EH VÁRZEA 083 - Trevas sobre Tel Aviv
Resumo
O episódio começa com uma análise da entrevista do embaixador norte-americano em Israel, Mike Huckabee, ao comentarista de extrema-direita Tucker Carlson. Na entrevista, Huckabee, descrito como um evangélico fanático, expressa apoio a um projeto de Israel que incluiria a ocupação de praticamente todo o Oriente Médio. O host destaca o absurdo de que perguntas difíceis ao enviado de Trump só sejam feitas por uma figura como Carlson, um antissemita declarado, refletindo a falência do jornalismo tradicional.
A discussão avança para a aliança entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu, caracterizada como uma “dupla dinâmica” que promove aventuras genocidas. Israel é descrito como um estado pária cujo objetivo é matar a serviço dos Estados Unidos e de seus próprios interesses de poder. O host argumenta que o projeto colonial israelense do pós-guerra, justificado pelo Holocausto, foi construído com muito sangue palestino e tem como maior aliado os EUA, devido aos lobbies evangélico, de guerra e do petróleo.
O genocídio em Gaza, feito “na frente das câmeras”, é citado como um ponto de virada, embora tenha tido pouco efeito nas elites, descritas como sádicas e sem remorso. No entanto, há uma percepção pública crescente contra o apoio ocidental a Israel, especialmente nos EUA, onde apoiar Israel pode ser um risco eleitoral para os democratas. O host ressalta a ironia de Netanyahu ter trabalhado ativamente para a eleição de Trump, desrespeitando o governo Biden.
O episódio também menciona uma gravação anterior com Andrew Fishman e Charar Goldwasser do The Intercept, onde se discutiu como o complexo militar israelense se tornou um laboratório para treinar exércitos autoritários e controlar populações no mundo todo. A violência não se limita a Gaza, mas também à Cisjordânia, onde colonos israelenses atacam civis palestinos diariamente, com a intenção clara de expandir a limpeza étnica.
Por fim, o host expressa preocupação com a retórica religiosa vinda de figuras como Huckabee, que invocam Deus para justificar o uso de armas atômicas, enquanto Israel mantém um grande arsenal nuclear não declarado. A conclusão é sombria: a ofensiva EUA-Israel contra o Irã tende a ser mais desastrosa que a Guerra do Iraque, e não há justiça ou instituições internacionais capazes de frear essa escalada, pois a “ordem baseada em regras” é uma miragem do pós-guerra que está se desfazendo.
Indicações
Episodes
- Vira-Casacas Episódio 227 com Andrew Fishman e Charar Goldwasser — Episódio mencionado onde os convidados, ambos judeus, discutem como rejeitaram ir para Israel e se alistar, e como veem o complexo militar israelense como um laboratório para treinar exércitos autoritários no mundo todo.
People
- Mike Huckabee — Embaixador norte-americano em Israel, evangélico fanático que, em entrevista a Tucker Carlson, apoiou a expansão israelense no Oriente Médio e sugeriu que Trump usasse bombas atômicas contra o Irã, dizendo que ‘Deus estaria do seu lado’.
- Tucker Carlson — Comentarista de extrema-direita, ex-Fox News, que entrevistou Mike Huckabee. É descrito como um antissemita declarado, e a ironia é que ele foi quem fez perguntas difíceis ao enviado de Trump.
- Andrew Fishman — Editor do The Intercept, convidado de um episódio anterior do Vira-Casacas (Ep. 227), onde discutiu, sendo judeu, sua rejeição ao projeto israelense.
- Charar Goldwasser — Convidado do episódio 227 do Vira-Casacas, também judeu, que debateu a rejeição ao serviço militar israelense e a natureza do complexo militar do país.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Entrevista de Mike Huckabee a Tucker Carlson — O host introduz a entrevista do embaixador norte-americano Mike Huckabee ao comentarista de extrema-direita Tucker Carlson. Huckabee, um evangélico fanático, expressa apoio a um projeto de expansão israelense por todo o Oriente Médio. A ironia destacada é que perguntas difíceis ao enviado de Trump só são feitas por uma figura como Carlson, um antissemita declarado, refletindo a falência do jornalismo tradicional.
