O preço da guerra e o efeito dominó na economia
Resumo
O episódio analisa as consequências econômicas do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que já dura quatro dias. A conversa com o economista José Roberto Mendonça de Barros explora como o fechamento do Estreito de Hormuz e os ataques a infraestruturas energéticas no Oriente Médio estão provocando um choque de oferta no mercado global de petróleo e gás natural, com reflexos imediatos nos preços.
O especialista detalha os efeitos em cadeia: o aumento do preço do petróleo pressiona a inflação global; a interrupção da produção de gás natural no Catar afeta o fornecimento de energia para Europa e Ásia; e a escassez de fertilizantes nitrogenados e fosfatados, dos quais a região é grande exportadora, ameaça a agricultura mundial, especialmente nos Estados Unidos, onde o milho é intensivo em nitrogênio.
Para o Brasil, o cenário é misto. Por um lado, o país é exportador de petróleo e sua agricultura (especialmente a soja, que não depende de fertilizantes nitrogenados) está menos exposta no curto prazo, pois a maior parte dos insumos para a safra atual já foi adquirida. Por outro, há pressão inflacionária devido à defasagem nos preços dos combustíveis (gasolina e diesel), o que pode forçar o Banco Central a revisar a trajetória de queda dos juros.
Mendonça de Barros projeta um crescimento do PIB brasileiro em 2026 um pouco menor que o de 2025 (em torno de 1,8%), com o desempenho dependendo crucialmente da duração do conflito. Ele destaca a robustez do setor externo brasileiro, mas alerta para os riscos de uma guerra prolongada (acima de 30-40 dias), que poderia desorganizar as cadeias globais de suprimentos e afetar as exportações, inclusive de frango para o Oriente Médio.
Indicações
Conceitos
- Efeito Dominó / Efeito Cascata — Conceito central do episódio, descrevendo como o aumento no preço do petróleo e a interrupção de rotas comerciais desencadeiam aumentos de custos em setores interligados, como fertilizantes, alimentos e transporte, afetando a economia global e o orçamento familiar.
- Affordability (Capacidade de Compra) — Termo em inglês usado para descrever a capacidade de compra das famílias americanas, apontado como um fator político central nos EUA que pode ser severamente afetado pelo aumento dos preços da gasolina e dos alimentos.
Indicadores_Economicos
- Brent e West Texas Intermediate (WTI) — Tipos de petróleo de referência. O Brent estava acima de US 74 devido ao conflito, com potencial para subir mais dependendo da duração da guerra.
- PIB Brasileiro — Cresceu 2,3% em 2025, puxado pelo agronegócio. Para 2026, a projeção da MB Associados é de um crescimento menor, em torno de 1,8%, devido às incertezas do conflito.
Organizations
- MB Associados — Consultoria econômica fundada por José Roberto Mendonça de Barros, citada como sua afiliação profissional.
- Federal Reserve (Banco Central Americano) — Mencionado no contexto da política monetária dos EUA, que pode ser impactada pela inflação decorrente da guerra, influenciando a taxa de juros e o valor do dólar.
- Banco Central do Brasil — Citado em relação à possível necessidade de revisar a trajetória de queda dos juros diante da pressão inflacionária causada pelo aumento do preço dos combustíveis.
People
- José Roberto Mendonça de Barros — Economista, fundador e sócio da consultoria MB Associados, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1995-1998). É o entrevistado que fornece a análise econômica detalhada sobre os impactos do conflito.
Linha do Tempo
- 00:00:00 — Introdução ao conflito e suas primeiras consequências econômicas — O episódio começa descrevendo o quarto dia do confronto entre EUA, Israel e Irã, com ameaças de ataques a centros econômicos no Oriente Médio. As consequências já ultrapassam o campo de batalha, pressionando mercados e preços globais, com destaque para a disparada do preço do petróleo. A localização estratégica do Irã e de seus vizinhos (como Arábia Saudita e Catar) no mercado global de energia é crucial, e o fechamento do Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo comercializado, é comparado a ‘fechar uma torneira’.
- 00:03:59 — Impacto no preço do petróleo e cenários de curto prazo — Natuza Nery pergunta a José Roberto Mendonça de Barros sobre os efeitos esperados no preço do barril de petróleo. Ele explica que o mercado, que estava ‘relativamente oferecido’, sofreu um choque brutal, com o Brent superando US$ 80. A duração do conflito é crucial: se for curto (uma semana), os estoques mundiais podem amortecer o impacto; se durar um mês ou mais, a pressão será forte e os preços podem subir ainda mais, atrapalhando a economia global. O fechamento do Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo global, é um fator-chave.
- 00:07:36 — Efeitos no gás natural e na cadeia de fertilizantes — A discussão avança para o gás natural, crucial para aquecimento e geração de energia, cuja produção no Catar foi afetada. Mendonça de Barros destaca um efeito indireto grave: o gás natural é matéria-prima para fertilizantes nitrogenados. Como o Estreito de Hormuz também é rota para 20-40% da oferta global desses fertilizantes, a agricultura mundial será impactada. Ele especifica que a agricultura americana, já fragilizada, sofrerá um grande aumento de custos, pois o milho é um grande consumidor de nitrogênio.
