninos brancos de classe média. Ela destaca que muitos jovens incorrem em crimes de ódio sem plena consciência, e defende a necessidade de conversas explícitas em casa e na escola sobre esses temas.
- 01:24:02 — Recomendações de recursos e encerramento otimista — Os especialistas recomendam recursos como o site ‘Script for Parents’ (roteiros para conversas difíceis) e livros como ‘A Máquina do Caos’, ‘Pornland’ e ‘Respire Fundo - Contos Proibidos da Internet’ (de Sheylli). Rodrigo faz um apelo para que mais homens se envolvam na leitura sobre parentalidade digital. Eles encerram com uma mensagem de esperança: o ECA Digital abre caminho para inovações éticas e é possível construir um ambiente digital mais saudável com esforço coletivo.
Dados do Episódio
- Podcast: Mamilos
- Autor: B9
- Categoria: News
- Publicado: 2026-02-24T20:17:00Z
- Duração: 01:33:10
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/mamilos/8e5629f0-512e-0132-cf87-5f4c86fd3263/proibi%C3%A7%C3%A3o-das-redes-para-adolescentes-com-sheylli-caleffi-e-rodrigo-nejm-mamilos-545/8f09dc95-17d0-4a46-84ae-094373cc689a
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Dados do Podcast
- Nome: Mamilos
- Tipo: episodic
- Site: http://mamilos.b9.com.br/
- UUID: 8e5629f0-512e-0132-cf87-5f4c86fd3263
Transcrição
[00:00:00] A internet é tão perigosa quanto uma cidade é perigosa pra criança,
[00:00:03] mas, ao mesmo tempo, é na cidade onde a gente vive.
[00:00:05] Comportamento é comunicação.
[00:00:07] Começou a esconder o celular, começou a acessar muito mais que o normal.
[00:00:10] Toda hora que ia pegar o celular e não era assim,
[00:00:12] talvez esteja sofrendo um cyberbullying.
[00:00:15] Mamilos.
[00:00:21] Mamileiros e mamiletes,
[00:00:23] sejam muito bem-vindos ao nosso espaço de diálogo de peito aberto.
[00:00:27] Eu sou a Juvalauer.
[00:00:28] Eu sou a Cris Bartes.
[00:00:30] E essa semana, se você é cuidador, se você convive com uma criança,
[00:00:36] esse programa aqui é pra você, pra sociedade inteira, pelo jeito, não é mesmo, pessoal?
[00:00:40] Vamos começar, então.
[00:00:42] Nos últimos meses, uma pergunta que era impensável
[00:00:45] virou pauta de governo em vários países.
[00:00:48] Será que é hora de colocar a idade mínima pra redes sociais?
[00:00:51] Será?
[00:00:52] Será, pessoal?
[00:00:54] A Austrália foi o caso mais radical até aqui.
[00:00:56] Decidiu que menores de 16 anos
[00:00:58] não podem ter conta em plataformas de rede social.
[00:01:01] E que a responsabilidade é das empresas e não das famílias.
[00:01:05] Isso acendeu um alerta global sobre saúde mental,
[00:01:08] violência digital, aliciamento, comparação social,
[00:01:12] vício de atenção e o tipo de produto
[00:01:14] que a gente normalizou entregar na mão de crianças.
[00:01:17] Aqui no Brasil, o debate também está acelerado.
[00:01:20] A gente tem um marco recente de proteção
[00:01:22] de crianças e adolescentes num ambiente digital
[00:01:25] e agora começam a surgir propostas
[00:01:28] que querem ir além.
[00:01:29] Seguir a trilha da Austrália
[00:01:31] e proibir redes sociais pra menores de 16 anos.
[00:01:34] Só que, antes de transformar isso num cabo de guerra,
[00:01:37] libera tudo versus proíbe tudo,
[00:01:40] tem perguntas que precisam vir primeiro.
[00:01:43] Quais riscos existem e são bem documentados?
[00:01:46] Quem são os jovens mais vulneráveis?
[00:01:49] Quais sinais pais podem perceber sem cair na paranoia?
[00:01:53] E do lado da política pública,
[00:01:56] dá pra proteger,
[00:01:57] sem criar vigilância?
[00:01:59] Dá pra fazer verificação de idade
[00:02:01] sem sacrificar demais a privacidade?
[00:02:03] E, principalmente,
[00:02:05] até onde é justo jogar essa responsabilidade
[00:02:07] só nas famílias,
[00:02:09] se o ambiente é todo desenhado
[00:02:11] pra capturar a atenção
[00:02:13] e driblar limites?
[00:02:14] Então, hoje, a proposta é atravessar essa conversa
[00:02:17] com muito dado, com nuance,
[00:02:19] com o pé no chão, pra entender os riscos,
[00:02:21] dar uma olhada nesse case da Austrália,
[00:02:23] o que funcionou, o que não funcionou
[00:02:25] e discutir qual seria um caminho,
[00:02:27] realista e efetivo, pro Brasil.
[00:02:30] Abre o coração, abre a mente,
[00:02:31] vamos juntos!
[00:02:33] Bora bem acompanhado,
[00:02:35] trouxemos pessoas para nos ajudar,
[00:02:37] porque precisamos.
[00:02:38] Shelly, por favor, comece se apresentando
[00:02:41] para os nossos ouvintes.
[00:02:42] Quem é você na fila do pão?
[00:02:43] Eu sou professora de comunicação e oratória,
[00:02:46] porém, eu faço um trabalho nas redes sociais
[00:02:48] há 11 anos,
[00:02:50] falando sobre violência online
[00:02:52] e violência sexual.
[00:02:54] Porque eu sofri violência sexual
[00:02:55] e a violência sexual,
[00:02:57] no online, ela vai muito
[00:02:59] contra crianças e adolescentes,
[00:03:01] porque como eles não têm dinheiro,
[00:03:03] eles acabam virando um produto na mão de criminosos.
[00:03:05] Então, esses dois assuntos se juntaram
[00:03:07] e hoje eu educo
[00:03:09] como eu puder lá nas redes sobre esse assunto.
[00:03:11] Muito. E faz um conteúdo excelente.
[00:03:14] Sigam já.
[00:03:15] Muito útil. Rodrigo, vou dar você presente
[00:03:17] para os nossos ouvintes.
[00:03:19] Feliz demais estar aqui com vocês,
[00:03:20] do lado da Shelly, queridíssima.
[00:03:22] Eu sou o Rodrigo, sou psicólogo de formação,
[00:03:24] sou doutor em psicologia social e trabalho
[00:03:26] há 20 anos com esse tema,
[00:03:28] pensar a vida de crianças na internet.
[00:03:30] Sou apaixonado por internet, por tecnologia,
[00:03:33] mas também apaixonado por a gente garantir
[00:03:35] que essa internet que a gente sonha
[00:03:37] seja, de fato, benéfica
[00:03:39] para as nossas crianças. Estou como especialista
[00:03:40] de educação digital no Instituto Alana,
[00:03:43] que trabalha há mais de 30 anos também
[00:03:44] com esse tema. Você tem um case em casa?
[00:03:47] Temos, temos. Acho que tem vários
[00:03:48] cases aqui. Tenho um pequeno de 6 anos
[00:03:50] e vivo já esse desafio de a gente conseguir
[00:03:53] equilibrar a balança
[00:03:55] do que são as oportunidades,
[00:03:56] e os benefícios, porque esse é um ponto
[00:03:59] legal também, né? Todo mundo sabe, tem
[00:04:01] perigos e tem oportunidades
[00:04:03] e benefícios, mas é bom equilibrar as palavras, né?
[00:04:05] O fato de ter oportunidades no acesso
[00:04:07] à internet, o acesso à tecnologia,
[00:04:09] essa oportunidade não se
[00:04:11] converte automaticamente em benefício na vida
[00:04:13] de ninguém, porque você tem um computador,
[00:04:15] tem um celular, você pode ter o melhor modelo do mundo.
[00:04:17] Não é uma osmose, que você tem ali
[00:04:19] oportunidade e se transforma em benefício.
[00:04:21] E a questão do risco e perigo é a mesma coisa.
[00:04:23] Tem perigo? Tem vários
[00:04:25] perigos. Agora, esse perigo se
[00:04:26] transformar num dano, tem uma conversão
[00:04:29] aqui, e esse desafio eu vivo em casa também.
[00:04:31] Como a gente equilibrar?
[00:04:32] Evitar que o perigo se transforme em dano
[00:04:35] e também fortalecer,
[00:04:37] inspirar, estimular pra que as oportunidades
[00:04:39] possam se converter em benefício.
[00:04:41] Só que a gente tem visto, né, Xelinha?
[00:04:42] Na balança hoje, a forma como
[00:04:45] a gente tem usado a internet no Brasil,
[00:04:47] especialmente nossas crianças,
[00:04:49] a balança tá muito desequilibrada
[00:04:51] por mais danos e poucos benefícios
[00:04:53] na forma como tá hoje,
[00:04:54] mas não precisa ser assim, vamos falar disso aqui,
[00:04:56] bem feliz. Pois é, eu queria começar porque, assim,
[00:04:59] a gente tem, não tem
[00:05:01] tanto tempo, assim, de redes sociais pra gente
[00:05:03] ter estudos, principalmente
[00:05:05] provando causalidade, que é uma das coisas
[00:05:06] mais difíceis em ciência, provar causalidade.
[00:05:09] O que que a gente tem
[00:05:11] de efetivo que a gente pode afirmar
[00:05:13] que redes sociais fazem
[00:05:14] mal pra adolescente antes
[00:05:17] de 16 anos? No Brasil,
[00:05:19] a Child Fund fez
[00:05:20] uma pesquisa em 2025
[00:05:22] com uma mostragem grande de adolescentes
[00:05:25] que acessam as redes sociais,
[00:05:26] e 54% deles
[00:05:29] já sofreram algum tipo de violência
[00:05:31] sexual online, e muitas
[00:05:32] vezes, mais de uma vez, na pesquisa tem os que
[00:05:34] responderam que uma vez, que duas, que três
[00:05:37] ou mais. Então,
[00:05:39] se antes eu tinha, né,
[00:05:40] só abordando essa questão da violência sexual,
[00:05:43] se a gente tem, segundo uma
[00:05:44] pesquisa do Instituto Liberta, 38
[00:05:46] adultos em cada 100 brasileiros
[00:05:48] que já sofreram algum tipo de violência sexual,
[00:05:50] geralmente na infância, isso sem contar
[00:05:52] o online, já está aumentando
[00:05:55] bastante, já é um número absurdo, 38,
[00:05:56] em cada 100 pessoas já sofreram violência
[00:05:58] sexual, é você levantar a mão, alguém
[00:06:00] aqui nessa sala, alguém sofreu.
[00:06:01] Eu acho que a gente vai precisar falar uma aspazinha, o que é violência sexual
[00:06:04] digital, porque
[00:06:06] acho que isso não está claro pra todo mundo.
[00:06:09] Ah, muito bem, vamos lá, pode ser
[00:06:10] desde uma solicitação,
[00:06:14] por exemplo,
[00:06:14] o que acontece muito
[00:06:16] de meninas, adolescentes, receberem imagens
[00:06:18] íntimas de pessoas que elas nunca viram, não conhecem,
[00:06:21] elas abrem lá uma mensagem,
[00:06:22] é um pênis. Isso já é
[00:06:24] um tipo de violência sexual digital.
[00:06:26] Uma solicitação do tipo
[00:06:29] eu gostaria de sair com você,
[00:06:30] xingamentos,
[00:06:32] indo até pra coisas mais graves, como
[00:06:34] aliciamento, como
[00:06:37] estupro virtual, então
[00:06:38] que a gente ouve muitas vezes sobre
[00:06:40] estupro virtual, sobre meninas que são chantageadas,
[00:06:43] que mandam, meninos também,
[00:06:45] meninos brasileiros,
[00:06:46] inclusive, são chantageados por
[00:06:48] criminosos que se disfarçam de adolescentes,
[00:06:50] começam um namoro, aí há uma
[00:06:52] troca de nudes, e
[00:06:54] quando você manda o nudes, o criminoso se
[00:06:56] revela e começa a te chantagear.
[00:06:59] No caso das meninas, eles pedem
[00:07:00] mais imagens, geralmente
[00:07:02] piores, ou imagens da
[00:07:04] família, imagens das irmãs, imagens dos
[00:07:06] pais, da mãe, de nudes
[00:07:08] também. No caso dos meninos, eles
[00:07:10] tendem a pedir mais dinheiro, no Brasil
[00:07:12] em torno de 2 e 3 mil reais. Então, ou você
[00:07:14] me paga, ou eu vou mandar essa foto
[00:07:16] pra sua família, vou mandar essa foto
[00:07:18] pra sua escola e tal. Então,
[00:07:21] esse é, digamos,
[00:07:22] e os crimes do discórdia, que também
[00:07:24] obrigam, através de chantagem,
[00:07:26] com essas imagens,
[00:07:29] geralmente meninas,
[00:07:31] a se cortarem,
[00:07:32] escrever em nomes de
[00:07:34] pessoas no seu corpo,
[00:07:36] em lives ao vivo dentro do discórdia, que é um
[00:07:38] problemão que a gente tem. Mas é que a gente ouve falar
[00:07:40] desse grandão, mas desde uma,
[00:07:42] de receber a imagem de
[00:07:44] pênis, já é uma violência. Eu queria parar isso um segundo,
[00:07:46] porque isso eu aprendi recentemente
[00:07:48] com a Luciana Temer, que faz um trabalho
[00:07:50] enorme no Instituto Liberta
[00:07:52] sobre exploração sexual infantil,
[00:07:54] e quando a gente estava numa
[00:07:56] mesa, trabalhando juntas,
[00:07:58] tinham muitos homens,
[00:08:01] e foi feita uma pergunta, quem
[00:08:02] sofreu violência sexual aqui?
[00:08:04] A maioria das mulheres levantaram a mão.
[00:08:06] E quando ela falou que ter acesso
[00:08:08] a conteúdo pornográfico,
[00:08:10] imagens de nudez sexual,
[00:08:13] sendo uma criança,
[00:08:15] é violência sexual. Todos os
[00:08:16] homens levantaram a mão, assustadíssimos.
[00:08:19] Então, uma criança,
[00:08:20] ela não tem cognição ainda
[00:08:22] pra entender, aquilo é
[00:08:24] uma violência pra ela, porque ela vê o
[00:08:26] corpo humano
[00:08:28] num estado, num uso,
[00:08:30] numa situação, que ela
[00:08:32] não entende como aquilo acontece.
[00:08:35] Então, imagem de nudez
[00:08:37] sexual é muito violenta
[00:08:39] pra criança, e a gente minimiza
[00:08:41] isso muito pra meninos,
[00:08:42] e traz isso mais pra meninas.
[00:08:44] Isso causa um crash na cabeça
[00:08:47] da criança. Eu adorei
[00:08:49] que no programa que a gente falou de
[00:08:50] violência sexual de criança,
[00:08:52] a Lu trouxe bastante isso, que é confusão.
[00:08:55] É esse, é, é, é,
[00:08:56] esse conflito de emoções,
[00:08:58] de interesse, de medo,
[00:09:00] do que você não tá pronto ainda
[00:09:02] pra lidar, né? Então, forçar
[00:09:04] um amadurecimento,
[00:09:06] por isso violência, porque força
[00:09:08] alguma coisa. Geralmente, pra gente
[00:09:10] não ficar só nisso,
[00:09:12] porque, assim, é um programa inteiro.
[00:09:14] Sim, não, as violências, gente, elas são tantas.
[00:09:16] A sexual é qualquer
[00:09:18] uma que tem a ver, eu acho que a gente poderia
[00:09:20] definir, é qualquer uma que vai ter a ver com a libido de um adulto
[00:09:22] tentando acessar essa criança de alguma forma.
[00:09:24] Ótimo.
[00:09:26] Mas também, ou esse acesso inapropriado,
[00:09:29] né, que a gente divide, eu acho que
[00:09:30] dá pra trazer um dado técnico, vocês gostam, o público
[00:09:33] gosta. A gente tem, a gente divide esses
[00:09:35] riscos em quatro
[00:09:36] tipos, internacionalmente, até pra poder
[00:09:39] classificar. Conteúdo, contato, conduta
[00:09:41] e contrato. Então, conteúdo
[00:09:43] é quando eu tenho acesso a um conteúdo inadequado,
[00:09:45] que pode ser sexual, pode ser agressivo, tem
[00:09:47] outras classificações. Conteúdo, contato
[00:09:49] é alguém me contatar, né, um adulto
[00:09:51] tentando entrar em contato comigo, ou até um adolescente
[00:09:53] que tem uma intenção
[00:09:55] ruim.
[00:09:56] Conduta é quando eu engajo na conduta.
[00:09:58] Então, eu faço bullying, cyberbullying
[00:10:00] com uma colega e falo que ela ficou
[00:10:02] com não sei quem, ou que peito, bunda,
[00:10:04] porque muito do cyberbullying também tem a ver
[00:10:06] até com a sexualidade.
[00:10:08] E contratos são eles
[00:10:10] assinando, eles, por exemplo, acessando
[00:10:12] um site de pornografia
[00:10:14] onde você simplesmente diz ali que você
[00:10:16] tem 18 anos mesmo sem ter. É aceitar
[00:10:18] termos e coisas assim. Então, a gente
[00:10:20] classifica nessa divisão.
[00:10:23] Não, e aproveitar pra voltar pra
[00:10:24] questão que você fez, que acho que é bem crucial,
[00:10:26] ter conectado com isso, da questão da
[00:10:28] causalidade e da correlação, né?
[00:10:30] Esse exemplo, pra pegar o fio
[00:10:32] da questão sexual, né? Esse é um exemplo muito
[00:10:34] concreto. Primeiro assim, a gente tem décadas
[00:10:36] de ciência do tabagismo,
[00:10:39] por exemplo, que foram décadas
[00:10:40] de pesquisas sendo negligenciadas,
[00:10:42] omitidas e todo um lobby
[00:10:44] da indústria pra que a gente
[00:10:46] demorasse tanto pra ter a causalidade
[00:10:48] com as revisões sistemáticas necessárias
[00:10:51] pra ciência validar e dizer assim
[00:10:52] todos concordam que aqui tem uma causalidade.
[00:10:55] De fato, a gente não tem
[00:10:56] esse nível. Alguns dizem que tem, outros dizem que não tem, mas acho que
[00:10:58] a questão não é aí o problema.
[00:11:00] A correlação é forte, a associação
[00:11:02] que a gente já tem hoje de evidência
[00:11:04] científica acumulada já é extremamente
[00:11:06] forte o suficiente a correlação
[00:11:08] pra dizer um basta há muitos
[00:11:10] anos, né? Do ponto de vista da
[00:11:12] experiência sexual, por exemplo. Esse acesso
[00:11:14] involuntário a conteúdo sexual
[00:11:16] que crianças de 6, de 7,
[00:11:18] qualquer criança hoje que tem acesso a um
[00:11:20] WhatsApp, é quase certo que ela
[00:11:22] tem acesso involuntário à pornografia.
[00:11:25] Essa experiência de
[00:11:26] contato involuntário com pornografia, mesmo
[00:11:28] antes da solicitação sexual
[00:11:29] mais intencional.
[00:11:32] Isso já é uma forma de interferência
[00:11:34] no desenvolvimento saudável dessa criança.