- 00:02:00 — Israel como estado pária e a aliança Trump-Netanyahu — O host argumenta que Israel se tornou um estado pária cujo objetivo é matar a serviço dos EUA. A aliança Trump-Netanyahu é descrita como produtora de instabilidades globais, com uma Europa covarde e um mundo inteiro colocado no lugar dos palestinos. Qualquer morte nessas ‘aventuras genocidas’ é considerada nada, desumanizando completamente as vítimas.
- 00:03:22 — O projeto colonial israelense e o apoio dos EUA — É discutida a justificativa torta do projeto colonial israelense no pós-guerra, baseada no sofrimento judeu no Holocausto. Esse projeto foi construído com ‘muito sangue palestino’ e tem como maior aliado os Estados Unidos, impulsionado por lobbies evangélicos, de guerra e do petróleo, que veem Israel como uma colônia avançada no Oriente Médio.
- 00:05:08 — O genocídio em Gaza e a mudança na opinião pública — O genocídio em Gaza, feito na frente das câmeras, teria tido pouco efeito nas elites, descritas como sádicas e sem interesse no bem mútuo. No entanto, há uma percepção pública crescente, especialmente nos EUA e Europa, contra o apoio ocidental a Israel. Apoiar Israel agora é um risco eleitoral para os democratas, em parte porque Netanyahu trabalhou ativamente para eleger Trump.
- 00:09:11 — Israel como laboratório para exércitos autoritários — O host relembra um episódio anterior com Andrew Fishman e Charar Goldwasser, onde se discutiu como o complexo militar israelense se tornou uma ferramenta de vigilância e treinamento para exércitos autoritários no mundo todo. O laboratório do genocídio palestino serve como um plano para como a extrema-direita quer controlar e matar pessoas globalmente.
- 00:11:23 — A impossibilidade do projeto de colonização e a desumanização — O host argumenta que o projeto de colonização israelense é impossível desde o assassinato de Itzhak Rabin. A sociedade israelense é descrita como majoritariamente fanatizada e sem escrúpulos, evidenciada pelo que os próprios israelenses postam nas redes sociais: piadas horríveis e desumanização das vítimas palestinas, incluindo crianças.
- 00:14:08 — Violência na Cisjordânia e planos de expansão — A violência não se limita a Gaza. Na Cisjordânia, colonos israelenses espancam e matam palestinos diariamente, com o exército israelense também participando. O plano, aparentemente apoiado por Trump, é transformar Gaza num resort, expulsar os palestinos (limpeza étnica) e fazer o mesmo na Cisjordânia, com expansão futura para Líbano e Síria.
- 00:17:05 — Retórica religiosa e arsenal nuclear israelense — O host expressa mais medo da retórica religiosa vinda de figuras como Mike Huckabee, que invocam Deus para justificar o uso de armas atômicas contra o Irã, do que dos ‘fanáticos do outro lado’. Enquanto se ataca o Irã por seu programa nuclear, Israel possui o quarto ou quinto maior arsenal atômico do mundo, praticando uma ‘ambiguidade estratégica’ ao não admiti-lo.
- 00:20:08 — Mídia servil e a perda da liberdade de informação — A mídia internacional é acusada de ser um braço de propaganda do esforço de guerra de Trump e Netanyahu, repetindo qualquer narrativa do departamento de estado dos EUA ou do exército israelense. Não há liberdade de informação real, o que permite que Trump e os EUA continuem bombardeando impunemente, enquanto a população questiona por que deve lutar as guerras de expansão israelense.
- 00:21:50 — Conclusão sombria e a falência da ordem internacional — O host prevê que a ofensiva EUA-Israel contra o Irã será mais desastrosa que a Guerra do Iraque. Figuras como George Bush e Dick Cheney nunca foram punidas, e o mesmo acontecerá com os atuais responsáveis. A justiça só virá se feita por quem a quer, pois a ‘ordem baseada em regras’ e a legislação internacional são uma miragem do pós-guerra que está se desfazendo, levando a um futuro mais instável.