- 00:11:19 — Impactos econômicos nos EUA e considerações políticas — Natuza expressa surpresa com a decisão de Trump de entrar na guerra, dado o potencial estrago econômico. Mendonça de Barros concorda, explicando que, embora os EUA sejam grandes produtores, os preços internos de gasolina e fertilizantes seguem os preços globais. O aumento desses custos pressionaria ainda mais a agricultura americana e o custo de vida (“affordability”) da população, um tema central nas eleições. Ele sugere que, se a guerra se prolongar, o presidente pode se arrepender do movimento.
- 00:14:37 — Impacto nos preços dos alimentos e situação do Brasil — A conversa se volta para o impacto nos preços dos alimentos. Mendonça de Barros explica que o Brasil está em situação relativamente melhor: a soja, seu principal produto agrícola, não usa fertilizantes nitrogenados, e a maior parte dos insumos para a safra atual já foi comprada. O impacto maior será na próxima safra e nos fertilizantes fosfatados. Enquanto a agricultura do hemisfério norte será mais afetada no plantio da primavera, o Brasil tem uma ‘ajuda da ciência’ (pesquisa de décadas) que o protege parcialmente.
- 00:17:10 — Cenários para o câmbio (dólar/real) e inflação no Brasil — Analisando o câmbio, Mendonça de Barros explica que, no curto prazo, o dólar se valoriza como porto seguro. A trajetória futura depende da inflação nos EUA e da reação do Federal Reserve. Para o real, o cenário é de relativa estabilidade devido ao robusto setor externo brasileiro (superávit comercial recorde) e ao fato de o país ser exportador de petróleo. No entanto, o grande problema interno é a pressão inflacionária causada pela defasagem nos preços da gasolina e do diesel, o que pode forçar o Banco Central a ser mais cauteloso na queda dos juros.
- 00:23:49 — Perspectivas para o PIB brasileiro em 2026 — Sobre o PIB de 2025 (alta de 2,3%) e as perspectivas para 2026, Mendonça de Barros nota uma situação atípica: as empresas estão apertadas, mas as famílias estão bem, com desemprego baixo e renda crescendo acima da inflação. Para 2026, ele projeta um crescimento menor (cerca de 1,8%), puxado ainda pelo agronegócio, mas com incertezas devido ao conflito. A inflação mais pressionada pode corroer o poder de compra das famílias. O desempenho final dependerá muito da duração da guerra e de seus impactos na inflação e no câmbio.
- 00:28:46 — Impacto nas exportações brasileiras, como o frango — Por fim, é questionado sobre o impacto em exportações específicas, como o frango para o Oriente Médio. Mendonça de Barros afirma que, no curto prazo, há estoques, mas se a guerra se prolongar e a logística ficar complicada, todos os produtos exportados para a região enfrentarão desafios. A demanda pode cair um pouco devido ao aumento dos custos, mas a maior dificuldade será o risco e o custo da entrega.
Dados do Episódio
- Podcast: O Assunto
- Autor: G1
- Categoria: News
- Publicado: 2026-03-04T03:17:46Z
- Duração: 00:31:09
Referências
- URL PocketCasts: https://pocketcasts.com/podcast/o-assunto/9cc32e40-a9cb-0137-fae6-0acc26574db2/o-pre%C3%A7o-da-guerra-e-o-efeito-domin%C3%B3-na-economia/8bf64e5c-8565-4dd3-b36e-5491c5f3f93b
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Dados do Podcast
- Nome: O Assunto
- Tipo: episodic
- Site: https://g1.globo.com/podcast/
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Transcrição
[00:00:00] Em seu quarto dia, as consequências do confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã se expandem
[00:00:07] e ganham novas frentes.
[00:00:09] Nesta terça-feira, por exemplo, um general da Guarda Revolucionária iraniana ameaçou
[00:00:13] atacar, palavras dele, todos os centros econômicos do Oriente Médio.
[00:00:19] Isso, caso os bombardeios continuem.
[00:00:21] Ibrahim Habari disse que a resposta iraniana pode mirar a infraestrutura econômica de toda
[00:00:27] E as consequências disso, claro, vão muito além do campo de batalha.
[00:00:31] Cruzam fronteiras, chegam aos mercados, pressionam os preços.
[00:00:35] Petróleo e dólar são fatores de influência para todo um sistema econômico mundial.
[00:00:40] Aumentos em série levam ao efeito cascato no qual produtos influenciados por essas variáveis
[00:00:46] têm seus preços para o consumidor alterados.
[00:00:49] Isso é capaz de mexer com o seu orçamento pessoal, com o seu orçamento familiar.
[00:00:54] Os preços do barril de petróleo já dispararam.
[00:00:58] Para a Ásia e parte da Europa, que compram muito petróleo da região, a preocupação
[00:01:03] é maior.
[00:01:04] O motivo está sobretudo na geografia iraniana.
[00:01:07] É importante sempre lembrar da posição estratégica do Irã na produção e na distribuição
[00:01:11] de petróleo no mundo.