[00:11:36] Isso tem um impacto na forma como ela
[00:11:38] percebe o seu próprio corpo, na forma como
[00:11:40] ela percebe o limite do corpo dela com o do outro,
[00:11:42] a forma como ela tá sendo educada sexualmente.
[00:11:44] A gente vê pesquisas mostrando que
[00:11:46] jovens adultos, e tem uma pesquisa na Inglaterra
[00:11:48] que me marcou muito, jovens
[00:11:50] adultos com o pior nível de
[00:11:52] saúde sexual visto
[00:11:54] na Inglaterra nos últimos anos, porque
[00:11:56] esse acesso precoce à pornografia
[00:11:58] ele é tão danoso pra o pleno desenvolvimento
[00:12:00] da saúde sexual, e quando a gente fala
[00:12:02] saúde sexual não é porque só a
[00:12:04] prática sexual, né? Na pesquisa a gente considera
[00:12:06] inclusive a abstenção sexual como uma opção.
[00:12:08] Mas o nível de insatisfação
[00:12:10] com a sua própria vida sexual
[00:12:12] de jovens adultos na pesquisa
[00:12:14] gigantesco, e a associação
[00:12:16] é indireta com quanto maior
[00:12:18] o acesso precoce à pornografia
[00:12:20] na infância,
[00:12:22] maior o índice de insatisfação, ou seja,
[00:12:24] eu acho que a gente tem que tomar cuidado pra não cair nessa armadilha
[00:12:26] pra dizer, tem muita evidência
[00:12:28] de correlações fortes
[00:12:29] comparação social, como a gente falou
[00:12:32] aqui no início, isso é devastador
[00:12:34] os estudos mostram mais pra meninas do que pra
[00:12:36] meninos, mas também pra meninos, cada vez
[00:12:38] mais, toda a discussão de masculinidade tóxica
[00:12:40] esses padrões de comportamento
[00:12:41] isso é devastador, né?
[00:12:44] A dificuldade de estabelecer vínculos
[00:12:46] emocionais não mediados
[00:12:48] por telas, mesmo o desenvolvimento
[00:12:50] da fala, crianças que tem uso excessivo
[00:12:52] de telas na infância, na primeira infância
[00:12:54] falam menos palavras do que as
[00:12:56] crianças que tem outras experiências
[00:12:58] de contato, coordenação fina
[00:13:00] crianças não conseguem mais escrever com lápis
[00:13:02] não conseguem mais fazer algumas
[00:13:03] pinturas, e o desenvolvimento
[00:13:05] dessas habilidades na primeira infância são decisivas
[00:13:08] não teremos
[00:13:10] cirurgiões com habilidades
[00:13:11] artistas mesmo, a capacidade de criação
[00:13:13] tudo isso tem evidência o suficiente de
[00:13:15] correlação forte, pra dizer
[00:13:18] não caiamos nessa armadilha
[00:13:19] que é uma disputa importante, a gente também tem que usar
[00:13:22] certas palavras, não temos todas
[00:13:23] as evidências de que isso causa
[00:13:26] aquilo, mas a correlação é
[00:13:28] forte o suficiente pra acender
[00:13:29] todos os alertas, né? Acho que o último
[00:13:31] ponto é, definitivamente
[00:13:33] não dá mais pra também confundir
[00:13:35] internet é muito maior do que os aplicativos
[00:13:38] que a gente usa hoje, a internet é uma
[00:13:40] rede de redes, são mais de 80 mil
[00:13:42] redes de computadores que compõem o que a gente chama
[00:13:44] internet, infelizmente a gente
[00:13:45] vem reduzindo a nossa experiência
[00:13:48] do digital em termos de potência
[00:13:50] Tecnofeudalismo
[00:13:51] Exatamente, há pouquíssimas plataformas
[00:13:53] e essas pouquíssimas estão sendo desenhadas
[00:13:56] kinematicamente, com pesquisa
[00:13:58] de psicologia profunda
[00:13:59] pra literalmente hackear
[00:14:02] nosso cérebro e o das crianças
[00:14:03] é uma tecnologia intencionalmente
[00:14:05] feita pra explorar a vulnerabilidade
[00:14:08] psicológica, e isso é cruel
[00:14:10] isso não pode acontecer
[00:14:11] por isso que a gente tem que celebrar muito o ECA Digital
[00:14:14] que a gente vai falar daqui, porque
[00:14:15] é uma virada de chave
[00:14:17] não é uma eletricidade
[00:14:19] que, ah, tô responsabilizando a companhia
[00:14:22] elétrica porque alguém deu um choque em alguém
[00:14:23] não, é uma coisa
[00:14:26] companhia elétrica vender equipamentos
[00:14:28] que te dão choque e te ensinar
[00:14:30] a dar choque em outras pessoas
[00:14:31] aí é diferente, tem uma agência
[00:14:33] da empresa que é diferente da empresa elétrica
[00:14:35] que girou energia, não são mais intermediários
[00:14:38] acho que esse é um ponto da discussão
[00:14:40] tem um último que a gente
[00:14:42] nem tocou, que eu acho que é imprescindível
[00:14:44] falar, que é o dano pra
[00:14:46] atenção, entendeu?
[00:14:47] então a gente falou de alguns riscos
[00:14:50] mas acho que o Raid
[00:14:52] te fala bem sobre isso, ele fala
[00:14:53] de uma pandemia
[00:14:56] de erosão da atenção
[00:14:58] então de que
[00:14:59] quando você compara níveis globais
[00:15:02] acadêmicos, PISA por exemplo
[00:15:04] tem um declínio cognitivo
[00:15:06] de aprendizado, porque o aprendizado
[00:15:08] depende da capacidade de concentração
[00:15:09] que depende da capacidade de atenção
[00:15:11] e se a gente tá tendo
[00:15:14] erosão disso no ninho
[00:15:16] antes da gente, no momento
[00:15:18] formativo do cérebro
[00:15:20] o dano que a gente tem
[00:15:21] pro futuro é irreparável
[00:15:24] e
[00:15:26] é incomensurável
[00:15:26] a gente não consegue, a gente tá começando
[00:15:28] a tentar mendir isso agora
[00:15:30] mas a gente ainda não sabe
[00:15:31] esse é um do
[00:15:34] se a gente vai ter
[00:15:35] uma geração inteira com menos
[00:15:38] capacidade de aprender, de se desenvolver
[00:15:41] de se formar como profissionais
[00:15:42] você falou capacidade de motor
[00:15:44] sim, mas a cognitivo também tá muito
[00:15:46] prejudicado, acho que isso
[00:15:48] já é uma coisa
[00:15:50] a gente teve
[00:15:52] aqui uma médica que veio
[00:15:54] falar sobre perimenopausa
[00:15:56] a gente repete duzentas vezes
[00:15:58] o que ela falou, que é
[00:15:59] a privação de sono tem mais impacto
[00:16:02] do que cigarro
[00:16:04] fumar, né
[00:16:05] e o quanto que rede social
[00:16:07] tem impacto em privação de sono
[00:16:10] em jovens que estão formando o cérebro
[00:16:12] crianças
[00:16:13] então assim, pra gente é absurdo pensar
[00:16:16] no adolescente fumando, impensável
[00:16:18] não pode fumar, embora também
[00:16:19] criança também, imagina uma criança
[00:16:21] impensável o malborão vermelho
[00:16:24] na mão de um adolescente
[00:16:26] porém, não estão dormindo
[00:16:27] sistematicamente
[00:16:29] enquanto geração
[00:16:30] então acho que pra abrir a caixa
[00:16:33] de pandora, tem mais coisas aí
[00:16:35] de malefício
[00:16:37] e com o IA agora, as pesquisas sobre
[00:16:39] inteligência artificial, as pessoas que, mesmo adultos
[00:16:42] que usam
[00:16:43] excessivamente a IA, ou delegam
[00:16:45] excessivamente a IA, a sua atividade cognitiva
[00:16:47] tem menos áreas do cérebro que são
[00:16:49] ativadas, se você pensa isso de fato
[00:16:51] numa primeira infância, ou mesmo
[00:16:53] num pré-adolescente, é devastador
[00:16:56] eu acho que é a diversificação
[00:16:58] da experiência, se você tem uma infância
[00:17:00] toda, excessivamente conectada às telas
[00:17:02] que não tem brincadeira livre, não tem parquinho
[00:17:04] que não tem contato com a natureza
[00:17:06] que não tem experiência com outras crianças
[00:17:07] que não tem a frustração, que ela não encontre
[00:17:10] o que ela procura, porque é essas
[00:17:11] pequenas frustrações, e às vezes grandes frustrações
[00:17:14] de não ter a coisa imediata
[00:17:15] de ter que demorar um tempo pra ver a pessoa
[00:17:18] claro que tem benefícios, mas quando a gente
[00:17:20] abandona outras experiências
[00:17:22] de leitura, de brincadeira
[00:17:24] o tédio, porque isso que você fala é muito importante
[00:17:26] o sono, sem dúvida nenhuma, tem pesquisas que mostram
[00:17:28] o devastador impacto do sono
[00:17:30] por isso que a dica já pras famílias
[00:17:32] não permitir o uso durante a noite
[00:17:34] tirar o aparelho do quarto de preferência
[00:17:36] primeira dica, celular não entra
[00:17:38] no quarto à noite
[00:17:39] e não é só instalar o limite
[00:17:41] ah, mas ele usa como despertador
[00:17:43] então compra um relógio, é barato, no xeringue lá
[00:17:46] 10 reais, você compra um ótimo despertador e vai funcionar
[00:17:48] porque é isso, e acho que queria reforçar
[00:17:50] a gente trabalha muito esse tema no Instituto Alana
[00:17:52] a gente tá perdendo nas cidades violentas
[00:17:54] as cidades não são fáceis
[00:17:56] porque esse é um problema que não é só do
[00:17:57] digital, é um problema
[00:17:59] qual é a capacidade das nossas cidades acolherem
[00:18:02] experiências de crianças
[00:18:03] parques naturalizados, áreas verdes
[00:18:06] espaços onde a criança tenha condição
[00:18:08] de vivenciar outras formas
[00:18:10] de estar no mundo que não seja só pela tela
[00:18:12] porque nós adultos estamos
[00:18:13] condenando muitas vezes as crianças terem
[00:18:16] a limitação da sua experiência
[00:18:18] escola, tela, escola, tela
[00:18:20] por isso tão bem-vinda a restrição
[00:18:22] dos celulares pessoais nas escolas
[00:18:24] que evita
[00:18:26] um pouco essa distração, essa captura
[00:18:28] da atenção que tinha tomado conta
[00:18:29] da escola também, né? Depende
[00:18:31] só pra falar da atenção
[00:18:33] eu só ia dizer da atenção, tava todo mundo
[00:18:36] discutindo recentemente
[00:18:37] uma reportagem que saiu falando que as séries
[00:18:40] da Netflix e alguns filmes eles são
[00:18:42] mais lentos hoje em dia e se repete
[00:18:44] muito porque sabe-se que o adulto
[00:18:46] está lá no celular ao mesmo tempo
[00:18:48] então ele perde algumas coisas
[00:18:49] e tava todo mundo assim, meu Deus, é mesmo
[00:18:52] as séries estão mais repetitivas
[00:18:53] pra adulto, então
[00:18:55] o adulto
[00:18:56] adulto está sofrendo
[00:18:57] eu falo pra adulto, adulto está sofrendo, imagina
[00:19:00] um adolescente
[00:19:00] e a economia da atenção, né? Desculpa só o ponto que você falou
[00:19:03] porque assim, isso não é por acaso
[00:19:05] isso é uma economia baseada
[00:19:07] no modelo de negócio que depende
[00:19:09] da maximização do tempo que a pessoa fica
[00:19:12] e aí coisas que parecem tão bobas
[00:19:13] e úteis, mas são muito sérias
[00:19:16] de pensar e o Eca Digital trata disso
[00:19:17] Autoplay, aquele é meu filho de 6 anos
[00:19:19] ele assiste, não dá tempo de
[00:19:21] subir letreiro, não dá nem tem o crédito mais
[00:19:23] dos artistas que fizeram a animação
[00:19:26] que começa um outro, que começa um outro
[00:19:27] isso dá pra desabilitar, tá?
[00:19:29] não tem autoplay e tem que assistir a abertura
[00:19:32] benefícios, vou falar com benefícios
[00:19:34] deixa eu só pegar esse gancho da Juliana
[00:19:36] em economia da atenção
[00:19:37] pra falar da irritabilidade
[00:19:39] quanto menos atenção
[00:19:42] mais irritado o seu filho fica
[00:19:43] a gente tá lidando com crianças muito mais
[00:19:46] irritadiças, porque elas não tem paciência
[00:19:48] então a hora que
[00:19:50] acaba de assistir o episódio, a hora que
[00:19:52] acaba o tempo do jogo, a hora que tem que
[00:19:54] largar a tela pra fazer uma outra coisa
[00:19:56] essa criança vai ficar
[00:19:58] num grau de frustração
[00:20:00] e irritação tão gigante
[00:20:01] você vai ter um trabalho tão grande, porque todo mundo fala
[00:20:03] se eu tirar ele vai surtar, mas se você der
[00:20:06] também, então assim
[00:20:07] o assunto é pedagógico, né?
[00:20:10] a economia da atenção
[00:20:11] é só isso, o resultado é
[00:20:13] a irritabilidade, é muito difícil
[00:20:16] lidar com uma criança que tá o tempo inteiro irritada
[00:20:18] bora que tem benefício
[00:20:20] também, porque se
[00:20:21] não fosse bom, não tinha ninguém usando, né
[00:20:24] pessoal? Vamos falar aí um pouquinho
[00:20:26] o que que é legal nesse momento
[00:20:28] porque a gente tá falando de redes sociais
[00:20:29] então a gente tá falando, jogos como
[00:20:32] Roblox também é rede social
[00:20:33] WhatsApp também é rede social
[00:20:36] Youtube é rede social
[00:20:38] qualquer plataforma
[00:20:39] onde você segue alguém, alguém te segue
[00:20:41] você comenta, o outro comenta, o interage
[00:20:44] com o outro, é rede social
[00:20:46] o que que tem de benefício nisso?
[00:20:48] a gente precisa dividir esses benefícios
[00:20:50] pra criança, pra adolescente e pra adulto
[00:20:52] pra adulto tem muito benefício
[00:20:53] as pessoas trocam informações, aprendem
[00:20:56] coisas, tem um negócio, hoje se você não tem
[00:20:58] teu negócio online, você tá frito, né
[00:21:00] até pessoa namora por ali, conhece gente
[00:21:02] segue alguém, aprende
[00:21:04] tem um tipo de benefício
[00:21:05] pro adolescente, até fiz um projeto
[00:21:08] com a Lana recentemente
[00:21:09] adolescentes que iam representar o sul global
[00:21:12] na COP, de vários países
[00:21:13] inclusive, não apenas brasileiros, né
[00:21:15] tinha uma de Madagascar, tinha da Colômbia
[00:21:18] enfim, eles
[00:21:20] são ativistas e usam as redes
[00:21:21] pra causas sociais, então
[00:21:24] a internet é importante pra esses
[00:21:26] ativistas adolescentes, pra que eles consigam
[00:21:28] mobilizar a sua comunidade, a sua cidade
[00:21:30] o seu país, pra que eles possam
[00:21:32] levar essas mensagens adiante
[00:21:34] sem rede social seria muito difícil
[00:21:35] onde é que ele vai falar, né?
[00:21:37] a gente trouxe aqui as meninas que organizaram
[00:21:40] o coletivo que organizou
[00:21:42] legislação municipal
[00:21:44] pra dar acesso a
[00:21:46] absorvente pra meninas
[00:21:47] então é um projeto que dá certo
[00:21:50] em uma cidade e elas conseguem em rede
[00:21:52] montar o caminho e apoiar
[00:21:54] umas às outras e de repente um monte de
[00:21:56] cidades conseguiu aprovar o mesmo projeto de lei
[00:21:57] então assim, realmente eles usam
[00:22:00] tá funcionando
[00:22:01] pro ativismo, pra causas sociais é muito legal
[00:22:03] porque eles conseguem encontrar alguém
[00:22:04] pra encontrar alguém, tô falando de adolescente, tá gente?
[00:22:07] pra encontrar alguém
[00:22:08] adolescente é a partir de que idade?
[00:22:10] a gente considera no Brasil a partir de 12 anos já é adolescente
[00:22:13] porém, não é recomendado
[00:22:16] rede social antes dos 14
[00:22:18] o TikTok tá 14
[00:22:19] e o Instagram
[00:22:21] 16
[00:22:22] e esses que eu tô falando, eles têm mais de 16
[00:22:26] que são esses ativistas
[00:22:27] mas eventualmente um de 12 ele pode achar uma comunidade
[00:22:30] que gosta daquele desenho que ele gosta
[00:22:32] ele pode achar coisas
[00:22:33] a gente não recomenda, a gente recomenda sempre que você
[00:22:36] siga a orientação, tem um motivo
[00:22:38] pra ter uma orientação de idade ali
[00:22:39] mas pra mim é
[00:22:40] jogar com os amigos é muito legal
[00:22:43] o que muitas mães fazem pra evitar o discórdia?
[00:22:46] porque eles querem jogar e querem conversar
[00:22:48] ao mesmo tempo, então elas fazem uma chamada de
[00:22:49] WhatsApp com os coleguinhas da escola enquanto elas jogam
[00:22:52] ou eles jogam, eles estão
[00:22:53] conversando mas só com quem eles conhecem, jogar com
[00:22:56] amigos é muito legal, poxa, o seu amigo
[00:22:57] mudou pra outra cidade, né
[00:22:59] ter contato com parentes que estão
[00:23:01] longe, você pode fazer chamada
[00:23:04] de vídeo, você pode saber o que tá acontecendo
[00:23:06] você pode mostrar o que você tá fazendo
[00:23:07] então tem muita coisa legal nesse sentido
[00:23:09] não sei, o que mais você acha legal?
[00:23:11] Tudo isso, a internet ela potencializa
[00:23:14] essas várias outras possibilidades
[00:23:16] de contato com pessoas, tudo isso
[00:23:17] 100%, eu acho que o grande desafio é
[00:23:20] como a gente faz esse equilíbrio
[00:23:21] entre a oportunidade que
[00:23:24] realmente vira benefício e como a gente
[00:23:26] gosta dos perigos virando
[00:23:27] a gente tá errando
[00:23:29] tem um negócio que você falou no início que eu acho
[00:23:31] que a gente tá pecando aqui, a gente tá falando de
[00:23:33] redes sociais, a gente não tá falando de internet
[00:23:35] exatamente, e aí eu acho que é uma metáfora de um
[00:23:37] parque de diversões, por exemplo, ou de uma cidade
[00:23:39] mesmo, assim, a internet
[00:23:41] é tão perigosa quanto uma cidade é perigosa
[00:23:43] pra criança, mas ao mesmo tempo é na cidade onde
[00:23:45] a gente vive, hoje a internet, o digital faz parte
[00:23:48] tá diluído na infraestrutura
[00:23:49] do cotidiano, e de novo, é fato
[00:23:51] a gente tem muitos problemas
[00:23:53] concentrados e danos nas redes
[00:23:55] sociais, ou se a gente pega mesmo
[00:23:57] parte de diversões, tem parte de diversão
[00:23:59] eu lembro na época do Playcenter aqui, quando era
[00:24:01] criança em São Paulo, não é pra todas as idades
[00:24:03] você tem brinquedo que é 1,20m
[00:24:05] você tem brinquedo que tem que ter 50kg
[00:24:07] você tem dinâmicas
[00:24:09] específicas pra ter os benefícios
[00:24:12] então, todos os benefícios
[00:24:13] existem, mas eles não são pra todas as idades
[00:24:15] como o Shelly falou. Mas e o que que tem além da rede social?