Dados do Episódio
- Podcast: Viracasacas Podcast
- Autor: Viracasacas Podcast
- Categoria: News Politics
- Publicado: 2026-03-01T21:37:35Z
- Duração: 00:23:21
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/viracasacas-podcast/dee3a250-f2f5-0134-ec5e-4114446340cb/eh-v%C3%A1rzea-083-trevas-sobre-tel-aviv/fc0381ad-0c51-4d87-bcbd-b7f1d61d229a
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Dados do Podcast
- Nome: Viracasacas Podcast
- Tipo: episodic
- Site: https://www.spreaker.com/podcast/viracasacas-podcast—6704831
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Transcrição
[00:00:00] Uma semana atrás, a gente viu uma entrevista do embaixador norte-americano a Israel, Mike Huckby,
[00:00:11] e foi uma entrevista que ele deu para um espécie de para-jornalista, uma espécie de comentarista de extrema-direita,
[00:00:21] que é o Tucker Carlson.
[00:00:22] Tucker Carlson era um comentarista muito famoso na Fox News e ele foi demitido, entre outras coisas, por acusações de abuso de poder e assédio sexual e coisas do tipo.
[00:00:35] E nessa entrevista é algo interessantíssimo ver porque o Mike Huckby, que é um evangélico fanático,
[00:00:46] ele diz que ele apoiaria um projeto de Israel que incluísse a ocupação de praticamente todo o Oriente Médio.
[00:00:56] E essa entrevista fez um monte de gente ficou citando isso e uma parte que eu achei assustadora é que as pessoas elogiaram o Tucker Carlson por ter perguntado isso,
[00:01:12] por ter feito perguntas difíceis ao Huckby.
[00:01:15] Huckby não é um cara sério, não é uma pessoa, é mais um desses fanfarrões do Partido Republicano, o evangélico fanático,
[00:01:23] um cara que quando o Trump bombardeou o Irã naquela guerra dos 12 dias disse que o Trump deveria se espelhar na coragem do Truman,
[00:01:33] Truman é um cara que jogou as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki e basicamente pedindo para que o Trump jogasse bombas atômicas no Irã dizendo que Deus estava com ele ao fazer isso.
[00:01:45] E não existe ninguém, essa era a questão, que era capaz de ficar fazendo essas perguntas incômodas ao cara que é o enviado de Donald Trump a Israel.
[00:02:00] Isso sobrou para um comentarista ultraconservador de simpatias neo-fascistas que é um antissemita declarado a fazer isso.
[00:02:08] Hoje a gente observa algo perturbador, Israel se tornou mais do que nunca um estado párea cujo objetivo é basicamente matar a gente a serviço dos Estados Unidos
[00:02:28] e dos seus próprios interesses de poder e a medida que se espalha essa aliança Trump Netanyahu começa a produzir instabilidades no mundo inteiro
[00:02:38] a gente olha uma Europa covardada e a gente olha que o mundo todo hoje fora daquele pequeno círculo de elite que dita a guerra em Israel e nos Estados Unidos
[00:02:53] é praticamente estar colocado no lugar dos palestinos, qualquer morte que acontece nessas aventuras genocidas feitas pela dupla dinâmica Netanyahu e Trump
[00:03:07] hoje é considerado nada, nenhum ser humano que está no caminho desses dois é considerado como propriamente um ser humano.