[00:01:13] Além de ser um dos principais produtores, o Irã está rodeado de países com grandes
[00:01:17] reservas como a Arábia Saudita.
[00:01:20] Boa parte do petróleo que move o mundo está ali.
[00:01:22] O Oriente Médio é uma peça-chave no mercado global de energia.
[00:01:26] O Irã, por exemplo, guarda a terceira maior reserva do planeta.
[00:01:29] A Arábia Saudita tem a segunda.
[00:01:31] E a Venezuela, essa por óbvio em outra região, tem a primeira.
[00:01:35] Já são várias instalações paralisadas por causa do conflito.
[00:01:39] O Catar interrompeu a produção de gás natural liquefeito depois de ataques iranianos com
[00:01:43] drones ao seu principal complexo de processamento.
[00:01:47] O país produz 20% da oferta global desse combustível, usado principalmente para gerar
[00:01:52] energia elétrica e calefação.
[00:01:54] Na Arábia Saudita, o Irã atacou a maior refinaria de petróleo, que produz 550 mil
[00:02:00] barris por dia.
[00:02:02] Em Israel, o governo determinou a interrupção das atividades em grandes campos de gás no
[00:02:08] mar.
[00:02:09] No Irã, explosões foram registradas na ilha, de onde sai a maior parte das exportações
[00:02:14] de petróleo do país.
[00:02:15] Parte desse petróleo precisa cruzar um corredor estratégico para abastecer o mundo.
[00:02:20] O Estreito de Hormuz liga ao Golfo Pérsico, onde estão cinco dos dez maiores produtores
[00:02:26] do mundo, ao Golfo de Oman.
[00:02:28] Os navios trafegam por rotas de três quilômetros de largura em cada sentido.
[00:02:33] Uma navegação considerada desafiadora.
[00:02:36] Por lá passam 20% do petróleo comercializado no planeta.
[00:02:39] São 18 milhões de barris por dia, dez vezes mais do que o Brasil exporta.
[00:02:44] O governo iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz.
[00:02:47] O mercado mundial de petróleo é muito volátil e responde rapidamente a qualquer instabilidade.
[00:02:53] Fechar o Estreito de Hormuz é como fechar uma torneira, e na dúvida sobre a disponibilidade
[00:02:58] do produto, o preço sobe.
[00:03:00] O impacto é quase imediato.
[00:03:02] Como efeito do que já aconteceu e das incertezas à frente, o preço do petróleo chegou a
[00:03:08] atingir o valor mais alto desde janeiro de 2025.
[00:03:11] E pode piorar.
[00:03:13] Os economistas afirmam que o aumento no preço do petróleo pode pressionar os índices de
[00:03:18] inflação no mundo inteiro, mas que a força desse impacto depende do tempo que o conflito
[00:03:25] vai durar.
[00:03:31] Da redação do G1, eu sou o Natuzaneri e o assunto hoje é o efeito dominó do preço
[00:03:37] da guerra.
[00:03:38] Neste episódio eu converso com José Roberto Mendonça de Barros, fundador e sócio da
[00:03:42] consultoria MB Associados.
[00:03:45] Ele foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998.
[00:03:53] Quarta-feira, 4 de março.
[00:03:59] José Roberto, a guerra, como sabemos, tem provocado o fechamento do Estreito de Hormuz,
[00:04:08] uma importante passagem para a grande parte do petróleo do mundo.
[00:04:12] Quais são os efeitos esperados no preço do barril?
[00:04:15] A gente já viu ontem o preço do barril aumentar, hoje essa escalada foi ampliada.
[00:04:24] Trump diz que essa guerra tem cinco semanas para durar, ninguém é capaz de dizer que
[00:04:30] termina antes disso, pode ser que dure mais tempo.
[00:04:33] A gente está falando de que cenário para o petróleo?
[00:04:35] Olha, é um cenário de pressão num mercado que estava relativamente oferecido, isto é,
[00:04:44] até antes da guerra, por isso que é uma mudança brusca e dramática, a oferta de
[00:04:50] petróleo tem crescido muito mais do que a demanda no ano passado e nesse ano.
[00:04:55] Então era para o petróleo estar indo na direção dos 60 dólares, era a expectativa
[00:05:00] dos mercados e dos futuros.
[00:05:02] E este choque, portanto, é brutal, porque a pouco, como você mencionou, o Brent estava
[00:05:09] acima de 80 dólares e o West Texas, que é o padrão americano, já estava em 74 dólares.
[00:05:18] E a gente sabe, pelas experiências do passado, que pode até subir mais, depende exatamente
[00:05:26] desse jogo de oferta e procura.
[00:05:28] No Brasil, a bolsa fechou em queda de 3,46%, o dólar subiu 1,91% e fechou em R$ 5,26.
[00:05:40] As cotações do ouro perderam um pouco de força e o barril do petróleo voltou a subir.
[00:05:45] Mas eu acho que o que dá para dizer é que enquanto durarem as hostilidades e a incerteza,
[00:05:54] o número do preço do petróleo será de 80 dólares, talvez para um pouco mais, porque,
[00:05:59] como o apartamento noticiado você mencionou, pelo estreito de ormuz passa mais ou menos
[00:06:06] 20% do mercado global.