[00:24:17] Acho que essa é a grande pergunta. Tem muita coisa
[00:24:19] porque os pais
[00:24:21] só conhecem a rede social. Primeiro, os streamings não são
[00:24:23] rede social necessariamente, os canais
[00:24:25] para a gente mostrar o que é que pode ter acesso
[00:24:27] e tem muito joguinho, por exemplo, que é offline
[00:24:29] você não tem que estar online pra jogar aquele joguinho
[00:24:31] não quer dizer que ele é bom por causa disso
[00:24:33] mas você tem muitos joguinhos
[00:24:35] offline, então eu sempre recomendo, poxa
[00:24:37] até não ter idade pra estar online, você pode baixar um joguinho
[00:24:39] que a criança joga offline
[00:24:41] e monitorar isso e ver que joguinho é
[00:24:43] o meu sobrinho de 5, gente, eu falo
[00:24:45] mas tem sobrinho de 5 anos que ama uma tela
[00:24:47] e ele joga um joguinho de construir uma cidadezinha
[00:24:50] e ele constrói
[00:24:51] no mundo presencial, ele tem madeirinhas
[00:24:53] ele constrói uma fazenda, e daí tem os porquinhos
[00:24:55] e aí tem as vacas, e daí tem não sei o que
[00:24:57] e ele também constrói na digital, com a mãe do lado
[00:24:59] vendo ele construir lá no tablet
[00:25:01] aquele joguinho, offline, não tem
[00:25:03] nada, sabe? Tem uma questão de redes
[00:25:05] sociais pra minorias que é bastante
[00:25:07] importante pra adolescente
[00:25:09] se esse adolescente é uma pessoa
[00:25:11] trans, se é uma
[00:25:13] pessoa gay, se tem alguma
[00:25:15] deficiência, e ele tá
[00:25:17] seguindo pessoas e vendo, caramba
[00:25:19] essa pessoa, ela tá bem
[00:25:21] ela tá trabalhando
[00:25:24] ela tem família
[00:25:25] tem uma parte
[00:25:27] que aconteceu muito do lado do início
[00:25:29] dessas pessoas se encontrarem
[00:25:31] o adolescente que tem aquela perspectiva
[00:25:33] de que, se não for agora, não vai ser nunca
[00:25:35] mais, esse imediatismo
[00:25:37] essa impulsividade
[00:25:38] quando ele vê pessoas que enfrentam questões
[00:25:41] parecidas com a dele
[00:25:43] você vê uma pessoa negra em posição
[00:25:45] de poder, você vê uma pessoa gay
[00:25:47] em posição de poder, você fala, putz
[00:25:49] dá pra fazer, peraí
[00:25:51] tem um tempo, essa parte
[00:25:53] de inspiração na cidade é tão
[00:25:55] importante, então
[00:25:57] isso é legal, tem pessoas legais
[00:25:59] que dá pra seguir e que vão
[00:26:01] apresentar conteúdos que vão
[00:26:03] trazer muito poder pra
[00:26:05] esse adolescente que hoje
[00:26:07] se sente tão desempoderado
[00:26:09] e não tem poder nenhum na vida
[00:26:10] às vezes ele não tem informação em casa
[00:26:13] sabe que ninguém vai aceitar, tá morrendo de medo
[00:26:16] se for LGBT
[00:26:17] principalmente, tá com medo
[00:26:19] não sabe o que fazer, ao mesmo tempo
[00:26:21] são as comunidades mais
[00:26:23] vulneráveis online também, porque essas vulnerabilidades
[00:26:25] se somam, então são as crianças e adolescentes
[00:26:27] racializados, não necessariamente somente
[00:26:29] os negros, principalmente, claro, porque a gente
[00:26:31] tá num país extremamente racista
[00:26:32] mas uma criança venezuelana
[00:26:35] na turma de brasileiro, uma criança
[00:26:37] que tem etnicamente
[00:26:40] um fenótipo
[00:26:41] diferente daquela turma, então as crianças
[00:26:43] racializadas são as que mais vão sofrer na internet
[00:26:45] as crianças
[00:26:47] neurodivergentes, e geralmente
[00:26:49] são as que mais usam, eu passo o maior pano pra mães
[00:26:51] que têm
[00:26:53] crianças atípicas, porque
[00:26:55] eles muitas vezes só conseguem amigos ali
[00:26:57] ou crianças que estão internadas
[00:26:59] em hospitais, elas ficam com a internet
[00:27:01] pra se relacionar com o mundo
[00:27:02] crianças PCD
[00:27:05] e crianças e adolescentes, tá gente
[00:27:07] só falam criança, mas é pra englobar
[00:27:08] e LGBTQIA, penimais
[00:27:10] e eu sempre falo, não adianta dizer que não tem criança
[00:27:13] gay, gente, porque gay não nasceu em árvore
[00:27:15] ele foi criança, quando ele tinha 12 anos, às vezes o menino
[00:27:17] queria beijar uma menina, a menina queria beijar uma menina
[00:27:19] e se ele sente que ele não pode falar em casa
[00:27:21] ou na comunidade dele, porque
[00:27:23] por exemplo, os pais são muito religiosos
[00:27:25] não que todos os pais religiosos não acolham
[00:27:27] seus filhos, né
[00:27:27] ele vai procurar na internet, e aí na internet
[00:27:30] ele pode achar inspiração, mas ele também pode achar
[00:27:32] predadores especializados
[00:27:35] e fazer isso
[00:27:37] tipo, em ter grupos que se desfaixam
[00:27:39] de grupos de apoio pra poder aliciar
[00:27:41] essas crianças
[00:27:42] agora, tem só um ponto, totalmente de acordo
[00:27:44] acho que é importante diferenciar
[00:27:46] o que é o modelo de negócio
[00:27:49] das redes sociais que a gente tem hoje
[00:27:51] porque rede social já foi
[00:27:53] diferente, a gente lembrou
[00:27:53] e assim, tem uma coisa
[00:27:57] que é o modelo de negócio
[00:27:58] que hoje é baseado na economia da atenção
[00:28:00] de explorar a vulnerabilidade psicológica
[00:28:02] e de pouquíssima preocupação se é criança ou se não é
[00:28:05] porque enquanto tá gerando dividendos
[00:28:06] tá gerando bilhões de lucros
[00:28:08] há uma falta de ética empresarial
[00:28:10] no modelo de negócio, mas o modelo
[00:28:12] rede social digital, que lembrando
[00:28:14] que rede social sempre existiu, né
[00:28:16] a vida em sociedade é
[00:28:18] rede social, a gente tem amigos, tem primos
[00:28:20] amigos perto, amigos longe, é a versão
[00:28:23] digital disso, o problema não é
[00:28:25] a existência de redes sociais
[00:28:27] digitais, mas é o modelo de negócio
[00:28:29] dessas redes atuais, é que é bem
[00:28:31] problemático, e qual é o
[00:28:32] tipo de contato, conteúdo
[00:28:35] contrato e conduta
[00:28:37] que a cada idade
[00:28:39] você vai ter, a rede social
[00:28:40] offline de uma criança de 7 anos
[00:28:43] é uma rede social completamente
[00:28:44] acompanhada, criança de 7 anos
[00:28:47] meu filho de 6 anos já tem uma rede social
[00:28:48] tem a melhor amiga, tem um amigo mais ou menos
[00:28:50] tem o que ele não quer ver, tem o do prédio que ele tem que ver
[00:28:53] mas não queria ver, ele tem
[00:28:55] uma rede social, e aí, uns 7 anos
[00:28:57] a gente acompanha, tem sempre alguém perto
[00:28:59] ele não vai sozinho ainda
[00:29:00] no digital poderia ser da mesma forma
[00:29:02] então o que a gente perdeu, o bonde, foi que a gente
[00:29:05] tá indo numa coisa tudo ou nada, né
[00:29:06] primeiro achar que rede social tem que
[00:29:09] ser sinônimo de Instagram, TikTok
[00:29:11] e Snap, rede social
[00:29:13] digital se tornou isso
[00:29:14] tem outras, tem Bull Sky
[00:29:16] tem software livre, tem outros tipos de comunidade
[00:29:19] com outros interesses que não são
[00:29:21] nesse modelo de negócio, pra lembrar
[00:29:23] é possível, esse é o poder da tecnologia
[00:29:25] uma outra oportunidade, a gente pode
[00:29:27] inventar dezenas de milhares de
[00:29:29] possibilidades de rede social digital
[00:29:30] estamos hoje um pouco que presos
[00:29:33] aqui nessa armadilha de duas
[00:29:35] três globais que dominam
[00:29:37] a nossa atenção completa, mas a
[00:29:39] internet é tão incrível que ela permite a gente criar
[00:29:41] outras, né, e assim, só que é um modelo
[00:29:43] de negócio com uma estrutura de poder
[00:29:45] que torna a gente, a gente tá
[00:29:47] menosprezando o poder
[00:29:49] de oportunidade, de benefício da internet
[00:29:51] porque a gente tá
[00:29:53] tornando cada vez mais só consumidor passivo
[00:29:55] de tecnologia, e o mais legal de tudo
[00:29:57] da internet, eu sou apaixonado por internet
[00:29:59] é essa possibilidade de você criar
[00:30:00] quando a internet virou 2.0, depois
[00:30:03] 3.0, é essa possibilidade de qualquer
[00:30:05] um criar, é o
[00:30:06] adolescente
[00:30:08] que tá numa cidade
[00:30:10] pequenininha, extremamente violenta e homofóbica
[00:30:13] e transfóbica, que ele consegue ter ali
[00:30:15] um lampejo de liberdade
[00:30:17] de contato com os pares, de
[00:30:18] acessar o mundo, isso é
[00:30:20] revolucionário, de criar outros espaços
[00:30:23] de encontro, só que a gente tá um pouco nessa
[00:30:25] armadilha de achar que
[00:30:26] sempre foi assim, não, não sempre
[00:30:29] foi esse modelo de negócio
[00:30:30] mas ó, você
[00:30:32] a disrupção aí do negócio
[00:30:35] você abriu o programa falando
[00:30:37] do equilíbrio
[00:30:38] entre o risco
[00:30:40] não virar dano e
[00:30:42] a oportunidade virar um benefício
[00:30:45] como é que a gente consegue
[00:30:47] me falam alguns sinais
[00:30:48] que a gente consegue ver nas crianças
[00:30:51] de que tem um desequilíbrio
[00:30:53] né, então eu como mãe
[00:30:54] vou olhar pra que sinais do meu filho
[00:30:56] pra dizer, acho que temos que rever essa
[00:30:58] relação com as redes sociais
[00:31:01] com a vida digital dele
[00:31:02] perfeito, tem alguns que a gente acabou falando aqui
[00:31:04] rápido, né, a questão do sono mesmo que você falou
[00:31:06] uma criança que tenha, mesmo que seja
[00:31:08] um adolescente, que dorme
[00:31:11] com o celular, vendo notícias e
[00:31:13] coisas, notificações no celular
[00:31:15] acorda com o celular
[00:31:16] do meio da madrugada, vai fazer um xixi, pega
[00:31:19] o celular, esse dano
[00:31:20] no próprio período do
[00:31:23] sono, ele tem um impacto que não é
[00:31:25] tão visível diretamente, né, mas como você mesmo
[00:31:27] mencionou, há pesquisas, o prejuízo
[00:31:29] na qualidade do sono de uma
[00:31:30] criança ou de um adolescente muda
[00:31:33] o tipo de desenvolvimento
[00:31:35] dos hormônios, muda a capacidade
[00:31:37] dele de concentração, de atenção
[00:31:38] os hormônios do crescimento mudam um monte de coisa
[00:31:40] tem evidência, e não é tão visível
[00:31:42] mas é um dano que
[00:31:44] vai colher lá seus prejuízos
[00:31:47] logo na frente, né, o acesso à pornografia
[00:31:49] a gente já falou, você não tá vendo ali
[00:31:50] mas ele tá no whatsapp recebendo conteúdo
[00:31:52] de pornografia, mesmo que ele não queira
[00:31:54] são os gifs e
[00:31:55] fazenda de pênis, eu queria, o meu sobrinho
[00:31:58] uma vez, com oito anos, tinha lá um gif
[00:32:01] que era uma fazenda de pênis
[00:32:02] pulando, dando cambalhota
[00:32:04] e não eram um, eram dezenas, né
[00:32:06] então no whatsapp, que você usa pra comunicar
[00:32:08] filho, tô indo te pegar aí, tô passando em
[00:32:10] dez minutos, vai pro portão B
[00:32:12] é a mesma plataforma que tem
[00:32:14] benefícios, mas que ela pode ter, então
[00:32:16] e aí de novo, o ECA digital
[00:32:18] é você ter critérios
[00:32:20] e parâmetros, e agora a gente tem que celebrar
[00:32:22] muito e fazer valer, andar com ele
[00:32:24] embaixo do braço, assim, plataforma
[00:32:26] seja de serviços digitais
[00:32:28] elas tem que ter ferramentas mais
[00:32:30] calibradas, pra que a gente possa dizer
[00:32:32] olha, meu filho tem sete anos
[00:32:34] ele quer jogar esse jogo, se esse jogo
[00:32:36] também é usado por quem tem trinta, trinta e cinco
[00:32:38] dezoito, a experiência do meu
[00:32:40] filho de sete, tem que ser uma experiência
[00:32:42] calibrada pra sete
[00:32:44] hoje, tá no tudo ou nada, e não é justo
[00:32:46] com as famílias serem só
[00:32:48] as mães, né, sempre as responsáveis
[00:32:50] o ECA digital vem pra estabelecer obrigações
[00:32:52] você é uma empresa de jogos, você quer oferecer
[00:32:54] jogo que pode ser jogado pra uma criança de sete, oito
[00:32:56] ou nove, você tem que ter ferramentas
[00:32:58] que calibrem a experiência
[00:33:00] pra que seja apropriado
[00:33:02] a classificação indicativa, que a gente já tem
[00:33:04] e pra que dê poder às famílias
[00:33:06] de poderem escolher ali, calibrar
[00:33:08] essa experiência, pra dizer assim, olha, eu quero
[00:33:10] ter os benefícios desse jogo
[00:33:12] divertido, lazer, eventualmente
[00:33:14] eu quero que meu filho jogue, só que eu quero
[00:33:16] que ele jogue com o primo, com o Zezinho
[00:33:18] o Márcio e o Júlio
[00:33:20] da sala dele, mas com o Gustavo e com
[00:33:22] o Pedro, eu não quero que ele jogue, eu escolho
[00:33:24] com quem meu filho vai
[00:33:26] ter a oportunidade de ter os benefícios
[00:33:28] de jogar online. O problema de um Roblox, por exemplo
[00:33:30] é que você não consegue dizer assim, ó, meu filho só vai poder jogar
[00:33:32] esses aqui, você não consegue
[00:33:34] fazer uma lista ideal. É tipo o YouTube
[00:33:36] que a gente não consegue falar, olha, criança
[00:33:38] não tem que ver shorts, porque é esse conteúdo
[00:33:40] que dá o prejuízo da
[00:33:42] atenção, majoritariamente
[00:33:44] em conteúdos curtos, então
[00:33:46] ele pode acessar YouTube, mas não
[00:33:48] pode acessar shorts, por exemplo, o que eu
[00:33:50] queria? Que tivesse
[00:33:52] transparência de algoritmo
[00:33:53] pra pai ver que assim, olha, o meu filho não
[00:33:55] é pra recomendar vídeos
[00:33:58] assim, assado, tipo, que tipos de conteúdo
[00:34:00] não pode ser recomendado pro meu filho?
[00:34:02] Isso hoje não tem, mas…
[00:34:03] Teremos com o ECA Digital. Teremos? Teremos, eu não sei o nome
[00:34:05] do artigo aqui, mas posso pensar aqui um pouquinho.
[00:34:08] Tem um artigo, inclusive, que diz que
[00:34:09] é proibido fazer
[00:34:11] design manipulativo, que é
[00:34:13] usar técnicas, que existem técnicas
[00:34:15] muito consolidadas, de explorar
[00:34:18] a vulnerabilidade psicológica. Ah, gente, quem nunca, né?
[00:34:19] Você pega pra ver a hora, passou 40 minutos
[00:34:21] vendo inutilidade.
[00:34:22] Você nem lembra o que você viu. Não, e você gosta
[00:34:24] de… As pessoas amam o TikTok, por exemplo,
[00:34:25] porque quando você tá procurando, eu sempre dou assim, reforma
[00:34:27] de banheiro, vai aparecer reforma de banheiro, você fica
[00:34:29] ó, você tem ideias. Por quê? Porque eles sabem
[00:34:32] que é o que você quer. Isso
[00:34:33] não vai dar pra fazer com criança. Entender
[00:34:35] o que ela quer e ficar oferecendo
[00:34:37] e oferecer anúncio. Mas pode proibir isso?
[00:34:39] O ECA proíbe isso? O ECA exige
[00:34:41] que tenha ferramentas pra que
[00:34:43] as famílias tenham a opção de configurar
[00:34:45] o tipo de recomendação do conteúdo
[00:34:47] ao seu diálogo. Mas já muda o mundo, né? Não, muda o mundo.
[00:34:50] Esse é o que eu tô dizendo, é como o nosso novo
[00:34:52] consumidor pro digital e pra crianças.
[00:34:55] É uma questão que é pra
[00:34:56] todas as famílias, pra todo mundo e vai ser
[00:34:58] bom pros adultos também, né? Porque a gente tem mais
[00:35:00] poder de poder escolher essa
[00:35:02] experiência. Eu gosto de um exemplo o seguinte,
[00:35:04] quantos segundos você gasta
[00:35:06] pra fazer uma compra num site de compra online
[00:35:08] hoje? Dois cliques,
[00:35:10] você pensou no negócio, apareceu e com
[00:35:12] 12 horas tá na sua casa. Em São Paulo
[00:35:14] aqui, talvez com 4 horas tá na sua casa.
[00:35:16] Agora, na mesma plataforma, tenta
[00:35:18] apagar a conta. Tenta na mesma
[00:35:20] plataforma ou uma plataforma
[00:35:21] de rede social, configurar
[00:35:24] as ferramentas pra o seu filho, pra
[00:35:26] configurar as ferramentas de controle parental.
[00:35:28] Isso chama design. O design
[00:35:30] pode ser, e tem tecnologia, poderia
[00:35:32] ser muito mais fácil, mas há uma
[00:35:34] intenção no modelo de negócio de maximizar
[00:35:36] o tempo a qualquer custo.
[00:35:38] Só que a gente tem um limite aqui do ECA Digital agora.
[00:35:40] O custo não pode ser saúde mental da criança,
[00:35:43] o custo não pode ser o desenvolvimento da criança,
[00:35:44] o custo não pode ser onerar
[00:35:46] as famílias, só elas se virem aí.
[00:35:48] Vou tentar me virar, já tentou usar as ferramentas
[00:35:50] disponíveis no mercado hoje?