[00:03:22] Isso coloca uma questão para Israel, Israel como um projeto obviamente colonial do pós-guerra tinha uma justificativa, uma justificativa torta
[00:03:40] se os judeus sofreram aquele genocídio na Europa eles deveriam voltar para sua terra ancestral e conseguiram direito a essa terra como uma espécie de proteção
[00:03:52] isso não foi feito sem muito sangue palestino, isso a gente sabe bem e isso foi feito com muitas mãos e com muito apoio de diversas pessoas
[00:04:09] e o maior aliado de Israel já tem um tempo, pelo menos uns 30 ou 40 anos, tem sido os Estados Unidos que tem um lobby evangélico e um lobby de guerra
[00:04:21] e um lobby da indústria do petróleo que veem na existência de Israel uma espécie de porto seguro de base de colônia avançada no Oriente Médio
[00:04:35] e essa aliança entre Israel e os Estados Unidos sempre foi algo praticamente majoritário dentro do conservadorismo americano e mesmo dentro do liberalismo
[00:04:47] que é o que existe no partido democrata, apoiar Israel, dar Israel direito de defesa como eles dizem sempre foi uma coisa absolutamente, quase que algo colateral dentro da política norte americana
[00:05:02] todo mundo falava, claro que sim, temos que apoiar Israel e isso está mudando
[00:05:08] eu acho que o genocídio em Gaza feito na frente das câmeras teve pouco efeito no pensamento das elites porque o que a gente descobriu de um tempo para cá
[00:05:20] eu acho que pelo menos desde 2024 até aqui é que nós somos governados pensando em nós no mundo e nas pessoas mais ricas do mundo, nas elites que mandam o mundo
[00:05:32] por pessoas que são absolutamente sádicas e não tem nenhum tipo de remorso ou interesse num bem mútuo, não existe nenhum interesse
[00:05:44] essas pessoas só querem saber de poder e elas enxergam a nós como se fôssemos camponeses, escravos ou corpos a serem dilacerados por uma bomba
[00:05:56] e nesse momento o que acontece é que as populações tem, especialmente nos Estados Unidos, mas em vários outros lugares, na Europa também
[00:06:06] tem uma percepção cada vez mais negativa sobre esse apoio do tal dito ocidente à empreitada israelense
[00:06:14] e esse apoio é algo que tem sido cada vez mais questionado, eu acho que hoje se alguém é candidato do partido democrata e após Israel a chance dele sofrer uma primária
[00:06:27] ou não vencer as eleições é muito alta, não só por causa do que aconteceu em Gaza, a gente sabe que os democratas apoiaram isso
[00:06:37] mas porque apesar dos democratas terem apoiado Netanyahu, Netanyahu fez tudo, tudo o possível para que Donald Trump fosse eleito
[00:06:44] inclusive basicamente mostrar que Joe Biden não tinha nenhum tipo e os democratas não tinham nenhum tipo de poder sobre ele
[00:06:53] exceto o de fornecer armas para que o morticínio continuasse, enquanto ele basicamente desrespeitava qualquer tipo de linha vermelha que fosse dado
[00:07:06] Donald Trump não vai colocar nenhuma linha vermelha na matança de civis, porque pelo que a gente sabe dos arquivos Epstein, ele gosta de ver gente morta
[00:07:15] ele gosta de ver gente sofrendo, como todos os outros amigos dentro da administração Trump, que a gente pode dizer que é basicamente uma administração entre as pessoas que praticaram crimes com Jeffrey Epstein
[00:07:29] e as pessoas que ajudaram a esconder esses crimes, Donald Trump, enfim, quem entrou nessa história de que ele era um presidente anti-guerra continua sendo um absoluto idiota
[00:07:41] a gente falou isso 50 mil vezes, desde que o Vira-Casacas existe, não existe um Trump anti-guerra, o Trump sempre foi pro guerra, o Trump sempre fez isso
[00:07:52] a primeira outra coisa é uma miragem de propaganda que alguns espertinhos, que se acham especialistas em geopolítica escolheram acreditar
[00:08:06] mas essa realidade de apoio a Israel é cada vez mais questionado por conta do que está acontecendo, é uma realidade muito ruim em vários aspectos