[00:06:08] É muita coisa, né, Natuza?
[00:06:10] Então a pressão vai ser forte mesmo enquanto durar essa guerra.
[00:06:15] É factível a gente imaginar o barril alcançando a marca de 100 dólares no curto prazo?
[00:06:22] No curtíssimo prazo eu acho difícil, mas aí entra exatamente a duração.
[00:06:28] Por quê?
[00:06:29] Porque agora existem estoques no sistema, né, estão navios que não estão presos
[00:06:34] lá, estoques nos países, nos distribuidores, etc.
[00:06:38] Embora, há que se lembrar, o inverno nos Estados Unidos, de janeiro para cá, foi
[00:06:43] terrivelmente duro, o que significa que o país vem consumindo mais do que o normal
[00:06:49] e todo o lugar da hemisféria do norte.
[00:06:51] Com esse inverno duro é a mesma coisa.
[00:06:54] Então por isso que o tempo é crucial.
[00:06:56] Imagina que fosse uma semana, né, só tem pressão de preços, mas os estoques disponíveis
[00:07:02] são suficientes para guardar a volta da normalidade.
[00:07:05] Um mês já é muito complicado, porque os estoques não são desse tamanho.
[00:07:11] Um mês realmente começa a fazer falta de petróleo e o único jeito de ajustar é aumentar
[00:07:17] o preço.
[00:07:18] Se durar além de um mês, aí os níveis serão mais elevados ainda.
[00:07:23] Portanto, a resposta é, na hipótese de quatro ou cinco semanas, como levantou o presidente
[00:07:30] americano, é pressão para valer e vai atrapalhar bastante o mundo.
[00:07:36] Bom, inverno rigoroso me remete também a gás natural, porque é o que aquece as casas,
[00:07:43] por exemplo, as residências de países muito frios, mas não só isso.
[00:07:47] Geração de energia via gás natural, uso comercial, uso industrial também.
[00:07:55] A gente sabe que o Qatar foi atacado e o Qatar é um importante produtor de gás natural.
[00:08:03] E aí, a gente está falando também de um cenário preocupante no caso do gás natural?
[00:08:08] Sim, bastante preocupante.
[00:08:11] E aí, o gás natural utilizado, seja como aquecimento, seja como feeder para a eletricidade,
[00:08:19] tende a afetar muito a Europa e a Ásia, que é o maior destino do gás do Qatar.
[00:08:25] Há um efeito indireto, como você mencionou.
[00:08:28] O gás natural é o feeder dos produtos petroquímicos, assim como é também a NAFTA, e além disso,
[00:08:38] também é o maior matéria-prima para fazer fertilizantes nitrogenados.
[00:08:43] E de novo, o Golfo é muito importante nisso.
[00:08:47] E no Estreito de Ormuz, em termos de fertilizantes, passa qualquer coisa entre 20% e 40% a cada
[00:08:54] momento da oferta mundial desses fertilizantes.
[00:08:58] Então, fertilizantes nitrogenados também vão sofrer, aí pega na agricultura do mundo
[00:09:04] inteiro, inclusive para nós aqui.
[00:09:05] O ataque ao Irã já começou a provocar reflexos no mercado internacional de fertilizantes,
[00:09:11] nos preços especificamente.
[00:09:13] O país é um dos principais fornecedores globais de ureia, um insumo nitrogenado amplamente
[00:09:19] utilizado em lavouras de grãos aqui no Brasil, mas também em outros países.
[00:09:24] Logo após o início do conflito, fornecedores do Oriente Médio já retiraram suas ofertas
[00:09:29] no mercado, aguardando maior clareza sobre os preços.
[00:09:33] A avaliação é de que há neste momento um enxugamento da oferta por decisão dos próprios
[00:09:38] vendedores que tentam entender até onde as cotações podem subir.
[00:09:43] A preocupação se explica pelo peso na região na produção global.
[00:09:47] Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia, 28% das exportações
[00:09:55] de amônia e 29% das exportações de DAP, que são todos esses insumos para produção
[00:10:03] de fertilizantes.
[00:10:05] Como miséria pouca é bobagigas, além do gás natural, a gente tem uma escassez grande
[00:10:10] de enxofre, que é a matéria-prima de ácido sufúrico que solubiliza fosfatos, então
[00:10:17] vai afetar o mercado de fosfatos também.
[00:10:19] Que é uma importante fertilizante, né?
[00:10:21] Que é uma importante e indispensável fertilizante.
[00:10:23] E aí tem uma coisa curiosa, Natusa, o milho é o grande produto da agricultura americana
[00:10:32] e o milho é um enorme usuário do nitrogênio.
[00:10:37] Então a agricultura americana, que já está mal das pernas e com o Trump piorou, vai levar
[00:10:43] uma pancada no aumento de custos bastante grande.
[00:10:47] É um efeito enorme esse conjunto e outra indicação do tamanho disso, essa estatística
[00:10:55] do início da semana, da terça-feira, tinha quase 800 navios presos, ou antes, ou de um
[00:11:02] lado, ou de outro, do Estreito de Ormuz, 10% da capacidade de containers, também vai afetar
[00:11:08] o transporte de containers e todos os tipos de produtos.