[00:35:51] Cai num site em inglês, você cai num negócio…
[00:35:54] E pensa, um país com 40% da população
[00:35:56] que é um alfabeto funcional,
[00:35:58] é uma piada
[00:36:00] de mau gosto, é uma ofensa.
[00:36:02] Essa simetria de poder muda
[00:36:04] agora com o ECA Digital a partir de março,
[00:36:06] porque essas empresas têm obrigatoriedade
[00:36:08] de oferecer essas ferramentas.
[00:36:10] Claro, não vai ser do dia pra noite, mas por isso que
[00:36:12] todos nós aqui, um clamando
[00:36:14] pra que a gente leve a sério, né?
[00:36:16] A gente tem uma classificação indicativa no Brasil boa,
[00:36:18] que a família, a gente tava dizendo aqui em off, né?
[00:36:20] Tem uma classificação livre de um
[00:36:21] desenho. Teoricamente, meu filho
[00:36:23] de 6 anos pode ver. Mas se eu assistir
[00:36:25] aquele desenho e, pô, não curti, não é legal,
[00:36:27] tem uma vibe estranha, não tá legal com os nossos valores,
[00:36:30] eu vou guiá-lo, não vamos
[00:36:32] assistir esse. Bom, pra internet
[00:36:33] também vale a classificação indicativa agora,
[00:36:36] lá no ECA Digital.
[00:36:36] Eu quero só voltar, porque vocês
[00:36:38] pediram assim, quais são as… O que que um pai
[00:36:40] pode observar pra saber que tem uma questão?
[00:36:42] Você falou do sono. Eu queria só trazer
[00:36:44] mais algumas coisas que são muito comuns.
[00:36:46] O adolescente até a criança esconder
[00:36:48] o celular quando você entra.
[00:36:50] Mais de uma mãe
[00:36:51] me escreveu, crianças de 8 anos,
[00:36:54] 7 anos, baixando esses aplicativos de
[00:36:55] conversa com o IA.
[00:36:57] Character AI, Poly AI,
[00:37:00] você fala com o personagem. Então, você pode escolher
[00:37:01] falar com o Neymar, com a Anitta, com o
[00:37:03] personagem, com o Blue, com o personagem do
[00:37:05] desenho favorito. Só que todos esses
[00:37:08] aplicativos não são recomendados pra
[00:37:09] criança e eles vão levar a conversa pro
[00:37:11] sensual, pro erótico.
[00:37:14] Então, esse menino, o que que aconteceu? Ele baixou
[00:37:16] o celular. Quando ele… Ela entrou… Ele fez
[00:37:18] isso aqui tão rápido, ela me escreveu o relato, né?
[00:37:20] Aí, ela foi olhar o que que era.
[00:37:22] Ele tava conversando com o personagem, tava uma conversa
[00:37:24] super assim, de vamos namorar, eu beijo o seu pescoço.
[00:37:26] É um negócio super…
[00:37:28] Aí, ela perguntou, né? Respirou,
[00:37:30] porque isso eu falo também pros pais. Cara de alface,
[00:37:32] meus amigos. Cara de alface. Ela respirou.
[00:37:34] Ah, meu filho, que aplicativo é esse?
[00:37:36] Não, na escola falaram pra baixar. E, geralmente,
[00:37:38] assim, um vai falando pro outro, todo mundo bate.
[00:37:39] Ah, não procure o que que é Xvideos, também.
[00:37:42] Aí, ele vai procurar o que que é Xvideos,
[00:37:44] né? Que é site pornográfico e
[00:37:46] acessa. Então, comportamento
[00:37:48] é comunicação.
[00:37:50] O senhor escondeu o celular. Começou a acessar muito
[00:37:52] mais que o normal. Toda hora que quer pegar o celular e não
[00:37:54] era assim, talvez esteja sofrendo um cyberbullying
[00:37:56] e quer ver o que que os outros estão comentando, se alguém
[00:37:58] tá falando dele ou dela. Ou
[00:38:00] gostava de mexer e agora não quer.
[00:38:03] Essa atenção
[00:38:04] fina ao comportamento da criança.
[00:38:06] Amava ir pra escola, de repente não quer mais ir pra escola,
[00:38:08] porque essas coisas estão conectadas. O cyberbullying e o
[00:38:10] bullying presencial, geralmente, andam juntos.
[00:38:12] O que as crianças não fazem no presencial, na escola,
[00:38:14] elas fazem no… E, geralmente, são os colegas
[00:38:16] da escola, fazendo o cyberbullying.
[00:38:18] O cyberbullying entre 10 e 14
[00:38:20] anos é muito comum. A primeira condenação que a gente
[00:38:22] teve em 2024 foi uma criança,
[00:38:24] uma menina, a família de uma menina de 10 anos
[00:38:26] que praticava o cyberbullying
[00:38:28] com a outra menina da sala
[00:38:30] dela. Ou seja, eles fazem um grupinho no WhatsApp
[00:38:32] que os pais não sabem,
[00:38:34] os professores não sabem. E nesse grupinho
[00:38:36] eles conversam com o outro, geralmente,
[00:38:38] à noite. Então, tem coisas
[00:38:40] pra prevenir, mas é… Usou
[00:38:42] moletom de dia, roupa
[00:38:44] comprida num dia quente,
[00:38:46] dá muita desculpa sobre
[00:38:48] comer também. Ah, não, eu já comi,
[00:38:50] já jantei, já almocei. E você não vê
[00:38:52] aquela criatura comendo. Ela pode
[00:38:54] estar ali com bulimia, anorexia.
[00:38:56] Então, são casos que eu vejo os mais comuns,
[00:38:58] tá? Tô falando dos mais comuns. Então, sempre…
[00:39:00] Nossa, teve um
[00:39:02] pai que me escreveu, ele falou, eu fiquei
[00:39:04] chocado porque eu não… Sempre a minha filha dizia, não, a gente
[00:39:06] almoçou. Ele não almoçava sempre em casa,
[00:39:08] ele e a esposa, e a família nem sempre
[00:39:10] conseguiam almoçar junto. E ela sempre, não, já almocei,
[00:39:12] já jantei. Não, já isso,
[00:39:14] já aquilo, até que um dia a faxineira
[00:39:16] da casa disse, olha, eu vi,
[00:39:18] que ela vomitou no banheiro, tinha um cheiro de vômito,
[00:39:20] eles foram pesquisar, ela tava, né,
[00:39:22] sendo influenciada por redes sociais. Então,
[00:39:24] comportamento é comunicação, tá
[00:39:26] comunicando alguma coisa. Mudou, mudou,
[00:39:28] você começa a investigar.
[00:39:30] Queria anexar isso,
[00:39:32] chorar, passar a chorar muito.
[00:39:34] Porque a irritabilidade
[00:39:36] faz a criança chorar.
[00:39:38] Então, assim, não é
[00:39:40] chorar. Agora, todo dia
[00:39:42] tem um drama, todo dia tem um
[00:39:44] terror noturno também. Com coisas que
[00:39:46] antes passava bem.
[00:39:48] E agora tá irritando a ponto de chorar.
[00:39:51] Uma outra coisa que
[00:39:52] eu sempre mantenho
[00:39:54] em observação é
[00:39:55] o excesso de competitividade.
[00:39:58] Porque os jogos estimulam
[00:40:00] muito isso. Esses youtubers
[00:40:02] gamers, onde eles ficam assistindo
[00:40:04] o que que tá jogando,
[00:40:06] a criança vira competitiva para
[00:40:08] tudo. Pra beber água, ela tá competindo
[00:40:10] com o irmão, tá competindo
[00:40:12] com o cachorro, que chega no lugar
[00:40:14] primeiro. E uma outra
[00:40:16] coisa que eu acho
[00:40:17] muito sutil e muito difícil
[00:40:20] é a sensação de hipervigilância.
[00:40:23] Aquela criança
[00:40:24] passa a se preocupar com a opinião dos
[00:40:26] outros e achar que os outros tá
[00:40:28] olhando o cabelo dela,
[00:40:30] olhando a roupa,
[00:40:32] olhando a nota, olhando a capa da
[00:40:34] agenda. Mas vamos falar
[00:40:36] da capa da minha agenda.
[00:40:38] De onde você tirou isso?
[00:40:39] Se ela começa a pedir muitos produtos,
[00:40:42] isso acontece também com o consumismo.
[00:40:44] Teve uma amiga minha que falou assim,
[00:40:46] eu parei com o YouTube pra minha filha,
[00:40:47] quando ela começou, ela me dizia
[00:40:49] eu quero a boneca tal. Daí eu falei, filha, mas você tem bonecas, né?
[00:40:52] Ela falou, não, mas ela disse que
[00:40:53] essa, eu quero alguma coisa. Um dia ela disse.
[00:40:56] Porque tem no tempo todo.
[00:40:57] É, uma coisa, só porque a gente
[00:40:59] tá falando de Roblox,
[00:41:00] pra mim o sinal de alerta
[00:41:03] foi, é…
[00:41:05] Começou a usar linguagem de
[00:41:07] a minha filha, 11 anos,
[00:41:09] não fez 12 ainda, começou a
[00:41:11] usar linguagem de blogueira
[00:41:13] no cotidiano. Da onde tirou isso?
[00:41:15] Se não tem rede social, se não pode ver?
[00:41:17] Ué, aí começou,
[00:41:19] queria fazer skin care.
[00:41:21] Que skin care?
[00:41:22] Aí queria produtos, e produtos,
[00:41:25] eu preciso disso, preciso da…
[00:41:26] Da onde? E aí eu descobri
[00:41:29] que o WhatsApp é rede social
[00:41:31] pra eles, porque como eles não podem ter rede social,
[00:41:34] eles usam o WhatsApp,
[00:41:35] ali tem canais, canais de daily.
[00:41:38] Eu jamais vi,
[00:41:39] nunca vi Arrume-se Comigo,
[00:41:41] nunca, esses conteúdos nunca chegaram pra mim.
[00:41:43] Entendeu?
[00:41:43] E aí, ver criança
[00:41:45] de 11 anos,
[00:41:47] e assim, vamos lá, levei
[00:41:49] na médica, ela explicou porque que não
[00:41:51] podia, pipipi, popopó.
[00:41:54] Essa sensação de que, então,
[00:41:55] eu vou ser a única que não tem,
[00:41:57] eu vou ser a única.
[00:42:00] Marcaram, as amigas
[00:42:01] iam no shopping, o programa
[00:42:03] era ir na Sephora.
[00:42:05] 11 fucking anos!
[00:42:07] Não, cara!
[00:42:09] O programa não pode ser ir na Sephora.
[00:42:11] Aí, vamos conversar com as mães, porque conhece
[00:42:13] as mães há muito tempo.
[00:42:15] Não te conheço mais? Você tá doida?
[00:42:17] O filho nasceu? Aí, vai todo mundo conversar,
[00:42:19] tá todo mundo desse refém do
[00:42:21] só eu não vou.
[00:42:22] Não existe, é isso aí.
[00:42:24] Gente, eu tive filho só pra falar, você não é todo mundo.
[00:42:27] Só pra isso que eu tive filho.
[00:42:29] A hora que fala, mas todo mundo tem,
[00:42:31] eu falo, você não é todo mundo.
[00:42:33] Porque não tem.
[00:42:35] Os outros 50 em volta
[00:42:37] falam, todo mundo tem.
[00:42:40] Isso é muito cruel, porque,
[00:42:41] de novo, a gente insiste,
[00:42:42] e é uma psicologia,
[00:42:44] como psicólogo, me surpreende, porque é um
[00:42:46] refinamento,
[00:42:47] de leitura psicológica, do que a gente chama
[00:42:49] do perfilamento. As empresas
[00:42:51] têm, milimetricamente, as suas experiências.
[00:42:54] O microsegundo que a gente demora
[00:42:55] nesse vídeo, um pouco a mais do que o outro,
[00:42:58] até a intensidade do nosso
[00:42:59] dedo na tela do celular. Isso é
[00:43:01] captura de dado emocional. Se você
[00:43:03] tá ali nervoso, você tende a apertar mais.
[00:43:05] É um nível de refinamento,
[00:43:07] de capacidade
[00:43:09] de entender os sentimentos daquela pessoa.
[00:43:12] E lá na hora, a gente fez um denúncia, inclusive,
[00:43:13] que tem a ver com essa do Sephora e outras, assim,
[00:43:15] tem um limite da empresa também, né?
[00:43:17] Então, é perigoso, a gente sabe, não é, assim,
[00:43:19] tudo culpa das empresas. Mas as empresas que
[00:43:21] oferecem, nessa capacidade de entendimento
[00:43:24] psicológico dos usuários,
[00:43:26] casos que a gente denunciou, por exemplo,
[00:43:28] de um anúncio dentro do Instagram
[00:43:29] de uma criança anunciando
[00:43:31] bets pra outras crianças jogarem,
[00:43:33] dando cupom de desconto.
[00:43:35] Já que a gente falou do ruim,
[00:43:37] eu achei linda a campanha
[00:43:39] do Boticário, mostrando
[00:43:41] dados de como as crianças
[00:43:43] de 12 anos são alvo de propaganda
[00:43:45] de produto de beleza,
[00:43:47] e falando, o Boticário
[00:43:49] se compromete a não
[00:43:51] colocar como target criança.
[00:43:54] É lei, inclusive, né? É publicidade
[00:43:55] infantil, a gente trabalha há muitos anos contra isso.
[00:43:58] A gente supera o bom senso, mas ele não existe, né?
[00:44:00] E o Ecrã Digital, de novo, ele diz
[00:44:01] com todas as letras, né? É proibido
[00:44:03] o perfilamento de crianças e
[00:44:05] adolescentes pra fins de publicidade,
[00:44:07] porque isso é muito cruel.
[00:44:09] Uma coisa é um consumidor, olha, olha esse carro,
[00:44:11] olha… A gente não tá conseguindo resistir. É isso,
[00:44:13] e é muito cruel. Você exige isso de uma criança.
[00:44:15] Então, assim, a ética não…
[00:44:17] Por isso que a gente volta pra primeira
[00:44:19] colocação que você fez na introdução do programa,
[00:44:21] que é proibir rede social
[00:44:23] pra menor de 16 anos faz sentido? Porque é
[00:44:25] isso. Se a gente não consegue resistir,
[00:44:27] se a gente acaba caindo na propaganda,
[00:44:30] se a gente é encantado por um
[00:44:31] anúncio, como é que eles vão resistir?
[00:44:34] Mas são todas essas, você viu?
[00:44:35] Tem muito jeito de perceber que a coisa está
[00:44:37] fora do lugar. A questão é que muitas vezes
[00:44:39] eu vi uma…
[00:44:40] uma reportagem também, era uma
[00:44:43] especialista que sentou com a família,
[00:44:45] com a adolescente, que devia ter ali
[00:44:47] 13 anos, o pai e a mãe da adolescente
[00:44:49] e essa especialista era dermatologista.
[00:44:51] Então, ela pegou todos os produtos que a
[00:44:53] criança tinha, que a menina de 13 anos tinha
[00:44:55] e começou a explicar pra ela pra que
[00:44:57] que eles serviam e quais ela poderia usar.
[00:44:59] E de nove potes
[00:45:01] de variados, ela disse
[00:45:03] assim, olha, esse aqui é pra isso,
[00:45:05] você não precisa. E tinha um lixo
[00:45:07] e os pais e a menina. Posso
[00:45:09] jogar fora? Você não precisa usar. Ela falou, tá bom.
[00:45:11] Aí a especialista jogou.
[00:45:13] Esse aqui você não precisa, não precisa.
[00:45:15] Você só precisa de três, que era o protetor solar,
[00:45:17] se tivesse sol e sei lá, mas
[00:45:18] três ela deixou dos nove que tinha.
[00:45:20] Essa menina começou a ter uma crise
[00:45:22] de choro, de desespero. Ela dizia, não
[00:45:25] mãe, por favor, não mãe. E depois tinha uma entrevista
[00:45:27] com a mãe. A mãe falou, eu achei que era uma
[00:45:29] brincadeira. Exato.
[00:45:31] Então assim, não é que os sinais
[00:45:33] não estão lá. Às vezes os pais não estão
[00:45:34] percebendo. Ela falou, eu nunca
[00:45:37] imaginei que a minha filha ia ter aquela relação,
[00:45:39] que ela estava com esse… que aquilo
[00:45:41] pra ela era tão fundamental do
[00:45:42] cotidiano dela nesse momento. O que você tem que corrigir
[00:45:45] com 11 anos? Você acha que você tem que
[00:45:46] corrigir o quê? Cirurgia plástica.
[00:45:49] Demandas de cirurgia plástica
[00:45:50] seguem crescendo entre pré-adolescentes
[00:45:53] pedindo de Natal, de aniversário,
[00:45:55] correção de cirurgia
[00:45:56] plástica. Isso tudo tem
[00:45:58] anúncios. Tem um último caso
[00:46:00] de concreto, que foi uma denúncia que a gente
[00:46:02] não foi aqui no Brasil, mas a gente acompanhou.
[00:46:05] Uma ex-funcionária
[00:46:05] revelou que a empresa consegue saber
[00:46:08] o momento em que uma adolescente
[00:46:10] ia publicar um selfie, faz
[00:46:12] uma legenda e apaga.
[00:46:14] Não publica. Neste micro
[00:46:16] segundo, a empresa é capaz de
[00:46:18] aumentar a chance
[00:46:20] dela receber, naquele momento
[00:46:23] em que ela apagou um selfie,
[00:46:25] divulgar pra ela produtos de beleza,
[00:46:27] de maquiagem, de cirurgia. Porque sabe que ela está vulnerável.
[00:46:28] O livro chama-se Careless People. É nesse nível de refinamento.
[00:46:30] Não tem no Brasil ainda, mas quem quiser ler esse livro
[00:46:32] dessa ex-funcionária da meta,
[00:46:34] Careless People, é muito perverso.
[00:46:36] Aí você vai dizer assim, é culpa da mãe que não olhou
[00:46:38] o celular do filho. É um nível
[00:46:40] que tem uma responsabilidade das empresas,
[00:46:42] tem uma responsabilidade do Estado e tem responsabilidade
[00:46:44] da família também, porque vamos combinar,
[00:46:46] a gente como pai vai ter menos…
[00:46:49] Vamos falar um pouquinho
[00:46:50] de governos, né?
[00:46:53] Sistemicamente, aquele
[00:46:54] que deveria legislar, deveria fazer
[00:46:56] o quê? A gente citou na
[00:46:58] abertura a Austrália, o que de fato a Austrália
[00:47:00] fez. E o que o Brasil está fazendo?
[00:47:03] Você já falou do ECA digital algumas
[00:47:04] vezes. Cadê? Baby!
[00:47:07] Não, vamos lá. De fato, demorou,
[00:47:09] mas os Estados e
[00:47:10] mesmo o bloco, como o bloco europeu,
[00:47:12] vem tomando atitudes pra que a gente
[00:47:14] tenha parâmetros mínimos, que a gente
[00:47:16] deixou um tudo ou nada, né? Ficou sendo um faroeste,
[00:47:18] a gente deixou, vale tudo. E não,
[00:47:20] né? O ambiente digital é mais um ambiente
[00:47:22] de vida, é mais um ambiente onde as pessoas se encontram.