[00:08:21] não porque a queda no apoio a Israel seja ruim, mas porque ela vem acompanhada, principalmente no direito norte-americano, por um crescente e óbvio antisemitismo
[00:08:36] é inacreditável o quanto, isso era algo meio óbvio, mas enquanto o antisemitismo era direcionado aos judeus progressistas nos Estados Unidos
[00:08:48] o Israel estava feliz da vida, inclusive ajudando, como sempre ajudou, a propagar esse tipo de ódio, junto com o regime Netanyahu
[00:08:58] o Netanyahu é um dos grandes responsáveis pelo discurso de propagação de ódio aos muçulmanos e aos judeus que não são sionistas ou progressistas
[00:09:11] mas mais do que isso, eu queria pensar um pouco e voltar a um episódio do Vira-Casacas que a gente gravou com o Andrew Fishman, que é um dos editores do Intercept
[00:09:24] com o Charar Goldwasser, esse eu acho que foi o episódio, foi em 2021, e se eu não me engano foi o episódio de número, ai eu não vou lembrar
[00:09:42] mas enfim, a gente gravou isso do episódio 227
[00:09:50] a gente gravou esse episódio, e eu lembro que nesse episódio, tanto o Andrew como o Charar, eles são, os dois são judeus e os dois estavam discutindo
[00:10:01] sobre como eles rejeitaram essa coisa de ir para Israel e se tornar parte do exército israelense e coisas do tipo
[00:10:14] e o que eles falavam, a maneira como eles enxergavam o complexo militar israelense era mais como Israel se tornou uma espécie de ferramenta de vigilância e treinamento de exércitos autoritários no mundo inteiro
[00:10:32] ou seja, como o laboratório do genocídio palestino, ele é usado hoje como uma espécie de planta, de mapa, de plano, de linha-guia para como as direitas e a extrema direita quer controlar e matar a gente no resto do mundo
[00:10:53] e eu acho que nessa época, eu lembro que eu escutei aquilo tudo um pouco horrorizado, eu ainda tinha um pouco uma ideia de que talvez as coisas fossem muito ruins em Israel naquele momento
[00:11:08] porque o liquid está no poder há um tempão, porque a extrema direita está no poder há um tempão
[00:11:14] e hoje eu já obviamente não penso mais assim, eu acho que o projeto de colonização israelense da maneira como ele está feito, ele é impossível
[00:11:23] eu acho que desde que um fanático sionista matou Itzhak Rabin para que não houvesse um acordo de paz entre ele e o Arafat, que era o líder da organização palestina naquele momento
[00:11:38] desde aquilo já não tinha nenhuma chance de algo ser feito e cada vez que os palestinos morrem, excluindo o pequeno ato de resistência do 7 de outubro
[00:11:56] um pequeno ato de guerra, você pode até chamar assim, não há nenhuma resistência palestina que tenha surgido nenhum efeito dentro do crescente abuso
[00:12:10] do crescente discurso de que os palestinos devem morrer, os israelenses em sua maioria pensam assim e não existe nada que pareça de suadilos disso
[00:12:23] se você olha o comentário, você tem uma pequeniníssima porção da sociedade israelense que apesar de ser sionista, imagina outra coisa
[00:12:33] e cada vez mais o resto é uma base fanatizada que não tem nenhum escrúpulo
[00:12:43] e a gente olha isso pelo o que eles próprios produzem, não precisa de propaganda, palestina, resbolar ou de qualquer coisa do tipo
[00:12:53] do ramaz para poder ver o que os próprios israelenses estão postando, ou seja, como eles praticam atrocidades em casa e depois postam vídeos fazendo piada
[00:13:06] com morte de criança, com gente passando fono
[00:13:09] então a gente olhou aquilo e eu acho que talvez um momento de realização assim, de que não tinha mais volta foi poder ver o que os próprios israelenses postavam
[00:13:25] aquela piada horrível que é traduzir um tweet em hebraico e parece que o negócio não tem nem como descrever
[00:13:36] em geral são coisas de inumanidade, de desumanidade tão absurda
[00:13:41] não estou falando isso com relação a inimigos percebidos, gente armada, ou seja, a ideia de que os palestinos devem morrer
[00:13:52] ou eles devem ser destruídos, parece bastante difundida na sociedade israelense