[00:11:13] Ou seja, é um choque tanto para a economia global.
[00:11:19] A cada dia que passa, a cada novo especialista que eu ouço, e você de maneira tão contundente
[00:11:26] me diz que o estrago para os Estados Unidos pode ser tão grande, eu me surpreendo ainda
[00:11:32] mais com o fato de Trump ter entrado nessa guerra, porque do ponto de vista geopolítico
[00:11:37] pode ser um problema, mas do ponto de vista econômico, o que está se desenhando é um
[00:11:42] quadro potencialmente dramático.
[00:11:45] Agora não só para os Estados Unidos, né, Zé Roberto, porque você falava dos países
[00:11:49] do Golfo, a China, que você também mencionou, precisa muito do petróleo, precisa muito
[00:11:55] do gás natural para abastecer a sua indústria, que alimenta o mundo inteiro, que abastece,
[00:12:00] que fornece para o mundo inteiro.
[00:12:02] A gente já consegue calcular algum impacto para o crescimento chinês neste ano, ou ainda
[00:12:08] está cedo para dizer que vai abalar?
[00:12:11] Está cedo, porque como eu disse a vocês, agora depende crucialmente da duração da
[00:12:15] guerra e de quantos dias o fluxo comercial vai ficar afetado.
[00:12:20] Acima dos 30, 40 dias, sim, aí não tem dúvida nenhuma e potencialmente é ruim.
[00:12:26] Olhando por países, Natusa, realmente chama a atenção o tamanho do estrago que vai fazer
[00:12:32] nos Estados Unidos, porque embora os Estados Unidos produza muito petróleo, os preços
[00:12:38] desses produtos, da gasolina, do fertilizante, derivados de petróleo, nos Estados Unidos
[00:12:45] seguem os preços globais.
[00:12:48] Então, olha que coisa, presidente americano, corre o risco de se arrepender desse movimento,
[00:12:53] porque eu mencionei a agricultura, que é importante politicamente, e, Natusa, lá como
[00:12:59] aqui, a bancada ruralista é muito maior do que o tamanho do setor, e a agricultura
[00:13:04] americana está numa situação muito difícil, mas muito difícil, a gente tem que lembrar
[00:13:09] que o ano passado, uma retaliação que a China fez foi não comprar soja dos Estados Unidos,
[00:13:14] ela comprou uma montanha de soja do Brasil, então eles estão apertados por vários lados,
[00:13:20] você põe aumento no custo de fertilizantes e no custo do diesel, que vai subir também,
[00:13:25] você aperta mais esse setor.
[00:13:27] De outro lado, é reconhecido por todos os analistas políticos que a questão da capacidade
[00:13:34] de compra, da chamada affordability nos Estados Unidos, é central para explicar as várias
[00:13:41] derrotas do Partido Republicano nas eleições picadas nesse período recente.
[00:13:46] O presidente americano incorporou isso no seu discurso, ele está preocupado, a affordability
[00:13:52] vai ser essa questão, é a chave para o voto de 80% da população que está sofrendo,
[00:13:59] o custo do cartão de crédito é muito grande, porque o custo de comprar uma casa, a hipoteca
[00:14:05] está proibitiva e porque o custo de vida está subindo, aí destacando supermercado
[00:14:13] e gasolina, e a gasolina vai subir, então vai ter um custo e um reputo de relevante
[00:14:20] no ponto de vista do presidente e eu acho que ele vai ficar nervoso se isso acontecer
[00:14:25] e se a guerra extrapolar para 10 dias e mais e na direção de um mês, Natúcia.
[00:14:31] Nossa, é muito importante o quadro que você pinta e eu queria olhar um pouco mais detidamente,
[00:14:37] José Roberto, para o preço de alimentos, isso no mundo inteiro.
[00:14:41] Você explicava que o aumento do preço do fertilizante afeta o mundo agrícola de maneira
[00:14:47] geral.
[00:14:48] O Irã é um grande produtor de ureia, um importante elemento da produção rural.
[00:14:56] Diante disso, a gente pode esperar que tipo de alimentos subindo.
[00:15:02] Você falou do milho e tem o trigo também que são importantes para os Estados Unidos,
[00:15:07] mas olhando aqui para o que nos afeta, que tipo de alimentos podem subir e nos impactar
[00:15:14] aqui no nosso mercado brasileiro?
[00:15:16] Olha, nós temos uma grande diferença com os Estados Unidos a nosso favor, porque o
[00:15:21] que mais vai subir, porque é feito a partir do petróleo, são os nitrogenados e o milho
[00:15:28] é um grande usuário de nitrogenados.
[00:15:31] Agora, graças à ciência brasileira, a soja não usa nitrogênio, que é o nosso grande
[00:15:37] produto agrícola, então você veja que é interessante, vai sofrer menos, mas mais do
[00:15:43] que isso, no caso da agricultura brasileira, a maior parte do fertilizante já foi comprada
[00:15:49] e aplicada para esta safra, vai afetar mais a próxima safra, portanto, a partir do segundo
[00:15:55] semestre.