[00:47:25] Então, a Austrália, ela foi pioneira
[00:47:26] numa decisão um pouco mais radical,
[00:47:28] que foi de, de fato, restringir
[00:47:30] o acesso de menores de
[00:47:32] 16 anos a redes sociais. E aí tem uma
[00:47:34] lista de redes sociais. E tem até uma
[00:47:36] polêmica, porque isso é muito difícil. Algumas ficaram de fora.
[00:47:38] Então, por exemplo, TikTok, Instagram,
[00:47:41] essas são redes sociais que
[00:47:42] estão restritas. E isso exige, então,
[00:47:44] e tá agora em experimentação,
[00:47:46] inclusive, e um plano
[00:47:48] de testar alternativas
[00:47:50] pra fazer o que a gente chama de
[00:47:52] aferição de idade. Basicamente, é o que a gente falou.
[00:47:54] É a reguinha do Playcenter que via. Você tem
[00:47:56] 1,20m? Você tem 30kg pra entrar
[00:47:58] no brinquedo? No digital é um pouco mais
[00:48:00] complexo, mas tem tecnologia. Tem várias
[00:48:02] formas de você, mesmo
[00:48:04] sem precisar usar o documento da criança.
[00:48:06] Tem mecanismos que eles estão testando, que
[00:48:08] são, por exemplo, chamados de inferência etária.
[00:48:11] Tem tecnologia que dá pra estimar
[00:48:12] a idade. Eu até, estudando isso, me surpreendi.
[00:48:14] Tem uma tecnologia que é com a mão.
[00:48:16] Você mostra a mão pra uma câmera e
[00:48:18] com a leitura dessa mão
[00:48:20] você tem como estimar a idade
[00:48:22] daquela pessoa. Tem outras técnicas
[00:48:24] de inferência de idade, que não necessariamente
[00:48:26] você precisa dar no seu documento
[00:48:29] pra provar. Mas, resumindo,
[00:48:30] a Austrália tem agora testando
[00:48:32] mecanismos pra que não entrem
[00:48:34] crianças menores de 16 anos
[00:48:36] nessas plataformas.
[00:48:38] E isso exige esse mecanismo
[00:48:40] de confirmar a idade dessa pessoa
[00:48:42] pra poder entrar. Ah, mas você sabe, a pressão
[00:48:44] que você faz na tela não vai conseguir.
[00:48:46] Mas é isso. Exatamente.
[00:48:48] E aí tem uma discussão, né, de como fazer isso
[00:48:50] sem ser tão permitindo invasivo.
[00:48:52] Claro que deu treta os adolescentes lá.
[00:48:55] Era injustiado.
[00:48:56] Eu vi vários vídeos deles falando.
[00:48:58] Ao mesmo tempo, tem uns que entendem, acham bom.
[00:49:00] Então, não é que é assim. Ah, então isso tá bem.
[00:49:03] Não vamos mais entrar na rede social, né?
[00:49:04] Mas veja, eles estão sofrendo.
[00:49:07] Agora, assim, no Brasil, pra acalmar todo mundo,
[00:49:09] tem uns querendo ir morar na Austrália
[00:49:10] e outros querendo, pelo amor de Deus, não quero isso pra cá.
[00:49:13] No Brasil, a gente tem, recentemente,
[00:49:14] agora, em setembro de 2025,
[00:49:16] a aprovação do Estatuto Digital
[00:49:18] da Criança e do Adolescente.
[00:49:20] Ele é uma super conquista pro Brasil.
[00:49:22] Ele é muito a ser celebrado.
[00:49:24] Porque ele confirma o que já existia antes.
[00:49:27] Todos os direitos
[00:49:28] de crianças e adolescentes que já existiam no ECA
[00:49:30] valem também no digital.
[00:49:32] Tudo que a gente tem no Código de Defesa do Consumidor,
[00:49:34] porque, afinal, são empresas vendendo produtos na internet,
[00:49:37] vale também no digital.
[00:49:38] Então, teve que dizer um pouco uma parte do óbvio,
[00:49:40] mas também inovou em vários pontos.
[00:49:41] Então, pro Brasil, vai partir de março desse ano,
[00:49:44] o ECA Digital entrando em vigor,
[00:49:46] você tem uma questão um pouco mais flexível
[00:49:48] e até mais saudável, eu acho.
[00:49:50] Porque você tem um parágrafo dizendo
[00:49:52] que menores de 16 anos
[00:49:55] só poderão acessar
[00:49:57] redes sociais com autorização
[00:49:58] expressa dos pais,
[00:50:00] dos responsáveis e dos cuidadores.
[00:50:02] Ou seja, você exige a autorização
[00:50:04] formal do responsável
[00:50:06] para permitir menores de 16 anos
[00:50:09] virem a ter acesso a uma rede social.
[00:50:11] O ECA Digital,
[00:50:12] também, ele é muito didático,
[00:50:14] exigindo com que as empresas
[00:50:16] criem mecanismos
[00:50:18] para que seja fácil para as famílias
[00:50:20] configurarem essas opções.
[00:50:22] O ECA Digital, também, ele exige
[00:50:23] que a gente tenha mecanismos, como a Austrália
[00:50:26] está testando, para verificar
[00:50:28] qual é a idade da criança.
[00:50:30] Não necessariamente por documento, a gente ainda vai ter que
[00:50:32] entrar nessa camada de… Tem muita tecnologia
[00:50:34] disponível, né? Quando você faz uma conta no banco,
[00:50:36] você já usa. Quando você vai acessar
[00:50:38] determinado tipo de conteúdo, você tem
[00:50:40] vários mecanismos de garantir que você é você.
[00:50:42] Nesse caso, não precisa nem ser garantir
[00:50:44] que aquela criança é aquela criança. Só precisa dizer assim,
[00:50:46] olha, é um produto
[00:50:48] para maiores de 12, então eu tenho
[00:50:50] que ter mecanismos que não pode ser mais assim.
[00:50:52] Tenho 18 anos, tenho
[00:50:54] 16 anos. Isso não vai funcionar mais.
[00:50:56] Então, o ECA Digital,
[00:50:58] ele tem muito mais coisa,
[00:51:00] mas ele combina uma série de coisas
[00:51:02] muito concretas, como essa de
[00:51:03] adequação à idade para cada ambiente,
[00:51:06] responsabilidade das plataformas,
[00:51:08] inclusive, legalmente,
[00:51:10] elas respondem agora, né?
[00:51:12] Mas eu acho engraçado. Imagina o que é
[00:51:13] a indústria de bebida alcoólica
[00:51:15] falar, ah, para a gente tinha um monte de regra, né?
[00:51:18] Para a gente não pode.
[00:51:20] Agora o Facebook,
[00:51:22] Instagram, faz o que quiser.
[00:51:24] Como assim? Se para os nossos
[00:51:26] produtos, essas crianças, não podem
[00:51:28] ser target de propaganda,
[00:51:29] a gente não pode vender, por que
[00:51:32] vocês estão deixando essa galera correr solta aí?
[00:51:34] É justamente, lembra da época do cigarro
[00:51:36] que você falou, né? Na época do cigarro, quando proibiram
[00:51:37] o cigarro em restaurante, né? Além de pegar,
[00:51:39] avião tinha cigarro. Você, fazer
[00:51:41] todo mundo fumar, as pessoas brigaram,
[00:51:43] né? Tem aquele meme clássico até hoje
[00:51:45] da reclamação contra o cinto de segurança,
[00:51:48] né? Como se fosse um absurdo.
[00:51:49] Então, acho que o ECA Digital, ele vem trazendo
[00:51:51] camadas de segurança,
[00:51:53] que eu acho que a coisa da indústria automobilística é uma
[00:51:55] boa comparação.
[00:51:57] Carro não é para criança.
[00:51:59] E mesmo para adultos, você tem o cinto de segurança.
[00:52:01] Hoje em dia é um valor, agrega um valor
[00:52:03] na marca do carro, né? E você olha a pessoa
[00:52:05] e é responsável se ela não usar.
[00:52:07] Você tem airbag, você tem cinto, você tem
[00:52:09] outras coisas. E criança não vai dirigir,
[00:52:11] você tem que ter habilitação para dirigir.
[00:52:13] Então, um pouco o ECA Digital, ele traz para crianças
[00:52:16] e nas diferentes etapas, como a
[00:52:17] Shelly falou,
[00:52:19] mecanismos que respeitam, inclusive,
[00:52:21] criança não é tudo igual. Uma criança de 6
[00:52:23] é diferente de uma de 12. Um adolescente
[00:52:25] de 16, ele tem que ter muito mais liberdade,
[00:52:27] é o que a gente chama de autonomia progressiva.
[00:52:29] Então, o ECA considera tudo isso com várias
[00:52:31] camadas. E acho que para fechar o ponto,
[00:52:33] e a Shelly vai poder muito colaborar aqui,
[00:52:35] é também para a gente equilibrar. Não é tudo culpa
[00:52:37] da empresa e nem responsabilidade só da empresa,
[00:52:39] não é tudo culpa do Estado e não é culpa
[00:52:41] da família, porque a gente já tem na nossa
[00:52:43] instituição um artigo, 227,
[00:52:46] que a gente sempre repete, né Shelly, sabe muito
[00:52:47] bem. Na Constituição Federal diz
[00:52:49] a prioridade absoluta da Constituição
[00:52:51] Federal do Brasil é a proteção
[00:52:54] das crianças e adolescentes.
[00:52:55] Prioridade absoluta só tem uma.
[00:52:57] E o ECA Digital faz isso valer para o digital.
[00:52:59] Então, é uma responsabilidade compartilhada.
[00:53:02] Antes, era tudo com a família
[00:53:03] e tudo com as mães, né? Geralmente
[00:53:05] que ficam sobrecarregadas com isso.
[00:53:07] O ECA Digital vem dizer assim, olha,
[00:53:09] empresas, estão aqui critérios que vocês
[00:53:11] têm que respeitar. Estado, tem aqui
[00:53:13] obrigações que o Estado tem que fiscalizar
[00:53:15] e acompanhar. E olha que famílias também
[00:53:17] têm responsabilidade. Vocês são responsáveis
[00:53:19] legais pelas crianças na internet.
[00:53:21] E vocês também têm que usar. E aí tem vários
[00:53:23] mecanismos que acho que a partir de agora já tem
[00:53:25] alguns. Teremos mais vários
[00:53:27] para que as famílias também possam
[00:53:29] exercer e dar trabalho. A gente vai ter que
[00:53:31] abrir mão, né Shelly, de algumas
[00:53:33] comodidades, porque a internet dá muita
[00:53:35] comodidade, dá muito conforto. A gente
[00:53:37] evita algumas brigas, mas acho que tem algumas brigas
[00:53:39] de negociação
[00:53:41] de dicas práticas que a Shelly vai dar.
[00:53:43] Que valem a pena, né? E aqui como psicólogo
[00:53:45] e como pai, assim, sabe?
[00:53:47] É aquela briga. Meu filho já teve escândalos
[00:53:49] de desligar a televisão na tomada. Filho, acabou
[00:53:51] o tempo. Você não vai mais assistir esse desenho.
[00:53:53] Desenho lindo, super gostoso. Acabou
[00:53:55] o tempo. E fica revoltado.
[00:53:57] Com seis anos, só um streaming,
[00:53:59] um vídeo. Faz parte.
[00:54:01] É difícil pra nós. É respirar mil vezes
[00:54:03] e com carinho, com amorosidade
[00:54:05] conter essa agressividade,
[00:54:07] deixar acalmar e explicar.
[00:54:09] Dizendo, olha, não dá. Tá vendo como
[00:54:11] você ficou? Você precisava
[00:54:13] isso tudo? Né? Esse desequilíbrio
[00:54:15] emocional, que faz parte
[00:54:17] da frustração. Só que se você
[00:54:19] deixa isso passar por anos, como a gente tem deixado
[00:54:21] passar, a gente fica muito mais difícil
[00:54:23] depois um adolescente você vir conter.
[00:54:25] Então, algumas brigas de equilíbrio
[00:54:27] de negociações em casa,
[00:54:29] as famílias vão precisar fazer. Custa caro,
[00:54:31] é difícil. Custa caro em termos de tempo e
[00:54:33] emoção, mas eu tenho a absoluta
[00:54:35] certeza que vale cada minuto
[00:54:37] investido em lidar com essas
[00:54:39] crises de agressividade, de frustração
[00:54:41] pra negociar
[00:54:43] de novo, pra que
[00:54:45] no final do dia, a gente tenha alguns
[00:54:47] benefícios e contenha os danos
[00:54:49] que esse uso ilimitado,
[00:54:51] tudo ou nada, do celular,
[00:54:53] das redes, acaba gerando, né?
[00:54:55] A gente falou
[00:54:57] num pedaço grande sobre
[00:54:59] realmente estamos em risco,
[00:55:01] tá aqui mapeado o risco.
[00:55:03] A gente falou agora um pouco sobre
[00:55:05] ok, os estados,
[00:55:07] os governos também viram isso.
[00:55:10] Então, tem regulação
[00:55:11] na Austrália, tem regulação acontecendo,
[00:55:13] no Brasil, isso
[00:55:14] demora um pouco a pegar,
[00:55:17] mas tem o que o Rodrigo falou, que é uma
[00:55:19] responsabilidade compartilhada,
[00:55:21] a gente tirar a proposta de culpa
[00:55:23] e trazer responsabilidade
[00:55:25] pro assunto.
[00:55:27] As famílias continuam tendo
[00:55:29] trabalho, né? Pela melhor
[00:55:31] legislação do mundo, criar
[00:55:33] filho é um trabalho de quem teve
[00:55:35] filho, né? E tá convivendo com a criança.
[00:55:38] Pra abrir
[00:55:39] esse capítulo do o que a família
[00:55:41] vai fazer e a gente
[00:55:43] tem dificuldades que ela vai enfrentar
[00:55:45] fazendo isso, eu queria
[00:55:47] fazer um recorte rápido de gênero,
[00:55:49] porque nos papéis
[00:55:51] pré-definidos
[00:55:53] de gênero, por um motivo
[00:55:55] ficou, as mulheres
[00:55:57] cuidam das crianças, colocando limite,
[00:55:59] cobrando, falando o que elas
[00:56:01] têm que fazer, e os
[00:56:03] homens cuidando da tecnologia na casa.
[00:56:06] Eles que vão ligar os cabos,
[00:56:07] são eles que vão decidir qual o modelo
[00:56:09] da televisão, a gente
[00:56:11] tá numa confluência das duas coisas
[00:56:13] agora, né? Que
[00:56:14] essa autoridade
[00:56:17] do pode e não pode
[00:56:19] tá ligado diretamente à tecnologia.
[00:56:21] Acho que é um… Vai dar treta
[00:56:23] demais, mas eu acho que é um convite pra se unir,
[00:56:25] né? Unir esses dois
[00:56:27] saberes pra trabalhar. Não dá pra
[00:56:29] ficar mais isso. Uma amiga
[00:56:31] minha falou assim, eu não vou fazer,
[00:56:33] eu não vou assumir mais esse B.O.
[00:56:35] Eu não aguento mais.
[00:56:37] Tecnologia eu não vou entrar, eu não vou aprender.
[00:56:40] Ele que faça.
[00:56:43] Bom,
[00:56:43] eu acho que não vai ter muito
[00:56:45] jeito, a não ser brigar um pouco
[00:56:47] pra colocar isso pra
[00:56:48] andar. Shelly, o que
[00:56:51] que as famílias precisam fazer? O que
[00:56:53] que os cuidadores podem começar
[00:56:55] agora, já que a gente falou…
[00:56:57] Tá valendo? Por que não tá valendo
[00:56:59] isso? Esse é radical.
[00:57:00] Ele começa a entrar em vigor
[00:57:03] em março desse ano, tem
[00:57:05] um preço de adaptação da
[00:57:06] sociedade, então a partir de março desse
[00:57:09] ano, a previsão é que ele passe
[00:57:11] a valer. Mas lembrando, gente,
[00:57:12] a gente caiu nessa
[00:57:14] armadilha de achar que
[00:57:15] todos os outros já valiam antes.
[00:57:18] É que há um lobby, as empresas conseguiram
[00:57:20] nos convencer. Mas é que não funciona, né?
[00:57:22] Porque o que eu queria que a Shelly falasse o que as famílias
[00:57:24] podem fazer neste cenário, é que temos
[00:57:26] uma lei que me diz… Vai ser sempre a mesma
[00:57:28] coisa. Mesmo com a lei ou
[00:57:30] sem a lei, o que as famílias vão precisar fazer
[00:57:32] é muito parecido.
[00:57:34] Então vamos lá.
[00:57:36] E eu só queria dividir com
[00:57:38] vocês que essas coisas que eu vou dar como
[00:57:40] dicas são coisas de conversar com as famílias,
[00:57:42] mas eu também dou aula pra criança de 6
[00:57:44] a 12 sobre os perigos no digital, então eu vou
[00:57:46] em várias instituições e escolas, e
[00:57:48] pra 13 a 18.
[00:57:50] São aulas diferentes porque são perigos
[00:57:52] diferentes, então eu ouço eles.
[00:57:54] E isso é a coisa mais
[00:57:56] importante, né? A gente vai ter
[00:57:58] que escutá-los pra começar. Qualquer
[00:58:00] aula que funcione, principalmente
[00:58:02] com o adolescente, é ouvindo. Mas
[00:58:04] mesmo com as crianças, eu faço um exercício que eles têm
[00:58:06] que desenhar o mundo da internet. E eu
[00:58:08] não explico. Ah, desenha aí o mundo da internet.
[00:58:10] A criança adora desenhar pra ver o que é o mundo da internet.
[00:58:12] Pra eles. Tentar descobrir o que eles sabem,
[00:58:14] o que eles não sabem, o que
[00:58:16] que eles estão vendo, o que que eles ouviram falar.
[00:58:18] Então manter um diálogo aberto em casa
[00:58:20] é disso que a gente tá falando. Então o primeiro passo
[00:58:22] é conversar. E eu sempre recomendo que
[00:58:24] os pais que nunca tiveram essas conversas, porque
[00:58:26] não é como de onde vêm os bebês, que você fala uma
[00:58:28] vez e acabou. Imagina, a gente tem que falar
[00:58:30] sempre. É, mas
[00:58:32] assim, geralmente a pessoa fala, pronto, ai, me livrei,
[00:58:34] consegui explicar de onde vieram os bebês.
[00:58:36] Toda semana,
[00:58:38] marca lá na sua agenda. Se você tem
[00:58:40] que perguntar, e aí, os amigos, como é que estão?
[00:58:42] Internet, conheci alguém, ai, vocês estão jogando,
[00:58:44] que jogo você tá jogando? Se você não tem interesse,
[00:58:46] finja! Porque
[00:58:48] é isso, eles, criança gosta de atenção,
[00:58:50] adolescente gosta de atenção, e os criminosos
[00:58:52] eles dão só isso pra criança, só atenção.
[00:58:54] É mais fácil proteger do que parece. Vai dar
[00:58:56] treta, mas é mais fácil. Então assim,
[00:58:58] cara de alface na plantação pra começar a conversa.
[00:59:00] Que cara de alface na plantação é?
[00:59:02] Ai, filho, e aí?
[00:59:04] Você fez algum amigo? Ah, tá namorando
[00:59:06] online? Ah, sua amiga
[00:59:08] mandou nudes? Você não pode se abalar.