[00:13:58] e aí a ideia era de que Gaza, por exemplo, deveria ser atacada e destruída porque o ramaz fez aquele ato de guerra no 7 de outubro
[00:14:08] e ao mesmo tempo a autoridade palestina é quem domina o West Bank, como eles falam em inglês
[00:14:20] e a autoridade palestina não é o ramaz
[00:14:23] e apesar disso a gente está vendo vídeos todo dia de colonos israelenses espancando velhinhas
[00:14:29] ou matando, atirando em gente, invadindo, fazendo, tomando coisas
[00:14:34] a violência não vem só do exército israelense na Cisjordânia
[00:14:38] ou seja, as pessoas são absolutamente massacradas o tempo inteiro
[00:14:43] e eles estão esperando apenas a próxima justificativa para poder praticar na Cisjordânia a mesma coisa que fizeram em Gaza
[00:14:49] e aí a minha pergunta, e aí a ideia deles, aparentemente junto com o Donald Trump
[00:14:54] é transformar Gaza num grande resort, expulsar os palestinos para algum lugar
[00:14:59] falando em Sudão, qualquer coisa do tipo, o que é absolutamente, isso aí é prática genocida, não tem outro nome para esse tipo de coisa
[00:15:08] limpeza étnica
[00:15:10] e a ideia depois é poder fazer a mesma coisa na Cisjordânia e continuar fazendo isso aparentemente, segundo Mike Huckabee
[00:15:17] continuar fazendo isso no Líbano, na Síria, enfim
[00:15:22] e esses últimos anos, eles foram um pouco, especialmente feitos por Donald Trump
[00:15:27] Donald Trump é um cara que deu um poder enorme para Benjamin Netanyahu
[00:15:31] e ajudou ele a normalizar relações diplomáticas com os países do Golfo
[00:15:36] ali nos países de maioria sunnita, tipo Arábia Saudita, Emirados Árabes, Oman, Catarra, etc
[00:15:45] e com os acordos de Abraão, e o que foi feito a partir disso, o que todo mundo esperava
[00:15:51] é destruição dos aliados do Irã na região
[00:15:56] vários golpes contra o Hezbollah, destruição das brigadas Quds
[00:16:02] da galera, aí que é interessante, da galera que estava na Síria brigando contra o Estado Islâmico
[00:16:07] e a coisa que a coroa toda é botar um ex-líder da al-Qaeda na presidência da Síria
[00:16:14] aí é com o beneplácio dos Estados Unidos e não adianta nada porque Israel continua
[00:16:18] bombadiando a Síria do mesmo jeito e o negócio está fervendo
[00:16:22] a Síria está num momento em que o glorioso presidente da Síria, que era um membro da al-Qaeda
[00:16:30] começou a soltar um monte de gente do Estado Islâmico que estava preso
[00:16:35] vai dar bom, a gente sabe que vai dar bom
[00:16:39] em geral isso tudo é nota de rodapé na grande imprensa
[00:16:43] que está muito preocupada e que basicamente hoje em dia
[00:16:47] a gente não tem imprensa internacional que não seja um braço de propaganda
[00:16:51] desse esforço de guerra de Trump e Netanyahu
[00:16:55] e o que eu queria dizer a partir disso é o seguinte
[00:16:59] esse é um momento em que a parte que mais me assusta
[00:17:05] é a quantidade de retórica religiosa vinda de dentro do tal acidente livre
[00:17:11] eu ando mais assustado lendo o Mike Huckabee falando basicamente por Donald Trump
[00:17:18] mandando um tweet dizendo assim, olha aí, faça o que fez o presidente Truman com o Irã
[00:17:23] Deus estará do seu lado
[00:17:25] do que eu fico assustado com o que dizem os fanáticos do outro lado
[00:17:35] porque os Estados Unidos tem um arsenal atômico incrível
[00:17:40] e aparentemente hoje em dia enquanto se ataca o Irã com a ideia de que
[00:17:45] ele seria uma ameaça a estabilidade no Oriente Médio
[00:17:53] que o Irã não poderia ter uma pomba atômica e se mata
[00:17:57] que aparentemente é um dos maiores opositores a um programa nuclear agressivo no Irã
[00:18:06] enquanto isso tudo acontece Israel hoje tem o quarto ou quinto maior arsenal atômico do mundo
[00:18:17] isso é uma estimativa porque Israel pratica uma espécie de ambiguidade estratégica
[00:18:26] eles não admitem ter o arsenal atômico, mas a gente sabe que eles tem
[00:18:32] e o que vai acontecer?