[00:15:56] Agora, o efeito para nós mais complicado é o efeito em cima do fosfatado, aí afeta
[00:16:04] os grãos, o mais complicado é a produção de grão, mas eu acho que é um desconforto
[00:16:10] para a agricultura brasileira, que os custos de reposição vão subir, mas não é uma
[00:16:15] trombada tão grande quanto na agricultura do hemisfério norte, eles estão no inverno
[00:16:20] agora e vão começar a plantar na primavera a partir de abril, mais ou menos, então
[00:16:25] é agora que eles têm que comprar fertilizante, é agora que vai, por isso que vai machucar
[00:16:29] mais nos Estados Unidos do que no Brasil.
[00:16:31] Ou seja, às vezes eu acho que Deus não é brasileiro, mas te ouvindo estou achando
[00:16:34] que sim.
[00:16:35] Nesse caso, Deus e a ciência, né?
[00:16:41] Porque a nossa alfada da soja nos fertilizantes é resultado direto de pesquisa científica
[00:16:48] de uns 40 anos atrás, e aí nós evitamos, mas que teve uma ajuda de vida nisso aí,
[00:16:53] teve sim.
[00:16:56] Espera um pouquinho que eu já volto para continuar a minha conversa com José Roberto
[00:16:59] Mendonça de Barros.
[00:17:00] Agora eu quero aproveitar todo o seu conhecimento para olhar para o câmbio, para o dólar e
[00:17:10] para o real.
[00:17:11] O que a gente pode esperar nesses dois cenários, porque acho que a gente está ficando bem
[00:17:16] claro a partir do que você nos conta, que a gente tem dois marcos aqui, o marco dos
[00:17:21] 10 dias e o marco dos 40 dias, olhando para o câmbio no marco dos 10 e no marco dos 40
[00:17:31] ou para frente, ou acima disso.
[00:17:34] No curtíssimo prazo, e nós vimos esses dias, o dólar se valorizou, porque aquela velha
[00:17:41] história do Porto Seguro, o ouro também subiu, que é o Porto dos Aflitos, é chamado
[00:17:47] Porto dos Aflitos, o dólar era o Porto Seguro porque ele acomoda volumes grandes, então
[00:17:53] o índice do valor do dólar frente aos principais concorrentes aumentou.
[00:17:58] E é isso mesmo, na dúvida você vai e compra um papel do tesouro americano, mesmo que
[00:18:04] não seja a melhor alternativa.
[00:18:07] Se olhar um pouquinho mais adiante, mais 40 dias, aí a gente tem que colocar uma outra
[00:18:14] variável porque aí a gente vai precisar saber para ver o que vai acontecer com o dólar,
[00:18:20] o que vai acontecer com a inflação nos Estados Unidos.
[00:18:22] Digo isso porque o Banco Central americano vem baixando os juros com cautela, porque
[00:18:31] a inflação ainda está muito acima da meta deles, que é de 2%, a inflação está por
[00:18:36] volta de 3%, e o executivo muito contrariado, o presidente ataca o Banco Central com frequência
[00:18:43] quando abaixou os juros com a velocidade devida.
[00:18:47] Vai mudar o presidente do Banco Central em maio e os mercados estão dizendo, olha, antes
[00:18:52] da guerra, e lá por junho dá para baixar de novo os juros, só que daqui até lá
[00:18:58] a gente tem que ver o que vai acontecer com a inflação e com as suas consequências.
[00:19:03] Se o Banco Central mudar a política monetária e sugerir até aumento de juros ou deixar
[00:19:11] de abaixar, o dólar se mantém pouco fortalecido, mas se apesar da inflação acabar seguindo
[00:19:20] a pressão do presidente da República e abaixar os juros, o dólar volta a se desvalorizar
[00:19:25] como aconteceu o ano passado todo e até pré-guerra.
[00:19:30] Agora, aqui o real subiu razoavelmente bem, chegou até a estar acima de 5,30, esta terça-feira
[00:19:38] está fechando a 5,27, ele subiu e assim vai continuar se continuar nessa guerra.
[00:19:47] Agora, tem uma coisa de Brasil, Natusa, que é o seguinte, o nosso setor externo está
[00:19:54] muito robusto no sentido de que o tarifácio não afetou o Brasil praticamente, afetou
[00:20:01] segmentos que não conseguiram se livrar das tarifas, tipo calçados e móveis, aí machuca
[00:20:07] bastante.
[00:20:08] Mas no ponto de estar macro, os que foram negativamente afetados são muito pequenos
[00:20:14] e o resultado, inclusive em termos do PIB, se olhar o que saiu do PIB, o resultado das
[00:20:20] exportações foi muito positivo.
[00:20:22] Pois daquele desânimo momentâneo, quando foram aplicadas as tarifas dos Estados Unidos,
[00:20:29] o Brasil teve que correr atrás de outros mercados e conseguiu.
[00:20:33] A balança comercial teve superávit de 68 bilhões de dólares, foram quase 350 bilhões
[00:20:42] em exportações, o maior número já registrado.