[00:59:10] Porque se você se abalar com a conversa,
[00:59:12] eles não vão te falar mais nada. Se a primeira vez
[00:59:14] que eles falarem, ai, recebi uma mensagem…
[00:59:16] Droga!
[00:59:17] Desde que ela falou isso,
[00:59:20] eu lembro tanto das…
[00:59:21] Que é toda vez que eu falo, ih, a cara de alface foi.
[00:59:24] Eu sei que é muito difícil,
[00:59:26] mas por que as crianças me contam tanta
[00:59:28] coisa quando eu dou aula? Porque eu treino
[00:59:30] a minha cara de alface. Outro dia, uma professora quase
[00:59:31] desmaiou do meu lado, quando o menino
[00:59:34] disse que tinha recebido a foto de um pênis
[00:59:36] no WhatsApp. A professora…
[00:59:39] E era de um colega,
[00:59:40] sabe? A professora, ela…
[00:59:42] Porque ela tá todo dia junto.
[00:59:44] Então, às vezes, até chamar alguém de fora,
[00:59:46] mostrar um vídeo, conversar sobre aquilo,
[00:59:48] porque santo de casa, talvez não faça milagre,
[00:59:50] né? Então, precisa repetir. A família
[00:59:52] fala, a escola fala, eu falo,
[00:59:54] chamo alguém. Então, é conversar
[00:59:56] e comece com essa cara, assim, evite
[00:59:58] se alvoroçar
[00:59:59] pra qualquer coisa. Se eles
[01:00:02] vierem falar sobre namoro com você, você começa,
[01:00:04] ai, não acredito, tá namorando com quem? Como assim? Falei que
[01:00:06] criança não pode namorar? Nunca mais vai falar.
[01:00:08] Ele não vai deixar ele namorar, ele vai deixar ele contar
[01:00:10] pra você. Então,
[01:00:11] atenção às suas reações
[01:00:13] durante a conversa e converse.
[01:00:16] A segunda coisa é estudar.
[01:00:18] Beleza. Então, eu decidi, tem uma
[01:00:19] colega que eu amei. Ela falou, filho, escolhe uma rede,
[01:00:21] porque eu não vou conseguir. Como essa mãe falou,
[01:00:23] cuidar de tudo é muita coisa. Aí ele disse, eu quero o X.
[01:00:26] Tá bom. Quinze anos,
[01:00:27] primeira rede social, ele quis.
[01:00:29] É que, ele…
[01:00:31] Cidade do interior muda um pouco.
[01:00:33] Eles têm ainda essa conexão com a natureza e de
[01:00:35] andar de bike com os amigos, às vezes, é um pouco diferente.
[01:00:38] Gente, ele entrou no X,
[01:00:39] eles fizeram um vídeo pra me mandar. Era tanta
[01:00:41] pornografia, ele não imaginava.
[01:00:43] Só de entrar e de falar que ele tinha
[01:00:45] idade que ele tinha, foi tanta pornografia que eles
[01:00:47] os dois mandaram um vídeo comentando. Ele não achou
[01:00:49] que era aquilo que ele ia ver, sabe? Até se arrependeu.
[01:00:52] Mas, então, é isso.
[01:00:53] É o X? Então, tá. Quais são as configurações
[01:00:55] do X? O que eu posso fazer no X?
[01:00:58] Digita aí. Como
[01:00:59] deixar controle parental
[01:01:01] no X? O que fazer na
[01:01:03] rede e tal? Então, você vai ter que estudar minimamente a
[01:01:05] cadete. Ah, vou deixar meu filho jogar Roblox.
[01:01:07] Aí, uma mãe disse pra mim, poxa, eu explico
[01:01:09] tanto pra minha filha de sete anos que ela não pode conversar
[01:01:11] com ninguém, mas ela responde todo mundo que manda mensagem.
[01:01:13] Falei, mas por que tu não fechou o chat?
[01:01:15] Exato. Entende? Mas é que o pai não sabe.
[01:01:17] Não é fácil. Não diz lá assim.
[01:01:19] Você pode fechar o chat? Não tem informações
[01:01:21] pros pais, gente. É uma questão
[01:01:22] educativa que a gente tem que colaborar.
[01:01:25] Então, dá pra fechar o chat, dá pra você dotar
[01:01:27] a idade da criança pra só ter jogos
[01:01:29] daquela idade. O ideal é que você
[01:01:31] acompanhe. Então, primeiro você conversou
[01:01:32] e, paralelamente, você estudou,
[01:01:35] você entendeu, tá. Então, é isso que você
[01:01:37] quer? Então, nós vamos liberar isso?
[01:01:39] Você vai fazer um combinado
[01:01:41] de como que isso vai funcionar. Olha,
[01:01:43] então, vai ter um controle parental.
[01:01:45] Eu vou dizer aqui quanto tempo você pode jogar.
[01:01:47] Uma vez, eu tava com uma amiga,
[01:01:49] o filho mandou mensagem. Mãe, já terminei aqui as tarefas.
[01:01:51] Você pode liberar um pouco mais de internet
[01:01:53] pra mim? Você pode liberar a navegação,
[01:01:55] inclusive. E você vê no seu celular.
[01:01:58] Né? Um Family Link.
[01:01:59] As pessoas gostam muito. A Apple tem
[01:02:01] um dela também. Os pais
[01:02:03] gostam muito também do custódio, que se escreve
[01:02:05] com Q. O custódio é
[01:02:07] pago, mas é tipo 80 reais por ano.
[01:02:09] Dá pra pagar. Eu gosto
[01:02:11] muito, viu, porque… Qual que você usa?
[01:02:13] O custódio, porque ele vai liberando
[01:02:15] pesquisas.
[01:02:17] Então, assim, eu não quero que meu filho tenha
[01:02:19] acesso a site de bets.
[01:02:22] É, site com
[01:02:23] conteúdo adulto. Então, ele vai
[01:02:25] te dando muita fragmentação
[01:02:27] pra deixar um território de pesquisa
[01:02:29] que possa ser proveitoso
[01:02:31] pra criança. Então,
[01:02:33] eu acho que quanto mais você pode
[01:02:34] granular, que é o que o ECA
[01:02:36] tá propondo, mas você não precisa
[01:02:39] controlar tanto. E é isso.
[01:02:41] É uns 80 reais por ano. Não é uma coisa
[01:02:43] muito cara, gente. Então, é isso.
[01:02:45] Daí você vai combinar. Aí você faz um
[01:02:47] acordo em casa, que eu chamo de
[01:02:49] acordo de geladeira, porque você vai imprimir
[01:02:51] ou escrever e colar na geladeira
[01:02:53] pra vocês poderem ver sempre. Porque é algo
[01:02:55] muito, gente, muito problemático pra você
[01:02:57] não ter. Eu tenho… Lá no link do meu
[01:02:59] Instagram tem modelo do acordo de geladeira que eu fiz.
[01:03:01] Tem o modelo de plano de mídia que a
[01:03:03] SaferNet fez, que é muito mais complexo, né?
[01:03:05] Aí, tipo, é um livro. Não é um acordo pequenininho,
[01:03:07] é um livro. E é um acordo pra família
[01:03:09] inteira, não é assim? Ai, sou…
[01:03:10] Obediente, por isso vou ganhar no celular.
[01:03:13] São acordos que todo mundo vai ter que seguir.
[01:03:15] Por exemplo, antes do café da manhã ninguém pega no telefone.
[01:03:18] Celular não vai entrar no quarto
[01:03:19] dos adolescentes. O pai e mãe
[01:03:21] precisa por aí no dia. Às vezes trabalha ou precisa.
[01:03:23] É… Na hora das refeições
[01:03:25] não tem celular. Não vai levar pra escola.
[01:03:27] Os acordos… Nesses acordos
[01:03:29] eu também coloco assim. Sabemos o que é
[01:03:31] cyberbullying, que isso prejudica as pessoas.
[01:03:33] Não queremos ser nem
[01:03:35] as pessoas que praticam. E se soubermos
[01:03:37] de alguém que tá sendo vítima, vamos
[01:03:39] avisar adultos responsáveis.
[01:03:40] Vários itens que às vezes a gente
[01:03:43] esquece, sabe? Então…
[01:03:45] É… Tá tudo lá, gente.
[01:03:47] Eu não lembro de todos os itens agora. Vocês vão ver vários
[01:03:49] que às vezes a gente esquece, mas é bom.
[01:03:51] É… Sobre golpes. Ah, se acontecer alguma coisa
[01:03:53] estranha, vamos conversar entre família.
[01:03:55] Pode acontecer com qualquer um. Os idosos da
[01:03:57] família, assinar também. Conversar
[01:03:59] com eles. Porque, gente, as pessoas mais velhas
[01:04:01] estão viciadas. Principalmente a gente que toque.
[01:04:04] E caem em golpes
[01:04:05] com mais facilidade. A gente tá tentando salvar
[01:04:07] a próxima geração, porque…
[01:04:09] Imagina, se a gente
[01:04:11] cai em golpe, imagina eles. Então, você faz
[01:04:13] o combinado, e aí é acompanhar
[01:04:15] e monitorar. Você vai ter que acompanhar.
[01:04:18] Geralmente, os pais fazem o quê?
[01:04:19] Dão o próprio celular. Vem o filho navegando
[01:04:21] no começo, antes de dar um celular, né?
[01:04:23] E, por favor…
[01:04:25] Eu ia dizer, respeite a
[01:04:27] classificação indicativa das coisas.
[01:04:29] Isso é uma coisa lá do começo. Até quando os
[01:04:31] professores querem trabalhar em sala de aula, eles começam
[01:04:33] falando da classificação indicativa. Porque a gente
[01:04:35] tá muito habituado, com criança pequena, a dizer
[01:04:37] ó, esse filme não é pra você.
[01:04:39] Que não tá na classificação indicativa.
[01:04:40] Rede social também tem, gente. Só que não está ali
[01:04:43] fácil. Então, digita. Qual é a
[01:04:45] idade mínima para Instagram? 16.
[01:04:47] TikTok? 14.
[01:04:48] WhatsApp? 13. Mas eu sei que, às vezes,
[01:04:51] você vai dar antes, de acordo com a sua família.
[01:04:53] Isso não é regra escrita em pedra.
[01:04:55] Então, respeita a classificação indicativa das coisas
[01:04:57] e renegocie o contrato, se for
[01:04:59] necessário. Gente, nosso contrato ainda tá valendo?
[01:05:01] Aconteceu alguma… Até pra você lembrar. Gente,
[01:05:02] em relação a isso, aconteceu? Alguém rolou
[01:05:04] cyberbullying? Porque sim, gente.
[01:05:07] Toda vez que eu falo com adolescentes,
[01:05:09] violência sexual online é
[01:05:10] as meninas todas já receberam alguma imagem
[01:05:13] não solicitada de partes íntimas de homens.
[01:05:15] Todas assim, vai, 90%.
[01:05:17] É…
[01:05:18] Cyberbullying na escola,
[01:05:20] alguém que falou mal da outra. A gente fala muito do negócio
[01:05:23] da… O impacto da aparência
[01:05:25] pra menina, mas eu acho que a gente fala pouco
[01:05:27] do impacto dos jogos pros meninos.
[01:05:29] Meu Deus, tem que falar muito. Tem que falar.
[01:05:31] Violência, né? Pra meninos, o que
[01:05:33] que a rede social, principalmente, vai oferecer?
[01:05:35] Que é onde eles vão querer entrar. Violência,
[01:05:38] é…
[01:05:39] Misoginia
[01:05:40] e…
[01:05:42] Pornografia junto, pode desinchar com misoginia
[01:05:45] e ostentação. Começa uma coisa
[01:05:47] de que é rico, é rico e quer ficar rico
[01:05:49] e é rico, é rico e todo mundo hoje só quer ficar rico
[01:05:51] porque é isso que ela vai balizar, a rede social.
[01:05:53] E pras meninas é comparação
[01:05:55] e consumismo, principalmente.
[01:05:57] E aí tendências à depressão
[01:05:59] vão aparecer mais nas meninas nesse lugar.
[01:06:01] Então, vê junto o que eles
[01:06:03] estão vendo, porque tem muita misoginia.
[01:06:05] Eu até anotei um dado de ontem
[01:06:07] que foi o dia da internet segura.
[01:06:09] Que o presidente da CIFERnet falou
[01:06:10] que a misoginia aumentou no último ano
[01:06:13] 224,9%.
[01:06:15] Que é considerado um crime de ódio
[01:06:17] nas redes. É impossível
[01:06:19] você acessar uma rede social e não ter
[01:06:21] piada com mulher que rebaixa a mulher,
[01:06:23] que degrade a mulher. Então tem que
[01:06:25] ficar atento nessas coisas, porque elas que vão
[01:06:27] refletir na escola. E eu queria
[01:06:29] idade do celular e depois
[01:06:31] último item. Idade do celular.
[01:06:35] A recomendação internacional
[01:06:37] é redes…
[01:06:39] celular a partir de 14 e rede social a partir
[01:06:41] de 16. Que recomendação é essa?
[01:06:43] A do Jonathan Reich, que escreveu Geração Ansiosa.
[01:06:45] A do Movimento Desconecta aqui no Brasil
[01:06:47] que vocês podem acompanhar.
[01:06:49] Mas eu digo o seguinte, você pode dar um celular
[01:06:51] quando você, o responsável
[01:06:53] pela criança, estiver
[01:06:55] preparado pra falar com ela
[01:06:56] sobre pornografia,
[01:06:59] porque ela vai ver. Não tem como você não ver
[01:07:01] pornografia numa rede social. Então,
[01:07:03] esse adolescente, essa criança vai ver. Você tá preparado
[01:07:05] pra falar sobre pornografia?
[01:07:07] Sobre autolesão e suicídio.
[01:07:09] Desafios online. Você está preparado pra falar sobre pornografia?
[01:07:11] Ai, gente, 25 anos é uma idade boa.
[01:07:14] Então, assim, não é
[01:07:15] sobre fiança.
[01:07:17] É sobre… Você vai ter tempo
[01:07:19] pra acompanhar essa navegação e
[01:07:21] fiscalizar? Você tem tempo de estudar
[01:07:23] um controle parental pra falar
[01:07:25] beleza, assim funciona, então eu vou baixar
[01:07:27] esse controle parental aqui, o feminininho, que é o mais comum.
[01:07:29] Se você tá seguro
[01:07:31] que pode falar sobre isso,
[01:07:33] tem uma mãe, o filho dela tem 9 anos, ele joga
[01:07:35] com uns amiguinhos, só amiguinhos conhecidos.
[01:07:37] Ele não tem rede social.
[01:07:39] Ela faz alguns vídeos das conversas que ele traz pra ela.
[01:07:41] E um dia, a pergunta dele foi
[01:07:43] Mãe, por que tem homem
[01:07:45] que paga pra ver mulher pelada?
[01:07:47] Aí ela põe uma bomba explodindo, assim.
[01:07:50] Aí ela…
[01:07:51] Alface, ela é muito boa na cara de alface.
[01:07:54] Quando você ouviu sobre
[01:07:55] isso, filho? Ah, tava jogando com os meninos
[01:07:57] lá. Tava jogando um joguinho idiota de criança.
[01:07:59] Joguinho besta.
[01:08:01] Ah, interessante.
[01:08:02] Mas vocês conversaram. Ah, eu achei que por que
[01:08:04] ele vai pagar uma mulher pelada? Se você tem teu noivo,
[01:08:06] ele vê você de graça, por que ele pagaria uma…
[01:08:09] Ela, meu Deus, se ela quer… Mas ela
[01:08:10] manda o T.R., sabe?
[01:08:12] Meu Deus! Aí ele pegou,
[01:08:14] ele fala, fala, ele é bem tagarela, aí
[01:08:16] ela chega no final e fala, filho,
[01:08:19] eu não sei. Eu vou ter que
[01:08:20] pesquisar um pouco, eu realmente não sei.
[01:08:22] Ai, eu não sei, libertador.
[01:08:24] Você não tem que saber tudo, eu acho que o pai tem que se vulnerabilizar.
[01:08:27] Se você nunca falou sobre isso com o seu filho,
[01:08:28] você chega agora e diz, filho, a mãe não sabia,
[01:08:31] mas a mãe descobriu que tem muitos perigos
[01:08:33] no celular, então nós vamos ter que fazer um
[01:08:35] combinado que a gente não fez. Ah, eu queria entrar
[01:08:36] nisso, que é, seu filho tá fumando,
[01:08:39] tem dois anos, três anos já, né?
[01:08:41] E você descobriu que o cigarro faz
[01:08:43] mal, você redondeu tirar o cigarro da criança.
[01:08:45] O que vai acontecer? Porque tá
[01:08:47] todo mundo fumando já. Exato.
[01:08:48] Tá todo mundo fumando. E aí, o que vai
[01:08:50] acontecer? Como é que você tira a pedra de craque
[01:08:53] do seu filho? Como é que é
[01:08:55] esse detox?
[01:08:57] Deixa eu só falar do outro ponto que eu queria
[01:08:59] antes de eu esquecer, e vou até deixar você pegar essa
[01:09:00] coisa primeiro ali, o nosso psicólogo.
[01:09:03] Eu só queria falar sobre nazismo
[01:09:04] e apologia ao nazismo, que também cresceu assim
[01:09:07] em todas as…
[01:09:08] Nossa!
[01:09:09] Eu vi em cada dez escolas onde eu vou dar palestra,
[01:09:11] onde eu vou fazer essas atividades com criança,
[01:09:13] tem apologia ao nazismo. E
[01:09:14] começa com figurinhas como brincadeira.
[01:09:17] Apologia ao nazismo é crime no nosso país.
[01:09:19] Vocês já contaram isso pros
[01:09:20] adolescentes? O que que eu percebo?
[01:09:23] Quem que tem essa conversa? Quem que senta
[01:09:24] com os adolescentes? Quem que senta
[01:09:27] com os adolescentes e fala assim, filho,
[01:09:28] sabe que é nazismo? Você sabe que isso aqui é uma figurinha nazista?
[01:09:31] Você sabe que isso aqui é crime no nosso país? Que isso não
[01:09:32] pode acontecer, né? A gente tem
[01:09:34] uma lei que proíbe isso. Em todas
[01:09:36] as escolas tem os professores vindo me pedir ajuda.
[01:09:38] A gente tá com um problemão no Brasil em relação
[01:09:40] a isso. E tá tudo conectado. Os grupos
[01:09:42] de ódio geralmente flertam com
[01:09:44] o nazismo. É tudo
[01:09:46] meio a misoginia, o ódio às mulheres
[01:09:48] tá junto. Essa galera dos red
[01:09:50] piu-piu, me recuso a chamar de outra coisa,
[01:09:52] porque é essa machosfera que a gente fala.
[01:09:54] Principalmente se você tiver um menino e ele for
[01:09:56] branco, essa conversa
[01:09:58] tem que acontecer rápido.
[01:10:00] Porque a gente tem visto esses crimes acontecerem
[01:10:02] e não é com um menino de uma família
[01:10:04] vulnerável. São meninos de classe média,
[01:10:06] às vezes classe média alta.
[01:10:08] Eu só queria trazer esse ponto, porque a gente esquece, né?
[01:10:10] É a tartaruga fugindo, mas ela é uma tartaruga.
[01:10:13] Ela é uma tartaruga muito grande.