[00:18:36] essa é uma grande coisa, Donald Trump quer se tornar um ditador nos Estados Unidos
[00:18:41] não sou eu quem está dizendo, é o próprio
[00:18:44] ele quer impedir ou interferirem eleições que vão fazer com que ele perca
[00:18:52] sua base de congresso no meio do mandato
[00:18:59] e Netanyahu é um cara que vai ficar na presidência de Israel até o dia que morrer de velho
[00:19:05] e praticamente a chance de que ele vai pagar pelos inúmeros crimes que ele cometeu
[00:19:11] é cada vez menor, existe muita gente apoiando, muita gente ganhando dinheiro
[00:19:16] com as ações desse carniceiro
[00:19:19] o que eu acho curioso e eu continuo pensando nisso
[00:19:26] é que nós estamos numa espécie de dia da maramota
[00:19:30] onde a invasão do Iraque acontece todo dia
[00:19:36] a gente tem uma mídia servil
[00:19:40] que vai falar qualquer bosta que o departamento estadunidense disser
[00:19:45] esses caras vão repetir
[00:19:48] e se não for o departamento estadunidense tem gente que serve no exército israel
[00:19:53] e é chamado para comentar qualquer coisa que acontece
[00:19:56] mas é isso que a gente olha
[00:19:59] não existe liberdade de informação
[00:20:02] tem pouquíssimo acesso a coisas reais
[00:20:05] enquanto isso, o que isso faz?
[00:20:08] isso ajuda que Donald Trump continue bombadando quem ele bem entende
[00:20:14] que os Estados Unidos continuem fazendo isso
[00:20:17] e aí no fim de tudo
[00:20:21] o sentimento que está surgindo nas bases
[00:20:26] nas pessoas nos Estados Unidos e em outros lugares
[00:20:30] essa é uma ideia de porque nós temos que lutar as guerras de Israel
[00:20:35] porque nós temos que lutar um esforço de expansão
[00:20:38] um esforço de desestabilização patrocinado pelos israelenses
[00:20:43] e é claro que não são só os israelenses
[00:20:46] que tem interesse nisso
[00:20:49] muito obviamente um monte de gente na direita americana
[00:20:53] e inclusive em outros lugares
[00:20:56] tem pessoas centristas, democratas, uma galera na Europa
[00:20:59] quer arrebentar e colonizar o Oriente Médio
[00:21:02] não tem problema, só que os israelenses
[00:21:05] a coisa é mais descarada ali
[00:21:08] e eles têm sido promovidos aos mentores dessa coisa toda
[00:21:15] não vai dar bom, não vai ser bom
[00:21:18] mas fica nessa
[00:21:21] vai ser ruim
[00:21:25] eu desconfio que independente do tempo
[00:21:28] que essa ofensiva americana e israelense durar no Irã
[00:21:35] ela vai ser infinitamente mais desastrosa para a região
[00:21:44] do que foi a guerra do Iraque
[00:21:47] e eu acho que aí se é verdade
[00:21:50] que a Arábia Saudita e Catar, e sei lá
[00:21:54] quem, Emirados Árabes, todo mundo achou que era uma boa
[00:21:57] matar o Ayatolah e atacar o Irã
[00:22:00] a gente sabe que a rubriz é algo incrível
[00:22:03] nessa galera que tem poder
[00:22:06] George Bush é outro, Dick Tierney morreu sem pagar
[00:22:09] pelo que ele fez, sendo promovido uma espécie
[00:22:12] de voz da razão dentro da direita americana
[00:22:15] depois que o Trump veio
[00:22:18] e talvez a mesma coisa vai acontecer com toda essa gente depois
[00:22:22] é aquilo que eu digo, só há justiça
[00:22:25] se essa justiça for feita por quem quer justiça
[00:22:30] não existe lata de lixo da história
[00:22:33] não existe instituições que vão garantir
[00:22:36] nada disso, tudo isso é um sonho liberal
[00:22:39] e a gente tem visto que
[00:22:42] legislação internacional, ordem baseada em regras
[00:22:45] essa coisa toda
[00:22:48] isso foi uma miragem do pós guerra
[00:22:51] e as coisas tendem a ficar cada vez mais instáveis
[00:22:54] é isso, beba água
[00:22:57] viva bem
[00:23:00] e não se preocupe em separar as latinhas
[00:23:03] e economizar água na hora do banho
[00:23:06] porque os bilionários estão trabalhando
[00:23:09] para que a gente não tenha nada disso no futuro
[00:23:12] independente do que a gente fizer
[00:23:15] um grande abraço
[00:23:18] e até a próxima