[00:20:46] O setor externo brasileiro vai continuar, eu acho, mesmo com a subida, como nós somos
[00:20:51] exportadores de petróleo, nós temos ganho na balança comercial e, além disso, a conta
[00:20:58] capital está favorável, então não devia ter uma grande desvalorização adicional
[00:21:03] a menos que o SEDAR de 40 dias entre, porque aí o jogo vai ficar internacional um pouco
[00:21:08] complicado.
[00:21:09] O nosso problema de inflação aqui dentro, Natus, é uma outra coisa, é que o preço
[00:21:15] do petróleo vai subir, isso é bom para a balança comercial, mas isso dá uma pressão
[00:21:21] inflacionária.
[00:21:22] E se você me permite lembrar, o dado é do dia 3 de março, saiu 3 de março, isto é
[00:21:32] quando nós estamos gravando, a gasolina tem uma defasagem de 12% e o que é pior?
[00:21:38] O diesel está atrasado, porque o diesel não é registrado há mais de ano, em 26%.
[00:21:45] Portanto, nós estamos introduzindo, se o setor externo em termos de exportação e importação
[00:21:52] não vai mexer muito, do ponto de vista de pressão da inflação, nós temos uma coisa
[00:21:57] nova, velha conhecida na realidade, nós temos novamente uma velha conhecida que é a defasagem
[00:22:03] do preço do combustível.
[00:22:05] No ano da eleição, o que será que vai acontecer?
[00:22:08] Ninguém sabe, eu não sei, mas o fato é assim, haverá uma pressão para o aumento de preço
[00:22:15] de combustíveis.
[00:22:16] E isso sim, vai afetar o curso da inflação aqui dentro.
[00:22:21] A inflação não deve ser tão favorável quanto a gente esperava, e não sendo assim,
[00:22:27] A pergunta que vale muito é, será que o Banco Central vai rever uma esperada trajetória
[00:22:37] descendente, uma velocidade razoável, ou não?
[00:22:42] E não só isso, porque se a inflação aumentar, o Banco Central vai ter que reavaliar suas
[00:22:48] projeções e a gente vem numa trajetória, como você disse, de queda nos juros e num
[00:22:54] ritmo importante, não tão importante quanto quem produz, quem prega, gostaria no Brasil,
[00:23:03] mas num ritmo descendente.
[00:23:05] Juros tão altos demais, 15% é uma taxa de juros muito alta e ela restritiva do crescimento,
[00:23:10] quis derrubar a taxa de inflação e conseguiu, a inflação está bem menor agora.
[00:23:15] Agora quando você olha nos setores, é impressionante que continuem crescendo, apesar dessa taxa
[00:23:20] de juros tão alta.
[00:23:22] O ministro Fernando Haddad fez uma avaliação de que a economia brasileira está num momento
[00:23:27] bom de atração de investimento e mesmo que haja turbulência de curto prazo, e é que
[00:23:31] curto prazo precisa entender o que ele entende por curto prazo, não devem impactar as variáveis
[00:23:38] macroeconômicas, mas o cenário, embora seja não dramático em muitas áreas, tem uns
[00:23:45] pontos de atenção aí que você levanta.
[00:23:49] E aí, Zé Roberto, não dá pra deixar de te perguntar sobre o resultado do PIB do ano
[00:23:54] passado, alta de 2,3%, um número puxado por um bom desempenho do agro.
[00:24:02] Eu quero te ouvir sobre esse dado e a perspectiva para 2026.
[00:24:07] Eu estou entendendo que está tudo um pouco suspenso, que as previsões precisam entrar
[00:24:11] um pouco em compasso de espera, porque a gente não sabe o que vai acontecer com esse
[00:24:15] conflito no Oriente Médio.
[00:24:17] Está acontecendo uma coisa que não tivemos assim fácilmente no passado, o que quer
[00:24:22] dizer com isso?
[00:24:23] A situação das empresas é muito pior que a situação das famílias.
[00:24:28] É curioso isso, porque normalmente, todas as vezes em que o Banco Central puxa muito
[00:24:33] a taxa de juros por causa da conta da inflação, o que acontece naturalmente é que as empresas
[00:24:38] se atrapalham, quem deve se atrapalha, quem é pequeno é sempre difícil, e nesse quadro
[00:24:45] aqui agora, as empresas estão realmente muito atrapalhadas, inclusive com uma coisa
[00:24:51] que nunca tinha tido no passado.
[00:24:53] O setor agropecuário está apertado de dinheiro, muita RJ no setor, muita ena de imprensa
[00:25:00] no setor.
[00:25:01] Então, isso é normal quando você puxa a taxa de juros.
[00:25:04] Mas o que acontece, que o normal é que quando você faz isso, as empresas desempregam e
[00:25:10] aí a taxa de desemprego some e as famílias ficam pior.
[00:25:14] Não é o que está acontecendo, por razões que desafiam a explicação.
[00:25:18] Não só a taxa de desemprego está na mínima histórica, você sabe disso, como a massa
[00:25:26] de renda das famílias, aí não é só meca, trabalho e transferências do governo, o ano
[00:25:34] passado inteiro e atualmente continua assim, está crescendo bem acima da inflação.
[00:25:40] E o emprego está alto e todos os setores queixam-se de escassez de mão de obra.