[01:10:15] E eu percebo, quando eu mostro pra eles,
[01:10:17] eu mostro alguns casos. Tipo, que alguém postou
[01:10:18] uma foto de um menino,
[01:10:20] casos de racismo, casos de nazismo.
[01:10:23] Alunos que foram expulsos, eles ficam assim, ó.
[01:10:25] Porque ninguém nunca contou.
[01:10:27] Eles incorrem em crimes
[01:10:28] sem entender que é um crime.
[01:10:31] E quem que vai contar? Só o adolescente.
[01:10:33] Alguém vai ter que dizer com todas as letras
[01:10:34] isso aqui significa racismo. Isso é errado.
[01:10:36] Não pode isso, entendeu? Então a gente precisa
[01:10:38] informá-los mais sobre as
[01:10:40] coisas. E acho que era…
[01:10:43] Ah, tá. E agora vamos
[01:10:44] para a questão do como tirar…
[01:10:47] Como tirar gente de paz? Meu filho tá cracudo.
[01:10:49] Se eu descobrir agora
[01:10:50] que talvez crack não seja a melhor
[01:10:52] distância pra um adolescente.
[01:10:55] Como que eu tiro o crack?
[01:10:56] A gente tá pro fundo do poço, né? Mas acho que
[01:10:58] é um problema complexo.
[01:11:00] A gente tá vivendo ele. Acho que de imediato
[01:11:02] é uma questão coletiva.
[01:11:05] Eu acho que é importante lembrar assim, o ambiente digital,
[01:11:07] quando a gente fala na internet, são vários
[01:11:08] ambientes digitais. E a palavra ambiente
[01:11:10] aqui acho que é importante, né? Porque você pensa assim,
[01:11:12] meu filho frequenta a cidade. Eu moro num prédio,
[01:11:14] numa rua, num bairro, num condomínio,
[01:11:17] seja lá onde eu for. Quais são os ambientes
[01:11:19] onde o corpo do meu filho
[01:11:20] frequenta? Por onde ele passa?
[01:11:23] Pra gente olhar aqui, no digital
[01:11:24] é também assim, a gente se
[01:11:27] iludiu com essa percepção de
[01:11:28] o digital como algo imaterial,
[01:11:31] abstrato. É um lugar, tá em casa.
[01:11:33] Onde ele tá? Tá em casa.
[01:11:34] Tá no quarto. Tá no celular? Tá em casa.
[01:11:37] Não, mas essa…
[01:11:38] Essa invisibilidade do espaço digital
[01:11:41] a gente agora conseguiu
[01:11:43] ver, né? E infelizmente
[01:11:45] com muita tragédia, né?
[01:11:47] O ver o que tá fumando o craque
[01:11:48] não sei se é a melhor metáfora, a gente tem
[01:11:50] coisas boas que a gente falou, né? No craque não tem nada bom.
[01:11:53] Não tem benefício no
[01:11:55] craque. Só por isso que o cigarro
[01:11:57] tem aquela… Ai, relaxa,
[01:11:59] né? Por isso que eu fumo. É, a questão
[01:12:00] aqui, o ônus é muito maior. Mas o que eu tô achando
[01:12:02] assim, são ambientes onde você vive.
[01:12:05] Sua criança tá num ambiente
[01:12:06] de jogo, de rede, ela tá num ambiente
[01:12:08] pensa pra… Vamos pensar o que fazer
[01:12:11] pra fora do ambiente do digital.
[01:12:13] Eu conheço a escola onde meu filho estuda.
[01:12:14] Não só porque eu pago, eu fui lá, eu escolhi.
[01:12:16] Escolher escola é difícil, a gente sabe como é.
[01:12:18] Eu sei onde ele vai dormir. Eu levo,
[01:12:20] eu busco, ou quem vai levar e que vai buscar
[01:12:22] é alguém que eu conheço. A gente tem
[01:12:25] uma aproximação e um contato com os
[01:12:26] ambientes onde nossa criança frequenta
[01:12:28] fisicamente. E a gente deixou
[01:12:31] passar esses ambientes
[01:12:32] digitais como se não fosse um lugar onde
[01:12:34] eu precisasse estar ou saber que existe.
[01:12:36] E houve essa lacuna muito
[01:12:38] grande. E achando que os
[01:12:40] problemas do digital seriam
[01:12:42] imateriais também, abstratos.
[01:12:44] Mas agora que a gente teve ataque às escolas,
[01:12:46] hoje mesmo, no dia que a gente grava aqui,
[01:12:48] teve um ataque
[01:12:49] em um país.
[01:12:52] A gente começa a ver que as experiências
[01:12:55] desses ambientes digitais que parecem
[01:12:57] abstratos, elas são totalmente
[01:12:58] materiais. Elas impactam a formação
[01:13:00] do cérebro, elas impactam a formação emocional.
[01:13:03] Elas impactam a forma como a gente
[01:13:05] entende o que é amizade, o que é
[01:13:06] conexão afetiva.
[01:13:09] Pra dizer, é um problema
[01:13:11] coletivo. E a resposta
[01:13:13] vai ser coletiva. Se a
[01:13:15] pessoa vai querer
[01:13:16] fazer um detox de uma droga, seja
[01:13:18] o crack ou outra, ela precisa mudar
[01:13:20] hábitos. Ela precisa mudar
[01:13:22] conexões sociais. Ela precisa mudar
[01:13:25] ambientes em que ela frequenta.
[01:13:27] Uma pessoa que tem um alcoolismo, uma pessoa que tem
[01:13:28] outro tipo de dependência, parte do tratamento
[01:13:31] é você mudar hábitos. Que não é
[01:13:33] só mudar e ter
[01:13:35] um acompanhamento. No
[01:13:36] digital, a gente tem que mudar hábitos.
[01:13:38] A gente se habituou a um péssimo
[01:13:41] contexto de achar que é tudo ou nada.
[01:13:43] Ou dou o celular, e aí dá o celular
[01:13:45] e a criança… E aí
[01:13:46] de novo, a gente não tem tempo, mas
[01:13:48] o mito do nativo digital. O mito
[01:13:50] de que como se essa nova geração nasceu
[01:13:52] plugada, sabe tudo de internet,
[01:13:55] quem sou eu pai, quem sou eu
[01:13:56] mãe, quem sou eu professora, professor
[01:13:58] pra ensinar algo, porque esse é o mundo deles
[01:14:00] e blá blá blá. Isso foi a maior armadilha.
[01:14:02] É um pouco que como nessa armadilha
[01:14:05] de que eles sabem tudo, eles se viram,
[01:14:06] a gente deixou eles
[01:14:08] desprotegidos e estão
[01:14:10] usando. Então, a mudança agora é coletiva.
[01:14:13] Por isso que o impacto do livro
[01:14:14] do Jonathan Haidt e outros movimentos como o
[01:14:16] Desconecta, é uma solução coletiva. É muito
[01:14:18] mais fácil quando você tem um grupo de pais e
[01:14:20] mães que bancam
[01:14:23] ou atrasar
[01:14:25] a oferta. Então, mude
[01:14:26] o seu hábito, dica dois. Entre num grupo
[01:14:28] de gente que tá mudando o hábito junto
[01:14:30] que é o Desconecta.
[01:14:32] Que seja o Desconecta ou outros. Por exemplo?
[01:14:35] Retardar o seu
[01:14:36] a oferta do aparelho próprio
[01:14:39] isso é muito importante. E trocar
[01:14:40] mesmo. Não sei, diz assim, não sei filho, mas
[01:14:42] vamos aprender, vamos aprender junto. É mudar
[01:14:44] os hábitos da família, inclusive. Porque
[01:14:46] nós, adultos, a gente dá péssimos exemplos.
[01:14:48] A gente usa o celular na mesa, a gente usa
[01:14:50] o celular na hora que era pra ter uma conversa,
[01:14:53] a gente usa o celular dirigindo.
[01:14:54] E você pode ser gentil do tipo assim,
[01:14:56] a mãe também tá muito viciada. Filha, eu percebi
[01:14:58] que isso é ruim pra você, vi que é ruim pra mim.
[01:15:00] Então, eu vou colocar um tempo pra mim.
[01:15:02] Vamos colocar um tempo pra você, vamos tentar?
[01:15:05] E se eles não respeitarem,
[01:15:06] você vai tirar o celular sim. E eles vão ficar
[01:15:08] bravos sim, e vai dar treta
[01:15:10] sim, mas a responsabilidade é sua.
[01:15:12] Você é o adulto responsável
[01:15:14] até essa criança.
[01:15:16] Esse adolescente tem 18 anos, tudo o que ele
[01:15:18] fizer ali é responsabilidade sua. Já existe o
[01:15:20] abandono digital. Então, acho que tem que
[01:15:22] ter essa moral, assim. Ontem uma
[01:15:24] moça comentou no vídeo meu, ah, mas eu não posso nem
[01:15:26] fazer uma coisa normal, que é compartilhar fotos dos meus
[01:15:28] filhos. Eu falei, mas quando que foi normal
[01:15:30] a gente compartilhar imagens da nossa família com
[01:15:32] completos desconhecidos? A gente sair andando
[01:15:35] compartilhando imagens. Nunca foi normal,
[01:15:36] né? A gente tem uma ilusão
[01:15:38] de privacidade. Então, já deu.
[01:15:40] Essa palavra é muito usada, né?
[01:15:43] É a minha privacidade, você não pode ler
[01:15:44] meu WhatsApp, você não pode ver…
[01:15:46] E você vai dizer, você pode dizer,
[01:15:48] filha, eu não, filho, eu não
[01:15:50] quero ver sua
[01:15:52] conversa de namoro, né?
[01:15:54] Eu quero saber com quem você tá conversando. Eu vou ver
[01:15:56] seu celular uma vez por semana. A mediação é muito
[01:15:58] importante. Existem os aplicativos, mas
[01:16:00] a conversa é mais importante. Você pode literalmente
[01:16:02] mediar dizendo, eu vou sentar do seu lado e a gente vai ver.
[01:16:04] E não vai ser uma conversa fácil.
[01:16:06] Se eles já estão usando, não vai ser uma conversa
[01:16:08] fácil. Mas quando eu falo com os adolescentes,
[01:16:10] eu falo de pornografia, eu falo de nudes,
[01:16:12] pelo amor de… De Oxalá, né? Nudes é a
[01:16:14] primeira coisa que você vai falar com um adolescente.
[01:16:17] Eles falam que eles odeiam
[01:16:18] o aplicativo de controle parental, mas acharam
[01:16:20] importante até eles terem 12, 13
[01:16:22] anos. Eles odeiam, mas acharam
[01:16:24] importante os pais deixarem. Então, assim, por mais
[01:16:26] que eles vão brigar com vocês, quando eles estão na fase que
[01:16:28] você vai dar o telefone
[01:16:30] e colocar o controle parental e fazer
[01:16:32] a negociação, eles não ficam com raiva.
[01:16:34] Galera, não tá querendo comprar briga não, né?
[01:16:36] A gente tá exausto. Trabalha muito,
[01:16:38] tem muita responsabilidade.
[01:16:41] A gente passa menos tempo com
[01:16:42] os filhos justamente porque tem que trabalhar
[01:16:44] muito. Aí o tempo que você tá com ele, você vai brigar?
[01:16:47] Você tem razão, é muito difícil.
[01:16:48] Eu não tô dizendo que vai ser fácil, gente, mas
[01:16:50] querer o amor do filho a todo custo,
[01:16:52] tipo, o tempo inteiro, ele vai reconhecer
[01:16:54] depois. É igual quando o filho não quer escovar o dente.
[01:16:56] Você não vai deixar ele dormir sem escovar o dente. Exatamente.
[01:16:58] Você vai. Ou você escova
[01:17:00] esse dente, ou você vai chantagear, você vai fazer isso tudo.
[01:17:02] A comunicação é não violenta,
[01:17:04] a gente quer uma educação positiva, mas
[01:17:06] quando chega na saúde,
[01:17:09] pode se tornar impositiva
[01:17:10] a hora que for, que é a saúde do ser humano.
[01:17:12] Então não tem, não vai dormir sem banho,
[01:17:15] não vai não escovar o dente,
[01:17:17] não vai não comer, vai comer antes
[01:17:18] da escola, assim, tem coisas.
[01:17:20] É esse mesmo lugar, talvez,
[01:17:22] a gente aproximar do mundo
[01:17:23] presencial.
[01:17:26] Eu não deixo, a juíza Vanessa Cavalieri
[01:17:28] fala muito disso, né? Eu não deixo
[01:17:30] meu filho sair sem saber
[01:17:32] onde ele tá, quanto tempo ele vai ficar,
[01:17:34] que horas ele volta e quem que tá lá.
[01:17:36] Mas na internet eu deixo?
[01:17:38] Não tem sentido, eu preciso saber
[01:17:39] onde ele tá, que tempo ele vai ficar,
[01:17:41] quem tá ali e que horas ele vai voltar.
[01:17:44] Ah, e se eu soube que na festinha eles fumaram?
[01:17:47] Baconha!
[01:17:48] Ah, você vai ficar maluca!
[01:17:50] E aí?
[01:17:51] Mas o que que eles tão vendo ou usando
[01:17:54] junto? Será que eles tão falando de crimes de ódio?
[01:17:56] Será que eles tão criticando
[01:17:57] alguém? Aliás, eu não gosto
[01:18:00] tanto da analogia com cigarro,
[01:18:02] porque eles, a indústria é maléfica, né?
[01:18:04] E eles inventaram o vape, que é um cigarro,
[01:18:06] pior. É a mesma coisa, né?
[01:18:07] E agora a gente tem que fazer todo o serviço
[01:18:10] de novo. Então, sempre vai ter
[01:18:12] alguém…
[01:18:14] É muito difícil
[01:18:15] criar um ser humano, acho que
[01:18:18] não tem nada mais difícil, gente. Se alguém conhece, me conta.
[01:18:20] Tá muito mais difícil hoje,
[01:18:22] mas eu falo pra vocês, compreendam essa briga,
[01:18:24] porque quando acontece
[01:18:26] o problema, a família é o elo mais fraco.
[01:18:29] Vai ter muito pouca legislação
[01:18:30] pra ajudar vocês, quando
[01:18:32] tiver um sexting, né? Uma chantagem,
[01:18:34] quando seu filho entrar num grupo
[01:18:36] de ódio, pra você desradicalizar ele, é muito
[01:18:38] difícil. Então,
[01:18:40] é… Compra agora.
[01:18:42] Vai ter pressa a briga. Quando eu dou aula pras crianças,
[01:18:44] a maioria lá com seis anos
[01:18:46] já tem celular, mas tem umas que não tem
[01:18:48] e elas explicam. Não, eu não tenho, por causa
[01:18:50] disso, disso, disso e disso, minha mãe cuida
[01:18:51] de mim. Se você explicar, eles entendem. Acho que a gente
[01:18:54] tem que confiar mais nas crianças e nos adolescentes.
[01:18:55] Não menosprezar. É, a gente trata
[01:18:58] como se eles não entendessem o que tá acontecendo.
[01:19:00] Eles sabem, gente. Eles vão
[01:19:02] teimar, mas eles sabem.
[01:19:03] Pra mim, o importante pra gente comprar
[01:19:05] essa briga, é…
[01:19:08] Primeiro, a gente ter ferramenta.
[01:19:10] Então, é isso. Por exemplo, hoje, a gente não consegue
[01:19:12] dizer que criança não vai usar shorts,
[01:19:14] que no WhatsApp não é pra ter
[01:19:15] comunidade, não é pra ter status.
[01:19:17] Então, esses conteúdos curtos
[01:19:19] que não é pra ter, quem que pode
[01:19:21] entrar em contato com a criança,
[01:19:23] qual é o tipo do algoritmo.
[01:19:26] Então, assim, transparência de algoritmo
[01:19:28] é uma coisa que eu vejo
[01:19:29] no SXSW se pedir
[01:19:31] há muito tempo. E ela, assim,
[01:19:33] nenhuma plataforma jamais
[01:19:35] topou conversar sobre isso
[01:19:37] que dirá fazer.
[01:19:39] Mas agora vai ser preciso, né? Com a ECA Digital,
[01:19:41] acho que dá esse alento pra gente voltar pra uma questão
[01:19:43] de alento de um futuro um pouquinho menos caótico, né?
[01:19:45] Com tanto dinheiro envolvido,
[01:19:47] vão fazer o possível pra não fazer.
[01:19:49] Mas aí que a importância da gente tá falando sobre
[01:19:51] isso aqui, porque cada uma das pessoas que estão acompanhando
[01:19:53] tá vendo a gente aqui, ficou até o final pra ouvir
[01:19:55] a gente, assim, a gente tem que, de fato, colocar embaixo
[01:19:57] do braço, porque é uma simetria de poder.
[01:19:59] Uma mãe, um pai, diante de tudo isso que a gente
[01:20:01] falou, é devastador.
[01:20:03] É isso, mas ao mesmo tempo
[01:20:05] tem o poder do consumo. Se as famílias
[01:20:07] se percebem, olha,
[01:20:09] na balança tem mais danos do que benefícios
[01:20:11] pra minha família, tá mudando os valores do meu filho,
[01:20:13] tá mudando os valores da minha criança,
[01:20:15] tá prejudicando a minha saúde, prejudicando a saúde
[01:20:17] da minha criança, a escolha
[01:20:19] do consumidor, inclusive, diz assim, olha,
[01:20:21] talvez, se essa empresa
[01:20:23] não quer oferecer esses mecanismos mínimos
[01:20:25] de segurança pra minha criança, é ilegal.
[01:20:28] O ECA Digital vai tornar isso ilegal
[01:20:29] e o Estado tem que ser cobrado pra punir
[01:20:31] a ilegalidade. Essa é uma outra
[01:20:33] questão do ECA Digital. Mas também como consumidor,
[01:20:35] diz assim, olha, eu não vou usar então. Ah, poxa,
[01:20:37] é uma pena, eu queria entrar nesse restaurante.
[01:20:39] Mas esse restaurante tá dando uísque pra minha
[01:20:41] criança. O garçom, meu filho foi no banheiro,
[01:20:43] o garçom deu no meio do caminho
[01:20:45] uma oferta de ela comprar um uísque ali por fora.
[01:20:47] Eu não volto nesse restaurante, ou seja,
[01:20:49] tem uma parte que é das famílias
[01:20:51] de fazer escolhas de configuração,
[01:20:53] mas também escolhas de consumo.
[01:20:55] Qual é o tipo de restaurante que eu quero frequentar?
[01:20:57] Qual é o tipo de hotel que eu vou? Eu vou num hotel
[01:20:59] que tem um parquinho de criança, tem uma piscina
[01:21:01] de infantil e não tem ninguém olhando?
[01:21:03] Eu vou escolher outro hotel, porque eu vi ali
[01:21:05] que naquele hotel o parque de diversões
[01:21:07] era extremamente perigoso e oferecia
[01:21:09] perigo pra minha criança. Tem uma dimensão também
[01:21:11] de escolha que é
[01:21:13] compartilhada. E eu acho que, de novo,
[01:21:15] não deixar essa bucha
[01:21:17] só com as famílias, porque é
[01:21:19] uma parte da responsabilidade da família fazer suas escolhas,
[01:21:21] mas o Estado agora, no Brasil,
[01:21:23] é a Agência Nacional de Proteção de Dados
[01:21:25] que virou autoridade,
[01:21:27] que virou agência, desculpa,
[01:21:29] que era autoridade, que vai poder fazer
[01:21:31] esse controle. Então, a Europa,
[01:21:33] a Europa tá fazendo, a França vai fazer,
[01:21:35] o próprio bloco europeu tem
[01:21:36] instrumentos pra ajudar as famílias
[01:21:39] e quando a família chegar lá pra processar
[01:21:41] no judiciário, dizer, olha, tem a lei que ampara
[01:21:43] essa empresa, feriu a lei.