[00:26:10] Já do lado do consumo das famílias, houve também um crescimento, mas em um ritmo menor
[00:26:18] nesse resultado fechado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o
[00:26:22] IBGE.
[00:26:23] As famílias gastaram mais em ritmo menor, uma alta de 1,3%.
[00:26:29] Mas se de fato a inflação vai ficar um pouco mais pressionada, uma parte dessa coisa boa
[00:26:36] das famílias vai voltar para trás.
[00:26:40] É, vai ser corroída, então isso também tem a sua importância, porque uma das razões
[00:26:46] da renda das famílias estar alta é exatamente o que você mencionou há pouco, o custo de
[00:26:51] alimentação no domicílio caiu muito, caiu o custo de alimentação e imediatamente se
[00:26:58] traduz num aumento do poder de compra, especialmente nas famílias de menor renda, que é onde a
[00:27:04] participação do alimento é muito importante na renda.
[00:27:07] Agora para esse ano, o que eu acho que dá para dizer?
[00:27:10] Primeiro, também porque está acontecendo agora, o setor agrícola, a produção agrícola
[00:27:15] é a mais bem defendida.
[00:27:17] Nós temos uma projeção, nós, MB, de 4% no crescimento da produção agrícola para
[00:27:23] esse ano.
[00:27:24] A safra de verão foi muito boa, a safra, a segunda safra, chamada safrinha, está sendo
[00:27:30] plantada, está começando plantio, mas aí depende de clima, a área cultivada vai ser
[00:27:35] muito boa, que é isso que a agricultura acontece.
[00:27:37] Então, a agricultura, em princípio, exceto pelo eterno risco climático, vai ter um bom
[00:27:43] desempenho.
[00:27:44] O grande problema com esse cenário que está aí, está, um, na indústria, dois, na própria
[00:27:53] construção civil, porque aí os juros cairiam menos rápido e isso atrapalha a construção
[00:28:00] civil.
[00:28:01] E aí você tem razão.
[00:28:02] Nós vamos depender de quanto tempo vai durar essa situação difícil lá fora, qual o
[00:28:08] impacto disso na inflação, no câmbio, e aí sim, o desempenho no resto do ano.
[00:28:16] De qualquer forma, a projeção universal é que o PIB desse ano cresce um pouco menos
[00:28:22] que o ano passado.
[00:28:23] Passado o 2 e 3, a nossa projeção para esse ano é 1 e 8, pode ser um pouquinho mais,
[00:28:28] 1 e 9.
[00:28:29] Não é recessão, jeito nenhum, mas é menor que o ano passado.
[00:28:35] E, portanto, essa é uma insegurança com relação à projeção para o resto do ano.
[00:28:40] Zé Roberto, eu só não te perguntei no setor agrícola de um produto que a gente exporta
[00:28:46] para países do Oriente Médio, que é o frango ralau, porque exige um tipo de abatimento
[00:28:54] diferente, né, então, de abate diferente, melhor dizendo.
[00:28:58] Como é que ficam esses produtores de frango que exportam para lá?
[00:29:04] Olha, fica o seguinte, primeiro, esses e todos os outros que exportam para aquela região
[00:29:10] de todos os produtos estão, nesse momento, tentando ver quais são as alternativas de
[00:29:17] entrega.
[00:29:18] Mas, em princípio, vai ficar mais caro vender para aquela região.
[00:29:23] O mais caro provavelmente diminui um pouco a demanda, embora seja uma região relativamente
[00:29:29] rica, especialmente os governos, né, são muito ricos naquela região.
[00:29:34] Eu acho que está ainda em observação, né, talvez a demanda não caia muito, mas o desafio
[00:29:43] do risco de entrega da logística vai ser muito grande.
[00:29:48] No curto prazo, do que eu sei, tem algum estoque para ser consumido lá nas pontas,
[00:29:54] mas não dura muito tempo, né, então pode sim ter alguma dificuldade, desde que demore
[00:30:01] muito a questão da guerra e, portanto, a logística fique bastante complicada, vale
[00:30:07] para o frango, mas vai valer para todos os produtos.
[00:30:11] José Roberto, que prazer enorme ouvi-lo de novo aqui no assunto.
[00:30:16] Eu desconfio que vamos precisar conversar mais algumas vezes ao longo desse período
[00:30:22] de conflito.
[00:30:23] Te agradeço enormemente a disposição de conversar com a gente aqui no assunto.
[00:30:27] Natuza, o prazer é meu, estou à disposição e vamos torcer para o cenário melhor, mas
[00:30:35] que está preocupante, tá, né?
[00:30:38] Sem dúvida nenhuma.
[00:30:39] Obrigada, José Roberto.
[00:30:41] Um abraço.
[00:30:43] Este foi o Assunto, o podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de
[00:30:48] áudio preferida.
[00:30:49] Comigo na equipe do Assunto estão Luiz Felipe Silva, Amanda Polato, Sara Rezende, Carlos
[00:30:54] Catelan e Luiz Gabriel Franco.
[00:30:57] Eu sou Natuza Neri e fico por aqui.
[00:30:59] Até o próximo assunto.