[01:21:45] Porque essa combinação não tem
[01:21:47] solução mágica.
[01:21:49] É a combinação da família assumindo
[01:21:51] os hábitos digitais,
[01:21:53] igual a gente escolhe o que vai comer, vai no supermercado,
[01:21:55] a gente monta o prato, olha, você não pode comer
[01:21:57] só chocolate de manhã, tarde e noite.
[01:21:59] A vida digital das nossas crianças, e quanto
[01:22:01] mais cedo, melhor, né? A gente tem que montar
[01:22:03] um hábito digital
[01:22:04] saudável, e isso é difícil, dá trabalho,
[01:22:07] como dá trabalho fazer a criança comer bem,
[01:22:09] como dá trabalho fazer a criança deixar de ser sedentária.
[01:22:12] Não vai comer também brócolis todo dia,
[01:22:13] não vai ser isso que vai ser bom, ela vai jogar,
[01:22:15] ela vai ver um streaming, ela vai ver uma coisa,
[01:22:17] mas assumir a bucha de cuidar
[01:22:19] da dieta digital, como a gente fala,
[01:22:21] é algo que faz parte do contemporâneo,
[01:22:23] mas também a indústria, digamos assim,
[01:22:25] que oferece esses produtos, não pode
[01:22:27] botar produto tóxico
[01:22:29] no alimento. Então, da mesma forma
[01:22:31] como a indústria alimentícia é regulada,
[01:22:33] a indústria digital vai ser regulada
[01:22:35] especificamente agora pra crianças e adolescentes,
[01:22:38] e acho que é essa combinação,
[01:22:39] Estado, família e sociedade,
[01:22:41] que sempre foi assim no Brasil desde 88,
[01:22:44] é o que acho que é um desafio pra gente,
[01:22:45] dá pra fazer, assim, como a dieta,
[01:22:47] dá trabalho, mas é o acordo que a Shelly
[01:22:49] falou, né? A dieta que você vai no nutricionista
[01:22:51] é um plano, é uma meta,
[01:22:53] você dá uma escapada, você vai pisar na jaca,
[01:22:55] você refaz o acordo,
[01:22:56] um dia você vai comer tudo que você não devia,
[01:22:59] depois você reequilibra. Mas só vai funcionar
[01:23:01] também se você respeitar ele,
[01:23:03] como indivíduos, com direitos.
[01:23:05] E eu até peguei aqui, porque eu quero mostrar pra vocês
[01:23:07] uma dica boa, você faz uma pergunta pra começar,
[01:23:09] isso é, você conhece alguém viciado em celular?
[01:23:11] Eu sempre pergunto muito mais pras crianças
[01:23:13] do que falo quando eu vou, antes de eu falar
[01:23:15] eu ouço. Elas começam, minha tia, minha avó,
[01:23:17] minha mãe, meu tio, meu padrasto, não conseguem escutar,
[01:23:19] porque é todo mundo gritando ao mesmo tempo, e daí teve um menino
[01:23:21] na última turma, ele devia ter uns 10 anos, ele falou
[01:23:23] eu, por isso que minha mãe colocou aqui,
[01:23:26] porque é uma instituição que tem um trabalho
[01:23:27] de contraturno, porque eu não consigo
[01:23:29] parar de jogar. Então, assim,
[01:23:31] se o menino de 9 anos consegue entender,
[01:23:34] que ele está…
[01:23:34] Meu, abracitos, que dor!
[01:23:36] É, mas assim, ele falou com todas as…
[01:23:38] Então, é uma boa conversa,
[01:23:41] e tem uma página, mas
[01:23:43] não tem em português, se alguém quiser fazer, eu vou
[01:23:45] chamar, que chama-se
[01:23:46] Script for Parents, underline
[01:23:49] PT. São roteiros
[01:23:51] pra você conversar com seus filhos sobre coisas
[01:23:53] difíceis. Então, ataque em escola,
[01:23:55] tô com medo de ir pra aula,
[01:23:57] ou nazismo, ou
[01:23:59] blá, são roteirinhos.
[01:24:01] Ai, que amor!
[01:24:02] Só tem em inglês!
[01:24:04] Mas hoje, acho que… Ah, hoje tem a tradução,
[01:24:06] talvez dê pra ouvir com a tradução.
[01:24:08] Então, Script for Parents, eu gostaria
[01:24:10] de recomendar pra vocês, e trouxe livros também.
[01:24:12] Por favor, por favor, vai, recomende,
[01:24:14] recomende. É…
[01:24:15] Acho que, com esses livros, vocês estão
[01:24:18] super bem. Então, Script for Parents…
[01:24:20] Mostra, mostra pro pessoal.
[01:24:21] Esse livro aqui chama-se As Famílias Contemporâneas
[01:24:24] e os Desafios na Educação de Crianças e Adolescentes
[01:24:26] do meu amigo Hugo Monteiro Ferreira.
[01:24:28] Agora, o meu chão são as nuvens. Gente,
[01:24:30] ele entrevista, inclusive,
[01:24:32] famílias que tiveram
[01:24:33] atacantes de escola. Tipo, o filho foi lá
[01:24:35] atacar uma escola, ele vai entrevistar a família, ver como essa família era.
[01:24:38] E ele vai falar sobre esses desafios contemporâneos,
[01:24:40] vai falar sobre os grupos de ódio.
[01:24:42] Ele se infiltrou em vários grupos pra entender
[01:24:43] o que tá acontecendo. E ele é um cara
[01:24:46] extraordinário. Então, eu recomendo bastante
[01:24:47] esse livro. Ele é novo, saiu agorinha.
[01:24:50] Outro livro pra você entender esse mundo
[01:24:52] da internet, A Máquina do Caos.
[01:24:54] Eu acho que esse livro, todos os adolescentes
[01:24:56] deviam ler também. Tipo, ali, a partir
[01:24:58] dos 15, você já pode ler.
[01:24:59] Segura!
[01:24:59] Segura, eu sei que eu…
[01:25:02] Eu leio uma página,
[01:25:06] você lê uma página, a gente conversa.
[01:25:08] Ou por capítulo,
[01:25:10] assim, porque você entende por que que as redes
[01:25:11] surgiram e como elas
[01:25:14] atuam de forma manipulativa.
[01:25:16] E aí vai abordar tudo. Desde
[01:25:17] fake news, como que o algoritmo do
[01:25:19] YouTube não apenas
[01:25:21] impulsiona predadores sexuais,
[01:25:23] como os cria. E tem pesquisas
[01:25:26] mostrando. Que se você
[01:25:28] ficar mostrando muita coisa, a pessoa não queria ver aquilo.
[01:25:29] Mas você mostra, mostra, mostra, mostra, uma hora ela pode querer
[01:25:31] consumir. Então, gente, é bem
[01:25:34] sério e muito
[01:25:36] bem embasado, do Max Fischer.
[01:25:38] E o outro, da Gayle Dynes, que é a maior
[01:25:40] pesquisadora de pornografia
[01:25:42] do mundo e de como a pornografia afeta
[01:25:44] a infância e a adolescência,
[01:25:45] que foi traduzido há pouco tempo
[01:25:47] pro português, chama-se Pornland. Como a
[01:25:49] pornografia sequestrou nossa sexualidade.
[01:25:52] E ela atrapalha
[01:25:53] a sexualidade de meninos, mas ela também atrapalha
[01:25:56] a sexualidade de meninas, que acabam se envolvendo
[01:25:57] em práticas sexuais que elas não gostariam,
[01:26:00] mas que elas
[01:26:01] acreditam que elas têm que. E aí
[01:26:03] fica aquela insatisfação que você comentou.
[01:26:06] E tem o meu livro também, que eu não botei.
[01:26:07] Ah, tá ali!
[01:26:09] Tá ali em cima! Ah, eu não botei aqui!
[01:26:12] Eu vou. O meu livro chama-se
[01:26:13] Respire Fundo,
[01:26:15] Contos Proibidos da Internet. São seis histórias
[01:26:18] pra adolescentes
[01:26:19] e cada uma delas fala de um
[01:26:21] risco online, de um perigo.
[01:26:24] Então, tem desde namoro virtual
[01:26:25] até notícia falsa, até golpe.
[01:26:28] Enfim, seis histórias, porque com a
[01:26:29] adolescente não dá pra fazer palestrinha, igual eu faço no Instagram.
[01:26:32] Então, eu criei história pra ajudar.
[01:26:34] As professoras usam, às vezes, assim, cada
[01:26:35] tanto os adolescentes lêem uma e depois
[01:26:37] eles trocam ideia e daí tem funcionado.
[01:26:39] Puxa, eu queria fazer um convite de uma
[01:26:41] experiência pessoal, mas
[01:26:43] acho que é importante, assim, eu vejo
[01:26:45] poucos homens lerem livros sobre
[01:26:47] criação de filhos. Os homens
[01:26:50] lêem muito livro sobre a Segunda Guerra Mundial.
[01:26:52] Sim! Ou o Homem no
[01:26:53] Castelo, ou
[01:26:55] Trezentos de Esparta.
[01:26:57] Mas as mulheres lêem muito
[01:26:59] livro sobre criação de filho.
[01:27:01] É difícil achar um cara que
[01:27:03] lê o Geração Ansiosa. E aí
[01:27:05] parece que é a gente que tá ansiosa,
[01:27:07] sendo muito doida, vendo
[01:27:09] um cenário que a gente tá vendo sozinha.
[01:27:12] Então, assim, é um
[01:27:13] convite, assim, não dá pra mulher ler e
[01:27:15] falar, olha, eu fiz um resumo pra você
[01:27:16] dos bullet points,
[01:27:19] tá? Porque tá difícil.
[01:27:21] Então, acho que os homens precisam ler mais.
[01:27:23] Tem conteúdo bom na internet de parentalidade
[01:27:25] positiva, né? E de outras discussões sobre
[01:27:27] masculinidade menos tóxica,
[01:27:29] pelo menos, que fica também na internet
[01:27:31] um espaço legal de poder ver em família,
[01:27:33] de poder consumir, especialmente com os adolescentes,
[01:27:35] aproveitar esse teu gancho pra fazer
[01:27:37] uma coisa um pouco mais positiva também, né?
[01:27:39] A gente tem outras inovações no Brasil que
[01:27:41] estão indo numa boa direção,
[01:27:43] como a partir desse ano de 2026, é
[01:27:45] obrigatório que todas as escolas do Brasil
[01:27:47] tenham, obrigatoriamente,
[01:27:49] dentro do seu currículo, em todas as etapas
[01:27:51] da educação infantil até
[01:27:52] o ensino médio, educação digital
[01:27:55] e midiática, pra que também
[01:27:57] esse tema seja feito nas escolas,
[01:27:59] né? E esse é um bom tema também pra fazer
[01:28:01] em família, né? E é um bom lugar também de
[01:28:02] os pais saírem desse lugar, só de
[01:28:04] quem cuida dos cabos, mas também de pais
[01:28:07] e mães terem essa conversa sobre
[01:28:08] ética no mundo digital, sobre cuidado,
[01:28:11] né? E aí, fazendo o
[01:28:13] merchan também, no perfil
[01:28:15] do Instituto Alana, a gente tem muito conteúdo legal
[01:28:16] sobre parentalidade também, inclusive
[01:28:19] tem o portal Lunetas, que eu não trouxe
[01:28:21] aqui, mas no portal Lunetas tem
[01:28:23] muito conteúdo, inclusive, bem prático, né?
[01:28:24] Olha, conjunto de… Eu uso, inclusive,
[01:28:26] 10 animações pra crianças de
[01:28:29] baixo estímulo, que você tem
[01:28:30] produções que tem um outro ritmo, outra frequência.
[01:28:33] Ah, isso é super importante, às vezes o conteúdo é até
[01:28:34] bom, mas pisca, grita e roda
[01:28:36] tanto. Exatamente, e gera mais ansiedade,
[01:28:39] gera mais oportunidade. Até pra nós,
[01:28:41] esse… Psicodélicos… Sonhos
[01:28:42] de trem, vocês ficaram a ver?
[01:28:44] Que saiu agora? Ele é incrível,
[01:28:46] porque ele é de baixo estímulo, é pra nós, é baixo
[01:28:48] estímulo, mas significa sua mente, tá o tempo
[01:28:50] todo, mas é tão interessante, sabe? É um filme
[01:28:52] que não fica querendo te acelerar,
[01:28:55] ele é bom por ser bom,
[01:28:56] sabe? Até pra nós faz diferença.
[01:28:59] E acho que mais duas coisas que eu queria trazer também, pra
[01:29:00] terminar um pouco mais otimista, né?
[01:29:02] Uma é também uma coisa que a gente trabalha muito,
[01:29:04] que é, assim, a gente tá perdendo
[01:29:06] o contato com a natureza. Crianças
[01:29:08] não sabem nomear animais, não sabem
[01:29:10] nomear frutas, legumes,
[01:29:12] a gente tá deixando das crianças
[01:29:14] terem a oportunidade de viver a cidade,
[01:29:17] de viver o contato com a natureza,
[01:29:18] especialmente em grandes cidades, e mesmo
[01:29:20] nos interiores, nas cidades, nos
[01:29:22] campos, a conexão com as telas
[01:29:24] estão sendo tão excessivas, que a questão
[01:29:26] não é tudo ou nada, de novo, assim, mas quando
[01:29:28] a tela consegue substituir
[01:29:30] experiências de vida, de brincar,
[01:29:32] de se sujar, de ter contato,
[01:29:34] e a nossa indisponibilidade de adultos
[01:29:36] de permitir essas experiências, que dá trabalho,
[01:29:38] tem que estar perto, de se sujar,
[01:29:40] né? E um último ponto aí, esse um pouco mais
[01:29:42] otimista, né? Eu disse no começo que eu sou
[01:29:44] apaixonado por tecnologia. A gente tem
[01:29:46] que parar pra pensar que é possível
[01:29:48] criar outras formas de estar
[01:29:50] no digital. E o ECA Digital, de novo,
[01:29:52] é isso, assim, são possibilidades de
[01:29:54] abrir novas possibilidades de inovação,
[01:29:56] novos modelos de negócio, novos parques,
[01:29:58] diversões digitais, novos jogos,
[01:30:00] até pra economia brasileira, o
[01:30:02] ecossistema de startup no Brasil é muito grande,
[01:30:04] é inspirar a geração
[01:30:06] atual e as próximas, que olha,
[01:30:08] não é tudo ou nada, não é desliga o celular,
[01:30:10] quebra tudo, joga fora, não.
[01:30:12] Mas entender, o atual modelo de
[01:30:14] design desses ambientes, que não foi feito pra
[01:30:16] criança, apesar de ela ser um terço dos usuários,
[01:30:19] dá pra ser diferente,
[01:30:20] dá pra ter mais saúde, dá pra ser
[01:30:22] mais inspirador, dá pra usar o celular
[01:30:24] na escola, porque a lei não proibiu o celular na escola,
[01:30:26] proibiu o uso pessoal,
[01:30:28] pra fins não pedagógicos. Então, assim,
[01:30:30] é sair do tudo ou nada e dizer assim, caramba,
[01:30:32] dá trabalho, dá, mas vamos organizar
[01:30:34] aqui, ó, esse livro aqui não é bom pra mim,
[01:30:36] mas esse aqui é sensacional. Vamos
[01:30:38] organizar um pouco essa presença digital
[01:30:40] das crianças e lembrar,
[01:30:42] dá pra criar,
[01:30:44] inclusive inteligência artificial,
[01:30:46] dá pra criar rede social, dá pra criar jogo
[01:30:48] que não dependa desse modelo
[01:30:50] abusivo de explorar a
[01:30:52] vulnerabilidade das crianças. São escolhas
[01:30:54] e essas escolhas não são só
[01:30:56] da família. Como país a gente escolheu,
[01:30:58] a marca digital, felizmente, nosso congresso
[01:31:00] aprovou e entra em vigor, mas
[01:31:02] agora é uma escolha nossa, como pai, como
[01:31:04] mãe, como professor, como criador
[01:31:06] de tecnologia. Poxa, eu sou um designer.
[01:31:08] Abortiu, todo mundo vive em contato
[01:31:10] com a criança. Inclusive os profissionais,
[01:31:12] desenvolvedores, faculdades de desenvolvimento
[01:31:14] de software, faculdades
[01:31:16] que treinam pra startup, empreendedores,
[01:31:18] todo mundo tem responsabilidade
[01:31:20] em criar um ambiente
[01:31:22] digital que seja mais gostoso
[01:31:24] de estar em família, de estar como
[01:31:26] criança. Não, mas trazer,
[01:31:28] trazer ética, o Sandel fala
[01:31:30] sobre isso, que a ética saiu
[01:31:32] da universidade, a formação
[01:31:34] ética, a gente formar
[01:31:35] profissionais que para além de
[01:31:37] buscar excelência técnica,
[01:31:40] excelência, é buscar
[01:31:41] ser reconhecido, maximização
[01:31:43] do lucro, considere
[01:31:45] a ética em tudo que faz. Então, acho que
[01:31:47] grandes discussões, gente,
[01:31:50] queria agradecer demais
[01:31:52] vocês virem, acho que
[01:31:53] esse assunto dá uns 15
[01:31:55] programas, dá uma série.
[01:31:57] Acho que a gente pode
[01:31:59] fazer uma série sobre isso, né, Cris?
[01:32:01] Mande perguntas, mandem recortes.
[01:32:04] Eu acho, é um
[01:32:05] tema para os pais
[01:32:06] comentarem bastante, porque a partir
[01:32:09] dos comentários de vocês, a gente vai produzindo
[01:32:11] os próximos conteúdos. É isso,
[01:32:13] temos aqui um programa muito bom,
[01:32:15] graças a Sheily, obrigada por trazer
[01:32:17] coisas práticas do dia a dia.
[01:32:20] Rodrigo, obrigada por
[01:32:21] problematizar e trazer
[01:32:22] em que passo que a gente está de conhecimento.
[01:32:25] Despeçam-se dos nossos ouvintes.
[01:32:27] Tchau!
[01:32:29] Nas redes sociais,
[01:32:31] passando raiva juntos
[01:32:32] e buscando maneiras de construir
[01:32:35] um mundo mais ético e amoroso para todos.
[01:32:37] Demais, super feliz de estar aqui
[01:32:39] e terminar otimista, assim, é possível.
[01:32:41] Agora juntos, todo mundo junto,
[01:32:43] é muito melhor e mais fácil da gente
[01:32:45] fazer isso funcionar. É isso,
[01:32:47] seja o algoritmo que você quer ver no mundo,
[01:32:49] compartilhe esse conteúdo com
[01:32:51] todas as pessoas. Quando a gente compartilha
[01:32:53] a mesma realidade, fica mais
[01:32:55] fácil mudar, né? Não dá para cada um
[01:32:57] estar enxergando uma coisa, sendo que a gente
[01:32:59] precisa fazer juntos. É isso.
[01:33:01] Mamilos
[01:33:02] Mamilos